{1}1
Feliz o homem que não vai ao conselho dos injustos,
não pára no caminho dos pecadores,
nem se senta na roda dos zombadores.
Pelo contrário:
o seu prazer está na lei de Javé,
e medita a sua lei, dia e noite.
Ele é como árvore
plantada junto da água corrente:
dá fruto no tempo devido,
e as suas folhas nunca murcham.
Tudo o que ele faz é bem sucedido.
Não são assim os
injustos! Não são assim!
Pelo contrário:
são como palha que o vento arrebata...
Por isso os injustos não ficarão de pé no Julgamento,
nem os pecadores na assembleia dos justos.
Porque Javé conhece o caminho dos justos,
enquanto o caminho dos injustos perece.
{1}2
Por que motivo as nações se rebelam,
e os povos planeiam em vão?
Os reis da terra revoltam-se
e, unidos, os príncipes conspiram
contra Javé e contra o seu Messias:
«Rebentemos os seus grilhões,
sacudamos o seu jugo!»
Aquele que habita no céu ri-Se,
Javé diverte-Se à custa deles.
E depois fala-lhes com ira,
confundindo-os com furor:
«Fui Eu que consagrei o meu rei
em Sião, minha sagrada montanha!»
Vou proclamar o decreto de Javé!
Ele disse-Me: «Tu és o meu filho,
Eu hoje Te gerei.
Pede-Me, e Eu Te darei as nações como herança,
os confins da terra como propriedade.
Tu as governarás com ceptro de ferro,
e as quebrarás como vaso de oleiro».
E agora, ó reis, sede prudentes!
Deixai-vos corrigir, juízes da terra.
Servi a Javé com temor,
prestai-Lhe homenagem tremendo,
para que Ele não Se irrite, e vós pereçais no caminho,
pois a sua ira inflama-se depressa.
Felizes aqueles que n'Ele se abrigam!
{1}3
Javé, como são numerosos os meus opressores,
numerosos os que se levantam contra mim!
Numerosos aqueles que dizem a meu respeito:
«Deus nunca vai salvá-lo».
Tu porém, Javé, és o escudo que me protege,
és a minha honra, Aquele que me faz erguer a cabeça.
Em alta voz eu grito por Javé,
e Ele responde-me do seu monte santo.
Posso deitar-me, dormir e despertar,
pois é Javé quem me sustenta.
Não temo essa multidão de gente
que em cerco se coloca contra mim.
Levanta-Te, Javé! Salva-me, Deus meu!
Pois golpeias no queixo os meus inimigos todos,
e quebras os dentes dos injustos.
De Ti, Javé, vem a salvação
e a bênção para o teu povo.
{1}4
.
Quando Te invoco, responde-me, ó Deus, meu defensor!
Na angústia Tu me aliviaste:
tem piedade de mim, ouve a minha prece!
Ó homens, até quando ultrajareis a minha honra,
amando o nada e buscando a ilusão?
Sabei que Javé faz maravilhas pelo seu fiel:
Javé ouve quando eu O invoco.
Tremei e não pequeis. Reflecti
no silêncio do leito.
Oferecei sacrifícios justos
e tende confiança em Javé.
Muitos dizem: «Quem nos fará ver a felicidade?»
Javé, levanta sobre nós a luz da tua face!
Puseste em meu coração mais alegria
do que quando para eles transbordam o trigo e o vinho.
Em paz me deito e logo adormeço,
porque só Tu, Javé, me fazes viver tranquilo.
{1}5
Javé, escuta as minhas palavras,
leva em conta o meu gemido.
Ouve atento o meu grito por socorro,
meu Rei e meu Deus!
É a Ti que eu suplico, Javé!
Pela manhã ouves a minha voz;
pela manhã Te apresento a minha causa,
e fico à espera...
Tu não és um Deus que ame a injustiça.
o malvado não é teu hóspede.
Não, os arrogantes não se mantêm
na tua presença.
Odeias todos os malfeitores
e destróis os mentirosos.
Javé rejeita o homem sanguinário e traiçoeiro.
Quanto a mim, pelo teu grande amor,
eu entro em tua casa.
Cheio de temor, eu me prostro
voltado para o teu sagrado santuário.
Guia-me, Javé, com a tua justiça,
por causa dos que me espreitam.
Endireita na minha frente o teu caminho!
Pois eles não falam com sinceridade,
e o seu íntimo está cheio de maquinações.
A sua garganta é um túmulo aberto
e a sua língua é aduladora.
Declara-os culpados, ó Deus.
Que os seus planos fracassem!
Expulsa-os pelos seus crimes numerosos,
porque se revoltam contra Ti.
Fiquem alegres todos os que se abrigam em Ti,
e rejubilem para sempre.
Tu os proteges, e em Ti exultam
os que amam o teu nome.
Pois Tu, Javé, abençoas o justo,
o teu favor protege-o como escudo.
{1}6
Javé, não me castigues com a tua ira,
não me corrijas com o teu furor!
Piedade, Javé, que eu desfaleço!
Javé, cura-me, pois os meus ossos tremem.
Todo o meu ser estremece...
E Tu, Javé, até quando?
Volta-Te, Javé! Liberta-me!
Salva-me, por teu amor!
Pois na morte ninguém se lembra de Ti,
quem Te louvaria no túmulo?
Sinto-me esgotado de tanto gemer,
e de noite choro na cama,
banhando o meu leito com lágrimas.
Os meus olhos derretem-se de dor,
envelhecem de tantas contradições.
Afastai-vos de mim, todos vós, malfeitores:
Javé ouviu o meu soluço!
Javé ouviu o meu pedido,
Javé acolheu a minha prece.
Envergonhai-vos, todos os meus inimigos,
retirai-vos depressa, cheios de vergonha!
{1}7
Javé, meu Deus, eu me abrigo em Ti!
Salva-me de todos os meus perseguidores!
Liberta-me!
Que não me apanhem, como um leão,
e me estraçalhem, e ninguém me liberte!
Javé, meu Deus, se eu fiz alguma coisa...
se cometi alguma injustiça,
se paguei com o mal a quem me fez o bem,
se poupei sem razão a quem me oprimiu,
que o inimigo me persiga e alcance!
Que me pise vivo por terra
e aperte o meu ventre contra a poeira!
Levanta-te, Javé, com a tua ira!
Ergue-Te contra o abuso dos meus opressores!
Acorda, meu Deus!
Decreta um julgamento!
Que a assembleia dos povos Te cerque;
senta-Te sobre ela, no mais alto.
-Javé é o juiz dos povos. -
Julga-me, Javé, conforme a minha justiça
e segundo a minha inocência.
Põe fim à maldade dos injustos
e apoia o justo,
pois Tu sondas corações e rins,
ó Deus justo!
Quem me protege é Deus,
que salva os corações rectos.
Deus é um justo juiz,
Deus ameaça a cada dia.
Se não se convertem, Ele afia a espada,
estica o arco e aponta;
prepara as suas armas que matam,
aponta as suas flechas de fogo.
Vede: o injusto concebeu a injustiça,
está prenhe de ganância
e dá à luz a mentira.
Ele cava e aprofunda um buraco,
e acaba por cair na cova que fez!
A sua ganância volta-se contra ele,
a sua violência recai-lhe na cabeça!
Eu agradeço a Javé pela sua justiça,
e canto ao nome de Javé Altíssimo.
{1}8
Javé, Senhor nosso,
como é poderoso o teu Nome
em toda a Terra!
Exaltaste a tua majestade acima do céu.
Da boca de crianças e bebés
tiraste um louvor contra os teus adversários,
para reprimir o inimigo e o vingador.
Quando contemplo o céu, obra dos teus dedos,
a Lua e as estrelas que fixaste...
O que é o homem, para dele te lembrares?
O ser humano, para que o visites?
Tu o fizeste pouco menos do que um deus,
e o coroaste de glória e esplendor.
Tu o fizeste reinar sobre as obras das tuas mãos,
e sob os pés dele tudo colocaste:
ovelhas e bois, todos eles,
e as feras do campo também;
as aves do céu e os peixes do oceano,
que percorrem as sendas dos mares.
Javé, Senhor nosso,
como é poderoso o teu Nome
em toda a Terra!
{1}9
Javé, eu Te agradeço de todo o coração,
proclamando todas as tuas maravilhas!
Eu me alegro e exulto em Ti,
e toco ao teu Nome, ó Altíssimo!
Os meus inimigos voltam atrás,
tropeçam e desaparecem da tua presença.
Porque defendeste a minha causa e direito:
sentaste-Te em teu trono como justo juiz.
Ameaçaste as nações, destruíste o injusto,
para todo o sempre apagaste o seu nome.
O inimigo acabou, em ruínas para sempre,
arrasaste as cidades, e a lembrança dele desapareceu.
Eis que Javé Se sentou para sempre,
firmou o seu trono para o julgamento.
Ele julga o mundo com justiça
e governa os povos com rectidão.
Que Javé seja fortaleza para o oprimido,
fortaleza nos tempos de angústia.
Em Ti confiam os que conhecem o teu Nome,
pois não abandonas os que Te procuram, Javé.
Tocai para Javé, que habita em Sião;
contai entre os povos as suas façanhas:
Ele vinga o sangue derramado, Ele lembra-Se,
e não Se esquece jamais do clamor dos pobres.
Piedade, Javé! Olha a minha aflição!
Levanta-me das portas da morte,
para que eu proclame os teus louvores,
e exulte com a tua salvação
junto às portas da capital de Sião!
Os povos caíram na cova que fizeram,
no laço que ocultaram prenderam o pé.
Javé apareceu a fazer justiça,
apanhou o injusto na sua manobra.
Que os injustos voltem ao túmulo,
os povos todos que se esquecem de Deus!
Pois o indigente não será esquecido para sempre,
e a esperança dos pobres jamais se frustrará.
Levanta-Te, Javé, que o mortal não triunfe!
Que os povos sejam julgados na tua presença!
Infunde neles o medo, Javé:
saibam os povos que são homens mortais!
{1}10
(9B)
Javé, porque ficas longe,
e Te escondes no tempo da angústia?
A soberba do injusto persegue o infeliz.
Fiquem presos nas tramas que planearam!
O injusto gloria-se da própria ambição,
o avarento maldiz e despreza a Javé!
O injusto é soberbo, nunca investiga,
-«Deus não existe!»- é tudo o que pensa.
As suas empresas sempre têm sucesso.
As tuas normas estão longe da sua mente,
e ele desafia todos os adversários.
E pensa: «Eu sou inabalável!
Jamais cairei na desgraça».
Fraude e astúcia enchem-lhe a boca,
sob a sua língua existe maldade e opressão.
Fica de emboscada entre os juncos,
e massacra o inocente às escondidas.
Com os olhos ele espreita o inocente.
Arma ciladas às escondidas, como leão no covil,
ele embosca-se para apanhar o pobre:
agarra o pobre e arrasta-o na sua rede.
Ele espreita, agacha-se, encurva-se,
e o indefeso cai em seu poder.
E pensa: «Deus esquece-Se,
e cobre a face para não ver até ao fim!»
Levanta-Te, Javé! Ergue a tua mão!
Não Te esqueças dos pobres!
Por que motivo o injusto desprezaria a Deus,
pensando que não investigas?
Mas Tu vês a fadiga e o sofrimento,
e observas para os tomares na mão:
a Ti se abandona o indefeso
para o órfão Tu és um socorro.
Quebra o braço do injusto e do malvado
e procura a sua maldade: não a encontras!
Javé é rei para sempre e eternamente.
Os pagãos desapareceram do país.
Javé, Tu ouves o desejo dos pobres,
fortaleces-lhes o coração e dás-lhes ouvidos,
fazendo justiça ao órfão e ao oprimido,
para que o homem terreno
já não infunda terror.
{1}11
(10)
Eu abrigo-me em Javé.
Porque vós dizeis-me:
«Foge para os montes, passarinho,
porque os injustos retesam o arco,
ajustando a flecha na corda,
para atirar ocultamente contra os corações rectos.
Quando os fundamentos se corrompem,
que pode o justo fazer?»
Javé, porém, está no seu templo santo,
Javé tem o seu trono no céu.
Os seus olhos contemplam o mundo,
as suas pupilas examinam os homens.
Javé examina o justo e o injusto,
Ele odeia quem ama a violência;
Fará chover, sobre os injustos, brasas e enxofre,
e um furacão violento. É a parte que lhes cabe.
Porque Javé é justo e ama a justiça,
e os corações rectos contemplarão a sua face.
{1}12
(11)
Socorro, Javé! O fiel está a desaparecer!
Desaparece a fidelidade entre os homens:
cada qual mente ao seu próximo
com lábios enganadores e segundas intenções.
Que Javé corte todos os lábios enganadores,
e a língua arrogante
dos que dizem: «A nossa força está na língua,
as nossas armas são os nossos lábios
Quem poderá dominar-nos?»
Javé declara: «Agora levanto-Me para defender
os pobres oprimidos e os necessitados que gemem.
Vou salvar quem quer ser salvo!»
As palavras de Javé são palavras sinceras,
prata pura, sem nenhuma impureza,
sete vezes refinada.
Sim, Javé, Tu nos guardarás,
livrando-nos para sempre dessa gente.
Por toda a parte rondam os injustos,
quando a corrupção é exaltada entre os homens.
{1}13
(12)
Javé, até quando me esquecerás? Para sempre?
Até quando esconderás de mim a tua face?
Até quando terei sofrimento dentro de mim,
e tristeza no coração, dia e noite?
Até quando o meu inimigo vai triunfar?
Atenção, Javé, meu Deus! Responde-me!
Ilumina os meus olhos,
para que eu não adormeça na morte.
Que o meu inimigo não diga: «Eu venci-o!»
E os meus opressores não exultem com o meu fracasso.
Quanto a mim, eu confio no teu amor!
O meu coração exulta com a tua salvação.
Vou cantar a Javé por todo o bem que Ele me fez!
{1}14
(13)
O insensato diz no seu coração:
«Deus não existe!»
Corromperam-se, praticando abominações:
não há quem pratique o bem.
Do céu Javé inclina-Se
sobre os filhos de Adão,
para ver se restou alguém sensato,
alguém que busque a Deus.
Estão todos desviados
e obstinados também:
não há quem faça o bem,
não há nenhum sequer.
Acaso esses malfeitores não percebem?
Eles devoram o meu povo,
como se comessem pão,
e não invocam a Javé.
Eles vão tremer de medo,
porque Deus está com os justos.
Vós podeis confundir o plano do pobre,
mas o seu abrigo é Javé.
Oxalá venha de Sião
a salvação para Israel!
Quando Javé mudar a sorte do seu povo
Jacob exultará e Israel se alegrará.
{1}15
(14)
Javé, quem poderá hospedar-se na tua tenda
e habitar no teu monte santo?
-Quem age na integridade
e pratica a justiça:
quem diz sinceramente o que pensa
e não usa a língua para caluniar;
quem não prejudica o seu próximo,
e não difama o seu vizinho;
quem despreza o injusto,
e honra os que temem a Javé;
quem sustenta o que jurou,
mesmo com seu prejuízo;
quem não empresta dinheiro com juros,
nem aceita suborno contra o inocente.
Quem age deste modo, jamais será abalado!
{1}16
(15)
Guarda-me, ó Deus, pois eu me abrigo em Ti.
Eu digo a Javé: «Tu és o meu bem!»
Os deuses e senhores da terra
não me satisfazem.
Eles multiplicam as estátuas
de deuses estranhos.
Nunca derramarei as suas libações de sangue,
nem porei seus nomes em meus lábios.
Javé, minha parte na herança e minha taça,
o meu destino está em tuas mãos.
O cordel mediu para mim um lugar delicioso,
sim, a minha herança é a mais bela.
Bendigo a Javé que me aconselha,
e, mesmo durante a noite, internamente me instrui.
Tenho Javé à minha frente sem cessar.
Com Ele à minha direita, jamais vacilarei.
Por isso o meu coração se alegra,
as minhas entranhas exultam,
e a minha carne repousa em segurança;
porque não me abandonarás no túmulo,
nem deixarás o teu fiel ver a sepultura.
Tu me ensinarás o caminho da vida,
cheio de alegria na tua presença,
e de delícias à tua direita, para sempre.
{1}17
(16)
Escuta, Javé, a minha apelação,
atende ao meu clamor;
dá ouvidos à minha súplica,
que não sai de lábios mentirosos.
Que a minha sentença provenha da tua face,
os teus olhos vejam onde está a rectidão.
Ainda que me sondes o coração,
e de noite o examines;
ainda que me proves com o fogo,
malícia nenhuma encontrarás em mim.
A minha boca não transgrediu
como costumam os homens.
Conforme a palavra dos teus lábios,
eu observei os caminhos prescritos:
os meus pés não vacilaram,
os meus passos ficaram nas tuas pegadas.
Eu clamo a Ti, porque me respondes, ó Deus!
Inclina para mim o teu ouvido, ouve a minha palavra,
manifesta a maravilha do teu amor,
Tu que salvas dos agressores
os que se refugiam à tua direita.
Guarda-me como a pupila dos olhos,
esconde-me à sombra das tuas asas,
longe dos injustos que me oprimem,
dos inimigos mortais que me cercam.
Eles fecham o seu coração,
a sua boca fala com arrogância;
os seus passos já me rodeiam,
os seus olhos fitam-me para me lançarem ao chão.
Parecem leão ávido de presa,
um leãozinho agachado no covil.
Levanta-Te, Javé! Enfrenta-os! Derruba-os!
Que a tua espada me liberte do injusto,
e a tua mão, Javé, os expulse da humanidade,
para fora da humanidade e do mundo:
seja essa a parte deles nesta vida!
Enche-lhes o ventre com o que tens de reserva:
que os seus filhos fiquem saciados
e deixem as sobras para os seus pequeninos.
Quanto a mim, com justiça verei a tua face;
ao despertar, eu me saciarei com a tua imagem.
{1}18
(17)
Eu Te amo, Javé. Tu és a minha força!
Javé, meu rochedo, minha fortaleza, meu libertador;
meu Deus, rocha minha, meu refúgio, meu escudo,
força que me salva, meu baluarte!
Louvado sejas! Eu invoquei Javé,
e fui salvo dos meus inimigos!
Ondas mortais me envolviam,
torrentes destruidoras me aterravam,
cercavam-me laços mortais,
as ciladas da morte me atingiam.
Na minha aflição invoquei Javé,
ao meu Deus lancei o meu grito.
Do seu templo Ele ouviu a minha voz,
o meu grito chegou-Lhe aos ouvidos.
E a terra balançou e tremeu,
as bases dos montes abalaram-se,
estremeceram com o seu furor.
Das suas narinas subiu o fumo
e da sua boca um fogo voraz:
dela saíam brasas ardentes.
Ele inclinou o céu e desceu,
tendo aos pés uma nuvem escura;
Ele cavalgou um querubim, e voou,
planando sobre as asas do vento.
Das trevas fez o seu manto,
águas escuras e nuvens espessas
O rodeavam como tenda.
Com o fulgor da sua presença,
as nuvens desfizeram-se em granizo e centelhas.
Javé trovejou no céu,
o Altíssimo fez ouvir a sua voz;
lançou as suas flechas e dispersou-os,
e expulsou-os, lançando os seus raios.
O leito do mar apareceu,
as bases do mundo descobriram-se,
por causa do teu estrondo, Javé,
e do vento que soprava das tuas narinas.
Do alto Ele me mandou buscar;
tirou-me das águas torrenciais.
Livrou-me de um poderoso inimigo,
de adversários mais fortes do que eu.
Atacaram-me no dia da derrota,
porém Javé foi um apoio para mim.
Ele fez-me sair para lugar espaçoso;
libertou-me, porque Ele me ama.
Javé tratou-me segundo a minha justiça,
e retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos,
porque observei os caminhos de Javé,
e não me rebelei contra o meu Deus.
Os seus julgamentos estão todos à minha frente,
nunca me apartei dos seus decretos;
Fui íntegro para com Ele
e guardei-me da injustiça.
Javé retribuiu a minha justiça,
a pureza das minhas mãos na sua presença.
Com o fiel és fiel,
com o íntegro Tu és íntegro,
com quem é puro Tu és puro,
mas com o perverso Tu és astuto.
Tu salvas o povo pobre
e rebaixas os olhos altivos.
Javé, Tu és a minha lâmpada,
meu Deus, Tu iluminas as minhas trevas.
Sim, contigo eu corro ao ataque,
com o meu Deus eu assalto a muralha.
O caminho de Deus é perfeito,
a palavra de Javé é comprovada.
Ele é um escudo para os que n'Ele se abrigam.
Quem é Deus, além de Javé?
E quem é rochedo, fora o nosso Deus?
Ele é o Deus que me cinge de força,
e torna perfeito o meu caminho.
Ele iguala os meus pés aos pés das corças
e sustenta-me firme nas alturas.
Adestra as minhas mãos para a guerra,
e o meu braço estica o arco de bronze.
Tu me deste o teu escudo salvador,
a tua direita me sustentou
e me atendeste sem parar.
Alargaste os meus passos
e os meus tornozelos não fraquejaram.
Persegui e alcancei os meus inimigos,
e não voltei sem os ter derrotado.
Eu derrotei-os, e não puderam levantar-se,
eles caíram debaixo dos meus pés.
Tu me cingiste com vigor para o combate
e curvaste sob mim os agressores.
Tu entregaste-me a nuca dos inimigos,
e eu exterminei os meus adversários.
Eles gritaram, mas ninguém os socorreu.
Gritaram a Javé, mas Ele não respondeu.
Eu reduzi-os como a poeira ao vento,
pisei-os como o barro das ruas.
Tu me livraste das contendas do meu povo,
e me puseste como chefe de nações;
um povo desconhecido tornou-se meu vassalo.
Os estrangeiros submetiam-se a mim,
davam-me ouvidos e obedeciam-me.
Os estrangeiros enfraqueciam-se
e saíam a tremer das suas fortalezas.
Viva Javé! Bendito seja o meu rochedo!
Exaltado seja o meu Deus e salvador,
o Deus que me concedeu as vinganças
e me submeteu os povos;
que me livrou de inimigos furiosos,
me exaltou sobre os meus agressores,
e me salvou do homem cruel.
Por isso Eu te louvo entre as nações, Javé,
e toco em honra do teu Nome:
«Ele dá grandes vitórias ao seu rei,
e age pelo seu ungido com amor,
por David e sua descendência para sempre».
{1}19
(18)
O céu manifesta a glória de Deus,
e o firmamento proclama a obra das suas mãos.
O dia passa a mensagem a outro dia,
a noite sussurra-a à outra noite.
Sem fala e sem palavras,
sem que a sua voz seja ouvida,
a toda a Terra chega o seu eco,
aos confins do mundo a sua linguagem.
Lá Deus armou uma tenda para o Sol,
e este sai, qual esposo de seu quarto,
como herói alegre, percorrendo o seu caminho.
Ele sai de um extremo do céu,
e o seu percurso vai até ao outro lado;
nada escapa ao seu calor.
A lei de Javé é perfeita,
um descanso para a alma.
O testemunho de Javé é firme,
instrução para o ignorante.
Os preceitos de Javé são rectos,
alegria para o coração.
O mandamento de Javé é transparente,
é luz para os olhos.
O temor de Javé é puro
e estável para sempre.
As decisões de Javé são verdadeiras
e igualmente justas.
São mais desejáveis do que o ouro,
mais do que ouro refinado.
São mais doces que o mel,
que vai escorrendo dos favos.
Com elas, também o teu servo se esclarece,
e observá-las traz grande proveito.
Quem pode discernir os próprios erros?
Purifica-me das faltas escondidas!
Preserva do orgulho o teu servo,
para que ele nunca me domine:
deste modo eu serei íntegro,
inocente de uma grande transgressão.
Que Te agradem as palavras da minha boca,
e o meditar do meu coração
chegue à tua presença,
Javé, minha rocha e redentor!
{1}20
(19)
Que Javé te responda no dia da angústia,
que o nome do Deus de Jacob te proteja!
Que do santuário, Ele te mande socorro,
e te apoie desde Sião!
Que Ele Se lembre de todas as tuas ofertas,
e aprecie o teu holocausto!
Que te dê tudo o que o teu coração deseja,
e realize todos os teus projectos!
Possamos alegrar-nos com a tua vitória,
e hastear a bandeira em nome do nosso Deus!
Que Javé realize todos os teus pedidos!
Agora reconheço que Javé
dá a vitória ao seu ungido,
e lhe responde do seu templo celeste
com os prodígios da sua mão vitoriosa.
Uns confiam em carros,
outros em cavalos;
quanto a nós, invocamos o Nome
de Javé nosso Deus.
Eles curvam-se e caem;
nós mantemo-nos de pé.
Javé, dá a vitória ao rei,
e responde-nos, quando clamamos a Ti!
{1}21
(20)
Javé, o rei alegra-se com a tua força,
e como exulta com a tua vitória!
Concedeste-lhe o desejo do seu coração,
e não lhe negaste o pedido de seus lábios.
Pois Tu o precedeste com grandes bênçãos,
colocaste uma coroa de ouro na sua cabeça.
Ele pediu-Te vida, e Tu lha concedeste,
dias sem fim, para sempre e eternamente.
A tua vitória engrandeceu a sua fama,
tu o vestiste com honra e esplendor.
Sim, Tu o estabeleces como bênção para sempre,
e, com a tua presença, o enches de alegria.
Sim, o rei confia em Javé,
e jamais vacilará com o amor do Altíssimo.
A tua mão alcançará todos os teus inimigos,
a tua direita encontrará os teus adversários.
Ateia-lhes o fogo como a um forno,
no dia em que Te manifestares.
Javé engoli-los-á com a sua ira,
e um fogo os devorará.
Extirparás da terra a sua posteridade,
e a sua descendência dentre os homens.
Ainda que pretendam o mal contra Ti
e façam planos, nada irão conseguir.
Pois Tu os afugentarás,
mirando a face deles com o teu arco.
Levanta-te, Javé, com a tua força!
Nós vamos cantar e tocar ao teu poder.
{1}22
(21)
Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?
Apesar dos meus gritos, a minha prece não Te alcança!
De dia eu grito, meu Deus, e não me respondes.
Grito de noite, e não fazes caso de mim!
E Tu habitas no santuário,
onde Israel Te louva!
Os nossos antepassados confiavam em Ti;
confiavam, e Tu os salvavas;
gritavam por Ti, e ficavam livres,
confiavam em Ti, e não ficaram desapontados.
Quanto a mim, eu sou verme, e não homem,
riso dos homens e desprezo do povo.
Todos os que me vêem zombam de mim,
abrem a boca e meneiam a cabeça:
«Ele recorreu a Javé... Pois que Javé o salve!
Que o liberte, se é que o ama de facto!»
És Tu quem me tirou do ventre
e me confiou aos peitos da minha mãe.
Fui entregue a Ti desde o nascimento,
desde o ventre materno Tu és o meu Deus.
Não fiques longe de mim, que a angústia está perto,
e não há ninguém para me socorrer.
Cercam-me touros numerosos,
touros fortes de Basã me rodeiam.
Contra mim escancaram a boca
os leões que dilaceram e rugem.
Estou como água derramada,
e todos os meus ossos se desconjuntam.
O meu coração está como cera,
derretendo-se dentro de mim.
A minha força secou como argila,
e a minha língua colou-se ao maxilar.
Tu me colocas na poeira da morte.
Cães numerosos me rodeiam,
e um bando de malfeitores me envolve,
furando as minhas mãos e os meus pés.
Posso contar todos os meus ossos.
As pessoas observam-me e encaram-me,
entre si repartem as minhas vestes,
e sorteiam a minha túnica.
Tu, porém, Javé, não fiques longe!
Força minha, vem socorrer-me depressa!
Salva o meu pescoço da espada,
e a minha pessoa, das patas do cão!
Arranca-me da goela do leão,
faz-me triunfar dos chifres do búfalo!
Vou contar a tua fama aos meus irmãos,
vou louvar-Te no meio da assembleia:
«Vós que temeis a Javé, louvai a Javé!
Glorifica-O, descendência toda de Jacob!
Teme-O, descendência toda de Israel!»
Sim, porque Ele não desprezou,
não desdenhou a desgraça do pobre,
nem lhe ocultou a sua face:
quando gritou por socorro, Ele o escutou.
De Ti vem o meu louvor na grande assembleia.
Cumprirei os meus votos na presença dos que O temem.
Os pobres comerão e ficarão saciados,
louvarão a Javé aqueles que O buscam:
«Que o vosso coração viva para sempre!»
Todos os confins da terra se lembrarão,
e voltarão para Javé.
