Crítica a "Gilbertos Sambas". Esse preto que todo o mundo gosta  Caetano apaixonava-se por Gilberto Gil ao vê-lo na televisão e esse enamoramento ficaria imortalizado na frase de sua mãe, Dona Canô, “Caetano, venha ver o preto que você gosta”. Depois, Caetano e Gil apaixonavam-se por João Gilberto, esse baiano que revolucionou a bossa nova, a quem bastava o samba de uma nota só. Por todas as razões óbvias, o que não faltam são versões das grandes canções da bossa nova, acostumando-nos nós a ouvi-la até em língua estrangeira. Com todas as intermitências questionáveis que o facto levanta, o aqui Gil faz, ao revisitar João, é escapar a todas essas dúvidas. Ele não é João nem quer sê-lo, mas bebeu-lhe a magia e agora verte-a com a sua, que lhe flui do coração para a voz e para as mãos. O cancioneiro de João, tão vasto quanto esplêndido, é aqui bem louvado, por um aprendiz que, sem nunca deixar de o ser (tal é a reverência cuidadosa com que trata estas canções), é também ele um mestre.  Carolina Pelicano Falcão