A greve dos professores às horas extraordinárias (devido à decisão do ME em remunerar o trabalho extra abaixo das horas normais) parecia invisível, apesar dos mais prejudicados serem os alunos que mais precisam de apoio. Só agora é que a luta dos professores, que não deverá abrandar, começa a fazer-se sentir.

Segundo Pedro Carvalho, aluno da referida turma, há outros casos semelhantes na sua escola, embora com disciplinas menos relevantes em termos de acesso ao ensino superior.

A escola pré-primária da freguesia de Outiz, concelho de Vila Nova de Famalicão, está encerrada desde 25 de Janeiro, por decisão do seu conselho consultivo, devido à «falta de condições» para o funcionamento, situação provocada pelo facto do Ministério de Educação não ter renovado o contrato de trabalho com a auxiliar de acção educativa.

O caso já motivou uma manifestação de protesto na passada sexta-feira junto da delegação escolar de Vila Nova de Famalicão e detalhada exposição proferida pela presidente da junta na assembleia municipal. No dia da manifestação, enquanto as crianças seguravam cartazes alusivos à falta de uma funcionária, a Comissão de Pais era recebida pelo Delegado Escolar, Martinho Araújo. Só que, para este responsável, o problema «acontece a nível nacional», pouco podendo fazer além de tentar uma solução precária que poderá passar pela transferência de uma auxiliar de uma outra escola.

Um espectacular incêndio destruiu quase completamente ontem de manhã a mais importante sala de ópera da Catalunha e a mais famosa de Espanha, o Teatro del Liceo, em Barcelona. O fogo começou no palco e terá tido origem numa faisca dos maçaricos usados por dois operários na construção de um cenário. A cortina de ferro estava descida, mas as chamas acabaram por propagar-se à sala através do tecto de madeira, que ruiu. Uma pessoa sofreu queimaduras ligeiras.

A música será já menos importante que os engenhos que a reproduzem ? É a grande charada de 1994, que a indústria da música está a debater em Cannes, até ao próximo dia 3 de Fevereiro. No meio de tanta especulação tecnológica, a música tende a ser relegada para segundo plano...

Morreu o escritor francês Pierre Boulle, autor de obras como «A Ponte do Rio Kwai» e de muitos outros romances de aventuras de fundo político-filosófico. Pierre Boulle contava 81 anos e faleceu na madrugada de segunda-feira, em Paris. Escritor discreto e pouco sensível às modas e aos meios literários, escreveu cerca de trinta romances, novelas e ensaios, como «Le Sacrilège Malais» e «La Planète des Singes». Nascido a 20 de Fevereiro de 1912, começou em 1936 a trabalhar como engenheiro em várias missões exploratórias na Malásia britânica. Em 1939, foi mobilizado para a Indochina, antes de regressar à Malásia. Pelo meio, durante a Segunda Guerra Mundial, envolveu-se com a Resistência francesa, foi preso e condenado a trabalhos forçados; evadiu-se em 1944. A sua atribulada experiência asiática permitiu-lhe escrever vários livros, entre os quais o «best seller» mundial «A Ponte do Rio Kwai» (ed. Europa-América), no qual David Lean se baseou para realizar um filme não menos famoso. «La Planète des Singes» foi também adaptado com enorme sucesso ao cinema. Mais recentemente, em 1990, Boulle colocou em análise o envolvimento comercial da sida, em «Le Malheur des Uns». O seu último livro é «À Nous Deux Satan», de 1992.

«Ah, a gente escreve de qualquer maneira, depois o editor corrige». É com esta espécie de encolher de ombros que escritores, jornalistas e intelectuais brasileiros reagem ao Acordo Ortográfico. Uma das poucas pessoas que não é indiferente à sorte da ortografia do português é o romancista Autran Dourado, que quer lançar um grito do Ipiranga linguístico. O Governo quer aprovar o documento, «contrário aos interesses dos brasileiros», acusa.

A próxima edição da Feira do Livro do Porto vai ser antecipada cerca de um mês relativamente à data tradicional da sua realização. Voltará a ser instalada no Pavilhão Rosa Mota, mas a realização nesse espaço, em Junho, de uma competição desportiva internacional, obriga a que a Feira inaugure a 21 de Abril, decorrendo até 8 de Maio.

Há muito que não se via: duas revistas em simultâneo em dois teatros do Parque Mayer, essa Broadway à medida de Lisboa. Lisboa que está no título do espectáculo, mantendo uma tradição (bairrista) que faz da nossa fotogénica (mas macrocéfala) capital o tema preferido de cançonetistas e rabulistas.

O São Paulo, a jogar no seu estádio, venceu o Santos, por 2-0, em partida da terceira jornada do campeonato paulista de futebol da I Divisão (Grupo A) e saltou para o comando da prova, com seis pontos, mais um que o Corinthians, que recebeu e venceu o Rio Branco, por 3-0.

Entretanto, começou anteontem o campeonato carioca, disputado por 12 equipas distribuídas por dois grupos, e logo com uma goleada (6-0) do Botafogo sobre o América RJ (Grupo B). No mesmo grupo, o Campo Grande cedeu um empate ao Olaria (0-0), enquanto o Fluminense-Americano está marcado para amanhã. No Grupo A, o Vasco da Gama bateu o Volta Redonda, por 2-0, e no Itaperuna-Madureira registou-se outro empate (0-0). A partida Bangu-Flamengo ainda não tinha terminado à hora de fecho desta edição.

O futebolista russo do Benfica Vassily Kulkov sofreu na madrugada de ontem um acidente de viação, junto ao viaduto do Campo Grande, em Lisboa, mas saiu ileso, informou fonte policial. Kulkov foi submetido a um teste de alcoolemia que acusou uma taxa de 1,10, muito perto daquela que lhe poderia causar a detenção efectiva (1,2), mas suficiente para lhe apreender a carta de condução, o obrigar a responder a tribunal, que lhe aplicará uma multa entre os 30 e os 150 contos e ditará o tempo de inibição de conduzir. O acidente ocorreu por volta das 6h30, quando a viatura conduzida pelo jogador embateu na traseira de um carro que se encontrava parado num semáforo, tendo o condutor deste sofrido ferimentos ligeiros. Este foi o segundo acidente, num período de dois meses, que envolveu jogadores russos que militam no campeonato português de futebol. O primeiro vitimou o sportinguista Sergei Cherbakov, que ficou arredado para sempre dos relvados.

O atleta português José Dias, da Xistarca, venceu domingo a nona edição da meia maratona de Ayamonte, ao terminar a prova espanhola em 1h05m50s, com um segundo de vantagem sobre o benfiquista João Campos. José Mestre, do CRP Salema, concluiu a corrida em 1h05m59s e ocupou o último lugar no pódio, inteiramente preenchido por portugueses. Na competição feminina, ganha pela espanhola Aurora Perez, com o tempo de 1h18m22s, as portuguesas Cândida Almeida, com 1h20m36s, e Adélia Dias, 1h27m05s, classificaram-se, respectivamente, no segundo e terceiro lugares.

Toninho Cerezo está no desemprego. O futebolista brasileiro foi dispensado pelo São Paulo, mas não quer ainda colocar fim à sua brilhante carreira. Numa pequena entrevista ao PÚBLICO, o jogador diz ter contactos com clubes de vários países, um dos quais é Portugal, onde vê a oportunidade «de lutar pelo título com uma grande equipa».

TONINHO CEREZO -- Devo deixar o São Paulo. Os jornais brasileiros dizem que pedi um contrato de um ano e a garantia de que, depois, seria assistente de Tele Santana [treinador do São Paulo] por dois anos. Contudo, não foi bem assim que as coisas se passaram. Após tudo o que fiz e dei ao São Paulo, merecia mais do que sair apenas com o amor dos adeptos. Esperava, pelo menos, um jogo de despedida para vestir pela última vez a camisola do clube.

Francisco Dias é o novo presidente do Gil Vicente. A notícia ainda não foi divulgada oficialmente pelos responsáveis do clube, mas o PÚBLICO conseguiu apurar que o industrial têxtil e ex-presidente do clube já aceitou o convite, depois de muitas reuniões com Fernando Reis, presidente da Câmara de Barcelos, João Trigueiros, presidente da assembleia geral do clube, e um conjunto de empresários que o apoiam.

Francisco Dias terá alguns problemas para resolver. É que, até ao final da época, o Gil Vicente tem cem mil contos de despesas para fazer e as fontes de receita extrabilheteira praticamente já terminaram. Outra dificuldade é a dívida ao Estado. Segundo nos foi possível apurar, o clube deve cerca de 150 mil contos de IVA e IRS.

Um novo regulamento contra os golfistas lentos do circuito europeu de profissionais entrou em vigor no início da temporada de 1994. Para que não se repitam os abusos do ano passado, durante o qual algumas partidas chegaram a durar mais de seis horas. Mas, para a maioria, as medidas pecam por ser demasiado leves.

Estes dois jogadores são dois dos responsáveis pelos inúmeros atrasos verificados ao longo do ano transacto em diversos torneios. A gota de água que fez transbordar o copo surgiu na Taça do Mundo de golfe, que se disputou na Florida, em Novembro, quando alguns grupos levaram nada menos do que seis horas e meia para completar uma partida. Medidas enérgicas, precisava-se. Mas foram elas suficientemente duras?

O tenista norte-americano Pete Sampras deu, no passado domingo, um passo importante passo para a conquista do Grand Slam -- o seu grande sonho -- ao vencer o Open da Austrália. O número um do mundo diz sentir-se bem no ténis e que dispensa férias e festas, mas lamenta ter perdido os amigos para se dedicar à modalidade.

PETE SAMPRAS -- Perfeita, foi um ano fantástico. Nestas duas últimas temporadas fiz grandes progressos e ganhei os dois torneios do Grand Slam que mais contam para mim, Wimbledon e o Open dos Estados Unidos. E terminei como número um mundial depois de ter jogado a final do Campeonato do Mundo IBM-ATP Tour em Frankfurt. Foi também um bom resultado.

O automobilismo português, ao nível dos ralis, parece estar em crise. Há menos equipas e menos patrocinadores. Uma crise já anunciada há várias épocas, mas sempre adiada, e que está a obrigar os pilotos e os organizadores de provas a repensar estratégias. E, se é verdade que não faltam novos carros, alguns deles bastante competitivos, não é menos verdade que alguns organizadores temem listas de inscritos com poucas equipas.

No que respeita às listas de inscritos, cada clube organizador ia fazendo todos os possíveis por realizar as suas provas. Mas a exclusão do Alvarinho veio criar alguns receios junto dos organizadores, que ficam assim sujeitos a ser desclassificados do «Nacional», mercê de critérios que valorizam outros factores, para além da capacidade organizativa.

A inexistência de jogos entre equipas da I Divisão marcou ontem o sorteio dos quartos-de-final da Taça de Portugal. Sporting ou Setúbal (I Divisão)-Trofense (III D); FC Porto (I D)-Desportivo das Aves (II Honra); Rio Ave (II H)-Estrela da Amadora (I D) e Lourosa (II B)-Belenenses (I D) são as partidas que se disputam no próximo dia 15.

Mesmo assim, Tomás Aires, vice-presidente do Sporting, não recusou fazer um comentário sobre o possível adversário: «O sorteio foi bom. Jogamos em casa, caso a nossa equipa vença o Setúbal, e temos todas as condições para continuar na Taça.

O volume de obras públicas adjudicadas entre o último trimestre de 1993 e o primeiro mês de 1994 poderá indiciar «alguma recuperação» do sector, mas o seu montante encontra-se ainda «abaixo das expectativas subjacentes ao novo Quadro Comunitário de Apoio», afirma a Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP), numa nota ontem divulgada.

O mercado de obras particulares -- para habitação, sobretudo -- dá, entretanto, mostras de se encontrar em recuperação. Em 1993, foi registado um total de 2299 pedidos de licenças de construção, num valor de 271,1 milhões de contos, o que comparando os valores do último trimestre do ano com igual período de 1992 representa em valor um acréscimo de 50 por cento. As licenças concedidas ficaram-se, porém, pelas 650 licenças num valor 47,1 milhões de contos.

As companhias aéreas europeias deverão reestruturar-se de forma a tornarem-se mais competitivas, defende um Comité de Sábios europeus que elaborou um relatório sobre o sector encomendado pela Comissão Europeia. As ajudas estatais só poderão ser dadas uma vez e desde que permitam a viabilização das companhias. De resto, será a estas que caberá a definição dos seus objectivos. A liberalização dos ares é irreversível.

No relatório a que o PÚBLICO teve acesso, e que será hoje entregue à Comissão Europeia, o Comité defende que os financiamentos estatais poderão realizar-se, apenas «por um breve e último período» e tendo em conta o considerando atrás referido.

As acções do grupo alemão de automóveis BMW registaram ontem uma forte procura, com os investidores a tentarem aproveitar a onda altista que via influenciar o papel depois de anunciada a compra da Rover pelo fabricante com sede em Munique. O índice DAX-30 cresceu 2,06 por cento para se estabelecer nos 2177,45 pontos. Operadores acreditam que a tendência positiva deverá continuara durante a corrente semana. Todos os dados apontam nesse sentido.

As acções do Banesto regressam hoje à cotação na Bolsa de Madrid, o que está a gerar enormes expectativas no mercado. Com a cotação suspensa desde 28 de Dezembro, altura em que rebentou o escandalo que levou à intervenção do Banco de Espanha, os títulos da instituição devem começar a perder terreno porque o futuro do banco ainda não é claro. Ontem o segmento continuou a subir, atingindo um novo recorde do ano. O índice Geral subiu 1,69 por cento.

O índice Dow Jones da Bolsa de Nova Iorque atingiu um novo recorde, o décimo primeiro desde o começo de 1994. Cotou-se nos 3980,05 pontos a meio da sessão, o que representou um ganho de 0,88 por cento face à passada sexta-feira. Este valor eclipsou todos os outros, com os analistas a caracterizarem de impressionante a valorização registada. O volume, até ao período em análise, era de quase 200 milhões de títulos. As ordens de compra eram enormes.

Um forte procura de acções ligadas aos grandes bancos e também do grupo agro-industrial Nestlé levou a Bolsa de Zurique a terminar o dia em alta acentuada. O índice Swiss Performance acabou nos 2007,66 pontos, mais 1,06 por cento. A tomada de mais-valias, perto do final da sessão, deprimiu um pouco as cotações, que a meio do dia chegaram a atingir níveis significativamente mais elevados. Os montantes intermediados foram igualmente elevados.

A British Aerospace queria vender a totalidade das acções da Rover, mas os japoneses da Honda não queriam tudo. Num ápice, o negócio foi fechado com os alemães da BMW. Ficam com 80 por cento do grupo inglês e têm acesso directo à tecnologia nipónica que recuperou a Rover. Pagam, para isso, mais de 209 milhões de contos. Agora, para os súbditos de Sua Majestade, o orgulho nacional resume-se apenas à Rolls Royce.

As negociações com a BMW resultaram, afinal, num cenário mais atraente para a British Aerospace (BAe), que vendeu toda a sua participação no grupo Rover e ainda vê consagrada, por parte dos alemães, a assunção de passivos na ordem dos 900 milhões de libras.

A Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Cabelte, lançada pela Solidal, realizar-se-á no próximo dia 18 de Fevereiro, na Bolsa de Valores do Porto. Com esta OPA, a Solidal pretende adquirir 34,39 por cento do capital social da Cabelte (949 290 acções escriturais ao portador), que adicionadas às que já detem perfazem a totalidade do capital da Cabelte. A contrapartida é de 1500 escudos por acção e o prazo da oferta, iniciado em 18 de Janeiro passado, terminará a 16 de Fevereiro. O oferente compromete-se a adquirir a totalidade das acções oferecidas, mas a oferta não fica condicionada à aquisição de qualquer número mínimo de acções. A BFE Dealer - Sociedade Financeira de Corretagem é a entidade organizadora da operação.

O Banco Português do Investimento apresentou às bolsas o pedido de admissão à negociação até 15 008 047 acções, representativas do recente aumento de capital social do banco presidido por Artur Santos Silva. Actualmente o capital do BPI é de 36 448 115 contos.

Miguel Cadilhe foi ontem eleito presidente do Conselho de Administração do Banco Borges & Irmão. António Fernandes Tato permanece na presidência da comissão executiva, entretanto criada. As mudanças na Administração são entendidas, por fonte do grupo BFE, como um estreitar das ligações entre os dois bancos, e o fim do primeiro ciclo da acção de Miguel Cadilhe. Da comissão executiva fazem ainda parte António Vila Cova, Manuel Vaz, Amélia Branco Rodrigues, António Serrão, Gelásio Pires e Carlos Traquelho. Os restantes administradores, não executivos, são Filipe Soares de Oliveira, José Fernando Pinto Santos e Alberto Regueiros.

Uma ou mais das maiores rede de televisão dos Estados Unidos poderão ser alvo de «takeovers» em 1994, de acordo com o chefe da Tele-Communications Inc. (TCI), uma das maiores empresas de telecomunicações do país, John Malone. A TCI, recorde-se, está envolvida numa fusão com a Bell Atlantic, orçada em 33 mil milhões de dólares (mais de 5,7 mil milhões de contos). Entre as companhias que Malone acha que serão objecto de tentativas de compra, estão a CBS, a ABC e a NBC.

O mercado de acções mudou, aparentemente, de tendência. Falta apenas saber como evoluirá hoje o segmento de risco para se poder, com maior segurança, afirmar se o negócio entrou num período de correcção saudável ou se, pelo contrário, vai continuar a subir. Para já, as interrogações são grandes e uma análise técnica dos indicadores não permite conclusões peremptórias. Apenas é claro que o movimento de alta que se verificou desde o principio do ano, produto do sucedido ao longo de 1993, perdeu força.

A sessão de ontem foi, entretanto, marcada por uma grande apatia, com o volume e as cotações das acções a descerem. Os pequenos crescimentos que se verificaram nos totais gerais estiveram ligados aos montantes intermediados com dívida pública, que continuam responsáveis por aproximadamente 80 por cento do volume geral. Na Bolsa de Lisboa este atingiu os 12,03 milhões de contos, mais 9,92 por cento, enquanto na Bolsa do Porto estabeleceu-se nos 5,52 milhões de contos, uma subida de 8,95 por cento.

O dólar recuperou o terreno perdido na sexta-feira na sequência da divulgação de um crescimento de 5,9 por cento no PIB norte-americano relativo ao último trimestre de 1993. O mercado havia já descontado um bom número neste indicador e o forte crescimento, acompanhado de uma queda na inflacção, afastou muitas perspectivas quanto a uma subida das taxas de juro nos Estados Unidos a médio-prazo.

Nos Estados Unidos aguarda-se o depoimento de Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal, sobre a economia norte-americana.

A sessão de ontem do Mercado Monetário Interbancário abriu com pouca liquidez, apresentando as taxas de juro, principalmente no curto prazo, uma tendência de subida. Perante esta situação, o Banco de Portugal anunciou, bastante cedo, uma intervenção ocasional de cedência de liquidez mediante a recompra de Bilhetes do Tesouro à taxa de 10,75 por cento e pelo período de um dia, até ao montante de 100 milhões de contos.

As comunicações móveis entraram numa nova fase de captação de mercado. No fim de semana, a Telecomunicações Móveis Nacionais (TMN) anunciou um novo tarifário, pelo qual distingue os preços, quer das taxas de assinatura, quer das chamadas, conforme o tipo de utilização da rede.

Um prémio de genética médica foi ontem entregue a uma equipa do Instituto Gulbenkian de Ciência. Os trabalhos premiados foram feitos na levedura mas, como os investigadores vincam, eles podem ser preciosos para o estudo de certos fenómenos que também interessam ao homem.

Um dos trabalhos apresentados pela equipa vencedora consistiu na identificação, no património genético da levedura, de dois genes relacionados com a resistência ao calor (termotolerância) deste micro-organismo. Os investigadores sabiam que as células de levedura, quando expostas a uma substância particular (orto-fenantrolina) deixam de proliferar, adquirindo uma particular resistência ao calor (como é natural, as células são mais sensíveis aos factores de «stress» ambiental quando estão a dividir-se). Com base nesse conhecimento, os cientistas conseguiram isolar duas estirpes da levedura resistentes à orto-fenantrolina (que continuavam a proliferar na sua presença) mas que, compreensivelmente, apresentavam menor resistência ao calor. Essa resistência à orto-fenantrolina foi atribuída à presença de dois genes a que foram dados os nomes de YAP1 e YAP2.

O júri do prémio Jacinto de Magalhães atribuiu ainda uma menção honrosa ao trabalho de uma investigadora do próprio Instituto de Genética Médica Jacinto de Magalhães, Lúcia Lacerda, sobre a mutação do gene da doença de Gaucher na população portuguesa. O trabalho premiado faz parte da preparação da tese de doutoramento da autora e constitui uma colecção de vários artigos já publicados em revistas internacionais.

Junto destas famílias foi utilizada uma técnica que permite detectar portadores para os quais não se conhece ainda a mutação (das cerca de 30 que podem desencadear a doença). Foi já com estes dados das famílias que se foi estudar a frequência na população portuguesa. Os resultados revelam, segundo a investigadora, uma frequência «um bocadinho mais elevada do que seria de esperar numa população que não é de judeus asquenazim -- que são os mais afectados pela doença».

Gerry Adams, o líder do Sinn Fein, o braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), só tem 48 horas para permanecer nos Estados Unidos, para onde viajou ontem à tarde, e não pode afastar-se mais de 40 quilómetros de Nova Iorque, onde participa numa conferência sobre o futuro do Ulster.

As reacções do Governo britânico e dos inimigos políticos unionistas do Sinn Fein -- os partidos «lealistas», que pretendem que o Ulster permaneça uma província britânica -- parecem provar esta análise.

O novo Presidente da Argélia, Liamine Zéroual, não descurou o mínimo pormenor na sua tomada de posse. Vestiu-se à civil, apesar de ser um militar, e, com a mão direita sobre o Corão, jurou «glorificar a religião islâmica». Espera, deste modo, recuperar os fundamentalistas que o regime catalogou de «moderados».

Com mão firme sobre o livro mais sagrado dos muçulmanos, jurou, «em nome de Deus Todo-Poderoso, glorificar a religião islâmica, defender a Constituição, respeitar a livre escolha do povo, as leis e instituições da República». Durante cerca de dez minutos, explicou que foi escolhido pelo Alto Conselho de Segurança (ACS) -- porque todos os outros potenciais candidatos recusaram o lugar --, reconheceu «a gravidade» da situação no país e disse acreditar numa «viragem decisiva, em que cada cidadão será responsabilizado».

O estado-maior do exército sérvio da Bósnia anunciou ontem a moblização de «todas as forças disponíveis» numa aparente ameaça de recrudescimento da guerra, perante o reforço do potencial militar do governo de Sarajevo e também como forma de dissuasão contra uma eventual acção militar internacional.

A Armija, o exército bósnio de maioria muçulmana, conheceu uma importante revitalização os últimos meses e os seus 200 mil efectivos têm conseguido importantes sucessos militares contra as forças croatas na Bósnia central. Por sua vez, muçulmanos e sérvios opõe-se em Sarajevo e em regiões do leste e norte da Bósnia. O comunicado militar avisa ainda que serão tomadas severas medidas contra os desertores e aqueles que recusarem inscrever-se nos postos militares.

A Justiça de Milão emitiu um mandado de captura contra o banqueiro Roberto Mazzotta, presidente da Cariplo (Caixa de Poupança da Lombardia), ao mesmo tempo que o seu vice, Carlo Polli, era preso na mesma cidade. São os dois acusados de corrupção, após um inquérito judicial à operações imobiliárias da caixa, uma das mais importantes instituições financeiras do Norte do país. Entretanto, a Liga Norte e o novo movimento político de Berlusconi, Força Itália, estão a tentar chegar a um acordo para as eleições gerais de Março. Berlusconi poder-se-á aliar à Liga, no Norte, e aos neo-fascistas, no Sul, no sentido de «optimizar» a votação da direita mais conservadora.

O MISTERIOSO «sub-comandante Marcos», que anunciou no primeiro dia do ano o levantamento dos camponeses mexicanos do estado de Chiapas em nome do Exército Zapatista de Libertação Nacional, teve vários problemas com a justiça nos anos 80 antes de ser isentado de qualquer perseguição, noticiou o jornal mexicano «Excelsior» na sua edição de domingo. «Marcos», que se apresenta como porta-voz dos zapatistas e cujo rosto, parcialmente tapado por um capuz, constituiu um verdadeiro enigma para o México, «chama-se de facto Roberto Meade Trevino», afirma o quotidiano, que dá dele uma descrição física detalhada, publicando, inclusive, algumas fotos da sua passagem pela prisão. A revolta camponesa e indígena de Chiapas, que causou segundo fontes oficiais uma centena de mortos (organizações internacionais falam de 400), mudou a imagem internacional do México, escreveu ontem Gerardo Tena, da AFP, sublinhando que o retrato de um México moderno, parceiro com os EUA e o Canadá no NAFTA, é agora visto numa perspectiva mais crítica.

Salvo surpresas de última hora, como um "não" rotundo de Alfonso Guerra à nova divisão de poderes no PSOE, Felipe González tem carta branca. Mas a subalternização do partido ao governo não faz unanimidade na família socialista.

Com estes resultados, Felipe González tem o caminho aberto para impor as suas teses de 18 a 20 de Março no próximo Congresso do PSOE, e não é de excluir que a mudança do sistema de votação, de voto de delegação para individual de delegado, diminua o pecúlio "guerrista".

Pelo menos sete pessoas morreram e 24 ficaram feridas ontem em Daca, capital do Bangladesh, devido a incidentes a tiro, provocados por discussões sobre os resultados das eleições locais. «É um massacre, e os corpos estão muito mutilados», disse um médico. Outras testemunhas referiram que a troca de tiros se seguiu a horas de tensão num dos bairros da capital, onde o candidato do Partido Nacionalista do Bangladesh, no poder, foi derrotado. Adeptos do político vencido começaram a disparar ao acaso contra residentes, pouco depois do meio dia. «As vítimas caíram como tordos», disse uma testemunha. As cenas de violência, que se registaram ainda noutro bairro de Daca, onde foram lançadas centenas de bombas artesanais, já tinham provocado dois mortos e 60 feridos no domingo, dia das eleições. O dispositivo policial, com 30 mil homens mobilizados para vigiar as assembleias eleitorais, foi impotente. A consulta eleitoral decorreu, além de Daca, em três outras cidades, sendo considerada muito importante como teste para as eleições gerais previstas para 1996. Nas últimas eleições legislativas, em 1991, a liga Awami, segundo maior partido do país, perdeu todos os deputados por Daca e muitos de outros círculos a favor do Partido Nacionalista. Na foto, os cadáveres na morgue do Hospital de Daca.

Considerando a diferença numérica entre o «sim» e o «não» (193.432 votos contra 27.270 votos), era pouco crível, ontem à tarde, um volte-face, tendo portanto os guatemaltecos acolhido bem as 43 alterações propostas pelo chefe de Estado, todas resultado de um acordo entre o executivo e o legislativo, entretanto aprovado pelo parlamento no meio de uma grande agitação política: 46 mortes e 20 tentativas de assassínio só em Janeiro, o pior mês desde 1990.

A primeira promessa de Iuri Mechkov, vencedor das eleições presidenciais de domingo na disputada península da Crimeia, foi a esperada: edificar uma aliança mais próxima com a Rússia. Nada de notável para alguém identificado como «nacionalista pró-russo» e que assentou toda a sua campanha na defesa da não interferência na Crimeia das autoridades da Ucrânia -- Estado a quem a região pertence.

O resultado, aguardado, destas eleições na península da Crimeia, irá provavelmente complicar ainda mais as já pouco fáceis relações entre a Rússia e a Ucrânia.

Gerry Adams, o líder do Sinn Fein, o braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), só tem 48 horas para permanecer nos Estados Unidos, para onde viajou ontem à tarde, e não pode afastar-se mais de 40 quilómetros de Nova Iorque, onde participa numa conferência sobre o futuro do Ulster.

O executivo de John Major reagiu com comedimento à decisão norte-americana, apesar de esta, visivelmente, lhe desagradar. Até porque não deixa de ser gritante que Gerry Adams «ganhe» um visto para se deslocar aos Estados Unidos quando a sua entrada na Grã-Bretanha continua interdita.

A África do Sul continua a balançar entre a hipótese optimista de um vasto consenso para as eleições de Abril e a visão catastrófica de um conflito cada vez maior. Para já, Hartzenberg foi escolhido para Presidente do Estado afrikaner que a extrema direita insiste em criar.

A reivindicação de territórios largamente autónomos tanto por parte da extrema-direita branca como dos zulus afectos ao Partido Inkatha é um dos obstáculos a que a África do Sul caminhe normalmente para as eleições de Abril e para um futuro tranquilo, em que haja lugar para todos os seus 40 milhões de habitantes.

A Câmara de Leiria, a Associação Nacional de Comerciantes Grossistas e a Associação Comercial e Industrial de Leiria chegaram, finalmente, ontem a um acordo sobre o funcionamento do mercado das quintas-feiras, uma questão que, desde o início de Dezembro, vem opondo representantes dos comerciantes retalhistas, grossistas e a própria autarquia.

A Câmara de Benavente pretende submeter à tutela do Ambiente uma proposta de classificação de 14 mil hectares de lezíria e charneca, situados a sul da recta do Cabo, como área de paisagem protegida. A confinar com está zona, está o Campo de Tiro de Alcochete, cujo melhor destino, para o presidente da edilidade benaventense, seria a construção do novo aeroporto da região de Lisboa.

Aníbal Cardoso, de 43 anos, inicia hoje, no Porto, ao despertar da aurora, uma longa caminhada de nove dias em direcção a Lisboa. Esta é, pelo menos, a intenção deste gestor de «stocks» portuense, regressado há algum tempo de Moçambique, ao preparar-se, pelas sete da manhã, para encetar a árdua missão que impôs a si próprio e que só terminará em frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. O motivo de tão insólita tarefa é chamar a atenção da opinião pública portuguesa para o drama que aflige as crianças moçambicanas. «Quero despertar as pessoas e incitá-las a participar na campanha África Amiga», explica, «porque se cada português desse a moeda mais pequena em circulação, poderia minorar a sorte de milhões de crianças que não têm roupas nem brinquedos».

Os trabalhos de recuperação dos jardins do Convento da Arrábida -- financiados em 1993 com 6500 contos da Comissão Europeia -- já se iniciaram, com a limpeza dos jardins, o corte de vegetação selvagem e a plantação de árvores, noticiou a agência Lusa.

No Instituto Franco Português, Avª Luís Bívar 91, pode ver cinema, às 18h00. "Hardi Pardaillan - Les Nouvelles Aventures du Chevalier", com realização de Bernard Borderie.

Na Casa Potthoff-Galeria de Arte, Rua Duques de Bragança 7 F, ao Chiado, está patente a exposição de pintura "Duas Tendências Naturalistas", de Elizabeth Bracht e Michel Lazrah.

A PSP da Amadora está a investigar a actividade de uma ourivesaria de Lisboa por suspeita de que estaria a comprar e a fundir ouro furtado noutros estabelecimentos do mesmo ramo. Dois assaltantes de artefactos de ouro estão detidos desde há uma semana por tráfico de heroína. O valor dos furtos está estimado em mais de 200 mil contos.

Segundo um responsável da PSP, o estabelecimento lisboeta, que possui oficina para fundição, é suspeito de ter feito a entrega de, pelo menos, três cheques, cada um no valor de mil contos, ao chefe da quadrilha, um indivíduo residente no Cacém, conhecido por «Cheirinhos» e que está a ser procurado pela polícia.

Uma custódia de ouro e prata, do século XIX, avaliada em cerca de 600 contos, foi furtada da sacristia do Mosteiro de Alcobaça na madrugada de domingo.

Um pouco por todo o interior, mesmo nas aldeias mais recônditas e despovoadas, florescem as discotecas e outros estabelecimentos nocturnos. Nascem como cogumelos depois de uma chuvada. É um fenómeno que se verifica há alguns anos e que, financeiramente, numa primeira análise, parece pouco rentável. No entanto, as câmaras municipais, muitas vezes carentes de meios para ocupar os jovens nas terras, não levantam grandes obstáculos para passar licenças. No caso de Pendilhe, povoação rural que não excede os 600 habitantes, entre graúdos e miúdos, a abertura da discoteca parece ter feito jus a esta regra.

O presidente da Junta Metropolitana de Lisboa e da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Daniel Branco, está internado no serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria. O autarca ficará internado pelo menos até meio desta semana, quando serão conhecidos os resultados dos exames a que está a ser submetido.

O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira é o candidato do PCP à liderança da Junta Metropolitana e a sua escolha deve ser confirmada no próximo dia 8 de Fevereiro -- apesar da pretensão do socialista Jorge Sampaio, de Lisboa, de querer que a Junta seja dirigida por si em nome da capital. Aquele órgão é composto por 11 comunistas, cinco socialistas (um eleito em coligação com o PCP) e dois sociais-democratas.

No Jardim Zoológico de Lisboa, nos Jardins do Palácio do Conde de Farrobo, é inaugurada, às 11h00, a exposição "Dinossauros ao Vivo", talvez a maior mostra do género realizada até hoje. Envolvida numa tenda, com 1 200 metros quadrados de área coberta, a exposição é enquadrada num cenário de vegetação natural, onde abundam as plantas luxuriantes e não faltam uma cascata e um «vulcão», tornando o mais verosímel possível o "habitat" destes monstros simpáticos.

Até 31 de Maio estão aí "Dinossauros ao Vivo", sendo que o preço conjunto de um bilhete, que inclue visita ao Jardim Zoológico e à mostra, custa 600$00 para as crianças até aos 8 anos e 900$00 para os adultos. Se optar por visitar a exposição após o horário normal do jardim, entre as 18h00 e as 22h00, as crianças até aos 8 anos pagam 350$00 e os adultos 500$00. A receita de bilheteira reverte a favor da Gorilândia.

Brisa e Governo estão de acordo quanto aos efeitos negativos que um novo troço da A8 irá infligir a duas aldeias. Mas afirmam que é o mais viável e o que implica menos prejuízos para a zona. A população, porém, não se conforma, porque não quer que lhe cortem a aldeia e os terrenos ao meio, estragando o ambiente e o sossego.

Em fase de consulta pública, o estudo de impacte ambiental do projecto foi já alvo de um debate efectuado na passada semana, onde foi apresentado e onde a Comissão de Moradores de Orjariça e Catefica apresentou as suas reclamações. Manifestou-se contra o actual traçado do sublanço e o respectivo nó de acesso, exigindo a sua eliminação, e lamentou que só agora, a seis meses do início da construção, o estudo esteja a ser discutido.

Dois jovens, estudantes, de 15 e 16 anos, assaltaram ontem de madrugada uma estação de gasolina no Cacém, vindo a ser detidos algum tempo depois pela PSP da localidade.

O jovem de 16 anos foi entregue ao Tribunal de Sintra, enquanto o companheiro, por não ser criminalmente responsável, deverá ser encaminhado para o Tribunal Tutelar de Menores.

A anunciada recuperação do reservatório subterrâneo da Patriarcal, sob o jardim do Príncipe Real, onde estava previsto criar uma zona de exposições de Lisboa-94, não se concretizará, dada a falta de verba para as obras a fazer no património da EPAL.

Mas, aquela verba foi sofrendo sucessivos aumentos, e em Novembro de 1993, à data de apresentação do projecto à Câmara Municipal de Lisboa, para aprovação, o valor das obras a realizar no extenso reservatório existente sob o Príncipe Real, ascendia já a 45 mil contos, segundo a estimativa feita pelo arquitecto autor do projecto de remodelação, Varandas Monteiro.

Em Pendilhe, no distrito de Viseu, o barulho provocado por clientes de uma discoteca levou um natural da terra a queixar-se ao Governo Civil. Diz que já foi insultado e, em Dezembro, teve mesmo de sair da terra sob escolta da GNR, depois de se ver cercado por uma centena de pessoas. A dona do estabelecimento diz que tudo está legalizado e não se responsabiliza pelo que os clientes possam fazer na rua.

Os motivos de tanta animosidade estarão relacionados, segundo disse o queixoso, com um abaixo-assinado que subscreveu, tal como outros nove residentes, em Agosto do ano passado. O Governo Civil de Viseu soube então que o estabelecimento não tinha todas as licenças necessárias -- «só tinham um documento passado pela Câmara de Vila Nova de Paiva», disse Carlos Meneses, adjunto do governador -- e ordenou o encerramento. Para trás já ficara uma troca de murros entre Diamantino Marcelino e alguns frequentadores.

Os passageiros em trânsito pela zona internacional do Aeroporto da Portela, em Lisboa, estiveram ontem privados de qualquer serviço de bar e restaurante, devido ao encerramento dos estabelecimentos de restauração ali existentes, os quais vão entrar em obras, no âmbito do plano de remodelação e modernização do aeroporto, da responsabilidade da ANA-Aeroportos e Navegação.

A decisão das obras é da responsabilidade da ANA, saliente Tinoco de Faria, que está a levar a cabo um plano de remodelação do aeroporto, que abrange não só os bares e restaurantes, mas também outras áreas da Portela. «Nós somos apenas concessionários dos espaços, que exploramos ao abrigo de um contrato que celebrámos com a ANA, que é a proprietária das instalações».

Onze militantes do PS-Moita estão a ser chamados à Comissão Federativa de Jurisdição de Setúbal para prestar declarações num processo disciplinar, levantado pelo Secretariado da Comissão Política de Setúbal antes das eleições autárquicas.

Em Outubro passado, Epifânio, ainda vereador, acusou na comunicação social o presidente da distrital de "devaneios de terceira idade" e de "atitudes salazaristas", por este lhe ter retirado a confiança política e avocar para a Federação a feitura das listas. Por sua vez, Eduardo Pereira acusou-o a ele de "ambicionar ser candidato à presidência da Câmara, sem ter qualidades" para o lugar e qualificou as suas atitudes como "acções terroristas". Justificou na altura (ver PÚBLICO de 18/8/93) que "os órgãos para uma Câmara são da responsabilidade da concelhia e da distrital. Ambas têm uma palavra a dizer e a federação quando entende que algo não está bem avoca", puxando a si a decisão.

Dezoito jovens clarinetistas da região de Santarém, Tomar e Coimbra participaram numa iniciativa promovida pela Sociedade Filarmónica Gualdino Pais, de Tomar. Foi o I Curso Regional de Formação de Clarinetes, que terminou ontem. Francisco Ribeiro, músico na Orquestra Sinfónica de Lisboa, e professor da Escola Superior de Música, revelou que já estão elaborados os estatutos da novíssima Associação Portuguesa de Clarinetes. A Gualdino Pais propõe-se ainda realizar em Março um curso de trompete.

Estes dois músicos estiveram em Tomar a ensinar a 18 jovens clarinetistas novas teorias e técnicas. O curso visou criar condições de aperfeiçoamento para os alunos da banda da colectividade Gualdino Pais, mas, ao mesmo tempo, estendeu-se a outros músicos da região, no sentido de os qualificar e de transformar a cidade de Tomar num pólo dinamizador de iniciativas culturais nesta área, trazendo os cursos para Tomar e estancando a saída dos alunos da cidade.

As obras da Escola Secundária de Sines estão suspensas desde 30 de Novembro. Para a autarquia, a culpa é do construtor, que, por sua vez se queixa de falta de pagamentos. Aos alunos parece não restar outra alternativa que não seja continuarem a ter aulas em salas improvisadas, que custam à Câmara centenas de contos por mês .

A Direcção Regional de Educação do Alentejo, em Évora, entidade com quem a Câmara de Sines estabeleceu um protocolo para a construção da escola, nos moldes habituais de 85 por cento dos custos a cargo do Ministério da Educação e 15 por cento a cargo da autarquia, segundo o Departamento de Recursos Materiais, "apenas conhece a situação de terem sido disponibilizadas as verbas, respeitantes aos autos de medição até Setembro".

A possibilidade de realizar um festival de vídeo em Lisboa vai ser hoje discutida entre técnicos do pelouro da Educação da Câmara Municipal de Lisboa e representantes das 45 escolas abrangidas pelo programa «Introdução às Técnicas do Vídeo». No encontro serão também estudadas formas de trabalho conjunto envolvendo escolas, projectos de programas, necessidades de apoio em equipamento e a criação de uma videoteca

O ano de 1961 foi o ano negro de Salazar. É o ano dos primeiros ataques em Angola; o ano da queda de Goa (um trauma e uma ferida afectiva, de Salazar e da sua Nação). O ano em que se tornava evidente que era impossível fugir à descolonização. O ano em que a conjuntura internacional começou a provar a Salazar que estaria «orgulhosamente só». Mesmo que o não quisesse.

Voltando ao tema do machismo «vs» feminismo. O assunto costuma ser debatido superficialmente, com despeito ou com aproveitamento enviesado pelos interesses. Se não, por que se escamoteia evidências ou se tapa uma parte da realidade com outra? Enquanto a luta for assim, a guerra continua... E a vitória será de quem? E sobretudo quando?

A iniciativa da realização de um congresso subordinado ao tema «Portugal: que futuro?» parece não ter encontrado na opinião pública em geral, e em particular em alguns sectores políticos e intelectuais nacionais, a adesão entusiástica com que pelo menos alguns dos seus organizadores (ingenuamente?) parecem ter contado. (...)

(...) Na mesma altura em que o dr. Cavaco ataca a realização do congresso «Portugal: que futuro?», que, segundo ele, tem intuitos malévolos e conspiratórios (como pode ele aceitar que os cidadãos se atrevam a pensar, a discutir em conjunto o futuro de Portugal e a denunciar tudo o que está errado?), na mesma altura em que acusa os jornalistas de mentirem 95 por cento das vezes em que falam dele (!), que outros assuntos preocupam Sua Excelência? A gravíssima situação dos agricultores? O angustiante desemprego? A miséria? A degradação do ensino, em estado de ruptura? O caos do sistema de saúde? Os milhões de contos de fraudes fiscais?

DESTAQUE: No pluralismo interpretativo (...) reside a riqueza de qualquer historiografia e lança raízes a democratização cultural das sociedades cultas (...). Nestes termos, o que se possa fazer hoje para desenvolver com seriedade o conhecimento histórico do abrilismo há-de ser feito, pois tudo será ganho de tempo e de saber para os que vierem a retomar e revolver o assunto.

Elas queriam ser diferentes, mas foram-no só na ideia original. De resto, foi uma sessão como tantas outras na Assembleia. Muitos discursos, homenagens várias, citações abundantes, sonolência a condizer. Foi o Parlamento Partitário que começou ontem.

Risos... talvez os únicos. Porque o resto foi, por vezes, demasiado fúnebre, com muito cheiro a passado, ainda que do passado louvável se falasse. Helena Roseta (PS) lembrou e leu Natália Correia; Cristina Albuquerque (PRD) prestou homenagem à poetisa e a Ana Gonçalves (uma deputada dos renovadores democráticos que morreu num acidente de automóvel em exercício das suas funções); José Augusto Seabra (independente, ex-PSD) acumulou exemplos de mulheres lutadoras no processo histórico; Odete Filipe (PCP) evocou Maria Lamas... Mas isto por si só não tem nada de mobilizador, de potenciador da causa. Porque é que estariam tão poucos jovens na sala? Porque é que ninguém despertou para a polémica quando Sérgio Ribeiro, provocador, atirou: «Seria pena uma iniciativa como esta desvalorizar-se, ou até negar-se, confirmando previsões irónicas e suspeições malévolas, se se confinasse ao tema da participação das mulheres na vida política, como se esta fosse a questão e, ela resolvida, tudo resolvido ficasse».

O NOME do almirante Fuzeta da Ponte deve ser sujeito à aprovação do Conselho de Ministros, na reunião de quinta-feira, para ocupar o cargo de chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. O ministro da Defesa recebeu ontem a lista de seis nomes da mão do próprio Fuzeta da Ponte. Durante a manhã de hoje, Fernando Nogueira vai receber, em audiências separadas, os três chefes militares que carreavam as maiores probabilidades de serem indigitados. O general Mendes Dias (Força Aérea) é o primeiro a ser recebido no Restelo, às 9h.30. Segue-se o general Cerqueira Rocha (Exército), uma hora depois. A última audiência é destinada a Fuzeta da Ponte, o CEMGFA para os próximos três anos. Para a nomeação do almirante se tornar efectiva são necessárias a nomeação por parte do Presidente da República e a confirmação em sede de Conselho Superior de Defesa Nacional. A subida de Fuzeta da Ponte, que terminava o seu exercício regular como chefe da Armada no próximo mês de Março, dá origem a uma vaga de quatro estrelas. Os vice-almirantes Machado da Silva, Carmo Duro e Moreira Rato estão atentos. Também cabe a Fuzeta da Ponte conversar com Cerqueira Rocha para premiar um general do Exército (ou da Força Aérea) com as quatro estrelas que cabem ao próximo presidente do Supremo Tribunal Militar.

A anunciada nomeação de Armando Moreira, de 54 anos, para o cargo de governador civil de Vila Real, em substituição de Aires Querubim, está a gerar polémica no seio das estruturas do PSD daquele distrito, onde há quem gostaria de ver indigitado o actual presidente da Assembleia Municipal de Boticas, o social-democrata Sousa Fernandes.

O Presidente da República disse ontem, em Aveiro, que não vai conceder a audiência pretendida pelo general Galvão de Melo, presidente da mesa da assembleia da Associação de Amizade Portugal-Indonésia, que recentemente regressou de uma visita de 20 dias a Timor e Jacarta. Mário Soares justificou a sua decisão dizendo que não vê «qualquer vantagem» em receber o general, que até agora ainda não fez chegar ao Palácio de Belém qualquer pedido oficial de audiência.

Na sua intervenção, Mário Soares evitou abordar temas da actualidade política nacional, preferindo dissertar sobre a evolução histórica dos regimes políticos e sociais. Uma opção justificada pelo facto de «o Presidente da República estar acima dos partidos» e pela vontade de não confundir o tema da palestra com o anunciado congresso «Portugal: que futuro?». «Não sou organizador desse congresso», esclareceu uma vez mais o chefe do Estado, durante um curto período de perguntas dos jornalistas.

Francisco Garcia Escalero, 39 anos de idade, nascido num bairro miserável de Madrid, é acusado de ter morto 15 pessoas, quatro delas no último ano. O juiz madrileno a quem foi apresentado sexta-feira ordenou a sua detenção até à conclusão do inquérito

Esteve dez anos preso. Quando o libertaram, trazia tatuado no braço direito: «Nasceste para sofrer», e estavam os polícias longe de pensar que dez anos mais tarde o teriam de volta como o «serial-killer» mais perigoso da Espanha -- e talvez da Europa.

O conjunto da Administração Pública cumprirá nova greve nacional no próximo dia 11 de Fevereiro, anunciaram ontem as três estruturas sindicais representativas dos trabalhadores do sector, Fesap -- Frente Sindical da Administração Pública (UGT), Plataforma Reivindicativa para a Administração Pública (CGTP) e STE -- Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (UGT).

As razões que levam as três organizações sindicais a convocar nova greve são as mesmas que justificaram a greve do passado dia 25, e que terá contado com uma adesão de 85 por cento dos trabalhadores do sector. Ou seja, uma proposta de actualização salarial de 2,5 por cento, ligada a um aumento de dois por cento da quotização dos trabalhadores para a Caixa Geral de Aposentações. Embora segundo Sequeira Rosa, contando com a actualização do subsídio de refeição, redução da carga fiscal e descongelamento de carreiras, a proposta do Governo se traduza em aumentos médios de 4,5 por cento na massa salarial, os sindicatos fazem outras contas e respondem que, «na prática, a proposta de actualização é de 0,5 por cento». E as organizações representativas dos trabalhadores reivindicam aumentos de pelo menos 5,5 por cento, número correspondente à taxa de inflação prevista.

Faltaria pouco para as 8h00 da manhã de sexta-feira quando Zé Augusto encontrou, à porta da Escola C+S de Miranda do Corvo, um amigo que brincava com uma bomba de foguete e uma caixa de fósforos. Passada meia-hora, este rapaz dava entrada nas urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra com uma mão completamente esfacelada.

Basicamente, estes são os factos que a ACOP, a Direcção Regional da Educação do Centro, a PSP e a GNR darão a conhecer aos alunos das escolas da região. Para lhes dizer, muito simplesmente, que as únicas brincadeiras que (em princípioƒ) não oferecem perigo são os chamados «estalinhos», as «bombas de riscar na parede» e as «cobrinhas», afinal, os produtos do género que, de acordo com a legislação em vigor, podem ser vendidos a menores de 18 anos.

Tem uma «dimensão histórica única» o congresso que, a partir de hoje, reunirá em Jerusalém personalidades judaicas e cristãs de diversas denominações, para estudar e debater o «papel das autoridades espirituais das duas religiões diante dos novos desafios sociais e científicos». Este primeiro Congresso Internacional Judaico-Cristão, iniciativa conjunta do Instituto Ecuménico Tantur, ligado ao Vaticano, e do Centro de Estudos Sociais e Culturais de Bamot, de Israel, tem a participação de representantes religiosos de 97 países. Entre eles, contam-se os cardeais Joseph Ratzinger, da Congregação para a Doutrina da Fé, e Carlo Maria Martini, arcebispo de Milão, do arcebispo anglicano de Cantuária, George Carey, do patriarca católico latino de Jerusalém, Michel Shabah, e do rabi Rene Samuel Sirat, presidente do Conselho Europeu de Rabis.

Estima-se em 30 mil o número de operários da indústria metalúrgica que ontem aderiram às greves de aviso decretadas pelo sindicato do sector, indicaram fontes sindicais. O sindicato IG Metall informou também que a maior adesão se deu em Hesse, Bade-Wurtemberg, Berlim, Renânia-Palatinat, Baviera e Baixa-Saxónia. Aquele sindicato, que conta com 3,2 milhões de aderentes, exige um aumento nos salários na ordem dos 6 por cento, enquanto que o patronato pretende uma redução atá 10 por cento.

O julgamento de Emilio di Giovinni, o alegado líder de um grupo mafioso da Calábria, em Itália, marcado para ontem de manhã, foi adiado «sine die» na sequência de um recurso interposto pelo advogado, Romeu Francês, que solicita a substituição de uma juíza vogal. No recurso, Romeu Francês alega ausência de imparcialidade do colectivo ao integrar uma juíza que participou na instrução do processo em que Giovinni é acusado de tráfico de droga e de associação criminosa. O recurso suspendeu o julgamento até decisão superior que, na opinião do advogado Alfredo Gaspar só deverá ser conhecida dentro de seis meses. Em breve, o Supremo Tribunal de Justiça deverá pronunciar-se sobre o recurso de extradição de Giovinni para Itália, decidida em Janeiro pelo Tribunal da Relação de Évora. Foi a segunda vez que o julgamento de Emilio de Giovinni foi adiado em Monsanto, que de novo conheceu excepcionais medidas de segurança. Recorde-se que Giovinni afirmou, depois do primeiro adiamento, que temia pela sua vida no caso de a extradição para Itália vir a ser efectuada.

O presidente da Associação Nacional de Ópticos, António Martins, voltou ontem a insistir na necessidade regulamentação do sector óptico, definindo-o como o «único instrumento» que falta em Portugal. António Martins falava na sessão de encerramento do terceiro congresso nacional de óptica ocular, em Lisboa. Uma das principais queixas desta associação prende-se com a ausência de exigências legais que evitem a abertura de estabelecimentos de óptica «sem qualidade técnica e sem profissionais competentes».

Já lhe chamaram destruidora de corações. É Heather Locklear, actriz de Dinastia , T. J. Hooker e, agora, em Melrose Place. Burt Reynolds, Tom Cruise, Andrew Stevens e Scott Baio foram alguns dos seus «affairs». E uma das suas relações mais faladas foi com Rock Hudson, durante a rodagem de Dinastia. Parece que emagreceu muito e perdeu o filho do casamento com o baterista Tommy Lee -- sabem quem é?... o do grupo rock Motley Creiw. Mas Heather já esqueceu Tommy. Quando começou a trabalhar em Melrose Place conheceu Andrew Shue, de quem se apaixonou. É claro, veio o divórcio e a «new life» ao lado do jovem Shue. E tal como na vida real, na nova série Melrose Place ela interpreta uma mulher «sexy», uma destruidora de lares. Mas a este «romance» os telespectadores só poderão assistir quando um canal de televisão português adquirir os novos episódios da série que o Canal Um exibe às quintas-feiras ainda sem a bela Heather.

Ontem, o PÚBLICO dava notícia de novas descobertas arqueológicas em Petra, na Jordânia, que serão cruciais para um novo enfoque sobre as primeiras comunidades cristãs no Médio-Oriente. Hoje, convidamos o leitor a pensar as suas próximas férias como as pensou esta jovem italiana. Note bem: para descer à ravina do templo, que já foi cenário para Spielberg num "Indiana Jones", ainda só a cavalo... ou de camelo.

Entretanto, em Lisboa, também o grupo de coperação consular luso-brasileiro está reunido desde ontem para preparar a visita de Durão Barroso ao Brasil, e da sua agenda faz parte a questão de equivalência de diplomas profissionais em Portugal e no Brasil.

O "sistema Milési" era clássico: o falso banqueiro pagava os juros dos primeiros com o investimento dos segundos. E quando as autoridades fiscais fizeram uma busca aos seus escritórios em Setembro de 1992, o "sistema" esboroou-se, deixando um buraco financeiro acumulado de quase trinta milhões de contos.

Durante dez anos Ulisses deliciou as crianças do jardim zoológico de Barcelona. Não o genuíno, o de Homero, supostamente fundador de Olissipo, hoje Lisboa, mas uma orca macho de seis metros a quem deram o nome dele. Recentemente começou a tornar-se mais agressivo e a perseguir o golfinho fémea que partilha a sua piscina. O diagnóstico foi claro. Ulisses sofre de depressão e por isso será transportado para as mais propícias águas do Sea World, em San Diego (EUA). No domingo, milhares de crianças emocionadas aplaudiram pela última vez as suas acrobacias em terra catalã. A viagem para os EUA começará na estrada, dentro de um tanque, até ao Boeing 747 estacionado no aeroporto de Barcelona, seguindo-se um voo de 13 horas até San Diego.

Tanto o Joker como o totobola podem acumular para a próxima semana, caso se mantenham as previsões do departamento de jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. No caso do totobola, o «jackpot» situar-se-á nos 35 mil contos, enquanto que no Joker teremos 135 mil contos. Esta semana promete bastante, portanto, para os apostadores. Para além destes possíveis «jackpots», começam a ser distribuídos os bilhetes da sétima edição da lotaria europeia. No caso de portugal ser o país sorteado, o vencedor receberá 865 mil contos.

«Meus amigos, socorro! Uma mulher acaba de morrer gelada, esta noite, às 3 horas, no passeio do Boulevard Sébastopol, apertando contra ela o papel que permitiu que anteontem ela tivesse sido expulsa de casa».