Todas as famílias das nações
se prostrarão na sua presença.
Pois a realeza pertence a Javé,
é Ele quem governa as nações.
Diante d'Ele se prostrarão as cinzas da tumba,
diante d'Ele se curvarão os que descem ao pó.
Javé far-me-á viver para Ele,
a minha descendência O servirá,
falará do Senhor à geração futura,
contará a sua justiça ao povo que vai nascer:
é obra do Senhor!
{1}23
(22)
Javé é o meu pastor.
Nada me falta.
Em verdes pastagens me faz repousar;
para fontes tranquilas me conduz,
e restaura as minhas forças.
Ele me guia por bons caminhos,
por causa do seu nome.
Embora eu caminhe por um vale tenebroso,
nenhum mal temerei, pois estás junto a mim;
o teu bastão e o teu cajado deixam-me tranquilo.
Diante de mim preparas a mesa,
à frente dos meus opressores;
unges a minha cabeça com óleo,
e a minha taça transborda.
Sim, felicidade e amor me acompanham
todos os dias da minha vida.
A minha morada é a casa de Javé,
por dias sem fim.
{1}24
(23)
A Javé pertence a terra e tudo o que ela contém,
o mundo e os que nele habitam.
Ele próprio a fundou sobre os mares
e a firmou sobre os rios.
-Quem pode subir à montanha de Javé?
Quem pode estar no seu lugar santo?
-Aquele que tem mãos inocentes
e coração puro,
que não confia nos ídolos,
nem faz juramento para enganar.
Esse receberá a bênção de Javé,
e do seu Deus salvador receberá a justiça.
-Esta é a geração dos que procuram Javé,
dos que buscam a tua face, ó Deus de Jacob.
Portas, levantai os vossos frontões;
elevai-vos, portais antigos,
pois vai entrar o Rei da glória!
-Quem é esse Rei da glória?
-É Javé, o herói valoroso!
É Javé, o herói das guerras!
Portas, levantai os vossos frontões;
elevai-vos, portais antigos,
pois vai entrar o Rei da glória!
-Quem é esse Rei da glória?
-É Javé dos Exércitos!
Ele é o Rei da glória!
{1}25
(24)
A Ti, Javé, elevo a minha alma.
Em Ti confio, meu Deus.
Que eu não fique envergonhado,
e os meus inimigos não triunfem sobre mim!
Os que em Ti esperam não ficam envergonhados;
ficam envergonhados todos os traidores.
Mostra-Me os teus caminhos, Javé,
ensina-me as tuas veredas.
Guia-me com a tua verdade. Ensina-me,
pois Tu és o meu Deus salvador,
e em Ti espero durante todo o dia.
Javé, lembra-Te da tua compaixão
e do teu amor, que existem desde sempre.
Não Te lembres dos meus desvios,
nem dos pecados da minha juventude.
Lembra-Te de mim, conforme o teu amor,
por causa da tua bondade, Javé.
Javé é bondade e rectidão,
e aponta o caminho aos pecadores.
Ele encaminha os pobres conforme o direito,
e ensina aos pobres o seu caminho.
As veredas de Javé são todas amor e verdade,
para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.
Javé, por causa do teu Nome,
perdoa a minha falta, que é grande.
Existe alguém que teme a Javé?
Javé instrui-o sobre o caminho a seguir:
Ele viverá feliz,
e a sua descendência possuirá a Terra.
O segredo de Javé revela-se aos que O temem,
e dá-lhes a conhecer a sua aliança.
Os meus olhos estão sempre voltados para Javé,
pois Ele tira da armadilha os meus pés.
Volta-Te para mim, tem piedade de mim,
pois estou solitário e infeliz.
Alivia as angústias do meu coração,
tira-me das minhas aflições.
Olha para a minha fadiga e miséria,
e perdoa todos os meus pecados.
Vê os meus inimigos que se multiplicam
e me detestam com ódio mortal.
Guarda-me a vida! Liberta-me!
Que eu não fique envergonhado
por me abrigar em Ti!
Que a integridade e rectidão me preservem,
pois em Ti espero, Javé!
Ó Deus, resgata Israel
de todas as suas angústias!
{1}26
(25)
Faz-me justiça, Javé, pois eu sou íntegro,
e confio em Javé, sem fraquejar.
Examina-me, Javé, e põe-me à prova,
depura os meus rins e o meu coração:
eu tenho diante dos olhos o teu amor,
e ando na tua fidelidade.
Não me sento com impostores,
nem caminho com hipócritas.
Detesto a assembleia dos maus,
e não me sento com injustos.
Na inocência lavo as minhas mãos
e rodeio o teu altar, Javé,
proclamando acção de graças
e contando todas as tuas maravilhas.
Javé, eu amo a beleza da tua casa
e o lugar onde reside a tua glória.
Não me juntes aos pecadores,
nem a minha vida aos assassinos:
eles têm a infâmia nas mãos,
a sua direita está cheia de subornos.
Quanto a mim, eu ando na integridade.
Resgata-me, tem piedade de mim!
O meu pé está firme no caminho recto.
Javé, eu Te bendigo nas assembleias.
{1}27
(26)
Javé é a minha luz e salvação:
de quem terei medo?
Javé é a fortaleza da minha vida:
frente a quem tremerei?
Quando os malfeitores avançam contra mim
para devorar a minha carne,
são eles, meus adversários e inimigos,
que tropeçam e caem.
Que um exército acampe contra mim!
O meu coração não tremerá!
Ainda que uma guerra se levante contra mim,
mesmo assim estarei confiante!
Uma coisa peço a Javé,
e só ela procuro:
é habitar na casa de Javé
todos os dias da minha vida,
para gozar a doçura de Javé
e contemplar o seu Templo.
Pois Ele oculta-me na sua tenda,
no dia da infelicidade;
Ele esconde-me no segredo da sua tenda,
e eleva-me sobre uma rocha.
Agora a minha cabeça se levanta
sobre os inimigos que me cercam.
Na tenda de Javé vou oferecer
sacrifícios de aclamação.
vou cantar, vou tocar
em honra de Javé!
Javé, escuta o meu grito de apelo,
tem piedade, responde-me!
Ouço no meu coração:
«Procurai a minha face!»
-É a tua face que eu procuro, Javé.
Não me escondas a tua face.
Não afastes o teu servo com ira,
pois Tu és o meu socorro!
Não me deixes, não me abandones,
Deus meu salvador!
meu pai e minha mãe abandonaram-me.
Javé, porém, acolhe-me!
Ensina-me o teu caminho, Javé!
Guia-me pela vereda plana,
por causa daqueles que me espreitam.
Não me entregues à vontade dos meus adversários,
pois contra mim falsas testemunhas se levantam,
respirando violência.
Espero ver a bondade de Javé
na terra dos vivos.
-Espera em Javé, sê firme!
Fortalece o teu coração, e confia em Javé!
{1}28
(27)
A Ti, Javé, eu clamo.
Rocha minha, não sejas surdo para mim.
Que o teu silêncio não me torne semelhante
aos que descem à cova.
Ouve a minha voz suplicante
quando eu grito para Ti,
quando eu levanto as mãos
para o teu santuário.
Não me arrastes com os injustos,
nem com os malfeitores.
Eles falam de paz com o seu próximo,
mas têm o mal no coração.
Trata-os conforme as suas obras,
segundo a malícia dos seus actos!
Dá-lhes conforme a obra das suas mãos,
paga-lhes o salário devido!
Eles não entendem os actos de Javé,
nem as obras das suas mãos.
Que Ele os arrase e não os reconstrua!
Seja bendito Javé, pois Ele escutou
a minha voz suplicante!
Javé é minha força e meu escudo,
n'Ele confia o meu coração.
Eu fui socorrido, a minha carne refloresce,
e de todo o coração eu Lhe agradeço.
Javé é a força do seu povo,
a fortaleza que salva o seu ungido.
Salva o teu povo! Abençoa a tua herança!
Apascenta-os e condu-los para sempre!
{1}29
(28)
.
Filhos de Deus, aclamai a Javé,
aclamai a glória e o poder de Javé.
Aclamai a glória do Nome de Javé,
adorai a Javé no seu átrio sagrado!
A voz de Javé sobre as águas,
o Deus da glória troveja,
Javé sobre as águas torrenciais.
A voz de Javé com poder,
a voz de Javé no esplendor!
A voz de Javé despedaça os cedros,
Javé despedaça os cedros do Líbano,
faz pular o Líbano como um bezerro
e o Sarion como um novilho.
A voz de Javé lança línguas de fogo,
a voz de Javé sacode o deserto,
Javé sacode o deserto de Cades!
A voz de Javé retorce os carvalhos
e descasca as florestas.
E, no seu Templo, um só grito: «Glória!»
Javé senta-Se sobre o dilúvio,
Javé sentou-Se. É rei para sempre!
Javé fortifica o seu povo,
Javé abençoa o seu povo com paz.
{1}30
(29)
Eu Te exalto, Javé, porque me livraste,
não deixaste que os inimigos se rissem de mim.
Javé, meu Deus, eu gritei por Ti,
e Tu me curaste.
Javé, tiraste do túmulo a minha vida,
fizeste-me reviver dentre os que baixam à cova.
Tocai para Javé, vós os seus fiéis,
celebrai a sua memória sagrada.
A sua ira dura um momento,
e o seu favor a vida inteira.
Pela tarde vem o pranto,
e, pela manhã, gritos de alegria.
Quanto a mim, eu dizia tranquilo:
«Nunca serei abalado!»
Javé, o teu favor me assegurava
honra e poder,
mas escondeste a tua face,
e eu fiquei abalado.
Por Ti, Javé, eu gritei,
ao meu Deus eu supliquei:
«Que ganhas Tu com a minha morte,
com a minha descida à cova?
Acaso Te louva o pó,
ou proclama a tua fidelidade?
Javé, escuta-me, e tem piedade de mim!
Sê o meu socorro, Javé!»
Transformaste o meu luto em dança,
e as minhas vestes de luto em vestes de festa.
Por isso, o meu ser canta para Ti, e jamais se calará.
Javé, meu Deus, eu Te louvarei para sempre.
{1}31
(30)
Javé, eu me abrigo em Ti:
que eu nunca fique envergonhado.
Salva-me, por tua justiça!
Inclina os teus ouvidos para mim!
Vem depressa libertar-me!
Sê para mim um rochedo forte,
uma fortaleza que me salve;
pois o meu rochedo e muralha és Tu:
guia-me pelo teu nome, conduz-me!
Tira-me da rede que me armaram,
pois Tu és a minha fortaleza.
Nas tuas mãos entrego o meu espírito.
Resgata-me, Javé Deus!
Tu detestas os que adoram ídolos vazios.
Quanto a mim, eu confio em Javé.
Dançarei de alegria com o teu amor,
pois viste a minha miséria,
soubeste da opressão contra mim.
Não me entregaste nas mãos do inimigo,
firmaste os meus pés em lugar espaçoso.
Tem piedade de mim, Javé,
pois estou oprimido.
A dor me consome os olhos,
a garganta e as entranhas.
Eis que a minha vida se consome em tristeza
e os meus anos em gemidos;
o meu vigor enfraquece-se com a miséria,
e os meus ossos consomem-se.
Para todos os meus opressores
já me tornei um escândalo;
um nojo, para os meus vizinhos,
um terror, para os meus amigos.
Os que me vêem na rua,
fogem para longe de mim.
Fui esquecido como um morto,
e estou como um objecto perdido.
Ouço as calúnias de muitos,
e o pavor me envolve!
Eles conspiram juntos contra mim,
e tramam tirar-me a vida.
Quanto a mim, Javé, eu confio em Ti,
e digo: «Tu és o meu Deus!»
Nas tuas mãos está o meu destino:
liberta-me dos inimigos que me perseguem!
Faz brilhar a tua face sobre o teu servo.
Salva-me, por teu amor!
Javé, que eu não me envergonhe de Te invocar;
envergonhados fiquem os injustos,
fiquem reduzidos ao silêncio do túmulo!
Emudeçam os lábios mentirosos
que proferem insolências contra o justo,
com soberba e desprezo!
Como é grande a tua bondade, Javé!
Tu a reservas para os que Te temem,
e a concedes aos que em Ti se abrigam,
diante de todos os homens.
Tu os escondes onde escondes a tua face,
longe das intrigas humanas.
Tu os ocultas na tua tenda,
longe das línguas que discutem.
Seja bendito Javé!
Ele fez por mim maravilhas de amor
na cidade fortificada.
Quanto a mim, na minha ânsia eu dizia:
«Fui excluído para longe dos teus olhos!»
Tu, porém, ouviste a minha voz suplicante,
quando eu gritei por Ti.
Amai a Javé, todos os seus fiéis!
Javé preserva os que são leais,
mas retribui com juros
a quem age com soberba.
Sede firmes, fortalecei o coração,
todos vós que esperais em Javé!
{1}32
(31)
Feliz aquele cuja ofensa é absolvida,
cujo pecado é coberto.
Feliz o homem a quem Javé
não aponta nenhum delito.
Enquanto me calei, os meus ossos consumiam-se,
rugindo durante todo o dia,
porque dia e noite a tua mão
pesava sobre mim.
O meu coração tornou-se como feixe de palha
em pleno calor de Verão.
Confessei-Te o meu pecado,
não Te encobri o meu delito.
Eu disse: «Vou ter com Javé
e confessar a minha culpa!»
E Tu absolveste o meu delito,
perdoaste o meu pecado.
Por isso, que todo o fiel Te suplique
no tempo da angústia:
se as águas caudalosas transbordarem,
jamais te atingirão.
Tu és o meu refúgio,
Tu me libertas da angústia,
e me envolves com cantos de libertação.
-Vou instruir-te e indicar o caminho a seguir.
Com os olhos sobre ti, Eu serei o teu conselheiro.
Não sejas como o cavalo ou o jumento,
que não compreendem nem rédea nem freio:
deve-se avançar para os domar
sem que se aproximem de ti.
Os injustos sofrem muitos tormentos,
mas o amor envolve
quem confia em Javé.
Alegrai-vos em Javé, ó justos, e exultai.
Gritai de alegria, todos os de coração recto.
{1}33
(32)
Exultai em Javé, ó justos!
Aos rectos convém o louvor.
Celebrai a Javé com cítara,
tocai para Ele a harpa de dez cordas.
Cantai-Lhe um cântico novo,
tocai com arte na hora da ovação!
Pois a palavra de Javé é recta,
e todas as suas obras são verdade.
Ele ama a justiça e o direito,
e o amor de Javé enche a terra.
O céu foi feito com a palavra de Javé,
e o seu exército com o sopro da sua boca.
Ele represa num dique as águas do mar,
coloca os oceanos em reservatórios.
Que a terra inteira tema a Javé!
Que O temam todos os habitantes do mundo!
Porque Ele diz e a coisa acontece,
Ele ordena e ela se afirma.
Javé desfaz o plano das nações
e frustra os projectos dos povos.
O plano de Javé permanece para sempre,
os projectos do seu coração, de geração em geração.
Feliz a nação cujo Deus é Javé,
o povo que Ele escolheu como herança.
Do céu Javé contempla
e vê todos os homens.
Da sua morada Ele observa
todos os habitantes da terra:
Ele formou o coração de cada um,
e discerne todos os seus actos.
O rei não se salva pelo exército numeroso,
o valente não se livra pela sua grande força.
Para salvar, o cavalo é ilusão,
todo o seu vigor não ajuda a escapar.
Javé cuida daqueles que O temem,
daqueles que esperam pelo seu amor,
para livrar da morte a sua vida,
e no tempo da fome fazê-los viver.
Quanto a nós, esperamos em Javé.
Ele é o nosso auxílio e o nosso escudo.
N'Ele se alegra o nosso coração,
no seu Nome santo confiamos.
Javé, esteja sobre nós o teu amor,
como está em Ti a nossa esperança.
{1}34
(33)
Vou bendizer a Javé em todo o tempo,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
Eu orgulho-me por causa de Javé:
que os pobres ouçam e se alegrem.
Repeti comigo: Javé é grande!
Juntos exaltemos o seu Nome.
Consultei a Javé, e Ele respondeu-me,
e livrou-me de todos os temores.
Olhai para Ele e sereis felizes,
o vosso rosto não ficará envergonhado.
Este pobre gritou, Javé ouviu-o,
e salvou-o de todas as dificuldades.
O anjo de Javé acampa
ao redor dos que O temem, e liberta-os.
Provai e vede como Javé é bom:
feliz o homem que n'Ele se abriga.
Teme a Javé, povo a Ele consagrado,
pois nada falta aos que O temem.
Os ricos empobrecem e passam fome,
mas nada falta aos que buscam Javé.
Filhos, aproximai-vos e escutai-Me:
vou ensinar-vos o temor de Javé.
Qual de vós não deseja a vida?
Qual não quer vida longa para prosperar?
Então guardai a língua de falar mal
e os lábios de dizer mentiras.
Evitai o mal e praticai o bem,
e não cesseis de procurar a paz.
Javé cuida sempre dos justos,
e ouve atentamente os seus clamores.
Javé enfrenta os malfeitores
e apaga da terra a sua lembrança.
Os justos gritam, Javé escuta,
e liberta-os de todas as aflições.
Javé está perto dos corações feridos;
e salva os que estão desanimados.
O justo sofre muitas desgraças,
mas de todas elas Javé o liberta;
Javé protege os ossos do justo:
nenhum deles será quebrado.
O mal causa a morte do injusto;
os que odeiam o justo serão condenados.
Javé resgata a vida dos seus servos,
e os que n'Ele se abrigam não serão condenados.
{1}35
(34)
Javé, acusa os meus acusadores,
combate os que me combatem!
Toma a armadura e o escudo
e levanta-Te em meu socorro!
Maneja a espada e o machado
contra os meus perseguidores!
Diz à minha alma:
«Eu sou a tua salvação!»
Fiquem envergonhados e arruinados
os que procuram tirar-me a vida!
Que voltem para trás e sejam confundidos
os que planeiam o mal contra mim!
Sejam como palha frente ao vento,
quando o anjo de Javé os empurrar!
Que o seu caminho seja escuro e escorregadio,
quando o anjo de Javé os perseguir!
Sem motivo estenderam a sua rede contra mim,
e abriram para mim uma cova.
Caia sobre eles um desastre imprevisto!
Sejam apanhados na rede que me estenderam,
que eles caiam dentro da cova!
A minha alma exultará em Javé,
e alegrar-se-á com a sua salvação.
Todo o meu ser dirá:
«Javé, quem é igual a Ti,
para livrar o fraco do mais forte,
e o pobre e indigente do seu explorador?»
Levantaram-se testemunhas falsas
e interrogaram-me sobre o que não sei.
Pagaram o bem com o mal
e deixaram-me desamparado.
Quanto a mim, quando eles estavam doentes
eu vestia-me com pano de saco,
humilhava-me com jejum
e por dentro repetia a minha oração.
Como por um amigo, um irmão,
eu ia e vinha,
cabisbaixo e triste,
como de luto por minha mãe.
E quando eu tropecei, eles alegraram-se,
reuniram-se contra mim,
e atacaram-me de surpresa.
Dilaceravam-me sem parar,
zombavam cruelmente de mim,
rangendo os dentes de ódio.
Javé, quando verás isto?
Defende a minha vida diante dos que rugem;
defende desses leõezinhos o meu único bem.
Eu Te agradecerei na grande assembleia,
eu Te louvarei entre a multidão do povo.
Que não se alegrem à minha custa
os meus inimigos traidores.
Que não pisquem os olhos
aqueles que me odeiam sem motivo!
Pois eles nunca falam de paz:
contra os pacíficos da terra
eles planeiam calúnias.
Escancaram contra mim a sua boca,
dizendo com desprezo:
«Nós vimo-lo com os nossos olhos!»
Viste isto, Javé! Não Te cales!
Javé, não Te afastes de mim!
Desperta! Levanta-te pelo meu direito,
por minha causa, meu Senhor e meu Deus!
Julga-me segundo a tua justiça, Javé meu Deus.
Que eles não se alegrem à minha custa!
Que não pensem: «Viva a nossa garganta!»
Que não digam: «Nós engolimo-lo!»
Fiquem envergonhados e frustrados
os que se alegram com a minha desgraça!
Fiquem cobertos de vergonha e confusão
os que se engrandecem à minha custa.
Cantem e alegrem-se
os que desejam a minha justiça,
e repitam sempre:
«Javé é grande!
Ele deseja a paz para o seu servo!»
E a minha língua proclamará a tua justiça,
e o teu louvor durante todo o dia!
{1}36
(35)
O injusto ouve um oráculo pecaminoso
dentro do seu coração:
«Não tenho medo de Deus,
nem da sua presença!»
Ele vê-se com um olho tão enganador
que não descobre, nem detesta o seu pecado.
As palavras da sua boca são maldade e mentira,
ele renunciou ao bom senso de fazer o bem.
No seu leito premedita a fraude,
obstina-se no mau caminho
e nunca reprova o mal.
Javé, o teu amor chega até ao céu,
e a tua verdade chega até às nuvens.
A tua justiça é como as altas montanhas,
e os teus julgamentos como o grande oceano.
Socorres homens e animais.
Ó Deus, como é precioso o teu amor!
Os homens abrigam-se
à sombra das tuas asas.
Fartam-se com a gordura da tua casa,
e Tu os embriagas com um rio de delícias.
Pois em Ti se encontra a fonte da vida
e com a tua luz nós vemos a luz.
Conserva o teu amor pelos que Te conhecem,
e a tua justiça para os corações rectos.
Que me não calque o pé do soberbo,
e a mão dos injustos não me expulse.
Os malfeitores fracassaram,
caíram, e já não podem levantar-se.
{1}37
(36)
Não te irrites por causa dos maus,
nem tenhas inveja dos injustos.
Eles são como a erva: secam depressa,
murcham logo como a relva.
Confia em Javé e pratica o bem,
habita na Terra e vive tranquilo.
Coloca em Javé o teu prazer,
e Ele te dará o que o teu coração deseja.
Entrega o teu caminho a Javé,
confia n'Ele, e Ele agirá.
Ele manifestará a tua justiça
e o teu direito como o meio-dia.
Descansa em Javé e n'Ele espera,
não te irrites com os que triunfam,
com o homem que usa de intrigas.
Deixa a ira, abandona o furor,
não te irrites: só farias o mal.
Porque os maus vão ser excluídos,
e os que esperam em Javé
possuirão a Terra.
Mais um pouco, e não haverá nenhum injusto;
caso o procures, não o encontrarás.
Mas os pobres vão possuir a Terra
e deleitar-se com paz abundante.
O injusto faz intrigas contra o justo,
e contra ele range os dentes.
Mas o Senhor ri às custas do injusto,
pois vê que o seu dia está a chegar.
Os injustos desembainham a espada
e retesam o arco_para matar o pobre e o indigente,
para assassinar o homem recto;
mas a espada atravessar-lhes-á o coração,
e os seus arcos quebrar-se-ão.
Vale mais o pouco do justo
que a riqueza de muitos injustos,
porque os braços do injusto serão quebrados,
enquanto o apoio dos justos é Javé.
Javé conhece os dias dos íntegros,
e a sua herança permanece para sempre;
não se envergonharão nos dias da seca,
e nos dias da fome ficarão saciados.
Sim, os injustos vão perecer,
os inimigos de Javé
vão murchar como a beleza dos prados,
vão desfazer-se como fumo.
O injusto pede emprestado e não devolve,
mas o justo compadece-se e dá.
Os que ele abençoar possuirão a Terra,
e os que ele amaldiçoar serão excluídos.
Javé garante os passos do homem,
e compraz-Se com o seu caminho.
Quando tropeça, não chega a cair,
porque Javé o sustenta pela mão.
Fui jovem e já estou velho,
mas nunca vi um justo abandonado,
nem a sua descendência mendigando pão.
Durante todo o dia ele se compadece e empresta,
e a sua descendência é uma bênção.
Evita o mal e pratica o bem,
e terás uma casa para sempre,
porque Javé ama o direito
e nunca abandona os seus fiéis.
Os malfeitores serão para sempre destruídos,
e a descendência dos injustos será eliminada.
Os justos vão possuir a Terra,
e nela habitarão para sempre.
A boca do justo fala com sabedoria,
e a sua língua explica o direito,
pois tem no coração a lei do seu Deus,
e os seus passos nunca vacilam.
O injusto espreita o justo
e procura levá-lo à morte.
Javé porém, não o entrega nas mãos do injusto
e no julgamento não deixa que o condene.
Espera em Javé e observa o seu caminho;
Ele te exaltará, para que possuas a Terra,
e verás os injustos eliminados.
Eu vi um injusto cheio de poder,
que prosperava como cedro frondoso.
Voltei a passar, e já não existia;
procurei-o, e não o pude encontrar.
Observa o íntegro, vê o homem recto:
há uma posteridade para o homem pacífico.
Mas os transgressores serão todos destruídos,
e a descendência dos injustos será cortada.
A salvação dos justos vem de Javé,
que é o seu refúgio no tempo da angústia.
Javé ajuda-os e liberta-os;
vai livrá-los dos injustos e salvá-los,
porque os justos n'Ele se abrigam.
{1}38
(37)
Javé, não me castigues com a tua cólera,
não me corrijas com o teu furor.
Em mim se cravaram as tuas flechas,
sobre mim abateu-se a tua mão.
Por causa da tua ira,
nada no meu corpo está intacto;
nada está inteiro nos meus ossos,
por causa do meu pecado.
As minhas culpas ultrapassaram a minha cabeça,
e pesam sobre mim, como um fardo pesado;
as minhas chagas estão podres e supuram,
por causa da minha insensatez.
Estou encurvado e encolhido,
e ando entristecido o dia inteiro.
Os meus rins ardem de febre,
não há nada intacto no meu corpo.
Estou fraco e completamente esmagado.
O meu coração rosna, eu solto rugidos.
Senhor, todo o meu desejo está à tua frente,
e o meu gemido não se esconde de Ti.
O meu coração palpita,
as forças me abandonam,
e a luz dos meus olhos
já não mora comigo.
Amigos e companheiros afastam-se da minha praga.
e os meus vizinhos ficam à distância.
Os que atentam contra mim preparam armadilhas,
os que procuram a minha ruína falam de crimes,
durante todo o dia planeiam traições.
E eu, como surdo, não escuto,
fico mudo e não abro a boca.
Sou como alguém que não ouve,
e que nada pode replicar.
É por ti, Javé, que eu espero!
Senhor meu Deus, Tu me responderás!
Eu peço: «Que não se alegrem à minha custa,
não triunfem sobre mim quando eu tropeço!»
Sim, já estou a ponto de cair,
a minha dor está sempre à minha frente.
Sim, eu confesso a minha culpa,
e assusto-me com o meu pecado.
Os meus inimigos mortais são poderosos,
são muitos os que me odeiam sem motivo,
os que pagam o bem com o mal,
e me acusam porque eu procuro o bem.
Javé, não me abandones!
meu Deus, não fiques longe de mim!
Vem socorrer-me depressa,
meu Senhor, minha salvação!
{1}39
(38)
Eu disse: «Vou vigiar a minha conduta,
para não pecar com a língua;
vou tapar com mordaça a minha boca,
quando o injusto estiver presente».
Eu permaneci em silêncio.
Contive-me para não falar,
e a minha dor tornou-se intolerável.
Por dentro, o coração queimava-me.
Ao pensar nisto, o fogo inflamava-se.
Então soltei a minha língua.
«Mostra-me o meu fim, Javé,
e qual é a medida dos meus dias,
para eu saber quanto sou frágil.
Olha: os dias que me deste são um palmo apenas,
e a minha duração é um nada diante de Ti.
Sim, todo o homem não passa de um vazio,
todo o homem é apenas aparência.
O homem vai e vem como sombra,
e labuta por um nada:
amontoa, e não sabe quem vai recolher».
E agora, Senhor, que posso esperar?
Em Ti se encontra a minha esperança.
Livra-me de todas as minhas transgressões,
não me deixes como ultraje para o insensato!
Eu calo-me e não abro a boca,
pois quem vai agir és Tu!
Afasta de mim a tua praga,
pois eu sucumbo ao ataque da tua mão!
Castigando o erro,
Tu educas o homem,
e como traça Tu róis os seus tesouros.
Os homens todos são apenas um sopro!
Javé, ouve a minha prece!
Dá ouvido aos meus gritos!
Não fiques surdo ao meu pranto:
porque sou teu hóspede,
inquilino como os meus antepassados.
Afasta de mim o teu olhar,
e deixa-me respirar!
Antes que eu me vá,
e deixe de existir!
{1}40
(39)
Esperei ansiosamente por Javé.
