Dois vereadores da Câmara do Funchal anunciam demissão dos cargos “Na próxima segunda-feira entregaremos formalmente a nossa demissão, estando disponíveis para passar as pastas que nos foram confiadas e os processos que temos em andamento a quem o presidente indicar”, informaram A vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, Filipa Jardim Fernandes, e o vereador Edgar Silva, eleitos pela coligação ‘Mudança’, anunciaram hoje que vão apresentar formalmente na segunda-feira a sua demissão ao presidente da autarquia. “Na próxima segunda-feira entregaremos formalmente a nossa demissão, estando disponíveis para passar as pastas que nos foram confiadas e os processos que temos em andamento a quem o presidente indicar”, informaram os autarcas em comunicado. A crise no executivo da Câmara do Funchal foi despoletada na semana passada pela decisão do presidente Paulo Cafôfo (eleito em setembro pela coligação PS/BE/PND/MPT/PTP/PAN) de redistribuir os pelouros pelos vereadores da sua equipa. O vereador Gil Canha (PND) discordou da decisão de lhe ser retirado o pelouro da Fiscalização Municipal, acabando por rejeitar todas as competências. O descontentamento estendeu-se à vice-presidente (independente) e ao vereador Edgar Silva (PTP). No comunicado hoje emitido, os dois elementos do executivo municipal consideram que esta crise “não é uma questão de partidos ou de pessoas, mas uma questão de boa governabilidade”. “Por respeito aos funchalenses e a todos os colaboradores da Câmara Municipal do Funchal, de forma a devolver a tranquilidade que a cidade merece e não bloquear qualquer solução, não resta outra alternativa do que apresentar a demissão dos cargos de vereadores e deixar o presidente seguir o seu caminho”, sustentam no comunicado. Os autarcas realçam que depois da vitória da coligação, que derrotou a maioria que o PSD detinha há 38 anos, “os eleitos desde o início quiseram estabelecer na Câmara do Funchal o rigor, a independência, a equidade, a transparência e uma gestão camarária defensora unicamente dos interesses de todos os funchalenses”. Contudo, ao longo dos primeiros meses de governação, referem, foram surgindo "alguns episódios de falta de solidariedade e diálogo do presidente para com os vereadores executivos”. Paulo Cafôfo, indicam, “sem qualquer explicação nem qualquer diálogo prévio com a sua própria equipa executiva, propôs uma alteração de pelouros e poderes, que não foi de imediato aceite por todos, tendo alguns vereadores mostrado algumas reservas”. Os dois autarcas sustentam que o presidente “decidiu unilateralmente retirar todos os pelouros” ao vereador Gil Canha, considerando que esta posição, politicamente, “fratura a coligação”, criando um “problema sério de governabilidade da câmara” e constituindo também um “ato injusto para com um colega de equipa”. “Tudo fizemos para fazer ver ao presidente que deveria rever a sua posição”, dizem, destacando que a resposta foi “o total silêncio” e que Paulo Cafôfo fez uma declaração pública na quinta-feira sem convocar os vereadores visados. Filipa Fernandes e Edgar Silva pedem desculpa a todos os que os elegeram e afirmam não poder “pactuar mais com uma liderança que não une mas divide, que em vez de dialogar com a sua equipa executiva fica refém de interesses”. Paulo Cafôfo disse na quinta-feira, justificando a retirada do pelouro da Fiscalização Municipal a Gil Canha, que “estavam a tornar-se insustentáveis as reclamações dos pequenos comerciantes, dos vendedores e pessoas que todos os dias pediam oportunidades, licenças ou espaço para exercer uma atividade económica”. A Lusa tentou contactar hoje o vereador Gil Canha, o que não foi possível até ao momento. A coligação ‘Mudança’ conquistou nas últimas autárquicas cinco de 11 mandatos, ficando o PSD com quatro lugares. O CDS-PP e CDU têm um representante cada. *Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico Agência Lusa