Não foi uma luta inglória, a destes 40 e tal anos. Com altos e baixos na sua vida, os franceses elegeram-no como o seu mais querido, colocando-o quase sempre no primeiro lugar da lista das personalidades mais populares no seu país. Na última lista, divulgada domingo passado, Abbé Pierre está à frente do oceanográfico Jacques-Yves Cousteau e do actor Jean-Paul Belmondo.

1994 está a ser um ano de novos e importantes desafios para as famílias norte-americanas. A exigir-lhes um maior protagonismo está, por exemplo, a vaga de programas de âmbito local para prevenção da violência, como os da Fundação para o Bem-Estar, na Califórnia, com um centro já a funcionar em São Francisco.

No caso dos casais divorciados, está em marcha, a nível nacional, um movimento que se propõe promover acordos entre os pais quanto à educação futura dos filhos que pretendem substituir os conceitos de custódia e das visitas em dias aprazados, de tão nefastas consequências.

Os venezianos juram que já conhecem a história de cor, mas os seus govertnantes prometem medidas efectivas para salvar a bela mas condenada cidade.Avalanchas de turistas, o odor dos canais poluídos e a omnipresente ameaça de inundação são apenas alguns dos males que afligem a calma singular de uma cidade conhecida como "Serenissima".

Os governos central e local estarão representados na empresa, que terá um capital inicial de cerca de 50 milhões de dólares e que recebe muito do financiamento e das responsabilidades até agora atribuídos ao consórcio Venezia Nuova (Nova Veneza).

No Tribunal de Coimbra, é hoje lida a sentença do caso dos 16 rapazes acusados de violarem e maltratarem várias prostitutas. Mas se o colectivo de juízes seguir as indicações do Ministério Público, só oito dos arguidos estarão sujeitos a penas.

Cabe aos juízes, no entanto, a última palavra -- e nada os obriga a seguir as indicações do M.P.. A verdade é que houve, no julgamento, matéria bastante para reflectir. Independentemente da fragilidade de algumas histórias contadas pelas ofendidas (dois anos depois, queixaram-se elas, é difícil reconhecer pessoas que as abordaram na escuridão da noite e hoje surgem, eventualmente, com um novo «look»), a verdade é que casos como o de Rosa P., Natália R. ou Rosa B. não devem cair no esquecimento.

A polícia sul-africana apelou ontem à calma após grupos de «vigilantes», decididos a encontrar eles próprios o assassino de mais de 20 rapazes, terem provocado incêndios e de estarem a molestar homens que encontravam nas imediações do bairro mestiço de Mitchell's Plain, nos subúrbios da Cidade do Cabo.

Terá sido o Congresso Pan-Africano (CPA) a apelar à população de Mitchell's Plain para se organizar na caça ao homem. Diz o CPA que a polícia não descobre nenhum suspeito nem leva o caso a sério porque as crianças mortas eram todas negras (ver PÚBLICO de ontem).

Depois do modelo britânico de Que Bem que Se Está no Campo, a série de David Croft e Jeremy Lloyd para a BBC, a SIC apresenta um exemplo do «humor» norte-americano; melhor: um exemplo da comédia à americana, Obras em Casa/Home Improvement, «sitcom» que se estreia amanhã, domingo, ao fim da tarde.

Carmen Finestra e David McFadean são os autores de Obras em Casa; John Paquin realizou e Gayle S. Maffeo produziu, para que se cumprisse o calendário estipulado pela cadeia norte-americana ABC na temporada de 1992-93. Foi cumprido.

«Modesto na vitória, magnânimo na derrota», assim se define Poirot, o «maior detective do mundo». Agatha Christie atribuiu-lhe o rigor. Mas, de «O Caso de Styles» a «Cai o Pano», obrigou-o a atravessar o pior. Fez do antigo chefe da polícia belga a mais britânica das personagens. Tanto como David Suchet, o actor que o interpreta na série que a RTP apresenta.

Uma verdadeira obsessão pela disposição simétrica dos objectos, colarinhos rigorosamente engomados, sapatos de verniz, fatos completos e uma imensa paixão por questões de pormenor, «essenciais para se compreender o todo», são elementos regulares na caracterização de Hercule Poirot. Tanto quanto a «sua cabeça em forma de ovo» ou a arrogância de expressões ditas com a maior naturalidade do mundo: «Sou tão modesto na vitória como magnânimo na derrota, meu caro Hastings.»

No fim de «Round About Midnight», diz-se que o filme é dedicado/ inspirado em Lester Young e Bud Powell. Podia acrescentar-se-lhes o nome de Dexter Gordon. Ao longo de duas horas, deu corpo à personagem de Dale Turner, fez o retrato daquela que podia ser a história de Young ou Powell. E reviu a sua própria vida. Ele, Gordon, «Long tall Dexter», um gigante do jazz, um gigante da vida, mesmo que não tivesse os quase dois metros de altura que tinha. Representava, para o saxofone tenor, quase o mesmo que Charlie Parker no saxofone alto. Era a mudança, a evolução do jazz para o mais profundo dizer; era Gordon, um nome com que se desenhou o «bebop» para que nada mais (nunca mais) voltasse a ser o que fora.

Foi nome para a orquestra de Louis Armstrong, no começo dos anos 40, nome para a orquestra de Billy Eckstine, logo a seguir. Era nome para o jazz da «west coast», terra ainda mais ingrata para os músicos de jazz, para os músicos negros. Como ele.

O que mais surpreende em «Lohengrin» é o binómio simplicidade-eficácia. Parece a ópera mais simples de Richard Wagner. E, no entanto, a simplicidade é apenas aparente. Wagner sabia como ninguém produzir os efeitos mais complexos através dos meios mais singelos. Neste aspecto, «Lohengrin» marca a «despedida» do compositor da ópera romântica tradicional, ao mesmo tempo que esboça já técnicas e ambientes sonoros que seriam explorados no «Anel do Nibelungo». Na próxima segunda-feira, a TV 2 exibe a fabulosa produção de Viena de «Lohengrin», a produção onde se juntam Claudio Abbado, Placido Domingo, Cheryl Studer e Dunja Vejzovik. Um grande elenco para a ópera nascida no Verão passado em Marienbad.

Com a auto-confiança megalómana que o caracterizava, Wagner não se deixou influenciar pelas vozes derrotistas dos seus críticos. A orquestração completa da partitura levaria três anos, mas Wagner nunca perdeu a fé que depositava no projecto. Teria, porém, de enfrentar mais um percalço de peso: estava-se no ano revolucionário de 1848 e as extravagâncias políticas do compositor tinham feito dele «persona non grata» em muitos teatros alemães.

Os «encarnados» acabam de ser afastados da Taça de Portugal. Os «azuis e brancos» mudaram de treinador e vêm de uma vitória moralizadora na Taça. O Futebol Clube do Porto está a quatro pontos do líder, precisamente o Benfica, e uma derrota na Luz poderá deitar por terra a renovação do título. A equipa de Lisboa, depois da derrota no Restelo, frente ao Belenenses, também não pode perder. Até porque o Sporting, que se desloca a Vidal Pinheiro para defrontar o Salgueiros, está a três pontos dos benfiquistas e à espreita de qualquer desaire encarnado. Mais do que o «derby» de Inverno, este Benfica-Porto é um espectáculo que não se pode perder, embora o jogo seja transmitido pela TV2.

A Telarc, que publicou recentemente dois testemunhos da passagem pelo clube Blue Note de Nova Iorque, em 1991, dos Golden Men of Jazz de Lionel Hampton, começou também a editar uma série de gravações pertencentes ao fundo catálogo Who's Who in Jazz, repositório de uma vasta colecção de encontros do vibrafonista com outras glórias do jazz. A lista vai de Earl Hines, Teddy Wilson e Hank Jones a Dexter Gordon, Gerry Mulligan e Coleman Hawkins, passando ainda por Charlie Mingus e Buddy Rich. A estranheza da soma advém do facto de a Telarc ter optado, neste caso, pela política do corta-e-cola em detrimento da simples reedição dos álbuns originais, concebidos sempre em torno das conversas de Hampton com o seu convidado especial.

Trigo Limpo: nome de um grupo de actores profissionais (Carla Torres, Raquel Costa, José Rui, Luís Viegas e Pompeu José). Vêm da Beira Interior. Trabalham no sossego de Tondela e mostram agora trabalho à Grande Lisboa. «À Roda da Noite» é uma antologia de histórias saborosas de Mia Couto. «Os portugueses moçambicanos que eu criara em texto renasciam portugueses em Tondela, genuínos e fantásticos», escreveu o autor depois de ver o espectáculo. O mesmo podia ter escrito José Gomes Ferreira depois de ver «A Partir do Preto», uma viagem pelos versos e prosas do autor das «Aventuras de João Sem Medo». Dois serões calorosos e divertidos para nos rirmos da vida e da morte. Com música ao vivo e cenografias muito originais e imaginativas.

Atenta ao que se passa no resto do mundo, a direcção do Nacional descobriu e acolhe a partir de hoje, na Sala Experimental, um belo trabalho estreado fora de portas, em Massamá, em Dezembro de 93. A capital tem razões para estar grata e deve aproveitar a oportunidade. Não conhece Manuel de Lima? Fica a conhecer um dos mais originais ficcionistas portugueses do século XX. O que melhor soube fazer a síntese realismo-surrealismo-abjeccionismo, a partir de uma história de homens traídos e mulheres infiéis. Quanto a José Carretas e aos actores que dirige, são já um grupo de teatro, o Teatro da Veredas, que não se confunde com qualquer outro. É preciso contar com ele.

1. Tal como acontece com o romance ou com o cinema, também à filosofia francesa é regularmente diagnosticado um declínio sem esperança que se alimenta apenas, ainda, do seu próprio crepúsculo. São lances que se tornou convencional, quase rotineiro trocar entre as várias tradições e comunidades, em geral pouco interessantes uma vez que quase se reduzem à ritualização dos respectivos preconceitos ou ao amparo a mitologias culturais em acelerada decomposição.

É no segundo paradigma -- a que poderemos chamar «comunitário», por oposição ao primeiro, que designaria por «tribal» -- que se encontra hoje a actividade filosófica mais fecunda e criativa. Nele, a filosofia solta-se de um modo determinado e desenvolto da sua história, num movimento em que o apelo da contemporaneidade e dos seus problemas se impõe às querelas erudito-doutrinais e em que a exigência de novas abordagens e a consideração de novos objectos dissolvem os limites que geralmente balizavam, atrofiando-o, o trabalho filosófico.

1. Voltemos à questão do «cultural». Repare-se que não é exactamente o mesmo que a «cultura». Podemos dizer que no nosso tempo existe uma verdadeira inflacção do «cultural». Por outras palavras, assistimos hoje a um culto do «cultural». Isso não significa que se viva num espaço público onde a «cultura» tenha uma verdadeira função. Alguns -- como vimos há pouco com José Saramago a propósito da cultura europeia e das capitais europeias de cultura -- podem mesmo ter uma visão apocalíptica destas coisas, do estilo «quanto mais cultural menos cultura».

2. Um texto recente de Yves Michaud, publicado no número de Dezembro da revista ESPRIT, e intitulado «Des beaux-arts aux bas arts. La fin des absoluts esthétiques- et pourquoi ce n' est pas plus mal», veio colocar a polémica em termos particularmente vigorosos. A intervenção de Yves Michaud é tanto mais significativa quanto parte de alguém que neste momento dirige a École Nationale Supérieure de Beaux-Arts em Paris. A questão que lhe tinha sido endereçada -- pelo próprio director da ESPRIT, Olivier Mongin -- partia mesmo desse espanto: como é possível ter uma visão tão «desestruturada» da arte e estar à frente de uma instituição «estruturante» como é uma Escola de Belas-Artes ?

«Essa day Kayroyje» é o que Miranda Seymour, no Sunday Tines, aconselha as pessoas a dizerem se quiserem pronunciar «Eça de Queirós» à portuguesa. Escreve sobre Eça de Queirós, em particular sobre «O Primo Basílio» , o seu romance preferido, mas com remissões para «O Crime do Padre Amaro» («The Sin of Father Amaro», que classifica como um livro corajoso porque «ataca a sagrada instituição que é o claro português) e para «Os Maias» («balzaquiano»). Sobre «Cousin Bazilio» diz que é uma história de poder trágico como não há nenhuma no século XIX; e que, sendo a semelhança com «Madame Bovary» forte, a mestria técnica de Flaubert é compensada pelo calor e pelo humor que dão mais `pathos' à novela de Eça. Miranda Seymour escreve duas colunas sobre «o poder trágico de `O Primo Bazílio'» de Eça de Queirós porque acha que, embora a crítica britânica faça sempre grandes elogios quando escreve sobre ele, comparando-o sucessivamente a Proust, a Flaubert e a Zola, Eça, que ela imagina sentado a uma mesa de café,de bigode lustroso e expressão desdenhosa, não é suficientemente lido.

Já tinha sido assim em 1988, quando lançou «The Rise and Fall of the Great Powers» («Ascensão e Queda das Grandes Potências», também editado em Portugal). Nesse ano avolumavam-se os sinais de afundamento do império soviético -- que iam multiplicar-se de maneira vertiginosa até ao desaparecimento da própria URSS.

«Luiza Neto Jorge, 1939/1989. Estudou em Lisboa, viveu em Paris entre 1962 e 1970, publicou sete livros de poesia, escreveu para teatro e cinema, traduziu muito», escreve Fernando Cabral Martins, que organizou a obra poética de Luiza Neto Jorge para a Assírio & Alvim. O volume inclui um único texto em prosa («O Facto Importante», publicado no suplemento & Etc. do Jornal do Fundão) e os poemas em francês.

Desde logo, folheando apenas o volume (e ser apenas folheado é um destino habitual dos volumes de poesia), vê-se que uma boa parte do que está lá dentro nunca foi escrita para ficar em livro nem se acomoda, sem mútua violência, à forma e à arquitectura do livro. É o que acontece, sobretudo, com os «Fragmentos» já inseridos por Manuel João Gomes no livro póstumo «A Lume» (editado em 1989) e, agora, com os «Dispersos» que F. Cabral Martins, organizador e prefaciador, agrupou na última secção desta recolha. Tal observação, entendamo-nos, está muito longe de ser crítica, até porque esses dois títulos «ad hoc» e absolutamente previsíveis adquirem aqui uma pertinência inesperada, uma ressonância que vai muito além deles mesmos. De facto, tanto da fragmentação como da dispersão se pode dizer que são motivos, motores, forças ou leis que atravessam e pontuam toda a escrita de Luiza Neto Jorge. E por isso mesmo a relação dessa escrita com a forma, com o espaço do livro, será tudo menos uma relação pacífica ou evidente, ainda quando os seus livros pareçam de uma consistência inabalável. O primeiro, «Noite Vertebrada», dá no título a imagem do motivo que o organiza por dentro, que o sustém como a coluna de um corpo íntegro -- mas não por acaso o último dos «5 Poemas Para a Noite Invariável», que abrem o livro, termina neste verso (partido em dois): «Beijo as espáduas do espaço/ desfeito».

O «best-seller» John Irving (de «O Mundo Segundo Garp», «O Hotel New Hampshire», etc) acaba de provocar um mini-escândalo editorial mudando de editora: passou da Morrow para a Random House levando o seu novo romance, que será publicado este outono («A Son of the Circus»). Segundo o presidente da Random House, Harold Evans, John Irving pode sair da editora nestas circunstâncias bizarras -- uns meses antes de um manuscrito ser publicado -- porque tinha uma cláusula especial no contrato, segundo a qual poderia sair se o responsável pelo seu «editing», Harvey Ginsberg, deixasse a editora. O romance, um dos mais falados para «rentrée», sairá de facto na data prevista, mas na Random House. Harvey Ginsberg foi contratado pela Random House especificamente para trabalhar neste livro.

Para mim era claro, desde o início, que a Contexto tinha que editar autores portugueses e tinha que descobrir autores novos. Se tivemos êxito, o mérito é essencialmente dos autores. Tive a sorte de eles terem vindo ter comigo e não com a concorrência... embora a sorte se ganhe procurando! Mas por cada autor publicado, haverá três que recuso e aí há eventualmente o mérito da selecção, embora corra sempre o perigo de não publicar coisas excelentes...

Nova Iorque, anos 30/40. Um ex-jornalista convertido à publicidade, alcoólico e mulherengo. Encontra na secretária uma «confissão» de coisas terríveis que só irão ocorrer na noite seguinte. Assinada por Philip Banter. O problema é que este Banter é o próprio ex-jornalista, publicitário, alcoólico e mulherengo... De um autor «criminal» dos anos 40, que começou a ser redescoberto 30 anos depois.

«A extrema tensão desta poesia não teme a expor-se aos efeitos devastadores das energias cósmicas. Por isso, os seus poemas são abertos e inacabados, e não é a plenitude que eles alcançam mas a nudez de quem procura sobreviver através da devastação», escreve Ramos Rosa.

Aos 57 anos, Silvio Berlusconi é dono de um dos maiores grupos económicos italianos. A «holding» Fininvest inclui cerca de 150 empresas e emprega perto de 40 mil pessoas.

Cinema -- ReteItalia-Silvio Berlusconi Communications (direitos de distribuição sobre seis mil filmes); 300 salas de cinema

Eram onze horas da manhã e aguardava-se a chegada do Presidente da Índia, Shanker Dayal Sharma. Uma brisa suave fazia ondular o tecto de pano indiano da tenda colocada junto ao seminário de Rachol, em Goa. Nas cadeiras frente ao palco -- discretamente vigiadas por uma segurança aprumada e de luvas brancas --, sentavam-se já os vários dignitários convidados para a cerimónia da inauguração oficial, com todas as honras, a pompa, a circunstância e a dignidade de que a Índia é capaz, do Museu de Arte Cristã de Rachol, o maior e mais rico conjunto de arte sacra da Ásia.

Dayal Sharma -- uma cultura de «schollar», um olhar viçoso, irónico, a contrastar com os gestos fatigados num corpo traído pela idade -- usou de palavras entusiásticas que traduziram o seu empenhamento na concretização desta obra. Ao longo de vinte minutos encantou a assistência com um discurso onde aliou um profundo -- e assumido -- conhecimento da história da presença portuguesa na Índia -- descrevendo, com sabedoria minuciosa, pormenores relativos à arquitectura de algumas igrejas de onde provinham as peças do Museu; lembrou que Goa fora já considerada a «Roma do Oriente», não só devido à profusão e riqueza do seu património artístico como ao facto de a evangelização portuguesa ter dali partido para outras paragens da Ásia. Citou S. Francisco Xavier, declinou uma passagem de Jesus no Sermão da Montanha («In the service of my people do thou serve me») e deu uma formidável lição política de tolerância e respeito, evidenciando o espírito de abertura política e religiosa que caracteriza o seu partido, o Congress (I).

DESTAQUE: Se as nações europeias tivessem mostrado unidade na defesa dos princípios democráticos, apreciação realista dos factos (que se desenrolam à sua porta) e firmeza numa intervenção concertada que punisse o agressor, o massacre bósnio teria cessado provavelmente de há muito. (...) Aqui previ, no Verão de 92, que Sarajevo podia voltar a ser, de novo, a semente do fim de um mundo; como o fora em 1914. Nisso estamos?

Este patente fracasso das intervenções estrangeiras, e certo conluio ocasional croata-sérvio, fez entender aos bósnios que não podem contar senão com a própria força; com surpreendente energia estão rejuvenescendo os seus comandos e reforçando como podem o seu exército, em profissionalismo militar e equipamento; começa a ver-se o resultado disso sobre o terreno; o que lhes confirma a decisão de lutar pela reconquista da sua nação. É gente de fibra, lutando pela sobrevivência: o mundo, ou certa Europa, não contara com isso.

«Não te preocupes, havemos de recuperar» -- dizia-lhe o pai quando o Milan AC perdia um jogo de futebol. Silvio acreditava e continuou a acreditar pela vida fora. Com uma confiança que talvez o tenha ajudado a somar vitórias e o transformou no símbolo do sucesso em Itália. Agora, Berlusconi decidiu lançar-se na política e, mais uma vez, não está interessado em perder.

Sua Emittenza, como é chamado por causa do seu império televisivo, tem o discurso de um vencedor. «Quando decidi comprar o Milan AC [em 1986], era já o homem mais popular de Itália. Tinha três canais de televisão, que entravam em todas as casas do país. 39 milhões e 600 mil pessoas diferentes viam os meus programas todos os dias durante mais de duas horas. Isto para dizer que, se havia uma pessoa que não precisava de comprar o Milan por uma questão de notoriedade, essa pessoa era Berlusconi», afirma o empresário numa entrevista ao «L'Équipe Magazine».

Por um pouco não era demasiada a fartura: durante uma semana, Portugal marcou presença em Goa. De uma forma maciça, substancial, levou-se a cabo a sétima edição do Seminário Internacional de História Indo-Portuguesa, inaugurou-se o (deslumbrante) Museu de Arte Sacra no Seminário de Rachol, ao mesmo tempo que o embaixador de Portugal em Nova Deli, Marcello Mathias, procedia à sua primeira visita oficial ao estado de Goa.

E se a velha geração fala português e mantém intactas, nas casas e no coração, a memória e a saudade do tempo colonial, a geração dos que nos combateram, há trinta anos, continua firme na sua desconfiança hostil. E os jovens de hoje já partiram para outra. Portugal? «Ah, sim, foi há tanto tempo... O meu pai ainda fala português, eu não...»

A glória de ser o «pintor português com a obra mais espalhada no Mundo, talvez apenas com paralelo em Vieira da Silva», não tem trazido até agora proveito de maior ao estudo de Álvaro Pires de Évora. O historiador Pedro Dias, comissário da primeira exposição em Portugal do trabalho do artista português, define-o como «a primeira grande figura portuguesa na arte europeia», o que não impede que este pintor do século XV seja quase totalmente desconhecido no seu país de origem.

O catálogo da exposição -- com textos de Vasco Graça Moura, Pedro Dias, Maria José Azevedo, Michele Luzatti, Mariagiuliana Burresi, Rosário Gordalina e Maria Teresa Lazzarini -- acrescenta algo à história estranha desse pintor quase incógnito. Publicamos fotos de algumas das tábuas. Como o artista assinava, «Álvaro Pires de Évora pintou». P.R.M.

Philip Glass, com Terry Riley, Steve Reich e LaMonte Young, é considerado um dos pais da escola minimalista americana dos anos 70. Hoje, as pessoas tendem a considerá-lo um chato que vendeu a alma por encomenda e se limita a repetir uma fórmula gasta em óperas e mais óperas feitas a metro, onde o termo «música minimal repetitiva» se tornou sinónimo de lassidão e monotonia. A história que se conta nas três obras agora reeditadas é diferente. Quando Glass era um bom contador de histórias sem princípio, meio e fim.

As quatro peças reunidas num dos outros álbuns agora reeditados correspondem a um período anterior, compreendido entre 1968 e 1974, e obedecem às mesmas premissas. Com a diferença de que, ao contrário do som de «ensemble» de «Music with Changing Parts», Philip Glass experimentava combinações instrumentais mais reduzidas: piano e órgão electrónico em «Two pages», órgão solo em «Contrary motion», órgão, saxofone soprano e «live electronics» em «Music in fifths», três órgãos, sax soprano, «live electronics» e flauta em «Music in similar motion». Em termos históricos, a importância destas composições não é menor, já que nelas se enunciava pela primeira vez a libertação das regras até então impostas pelo serialismo ou, de outro lado, pelo abstraccionismo naturalista e radical de John Cage, ao mesmo tempo que era derrubado o dogma que dizia ser Stravisnky o mais longe onde se podia ir em matéria de ritmo, tomado como pulsação.

O novo grupo de João Gil, Ala Dos Namorados, está pronto a arrancar. O disco está gravado e tem edição para breve. São canções sobre Lisboa, entre o passado e a actualidade, com uma intenção de ultrapassar «o fado quadrado». Ao vivo, a estreia é já amanhã. Na Bélgica...

No entanto, algumas comparações serão difíceis de contornar, sobretudo porque todo o projecto assenta na voz de Nuno Guerreiro, uma «descoberta» conhecida de alguns por ter feito segundas vozes para os Diva, ter cantado no disco «Ave Mundi Luminar», de Rodrigo Leão, e ter participado no espectáculo de Carlos Paredes no S. Luiz. Conta João Gil: «O Nuno Guerreiro começou a cantar e nós caímos para o lado. Por isso, também esperamos que os portugueses caiam para o lado, como nós. O Nuno Guerreiro é a voz e quem vai transportar a imagem do grupo.» Mas salienta que tudo isto «só foi possível porque, antes de haver a voz, já havia uma substância».

Evocação tripartida das três culturas que se cruzaram em Espanha durante o século XIII: cristã, árabe e sefardita. Os três corpos que formam a alma unificada dos espanhóis. Pedro Aledo, especialista das culturas musicais mediterrânicas, pretendeu aqui «fazer aparecer os valores comuns dos povos do Mediterrâneo». Para tal dividiu o disco em três partes: um grupo de quatro das clássicas cantigas de Santa Maria, do rei Afonso X; cinco cantigas sefarditas; e um par de poemas «sufi» cantados, de Ibn' El Arabi. Aledo mostra-se visivelmente mais à vontade nos temas árabes (o cantor é natural de Múrcia, também lugar de nascença de Ibn' El Arabi), reverente e contido nos cânticos «sufi» (co-compostos por Abed Azrié, já nosso conhecido de uma das edições do «Folk Tejo»). Pelo contrário, falta força e convicção à sua interpretação das cantigas de Santa Maria, num reportório retomado com frequência e na generalidade com bem melhores resultados por diversos artistas e agrupamentos de música antiga, de Esther Lamandier, à interpretação de referência, pelos Studio der Frühen Muzik. Gravado ao vivo no Thêatre de l'Escoutille, em Marselha, «Tres Cuerpos una Alma» não consegue mostrar o estado da união. E da voz de Aledo apetece dizer que lhe falta corpo. (6)

Eis um disco que poderá constituir uma surpresa para os apreciadores dos Battlefield Band, banda escocesa que já actuou em Portugal no Intercéltico do ano passado e cuja obra se encontra quase toda disponível em compacto no nosso país -- quase toda, mas não toda. «Opening Moves» reúne temas dos três primeiros álbuns que faltam, «The Battlefield Band», «At the Front» (chegou a aparecer em vinilo) e «Stand Easy», gravados para a Topic respectivamente em 1977, 1978 e 1979, antes de os Battlefield entrarem em casa, na editora escocesa Temple, e do estilo mais electrificado que viria, a partir de então, a caracterizar a sua obra, amada por alguns e odiada por outros. Longe vinha o matraquear das caixas de ritmo (atenção, elas não impediram que «Celtic Hotel» fosse um álbum magnífico), o que originava que os Battlefield Band soassem a um grupo folk convencional. Marcantes eram já os teclados (que bem sabe ouvir tocar o velhinho órgão de pedais) de Alan Reid, hoje líder incontestado do grupo, e o violino de Brian McNeill, o génio incompreendido (sem ironia!) da música tradicional escocesa. Numa altura em que apenas estes dois músicos permaneceram firmes nos seus postos, no meio de constantes mudanças na formação, são de reter as vocalizações -- no estilo nasalado típico de muitos cantores tradicionais irlandeses e escoceses, modulada, conforme o caso, pelo «whiskey» ou pelo «whisky» -- de Jamie McMenemy, bem como as prestações de Pat Kilbride e Duncan MacGillivray, respectivamente na guitarra e nas «highland pipes». Quem não souber que se trata do mesmo grupo que gravou a música «electroscotch« de «Anthem for the Common Man» e «On the Rise» é capaz de, aqui, não conseguir reconhecê-los. (7)

Rufino Almeida, aliás, Bau, nasceu numa família de tradição musical. O pai, fazedor de instrumentos, ofereceu-lhe o primeiro cavaquinho. Em São Vicente, Cabo Verde, onde viu a luz há 31 anos, começou a tocar aos nove. Pela mão do pai, que lhe constrói os instrumentos. Com o expressivo sotaque das ilhas, avisa-nos: «Cavaquinho, violão e violino são os meus instrumentos pessoais.» Não era preciso. O disco que acaba de editar -- «Top d'Coroa» --, que chegou a Portugal por via da Sony, evidencia isso mesmo.

Bau recria as músicas eternas de B. Leza. «Acho que músicos como B. Leza são inultrapassáveis. Foi um compositor que fez grandes obras dentro da música cabo-verdiana. Quando fui gravar, o produtor disse-me que as músicas de B. Leza, na Europa, seriam o ideal.»

«Blonde and Beyond» é um disco histórico. Porque é a primeira compilação baseada em lados B, versões alternativas e, em geral, material de segunda classe que, em vez de ser lixo ou mera curiosidade de coleccionador, é um artigo essencial em qualquer discoteca essencial da música pop-rock. Debby Harry foi uma das vozes mais sensuais da new wave, Chris Stein compôs clássicos de irresistível superficialidade e os Blondie combinaram a nostalgia dos grupos de raparigas e do «bubble gum» dos anos 60 com o punk e o disco sound dos 70, numa sucessão de «singles» perfeitos. Isso já toda a gente sabia ou deveria saber. O que se ignorava ou se perdera de vista, e que esta compilação demonstra triunfalmente, é que para além desses êxitos, normalmente na face A dos «singles», outras canções tão boas ou melhores foram injustamente relegadas para segundo plano ou nem chegaram a ver a luz do dia.

Thierry Bertrand e Sébastien Bértrand acabaram de gravar o primeiro álbum, mas podem gabar-se de terem já recebido cobertura alargada nas páginas da «Trad. Mag.». O primeiro toca gaita-de-foles («veuze», variante arcaica da «cornemuse»), instrumento que lecciona no quadro de actividades da associação dos «sonneurs de veuze», e, nalguns temas, oboé. O segundo toca acordeão diatónico e é igualmente professor do seu instrumento -- neste caso, no Conservatório das músicas antigas e tradicionais de Vendeia, região da Bretanha cuja música o duo interpreta a partir do estudo aprofundado das suas características. «Musiques d'Hier pour Aujourd'hui» é, neste aspecto, verdadeiramente um disco de música étnica, na acepção de recolha e tratamento mínimo das fontes utilizadas. Mantida a pureza das formas originais, a acentuação recai no virtuosismo dos intérpretes, mestres no casamento entre os respectivos instrumentos, em combinações intricadas que ainda por cima contam com uma produção atenta às subtilezas dos timbres e das variantes rítmicas. Maravilhosa a sonoridade macia concedida à gaita-de-foles, num músico com as características de Thierry Bertrand, exímio na técnica das ornamentações. «Musiques d'Hier pour Aujourd'hui», sem ser um álbum generalista, é uma obra de consulta obrigatória para quantos já se embrenharam nos meandros da música da Bretanha. (7)

Depois de God Speed My Aeroplane, Jorge Ferraz e Vítor Inácio formaram os God Spirou, com Patrícia Sobral na voz e Carlos Almeida no saxofone. «3Shaken» é primeiro resultado visível dessa nova formação e o seguimento, aperfeiçoado, dos anteriores projectos dos seus elementos. Antes, as canções rock simples eram abafadas pelas barreiras do «feedback». Aqui, não só as palavras são inteligíveis como o som ficou mais límpido, notando-se melhor a que instrumento cabe cada parte da música. E os resultados podem ser curiosos, com a voz e o saxofone a darem uma dimensão pouco habitual a estas correntes. A influência do som americano das bandas de noise é evidente, em especial a aproximação aos Sonic Youth. Mas o resultado final é mais do que uma cópia desses grupos. A exploração da tecnologia é também ela interessante e ganha relevância por ser ainda pouco usual em bandas nacionais. Essa vertente exploratória e o ambiente final criado pelo disco muito devem à produção de Rafael Toral. (7)

Ao contrário do que seria possível deduzir da junção de nomes do fado, do tango, do samba e das mornas num único espectáculo, ainda por cima dessa forma denominado, João Braga assegura que não pretende provar nada. Ou seja, diz que não existe a intenção de afirmar que todas as formas musicais presentes derivam do fado. O que existe é, segundo o fadista, a vontade de mostrar que «o fado não é bairrista, é universal e deixou marcas numa grande quantidade de expressões musicais».

Mantida a pureza das formas originais, a acentuação recai no viNa festa do 15º aniversário dos Xutos e Pontapés, no Coliseu do Porto, a sua presença foi das mais notadas, principalmente quando baixou as calças e continuou a cantar «A Viuvinha». Esse acto tinha subjacente alguma mensagem?

Bom, é verdade que o pessoal se deu muito bem, que a festa foi uma coisa muito bem concebida, com ensaios a horas e esse género de organização não habitual entre nós. Pessoalmente foi uma oportunidade de tocar com pessoas com quem nunca sonhara vir a tocar e dei-me bem com toda a gente. Mas a verdade é que no dia-a-dia, as coisas não se passam dessa forma. Neste meio, há muitas invejas, muitas histórias esquisitas. Em parte, aquela coisa de todos se terem dado muito bem, como se nada fosse, é um pouco hipócrita, admito que sim. Estou a dizer isto, mas, no princípio, quando comecei com os Peste & Sida, achava que era tudo óptimo, não percebia nada de como funcionava o meio. Quando me meti nisto, nem sabia da missa a metade. Agora é que já posso dizer que estou farto do «showbiz», da «máfia» toda...

A capa mostra um visto de estrada nos Estados Unidos, cancelado em 1987. A canção «Friend enemy» depois explica porquê: Reid era na altura a voz dos lendários Black Uhuru, que nessa situação de dificuldade lhe voltaram as costas, provocando o colapso do grupo. Não foi por isso que Junior Reid abandonou a vida artística, que antes pelo contrário intensificou a partir daí gravando discos a solo, produzindo outros artistas e inclusive abrindo a sua própria editora, Jr Records. Agora, 15 anos depois de ter iniciado a sua carreira, lança aquela que é porventura a sua melhor colecção de canções.

Este segundo registo virá marcar uma etapa radicalmente diferente na vida da banda portuguesa. Assim, e a começar pelos próprios elementos do grupo, há alterações. O guitarrista Richard Pedroso e o teclista João Gomes integraram-se definitivamente na formação, faltando agora um baterista (durante as gravações contaram com Bryson Graham, que é músico de estúdio e inclusivamente já tocara com os Sex Pistols). Além disso, embora se continuem a dedicar à música de dança, tornaram o seu som bastante mais pesado.

Ao nível da MTV, os sucessores da explosão Nirvana são grupos como os Stone Temple Pilots, 4 Non Blondes, ou Spin Doctors. Curiosamente, qualquer deles pouco ou nada tem a ver com as características que tornaram os Nirvana importantes. É a geração do «designer grunge», que se multiplicou durante todo o ano passado.

A MTV veio tornar-se numa peça chave deste processo, ao mesmo tempo que consolidava fortemente a sua importância como «idol maker» para os anos 90. Se antes o seu poder já era considerável, com os Nirvana e o que se lhes seguiu o seu papel na indústria tornou-se verdadeiramente incontornável, acabando por vir a redefinir em definitivo os canais por que a música de expressão anglo-saxónica -- e não só -- tem de passar, para ter algum significado nesta década. Esgotado o filão das bandas hard-FM dos anos 80, com as suas extravagâncias visuais (os carros, os penteados, os modelos contratados, a pose fálica) e o seu som de uma agressividade convencional, foi altura de criar novos focos de interesse, e o grunge estava ali mesmo à mão. Provada a eficácia da simplicidade dos Nirvana, foi só começar a descobrir outros candidatos.

Inglaterra, Canterbury, finais dos anos 60. Alguns «hippies», a quem o LSD batera de forma especial, criaram uma fábula «very british» em que a ficção científica, a literatura fantástica, o imaginário da época vitoriana, o jazz e a pop se misturaram para dar origem a um «melting pot» a que se convencionou chamar «movimento de Canterbury». Grupos emblemáticos desta corrente subterrânea do psicadelismo -- que se desenvolveu até ao final da década de 70 e acabou por fazer escola na Europa, em particular em França -- foram os Wilde Flowers, grupo que esteve na base dos primeiros Soft Machine, com Kevin Ayers e Daevid Allen, o louco australiano fundador dos Gong, Khan, Quiet Sun (Phil Manzanera, Brian Eno, Charles Hayward...), Caravan, Egg, Whole World (Kevin Ayers, Mike Oldfield, Lol Coxhill e David Bedford). Hatfield and the North, Gilgamesh e, parentes mais afastados, Lady June, Delivery, Matching Mole (de Robert Wyatt) e Steve Hillage. Nos Estados Unidos, os Muffins são considerados filhos legítimos do movimento.

O tema da alquimia (muito do agrado dos Art Bears, por exemplo) aparece em faixas como «Paracelsus» e «Agrippa» (dois famosos adeptos da Grande Obra), «Tenemos Road» fala de antigas civilizações no planeta Mercúrio, «The Collapso» é uma «cacofonia para amantes do limbo» inspirada nos ritmos das Caraíbas, «nada mal para um grupo de brancos», como ironizam na nota sobre a canção. Uma das coisas mais estranhas é «Squarer for Maud», sobre um computador chamado Maud programado para medir a numisodidade (não vem no diccionário), com uma introdução declamada por Peter Blegavd seguida de um pandemónio de ritmos sobrepostos e micromelodias aquecidas num acelerador de partículas. Há ainda «Binnoculars», dedicado aos miúdos viciados no vídeo que se entretêm a ver a mira técnica da televisão até de madrugada, e «Phlâkaton», um solo de bateria incluído em «Of Queues and Cures» por razões comerciais, com oito segundos de duração, onde não existe qualquer bateria e os sons percussivos são produzidos pela voz (!). A loucura completa, por músicos de altíssima craveira técnica que se deixaram levar pelas asas da imaginação e da criatividade. Essencial. (10)

Os Nirvana são habitualmente responsabilizados por desencadearem o fenómeno «grunge» junto do grande público. Mas o seu sucesso não pode ser desligado da actuação da MTV. Porque foi ela que, no final de 1991, pegou no «clip» de «Smells like teen spirit» e o transportou para a zona de «alta rotação». A bola de neve começou então a rolar e aquilo que, em primeiro lugar, era um acontecimento local, originário de referências e de uma vivência bem específica, acabou por se tornar num fenómeno de implicações planetárias, pelo menos, no mundo ocidental. Uma desvirtuação estava necessariamente implícita quando essa metamorfose teve lugar. E não admira, pois, que bandas como as 4 Non Blondes, Stone Temple Pilots, ou Spin Doctors -- êxitos MTV sucedâneos ao nível da imagem e do som dos pioneiros «grunge» -- sejam agora os maiores beneficiários da tal «revolução».

A geração que veio realmente de um circuito alternativo nos Estados Unidos já não quer ser rotulada de «alternativa». Até porque quem, hoje em dia, faz o possível por utilizar esse termo é sobretudo quem espera vir a facturar com o «boom» que se desenvolveu a partir da explosão Nirvana. Daí a justificação para o título da compilação que saiu no Natal do ano passado em favor da Red Hot Organization, «No Alternative», que, «por acaso», reúne a maior parte dos grandes nomes que saíram nos últimos dois anos do circuito alternativo americano: dos Soundgarden aos American Music Club, passando pelos Smashing Pumpkins e pelos inevitáveis Nirvana.

O tipo de sonoridade e de abordagem musical dos Orb pouco terá a ver com actuações ao vivo (a não ser talvez pela componente visual dos seus espectáculos). Muito menos com álbuns gravados ao vivo, já que não há uma «real prestação» dos músicos envolvidos, antes uma colagem e manipulação de sonoridades geradas electronicamente e pilhadas nos mais variados locais através dos «samplers».

Esta nova edição acrescenta-lhe, no entanto, ainda mais uma paródia: em vez do famoso porco insuflável, que é uma das referências visuais mais importantes de «Animals», em «Live '93» surge ainda, como que pairando sobre a central, um monstruoso bezerro de peluche com ar alienado. Para além disso, o disco está pejado de passagens mais ou menos escondidas de gravações dos Pink Floyd, sendo uma das mais notáveis a frase «we don't need no education», que remete de imediato para o famoso «The Wall», dos mesmos autores.

Embora o grunge seja, hoje em dia, sinónimo de sucesso comercial, as suas origens estão no circuito underground americano e britânico das últimas duas décadas. A fixação em alguns dos heróis desse cenário é uma das explicações possíveis para termos os velhinhos Buzzcocks como banda de suporte dos Nirvana em Cascais.

Filho de uma América branca, da classe média e sem grandes problemas, Cobain teve uma infância idílica na cidade de Aberdeen, no Noroeste do país. Este período dourado acabou, no entanto, por ser estilhaçado quando tinha oito anos e os seus pais se separaram, o que deu origem a ser transferido de casa da mãe para a do pai e depois para as de tias, tios e avós. Com a passagem para a puberdade Cobain veio a revelar-se um «adolescente problema», abraçando a vagabundagem à medida que cada vez mais começava a apreciar o estilo de vida de artista atormentado.

Richard Pinhas, guitarrista e manipulador de sintetizadores e fitas magnéticas, é um dos músicos mais importantes da música francesa, tendência electrónica/planante, mas também, e paradoxalmente, daqueles cuja música envelheceu de forma irremediável. Nos álbuns a solo ou com os Heldon (dos quais, a propósito, gostaríamos que fosse feita a reedição do seu melhor álbum, «Un Rêve sans Conséquences Spéciales»), a música de Richard Pinhas, anterior à do período digital, caracterizava-se por meter no mesmo saco a «Kosmisch Muzik» de Klaus Schulze com o rock luciferino dos King Crimson. Ou seja, Pinhas tocava teclados como o alemão, carregando com mais força nos sequenciadores ultra-amplificados, o que conferia à música um ar mais mecânico e ameaçador, e guitarra como Robert Fripp. «Agnete Nilsson» e «DWW» soam à distância bastante datados. Se por um lado dá gosto saborear no disco dos Heldon o som cheio dos sintetizadores analógicos «Moog» e «E-Mu systems», por outro chega a ser confrangedor o primarismo das composições, geralmente longos automatismos rítmicos produzidos pelo sequenciador, decorados com registos mais ou menos ambientais, culminando com a entrada frippiana da guitarra eléctrica.

Antigos pontas-de-lança da etiqueta Too Pure -- a mesma que lançou P.J. Harvey -- os Stereolab são agora os mais novos filiados da enorme Elektra. No ano passado, editaram dois álbuns, «Space Age Bachelor Pad Music» e este «Transient Random-Noise Bursts With Announcements», onde exploram abundantemente uma estética pop-noise de cariz minimalista. Mas enquanto «Space Age...» parecia uma colagem amontoada de pedaços díspares, de experiências algo inconsequentes, este segundo esforço mostra-se bem mais sólido, juntando aquilo que é um certo terrorismo musical com a necessária dose de audibilidade. Da «muzak naive» dos «sixties» até ao «mantra-rock» devedor de experiências mais ou menos psicadélicas que vão dos Velvet à sua descendência Spacemen 3 (mas mais sarcásticas e menos depressivas), os Stereolab acabam por juntar 62 minutos de óptimos sons fora de tudo o que se tem ouvido nos últimos tempos. Tudo é jogado a partir da perspectiva daqueles velhos discos para testes de aparelhagens -- daí o título do disco --, acabando por se extrapolar o conceito para uma «composição-decomposição-recomposição» da realidade, como se explica na canção «Pack yr romantic mind» (aparentemente, uma canção bossa nova). Mas se tudo isto parece muito complicado, o melhor é ouvir «Transient Random-Noise Bursts With Announcements» e testar a sua capacidade de «encaixe». (8)

O último quarto dos anos 80 testemunhou a emergência de uma nova classe de artistas com a mais variada paleta de cores musicais, mas comungando de uma mesma rejeição dos protótipos femininos convencionais. Centrada na alternativa, esta vaga evoluiu para a exploração temática e estética do lado antes recalcado ou iludido da feminilidade, demonstrando como são, à maneira delas, atitudes e sentimentos que eram tidos exclusivo dos homens -- caso do egoísmo, da violência e do apetite sexual. Embora em extremos quase antitéticos do espectro musical, Tori Amos e Kristin Hersh contribuíram ambas para esta subversão dos géneros, reemergindo agora com trabalhos de fundo em que tais premissas são de algum modo levadas ao limite.

O álbum de estreia de Tori Amos, «Little Earthquakes», investiu numa linha cantores/compositores destilando fragilidade emotiva, sensualidade e lucidez cortante, num formato de canções pop bem confeccionadas. Também há material desse estofo em «Under the Pink», mas logo para começar os dois primeiros singles conjugam imediatismo com traços de singularidade.

«Sleeper» é o segundo álbum dos Tribe, uma banda de Boston que, com o seu primeiro longa-duração, «Abort», mais não logrou do que atingir uma fama mediana no país de origem. A sua formação mista, constituída por três rapazes e duas raparigas -- sendo uma delas a vocalista --, cedo levou a que se estabelecessem comparações com as Breeders de Kim Deal. Contudo, o grupo tem pés para andar por si e, embora não traga nada de novo à música pop/alternativa, não se reduz a uma mera imitação de outras bandas. A voz de Janet LaValley, já apelidada de «sereia», tem algumas semelhanças com a de Siouxsie Sioux mas o paralelo acaba aí.

Tudo recomeçou quando, em Novembro do ano passado, na sequência do êxito alcançado pela versão de «Go West» pelos Pet Shop Boys, a Arista/Bell decidiu remisturar «YAMC» pelos próprios Village People. Assim se deu o tiro de saída para a operação de relançamento do grupo nova-iorquino, originalmente concebido pelos franceses Henry Belolo e Jacques Morali, em 1976. Parece que aterraram em Greenwich Village, procederam a uma tipologia dos mitos machistas norte-americanos e daí resultou a formação deste grupo de «personagens», incluindo do índio ao polícia, passando pelo «cowboy» e pelo motoqueiro, todos moldados segundo um figurino ambíguo, típico do humor camp das discotecas de homossexuais.

Italianos querem patrocinar Benfica -- A empresa italiana de produtos lácteos Parmalat, proprietária do Parma, da I Divisão de futebol, de Itália, mantém o seu interesse em ser o patrocinador do Benfica e diz mesmo que o acordo com o clube da Luz se poderá concretizar «nos próximos dias». A direcção do Benfica, reunida no estádio da Luz, segundo a agência Lusa, escusou-se a comentar a notícia. A Parmalat, que patrocina entre outros o Palmeiras (Brasil), Boca Juniores (Argentina), Penarol de Montevideu (Uruguai) e Videoton (Hungria), também já negociou com o Dínamo de Moscovo e a assinatura do acordo vai ser ainda esta semana. Esta ligação inclui, para além da publicidade estática no estádio moscovita, o direito de opção para o Parma sobre os jogadores da formação russa e um convénio de colaboração técnica entre os dois clubes.

O Palácio de Belém disse ao PÚBLICO que Soares segue no domingo para Yamoussoukro e regressa na terça-feira, devendo participar na nova capital da Costa do Marfim num almoço que reúne todos os chefes das delegações de muitos países que vão aos funerais do velho estadista. Presente estará também, segundo a agência Lusa, o representante especial das Nações Unidas no processo de Angola, Alioune Blondin Beye, que tenciona conferenciar tanto com o Presidente português como com Jonas Savimbi.

Ucrânia adverte a Rússia -- O vice-ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Boris Tarassiuk, afirmou ontem que uma eventual tentativa da Rússia de se aproveitar de tendências separatistas na Crimeia colocaria em causa o tratado de desnuclearização assinado pela Ucrânia. O responsável ucraniano fazia referência à primeira eleição presidencial na Crimeia, realizada no domingo passado e que foi vencida de forma folgada por Iuri Mechkov, partidário a longo prazo de uma ligação do território à Rússia. Tarassiuk sublinhou que o tratado, assinado no dia 14 de Janeiro em Moscovo pelos Presidentes da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, previa nomeadamente a garantia de «integridade territorial da Ucrânia», como contrapartida da sua desnuclearização (ver pág. 9).

Pedro Roseta vai abandonar a presidência da Comissão Parlamentar de Educação até ao fim de Fevereiro. Ainda não tem substituto definido, ainda que a direcção da bancada já tenha feito pelo menos um convite, de resto, rejeitado. Foi a Costa Andrade, o deputado que ainda há poucos dias criticou publicamente o silêncio de Leonor Beleza, cuja recusa foi justificada pelo facto de não ser especialista na área. Posteriormente houve uma sondagem a Pedro Pinto, o ex-líder da JSD, mas nada parece estar ainda completamente decidido. «A questão está a ser equacionada», disse ao PÚBLICO uma fonte social-democrata.

PSD-MADEIRA RECUA -- Os deputados sociais-democratas que vinham invocando a imunidade parlamentar para não prestar declarações no processo instruído pelo Ministério Público sobre o caso das viagens ilegais, decidiram seguir o exemplo dos deputados da oposição que, voluntariamente, responderam positivamente à convocatória do procurador da República. Com esta nova atitude, tomada depois de insistente intervenção do procurador da República, Cunha Rodrigues, os deputados do PSD evitaram que a questão do levantamento da imunidade parlamentar fosse debatida em plenário, revelou ontem o presidente da comissão de regimento e mandatos, Cunha e Silva.

O ex-líder da guerrilha timorense Xanana Gusmão, a expiar uma pena de 20 anos na cadeia de Cipinang, em Jacarta, está para ser libertado e colocado no exílio na Guiné-Bissau, nos termos de um acordo entre a Indonésia e a União Europeia (UE), diz o semanário britânico «The Observer», citando fontes diplomáticas. Como paga da libertação, a UE «abrandará as suas críticas à Indonésia durante a reunião da Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas, este mês, em Genebra, e continuará a fornecer armas ao Governo do general Suharto». O regime de Jacarta mostra-se «altamente sensível» à condenação generalizada de que foi objecto após o massacre no cemitério de Santa Cruz, em 12 de Novembro de 1991, escreve o autor da notícia, Hugh O' Shaughnessy, acrescentando que se aguardam novas provas de atrocidades posteriores, veiculadas pelo documentário de televisão «Death of a Nation». O documentário foi realizado por uma equipa britânica que logrou chegar junto da guerrilha, depois de ter entrado sob disfarce em Timor-Leste e tem exibição marcada para os próximos dias em televisões de dezenas de países.

O ministro da Saúde admitiu ontem, no Porto, a criação de disponíveis nalguns serviços do seu Ministério, mas deu garantias de vir a «reintegrar esses trabalhadores noutras estruturas do ministério», informou fonte sindical. Maria Assunta, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Norte -- que ontem foi recebido no Porto, como agora é hábito às segundas-feiras -- disse à Lusa que Paulo Mendo confirmou «a eventual criação de disponíveis no sector da saúde», no âmbito da reestruturação daquele ministério. O ministro afirmou que os funcionários dos serviços que serão encerrados ou reduzidos «poderão vir a reforçar outros departamentos do Ministério da Saúde», acrescentou Maria Assunta.

Mais de 22 mil doentes de sida em Espanha -- Os casos de doentes de sida registados em Espanha até 31 de Dezembro de 1993 elevam-se a 22.655, anunciou ontem o Ministério da Saúde do país que sublinha o aumento, durante todo o ano passado, do contágio pela via heterossexual. Segundo os dados oficiais publicados no fim do ano, a Espanha é o país europeu que tem o maior número de doentes de sida por milhão de habitantes. Mas a taxa de crescimento durante os anos 80 «começa a atenuar-se», afirma o ministério que, no entanto, ainda não apresentou números que sustentem esta tendência. Dos 3.113 novos casos diagnosticados no ano passado, 10,7 por cento foram-no por via heterossexual, contra 3 por cento em 1986. Do total de casos declarados, 72,8 por cento tinham no momento do diagnóstico entre 25 e 39 anos e 81,8 por cento eram homens. O ministério realça que as pessoas doentes de sida são cada vez mais velhas: em 1986, metade tinham mais de 30 anos, contra 64, 5 por cento em 1993. Entre os 3.113 casos registados em 1993, 62,3 por cento dos doentes são toxicodependentes, 13,4 por cento homossexuais ou bissexuais e 10,7 por cento heterossexuais. A Espanha contará, também, com mais de 100 mil seropositivos, segundo recentes avaliações oficiais.

APÓS 12 horas de mal-entendidos, três zairenses interceptados no domingo com passaportes falsificados começaram ontem à noite a ser ouvidos no aeroporto de Lisboa pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras português, quando faltavam quatro horas para que, como a TAP informara a Amnistia Internacional, fossem repatriados.

Nkashama, estudante, e Charlotte, funcionária pública, já viveram em várias casas, acabaram por fugir de Kananga, no interior, a quatro mil km de Kinshasa, e esconderam-se na capital. Aí, após uma colecta entre todos os familiares, conseguiram o dinheiro para a falsificação dos passaportes -- 200 contos. Fugiram disfarçados com um boné desportivo e um lenço. «Se voltarmos matam-nos no próprio dia», disse Charlotte. «Preferimos que nos prendam em Portugal.»

CONSUMO DE DROGA E TABACO AUMENTA NOS JOVENS DOS EUA -- O consumo de droga e de tabaco aumentou em 1993 junto dos adolescentes norte-americanos. Esta taxa vinha constantemente a descer na última década, revela um estudo efectuado a mais de 51 mil estudantes. Segundo este inquérito, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Michigan, ente 22 a 36 por cento dos jovens não consideram um perigo as drogas ilegais, entre as quais se conta a cocaína.

Há, objectivamente, três indicadores que são únicos nesta região: a população mais jovem da Europa, a mais baixa taxa de absentismo escolar e a maior concentração monoindustrial do país. O que é que foi feito entre 1988 e 1993 para minorar os problemas que estes vectores revelam?

Pela terceira semana consecutiva, os deputados do PSD atravessam os portões do Palácio de S. Bento rumo ao país real que escolheram: o dos fundos estruturais, na sua maioria bem aplicados. A ideia foi lançada numa manhã de Novembro, durante uma conferência de imprensa anunciada com imenso mistério: Duarte Lima, rodeado do estado-maior social-democrata na AR, desafiava a oposição para alinhar em deslocações pelo país, no objectivo de «analisar a aplicação dos fundos estruturais».

O efeito mediático das «excursões» social-democratas perturbou o PS, tendo alguns dirigentes chegado a murmurar se não teria sido melhor política os socialistas terem alinhado nas deslocações. Até na ida ao Vale do Ave, que o PS decidira no início de Janeiro, foram suplantados pelo PSD, que se antecipou. Em resposta, o PS marca uma viagem pela Grande Lisboa, para devolver a leitura que Soares fizera da periferia, e Ferreira do Amaral rodeara. É a corrida ao holofote que, de caminho, proporciona alguns contactos com o país real. Mesmo que o genuíno interesse pelo país real seja o que menos tem a ver com a história. A.S.L.

O facto político do dia acabou por ser a adesão do líder parlamentar do CDS às visitas do PSD. Lobo Xavier sempre dissera que se pudesse participar no guião alinharia. E alinhou com tal convicção que até acusou o seu antecessor, Narana Coissoró, de ser «um céptico». É que Narana não gosta desta conjugação CDS-PSD no terreno, e Xavier não só gostou como elogiou: «Este programa parece-me muito equilibrado. Eu não faria um programa melhor.»