Ele inclinou-Se para mim,
e ouviu o meu grito.
Fez-me subir da cova fatal,
do pântano lodoso;
colocou os meus pés sobre a rocha
e firmou os meus passos;
pôs na minha boca um cântico novo,
um louvor ao nosso Deus.
Vendo isto, muitos irão temer,
e confiarão em Javé.
Feliz é o homem
que confia em Javé!
Ele não Se volta para os soberbos,
nem para os seguidores da mentira.
Quantas maravilhas realizaste,
Javé, meu Deus!
Quantos projectos em nosso favor!
Ninguém se compara a Ti!
Quero anunciá-los, falar deles,
mas ultrapassam qualquer conta.
Não queres sacrifícios, nem ofertas,
mas abriste os meus ouvidos.
Tu não pedes holocaustos pelo pecado.
Então eu digo: «Aqui estou»
-como está escrito no livro -
«para fazer a tua vontade».
meu Deus, eu quero ter a tua Lei
dentro das minhas entranhas.
Anunciei a tua justiça
na grande assembleia,
e não fechei os meus lábios:
Javé, Tu bem o sabes.
Não escondi a tua justiça dentro do coração,
falei da tua fidelidade e da tua salvação;
não ocultei o teu amor e a tua verdade
diante da grande assembleia.
Quanto a Ti, Javé, não me negues
a tua compaixão;
o teu amor e a tua verdade
sempre irão proteger-me.
Porque me rodeiam desgraças
sem conta;
as minhas culpas me atingem,
e não posso fugir;
são mais que os cabelos da minha cabeça,
e o meu coração abandona-me.
Javé, vem libertar-me, por favor!
Javé, vem depressa socorrer-me!
Fiquem envergonhados e confundidos
aqueles que buscam perder a minha vida!
Recuem e fiquem envergonhados
aqueles que tramam a minha desgraça!
Fiquem mudos de vergonha
aqueles que se riem de mim!
Exultem e alegrem-se contigo,
todos aqueles que Te buscam!
Os que amam a tua salvação
repitam sempre: «Javé é grande!»
Quanto a mim, sou pobre e indigente,
mas o Senhor cuida de mim.
Tu és o meu auxílio e salvação.
meu Deus, não demores!
{1}41
(40)
Feliz quem cuida do fraco e do indigente:
Javé salva-o no dia infeliz.
Javé guarda-o e mantém-no vivo,
para que seja feliz na Terra,
e não o entrega à vontade dos seus inimigos.
Javé sustenta-o no leito de dor,
afofa a cama em que ele definha.
Eu dizia: «Javé, tem piedade de mim!
cura-me, porque pequei contra Ti!»
Os meus inimigos falam mal de mim:
«Quando vai morrer e desaparecer o seu nome?»
Se alguém me visita, fala com fingimento,
enche o coração de malícia
e, ao sair, é disso que fala.
Os que me odeiam murmuram juntos contra mim,
e, junto de mim, comentam a minha desgraça:
«Caiu sobre ele uma praga do inferno,
está deitado e nunca mais se vai levantar!»
Até o meu amigo, em que eu confiava
e que comia do meu pão,
foi o primeiro a trair-me.
Tu, porém, Javé, tem piedade de mim!
Faz que eu possa levantar-me,
para lhes dar o que eles merecem.
Nisto reconhecerei que Tu me amas:
se o inimigo não triunfar sobre mim.
Quanto a mim, Tu me conservas íntegro,
e me manténs para sempre na tua presença.
Bendito sejas, Javé, Deus de Israel,
desde agora e para sempre!
Ámen! Ámen!
{1}42
(41)
Como a corça suspira pelas águas correntes,
assim a minha alma anseia por Ti, ó meu Deus!
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo:
quando voltarei a ver a face de Deus?
As lágrimas são o meu pão, noite e dia,
e durante todo o dia me perguntam:
«Onde está o teu Deus?»
Começo a recordar as coisas
e a minha alma deterre-se dentro de mim:
quando eu passava, à frente do grupo,
em direcção à casa de Deus,
em gritos de alegria e louvor,
no barulho da festa.
gemendo dentro de mim?
A minha alma curva-se dentro de mim,
e por isso eu me lembro de Ti,
desde a terra do Jordão e do Hermon,
de ti, ó pequena montanha.
Grita um abismo a outro abismo
com o fragor das tuas cascatas;
as tuas vagas todas e as tuas ondas
passaram sobre mim.
De dia Javé envia o seu amor,
e durante a noite
eu vou cantar uma prece
ao Deus da minha vida.
Vou dizer a Deus: «Meu rochedo,
porque Te esqueces de mim?
Porque devo andar pesaroso
sob a opressão do inimigo?»
Esmigalhando-me os ossos,
os meus opressores insultam-me,
perguntando durante todo o dia:
«Onde está o teu Deus?»
gemendo dentro de mim?
{1}43
(42)
Julga-me, ó Deus, defende a minha causa
contra uma nação sem piedade!
Liberta-me do homem injusto e traidor!
Sim, Tu és o meu Deus forte:
porque me rejeitas?
Porque devo andar pesaroso
sob a opressão do inimigo?
Envia a tua luz e a tua verdade:
elas me guiarão,
e me levarão ao teu monte santo,
para a tua moradia.
Eu irei ao altar de Deus,
ao Deus que me alegra.
Vou exultar e celebrar-Te com a harpa,
ó Deus, meu Deus!
gemendo dentro de mim?
{1}44
(43)
Ó Deus, nós ouvimos com os nossos próprios ouvidos;
os nossos pais nos contaram
a obra que realizaste em seus dias,
nos dias de outrora.
Tu mesmo, com a tua mão, expulsaste nações,
para estabeleceres os nossos pais.
Maltrataste povos,
para fazer crescer os nossos pais.
Não foi com espada que eles conquistaram a Terra,
nem foi o braço deles que lhes trouxe a vitória;
e sim a tua direita e o teu braço, e a luz da tua face,
porque os amavas.
Eras tu, ó meu Rei e meu Deus,
que decidias a vitória de Jacob.
Contigo agredimos os nossos opressores,
pelo teu nome calcámos os nossos agressores.
Não era no meu arco que eu confiava,
nem era a minha espada que me trazia a vitória.
Eras Tu que nos salvavas dos nossos opressores,
e envergonhavas aqueles que nos odiavam.
Em Deus nos orgulhávamos todo o dia,
celebrando o teu Nome para sempre.
Agora, porém, rejeitas-nos e envergonhas-nos,
e já não acompanhas os nossos exércitos.
Tu fazes-nos recuar frente ao opressor,
e os nossos adversários saqueiam-nos à vontade.
Tu entregas-nos como ovelhas para o matadouro,
Tu dispersaste-nos entre as nações.
Vendes o teu povo por um nada,
e nada lucras com o seu preço.
Fazes de nós o ultraje dos nossos vizinhos,
divertimento e zombaria para aqueles que nos cercam.
Fazes de nós o provérbio das nações,
meneio de cabeça por entre os povos.
A minha desonra está todo o dia à minha frente,
e a vergonha cobre o meu rosto,
com os gritos de ultraje e de blasfémia
na presença do inimigo e vingador.
Tudo isto nos aconteceu,
e nem assim Te esquecemos,
nem traímos a tua aliança.
O nosso coração não voltou para trás,
os nossos passos não se desviaram do teu caminho.
E Tu esmagaste-nos onde vivem os chacais,
e cobriste-nos com a sombra da morte.
Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus,
e estendido as mãos a um deus estrangeiro,
será que Deus não o teria percebido,
Ele que conhece os segredos do coração?
É por tua causa que nos matam todos os dias,
e nos tratam como ovelhas para o matadouro.
Desperta, Senhor! Porque dormes?
Acorda! Não nos rejeites mais!
Porque escondes a tua face,
esquecendo a nossa opressão e miséria?
A nossa garganta afoga-se no pó!
o nosso ventre está colado ao chão!
Levanta-Te! Vem socorrer-nos!
Resgata-nos, pelo teu amor!
{1}45
(44)
O meu coração transborda em belo poema,
eu dedico a minha obra a um rei.
A minha língua é ágil pena de escritor.
Tu és o mais belo dos homens
e a graça escorre dos teus lábios,
porque Deus te abençoa para sempre.
Prende a tua espada junto à coxa, ó valente,
com majestade e esplendor.
Cavalga vitorioso, pela causa da verdade e da justiça.
Que a tua direita te ensine a fazer proezas.
As tuas flechas são agudas, os povos rendem-se a ti,
e os inimigos do rei perdem a coragem.
O teu trono é de Deus, e permanece para sempre!
O ceptro do teu reino é ceptro de rectidão!
Tu amas a justiça e odeias a injustiça:
por isso o Senhor teu Deus te ungiu
com perfume de festa, entre todos os teus companheiros.
Mirra e aloés perfumam as tuas vestes,
e o som das cordas te alegra
nos palácios de marfim.
Filhas de reis saem ao teu encontro.
De pé, à tua direita, está a rainha,
ornada com ouro de Ofir.
Ouve, filha, vê e inclina o teu ouvido:
esquece o teu povo e a casa de teu pai,
pois o rei se apaixonou pela tua beleza.
Prostra-te na frente dele, pois é o teu senhor!
A cidade de Tiro vem com os seus presentes,
os povos mais ricos buscam o favor dele.
Entra agora a princesa, belíssima,
vestida com pérolas e brocados.
Eles levam-na à presença do rei, com séquito de virgens,
e as suas companheiras a seguem.
Com júbilo e alegria a conduzem,
e elas entram no palácio real.
«Em lugar dos teus pais, virão os teus filhos,
e tu os nomearás príncipes sobre toda a Terra».
Vou comemorar o teu nome
de geração em geração,
e os povos te louvarão,
para sempre e eternamente.
{1}46
(45)
Deus é o nosso refúgio e a nossa força,
defensor sempre alerta nos perigos.
Por isso não tememos se a Terra vacila,
se as montanhas se abalam no seio do mar;
se as águas do mar estrondeiam e fervem,
e pela sua fúria estremecem os montes.
a nossa fortaleza é o Deus de Jacob!
O correr das águas alegra a cidade de Deus,
o Altíssimo consagra a sua moradia.
Deus está no meio dela: ela é inabalável.
Deus socorre-a ao romper da manhã.
Povos estrondeiam, reinos abalam-se,
mas Ele ergue a sua voz, e a terra estremece.
a nossa fortaleza é o Deus de Jacob!
Vinde ver os actos de Javé,
os assombros que Ele fez na Terra:
acaba com as guerras até aos confins do mundo,
quebra os arcos, despedaça as lanças,
e ateia fogo aos carros.
«Rendei-vos e reconhecei: Eu sou Deus,
mais alto que os povos, mais alto que a Terra!»
a nossa fortaleza é o Deus de Jacob!
{1}47
(46)
Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com gritos de alegria!
Porque Javé Altíssimo é terrível,
é o grande rei sobre toda a Terra.
Ele submete as nações ao nosso poder,
e coloca os povos debaixo dos nossos pés.
Escolheu para nós uma herança,
o orgulho de Jacob, seu amado.
Deus sobe por entre ovações,
Javé, ao toque da trombeta.
Tocai para o nosso Deus, tocai!
Tocai para o nosso Rei, tocai!
Porque Deus é o rei de toda a terra:
tocai com maestria!
Deus reina sobre as nações,
Deus senta-Se no seu trono sagrado.
Os príncipes dos povos aliam-se
com o povo do Deus de Abraão,
porque os grandes da Terra pertencem a Deus,
e Ele subiu ao lugar mais alto.
{1}48
(47)
Javé é grande e muito louvável
na cidade do nosso Deus.
O seu monte santo, belo em altura,
alegria de toda a terra:
o monte Sião, vértice do céu,
cidade do grande rei.
Entre os seus palácios,
Deus mostrou-Se como fortaleza.
Vede: os reis aliaram-se
para juntos a atacarem.
Ao vê-la, porém, ficaram aterrados,
e, apavorados, fugiram depressa;
Então apossou-se deles um tremor
como dores de parto,
como vento do deserto, que destroça
os navios de Társis.
Conforme ouvimos, assim também o vimos
na cidade de Javé dos Exércitos,
na cidade do nosso Deus:
Deus estabeleceu-a para sempre!
Ó Deus, nós meditamos o teu amor
no meio do teu templo.
Como o teu Nome, ó Deus, também o teu louvor
atinge os limites da Terra.
A tua direita está cheia de justiça:
o monte Sião alegra-se
e as cidades de Judá exultam,
por causa dos teus julgamentos.
Rodeai e percorrei Sião,
contando as suas torres.
Admirai as suas muralhas
e observai os seus palácios;
para o contar à geração futura:
«Este Deus é o nosso Deus».
Ele nos conduzirá por todo o sempre.
{1}49
(48)
Escutai isto, povos todos;
prestai atenção, habitantes do mundo,
plebeus e nobres, ricos e pobres:
A minha boca falará com sabedoria,
e as minhas reflexões serão inteligentes.
Vou abrir o meu ouvido a um provérbio,
ao som da lira proporei o meu enigma.
Por que motivo hei-de temer os dias maus,
quando os maus me cercam e espreitam,
eles que confiam na sua fortuna
e se gloriam da sua riqueza imensa?
O homem não pode comprar o seu próprio resgate,
nem pagar a Deus o preço de si mesmo.
É tão caro o resgate da vida,
que nunca bastará
para ele viver perpetuamente,
sem nunca ver a cova.
Vede: os sábios morrem,
perecem juntamente com o imbecil e o insensato,
deixando a sua fortuna para outros.
O túmulo é a sua morada perpétua
e a sua casa, de geração em geração,
embora tenham dado o seu nome às terras!
O homem não permanece com o seu esplendor,
é como animal que perece.
Este é o caminho dos que confiam em si,
o destino dos homens satisfeitos.
São como rebanho destinado ao túmulo:
a morte é o seu pastor,
vão directamente para a sepultura;
a sua figura desvanece-se,
e o túmulo é a sua moradia.
Quanto a mim, ó Deus, resgata a minha vida,
tira-me das garras da morte, e toma-me contigo.
Tu não Te preocupas quando alguém enriquece,
quando o luxo da sua casa se multiplica.
Quando ele morrer, nada levará,
e o seu luxo não descerá com ele.
Enquanto vivia, ele mesmo se felicitava:
«Todos te aplaudem, pois tudo te corre bem!»
Ele vai juntar-se aos antepassados,
que nunca mais verão a luz.
O homem rico sem inteligência
é como animal que perece!
{1}50
(49)
Javé, o Deus dos deuses, fala,
convocando a terra, do Nascente ao Poente.
De Sião, a formosa, Deus resplandece:
o nosso Deus vem, e não vai calar-Se.
À sua frente, vem um fogo devorador,
e, ao seu redor, tempestade violenta.
Do alto Ele convoca céu e terra
para julgar o seu povo:
«Reuni junto de Mim os meus fiéis,
que selaram a minha aliança com sacrifício!»
Que o céu proclame a sua justiça,
pois o próprio Deus vai julgar.
-«Ouve, meu povo, que Eu vou falar-te,
Israel, Eu vou testemunhar contra ti.
Eu sou Deus, o teu Deus!
Não te acuso pelos teus sacrifícios,
porque os teus holocaustos estão sempre diante de Mim.
Porém, não vou tomar nenhum novilho da tua casa,
e nem sequer um cabrito dos teus currais;
pois são minhas todas as feras da selva,
e os animais das montanhas, aos milhares.
Conheço todos os pássaros do céu,
e os rebanhos dos campos Me pertencem.
Se Eu tivesse fome, não to diria a ti,
pois o mundo é meu, e tudo o que nele existe.
Acaso Eu comeria carne de touros,
ou beberia sangue de cabritos?
Oferece a Deus um sacrifício de confissão,
e cumpre os teus votos ao Altíssimo.
Invoca-Me no dia da angústia:
Eu te livrarei, e tu Me glorificarás».
Ao injusto, porém, Deus declara:
«De que adianta tu recitares os meus preceitos
e teres sempre na boca a minha aliança,
se detestas a disciplina
e rejeitas as minhas palavras?
Se vês um ladrão, tu acompanha-lo
e misturas-te com os adúlteros.
Soltas a tua boca para o mal,
e os teus lábios tramam a fraude.
Sentas-te para falar contra o teu irmão,
e desonras o filho de tua mãe.
Comportas-te assim, e Eu devo calar-Me?
Imaginas que Eu seja como tu?
Eu te acuso e coloco tudo diante dos teus olhos!»
Considerai isto, vós que vos esqueceis de Deus.
Senão, Eu vou dilacerar-vos, e ninguém vos libertará!
Quem Me oferece um sacrifício de confissão
glorifica-Me;
e a quem segue o bom caminho,
Eu mostrarei a salvação de Deus.
{1}51
(50)
Tem piedade de mim, ó Deus, pelo teu amor!
Pela tua grande compaixão, apaga a minha culpa!
Lava-me da minha injustiça
e purifica-me do meu pecado!
Porque eu reconheço a minha culpa,
e o meu pecado está sempre na minha frente;
pequei contra Ti, somente contra Ti,
praticando o que é mau aos teus olhos.
Tu és justo, portanto, ao falar,
e, no julgamento, serás o inocente.
Eis que eu nasci na culpa,
e minha mãe já me concebeu pecador.
Tu amas o coração sincero,
e, no íntimo, ensinas-me a sabedoria.
Purifica-me com o hissopo, e ficarei puro.
Lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.
Faz-me ouvir o júbilo e a alegria,
e que se alegrem os ossos que esmagaste.
Esconde dos meus pecados a tua face,
e apaga toda a minha culpa.
Ó Deus, cria em mim um coração puro,
e renova no meu peito um espírito firme.
Não me rejeites para longe da tua face,
não retires de mim o teu santo espírito.
Devolve-me o júbilo da tua salvação,
e que um espírito generoso me sustente.
Vou ensinar os teus caminhos aos culpados,
e os pecadores voltarão para Ti.
Livra-me do sangue, ó Deus,
ó Deus, meu salvador!
E a minha língua cantará a tua justiça.
Senhor, abre os meus lábios,
e a minha boca anunciará o teu louvor.
Pois Tu não queres sacrifício,
e nenhum holocausto Te agrada.
O meu sacrifício é um espírito contrito.
Um coração contrito e esmagado
Tu não o desprezas.
Favorece Sião, por tua bondade,
reconstrói as muralhas de Jerusalém.
Então aceitarás os sacrifícios rituais,
ofertas totais e holocaustos,
e no teu altar se imolarão novilhos.
{1}52
(51)
Porque te glorias com o mal
e te gabas contra o fiel?
Passas o dia a planear ciladas;
a tua língua é navalha afiada,
autora de fraudes.
Preferes o mal, e não o bem,
a mentira, e não a franqueza.
Gostas de palavras corrosivas,
ó língua fraudulenta.
Por isso Deus te destruirá para sempre,
te abaterá e te varrerá da sua tenda;
arrancará as tuas raízes
do solo fértil.
Os justos vê-lo-ão e temerão,
e rirão às custas dele, dizendo:
«Eis o homem que não colocou
Deus como sua fortaleza.
Confiou na sua grande riqueza
e fortaleceu-se com ciladas!»
Quanto a mim, como oliveira verdejante
na casa de Deus,
é no amor de Deus que eu confio,
para sempre e eternamente.
Vou celebrar-Te para sempre,
porque agiste;
e diante dos teus fiéis vou proclamar o teu Nome,
porque ele é bom.
{1}53
(52)
Diz o insensato no seu coração:
«Deus não existe!»
Corromperam-se, praticando abominações:
não há nem um sequer que pratique o bem.
Do céu Deus inclina-Se
sobre os filhos de Adão,
para ver se existe alguém sensato,
alguém que busque a Deus.
Todos se desviaram
e ficaram obstinados:
não há quem faça o bem,
nem um sequer.
Será que os malfeitores não percebem,
eles que devoram o meu povo,
como se comessem pão,
e não invocam a Deus?
Eles vão tremer de medo,
porque Deus espalha os ossos do agressor,
e ficarão envergonhados
porque Deus os rejeita.
Oxalá venha de Sião
a salvação para Israel!
Quando Javé mudar a sorte do seu povo
Jacob exultará e Israel se alegrará.
{1}54
(53)
Salva-me, ó Deus, pelo teu Nome!
Pelo teu poder, faz-me justiça!
Ouve, ó Deus, a minha prece,
dá ouvidos às palavras da minha boca!
Os soberbos levantam-se contra mim,
e os violentos perseguem a minha vida:
eles não colocam Deus à sua frente.
Porém, Deus é o meu socorro,
o Senhor é quem sustenta a minha vida.
Cai o mal sobre aqueles que me espreitam!
Aniquila-os, Javé, pela tua fidelidade!
Eu Te oferecerei um sacrifício espontâneo,
e agradecerei ao teu Nome, porque ele é bom;
porque me livrou de todas as angústias,
e eu contemplei a derrota dos meus inimigos.
{1}55
(54)
Dá ouvidos à minha prece, ó Deus,
não Te furtes à minha súplica!
Presta atenção e responde-me,
porque as ansiedades me agitam!
Estremeço ante a voz do inimigo,
diante dos gritos do injusto.
Eles fazem recair sobre mim calamidades,
e acusam-me com raiva.
O meu coração contorce-se dentro de mim,
e sobre mim caem terrores mortais;
medo e tremor me invadem,
e um calafrio me envolve.
Então eu penso: «Quem me dera ter asas de pomba
para poder voar e pousar...
Sim, eu fugiria para longe
e pernoitaria no deserto.
Encontraria logo um refúgio
contra o vento da calúnia,
contra o furacão que devora, Senhor,
contra a torrente da língua deles».
Vejo violência e discórdia na cidade:
dia e noite elas rondam
por cima das suas muralhas.
Dentro dela há crime e injustiça.
Dentro dela há calamidades,
e a opressão e a fraude
nunca se afastam da sua praça.
Se um inimigo me insultasse,
eu poderia suportá-lo;
se o meu adversário se erguesse contra mim,
eu esconder-me-ia dele.
Mas és tu, homem igual a mim,
meu amigo, meu confidente,
a quem me unia uma doce intimidade;
andávamos juntos, no meio do barulho,
na casa de Deus.
Caia sobre eles a morte,
desçam vivos ao túmulo,
pois o mal se aninha entre eles!
Eu, porém, invoco a Deus,
e Javé salva-me.
De tarde, pela manhã e ao meio-dia
eu me queixo, gemendo.
E Deus ouve o meu grito.
Na paz Ele resgata a minha vida
da guerra que me fazem,
pois são muitos contra mim.
Deus ouve-me e humilha-os,
Ele que reina desde sempre.
Porque não querem emendar-se,
nem temem a Deus.
Levantam as mãos contra os seus próprios aliados,
violando a aliança que fizeram.
A sua boca é mais macia que a manteiga,
mas a guerra está no seu coração.
As suas palavras parecem suaves como azeite,
porém são espadas desembainhadas.
Descarrega o teu fardo em Javé,
e Ele cuidará de ti.
Ele jamais permitirá
que o justo venha a tropeçar.
E Tu, ó Deus, Tu os farás descer
ao fundo do poço!
Esses homens sanguinários e impostores
não chegarão à metade dos seus dias!
Quanto a mim, eu confio em Ti!
{1}56
(55)
Tem piedade de mim, ó Deus, porque me atormentam,
o dia todo me atacam e perseguem;
o dia todo me espreitam e atormentam,
são muitos os que do alto me combatem.
Levanta-me no dia terrível,
pois eu confio em Ti.
Em Deus, cuja promessa eu louvo,
nesse Deus eu confio, e não temerei!
O que pode um mortal fazer contra mim?
Todos os dias eles discutem e planeiam,
maquinando o mal contra mim;
eles reúnem-se, escondem-se e observam os meus passos,
espreitando com avidez a minha vida.
Rejeita-os, por causa da sua injustiça!
Ó Deus, derruba com a tua ira os povos!
Anota no teu livro a minha vida errante,
recolhe as minhas lágrimas no teu odre!
Os meus inimigos recuarão quando eu Te invocar,
e assim eu saberei que Tu és o meu Deus.
Em Deus, cuja promessa eu louvo,
em Javé, cuja promessa eu louvo,
nesse Deus eu confio, e não temerei!
Que pode um homem fazer contra mim?
Eu mantenho os votos que Te fiz, ó Deus,
eu os cumprirei com acção de graças,
porque livraste da morte a minha vida,
e os meus pés de uma queda;
para que eu ande na presença de Deus,
na luz dos vivos.
{1}57
(56)
Piedade, ó Deus, tem piedade de mim,
pois eu me abrigo em Ti;
eu me abrigo à sombra das tuas asas,
até que passe a desgraça.
Eu clamo ao Deus Altíssimo,
ao Deus que faz tudo por mim.
Do céu Ele me enviará a salvação,
confundindo os que me atormentam!
Deus enviará o seu amor e a sua fidelidade!
Estou deitado no meio de leões
que devoram os homens;
os seus dentes são lanças e flechas,
a sua língua é espada afiada.
e a tua glória domine a Terra inteira!
Eles armaram uma rede aos meus pés,
e eu baixei a cabeça;
cavaram diante de mim um buraco,
e foram eles que nele caíram.
O meu coração está firme, ó Deus,
o meu coração está firme.
Vou cantar e tocar!
Desperta, glória minha!
Despertai, cítara e harpa,
que eu vou despertar a aurora!
Vou louvar-Te entre os povos, Senhor,
vou tocar para Ti no meio das nações,
pois o teu amor é maior do que o céu,
e a tua fidelidade alcança as nuvens.
e a tua glória domine a Terra inteira!
{1}58
(57)
Poderosos, é verdade que dais sentenças justas?
Será que julgais os homens com rectidão?
Pelo contrário! No coração, vós planeais a injustiça,
e, na Terra, a vossa mão inclina a balança
em favor do violento.
Desde o seio materno os injustos se extraviam,
desde o ventre já dizem mentiras.
Eles têm veneno como o veneno de serpente,
são como víbora surda, que tapa os ouvidos
para não ouvir a voz do encantador,
nem do mais hábil em praticar encantamentos.
Ó Deus, quebra-lhes os dentes na boca!
Javé, arranca as presas desses leõezinhos!
Que se diluam como água a escorrer,
que murchem como a erva pisada,
sejam como lesma, que se derrete ao caminhar,
como aborto, que não chega a ver o sol!
Antes que brotem, como espinhos no espinheiro,
verdes ou secos, que o furacão os leve!
Que o justo se alegre ao ver a vingança,
e lave os seus pés no sangue do injusto.
E os homens comentem:
«Sim! Existe uma recompensa para o justo,
porque existe um Deus
que faz justiça sobre a terra!»
{1}59
(58)
Meu Deus, livra-me dos meus inimigos,
protege-me dos meus agressores.
Livra-me dos malfeitores,
salva-me dos homens sanguinários!
Pois eles espreitam a minha vida,
os poderosos reúnem-se contra mim.
Sem que eu tenha pecado ou faltado, Javé,
sem eu ter culpa, eles avançam para me atacar.
Desperta! Vem ao meu encontro e olha!
Tu, Javé, Deus dos Exércitos,
Deus de Israel!
Levanta-Te e castiga todas as nações,
não tenhas piedade desses traidores!
e rondam pela cidade.
Vê: eles vangloriam-se com a boca,
há espadas nos seus lábios:
«Alguém está a ouvir?»
E Tu, Javé, Tu ris à custa deles,
e divertes-Te com todas as nações!
Ó força minha, eu olho para Ti!
Pois Tu, ó Deus, Tu és a minha fortaleza.
Que o teu amor vá à frente, ó Deus,
e me faça ver a derrota dos que me espreitam.
Não os mates agora,
para que o meu povo não se esqueça.
Torna-os errantes e derruba-os, com o teu poder,
ó Senhor, nosso escudo!
Cada palavra dos seus lábios
é um pecado da sua boca.
Fiquem presos no seu orgulho,
na mentira e maldição que proferem.
Que a tua cólera os destrua,
os destrua e deixem de existir,
para que se saiba que Deus governa,
desde Jacob até aos confins da terra.
e rondam pela cidade.
Aí estão eles, a caçar para comer,
e, se não se fartam, rondam durante a noite.
Quanto a mim, vou cantar em louvor da tua força,
vou aclamar o teu amor pela manhã,
porque Tu foste a minha fortaleza,
um refúgio no dia da angústia.
Ó força minha, vou tocar para Ti,
porque Tu foste, ó Deus, a minha fortaleza!
{1}60
(59)
Ó Deus, Tu nos rejeitaste e dispersaste.
Estavas irritado. Restaura-nos!
