Antigos trabalhadores do urânio manifestam-se no sábado em Lisboa Esta ação contará com “uma grande representação dos ex-mineiros e familiares” e também com “a solidariedade de muitos outros que irão engrossar o protesto, que se inicia em manifestação desde a basílica da Estrela até à residência do primeiro-ministro Os antigos trabalhadores da extinta Empresa Nacional de Urânio (ENU) concentram-se no sábado à tarde junto à residência oficial do primeiro-ministro, em protesto contra a não atribuição das indemnizações aos familiares dos colegas que morreram com cancro. Segundo o presidente da Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio (ATMU), António Minhoto, esta ação contará com “uma grande representação dos ex-mineiros e familiares” e também com “a solidariedade de muitos outros que irão engrossar o protesto, que se inicia em manifestação desde a basílica da Estrela até à residência do primeiro-ministro”. Os antigos trabalhadores da ENU - que esteve sediada na Urgeiriça, no concelho de Nelas - lutam há vários anos para que sejam pagas indemnizações aos familiares dos colegas que morreram com cancro, devido à exposição à radioatividade. A decisão de avançar com este protesto foi tomada na última Assembleia Geral dos ex-mineiros de urânio. "Ao fim de 14 anos, continuam a empatar-nos. Não se pode continuar a adiar a justiça para com os ex-trabalhadores da ENU, que estão doentes, e para com os familiares de colegas que morreram com cancro devido à exposição à radioatividade", sublinhou António Minhoto. O dirigente associativo lembrou que os ex-mineiros foram recentemente ao Parlamento Europeu expor os seus problemas, tendo recebido “a solidariedade de muitos deputados europeus” que subscreveram um comunicado enviado ao governo português. “No entanto, continua a não haver respostas, assim como continua a não ser dado seguimento à resolução aprovada na Assembleia da República", lamentou. A resolução, publicada em Diário da República a 02 de agosto de 2013, recomenda ao Governo que proceda à realização de um estudo científico ao universo dos ex-trabalhadores e mineiros, para que se confirme a influência nefasta da exposição ao urânio. Solicita ainda que se promova uma quantificação do impacto financeiro de um possível processo indemnizatório baseado em critério justos, equitativos e objetivos na sua aplicabilidade a atribuir aos ex-trabalhadores da ENU. "Quase um ano depois de o documento ser publicado, nada foi feito. A partir de agora, mostramos toda a indisponibilidade para qualquer estudo científico a realizar, tendo em conta que se houvesse alguma seriedade por parte dos proponentes desse tal estudo, PSD e CDS, o mesmo já se tinha realizado", referiu.   *Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa Agência Lusa