Exames. Pais têm de autorizar escolas a suspender aulas Directores dizem não ter condições para manter escola aberta, mas tutela avisa que o fecho só é possível com autorização das associações de pais As direcções escolares que, na próxima semana, quiserem suspender as aulas nos dias das provas finais de Português e de Matemática do 4º e 6º ano têm primeiro de obter um "parecer favorável" das associações de pais. O pedido de autorização é obrigatório e os directores das escolas asseguram que só receberam essa orientação da tutela ontem de manhã. No ofício enviado às escolas, a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) aponta as condições para que possam ser suspensas as actividades lectivas, entre as quais consta um "parecer favorável da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola". Nos últimos dias, as associações de directores escolares têm avisado que boa parte das escolas não tem condições para manter as actividades lectivas para os alunos que não fazem exames nos dias das provas. Pela primeira vez, os exames acontecem ainda durante o período normal de aulas e os directores protestam agora também contra o "timing" da nova regra. "Isto é uma novidade", disse à Lusa Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, criticando o facto de a informação ter sido recebida nas escolas apenas no último dia útil da primeira prova. "Caso na segunda-feira um inspector apareça, os estabelecimentos têm de ter o parecer positivo das associações de pais", avisou Filinto Lima. Questionado pela Lusa sobre esta nova exigência, o Ministério da Educação explicou que, embora seja a primeira vez que as provas acontecem em tempo de aulas, os exames foram marcados há quase um ano para que as escolas se organizassem e implementassem medidas organizativas de forma a que fosse possível "conciliar a realização das provas, as necessidades educativas dos alunos não sujeitos a exame e a vida familiar". "Foi nesse sentido que a DGEstE enviou um ofício as escolas que solicitaram orientações, sugerindo a gestão adequada, incluindo a auscultação dos pais neste processo". 220 mil alunos As provas finais que acontecem na segunda-feira e na quarta-feira serão realizadas por cerca de 220 mil alunos do 4º ano e do 6º ano e terão este ano um peso de 30% na nota dos alunos do 4º ano. No ano passado, as provas aplicadas aos alunos do 6º ano já tinham esse peso, mas no 4º ano ainda só valiam 25% da nota. Para vigiar as provas foram chamados perto de 10 mil professores para cada ciclo. As provas do 4.º e 6.º anos de escolaridade realizam-se em 1088 e 1150 escolas, respectivamente, refere a tutela em comunicado. A prova de Português do 4º ano decorre na segunda-feira pelas 9h30 e de Matemática será à mesma hora de quarta-feira. Já os alunos do 6º ano fazem as provas nesses mesmos dias mas pelas 14h00. Os resultados serão divulgados a 12 de Junho e os alunos que não obtiverem aprovação poderão frequentar um período de recuperação até ao início de Julho e repetir as provas nesse mês. Com Lusa Kátia Catulo