Fizeste tremer a terra e a fendeste.
Repara as suas fendas, pois ela vacila!
Mostraste duras coisas ao teu povo,
e nos fizeste beber um vinho estonteante.
Deste aos teus fiéis o sinal de retirada,
para que fugissem diante dos arcos.
Para que os teus amados sejam libertos,
que a tua mão salvadora nos responda!
Deus falou no seu santuário:
«Triunfante ocuparei Siquém,
e repartirei o vale de Sucot.
Meu é Galaad, meu é Manassés,
Efraim é o elmo da minha cabeça,
Judá, o meu ceptro de comando.
Moab é a bacia onde Me lavo.
Sobre Edom atiro a minha sandália,
e sobre a Filisteia canto vitória».
Quem me levará a uma cidade-forte,
quem me conduzirá até Edom,
se Tu, ó Deus, nos rejeitaste,
e já não acompanhas as nossas tropas?
Concede-nos socorro na opressão,
pois o auxílio humano é inútil!
Com Deus nós faremos proezas!
Ele vai pisar os nossos opressores!
{1}61
(60)
Ó Deus, ouve o meu grito,
atende à minha prece!
Desde os confins da Terra eu Te invoco
de coração abatido.
Eleva-me sobre a rocha! Conduz-me!
Porque Tu és o meu refúgio,
a minha torre forte diante do inimigo.
Vou habitar para sempre na tua tenda,
vou abrigar-me no amparo das tuas asas.
Porque Tu, ó Deus, ouvirás os meus votos,
e me darás a herança
dos que temem o teu nome.
Acrescenta dias aos dias do rei,
que os seus anos alcancem várias gerações.
Que ele reine para sempre na presença de Deus,
e o teu amor e fidelidade o protejam.
Então eu tocarei ao teu nome sem cessar,
dia a dia cumprindo os meus votos.
{1}62
(61)
porque d'Ele vem a minha salvação.
a minha fortaleza: jamais serei abalado!
Até quando avançareis contra um homem,
todos juntos, para o derrubardes,
como se fosse parede inclinada,
ou muro que está para cair?
Eles só pensam em me derrubar da minha posição,
e sentem prazer em mentir:
com a boca elogiam,
mas por dentro amaldiçoam.
porque d'Ele vem a minha esperança.
a minha fortaleza: jamais serei abalado!
De Deus depende a minha salvação e a minha fama,
Deus é o meu forte rochedo.
Deus é o meu refúgio.
Povo de Deus, confia n'Ele em qualquer situação,
desafoga o coração na sua presença,
porque Deus é o nosso refúgio.
Não passam de um sopro os homens comuns
e são apenas mentira os homens importantes:
se os colocassem no prato da balança,
juntos seriam menos que um sopro.
Não confieis na opressão,
nem vos iludais com o roubo.
Se a vossa riqueza aumenta,
não depositeis nela o coração!
Deus falou uma vez,
e duas vezes eu ouvi:
«A Deus pertence o poder,
e a Ti, Senhor, pertence o amor,
porque Tu pagas a cada um
conforme as suas obras».
{1}63
(62)
Ó Deus, Tu és o meu Deus, por Ti madrugo.
A minha alma tem sede de Ti,
a minha carne deseja-Te com ardor,
como terra seca, esgotada e sem água.
Sim, eu contemplava-Te no santuário,
vendo o teu poder e a tua glória.
O teu amor vale mais do que a vida:
os meus lábios Te louvarão.
Vou bendizer-Te durante toda a minha vida,
e ao teu Nome levantar as minhas mãos.
Vou saciar-me de azeite e gordura,
e, com sorrisos, a minha boca Te louvará.
Quando me lembro de Ti, no meu leito,
passo vigílias a meditar em Ti,
pois Tu foste um socorro para mim,
e, à sombra das tuas asas, eu grito de alegria.
A minha alma está ligada a Ti,
e a tua direita me sustenta.
Quanto aos que me querem destruir,
irão todos para as profundezas da terra.
Serão entregues à espada,
e vão tornar-se pasto de chacais.
O rei, porém, alegrar-se-á com Deus,
os que juram pelo seu Nome felicitar-se-ão,
quando a boca dos mentirosos for tapada.
{1}64
(63)
Ouve, ó Deus, a voz do meu lamento!
Protege a minha vida do terrível inimigo,
esconde-me da conspiração dos maus
e do motim dos malfeitores.
Eles afiam a língua como espada,
e atiram, como flecha, a palavra venenosa,
para ferir o inocente às escondidas,
para o ferirem de surpresa e sem risco.
Fortalecem-se com o seu projecto maligno,
calculam como esconder armadilhas,
pensando: «Quem o irá descobrir?»
Inventam crimes e ocultam os seus intentos,
porque a sua mente e coração não têm fundo.
Deus, porém, atira flechas contra eles,
e ficam feridos de surpresa;
a sua própria língua os leva à ruína,
e quem os vê meneia a cabeça.
Então todo o homem se atemoriza,
proclama o acto de Deus,
e medita nas suas obras.
O justo alegra-se com Javé
e n'Ele se abriga.
E os rectos de coração felicitam-se.
{1}65
(64)
Ó Deus, Tu mereces um hino em Sião.
Nós viemos aqui pagar as promessas,
porque ouves as súplicas.
Todas as pessoas vêm a Ti
por causa dos seus pecados.
As nossas faltas nos esmagam,
mas Tu perdoas as nossas culpas.
Feliz quem Tu escolhes e aproximas de Ti
para morar no Templo;
nós estamos saciados com os bens da tua casa,
com os dons sagrados do teu Templo.
Com prodígios de justiça nos respondes,
ó Deus, nosso Salvador.
Tu és a esperança dos confins da Terra
e dos mares distantes;
firmas as montanhas com a tua força,
repleto de poder.
Acalmas o estrondo do mar,
o ribombar das suas ondas,
e o tumulto das nações.
Os habitantes de terras longínquas
temem diante dos teus sinais.
Tu fazes gritar de alegria
as portas da aurora e do poente.
Cuidas da terra e a regas,
e sem medida a enriqueces.
Enches a transbordar de água os teus rios,
e preparas assim os trigais:
regas os sulcos, aplanas os torrões,
com a chuva amoleces a terra,
abençoas as sementeiras.
Coroas o ano com os teus bens,
e os teus caminhos gotejam fartura.
As pastagens do deserto gotejam,
e as colinas enfeitam-se de alegria.
Os campos cobrem-se de rebanhos
e os vales vestem-se de espigas;
lançam gritos de alegria e cantam.
{1}66
(65)
Aclama a Deus, Terra inteira,
toca em honra do seu Nome,
canta hinos à sua glória.
Dizei a Deus: «Como são terríveis as tuas obras!
Pelo teu imenso poder, os teus inimigos Te adulam».
Que toda a terra se prostre na tua presença!
Cantem em tua honra,
salmodiem ao teu nome.
Vinde ver as obras de Deus,
as suas acções terríveis em favor dos homens:
Ele transformou o mar em terra firme,
e atravessaram o rio a pé enxuto.
Exultemos de alegria com Deus,
que governa com o seu poder para sempre.
Os seus olhos vigiam as nações,
para que os rebeldes não se revoltem.
Povos, bendizei o nosso Deus,
fazei ressoar o seu louvor.
É Ele que nos mantém vivos,
e não deixa que os nossos pés tropecem.
Sim, ó Deus, Tu nos provaste,
e nos purificaste como se purifica a prata.
Tu nos fizeste cair na rede,
puseste um peso sobre os nossos ombros:
deixaste que os homens cavalgassem o nosso pescoço.
Nós passámos pelo fogo e pela água,
mas por fim deste-nos alívio.
Eu entro em tua casa com holocaustos,
cumpro as minhas promessas,
as promessas que os meus lábios pronunciaram
e que a minha boca, na angústia, prometeu.
Vou oferecer-Te gordos holocaustos
com o fumo de carneiros;
vou imolar bois e cabritos.
Todos vós que temeis a Deus, vinde escutar.
Vou contar-vos o que Ele fez por mim.
A minha boca gritou para Deus,
e a minha língua exaltou-O.
Se eu tivesse más intenções,
o Senhor não me teria atendido.
No entanto, Deus escutou-me,
e atendeu ao meu grito suplicante.
Bendito seja Deus,
que não rejeitou a minha súplica,
nem me retirou o seu amor.
{1}67
(66)
Deus tenha piedade de nós e nos abençoe,
fazendo brilhar a sua face sobre nós,
para que na terra se conheçam os teus caminhos,
e em todas as nações a tua salvação.
Que todos os povos Te celebrem.
Que as nações se alegrem e exultem,
porque julgas o mundo com justiça,
julgas os povos com rectidão,
e governas as nações da Terra.
A terra produziu o seu fruto:
é o Senhor nosso Deus que nos abençoa.
Que Deus nos abençoe,
e todos os confins da terra O temerão!
{1}68
(67)
Levanta-Se o Senhor, os seus inimigos debandam,
os seus adversários fogem diante d'Ele.
Tu os dissipas como se dissipa o fumo;
tal como a cera se derrete diante do fogo,
assim perecem os injustos diante de Deus.
Os justos, pelo contrário, alegram-se,
exultam na presença de Deus
e dançam de alegria.
Cantai a Deus, tocai ao seu Nome,
abri caminho
Àquele que avança pelo deserto.
O seu Nome é Javé:
alegrai-vos na sua presença.
Pai dos órfãos, protector das viúvas,
assim é Deus na sua morada santa.
Deus dá aos marginalizados uma casa,
liberta e enriquece os cativos.
Somente os rebeldes
permanecem na terra seca.
Ó Deus, quando saías à frente do teu povo,
e avançavas pelo deserto,
a terra tremeu e o céu dissolveu-se
diante de Deus, o Deus do Sinai;
diante de Javé, o Deus de Israel.
Derramaste sobre a tua herança, ó Deus,
uma chuva abundante,
aliviando a terra esgotada,
e o teu povo habitou na Terra
que a tua bondade, ó Deus,
preparou para o pobre.
O Senhor deu uma ordem,
o anúncio de um exército numeroso:
«Reis e exércitos fogem em debandada,
e as mulheres repartem os despojos.
Enquanto vós repousáveis no acampamento,
as pombas batiam as suas asas prateadas
destilando ouro das suas plumas.
Enquanto o Todo-poderoso dispersava os reis,
a neve caía sobre o monte Sombrio».
As montanhas de Basã são altíssimas,
as montanhas de Basã são escarpadas.
Ó montanhas escarpadas, porque invejais
a montanha que Deus escolheu para habitar,
a moradia perpétua de Javé?
Milhares e milhares são os carros de Deus.
O Senhor marcha do Sinai para o santuário.
Subiste ao topo, levando cativos,
e deram-Te homens como tributo,
até mesmo os que resistiam,
para que Javé Deus tivesse uma residência.
Bendito seja o Senhor dia após dia!
Deus cuida de nós:
Ele é o nosso salvador!
O nosso Deus é um Deus que liberta,
ao Senhor Javé pertencem as portas da morte.
Sim, Deus esmaga a cabeça dos seus inimigos,
e o crânio cabeludo dos que caminham na maldade.
O Senhor disse: «Eu vos farei voltar de Basã,
far-vos-ei voltar do fundo do mar.
Tu banharás os teus pés no sangue do inimigo,
sangue que os cães lamberão com a língua».
O teu cortejo aparece, ó Deus,
o cortejo do meu Deus, do meu rei,
a caminho do santuário.
À frente marcham os cantores,
atrás os tocadores de harpa,
no meio as jovens, tocando tamborins.
«Bendizei a Deus nas assembleias
bendizei a Javé na comunidade de Israel».
Na frente vai Benjamim, o mais novo;
os príncipes de Judá, com vestes coloridas;
os príncipes de Zabulon, os príncipes de Neftali.
Desfralda, ó Deus, o teu poder,
o teu poder, ó Deus, que age em nosso favor.
Que os reis tragam o seu tributo
ao teu Templo de Jerusalém.
Reprime a Fera dos canaviais
a manada dos Búfalos
e os Touros dos povos.
Que se rendam a Ti trazendo barras de prata.
Dispersa os povos que gostam de guerras!
Do Egipto venham os grandes,
e a Etiópia estenda as mãos para Deus.
Cantai a Deus, reis da Terra,
tocai para o Senhor,
que avança pelos céus,
os céus antigos.
Ele ergue a sua voz, voz poderosa:
«Reconhecei a força de Deus!»
A sua majestade resplandece sobre Israel,
e por sobre as nuvens o seu poder.
Desde o santuário Deus impõe reverência:
Ele é o Deus de Israel,
que dá força e poder ao seu povo.
Bendito seja Deus!
{1}69
(68)
Salva-me, ó Deus, pois a água
já me chega ao pescoço.
Estou a afundar-me no lodo profundo,
sem nada que me segure;
vou-me afundando no mais fundo das águas,
e a corrente vai-me arrastando...
Esgotei-me de tanto gritar,
a minha garganta arde
e os meus olhos consomem-se,
esperando pelo meu Deus.
Mais que os cabelos da minha cabeça,
são os que me odeiam sem motivo.
Mais duros que os meus ossos,
são os que injustamente me atacam.
Deveria eu devolver
aquilo que não roubei?
Ó Deus, Tu conheces a minha ignorância,
os meus crimes não são ocultos para Ti.
Que por minha causa não fiquem envergonhados
aqueles que esperam em Ti,
Javé dos Exércitos.
Que por minha causa não fiquem confundidos
aqueles que Te procuram,
ó Deus de Israel.
É por tua causa que eu suporto afrontas,
e a confusão cobre o meu rosto.
Tornei-me estrangeiro para os meus irmãos,
um estranho para os filhos de minha mãe.
Porque o zelo pela tua casa me devora,
e as afrontas com que Te afrontam
recaem sobre mim.
Se me aflijo com jejum,
zombam de mim.
Se me visto com pano de saco,
riem-se de mim.
Sentam-se à porta, a cochichar,
bebendo vinho e dizendo piadas.
Quanto a mim, dirijo a minha prece a Ti!
Javé, no tempo favorável
responde-me, pelo teu grande amor,
e ajuda-me com a tua fidelidade.
Arranca-me da lama, para que eu não me afunde.
Liberta-me dos que me odeiam
e das águas sem fundo.
Que a corrente não me arraste,
nem o lodo profundo me engula,
e que o poço não feche sobre mim a sua boca.
Responde-me, Javé, com a bondade do teu amor!
Volta-Te para mim, com a tua grande compaixão!
Não escondas a face ao teu servo:
estou oprimido, responde-me depressa!
Aproxima-Te de mim, resgata-me!
Liberta-me dos meus inimigos!
Tu conheces a afronta que sofro,
e a minha vergonha e confusão.
Os meus opressores estão todos diante de Ti.
A sua afronta partiu-me o coração,
e estou a desfalecer.
Espero compaixão, e nada!
Espero consoladores, e não os encontro!
Como alimento deram-me fel,
e na minha sede deram-me vinagre.
Que a sua mesa seja armadilha para eles,
e a sua abundância uma cilada.
Que os seus olhos fiquem turvos e não vejam,
que as suas costas fraquejem sempre!
Derrama sobre eles o teu furor,
e o ardor da tua ira os atinja.
Que o seu acampamento fique deserto,
e ninguém mais habite nas suas tendas;
porque eles perseguem a quem Tu feriste,
e contam as chagas da tua vítima.
Acusa-os, crime por crime,
não os declares inocentes.
Risca-os do livro dos vivos,
e não sejam inscritos entre os justos!!
Quanto a mim, pobre e ferido,
que a tua salvação, ó Deus, me proteja!
Louvarei o nome de Deus com um cântico,
e engrandecê-lo-ei com acção de graças.
Isso é mais agradável a Javé do que um touro,
mais que um novilho com chifres e cascos.
Que os pobres vejam e se alegrem.
Buscai a Deus, e tereis coragem!
Porque Javé ouve os indigentes,
e nunca rejeita os seus cativos.
Que o Céu e a Terra O louvem,
o mar e tudo o que nele se move!
Sim, Deus vai salvar Sião,
vai reconstruir as cidades de Judá!
Nela habitarão e a possuirão!
A descendência dos seus servos a herdaram
e nela viverão aqueles que amam o nome de Deus!
{1}70
(69)
Ó Deus, por favor, liberta-me!
Javé, vem depressa socorrer-me.
Fiquem envergonhados e confundidos
aqueles que buscam perder a minha vida!
Recuem e fiquem envergonhados,
os que tramam a minha desgraça!
Retirem-se, cheios de vergonha,
os que se riem de mim.
Exultem e alegrem-se contigo
todos os que Te buscam.
Os que amam a tua salvação
repitam sempre: «Deus é grande!»
Quanto a mim, sou pobre e indigente.
Ó Deus, vem depressa!
Tu és o meu auxílio e salvação.
Javé, não demores!
{1}71
(70)
Javé, eu me abrigo em Ti:
que eu nunca fique envergonhado!
Salva-me, por tua justiça! Liberta-me!
Inclina depressa o teu ouvido para mim!
Sê Tu a minha rocha de refúgio,
a fortaleza onde eu me salve,
pois o meu rochedo e fortaleza és Tu!
Meu Deus, liberta-me da mão do injusto,
do punho do criminoso e do violento;
pois Tu, Senhor, és a minha esperança
e a minha confiança,
desde a minha juventude.
Já no ventre materno eu me apoiava em Ti,
e no seio materno Tu me sustentavas.
Eu sempre confiei em Ti.
Muitos olhavam para mim como para um prodígio,
porque eras Tu o meu abrigo seguro.
A minha boca está cheia do teu louvor
e do teu esplendor o dia todo.
Não me rejeites agora que estou na velhice,
não me abandones quando me faltam as forças;
porque os meus inimigos falam de mim,
juntos planeiam os que espreitam a minha vida:
«Deus abandonou-o. Podeis persegui-lo
e agarrá-lo, que ninguém o salvará!»
Ó Deus, não fiques longe de mim!
meu Deus, vem depressa socorrer-me.
Fiquem envergonhados e arruinados
aqueles que perseguem a minha vida.
Fiquem cobertos de ultraje e desonra
os que buscam o mal contra mim.
Quanto a mim, fico à espera,
continuando o teu louvor.
A minha boca vai contar a tua justiça,
e o dia todo a tua salvação.
Contarei as tuas proezas, Senhor Javé,
vou narrar a tua vitória, toda tua!
Ó Deus, Tu me instruíste desde a minha juventude,
e até hoje eu anuncio as tuas maravilhas.
Agora que estou velho e de cabelos brancos,
não me abandones, ó Deus,
até que eu descreva o teu braço à geração futura,
as tuas proezas e as tuas sublimes vitórias,
as façanhas que realizaste.
Ó Deus, quem é igual a Ti?
Tu me fizeste passar por angústias
profundas e numerosas.
Agora voltarás para me dar a vida,
e far-me-ás subir da terra profunda.
Aumentarás a minha grandeza,
e de novo me consolarás.
Quanto a mim, vou celebrar-Te com a harpa,
pela tua fidelidade, meu Deus!
Vou tocar cítara em tua honra,
ó Santo de Israel.
Os meus lábios Te aclamarão,
e também a minha alma, que resgataste.
A minha língua repetirá
o dia inteiro a tua justiça,
pois ficaram envergonhados e confundidos
aqueles que buscavam o mal contra mim!
{1}72
(71)
Ó Deus, confia o teu julgamento ao rei
e a tua justiça ao filho do rei.
Que ele governe o teu povo com justiça,
e os teus pobres conforme o direito.
Que os montes tragam a paz,
e as colinas a justiça.
Que ele defenda os pobres do povo,
salve os filhos do indigente
e esmague os seus opressores.
Que ele dure como o Sol e a Lua,
de geração em geração.
Que ele desça como chuva sobre a erva,
como chuvisco que irriga a terra.
Que em seus dias floresça a justiça
e muita paz até ao fim das luas,
que ele domine de mar a mar,
do Grande Rio até aos confins da Terra.
Que os seus rivais se inclinem diante dele,
e os seus inimigos lambam o pó.
Que os reis de Társis e das ilhas
lhe paguem tributos.
Que os reis de Sabá e Seba
lhe ofereçam os seus dons.
Que todos os reis se prostrem diante dele,
e as nações todas o sirvam!
Porque ele liberta o indigente que clama
e o pobre que não tem protector.
Ele tem compaixão do fraco e do indigente,
e salva a vida dos indigentes.
Ele os redime da astúcia e da violência,
porque o sangue deles é precioso aos seus olhos.
Que ele viva, e lhe tragam o ouro de Sabá!
Que por ele orem continuamente,
e todos os dias o bendigam!
Haja abundância de trigo pelos campos,
tremulando no topo das montanhas.
Dêem fruto como o Líbano,
e as espigas brotem como a grama do campo.
Que o seu nome permaneça para sempre,
e a sua fama dure como o Sol:
que ele seja a bênção para todos os povos,
e todas as raças da terra o proclamem feliz!
Seja bendito Javé, o Deus de Israel,
porque só Ele realiza maravilhas!
Para sempre seja bendito o seu Nome glorioso!
Que toda a Terra se encha da sua glória!
Ámen! Ámen!
(Fim das orações de David, filho de Jessé).
{1}73
(72)
Na verdade, «Deus é bom para Israel,
para os puros de coração».
Mas por pouco os meus pés não tropeçavam,
por um nada os meus passos escorregavam,
porque invejei os arrogantes,
vendo a prosperidade dos injustos.
Vede! Para eles não há tormentos,
e o seu corpo é sadio e robusto.
A fadiga dos mortais não os atinge,
eles não são molestados como os outros.
Daí a soberba, que eles usam como colar,
e a violência que os envolve como veste.
O pecado brota-lhes da gordura,
e o seu coração transborda em maus projectos.
Zombam e falam maliciosamente,
falam alto, oprimindo.
No céu colocam a boca,
e a sua língua percorre a terra.
Deste modo saciam-se a si próprios,
sugando para si as águas de todo o mar.
E dizem: «Como pode Deus saber?
Existe conhecimento no Altíssimo?»
Aí está! Os injustos são assim
e, sempre tranquilos, acumulam riquezas!
De facto, foi inútil conservar puro o meu coração,
e lavar na inocência as minhas mãos!
Sim, eu sou molestado o dia inteiro,
e castigado cada manhã...
Se eu dissesse: «Vou falar como eles!»,
já renegaria a assembleia dos teus filhos.
Então reflecti para compreender,
mas que fadiga era isso para os meus olhos!
Até que fui penetrando no mistério de Deus,
e então compreendi o destino deles.
De facto, Tu coloca-los em ladeiras,
tu faze-los cair, em ruínas.
Vede: num instante são reduzidos ao terror,
deixam de existir e perecem, presas do pavor!
Como um sonho ao despertar, ó Senhor,
ao acordar, Tu desprezas a imagem deles.
Se o meu coração se azedava
e eu espicaçava os meus rins,
é porque eu era imbecil e nada entendia.
Eu era um animal junto a Ti.
Eu, porém, estou sempre contigo.
Tu me agarraste pela mão direita.
Tu me guias com o teu conselho
e com glória me conduzes.
Contigo, de quem necessitarei no Céu?
Contigo, nada mais me satisfaz na Terra.
A minha carne e o meu coração podem consumir-se:
a minha rocha e porção é Deus para sempre!
Sim, os que se afastam de Ti perdem-se,
Tu rejeitas todos os teus adúlteros.
Eu, porém, estou feliz por estar com Deus,
e em Deus colocar o meu abrigo,
para contar todas as tuas obras
(junto às portas de Sião).
{1}74
(73)
Porquê, ó Deus,
rejeitares-nos até ao fim?
Porquê arderes em ira contra as ovelhas
do teu rebanho?
Lembra-Te da comunidade
que adquiriste desde a origem,
da tribo que redimiste como tua herança;
do monte Sião, onde puseste a tua moradia.
Dirige os teus passos para estas ruínas sem fim:
o inimigo arrasou completamente o santuário.
Os opressores rugiram no lugar das tuas assembleias,
e puseram as suas insígnias no frontão da entrada,
insígnias que não eram conhecidas.
Como quem brande o machado no bosque,
eles destroçaram as esculturas,
golpeando com machado e com martelo.
Atearam fogo ao teu santuário,
profanaram até ao chão
a moradia do teu Nome.
Eles pensavam: «Vamos arrasá-los de vez!»
E incendiaram todos os templos da terra.
Já não vemos os nossos sinais, já não existem profetas,
e ninguém de nós sabe até quando.
Até quando, ó Deus,
o opressor vai blasfemar?
O inimigo irá desprezar
o teu Nome até ao fim?
Porque retiras a tua mão esquerda
e manténs a direita escondida no peito?
Tu, porém, ó Deus, és rei desde a origem,
e operas libertações por toda a terra.
Tu dividiste o mar com o teu poder,
quebraste a cabeça do monstro do mar.
Tu esmagaste as cabeças do Leviatã,
dando-o como alimento às feras do mar.
Tu abriste fontes e torrentes
e secaste rios inesgotáveis.
O dia pertence-Te, e tua é a noite.
Tu firmaste a Lua e o Sol,
estabeleceste os limites da Terra,
e formaste o Verão e o Inverno.
Lembra-Te, Javé, do inimigo que blasfema,
do povo insensato que ultraja o teu Nome.
Não entregues à fera a vida da tua rola.
Não esqueças até ao fim a vida dos teus pobres.
Olha para a tua aliança, pois os recantos da terra
estão cheios de violência.
Que o oprimido não volte coberto de confusão,
e o pobre e o indigente louvem o teu Nome.
Levanta-Te, ó Deus! Defende a tua causa!
Lembra-Te do insensato que Te ultraja o dia todo!
Não Te esqueças do rumor dos teus opressores,
do tumulto crescente dos que se rebelam contra Ti.
{1}75
(74)
Nós Te celebramos, ó Deus, nós Te celebramos,
invocando o teu Nome
e contando as tuas maravilhas.
«No momento que Eu tiver decidido,
Eu mesmo vou julgar com rectidão.
Trema a Terra com os seus habitantes todos,
Eu mesmo firmei as suas colunas».
Eu digo aos arrogantes: Não sejais arrogantes!
E aos injustos: Não levanteis a fronte!
Não ergais altivamente a fronte,
não digais insolências contra a Rocha!
Não é do Nascente, nem do Poente,
nem do deserto, nem das montanhas,
que Deus vem como juiz:
a um ele abaixa, a outro eleva.
Na mão de Javé existe uma taça,
com vinho a espumar, cheio de mistura.
Ele derrama-o, e eles sugá-lo-ão até ao fim,
todos os injustos da terra o beberão.
Quanto a mim, vou proclamar sempre a sua grandeza,
e tocarei para o Deus de Jacob.
Ele quebrará o poder de todos os injustos,
e o poder dos justos se levantará.
{1}76
(75)
Deus manifesta-Se em Judá,
a sua fama é grande em Israel.
A sua tenda está em Jerusalém,
e em Sião a sua moradia.
Aí quebrou os relâmpagos do arco,
o escudo, a espada e a guerra.
Tu és luminoso e célebre,
com montes de despojos conquistados.
Os valentes dormem o seu sono,
e os braços falham a todos os guerreiros.
Com a tua ameaça, ó Deus de Jacob,
carro e cavalo ficaram parados.
Tu és terrível! Quem pode resistir
à tua frente, quando ficas irado?
Do Céu proclamas a sentença:
a Terra paralisa de medo,
quando Deus Se levanta para julgar
e salvar todos os pobres da Terra.
Atingido pela tua ira, o homem louva-Te,
e os que escapam ao castigo Te rodearão.
Fazei votos a Javé vosso Deus, e cumpri-os,
e que os vassalos paguem tributo ao Terrível.
Ele deixa os príncipes sem alento,
Ele é terrível para os reis da Terra!
{1}77
(76)
A Deus levanto a minha voz, e grito!
A Deus ergo a minha voz, e Ele ouve-me!
No dia da angústia eu procuro pelo Senhor.
À noite estendo a mão, sem descanso,
e a minha alma recusa consolo.
Lembro-me de Deus e fico a gemer,
medito e sinto-me desfalecer.
Tu me seguras as pálpebras dos olhos,
fico agitado e nem posso falar.
Penso nos dias de outrora,
recordo os anos longínquos.
De noite reflicto no meu coração,
fico a meditar, e pergunto-me:
O Senhor vai rejeitar-nos para sempre?
Nunca mais nos será favorável?
A sua misericórdia já se esgotou?
A sua promessa acabou para sempre?
Será que Deus Se esqueceu da sua bondade,
ou fechou as entranhas com ira?