E à medida que a tarde avançava o seu discurso lá foi enriquecendo em pontos de discórdia: «Devíamos ter visto as pequenas empresas. Faltam aqui as empresas que, sendo pequenas, deviam ter condições de viabilidade e não têm.» De facto, as dezenas de pequenas empresas em situação muito difícil no Ave não foram focadas. Xavier lembrou mas nem por isso deixou de estar como peixe na água na caravana «laranja». Saudades da AD? A.S.

Os deputados do PS promoveram ontem um «round» de duas horas pelos «défices» da Grande Lisboa, em resposta aos sucessos de Ferreira do Amaral mostrados na semana passada pelo PSD. Ontem foi a vez da Amadora, hoje é Loures que está em agenda.

Devia-se aproveitar a construção da CRIL para solucionar os casos da habitação degradada, defende o PS.

Depois de duas incursões pelo «país das maravilhas», os deputados do PSD fizeram-se ao Vale do Ave para espreitar a crise. Não propriamente o Vale profundo das empresas falidas ou das subindústrias de vão de escada. Mas O efeito mediático das «excursões» social-democrataso Ave dos sobreviventes que chegaram com a mão aos fundos. Nesta rota, nem um protesto, nem uma bandeira negra, no primeiro dia da descida ao Vale. «Exagerou-se a ideia da crise», diz Duarte Lima, com recados aos empresários, que os há «bons e maus». Mas reconfortante para Lima foi a presença de Lobo Xavier. O CDS lado a lado com o PSD. Uma novidade a acompanhar.

«É muito triste», diz a D. Fernanda, a filha do comendador Oliveira, um símbolo do têxtil de outras eras. Hoje, o grupo está pelas ruas da amargura. Fica o resumo do secretário de Estado da Indústria: «Uma empresa está fechada. A outra não anda longe disso. E a terceira se não é do Pinto e Sotto Mayor anda lá perto.» O parque industrial parece arcaico. Pacheco Pereira aproveita para recordar os tempos da luta operária, num cenário que, nalgumas alas, é de perfeita arqueologia industrial. São 24 horas de trabalho diário e a administração fala de sinais de recuperação. Bendito americano. Mas a modernização ainda é lenta. E os salários escassamente acima do mínimo: 52 contos. Os operários não se queixam: «É pouco, mas é preciso é que ele não falte.» Quer dizer: vá lá, não faliu.

«Os sindicatos dos professores e a construção da profissionalidade docente: novas práticas e novos caminhos para o sindicalismo docente» é o tema de um debate que se realiza hoje na Escola Secundária de Benfica, a partir das 21H00. O debate é promovido por várias dezenas de professores de toda a área abrangida pelo Sindicato dos Professores da Grande Lisboa. Nomes como Jorge Lemos, Ana Benavente, Isabel Antunes, Rui Canário, Sérgio Niza e Vasco Graça participam no encontro. Na direcção do SPGL, apenas António Teodoro, convidado a título pessoal (tal como Paulo Sucena, presidente da mesa da AG) estará presente. O SPGL terá novas eleições em Maio e a iniciativa é apontada por muitos como o lançamento de uma lista alternativa à actual direcção.

«Não estamos aqui para converter maçons nem para laicizar católicos» -- frisou ontem, na abertura do curso «Maçonaria, Igreja e Liberalismo», o arcebispo-bispo do Porto, D. Júlio Tavares Rebimbas. «Estamos aqui à procura da verdade, da parcela de verdade que todos têm, porque a verdade total será noutra instância», concluiu D. Júlio, convidado pela Faculdade de Teologia do Porto da Universidade Católica a presidir à sessão inaugural deste curso de quatro dias, destinado a aclarar as complexas relações entre a Igreja e a Maçonaria.

O Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Norte (STFPN) diz que há «escravatura e exploração de mão-de-obra barata» nas escolas. Nos últimos tempos, generalizaram-se os casos de pessoas inscritas no fundo de desemprego que são chamadas para «tapar os buracos» de funcionamento das escolas.

Por outro lado, o STFPN diz que nem sempre existe a preocupação de adequar o perfil dos desempregados às tarefas para as quais são chamados. Natália Carvalho aponta dois exemplos desta situação: «empregadas do sector têxtil são chamadas para atender telefones no PBX das escolas e operários do sector fabril estão a trabalhar como jardineiros». Aquela dirigente defende, também, que é fundamental saber se as pessoas que são chamadas para trabalhar nas escolas estão preparadas para lidar com crianças e com jovens.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) acusou ontem o Ministério da Educação de infringir a lei da greve, ao dar instruções às escolas no sentido de contratarem substitutos dos grevistas às horas extraordinárias.

A greve dos professores às horas extraordinárias, motivada pelo decréscimo de remuneração a este serviço, tem tido graves consequências no ano lectivo que ainda vai a meio. Foi decretada pela Fenprof no início do ano lectivo e afecta milhares de estudantes em todo o país, que ficaram sem aulas a várias disciplinas. O caso é particularmente grave no 12º ano, por causa das provas de ingresso no ensino superior. Na passada terça-feira, alunos das escolas secundárias de Braga chegaram mesmo a boicotar as aulas em protesto (ver PÚBLICO de ontem).

Como dizem que o Ministério da Educação não cumpriu o que prometeu, os sindicatos da Fenprof resolveram tomar a iniciativa e lançaram a discussão sobre a revisão do estatuto da carreira docente do ensino superior.

Objectivos que significam a exigência de «negociar com o Ministério da Educação soluções que se afastam de uma cosmética economicista sobre os actuais Estatutos da Carreira Docente Universitária e do Ensino Politécnico». Tudo porque os professores estão «fartos das repetidas ameaças do ME e do Governo nestas questões de que têm sido alvo privilegiado algumas categorias do universitário». Desde que, em Março último, «anunciou aos sindicatos a sua intenção de modificar os estatutos de carreira em 1993, sem que, até hoje, tenha cumprido o prazo que a si próprio se impusera» o ministério «criou um nefasto clima de instabilidade».

O presidente da Associação Nacional de Professores do Ensino Básico (ANPEB), o deputado social democrata Lemos Damião, propos ontem mudanças radicais na política educativa.

Na mira da ANPEB estão a Lei de Bases do Sistema Educativo, o Estatuto da Carreira Docente e a orgânica do Ministério da Educação. No caso da lei de bases, é defendida a integração da educação pré-escolar como universal e obrigatória no sistema de ensino, com dois anos de frequência; e que consagre um único ciclo na escolaridade básica.

O estado espanhol e o governo regional da Catalunha decidiram unir esforços para reconstruir, «dentro de um ano e meio», a ópera do Teatro Liceo em Barcelona, a maior sala de espectáculos líricos em Espanha. A Ópera do Liceo foi destruída segunda-feira por um espectacular incêndio. «A nossa tristeza é infinita», comentava ontem o jornal espanhol La Vanguardia que acrescentava, sobre a reconstrução: «Comecemos».

Há o New Leaf, o Digital Audio Broadcasting e mais não sei quantas invenções no sector audio que nem sequer têm nome em português. Porém, no Mercado Internacional da Música em Cannes, ninguém acredita na desmaterialização dos suportes, ou que não se vai vender mais música em discos e nas lojas.

Para ouvir o Nash Ensemble o Grande Auditório Gulbenkian teve uma afluência razoável e entusiasta. E o entusiasmo justificou-se: o grupo de músicos ingleses, célebre e com a provecta existência de três décadas, mostrou mais uma vez que é bom a sério.

Da voz de Sarah Walker ressaltou a perfeição técnica e o "profissionalismo". Devo dizer que esta cantora, com o seu sentido de humor e a sua "coquetterie", é ideal para canções com esses atributos - que não são o caso deste ciclo mahleriano, e muito menos da "Chanson Perpétuelle", de Chausson, que se ouviu na segunda parte. Faltou a comoção, a expressão pungente e lancinante; são atributos que não se conseguem criar com uma mera "pose", é preciso sentir. O resultado - especialmente para quem se deliciara ao ouvir esta cantora no "Spanisches Liederbuch" de Wolf ou nas "Chansons Madécasses" de Ravel, há tempos atrás - foi ligeiramente decepcionante. Mas a maior parte do público não pensou o mesmo, e fez uma ovação.

Uma boa parte dos museus de Lisboa vai receber exposições no âmbito de Lisboa 94. Uma boa parte desses mesmos museus está em obras, mas uma coisa não levou simplesmente à outra. Mesmo sem Capital da Cultura, teria sido preciso renovar instituições onde faltavam sistemas de segurança e iluminação, espaços de exposição, estruturas de apoio aos visitantes. Em suma, onde não se faziam obras há 50 anos. Muito mais será preciso fazer.

Simonetta Luz Afonso -- As exposições que referem encaixam-se no programa da área que as planeou, a área da intervenção urbana.

A segunda eliminatória do Grande Prémio do Fado RTP realizada no Porto acabou, do ponto de vista artístico, por constituir uma agradável surpresa, tendo sido apurados cinco dos oito finalistas. A produção da RTP, contudo, conseguiu estragar a festa, interrompida abruptamente durante mais de uma hora devido a uma avaria técnica. É o habitual fado das broncas televisivas.

Daí a algum tempo, a avaria foi reparada e, no ecrã gigante, Ivone Ferreira e Eládio Clímaco voltaram a aparecer como que para retomar a sessão. Engano. De Lisboa chegavam ordens para aguardar. A RTP tinha começado a transmitir a série «Uma Fenda na Muralha» e o episódio não seria interrompido para retomar a transmissão em directo do Porto. «Não acredito nisto», bradava Erica Brázio, uma das concorrentes, que nessa altura desistira já de imitar o modo de falar petulante, nasalado e de falsete das «tias da linha» e se empenhava em devorar o arroz à valenciana servido numa ceia antecipada em virtude da interrupção. Lá fora, nos corredores, o público -- que antes quase enchera o Coliseu -- começou a debandar. A fadista Maria da Luz seguiu-lhe o exemplo e não ficou para ver o resto da votação.

O Fantasporto 94, Festival Internacional de Cinema do Porto, exibe a partir de sexta-feira cerca de 25 filmes por dia para um público estimado em cerca de 80 mil espectadores, segundo fonte da organização. De acordo com a Cooperativa Cinema Novo, o festival -- que tem início com «The Music of Chance», do norte-americano Philip Hasmas -- vai exibir mais de duas centenas de filmes, alguns dos quais em formato vídeo ou «laser disc», em cinco salas da cidade. A aposta da organização é fazer um festival «menos fantástico» e com mais «generalismo», com uma secção dedicada ao «Panorama dos Filmes do Mundo» e uma extensa amostragem do cinema britânico. Da secção de novos realizadores faz parte «Going Home», sobre a independência da Indonésia, rodado neste país pelo holandês Hans Hylkema. Será também exibido um filme sérvio, violando o embargo comercial decretado pelas Nações Unidas àquela república da ex-Jugoslávia. O Fantasporto 94 fará ainda uma homenagem a Marcel Carné, além de retrospectivas como «Hammer Films», «Monthy Python», «A Tradição Britânica», «O Novo Hiper-realismo» e «Inéditos do Fantástico».

O "Diário da República" publicou ontem o diploma que cria o Instituto Português da Arte Cinematográfica e do Audiovisual (IPACA), instituto público que tem por fim "a execução da regulamentação, a fiscalização e a promoção da actividade cinematográfica" e o "apoio à produção audiovisual". A criação do IPACA decorre da promulgação da nova lei do cinema, em Outubro do ano passado, que substitui a anterior Lei de 1971.

Sóbria e elegante, a exposição sobre os monumento e locais portugueses inseridos no património mundial leva visitantes e trabalhadores da UNESCO a quedarem-se mais do que previam pelo átrio "Miró" do Centro Unesco, em Paris. A exposição, concebida pelo Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR), foi inaugurada na segunda-feira à noite pelo director-geral daquela organização internacional, Frederico Mayor.

Portugal é um dos 136 Estados que assinaram já a Convenção de Protecção do Património Mundial da UNESCO, texto jurídico pelo qual os assinantes se comprometem "a proteger nos respectivos territórios os monumentos e os locais com um valor tal que a sua salvaguarda diz respeito a toda a humanidade". A sua história é ainda recente. Tudo começou nos 60, quando se descobre que a construção da barragem de Assuão, no Egipto, vai submergir os monumentos de Núbia. Pela primeira vez, a comunidade internacional apercebe-se a que ponto tal perca é irreparável, não só para o Egipto e para o Sudão, mas também para a humanidade.

O processo Ovarense-Sporting poderá tornar-se mesmo num caso exemplar das polémicas transferências de jogadores no futebol português. A direcção da Federação Portuguesa de Futebol decidiu ontem convocar uma assembleia geral extraordinária, remeter para os vários órgãos toda a documentação do «caso» Luís Manuel e ainda enviar o processo à Polícia Judiciária.

O Sporting será notificado durante o dia de hoje quanto à decisão que a direcção da FPF proferiu na passada sexta-feira, referente à obrigatoriedade de o clube de Alvalade indemnizar a Ovarense em cerca de 94 mil contos. A partir de hoje e num prazo de oito dias, o Sporting terá que cumprir a sua parte se não quiser ver as receitas dos seus jogos congeladas e continuar impedido de inscrever jogadores. «Nós não alteramos a nossa decisão, mas ela não fecha a porta caso os dois clubes consigam chegar a acordo», adiantou Vítor Vasques, para confirmar ainda ter «reunido na FPF, na passada segunda-feira, com elementos da Polícia Judiciária».

Rodou ontem pela primeira vez na pista de Silverstone, em Inglaterra, o novo McLaren MP4/9, equipado com o motor Peugeot, que vai cumprir esta época de Fórmula 1. Ron Dennis e Jean Pierre-Jabouille, os «patrões», respectivamente, da McLaren e da Peugeot, estiveram na apresentação do carro, tendo a seu lado o único piloto confirmado para esta temporada, o finlandês, Mika Hakkinen. Ontem ainda, mantinha-se a dúvida sobre a eventual inclusão do francês tetracampeão mundial Alan Prost na equipa da McLaren. Ron Dennis foi claro quanto ao interesse da escuderia em assegurar o concurso do famoso piloto: «Há vantagens comerciais em ter um francês na equipa, mas quanto a Prost sabemos que há algumas barreiras para ultrapassar. É necessário saber se ele quer correr e resolver os problemas relacionados com o contrato que o liga à Williams. Quanto aos objectivos para a temporada, Ron Dennis não se mostrou muito ambicioso: «Será uma desilusão se não ganharmos pelo menos uma corrida.» Às 13h28 (hora portuguesa), o McLaren iniciou o primeiro dos muitos testes que irá efectuar, com Mika Hakkinen a rodar com pneus de chuva, numa tarde muito ventosa.

O nome é significativo. Não se trata de um comité que vá dedicar-se a discutir o sexo dos anjos. É antes uma unidade operacional encabeçada por Erich Epple, ex-delegado da transportadora aérea Swissair na extinta URSS, e pelo escocês Ernie Walker, director-executivo e elo de ligação entre a EEAB e a UEFA.

Demorou, mas o museu e sala de troféus do Sporting acabou mesmo por ser inaugurado. Foi ontem, nove meses depois das obras estarem concluídas, e contou com a presença do Presidente da República, Mário Soares.

A seguir, os discursos, primeiro por Sousa Cintra, que começou por agradecer a presença de Mário Soares (o verão «quente» da Luz e a indisponibilidade do Presidente adiaram a inauguração). Bastante mais contido que em outras ocasiões, Cintra considerou ser este «um dia histórico para o Sporting e para a massa associativa», a quem agradeceu a ajuda prestada, bem como aos empregados da casa, afinal a mão-de-obra utilizada na construção. Ganhou então fôlego para classificar o clube como a «maior referência do desporto português, pelos serviços prestados à nação portuguesa». «O Sporting é o clube mais ecléctico de Portugal, da Europa e talvez de todo o mundo», foi o último chavão do seu discurso.

Roy Evans, de 45 anos, foi nomeado na segunda-feira para novo treinador do Liverpool, clube da Premier League inglesa de futebol (equivalente à I Divisão portuguesa), em substituição de Graeme Souness, de quem era adjunto. A contestação dos sócios pelos maus resultados obtidos pelo clube e a recente eliminação da Taça de Inglaterra estiveram na origem do pedido de demissão de Souness. Evans foi jogador do Liverpool na posição de defesa e desde 1973 exerce funções nas equipas técnicas que passaram pelo Liverpool. «Estou bastante contente por estar à frente deste grande clube. Simplesmente o melhor do mundo. O meu objectivo é repor o Liverpool na alta roda, de onde não deveria ter saído», declarou Evans, que vai cumprir um contrato de duas épocas e meia.

Ao ajudar a sua equipa a vencer (90-85) os Mavericks em Dallas, marcando 24 pontos, Dominique Wilkins, dos Atlanta Hawks, tornou-se o 11º basquetebolista em toda a história da NBA a ultrapassar a barreira dos 23.000 pontos. Kevin Wills (17 pontos e 16 ressaltos) e Mookie Blaylock (18 pontos) contribuíram igualmente para o sucesso dos Hawks, líderes da Divisão Central, que estão em apertada luta com os New York Knicks -- ambos têm 11 derrotas -- pelo lugar cimeiro na Conferência Ocidental. Quanto aos Mavericks, pouco há a dizer de uma equipa que é só a pior da Liga, com três êxitos em 43 partidas já disputadas. Em Detroit, os Pistons baquearam frente aos Cleveland Cavaliers, por 103-107, e continuam irreconhecíveis, apesar do inconformismo de Joe Dumars e Isiah Thomas, que obtiveram, respectivamente, 29 e 22 pontos. No outro encontro da jornada de segunda-feira, os Golden State Warriors derrotaram os Clippers em Los Angeles, por 110-96. Latrell Sprewell (32 pontos) foi decisivo para o bom resultado dos Warriors, bem ajudado por Chris Webber (20) e Billy Owens (19). Nos Clippers, Ron Harper (19) e Danny Manning (18) foram os mais produtivos de uma equipa que só concretizou 43 por cento de lançamentos de campo.

David Roberts, presidente dos Comité Organizador dos Jogos Olímpicos de Sydney/2000, em entrevista ao PÚBLICO

As benesses aos competidores não se ficarão por aqui: a cidade oferecerá passagens aéreas (de e para Austrália) a dirigentes e a todos os atletas e aos seus equipamentos (tais como cavalos ou barcos). E para dar um tom ecológico ao evento, os organizadores contam com o apoio da organização de defesa do ambiente Greenpeace, que patrocinou o «design» da aldeia olímpica, onde a energia eléctrica provirá de co-geradores solares-termais; 50 por cento da água consumida será reciclada; e o lixo receberá tratamento directo no local, no mais avançado plano de desenvolvimento urbano no mundo.

A Comissão Europeia acolheu favoravelmente o estudo dos peritos a quem encomendou um estudo sobre os transportes aéros. O estudo agradou especialmente os mais liberais e o porta-voz do «comité de sábios» defende que o que é preciso é ser tão competitivos como os americanos. «Não temos complexos, mas é preciso mudar a nossa mentalidade...»

Contando à partida com o apoio entusiástico dos ingleses, os mais firmes defensores da abertura do sector à concorrência, a tese dos peritos esbarra contra a pretensão francesa de travar o processo de liberalização durante a actual crise, nomeadamente através de um congelamento de capacidades. Esta tese prende-se com a convicção de que várias companhias europeias estão à beira do estrangulamento devido à conjugação de factores como o aumento de capacidades -- superior a 50 por cento, entre 1987 e 1991 -- e o processo de abertura do sector que entrou há um ano numa fase decisiva com a liberalização de tarifas e rotas.

O ex-ministro dos Transportes Oliveira Martins diz que injectar 180 milhões de contos «não é o mesmo que fazer estradas». O presidente do maior sindicato da companhia, considera o estudo dos peritos europeus sobre o sector de «extrema direita». São duas das primeiras reacções ao trabalho do «comité de sábios».

O dirigente do SITAVA salienta, no entanto, que há aspectos «interessantes» no relatório, como, por exemplo, a questão do espaço aéreo europeu único, «um conceito cuja concretização poderia permitir às companhias pouparam muito dinheiro», mas considera que «esta é uma questão de difícil resolução».

O mercado accionista da Bolsa de Frankfurt terminou com um comportamento misto e o índice DAX-30 a subir 0,1 por cento. A explicação para uma valorização tão reduzida resida na evolução do mercado de futuros, que este em baixa, desmotivando, portanto, alguns investidores a entrarem no mercado e levando-os, pelo contrário, a realizarem mais-valias. As acções da BMW, como é natural, continuaram muito procuradas, depois da compra da Rover.

Tal como previram a maioria dos analistas, as acções do Banesto dominaram a sessão de ontem. Regressaram ao mercado depois de terem sido suspensas a 28 de Dezembro de 1993. No início da sessão, as acções do banco intervencionado desceram significativamente para um valor próximo das 350 pesetas quando, antes da suspensão, se negociavam à volta das 1.990 pesetas (ver pág. 35). O índice geral do mercado reflectiu estes e outros aspectos, caíndo 1,96 por cento.

O mercado nova-iorquino de acções foi ontem sustentado pela publicação de alguns resultados trimestrais de diversas empresas cotadas, bem como pelas declarações do presidente Bill Clinton, segundo as quais não existe qualquer sinal de pressão inflacionista. Mas como as recentes valorizações eram excessivas, o mercado, a meio da sessão, procedia a importantes acertos. O índice Dow Jones cotava-se nos 3970,48 pontos, menos 0,2 por cento.

A sessão foi bastante activa, com as trocas a sucederem-se a bom ritmo. Os preços dos papéis é que desceram logo que ficou expressa a vontade dos investidores de começarem a proceder a uma correcção dos ganhos acumulados durante os dias anteriores. As cotações, segundo operadores, deverão continuar a cair durante o dia de hoje, mas o início de um novo período de compras também está para breve. Os investidores não dispõem de outras alternativas.

O regresso, ontem, das acções do Banco Espanhol de Crédito (Banesto) à cotação na bolsa, desde que em 28 de Dezembro, foi suspendida a transação de títulos e o banco emissor de Espanha interveio na entidade, foi marcada por grande surpresa e alguma euforia: no final da sessão a cotação era de 855 pesetas (cerca de 1068 escudos) e foram transaccionadas 3,8 milhões de acções.

A animação da bolsa da capital espanhola, ontem repleta de jornalistas, câmaras de televisão e fotógrafos, fora de alguma forma anunciada por vendas anteriores de 1,5 milhões de títulos a crédito, que nas operações da primeira sessão do regresso do Banesto, foram largamente compensadas pela recompra.

A Casa Branca e a Reserva Federal (FED), a autoridade monetária dos Estados Unidos, não se entendem quanto a uma eventual subidas das taxas de juro e quanto às pressões inflacionistas. «Não pensamos que seja necessário aumentar as taxas de juro e esperamos que as taxas de juro e a inflação se mantenham baixas e que o crescimento aumente», disse o porta-voz da Casa Branca, Dee Myers, comentando as afirmações do presidente da FED, Alan Greenspan, que afirmou que de «um momento para o outro» as taxas de juro no país deverão subir como prevenção de possíveis tensões inflacionistas. Lloyd Bentsen, secretário norte-americano do Tesouro (o equivalente, nos governos europeus, a ministro das Finanças), alinhou com Greenspan e considerou que a subida das taxas será «modesta» e não passará de uma «medida preventiva». Também o Presidente Bill Clinton se opõe a uma alteração para cima das taxas de juro, considerando que não há pressões inflacionistas. Entretanto, o vice-presidente da FED, David Mullins, anunciou que se demitia de todas as funções, não tendo explicado os motivos que o levaram a tal.

O BCI - Banco de Comércio e Indústria avisa que por escritura pública de 17 de Janeiro foi aumentado o capital social de 26.670.888.000$00 para 31.116.036.000$00 mediante subscrição reservada aos acionistas. De acordo com os termos da escritura, o artigo 4º do pacto social da sociedade passou a ser conforme com o novo capital social realizado.

Depois de a 19 de Janeiro se terem movimentado aproximadamente 18 milhões de contos em acções das empresas Lacto-Lusa e Lacto-Açoreana, ontem, novamente no mercado sem cotações da Bolsa do Porto, foram intermediadas mais acções das mesmas empresas avaliadas em aproximadamente 13 milhões de contos.

Quanto ao mercado em contínuo, foi notório mais um empurrão no sentido do reajustamento, que aliás ontem tomou uma forma quase definitiva. Pela terceira sessão consecutiva os índices desceram, o que para os fundamentalistas da análise técnica demonstra que o vector está agora a corrigir a alta que o caracterizou nas últimas semanas. Este «momento» poderá durar duas semanas, estando bastante dependente da duração e amplitude da correcção.

O dólar apresentou-se ontem novamente pressionado pelas expectativas quanto ao anúncio em breve do tão esperado pacote de medidas económicas no Japão, agora que parecem afastadas as tensões políticas nipónicas. As declarações de Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal, contribuíram também em parte para o recuo do dólar contra a generalidade das restantes divisas, por não ter fornecido qualquer pista aos mercados sobre quando será possível subir as taxas de juro nos Estados Unidos, apesar de as ter considerado anormalmente baixas. Entretanto, aguarda-se o resultado da passagem por Tóquio, do representante norte-americano para as conversações comerciais entre os dois blocos, Mickey Kantor.

Os trabalhos do «cluster» da madeira e os primeiros sinais conhecidos do diploma legislativo que vai regular a Política Florestal Nacional estão a animar os agentes da fileira florestal. O fim do ciclo de inércias que levaram à exaustão do mais importante recurso natural do país parece estar a acabar e os silvicultores e industriais preparam-se para lançar hoje no Porto os primeiros planos para o futuro.

Apesar de rendibilidades passadas não constituírem uma garantia de rendibilidades futuras, claramente, em 1993, quem aplicou as suas poupanças em fundos de investimento de acções nacionais foi quem mais lucrou. Ontem, a Bolsa de Valores do Porto e a Associação das Sociedades Gestoras de Fundos de Investimento Mobiliário divulgaram um estudo sobre a «performance» dos fundos comercializados, em Portugal, que aponta nesse sentido. Tomando em consideração metodologias adoptadas internacionalmente, estatísticas de enquadramento e de risco, entre outros aspectos, o documento, que passará a ter uma periodicidade mensal, recusa-se, porém, a hierarquizar os «melhores» e os «piores» fundos, porque segundo os seus promotores «tal não faz sentido». Mas as variações aí estão, convidando, se não mesmo sugerindo, a elaboração de um «ranking» que defina, em concreto, os «bons» e os «maus».

No curto prazo, onde se enquadram os fundos de tesouraria nacionais, o que registou o melhor comportamento foi o Barclays, com 12,74 por cento. Em segundo e terceiro lugar aparecem o Sotto Tesouraria (BPSM) e BCI Tesouraria, respectivamente com 11,77 e 11,76 por cento. Também nesta família de fundos, nenhum dos instrumentos de tesouraria internacionais geridos através de sociedades portuguesas cumpriram um ano. Por fim, o melhor fundo misto foi o Fundo Capital (Mello Fundos), com 25,39 por cento, seguindo-se o Valor Mais (Sogeval), com 12,76 por cento. Os outros dois fundos mistos são o Poupa Invest (União de Bancos) e o Invest (BNU), que entre 31 de Dezembro de 1992 e o último dia de 1993 ganharam 9,18 e 9,51 por cento.

A sessão do Mercado Monetário foi caracterizada por uma certa volatilidade das taxas de juro nomeadamente no que concerne ao " curto prazo" enquanto nas maturidades mais dilatadas se assistiu a um ligeiro decréscimo nas taxas de juro.

A Radiomóvel lança oficialmente no próximo dia 8 a primeira rede de serviço de radiocomunicações, conhecido por «trunking», e que se destina essencialmente às empresas com frotas.

No final de 1993 o «ranking» das dez maiores seguradoras do mercado português era encabeçado pela Império, do grupo Mello. O valor da produção alcançado por esta empresa durante o ano passado foi de 68 milhões de contos, mais 23,5 por cento face ao período homólogo de 1992. Na segunda posição da tabela encontrava-se a Fidelidade, do grupo Caixa Geral de Depósitos, com uma produção de 65,2 milhões de contos e uma valorização de 34 por cento.

A fechar a lista das dez maiores está a Metrópole, com um crescimento de 23 por cento. Se adicionarmos todas as produções destas empresas atinge-se o valor de 383 milhões de contos, mais 24 por cento face ao montante alcançado em Dezembro de 1992. R.V.

«Recebi os vossos recados e posso dizer que o Governo vê com o maior interesse a complementaridade às prestações da Segurança Social, a qual deverá passar por um quadro fiscal da maior estabilidade». Foi nestes termos que o secretário de Estado da Segurança Social, Fernando Teixeira de Almeida, se referiu ao conteúdo da intervenção do presidente da Associação Portuguesa de Seguradoras (APS), Ruy de Carvalho, na sessão de apresentação de um estudo sobre o financiamento da Segurança Social, encomendado por aquela associação.

A solução encontrada pelos autores -- sem ter em conta as alterações introduzidas em Setembro passado no sentido de aumentar o período de vida activa das mulheres, de penalisar os trabalhadores independentes e de reduzir as pensões de grupos de pensionistas -- tomou apenas como alternativas a possibilidade de «uma descida do nível médio de prestações» aos reformados e o «encurtamento do tempo de reforma por meio do aumento da idade de início de direitos».

A radioactividade libertada durante o acidente que teve lugar a 26 de Abril de 1986 no reactor nuclear de Chernobyl foi pelo menos quatro vezes maior do que pretendem as anteriores estimativas e o núcleo do reactor sofreu na ocasião uma fusão total. Estas duas conclusões constam do trabalho de um cientista norte-americano que passou 18 meses a estudar as ruínas da central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, e que foi agora divulgado no jornal «Boston Globe».

Como resultado, a radioactividade libertada foi «quatro a cinco vezes maior do que as anteriores estimativas publicadas, confirmando as suspeitas de muitos investigadores, mas sempre negadas pelas autoridades internacionais e soviéticas», escreve o «Boston Globe».

A agência espacial americana NASA transferiu 990 mil dólares (173 mil contos) da Organização de Defesa de Mísseis Balísticos para o programa Delta Clipper, cujo objectivo é desenvolver um foguetão que descola e aterra na vertical. A Organização de Defesa de Mísseis Balísticos é a agência responsável pelo antigo programa antimísseis Iniciativa de Defesa Estratégica -- mais conhecido como «Guerra das Estrelas».

Um responsável da Defesa disse que a McDonnell Douglas iria começar a remover o seu equipamento de lançamento do Centro de Lançamento de Mísseis de White Sands, no Novo México, onde está a ser desenvolvido o DC-X, se a NASA não tivesse disponibilizado os fundos para o prosseguimento do programa. «A solução adoptada impede o desmantelamento do programa durante os próximos tempos, até que a NASA decida o que quer fazer», disse o mesmo responsável, que pediu para não ser identificado.

Os Estados Unidos e a Rússia iniciarão amanhã, a bordo do Discovery, a primeira missão conjunta após 18 anos de interregno. A saída será feita a partir do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral (Florida, EUA), às 13h10 (hora de Lisboa). A tripulação, composta por seis pessoas, incluiu o cosmonauta russo Serguei Krikalev.

Esta missão marca também a segunda vez que astronautas e cosmonautas voam lado a lado no espaço. A primeira vez teve lugar em 1975, quando as naves Apollo e Soyuz se ligaram em órbita. Na altura, as tripulações realizaram diversas experiências comuns, mas o grande acontecimento que a imprensa relatou foi o aperto de mãos entre as equipas dos dois países.

A realidade virtual é um mercado de futuro. Investigadores e indústria concordam neste ponto. É a propósito do presente que as opiniões de dividem: os primeiros continuam fascinados a explorar o sonho e a garantir soluções para os problemas de amanhã, os segundos gostariam de soluções para os seus problemas de hoje.

Cruz-Neira sintetizou numa curta apresentação o sentimento geral de todos os intervenientes no domínio da realidade virtual (VR): o futuro da VR passa pela criação de aplicações práticas a curto prazo.

A França declarou-se ontem «chocada e indignada» como assassínio de um jornalista francês na Argélia. Olivier Quemener foi morto e o seu colega australiano Allan Scott White ficou ferido -- e, segundo as mais recentes informações, encontra-se em «estado grave» -- na sequência de um ataque num bairro de Argel, considerado um bastião do movimento fundamentalista. Quemener, um operador de câmara que trabalhava para a cadeia norte-americana de televisão ABC-News, foi o 27º estrangeiro vítima de um ataque mortal na Argélia.

O atentado de ontem não tinha ainda sido reivindicado ao fim do dia, mas poderá ser entendido como uma resposta à escolha do general Liamine Zéroual, ministro da Defesa, para a Presidência. As primeiras reacções ao nome de Zéroual foram de prudência e a maior parte dos observadores mostrou-se convencida de que o novo chefe de Estado poderá iniciar o diálogo com os sectores mais moderados do movimento fundamentalista.

Possível ofensiva de Primavera dos muçulmanos, mobilização geral sérvia, croatas ao ataque. Na Bósnia, a guerra total para conquistar território parece ser, de novo, o recurso dos beligerantes. As negociações de paz e as soluções políticas patinam entre um impasse e outro.

As palavras do líder sérvio seguem-se à decisão de segunda-feira de mobilizar «a totalidade da população mobilizável», mulheres incluídas, para «acabar com a guerra o mais depressa possível». Segundo Karadzic, esta mobilização é «para o trabalho ou para a guerra», mas restam poucas dúvidas de que é a segunda opção que tem em mente.

A primeira ministra paquistanesa, Benazir Bhutto, denunciou ontem em Genebra a «brutal» repressão militar indiana em Caxemira e exigiu uma pressão internacional para que a India retire as suas tropas da região e aceite uma solução pacífica para o problema.

A propósito das negociações recentemente iniciadas entre o seu governo e Nova Deli, Bhutto referiu em conferência de imprensa ter dito ao primeiro-ministro indiano, Narasimha Rao, que «é preciso ligar o processo de negociação a um abrandamento da repressão» e lamentou «constatar que a repressão não diminuiu», razão porque foi a Genebra para depor na comissão.

As forças bósnias muçulmanas (Armija) reclamam-se de 200 mil combatentes, mas o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres (IISS) calcula os seus efectivos operacionais em 65 mil homens. Cercados em Sarajevo, mas em ofensiva na Bósnia central, os muçulmanos têm obtido sucessos militares nos últimos meses, graças a uma maior profissionalização da Armija e à depuração de «senhores de guerra» e «chefes de bando» que ocuparam inicialmente postos de comando.

A milícia croata bósnia (HVO) dispõe de cerca de 50 mil homens e de 50 tanques. Os muçulmanos acusam a Croácia de abastecer a HVO e de ter enviado mesmo tropas regulares para a Bósnia, mas não há provas conclusivas. Zagreb diz que há apenas 1500 voluntários vindos da Croácia. No entanto, o novo comandante da HVO, Ante Roso, enviado para restabelecer o moral das tropas, veio da Croácia.

José Ayala Lasso, embaixador do Equador junto das Nações Unidas, foi ontem nomeado pelo secretário-geral da ONU, Butros-Ghali, para o recém-criado posto de Alto Comissário para os Direitos do Homem. A criação do lugar foi defendida especialmente pelos Estados Unidos durante a conferência mundial de Viena sobre direitos humanos, realizada em 1993. Ayala Lasso tem 61 anos e foi ministro dos Negócios Estrangeiros do seu país entre 1977 e 1979.

O Presidente russo, Boris Ieltsin, completou ontem 63 anos e recebeu dois enormes ramos de flores do primeiro-ministro Victor Tchernomirdine, e do presidente da câmara baixa do parlamento, Ivan Ribkin -- um conservador e um ex-comunista, respectivamente. Foram ofertas ditadas pelos lugares que ambos ocupam, mas em que os comentadores viram mais um sinal do afastamento entre Ieltsin e os reformistas. Aliás, a nova composição do conselho de segurança da Rússia, o órgão superior do país em matéria de segurança interna e externa, ontem anunciada, é eloquente: entre os 11 membros, só o chefe da diplomacia, Andrei Kozirev, pode ser identificado como próximo dos reformistas.

Tutsis enfurecidos com a decisão governamental de afastar cinco juízes do Tribunal Constitucional, adversários da escolha do novo Presidente, levaram o caos a Bujumbura onde oito dezenas de mortos se juntaram às dezenas de milhares dos últimos quatro meses.

Melchior Ndadaye, o primeiro Presidente pertencente à maioria étnica hutu, foi assassinado no dia 21 de Outubro por oficiais tutsis das forças armadas, na sequência de um golpe de Estado falhado e a poucos meses da realização de importantes eleições democráticas.

A Coreia do Norte, em mais uma diatribe contra os Estados Unidos, ameaçou ontem recuar nos recentes «compromissos de boa vontade» quanto a autorizar a inspecção internacional de instalações nucleares e ergueu de novo o espectro do abandono definitivo do Tratado de Não-proliferação Nuclear (NPT).

Se Washington quebra as suas promessas, ameaça Pyongyang, a Coreia do Norte também deixa de estar vinculada às promessas que fez.

Milhares de pessoas celebraram ontem o regresso triunfal de Khomeini ao Irão, há 15 anos, após um longo exílio em Paris. Mas, no meio da multidão, um jovem não quis festejar e disparou seis tiros para o ar. Não feriu ninguém e foi apenas identificado como inimigo da revolução.

Podia ter sido pior. Testemunhas contaram à agência Reuter que os tiros foram disparados a cerca de 50 metros de distância da plataforma onde o Presidente discursava. Rafsanjani, que em 1981 sobreviveu, com ferimentos no estômago, a um atentado que matou quase todo o Governo, não se mostrou perturbado. Apelou à calma e retomou o discurso, aproveitando a oportunidade para condenar os que criticam a sua política.

Vladimir Jirinovski poderá não ter o poder para concretizar as suas ameaças apocalípticas, mas a sua última cruzada recorda a Moscovo e ao Ocidente que não podem ignorar o nacionalismo russo quando avaliam a crise na ex-Jugoslávia.

«Gostaria de repetir aos governos de alguns países ocidentais que o uso da força não os ajudaria», ameaçou Jirinovski, durante um comício realizado na segunda-feira, em Bijeljina. «Se uma única bomba cair nas cidades da Bósnia... aviso-os de que isto significa declarar guerra à Rússia e de que os puniremos por isso.»

Yitzhak Rabin e Yasser Arafat estão entre os candidatos ao Prémio Nobel da Paz de 1994, anunciou ontem, último dia de registo de candidaturas, o Instituto Nobel da Norueguês que atribui o galardão. Os nomes do primeiro-ministro israelita e do líder da OLP foram propostos pelo presidente do Conselho da Europa, Miguel Angel Martinez, como recompensa pelo acordo de autonomia para a Faixa de Gaza e Jericó.

Os dirigentes israelitas mostram-se extremamente prudentes quanto a este prazo. «No actual estado das coisas, não crio que um acordo possa ser assinado na próxima semana», disse à AFP Yossi Sarid, ministro israelita do Ambiente. «Há pontos essenciais em que ainda não chegámos a acordo. Enquanto não vir um papel assinado prefiro ser prudente», acrescentou.

CONFRONTOS entre forças governamentais sandinistas e «Recontras» (antigos rebeldes «Contras») saldaram-se desde sexta-feira em pelo menos 16 mortos, entre os quais onze guerrilheiros e cinco soldados, anunciou, em Manágua, uma fonte oficial.

O recontro mais grave aconteceu domingo quando o exército atacou uma reunião da chamada «Frente Norte 3-80», chefiada por Talavera, em Quilali, uma cidade situada nas remotas zonas montanhosas da região setentrional do país, a 300 quilómetros de Manágua, disse à Reuter o porta-voz do exército, Richard Wheelock.

O comando militar dos EUA na Somália rejeitou ontem as acusações, feitas por soldados do Bangladesh, de que os marines norte-americanos teriam sido os responsáveis pelo tiroteio de segunda-feira em Mogadíscio, que provocou a morte de três somalis.

Os soldados do Bangladesh, que estavam estacionados precisamente na zona onde se verificou o incidente, afirmam contudo que o primeiro tiro foi disparado pelos americanos. «Os americanos dispararam contra a multidão», acusou o major K.G. Haider, responsável pelo contingente do Bangladesh integrado nas forças da ONU. A área estava naquela altura cheia de gente, sobretudo velhos mulheres e crianças, porque havia uma distribuição de ajuda alimentar. MacIlvane reconheceu que «foram atingidas pessoas que poderiam não o ter sido» mas declarou-se convencido de que não se tratou de uma «embuscada premeditada e organizada» pelos apoiantes do general Aidid.

Vinte e oito «profissionais com provas dadas» constituem o executivo do novo Presidente, Rafael Caldera, que hoje toma posse e que promete tranquilizar o país e sanear a sua situação financeira. É um elenco moralizador e tecnocrático, incluindo um ministro «Excepcional», na linha das promessas eleitorais daquele que sucede constitucionalmente a Carlos Andrés Perez.

Alguns dos 28 nomes escolhidos pelo novo chefe de Estado, que definiu o seu executivo como de «profissionais com provas dadas», indiciam, sem dúvida, uma vontade moralizadora do regime. Tal é o caso da nomeação de Ramon Escovar -- ex-procurador-geral, que interveio no processo contra Perez, e a personalidade proposta pela Venezuela para o tribunal internacional para julgar os crimes de guerra na antiga Jugoslávia -- para a pasta do Interior. Mas o preenchimento dos ministérios que tutelam as áreas da Economia e das Finanças dão o toque do que serão as prioridades do programa do Governo.

Os radicais brancos e os membros do movimento zulu Inkatha, que se opõem à realização das eleições multipartidárias marcadas para Abril na África do Sul, poderão provocar o aumento da violência, mas não deverão pôr em causa nem a votação nem os seus resultados, afirmam os analistas.

Embora muito provavelmente controlável em termos políticos, a violência poderá ter um impacto grave na economia, segundo as mesmas fontes. Há o risco da violência desviar o novo Governo de unidade nacional -- que, tudo indica, será liderado pelo ANC -- das prioridades económicas destinadas a criar as bases de um desenvolvimento estável e a corrigir os desequilíbrios provocados pelo «apartheid», além de poder manter à distância os vitais investimentos externos.

Não fora «um problemazito num rim», há dois anos, e o reumatismo que, em nova, a obrigava a ir para a Figueira da Foz, e Maria da Conceição, 104 anos -- completados no passado sábado, nas proximidades de Carvalhal, freguesia de Santiago da Guarda, concelho de Ansião -- podia considerar-se uma mulher saudável.

«Os momentos mais felizes aconteceram quando era rapariga, quando cantava e dançava, mas agora, cantigas... ainda se fosse rezar um Pai Nosso ainda era capaz, mas cantigas já não sei». Agora, não liga à televisão, invenção recente, mas não se esquece de «rezar o terço todos os dias».« Graças a Deus ainda o rezo todo», diz Maria da Conceição, que lamenta já não poder ir à missa há quase oito anos. Até então, «não podia passar um dia sem lá ir».

A ANA-Aeroportos e Navegação Aérea garantiu ontem, em comunicado, que o encerramento para obras dos estabelecimentos de restauração da zona internacional da Portela, ocorrido segunda-feira, demorará apenas «alguns meses» e que em 1995 estará concluída a remodelação de todos os bares e restaurantes do aeroporto lisboeta, incluindo os que se mantêm abertos nesta primeira fase do programa de renovação.

António Azaredo, das relações exteriores da ANA, garante que a empresa nada tem a ver com uma eventual retirada da referida regalia. «Esse beneficio era concedido pela Esta [empresa que explora os bares e restaurantes da Portela] , se foi retirado não é nada connosco». Apesar das tentativas, não foi possível encontrar Tinoco de Faria, presidente do conselho de administração da Esta, para comentar esta situação. G. P.

O Tribunal Judicial de Marco de Canaveses foi assaltado duas vezes consecutivas durante o último fim-de-semana -- nas noites de sábado para domingo e de domingo para segunda-feira, muito embora não tivesse sido furtado nada de valor. Segundo Daniel Freitas, secretário do tribunal, os assaltantes entraram pelas traseiras do edifício, retirando as almofadas das portas de madeira. «Não demos fé de faltar nada», disse o funcionário, acrescentando que, além das portas, apenas o cofre foi danificado, mas não aberto.

Trinta e dois homens que pertenciam ao corpo de bombeiros da Base Aérea nº 11, em Beja, cessaram ontem funções, não estando garantida a sua integração nos Voluntários da cidade nem nos quadros do pessoal civil da Força Aérea (FA), como havia prometido o ministro da Defesa, Fernando Nogueira.

No Instituto Franco Português, Avª Luís Bívar 91, a Orquestra Metropolitana de Lisboa realiza um concerto, às 19h, com um Quarteto com Piano. Música contemporânea francesa, com a obra de Olivier Messiaen.

No Bar Terraço do Centro Cultural de Belém, entre as 19h e as 21h, há música clássica com "Lusíada" e Quarteto de Acordeons. Entre outros compositores, interpretam obras de Bach, Wagner, Fancelli, Leonard Bernstein, Astor Piazzolla e Vitorino Matoso.

Três mulheres foram detidas pela GNR da Guia, Pombal, por terem visitado o cemitério de Louriçal pela meia-noite de sábado. A informação, divulgada ontem por aquela força militar, refere que as mulheres procediam a «movimentos suspeitos junto da campa de um familiar de duas delas».

As mulheres -- uma de 51 anos, a sua filha, de 24, e uma amiga de ambas, de 39, todas residentes na Figueira da Foz -- confirmaram o acto, que provocou algum alvoroço junto do cemitério do Louriçal, onde se juntaram mais de 50 pessoas revoltadas com a ocorrência. J.M.C.

Uma criança de 11 anos perdeu a perna esquerda, ao princípio da noite de segunda-feira, na estação ferroviária das Mercês, Linha de Sintra, ao cair do comboio ser trucidada pelos rodados.

Na reunião participaram também o alto comissário do Projecto Vida, Vitor Feytor Pinto; os governadores civis de Lisboa, Adelaide Lisboa, e Setúbal, Domingos Lima; o presidente da Câmara de Lisboa, Jorge Sampaio, e outros autarcas da Área Metropolitana.

O processo que agora parece iniciar-se para revitalização do património e dos espaços histórico-culturais da antiga Fábrica Escola Irmãos Stephens está intimamente ligado à ideia de criação do Museu Nacional do Vidro, projecto dedicado à actividade que esteve na origem do próprio concelho.

Mas durante todos estes anos a ideia não passou de mais que alguma documentação sobre o assunto e da recolha de algum espólio -- que, à medida que foi sendo classificado também se foi extraviando, segundo testemunhos de trabalhadores da antiga fábrica. C.C.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Daniel Branco, internado desde sábado nos serviços de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, está em "situação estável", segundo o director do hospital, Carneiro de Moura.

O aeroporto de Faro suspendeu os vôos nocturnos desde as 24h00 de segunda-feira. Segundo o director da aerogare, Seruca Salgado, tal medida deve-se ao facto de durante esta época do ano «não haver movimento aéreo que justifique a mobilização de serviços e meios durante a noite».

«Eh pá, este é muito feio». O enorme alvo de tão simpático elogio -- de seu simples nome pacicefalossauros -- permaneceu indiferente, com a cabeça e o rabo a dar a dar enquanto soltava poderosos roncos pré-históricos. Umas grutas adiante, mesmo por baixo de um vulcão em plena erupção, uma outra figura foi rapidamente reconhecida por uma sabichona criança que berrava para o pai: «É o tiranossauros, eu sei, eu sei que é». «Mas como é que tu sabes?», admirava-se o progenitor depois de, orgulhoso, comprovar através da placa que a identificação estava cientificamente correcta, mais «y» menos «y». Alguns passos adiante desta fantástica demonstração de cultura infantil, um outro rebento olhava, estarrecido, para um tal de apatossauros que insistia em movimentar a cabeça na sua direcção. Colocada pela mãe mesmo à mão de semear da boca deste fulano, a menina decidiu que detestava encetar, em tão tenra idade, este tipo de contactos com semelhantes criaturas, esboçou uma careta e trepou pelo ombro maternal acima, virando costas ao monstro. Até 31 de Maio, muitas outras crianças podem demonstrar cultura, medo ou apenas divertirem-se na exposição que o zoo de Lisboa abriu ontem ao público. Por 900 escudos por adulto e 600 por criança (o preço inclui a visita à bicharada viva), é possível conhecer as 16 réplicas robotizadas de dinossauros, fósseis verdadeiros, ninhos e ovos, grutas, informações sobre a fossilização e a evolução geológica do planeta e uma loja que fará a delícia dos miúdos e a ruína dos pais. Quem queira só ver a exposição paga, por adulto, 500 escudos, mas só lá pode ir a partir das 18h00. A mostra, cujos lucros reverterão para a construção da Gorilândia, está dividida em duas tendas. A primeira, com 1200 metros quadrados, alberga as réplicas dos habitantes do planeta de há 200 milhões de anos, pertencentes a uma empresa norte-americana. A segunda, com 400 metros quadrados, acolhe os vestígios verdadeiros desta vida pré-histórica vindos do Museu de Zurique e de algumas zonas de Portugal. A.F.

A ossada encontrava-se escondida numa reentrância do acesso ao sótão do edifício. O crânio da criança estava fracturado e apresentava uma madeixa de cabelo, a qual se presume que tenha sido colada, dado o adiantado estado de decomposição do corpo. Era ainda visível um olho -- que também poderá não pertencer ao cadáver -- envolvido por uma espécie de pintura verde. A morte poderá ter ocorrido há mais de um ano.

A Câmara da Marinha Grande inicia hoje um processo de negociações com a Secretaria de Estado da Educação, o futuro patrão do património histórico da Fábrica Escola Irmãos Stephens, para reanalisar a questão da utilização daquelas instalações. Trata-se de uma posição que representa uma alteração importante da política autárquica pós-eleições, que retoma de uma velha aspiração do concelho: a abertura do tão falado Museu Nacional do Vidro.

"Pretendemos criar um clima de diálogo para proporcionar a sementeira das nossas ideias acerca do património histórico da FEIS", comentou o edil marinhense, adiantando que "as coisas caminham agora no bom sentido, pelo que pretendemos conformar o clima de optimismo gerado entre a autarquia e o Governo'' sobre este assunto.

O homem que em1988 sequestrou 40 pessoas numa discoteca de Lisboa, acção que terminou com o seu ferimento a tiro por um polícia que se estava no interior do estabelecimento, foi preso na noite de segunda-feira, num café da Rua de Campolide. O detido, que se encontrava armado com uma caçadeira, prepara-se-ia para cometer um assalto à mão-armada, segundo informação da PSP.

A Câmara de Sintra está a investigar as condições em que se processou a construção das piscinas de Ouressa, em Mem Martins. Inauguradas há seis meses, as piscinas foram encerradas há duas semanas devido a infiltrações de água e avarias nos equipamentos.

Os vereadores do PSD na Câmara de Lisboa acusam a coligação PS-PCP, responsável pela gestão do município, de aprovar propostas desadequadas «à transparência que se requer nos actos públicos». Uma situação que, adiantam os sociais-democratas em comunicado, se está a tornar «preocupante».

Com a proposta ontem votada ficou definido quem, dentro da estrutura municipal, pode lançar concursos ou adjudicar empreitadas, em função do valor dos contratos e do tipo de concurso. A Câmara de Lisboa já argumentava na primeira proposta que o novo regime era uma forma de evitar «graves prejuízos para a eficácia e celeridade da gestão» da autarquia. Mas para os sociais-democratas não passa tudo de um expediente que permite que «escapem a concurso público e ao conhecimentos dos vereadores do PSD muitos trabalhos a efectuar na cidade».

Basta que aumentem dois-três pontos no valor de "share" para que cada um dos operadores tenha mais esperanças na viabilidade financeira dos seus projectos. Ou, no caso da televisão do Estado, para que as suas chefias sintam mais forte o poder que têm.

A 24 de Janeiro, quando transmitiu o penúltimo episódio de O Dono do Mundo, o Canal 1 viu o "share" elevar-se aos 64,9, a telenovela atingir uma audiência média de 33,5 por cento, e Mandala -- cuja estreia antecipou -- quedar-se por algo como 27,8 por cento. A partir de então, o "share" oscilou entre os 52 e os 58 por cento. E, nas noites seguintes, quando O Dono do Mundo já não a amparava, Mandala registou valores mais baixos do que o esperado -- ainda na casa dos 20 por cento --, o suficiente para instalar alguma aflição no Um. Uma aflição acentuada com a chegada de Chuva de Estrelas e a certeza de que a telenovela teria de ser "alargada" para quase duas horas, para submergir o programa da SIC. O que pode justificar a audiência de 14,6 do programa da SIC.

Assistiu-se com alguma frequência no mês de Janeiro de 94 a reportagens noticiadas no Telejornal da RTP. Essas notícias visam principalmente mostrar seres humanos com as suas deficiências e esquizofrenias. Como consequência mostram também em alguns casos as «vivendas» onde esses seres humanos habitam.

Perante isto, pergunta-se: as barracas só se devem abater nas grandes cidades? Onde estão os presidentes camarários das pequenas áreas urbanas do interior deste país?

No dia 19 de Janeiro fui ao Instituto Português de Oncologia do Porto, para fazer um exame de rotina à pele, visto ter muitos sinais. Devo dizer que tinha melhor ideia do IPO do Porto; apanhei um autêntico banho de água fria! Há cerca de quatro anos fiz um exame semelhante no IPO, em Lisboa, e foi diferente. Em Lisboa fizeram-me um primeiro exame -- triagem --, um segundo exame completo, analisando todos os sinais.

Contei-lhe a minha consulta num consultório privado, que tinha tirado três sinais, da minha consulta no IPO-Lisboa, mas aí o senhor doutor, sempre de mão estendida, a despedir-se, foi dizendo que sim, mas ali quem mandava era ele (seria o presidente do IPO?). Quer dizer, se quiser fazer um exame de rotina, faça, mas não no IPO. Ao IPO só vai quem está doente.

Num interessante texto publicado no passado mês de Janeiro, o PÚBLICO faz-se eco da actual «onda» que se vive nos Estados Unidos no sentido de negar aos jornalistas uma influência fundamental na demissão do presidente Nixon. Ou seja: o factor determinante do Watergate não foram os jornalistas mas as autoridades que fizeram a investigação.

Os jornalistas, na parte que lhes cabia, foram fundamentais, assim como, também na parte delas, o foram as autoridades competentes. Não são os jornalistas que derrubam governos. Quem os derruba é um conjunto de condições e vontades que, baseadas num Estado de direito, são impensáveis numa ditadura.

