Volta à Itália.Nacer para vencer Nacer Bouhanni ganha a segunda etapa ao sprint em três dias, Matthews mantém a rosa e André Cardoso é 62.º da geral Cinco horas, 16 minutos e cinco segundos é muito tempo, não é? Imagine agora cinco horas, 16 minutos e cinco segundos em cima de uma bicicleta a andar para a frente na perspectiva de acabar a etapa. Já está? Cansa, não cansa? Pois, agora imagine cinco horas, 16 minutos e cinco segundos em cima de uma bicicleta na perspectiva de acabar a etapa à frente dos outros. Já está? Sim? Então chama-se Nacer Bouhanni. Só pode. Três dias depois de ter ganho a etapa em Bari e colocar fim a uma seca de três anos de vitórias francesas na Volta a Itália, o ciclista de 23 anos confirma de novo o seu potencial na sétima etapa, entre Frosinone e Foligno, com uma vitória ao sprint sobre o italiano Giacomo Nizzolo (Trek) e o esloveno Luka Mezgec (Giant-Shimano). "Estava na roda dos Giant-Shimano antes do sprint e depois consegui passá-los ao longo das barreiras. Estou contente por mim e pela equipa. Que belo trabalho", desabafa Bouhanni, conhecido por ter sido o campeão de França em 2012 mas também um dos rostos mais animados do pelotão, como pugilista nas horas vagas e desistente na Vuelta em 2012 mais Giro e Tour em 2013. Se cinco horas, 16 minutos e cinco segundos demoram a passar, imagine uma etapa plana de 211 quilómetros em que no pasa nada... Já está? Pois, cansa. Só perto do fim aquilo anima. O aquilo tem nome. Cinco até: os colombianos Robinson Chalapud (Colombia) e Winner Anacona (Lampre-Merida), o espanhol José Herrada (Movistar), o alemão Bjorn Thurau (Europcar) e o italiano Nicola Boem (Bardiani-CSF). Adiantam-se aos restantes e chegam a estar com um avanço de nove minutos em relação ao pelotão. Ora bem, isso não é assim não é? Vai daí, a Orica-GreenEdge (do camisola rosa Michael Matthews) chega-se à frente e acelera o passo no sentido de acabar com a fuga, algo conseguido com êxito a dois quilómetros da meta. Abre-se aí o espaço para os sprinters e Bouhanni chama a si a responsável de ser o herói do dia em Foligno, cidade só uma vez designada como final de etapa há já muito, muito tempo. Muito mais que cinco horas, 16 minutos e cinco segundos, veja lá bem. Desde 1968. Antes de cortar a meta, Bouhanni levanta os braços e cá vai disto, é um bis à francesa em Itália. "É um sprinter muito bom, que não tem medo de nada", justifica o italiano Mario Cipolini, recordista de vitórias (42) em etapas no Giro. A chegada em pelotão mantém o australiano Michael Matthews como dono da camisola rosa, 21 segundos de avanço sobre o compatriota Cadel Evans (BMC) e 1.28 minutos sobre o colombiano Rigoberto Urán (Omega Pharma-Quickstep). "Já não tenho as mesmas pernas que tinha em Montecassino [há dois dias], mas não vou reclamar. Acho que amanhã não vou continuar com esta camisola." É isso aí, hoje começa a montanha e a etapa acaba com uma subida de 6,4 quilómetros. Rui Miguel Tovar