E eu digo: «Este é o meu mal:
a direita do Altíssimo mudou!»
Lembro-me das proezas de Javé,
recordo as tuas maravilhas de outrora,
medito as tuas obras todas,
e considero as tuas façanhas.
Ó Deus, o teu caminho é santo!
Que deus é grande como o nosso Deus?
Tu és o Deus que opera maravilhas,
mostrando às nações a tua força.
Com o teu braço resgataste o teu povo,
os filhos de Jacob e de José.
O mar viu-Te, ó Deus,
o mar viu-Te e tremeu,
e as ondas estremeceram.
As nuvens derramaram as suas águas,
as nuvens pesadas trovejaram,
e as tuas flechas ziguezagueavam.
O estrondo do teu trovão ribombava,
os teus relâmpagos iluminavam o mundo,
e a terra agitou-se, estremecida.
Abriste um caminho entre as águas,
uma senda nas águas torrenciais,
sem deixar rasto dos teus passos.
Guiaste o teu povo como a um rebanho,
pela mão de Moisés e de Aarão.
{1}78
(77)
Povo meu, escuta a minha instrução,
dá ouvidos às palavras da minha boca.
Vou abrir a minha boca em parábolas,
vou expor enigmas do passado.
O que nós ouvimos e aprendemos,
o que nos contaram os nossos pais,
não o esconderemos aos seus filhos,
nós o contaremos à geração futura:
os louvores de Javé, o seu poder
e as maravilhas que realizou.
Porque Ele estabeleceu uma norma para Jacob
e deu uma lei a Israel:
ordenou aos nossos pais
que as transmitissem a seus filhos,
para que a geração seguinte as conhecesse,
e os filhos que iriam nascer.
Que se levantem e as contem aos seus filhos,
para que ponham em Deus a sua confiança,
não se esqueçam dos feitos de Deus
e observem os seus mandamentos.
Para que não sejam como seus pais,
uma geração desobediente e rebelde,
geração de coração inconstante,
que não tem espírito fiel a Deus.
Os filhos de Efraim, arqueiros equipados,
voltaram as costas no dia da batalha,
não guardaram a aliança de Deus,
recusaram seguir a sua lei.
Esqueceram os seus grandes feitos
e as maravilhas que lhes mostrara,
quando realizou a maravilha diante de seus pais,
na terra do Egipto, no campo de Tânis:
Ele dividiu o mar e fê-los atravessar,
barrando as águas como num dique.
De dia guiou-os com a nuvem,
e de noite com a luz de um fogo.
Fendeu a rocha no deserto
e deu-lhes a beber águas abundantes.
Da pedra fez brotar torrentes,
e as águas desceram como rios.
Mas continuaram a pecar contra Ele,
rebelando-se contra o Altíssimo no deserto.
Tentaram a Deus nos seus corações,
pedindo comida conforme o seu próprio gosto.
E murmuraram contra Deus,
dizendo: «Poderá Deus
preparar uma mesa no deserto?»
Então Ele feriu a rocha, a água brotou,
e as torrentes transbordaram.
«Acaso poderá também dar-nos pão
ou fornecer carne ao seu povo?»
Ouvindo isso, Javé enfureceu-Se;
um fogo acendeu-se contra Jacob
e a ira ergueu-se contra Israel.
Porque eles não tinham fé em Deus,
nem confiavam no seu auxílio.
Entretanto, Ele ordenou às altas nuvens
e abriu as comportas do céu:
fez chover sobre eles o maná,
deu-lhes um trigo do céu.
O homem comeu pão dos anjos,
Deus mandou-lhes provisões com fartura.
Fez soprar no céu o vento Leste,
e com o seu poder trouxe o vento Sul:
sobre eles fez chover carne como pó,
aves numerosas como areia do mar,
fazendo-as cair no meio do acampamento,
ao redor de suas tendas.
Eles comeram e ficaram saciados,
pois Ele os atendeu conforme queriam.
Mas não haviam satisfeito o apetite,
tinham ainda a comida na boca,
quando a ira de Deus contra eles se ergueu:
ele massacrou os mais fortes,
e prostrou a juventude de Israel.
Apesar disso, continuaram a pecar,
e não tinham fé nas suas maravilhas.
Consumiu-lhes os dias num sopro
e os seus anos num momento.
Quando os matava, então buscavam-n'O,
madrugando para voltarem para Deus.
Recordavam que Deus era a sua rocha,
que o Deus Altíssimo era o seu redentor.
Eles adulavam-n'O com a boca,
mas enganavam-n'O com a língua.
Os seus corações não eram sinceros com Deus,
não eram fiéis à sua aliança.
Ele, porém, compassivo,
perdoava as faltas e não os destruía.
Reprimia a sua ira muitas vezes,
e não despertava todo o seu furor.
Lembrava-se de que eles eram apenas carne,
um vento que se vai, para nunca mais voltar.
Quantas vezes O afrontaram no deserto
e O ofenderam em lugares solitários!
Voltaram a tentar a Deus,
a irritar o Santo de Israel.
Não se lembravam da sua mão,
que um dia os resgatou da opressão:
quando operou os seus sinais no Egipto,
e os seus prodígios no campo de Tânis.
Quando transformou em sangue os seus canais
e as suas torrentes, privando-os de beber.
Quando lhes mandou moscas que os devoravam,
e rãs que os devastavam.
Quando entregou às larvas as suas colheitas,
e o seu trabalho aos gafanhotos.
Quando destruiu a sua vinha com granizo,
e os seus sicômoros com geada.
Quando abandonou o seu gado à saraiva,
e aos relâmpagos o seu rebanho.
Quando lançou contra eles o fogo da sua ira:
cólera, furor e aflição,
anjos portadores de desgraças,
e deu livre curso à sua ira,
não os preservou da morte,
mas entregou à peste as suas vidas.
Quando feriu todo o primogénito no Egipto,
as primícias da raça nas tendas de Cam.
Fez partir o seu povo como rebanho,
e como ovelhas os conduziu pelo deserto.
Guiou-os com segurança, sem alarme,
enquanto o mar cobria os seus inimigos.
Introduziu-os pelas fronteiras santas,
até à montanha que a sua direita conquistara.
Expulsou da frente deles as nações,
e distribuiu-lhes as terras em herança,
colocando nas suas tendas as tribos de Israel.
Ainda assim tentavam e afrontavam o Deus Altíssimo,
recusando guardar os seus preceitos.
Desviaram-se, traíam como os seus pais,
voltavam atrás como arco infiel.
Com os seus lugares altos indignavam-n'O,
e enciumavam-n'O com os seus ídolos.
Deus ouviu e ficou enfurecido,
e rejeitou Israel completamente.
Abandonou a sua moradia em Silo,
a tenda onde habitava entre os homens.
Entregou os seus valentes ao cativeiro,
e o seu esplendor à mão do opressor.
Abandonou o seu povo à espada,
e enfureceu-Se contra a sua herança.
Os seus jovens foram devorados pelo fogo,
e as suas virgens não tiveram canto de núpcias.
Os seus sacerdotes caíram sob a espada,
e as suas viúvas não entoaram lamentações.
E o Senhor acordou como alguém que dormia,
como valente embriagado pelo vinho.
Feriu os seus opressores pelas costas
e para sempre os entregou à vergonha.
Rejeitou a tenda de José,
e não elegeu a tribo de Efraim.
Escolheu a tribo de Judá,
e o monte Sião, seu preferido.
Construiu o seu santuário como o Céu,
e firmou-o para sempre, como a Terra.
Escolheu David, seu servo,
e tirou-o do aprisco das ovelhas.
Da companhia das ovelhas o tirou
para apascentar Jacob, seu povo,
e Israel, sua herança.
Ele os apascentou de coração íntegro,
e os conduziu com mão inteligente.
{1}79
(78)
Ó Deus, as nações invadiram a tua herança,
profanaram o teu Templo santo,
reduziram Jerusalém a ruínas.
Deram os cadáveres dos teus servos
como alimento às aves do céu,
e a carne dos teus fiéis
às feras da terra.
Derramaram o seu sangue como água
ao redor de Jerusalém,
e ninguém o enterrava.
Nós tornámo-nos ultraje para os nossos vizinhos,
divertimento e zombaria para aqueles que nos cercam.
Até quando, Javé?
Ficarás irado até ao fim?
O teu ciúme vai arder como fogo?
Derrama o teu furor
sobre essas nações que não Te reconhecem,
sobre esses reinos que não invocam o teu Nome.
Eles devoraram Jacob
e devastaram a sua moradia.
Não recordes contra nós
as faltas dos nossos antepassados.
Que a tua compaixão venha depressa até nós,
pois estamos muito enfraquecidos.
Socorre-nos, ó Deus salvador nosso,
pela honra do teu Nome!
Liberta e perdoa os nossos pecados
por causa do teu Nome!
Porque diriam as nações:
«Onde está o seu Deus?»
Que diante dos nossos olhos_as nações reconheçam a vingança
do sangue derramado dos teus servos.
Chegue à tua presença o gemido do cativo:
com o teu braço poderoso
salva os condenados à morte,
e aos nossos vizinhos devolve sete vezes
a afronta com que Te afrontaram, Senhor!
Quanto a nós, teu povo,
ovelhas do teu rebanho,
nós Te celebramos para sempre,
e de geração em geração
vamos proclamar o teu louvor!
{1}80
(79)
Pastor de Israel, dá ouvidos,
Tu que diriges a José como a um rebanho;
Tu que Te sentas sobre os querubins, resplandece
perante Efraim, Benjamim e Manassés!
Desperta o teu poder e vem socorrer-nos.
Faz brilhar a tua face, e seremos salvos!
Javé Deus dos Exércitos,
até quando ficarás irado
enquanto o teu povo suplica?
Tu deste-lhe pranto a comer
e abundantes lágrimas a beber.
Tu fizeste de nós a disputa dos nossos vizinhos,
e os nossos inimigos zombam de nós.
Tiraste uma videira do Egipto,
expulsaste nações, e a transplantaste.
Preparaste o terreno e, lançando raízes,
ela encheu a Terra.
A sua sombra cobria as montanhas,
e os seus ramos, os cedros de Deus.
Ela estendia os ramos até ao mar,
e até ao rio os seus rebentos.
Porque lhe derrubaste as cercas?
Para que os viandantes a saqueiem,
e os javalis da floresta a devastem,
e as feras do campo a devorem?
Volta atrás, ó Deus dos Exércitos!
Olha do céu e vê!
Vem visitar a tua vinha,
a cepa que a tua direita plantou,
e que tornaste vigorosa.
Eles queimavam-na como lixo,
mas vão perecer com a ameaça da tua face.
Que a tua mão proteja o teu escolhido,
o homem que Tu confirmaste.
Nunca mais nos afastaremos de Ti.
Faz-nos viver, para invocarmos o teu Nome.
{1}81
(80)
Aclamai a Deus, nossa força,
aclamai ao Deus de Jacob.
Acompanhai, tocai os pandeiros,
a harpa melodiosa e a cítara.
Tocai a trombeta pelo novo mês,
na lua cheia, dia da nossa festa.
Porque é uma lei para Israel,
um preceito do Deus de Jacob,
uma norma estabelecida para José,
quando ele saiu da terra do Egipto.
Ouço uma linguagem desconhecida:
«Tirei a carga de cima dos teus ombros,
e as tuas mãos largaram o cesto.
Clamaste na opressão, e Eu libertei-te.
Escondido no trovão, Eu respondi-te,
e provei-te nas águas de Meriba».
Escuta, povo meu, Eu vou testemunhar contra ti.
Oxalá Me ouvisses, Israel!
«Nunca haja no meio de ti um deus estranho,
nunca adores um deus estrangeiro.
Eu sou Javé, teu Deus,
que te tirei da terra do Egipto.
Abre a tua boca, e Eu enchê-la-ei».
E o meu povo não escutou a minha voz,
Israel não quis obedecer-Me.
Então Eu entreguei-os ao seu coração endurecido:
que sigam os seus próprios caminhos!
Ah! Se o meu povo Me escutasse,
se Israel andasse nos meus caminhos...
Eu derrotaria os seus inimigos num instante,
e contra os seus opressores voltaria a minha mão.
Os que odeiam Javé adulá-l'O-iam,
e o tempo deles teria passado para sempre.
Eu alimentar-te-ia com a flor do trigo
e saciar-te-ia com o mel do rochedo.
{1}82
(81)
Deus levanta-Se no conselho divino,
no meio dos deuses Ele julga:
«Até quando julgareis injustamente,
sustentando a causa dos injustos?
Protegei o fraco e o órfão,
fazei justiça ao pobre e ao necessitado,
libertai o fraco e o indigente,
e livrai-o da mão dos injustos!»
Eles não sabem, não entendem, vagueiam nas trevas:
todos os fundamentos da Terra se abalam.
Eu declaro: «Embora vós sejais deuses,
e todos filhos do Altíssimo,
morrereis como qualquer homem.
Vós, príncipes, caireis como qualquer outro».
Levanta-Te, ó Deus, e julga a Terra,
pois as nações todas Te pertencem!
{1}83
(82)
Ó Deus, não Te cales,
não fiques mudo e imóvel, ó Deus!
Eis que os teus inimigos se agitam,
os que Te odeiam levantam a cabeça.
Eles tramam um plano contra o teu povo,
conspiram contra os teus protegidos:
«Vinde, vamos eliminá-los do meio das nações,
e o nome de Israel nunca mais será lembrado!»
Todos de acordo conspiram
e fazem aliança contra Ti:
os beduínos edomitas e os ismaelitas,
moabitas e agarenos,
Gebal, Amon e Amalec,
os filisteus com os habitantes de Tiro;
também os assírios a eles se aliaram,
dando reforço aos filhos de Lot.
Faz-lhes o mesmo que fizeste a Madiã e Sísara,
e a Jabin na torrente Quison.
Foram aniquilados em Endor,
tornaram-se esterco para a terra.
Trata os seus príncipes como Oreb e Zeb,
como Zebá e Sálmana, todos os seus chefes.
Eles diziam: «Tomemos posse
dos territórios de Deus!»
Meu Deus, trata-os como folhas que voam,
como a palha diante do vento;
como o fogo que devora uma floresta,
e a chama que abrasa as montanhas.
Persegue-os com a tua tempestade,
aterroriza-os com o teu furacão.
Cobre-lhes a face de infâmia,
para que busquem o teu Nome, ó Javé!
Fiquem envergonhados e perturbados para sempre,
sejam confundidos e arruinados.
Saberão assim que só Tu tens o nome de Javé,
o Altíssimo sobre toda a Terra!
{1}84
(83)
Como são desejáveis as tuas moradas,
Javé dos Exércitos!
A minha alma suspira e desfalece
pelos átrios de Javé.
O meu coração e a minha carne
exultam pelo Deus vivo.
Até o pássaro encontrou uma casa,
e a andorinha, um ninho,
onde põe os seus filhotes:
junto dos teus altares, Javé dos Exércitos,
meu rei e meu Deus!
Felizes os que habitam na tua casa:
eles louvam-Te sem cessar.
Felizes os que encontram em Ti a sua força
ao preparar a sua peregrinação:
quando atravessam vales áridos,
eles transformam-nos em oásis,
como se a primeira chuva
os cobrisse de bênçãos.
Eles caminham de fortaleza em fortaleza
até verem Deus em Sião.
Javé, Deus dos Exércitos, ouve a minha súplica,
dá-me ouvidos, ó Deus de Jacob.
Vê o nosso escudo, ó Deus,
olha a face do teu ungido.
Sim, mais vale um dia em teus átrios,
do que milhares em minha casa.
Prefiro o umbral da casa de Deus
do que habitar na tenda dos injustos.
Porque Javé é sol e escudo,
Deus concede graça e glória.
Javé não recusa nenhum bem
aos que andam na integridade.
Javé dos Exércitos, feliz o homem
que confia em Ti!
{1}85
(84)
Favoreceste, Javé, a tua Terra,
restauraste os cativos de Jacob.
Perdoaste a culpa do teu povo,
encobriste todo o seu pecado.
Reprimiste todo o teu furor,
refreaste o ardor da tua ira.
Restaura-nos, ó Deus, nosso salvador,
renuncia ao teu rancor contra nós!
Ficarás irado connosco para sempre,
prolongando de geração em geração a tua ira?
Não nos irás devolver a vida,
para que o teu povo se alegre contigo?
Javé, mostra-nos o teu amor,
concede-nos a tua salvação.
Vou escutar o que diz Javé:
«Deus anuncia a paz
ao seu povo e aos seus fiéis,
e aos que se convertem de coração».
A salvação está próxima dos que O temem,
e a glória habitará na nossa Terra.
Amor e fidelidade encontram-se,
a Justiça e a Paz abraçam-se.
A Fidelidade brotará da terra,
e a Justiça inclinar-se-á do céu.
Javé dar-nos-á a chuva,
e a nossa terra dará o seu fruto.
A Justiça caminhará à sua frente,
a salvação seguirá os seus passos.
{1}86
(85)
Inclina o teu ouvido, Javé, responde-me,
porque sou pobre e indigente!
Guarda-me, porque sou fiel,
salva o teu servo que em Ti confia!
Tu és o meu Deus, tem piedade de mim, Senhor,
pois é a Ti que eu invoco o dia todo!
Alegra a alma do teu servo,
pois a Ti elevo a minha alma!
Tu és bom, ó Senhor, e perdoas.
Tu és cheio de amor para todos os que Te invocam.
Atende a minha prece, Javé,
considera a minha voz suplicante.
No dia da angústia eu grito por Ti,
pois Tu me respondes, Senhor.
Entre os deuses não há outro igual a Ti,
nada que se iguale às tuas obras!
Todas as nações virão
para se prostrar na tua presença, Senhor,
e bendizer o teu nome:
«Tu és grande, e fazes maravilhas.
Tu és o único Deus».
Ensina-me o teu caminho, Javé,
e caminharei segundo a tua verdade.
Conserva íntegro o meu coração
no temor do teu Nome.
Eu Te agradeço de todo o coração, meu Deus,
vou dar glória ao teu Nome para sempre,
pois é grande o teu amor para comigo:
Tu me tiraste das profundezas da morte.
Ó Deus, os soberbos levantam-se contra mim,
um bando de violentos persegue a minha vida,
e não Te têm diante dos olhos.
Tu, porém, Senhor, Deus de piedade e compaixão,
lento para a cólera, cheio de amor e fidelidade,
volta-Te para mim, tem piedade de mim.
Dá força ao teu servo,
salva o filho da tua serva.
Realiza para mim um sinal de bondade:
os meus inimigos verão e ficarão envergonhados,
porque Tu, Javé, me socorres e consolas.
{1}87
(86)
Sião foi construída sobre o monte santo,
e Javé prefere as suas portas
a todas as moradas de Jacob.
Que anúncio glorioso para ti,
ó cidade de Deus!
«Contarei o Egipto e a Babilónia
entre os meus fiéis.
Filisteus, tírios e etíopes
lá nasceram».
E de Sião dir-se-á:
«Todo o homem lá nasceu.
Ela foi fundada pelo Altíssimo em pessoa».
Javé inscreve os povos no registo:
«Este homem nasceu lá».
E enquanto dançam, cantarão:
«Em ti se encontram todas as minhas fontes».
{1}88
(87)
Javé, meu Deus, de dia Te peço auxílio,
e de noite grito na tua presença.
Que a minha prece chegue a Ti,
inclina o teu ouvido ao meu clamor.
Porque a minha alma está cheia de males,
e a minha vida está à beira do túmulo.
Sou visto como quem desce à sepultura,
tornei-me homem sem forças,
tenho a minha cama entre os mortos,
como as vítimas que jazem no sepulcro,
das quais já não Te lembras,
porque foram arrancadas da tua mão.
Lançaste-me no fundo da cova,
no meio das trevas do abismo.
A tua cólera pesa sobre mim,
derramas sobre mim todas as tuas ondas.
Afastaste de mim os meus conhecidos,
e tornaste-me repugnante para eles:
estou fechado, não posso sair,
e os meus olhos turvam-se de tristeza.
Eu Te invoco todo o dia,
estendendo as mãos para Ti:
«Farás maravilhas pelos mortos?
As sombras vão levantar-se para Te louvar?
Falarão do teu amor nas sepulturas,
e da tua fidelidade no reino da morte?
Conhecem as tuas maravilhas nas trevas,
e a tua justiça na terra do esquecimento?»
Mas eu grito para Ti, Javé,
a minha prece chega a Ti pela manhã.
Javé, porque me rejeitas
e me escondes a tua face?
Fui infeliz e moribundo desde a infância,
sofri os teus horrores, estou esgotado.
Os teus furores passaram sobre mim,
os teus terrores deixaram-me consumido.
Eles cercam-me como água todo o dia,
e assaltam-me todos juntos.
Tu afastas de mim os meus parentes e amigos,
e as trevas são a minha companhia.
{1}89
(88)
Cantarei para sempre o amor de Javé,
anunciarei de geração em geração a tua fidelidade.
Pois eu disse: «O teu amor é um edifício eterno.
Tu firmaste a tua fidelidade mais que o céu».
Selei uma aliança com o meu eleito,
jurando ao meu servo David:
«Vou estabelecer a tua descendência para sempre,
e de geração em geração
vou construir um trono para ti».
O céu proclama as tuas maravilhas, Javé,
e a tua fidelidade na assembleia dos anjos.
Sobre as nuvens, quem é como Javé?
Dentre os seres divinos, quem é como Javé?
Deus é terrível no conselho dos anjos,
grande e terrível com toda a sua corte.
Javé dos Exércitos, quem é igual a Ti?
O poder e a fidelidade envolvem-Te.
Tu dominas o orgulho do mar
e amansas as ondas que se elevam.
Tu esmagaste Raab como a um cadáver,
o teu braço poderoso dispersou os teus inimigos.
Teu é o Céu, e a Terra Te pertence,
Tu fundaste o mundo, e tudo o que nele existe.
O Norte e o Sul, Tu os criaste.
O Tabor e o Hermon aclamam o teu Nome.
O teu braço é poderoso,
a tua esquerda é forte, e a tua direita elevada.
A Justiça e o Direito sustentam o teu trono.
O Amor e a Fidelidade precedem a tua face.
Feliz o povo que sabe aclamar-Te:
ele caminhará, ó Javé, à luz da tua face.
O teu Nome é o seu prazer em cada dia,
e a tua justiça é o seu orgulho.
Sim, Tu és a sua honra e força,
e com o teu favor levantas a nossa fronte.
Porque Javé é o nosso escudo,
o nosso rei é o Santo de Israel.
Outrora falaste numa visão aos teus fiéis:
«Prestei auxílio a um bravo,
exaltei um eleito dentre o povo:
encontrei o meu servo David,
e ungi-o com o meu óleo santo,
para que a minha mão esteja sempre com ele,
e o meu braço o torne valoroso.
O inimigo não poderá enganá-lo,
nem o perverso humilhá-lo.
Diante dele esmagarei os seus opressores
e ferirei os seus inimigos.
A minha fidelidade e amor estarão com ele,
e pelo meu Nome o seu poder crescerá:
estenderei a sua esquerda até ao mar,
e a sua direita até aos rios.
Ele invocar-me-á: "Tu és o meu pai,
o meu Deus e o meu rochedo salvador!"
E Eu o tornarei meu primogénito,
o altíssimo sobre os reis da Terra.
Para sempre vou manter com ele o meu amor,
e a minha aliança com ele será firme.
Vou dar-lhe uma descendência para sempre,
e um trono duradouro como o céu.
Se os seus filhos abandonarem a minha lei
e não seguirem as minhas normas;
se profanarem os meus estatutos
e não guardarem os meus mandamentos,
punirei a sua transgressão com vara,
e as suas culpas com açoites.
Mas nunca vou tirar-lhes o meu amor,
nem desmentir a minha fidelidade.
Jamais violarei a minha aliança,
nem mudarei as minhas promessas.
Pela minha santidade, Eu jurei uma vez:
Jamais mentirei a David.
A sua descendência será perpétua,
o seu trono como o Sol à minha frente,
como a Lua, firmada para sempre:
o seu trono será mais firme que o céu».
Tu, porém, rejeitaste-o e desprezaste-o,
ficaste indignado com o teu ungido.
Quebraste a aliança com o teu servo,
até ao chão profanaste a sua coroa.
Derrubaste as suas muralhas
e arruinaste as suas fortalezas.
Todos os passantes o saqueiam,
e ele tornou-se zombaria dos vizinhos.
Exaltaste a direita dos seus opressores,
alegraste todos os seus inimigos.
Embotaste o corte da sua espada,
e não o sustentaste na batalha.
Quebraste o seu ceptro glorioso,
e derrubaste o seu trono por terra.
Encurtaste os dias da sua juventude,
e cobriste-o de vergonha.
Javé, até quando Te esconderás?
Até quando arderá o fogo da tua cólera?
Lembra-Te, Senhor, de como é breve a minha vida,
como passam despressa os homens que criaste!
Quem viverá sem ver a morte?
Quem tirará a sua vida das garras do túmulo?
Onde está, Senhor, o antigo amor,
que, pela tua fidelidade, juraste a David?
Lembra-Te, Senhor, da desonra dos teus servos:
eu trago no meu peito todas as afrontas dos povos.
Lembra-te de como os teus inimigos ultrajaram, ó Javé,
de como ultrajaram as pegadas do teu ungido!
Seja bendito Javé para sempre!
Ámen! Ámen!
{1}90
(89)
Senhor, Tu foste o nosso refúgio
de geração em geração.
Antes que os montes nascessem
e a terra e o mundo fossem gerados,
desde sempre e para sempre Tu és Deus.
Tu reduzes o homem ao pó,
dizendo: «Voltai, filhos de Adão!»
Mil anos são aos teus olhos
como o dia de ontem, que passou,
uma vigília dentro da noite.
Tu os mergulhas no sono,
como erva que se renova:
de manhã ela germina e brota,
de tarde cortam-na, e seca.
Sim, a tua ira consumiu-nos,
e o teu furor transtornou-nos.
Colocaste as nossas faltas à tua frente,
os nossos segredos sob a luz da tua face.
Os nossos dias passaram sob a tua cólera,
e como um suspiro os nossos anos se acabaram.
Setenta anos é o tempo da nossa vida,
oitenta anos, se ela for vigorosa.
E a maior parte deles é fadiga inútil,
pois passam depressa, e nós voamos.
Quem conhece a força da tua ira,
e quem sentiu o peso do teu furor?
Ensina-nos a contar os nossos anos,
para que tenhamos coração sensato!
Volta-Te, Javé! Até quando?
Tem compaixão dos teus servos!
Sacia-nos com o teu amor pela manhã,
e a nossa vida será júbilo e alegria.
Alegra-nos, pelos dias em que nos castigaste,
pelos anos em que sofremos desgraças.
Que os teus servos vejam a tua obra,
e seus filhos o teu esplendor.
Que a bondade do Senhor venha sobre nós
e confirme a obra das nossas mãos.
{1}91
(90)
Tu que habitas ao amparo do Altíssimo,
e vives à sombra do Omnipotente,
diz a Javé: «Meu refúgio, minha fortaleza,
meu Deus, eu confio em Ti!»
Ele te livrará do laço do caçador,
e da peste destruidora.
Ele te cobrirá com as suas penas,
e debaixo das suas asas te refugiarás.
O seu braço é escudo e armadura.
Não temerás o terror da noite,
nem a flecha que voa de dia,
nem a epidemia que caminha nas trevas,
nem a peste que devasta ao meio-dia.
Podem cair mil a teu lado
e dez mil à tua direita,
a ti nada te atingirá.
Basta que olhes com os teus próprios olhos,
para veres o salário dos injustos,
porque fizeste de Javé o teu refúgio
e tomaste o Altíssimo como defensor.
A desgraça jamais te atingirá,
e nenhuma praga vai chegar à tua tenda,
pois Ele ordenou aos seus anjos
que te guardem nos teus caminhos.
Eles levar-te-ão nas mãos,
para que o teu pé não tropece em nenhuma pedra.
Caminharás sobre cobras e víboras,
e pisarás leões e dragões.
«Livrá-lo-ei, porque a Mim se apegou.
Protegê-lo-ei, pois conhece o meu Nome.
Ele invocar-Me-á, e Eu responderei.
Na angústia estarei com ele.
Hei-de livrá-lo e glorificá-lo.
Vou saciá-lo com longos dias
e far-lhe-ei ver a minha salvação».
{1}92
(91)
É bom agradecer a Javé,
e tocar ao teu Nome, ó Altíssimo;
anunciar pela manhã o teu amor
e a tua fidelidade pela noite,
com a lira de dez cordas, com a cítara,
e as vibrações da harpa:
porque os teus actos, Javé, são a minha alegria,
e as obras das tuas mãos o meu júbilo.