Cumpre-nos manifestar o nosso apreço pelo trabalho do PÚBLICO do dia 23, sobre as rádios locais, quer pelas reflexões nele expressas, quer pela laboriosa pesquisa que por certo antecedeu a feitura das peças denunciadoras da descaracterização, dos negócios encapotados, do desrespeito pela lei (que o Estado igualmente desrespeita ao não fazê-la cumprir), da sanha desenfreada de alguns «lobbies», tudo para apoucamento de um segmento da comunicação que, pela sua importância sócio-económica e cultural, bem merecia ver preservado um mínimo de dignidade. Oxalá o Governo disponha de tempo e vontade para, por sua vez, reflectir sobre aspectos fulcrais, agora linearmente abordados.

Louvo-lhes a atitude, não só pelo gesto de solidariedade demonstrado para com os colegas, mas também pelo sentido de justiça que a mesma encerra, pois que neste caso a prestação de provas perante júris constituídos a funcionarem sem terem cumprido minimamente os prazos legalmente previstos, com pleno desrespeito pelos docentes, apenas demonstra prepotência e abuso de poder.

O PCP entregou ontem a Barbosa de Melo o pedido de constituição de uma nova comissão para continuar o inquérito ao Ministério da Saúde realizado na anterior legislatura, «completando-o e reavaliando as suas conclusões à luz dos factos novos entretanto verificados, da reanálise do material existente e do seu aprofundamento». O PS vota a favor e admite poder vir a disponibilizar assinaturas para que o inquérito venha a ser obrigatório, já que é certo o «chumbo» do PSD na votação simples de plenário.

Já no primeiro dia ela era o alvo de todas as atenções. As pessoas queriam saber se estava inscrita, quem era o seu par, se ia aparecer. Mas Leonor Beleza cumpriu apenas o indispensável para ninguém a acusar de se ter alheado da iniciativa. Passou brevemente pela Sala do Senado, já ao fim do dia, mas participou na reunião do grupo «laranja» que aderiu ao parlamento paritário. Quanto a levar par, não consta dos registos que tivesse convidado alguém.

Hoje não faltou um gostinho a polémica. Depois de António Guterres ter proposto uma pequena «revolução». Uma imposição legal que obrigue os partidos a incluirem 25% de mulheres nas listas para a AR. PCP e PSD unidos já ditaram a sentença. Foi o último dia do parlamento paritário.

Odete Santos, por seu lado, foi a mais apologética defensora do outro argumento dos comunistas: é a condição social da mulher, actualmente marcada pela «feminização da pobreza», o principal obstáculo à sua maior participação na vida política. Acusou ainda as quotas de aparecerem como uma espécie de «proteccionismo» da mulher e tal desiderato não lhe agrada particularmente.

O primeiro-ministro reconheceu ontem que não tem competência para alterar o dia de Carnaval, «nem tão-pouco o Governo», noticiou a Lusa. Ao visitar o comando-geral da GNR, em Lisboa, Cavaco Silva explicou que não tinha «nada a dizer sobre o assunto» e acrescentou: «É matéria que não passou ainda pela minha secretária.» O ano passado não houve a tradicional tolerância de ponto na Função Pública porque o primeiro-ministro não assinou o despacho que o autorizaria, facto que foi contestado, então, pelo movimento sindical e desrespeitado por várias câmaras municipais.

A direcção parlamentar do PSD decidiu antecipar para a manhã de hoje a reunião da bancada que deverá ter como ponto alto a reacção de Leonor Beleza às críticas que lhe têm sido dirigidas de fora e de dentro do seu partido.

Do seu discurso transparece a dose de optimismo própria de quem preside à Assembleia Parlamentar da única organização que considera com vocação «pan-europeia», o Conselho da Europa. Miguel Angel Martinez, que comemorou os seus 54 anos na véspera da sua visita oficial de dois dias a Portugal, ontem terminada, inclui-se na geração de 68, o que em Espanha implicava luta directa contra a ditadura. Nascido em Madrid, adere em 1960 ao PSOE, passa pelas prisões franquistas, percorre no exílio a França, Viena e Bruxelas entre 1962 e 1975, o ano da morte do «Caudillo». Só então regressa ao seu país.

Membro desde 1983 da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, é eleito em Maio de 1992 presidente da Mesa. Foi nesta qualidade que sugeriu ao rei a atribuição ao deputado Manuel Alegre -- que integra o grupo socialista em Estrasburgo -- da Encomienda del Orden de Isabel la Catolica, pela sua contribuição na luta pela democracia e pelos direitos humanos. Pedido aceite, o autor de «O Canto e as Armas» -- que confessa ter-se inspirado na personalidade de Martinez para a sua outra obra «O Homem do País Azul» -- recebeu na segunda-feira a comenda espanhola. P.C.R.

João Morais Leitão foi o nome mais votado na eleição dos delegados da concelhia de Lisboa do CDS-PP ao Congresso, a decorrer em Setúbal, entre 18 e 20 deste mês. Morais Leitão é o primeiro de uma lista de 26 delegados eleitos para representar os centristas alfacinhas, entre os quais se encontra Isabel Fernandes Homem, João Korrodi e Telmo Correia.

Os deputados do PSD já têm novas visitas na forja. A Cultura deverá ser o próximo ministério convidado a exibir a obra feita e Pedro Santana Lopes será convidado para cicerone. A recuperação do património e as novas bibliotecas e centros culturais constarão do programa, segundo Duarte Lima, que faz questão de explicar: «Não queremos mostrar só o betão.»

Os sapatos dos deputados do PS ficaram incompatíveis com a solenidade parlamentar, depois da visita à Quinta do Mocho, Loures: 1700 pessoas a viverem num conjunto de prédios inacabados, sem água, ou luz ou esgotos. Muita lama e sordidez. Foi o segundo dia do «`round' miserabilista» do PS na Grande Lisboa, como diria Cavaco.

O espectáculo «miserabilista» das famílias ao relento despejadas do Lar Panorâmico de Camarate (cujas obras, um ano depois, nem sequer começaram, segundo disse António Costa) corre o risco de se repetir na Quinta do Mocho, logo que o tribunal resolva a questão da propriedade dos edifícios. E nem sequer, ainda citando Costa, os habitantes da Quinta do Mocho foram integrados no Programa de Erradicação de Barracas, que o Governo propôs às câmaras, já que a questão é considerada de «direito privado»...

O gabinete do Governador de Macau nega que este tenha pedido a demissão ao Presidente da República. Afonso Camões, director do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau disse ao correspondente do PÚBLICO no território que as notícias divulgadas ontem em Lisboa careciam de fundamento. As notícias em causa referiam que o general Rocha Vieira teria comunicado ao Presidente da República o desejo de ser substituído a breve prazo.

Estabelecer doutrina sobre o que são os direitos das minorias, a luta contra o racismo e a intolerância e a adesão de novos membros. Esta é a triangulação temática que monopoliza quase toda a discussão no âmbito do Conselho da Europa, segundo Miguel Angel Martinez, o presidente da Assembleia Parlamentar.

Mira Amaral manifestou-se ontem «disponível» para guiar a visita do PS ao Vale do Ave. Um desafio aos socialistas lançado no final da digressão «laranja» ao lado «viável» do Vale do têxtil. «Isto não é um bodo aos pobres», assumiu o ministro. «Só nos países socialistas é que não havia falências», atalhou Duarte Lima. A UGT e os autarcas acolheram bem a deputação do cavaquismo. Só os cifrões da formação profissional mancharam o dia.

Antes de deixar o Vale do Ave -- onde guiou os deputados do PSD com uma genica digna de campanha eleitoral --, Mira Amaral lançou ontem um desafio aos socialistas. Se o quiserem convidar para cicerone na deslocação que vão fazer para a semana à região, ele estará disponível para apoiar, «com meios técnicos ou humanos ao mais alto nível, quer dizer, até ao ministro». Mira usou um argumento caro às oposições -- «o dever que o Governo tem de apoiar o Parlamento» -- para fazer passar o «convite».

Ao mesmo tempo que, em Sidney e em Lisboa, José Ramos-Horta e Abílio Araújo confirmavam movimentações internacionais, embora em instâncias diferentes, no sentido da saída para o exílio de Xanana Gusmão, detido na prisão central de Cipinang, as autoridades indonésias admitiam a possibilidade de o antigo comandante supremo da guerrilha ser transferido para a cadeia de alta segurança da ilha de Nusakambangan, reservada para os presos de maior perigosidade. «Desde o momento em que todos os requisitos legais estejam cumpridos, por que razão o não podemos transferir?», disse o procurador adjunto para os assuntos de segurança, Sukarno, à agência oficial indonésia, Antara.

Uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros desmentiu a informação, garantindo ao PÚBLICO que não decorrem quaisquer negociações para a libertação de Xanana, «no âmbito da União Europeia». No mesmo sentido se pronunciou o embaixador itinerante da Indonésia, Francisco Lopes da Cruz, em declarações à RDP-1: «Isso não passa de uma especulação, porque, até este momento, ao nível do governo central, ainda não foi discutido nada sobre o assunto.»

A juíza Isabel Valongo marcou para a próxima terça-feira, dia 8, o início das alegações finais do julgamento do processo de corrupção e contrabando conhecido como Aveiro Connection, que está a decorrer desde o passado dia 7 de Outubro no edifício da Assembleia Distrital de Aveiro.

Os advogados de defesa vão reclamar a partir de terça-feira que os arguidos sejam despronunciados do crime de contrabando, invocando para o efeito o tratado de Maastricht e a subsequente a livre circulação de pessoas e bens no espaço da CE. A defesa recorda que, recentemente, a justiça espanhola arquivou por esse motivo um processo semelhante ao de Aveiro.

O abbé [abade] Pierre, o padre que em França lidera a defesa dos direitos dos excluídos e dos sem-abrigo, apelou ontem aos franceses para que escrevam e pressionem os seus presidentes de câmara no sentido de resolver o problema da falta de alojamento para cerca de meio milhão de pessoas, sob pena de não ser resolvida uma situação que considerou «abominável e criminosa».

O apelo do antigo membro da Resistência francesa ao nazismo -- onde foi baptizado com o nome de guerra de abbé Pierre -- foi feito no mesmo dia e à mesma hora do seu primeiro apelo, em 1954, em favor dos desalojados. Então, deu origem a um grande movimento popular que ficou conhecido pela «insurreição da bondade», que deu origem a um plano de urgência governamental que permitiu a construção de 12 mil alojamentos de primeira necessidade.

Nove polícias feridos e sete detenções é o balanço dos confrontos na noite de anteontem entre a polícia sul-africana e uma multidão de justiceiros populares convictos de que o «estrangulador das gares», responsável por uma série de homicídios, se encontrava na residência de uma viúva. Cerca de mil pessoas desmantelaram parte da casa situada no bairro mestiço de Mitchells Plain até que a polícia interviu. Segundo responsáveis policiais, estes justiceiros têm imposto um reino de terror na área, incomodando inocentes.

Uma onda de protestos recebeu ontem a sentença atribuída a Patrick Weighell, o cidadão britânico que espancou uma criança de uma semana a seu cargo causando-lhe 23 fracturas. O juiz Robert Pryor condenou segunda-feira Weighell a 18 meses de pena suspensa e a frequentar um curso para controlar o seu mau génio. Enquanto o jornal "Today" insultava Pryor, a organização Children´s Society e um deputado do Partido Conservador já exigiram a sua demissão.

O presidente da administração do Hospital de Ponta Delgada garantiu ontem que não houve negligência médica no falecimento recente de cinco recém-nascidos, assistidos naquela unidade hospitalar. Baseando-se num relatório efectuado pelo hospital, Rego Costa excluiu, também, a possibilidade de os bebés terem morrido devido a «qualquer infecção hospitalar endógena, generalizada na unidade de Neonatologia.» «Pode-se portanto concluir que as mortes em questão nada tiveram de anormal se se considerar por um lado a patologia existente e, por outro, o muito baixo peso e a insuficiente gestação em três dos cinco casos referidos», declarou, citado pela agência Lusa. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária, por iniciativa do Ministério Público tomada no seguimento da sua divulgação pela imprensa.

Um dos quatro presos pela polícia espanhola como suspeitos do homicídio de Miguel Ángel Santos Varela Mahy e da sua noiva, a portuguesa Paula Manuela de Castro, confessou-se culpado do crime, informaram ontem fontes policiais. As duas vítimas foram lançadas do 14º andar de um edifício de Benidorm (Alicante), na madrugada da última quarta-feira. A juíza instrutora do caso confirmou a detenção do suspeito que terá confessado, Sergio Hernandéz, acusando-o de homicídio, ofensas corporais e tráfico de drogas. O processo instrutório permanece em segredo de justiça mas, segundo a agência Lusa, fontes ligadas ao processo adiantaram que se trata de um caso típico de ajuste de contas, provavelmente relacionado com o tráfico de drogas.

Reduzir o actual período venatório, reestruturar o sistema de fiscalização das actividades cinegéticas, circunscrever a caça a áreas limitadas e «banir em absoluto» a destruição de fauna selvagem que, de alguma forma, entre em competição com as espécies cinegéticas, são as principais exigências das Associações de Defesa do Ambiente em matéria de caça, ontem divulgadas em Lisboa.

Além disso, ao contrário do que acontece actualmente, as actividades cinegéticas deverão ser, na opinião dos ambientalistas, «de um modo geral interditas no território nacional, com excepção de áreas adequadas e limitadas». Para a CPADA, nas áreas protegidas não deveria ser permitido caçar.«Todo o sistema de áreas protegidas visa a conservação da natureza. Mas se assim é, não se percebe que alguns parques as zonas interditas à caça sejam ridiculamente minúsculas», sublinha Luís Marques.

Por toda Europa, e perante a «pressão dos falsos refugiados políticos» (ou seja, imigrantes económicos), as legislações nacionais têm-se uniformizado no sentido de impedir esses fluxos migratórios e pôr fim ao jogo de empurra de requerentes que, de pedido em pedido, vão saltando de país comunitário em país comunitário.

O processo acelerado não implica que o asilo seja concedido mais rapidamente, mas antes que deverá ser negado com maior brevidade. Esta fórmula pretende determinar a «admissibilidade do pedido» e aplica-se aos pedidos de asilo «manifestamente infundados». O SEF elabora uma informação em 24 horas e no segundo dia já deveria existir um parecer do comissário.

Em dois meses, centenas de pedidos foram analisados. Nem a um foi concedido o estatuto de asilo político. O comissário nacional para os Refugiados diz que até vive na expectativa de dar o estatuto a alguém. Mas também considera que já não há ditaduras como antigamente.

Desde que foi empossado, há dois meses, Oliveira Pinto já analisou mais de 500 pedidos de asilo. Nem um só foi atendido. Até ter em dia o trabalho acumulado faltam-lhe 200 outros casos.

Há seis meses que o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, comemorou o aniversário do seu casamento com a princesa Masako, que aos 30 anos deixou uma brilhante carreira profissional para se converter na esposa do futuro imperador e na mãe dos seus filhos. Segundo a imprensa japonesa, o primeiro filho poderá vir a caminho, porque a princesa anulou repentinamente duas aparições públicas previstas para festejar o primeiro aniversário do seu compromisso com Naruhito. A explicação oficial é de que «estava constipada», mas esta desculpa não agradou aos japoneses. Tudo porque foi a mesma que se utilizou quando a sua sogra, a imperatriz Michiko, e a sua cunhada, a princesa Kiko, quiseram esconder a gravidez antes de a revelarem oficialmente.

Os promotores do Primeiro Encontro Nacional de Habitação, ocorrido em Fevereiro do ano passado, vão efectuar em Março, em Lisboa, uma nova reunião, donde deverá sair o balanço do que se alterou no sector, ao fim de um ano. Neste encontro, espera-se a participação do Governo, ao contrário do aconteceu com a reunião de 1993, em que a administração central primou pela ausência.

O poderoso sindicato alemão IG Metall admitiu ontem abandonar as suas reivindicações de aumentos salariais de seis por cento, se os patrões do sector metalúrgico se decidirem a apresentar «propostas de negociação» concretas, mas manteve as «greves de aviso» entretanto já convocadas. Segunda-feira, cerca de 55 mil metalúrgicos aderiram a uma destas paralisações, de carácter regional. Citado pela Reuter, Gerhard Zambelli, líder do IG Mettal da região de Baden-Norte e Wuerttemberg-Norte, em declarações à televisão admitiu que será muito difícil aos sindicatos arr concedido o estatuto de asilo político. O comissário nacional para oancar aos patrões mesmo os três por cento de aumentos correspondentes à taxa de inflação prevista, quanto mais salários que tenham em conta os ganhos de produtividade. Os patrões alemães querem impor um congelamento dos salários e a supressão de algumas regalias contratuais. Nas contas da IG Metall, as pretensões patronais traduzem numa redução dos salários reais em 10 por cento. A IG Metall reclamou entretanto a aplicação imediata da semana de 35 horas, cuja entrada em vigor está prevista para Outubro de 1995, com o objectivo de por fim à onda de despedimentos.

O número do fax é o 612222. A morada é Muro das Lamentações. O destinatário é Deus. O próprio. A companhia israelita de telcomunicações Bezek tem à disposição dos fiéis que não podem peregrinação até à Terra Santa um serviço de fax para realizarem as suas preces. As mensagens chegadas às instalações da Bezek são levadas até ao Muro e colocadas nos interstícios das pedras, junto a milhares de outros bilhetes ali deixados por judeus. É rápido e barato. Mas a Bezek não garante o bom atendimento.

A ideia é levar a população a produzir o suficiente para a sua própria subsistência. Salvador Rodrigues, angolano, 35 anos, economista, com um grupo que engloba mais dois agrónomos, um sociólogo e outro economista, pensaram em constituir uma organização não governamental (ONG) para o desenvolvimento rural e o ambiente no sudoeste de Angola. Foi a situação de necessidade da população da zona que levou o grupo a pensar no projecto.

De passagem por Lisboa, onde se deslocou para contactar responsáveis de ONG portuguesas, Rodrigues não ilude que o projecto só poderá ter condições efectivas de concretização quando terminar a guerra em Angola.

Uma «task force», constituída pelo alto comissário do «Projecto Vida» e por representantes das câmaras municipais de Lisboa, Oeiras e Sesimbra, vai dinamizar acções de prevenção primária de luta contra a toxicodependência e a sida. A decisão foi tomada hoje durante uma reunião, presidida pelo ministro-adjunto Marques Mendes, e que teve a participação do alto comissário, Vitor Feytor Pinto, dos governadores civis de Lisboa e Setúbal e de autarcas de todos os municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML).

O programa de prevenção primária contra a toxicodependência e a sida na Área Metropolitana de Lisboa, que «pretende envolver toda a sociedade civil», terá um grupo de trabalho em que estarão representados o Projecto Vida e todos os municípios da AML.

A Amnistia Internacional (AI) critica a forma como a TAP tratou os zairenses que chegaram a Lisboa com passaportes falsos e que já pediram asilo político. A TAP responde que se limitou a cumprir as regras da aviação mundial. E a poupar dinheiro.

Ontem à tarde, os três zairenses foram ouvidos, individualmente, pela divisão de refugiados do SEF. Em princípio o relatório será escrito hoje, e amanhã, no máximo, será remetido ao Comissário Nacional para os Refugiados, Oliveira Pires.

A Grundig apresentou recentemente um novo televisor portátil que junta à já excelente qualidade de imagem dos modelos de pequenas dimensões da marca uma flexibilidade também excelente.

Com tudo isto, não seria de esperar que este fosse um televisor barato, o que se confirma com um preço recomendado de 89 mil escudos. Seria um preço algo exagerado se considerássemos apenas as dimensões do televisor, mas, tendo em conta tudo o que aqui foi dito, a juntar a mais algumas características que ficaram por referir, trata-se de um preço bastante competitivo.

Os concursos existem nas programações como «aglutinadores de audiência». São uma espécie de celebração da «grande família da televisão»; uma possibilidade de se passar para o lado de lá do «espelho», uma espécie de «convite» com que se mostra como é fácil pertencer-se àquele «reino». Depois existem as cores, os pequenos desafios, os jogos, o objectivo de um prémio. Estar-se do «lado de lá» ou do «lado de cá» do ecrã é a distância que um concurso de televisão permite medir, permite gerir. Permite transformar em mais um atractivo para o público que quer conquistar.

Nenhuma obra da filmografia de Alain Resnais divide tanto o público cinéfilo como «Providence». Para a grande maioria dos entusiastas do realizador, «Providence» provocou uma surpreendente desilusão; para certo público intelectual que nunca tinha «engrenado» muito com a obra anterior do cineasta, «Providence» foi uma revelação, um filme «fétiche» a rever vezes sem conta, na convicção de que cada nova visão desvendava os consideráveis enigmas que, a uma primeira abordagem, ocultam quase por completo a «intenção» do filme.

LISBOA Alfa 1: 13h45, 16h25, 19h, 21h40 e 00h15; Amoreiras 1: 13h50, 16h25, 18h55, 21h35 e 00h10; Cine-Teatro Monumental: 13h30, 16h15, 19h, 21h45 e 00h30; Mundial 1: 14h, 16h30, 19h e 21h30; 6ª e sáb. também às 24h; Quarteto 4: 14h, 16h30, 19h, 21h30 e 24h.

«Não somos turistas, somos viajantes», diz John Malkovich, «alter ego» do escritor Paul Bowles, ao chegar a Marrocos, em «Um Chá no Deserto». Querendo fazer sua esta acutilante frase -- a qual, mais do que definir um programa de viagem, define um modelo de vida -- Bernardo Bertolucci rodou os seus últimos três filmes em paisagens remotas, para quem vem das bandas da dita «civilização». Avaliando os resultados de tais peregrinações, e sobretudo desta última viagem que é «Pequeno Buda», é forçoso concluir que o cineasta foi movido não tanto por uma necessidade mas, sobretudo, pela curiosidade -- «O Pequeno Buda» constitui-se assim como o exemplo calamitoso do filme turístico.

A China pretende-se um Estado multinacional, composto por 56 nacionalidades, mas, num futuro próximo, poderia sofrer da desagregação que a vizinha URSS não conseguiu evitar. Segundo alguns, o quadro não se repetirá, pois os Han, a nacionalidade principal, representam 93 por cento do total, enquanto na extinta URSS os russos já tinham deixado de ser maioritários. Tibetanos e mongóis, apesar da repressão, continuam em busca de uma identidade perdida. Variações a partir de «Pequeno Buda» e «Urga».

Dos povos exteriores à Grande Muralha, e portanto exteriores à civilização chinesa, dois deles, os mongóis e os manchus, chegaram mesmo a governar a própria China, os primeiros ao tempo de Gengis Khan (dinastia Yuan) e os segundos 300 anos mais tarde (dinastia Qing, a última, antes da instauração da república).

O «fax» da Castello Lopes dizia que não havia tempo para se fazer um visionamento para a imprensa de «Mrs. Doubtfire»/ «Papá para Sempre». Não é que seja um objecto desamparado, toda a gente já viu o «trailler» de apresentação, toda a gente já sabe que Robin Williams faz um travesti. Mas até por isso -- até por este ter sido um dos êxitos do final do ano nos EUA; até por Robin Williams ter ganho o Globo de Ouro para um actor de comédia -- a distribuidora deveria ter arranjado tempo. Porque essa é uma desculpa que se dá quando não se comprou batatas ou detergente...

É um trabalho de colagem, este filme, que vai juntando -- parece que acumula, mas não... -- os pedaços aparentemente menos interessantes de um quotidiano. Quais? O de duas velhas senhoras, donas de um «chateau» francês, mais o da aldeia que o circunda. O resultado é que o falso esbatimento dramático acaba por se transformar numa sucessão de molduras com um vincado sentido emocional e um remoto sabor a parábola. Diz Iosseliani, o realizador, que gosta de captar e fixar mundos em extinção e que este filme é um prolongamento do anterior «E Fez-se Luz», rodado em África. Talvez, mas se o olhar é agora menos entomológico, porque nos são mais próximas e mais contingentes estas imagens, não deixa, ainda, de denunciar algumas insuspeitas alegorias. Repare-se: Otar Iosseliani é georgiano, um mundo em vias de extinção, precisamente, onde a paz quotidiana sofre fracturas irreversíveis e ódios que hão-de custas muito a fechar. De que nos fala, então, em «A Caça às Borboletas» senão da sua terra natal? Ainda por cima, não são nada simpáticas as senhoras russas que herdam o castelo...

Esta peça (que esteve para ser um filme) integra-se numa linha de recentes reflexões sobre a pintura feita através de outras linguagens -- aqui o teatro; o cinema em "A Bela Impertinente", "Van Gogh" ou "O Sonho da Luz". Mais radicalmente do que qualquer uma dessas obras, a dramaturgia da peça nega a vocação ilustrativa para se referir à pintura através da palavra, quer dizer, para a pensar e pensar sobre ela.

"É certo (...) que tanto me ponho às vezes a cuidar e a imaginar que acho entre os homens não haver mais que uma só arte ou ciência e esta ser o debuxar ou pintar, de que tudo o al são membros que procedem".

Há dois anos, «Urga» ganhou o Leão de Ouro em Veneza. Desde então os seus cartazes aparecem e desaparecem dos cinemas portugueses. Agora, foi atirado para as salas, depois de ter ganho o Félix para o filme europeu do ano.

É caso para dizer que quem começa um filme assim não é gago. «Urga» é belíssimo enquanto está ao ar livre e próximo da terra, porque nada nele é condescendente ou piedoso, quer para o lado do «povo em extinção» quer para o lado «do homem branco sem horizontes». Por isso a energia que de «Urga» se desprende nessas sequências parecem atravessá-lo, somo se o filme fosse uma porta por onde passamos para aquele mundo, mas, claro, provocar esta sensação não é obra do acaso ou de uma qualquer passividade da câmara de Mikhalkov: é uma capacidade dada pelo ponto de vista do realizador e pelo seu talento em parecer que é silenciosa a sua perspectiva.

As filmagens de «Pequeno Buda» decorreram em locais de grande importância para os budistas: o «stupa» de Bodnath, no Nepal (um dos mais antigos santuários lamaístas), o palácio real de Patan e Bhaktapiur ou o mosteiro Paro Dzong, no Butão.

«O que é especial nesta amizade é o facto de um velho lama ter duas atitudes em relação à criança: a relação normal paternal ou de avô, e a outra, de respeito perante a criança que é a reencarnação do seu professor. A mistura de afecto e respeito é exactamente a atitude que devemos ter com todas as crianças. Considero muito poética e vibrante esta amizade que acontece cada vez que um lama encontra um `tulku'», disse Bertolucci.

Passeia-se de boné de basebol e de mochila pelo Instituto Franco-Português (IFP), em Lisboa, onde frequenta um curso de formação de actores. Quando se senta na mesa, tira o chapéu, ajeita o cabelo e começa a falar... Marco Delgado tem 21 anos e estreia-se como profissional em «Diálogos Sobre a Pintura na Cidade de Roma» [Ver destaque deste suplemente]. Com Luís Miguel Cintra disputa o papel de protagonista -- ele é Francisco de Holanda, e Luís Miguel, Michelangelo, o pintor da Capela Sistina.

Quase toda a sua família está ligada à aviação: o pai foi controlador de tráfego aéreo, a mãe hospedeira, o irmão mais velho é piloto e, em Moçambique, onde nasceu, vivia perto do aeroporto. Embora goste de «alturas e velocidades», nunca quis ser piloto nem comissário de bordo. O teatro só entrou no seu quotidiano aos 18 anos e antes disso não construía teatrinhos, nem fazia figurinhas. E nem sequer era espectador assíduo. Uma das primeiras peças que viu foi «Má Sorte Ter Sido Puta», na Comuna.

Aventura. Comédia. Ficção científica. Farsa. Capa e espada. Histórico. Policial. Fantástico. Viajar simultaneamente pela memória e pelo cinema -- ou ao contrário, porque talvez as ordens dos factores sejam arbitrárias -- é o objectivo e o tema do ciclo que o Centro Cultural da Malaposta, às portas de Lisboa, organizou para o meses de Fevereiro e Março. A abrir, «A Batalha de Roma», um histórico de Robert Siodmack, com Lawrence Harvey, Orson Welles e Sylvia Koscina nos principais papéis. Seguem-se-lhe «Um Dia no Circo», com os irresistíveis Marx (11, 12, 13 e 14 de Fevereiro), «Viagem ao Centro da Terra» (18, 19 e 21 de Fevereiro) e «Os Guerreiros da Atlântida» (25, 26 e 28 de Fevereiro). Em Março, serão exibidos «Fuga par Antenas», «O Irresistível Forasteiro», «O Homem da Máscara de Ferro» e «Três Horas Decisivas».

Se o destaque da semana, na área da música clássica, é claramente a produção de «Orfeo e Euridice», de Gluck, no São Carlos -- ver pp. 10-12 deste Fim de Semana --, outros sons há para ouvir na capital. O meio-soprano Olga Borodina, acompanhada ao piano por Larissa Gergieva, canta, a 7 de Fevereiro, no Grande Auditório Gulbenkian, às 18h30, um mosaico de compositores russos e canções espanholas de Falla. No dia seguinte, no mesmo local e à mesma hora, o pianista Vladimir Viardo toca um programa pouco usual entre nós, o qual inclui peças de César Franck, Chostakovitch e Messiaen. Ainda no mesmo dia, mas no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h30, num concerto com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção de Álvaro Cassuto, actua em Lisboa o violinista Elmar Oliveira, que tocará em Lisboa um dos concertos que é um «must» do repertório violinístico -- o de Beethoven --, num reportório dedicado ao tema «Despertar do Romantismo», com a abertura de «Flauta Mágica», de Mozart, e a 9ª de Schubert, « A Grande». Lisboa começa a aquecer...

«A única coisa que me dá ânimo é o facto de o IAC [Instituto de Artes Cénicas] ter sede no Porto. Quer dizer que pelo menos há a intenção de fazer alguma coisa, agora vamos ver se a prática corresponde. Se está no Porto apenas porque é bonito descentralizar...»

«A elite cultural sofre do mal português de se sentir pequenina e o estrangeiro continua a ser mítico.»

A encenadora -- e autora dos figurinos -- de «Diálogos Sobre a Pintura na Cidade de Roma» é uma francesa, Christine Laurent, cúmplice da obra de Jacques Rivette, de quem é argumentista. Laurent é também cineasta e o cinema, como a pintura, estão em evidência nesta sua primeira encenação teatral. Enfim, diálogos sobre a luz na Cornucópia.

Mas o primeiro amor de Christine Laurent é o teatro, arte mais pura do que o cinema, como dizia Rivette. E, neste espectáculo lisboeta, a encenadora pede perdão pela traição que crê ter cometido, quando se dedicou mais ao cinema. O resultado permite todas, mas todas, as absolvições.

COM ALMENO GONÇALVES, ANTÓNIO FONSECA, JOÃO ROMÃO, JOSÉ MANUEL MENDES, LUÍS LIMA BARRETO, LUÍS LUCAS, LUÍS MIGUEL CINTRA, LUÍSA CRUZ E MARCO DELGADO

Quanto a Francisco de Holanda, revela-se, além de grande repórter, grande desenhador e grande humanista, um apaixonado -- apaixonado pela arte e apaixonado por Miguel Ângelo, que lhe retribuía na mesma moeda: «E principalmente mestre Micael Ângelo prezava eu tanto que, se o eu topava ou em casa, ou em casa do papa, ou pela rua, não nos queríamos apartar, até que nos mandavam recolher as estrelas.»

P. -- Jacques Rivette descreve o seu trabalho com os argumentistas utilizando a ideia de «atelier». Aliás, ele fala de vários «ateliers» -- um de argumentistas, outro de actores...

Mas, de qualquer das formas, a antecedência nunca é superior a três dias. Jacques conhece muito bem a história, sabe muito bem o que estamos a contar e, por isso, quer estar muito fresco no momento em que recebe os diálogos. Se ele conhece as coisas com antecedência, perde vontade de as filmar. É preciso que fique algo para ele descobrir.

É uma extensa mostra de fotografias de África (das várias Áfricas, negra e nordestina sobretudo). O percurso está organizado por temáticas etnográficas: habitat, as nascentes do Nilo, iniciação, tempos de lazer, religião, dieta alimentar, máscaras e danças, pequenos ofícios, povos e línguas, fauna, expansão portuguesa. Por outro lado, é acompanhada pela exposição de objectos de colecção (máscaras, objectos, artefactos, adornos, de colecções particulares). O uso da fotografia a cores, à mistura com os objectos e com música, dá à exposição uma forte envolvência e animação. A montagem e catálogo, com profissionalismo a nível das técnicas mas com resultados algo caóticos, foram produzidos pelos alunos do Iade.

José Aurélio, escultor e medalhista, foi um dos protagonistas mais significativos da arte portuguesa da década de 60 e princípios da seguinte. Como escultor, desenvolveu experiências no trabalho dos metais, entre outras, que se vieram a revelar importantes na concepção da escultura como intervenção num espaço, ou seja, abstracção; como agente cultural, fundou e dirigiu a galeria Ogiva, em Óbidos, uma das instituições mais dinâmicas e coerentes durante a sua actividade (1969-1971).

A Livros Horizonte é a editora que mais tem editado Francisco de Holanda. Tome nota: «Diálogos em Roma», «Álbum dos Desenhos das Antigualhas», «Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa», «Da Ciência do Desenho», «Do Tirar Polo Natural» e «Da Pintura Antiga». Na Imprensa-Nacional Casa da Moeda também está publicada «A Pintura Antiga» e na Sá da Costa «Diálogos de Roma». Obra de referência para compreender o universo do pintor é a que está disponível na Difel -- Sylvie Deswarte, «Ideias e Imagens em Portugal na Época dos Descobrimentos»

O actor reconhece que, quando leu pela primeira vez o texto, quase entrou em pânico. Pensou, de imediato, que estes «Diálogos» poderiam ser «uma seca»: «As falas são enormes e em português arcaico, e a pintura é um tema delicado, tanto para mim como para quem não está ligado às belas-artes.»

No âmbito da XIV edição do Fantasporto, uma das iniciativas a destacar é a da retrospectiva de filmes à volta de Frankenstein, a preceder o anunciado novo produto da oficina Coppola, dirigido por Branagh. São as metamorfoses em torno de um mito, literário e cinematográfico.

Também em prefácio à sua novela, Mary Shelley (a escritora diria mais tarde que, «tanto quanto se conseguia lembrar», o prefácio fora inteiramente escrito pelo marido) sublinha o seu carácter de divertimento e de exercício mental e inscreve-o numa reacção à produção literária do seu tempo, fazendo subentender o teor prospectivo do seu herói e uma enorme liberdade em relação à configuração do mito.

«Em Janeiro, eu estava em Bruxelas, nos arredores, numa casa sobre a linha férrea.» Assim começa «Os Comboios que vão para Antuérpia», um dos textos de «Os Passos em Volta», publicado pela primeira vez, em 1963. Em parte autobiográfico, o livro reúne contos onde se detecta vivências belgas e holandesas. Depois de Antonino Solmer o ter encenado em 1990, chegou agora a vez de «Les Pas en Rond» poder ser visto em Paris, no Théatre de la Vieille Grille, numa encenação de Alain Rais, que já tinha representado «O Livro do Desassossego», de Fernando Pessoa. Ao «JL», na sua edição de 1/2/1994, Rais pensa sinceramente que o Herberto Hélder gostaria de ver estes seus passos em volta.

"Orfeo ed Euridice" ou "Orphée et Eurydice"? É a primeira questão que pode condicionar decisivamente qualquer escolha para representar em disco a mais célbre ópera de Gluck. E qualquer que seja a resposta, a ambiguidade permanece: qual "Orfeo", qual "Orphée", no emaranhado de versões que subsistem como possibilidades de recriação?

Quase 20 anos depois da primeira aparição do Concombre Masqué, as portas da cidade francesa de Angoulême abriram-se para acolher Nikita Mandryka. Desde a passada sexta-feira, quando o seu nome foi anunciado como vencedor do Grande Prémio de Angoulême, ele é o novo presidente de honra do Salão Internacional de BD (SIBD), o mais importante certame europeu consagrado à banda desenhada.

É, porém, a sua entrada na revista «Pilote», nesse mesmo ano, que vai projectar definitivamente Mandryka para primeiro plano. Goscinny, na altura chefe de redacção daquela publicação, encoraja alguns dos seus colaboradores com um desenho por ele considerado «vanguardista» a assumirem um papel mais interveniente como argumentistas. É o caso de Nikita Mandryka. Em contrapartida, consegue integrar o seu grafismo inconfundível na revista, mediante uma adaptação inteligente aos argumentos de Jacques Lob, Reiser ou Gotlib. Da estreita colaboração com este último surge a série «Clopinettes», sequências de «gags» que prolongam a experiência desenvolvida em «Rubrique-à-Brac» (1970), uma espécie de jornal desenhado da actualidade quotidiana francesa.

Para Tito Celestino da Costa, 1994 será um ano de grandes desafios como encenador de ópera. Depois de «Bastien und Bastienne» de Mozart, de «The Fairy Queen» de Purcell e de «La Spinalba», é o salto para o chamado grande reportório com o «Orfeo ed Euridice» de Gluck que hoje se estreia em São Carlos. Em Novembro, no Coliseu, por iniciativa de Lisboa-94, será a vez de «La Traviata». Fomos encontrá-lo de fato-macaco para o ouvir sobre o que pensa da obra-prima de Gluck.

TITO CELESTINO DA COSTA -- Não. A direcção do teatro, ao convidar-me para encenar a ópera, já tinha decidido que seria a versão escrita para a estreia em Viena. Mas algumas sugestões minhas de incluir trechos da versão parisiense foram bem acolhidas por Harry Christophers. Devo dizer que gosto muito da versão vienense, porque me permite acentuar mais um propósito que sempre me guia ao encenar ópera: o de a recriar com um mínimo de elementos cenográficos. Acredito que a essência da ópera está no «libretto» e na partitura. O facto de, na ópera, as pessoas falarem por música é já um milagre muito grande, que permite a penetração na alma das pessoas com uma grande subtileza.

Veneziano de origem, «piloto maior do Reino», comerciante, astrónomo, cartógrafo. É Caboto, um dos muitos conquistadores que se perdeu pelas promessas de riqueza e a aspiração à imortalidade. O retrato, impressionista, elegante, nostálgico e de belíssimo recorte literário, é uma das obras-primas publicadas no ano passado. Para ler, reler e voltar de novo ao princípio.

Quis o infortúnio que os seus concorrentes fossem autores da envergadura de Prado -- que viria a ganhar o tão cobiçado prémio --, Bacilieri, Gimenez e Groening, tudo autores a quem o galardão não ficaria mal entregue. Mas não foi essa a decisão do júri, o que não invalida em nada a excelência desta obra.

A nomeação, nas diversas categorias, para os prémios «Alph-Art» atribuídos anualmente pelo Salão Internacional de BD de Angoulême é, independentemente do resultado final, uma vitória. Num país onde as novas edições se contam, em cada ano, por centenas, e as reedições não ficam muito longe em números globais, sobressair da mediania -- por mais elevada que seja a qualidade média -- é uma garantia de notoriedade e de algum sucesso comercial acrescido.

Outro bom exemplo do que ficou dito, publicado também com a chancela da Casterman, é «Love Hôtel», da dupla Boilet (desenho) e Peeters (texto). Neste caso, a obra era candidata ao prémio de melhor álbum editado em 1993, relatando as atribulações de um jovem francês que se desloca ao Japão em busca de um vago e equívoco amor por uma adolescente nipónica. Trata-se de uma obra que apresenta um desenho nervoso, a preto e branco, influenciado pelo estilo esquemático dos «manga» (BD japonesa), onde se sente a mão experiente e «adulta» do argumentista Benoît Peeters.

A tarde de 1 de Fevereiro de 1908, ensolarada e cheia de luz, em que as nuvens que salpicavam ocasionalmente o céu pareciam querer refrescar o ar prematuramente abafadiço, iria ficar assinalada nos calendários como aquela em que mataram o Rei -- ou, como alguns diriam mais tarde, aquela em que mataram o Reino.

Os partidos monárquicos, à semelhança dos republicanos, não se furtaram a críticas ao soberano e, com estas, deram aos inflamados arautos da república os argumentos exagerados de que o Rei era tão mau, que até os seus o repudiavam. A situação esboçou-se de tal maneira que quase todos esperavam que esta luta conduzisse à abdicação do Monarca, havendo até os que estavam dispostos a aceitar a república se tal se mostrasse necessário. A hora era grave e todos pareciam esquecer, naquele momento difícil, o que de positivo e bom o Rei fizera ao longo do seu reinado. Desamparado, D. Carlos lamentava o facto de ser Rei num país sem monárquicos e no entanto, pelas províncias, o país continuava fiel à Coroa e à monarquia, azul e branco como sempre, com pouca vocação para envergar o barrete da república, arrastando uma herança Liberal, fruto do sonho de um Príncipe e que jamais existira verdadeiramente, deturpada que fôra pelos sucessivos governos, que a seu modo fizeram e aplicaram as leis.

Nuno Gonçalves, goês nascido na Beira, investigador em História e apaixonado pela numismática, reuniu ao longo da sua vida uma biblioteca notável sobre assuntos indo-portugueses. «Há poucos anos» (não precisa quais, mas foi «já depois do 25 de Abril»), propôs a um ministro português (esconde quem) a oferta desse espólio bibliográfico: «Disse-lhe que, num certo sentido, Portugal não tinha perdido a Índia. Disse-lhe que não fizessem museus, mas criassem um instituto vivo.» O Governo respondeu que «não havia dinheiro nem para fazer estantes nem para empregados».

É curioso o percurso deste investigador em História (neto de Júlio Gonçalves, o responsável pela divulgação em Goa de todos os autores do Romantismo, em cima da hora europeia), também apaixonado pela numismática, que tem como ex-líbris «O sol quando nasce é para todos». Em 1933, com 19 anos e estudante do liceu, reproduzia já na «Revista Académica de Instrução e Recreio» uma citação que resume a orientação de todos os seus estudos. «Nada é mais louvável que o consagrar as vigílias ao bem do seu país e de lhe prestar homenagem com conhecimentos adquiridos por longos estudos e penosos trabalhos» (Moniteur, 24 de Julho de 1818).

A jovem Zona Vitivinícola do Varosa abrange parte da área dos concelhos de Armamar, Lamego e Tarouca. Região vizinha da do Douro e do vinho do Porto, algumas das castas com que se elaboram os seus vinhos de mesa e os seus afamados espumantes são as mesmas de que se faz o generoso duriense. É o caso das castas Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Francesa e Touriga Nacional. Além destas, a Alvarelhão é também recomendada para os tintos. As castas para os brancos são: Malvasia Fina, Arinto, Borrado-das-Moscas, Cercial, Códega, Gouveio ou Verdelho, Fernão Pires e Folgosão.

Eram onze horas da manhã e aguardava-se a chegada do Presidente da Índia, Shanker Dayal Sharma. Uma brisa suave fazia ondular o tecto de pano indiano da tenda colocada junto ao seminário de Rachol, em Goa. Nas cadeiras frente ao palco -- discretamente vigiadas por uma segurança aprumada e de luvas brancas --, sentavam-se já os vários dignitários convidados para a cerimónia da inauguração oficial, com todas as honras, a pompa, a circunstância e a dignidade de que a Índia é capaz, do Museu de Arte Cristã de Rachol, o maior e mais rico conjunto de arte sacra da Ásia.

O motorista do autocarro estava apavorado. Em plena noite, a poucos quilómetros da estalagem onde as excursões turísticas habitualmente param no percurso entre Nova Deli e Agra, a cidade do visitado mausoléu Taj Mahal, um outro autocarro esmagara uma criança de uma aldeia próxima. A população, furiosa, obrigava todos os carros a parar e maltratava os ocupantes. Embora a polícia já tivesse sido chamada e assegurasse que a ordem fora restabelecida, o condutor continuava enervado. «Da última vez, a estrada ficou cortada três dias», murmurava, aflito.

Ao longo da estrada são inúmeros os casos de camionetas viradas e com a carga a ser removida para outros veículos ou simplesmente abandonadas. Em quatro dias consecutivos, diversos jornais noticiaram choques vários, entre autocarros ou com um comboio de mercadorias, bem como o despiste de uma ponte abaixo. Ao todo, mais de 130 mortos e 150 feridos.

O jornalista radiofónico e antigo apresentador Alfredo Alvela foi encontrado morto ontem de madrugada, no quarto da pensão onde se hospedava, no Porto. Na situação de reforma da RDP desde 1992, Alfredo Alvela Pires da Silva, 59 anos, iniciou-se na Rádio Electromecânica, passando em seguida para os estúdios no Porto do Rádio Clube Português (RCP). Trabalhou posteriormente nos programas dos Parodiantes de Lisboa, e em particular no PBX, uma emissão diária de duas horas que obteve grande sucesso no final dos anos 60 e no início da década de 70, também no RCP, e apresentou concursos na RTP. Teve ainda uma participação no filme «A Costureirinha da Sé», de Manuel Guimarães (1958). Senhor de grande capacidade de improviso, ficaram célebres as suas intervenções em directo para o Rádio Clube Português, ocupado pelos oficiais do movimento dos capitães, em 25 de Abril de 1974, e a reportagem, dias depois, da viagem de comboio de Paris para Lisboa do casal Soares. À hora de fecho desta edição desconhecia-se ainda a data do funeral, uma vez que as circunstâncias em que morreu implicaram a sua autópsia, ontem à noite.

O novo Instituto congrega, numa mesma entidade, as funções até agora repartidas pelo Secretariado Nacional para o Audiovisual (SNA) e o Instituto Português de Cinema (IPC). Ou seja: por um lado, o apoio à actividade cinematográfica no que respeita ao apoio à produção, à distribuição e à exibição, feito pelo IPC; por outro, a capacidade de criar regulamentação para o sector e continuar a representação portuguesa nos programas europeus (o programa comunitário Media e o Fundo Eurimages, do Conselho da Europa), funções até agora atribuídas ao SNA, pelo Conselho de Ministros.

O Presidente da República aceitou presidir nos próximos dias 26 e 27, à inauguração de Lisboa , Capital Europeia da Cultura (Lisboa 94). O convite a Mário Soares foi feito ontem, formalmente, pelo presidente da Sociedade Lisboa 94, Vítor Constâncio, que para o efeito, foi ao Palácio de Belém. O programa de inauguração integra, além de uma sessão solene na manhã do dia 26, no Centro Cultural de Belém, um concerto da Orquestra Sinfónica de Londres dirigida pelo maestro Georg Solti, no remodelado Coliseu de Recreios de Lisboa, no dia 26 às 11 horas e no dia 27, às 21h30. Em declarações aos jornalistas, Constâncio garantiu estar tudo pronto para a inauguração, mas reconheceu a existência de vários problemas, que considerou naturais «num evento que envolve centenas de acontecimentos». Vítor Constâncio lamentou que a Torre de Belém, «ex-libris da cidade», esteja fechada até, pelo menos, Setembro, para obras de restauração. Segundo o presidente da Comissão Lisboa 94, trata-se de uma «infeliz coincidência» que poderia ter sido ultrapassada, «mas está em causa um projecto com financiamento comunitário». Quanto aos obstáculos levantados pela nova administração da EPAL ao financiamento acordado pela anterior administração para a recuperação do reservatório subterrâneo da Patriarcal, sob o jardim do Príncipe Real, onde estava previsto criar uma zona de exposições de Lisboa-94, frisou que este «é um problema novo que será ultrapassado».

MEDIADOR DA ONU APELA A LUANDA E UNITA -- O representante especial da ONU para Angola, Alioune Beye, apelou ontem em Lusaca ao Governo e à UNITA para que tenham «a vontade política» suficiente para suspender os combates no terreno, que ameaçam «pôr em causa as negociações». Numa conferência de imprensa, Beye tentou contrariar uma leitura pessimista da lentidão das conversações, justificando-a pela necessidade de que «a futura paz seja assente no betão e não em mal-entendidos ou equívocos». Referindo os 37 dias gastos para se chegar a um acordo sobre a questão da polícia, negou que isso fosse uma «perda de tempo», dando a entender que era o preço de uma paz sólida. Em Luanda, fontes militares disseram à Reuter que os confrontos continuam intensos, designadamente na região do Huambo. Por sua vez, a rádio da UNITA acusou a aviação governamental de ter morto 300 pessoas na província do Bengo, em bombardeamentos maciços. As atenções dos protagonistas do processo de paz angolano estão agora voltadas para a Costa do Marfim, onde o funeral do antigo Presidente Houphouet-Boigny juntará na próxima segunda-feira, além de Mário Soares, Jonas Savimbi e o presidente do parlamento angolano, França Van-Dunem, o próprio mediador Alioune Beye.

Jirinovski promete demonstração de arma secreta -- O líder ultranacionalista russo Vladimir Jirinovski afirmou que «poderá autorizar» hoje, na Bósnia, uma demonstração de uma nova arma secreta -- e invencível -- de que a Rússia dispõe. Isso poderá acontecer quando visitar Brcko, perto da linha da frente entre sérvios e muçulmanos bósnios. Jirinovski, que falava durante uma visita ao Montenegro, afirmou que «os nossos cientistas inventaram uma arma sónica. Não faz mal ao ambiente e não há antídoto para ela». Não é a primeira vez que o líder da extrema-direita russa menciona uma arma secreta: em Dezembro falou do «elipton», apresentando-o como algo muitas vezes mais poderoso que a bomba atómica. As suas «revelações» foram desmentidas pelas autoridades militares russas. Jirinovski está em visita aos «irmãos sérvios» dos Balcãs (ver pág. 9) e tem afirmado que o conflito na Bósnia não é mais do que «um prelúdio» da III Guerra Mundial.

O novo juiz-conselheiro do TC no Funchal, nomeado ontem por Sousa Franco, era o magistrado do Ministério Público com categoria mais elevada na Madeira e, para além de procurador-geral adjunto, exerceu as funções de auditor do ministro da República nesta região autónoma.

O encontro semanal de quinta-feira entre o Presidente da República e o primeiro-ministro foi antecipado para hoje, devido à deslocação de Mário Soares a Paris. Embora a reunião do Conselho de Ministros se mantenha para quinta-feira, Cavaco Silva deverá dar conta ao Presidente dos principais assuntos em agenda, entre eles o nome do almirante Fuzeta da Ponte que o Governo propõe para o cargo de chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. A nomeação do novo CEMGFA terá ainda que obter a confirmação do Conselho Superior de Defesa Nacional, também presidido por Mário Soares. Deverá ser já Fuzeta da Ponte a indigitar, por intermédio do ministro da Defesa, o próximo presidente do Supremo Tribunal Militar, o único general que, além do CEMGFA, é detentor das quatro estrelas douradas.

Os juízes, no entanto, não desculparam nenhum dos suspeitos. João Trindade, depois de anunciar as penas, deixou transparecer a opinião que o colectivo formou mas não pôde dar como provada: "Os arguidos absolvidos não poderão interpretar esta decisão como uma reabilitação. Não podem sair do tribunal de cabeça erguida, pois esta decisão resulta do refúgio de parte deles na escuridão da noite, do número de intervenientes, do tempo decorrido e do apoio do sistema processual-penal". E nenhum deles, na verdade, deu asas à alegria de um modo que pudesse perturbar o desespero dos condenados. Paulo Branco, o único arguido que manifestou publicamente, nas páginas deste jornal, a sua discordância com o modo como o processo foi instruído, observou apenas, no final do julgamento: "Caiu o Empire State Building sobre o Ministério Público".

«Não quero fazer um juízo sobre o resultado da sentença em si mesma, mas entendo que esta não deve ser agravada só para que constitua um exemplo para os outros.» Foi desta forma que D. António Francisco Marques, bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal de Acção Social, comentou ao PÚBLICO o veredicto do julgamento de Coimbra, em que Vítor Rodrigues (um dos 16 jovens acusados de violação e maus tratos a prostitutas) foi condenado a 15 anos de prisão, no que tem sido considerado «uma pena exemplar».

A presidente da Comissão Para a Igualdade dos Direitos das Mulheres recordou ainda que tudo aquilo que se passou em Coimbra «é um crime grave, que nos faz reflectir dada a pouca idade dos jovens que exerceram a violência; todos eles nasceram com o 25 de Abril e não fizeram a aprendizagem do direito à privacidade e à liberdade de as pessoas serem aquilo que são». Para Ana Vicente, «ninguém tem o direito de exercer violência contra outra pessoa, mesmo quando se trata de uma mulher que anda na prostituição». Fez ainda questão de lembrar que «o que se passou em Coimbra é revelador de como estas mulheres são desconsideradas e vem colocar na ordem do dia a questão da legalização dos bordéis».

As situações de violência vividas pelas mulheres cujos agressores foram ontem julgados em Coimbra, são frequentes na generalidade dos meios onde se pratica a prostituição. Em Lisboa, não são raros os casos em que as prostitutas que andam na rua, à noite, são abordadas por um suposto cliente que as leva, de carro, para uma zona escura e deserta onde os espera um grupo de homens. É a «geral», costuma-se dizer, na gíria, conta Inês Fontinha, responsável do Ninho, uma instituição dedicada ao acolhimento de prostitutas. As mulheres são violadas e maltratadas por cada homem e depois abandonadas.

Na violência sexual, integram-se também o assédio sexual no local de trabalho e o tráfico de mulheres que constam também das queixas apresentadas à comissão. Há igualmente maior registo de denúncias de violações o que não significa, porém, segundo Ana Vicente, que se verifiquem agora mais casos. O que há, diz, é «maior abertura» para falar sobre estes assuntos. O aumento da toxicodependência é, para Ana Vicente, uma das explicações do agravamento da violência contra as mulheres na sociedade portuguesa. E, sobre esta temática, foi já encomendado um estudo à Universidade Nova de Lisboa que se prevê estar terminado no próximo ano.

A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (AEFCUP) enviou à ministra da Educação uma carta aberta onde pede a revogação da lei das propinas. Esta é a condição que os dirigentes de Ciências do Porto apresentam para que se desenvolva um debate «sem pressões nem ameaças» em torno do ensino superior.

Para os alunos de Ciências do Porto, a única alteração da nova proposta da lei das propinas «é a exigência, por parte do Ministério da Educação, de que haja um aumento do número de alunos a pagar propinas e simultaneamente um acréscimo no montante a pagar». Porque dizem que continuam sem saber para onde foi o dinheiro das propinas do ano passado, aqueles dirigentes estudantis são «contra o princípio das propinas, na maneira como está estabelecido».

A Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto tem abertas inscrições para um campo de aventura que vai decorrer entre os dias 20 e 26 de Fevereiro, em Tavira. Até ao dia 11, podem inscrever-se equipas de 10 estudantes do ensino superior do Porto (cinco rapazes e cinco raparigas). Aos candidatos exige-se espírito de aventura para desportos radicais e algumas outras capacidades. É que, para além das provas desportivas (futebol, voleibol, canoagem, tiro ao arco, «bungee jumping», entre outras) os estudantes terão também que mostrar o que valem num concurso de fotografia ambiental e na dança de salão. Para participar, cada equipa terá que pagar 95 mil escudos, que dará direito a viagem, estadia e alimentação.

