Trabalhadores da Metro do Porto criticam "falta de estratégia da administração" O jornal Público noticia hoje que a Metro do Porto e a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) já deram início ao programa de rescisões por mútuo acordo, que tem por objetivo a saída de cerca de 300 trabalhadores O presidente da Comissão de Trabalhadores da Metro do Porto criticou hoje “a falta de estratégia da administração” da empresa, lamentando que a transportadora "esteja a ser comandada pelo Ministério das Finanças”. “Não acredito que o senhor secretário de Estado, Sérgio Monteiro, se reveja na estratégia da administração da Metro”, afirmou Nuno Ortigão, criticando o facto de, “em vez de se definir o que se quer fazer na empresa, anunciar o que vai acontecer, avançar-se já para um programa de rescisões amigáveis”. O jornal Público noticia hoje que a Metro do Porto e a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) já deram início ao programa de rescisões por mútuo acordo, que tem por objetivo a saída de cerca de 300 trabalhadores. “A Metro pode perder recursos que no futuro farão falta. Há uma ausência total de estratégia para a empresa e provavelmente esta administração vai acabar por descobrir que estas pessoas [que vão aderir ao programa] eram necessárias”, sustentou o membro da CT. Segundo Nuno Ortigão, os cerca de 100 trabalhadores receberam na semana passada uma comunicação interna dando conta da possibilidade de aderirem ao programa, que tem um “prazo ilimitado”. Contactado pela Lusa, o presidente da CT da STCP, Ricardo Cunha, adiantou que, até ao momento, os trabalhadores da transportadora ainda não receberam qualquer ordem de serviço, contudo, “houve uma reunião com a administração em que foi anunciado” que o programa vai avançar em breve. Nuno Ortigão salientou ainda que tinha sido solicitado ao presidente do conselho de administração, que é comum à Metro e STCP, que desse a conhecer falasse com a CT antes de o lançar, “o que não aconteceu”. “Não há cultura democrática. Tememos não saber quantas pessoas vão aderir e quais os motivos para tal”, lamentou. O responsável adiantou ainda que, em conjunto com a CT da STCP, pretende solicitar uma reunião com caráter de urgência ao secretário de Estado dos Transportes. “Pretendemos transmitir a nossa preocupação pela falta de estratégia desta administração”, disse, mostrando-se ainda preocupado com a possibilidade de o Metro do Porto “não ter um novo operador no dia 01 de janeiro de 2015”, bem como a possibilidade de “não haver nenhuma subconcessão em nenhum lado”. As duas empresas têm um conselho de administração comum desde o verão de 2012, ano em que foi conhecida a intenção de avançar com um programa de rescisões por mútuo acordo, no âmbito da fusão que Governo definiu entre a Metro do Porto e a STCP, que obriga à reestruturação das transportadoras. Entretanto, é também conhecida intenção do Governo de concessionar os serviços da STCP e Metro, devendo os concursos públicos ser lançados durante o segundo semestre do ano. O secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações garantiu na quinta-feira que as concessões da STCP, Metro do Porto, Carris e Metropolitano de Lisboa serão feitas em “concursos separados”, cujo caderno de encargos estará concluído até final de junho.   *Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa   Agência Lusa