Como são grandes as tuas obras, Javé,
e os teus projectos, como são profundos!
O imbecil não os compreende,
o idiota não entende nada disso.
Ainda que os injustos brotem como a erva,
e todos os malfeitores floresçam,
eles serão destruídos para sempre.
Porém Tu, Javé,
Tu és elevado para sempre!
Eis que os teus inimigos perecem,
e os malfeitores todos se dispersam.
Tu dás-me o vigor de um touro
e unges-me com óleo novo.
Os meus olhos vêem aqueles que me espreitam,
os meus ouvidos escutam os malfeitores.
O justo brota como a palmeira,
cresce como o cedro do Líbano:
plantado na casa de Javé,
brota nos átrios do nosso Deus.
Mesmo na velhice dará fruto,
estará viçoso e frondoso,
para anunciar que Javé é recto,
e que na minha Rocha não há injustiça.
{1}93
(92)
Javé é Rei, vestido de majestade,
Javé está vestido e envolto em poder:
o mundo está firme e jamais tremerá.
O teu trono está firme desde a origem,
e desde sempre Tu existes.
Levantam os rios, ó Javé,
os rios levantam a sua voz,
os rios levantam o seu rumor.
Porém, mais que o estrondo das águas torrenciais,
mais poderoso que a ressaca do mar,
é Javé majestoso nas alturas.
Os teus testemunhos são firmes de facto,
a santidade é o adorno da tua casa,
durante dias sem fim, ó Javé!
{1}94
(93)
Javé, Deus das vinganças!
Aparece, ó Deus das vinganças!
Levanta-Te, ó juiz da terra,
devolve o merecido aos soberbos!
Até quando os injustos, ó Javé,
até quando os injustos irão triunfar?
Eles transbordam em palavras insolentes,
todos os malfeitores se gabam.
Eles massacram o teu povo, Javé,
eles humilham a tua herança;
matam a viúva e o estrangeiro
e assassinam os órfãos.
E comentam: «Javé nada vê,
o Deus de Jacob não Se dá conta».
Percebei vós, imbecis consumados.
Idiotas, quando ireis entender?
Quem formou o ouvido, não ouvirá?
Quem formou o olho, não verá?
Quem educa as nações, não punirá?
Quem ensina o homem, não saberá?
Javé sabe que os pensamentos do homem
são apenas um sopro.
Feliz o homem a quem educas, Javé,
a quem ensinas com a tua Lei,
dando-lhe descanso nos dias maus,
enquanto para o injusto se abre uma cova.
Porque Javé não rejeita o seu povo,
jamais abandona a sua herança;
o justo alcançará o seu direito,
e os corações rectos terão futuro.
Quem se levanta a meu favor contra os maus?
Quem se coloca ao meu lado
contra os malfeitores?
Se Javé não viesse em meu socorro,
eu já estaria a habitar no silêncio.
Quando me parece que vou tropeçar,
o teu amor me sustenta, Javé.
Quando as minhas preocupações se multiplicam
as tuas consolações alegram-me.
Poderá acaso aliar-se a Ti um tribunal criminoso
que dita injustiças em nome da lei?
Embora atentem contra a vida do justo,
e condenem à morte o inocente,
Javé será a minha fortaleza,
Deus será a rocha onde me abrigo.
Ele é quem lhes pagará pela sua injustiça,
e destruí-los-á pela maldade que praticam.
Javé nosso Deus destruí-los-á!
{1}95
(94)
Vinde, exultemos em Javé,
aclamemos o Rochedo que nos salva.
Entremos com louvor na sua presença,
vamos aclamá-l'O com instrumentos.
Porque Javé é um Deus grande,
o soberano de todos os deuses.
Ele tem nas mãos as profundezas da Terra,
e é d'Ele o cimo das montanhas.
D'Ele é o mar, pois foi Ele quem o fez,
e a terra firme, que as suas mãos modelaram.
Entrai, prostrai-vos e inclinai-vos,
bendizendo a Javé que nos fez.
Porque Ele é o nosso Deus,
e nós somos o seu povo,
o rebanho que Ele conduz.
Oxalá escuteis hoje o que Ele diz:
«Não endureçais os vossos corações como aconteceu em Meriba,
como no dia de Massa, no deserto,
quando os vossos antepassados Me provocaram
e tentaram, mesmo vendo as minhas obras».
Durante quarenta anos
aquela geração Me desgostou. Então Eu disse:
«É um povo de coração transviado,
que não reconhece os meus caminhos...
Por isso Eu jurei na minha ira:
Jamais entrarão no meu repouso».
{1}96
(95)
Cantai a Javé um cântico novo!
Terra inteira, canta a Javé!
Cantai a Javé, bendizei o seu Nome!
Proclamai a sua vitória dia após dia,
anunciai a sua glória por entre as nações,
as suas maravilhas a todos os povos!
Porque Javé é grande e digno de louvor,
mais terrível que todos os deuses!
Sim, os deuses dos povos são aparência,
enquanto Javé fez o céu.
Majestade e esplendor O precedem,
poder e beleza estão no seu Templo.
Famílias dos povos, aclamai a Javé!
Aclamai a glória e o poder de Javé!
Aclamai a glória do Nome de Javé,
entrai no seu átrio, trazendo-Lhe ofertas.
Adorai a Javé no seu átrio sagrado.
Terra inteira, treme na presença de Javé!
Dizei às nações: Javé é Rei!
Ele firmou o mundo, que jamais tremerá.
Ele governa os povos com rectidão.
Que o céu se alegre e a Terra exulte,
estrondeie o mar, e tudo o que ele contém.
Que o campo festeje, e tudo o que nele existe,
e as árvores da selva gritem de alegria,
diante de Javé, pois Ele vem.
Ele vem para governar a Terra:
governará o mundo com justiça,
e as nações com fidelidade.
{1}97
(96)
Javé é Rei! A terra exulta,
e as ilhas numerosas ficam alegres!
Trevas e nuvens O envolvem,
Justiça e Direito sustentam o seu trono.
À frente d'Ele avança um fogo,
devorando os seus inimigos ao redor.
Os seus relâmpagos deslumbram o mundo,
e, ao vê-los, a Terra estremece.
Os montes derretem-se como cera
diante do Senhor de toda a Terra.
O céu anuncia a sua justiça,
e todos os povos contemplam a sua glória.
Envergonhar-se-ão os que adoram estátuas,
todos os que se orgulham dos ídolos.
Porque diante d'Ele todos os deuses se prostram.
Sião ouve e alegra-se,
e as cidades de Judá exultam
por causa das tuas sentenças, ó Javé.
Sim, porque Tu és, ó Javé,
o Altíssimo sobre a Terra inteira,
mais elevado que todos os deuses.
Javé ama quem detesta o mal,
Ele protege a vida dos seus fiéis
e liberta-os da mão dos injustos.
A luz levanta-se para o justo,
e a alegria para os corações rectos.
Justos, alegrai-vos com Javé,
e celebrai a sua memória santa!
{1}98
(97)
Cantai a Javé um cântico novo,
pois Ele fez maravilhas:
a sua direita e o seu braço santo
Lhe deram a vitória.
Javé fez conhecer a sua vitória,
revelou a sua justiça às nações.
Lembrou-Se do seu amor e fidelidade
em favor da casa de Israel.
Os confins da Terra contemplaram
a vitória do nosso Deus.
Terra inteira, aclama a Javé,
e dá gritos de alegria!
Tocai para Javé com a harpa
e o som dos instrumentos.
Com trombetas e o som da corneta,
aclamai o rei Javé!
Estrondeie o mar e o que ele contém,
o mundo e os seus habitantes.
Batam palmas os rios todos,
e as montanhas gritem de alegria,
diante de Javé, pois Ele vem
para governar a Terra.
Ele governará o mundo com justiça
e os povos com rectidão.
{1}99
(98)
Javé é Rei: os povos estremecem!
Sentado sobre querubins: a Terra agita-se!
Javé é grande em Sião,
elevado sobre todos os povos.
Reconheçam o teu Nome, grande e terrível:
Reinas com poder e amas a justiça.
Tu estabeleceste a rectidão.
Administras a justiça e o direito,
Tu ages em Jacob.
Exaltai a Javé nosso Deus
e prostrai-vos à frente do seu pedestal:
Moisés e Aarão, com os seus sacerdotes,
e Samuel, com os que invocam o Nome de Javé,
clamavam a Javé, e Ele respondia.
Deus falava-lhes da coluna de nuvem,
e guardavam os seus preceitos,
e a Lei que lhes dera.
Javé, nosso Deus, Tu respondias-lhes,
eras para eles um Deus de perdão,
e um Deus vingador das suas maldades.
Exaltai a Javé nosso Deus,
e prostrai-vos perante o seu monte santo:
{1}100
(99)
Terra inteira, aclama a Javé!
Serve a Javé com alegria,
e vai até Ele com gritos jubilosos!
Sabei que somente Javé é Deus:
Ele nos fez e a Ele pertencemos,
somos o seu povo e ovelhas do seu rebanho.
Entrai pelas suas portas dando graças,
com cantos de louvor em seus átrios,
celebrai-O e bendizei o seu Nome:
«Sim, Javé é bom:
o seu amor é para sempre,
e a sua fidelidade de geração em geração».
{1}101
(100)
Vou cantar o amor e a justiça.
Para Ti, Javé, eu quero tocar.
Vou andar na integridade:
quando virás ao meu encontro?
Andarei de coração íntegro
dentro da minha casa.
Não colocarei uma coisa infame
diante dos meus olhos.
Eu odeio quem pratica o mal;
esse nunca se juntará a mim.
Longe de mim o coração pervertido.
Eu ignoro o perverso.
Quem difama o seu próximo em segredo,
eu o farei calar.
Olhar altivo e coração orgulhoso,
eu não os suportarei.
Os meus olhos estão nos leais da Terra,
para que habitem comigo.
Quem anda no caminho dos íntegros,
esse será o meu ministro.
Em minha casa não habitará
quem pratica fraudes.
E quem diz mentiras não permanecerá
diante dos meus olhos.
Em cada manhã eu farei calar
todos os injustos da Terra,
para extirpar da cidade de Javé
todos os malfeitores.
{1}102
(101)
Javé, ouve a minha prece,
que o meu grito chegue a Ti!
Não me escondas a tua face,
no dia da minha angústia.
Inclina o teu ouvido para mim,
e no dia em que eu Te invoco,
responde-me depressa!
Porque os meus dias esvaem-se como o fumo,
e os meus ossos ardem como braseiro.
Pisado como relva, o meu coração seca,
e até me esqueço de comer o meu pão.
Por causa da violência do meu grito,
os ossos já se colam à minha pele.
Estou como o pelicano do deserto,
como o mocho das ruínas.
Fico acordado, gemendo,
como ave solitária no telhado.
Os meus inimigos ultrajam-me todo o dia
e amaldiçoam-me, furiosos contra mim.
Eu como cinza em vez de pão,
e com a minha bebida misturo lágrimas,
por causa da tua cólera e do teu furor,
pois me elevaste e me lançaste ao chão.
Os meus dias são como a sombra que se expande,
e eu vou secando como a relva.
Tu, porém, Javé, permaneces para sempre,
e a tua lembrança passa de geração em geração!
Levanta-Te, tem pena de Sião,
pois é tempo de teres piedade dela.
Sim, chegou a hora,
porque os teus servos amam as suas pedras,
compadecidos da sua ruína.
As nações temerão o teu Nome,
e os reis da Terra a tua glória.
Quando Javé reconstruir Sião,
e aparecer com a sua glória;
quando Se voltar para a prece do indefeso,
e não desprezar a sua prece,
fique isto escrito para as gerações futuras,
e um povo recriado louvará a Deus:
Javé inclinou-Se do seu alto santuário
e do Céu contemplou a Terra,
para ouvir o gemido dos prisioneiros
e libertar os condenados à morte;
para proclamar em Sião o nome de Javé,
e em Jerusalém o seu louvor,
quando se reunirem povos e reinos
para servir a Javé.
Ele esgotou a minha força no caminho,
encurtou os meus dias.
Então eu disse: «Meu Deus, não me arrebates
na metade dos meus dias».
Os teus anos duram gerações e gerações.
No princípio, Tu firmaste a Terra,
e o Céu é obra das tuas mãos.
Eles perecerão, mas Tu permaneces.
Ficarão gastos como roupa,
serão como veste que se muda.
Tu, porém, és sempre o mesmo,
e os teus anos jamais se acabarão.
Os filhos dos teus servos viverão seguros,
e a sua descendência manter-se-á na tua presença.
{1}103
(102)
Bendiz a Javé, ó minha alma,
e todo o meu ser ao seu Nome santo!
Bendiz a Javé, ó minha alma,
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
Ele perdoa todas as tuas culpas,
e cura todos os teus males.
Ele livra da cova a tua vida,
e coroa-a de amor e compaixão.
Ele sacia os teus anos de bens
e a tua juventude renova-se, como a da águia.
Javé faz justiça
e defende todos os oprimidos.
Revelou os seus caminhos a Moisés,
e as suas façanhas aos filhos de Israel.
Javé é compaixão e piedade,
lento para a cólera e cheio de amor.
Ele não vai disputar perpetuamente,
e o seu rancor não dura para sempre.
Nunca nos trata conforme os nossos erros,
nem nos castiga segundo as nossas culpas.
Como o Céu se ergue por sobre a Terra,
o seu amor se ergue sobre aqueles que O temem.
Como o Oriente está longe do Ocidente,
assim Ele afasta de nós as nossas transgressões.
Como um pai é compassivo com os seus filhos,
Javé é compassivo com aqueles que O temem:
Porque Ele conhece a nossa estrutura,
Ele lembra-Se do pó que nós somos.
Os dias do homem são como a relva,
ele floresce como a flor do campo.
Passa por ele um vento, e já não existe,
e ninguém mais reconhece o seu lugar.
Mas o amor de Javé existe desde sempre,
e para sempre existirá para aqueles que O temem.
A sua justiça é para os filhos dos filhos,
para os que observam a sua aliança
e se lembram de cumprir as suas ordens.
Javé pôs no Céu o seu trono,
e a sua realeza governa o Universo.
Bendizei a Javé, todos os seus anjos,
executores poderosos das suas ordens,
obedientes ao som da sua palavra.
Bendizei a Javé, todos os seus exércitos,
ministros que cumprem a sua vontade.
Bendizei a Javé, todas as suas obras,
em todos os lugares, onde Ele governa.
Bendiz a Javé, ó minha alma!
{1}104
(103)
Bendiz a Javé, ó minha alma!
Javé, meu Deus, como és grande!
Vestido de esplendor e majestade,
envolto em luz como num manto,
estendes os céus como tenda,
e constróis a tua morada sobre as águas.
Tomando as nuvens como teu carro,
caminhas sobre as asas do vento.
Tu fazes dos ventos os teus mensageiros,
e das chamas de fogo os teus ministros!
Assentaste a terra sobre as suas bases,
inabalável para sempre e eternamente.
Cobriste a Terra com o manto do oceano,
e as águas pousaram por cima das montanhas.
Diante da tua ameaça, porém, elas fugiram,
precipitaram-se, ao fragor do teu trovão.
Subiram pelos montes, desceram nos vales,
para o lugar que lhes tinhas fixado.
Marcaste um limite que elas não podem transpor,
e não voltarão a cobrir a Terra.
Tu fazes brotar fontes de água nos vales,
e elas correm por entre as montanhas.
Dão de beber a todas as feras do campo,
e os asnos selvagens aí matam a sede.
Junto a elas se abrigam as aves do céu,
soltando o seu canto por entre a folhagem.
Das tuas altas moradas regas os montes,
e a terra sacia-se com a tua obra fecunda.
Tu fazes brotar relva para o rebanho,
e plantas úteis para o homem.
Dos campos ele tira o pão,
e o vinho que alegra o seu coração;
o azeite, que dá brilho ao seu rosto,
e o alimento, que lhe dá forças.
As árvores de Javé saciam-se,
os cedros do Líbano que Ele plantou.
Neles fazem ninho as aves do céu,
no seu topo a cegonha tem a sua casa.
As altas montanhas são para as cabras,
e os rochedos um refúgio para as ratazanas.
Tu fizeste a Lua para marcar os tempos,
o Sol conhece o seu próprio ocaso.
Mandas as trevas e vem a noite,
e nela rondam as feras da selva;
rugem os leõezinhos em busca da presa,
pedindo a Deus o sustento.
Ao nascer do sol retiram-se
e abrigam-se nos seus covis.
O homem sai para a sua faina,
e para o seu trabalho até à tarde.
Como são numerosas as tuas obras, Javé!
Fizeste-as todas com sabedoria.
A Terra está repleta das tuas criaturas.
Eis o vasto mar, com braços imensos,
onde se movem, inumeráveis,
animais pequenos e grandes.
Nele circulam os navios, e o Leviatã,
que formaste para com ele brincares.
Todos eles esperam de Ti
que a seu tempo lhes atires o alimento:
Tu atiras-lho e eles recolhem-no,
abres a tua mão, e saciam-se de bens.
Escondes a tua face e eles apavoram-se,
retiras-lhes a respiração, e expiram,
voltando a ser pó.
Envias o teu sopro e eles são criados,
e assim renovas a face da Terra.
Que a glória de Javé seja para sempre;
que Ele Se alegre com as suas obras!
Ele olha a terra e ela estremece,
toca as montanhas e elas fumegam.
Vou cantar para Javé, enquanto eu viver,
louvarei o meu Deus, enquanto existir.
Que o meu poema Lhe seja agradável,
e eu me alegrarei com Javé.
Que os pecadores desapareçam da Terra,
e os injustos nunca mais existam.
Bendiz a Javé, ó minha alma!
Aleluia!
{1}105
(104)
Celebrai a Javé, invocai o seu Nome,
anunciai entre os povos as suas façanhas!
Cantai-Lhe, ao som de instrumentos,
recitai todas as suas maravilhas!
Gloriai-vos do seu Nome santo,
alegre-se o coração dos que buscam Javé!
Procurai Javé e a sua força,
buscai sempre a sua face.
Recordai as maravilhas que Ele fez,
os prodígios e as sentenças da sua boca.
Descendência de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu escolhido!
O nosso Deus é Javé,
e Ele governa a Terra inteira.
Ele lembra-Se para sempre da sua aliança,
da palavra empenhada por mil gerações.
Da aliança que selou com Abraão,
do juramento feito a Isaac,
confirmado como lei para Jacob,
como aliança eterna para Israel:
«Dar-te-ei a terra de Canaã,
como tua parte na herança».
Quando era possível contá-los,
eram pouco numerosos, estrangeiros na Terra:
iam e vinham, de nação em nação,
de um reino para um povo diferente.
Ele não deixou que ninguém os oprimisse,
e, por causa deles, até reis castigou:
«Não toqueis nos meus ungidos,
não maltrateis os meus profetas!»
Ele chamou a fome sobre a Terra
e cortou o sustento de pão.
Tinha mandado um homem à sua frente:
José, vendido como escravo.
Com grilhões lhe afligiram os pés
e puseram-lhe ferros no pescoço,
até que se cumpriu a sua predição,
e a palavra de Javé lhe deu crédito.
O rei mandou soltá-lo,
e o senhor dos povos o livrou.
E constituiu-o senhor da sua casa,
administrador de todos os seus bens,
para instruir a seu gosto os príncipes,
e ensinar sabedoria aos anciãos.
Então Israel entrou no Egipto,
e Jacob residiu na terra de Cam.
Deus fez crescer muito o seu povo,
e tornou-o mais poderoso que os seus opressores.
Mudou-lhes o coração,
para que odiassem o seu povo,
e usassem de astúcia com os seus servos.
Então Ele enviou Moisés, seu servo,
e Aarão, a quem escolhera.
Contra aqueles fizeram os seus sinais,
e os seus prodígios na terra de Cam.
Ele mandou-lhes as trevas e tudo escureceu,
mas eles opuseram-se às suas ordens.
Transformou as suas águas em sangue,
fazendo perecer os seus peixes.
A sua terra pululou de rãs,
até nos aposentos reais.
Ordenou que viessem insectos,
mosquitos sobre todo o território.
Em lugar de chuvas, deu-lhes granizo,
chamas de fogo na sua terra.
Feriu as suas vinhas e figueiras,
e quebrou as árvores do seu território.
Ordenou e vieram os gafanhotos,
inumeráveis saltadores,
que comeram toda a erva da sua terra,
e devoraram o fruto do seu campo.
Feriu todos os primogénitos da sua terra,
os primeiros frutos da sua raça.
Fez sair o seu povo carregado de ouro e prata,
e entre as suas tribos ninguém tropeçava.
O Egipto alegrou-se quando saíram,
porque sobre ele haviam infundido o seu terror.
Ele estendeu uma nuvem para os cobrir,
e um fogo para iluminar a noite.
Pediram, e Ele fez vir codornizes,
e saciou-os com o pão do céu.
Fendeu a rocha e brotaram águas,
correndo no deserto como um rio.
Porque Se lembrou da sua palavra sagrada,
que dera ao seu servo Abraão:
fez sair o seu povo com alegria,
e os seus eleitos com gritos jubilosos.
Deu-lhes as terras das nações,
e apossaram-se do trabalho dos povos:
para guardarem os seus estatutos
e observarem as suas leis.
Aleluia!
{1}106
(105)
Aleluia!
Agradecei a Javé, porque Ele é bom,
porque o seu amor é para sempre!
Quem poderá contar as proezas de Javé
e proclamar todo o seu louvor?
Feliz quem observa o direito
e pratica a justiça em todo o tempo!
Lembra-Te de mim, Javé, por amor do teu povo,
visita-me com a tua salvação,
para que eu experimente a felicidade dos teus eleitos,
me alegre com a alegria do teu povo,
e me glorie com a tua herança!
Nós pecámos como os nossos antepassados,
cometemos maldades e injustiças.
Os nossos antepassados no Egipto
não compreenderam as tuas maravilhas.
Não se lembraram do teu grande amor,
e rebelaram-se contra o Altíssimo,
junto ao Mar Vermelho.
Deus, porém, salvou-os por causa do seu nome,
para manifestar o seu poder.
Ameaçou o Mar Vermelho, e ele secou,
guiou-os pelo abismo, como em terra firme.
Salvou-os da mão do adversário,
redimiu-os da mão do inimigo.
As águas cobriram os seus opressores,
e nenhum deles pôde escapar.
Então acreditaram nas suas palavras
e cantaram o seu louvor.
Bem depressa se esqueceram das suas obras,
e não confiaram no seu projecto:
ardiam de ambição no deserto
e tentaram a Deus em lugares solitários.
Ele concedeu-lhes o que pediam,
mas enviou-lhes uma doença para a sua gula.
Causaram ciúmes a Moisés no acampamento,
e a Aarão, o consagrado a Javé:
a terra abriu-se e engoliu Datã,
e recobriu o grupo de Abiram.
Um fogo abrasou o seu grupo,
uma chama devorou os injustos.
Em Horeb fabricaram um novilho,
adoraram um ídolo de metal.
Eles trocaram a sua Glória pela imagem
de um touro, comedor de erva.
Esqueceram o Deus que os salvou,
realizando prodígios no Egipto,
maravilhas na terra de Cam,
coisas terríveis junto ao Mar Vermelho.
Então Ele decidiu exterminá-los,
se não fosse por Moisés, seu escolhido,
que intercedeu diante d'Ele
para desviar o seu furor em destruí-los.
Desprezaram uma terra de delícias,
não tiveram fé na sua palavra.
Murmuravam dentro das suas tendas,
não obedeceram à voz de Javé.
Ele ergueu a mão e jurou
que os faria morrer no deserto,
que dispersaria a sua descendência entre as nações,
e os espalharia entre as terras.
Ligaram-se depois ao Baal de Fegor,
e comeram sacrifícios feitos a deuses mortos.
Provocaram a Deus com as suas perversões,
e um flagelo irrompeu contra eles.
Porém Fineias levantou-se e fez justiça,
e o flagelo foi contido.
Seja-lhe isto considerado como justiça,
de geração em geração, para sempre.
Eles irritaram-n'O junto às águas de Meriba
e por sua causa sobreveio o mal a Moisés:
haviam irritado o seu espírito,
e Moisés falou sem reflectir.
Eles não exterminaram os povos,
de quem Javé lhes falara.
Misturaram-se com as nações
e aprenderam os seus costumes.
Adoraram os seus ídolos,
que se tornaram cilada para eles.
Sacrificaram aos demónios
os seus filhos e as suas filhas.
Derramaram o sangue inocente,
e profanaram a terra com sangue.
Sujaram-se com as suas próprias obras,
e prostituíram-se com as suas acções.
Javé inflamou-Se contra o seu povo,
e rejeitou a sua herança.
Entregou-os na mão das nações,
e os seus adversários dominaram-nos.
Os seus inimigos tiranizaram-nos
e sob a sua mão ficaram curvados.
Quantas vezes Ele os livrou!
Mas eles, obstinados na revolta,
pereciam por causa da sua própria injustiça.
Ele, porém, viu a sua angústia
e ouviu os seus gritos.
Lembrou-Se da sua aliança com eles
e moveu-Se pelo seu grande amor.
Concedeu-lhes que se movessem de compaixão
todos aqueles que os mantinham cativos.
Salva-nos, Javé nosso Deus!
Congrega-nos dentre as nações,
para que celebremos o teu Nome santo,
felicitando-nos com o teu louvor!
Seja bendito Javé, Deus de Israel,
desde agora e para sempre!
E todo o povo diga:
Ámen! Aleluia!
{1}107
(106)
Agradecei a Javé, porque Ele é bom,
porque o seu amor é para sempre!
Repitam-no os redimidos por Javé,
que Ele redimiu da mão do opressor,
que Ele reuniu do meio das trevas,
do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul.
Eles erravam por um deserto solitário,
sem achar o caminho para uma cidade habitada.
Estavam famintos e sedentos,
e a vida já os abandonava.
e Ele libertou-os das suas angústias.
Ele guiou-os pelo caminho certo,
para que chegassem a uma cidade habitada.
Que eles agradeçam a Javé o seu amor,
as maravilhas que faz pelos homens.
Ele saciou a garganta sedenta
e encheu de bens a garganta faminta.
Eles habitavam nas sombras e nas trevas,
prisioneiros de ferros e miséria,
por se revoltarem contra as ordens de Deus,
desprezando o projecto do Altíssimo.
Ele humilhou-lhes o coração com fadigas:
sucumbiam, e ninguém os socorria.
e Ele libertou-os das suas angústias.
Ele tirou-os das sombras e das trevas,
e rompeu os seus grilhões.
as maravilhas que faz pelos homens.
Ele quebrou as portas de bronze,
despedaçou as trancas de ferro.
Insensatos, no caminho da transgressão,
eram afligidos pelas suas próprias injustiças;
rejeitavam qualquer alimento
e já batiam às portas da morte.
e Ele libertou-os das suas angústias.
Ele enviou a sua palavra para os curar,
e para os salvar da perdição.
as maravilhas que faz pelos homens.
Ofereçam sacrifícios de louvor,
proclamem as suas obras com gritos de alegria.
Desciam de navio pelo mar,
comerciando na imensidão das águas.
Eles viram as obras de Javé,
as suas maravilhas no alto mar.
Ele falou, levantando um vento impetuoso,
que elevou as ondas do mar.
Eles subiam até ao céu e baixavam até ao abismo,
a sua vida agitava-se na desgraça.
Rodavam, balançando como bêbados,
e de nada adiantou a sua perícia.
e Ele libertou-os das suas angústias.
Ele transformou a tempestade em leve brisa
e as ondas emudeceram.
Ficaram alegres com a bonança,
e Ele guiou-os ao porto desejado.
as maravilhas que faz pelos homens.
Que O exaltem na assembleia do povo,
e O louvem no conselho dos anciãos!
Ele transforma rios em deserto,
nascentes em terra sedenta,
terra fértil em salinas,
por causa do mal dos seus habitantes.
Transforma o deserto em lençóis de água,
terra seca em nascentes;
e lá faz morar os famintos,
que fundam uma cidade habitada.
Eles semearam campos e plantaram vinhas,
e colheram frutos em abundância.
Ele abençoa-os e cada vez mais se multiplicam,
e não deixa diminuir os seus rebanhos.
Depois diminuem e vão minguando
pela opressão do mal e sofrimento.
Ele espalha o desprezo contra os poderosos,
fazendo-os vaguear na confusão sem saída.
Mas tira o indigente da miséria
e multiplica famílias como rebanhos.