Em Novembro da ano passado, 30 alunos e seis professores dinamarqueses estiveram em Portugal concretizando uma visita de estudo que tinha os contornos de uma perfeita aventura. O objectivo era o de estudar as diferenças entre os países do Norte e do Sul da Europa e o resultado foi de tal forma positivo que já estão a vender flores e bilhetes postais para conseguirem fundos para uma nova visita a Portugal.

Foi uma longa reunião de mais de três horas. No final, os estudantes não pareciam entusiasmados. Cavaco Silva ouviu, falou, mas disse pouco daquilo que eles queriam ouvir. Fez aquilo que Vigário designou como «um apelo ao saque» dos fundos comunitários, mostrou-se sensível aos problemas da acção social escolar, disse que ia tentar ajudá-los a obterem alguns diplomas que estão no Parlamento, falou sobretudo de restrições orçamentais. E pouco mais. A montanha pariu um rato.

Ficou a saber-se que tem uma perspectiva dos problemas da educação «desfocada» da realidade, na opinião dos estudantes que constataram «ignorância» nalguns assuntos e «perplexidade» noutros. Às queixas dos estudantes sobre a forma como eram sistematicamente ignorados na elaboração de diplomas sobre matérias que lhe diziam respeito, o primeiro-ministro prometeu enviar-lhes exemplares da lei sobre a avaliação das universidades que se encontra na Assembleia da República há três meses.

O Sindicato Democrático de Professores (Sindep) está a recolher assinaturas para apresentar uma petição na Assembleia da República destinada a exigir o grau de licenciatura aos cursos dos professores do primeiro ciclo e educadores de infância.

Não é tudo. A par desta inovação o presidente do Sindep defende a criação de um ano zero de escolaridade obrigatória, destinado a preparar as crianças para os estudos que se aproximam. «É uma solução espantosa», considera Chagas. «Todos os grupos parlamentares com quem falámos disto estão de acordo».

O Sindicato dos Professores da Região Centro vai lançar uma campanha em todos os estabelecimentos de ensino superior da zona intitulada "Tomar a iniciativa". A ideia insere-se no movimento nacional da Fenprof que pretende um debate alargado sobre o estatuto da carreira docente dos ensinos universitário e politécnico, com vista a apresentar uma proposta de revisão.

É que, entre outras exigências (ver PÚBLICO de ontem), o SPRC quer uma revalorização material da carreira docente do ensino superior. Argumenta que, a nível remuneratório, estão em desvantagem relativamente a outros corpos especiais da função pública. Só que Manuela Leite já avisou que está disponível para discutir tudo, desde que não tenha a ver com a parte remuneratória.

«Pequeno Buda», de Bernardo Bertolucci, inaugura no dia 10 de Fevereiro a 44ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, para o qual estão anunciadas 13 estreias mundiais e oito internacionais entre os 22 filmes a concurso -- dois terços dos quais, segundo Moritz de Hadeln, director da Berlinale, são europeus, de países como a Itália, Espanha, Hungria Polónia, Rússia e Grã-Bretanha.

No dia 21 de Fevereiro, o palmarés do festival será atribuído por um júri constituído, entre outros, pelos realizadores Maria Luisa Bemberg, Francis Girod, Carlo Lizzani, Susan Seidelman, pelo actor Morgan Freeman e pela produtora de «Adeus, Minha Concubina», Hsu Feng. O presidente é Jeremy Thomas, produtor de «Pequeno Buda», que amanhã estreia em Portugal.

Como dizem os brasileiros, o Chico "arrasou". Num triunfal reencontro com a plateia carioca, seis anos depois de "Francisco", seu último espectáculo no Rio de Janeiro, Chico Buarque voltou ao palco do Canecão como quem volta de um longo e lamentoso exílio: «Pensou que eu não vinha mais, pensou?/cansou de esperar por mim?/acenda o reflector/apure o tamborim/aqui é o meu lugar/eu vim.»

Chico confessa que ficou quatro anos sem gravar por falta de repertório. Diante da dificuldade, disse, «inventei o recital». Antes ele tratou de reconciliar-se com o violão numa tournée europeia que o trouxe a Lisboa e ao Porto, em Junho do ano passado. Na ocasião, os portugueses conheceram cinco das novas canções agora apresentadas aos brasileiros, entre elas, "Choro Bandido", "Piano na Mangueira" e a nova versão de "Pivete", a história de um garoto de rua do Rio de Janeiro, gravada com arranjo original de Francis Hime, em 1978. Além de uma introdução instrumental, a canção ganhou o refrão "Monsieur have money pra mangiare?", uma evocação "esperantista" do assédio de um menino de rua aos turistas estrangeiros, na Igreja da Candelaria.

«Nova -- Encontro da Cultura Contemporânea e das Causas» vai realizar-se em Cascais, nos dias 26 e 27 de Março. O encontro, segundo o dossier de imprensa, tem como objectivo «analisar a situação a que chegou a cultura portuguesa após anos de governação inconsequente, algumas iniciativas folclóricas e uma enorme vontade de afirmação cultural das novas gerações». Os organizadores sentiram a necessidade de «promover um debate numa perspectiva diversa do discurso patrimonialista e intervencionista de certa esquerda e da visão comemorativa e economicista da direita».

O grupo parlamentar do Partido Socialista tem pronto um projecto-lei para regulamentar a utilização de detectores de metais. O aparelho é a habitual arma dos caçadores de tesouros, o pesadelo dos arqueólogos, que amanhã vão ser ouvidos pelo PS, numa altura em que está em fase de arranque a sua associação profissional.

‚ Eric Clapton, o guitarrista de «rock» britânico, está a reconstruir a sua vida devastada por álcool, drogas e pela morte do seu filho. Diz que agora uma só bebida alcoólica o mataria. A estrela do «rock'n'roll», que admite ter pensado no suicídio na sua batalha contra o alcoolismo e a dependência de heroína, confessa que ainda pensa em tomar uma bebida quando está a atravessar uma crise. «Mas se eu tomasse uma bebida provavelmente estaria a matar-me. A ideia de uma bebida para mim é fantástica e fascinante, mas ao mesmo tempo é uma impossibilidade, porque reconciliar-se comum copo é demasiado e uma centena não é suficiente», declarou à revista «Q». Clapton, agora com 48 anos, considera que a sua fama como um dos mais famosos guitarristas em todo o mundo nunca o tornou feliz e levou-o a uma espiral de de álcool, cocaína, ácido e heroína. No entanto, há seis anos que ele não toca no álcool, nem mesmo quando enfrentou a tragédia da morte do seu filho de quatro anos de idade, Conor, por ter caído acidentalmente de uma janela .

A criação do IPACA decorre da promulgação da nova Lei do cinema, em Outubro do ano passado, que substitui a anterior Lei de 1971. A importância do Conselho Consultivo (CC) no IPACA, em relação à estrutura do antigo Instituto Português de Cinema (IPC), fica reforçada, uma vez que o novo instituto tem por fim "a execução da regulamentação, a fiscalização e a promoção da actividade cinematográfica" e o "apoio à produção audiovisual", sendo obrigatória a consulta deste órgão.

A notícia da antecipação da data da próxima Feira do Livro do Porto -- que decorrerá de 21 de Abril a 8 de Maio, no Pavilhão Rosa Mota -- não foi bem recebida por alguns editores e livreiros. O primeiro a manifestar-se foi Lyon de Castro, da Europa-América, que em carta enviada à Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) protestou contra o facto de a decisão ter sido tomada «sem prévio conhecimento dos editores». E enunciou os prejuízos que tal antecipação acarreta, tanto no campo editorial e da organização das férias do pessoal das editoras, como nos hábitos instalados no leitor.

O protesto da Europa-América é corroborado pela Editorial Presença, que também protestou junto da APEL contra a antecipação. Também o livreiro portuense Fernando Fernandes, da Livraria Leitura, a considera prejudicial para a actividade livreira, nomeadamente por decorrer ainda no período escolar. «Não percebo que uma associação que é também de livreiros aceite essa antecipação», disse.

O alargamento do ciclo já anteriormente existente das Grandes Orquestras Mundiais da Fundação Gulbenkian, decorrente de Lisboa ser Capital da Cultura, transformou-se numa iniciativa de excepcional significado. De facto, o acontecimento reveste-se de um alcance especial no nosso contexto, já que são por de mais raras as hipóteses de um melómano português poder ouvir e ver uma integral das sinfonias de Mahler por algumas das mais conceituadas orquestras do panorama internacional.

Na primeira parte do concerto, ao incipiente e monótono Estudo sobre um hino Norueguês, de M. Am, caracterizado pela ausência de ideias musicais verdadeiramente interessantes, suceder-se-ia uma 3ª Sinfonia de Brahms, que acabou por se tornar o "necessário" balão de oxigénio. Se bem que tivéssemos presenciado uma leitura modelar da obra, um pouco mais de lirismo e efusividade teriam seguramente animado a sua execução. Esse nível de perfeição suprema, que se tem vindo a afirmar como a bitola habitual da actividade do jovem maestro, foi, de facto, atingido na segunda parte do concerto, de forma absolutamente fulgurante, com uma memorável visão da 10ª de Chostakovitch.

Quem esticasse bem as orelhas no meio do zum-zum, ouvia falares espanhóis, italianos, franceses, ingleses e uns sons guturais denunciadores da Europa do Norte. E ouvia português, é claro, na inauguração, em Paris, da exposição da "Doação Vieira da Silva" ao Museu Nacional de Arte Moderna (MNAM). Mais de quatro centenas de pessoas acorreram na terça-feira ao "vernissage" no MNAM, instalado no 4º andar do Centro Georges Pompidou. E o registo da imprensa não era menos concorrido: "medias" franceses, latinos, germânicos, nórdicos, americanos, até o "Times of India", vieram todos dar conta do evento.

Nota-se uma preocupação especial com as primeiras obras da artista, no anos 30, nomeadamente com as telas "Les Tisserands" e "Les Lignes". "É um primeiro período menos conhecido, mas extraordinariamente rico", frisa Ameline. "Le Désastre", realizado no Brasil em 1942, visão apocalíptica da guerra, provoca um verdadeiro choque logo na entrada da galeria das exposições permanentes. A convulsão dos traços lineares contrasta com a serenidade no rosto de Vieira da Silva, tão jovem e tão bela, fotografada pela mesma altura no Brasil. Uma certa angústia perpassa ainda nas obras dos anos 40 e 50, "Egypte" ou "Les Grandes Constructions".

O Presidente da República aceitou presidir à inauguração de Lisboa Capital Europeia da Cultura 1994, marcada para o dia 26. O convite a Mário Soares foi feito formalmente na terça-feira pelo presidente da Sociedade Lisboa 94, Vítor Constâncio, recebido em audiência no Palácio de Belém. O programa de inauguração começa com uma sessão solene, de manhã, no Centro Cultural de Belém. À noite, no remodelado Coliseu de Recreios de Lisboa, haverá um concerto da Orquestra Sinfónica de Londres dirigida pelo maestro Georg Solti e tendo Pedro Burmester como solista, cujo acesso é limitado a portadores de convites. Nessa ocasião, Sir Georg Solti, que tem dupla nacionalidade, húngara e britânica, será condecorado por Soares. O concerto é repetido no dia 27, às 11h, para permitir o acesso do público portador de bilhetes, já à venda.

A publicação, em hebreu, de «Viagem ao Fim da Noite», de Ferdinand Céline, está a provocar polémica em Israel. «Céline era o pior dos escritores anti-semitas franceses. Reclamava a exterminação dos judeus em jornais colaboracionistas», recorda o historiador do fascismo Zeev Sternhell. Nas páginas do diário «Haaretz», Sternhell afirma que o facto de uma editora israelita publicar obras de Céline, «ainda que pela sua qualidade literária», resulta na «banalização do nazismo e do holocausto». «Em regra, sou contra a censura. Mas há excepções», acrescenta. Visão oposta tem um outro historiador, Tom Seguev. No mesmo jornal, defende que «os judeus têm o direito de saber». Céline, diz, «publicou textos racistas e anti-semitas. Mas não é o caso de `Viagem ao Fim da Noite', um livro antimilitarista e humanista».

Nasceu em Évora e viveu em Itália. Depois de Vieira da Silva, que nasceu em Lisboa e viveu em França, onde acaba de ser inaugurada uma exposição no Beaubourg, é o pintor internacionalmente mais representado em museus estrangeiros de primeira grandeza. Entre ambos há cinco séculos de pintura, de emigrações, de relações culturais e de Estado. De alguns equívocos e muitas revelações.

Se Vieira da Silva produziu algumas centenas de obras, tem larga bibliografia e colocação internacional e, entre nós também, a garantia de vasto mercado de coleccionadores oficiais e particulares -- de Álvaro Pires recenseou-se apenas uma escassa trintena de pinturas. Dessas, apenas dez se apresentam; perdeu-se o rasto de várias e outras não viajaram por razões de segurança. Mas numa secção final da excelente montagem apresentam-se todas as obras identificadas. Nenhuma, porém, pertence a Portugal. Mas, na "corrida" dos privados nacionais à aquisição de uma obra de Álvaro Pires, negociações começadas há meses pelo Estado, o Banco Comercial Português aparece como o melhor colocado.

A direcção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) solicitou na terça-feira de manhã ao presidente da Assembleia Geral, Gilberto Madaíl, a marcação urgente de uma AG para discutir o Regulamento de Transferências, entre outras razões, fundamentalmente ligadas ao caso Luís Manuel/Ovarense/Sporting, porque a FIFA passa a chamar a si a aprovação desses regulamentos.

Recorda Angelino Ferreira: «Como os clubes não chegaram a acordo, a Comissão Arbitral dirimiu e chegou a uma decisão, fixando um prazo para o Sporting pagar a indemnização, e a partir daí conta juros. Como o Sporting não pagou, o processo passou ao CD, que abriu um processo disciplinar e decide multar o Sporting em metade da indemnização. O Sporting voltou a não pagar e o CD toma outra decisão, que é agravar a multa em metade. O Sporting recorre para o Conselho de Justiça, pedindo que o processo fosse apreciado pelo Pleno. O acórdão do CJ foi no sentido de o Sporting ter que pagar a indemnização e as multas e, no caso de não o fazer, serem-lhe retidas as receitas e ser impedido de registar contratos.»

A direcção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu, na sua reunião de terça-feira, abrir as propostas de seguros para dirigentes e técnicos desportivos. Neste encontro, para além das decisões respeitantes ao «caso» Luís Manuel, o executivo federativo tomou ainda conhecimento do relatório sobre o inquérito ao ex-seleccionador Carlos Queirós, elaborado pelo advogado João Gomes. Entretanto, os árbitros portugueses vão passar todos agora a usar o equipamento da Adidas, depois de o presidente do Conselho de Arbitragem (CA), Laureano Gonçalves, ter firmado com a direcção da FPF, na terça-feira, a aceitação deste patrocínio. Laureano Gonçalves apresentou também ao executivo um projecto de semiprofissionalização dos árbitros portugueses, o qual deverá também ser enviado à UEFA e FIFA.

Uma aberta e multidisciplinar discussão de toda a temática futebolística, com particular atenção ao «Mundial» dos Estados Unidos e o futuro da modalidade, servirá de campo de debate do «Simpósio Internacional de Futebol», organizado pelo jornal «A Bola», com o alto patrocínio da federação Internacional de Futebol (FIFA) e apoio do Ministério da Educação.

Na jornada que assinalou o meio da temporada regular da Liga Norte-Americana de Basquetebol Profissional (NBA), os New York Knicks venceram os Boston Celtics, por 114-79. Jogando em casa e vindos de três vitórias fora, os Knicks ganharam balanço e conseguiram a vitória mais dilatada da época, não dando quaisquer hipóteses aos Celtics, uma equipa que, apesar de estar longe do brilho dos outros tempos, também vinha de uma série de sete vitórias seguidas.

Quem sofreu nova derrota foram os Houston Rockets, que perderam em Salt Lake City com os Utah Jazz, por 104-88. Karl Malone, com 29 pontos e 12 ressaltos, teve um papel decisivo no desfecho da partida, que assinalou a primeira vitória dos Jazz nos três jogos que disputaram esta época com os Rockets. Mesmo assim, a equipa de Houston continua isolada na frente da Divisão Médio-Oeste, com 31-11, onde os Jazz são terceiros, com 29-15.

A senhora de 50 anos, ar frágil de dona de casa e cachecol madrilista, não se conteve quando do primeiro golo: «Hijo de puta», «hijo de puta», gritava contra o marcador, numa imagem clara transmitida pela televisão. Bem antes, no relvado, os da casa já tinham começado a caça às pernas do adversário...

Há dois anos, para honrar o compromisso com o Tenerife -- que o tinha contratado pelos seus méritos de comentador desportivo, embora ele não tivesse experiência como treinador --, recusou o convite para substituir o holandês Beenhakker no banco do Real. Desde então, e após Benito Floro ter progressivamente delapidado a sua posição aos olhos dos directores e sócios do clube de branco, Valdano aparece cada vez mais como a opção do futuro.

A russa Irina Privalova estabeleceu terça-feira um novo recorde do mundo nos 50m femininos em recinto fechado, com o tempo de 6,03s, durante o torneio internacional de atletismo de Moscovo. A jamaicana Merlene Ottey foi a segunda na prova, com 6,18s. Privalova já pertencia a Privalova desde 2 de Fevereiro de 1993, com o tempo de 6,05s, e fora também alcançado na capital russa.

A Ferrari apresentou ontem o seu novo carro, que vai participar no «Mundial» de Fórmula 1 deste ano, com o presidente Luca di Montezemolo a prometer o ressurgimento da escuderia italiana. A Ferrari já não ganha uma corrida desde a vitória no Grande Prémio de Espanha de 1990. O motor Ferrari V12 equipa o carro, que inclui ainda uma caixa de velocidades desenhada pelo britânico John Barnard, um novo sistema de suspensão e uma aerodinâmica renovada. «Introduzimos novas técnicas e estamos optimistas. Vamos tentar vencer provas e penso que temos o equipamento para isso», disse Gerhard Berger, piloto da marca.

Enquanto os tripulantes e os iates descansam das canseiras do mar, o público neozelandês continua a dar um cunho de festa à Whitbread. Num porto recheado de atracções, milhares e milhares de curiosos divertiram-se e aprenderam durante o dia de segunda-feira, aniversário da cidade de Auckland.

Dezenas de bares e restaurantes, bem como várias lojas de «souvenirs», estiveram apinhados de gente, que, para aguentar o calor de 30° C, ingeriu milhares de litros de cerveja, a acompanhar toneladas de «hamburgers», cachorros quentes e as comidas mexicana, italiana, tailandesa, chinesa e japonesa que compunham a variada ementa à disposição. Artistas de rua -- palhaços, «performers», dançarinos -- chamavam a atenção do público, que incluía muitas famílias oriundas de várias cidades ao redor de Auckland.

A libertação dos terrenos da Expo'98 ficou facilitada ontem, com o acordo entre a empresa que prepara a exposição internacional de Lisboa e a Petrogal. A companhia petrolífera recebe 12 milhões de contos, mais o que vier a ser acordado quanto ao valor dos terrenos. As gasolineiras estrangeiras ainda não chegaram a acordo mas, tal como as restantes empresas instaladas na área, têm agora menos campo de manobra.

Ao abrigo do acordado, compete à Parque Expo'98 suportar os custos de adaptação do mini-parque de combustíveis, estimados em 700 mil contos, e à Petrogal assegurar a parte técnica. Este mini-parque, que funcionará até final de 1996, contará com parte dos activos que a Petrogal mantém em Cabo Ruivo e visa assegurar o abastecimento da Grande Lisboa até à instalação do parque definitivo de combustíveis para a zona centro do país. A partir de 1997, a Petrogal, possivelmente em associação com outras petrolíferas, terá de colocar em funcionamento um «pipeline» entre a refinaria e o porto de Sines e a margem norte do Tejo, que posteriormente assegurará o envio de combustíveis para a zona centro e para o aeroporto de Lisboa. Esta «solução definitiva» está orçada em 40 milhões de contos, afirmou Viana Baptista.

Os investidores da Bolsa de Frankfurt estiveram ontem pouco activos durante a maior parte da sessão de bolsa. No final do dia este défice de acção repercutiu-se no volume de negócios que foi um dos mais baixos dos últimos dias. Ainda assim as cotações terminaram em alta ligeira. Os investidores aguardam pela reunião do Bundesbank a realizar hoje. O índice DAX terminou nos 2184,01 pontos, mais 0,2 por cento que na véspera.

O sector das empresas de construção registou ontem uma valorização de 3,26 por cento na Bolsa de Madrid. Igualmente em alta estiveram os títulos das empresas de comunicação com um avanço de 2,99 por cento. O volume de negócios do contínuo espanhol traduziu a animação do mercado, atingindo os 48 mil milhões de pesetas. No final da sessão o índice Geral cotou-se nos 356,47 pontos, mais 1,48 por cento face ao valor de terça-feira.

A meio da sessão de ontem as acções cotadas na Bolsa de Nova Iorque não registavam alterações significativas face aos valores de fecho de terça-feira. Um analista afirmou que os investidores estão agora mais afastados do mercado depois do máximo histórico alcançado no primeiro dia da semana. Para breve é de prever um novo relançamento das cotações, mesmo que antes os valores tenham de descer ligeiramente, afirmou um analista.

O vector de risco da Bolsa de Zurique foi único, no quadro das grandes bolsas europeias, que ontem desceu de forma acentuada. Este comportamento está ligado à necessidade de reajustamento que o mercado vinha a pedir. As ordens de compra também faltaram, ampliando o sentimento negativo. No fecho, o índice Swiss Performance desceu 0,84 por cento para se fixar nos 1996,65 pontos. Os papéis mais procurados foram os Nestlé, Ciba-Geigy e UBS.

O conselho executivo do Banco de Espanha decidiu abrir um processo disciplinar a Mário Conde, ex-presidente do Banco Espanhol de Crédito (Banesto), e a todos os membros do conselho de administração destituídos no passado dia 28 de Dezembro. Deste modo, após a aprovação, na sexta-feira da semana passada, do processo desaneamento da instituição, o «caso Banesto» entra numa nova fase.

É com base nesta declaração, e nos elementos entretanto carreados pelos inspectores do banco emissor, que se procederá às averiguações. Segundo a lei espanhola que determina a intervenção e disciplina das entidades de crédito, cabe ao banco central a responsabilidade da instrução do processo no prazo máximo de 18 meses. No entanto, tudo indica que, no caso do Banesto, e dada a situação de crise do banco, se pretenda a maior celeridade possível, admitindo-se que, ainda antes do Verão, sejam apurados os factos e eventuais faltas. Caso estas últimas sejam consideradas «graves» ou «muito graves», a sanção pode ir da simples multa à mais radical inabilitação da actividade de banqueiro no prazo máximo de dez anos. Qualquer das penalidades terá de ser sugerida pelo banco emissor e caberá, posteriormente, ao Governo a decisão.

«O Tesouro recorrerá ao mercado externo de forma residual», é como um comunicado do Ministério das Finanças, ontem emitido, qualificou a importância que dará em futuras emissões nos mercados externos. Em declarações ao PÚBLICO, o secretário de Estado do Tesouro, Francisco Esteves de Carvalho, excusou-se a comentar a razoabilidade das emissões realizadas em 1993, considerando ser difícil avaliá-la num prazo de dez anos, mas acrescentou que «cada responsável tem o seu estilo». A emissão de obrigações em ecu, lançada segunda-feira simultaneamente nos Estados Unidos e no euromercado, teve a intenção de manter uma presença da República nos mercados externos e, segundo as Finanças, «saldou-se num sucesso», já que «teve colocação imediata e os custos associados foram extremamente baixos». O montante -- 750 milhões de ecus (cerca de 146 milhões de contos), por um prazo de dez anos e um cupão de 6,3 por cento anual -- «é inferior a metade do limite orçamental estipulado para endividamento externo, o qual, segundo o secretário de Estado, «não deverá ser atingido».

O empréstimo obrigacionista BEI/93 3ª emissão, composto por 15 milhões de títulos, será admitido à negociação, nos mercados oficiais das Bolsas portuguesas, no próximo dia 8 de Fevereiro. As obrigações são fungíveis, pelo que ficarão abrangidas pelo sistema de liquidação de operações de bolsa.

A Renault começou a desfazer-se da participação que detém no capital da Volvo AB, em resultado do falhanço do projecto de fusão entre os dois construtores. Ontem, o grupo francês cedeu nos mercados 4,82 por cento da sua participação na casa-mãe do grupo Volvo, passando agora a deter apenas 3,45 por cento do capital do grupo nórdico. Outra consequência da não-fusão é o encerramento da central comum de compras que os dois grupos tinham. Entretanto, em Paris, foi divulgado que a produção automóvel gaulesa recuou, o ano passado, 14,8 por cento.

O Governo alemão aprovou ontem os planos conducentes às privatizações dos correios e das telecomunicações germânicas, um processo que se iniciará já em 1996. Numa primeira fase, a Deustche Bundespost Telekom, a empresa de telecomunicações, a Deustche Bundespost Postdienst, os correios, e o Deustche Bundespost Postbank, o banco postal, passarão a constituir, já em 1995, três empresas separadas. Em 1996, a Deustche Bundespost Telekom começará a ser privatizada, num processo faseado. Das três empresas serão vendidos inicialmente 49 por cento do capital, mantendo o Estado a maioria por, pelo menos, mais cinco anos. A Telekom, recorde-se, está envolvidas em vários projectos internacionais, nomeadamente na criação de uma empresa conjunta com a France Telekom.

Desenganem-se os que acreditam estar o vector de risco português a necessitar de reajustamentos. Depois de no ano passado ter crescido mais de 54 por cento e em 1994 cerca de 10,83 por cento, não é provável, face à postura adaptada pela generalidade dos investidores, que nos próximos tempos ocorram «acertos» por períodos superiores a uma semana.

Ordem para comprar é agora, à imagem do sucedido desde Janeiro, a frase mais utilizada. Todos procuram comprar, poucos querem vender, portanto, é preciso acompanhar a oferta, muito simplesmente subindo a parada. Foi isso que sucedeu. Para alguns operadores contactados, assistiu-se a uma grande recuperação, que gera, se é que não sugere, algumas expectativas francamente optimistas. Por outro lado, as bolsas europeias continuam em crescendo, ajudando a suportar a tendência nacional.

Os mercados cambiais das principais praças estiveram ontem, na opinião de diversos operadores, «extremamente calmos» e com «as divisas a variarem muito pouco em relação umas às outras».

Relativamente à taxa de desemprego nos Estados Unidos, os analistas admitem uma subida de 6,4 por cento em Dezembro passado, para um valor oscilando entre 6,9 e sete por cento em Janeiro passado.

Arafat e Shimon Peres passaram por Davos e foram a atracção de um dia. Mas a Rússia, com o seu caos actual e o seu futuro incerto, monopolizou a atenção e foi a preocupação de todos os dias do Fórum Económico Mundial. O primeiro-ministro russo Viktor Chernomirdine fez os mais velhos lembrarem-se de Nikita Krustchev, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética entre 1956 e 1964, que tirou o sapato e bateu irritado na mesa, numa reunião da ONU, quando rejeitou críticas feitas ao seu país e afirmou: «São os russos que vão resolver os problemas dos russos».

O Fórum Económico vem logo depois do Acordo Geral do GATT, num momento em que se solidificam acordos regionais, não para se enfrentarem mas para se completarem. O clima mundial é de privatização e liberalização da economia, mas paralelamente o Fórum defendeu as boas condições sociais para as população. Em Davos defendeu-se igualmente o reforço da cooperação entre todos os países.

O provedor de Justiça aconselhou a Lipor a revogar o acto administrativo que adjudicou a empreitada de concepção, construção e exploração da estação de tratamento de resíduos sólidos Lipor II, a erguer na Maia, ao agrupamento CNIM/Esys Montenay, numa recomendação dirigida aos responsáveis por aquele concurso público. José Menéres Pimentel, no texto ontem divulgado, considera "ilegal" o acto de adjudicação, decidido em quatro de Janeiro passado, e aconselha a administração da Lipor a proceder a "todos os reajustamentos necessários" no concurso pela entrada em vigor do decreto-lei 379/93 que permite o acesso de capitais privados às actividades económicas de captação, tratamento e rejeição de efluentes e recolha e tratamento de resíduos sólidos.

Depois, o provedor refere-se às divergências existentes entre a proposta da CNIM e as condições estabelecidas no caderno de encargos, bem como às propostas de derrogações feitas pelo consórcio a quem foi formalizada a adjudicação, afirmando que "neste concurso, o caderno de encargos é totalmente vinculativo, sendo obrigatório, não só respeitá-lo na íntegra, como também aceitá-lo na íntegra, não sendo admissível a apresentação de propostas no sentido da sua alteração". Em relação ao financiamento do projecto, o provedor de Justiça considera que terá que ser assegurado pelo adjudicatário, mesmo que de futuro venham a ser aprovados dinheiros comunitários para a realização do projecto, deixando à Lipor, como dona da obra, um único encargo: o pagamento do preço por tonelada de lixo tratado.

No seguimento da sessão anterior, o Mercado Monetário de Escudos mostrou ontem um nível de oferta insuficiente face às necessidades da procura e em especial uma acentudaa concentração dos fundos num número muito reduzido de instituições.

No âmbito da dívida pública foram entregues as propostas para o leilão de 20 milhões de contos de Bilhetes do Tesouro a 364 dias. O débito à conta dos subscritores ocorrerá no próximo dia 7.

O Ministério do Emprego prometeu para hoje uma avaliação do problema laboral que afecta a Paracélsia, depois da actuação da Inspecção do Trabalho. A promessa foi feita após os 28 trabalhadores da Paracélsia, que têm os seus contratos de trabalho suspensos, se terem concentrado terça-feira frente às instalações da empresa, no Porto, e terem sido recebidos na delegação do Ministério do Emprego.

O Ministério das Finanças e a Comissão Europeia intensificaram esta semana os esforços para a resolução dos problemas colocados pela discriminação contra estrangeiros prevista na lei das privatizações, tentando deste modo evitar a abertura de um processo contra o Estado português no Tribunal de Justiça dos Doze.

A Telecel, o operador privado de telefones móveis, vai anunciar hoje um novo modelo tarifário que, à semelhança do que a TMN pôs em vigor na terça-feira, prevê taxas de assinatura e preços de ligação diferenciados conforme o tipo de utilização da rede por parte dos clientes.

Os jogos e a pesquisa artística serão o cavalo de Tróia da realidade virtual, proporcionando ao grande público o conhecimento desta tecnologia. Parques de diversões e casas de jogos terão em breve máquinas capazes de dar ao jogador a sensação de que entrou num novo mundo, artificial mas capaz de lhe proporcionar sensações reais. Por outro lado, demonstrações cruzando investigação e arte darão à realidade virtual um aspecto sério e cativante. Depois, os equipamentos chegarão ao mercado doméstico.

A Polónia encolheu substancialmente. A Áustria, a República Checa e a Eslovénia foram engolidas pela Grande Alemanha. As duas Macedónias e parte da Turquia fazem parte da Grande Bulgária. À «nova» Rússia regressam, para já, todas as ex-repúblicas soviéticas. É assim o novo mapa da Europa traçado pelo ultranacionalista russo Vladimir Jirinovski.

Se Jirinovski alcançar os seus objectivos, o mapa do mundo corre o risco de mudar de forma dramática. Então, porque não pedir-lhe para traçar, ele mesmo, o mapa com que nos vamos deparar no «seu» futuro»? Foi nisso que pensámos na revista geopolítica italiana «Limes». A entrevista foi realizada nas últimas horas de 1993. Provido de dois mapas do mundo, apresentei-me em Moscovo, no quartel general do Partido Liberal Democrático (PLDR), onde está instalado Jirinovski.

Esgotado o efeito das acusações da viúva de Willy Brandt contra os sociais-democratas alemães, os democratas-cristãos encontraram já um novo tema de combate em ano eleitoral. Intimaram ontem o social-democrata Johannes Rau a explicar-se publicamente sobre as acusações que lhe foram feitas num programa televisivo, segundo as quais ele teria pedido ajuda à antiga RDA, nas eleições de 1986 contra o actual chanceler Kohl, prometendo em troca reconhecer oficialmente a cidadania leste-alemã. Rau é o candidato social-democrata à Presidência da República. Dados como derrotados em todas as sondagens, os democratas-cristãos passaram a assentar a sua propaganda na denúncia duma cumplicidade histórica dos socialistas do Oeste com o antigo regime comunista do Leste.

O Governo do Kuwait anunciou a decisão de ratificar a convenção das Nações Unidas sobre a eliminação das formas de discriminação das mulheres, de 1979, mas com «reservas». Assim, as cidadãs do emirado passam a gozar formalmente de direitos iguais em matéria de acesso ao emprego ou escolha do marido. Mas não terão, por enquanto, o direito de voto. Um deputado kuwaitiano disse não excluir que o problema viesse a ser levantado no Parlamento, mas observou que na Grã-Bretanha as mulheres só tiveram direitos políticos após «décadas de democracia».

A imprensa austríaca dava ontem como acabado o escândalo da ligação extra-conjugal do Presidente da Áustria, Thomas Klestil, com a diplomata Margot Loeffler, sua colaboradora, depois desta ter sido transferida da presidência por ordem do ministro dos Negócios Estrangeiros, Alois Mock. Uma nota do gabinete de Mock assinala que, de acordo com os desejos de Loeffler e do Presidente, a diplomata, de 39 anos, além de transferida, iniciará também na segunda-feira uma licença por período ilimitado. A ligação de Klestil com Loeffler chegou a parecer ameaçadora para a continuação em funções do Presidente, de 61 anos, quando este anunciou que se separava da mulher e incluiu a diplomata na sua comitiva para uma próxima visita ao Egipto.

O rei Sihanouk, do Camboja, vai publicar um livro com as suas realizações como chefe de Estado entre 1955 e 1970, os chamados «anos de ouro», ou da «comunidade socialista popular» -- revelou ontem um comunicado do palácio real. O livro -- acrescenta a nota -- destina-se a corrigir a visão geralmente subestimada do nível de progresso industrial e agrícola alcançado pelo país durante esses anos. Em 1970, Sihanouk foi derrubado por um golpe liderado por uma «marioneta» dos norte-americanos, Lon Nol, e acabou por forjar uma aliança com os Khmer Vermelhos, que conquistaram o poder cinco anos mais tarde.

O Departamento de Estado americano acaba de examinar o mundo: 193 países e organizações respeitaram pouco ou nada os direitos humanos em 1993. Agora, os Estados Unidos vão decidir quem merece ser ajudado. Notas negativas para a Indonésia, por causa de Timor-Leste, e para os beligerantes angolanos. A Rússia vai no bom caminho mas a China só a meio.

O conselheiro do Departamento de Estado Timothy Wirth explicou o sentido e o alcance do documento de mais de mil páginas, afirmando que, com ele, a Administração põe o acento tónico nos conceitos de direitos humanos «em diplomacia». Segundo disse, é a democracia que leva à prosperidade económica, e daí à estabilidade política e à segurança. É pois neste sentido que deve ser interpretado o entusiasmo com que o secretário de Estado, Warren Cristopher, se referiu ao documento: «Extraordinário!»

A polícia egípcia matou sete fundamentalistas islâmicos numa operação que se prolongou por três horas, na noite de terça-feira, e que foi considerada a mais sangrenta desde o início do ano. O ministro do Interior, Hassan al-Alfi, explicou os fundamentalistas mortos faziam parte do grupo «dos elementos terroristas mais perigosos» do Egipto.

O combate aos fundamentalistas está a ser intensificado numa altura em que o poder se encontra numa posição frágil. O recente espectáculo de um antigo ministro do Interior egípcio, o temperamental general Zaki Badr, acusando no Parlamento o seu sucessor de uma série de crimes graves, desde cumplicidade no tráfico de heroína até ao desvio de milhões dos fundos da polícia, passando pelo pagamento de subornos a jornalistas para evitar críticas, abalou os egípcios já furiosos com um recente escândalo de corrupção que afectou os círculos próximos do Presidente Mubarak.

NO PRIMEIRO desafio da minoria sunita à hierarquia xiita no Irão, os residentes de uma cidade no sueste do país envolveram-se em confrontos violentos com forças policiais, como protesto contra a destruição de uma mesquita.

O jornal oficial «Hamchahri» atribuiu as culpas da violência a «elementos contra-revolucionários que começaram a lançar pedras sobre as forças da ordem». O Ministério do Interior referiu-se, por seu turno, a uma «conspiração com o apoio do estrangeiro, para boicotar as celebrações da revolução islâmica».

A esquerda italiana formalizou, na noite de terça-feira, a aliança que deverá apresentar às eleições legislativas de Março próximo. «Construímos uma bela máquina de guerra», declarou Achille Occhetto, líder do PDS (ex-comunistas), o pilar central da recém-formada Aliança progressista.

Os magistrados italianos continuam imparáveis e, enquanto no Norte dominam as investigações sobre a corrupção político-empresarial, no Sul os esforços estão centrados no ataque à Mafia. Uma vasta operação anti-Mafia, lançada na noite de terça-feira para ontem, atingiu pela primeira vez um outro nível da organização: conhecidos médicos e advogados encontram-se entre as 76 pessoas detidas ou procuradas na Sicília.

As primeiras-ministras do Paquistão e da Turquia, Benazir Bhutto e Tansu Çiller, estiveram ontem na cidade cercada de Sarajevo para uma visita de algumas horas destinada a demonstrar a sua solidariedade com o Governo bósnio, de maioria muçulmana, e sensibilizar a opinião pública mundial sobre o sofrimento da população civil na Bósnia. «Apelamos à comunidade mundial para que termine com a destruição da Bósnia-Herzegovina», refere a declaração conjunta assinada pelas chefes de Governo dos dois países, onde predomina a religião muçulmana.

As duas primeiras-ministras, que encontraram uma cidade relativamente calma em comparação com o dia anterior, mantiveram conversações com os dirigentes bósnios e visitaram o hospital de Kosevo, estando prevista a sua partida da capital bósnia para o início da noite de ontem. Durante os encontros políticos, Bhutto e Çiller exortaram os líderes bósnios a rejeitar um acordo de paz «imposto» e «injusto». «A Bósnia não deve ser forçada a negociar na ponta da espingarda. Opomo-nos a qualquer acordo imposto que recompense o agressor e e legitime os frutos da agressão», afirmaram.

Gerry Adams, líder do braço político do IRA, veio a Nova Iorque dizer que precisava de menos «má fé» e mais «clarificações» por parte de Londres antes de renunciar à luta armada. Essa renúncia tinha sido a condição imposta por Clinton para lhe conceder o visto de entrada nos EUA. Mas dois senadores de origem irlandesa intercederam junto do Presidente a favor de Adams.

A 15 de Dezembro, o primeiro-ministro britânico, John Major, e o seu homólogo da República da Irlanda, Albert Reynolds, assinaram uma declaração conjunta anunciando o início de negociações sobre o futuro da Irlanda do Norte, nas quais o líder do Sinn Fein poderia participar, desde que renunciasse a violência que tem sido adoptada pelo IRA desde há 25 anos. «A nossa incapacidade de chegar a uma atitude definitiva está totalmente ligada a recusa do Governo britânico em fornecer clarificações», disse Adams na conferência de Nova Iorque. Interrogado sobre o tipo de «clarificações» a que se referia, mencionou a «desmilitarização», «um calendário e outros pormenores para a auto-determinação nacional irlandesa como um objectivo político».

O primeiro-ministro britânico, John Major, ficou irritado com «a cortina de fumo de evasivas e falsidades» lançada por Gerry Adams na sua visita-relâmpago a Nova Iorque -- disseram ontem adjuntos do chefe de governo citados pela Reuter.

Quanto aos unionistas, adeptos da continuação do Ulster como província britânica, automarginalizaram-se, recusando comparecer à conferência, e os seus comentários sobre a visita de Adams foram no mínimo corrosivos. «Gerry Adams é o Homem Elefante da política na Irlanda do Norte e a conferência de Nova Iorque foi um circo obsceno» -- afirmou o deputado Ken Maginnis, do Partido Unionista do Ulster, considerado moderado.

Fugiram de Angola e do Zaire, há pouco mais de um ano, trazendo consigo mulheres e filhos. Pediram asilo em Portugal, mas este mês viram o pedido recusado. Ontem foram postos na rua da pensão onde estavam a expensas da Misericórdia e deverão ir juntar-se aos romenos, no Poço do Bispo.

A noite de terça-feira teriam de a passar já na rua, não fora o responsável pela residencial Barca do Tejo, em Alcântara, onde estavam até então alojados, ter decidido pagar às duas famílias a estadia numa outra pensão, a Pérola do Zambeze, na Avenida Duque de Ávila, para onde se transferiram, com crianças e bagagens.

A circulação automóvel na Rotunda sofrerá alterações significativas a partir das 0h00 de sábado, em que deixará de ser possível descer a Avenida da Liberdade pela faixa lateral, ao mesmo tempo que na Rua Braancamp se passará a circular na metade até aqui ocupada pelas obras do Metro, mais próxima do edifício da TAP.

Estas alterações, que se vão manter por seis meses, destinam-se ao prosseguimento das obras do Metropolitano, em particular as relativas à construção da nova estação Rotunda II, e à ampliação da antiga, nomeadamente dos cais, de modo a que possa receber comboios de seis carruagens.

A Câmara de Sintra aprovou para o centro histórico de Belas um prédio que contraria as medidas preventivas do futuro plano de pormenor, já ratificadas pelo Governo. Um processo labiríntico que, se o novo executivo municipal deixar avançar, pode condenar a preservação de um centro antigo degradado, mas ainda recuperável.

No entanto, uma sociedade de construções propõe-se edificar dentro da área condicionada um prédio de quatro pisos acima do solo. Tudo começou em Fevereiro de 1991, quando a autarquia autorizou uma primeira construção numa parcela de um terreno situado numa travessa da Avenida da Marinha Portuguesa, ao lado da Quinta do Senhor da Serra. Com cave e cinco pisos, o imóvel -- informou então o departamento de urbanismo camarário -- «respeita os alinhamentos existentes, garante parqueamento em número superior ao exigido e a cércea é inferior à da envolvente».

A substituição da pequena esquadra da PSP na Estrada de Benfica pelo Comando da Terceira Distrital da mesma polícia, uma «superesquadra» situada junto à estação da CP de Benfica, teve como efeito um aumento da insegurança na área, nomeadamente nas zonas do Alto dos Moinhos e Colégio Militar e nos arruamentos e parques de estacionamento vizinhos ao centro comercial Fonte Nova.

Segundo o abaixo-assinado, têm-se multiplicado também os assaltos a farmácias e a lojas do centro comercial, facto que «gera um ambiente de medo, debilita a vida social e prejudica o pequeno comércio, os supermercados e os centros comerciais» da zona. Os assaltos com seringas dirigem-se normalmente a portadores de cartões multibanco, obrigados a revelar o código, quando não a levantarem eles próprios o dinheiro sob ameaça.

No Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 22h, há "Fados D'Aquém e D'Além Mar", um espectáculo pensado e protagonizado por João Braga. O fado vai estar durante cerca de três horas em diálogo com o samba, a morna e o tango, reunindo em palco cerca de 50 intervenientes.

No Bistrô, Largo do Contador Mor 21, inauguram-se as Noites Românticas, onde serão servidas comidas afrodisíacas, preservativos com sabor e poemas de amor, por Manuel Cintra. Ainda poderá ouvir fado por António Magalhães. A partir das 20h.

Uma ameaça de bomba, supostamente colocada no edifício do Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, levou os agentes da brigada de minas e armadilhas da PSP a vistoriarem o prédio durante a tarde de ontem.

Os dois ocupantes de um automóvel Fiat 127 que na madrugada de ontem colidiu, na Avenida Almirante Gago Coutinho, próximo da Praça do Areeiro, em Lisboa, morreram carbonizados depois de a viatura ter capotado e incendiado, segundo informou um responsável do Regimento de Sapadores Bombeiros.

A ASSEMBLEIA Municipal de Faro vai solicitar às autoridades competentes que se pronunciem sobre se algum membro deste orgão autárquico tem pendente alguma queixa onde existam indícios de corrupção. A proposta, aprovada por maioria, foi apresentada pela bancada do PS naquele órgão autárquico e visa apurar o fundamento de uma notícia -- veiculada pelo PÚBLICO em 23 de Janeiro -- respeitante «a um alegado caso de corrupção ocorrido na Comissão de Coordenação da Região do Algarve». O texto da proposta admite a hipótese de estar envolvido no caso «um membro da Assembleia Municipal de Faro» -- que de resto é engenheiro, destacado membro do PSD local e deputado municipal.

O vereador Armando Constâncio afirmou que o encontro se destinou a uma primeira aproximação das posições da autarquia e da Secretaria de Estado da Educação, adiantando ser prematuro fazer grandes projectos "enquanto a questão da titularidade do património da FEIS não for definido".

O julgamento de um processo em que dois arguidos são acusados de terem cometido irregularidades na utilização de verbas do Fundo Social Europeu (FSE) foi segunda-feira adiado no Tribunal de Sátão para 30 de Maio, por falta de testemunhas de defesa. Por haver suspeitas de conluio entre as testemunhas (que terão assumido faltar ao julgamento para o protelar e dar origem à interposição de amnistias), estas deverão ser alvo de mandados de captura para comparecer em tribunal na próxima sessão.

Todo este caso só seria descoberto pela Polícia Judiciária a partir de uma queixa apresentada em 1990, em Lisboa, pela viúva de um ex-associado da Avi-Touro que durante anos,esperou em vão pelos resultados da empresa. J.G.L.

Dois homens armados assaltaram, na noite de terça-feira, os postos de abastecimento de combustível localizados na Estrada do Guincho e na Avenida Infante D. Henrique, em Cascais, e na Avenida da República, em Oeiras. O montante dos assaltos ronda os 500 contos.

Minutos mais tarde, já no posto da Repsol na Estrada do Guincho, o funcionário que se encontrava na zona de lavagem automática, ao sentir passos atrás de si, voltou-se e deparou com dois homens armados e de rosto coberto por gorros.

Uma inspecção dos Serviços de Utilização Comum dos Hospitais esteve anteontem em Leiria para detectar a origem das intoxicações que têm afectado doentes e funcionários do Hospital Distrital desta cidade. Depois de mais de uma semana sobre os primeiros casos de intoxicação, verificados dia 22, na última segunda-feira dois funcionários tiverem de receber tratamento de urgência no banco, registando o mesmo tipo de sintomas.

De acordo como o administrador, depois de verificadas as indisposições, «houve a preocupação de fazer imediatamente uma revisão à canalização». Para além disso, efectuou-se ainda «o tratamento preventivo e curativo das condutas que expelem para o exterior o gás que eventualmente não tenha sido queimado e colocou-se uma chaminé nova no termo-acumulador».

Praticamente um mês depois de ter tomado posse, o presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, constituiu finalmente a equipa de vereadores que ficará no executivo a tempo inteiro. E, apesar de ter sido o PS a primeira força política com a qual o PSD estabeleceu contactos tendo em vista um «acordo de regime» para a viabilização da gestão camarária, os socialistas acabaram por ficar de fora. É que, para além de quatro vereadores sociais-democratas, o autarca optou por distribuir os restantes dois mandatos a tempo inteiro a Joaquim Viana, um independente eleito nas listas do PS, e a Pimenta Dias, o único vereador eleito pela CDU, que dividirá meio tempo no executivo com outro meio na administração dos SMAS. Ou seja, Valentim acabou por ceder à crescente contestação das bases sociais-democratas contra uma partilha de poder com os socialistas.

Segundo um comunicado da Veredas, a suspensão deveu-se à necessidade de "concentrar esforços" no «Jornal de Sintra» e na Rádio Clube de Sintra, também participados pela cooperativa, e pela "difícil situação económica" do jornal queluzense.

O ex-presidente da Câmara Municipal de Póvoa de Lanhoso, no distrito de Braga, negou ontem qualquer envolvimento seu num sistema de escutas montado na sede do município. José Luís Portela afirmou, em conferência de imprensa, que nunca procedeu «a qualquer escuta de conversas de terceiros, fosse qual fosse o meio».

O Círculo de Leitores lança hoje a colecção Cozinha de Portugal, em oito volumes, de Maria Odette Cortes Valente, no Restaurante Varanda de Lisboa, do Hotel Mundial, às 18h30. O poeta António Manuel Couto Viana foi convidado para falar sobre a obra, num ambiente muito especial preparado para a ocasião e onde no dia-a-dia a tradição e a cultura portuguesas são preservadas de forma exemplar.

A PJ de Faro recuperou, na terça-feira, num estabelecimento de Olhão, mais de 10 mil contos em objectos de ouro e prata, para além de diversas câmaras de filmar, televisores e vídeos, que haviam sido furtados por um só indivíduo, em 22 residências diferentes. O receptador dos bens, tal como já acontecera com o assaltante, foi detido.

O receptador detido na terça-feira seria o principal cliente do assaltante, presumindo a polícia que em cada transacção ilegal obtivesse lucros de mais de 100 por cento. A polícia não exclui a hipótese de o mesmo indivíduo ter comprado outros objectos furtados a outros assaltantes de residências e estabelecimentos.

Mais de 170 animais -- 84 ovelhas e 87 borregos -- apareceram, na manhã da última sexta-feira, mortos por asfixia e «rebentados por dentro», devido ao pânico causado por um ou dois cães que, segundo os pastores, entraram durante a madrugada num redil murado, onde se encontravam para cima de 500 ovinos, em Figueira de Cavaleiros, concelho de Ferreira do Alentejo.

Nos animais os cães não deixaram marcas. Limitaram-se a ladrar e o pânico fez o resto. «Um horror, nem me quero lembrar», confessa Joaquim Assunção. Para minimizar o prejuízo e garantir a continuidade do rebanho, comprou 40 borregas de quatro meses, a nove contos cada uma, que só daqui a um ano é que virão procriar.

O Tribunal Judicial do Entroncamento mandou arquivar os processos relativos a multas a automobilistas que não pagaram o tempo de estacionamento nos parquímetros da cidade por considerar ilegal a sua instalação. A decisão reacendeu uma polémica entre o presidente da câmara, o socialista José Cunha, e a vereadora do PSD Paula Carloto.

A Polícia Judiciária está a investigar actos administrativos praticados pela Câmara de Pinhel, distrito da Guarda, durante o último mandato, sob a gerência de Andrade Poço, derrotado nas eleições de 12 de Dezembro.

Cerca de 50 efectivos da Polícia Judiciária do Porto e de Braga desencadearam, na terça-feira, uma operação em acampamentos de ciganos, junto a Vila do Conde e Póvoa de Varzim, no intuito de desmantelarem redes de tráfico de droga. Da operação resultou a apreensão de armas proibidas, pequenas quantidades de heroína, carros, 7500 contos e algumas notas falsas.

O projecto "Convenção das Sete Cidades", um programa de prevenção da toxicodependência, é lançado dia 19, em Coimbra, alargando-se a outras cidades da região centro, pretendendo abranger, até ao final do ano, um milhar de pessoas.

Perante os relativamente maus resultados da nova telenovela da noite do Canal Um, Mandala, no que diz respeito a audiências médias (abaixo dos valores esperados, na ordem dos 30 por cento); perante a decisão da SIC em alterar a sua grelha de programas, a RTP decidiu, na passada segunda-feira, transportar a telenovela dos fins-de-semana, Despedida de Solteiro, que se aproxima do final, para depois do Telejornal, antecedendo a transmissão dos episódios de Mandala.

Há uma semana, quando a SIC anunciou as alterações à sua programação -- a transferência do Jornal da Noite para as 20h, a estreia de Mulheres de Areia, logo na segunda-feira, e a antecipação de Renascer para as 19h30 --, jogava com os mesmos factores: o aumento de audiência dos últimos episódios de Renascer, que podia cativar espectadores para o Jornal da Noite, transmitido agora à mesma hora do Telejornal, e a promessa de uma telenovela "mais recente e de maior sucesso" no Brasil do que Mandala, Mulheres de Areia.

Na ilha de São Tomé, nesta semana, a cultura recorda os seus heróis. Num lugar rarefeito em acontecimentos do género, esta jornada mobiliza alguma expectativa. O programa consta de uma exposição fotográfica na Biblioteca Francisco José Tenreiro, o poeta que escreveu «Ilha de Nome Santo», referência incontornável da literatura dos países africanos de língua portuguesa. Os Untués, CTT e Anguené, bandas de música local, animarão as festas a decorrer na Praia de Fernão Dias. Há ainda lugar para teatro, que o grupo Fonopel levará aos palcos da capital de São Tomé e Príncipe. Tudo isto coberto de vozes das marchas populares que inundarão as ruas daquela «Ilha de Nome Santo».

Outros sonhos, estes de uma vida, interrompem um prolongado silêncio de 30 anos. Orlando da Costa, escritor português nascido há 63 na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo, em Moçambique, lançará, em Março, com a chancela da editora portuguesa ASA, «Os Netos de Norton». O romance conta a estória de três jovens vindos do Ultramar para estudar em Lisboa. A experiência do escritor confunde-se com a ficção. Orlando da Costa não publicava desde a saída de «Podem Chamar-se Eurídice», em 1964. N.S.

Fui surpreendido pelo teor de uma nota publicada no Magazine de 23 de Janeiro, onde o meu nome (incorrectamente grafado) aparece associado ao mais recente reportório de Amélia Muge (...).

Conheci pessoalmente o dr. Francisco de Sousa Tavares. Trabalhámos juntos no «mesmo barco». Tínhamos ambos trinta anos e vivemos o mesmo ideal, o sentirmos que a justiça social, nas relações de trabalho, chamava por nós, e a mais uns tantos que também quiseram pertencer a um serviço, então do Ministério das Corporações, hoje Ministério do Emprego, denominado Serviços de Acção Social.

A estrela com o nome do célebre cantor Michael Jackson no Walk of Fame, perto do Mann Chinese Theatre no Hollywood Boulevard, em Los Angeles, foi coberta com «spray» cor-de-laranja no dia 1 de Fevereiro por um indivíduo que não foi identificado. Um homem que estava ali perto a trabalhar agarrou o vândalo, que foi depois levado sob custódia pela polícia.

Que dizer, então, sobre a evolução mais recente (década de 80 e, sobretudo, período pós-adesão) da presença portuguesa no quadro da divisão internacional do trabalho? E quais as principais características do actual modelo de especialização da economia portuguesa?

O relatório anual de imigração do Ministério dos Assuntos Sociais de França revela que, em 1991, foram concedidos apenas 768 vistos de residência permanente a portugueses, aumentando, no prazo de um ano, a 14.453 os pedidos de legalização de cidadãos lusos. Dados estatísticos que foram revelados em França mostram que, entre as comunidades estrangeiras, a portuguesa continua a ser a mais numerosa, com cerca de 750 mil pessoas. Este número não contabiliza os filhos de cidadãos portugueses com dupla nacionalidade, francesa e portuguesa, que deverão rondar os 300 mil. Com a concessão de residência permanente a 15.221 portugueses em 1992, os cidadãos lusos foram os mais numerosos, entre os membros das outras nacionalidades comunitárias, que solicitaram vistos. Das cem mil pessoas que o Estado francês autorizou em 1992 a residir em França, 35 mil são cidadãos de países da Comunidade Europeia. Este número, considerado elevado, deve-se à livre circulação para os cidadãos comunitários desde Janeiro de 1992.

‚ A GNR do Alentejo e Algarve registou, durante o ano de 1993, 248 casos de suicídio nestas duas regiões do Sul de Portugal. A maioria dos suicidas optou pelo enforcamento, afogamento, envenenamento ou recorreu a armas de fogo. O distrito de Faro, com 97 casos, foi aquele que registou um maior número de suicídios em 1993, seguido de Beja com 71, Évora com 41, e Portalegre com 39. Ao longo de 1993, o batalhão da GNR do Alentejo e Algarve, com sede em Évora, contabilizou cerca de 12 mil crimes, na sua maioria assaltos e roubos em viaturas e residências. No que diz respeito ao trânsito, a brigada daquele batalhão registou perto de 7500 acidentes, dos quais resultaram 170 mortos e 4014 feridos, 722 dos quais com gravidade.

1 -- À luz da experiência dos últimos quatro anos, acha que se justifica a existência da Alta Autoridade para a Comunicação Social? Porquê?

1 -- Acho que não se justifica. Trata-se de uma estrutura pouco credível e, francamente, sem capacidade de intervenção nos verdadeiros problemas do jornalismo português, ou da comunicação social portuguesa.

Alcácer-Quibir é uma cidade agrícola de importância relativa, a 35 quilómetros de Larache. Qualquer roteiro explica que o seu nome, a Grande Fortaleza, deriva das defesas construídas no século XII e que a sua medina conserva ainda um modo de vida urbana herdado da Espanha Andaluza. Há, contudo, uma outra Alcácer-Quibir, dez quilómetros mais a norte. Não é uma cidade, mas uma planície imensa que se alarga a perder de vista pelas margens da ribeira Makhazine. É esta a verdadeira Alcácer, lugar onde D. Sebastião se perdeu para sempre e de onde Al-Mansor, O Vencedor, carregado de despojos e prestígio, partiu para unificar Marrocos.

Quando espreitei pela objectiva, tinha uns olhos escuros cravados nos meus em «big close-up». Muito lentamente, comecei a abrir a «zoom». Revelou-se primeiro uma cara, depois os ombros, os braços, um corpo inteiro embrulhado numa «jalaba» riscada de castanho. Era o meu guia de ocasião, um camponês do lugar.

A notícia tinha acabado de chegar ao Café Royal da Rua de Lisboa e estava sendo comentada com displicência: o Centro Cultural Português do Mindelo estava encerrado ao público. Como motivo, referia-se a falta de verba para as despesas de funcionamento.

E mais acresce que todas as vezes que há uma palestra, um recital, uma actividade qualquer, lá tenho eu que estar na terceira fila, na parte das cadeiras, incómodas, porque as duas estofadas primeiras estão reservadas às entidades oficiais, aos comerciantes abastados da cidade e aos velhos intelectuais claridosos.

A Câmara de Santo Tirso, cujo executivo é maioritariamente socialista, acusou ontem o Grupo Parlamentar do PSD de ter mantido "em grande segredo" a visita ao Vale do Ave. A autarquia diz mesmo que os deputados 1 -- À luz da experiência dos últimos quatro anos, achado PSD evitaram um encontro com os autarcas desta região quando estes aguardavam a chegada da comitiva "laranja" junto a obras em curso no rio Ave.

"Chegámos às 12h45 e aguardamos até às 14h30 a chegada dos senhores deputados. Estes apearam-se a 400 metros do local onde nos encontrávamos e embora tivessem sido de imediato informados da nossa presença, abandonaram rapidamente o local, sem qualquer explicação, nem nenhuma informação", relata o comunicado da Câmara de Santo Tirso, acrescentando ainda que além dos dois autarcas socialistas a aguardar a comitiva "laranja" se encontravam ainda vários quadros superiores do Instituto de Emprego e Formação Profissional, membros do Gabinete Técnico do Vale do Ave, da Hidráulica, do Proave e da Comissão de Coordenação da Região Norte.

O ex-líder da resistência timorense, Xanana Gusmão, vai poder voltar a ter visitas, a partir da próxima semana, sendo estas seleccionadas pelas autoridades, anunciou ontem o director dos serviços prisionais indonésios. Xanana Gusmão não tem autorização para receber visitantes desde Janeiro, depois de ter sido noticiado o envio de uma carta sua para Portugal, onde solicitava auxílio para ser libertado. Neste momento, há um pedido do presidente da Fundação de Apoio Legal indonésia para se avistar com o ex-líder da resistência timorense.

O CDS-PP já tem programa para as europeias. Monteiro entregou-o ontem no Caldas. Agora é só o Congresso sufragá-lo. Garante que Portugal na Europa é bom e «irreversível», mas sem federalismo. Portugal, assegura, deve «ser e permanecer como Estado-Nação numa União de países soberanos».

Os presidentes das câmaras socialistas do distrito de Bragança querem constituir-se em «lobby» político da região e deixam, desde já, um recado ao Governo: «Não vamos receber, oficialmente, nos nossos concelhos membros do Governo que venham fazer mera propaganda política, pois queremos aqui colaboração estreita constante e contínua, mas para trabalho e desenvolvimento.»

Júlio Meirinhos considerou «positivas» as anunciadas visitas de membros do Governo à região, previstas para Fevereiro e Março, com o objectivo de debater com as forças vivas locais o Plano de Desenvolvimento Regional e as novas oportunidades financeiras provenientes da União Europeia. Desde que «se tratem de visitas de trabalho produtivo». «Não queremos mais ministros a fazer promessas que o IP4 se vai concluir até à fronteira de Quintanilha. Nós só queremos o ministro cá para adjudicar definitivamente essa obra», declara o líder distrital do PS.

Os socialistas da Área Metropolitana de Lisboa (AML) acusaram ontem o Governo de não dar "respostas esclarecedoras" em relação ao novo Quadro Comunitário de Apoio, alheando propositadamente as autarquias do processo.

De acordo com os socialistas da AML, apenas o Governo "está a beneficiar da solidariedade da Europa", uma vez que as câmaras, para onde deveria ser canalizado o grosso dos fundos comunitários, estão a ser "marginalizadas" do processo.

Deputados, figuras da Resistência e activistas afluiram ontem à tarde ao espaço «Por Timor» -- cedido pelo pelouro da Cultura da Câmara de Lisboa e situado no número 184 da rua de S. Bento, diante da Assembleia da República -- à inauguração da exposição «Timor-Leste-uma causa nacional». A iniciativa abre com um texto do presidente da República, expressamente escrita para esta iniciativa (ver PÚBLICO de 12.11.1993), e no qual Mário Soares dá o mote ao que as fotografias de actos de solidariedade, textos de apoiantes, citações de políticos e desenhos e jornais escolares expostos indicam: «Portugal é solidário e sê-lo-á sempre» com o drama timorense. Dois poemas ressaltam, em particular: um de Fernando Sylvan, recentemente falecido -- «Pássaro sem espaço/rio sem leito/árvore sem floresta/Mas dou sinal de mim»; o outro de Sophia de Mello Breyner, escrito a propósito do tardio acordar dos portugueses para o drama timorense -- «Dever que não foi cumprido/e por isso dói». Debates em datas a anunciar.

«Enjeitado», «criaturo anómalo», «ser ciclópico» e outros epítetos menos reproduzíveis acompanharam a constituição da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) quando o assunto subiu ao plenário da Assembleia da República, em Março de 1990.

Manifestações e abandono dos postos de trabalho marcaram o terceiro dia de greves parciais do sindicato IG Metall na Alemanha, em protesto contra o congelamento de salários e cortes nos subsídios de férias. De acordo com o sindicato, 1300 trabalhadores aderiram a estas acções na região costeira do norte do país e estão previstas mais 8 mil saídas.

Cerca de 60 banqueiros reuniram-se ontem em Paris para analisar as finanças do parque de diversões Eurodisney, cuja dívida se situa nos 21 biliões de francos. O parque, que tem dois anos de existência e é suportado em 49 por cento pela multinacional norte-americana Walt Disney Co., tem o seu futuro ameaçado caso esta mantenha a sua decisão de apenas manter o seu apoio até 31 de Março.

A AMNISTIA Internacional (AI) e o Departamento de Estado norte-americano acusaram, em diferentes documentos ontem divulgados, o presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko, de graves e sistemáticas ofensas aos direitos humanos.

O Departamento de Estado americano, equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, diz quase o mesmo. No seu relatório anual sobre os direitos humanos no mundo, afirma que a situação no Zaire é hoje comparável, para pior, ao caos lançado pela guerra civil dos anos 60. Mobutu «usa uma variedade de técnicas brutais, incluindo o assassínio e a detenção ilegal», lê-se no documento. Acusa também o Governo de Mobutu de incitar à violência étnica, causando a morte e a deslocação interna de milhares de pessoas.

Começou ontem no Bundestag a primeira leitura dos projectos de lei da coligação cristã-liberal e da oposição social-democrata sobre o aborto. Como não é de contar que até ao Verão o Governo cumpra a determinação do Tribunal Constitucional, é muito possível que este venha a ser também tema da campanha eleitoral que se aproxima.

Estabeleceu-se uma fórmula híbrida: o aborto é ilegal mas não punível. Esta decisão tem causado os maiores problemas não só às mulheres que querem abortar como aos médicos que o praticam.

A FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, lamenta, num relatório ontem publicado em Roma, a crescente diminuição e o mau uso das águas doces, prognosticando que no futuro se agravarão os conflitos pelo controle da água.

Mais de dois terços das águas retiradas dos rios, lagos e lençóis aquíferos são utilizados na irrigação e a agricultura irrigada assegura empregos, víveres e rendimentos a 2,4 mil milhões de pessoas.

A primeira mostra de Ferrari na República Popular da China, inaugurada em Pequim no dia 1 de Fevereiro, atraiu a multidão que a foto documenta. A exemplo do que sucede em todo o mundo, também os chineses, mesmo se comunistas, revelam fascínio pelos bólides do cavalinho. Neste caso, é o Ferrari 348 que excita as mentes dos cidadãos chineses, entre eles os «empreendedores», que, acreditam os fabricantes da luxuosíssima «bomba» italiana, não são diferentes dos capitalistas. Ou seja, querem automóveis que, além da velocidade, sejam encarados como símbolos de poder. E, para isso, é difícil encontrar melhor do que um Ferrari.

O estudo, que será publicado no próximo número da revista «O Consumidor», editada por aquele organismo do Ministério do Ambiente e Recursos Naturais, incidiu sobre 21 amostras de «hamburgers» simples, de queijo e «especialidades» da casa recolhidos em Setembro e Outubro passado em sete estabelecimentos (Abracadabra, Mc Donald's, Prime's, Garden Burger, Burger King, Hamburgão e Ming's Burger). «Em termos nutricionais, todas as amostras se revelaram algo desequilibradas, principalmente por conterem gordura em excesso, falta de hidratos de carbono e de fibra», realça o relatório do ensaio comparativo a que o PÚBLICO teve acesso.

1. Tenho as maiores dúvidas que deva continuar a existir um órgão com as características e composição do actual, embora admita que possa existir alguma entidade com parte das suas atribuições. O Estado, entre outros defeitos, é uma entidade irreflectida e fértil em criar organismos ou comissões cujos custos de funcionamento não encontram correspondência nos benefícios que trazem à comunidade. Com titulares recebendo regalias correspondentes, na generalidade, a directores-gerais, a Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), é preciso que se diga, é cara.

Ainda recentemente, a «Visão», num assunto de conflito com o primeiro-ministro, foi vítima de um desses efeitos de partidarização. Num caso que a Procuradoria-Geral da República não teve dúvidas em arquivar, a AACS condenou a revista que dirijo. Contra o voto do próprio juiz-presidente! Apesar do voto de vencidos de alguns dos membros. Muitos conselheiros votaram, nitidamente, não segundo a sua consciência, mas limitados pela circunstância de a queixa ter sido formulada pelo primeiro-ministro.

Sendo certo que a Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) tem tido uma existência real e as suas deliberações possuem um peso significativo no sector (constituindo muitas vezes um útil instrumento de rectificação de linhas editoriais), estes quatro anos nada trouxeram de novo que mude o sentido de protestos movidos na altura pelos jornalistas à sua constituição.

1. Acho que se justifica, porque entendo que é bom haver um órgão que funcione como uma espécie de «consciência crítica» da imprensa.

1. A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) é um organismo que se tem revelado inócuo e inútil na sua actuação. Apesar de ser um órgão com dignidade constitucional, tem conseguido manter-se desconhecido da maior parte dos portugueses graças à sua falta de intervenção social, nomeadamente, como lhe compete, em defesa do direito à informação e da liberdade de imprensa.

2. A aceitar a existência de um órgão deste tipo, não poderia, pelo menos, ter uma composição governamentalizada, como é o caso da AACS, e deveria ter no seu seio representantes da comunicação social.

Está a saber bem aos nortenhos ir à fala com o ministro da Saúde, no Porto, à segunda-feira. Pela rapidez e facilidade de diálogo e pelo ar de regionalização que nisso vêem. Esperam é que não sejam apenas desabafos numa sala de lamentações onde o ministro é o ouvinte.

É muito variada e tem interesses diferentes a «clientela» recebida, no «escritório» da Boavista, nestas primeiras três segundas-feiras de «Ministério da Saúde do Porto». Por ali passaram já administradores hospitalares, dirigentes sindicais, presidentes de organismos ligados à genética, à saúde mental, à oncologia, à alcoologia.

Uma jovem dinamarquesa de 19 anos queixou-se à polícia de ter sido violada no domingo por um desconhecido que a arrastou para a cave de um prédio em Kolding, na Dinamarca. Apesar de violada, a jovem ainda conseguiu morder o pénis do atacante que, com a dor, fugiu precipitadamente deixando cair os óculos. Através das características e graduação das lentes, a polícia conseguiu que um oculista lhe desse a pista que levou ao suspeito. Faltava provar que aquele era, de facto, o violador. Um exame ao pénis esclareceu todas as dúvidas: as marcas da dentada estavam ainda bem visíveis e coincidiam perfeitamente com a dentadura da vítima. O violador foi então preso.

O êxito de vendas em Espanha da última edição do catecismo da Igreja Católica, editado há um ano, contrasta com os índices de leitura, já que apesar de ser um dos livros mais vendidos é o menos lido. Segundo uma sondagem da ordem católica Claretiana, publicada segunda-feira na revista «Missão aberta», cerca de 67,6 por cento dos inquiridos compraram o catecismo mas somente seis por cento o leu. A maioria dos entrevistados considera que se utiliza no catecismo uma linguagem «difícil» ou «muito difícil».

1. Entendo que se justifica um órgão como era o Conselho de Comunicação Social, que existiu entre 1982 e 1989, e não um órgão como se apresenta a Alta Autoridade. Enquanto que a experiência do primeiro foi positiva, a do segundo parece-me negativa ou irrelevante. As causas disso prendem-se, essencialmente, com a sua composição -- aliás, quando da revisão constitucional de 1989, tive oportunidade de denunciar este ponto e de criticar um órgão constitucional com uma composição em parte remetida para a lei ordinária.

Os preços pagos pelos canais portugueses nos mercados internacionais de televisão subiram, em alguns casos, perto de 400 por cento desde 1993. Há um ano, depois do aparecimento dos canais privados, os preços verificavam já uma subida de 300 por cento em relação aos dois anos anteriores.

O debate sobre a Alta Autoridade volta hoje ao Parlamento. O PSD apresentou um projecto para sancionar quem não publique os seus acórdãos e o PS, de caminho, aproveita para retomar a discussão sobre a governamentalização.

A intenção do PSD de «mexer» no polémico diploma -- que tantos rios de tinta fez correr no passado -- levou o PS a decidir apresentar também propostas de alteração à Lei 15/90, a tal que cria a Alta Autoridade, órgão tão polémico que até o PSD, no dia da sua aprovação parlamentar, admitiu que, em futura revisão constitucional, os sociais-democratas proporiam a sua abolição.

Pela terceira vez em menos de dois anos, o Governo anuncia um prazo para decidir, afinal, onde ficarão instaladas as unidades do sistema nacional de gestão de resíduos perigosos. Se o prometido for cumprido, o sistema começa a funcionar em meados de 1996, com um atraso de dois anos e meio.

Em Maio, o Governo vai promover acções de divulgação e de informação sobre o sistema, procurando fazer ressaltar a sua necessidade, perante a forma como os resíduos industriais são actualmente eliminados no país. Em conjunto com industriais, autarquias e outras entidades, ficará definida, também em Maio, uma listagem mais restrita de localizações possíveis.

Agora é a alimentação. Até terça-feira à noite não estava decidido quem iria garantir o apoio aos três zairenses que desde sábado dormem no Aeroporto da Portela. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras diz que a TAP é que deve alimentar os seus passageiros. A TAP diz que não, porque eles pediram asilo político. No meio da confusão, a Amnistia Internacional decidiu comprar três jantares. Mas já não era preciso.

A chefe das Relações Públicas do SEF disse ontem ao PÚBLICO que a alimentação devia ser garantida pela TAP; anteontem a Secção Portuguesa da Amnistia acusara a companhia aérea de «não tentar ajudar a resolver o problema» dos três cidadãos e de nem sequer ter recebido a organização.

O anúncio ontem feito ao país de que o Governo ia finalmente dar andamento ao projecto de criação de um sistema nacional de tratamento de resíduos tóxicos é, sem qualquer dúvida, uma notícia positiva.

A justificação dada pelo Governo para a paralisação do processo durante os últimos quatro anos é a oposição das populações e das autarquias das regiões onde se pensava instalar a central de transferência dos resíduos, os aterros sanitários e a central de incineração que constituem o sistema. E a solução encontrada agora é de uma simplicidade notável: transparência dos processos de escolha e dos seus critérios, discussão aberta com as populações, negociação com as autarquias. As palavras mágicas da nova estratégia do Governo são «informação» e «comunicação».

O concurso que teve mais êxito na televisão portuguesa vai regressar à RTP, muito em breve. Nascerá, então, A Filha da Cornélia. Para concorrer com concursos «que são uma chatice». Mas, na política, nada é como em 1977. «Isto agora está mais calmo». No dia em que a Quatro estreia a revelação dos concursos em Espanha, o primeiro concurso a dedicar-se ao insólito e a exigir provas de criatividade, regressa-se à memória do mais criativo de todos, nos ecrãs portugueses. A Visita da Cornélia. Enquanto a filha dela não chega.

Fernando Assis Pacheco, escritor, jornalista da "Visão" e, noutras vidas, «participante involuntário» em A Visita da Cornélia, recorda as «sete semanas de loucura» em que ocupou o pódio do concurso. Cornélia à parte, as suas funções de chefe-de-redacção do "Diário de Lisboa" obrigavam-no a não almoçar à segunda-feira. «Ia a correr do trabalho para o Teatro Villaret». E tudo tinha começado por cinco postais, enviados à traição pela cunhada de Assis Pacheco, Carla Ruella Ramos, em nome dele, para A Visita da Cornélia.

Os concursos existem nas programações como «aglutinadores de audiência». São uma espécie de celebração da «grande família da televisão»; uma possibilidade de se passar para o lado de lá do «espelho», uma espécie de «convite» com que se mostra como é fácil pertencer-se àquele «reino». Depois existem as cores, os pequenos desafios, os jogos, o objectivo de um prémio. Estar-se do «lado de lá» ou do «lado de cá» do ecrã é a distância que um concurso de televisão permite medir, permite gerir. Permite transformar em mais um atractivo para o público que quer conquistar.

Na sequência inicial deste genial exercício, de Ernst Lubitsch, sobre as capacidades de representação e de ocultação e sobre a essência da arte dos actores, assistimos a uma entrada de Hitler em Varsóvia, para imediatamente nos apercebermos que se trata da encenação de uma peça, logo de uma apresentação em «trompe l'oeil» do carácter pré-monitório da arte, antecipando o real, ou jogando com a teia de enganos que parece favorecer essa antecipação.

A trilogia sobre o silêncio de Deus, que percorria as regiões etéreas da alma em filmes como "Em Busca da Verdade" e "Luz de Inverno", pese embora a sua radical amargura e o seu desencanto quase cínico, haveria de desembocar no mais terreno dos assuntos, com uma crueza brutal, em "O Silêncio". Não foi pequena a surpresa, nesse ano de 1963, ver o metafísico Bergman expor a questão do sexo sem qualquer subterfúgio. Todavia, o que mais terá escandalizado, foi o facto de essa ideia de sexo não vir ligada ao prazer mas sim à dor e ao desespero, e isto logo no momento em que, por todo o Ocidente, como disse Philip Larkin num famoso poema, os prazeres do corpo terem sido desculpabilizados e apontados como uma fruição legítima e desejável.

Resta então tirar as dúvidas que possam subsistir: "O Silêncio" é uma obra-prima, porque tem o condão mágico, esse toque único de Bergman, de sempre transcender para o plano das emoções mais dilaceradas aquilo que vai exposto nas sensações exibidas.

O Óscar para a melhor música ganho por Herbie Hancock é um sinal do principal valor deste filme. Que não tem propriamente uma história, a não ser uma estrutura muito ténue em que não há desenvolvimentos que surpreendam, mas se organiza como uma série de números de jazz, que são dados com a extensão de um verdadeiro musical, às vezes com mais extensão ainda. Ou assim parece, porque não há outra variação que a de timbre de saxofone, até os acompanhantes sendo os mesmos, aliás perfeitos, desde Herbie Hancock a Wayne Shorter, de Tony Williams a John MacLaughlin, este último sem direito a um único solo, o que se deplora, dado que é, ele próprio, um mito da guitarra contemporânea.

Mas o problema está nesse ponto de vista, que enquanto posição de adoração infantil, estática e de olhos em alvo, é à partida pouco ficcional, desde que não evolua e crie para a personagem do amador qualquer outra profundidade que a dessa reiterada posição. De onde concluo que é decerto um filme para amadores, de jazz, de be-bop, de música. Quanto ao cinema, será "Bird", pela mão de Clint Eastwood, dois anos depois, a preencher o resto das casas vazias. Aqui, entretanto, as participações de Martin Scorsese e da cantora Lonette McKee acrescentam algum "swing" ao conjunto.

«Arquivologia»? A questão parece estar na ordem do dia. Um brilhante exemplo de como uma paixão cinéfila pode passar da conservação a uma estética de reconstrução ficcional, embora baseada em «imagens de arquivo», é «The Forbidden Quest», o filme a descobrir no Fantasporto. Mas aí se verifica, também, o pior exemplo da reciclagem de imagens: atirar directamente para uma projecção pública em vídeo um filme que está para ser estreado em sala, «C'Est Arrivé prés de Chez Vous».

Uma imagem é uma imagem, uma imagem. Nesse estatuto primordial, as distinções entre «ficção» e «documento do real» podem tanto mais esbater-se quanto é incessante a sua permanente reciclagem, quando podem surgir em diferentes contextos de montagem, quanto nalgumas a passagem do tempo, em vez de as desgastar, lhes confere antes uma aura particular. Pode até suceder que certas imagens, que, por processos de re-inscrição no seu contexto histórico, nos poderiam ainda mais ser perceptíveis como indícios de um horror, saiam, pelo contrário, reforçados na sua aura. É o que se verifica num filme que causou um assinalável furor cinéfilo nos Estados Unidos (e que merece ser objecto de uma atenção detalhada), «The Wonderful Horrible Life of Leni Riefenstahl» de Ray Müller.

Lançaram a ideia e, apesar de todas as resistências, o Parlamento Paritário lá se realizou. Foram dois dias apenas, sacrificados a uma quase reprodução das mais vulgares sessões parlamentares. Não fosse a polémica levantada pela proposta de Guterres a favor da ressuscitação das quotas para as listas à Assembleia da República, e o tom teria sido morno, dramaticamente morno para quem apregoa a diferença da sensibilidade feminina em fazer política. Maria Belo, Margarida Salema e Maria Santos foram as mentoras do projecto que, à partida, contou com o apoio de Barbosa de Melo, presidente da AR. Os quatro terão sobejas razões para pensar no que falhou...

Após esta travessia do deserto, voltou à política, desta feita pela porta do MASP e pela mão de Mário Soares -- personagem que indiscutivelmente admira, embora com todos os «senãos» ditados pelo seu (irremovível?) cepticismo sobre a natureza humana.

gação regular que fiz foi no grupo de trabalho do António Barreto, na Universidade Católica, sobre reforma agrária, que daria origem a um livro. Tudo isto para lhe dizer que não passei directamente da extrema-esquerda para a actividade política. Escrevi durante alguns anos, a partir do final da década de 70.

R. -- Até o dr. Cunha Rego -- que lera alguns desses artigos e gostara -- me convidar a colaborar regularmente no «Semanário». Foi um pequeno escândalo nos meios da esquerda: era um jornal visto como reaccionário, aliado à candidatura de Soares Carneiro! Hoje, isto é trivial, na altura não era.

Num livro intitulado «Mecânica», atribuído a Aristóteles (séc. IV a. C.), aparece o «desafio», por alguns chamado paradoxo, da «roda de Aristóteles» (ver fig. 1). Dois mil anos depois, em 1638, Galileu lança alguma luz sobre este problema, por meio de uma explicação engenhosa.

A explicação foi dada por Galileu, que estudava os fenómenos físicos com uma inteligência penetrante. O paradoxo da roda serviu-lhe para defender os seus pontos de vista sobre a constituição da matéria --segundo Galileu, numa extensão finita, por exemplo num segmento de recta, poderia haver um número infinito de vazios. O processo de explicação utilizado por Galileu -- no livro «Duas Novas Ciências», publicado em 1638 --, recorrendo à ideia de que a circunferência não é mais do que um polígono com um número infinito de lados, lembra irresistivelmente o método de traçado de tangentes à cicloide, de Descartes, precisamente do mesmo ano 1638 (ver «Tangentes à cicloide», PÚBLICO de 7/11/93). Tal como Descartes, Galileu substitui a circunferência A por um hexágono, e imagina o hexágono a «rolar» sobre uma recta horizontal. Substitui também a circunferência B por um hexágono solidário com o primeiro, mas de dimensão mais pequena. E tenta compreender o que se passa neste caso e para polígonos regulares com maior número de lados, «mais parecidos» com uma circunferência (ver fig. 2).

Ventos de modernidade sopram na planície alentejana. As esculturas de Heitor Figueiredo podem ser devidamente apreciadas no Museu de Évora até ao próximo dia 20. O seu «atelier» fica em Beja (tel: 084-320531). Os seus trabalhos são absolutamente surpreendentes, de acordo com informações de quem teve oportunidade de os conhecer. Estes aqui apresentados custam 90 contos cada.

Era o primeiro dia, após a chegada a Goa. Tinham chegado via Bombaim, Frankfurt e Londres, trinta e tal horas extenuantes em aeroportos e aviões, vindos de pontos tão distantes como Portugal e a Suécia. Salvo precisamente o mais novo de todos eles, encontravam-se juntos os 13, pela primeira vez, nessa manhã.

Lugar de fascínio e de renovado reencontro, a Índia continua a exercer sobre os portugueses uma atracção irrecusável. A pretexto de uma recente embaixada cultural em Goa, publicamos hoje, da autoria de quatro repórteres e colaboradores do PÚBLICO, alguns testemunhos de diferentes passagens e reflexões por esse imenso território do Oriente.

Portanto, crianças de mama, lá em casa, eram a dar com um pau, transitando directamente do berço para o penico e do penico para a tabuada, ao passo que noivas nunca vi nenhuma, sobretudo noivas como as da Foto Águia de Ouro, ainda mais numerosas, se possível, do que os meus irmãos, quinze ou vinte em molduras de todos os tamanhos e feitios, quadradas, redondas, ovais, rectangulares, de véu e coroa de flores de laranjeira, na saleta da madrinha, para a fotografia então chamada «O Último Telefonema», isto é, as noivas segurando o aparelho de encontro ao ouvido e, no canto superior esquerdo, num circulozinho esfumado, o noivo, de jaquetão e laço, a sorrir, às suas decerto apaixonadas palavras, num embevecimento que me comovia.

No hotel Taj Mahal, debruçado sobre a baía de Bombaim, deram-me um quarto mesmo em frente ao Grande Arco da Índia. O dia estava manchado por um calor viscoso, abafado pelo fluxo ruidoso da vozearia que chegava da rua, dez andares abaixo. Olhada da minha varanda, a simetria daquela pedra tingida de ocre pelos séculos, estampada contra o horizonte transparente, era ainda mais perfeita.

O Taj Mahal pareceu-me sombrio nesta passagem para a Índia. Desabrido do frio artificial do ar condicionado, deslavado na monotonia do seu mármore branco, agitado sob a «overdose» de população em jeans, alpergatas ou saris que o cruzam incessantemente. No Taj, o meu apetite pela Ásia esbarrou sempre primeiro contra a fauna desconcertada de clientes, turistas e passantes que um pessoal afecto à doçura nunca vergará à serenidade oriental.

Quem hoje demanda Chaves, partindo de Braga, rapidamente se pergunta se não estará transitando pelo que resta da via romana que ligava Bracara Augusta a Aquae Flaviae. Com efeito, buracos, lama e desvios esperam o viandante, que do percurso fica com uma vaga ideia, balizada por obras que hão-de conduzir, um dia, a uma nova estrada. Para já, porém, a coisa é apetecível apenas para os amantes do todo-o-terreno que, seguramente, nalguns troços terão vantagem em sair a direito pelo monte, evitando o que resta da EN 103.

Em visita recente, constavam da lista fixa, depois do "couvert" a 350$00 e composto por pães diversos e razoáveis, manteiga, azeitonas banais e paio industrial, caldo verde (450$00), canja de galinha com hortelã (450$00), «cocktail» de camarão (1700$00) e frutas com presunto (1700$00). Os peixes eram linguado grelhado (3000$00), posta de cherne grelhada (3200$00) e bacalhau à Narcisa (2500$00). Quanto a carnes, peça do lombo à chefe (2800$00), bifinhos de vitela com cogumelos (2400$00), panadinhos de vitela com esparguete (1800$00).

Se as imagens retidas, agradáveis ou demasiado pesadas, dificilmente se apagarão da retina, a relevância dada a esse desnível demográfico e social acaba por ter um destino diferente. A ausência de fronteiras naturais com a civilização ocidental torna a Índia num local com facilitado acesso a um quarto escuro da lembrança e, rapidamente, o fantasma de um mundo em explosão deixa de existir.

No dia 30 de Julho de 1993 esteve na sala do Teatro S. Luiz, em Lisboa, e encantou quantos a ouviram. Agora vai voltar à mesma sala e o mínimo que se espera é o renovar desse encanto durante os quarenta minutos que lhe estão reservados em palco. Titina, uma das vozes maiores de Cabo Verde, vai estar no S. Luiz na noite da próxima sexta-feira, 11 de Fevereiro, integrada num espectáculo com o selo «Lisboa 94» e intitulado «Vozes da Cidade». É um concerto duplo, que a «menina de oiro do Mindelo» partilhará com o cantor português Fernando Girão -- responsável, juntamente com a sua banda, pela outra metade do espectáculo. A acompanhar Titina estarão seis músicos de peso: Tito Paris (guitarra eléctrica e direcção musical), José Afonso (teclas), Nandinho (saxofone), Costa Neto (trombone), Manuel Paris (baixo), Jair (percussão) e Toy Paris (bateria). Com a voz clara de Titina, as inevitáveis mornas de B.Leza e as coladeras de Frank Cavaquinho, é a alma da música cabo-verdiana que volta em força aos palcos portugueses.

AGITAÇÃO NO BINGO DO FCP -- Os trabalhadores do bingo do FC Porto decidiram ontem, em plenário, solicitar a intervenção da Inspecção-Geral de Trabalho para accionar judicialmente a direcção do clube, caso esta insista em não cumprir as condições de remuneração de trabalho já acordadas e publicadas no Boletim de Trabalho e Emprego (BTE) de Dezembro do ano passado. Os funcionários do bingo acusam os dirigentes de não cumprirem o que fora estabelecido quanto ao pagamento de diutirnidades, prémio de produtividade e alterações à tabela salarial e clásulas de expressão pecuniária publicadas no BTE, com efeitos desde 1de Agosto do ano passado.

ABC vence Badel Zagreb - O ABC venceu ontem, em Braga, os croatas do Badel Zagreb, por 24-19, em jogo a contar para a 3ª jornada da Liga dos Campeões em Andebol. Com esta vitória, a equipa portuguesa passou a somar três pontos e volta a estar em condições para discutir o apuramento para a final. O grupo A da Liga dos Campeões é liderado pelos franceses do Nîmes, que por sua vez derrotarajm os noruegeses do Sandefjord.

MARADONA DISPAROU SOBRE JORNALISTAS -- O futebolista argentino Diego Maradona é acusado de ter ferido quatro jornalistas com uma espingarda de pressão de ar. Os profissionais da comunicação social, juntamente com muitos outros, aguardavam o jogador na sua casa nos arredores de Buenos Aires, com intuito de saber a razão porque se desligou do Newell's Old Boys, clube que actualmente representava. Alguns repórteres fotográficos dizem ter visto Maradona com uma espingarda na mão antes dos tiros terem sido disparados. Pouco depois do incidente, o futebolista argentino chegou junto do portão da sua casa, e gritou para os jornalistas: «Começarei a disparar balas verdadeiras se não se forem embora.

CGD abre Mediateca -- O primeiro-ministro, Cavaco Silva, e o ministro das Finanças, Eduardo Catroga, foram, ontem, os dois primeiros utilizadores oficiais da Mediateca da Caixa Geral de Depósitos, instalada no edifício-sede da CGD na Avenida João XXI, em Lisboa. Finanças, gestão, economia e direito são as áreas para as quais está vocacionado este centro de documentação, que permite o acesso à informação em suportes variados: livros, revistas, microfichas, vídeo, discos ópticos, «software» didáctico e bases de dados nacionais e internacionais, em linha ou através de CD ROM. Os empregados da CGD e das empresas associadas, bem como os seus clientes, são os destinatários principais da Mediateca. No entanto, esta também abrirá as portas, da parte da tarde, a outros profissionais bancários e a estudantes ou outros investigadores.

Oliveira Marques sai da CISF -- Manuel de Oliveira Marques vai abandonar no fim do mês a administração da CISF para voltar à carreira académica. É o regresso à Faculdade de Economia do Porto, de onde saiu em 1988, pela mão de Miguel Cadilhe, para preparar a privatização da Aliança Seguradora. Depois da Aliança, Oliveira Marques foi presidente da CISF, já maioritariamente controlada pelo BCP. Mas quando a maioria se transformou em 100 por cento Jardim Gonçalves «roubou-lhe» a presidência, embora mantendo-o na administração. Oliveira Marques volta à docência na qualidade de professor associado da Faculdade de Economia do Porto.

Fundamentalistas mortos na Argélia -- Sete islamistas armados foram mortos no início da semana pelas forças de segurança em Ain Bili, no departamento de Sétif, leste da Argélia, durante uma operação de busca, anunciaram ontem as autoridades. Sete caçadeiras de canos serrados e seis veículos roubados foram recuperados nesta operação, disse a mesma fonte. Por outro lado, o corpo de um outro fundamentalista armado foi encontrado no fim de semana em Msila, no leste. Estas mortes elevam para 63 o número de islamistas armados mortos pelas forças de segurança no mês de Janeiro.

FIM DO EMBRAGO AO VIETNAME -- O Presidente Bill Clinton deu ontem a entender que os Estados Unidos levantariam o embargo comercial ao Vietname ainda esta semana. «Devemos fazer o que é justo», disse a um grupo de jornalistas, acrescentando que uma decisão seria anunciada «nos próximos dias». A decisão conta com a oposição de muitos antigos combatentes mas tem o apoio dos meios de negócios. Um passo decisivo foi dado a semana passada, quando o Senado recomendou, por larga maioria, o levantamento do embargo.

Para o evitar, Barbosa de Melo voltará a falar com o Presidente, na esperança de um consenso que só será testado quando Soares regressar do estrangeiro, na próxima semana. Os líderes, à excepção de Lobo Xavier, do CDS, estão disponíveis para um figurino misto: sessão em S. Bento e posterior deslocação ao local emblemático do 25 de Abril. A.S.

Oito toneladas de material oferecido por Portugal, para apoiar o recenseamento eleitoral das primeiras eleições pluralistas da Guiné-Bissau, chegaram ontem ao país a bordo de um avião «C-130» da Força Aérea Portuguesa. A contribuição portuguesa para as eleições marcadas para 27 de Março consta principalmente de impressos, cadernos eleitorais e cartões de eleitor. A ajuda portuguesa, no valor de 500 mil dólares, foi anunciada a 10 de Novembro último pelo secretário de Estado da Cooperação, José Manuel Briosa e Gala, durante a visita oficial que realizou à Guiné.

Abertura das Discotecas -- Houve a guerra assanhada pelo fecho tardio das discotecas. Depois veio a liberalização da Câmara Municipal, enquanto o Governo Civil não se resolve a dar o ámen a um dos mais promissores sectores económicos de Portugal. Se não, veja mais abaixo como a noite é, em todo o país, a única mercadoria credível de exportação para a Europa e para a ásia.

Cerveja Belga -- É vendida num número cada vez maior de bares lisboetas. Atenção, está perante uma das melhores, se não a melhor, cervejas do mundo. Entre as mais saborosas estão a encorpada Duvel, a refrescante Branca ou a aframboesada Kriek. Só que servir estas senhoras de alta estirpe obedece a um rigoroso preceituário.

Cervejarias -- As cervejarias são, em geral, salas mobiladas a alumínio e atapetadas a papelinhos lambuzados. As velhas e bonitas são em pequeno número... de que a pérola é a Trindade. Merece igualmente referência a Portugália, com o seu cenário de casa portuguesa solidamente erigido no Estado Novo. As novas e feias, engalanadas de alumínio, são mais do que muitas... O novo conceito de cervejaria é representado pela Ser-Veja-Ria, que mais parece um bar, todo vistoso e risonho. Ah, e pós-moderno.

E, depois, não percebemos como é que os horrorosos empregados de bar de há uns anos puderam ter filhotes tão bonitos e simpáticos. Já terá havido algum biólogo a estudar este salto genético? Portugal apresenta o conjunto de adolescentes mais bonito do mundo. Se não ficar convencido com os adolescentes da noite, veja um dia um jogo de futebol entre a nossa equipa de Esperanças e a dos países ditos desenvolvidos! Bom, até nos dá vontade de rir. Os estrangeiros são uns morcons de trazer por casa ao pé dos nossos jovens, todos lindinhos e impantes de bom ar. Não, não sabemos como é que, quase só com a excepção dos nossos «hermanos», o mundo é tão azeiteiro e nós tão betos e bonequinhos.

O Café Latino da Rua dos Clérigos, agora profundamente alterado, também saiu da pena da De Facto. Lojas de roupa recentes, como o Traço Branco da Foz e a Paulina Figueiredo ao lado do Hotel Méridien, foram por ela abrilhantadas. No mesmo rol está ainda a sapataria do Edifício Avis da Foz. Para não falar de uma infinidade de obras fugazes, os «showrooms» de grandes marcas como a Benetton, Ice, Mustang, Unlimited...

O debate sobre a Alta Autoridade para a Comunicação Social regressa hoje ao Parlamento pela mão do PSD. O seu deputado Costa Andrade tomou a iniciativa de apresentar um projecto para multar quem não publique os acórdãos da Alta Autoridade. É a tentativa de revitalizar uma instância desacreditada. O PS aproveita para retomar a discussão sobre a governamentalização daqule órgão e propõe nova fórmula para a escolha de alguns dos seus 13 membros. Nonguém parece disposto a um balanço sério destes três anos de funcionamento da Alta Autoridade. Quando foi criada nenhum partido a veio defender com convicção. Afirmou-se mesmo, da bancada PSD para o hemiciclo, que a instituição era um mal menor com prazo de vida limitado. Esquecidos de tais confições, os deputados da maioria querem agora dar um suplemento de alma ao órgão moribundo.

A mesma Autoridade que o grupo parlamentar do PSD propõe agora reforçar, multando violentamente quem não cumpra as suas deliberações. Reflexo condicionado típico. Perante o clamor unânime das críticas de quantos estão sob a alçada de um órgão por si criado, a maioria que nos governa nada ouve, mantém-se insensível, não muda de rumo. Ao contrário, agrava as penalidades contra quem, além de criticar, não cumpre o que o PSD superiormente determina. Extraordinária capacidade esta de diálogo com a sociedade civil!

Em política, o que parece é. Goste-se ou não desta máxima e do seu autor, a verdade é que dificilmente conseguimos fugir à sua lógica implacável.

O que está em causa é que Leonor Beleza é politicamente responsável por tudo, quanto mais não seja porque delegou responsabilidades em pessoas que não o mereciam. Com a frontalidade que sempre a caracterizou, Leonor Beleza tem assumido essa responsabilidade política -- fê-lo ontem de novo -- e nunca deixou cair o seu antigo colaborador (como seria cómodo fazer), tendo-o mesmo visitado na cadeia. O mal é que Leonor Beleza não tirou as devidas ilações do facto de assumir tal responsabilidade política, afastando-se consequentemente dos cargos públicos de relevo que ainda ocupa. Leonor Beleza não tem que esperar pelo trânsito em julgado deste caso para decidir se se demite ou não: deve afastar-se e aguardar nessa condição pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça.

Leonor Beleza deu ontem um salto em frente, depois do silêncio que se seguiu à condenação de Costa Freire: responsabilidades políticas já assumiu, afinal, quando deixou de ser vice-presidente do PSD; criminais não tem, como entendeu provar por A+B; defendeu ardorosamente Cavaco e foi aplaudida de pé por toda a bancada, com as excepções de Pacheco Pereira e Costa Andrade. Pacheco aproveitou a hora para contra-atacar o PS com o caso Emaudio e Almeida Santos desafiou-o a acusá-lo publicamente. E, da bancada do PSD saiam vozes a nomear Soares. Ninguém, na oposição, se atreveu a pedir a demissão da ex-ministra: no PS, muitos desejavam-no, mas Santos travou a solução radical.

Foi o momento de Santos proceder à fuga para a frente. Primeiro, defendeu não ser possível «a comparação de factos deslocados no tempo». Depois, atirou-se a Pacheco Pereira, com um brilhantismo raro nos últimos tempos: «Se o senhor me quer fazer acusações de responsabilidade política, defender-me-ei. Se eu tivesse um rabo de palha onde o sr. deputado não teria já ido!». A bancada do PS, que não costuma estar muito articulada nestas coisas, aplaudiu espontaneamente o velho líder.

Um homem esguio, figura familiar, atravessa um dos corredores principais do Parlamento. Ainda não é meio-dia e os jornalistas destacados para a cobertura da reunião do grupo parlamentar do PSD desatam numa correria frenética. O homem entra para a ala social-democrata e sai pouco tempo depois. Sorri muito, delicadamente, mas não quer fazer declarações, apesar da insistência do batalhão de jornalistas. É Costa Freire, o ex-secretário de Estado de Leonor Beleza, que aproveitou o dia em que o centro das atenções na AR era a ex-ministra da Saúde, para manifestar o desejo de vir à Assembleia «esclarecer todos os pontos» que os deputados «entenderem sobre o processo do Ministério da Saúde».

Contra estão o CDS e o PCP. Sendo que no CDS existem algumas «nuances». O líder parlamentar, Lobo Xavier, admitiu, num primeiro momento, receber Costa Freire. Aliás, manifestou essa intenção em declarações à TVI. Mas o ex-líder, Narana Coissoró, não concordou. Lobo hesitou, mas rendeu-se a um argumento de Narana: o CDS não devia sancionar a «promiscuidade negativa» entre a Assembleia e os tribunais que, na óptica daquele dirigente, receber Costa Freire provocaria. E assim os centristas tomaram a decisão de não receber Costa Freire. Lobo Xavier acabou por declarar que «a solicitação se faz num momento em que há um recurso pendente», que se «insere numa legítima campanha de defesa» do ex-secretário de Estado, mas que o CDS «não se pode misturar com uma promiscuidade negativa entre a Assembleia e os tribunais».

Duarte Lima e Nuno Delerue tiveram um papel decisivo para que Leonor Beleza decidisse quebrar o silêncio. Durante todo o dia de terça-feira, entre o Vale do Ave e Lisboa, os contactos entre o líder parlamentar, o seu novo vice e a ex-ministra, multiplicaram-se por telefone, e desde logo ficou claro que já não era sustentável que a defesa de Leonor continuasse a ser protagonizada por terceiros.

O desafio estava lançado e o sinal foi solidário, embora a unanimidade registada no Conselho Nacional (CN) tenha sido furada, no caso do Grupo Parlamentar, por sete votos contra e 17 abstenções, entre 110 deputados presentes. A posição assumida no CN obviamente condicionava à partida a bancada da maioria, mas nem por isso deixaram de se fazer ouvir algumas vozes dissonantes relativamente aos argumentos da ex-ministra.

Dois docentes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra foram agredidos por desconhecidos e outros professores têm recebido ameaças, vivendo-se um clima de medo na Escola.

Recentemente, foi a vez de uma sua colega, que já sofrera várias ameaças de rapto da filha, ser agredida no elevador de sua casa, tendo-lhe sido queimado o cabelo.

Durante dois meses, no ano de 1989, professores e alunos trabalharam intensivamente. No final, precisaram de 25 horas para redigir o texto final de um trabalho que ganhou o Prémio Constância de Experiências Escolares, ontem entregue em Lisboa. O caso não é para menos: em termos pedagógicos, o trabalho é exemplar. E dos problemas ambientais de Setúbal, pouco ficou por dizer.

Esta é, aliás, apenas uma das particularidades de uma experiência que esgota a cartilha dos bons conselhos pedagógicos. De uma assentada, as duas docentes -- Maria do Rosário Lopes, professora de inglês e Maria do Carmo Proença, do curso nocturno -- conseguiram que dois grupos de alunos de perfis diferentes e idades que variavam entre os 14 e os 50 anos, levassem a cabo um trabalho conjunto em torno do mesmo tema, com ramificações e implicações a nível de quase todas as disciplinas dos respectivos curriculos.

As Jornadas da Literatura e do Livro em Português realizam-se nos dias 10, 11 e 12 de Fevereiro, no Auditório 2, da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. É uma iniciativa integrada no âmbito do programa Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura e intitula-se «Vozes da Cidade». O Presidente da República, Mário Soares, estará, segundo os organizadores, presente na sessão de abertura.

A morte do professor Agostinho da Silva, ontem ocorrida no Hospital S. Francisco Xavier, causou , apesar de esperada há vários dias, profunda consternação nos meios culturais de Portugal e do Brasil. O Presidente Mário Soares e o embaixador Aparecido de Oliveira foram, aliás, os primeiros a expressar publicamente a mágoa pelo desaparecimento do seu grande mestre e amigo.

O Museu da Fundação Vieira da Silva/Arpad Szènes, em Lisboa, já não será aberto ao público no próximo dia 24, como fora anunciado. Esta resolução foi tomada na sequência dos atrasos de transferência das obras doadas em testamento por Vieira da Silva a Portugal (20 pinturas suas e 18 do seu marido). Sommer Ribeiro, director do Museu da nova Fundação, considera que o problema pode estar resolvido dentro de cerca de duas semanas -- mas nunca a tempo de manter a data prevista. No entanto, mantém-se agendado o lançamento a 24 de Fevereiro do monumental «Catalogue raisonne» da obra de Vieira que há alguns anos tem vindo a ser elaborado, que foi financiado pelo Banco de Portugal, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e Fundação Calouste Gulbenkian e cuja contribuição para o estudo e estabelecimento e estudo do "corpus" da obra da artista é decisivo.

Diana Ross e Ryuichi Sakamoto foram as estrelas de mais um Midem, que ontem chegou ao fim em Cannes. Comportando-se como antivedetas para quem a arte está bem acima do negócio, honraram um certame onde a música e o talento são ainda o mais importante.

Com a presença do chinês Tian Zhuangzhuang e a projecção do seu filme «O Papagaio Azul» -- proibido na China mas aclamado nos festivais de Cannes e Tóquio --, começou na passada semana o 8º Festival de Filmes de Friburgo, na Suíça. Entre uma maioria de obras asiáticas, reaparecem 10 minutos de um cinema já considerado extinto, o brasileiro, com uma curta-metragem documental de Paolo Gregori, «Atrás das Grades», sobre um tema actual no Brasil, a impunidade dos corruptos. Também falado em português é um documentário do suíço Peter von Gunten, «Terra Prometida», sobre os habitantes dos arredores de São Gonçalo da Serra, em Portugal.

Esperado em Friburgo é o cineasta americano Robert Kramer, que ajudou, no Vietname, um jovem realizador, Luu Trong Ninh, a terminar o filme «Perdoe-me». Trong Ninh, da geração do pós-guerra, é considerado o mais prometedor do seu país. «Perdoe-me» conta a história de uma actriz que vive na tela a época da guerra contra os americanos, e que se apaixona pelo realizador do filme, ex-vietcong. O próprio Kramer, 20 anos após o seu «People's War», regressou ao Vietname para documentar em imagens como vive o país sem a guerra. As relações entre israelitas e palestinianos, antes do acordo Israel-OLP, serão mostradas pelo cineasta David Benchetrit no seu documentário «Três Mulheres na Palestina». Ligado aos movimentos pacifistas, David tem ajudado à formação de jovens cineastas palestinianos.

O ABC conseguiu, anteontem, no Pavilhão Flávio Sá Leite, o seu primeiro triunfo na Liga dos Campeões, frente ao Badel Zagreb, por 24-19. A equipa portuguesa soma três pontos e joga uma cartada decisiva na próxima terça-feira, perante o Nimes, líder destacado do Grupo A com cinco pontos. A vitória é agora o único resultado que interessa aos campeões nacionais.

«A minha equipa está mal física, táctica e tecnicamente, mas os meus jogadores não esqueceram o que sabem. Apesar desta derrota, acredito ainda que podemos chegar ao primeiro lugar no grupo», disse Zdravko Zovko, técnico do Zagreb, no final da partida. Por sua vez, Jorge Rito, adjunto de Alexander Donner, fez questão de enaltecer o significado deste triunfo, comparando-o aos triunfos europeus do Benfica no basquetebol: «Vulgarizámos o bicampeão europeu.» Tanto para o croata como para o português, o grande favorito é agora o Nimes, embora qualquer das quatro equipas esteja, no entender de ambos, em condições de chegar ao primeiro lugar.

Sem Michael Jordan, a última grande vedeta, a NBA vive uma fase de indefinição. Há equilíbrio entre as melhores equipas, mas cavou-se um fosso em relação aos mais fracos. Ainda assim, há quem continue a entrar em campo para garantir que o espectáculo vai continuar.

O segundo grupo, o das equipas-sensação, é comandado pelos Orlando Magic, segundos na Divisão Atlântico, com 26 vitórias e 18 derrotas. Comandados por Shaquille O'Neal, os Magic são o melhor exemplo das equipas jovens que começam a dar cartas na Liga. Como os Charlotte Hornets, terceiros na Central, e os Miami Heat, também terceiros, mas na Atlântico. Depois há os San Antonio Spurs, os Utah Jazz e os Portland Trail Blazers, equipas habituais nos «play-off» da Liga.

A primeira edição do programa de informação desportiva «Os donos da bola» vai alargar-se para cerca de duas horas, ocupando uma parte substancial da programação da SIC durante a tarde. Todos os dias haverá futebol em diferido, com a transmissão de um jogo do campeonato espanhol da I Divisão. O programa, cuja segunda edição se mantém perto do fim da emissão, continuará a ter início por volta das 14h00, «engolindo» o espaço genérico de programação até agora denominado como «Agenda».

Os bósnios sérvios planeiam organizar uns mini-Jogos Olímpicos de Inverno, com o intuito de comemorar o 10º aniversário da realização dos Jogos de Sarajevo. Os Jogos terão lugar no Monte Jahorina, nos arredores da capital bósnia, entre 13 e 19 deste mês, revelou Ljubomir Zukovic, presidente do Comité Olímpico Bósnio/Sérvio, não reconhecido pelo Comité Olímpico Internacional. Uma data que coincide com a realização dos Jogos Olímpicos de Lillehammer (Noruega), marcados para de 12 a 27 de Fevereiro. A maior parte da infraestruturas desportivas de Jahorina estão intactas devido ao facto de terem estado sempre sob o controlo dos bósnios sérvios, mas outros locais de competição, como os de esqui alpino e «bobsleigh», situados na montanha, estão praticamente destruídos, devido ao facto de as forças sérvias ai terem instalado as suas peças de artilharia, com que constantemente fustigam a cidade.

João Vieira Pinto é o jogador português mais valioso do campeonato, só ultrapassado pelo estrangeiro Yekini, enquanto o Salgueiros é a surpresa colectiva, com quatro jogadores nos 15 mais portugueses. No Benfica, João Vieira Pinto, Vítor Paneira e Isaías são os mais valiosos, contrapondo o FC Porto outra tripla, formado por Kostadinov, Domingos e Timofte. Amanhã se vê quem tem mais argumentos.

Os jogadores são pontuados com um ponto por cada golo marcado e por cada passe decisivo, ou último passe, aspecto cada vez mais priveligiado no futebol moderno. Os goleadores e os jogadores com capacidade para assistir para o golo são normalmente os mais caros do mercado, o que justifica a utilização do termo mais valioso.

Dominique Wilkins, ao alcançar 26 pontos em 25 minutos de jogo, contribuiu decisivamente para o folgado triunfo dos Atlanta Hawks sobre os Orlando Magic, por 118-99, na jornada de quarta-feira da Liga Norte-Americana de Basquetebol Profissional (NBA).

Em Washington, os Knicks de Nova Iorque prosseguiram a sua senda vitoriosa, provando que não é por acaso que lideram a Divisão Atlântico com a melhor marca da Conferência Leste. Desta vez bateram, mas por apenas cinco pontos (85-80), os Bullets, turma que fecha a série, com apenas 14 vitórias contra 29 derrotas.

O Sporting reuniu na madrugada de ontem até às quatro horas da manhã para decidir as medidas a tomar no futuro caso a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) mantenha a decisão de o clube de Alvalade ter de pagar cerca de 90 mil contos à Ovarense, pela transferência de Luís Manuel.