Os corações rectos admiram-se e ficam alegres,
e toda a injustiça fecha a boca.
Quem é sábio? Observe estas coisas,
e saiba discernir o amor de Javé!
{1}108
(107)
O meu coração está firme, ó Deus.
A Ti cantarei, e tocarei, ó glória minha.
Despertai, cítara e harpa,
que eu vou despertar a aurora.
Vou louvar-Te entre os povos, Javé,
vou tocar para Ti no meio das nações;
pois o teu amor é maior que o céu,
e a tua fidelidade chega até às nuvens.
Eleva-Te acima do céu, ó Deus,
e a tua glória domine a Terra inteira,
para que os teus amados sejam libertos,
e a tua mão salvadora nos responda.
Deus falou no seu santuário:
«Triunfante ocuparei Siquém,
e repartirei o vale de Sucot.
Meu é Galaad, meu é Manassés.
Efraim é o elmo da minha cabeça,
e Judá o meu ceptro de comando.
Moab é a bacia onde Me lavo,
sobre Edom lanço a minha sandália,
e sobre a Filisteia canto vitória».
Quem me levará a uma cidade-forte,
quem me conduzirá até Edom,
se Tu, ó Deus, nos rejeitaste,
e já não sais com as nossas tropas?
Concede-nos socorro na opressão,
porque o auxílio humano é inútil!
Com Deus nós faremos proezas:
Ele calcará os nossos opressores!
{1}109
(108)
Deus do meu louvor, não Te cales,
pois uma boca maldosa e traiçoeira
abriu-se contra mim.
Com língua mentirosa me falam,
rodeiam-me com palavras de ódio,
e combatem-me sem motivo.
Em troca da minha amizade, acusam-me,
e eu fico a suplicar.
Pagam-me o bem com o mal,
e a amizade com o ódio.
Nomeia contra ele um injusto,
um acusador que esteja à direita dele.
Saia condenado do julgamento,
e a sua apelação resulte em culpa!
Que os seus dias sejam abreviados,
e outro ocupe o seu emprego.
Que os seus filhos fiquem órfãos,
e a sua mulher se torne viúva.
Que os seus filhos andem vagueando a mendigar,
e sejam expulsos das ruínas.
Que o usurário roube o que ele possui
e estrangeiros pilhem os seus bens.
Que ninguém lhe mostre clemência,
e ninguém se compadeça dos seus órfãos.
Que a sua descendência seja cortada,
e o seu nome se extinga numa só geração.
Que Javé Se lembre da culpa de seus pais,
e o pecado de sua mãe nunca seja apagado.
Que Javé os tenha sempre na sua frente,
e arranque da terra a sua lembrança!
Porque ele não se lembrou de agir com clemência,
porque perseguiu o pobre e o indigente,
e até à morte o coração contrito.
Ele amou a maldição: que esta recaia sobre ele.
Ele não buscou a bênção: que ela o abandone.
Vestia-se de maldição como de um manto:
que ela penetre as suas entranhas como água,
e como óleo em seus ossos.
Seja para ele como roupa a cobri-lo,
como cinto que o aperte sempre!
Que Javé pague assim os que me acusam,
os que proferem o mal contra mim!
Tu, porém, Javé, trata-me bem, pelo teu Nome,
liberta-me, pela ternura do teu amor,
porque eu sou um pobre indigente,
e, dentro de mim, o meu coração está ferido.
Vou passando, como sombra que se expande,
sou atirado para longe, como gafanhoto.
Jejuei tanto, que os meus joelhos se dobram,
e sem óleo a minha carne emagrece.
Tornei-me para eles um ultraje,
e os que me vêem meneiam a cabeça.
Javé, meu Deus, vem socorrer-me!
Salva-me, por teu amor!
Reconheçam que tudo isto vem da tua mão,
que foste Tu, Javé, quem o fez!
Que eles maldigam... Bendiz-me Tu!
Que os meus inimigos fracassem,
enquanto o teu servo se alegra.
Cubram-se de infâmia os que me acusam,
e a vergonha os envolva como um manto.
Agradecerei a Javé em alta voz,
e louvá-l'O-ei no meio da multidão,
pois Ele colocou-Se à direita do pobre,
para lhe salvar a vida da mão dos juízes.
{1}110
(109)
Oráculo de Javé ao meu senhor:
«Senta-te à minha direita,
e Eu farei dos teus inimigos
o estrado de teus pés».
De Sião, Javé estenderá
o poder do seu ceptro:
submete na batalha os teus inimigos.
«Tu és príncipe desde o dia do teu nascimento,
entre esplendores sagrados.
Eu mesmo te gerei, como orvalho,
antes da aurora».
Javé jurou e jamais desmentirá:
«Tu és sacerdote para sempre,
segundo a ordem de Melquisedec».
O Senhor está à tua direita
e esmagará os reis no dia da sua ira.
Pronunciará a sentença contra as nações,
amontoará cadáveres,
e esmagará cabeças
por toda a imensidão da terra.
No teu caminho beberás da torrente,
e por isso levantarás a cabeça.
{1}111
(110)
Aleluia!
Eu celebro a Javé de todo o coração,
na companhia dos rectos, no conselho.
São grandes as obras de Javé,
dignas de estudo para quem as ama.
A sua obra é esplendor e majestade,
a sua generosidade permanece para sempre.
Ele fez maravilhas memoráveis,
Javé é piedade e compaixão:
dá alimento aos que O temem,
lembrando-Se sempre da sua aliança.
Ao seu povo mostrou a força do seu agir,
entregando-lhe a herança das nações.
Justiça e Verdade são as obras das suas mãos,
todos os seus preceitos merecem confiança.
São estáveis para sempre e eternamente,
vão cumprir-se com verdade e rectidão.
Enviou a libertação ao seu povo,
confirmando a sua aliança para sempre.
O seu Nome é santo e terrível.
O princípio da sabedoria é o temor de Javé.
Todos quantos o praticam têm bom senso.
O louvor a Javé permanece para sempre.
{1}112
(111)
Aleluia!
Feliz o homem que teme a Javé
e se compraz com os seus mandamentos!
A sua descendência será poderosa na terra,
a descendência dos rectos será abençoada.
Na sua casa há abundância e riqueza.
A sua justiça permanece para sempre.
Ele brilha nas trevas como luz para os rectos,
Ele é piedade, compaixão e justiça.
Feliz quem tem piedade e empresta,
e conduz os seus negócios com rectidão.
Eis que ele jamais vacilará.
A memória do justo é para sempre.
Ele nunca teme as notícias más:
o seu coração está firme em Javé.
O seu coração está seguro e nada teme,
até ver os seus opressores derrotados.
Ele dá esmola aos indigentes.
A sua justiça permanece para sempre,
e ele ergue a fronte com dignidade.
O injusto olha e desgosta-se,
range os dentes e definha.
A ambição dos injustos fracassará.
{1}113
(112)
Aleluia!
Louvai, servos de Javé,
louvai o Nome de Javé!
Seja bendito o Nome de Javé,
desde agora e para sempre.
Desde o nascer até ao pôr do sol,
louvado seja o Nome de Javé!
Javé eleva-Se sobre todos os povos,
a sua glória está acima do céu!
Quem é igual a Javé, nosso Deus,
que Se eleva no seu trono,
e Se abaixa para olhar
pelo céu e pela terra?
Ele ergue da poeira o fraco
e tira do lixo o indigente,
fazendo-o sentar-se com os príncipes,
ao lado dos príncipes do seu povo.
Ele faz a estéril sentar-se em sua casa,
como alegre mãe de filhos.
Aleluia!
{1}114
(113 A)
Quando Israel saiu do Egipto,
e a casa de Jacob de um povo estrangeiro,
Judá tornou-se o seu santuário,
e Israel o seu domínio.
Ao vê-los, o mar fugiu,
o Jordão voltou atrás.
Os montes saltaram como carneiros,
e as colinas como cordeiros.
Mar, que tens tu para fugires assim?
E tu, Jordão, para voltares atrás?
E as montanhas, para saltarem como carneiros?
E as colinas, para saltarem como cordeiros?
A terra estremece diante do Senhor,
ante a presença do Deus de Jacob:
Ele transforma as rochas em lago
e a rocha em fonte de água.
{1}115
(113 B)
Não a nós, Javé, não a nós!
Honra, sim, o teu próprio Nome,
por teu amor e fidelidade.
Porque diriam as nações:
«Onde está o Deus deles?»
O nosso Deus está no Céu,
e faz tudo o que deseja.
Os ídolos deles são prata e ouro,
obras de mãos humanas:
têm boca e não falam,
têm olhos e não vêem;
têm ouvidos e não ouvem,
têm nariz e não cheiram;
têm mãos e não tocam,
têm pés e não andam,
a sua garganta não tem voz.
Fiquem como eles os que os fazem
e todos os que neles confiam!
A casa de Israel confia em Javé:
Ele é o seu auxílio e o seu escudo!
A casa de Aarão confia em Javé:
Ele é o seu auxílio e o seu escudo!
Os que temem a Javé confiam em Javé:
Ele é o seu auxílio e o seu escudo!
Que Javé Se lembre de nós_e nos abençoe:
-abençoe a casa de Israel,
-abençoe a casa de Aarão,
-abençoe os que temem a Javé,
pequenos e grandes.
Que Javé vos multiplique,
a vós e aos vossos filhos!
Sede abençoados por Javé,
que fez o Céu e a Terra.
O Céu pertence a Javé,
mas a Terra, Ele deu-a aos homens.
Os mortos já não louvam a Javé,
nem os que descem ao lugar do silêncio.
Nós, os vivos, nós bendizemos a Javé,
desde agora e para sempre!
Aleluia!
{1}116
(114 e 115)
Eu amo Javé, porque Ele ouve
a minha voz suplicante,
porque inclina o seu ouvido para mim,
no dia em que eu O invoco.
Laços de morte me cercavam,
eram redes mortais,
e eu caí na angústia e aflição.
Então eu invoquei o nome de Javé:
«Javé, salva a minha vida!»
Javé é justo e clemente,
o nosso Deus é compassivo.
Javé protege os simples:
eu fraquejava, e Ele salvou-me.
Volta ao repouso, ó minha vida,
porque Javé foi bondoso contigo.
Libertou a minha vida da morte,
os meus olhos das lágrimas
e os meus pés de uma queda.
Caminharei na presença de Javé,
na terra dos vivos.
Eu tinha fé, mesmo ao dizer:
«A minha aflição é deveras grande!»
Na minha angústia eu dizia:
«Os homens são todos mentirosos!»
Como retribuirei a Javé
todo o bem que Ele me fez?
Erguerei o cálice da salvação,
invocando o nome de Javé.
Cumprirei os meus votos a Javé,
na presença de todo o seu povo!
É valiosa aos olhos de Javé
a morte dos seus fiéis.
Eu sou teu servo, Javé,
teu servo e filho da tua serva.
Tu rompeste os meus grilhões.
Vou oferecer-Te um sacrifício de louvor,
invocando o nome de Javé.
Cumprirei os meus votos a Javé,
na presença de todo o seu povo,
nos átrios da casa de Javé,
no meio de ti, ó Jerusalém!
Aleluia!
{1}117
(116)
Louvai Javé, todas as nações,
glorificai-O todos os povos!
Pois o seu amor por nós é firme,
e a sua fidelidade é para sempre!
Aleluia!
{1}118
(117)
Agradecei a Javé, porque Ele é bom,
porque o seu amor é para sempre!
A casa de Israel repita:
o seu amor é para sempre!
A casa de Aarão repita:
o seu amor é para sempre!
Os que temem a Javé repitam:
o seu amor é para sempre!
Na minha angústia, eu gritei a Javé:
Ele ouviu-me e aliviou-me.
Javé está comigo: jamais temerei!
Que poderão os homens fazer-me?
Javé está comigo, Ele ajuda-me:
eu verei a derrota dos meus inimigos!
É melhor refugiar-se em Javé
do que depositar confiança no homem.
É melhor refugiar-se em Javé
do que depositar confiança nos chefes.
As nações todas me cercaram:
em nome de Javé, eu as repeli!
Cercaram-me, fecharam o cerco:
em nome de Javé, eu as repeli!
Cercaram-me como vespas,
ardendo como fogo em silvas:
em nome de Javé, eu as repeli!
Iam-me empurrando para me derrubar,
Javé porém socorreu-me.
Javé é minha força e energia,
Ele é a minha salvação.
Há gritos de júbilo e vitória
nas tendas dos justos:
«A direita de Javé é poderosa!
A direita de Javé é sublime!
A direita de Javé é poderosa!»
Não vou morrer. Eu viverei
para contar as obras de Javé.
Javé castigou-me duramente,
mas não me entregou à morte!
Abri-me as portas do triunfo:
vou entrar agradecendo a Javé.
Esta é a porta de Javé:
os vencedores entrarão por ela.
-Eu Te agradeço, porque me ouviste,
e foste a minha salvação!
A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se a pedra angular.
Isto vem de Javé,
e é maravilha aos nossos olhos.
Este é o dia em que Javé agiu:
exultemos e alegremo-nos com Ele.
Javé, dá-nos a salvação!
Dá-nos a prosperidade, Javé!
-Bendito o que vem em nome de Javé!
Da casa de Javé nós vos abençoamos.
Javé é Deus: Ele ilumina-nos!
-Formai procissão com ramos
até aos ângulos do altar.
Tu és o meu Deus, eu Te agradeço.
meu Deus, eu Te exalto!
Agradecei a Javé, porque Ele é bom,
porque o seu amor é para sempre!
{1}119
(118)
Felizes os íntegros no seu caminho,
os que andam conforme a vontade de Javé.
Felizes os que guardam os seus preceitos,
procurando-O de todo o coração,
aqueles que andam no seu caminho,
sem praticar a injustiça!
Tu promulgaste os teus mandamentos
para serem observados à risca.
Que os meus caminhos sejam firmes,
para que eu observe os teus estatutos.
Então eu não sentirei vergonha,
ao considerar todos os teus mandamentos.
Eu Te celebrarei de coração recto,
aprendendo as tuas justas normas.
Vou observar os teus estatutos,
não me abandones nunca.
Como poderá um jovem conservar puro o seu caminho?
Observando a tua Palavra.
Eu Te busco de todo o coração,
não me deixes afastar dos teus mandamentos.
Conservei as tuas promessas no meu coração,
para não pecar contra Ti.
Sê bendito, Javé!
Ensina-me os teus estatutos.
Com meus lábios eu enumero
todas as normas da tua boca.
Eu me alegro com o caminho dos teus testemunhos,
mais do que com todas as riquezas.
Vou meditar os teus preceitos
e considerar os teus caminhos.
Eu me delicio com a tua vontade
e não me esqueço da tua Palavra.
Faz o bem ao teu servo, e eu viverei
observando a tua Palavra.
Abre os meus olhos, para eu contemplar
as maravilhas da tua vontade.
Eu sou estrangeiro na Terra,
não me escondas os teus mandamentos.
A minha alma consome-se, desejando
as tuas normas.
Tu ameaças os soberbos, os malditos
que se desviam dos teus mandamentos.
Retira de mim o ultraje e o desprezo,
pois eu guardo os teus testemunhos.
Os príncipes podem reunir-se e falar contra mim,
o teu servo medita os teus estatutos.
Os teus testemunhos são as minhas delícias,
os teus estatutos são meus conselheiros.
A minha garganta está pegada ao pó,
dá-me vida, pela tua Palavra.
Eu enumero os meus caminhos, Tu respondes-me:
ensina-me os teus estatutos.
Faz-me entender o caminho dos teus preceitos,
e eu meditarei sobre as tuas maravilhas.
A minha alma desfaz-se de tristeza;
põe-me de pé, conforme a tua Palavra.
Afasta-me do caminho da mentira,
e dá-me a graça da tua vontade.
Eu escolhi o caminho da verdade,
e conformo-me com as tuas normas.
Eu apego-me aos teus testemunhos.
Javé, não me deixes envergonhado.
Correrei pelo caminho dos teus mandamentos,
quando alargares o meu coração.
Javé, mostra-me o caminho dos teus estatutos,
eu quero guardá-los como recompensa.
Ensina-me a cumprir a tua vontade,
para a observar de todo o coração.
Guia-me pelo caminho dos teus mandamentos,
pois nele está o meu prazer.
Inclina o meu coração para os teus testemunhos,
e não para o interesse.
Evita que os meus olhos vejam o que é inútil,
dá-me vida, pela tua Palavra.
Confirma ao teu servo a promessa
que fizeste aos teus fiéis.
Desvia de mim o ultraje que eu temo,
pois as tuas normas são boas.
Eis que eu desejo os teus preceitos,
dá-me vida, pela tua justiça.
Javé, que o teu amor venha até mim,
e a tua salvação, conforme a tua promessa!
Aos que me ultrajam, eu responderei
que confio na tua Palavra.
Não me tires da boca a palavra sincera,
pois eu espero nas tuas normas.
Cumprirei a tua vontade sem cessar,
para sempre e eternamente.
Andarei por caminho largo,
procurando os teus preceitos.
Vou falar dos teus testemunhos diante dos reis,
sem ficar envergonhado.
As minhas delícias são os teus mandamentos,
que eu tanto amo.
Levanto para Ti as minhas mãos,
recitando os teus estatutos.
Lembra-Te da tua palavra ao teu servo,
na qual Tu me fazes esperar.
Esta é a minha consolação na miséria:
a tua promessa traz-me vida.
Os soberbos zombam de mim à vontade,
mas eu não me desvio da tua lei.
Javé, recordo as tuas normas de outrora,
e me consolo.
Fiquei enfurecido diante dos injustos
que abandonam a tua vontade.
Os teus estatutos são cânticos para mim,
na minha casa de peregrino.
Javé, eu lembro-me do teu Nome durante a noite,
e observo a tua Lei.
Esta é a parte que me cabe:
observar os teus preceitos.
A minha porção, Javé, eu o digo,
é observar as tuas palavras.
De todo o coração busco acalmar a tua face:
tem piedade de mim, conforme a tua promessa!
Reflicto nos meus caminhos,
voltando os meus passos para os teus testemunhos.
Apresso-me, e não me atraso,
a observar os teus mandamentos.
Os laços dos injustos me envolvem,
eu não me esqueço da tua vontade.
À meia noite levanto-me para Te agradecer
pelas tuas normas justas.
Eu associo-me a todos os que Te temem
e observam as tuas normas.
A terra, Javé, está cheia do teu amor;
ensina-me os teus estatutos.
Javé, agiste bem com o teu servo,
segundo a tua Palavra.
Ensina-me o bom senso e o saber,
pois eu creio nos teus mandamentos.
Antes de sofrer, eu andava errando;
agora observo a tua promessa.
Tu és bom e benfeitor:
ensina-me os teus estatutos.
Os soberbos lançam calúnias contra mim,
mas de todo o coração eu guardo os teus preceitos.
O seu coração é espesso como gordura,
mas eu delicio-me com a tua vontade.
Para mim é bom sofrer,
pois aprendo os teus estatutos.
A lei da tua boca é um bem para mim,
mais que milhões de ouro e prata.
As tuas mãos me fizeram e formaram:
ensina-me, para que eu aprenda os teus mandamentos.
Que os que Te temem me olhem com alegria,
pois eu espero na tua Palavra.
Javé, eu sei que as tuas normas são justas,
e que por fidelidade me fazes sofrer.
Que o teu amor seja a minha consolação,
conforme a tua promessa ao teu servo!
Que a tua misericórdia venha até mim, e eu viverei,
pois a tua vontade é a minha delícia.
Que se envergonhem os soberbos,
que lançam calúnias contra mim!
Eu medito nos teus preceitos.
Voltem-se para mim os que Te temem,
os que conhecem os teus testemunhos.
Que o meu coração seja íntegro nos teus estatutos,
para que eu não fique envergonhado.
Eu me consumo pela tua salvação,
esperando pela tua Palavra.
Os meus olhos consomem-se pela tua promessa:
quando me consolarás?
Estou como odre exposto ao fumo;
nunca me esqueço dos teus estatutos.
Quantos serão os dias do teu servo?
Quando me farás justiça contra os meus perseguidores?
Os soberbos abriram covas para mim;
eles não andam conforme a tua vontade.
Os teus mandamentos todos são verdadeiros;
eles perseguem-me sem razão: ajuda-me!
Por pouco não me derrubavam por terra,
mas eu não abandono os teus preceitos.
Faz-me viver, por teu amor,
e eu observarei o testemunho da tua boca.
Javé, a tua Palavra é para sempre,
mais estável do que o céu.
A tua fidelidade continua, de geração em geração,
como a terra que fixaste, e ela permanece.
Tudo existe até hoje conforme as tuas normas,
pois todas as coisas Te servem a Ti.
Se a tua vontade não fosse o meu prazer,
eu já teria perecido na miséria.
Jamais vou esquecer os teus preceitos,
pois é com eles que Tu me fazes viver.
Eu pertenço-Te: salva-me,
pois eu busco os teus preceitos.
Que os injustos esperem a minha ruína:
eu sei discernir os teus testemunhos.
Eu vi o limite de toda a perfeição:
o teu mandamento dilata-se sem fim.
Quanto eu amo a tua vontade!
Eu medito nela o dia todo.
O teu mandamento torna-me mais sábio que os meus inimigos
porque ele me pertence para sempre.
Sou mais sábio que todos os meus mestres,
porque medito nos teus testemunhos.
Sou mais sagaz que os idosos,
porque observo os teus preceitos.
Eu desvio os meus pés de qualquer caminho mau,
para observar a tua palavra.
Jamais me desvio das tuas normas,
porque és Tu quem me ensina.
Doces são ao meu paladar as tuas promessas,
mais do que o mel na minha boca!
Com os teus preceitos, sou capaz de discernir
e detestar qualquer caminho mau.
A tua palavra é lâmpada para os meus pés,
e luz para o meu caminho.
Eu jurei, e confirmo:
hei-de observar as tuas justas normas.
Estou profundamente humilhado, Javé,
faz-me viver, conforme a tua Palavra.
Javé, aceita os votos que pronuncio.
e ensina-me as tuas normas.
A minha vida está sempre em perigo,
porém não me esqueço da tua vontade.
Os injustos armam-me um laço,
porém não me desvio dos teus preceitos.
Os teus testemunhos são a minha herança para sempre,
a alegria do meu coração.
Aplico o meu coração a praticar os teus estatutos;
esta é a minha recompensa para sempre.
Eu detesto os corações divididos
e amo a tua vontade.
Tu és o meu refúgio e o meu escudo,
eu espero pela tua Palavra.
Afastai-vos de mim, perversos,
que eu vou guardar os mandamentos do meu Deus.
Sustenta-me, conforme a tua promessa, e eu viverei;
não deixes que a minha esperança me envergonhe.
Apoia-me, e serei salvo
e estarei sempre atento aos teus estatutos.
Tu desprezas todos os que se desviam dos teus estatutos,
pois o seu cálculo é mentira.
Tens como escória todos os injustos da Terra,
por isso eu amo os teus testemunhos.
A minha carne arrepia-se com temor de Ti,
e eu temo, por causa das tuas normas.
Pratiquei o direito e a justiça;
não me entregues aos meus opressores.
Sê fiador do teu servo para o bem,
e que os soberbos não me oprimam.
Os meus olhos consomem-se pela tua salvação,
e pela promessa da tua justiça.
Age com o teu servo conforme o teu amor,
e ensina-me os teus estatutos.
Eu sou teu servo, faz-me discernir,
e compreenderei os teus testemunhos.
Javé, é tempo de agir:
eles violaram a tua vontade.
É por isso que amo os teus mandamentos,
mais que o ouro refinado.
É por isso que aprecio os teus preceitos
e odeio o caminho da mentira.
Os teus testemunhos são maravilhas,
por isso eu os guardo.
A descoberta das tuas palavras ilumina,
e dá discernimento aos simples.
Abro a boca e aspiro,
ansiando pelos teus mandamentos.
Volta-Te para mim, tem piedade de mim:
como fazes para os que amam o teu Nome.
Firma os meus passos com a tua promessa
e não deixes que mal nenhum me domine.
Resgata-me da opressão do homem,
e observarei os teus preceitos.
Ilumina a tua face para o teu servo,
e ensina-me os teus estatutos.
Torrentes de lágrimas me descem dos olhos,
porque não cumprem a tua vontade.
Javé, Tu és justo,
e as tuas normas são rectas.
Com justiça, ordenaste os teus testemunhos,
com verdade suprema.
O meu zelo me consome,
pois os meus adversários esquecem as tuas palavras.
A tua promessa é puríssima
e o teu servo ama-a.
Sou pequeno e desprezado,
porém não esqueço os teus preceitos.
A tua justiça é justiça para sempre,
e a tua vontade é verdadeira.
Angústia e opressão me atingiram,
os teus mandamentos são as minhas delícias.
Os teus testemunhos são justiça para sempre,
dá-me discernimento, e eu viverei.
Eu clamo de todo o coração. Javé, responde-me!
Eu observarei os teus estatutos.
Eu grito por Ti: salva-me!
Eu guardarei os teus testemunhos.
Antecipo a aurora e imploro,
esperando pelas tuas palavras.
Os meus olhos antecipam as vigílias,
para meditar a tua promessa.
Javé, ouve a minha voz, pelo teu amor,
faz-me reviver, conforme as tuas normas.
Perseguidores infames aproximam-se,
estão longe da tua vontade.
Tu estás bem perto, Javé,
e os teus mandamentos são todos estáveis.
Conheço os teus mandamentos há muito tempo,
porque os firmaste para sempre.
Olha a minha miséria e liberta-me,
pois não me esqueço da tua vontade.
Redime a minha causa e defende-me,
e pela tua promessa faz-me reviver.
A salvação está longe dos injustos,
pois eles não procuram os teus estatutos.
Javé, a tua compaixão é grande:
faz-me reviver, conforme as tuas normas.
Os meus perseguidores e opressores são numerosos,
porém não me afastei dos teus testemunhos.
Vi os traidores e fiquei desgostoso:
eles não observam a tua promessa.
Vê como eu amo os teus preceitos, Javé,
faz-me reviver, conforme o teu amor.
O compêndio da tua palavra é a verdade,
e as tuas normas são justiça para sempre.
Príncipes me perseguem sem motivo,
porém o meu coração teme as tuas palavras.
Alegro-me com a tua promessa,
como quem acha um rico despojo.
Detesto e abomino a mentira,
e amo a tua vontade.
Sete vezes por dia eu Te louvo,
por causa das tuas justas normas.
É grande a paz dos que amam a tua Lei:
para eles não existe tropeço.
Eu aguardo a tua salvação, Javé,
e pratico os teus mandamentos.
Observo os teus testemunhos;
eu amo-os intensamente.
Observo os teus preceitos e testemunhos,
e os meus caminhos estão todos à tua frente.
Que o meu clamor chegue à tua presença, Javé!
Dá-me discernimento, conforme a tua palavra!
Que a minha súplica chegue à tua presença!
Liberta-me, conforme a tua promessa!
Que os meus lábios publiquem o louvor,
pois Tu me ensinas os teus estatutos.
Que a minha língua cante a tua promessa,
pois todos os teus mandamentos são justos.
Que a tua mão venha socorrer-me,
porque escolhi os teus preceitos.
Eu desejo a tua salvação, Javé,
e a tua vontade é a minha delícia.
Que eu possa viver para Te louvar,
e as tuas normas me auxiliem.
Eu extraviei-me como ovelha perdida:
vem procurar o teu servo,
pois eu não esqueço os teus mandamentos.
{1}120
(119)
.
Na minha angústia eu gritei a Javé,
e Ele respondeu-me.
Javé, livra-me dos lábios mentirosos
e da língua traidora!
Que te dará Deus ou mandará,
ó língua traidora?
Flechas de guerreiro, afiadas
com brasas de giesta.
Ai de mim, exilado em Mosoc,
acampado nas tendas de Cedar!
Já há muito que eu moro
com os que odeiam a paz.
Quando eu digo: «Paz»,
eles dizem: «Guerra».
{1}121
(120)
Ergo os olhos para os montes:
de onde virá o meu socorro?
O meu socorro vem de Javé,
que fez o Céu e a Terra.
Ele não deixará que o teu pé tropece,
o teu guarda jamais dormirá!
Sim, não dorme nem adormece
o guarda de Israel.
Javé guarda-te sob a sua sombra,
Ele está à tua direita.
De dia o Sol não te ferirá,
nem a Lua de noite.
Javé guarda-te de todo o mal,
Ele guarda a tua vida.
Javé guarda as tuas chegadas e partidas,
desde agora e para sempre.