MALDIÇÃO MARSELHESA? -- O Milan, adversário do FC Porto no Grupo B da Liga dos Campeões, sofreu, na noite de quarta-feira, mais uma derrota internacional. Depois dos desaires com o Marselha (Taça dos Campeões) e São Paulo (Taça Intercontinental) foi a vez de o Parma fazer o «dream team» do futebol europeu conhecer mais uma vez o amargo sabor da derrota, desta vez na Supertaça Europeia -- disputada entre os vencedores da Taça das Taças (Parma) e da Taça dos Campeões (Milan, em substituição do Marselha). Desde que a UEFA decidiu afastar os franceses e colocar a equipa de Sílvio Berlusconi no papel oficioso de «campeão europeu», que o Milan colecciona desaires em finais internacionais. No encontro da primeira mão da Supertaça Europeia, disputado há 15 dias em Parma, o Milan ganhou por 1-0, mas agora no seu estádio, o majestoso San Siro, os milaneses acabaram derrotados, por 2-0, após prolongamento (1-0 no final dos 90'). Sensini (67') e Crippa (97') foram os carrascos do milionário Milan que, apesar de uma menos boa carreira internacional, continua a dominar o campeonato italiano.

Há quem diga que o espectáculo do futebol não termina com o apito final do árbitro e há aqueles que amam este desporto somente pelos acontecimentos que ocorrem fora das quatro linhas. O caso do atacante brasileiro Müller parece reforçar ainda mais estas duas maneiras de seguir o futebol.

Primeiro, foi o seu casamento com uma bonita bailarina de televisão, a famosa Jussara, a fazer notícia. Depois, as suas festas até altas horas, os desaparecimentos ao volante do seu potente Ferrari e os rumores sobre as aventuras extraconjugais de Jussara. Tudo isso regado com uma falta de golos envergando a camisola do Torino. E, claro, uma aparição medíocre no «Mundial» de 1990, em Itália.

Apesar de os Houston Rockets terem abrandado sensivelmente o seu ritmo de início de época (contabilizaram quatro vitórias e seis derrotas nos últimos jogos da primeira volta), as estatísticas de Olajuwon (26,8 pontos, 11,8 ressaltos, 3,61 desarmes de lançamento) são difíceis de igualar. É verdade que Shaquille O'Neal, dos Orlando Magic, marcou mais pontos e ganhou mais ressaltos. Mas, depois de o ver «desaparecer» frente ao gigante romeno Gheorghe Muresan, dos Washington Bullets, a questão que fica é: quem é que você gostaria de ter como poste nos momentos finais de uma partida equilibrada?

Após uma época em que totalizaram 54 vitórias, os Cavaliers só conseguiram chegar a uma percentagem de 50 por cento de triunfos no passado domingo, com o êxito frente aos Detroit Pistons. A equipa sente muito a falta do técnico Lenny Wilkens.

Carimbada pelo presidente do Benfica, deu entrada ontem, ao início da tarde (12h35), a inscrição do sócio com o número 100 mil. Por alguns momentos, José Fernando Oliveira Gonçalves, 36 anos, de Riba de Ave -- Vila Nova de Famalicão -- foi, sem o saber, a «estrela» do clube da Luz. O seu boletim foi entregue por um seu desconhecido que trazia várias propostas de «amigos e de amigos dos seus amigos», mas a sua ausência não impediu que a festa se realizasse.

Pelé voltou, é o novo director do Santos Futebol Clube. Carlos Alberto e Jairzinho também voltaram, mas aos noticiários futebolísticos; Rivelino também. Falcão é treinador e Cerezo ainda é um dos grandes nomes da actualidade do futebol. O Brasil, porém, assistiu nesta semana ao retorno de um dos seus mais expressivos jogadores de todos os tempos: trata-se de Sócrates de Oliveira, a principal arma do meio-campo brasileiro no «Mundial» de Espanha em 1982.

Considerar os EUA como candidatos ao título mundial de futebol seria «facilitar» a realidade, mas o que é certo é que o primeiro mês de 1994 mostrou que os ventos sopram de feição para a selecção do país organizador da «World Cup».

A diferença entre esta equipa e a que se arrastou durante a maior parte do ano de 1993 é notável. A influência dos médios Claudio Reyna, de 20 anos, e Mike Burns, de 23, o regresso do dinamizador defesa Marcelo Balboa e a redução drástica do número de erros defensivos transformaram a equipa.

Os investidores da Bolsa de Frankfurt reagiram ontem negativamente ao facto de o Bundesbank não ter descido as suas taxas de juro. Muitos analistas contavam com uma descida nas taxas Lombard e de desconto, o que não confirmou até ao final do dia, provocando algumas perdas assinaláveis na Bolsa de Frankfurt. A generalidade dos papéis terminou o dia a valer menos em comparação com a véspera e o índice DAX encerrou nos 2151,72 pontos.

O volume de negócios manteve-se elevado durante a sessão de ontem na Bolsa de Madrid. No total o contínuo espanhol movimentou 48 mil milhões de pesetas num dia que ficou marcado pela queda da maioria dos papéis. Entre os grupos que mais se desvalorizaram estiveram os das empresas eléctricas e dos bancos, respectivamente com reveses de 5,9 e 3,79 pontos. Pelo lado positivo destacaram-se as empresas de comunicação e metalomecânicas.

A Bolsa de Valores de Nova Iorque caminhava a meio da sessão de ontem no sentido descendente e a generalidade das cotações estava em baixa face ao fecho da véspera. Um operador afirmou que o mercado foi influenciado pela descida da maior parte das bolsas internacionais e ainda pelos recentes máximos alcançado na praça nova-iorquina. Estes recordes levaram os investidores a venderem parte das suas carteiras para realizarem mais-valias.

A descida dos impostos decretada pelo Governo japonês na passada quarta-feira não foi suficiente para animar os investidores durante a sessão de ontem. O mercado está agora mais preocupado com uma possível cisão da coligação do actual primeiro-ministro, referiram os operadores. O ganho de 7,8 por cento da passada segunda-feira está a provocar um reajustamento dos preços. No final do dia o índice Nikkei perdeu 0,37 por cento.

As autoridades chinesas avisaram ontem a Grã-Bretnha e Portugal que será necessária a «prévia consulta» a Pequim sobre acordos de tráfego ou serviços aéreos firmados entre Hong-Kong e Macau com Taiwan e projectados além de 1997 e 1999. A declaração, feita por um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, surge após «relatos acerca de uma visita secreta de funcionários de Taiwan» àquelas duas cidades para «consultas ou negociações com as autoridades locais.

Cobrir todos as áreas de risco político -- para já na troca de bens e posteriormente os relacionados com investimentos e circulação de pessoas -- é o objectivo da empresa cuja actividade se iniciou já em Janeiro passado. A Unistrat Assurances, presidida por Louis Habib-Delonche e que operará em ligação à rede de resseguros e apólices de risco político da Unistrat Paris a funcionar desde 1986, constituiu-se com um capital de 100 milhões de francos franceses (cerca de três milhões de contos), tendo sido subscrito pela SCOR, Coface, Brugpoort-Holding, Gan, UAP e Namur Assurances du Crédit e pela seguradora portuguesa Império.

A privatização do grupo petrolífero francês Elf iniciou-se ontem com a colocação à venda de 33,2 milhões de acções, ao preço unitário de 385 francos (cerca de 10 contos) cada. Ao todo, a alienação do grupo deverá render aos cofres do Estado 35 mil milhões de francos franceses (um pouco mais de mil milhões de contos), sendo a maior privatização feita no país. O Estado francês, que actualmente detém 50,8 por cento do capital da Elf, passará a deter uma participação de 13 por cento, que será assegurada pela «holding» ERAP, e conservará também o direito de veto sobre as possíveis transacções que os detentores das maiores participações no capital da Elf possam tentar fazer. Ao longo de todo o ano em curso, o Governo francês prevê encaixar 55 mil milhões de francos (dos quais 50 mil milhões serão afectados ao Orçamento de Estado) nos processos de privatização que tenciona levar por diante.

O novo pacote de relançamento da economia japonesa, que deveria ter sido ontem oficialmente anunciado, só deverá tornar-se conhecido hoje ou amanhã, de acordo com fontes governamentais nipónicas. O atraso fica a dever-se a uma tentativa do primeiro-ministro Morihiro Hosokawa para superar as divergências no seio da coligação governamental, relativas à forma como será financiada a nova redução de impostos que o Executivo aprovou.

A Petrogal vai ter os seus 25 milhões de títulos de participação representativos da emissão denominada «Petrogal/93» admitidos, no dia 14 de Fevereiro, no mercado de cotações oficiais. O lote mínimo para a fixação da cotação dos títulos de participação, de valor nominal de mil escudos cada, é de 20 unidades. O prospecto de admissão pode ser consultado pelos interessados na sede da empresa e nas Bolsas de Valores do Porto e de Lisboa.

A Sociedade de Construções ERG convoca uma assembleia de obrigacionistas da emissão de 1988 para o dia 3 de Março, às 10 horas, na sede da empresa, em Lisboa. Como ponto único da ordem de trabalhos está a deliberação sobre a alteração das condições dos créditos dos obrigacionistas, nomeadamente prazo e condições de amortização e taxas de juro remuneratória e moratória. Caso a assembleia não possa reunir na data prevista por falta de representação de pelo menos metade do capital em dívida, passará a ser realizada a 18 de Março, pela mesma hora. Curiosamente, ontem mesmo a Bolsa de Valores do Porto procedeu à interrupção da negociação de todos os títulos emitidos pela ERG, admitidas à negociação no mercado sem cotações. A interrupção é por tempo indeterminado e deve-se ao facto de a empresa não ter publicado ainda o anúncio referente ao pagamento do cupão nº 13 do empréstimo obrigacionista de 1987, cujo vencimento ocorre no dia 15 do corrente.

Assistiu-se durante o dia de ontem a alguma oscilação do dólar na sua paridade com as principais moedas do sistema internacional devido à manutenção das taxas de juro do marco alemão.

Assistiu-se igualmente a uma ligeira desvalorização do iene após ter sido anunciado que a coligação japonesa no poder não tinha chegado a qualquer acordo no respeitante a reformas fiscais.

A sessão de ontem iniciou-se com uma forte procura de títulos do sector construtor, levando a um aumento nas cotações destes valores. Entre os papéis que mais se valorizaram estiveram os da Somague e Mota & Companhia, respectivamente com avanços de 8,62 e 7,14 por cento. Segundo os operadores, estes movimentos estão relacionados com a selecção do consórcio que irá construir a nova ponte sobre o Tejo. O Governo já anunciou que no decurso deste trimestre será divulgado o vencedor do concurso.

A subida das acções das construtoras deu-se em dia de reunião do Conselho de Ministros. É de admitir que nas próximas semanas estes títulos continuem a registar algumas alterações nos preços até ao veredicto final. Então umas empresas valorizar-se-ão e outras cairão.

A Monitor Company, de Michael Porter, está de malas aviadas, mas já tem quem lhe suceda: o Fórum da Competitividade, uma associação privada sem fins lucrativos, repartida entre o Porto e Lisboa. Continuar o trabalho feito é prioridade, mas na calha está o estudo de novos «cluster» e a dinamização de acções em prol da competitividade. Fundadores «naturais» serão os patrocinadores do estudo de Porter, mas espera-se a adesão de «centenas de empresas».

Para garantir estes propósitos, a Comissão Directiva do projecto já enviou convites formais aos patrocinadores do estudo, bem como a outras empresas e associações representativas do empresariado português. A prioridade nas adesões é claramente atribuída aos agentes privados. «Queremos que a competitividade seja dinamizada pela sociedade civil», explica Alberto Moreno. Os promotores da iniciativa admitem que o grupo de associados constituintes ascenda a «algumas centenas de entidades».

As quatro concessionárias para a distribuição regional de gás natural reúnem-se na próxima semana com a Transgás para discutir a minuta de contrato de fornecimento, cuja proposta foi já enviada às empresas. As primeiras reacções sobre o documento, colhidas pelo PÚBLICO, divergem entre o tom prudente e crítico. Uns reservam para a reunião os efeitos decisivos do mesmo, outros consideram que algumas das condições propostas são «nada favoráveis» para as futuras clientes da Transgás.

O encontro com a Transgás ocorre também numa altura em que as regras do jogo foram alteradas em uma das empresas de distribuição, com o reforço da posição da Petrogal. A partir desta semana, a petrolífera nacional domina, em conjunto com a GDP, através de participações directas e indirectas, o capital da concessionária pela distribuição de gás natural na região Centro, a Lusitâniagás.

A Lipor não está disposta a assumir sozinha o ónus das dúvidas que se têm levantado sobre o concurso para a central incineradora da Maia. Os autarcas, numa manifestação de inesperada sintonia entre socialistas e social-democratas, dizem que o Governo «até tem mais responsabilidades» do que eles e que a escolha do vencedor também foi sancionada pela Administração Central.

O contra-ataque autárquico fez-se a dois níveis: partilha de responsabilidades com o Governo em todo o concurso e crítica à forma como o Ministério do Ambiente recorreu à PGR, deixando os municípios «numa situação incómoda e potenciadora de descrédito».

O Mercado Monetário Interbancário abriu ilíquido e o Banco de Portugal anunciou, para a sessão de ontem, a cedência de fundos contra Bilhetes de Tesouro a um dia, até 300 milhões de contos, à taxa de 10,75 por cento, um montante de cedência mais elevado do que estava a ser proposto pelo banco central nos últimos dias.

Nos prazos mais longos, as taxas estiveram com pouco movimento e estáveis, o que se reflectiu também no facto de a Lisfra e a Lisbor se terem mantido estáveis em relação à sessão anterior.

Quanto vale o mercado publicitário nacional? Segundo a Sabatina, são mais de 103 milhões de contos, mas um observatório internacional, o Grupo IP, diz que não chega aos 71 milhões de contos. É a consequência da erosão das tabelas, sobretudo nas televisões. Um cenário de concorrência que não impediu a quebra do mercado em 1993 e justificou a diminuição do peso dos jornais.

«A selva é sobretudo na televisão», diz Rosalina Machado, da Ogilvy & Mather, a segunda agência do «ranking» nacional. Segundo a Sabatina, a televisão registou em 1993 um aumento do volume de publicidade de 23 por cento. Mais cauteloso, o Grupo IP (que conta, em Portugal, com o apoio da Intervoz, concessionária dos espaços publicitários na Rádio Renascença) aponta um crescimento de apenas um por cento.

A operação de privatização da Secil-CMP vai permitir ao Estado um «encaixe» mínimo de quase 63 milhões de contos. De acordo com o caderno de encargos que regulamenta o segundo concurso público de venda das empresas, aprovado ontem em Conselho de Ministros, podem candidatar-se agrupamentos de investidores nacionais ou estrangeiros desde que se obriguem à gestão e exploração conjunta da Secil e da Companhia de Maceira e Pataias (CMP), empresa que resulta da autonomização de duas fábricas anteriormente integradas na Cimpor. Ao efectuar esta operação, o Governo terá tido a intenção de criar «dois núcleos empresariais de dimensão e capacidades aproximadas, por forma a assegurar-se a satisfação do interesse público em matéria de concorrência», afirma um comunicado do Ministério das Finanças divulgado ontem.

Numa segunda fase, a Partest («holding» estatal que controla a participação na Secil) lançará para os trabalhadores, pequenos investidores e emigrantes uma oferta pública de alienação da parte remanescente do capital da Secil e da CMP, nos termos que vierem a ser definidos em Conselho de Ministros. As acções que fiquem sem comprador serão então obrigatoriamente adquiridas pelo agrupamento vencedor da primeira fase do concurso, que dispõe de um prazo máximo de dois anos para efectuar o pagamento, acrescido de juros.

Tratar as doenças auto-imunes, nas quais o sistema imunitário do doente ataca esta ou aquela parte do seu próprio organismo, poderá passar pela neutralização pura e simples de um componente chave do sistema imunitário dos doentes. Esta estratégia, que pode legitimamente levantar alguns receios, está agora a ser testada em doentes que sofrem de artrite reumatóide.

O que se pensa que acontece na artrite reumatóide é que a cartilagem é atacada pelas próprias defesas imunitárias do doente, como se ela fosse um «corpo estranho». Ou seja, ironicamente, o sistema imunitário torna doente o organismo que normalmente devia proteger contra as doenças. Os culpados desta «traição» biológica parecem ser determinadas células imunitárias que dão pelo nome de linfócitos T.

As grávidas não fumadoras mas que são filhas de mães que fumaram durante a sua gravidez, correm mais riscos de sofrer uma interrupção espontânea da gravidez. Segundo Jean Golding, do Instituto de Saúde Infantil da Universidade de Bristol (Inglaterra), as mulheres nestas circunstâncias correm um risco de sofrer um aborto que é 29 por cento mais elevado que o risco das grávidas filhas de mães não fumadoras. E se a futura mãe e a avó fumaram ambas durante a gravidez, esse risco sobe para 60 por cento. «É possível que uma fumadora durante a gravidez desequilibre as suas hormonas sexuais, havendo um distúrbio no modo como os órgãos sexuais da sua filha se desenvolvem», diz Golding, realçando que isso também tenha consequências no sucesso de uma futura gravidez dessa filha. As grávidas fumadoras, disse ainda Golding, citada pela Reuter, estão mais sujeitas a náuseas, vómitos, diarreia, infecções urinárias, micoses, dores de cabeça e das costas. Estas descobertas baseiam-se nos resultados preliminares de um grande inquérito, dirigido pela própria Golding e chamado «Children of the Nineties» (Crianças dos Anos 90) que vai acompanhar 15 mil grávidas e os seus filhos até estes completarem sete anos.

O Delta Clipper, concebido pela empresa McDonnell Douglas Aerospace, está já em fase de protótipo, tendo realizado no ano passado três testes de voo. O protótipo, construído à escala de um para três, pesa 21 toneladas e tem 13 metros de altura, sendo conhecido como DC-X, sigla de «Delta Clipper experimental» (ver «Um foguetão `light'», PÚBLICO de 20.8.93). Os defensores do aparelho dizem que o Delta talvez possa colocar cargas em órbita por um décimo do preço praticado actualmente pelo mercado.

Levando a bordo o primeiro cosmonauta russo que integra a tripulação de um vaivém norte-americano, o Discovery partiu ontem de Cabo Canaveral (Florida, EUA) para uma missão de oito dias. Iniciou-se assim o primeiro voo tripulado de 1994, entre os oito programados pela NASA. Deu-se também o pontapé de saída de uma série de voos conjuntos no âmbito dos acordos de cooperação espacial entre os Estados Unidos e a Rússia, depois de um intervalo de 19 anos, quando as naves Apollo e Soyuz se ligaram em órbita, em 1975, e as tripulações trabalharam juntas durante dez dias.

No porão do Discovery vai ainda o laboratório espacial Spacehab-2, um compartimento onde serão feitas 13 experiências científicas. Além disto, os seis elementos da tripulação deverão largar no espaço seis esferas -- cujo diâmetro varia dos cinco aos 15 centímetros -- para que telescópios terrestres lhes sigam o rasto. E deverá ser colocado no espaço um satélite alemão, encarregado da observação de micrometeoros, chamado Bremsat.

A empresa alemã de electrónica Neue Technologen inventou um dispositivo capaz de esterilizar o esperma por electrocussão antes deste sair do corpo humano. O implante consta de uma cápsula do tamanho de um grão de pimenta que deve ser colocada nos canais que conduzem o sémen até à uretra. Usando a corrente eléctrica gerada pelo próprio fluxo do sémen, a cápsula lança descargas eléctricas suficientes para retirar a capacidade fertilizadora aos espermatozóides. A Neue Technologen ainda não testou o seu invento no ser humano e um dos problemas que já foi levantado por alguns críticos deste novo contraceptivo consiste na possível interacção da cápsula com outros dispositivos como cobertores eléctricos, telefones móveis ou outros electrodomésticos.

O fabricante do pesticida que deu à costa na Holanda, nas ilhas Frísias e no Norte da Alemanha, no início da semana passada, mostrou-se disponível para custear a limpeza das praias do Norte da Alemanha mediante certas condições.

A primeira criança a ter sido objecto de um teste de diagnóstico «pré-embrionário» da doença de Tay-Sachs -- teste que neste caso se revelou negativo -- acaba de nascer nos EUA, noticiou a agência Reuter.

O teste da doença de Tay-Sachs, ainda em fase experimental, foi desenvolvido por cientistas do Instituto de Medicina Reprodutiva da Escola de Medicina da Virgínia Oriental. Gary Hodgen, presidente daquele instituto, disse à Reuter que pensava que, daqui até ao fim da década, várias doenças genéticas, tais como a mucoviscidose e a anemia falciforme (uma grave doença dos glóbulos vermelhos), poderiam ser evitadas graças a este tipo de diagnóstico.

Nos anos 90 vão morrer no mundo cerca de 30 milhões de pessoas de tuberculose, segundo as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Este número, diz a organização, poderia ser reduzido a metade se os serviços de saúde adoptassem medidas de luta drásticas. «Devemos encorajar todos os países a adoptar as medidas antituberculose preconizadas pela OMS», diz um comunicado citado pela France Presse. A OMS diz que se deveria consagrar mais de 100 milhões de dólares por ano (17,5 milhões de contos) -- sete vezes mais do que hoje é despendido -- para lutar eficazmente contra a doença. Sem isso, cerca de 12 milhões de tuberculosos curáveis morrerão nos próximos dez anos. Segundo um relatório, feito no âmbito do Programa de Tuberculose da OMS, a epidemia atinge sobretudo a Ásia, os países do Pacífico, a África sariana e a África do norte. Na Europa deverão sucumbir à doença, entre 1990 e 1999, quase 400 mil pessoas. A mediocridade dos programas de luta, o crescimento e envelhecimento demográfico e a sida são as causas apontadas para o alastramento da doença.

Pouco antes da partida, Ieltsin recebeu uma carta da Duma Estatal (câmara baixa do parlamento) opondo-se à assinatura do acordo de cooperação e amizade entre os dois países, o principal objectivo da visita de Ieltsin. O documento especifica que o acordo não será ratificado porque vai acentuar as tensões entre os dois países e em toda a região do Cáucaso.

UM MESTIÇO chamado Vasco da Gama ocupa o vigésimo sétimo lugar nas listas de candidatos à Assembleia Nacional da África do Sul agora apresentadas pelo partido de Frederik de Klerk, que está a dar tudo por tudo por conseguir atenuar o mais possível a prevista maioria folgada do ANC nas eleições gerais de Abril.

O congresso da até agora força governamental, que em 1948 instituíra o apartheid, começou com o hino negro Nkosi Sisekele Africa (Que Deus abençoe a África) e gritou-se «Viva De Klerk», «Viva the National Party», tendo a expressão inglesa «Long Life» sido substituída pela sua congénere portuguesa, numa aparente influência exercida pelas experiências políticas de Angola e de Moçambique.

Gerry Adams, presidente do Sinn Fein, ramo político legal do Exército Republicano Irlandês (IRA), regressou ontem de manhã a Dublin após uma triunfante viagem de 48 horas aos Estados Unidos, que lhe possibilitou um autêntico «show» mediático.

Numa curta conferência de imprensa no aeroporto, o líder do Sinn Fein afirmou que a sua visita foi uma tentativa de levar a paz à província britânica. «Estamos na fase final do conflito», garantiu. Na Câmara dos Comuns, o chefe do Governo britânico, John Major, era em simultâneo interrogado sobre a permanência de Gerry Adams nos Estados Unidos. «A forma de fazer avançar a paz no Ulster é o IRA terminar com a sua violência: está nas suas mãos, está entre as mãos do senhor Adams», sustentou Major perante os deputados.

OS PRINCIPAIS partidos políticos alemães concordaram em marcar para 16 de Outubro, um domingo, a realização das próximas eleições legislativas, anunciou ontem o porta-voz governamental.

Assim, no dia 16 de Outubro, dos 16 estados que integram a República Federal da Alemanha, apenas três -- Hesse, Renânia-Palatinado e a Saxónia -- não regressaram ainda das férias. Esta opção prevaleceu sobre outra: o dia 23 do mesmo mês, ocasião em que Berlim, Hamburgo e parte da Baixa Saxónia estão em férias.

Nápoles é, logo seguida por Palermo, a cidade preferida pelo empresário italiano e líder do movimento político Força Itália, Silvio Berlusconi, para apresentar a sua candidatura pessoal às eleições de 27 e 28 de Março. «Ainda não decidi onde concorrer, mas gostaria sem dúvida de ser candidato numa cidade grande do Sul», afirmou, em declarações à Reuter.

O empresário nega que este «aviso» tenha influenciado a súbita preferência pelo Sul de um homem que deverá ter uma parte não negligenciável do seu eleitorado nas regiões ricas do Norte, onde o seu discurso de uma Itália vitoriosa tem, sem dúvida, eco.

As forças sérvias da Bósnia terminaram ao princípio da tarde de ontem com o bloqueio sérvio de uma estrada nos arredores de Sarajevo, após o novo comandante da Força de Protecção das Nações Unidas (Forpronu) na Bósnia ter ameaçado utilizar carros de combate «Warrior» para forçar a passagem da ajuda humanitária. «Afinal não foi preciso enviar os `Warrior' porque os sérvios deixaram que os nossos veículos voltassem a circular», disse à Reuter em Sarajevo Jose Labandeira, porta-voz da Forpronu.

A nova postura do chefe da Forpronu na Bósnia, que pela primeira vez ameaçou utilizar a força militar contra um das partes em conflito, talvez tenha contribuído para que um porta-voz do Exército jugoslavo manifestasse a disposição dos sérvios bósnios em aceitar a abertura do aeroporto de Tuzla (nordeste da república), na condição de serem eles próprios a controlar «todas as actividades no aeroporto».

A Estónia tornou-se ontem o quarto país leste europeu a assinar a Parceria para a Paz com a NATO, um vago acordo de cooperação que não contempla garantias de segurança em caso de os signatários sofrerem um ataque, mas deixou claro que o seu objectivo é tornar-se membro pleno da Aliança Atlântica. Ao assinar os documentos, na sede da NATO em Bruxelas, o ministro estónio dos Negócios Estrangeiros, Juri Luik, não deixou ainda de criticar a Rússia, lamentando que Moscovo não tenha fixado um calendário de retirada definitiva das forças militares que mantém na Estónia. Polónia, Lituânia e Roménia já aderiram à Parceria para a Paz. A Eslováquia anunciou ontem que fará o mesmo no próximo dia 9 e a Bulgária disse que assinará os documentos necessários «nos próximos dias».

OS MILITANTES fundamentalistas egípcios, com o objectivo de afectar de forma drástica a economia do país, avisaram todos os estrangeiros, tanto turistas como investidores e empresários, de que devem abandonar o país se quiserem garantir a sua segurança pessoal. O aviso foi feito na quarta-feira pelo Gama'at Islami, o principal movimento fundamentalista que luta pelo derrube do regime do Presidente Hosni Mubarak.

A Estónia tornou-se ontem o quarto país leste europeu a assinar a Parceria para a Paz com a NATO, um vago acordo de cooperação que não contempla garantias de segurança em caso de os signatários sofrerem um ataque, mas deixou claro que o seu objectivo é tornar-se membro pleno da Aliança Atlântica. Ao assinar os documentos, na sede da NATO em Bruxelas, o ministro estónio dos Negócios Estrangeiros, Juri Luik, não deixou ainda de criticar a Rússia, lamentando que Moscovo não tenha fixado um calendário de retirada definitiva das forças militares que mantém na Estónia. Polónia, Lituânia e Roménia já aderiram à Parceria para a Paz. A Eslováquia anunciou ontem que fará o mesmo no próximo dia 9 e a Bulgária disse que assinará os documentos necessários «nos próximos dias».

O Presidente guineense, João Bernardo Vieira, deseja manter a todo o custo a data das eleições a 27 de Março, apesar da impossibilidade técnica de que isso aconteça. E faz questão de tornar pública a sua intenção nos comícios pré-eleitorais que vem realizando nos bairros periféricos de Bissau, desde há três semanas.

AS AUTORIDADES iranianas anunciaram ontem a prisão de várias pessoas presumivelmente implicadas numa tentativa de assassínio do Presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, no início desta semana.

Interrogado sobre o envolvimento de potências estrangeiras, o brigadeiro escusou-se a dar informações, «por motivos de segurança».

Ainda mal tinha saído de uma crise, o governo japonês do primeiro-ministro Morihiro Hosokawa está de novo em apuros, com os socialistas a ameaçaram sair da coligação, por divergências quanto ao aumento dos impostos sobre o consumo. Face à posição intransigente da principal força na aliança de sete partidos, Hosokawa recuou e adiou o anúncio de um pacote de estímulo económico há muito aguardado.

«O primeiro-ministro deve ter ficado embriagado com a sua alta popularidade», disse o ministro da Construção, Kozo Igarashi, referindo-se às recentes sondagens que dão a Hosokawa um apoio popular superior a 70 por cento. Igarashi e cinco outros ministros socialistas ameaçam demitir-se do governo.

SOBRECARREGADO com os seus planos da pólvora, que nestes dias passam pela partilha da Europa entre a Rússia e a Alemanha, o líder ultranacionalista russo Vladimir Jirinovski fez ontem mais uma pequena demonstração de como não tem tempo a perder.

Tudo começou quando Vladimir Jirinovski, certamente esgotado por um alucinante périplo que o levou sucessivamente à Eslovénia, Croácia, Sérvia e Bósnia, chegou ao aeroporto Ferihegy-Budapeste para tomar o avião da manhã com destino a Moscovo.

A JORDÂNIA revelou ontem ter pedido oficialmente ao Irão a redução do número de diplomatas na sua Embaixada em Amã, de 26 para cinco, aparentemente como protesto contra alegados contactos entre responsáveis iranianos e extremistas islâmicos no reino hachemita.

Por coincidência, o actual distanciamento em relação ao Irão surge dias depois de terem ocorrido atentados bombistas em Amã, atribuídos a fundamentalistas islâmicos, e do assassínio de um diplomata jordano, num bairro de activistas muçulmanos em Beirute.

Bill Clinton deve anunciar hoje o fim do embargo económico ao Vietname, decretado quando todo o país caiu, há 19 anos, nas mãos dos comunistas. Com essa decisão, para a América acaba, formalmente, a guerra que mais feridas deixou, a única que perdeu. A vingança pode acontecer com o derrube, através do comércio e do investimento, de um regime que sobrevive fiel ao marxismo-leninismo.

Clinton decidiu levantar o embargo económico, «dar o passo certo», segundo as suas próprias palavras, apesar da oposição dos grupos de veteranos e das famílias dos soldados desaparecidos em combate, anunciaram as cadeias de televisão CNN e CBS.

A construção do troço da auto-estrada Penafiel-Amarante pode vir a ainda dar muito que falar. As populações das cinco afectadas pela construção deste troço de 16 Kms estão dispostas a ir à luta, mas aguardam pelo resultado da audiência que o presidente da Câmara do Marco de Canavezes, Avelino Ferreira Torres, tem hoje em Lisboa com a ministra do Ambiente, Teresa Patrício Gouveia.

Esta decisão unilateral caíu mal no seio da população que se reuniu na Casa do Povo da Livração, em Toutosa, mas o presidente do Marco, Ferreira Torres, apelou à calma e cautelosamente foi apresentado algumas soluções contemporizadoras. Sem deixar de condenar a forma como foi suspensa a audiência -- que serviria para esclarecer dúvidas que o projecta levanta -, Ferreira Torres conseguiu desmobilizar alguns populares mais descontentes que estavam dispostos a enveredar por formas de «luta enérgicas» contra as obras em curso, aconselhando-os a esperar pelo resultado da reunião que hoje à tarde vai ter com Teresa Patrício Gouveia.

O Tribunal Judicial da Comarca de Porto de Mós marcou para hoje o início das audições das testemunhas de Júlio Órfão, cabeça de lista dos sociais-democratas nas últimas eleições autárquicas na Batalha, acusado pelo Ministério Público de ter utilizado indevidamente o nome de "presidente da Câmara" nos folhetos da campanha eleitoral.

"O arguido concordou com a distribuição destes panfletos, desejou-a e dirigiu-a"; "sabia que não era presidente da Câmara da Batalha" e "designou-se como tal com a intenção de fazer crer ao comum eleitor do concelho que era presidente", sustenta a acusação do Ministério Público.

«Se a Candelária chora, está o Inverno fora», diz o rifão meteorológico. A Candelária -- o 2º dia de Fevereiro -- funciona como barómetro do ano inteiro. E a Candelária chorou: a chuva que se abateu sobre o país na 4ª feira é sinal certo de que começou o fim do Inverno e o Verão está à porta.

E as novidades não se ficam por aqui. Lisboa acolhe hoje, na Sala Experimental do Teatro Nacional, um espectáculo estreado fora de portas. «Malaquias, a história de um homem barbaramente agredido» -- espectáculo a que a crítica, entretanto, atribuiu o Prémio Revelação de 1993 -- sobe de Massamá ao Rossio, onde os lisboetas o poderão e deverão ver até ao dia 13.

Um abaixo-assinado com cerca de mil assinaturas, recolhidas nos lugares de Meães e Vitória, da freguesia de Calendário, Vila Nova de Famalicão, foi anteotem entregue na Câmara Municipal, contra a intenção anunciada pela autarquia de transferir para lá 32 dos cerca de 80 cidadãos de etnia cigana que vivem em barracas na cidade.

Entretanto, o pároco de Calendário, Horácio Moreira, só voltará a celebrar missa na Capela de Nossa Senhora de Fátima, que serve os paroquianos das aldeias de Meães e Vitória, distantes do centro da paróquia, «quando houver disposição para a oração». «Há uma tensão muito grande e só quando as pessoas estiverem mais calmas» haverá a habitual missa dos sábados, declarou o padre. Comentando o abaixo-assinado, o pároco pensa que «a coisa ficou pior», especialmente para os ciganos da cidade que continuam «naquele `ghetto'». «É pena que as pessoas tenham tomado essa decisão», disse.

Um incêndio deflagrado durante a madrugada numa casa do rés-do-chão do número 14 da Rua Carolina Micaelis, em Linda-a-Velha, provocou elevados danos materiais e obrigou os bombeiros a evacuarem de emergência os inquilinos dos cinco pisos.

O sinistro deflagrou às 4h45 sendo dado como extinto, pelos bombeiros de Algés e do Dafundo, cerca de três horas depois.

Suscitar o apoio do governo espanhol aos projectos de desenvolvimento conjunto das cidades portuguesas e galegas integrantes do Eixo Atlântico será o tema principal do encontro que ocorrerá dia 27 no palácio da Moncloa, em Madrid, entre Felipe Gonzalez e os presidentes das autarquias do Porto e de Vigo, Fernando Gomes e Carlos Principe. Alguns constrangimentos e desfasamentos entre projectos em curso dos dois lados da fronteira -- de que a duplicação e electrificação da linha férrea Porto-Vigo é um exemplo -- serão discutidos na reunião, e é objectivo dos autarcas vê-los debatidos numa próxima cimeira ibérica.

«Se pensarmos que hoje temos uma licença camarária para construir, mas que amanhã pode vir a CCRN mandar parar a obra, isto pode começar a deixar intranquilos os promotores e os construtores», diz Rui Viana, acrescentando que, assim, «isto parece a república das bananas».

A igreja de S. João Baptista, em Tomar, tem o tecto a ameaçar ruir na capela-mor, em cuja parte esquerda é visível uma grande fissura por onde, quando chove, entra água. Por outro lado, na Igreja de Santa Maria do Olival chove e há infiltrações em vários sítios, faltam vidros nas janelas e o telhado tem fissuras nas telhas por onde passa humidade.

«Era importante que o município tivesse em conta o estudo de um projecto que enquadre este monumento do património português e à volta junto ao antigo Ribeiro das Canas, e se construa um complexo que dê vida à igreja, sob a alçada da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumento Nacionais», afirma o pároco.

A CÂMARA Municipal de Coimbra pretende transformar um antigo edifício gótico, que entre os séculos XVI e XIX serviu de Tribunal da Inquisição e de colégio de artes, num centro municipal de artes cénicas, revelou ontem Manuel Machado, presidente da autarquia.

A administração da Metalimex não quis adiantar, ontem, o porquê desta posição. Numa carta enviada à Direcção-Geral do Ambiente no mês passado, porém, a Metalimex argumenta que, uma vez que se encontra em avaliação um projecto de recuperação económica da empresa, ao abrigo da lei, não é possível alterar o seu património -- de que fazem parte as escórias -- sem o consentimento da assembleia de credores. O custo da operação -- cerca de 200 mil contos, financiados inicialmente pelo próprio Governo, com recurso a verbas da OID de Setúbal -- também preocupa a Metalimex, uma vez que a empresa pode vir a ter de saldá-lo posteriormente.

A CÂMARA da Moita adjudicou esta semana a uma empresa privada o projecto da Casa de Cultura da Baixa da Banheira. Com esta decisão, dá-se o primeiro passo concreto para a satisfação de uma reivindicação das colectividades de cultura e recreio banheirenses que data do início dos anos 60.

Três mortos e um idoso espancado com gravidade. Foi este o resultado de uma noite e uma madrugada repleta de assaltos e roubos. À morte de um assaltante de uma residência de Paço de Arcos, que se envolveu numa luta com a polícia, seguiu-se um assassinato a tiro, no Cartaxo. Mais tarde, em Marvila, um reformado foi agredido por assaltantes e, finalmente, no Martim Moniz, um homem sem abrigo acabou por falecer após uma rixa com dois companheiros.

Um estudante de 20 anos foi ontem de madrugada ferido a tiro em Lisboa, ao resisitir, juntamente com outro colega, a um guarda-nocturno que os surpreendera a tentar furtar uma motorizada, informou a PSP.

Segundo a polícia, depois de tentarem fugir, os jovens acabaram por se lançar sobre o guarda, que fez uso da arma.

A neve bloqueou ontem um autocarro escolar, entre Salgueirais e Linhares da Beira, com duas dezenas de crianças que foram prontamente evacuadas. A queda de neve e fortes rajadas de vento que se fizeram sentir na Serra da Estrela, levaram ao encerramento da estrada para Nave, Torre e Sabugueiro.

O Supremo Tribunal Administrativo deu razão à Câmara Municipal de Lisboa ao ter mandado demolir as construções clandestinas situadas na Quinta das Fonsecas, em terrenos cuja posse é reivindicada pelo empreiteiro Ilídio Ribeiro e onde actualmente está implantado o nó de ligação da Segunda Circular ao Eixo Norte-Sul.

A queda de uma enorme máquina de perfuração e instalação de estacarias, ocorrida na segunda-feira, sobre cinco veículos estacionados na principal artéria de Vila Franca de Xira, levou os vereadores da oposição local a reclamarem, na última reunião da Câmara Municipal, uma fiscalização mais rigorosa a este tipo de trabalhos, quando desenvolvidos junto a vias públicas.

Simões Luís, vereador do PS, admitiu, por seu turno, que a máquina estaria a trabalhar numa zona de lodos sem que tenham sido tomadas as devidas precauções, nomeadamente a colocação de placas de madeira que a suportassem. «Quando a Câmara tiver conhecimento de obras em terrenos com problemas freáticos deve recomendar e fiscalizar todas as precauções de segurança, para prevenir acidentes mais graves», sublinhou.

Os eleitos do PS e do PSD da freguesia de Rio de Mouro, Sintra, vão recorrer ao Governo Civil para tentar sair do impasse criado com a CDU para a eleição do executivo da junta. Anteontem à noite, a assembleia voltou a ser interrompida, depois da presidente eleita pela coligação, Maria Alice Silva, não admitir o método de votação para o executivo proposto por socialistas e sociais-democratas, e que a deixaria isolada naquele órgão autárquico.

Apesar da autarca se afirmar disposta a negociar as competências, os outros eleitos não estão pelos ajustes. «A senhora presidente não propôs o método de Hondt. Ela impôs esse método», queixa-se José Melo (PSD), para quem o acordo político, se legalmente não permite derrubar Maria Alice, pelo menos, visa isolá-la: «Ela já reinou demais e não tem feito nada nestes dez anos. Tem vivido em ditadura e tem medo que se vão descobrir os podres que estão para trás».

Ao contrário do que se poderia pensar, os lisboetas continuam a gostar, e a precisar, dos mercados tradicionais. Por isso mesmo, a Câmara está agora a terminar mais um desses equipamentos. Fica em Sapadores e quer ser, mais que um mercado, um importante factor de requalificação urbana.

Por baixo da zona ajardinada -- à qual se acede, na frente, por meio de uma ampla escadaria construída num dos extremos do edifício, do lado da Rua Angelina Vidal, e, atrás, pelo passeio da Rua da Penha de França -- fica um parque de estacionamento com capacidade para 140 automóveis. A escadaria dá também para a praça propriamente dita, onde estão já prontas algumas dezenas de bancas de mármore, com tampos de aço inoxidável.

A queda de neve e as fortes rajadas de vento que ontem se fizeram sentir na Serra da Estrela, levaram ao encerramento da estrada para Nave, Torre e Sabugueiro. Segundo informação do observatório meteorológico das Penhas Douradas, às 15h00 registou-se um grau negativo, e a previsão apontava para que só a partir de hoje se verificasse uma melhoria das condições climatéricas.

Obras de remodelação e pintura de salas poderão estar na génese da reorganização da estrutura do Centro Cultural Emmerico Nunes, de Sines, desencadeada pelo coordenador e presidente da direcção da cooperativa cultural do mesmo nome, Alberto Pidwell, o conhecido poeta Al Berto.

Há muitos muitos anos, havia uma série de nome Viver no Campo. Tinha Zsa Zsa Gabor e o seu marido transformados em alienígenas numa qualquer região rural dos Estados Unidos. Era assim: estava-se no começo dos anos 60 e um simpático casal nova-iorquino, desde sempre habituado ao conforto do seu apartamento de luxo da Quinta Avenida, decide, por um motivo qualquer que tinha a ver com a sua ascensão social, adquirir o que parecia uma "cottage" no "countryside" permitido pelo Connecticut.

Três décadas depois, o produtor e realizador Paul Moloney voltou a pegar no tema e fez uma nova série com situações de comédia inspiradas nos contrastes entre a vida urbana e a vida rural. A série que o Canal Um estreia hoje de manhã, Haydaze. Porém, aqui, em vez de um casal "snob", encontra-se um grupo de crianças que se espanta com o modo de vida dos seus novos vizinhos, recém-chegados da grande cidade.

No Local do PÚBLICO do passado dia 23 foi publicado um artigo com o título principal «PJ investiga corrupção na CCR do Algarve», na primeira página daquela separata, que remetia para a pág. 58, onde o próprio artigo foi novamente titulado, agora de «Fumos de corrupção na Comissão de Coordenação», ambos os títulos impressos com bastante destaque.

2 -- Também não corresponde à verdade a afirmação imputada ao signatário de que «outros técnicos» estão igualmente a ser sujeitos a investigação, o que expressamente se rectifica.

1. Na sua edição de 30 de Janeiro, o jornal PÚBLICO inseriu na sua primeira página uma notícia com o título «Os caminhos das facturas falsas», antecedido do subtítulo «PSD discutiu amnistia». Na página 3, o desenvolvimento da notícia assegurava que o Grupo Parlamentar do PSD admitira a hipótese de negociar uma amnistia para este caso com o PS, apesar do desmentido categórico que sobre isso fizemos em Novembro de 1993. Acrescenta a notícia da vossa edição de ontem que «fonte governamental confirmou que várias pessoas no interior do PSD e sobretudo do Grupo Parlamentar social-democrata, se mostraram acérrimos defensores da amnistia».

Aguardamos que depois deste documento, tão claro e categórico como o primeiro, não existam mais razões para que o PÚBLICO volte a associar o Grupo Parlamentar do PSD ao processo das facturas falsas e que suspeite da bondade das intenções de fontes que, em matéria tão delicada, se acobertam no anonimato.

Leonor Beleza tinha dito que só se pronunciaria sobre a sentença do caso do Ministério da Saúde quando a mesma transitasse em julgado, após decisão do recurso interposto para o Supremo Tribunal de Justiça. Era uma atitude eticamente duvidosa, sob o ponto de vista da famosa responsabilidade política, mas inteiramente legítima e com sentido lógico: ao fim e ao cabo, o recurso pode ainda vir a absolver os réus e, em tal caso, o eventual sacrifício político que alguns exigem a Leonor Beleza teria sido extemporâneo.

Essa guerra, que Leonor Beleza perdeu essencialmente por não ter sabido fazê-la com os bons médicos -- que, felizmente, existem e em grande número -- foi, contudo, o único momento de esperança na viragem da situação quase medieval em que vive a saúde pública em Portugal. Para tudo dizer em poucas palavras, Leonor Beleza esteve à beira de conseguir levar a cabo o que teria sido a única das reformas de oito anos de cavaquismo. Falhou, mas devemos-lhe a coragem de ter tentado. E é justo que isto não seja esquecido na hora do ajuste de contas.

«Timor quer mais realismo político», o artigo de opinião publicado na edição de quarta-feira (pág.17), trouxe algumas gralhas que impõem a seguinte correcção: os autores, Constâncio Gusmão e Costa Belo, são co-promotores (e não co-deputados) do Encontro de Reconciliação em Londres. As resoluções gerais da ONU são a 2625, de 1970, e a 1514, de 1960.

Mas a hora é de festa e tudo o denuncia. Em cada montra, em cada esquina, em cada candeeiro, os sinais inteligíveis de um mundo povoado por heróis de papel que, pela vigésima primeira vez, se reencontram em Angoulême. E não é por acaso que, como anunciam os «placards» publicitários luminosos preenchidos com a mensagem da cadeia de distribuição Leclerc, patrocinadores do salão de banda desenhada, «durante quatro dias os habitantes vão ouvir falar um estranho dialecto» -- e lá estão as imagens em quadradinhos, tiras e pranchas, o suporte de comunicação universal que dá, aqui, pelo nome de banda desenhada.

A crise de autoridade deu sinal na direcção parlamentar socialista. Almeida Santos não queria falar da demissão de Beleza. Mas as pressões internas foram tantas que o líder cedeu. A tensão foi grande na reunião da bancada. Santos chegou a mandar calar José Lello quando este falou das facturas falsas. E para travar a intriga, deu-se o salto em frente. Do punho de Almeida Santos saíu o texto de compromisso.

Esta nova tomada de posição sobre um assunto que, recorde-se, o PS começou por tratar «com pinças», segue-se à reunião matinal do grupo parlamentar. O caudal de críticas ao tom equívoco do discurso de Luís Filipe Madeira - que na véspera atacara Beleza sem a nomear ou sugerir a sua demissão -, foi grande. E veio de vários quadrantes da família socialista, embora com especial incidência entre os «sampaistas» e «gamistas». João Rui de Almeida, Alberto Martins, Ferro Rodrigues, Manuel dos Santos, Pereira Marques, José Lello, Ferraz de Abreu, Marques da Costa e Jaime Gama, insistiram na necessidade de pôr termo aos «panos quentes» no tratamento do caso. «Em qualquer país isto seria um escândalo tremendo», afirmou Jaime Gama, numa intervenção considerada duríssima, enquanto José Lello defendia que «temos que ter uma posição de clareza em relação a este tipo de causas», chamando a atenção para a possibilidade de vir aí o debate «das facturas falsas». A comparação da actual liderança com os tempos do consulado de Jaime Gama voltou ontem a pairar entre os socialistas.

A crise de autoridade deu sinal na direcção parlamentar socialista. Almeida Santos não queria falar da demissão de Beleza. Mas as pressões internas foram tantas que o líder cedeu. A tensão foi grande na reunião da bancada. Santos chegou a mandar calar José Lello quando este falou das facturas falsas. E para travar a intriga, deu-se o salto em frente. Do punho de Almeida Santos saíu o texto de compromisso.

Esta nova tomada de posição sobre um assunto que, recorde-se, o PS começou por tratar «com pinças», segue-se à reunião matinal do grupo parlamentar. O caudal de críticas ao tom equívoco do discurso de Luís Filipe Madeira - que na véspera atacara Beleza sem a nomear ou sugerir a sua demissão -, foi grande. E veio de vários quadrantes da família socialista, embora com especial incidência entre os «sampaistas» e «gamistas». João Rui de Almeida, Alberto Martins, Ferro Rodrigues, Manuel dos Santos, Pereira Marques, José Lello, Ferraz de Abreu, Marques da Costa e Jaime Gama, insistiram na necessidade de pôr termo aos «panos quentes» no tratamento do caso. «Em qualquer país isto seria um escândalo tremendo», afirmou Jaime Gama, enquanto José Lello defendia que «temos que ter uma posição de clareza em relação a este tipo de causas», chamando a atenção para a possibilidade de vir aí o debate «das facturas falsas».

António Leite de Castro deverá ser nomeado novo governador civil do Porto, na próxima semana, pelo ministro da Administração Interna, sucedendo a Fernando Melo, que se demitiu para se candidatar à presidência Câmara Municipal de Valongo, vindo a ser eleito nas autárquicas de Dezembro. Leite de Castro terá já dado o sim a Dias Loureiro, uma informação que o PÚBLICO não conseguiu, no entanto, confirmar junto do próprio, apesar dos esforços desenvolvidos.

Prestigiado quadro da EDP, Diogo Luz privilegiou a sua carreira profissional em detrimento da chefia do Governo Civil, cuja intervenção é muito reduzida, e acabou por declinar o convite de Dias Loureiro. Uma recusa que forçou Luís Filipe Meneses a uma nova ronda de contactos, tendo em vista indicar uma figura que, para além de consensual, fosse capaz de ultrapassar as fronteiras partidárias e de estabelecer uma mais ampla ligação à sociedade civil. E Leite de Castro reunirá essas condições, sendo reconhecido como uma personalidade independente e com uma credibilidade social e cultural que transcende a área social de apoio do PSD.

As dissonâncias entre António Lobo Xavier, líder parlamentar do CDS, e o seu antecessor, Narana Coissoró, ganharam nos últimos quinze dias uma visibilidade tal, que Xavier reconhece, em declarações ao PÚBLICO, a necessidade «de tomar algumas decisões com mais cuidado». «Durante um ano vivi aqui uma experiência em que praticamente não prestava contas. Entendia-me facilmente com o doutor Nogueira de Brito, que tem uma maneira de pensar talvez mais próxima da minha», afirma o líder centrista, reportando-se aos tempos em que Narana esteve ausente da Assembleia. «Agora - acrescenta - reconheço que tenho que ter em conta a enorme experiência do doutor Narana, e algumas coisas têm que ser melhor afinadas».

Narana e Adriano foram surpreendidos pela concretização da carta, apesar das reservas que tinham manifestado. E não gostaram, tanto mais que souberam por uma manchete de jornal. Nesse dia não passou despercebido o discurso de Narana Coissoró no plenário, em que se referiu ao caso de Leonor Beleza num tom politicamente contrastante daquele que Xavier indiciara pretender imprimir ao assunto.

‚ A fixação do ordenado minímo nacional de trabalhadores por conta de outrem para 49.300$OO e o dos trabalhadores do serviço doméstico para 43.000$OO. (ver p. 16)

Além da moção sectorial da JC e da de estratégia subscrita pelo presidente do CDS-PP, Manuel Monteiro (que o PÚBLICO ontem divulgou), entraram quarta-feira na sede do Largo do Caldas mais três textos globais: a tradicional moção da Federação dos Trabalhadores Democratas Cristãos e dois textos assinados pelos militantes de base Franklin Lima e Delfim de Sousa, ambos sem qualquer cargo partidário, mesmo a nível concelhio.

Pelos menos dois ministros podem ser candidatos ao Parlamento Europeu. Cavaco ainda não revelou os seus desígnios, mas é natural que não queira manter governantes à força. Se assim for, tem de haver nova remodelação. Caso contrário, há sectores da administração que podem paralisar. O que não será conveniente a um ano de legislativas.

As dificuldades de Cavaco arranjar um substituto para Arlindo pode ser o factor mais negativo para as pretensões do ministro.

Uma comissão internacional de parlamentares discutiu ontem com o secretário-geral da ONU a situação em Timor-Leste, dois dias depois da apresentação do relatório do departamento de Estado americano sobre direitos humanos. Este relatório, admitiu ao PÚBLICO o seu mentor, não vai influenciar as relações dos EUA com Jacarta, apesar das 40 páginas sobre os abusos cometidos na Indonésia.

Na reunião com Butros-Ghali, que foi organizada pela organização Parlamentares por Timor Leste, a deputada do partido Liberal sueco Ingela Martensson relatou por seu lado a sua recente viagem a Timor e à Indonésia, que resumiu assim: «Timor é uma prisão. O povo timorense é prisioneiro na sua própria terra».

«Uma Europa para os cidadãos» dirá o primeiro «slogan» da campanha para as eleições europeias que os socialistas vão lançar. A frase rematará o filme, com a duração de um minuto, concebido por Séguéla e que será comum a todos os partidos socialistas dos países comunitários. O filme, que será passado nas televisões, conclui-se com a apresentação da fotografia de António Guterres, prenúncio do forte envolvimento do líder socialista na campanha eleitoral.

Serão os mesmos os temas nucleares da Convenção do PS dedicada às questões europeias e é provável que o debate tenha contributos de personalidades exteriores ao próprio partido, já numa lógica de abertura do PS à sociedade civil, em jeito de ensaio do que os socialistas pretendem que venham a ser os Estados-Gerais para Uma Nova Maioria.

O despacho do ano passado do ex-ministro da Saúde, Arlindo de Carvalho, que determinava, como prioridade, a vacinação gratuita anti-hepatite B das crianças entre os 11 e os 13 anos, não está a ser cumprido. Os centros de Saúde dizem que não têm meios para o fazer. O concurso para a adjudicação das vacinas ainda nem sequer se realizou. Para a direcção-geral de Saúde, são atrasos resultantes das recentes mudanças políticas no sector da Saúde.

O parque sanitário da Administração Regional de Saúde não dispõe de vacinas anti-hepatite B, confirmou ao PÚBLICO o director-geral da Saúde, Nunes de Abreu. Por outro lado, o concurso para a adjudicação das vacinas ainda não foi sequer realizado, embora Nunes de Abreu afirme estarem a decorrer os «trâmites legais» para a sua abertura.

Com os votos do PSD e do CDS, foi aprovada a lei que multa os jornais que não publicarem as deliberações da Alta Autoridade que lhes digam respeito. PS e PCP votaram contra, denunciando o carácter "ad-hominen" do diploma."Uma birra contra o PÚBLICO", acusou o socialista Arons de Carvalho. O PSD negou a birra, e justificou-se com o facto da lei estar "incompleta".

Entretanto, o PSD não deixou discutir o projecto do PS que propunha que a Alta Autoridade passe a fiscalizar o serviço público de televisão além de modificar a fórmula de escolha dos quatro represantantes da opinião pública. Os sociais-democratas consideraram que o texto do PS não foi entregue a tempo de ser discutido na sessão de ontem, ficando o debate adiado para futura à calendarização.

A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) enviou à Polícia Judiciária, a 10 de Novembro do ano passado, uma deliberação sua sobre o acesso às fontes por parte dos «meios de informação».

A Alta Autoridade considera os jornalistas portugueses, incapazes de distinguir entre uma duvidosa suspeita e um conjunto articulado de indícios que aponta para um facto substancial, venha ou não a ser aceite como elemento de prova em tribunal e põe de prevenção os agentes da PJ.