{1}122
(121)
Alegrei-me quando me disseram:
«Vamos à casa de Javé!»
Os nossos passos já se detêm
junto das tuas portas, Jerusalém!
Jerusalém é fundada
como cidade bem compacta.
Para ela sobem as tribos,
as tribos de Javé,
segundo o costume de Israel,
para celebrar o nome de Javé.
Ali estão os tribunais da justiça,
no palácio de David.
Desejai a paz para Jerusalém:
«Vivam seguros os que te amam,
haja paz dentro dos teus muros
e segurança nos teus palácios!»
Pelos meus irmãos e meus amigos,
eu digo: «A paz esteja contigo!»
Pela casa de Javé nosso Deus,
desejo-te todo o bem.
{1}123
(122)
Para Ti eu levanto os meus olhos,
para Ti, que habitas no céu.
Como os olhos dos escravos,
fixos nas mãos do seu senhor,
e como os olhos da escrava,
fixos nas mãos da sua senhora,
assim estão os nossos olhos
fixos em Javé nosso Deus,
até que Se compadeça de nós.
Compaixão, Javé! Tem compaixão de nós,
porque estamos fartos de desprezo!
A nossa vida está deveras farta
do sarcasmo dos satisfeitos
e do desprezo dos soberbos.
{1}124
(123)
Se Javé não estivesse do nosso lado
-Israel que o diga -
se Javé não estivesse do nosso lado,
quando os homens nos assaltaram...
ter-nos-iam engolido vivos,
tal era o fogo da sua ira!
As águas ter-nos-iam inundado,
a torrente teria chegado ao pescoço;
as águas espumejantes
chegariam ao nosso pescoço!
Seja bendito Javé! Ele não nos entregou
como presas para os seus dentes.
Fugimos vivos, como o pássaro foge
da rede do caçador:
a rede rompeu-se, e nós escapámos.
O nosso auxílio é o Nome de Javé,
que fez o Céu e a Terra!
{1}125
(124)
Aqueles que confiam em Javé_são como o monte Sião:
nunca treme,
está firme para sempre.
Jerusalém é rodeada de montanhas,
e Javé envolve o seu povo,
desde agora e para sempre.
O ceptro do injusto não pesará
sobre a parte dos justos,
para que a mão dos justos
não se estenda para o crime.
Javé, faz o bem aos bons,
aos corações rectos.
E os que se desviam por caminhos tortuosos,
que Javé os rejeite com os malfeitores.
Paz sobre Israel!
{1}126
(125)
Quando Javé mudou a sorte de Sião,
parecia-nos sonhar:
a nossa boca encheu-se de riso,
e a nossa língua de canções.
Até entre as nações se comentava:
«Javé foi grande com eles!»
Sim, Javé foi grande connosco,
e por isso estamos alegres.
Que Javé mude a nossa sorte,
como as torrentes do Negueb.
Os que semeiam com lágrimas,
ceifam no meio de canções.
Vão andando e chorando
ao levar a semente.
Ao regressar, voltam cantando,
trazendo os seus feixes.
{1}127
(126)
Se Javé não constrói a casa,
em vão labutam os seus construtores.
Se Javé não guarda a cidade,
em vão vigiam os guardas.
É inútil que madrugueis
e vos atraseis ao deitar,
para comer o pão com duros trabalhos:
aos seus amigos, Ele dá-o enquanto dormem!
A herança que Javé concede são os filhos,
o seu salário é o fruto do ventre:
os filhos da juventude
são flechas na mão de um guerreiro.
Feliz o homem que enche
a sua aljava com elas:
não será derrotado às portas da cidade
quando litigar com os seus inimigos.
{1}128
(127)
Feliz quem teme a Javé
e anda nos seus caminhos!
Comerás do trabalho das tuas próprias mãos,
tranquilo e feliz.
A tua esposa será como vinha fecunda,
na intimidade do teu lar.
Os teus filhos, rebentos de oliveira,
ao redor da tua mesa.
Esta é a bênção para o homem
que teme a Javé.
Que Javé te abençoe de Sião,
e vejas a prosperidade de Jerusalém
todos os dias da tua vida.
Que vejas os filhos dos teus filhos.
Paz sobre Israel!
{1}129
(128)
Quanto me oprimiram desde a juventude,
-Israel que o diga -
quanto me oprimiram desde a juventude!
Mas nunca me conseguiram vencer!
Os lavradores lavraram as minhas costas
e alongaram os seus sulcos.
Mas Javé é justo: Ele cortou
os chicotes dos injustos.
Voltem para trás, envergonhados,
os que odeiam Sião.
Sejam como a erva do telhado,
que seca, e ninguém a corta,
que não enche a mão do ceifeiro,
nem a braçada daquele que ata os feixes.
E que os passantes não digam:
«Javé vos abençoe!»
Nós vos abençoamos em nome de Javé.
{1}130
(129)
Das profundezas eu clamo a Ti, Javé:
Senhor, ouve o meu grito!
Que os teus ouvidos estejam atentos
à voz da minha súplica!
Javé, se levas em conta as culpas,
quem poderá resistir?
Mas de Ti vem o perdão,
e assim infundes respeito.
A minha alma espera em Javé,
espera na sua Palavra.
A minha alma aguarda o Senhor,
mais que os guardas pela aurora.
Mais que os guardas pela aurora,
aguarde Israel a Javé.
Pois de Javé vêm a graça
e a redenção em abundância.
Ele vai redimir Israel
de todas as suas culpas.
{1}131
(130)
Javé, o meu coração não é ambicioso,
nem os meus olhos altaneiros.
Não ando atrás de grandezas,
nem de maravilhas que me ultrapassam.
Não! Eu fiz calar e repousar os meus desejos,
como criança desmamada no colo de sua mãe.
Israel, coloca a tua esperança em Javé,
desde agora e para sempre!
{1}132
(131)
Javé, lembra-Te de David,
de todas as suas fadigas:
como ele jurou a Javé
e fez voto ao Poderoso de Jacob:
«Não entrarei na tenda, na minha casa,
nem subirei à cama em que repouso,
não darei sono aos meus olhos,
nem descanso às minhas pálpebras,
enquanto não encontrar um lugar para Javé,
moradia para o Poderoso de Jacob».
Ouvimos dizer que ela estava em Éfrata,
e encontrámo-la nos Campos de Jaar.
Entremos na sua moradia,
e prostremo-nos diante do seu pedestal.
Levanta-Te, Javé, vem para a tua mansão,
vem com a arca da tua força.
Que os teus sacerdotes se vistam de gala,
e os teus fiéis exultem de alegria.
Por causa de David, teu servo,
não rejeites a face do teu messias.
Javé jurou a David
uma promessa que jamais retractará:
«É um fruto do teu ventre
que Eu vou colocar no teu trono.
Se os teus filhos guardarem a minha aliança
e o testemunho que lhes ensinei,
também os filhos deles, para sempre,
irão sentar-se no teu trono».
Porque Javé escolheu Sião,
e desejou-a como sua residência própria:
«Ela é a minha mansão para sempre,
aqui vou habitar, porque a desejei.
Vou abençoar as suas provisões com largueza
e saciar os seus indigentes de pão.
De gala vestirei os seus sacerdotes,
e os seus fiéis exultarão de alegria.
Farei brotar o vigor de David,
acenderei uma lâmpada para o meu messias.
Vestirei de vergonha os seus inimigos,
e sobre ele vai brilhar a minha coroa».
{1}133
(132)
Vede como é bom, como é agradável
os irmãos viverem unidos.
É como óleo fino sobre a cabeça,
descendo pela barba,
a barba de Aarão; descendo
sobre a gola das suas vestes.
É como o orvalho do Hermon, descendo
sobre os montes de Sião.
Porque é ali que Javé manda a sua bênção
e a vida para sempre.
{1}134
(133)
E agora, bendizei a Javé,
servos todos de Javé,
que passais a noite
na casa de Javé.
Levantai as mãos para o santuário
e bendizei a Javé!
Que, de Sião, Javé te abençoe
Ele que fez o Céu e a Terra.
{1}135
(134)
Aleluia!
Louvai o nome de Javé,
louvai-O, servos de Javé,
Vós que servis na casa de Javé,
nos átrios da casa do nosso Deus.
Louvai a Javé, porque Ele é bom.
Tocai ao seu Nome, porque é agradável.
Pois Ele escolheu Jacob para Si,
fez de Israel a sua propriedade.
Sim, eu sei que Javé é grande,
que o nosso Deus supera os deuses todos.
Javé faz tudo o que deseja
no Céu e na Terra,
nos mares e oceanos.
Faz subir as nuvens do horizonte,
desata a chuva com os relâmpagos,
solta o vento dos seus reservatórios.
Ele feriu os primogénitos do Egipto,
desde os homens até aos animais.
Enviou sinais e prodígios,
no meio de ti, ó Egipto,
contra o Faraó e os seus ministros.
Ele feriu povos numerosos
e destruiu poderosos reis:
Seon, rei dos amorreus,
Og, rei de Basã,
e todos os reis de Canaã.
Deu a terra deles como herança,
herança para o seu povo Israel.
Javé, o teu Nome é para sempre!
Javé, a tua lembrança passa
de geração em geração.
Javé governa o seu povo
e compadece-Se dos seus servos.
Os ídolos das nações são prata e ouro,
obras de mãos humanas:
têm boca e não falam,
têm olhos e não vêem
têm ouvidos e não ouvem,
não há um sopro sequer na sua boca.
Sejam como eles aqueles que os fazem,
e todos os que neles confiam!
Casa de Israel, bendiz a Javé!
Casa de Aarão, bendiz a Javé!
Casa de Levi, bendiz a Javé!
Fiéis de Javé, bendizei a Javé!
Javé seja bendito em Sião,
Ele que habita em Jerusalém.
Aleluia!
{1}136
(135)
Celebrai Javé, porque Ele é bom,
porque o seu amor é para sempre!
Celebrai o Deus dos deuses,
porque o seu amor é para sempre!
Celebrai o Senhor dos senhores,
porque o seu amor é para sempre!
Só Ele fez grandes maravilhas,
porque o seu amor é para sempre!
Ele fez os céus com inteligência,
porque o seu amor é para sempre!
Ele firmou a Terra sobre as águas,
porque o seu amor é para sempre!
Ele fez os grandes luminares,
porque o seu amor é para sempre!
O Sol para governar o dia,
porque o seu amor é para sempre!
A Lua para governar a noite,
porque o seu amor é para sempre!
Ele feriu o Egipto nos seus primogénitos,
porque o seu amor é para sempre!
Ele tirou Israel do meio deles,
porque o seu amor é para sempre!
Com mão forte e braço estendido,
porque o seu amor é para sempre!
Ele dividiu o Mar Vermelho em duas partes,
porque o seu amor é para sempre!
E por entre elas fez passar Israel,
porque o seu amor é para sempre!
Mas nele lançou o Faraó e o seu exército,
porque o seu amor é para sempre!
Ele guiou o seu povo pelo deserto,
porque o seu amor é para sempre!
Feriu reis famosos,
porque o seu amor é para sempre!
Ele matou reis poderosos,
porque o seu amor é para sempre!
Seon, rei dos amorreus,
porque o seu amor é para sempre!
Og, rei de Basã,
porque o seu amor é para sempre!
Ele deu a terra deles como herança,
porque o seu amor é para sempre!
Como herança ao seu servo Israel,
porque o seu amor é para sempre!
Ele lembrou-Se de nós em nossa humilhação,
porque o seu amor é para sempre!
Ele livrou-nos dos nossos opressores,
porque o seu amor é para sempre!
Ele dá o pão a todo ser vivo,
porque o seu amor é para sempre!
Celebrai o Deus dos céus,
porque o seu amor é para sempre!
{1}137
(136)
Junto dos canais de Babilónia
nos sentámos e chorámos,
com saudades de Sião.
Nos salgueiros das suas margens
pendurámos as nossas harpas.
Lá, os que nos exilaram
pediam canções,
os nossos raptores queriam diversão:
«Cantai-nos um canto de Sião!»
Como cantar um canto de Javé
em terra estrangeira?
Se eu me esquecer de ti, Jerusalém,
que seque a minha mão direita.
Que a minha língua se cole ao paladar,
se eu não me lembrar de ti,
e se eu não elevar Jerusalém
acima de todas as minhas alegrias!
Javé, pede contas aos filhos de Edom
no dia de Jerusalém,
quando diziam: «Arrasai a cidade!
Arrasai-a até aos alicerces!»
Ó devastadora capital de Babilónia,
feliz quem te retribuir
o mal que nos fizeste!
Feliz quem agarrar e esmagar
os teus bebés contra o rochedo!
{1}138
(137)
Eu Te agradeço, Javé, de todo o meu coração.
Na presença dos anjos eu canto para Ti.
Eu me prostro em direcção ao teu santuário,
e agradeço ao teu Nome,
pelo teu amor e fidelidade,
pois a tua promessa supera a tua fama.
Quando eu gritei, Tu me ouviste,
e aumentaste a força na minha alma.
Todos os reis da terra Te agradeçam, Javé,
pois eles ouvem as promessas da tua boca.
Cantai os caminhos de Javé,
porque a glória de Javé é grande!
Javé é sublime, mas olha para o humilde,
e conhece de longe o soberbo.
Quando eu caminho entre perigos,
Tu me conservas a vida.
Estendes o braço contra a ira do meu inimigo,
e a tua direita me salva.
Javé fará tudo por mim.
Javé, o teu amor é para sempre!
Não abandones a obra das tuas mãos!
{1}139
(138)
Javé, Tu me sondas e me conheces.
Tu conheces o meu sentar e o meu levantar,
de longe penetras o meu pensamento.
Examinas o meu andar e o meu deitar,
todos os meus caminhos Te são familiares.
A palavra ainda não me chegou à língua,
e Tu, Javé, conhece-la perfeitamente.
Tu me envolves por detrás e pela frente,
e sobre mim colocas a tua mão.
É um saber maravilhoso que me ultrapassa,
é alto de mais: não posso atingi-lo!
Para onde irei, longe do teu sopro?
Para onde fugirei, longe da tua presença?
Se subo ao céu, Tu lá estás.
Se desço ao abismo, lá Te encontro.
Se levanto voo para as margens da aurora,
se emigro para os confins do mar,
aí me alcançará a tua esquerda,
e a tua direita me sustentará.
Se eu digo: «Ao menos as trevas me cubram,
e a luz se transforme em noite ao meu redor»,
mesmo as trevas não são trevas para Ti,
e a noite é clara como o dia.
Sim! Pois Tu formaste os meus rins,
Tu me teceste no seio materno.
Eu Te agradeço por tão grande prodígio,
e maravilho-me com as tuas maravilhas!
Conhecias até o fundo da minha alma,
e os meus ossos não Te eram escondidos.
Quando eu era formado, em segredo,
tecido na terra mais profunda,
os teus olhos viam as minhas acções
e eram todas escritas no teu livro.
Os meus dias já estavam calculados,
antes mesmo que chegasse o primeiro.
Mas, para mim, são difíceis os teus projectos!
meu Deus, como é grande a soma deles!
Se os conto... são mais numerosos que a areia!
E, ao despertar, ainda estou contigo!
Ah! meu Deus, se matasses o injusto!
Se os assassinos se apartassem de mim!
Eles falam de Ti com ironia,
e em vão se rebelam contra Ti!
Não odiaria eu aqueles que Te odeiam?
Não detestaria eu aqueles que se rebelam contra Ti?
Eu odeio-os com ódio implacável!
Eu tenho-os por meus inimigos!
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração!
Prova-me, e conhece os meus sentimentos!
Vê se ando por um caminho errado,
e conduz-me pelo caminho eterno.
{1}140
(139)
Javé, salva-me do homem perverso,
defende-me do homem violento.
Eles planeiam o mal no seu coração
e a cada dia provocam discórdias.
Afiam a língua como serpentes,
e sob os seus lábios existe veneno de víbora.
Javé, defende-me das mãos do injusto,
guarda-me do homem violento.
Eles planeiam tropeços para os meus passos.
Os soberbos preparam-me armadilhas,
os perversos estendem-me uma rede
e colocam ciladas no meu caminho.
Mas eu digo a Javé: «Tu és o meu Deus».
Javé, ouve a minha voz suplicante!
Senhor Javé, meu forte salvador,
Tu me cobres a cabeça no dia da batalha!
Javé, não aproves os desejos dos injustos,
não favoreças os seus planos!
Que os que me cercam não levantem a cabeça.
Que a maldade dos seus próprios lábios os recubra!
Chovam sobre eles brasas acesas.
Caiam em abismos e não consigam levantar-se!
Que o caluniador não se afirme sobre a terra,
e que o mal persiga o violento até à morte!
Eu sei que Javé faz justiça ao pobre
e defende o direito dos indigentes.
Os justos louvarão o teu Nome,
e os rectos viverão na tua presença.
{1}141
(140)
Javé, eu chamo por Ti, socorre-me depressa!
Ouve a minha voz quando eu clamo a Ti!
Suba a minha prece como incenso à tua presença,
as minhas mãos erguidas como oferta vespertina!
Javé, coloca na minha boca um guarda,
uma sentinela à porta dos meus lábios.
Impede o meu coração de se inclinar para o mal,
de cometer crimes juntamente com os malfeitores.
Não vou participar dos seus banquetes!
Que o justo me bata, que o bom me corrija.
Que o óleo do injusto não me perfume a cabeça,
pois eu iria comprometer-me com as suas maldades.
Os seus chefes caíram, despenhando-se,
embora ouvissem as minhas palavras amáveis.
Como mó de moinho, rebentada por terra,
os nossos ossos estão espalhados
junto à boca do túmulo.
Para Ti, Javé, eu elevo os meus olhos,
eu me refugio em Ti, não me deixes indefeso.
Guarda-me das armadilhas que prepararam para mim,
e das ciladas dos malfeitores.
Caiam os injustos nas suas próprias redes,
enquanto eu escapo, em liberdade!
{1}142
(141)
Gritando por Javé, eu imploro!
Gritando pora Javé, eu suplico!
Derramo à frente d'Ele o meu lamento,
diante d'Ele exponho a minha angústia,
enquanto o meu alento desfalece.
Tu, porém, conheces o meu caminho,
e foi no caminho por onde eu ando
que eles me prepararam uma armadilha.
Olho para a direita e vejo:
já ninguém me reconhece,
nenhum lugar de refúgio,
ninguém que olhe por mim!
Eu grito por Ti, Javé,
e digo: «Tu és o meu refúgio,
a minha parte na terra da vida».
Presta atenção ao meu clamor,
pois já estou esgotado.
Livra-me dos meus perseguidores,
pois são mais fortes do que eu!
Faz-me sair da minha prisão,
para que eu agradeça ao teu Nome!
Os justos juntar-se-ão ao meu redor,
por causa do bem que Tu me fizeste.
{1}143
(142)
Javé, ouve a minha prece!
Tu és fiel, atende as minhas súplicas!
Tu és justo, responde-me!
Não entres em julgamento contra o teu servo,
pois, diante de Ti, nenhum vivente é justo!
O inimigo persegue-me,
esmaga por terra a minha vida,
e faz-me habitar nas trevas,
como aqueles que estão mortos para sempre.
O meu alento já vai desfalecendo,
e dentro de mim o meu coração assusta-se.
Recordo os dias de outrora,
medito em todas as tuas acções,
reflectindo sobre a obra das tuas mãos.
Para Ti estendo os meus braços,
a minha vida é terra sedenta de Ti.
Javé, responde-me depressa,
pois o meu alento se extingue!
Não me escondas a tua face:
eu ficaria como os que descem à cova.
Faz-me ouvir o teu amor pela manhã,
pois é em Ti que eu confio.
Indica-me o caminho a seguir.
pois a Ti elevo a minha alma.
Livra-me dos meus inimigos, Javé,
pois eu me refugio junto a Ti.
Ensina-me a cumprir a tua vontade,
pois Tu és o meu Deus.
Que o teu bom espírito me conduza
por uma terra plana.
Javé, pelo teu Nome, conserva-me vivo,
e pela tua justiça tira-me da angústia.
Pelo teu amor, aniquila os meus inimigos
e destrói todos os meus adversários,
porque eu sou o teu servo.
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(143)
Bendito seja Javé, o meu rochedo,
que adestra as minhas mãos para a batalha
e os meus dedos para a guerra.
O meu benfeitor, a minha fortaleza,
a minha torre forte e o meu libertador,
o meu escudo e o meu refúgio,
que me submete os povos.
Javé, o que é o homem para que o conheças,
o filho de um mortal, para que o leves em conta?
O homem é como um sopro,
e os seus dias como a sombra que passa.
Javé, inclina o teu céu e desce,
toca os montes, e eles fumegarão.
Envia um raio, e dispersa-os,
lança as tuas flechas, e afugenta-os!
Do alto estende a tua mão,
salva-me, livra-me das águas torrenciais,
da mão dos estrangeiros.
A sua boca diz mentiras,
e a sua direita jura falso.
Ó Deus, eu cantar-Te-ei um cântico novo,
tocarei para Ti a harpa de dez cordas:
És tu que dás a vitória aos reis
e salvas David, teu servo.
Defende-me da espada cruel,
livra-me da mão dos estrangeiros.
A sua boca diz mentiras,
e a sua direita jura falso.
Sejam os nossos filhos como plantas,
bem crescidos desde a adolescência.
As nossas filhas sejam colunas talhadas,
estruturas de um templo.
Os nossos celeiros estejam repletos
de frutos de toda a espécie.
Os nossos rebanhos, aos milhares,
multipliquem-se nos nossos campos,
e os nossos bois andem carregados.
Não haja brecha nem fuga,
nem grito de alarme nas nossas praças.
Feliz o povo onde isso acontece.
Feliz o povo cujo Deus é Javé!
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(144)
Eu Te exalto, meu Deus, meu Rei,
e bendigo o teu Nome para sempre e eternamente.
Vou bendizer-Te todos os dias
e louvar o teu Nome para sempre e eternamente.
Grande é Javé! Ele merece todo o louvor.
É incalculável a sua grandeza.
Uma geração apregoa as tuas obras à outra,
proclamando as tuas façanhas.
A tua fama é esplendor de glória:
eu cantarei o relato das tuas maravilhas.
Falarão do poder dos teus terrores,
e eu cantarei a tua grandeza.
Difundirão a lembrança da tua bondade imensa,
e aclamarão a tua justiça.
Javé é piedade e compaixão,
lento para a cólera e cheio de amor.
Javé é bom para com todos,
compassivo com todas as suas obras.
Que todas as tuas obras Te agradeçam, Javé,
e os teus fiéis Te bendigam.
Proclamem a glória do teu reino
e falem das tuas façanhas,
para anunciar as tuas façanhas aos homens,
e a majestade gloriosa do teu reino.
O teu reino é reino para todos os séculos,
e o teu governo para gerações e gerações.
Javé é fiel às suas palavras,
amoroso em todas as suas obras.
Javé ampara todos os que caem
e endireita todos os encurvados.
Em Ti esperam os olhos de todos,
e no devido tempo Tu lhes dás o alimento.
Abres a mão,
e sacias à vontade todo o ser vivo.
Javé é justo em todos os seus caminhos,
e fiel em todas as suas obras.
Ele está perto de todos aqueles que O invocam,
de todos os que O invocam sinceramente.
Ele realiza o desejo dos que O temem,
ouve os seus gritos e salva-os.
Javé guarda todos os que O amam,
mas vai destruir todos os injustos.
A minha boca pronuncie o louvor de Javé,
e todo o ser vivo bendiga o seu Nome santo,
para sempre e eternamente!
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(145)
Aleluia!
Louva Javé, ó minha alma!
Vou louvar Javé, enquanto eu viver.
Vou tocar para o meu Deus, enquanto existir!
Não coloqueis a segurança nos poderosos,
num homem que não pode salvar!
Exalam o espírito e voltam ao pó,
e no mesmo dia perecem os seus planos!
Feliz quem se apoia no Deus de Jacob,
quem coloca a sua esperança em Javé seu Deus.
Foi Ele quem fez o Céu e a Terra,
o mar e tudo o que nele existe.
Ele mantém a sua fidelidade para sempre,
fazendo justiça aos oprimidos,
e dando pão aos famintos.
Javé liberta os prisioneiros.
Javé abre os olhos dos cegos.
Javé endireita os encurvados.
Javé ama os justos.
Javé protege os estrangeiros,
sustenta o órfão e a viúva,
mas desvia o caminho dos injustos.
Javé reina para sempre.
O teu Deus, ó Sião,
reina de geração em geração!
Aleluia!
{1}147
(146-147)
Aleluia!
Louvai a Javé, pois é bom cantar.
O nosso Deus merece harmonioso louvor.
Javé reconstrói Jerusalém,
reúne os exilados de Israel.
Cura os corações despedaçados
e cuida dos seus ferimentos.
Ele conta o número das estrelas,
e chama cada uma pelo nome.
O nosso Senhor é grande e poderoso,
e a sua sabedoria é sem medida.
Javé sustenta os pobres
e rebaixa os injustos até ao chão.
Entoai o agradecimento a Javé,
cantai ao nosso Deus com a harpa.
Ele cobre o céu com nuvens,
preparando a chuva para a terra.
Faz brotar erva sobre os montes
e plantas úteis ao homem.
Fornece alimento ao rebanho,
e aos filhotes do corvo, que grasnam.
Ele não Se compraz com o vigor do cavalo,
nem aprecia os músculos do homem.
Javé aprecia aqueles que O temem,
aqueles que esperam pelo seu amor.
Glorifica Javé, Jerusalém,
louva o teu Deus, ó Sião.
Ele reforçou as trancas das tuas portas,
abençoou os teus filhos no teu seio.
Colocou paz nas tuas fronteiras,
saciou-te com a flor do trigo.
Ele envia as suas ordens à Terra,
e a sua Palavra corre velozmente.
Faz cair a neve como lã,
e espalha a geada como cinza.
Ele atira o seu gelo em migalhas
e congela as águas com o frio.
Ele envia a sua Palavra e derrete-as,
sopra o seu vento e as águas correm.
Ele anuncia a sua Palavra a Jacob,
os seus estatutos e normas a Israel.
Com nação nenhuma agiu deste modo,
e nenhuma conheceu as suas normas.
Aleluia!
{1}148
Aleluia!
Louvai a Javé no céu,
louvai a Javé nas alturas.
Louvai a Javé, todos os anjos,
louvem-n'O todos os seus exércitos!
Louvai a Javé, Sol e Lua,
louvai-O, astros de luz!
Louvai a Javé, céus dos céus,
e águas acima dos céus!
Louvai o Nome de Javé,
pois Ele mandou e foram criados.
Fixou-os eternamente, para sempre,
deu-lhes uma lei que jamais passará.
Louvai a Javé na Terra,
monstros marinhos e todos os abismos,
raios e granizo, neve e nevoeiro,
e o furacão cumpridor da sua Palavra.
Montes e todas as colinas,
árvores frutíferas e todos os cedros,
feras e animais domésticos,
répteis e pássaros que voam.
Reis da Terra e todos os povos,
príncipes e juízes da Terra,
jovens e também as donzelas,
os velhos e as crianças!
Louvai o nome de Javé:
o único nome sublime!
A sua majestade está além da Terra e do Céu,
e Ele reforça o vigor do seu povo!
Louvor de todos os seus fiéis,
dos filhos de Israel,
seu povo íntimo.
Aleluia!
{1}149
Aleluia!
Cantai a Javé um cântico novo!
Cantai o seu louvor na assembleia dos fiéis!
Alegre-se Israel com o seu Criador,
os filhos de Sião festejem o seu Rei!
Louvem o seu nome com danças,
toquem para Ele cítara e tambor!
Sim! Porque Javé ama o seu povo,
e enfeita os pobres com a vitória!
Que os fiéis festejem a sua glória,
e, em filas, cantem jubilosos.
Com exaltações para Deus na garganta,
e nas mãos espadas de dois gumes,
para tomar vingança dos povos,
e aplicar o castigo às nações,
para prender os seus reis com algemas,
e os seus nobres com grilhões de ferro.
Cumprir neles a sentença prescrita
é uma honra para todos os seus fiéis!
Aleluia!
{1}150
Aleluia!
Louvai a Deus no seu templo,
louvai-O no seu poderoso firmamento!
Louvai a Deus, pelas suas façanhas,
louvai-O pela sua imensa grandeza!
Louvai a Deus tocando trombetas,
louvai-O com cítara e harpa!
Louvai a Deus com danças e tambores,
louvai-O com cordas e flauta!
Louvai a Deus com címbalos sonoros,
louvai-O com címbalos vibrantes!
Todo o ser que respira louve a Javé!
Aleluia!