Foi capturado ao fim da tarde de ontem no aeroporto de Rostov Sobre o Don (sudoeste da Rússia) o ucraniano que sequestrou quatro pessoas, entre as quais duas crianças, divulgou o Comité de Estado russo para as situações de emergência. Nikolaï Skovorstov irrompeu na manhã de ontem numa escola da cidade ucraniana de Soukhodolsk e, com a ajuda de uma granada, tomou a professora e duas crianças como reféns, aos quais se juntou o motorista da viatura que o sequestrador começou por exigir. Dirigiu-se em seguida para o aeroporto de Rostov-Sobre-o-Don, de onde esperava obter meio milhão de dólares e um avião para Londres. A intervenção de forças de elite pôs termo às suas exigências. Não há vítimas.

Cerca de meia centena emigrantes clandestinos na Itália saltaram dos barcos que os transportavam de regresso aos seus países e conseguiram nadar atá às costas sicilianas, tendo 36 já sido detidos antes de serem repatriados, disseram ontem à agência noticiosa France Presse fontes da polícia italiana. O Paquistão, a Índia e o Bangladesh são os países de origem destes emigrantes, que não transportavam qualquer documentação e apenas alguns tinham dólares consigo.

Cerca de 150 trabalhadores cortaram, ontem, por meia hora, o trânsito na Avenida 5 de Outubro, em Setúbal, para denunciar os graves problemas laborais da região. A concentração de trabalhadores contou com a presença de Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, que disse ter já «desafiado» o ministro da Indústria para debater «os reflexos da Operação Integrada de Desenvolvimento» na Península de Setúbal, uma vez que, segundo o próprio, continua a aumentar as «desigualdades, o desemprego e a pobreza». O líder da CGTP exortou os manifestantes a participarem na concentração marcada para o próximo dia 26, em Lisboa.

O Diário da República publicou ontem os decretos presidenciais de ratificação dos tratados de extradição e de auxílio mútuo em matéria penal entre Portugal e o Brasil. Divulga também as resoluções da Assembleia da República que aprovam, para ratificação, os referidos tratados. O tratado de extradição aplica-se a pessoas condenadas com pena de duração máxima superior a um ano. Quanto ao tratado de auxílio mútuo em matéria penal, o documento especifica as formas em como pode ser dado esse auxílio: notificação de documentos, obtenção de meios de prova, exames de pessoas, lugares ou coisas ou buscas e apreensões de bens.

«Miserável», «indigno» e «insuficiente» são alguns qualificativos usados pela CGTP e pela UGT para classificarem o aumento do salário mínimo de 47.400 para 49.300 escudos para os trabalhadores por conta de outrem ontem decretado pelo Conselho de Ministros. Para os trabalhadores do serviço doméstico o salário mínimo passa para 43 contos. A CGTP reivindicava 55 e a UGT 51 contos. «É mais uma afronta do Governo», comentou Manuel Lopes, porta-voz da Comissão Executiva da CGTP. «Este salário -- acrescentou -- vai aumentar a pobreza e a exclusão social de milhares de pessoas. Perante isto toda a revolta e indignação são legítimas». Por seu lado, a Comissão Permanente da UGT acusa o Governo de «afrontar as famílias de mais fracos recursos condenando-as em 1994 a terem de sobreviver ainda com um salário mínimo mais miserável».

«Um país, dois sistemas», propôs o «arquitecto-chefe das reformas» chinesas, Deng Xiaoping, para a reunificação pacífica do país. A fórmula só será ensaiada a partir de 1997, quando Pequim reassumir a soberania de Hong Kong. Mas dentro da China socialista, as «desigualdades típicas dos países capitalistas» já começaram a aparecer: os reformados, por exemplo, vivem num mundo à parte, excluídos da nova sociedade de consumo -- um sistema, dois países.

Actuar no palco é como fazer sexo. Não é que esta seja uma grande descoberta no mundo do rock mas, quando é Garth Brooks, a nova super-estrela da música «country» a dizê-lo, a coisa torna-se mais inesperada. Presentemente, Brooks tem quatro álbuns nos tops americanos, com mais de 27 milhões de discos vendidos, e dá nas vistas tanto pelas suas canções sensuais como pelo espalhafato que produz no palco. Confessa que uma das suas maiores influências é a velhinha banda de «heavy metal» Kiss, que se apresentava em palco com as caras pintadas e roupas de cabedal estapafúrdias. Portanto, quando dá um concerto, Garth Brooks farta-se de pular como se tivesse o diabo no corpo. De tal forma salta que chega a voar, diz quem o viu. E, como se isso não bastasse, usa e abusa de fogos de artifício. Tudo isto porque as suas actuações ao vivo têm de ser como «bom sexo», diz Brooks: «Ambos os lados têm de ter prazer. Quero desarmar as pessoas, fazê-las serem elas próprias», disse o cantor «country» ao jornalista numa entrevista que concedeu ao canal de serviço público de televisão norte-americano, PBS.

O cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé, defendeu que judeus e cristãos devem reconciliar-se uns com os outros para poder ser, no mundo, uma força de paz.

A PATINADORA Tonya Harding vai ser acusada na próxima semana de ter mentido à polícia e, talvez, de ser cúmplice no ataque, a 6 de Janeiro, em Detroit, contra a sua rival olímpica Nancy Kerrigan, escreveu ontem o diário americano «New York Daily News».

A polícia está neste momento a investigar outro crime mais grave: Tonya só soube do ataque depois, ou foi ela que o organizou? O seu ex-marido, Jeff Gillooly, entretanto preso, denunciou-a para tentar reduzir a sua pena de dois anos e meio. Num acordo com a justiça, Gillooly admitiu na terça-feira ser culpado e ter contratado três amigos para baterem em Kerrigan.

Michael Jackson parece pronto a retomar a sua carreira, mas devagarinho. Mais concretamente, com um espectáculo de caridade juntamente com outros elementos da sua família. «Jackson Family Honors» reunirá a 22 de fevereiro, no MGM Grand Hotel de Las Vegas, os irmãos Janet, Jackie, Marlon, Randy, Rebbie e Tito, bem como os pais Jackson. Trata-se da primeira aparição em palco da família Jackson nos últimos vinte anos, tudo para ajudar os necessitados, em particular as vítimas do sismo de Los Angeles. E talvez a carreira de Michael.

Os comerciantes de carne de cavalo estão zangados com Brigitte Bardot. Na semana passada, a famosa actriz disse num programa televisivo que a carne de cavalo ao dispor dos consumidores é potencialmente tóxica e que o abate destes animais é imoral. Os talhantes recusaram receber lições de moral de Bardot e aproveitaram mesmo a ocasião para, em comunicado, defenderem a carne de cavalo, «rica em proteínas e pobre em colesterol».

Um detector de notas falsas, portuguesas ou estrangeiras, importado de um país comunitário por uma empresa sediada na Charneca da Caparica, está a ser comercializado desde quarta-feira em Portugal. O detector, com as dimensões de 20 centímetros de comprimento por dez de largura e oito de espessura, custa cerca de 15 contos, podendo funcionar através da ligação a uma tomada eléctrica, incluindo a do isqueiro do automóvel.

«Falsificações a sério aparecem em países como os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha», disse a fonte do BP. Acrescentou ser «hábito» nas empresas comerciais de países em que são frequentes falsificações «verificarem as seguranças das notas de valor mais elevado. Há países onde os táxis dispõem de aparelhos que, em contra-luz, permitem de uma forma expedita verificar se uma nota é falsa, adiantou a mesma fonte.

A Olivedesportos, a maior empresa de venda de publicidade desportiva portuguesa, chegou a um acordo na quinta-feira passada com a Jornalgeste para compra do trissemanário desportivo «O Jogo» por 70 mil contos. Para além do título, o preço inclui nomeadamente equipamentos informáticos, parque automóvel e equipamento de escritório. A verba acordada para a transacção só parcialmente será paga em dinheiro, devendo a restante ser transformada em espaço de publicidade estática a favor dos jornais do grupo Jornalgeste (Jornal de Notícias e Diário de Notícias) em estádios de futebol. O novo «O Jogo» será objecto de uma sociedade a criar, estando o seu lançamento renovado, em termos editoriais e gráficos, previsto para Abril. Alberto do Rosário, administrador da Jornalgeste (holding da Lusomundo para os «media») continua a afirmar, no entanto, que o negócio, já confirmado pelo PÚBLICO, ainda «não está fechado» -- posição pública que servirá para justificar o facto de ele não ter sido ainda oficialmente anunciado dentro do trissemanário.

Manuel Tavares e Rogério Gomes formarão uma equipa constituída por 43 pessoas, 80 por cento das quais são jornalistas. Uma boa parte desses elementos será recrutada de entre os actuais trabalhadores de «O Jogo», tendo ainda sido dirigidos convites a jornalistas do Record, Expresso, Gazeta dos Desportos, Correio da Manhã e PÚBLICO. Os restantes trabalhadores de «O Jogo» manter-se-ão nos quadros do Jornal de Notícias ou serão convidados a rescindir os contratos.

Reclamam o direito de estar perto da família, e por isso entraram em greve de fome quarta-feira de manhã cinco reclusos da cadeia da Guarda. Todos querem ser tranferidos para estabelecimentos prisionais mais próximos da sua residência, designadamente para Coimbra, onde, por coincidência, um outro grupo de presos cumpriu em Janeiro uma greve de fome, reclamando também transferências para outras cadeias.

À greve de fome na cadeia da Guarda junta-se uma outra infeliz coincidência: o estabelecimento está sem médico prisional desde o fim de Dezembro. Como a lei obriga ao acompanhamento médico dos reclusos em greve de fome, foi ontem contratado um clínico particular para observar os grevistas e acompanhar o evoluir da situação, mas esses serviços serão pagos como consultas particulares, muito acima, portanto, dos custos de um médico contratado.

O Conselho de Imprensa, com esta designação ou outra semelhante, é uma instituição comum nos países onde a comunicação social exerce um papel relevante na democracia social. A liberdade de imprensa tornou-se um adquirido histórico nesses países, acompanhando ou precedendo a instituição democrática.

Tendo em conta estes pressupostos, os legisladores definiram um CI de 19 membros, obrigatoriamente presidido por um juiz. Vinham, em seguida, seis jornalistas (designados pelas organizações profissionais), dois representantes das empresas jornalísticas, dois directores de publicações periódicas (um da imprensa diária e outro da não diária), seis elementos representantes dos partidos da coligação governamental [de então]; quatro elementos independentes cooptados pelos anteriores.

Em fúria, centenas de pescadores da Bretanha invadiram na madrugada de ontem o mercado de Rungis, o principal abastecedor de peixe de Paris, e destruíram, com tacos de baseball, parte do pavilhão e toneladas de peixe.

Na madrugada de ontem a polícia apareceu no mercado de Rungis, mas o efeito foi o inverso ao esperado. Os pescadores não só continuaram a esmagar dezenas de grades de peixe como viraram vários carros da polícia. Milhares de peixes ficaram espalhados no chão. Pensa-se que os pescadores inutilizaram pelo menos 60 toneladas de peixe.

Os trabalhadores da TAP ontem reunidos em plenário rejeitaram a proposta da administração da empresa que prevê a aceitação pelos sindicatos do congelamento salarial em 1993 e 1994.

Este deve ser, aliás, um dos temas em discussão hoje na reunião da estrutura sindical, destinada a fazer o ponto da situação negocial na TAP e também a preparar nova reunião com a administração marcada para a próxima quarta-feira. D.L.R.

A Antena 3 TV, uma das cadeias privadas de televisão em Espanha, está aberta à cooperação com a TVI, admitiu ontem em Madrid Juan Valenzuela, director de produção da estação. «Como televisões associadas, em qualquer momento podem surgir diversos tipos de colaboração, em séries, telenovelas ou transmissões desportivas», adiantou Valenzuela.

A vida de Robert Maxwell, o estranho, fútil e convencido magnata da comunicação social, além de burilado impostor internacional, vai ser transformada em musical do West End londrino. O financiamento do espectáculo será do próprio... a título póstumo.

O COMISSÁRIO nacional para os refugiados, juiz Francisco Oliveira Pires, deu ontem parecer negativo ao pedido de asilo dos três zairenses que chegaram no fim-de-semana com passaportes falsos ao aeroporto de Lisboa, num voo de escala para Montreal, no Canadá.

José Manuel Cabral, porta-voz da AI em Portugal, disse ontem ao PÚBLICO que a secção canadiana da organização foi contactada pelos pais de Mateus Muamba e Mbona Lutoto. «Eles disseram à Amnistia Internacional que tinham fugido do Zaire e aceites como refugiados políticos no Canadá e que agora são cidadãos canadianos».

Os investimentos das empresas públicas previstos para 1994, deverão ser suficientes para fazer recuperar a formação bruta de capital fixo durante este ano. Em 1993, a descida foi de cinco por cento.

A quebra mais acentuada deverá ter sido registada no investimento em máquinas, como reflexo da forte diminuição do investimento industrial. O valor em escudos das importações totais de máquinas caiu cerca de 15 por cento entre Janeiro e Maio, tendo o valor das importações de bens de investimento (excluindo material de transporte) oriundo de fora da CE diminuído cerca de oito por cento entre Janeiro e Outubro.

O mercado internacional do arrendamento de espaços comerciais entrou na fase de estabilização. Lisboa compete agora com Madrid e Edimburgo e espera ver alargada a rede de estabelecimentos internacionais. A cidade mais cara do mundo deixou de ser Tóquio. Hong Kong roubou-lhe o lugar.

Primeiro factor a ter em conta é a situação de recessão económica, mas pesa também neste quadro a qualidade e localização da oferta. Segundo os especialistas, pode haver muitos espaços, mas poucos são bem localizados, sublinhando-se assim a escassez de oferta neste segmento, a par de uma procura competitiva. Também não será alheio o clima de expectativa que se gerou com a eventual mudança da lei do arrendamento comercial. Levada a análise aos tipos de espaço existentes no mercado, os mesmos consultores consideram que estes factores deverão resultar, mesmo assim, numa estabilização de rendas nas melhores localizações e possivelmente uma redução das mesmas em localizações secundárias.

Dinheiro gera dinheiro, quando bem aplicado. A grande questão está em detectar o momento certo para investir e, simultaneamente proceder às necessárias alterações para dai se retirar o máximo proveito. Os fundos de investimento permitem essa flexibilidade e são já um instrumento significativamente mais rentável que os depósitos bancários. Em 1993, quem apostou em fundos de acções só ganhou.

Actualizados os rendimentos e tomados como dias de referência as primeiras e últimas sessões de Bolsa dos três anos tomados em conta, torna-se claro que os fundos que mais se valorizaram nos períodos analisados foram aqueles que apostaram no sector accionista nacional, e em alguns casos internacional.

Um bem adquirido por uma empresa com determinada finalidade, pode vir a ser objecto de uma decisão que altera o seu registo contabilístico. Neste caso, muda o regime fiscal a que esse bem está sujeito. Uma questão que já foi apreciada pelos tribunais.

Ela adquire um bem com uma certa intenção negocial. No caso vertente, adquire um terreno para o revender dentro de dois anos. E por isso o inscreve no activo permutável. Mas como isso não acontece e perde automaticamente a isenção de sisa, pela passagem de tempo, passa o bem do activo permutável para o activo imobilizado, pois destinou o prédio para um outro fim.

Durante muito tempo defendeu-se que o país não tinha problemas. Quando se tornou indispensável reconhecer a existência de alguns, passou a dizer-se que, afinal, estes não eram tão graves como se dizia. Há dias foi oficialmente revelado que até o ano turístico, afinal, não tinha sido tão mau como isso. Para o confirmar, aí estavam os números relativos a entradas de estrangeiros que apresentavam uma descida de apenas 1,3 por cento durante os onze primeiros meses de 1993. Mas, de facto, o ano turístico foi mesmo muito mau.

As receitas com turistas espanhóis representavam apenas 15,7 por cento do total destas receitas em 1990 e entre Janeiro e Julho de 1993 representaram apenas cerca de oito por cento do total das dormidas na hotelaria. Assim, parece razoável excluí-los, quando se pretende utilizar as entradas de estrangeiros como indicador da actividade turística ou então dar apenas ao seu número de entradas a importância correspondente à da despesa por eles efectuada em Portugal.

O grupo Tertir está a viver o maior impasse desde a sua criação, em 1976. O ano passado, ficou marcado por prejuízos de 2,8 milhões de contos, pela primeira vez. As culpas são atribuídas ao Governo, que não soube avaliar a situação e, sobretudo, preveni-la. A aposta está agora na indemnização a receber do Estado e aponta para muitos milhões de contos.

Rodrigo Leite -- Vai ter, pela primeira vez, resultados negativos. Acontece que perdemos uma receita mensal de cerca de 500 mil contos com o esvaziamento da actividade dos terminais e, logicamente, isso representa uma perda brutal, praticamente de 90 por cento. Agravada com os encargos financeiros, devido a um endividamento pesado. Não se podia fazer milagres. Tive o cuidado de, desde logo, pedir aos bancos que contactassem o Governo, se assim o entendessem, no sentido de perceberem qual era a sua postura. E este, através de uma notificação do secretário de Estado [Elias da Costa], disse claramente que todos os prejuízos que a Tertir acumulasse a partir de um de Janeiro de 1993 eram da responsabilidade do Estado.

Aceitável, mas sem ser uma referência, devido à suspensão um pouco seca e a um nível sonoro por vezes elevado.

Com todas as agressões do ambiente, só a pele ser sensível é uma benesse... Clinique tem agora o Sensitive Skin Makeup SPF 15. Como o nome indica, é uma base de maquilhagem de protecção contra os raios solares. Contudo, pensando nas peles que não toleram os filtros solares químicos, adoptou o dióxido de titânio para proteger e dotou-se de calmantes botânicos. Testado contra as alergias, não contém óleo.

Nos Estados Unidos, o Honda Accord é um crónico candidato a carro mais vendido do ano. Em Portugal, a sua presença no mercado tem sido discreta, limitada pela contingentação às importações do Japão e pela carga fiscal. Isto apesar de constituir uma proposta sólida para quem deseja um familiar equilibrado, robusto e discreto.

O desenho do Accord começa por ser mais moderno, uma espécie de falso dois volumes e meio, e os seus interiores mais sóbrios. Em lugar das madeiras que a Rover utiliza para dar um toque de classe tipicamente «british» ao seu 600, a Honda prefere materiais mais clássicos e um desenho do interior mais convencional, mas muito funcional e acolhedor.

AUTARCA DE BOTICAS RECUSA SEC/NORTE -- O presidente da Assembleia Municipal de Boticas, o social-democrata Sousa Fernandes, recusou ontem o convite da secretaria de Estado da Cultura (SEC) para ocupar a chefia da Delegação Regional do Norte da Cultura, que passará a ter sede em Vila Real. O autarca foi formalmente convidado pelo subsecretário de Estado da Cultura, Manuel Frexes, há uma semana, hipótese que o próprio acolheu com surpresa. «Entendo não ter condições para desempenhar o cargo, por se tratar de uma área que não me é próxima», disse ao PÚBLICO Sousa Fernandes. Licenciado em Direito, com 54 anos, o autarca ocupou durante 17 anos a presidência da Câmara Municipal de Boticas. Antes de enveredar pela vida autárquica, exercia neste concelho as funções de Conservador Notário do Registo Civil e Predial. Apesar de na sua vida profissional nunca ter ocupado cargos directamente ligados à Cultura, Sousa Fernandes é apontado como um homem de consensos e «extraordinariamente culto», nas palavras do seu sucessor no município de Boticas, Fernando Campos.

Numa tentativa de que o assunto nunca chegasse a ser discutido a nível parlamentar, Couto dos Santos resolveu chamar-lhe regulamentação, embora o documento revogasse vários artigos da própria lei das propinas. Foi o veto de Mário Soares a este documento que fez com que o Governo enviasse o documento para a Assembleia da República, onde seria aprovado depois de várias alterações, que reflectiam aquilo que a ministra foi dizendo à comissão parlamentar.

«A Torre de Belém não vai estar tapada durante Lisboa 94» garantiu ontem, ao TV2 Jornal o secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes. Símbolo emblemático da história dos Descobrimentos, da capital, e já classificado como património mundial da UNESCO, em 1984, não tinha sido incluído no programa de Lisboa 94, pelo «estado de degradação em que se encontrava», segundo o presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico -- IPPAR (ver PÚBLICO de 26/1/1994). A polémica estalou. Em declarações ao TV2 Jornal, João Soares, responsável do pelouro cultural da Câmara Municipal de Lisboa, apesar de considerar que pudesse haver razões técnicas, achou «que é pelo menos ridículo e obviamente lamentável, enquanto ridículo» que a Torre se mantivesse tapada. Também Vítor Constâncio, presidente da Sociedade Lisboa 94, só agora considerou tratar-se de uma «coincidência infeliz». Mas depois dos «reparos da comunicação social», garantiu Santana Lopes, as obras de restauro vão fazer-se «numa fachada de cada vez». Em que ficamos: fica ou não destapada?

Para o total das actividades inquiridas, registou-se uma queda de 15,2 por cento, acentuando a quebra de 9,6 por cento verificada em Abril. Estas opiniões foram comuns à indústria extractiva (menos 40 por cento), à indústria transformadora (menos 18 por cento), à construção e obras públicas (menos 36 por cento), ao comércio e hotelaria (menos 24 por cento) ou mesmo à banca (menos 19 por cento), enquanto os transportes e seguros manifestavam taxas positivas de variação.

Rússia pede compreensão do FMI -- O ministro da Economia russo, Aleksandr Chokhine, afirmou ontem à representação do Fundo Monetário Internacional, que se encontra em Moscovo, que o estado real da economia deve ser avaliado sobretudo em função da baixa de produção e da taxa de desemprego e não apenas em função do estado das finanças públicas e da taxa de inflação. Ideia contrária tem Anatoli Tchubais, vice-primeiro-ministro com a área das privatizações: « Se a inflação continuar acima dos 10 por cento [em ritmo mensal] em Novembro ou Dezembro, será a catástrofe completa das reformas», disse em conferência de imprensa.

Por outro lado, Valentim considerou que as actuais relações da UNITA com o governo português «são excelentes» e traçou os mais rasgados elogios ao embaixador de Portugal em Luanda, Rocha Páris, que se encontra nas conversações de Lusaca como observador, dizendo que ambas as equipas negociais angolanas estão a beneficiar com a sua presença, dado que o consideram «uma pessoa muito séria, muito rigorosa».

Parlamento ucraniano aceita desnuclearização -- O Parlamento ucraniano decidiu, ontem à noite, aceitar a totalidade do protocolo de Lisboa, incluindo o ponto número cinco, que prevê a adesão da Ucrânia ao tratado de não proliferação nuclear enquanto Estado não nuclear. Desta forma, os deputados ultrapassaram as reservas emitidas em Novembro passado, durante a ratificação do acordo de desarmamento nuclear START 1, ao aceitar o princípio de que o seu país será desnuclearizado. Nessa ocasião, o Parlamento decidiu conservar os 46 mísseis SS-24 e os 42 bombardeiros pesados, armados com 672 ogivas e que não estavam incluídos no START 1, assinado em Julho de 1991 entre a União Soviética e os Estados Unidos.

Macário processa «Visão» -- O ex-candidato à Câmara Municipal de Lisboa e actual vereador, Macário Correia, vai interpor uma acção judicial contra a revista «Visão», fundamentada no que considera serem «afirmações de nível abaixo do ordinário». Numa nota ontem divulgada na Assembleia da República, o também deputado social-democrata Macário Correia contesta uma pequena notícia publicada na edição desta semana da «Visão», com o título «O brinquinho de Macário». Segundo a revista, o vereador «anda a fazer furor nos paços do conselho», com «gentes a concentrarem-se à porta do seu gabinete», por causa de dois dos seus secretários que «fazem levantar os olhos», um deles «com brinquinho na orelha».

Numa sala da então Livraria Escolar Editora, de Manuel de Brito, situada no Campo Grande, número 111, perto de duas outras livrarias de prestígio firmado e nas proximidades de duas importantes faculdades da Universidade Clássica, a de Direito e a de Letras, abriu, no dia 3 de Fevereiro de 1964, uma sala de exposições. Tomou o nome da Livraria e foi dirigida, nos primeiros tempos, pelo escultor Fernando Conduto.

No seguimento da sua obra, Bravo, mantendo a predominância do gesto, vai transformá-lo em desenho, limpar as superfícies, acentuar vertentes de ironia e crítica e de reflexão sobre a prática da pintura -- numa presença litoral que hoje se entende como paradigmática e próxima do núcleo das preocupações actuais.

Nasceu no vazio, estabeleceu o vazio à sua volta. É uma das mais prestigiadas galerias nacionais, a 111, trabalha sem oscilações com alguns dos mais importantes e cotados artistas da década de 60 e recentemente faz algumas novas apostas. Não deseja apostar numa imagem de internacionalização nem em rupturas de mercado. Tem o futuro garantido, embora não arrisque nele.

R. -- Ao comprar, no estrangeiro, obras para alguns clientes, os lucros foram altamente compensadores. E tive a noção de que estava a trazer para Portugal obras importantes.

Duas galerias celebram no mesmo dia os seus aniversários. Vinte anos separam a sua fundação. A galeria 111 pode considerar-se a decana das galerias portuguesas, pois mantém actividade ininterrupta desde a fundação, verificada em pleno vazio do mercado de arte nacional. A galeria Cómicos (que agora muda o nome para o do seu proprietário, Luís Serpa) é pioneira também de uma situação cultural específica, determinada pela conjuntura eufórica da década de 80. O tempo que estas várias balizas cronológicas pontuam não poderá ser considerado (nem sequer em termos mercantis) um tempo de consolidação do meio artístico nacional, mas antes de manutenção de muitos equívocos e fragilidades várias.

Nestes casos podemos referir modelarmente a 111 e a Luís Serpa, respectivamente. As suas opções são sintomas de uma fragilidade que as ultrapassa; e continuam a ser (d)as melhores do panorama nacional. «Hoje é dia de festa...»

A galeria surgiu ligada a uma nova situação cultural e foi uma das suas bandeiras mais activas. Os primeiros anos de trabalho foram suficientes para lhe garantir prestígio e um trânsito internacional. Dez anos depois, o galerista mostra-se cansado da faceta mercantil e julga que é tempo de aprofundar os vectores culturais da sua acção. A dimensão internacional e o cruzamento de linguagens mantêm-se como limite maior desta acção.

P. -- Esse afastamento, sendo natural, não será no entanto prejudicial ao funcionamento das galerias?

O Museu da Fundação Vieira da Silva/Arpad Szènes, em Lisboa, já não será aberto ao público na data anunciada, ou seja, no dia 24 deste mês. Esta resolução foi tomada na sequência dos atrasos de transferência das obras doadas em testamento por Vieira da Silva a Portugal (18 pinturas suas e 20 do seu marido). Sommer Ribeiro, director do museu da nova fundação, considera que o problema pode estar resolvido dentro de cerca de duas semanas -- mas nunca a tempo de manter a data anunciada. No entanto, mantém-se agendado o lançamento nesse dia do monumental «catalogue raisonne» da obra de Vieira, que há alguns anos tem vindo a ser elaborado e que foi financiado pelo Banco de Portugal, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e Fundação Calouste Gulbenkian e cuja contribuição para o estabelecimento e estudo do «corpus» da obra da artista é decisivo. Na ocasião, o edifício, já finalizado a nível das obras de adaptação, será aberto aos meios de comunicação social.

A 111 surge num contexto mercantil árido. No período inicial consolida-se através do trabalho com jovens cujo passado remontava, quanto muito, ao final dos anos 50 e eram em geral emigrados. Afirma de modo imperativo, mas sempre discreto, o seu protagonismo logo no período inicial da conjuntura especulativa marcelista. Pomar, em 67 ou Bartolomeu Cid, Lourdes Castro e Costa Pinheiro, em 69, são alguns nomes que continuam a trabalhar consigo e estabelecem um raro sentido de estabilidade e continuidade de trabalho que serve à credibilidade do próprio mercado.

O parlamento madeirense aprovou por unanimidade um proposta do Governo Regional que cria quadros de zona pedagógica para os professores do ensino básico e secundário. A legislação favorece a criação de quadros de docentes em zonas rurais e o secretário regional da Educação disse que irão ser concedidos incentivos à instalação de professores em zonas fora dos centros urbanos. Legislação idêntica foi negociada, no continente, no final de 1993 entre a FNE e Couto dos Santos mas ainda não foi publicada a portaria respectiva.

«O Drigues» -- Grupo de Teatro da Escola Secundária Rodrigues de Freitas, do Porto -- manteve em cena até ontem a peça «Quase um conto de fadas», do dramaturgo espanhol Antonio Buero Vallejo. Trata-se de uma encenação que deu continuação a uma iniciativa do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Porto no ano lectivo anterior e que consistia na contratação de seis encenadores para criarem e dirigirem seis grupos de teatro nas escolas secundárias da cidade.

Os primeiros licenciados em Medicina Dentária por uma instituição de ensino privada portuguesa receberam ontem o canudo. Foi uma cerimónia com muita pompa e circunstância onde se fez tudo para esquecer as dúvidas sobre o curso levantadas pelos profissionais do sector. Os diplomas foram entregues, mas a portaria que os equipara às licenciaturas públicas ainda está para sair.

Definitivamente, aquele não era o momento para lembrar a polémica que durante os últimos meses opôs a Associação Profissional dos Médicos Dentistas (APMD) aos responsáveis pelos instituto privados de ciências dentárias, que entretanto alargaram o seu âmbito e passaram a abranger as ciências da saúde. Na sala, respirava-se orgulho e emoção e até houve tempo para «perdoar» todos aqueles que «tentaram difamar» a actuação dos institutos.

O Sindicato Nacional de Professores Licenciados abriu ontem as hostilidades contra a lei 50/90 que, segundo os seus responsáveis, abre a via para a atribuição de «falsas licenciaturas» a professores do ensino primário (básico) e educadores de infância sem formação superior.

O SNPL alega ainda que «a progressiva diminuição da taxa de natalidade se faz sentir significativamente no 2º ciclo do ensino básico, levando a uma drástica redução do número global de horários em todas as escolas do país» e que «os efeitos no que concerne à qualidade do ensino são perversos».

Num Grande Auditório Gulbenkian bem mais rarefeito do que é habitual nos concertos com a orquestra da Fundação, o maestro titular Muhai Tang dirigiu o agrupamento num programa em que arriscou aglutinar obras de Telemann (o concerto em mi bemol para duas trompas), Stravinsky (o concerto para violino) e Carl Nielsen (a quinta sinfonia). Aconteceu na noite da passada quinta-feira, ter-se-á repetido na tarde do dia seguinte.

Voltando ao concerto da Gulbenkian, diga-se que a interpretação da Quinta de Nielsen mostrou uma orquestra em grande forma, sob a direcção de um maestro que revelou uma evidente empatia pela música do compositor dinamarquês. Teria preferido, por vezes, que a preocupação de objectividade não ocultasse alguma inquietação misteriosa que é possível extrair da partitura. Por exemplo, uma mais brumosa introdução teria permitido amplificar o efeito perturbante das primeiras intervenções da percussão. Ou ter-se-ia ganho se Tang não acentuasse tão desmesuradamente a grandiloquência a que Nielsen não resiste nesta sinfonia (o "Adagio" da primeira parte ou o "Andante" da segunda), embora lucidamente a remate, quase em jeito de auto-crítica, em desfechos de recusa de qualquer óbvio sentimentalismo. Mas, em termos de pura execução, Tang é credor da nossa admiração pela forma como explorou as notáveis capacidades efectivamente existente na Orquestra Gulbenkian (ainda que, como noutras ocasiões, se desejasse um maior peso das cordas no balanço de massas instrumentais).

A Torre de Belém vai ser destapada já. A decisão «é a mais lógica» e foi tomada pelo Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR), cujo director, Nuno Santos Pinheiro, considerou «uma pena» que o monumento estivesse coberto de tapumes durante a realização de Lisboa 94, situação em que o próprio IPPAR decidira mantê-la até Setembro, como o PÚBLICO denunciou a 26/1/94.

O IPPAR realizará uma conferência de imprensa no dia 14, na própria Torre de Belém, para mostrar o «trabalho de identificação de patologias» no monumento, disse ainda Santos Pinheiro. I.B.

Os «Fados d' Aquém e d'Além- Mar» que João Braga concebeu para o Centro Cultural de Belém traduziram-se numa exibição confrangedora de equívocos e falta de preparação onde couberam amigos, muito Fernando Pessoa, uma boa voz, de Rita Guerra e uma anedota brasileira de mau-gosto. O fado, esse, ficou aquém.

A primeira parte foi preenchida com fados na voz de amadores. Uns mais nervosos do que outros. Maria Ana Bobone destacou-se pela boa figura e apresentação. Carlos Guedes de Amorim pela boa voz. Ao longo de todo o espectáculo passaram os poemas de Pessoa, Miguel Torga, Manuel Alegre, Anrique Paço d'Arcos, José Régio, António Botto, Sophia de Mello Breyner Andresen, Alexandre O' Neill e Vinícius de Moraes, entre outros. Mais fado-canção que fado, fado, de faca na liga e trinca na cueca. A fechar, de novo o coro às cores, no primeiro momento de horror da noite, com uma interpretação ao estilo marchinha de Clemente, de «Nevoeiro». Pessoa, se fosse vivo, decerto extreminá-los-ia.

Pedro Sousa Vieira é um artista revelado no final dos anos 80. Começou por produzir «caixas» caracterizadas pela sua eficácia estética. Depois de um período de silêncio, passou a realizar desenhos, que agora volta a mostrar ao público, em Lisboa, antes de viajar até à próxima edição da Arco, em Madrid.

R -- Quando comecei a desenhar -- em folhas A4, com carvão, umas vezes vegetal, outras sintético, mas mais com este último -- tinha mesmo de o fazer três vezes ao dia, às vezes até mais. Era assim, desenhava durante meia-hora, uma hora. Depois, o número de sessões, bem como o tempo de cada uma, foi diminuindo. Também passei a desenhar com menos rapidez.

As companhias de teatro portuguesas saberão, na próxima sexta-feira, que subsídios lhes atribuíu a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) para 1994. Para já, sabe-se que, em termos absolutos, as verbas não aumentam e que -- à semelhança de 1993 -- será tida em grande conta a afluência do público a cada espectáculo, anunciou ontem, no Porto, o secretário de Estado da Cultura, Santana Lopes, a seguir à tomada de posse dos órgãos dirigentes do Instituto de Artes Cénicas (IAC).

De entre as linhas de orientação de actividade do IAC, Lopes destacou a atenção que será dada ao teatro para a infância e juventude, uma vertente que, reconheceu, «não tem sido amparada como gostaríamos nos últimos anos». A importância da coordenação, no futuro, entre os teatros nacionais e as companhias independentes foi igualmente realçada.

A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) e a Administração do Porto de Sines (APS) formalizaram no passado dia 28 de Janeiro um protocolo de cooperação técnica através do qual estabelecem as normas que deverão presidir à cooperação entre si, visando beneficiar reciprocamente dos avanços de cada uma delas na área dos sistemas de informação, lê-se num comunicado. Com este protocolo, aberto a outros portos, aprofunda-se a colaboração já existente no sentido de obter importantes economias no desenvolvimento e manutenção de susbsistemas informáticos dedicados a áreas afins e propicia a desejável uniformização de procedimentos face aos utentes dos portos nacionais.

O ex-presidente da Associação de Gestão Portuária (GPL), João Pedro Araújo vai assumir o cargo de administrador da empresa operadora portuária Manicargas. Esta empresa, que pertence ao grupo ETE, de António Figueiredo, e onde a família Burmester tem uma forte participação, é uma operadora portuária. Urbano Gomes, director da Associação dos Operadores Portuários dos Portos do Douro e Leixões (AOPPDL) é também administrador da empresa.

A reorganização do porto de Lisboa, porta de serviço da grande Lisboa e grande porto nacional, tem que ser revista tendo em consideração os novos conceitos que fustigam o transporte marítimo. O movimento do porto da capital tem crescido ao longo dos anos, mas os seus cais citadinos mostram actualmente menos navios atracados.

Com excepção do Centro Cultural de Belém, há quantos anos se não constrói ou recupera um prédio, minimamente apresentável, nas Avenidas Infante D. Henrique, 24 de Julho e Índia?

A empresa operadora portuária Socarpor deve cerca de 80 mil contos à Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL). Segundo o presidente da APDL, Mário Jorge de Carvalho, a dívida "é natural se tivermos em conta que a Socarpor nos paga 600 mil contos por ano». O presidente da APDL retira impacto à informação e diz tratar-se de uma questão de política comercial da autoridade portuária.

O Real Bétis, clube sevilhano da II Divisão de Espanha, eliminou na noite da passada quinta-feira o Barcelona da Taça do Rei, passando às meias-finais da segunda competição espanhola de futebol. O feito, vitória por 1-0, ocorreu em pleno Nou Camp, na casa dos catalães, o que instalou a crise na equipa treinada pelo holandês Johan Cruyff.

A Câmara Municipal de Famalicão vai atribuir ao clube de futebol local, durante o ano de 1994, um subsídio de 15 mil contos. Uma comissão de sócios do Famalicão, formada por antigos dirigentes, como Joaquim Loureiro e Virgílio Costa, reuniu esta semana com o presidente da autarquia, Agostinho Fernandes, propondo-lhe a atribuição ao clube de um subsídio anual de 100 mil contos, enquanto a edilidade deixaria de assumir a manutenção do estádio municipal, o que foi recusado.

Por outro lado, a Câmara promete reunir condições tendentes à criação de estruturas auxiliares da gerência do clube, designadamente através da cedência de um terreno camarário, junto ao topo sul do estádio, onde seria erguido um complexo imobiliário para posterior exploração a cargo do Famalicão. No mesmo local seria instalado um posto de combustíveis a rentabilizar pelo clube.

Domingos e Jaime Magalhães serão os grandes ausentes da equipa do FC Porto que Bobby Robson apresentará amanhã na Luz, frente ao Benfica. Na Luz, os «encarnados» continuam a treinar à porta fechada e só hoje Toni divulgará a lista de convocados.

Fim do treino nas Antas. Os jogadores vão abandonando as instalações do estádio, uns pela porta da recepção, onde se concentram os jornalistas, outros pela «porta do cavalo». Bobby Robson é o último a sair. Sorridente, afável, o treinador inglês aceita trocar algumas impressões sobre o jogo com o Benfica, já com o estômago a dar horas.

Com a disputa da 10ª jornada de jogos cruzados, regressa hoje o «Nacional» de basquetebol masculino da I Divisão, onde se destacam os jogos que se realizarão em Setúbal, Albufeira e Sangalhos.

Em Sangalhos, a equipa da casa, uma das animadoras da Série A1, recebe o Estoril (18h), comandante da A2, num encontro que promete pela emotividade. Em Lisboa, Estrelas da Avenida e Atlético, irão encontrar-se no Colégio S. João de Brito (16h).

Começa este fim-de-semana a fase final do «Nacional» de râguebi, de acordo com a nova fórmula de disputa da prova. As quatro melhores equipas da fase de apuramento -- Cascais, Benfica, Direito e CDUL -- constituem o Grupo A e iniciam esta «poule» final com metade dos pontos adquiridos. O Cascais, campeão nacional e comandante, recebe hoje o Benfica, segundo da tabela, num jogo importante para a atribuição do título. Na outra partida, o CDUL recebe o Direito. A contar para o grupo B, jogam-se o Técnico-Belenenses e o Évora-Lousã. A nível do râguebi internacional, destaque para a estreia da Inglaterra no Torneio das Cinco Nações. O «quinze» inglês vai defrontar a Escócia, numa jornada em que a França vai descansar e em que a Irlanda recebe o País de Gales.

As equipas masculina do Sporting e femininas do Maratona da Maia e do Sporting de Braga competem amanhã, respectivamente, em Espanha (Amorebieta) e Itália (Monte Cassino), pela conquista dos títulos europeus de crosse. Trata-se da 31ª edição masculina e da 13ª feminina. As equipas portuguesas têm o «papo cheio» destas taças: o Sporting, em masculinos, venceu por 13 vezes nas últimas 16 edições; a equipa feminina do Braga não mais perdeu o ceptro, desde o seu primeiro triunfo, em 1987.

Os investidores da Bolsa de Frankfurt continuaram ontem em clima depressivo, à semelhança do que aconteceu na sessão da véspera. O motivo continuava a ser a manutenção das taxas directoras do Bundesbank. O preço dos futuros desceu, o que puxou ainda mais para baixo os restantes mercados. O volume de negócios foi fraco, numa sessão em que o índice DAX terminou a registar uma desvalorização de 0,63 por cento face ao valor do dia anterior.

Depois duma semana sempre em alta, o sector das empresas metalomecânicas registou ontem uma queda de 7,15 pontos na Bolsa de Madrid. No entanto, o resultado global foi positivo, tendo este sido o único sector que perdeu terreno face aos valores da véspera. Os maiores ganhos pertenceram aos grupos dos fundos de investimento e construtoras, respectivamente com avanços de 10,58 e 4,45 pontos. O índice Geral terminou nos 356,47 pontos.

Os ganhos averbados pela Bolsa de Nova Iorque nos primeiros dias da semana foram completamente diluídos nas duas últimas sessões. Desde quinta-feira que o nível das cotações está em queda acentuada. Esta situação ficou a dever-se à publicação dos dados do desemprego nos Estados Unidos, que dão conta de um agravamento do número de desempregados. A meio da sessão de ontem o índice Dow Jones perdia já 29 pontos face ao valor de fecho da véspera.

As empresas do sector químico ajudaram a puxar as cotações da Bolsa de Zurique para cima. Numa sessão em que o volume de negócios superou a média dos últimos dias, os investidores mostram-se especialmente interessados em títulos de empresas farmacêuticas. Fundos de investimento e de pensões foram os principais compradores. No final o dia o índice SPI cotou-se novamente acima da barreira psicológica dos dois mil pontos.

A taxa anual de desemprego na União Europeia (UE), no final de Dezembro passado, era de 10,9 por cento, de acordo com dados ontem anunciados pelo Eurostat. Segundo o organismo de estatística da UE, o desemprego aumentou em todos os Estados-membros no ano passado, com as subidas mais acentuadas a ocorrerem nos antigos «laender» (estados federados) da Alemanha (mais 25,8 por cento), em Espanha (mais 23,5 por cento), em Itália (mais 9,5 por cento), em França (mais 8,5 por cento). Reino Unido e Irlanda registaram as mais taxas de crescimento do desemprego, mais três por cento para cada dos estados. Em média, em 1993, o desemprego atingiu 15,8 milhões de pessoas na Comunidade, o que correspondeu a um aumento de 1,9 milhões de pessoas relativamente ao ano anterior. As mais baixas taxas de desemprego, no final do ano, verificaram-se em Portugal (5,5 por cento) e no Luxemburgo (três por cento). Entretanto, nos Estados Unidos, foi divulgado que, no primeiro mês do ano, a taxa de desemprego caiu de sete por cento, em Dezembro, para 6,7 por cento. Fora do sector agrícola foram criados 67 mil novos postos de trabalho, precisou o Departamento de Trabalho norte-americano.

Os quatro países do grupo de Visegrado -- Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia -- estão prestes a acelerar a liberalização do seu comércio e preparam-se para criar, a partir de 1 de Janeiro de 1998, uma zona de troca livre, nos termos de uma declaração ontem assinada em Praga. Para o ministro checo da Indústria e Comércio Externo, Vladimir Dlouhy, a próxima criação na Europa Central de um mercado comum de 65 milhões de consumidores representa «um sinal importante endereçado a Bruxelas». Os representantes dos quatro países expressaram o desejo de limitar o número de excepções e de «artigos sensíveis» para a livre circulação, entre os quais figuram os automóveis, os têxteis, o aço e produtos laminados, bem como alguns equipamentos eléctricos. Os ministros concordaram também em iniciar brevemente as negociações com vista à liberalização do comércio do sector agro-alimentar, um sector que até agora estava excluído das negociações.

A RNIP - Rodoviária Nacional Investimentos e Participações e a ENATUR - Empresa Nacional de Turismo informaram que vão proceder à alienação, por negociação particular, da totalidade do capital social da EVA - Sociedade Hoteleira. A decisão foi tomada nas assembleias gerais das respectivas empresas no último trimestre do ano passado. As entidades vendedoras informam ainda que nos próximos 30 dias poderá ser invocado o direito de preferência pelos 440 mil contos de capital social da EVA. Os eventuais preferentes, depois de confirmada a sua idoneidade, poderão consultar o processo referente a esta transacção na sede da RNIP, em Lisboa, às horas normais de expediente.

A Perfiladora, empresa cotada no mercado sem cotações, convoca os seus accionistas para uma assembleia geral a realizar pelas 15 horas do próximo dia 14 de Março. Deliberar sobre o Relatório de Gestão e as contas do exercício de 93, e sobre a aplicação de resultados são pontos da ordem de trabalhos. Podem participar na assembleia geral os accionistas possuidores de um mínimo de dez acções, ou que se agrupem de forma a somar este número. Para tal deverão depositar as suas acções até oito dias antes da data da assembleia na sede social da empresa ou fazer prova do seu depósito bancário.

O ministro das Finanças, Eduardo Catroga, anunciou ontem à comissão parlamentar de Economia e Finanças que, «face à incerteza que subsiste», entregou em Janeiro passado o «dossier» BTA/Banesto à Procuradoria Geral da República. Os deputados aproveitaram a ocasião para colocar questões. A abertura do ministro foi louvada, mas as respostas dadas deixaram pairar responsabilidades da anterior equipa das Finanças, do próprio primeiro-ministro e do Banco de Portugal.

O envio do processo, feito a 27 de Janeiro, foi justificado pela «competência específica» que está atribuída à Procuradoria e que lhe permitirá, acrescentou, «requerer a declaração de nulidade das aquisições efectuadas por entidades portuguesas em nome próprio, mas por conta de entidades estrangeiras». «Além disso», disse Eduardo Catroga, «porque o Ministério Público é a entidade que dispõe dos meios e poderes instrumentais necessários para aprofundar a investigação dos factos relevantes», aguardando o Governo, «como lhe compete» o resultado das investigações. Para colaborar com aquele organismo, as Finanças instruiram já a Inspecção Geral de Finanças para «efectuar inspecções a algumas sociedades com sede em Portugal que detêm directa ou indirectamente participações no capital do Totta», com vista a tentar encontrar a origem dos fundos usados na aquisição dos títulos em questão.

As privatizações da Cimpor, EDP e empresas de telecomunicações conhecerão um novo figurino. Segundo o secretário de Estado das Finanças, António de Sousa, o Estado pretende manter a sua posição de accionista maioritário, em termos relativos, naquelas empresas. Afirmações proferidas ontem à saída da reunião com a comissão parlamentar de Economia e Finanças permitem concluir que fórmula a adoptar manterá o Estado com a «parte de leão» embora nunca superior a 50 por cento. O governante admitiu que esta é uma das formas encontrada pelo Governo para atender às pressões da Comissão Europeia que visam terminar com a eventual discriminação aos investidores não residentes através da existência de limites à participação nas empresas a privatizar.

No caso concreto da privatização da Secil/CMP, cujo caderno de encargos foi aprovado na última reunião do Conselho de Ministros, António de Sousa referiu que a «golden-share» existente no primeiro concurso de venda se mantém neste segundo concurso durante cerca de um ano -- ao invés do que afirmava um comunicado do Ministério das Finanças e que referia a sua eliminação. O secretário de Estado referia-se aos sete por cento do capital da Secil e aos 20 por cento da CMP que permanecerão na posse do Estado para alienação posterior aos trabalhadores e pequenos accionistas. C.T./J.R.A.

A meio da última sessão da semana, ontem, o marco apresentava-se estável na sua paridade contra as outras moedas do Sistema Monetário Europeu (SME) e a maioria dos operadores aguardava com alguma ansiedade os números referentes aos empregos nos EUA.

O Banco Nacional Suiço decidiu-se pela manutenção dos actuais níveis das taxas de juro, pelo que o franco se manteve bastante estável, principalmente contra o marco, vindo a cotar 83,38/41 cêntimos por marco na abertura do mercado.

Os mercados nacionais de acções terminaram o último dia da semana em alta acentuada. As cotações e os volumes de negócios subiram face ao dia anterior e o clima continua a ser de optimismo. Ontem os investidores foram animados por uma queda de um quarto de ponto nas taxas directoras do Banco de Portugal. À semelhança do que aconteceu na semana passada os accionistas foram «brindados» com uma redução nas taxas, o que provocou uma certa euforia no mercado.

Outra construtora envolvida neste consórcio é a Somague. Ontem as cotações desta empresa subiram 2,38 por cento mas no conjunto da semana os ganhos cifram-se em 17,27 por cento. A Tertir, de Rodrigo Leite, foi outras das estrelas da semana com um ganho geral de 30 por cento. Neste caso os investidores estão confiantes numa decisão para breve dos tribunais sobre a indemnização a pagar pelo Estado à empresa.

Na sessão de ontem do Mercado Monetário Interbancário, o Banco de Portugal voltou a baixar as taxas directras, fixando a taxa de absorção regular de fundos nos 9,25 por cento e a taxa de cedência nos 10,25 por cento, uma quebra de 0,25 por cento.

O «overnight» e «tomorow/next» foram ontem efectuados nos 10,375 por cento, contra os 10,875 por cento, do fecho da sessão anterior. Esta quebra foi uma consequência da descida da taxa de intervenção. Nos prazos mais longos registou-se, igualmente, um ajustamento das taxas, com a Lisbior a fixar nos 10,5 por cento, 10,375 por cento e 10,3128 por cento, a um, três e seis meses, respectivamente.

A política orçamental norte-americana vai endurecer no próximo ano fiscal, de acordo com informações que a Casa Branca divulgou ontem. Prosseguindo um dos objectivos económicos mais importantes da Administração Clinton -- a redução do défice orçamental -- a proposta de Orçamento para o ano fiscal de 1995, que começa a 1 de Outubro próximo, contempla a supressão de 100 mil postos de trabalho na função pública e a supressão de cerca de uma centena de projectos federais.

«Trata-se sem dúvida de um dos orçamentos mais rigorosos apresentados ao Congresso por uma Administração durante os últimos anos», comentou a propósito dos objectivos do novo orçamento o seu director, Leon Panetta. Ao nível dos Departamentos (ministérios) os maiores cortes ocorrerão na Defesa, seguindo-se a Agricultura, o Interior, a Energia, as Finanças e a Educação.

Parceiros japoneses para a Siaf, do grupo Sonae. A Sumitomo Forestry toma 15,7 por cento e tem uma opção para ir até aos 30 por cento. Quem vende é a Sonae-Indústria, depois de uma operação para aumentar o capital. O negócio faz avançar a segunda linha, um investimento de seis milhões.

Uma estratégia que tem a sua razão de ser. Na sequência de uma série de resoluções contra a delapidação das florestas tropicais, a produção de derivados de madeira diminuiu drasticamente nos países onde estas se situam, nomeadamente na Indonésia, que era um grande forncedor mundial. A procura do Extremo Oriente dirigiu-se para a Europa e estará na origem da descompressão que o sector viveu no último trimestre de 1993. A Siaf, segundo Carlos Moreira da Silva, presidente da empresa e da Sonae-Indústria, já está a produzir para as encomendas, depois de ter abatido os «stocks» acumulados durante a fase mais longa da crise, e envia para o Japão 30 contentores por mês.

Nos casos de diagnóstico precoce de um cancro da próstata em homens de meia idade, o melhor a fazer é... não fazer nada. É que pelo menos 30 por cento dos homens com mais de 50 anos, com cancro na próstata, acabam por morrer devido a outras causas. Isto é o que diz um artigo publicado no «New England Journal of Medicine», baseado em estudos feitos entre 1985 e 1992 que abrangeram 828 casos de cancro. Para os cientistas, a simples vigilância do tumor, para garantir que este não se espalha para lá da próstata, é tão eficaz como a cirurgia ou a irradiação. Uma «espera vigiada» -- considera a equipa chefiada por Gerald Chodak, da Escola de Medicina Pritzker da Universidade de Chicago -- é a melhor estratégia, porque a maioria dos tumores da próstata cresce muito devagar e aparece em idades já avançadas. «Apesar deste ano se estimarem em 35 mil as mortes devidas a cancro da próstata nos Estados Unidos, os nossos resultados justificam uma espera vigiada como uma opção razoável para os homens com formas menos agressivas do cancro da próstata, sobretudo se a sua esperança de vida for de dez anos ou menos». Já se a esperança de vida for superior «essa abordagem está associada a uma maior probabilidade de morrer do cancro do que das formas de tratamento agressivas», cita a Reuter.

A NASA anunciou entretanto o nome do astronauta norte-americano escolhido para visitar a estação espacial russa Mir em Março de 1995, viajando na cápsula Soyuz 18. Trata-se do astronautas Norman Thagard, que se deslocará, ainda este mês, para a Cidade das Estrelas, perto de Moscovo. Thagard, de 50 anos, participou em quatro voos espaciais e em caso de necessidade será substituído pela sua colega Bonnie Dunbar, de 44 anos, presente em três missões espaciais.

Um conjunto de documentos que acabam de ser retirados da lista de «dossiers» secretos do Pentágono revela a ocorrência de 136 explosões de meteoros gigantes na atmosfera, entre 1975 e 1992. A existência destes documentos é revelada na edição de Fevereiro da revista norte-americana «Sky and Telescope».

As explosões foram detectadas através de satélites de vigilância. O Pentágono não revelou, no entanto, qualquer informação sobre os aparelhos que possibilitaram a recolha destes dados, que poderão fazer parte da rede de satélites de alerta rápida do Programa de Apoio de Defesa norte-americano, que operam a 38 mil quilómetros de altitude.

Meia hora depois de o foguetão japonês ter descolado da ilha de Tanegashima, a agência NASDA considerava a missão um sucesso. Com um rigor aplaudido pelos observadores estrangeiros, o H2 tinha colocado dois minutos antes um satélite experimental de 2,4 toneladas -- chamado sugestivamente Carga de Avaliação do Veículo -- numa altitude de 36.200 quilómetros. Agora, porém, é necessário aumentar a capacidade de carga para reduzir os custos de cada lançamento.

Depois de completar uma órbita em redor da Terra, a uma altitude de 450 quilómetros, o Orex fez a sua reentrada na atmosfera e caiu no Oceano Pacífico, a sul da Ilha de Natal. Tinham passado apenas 28 minutos sobre a descolagem, quando o H2 colocou o outro satélite experimental -- o CAV (Carga de Avaliação do Veículo) --, com um peso de 2,4 toneladas, numa órbita geoestacionária.

A primeira criança a ter sido objecto de um teste de diagnóstico «pré-embrionário» da doença de Tay-Sachs -- teste que neste caso se revelou negativo -- acaba de nascer nos EUA, noticiou a agência Reuter.

O teste da doença de Tay-Sachs, ainda em fase experimental, foi desenvolvido por cientistas do Instituto de Medicina Reprodutiva da Escola de Medicina da Virgínia Oriental. Gary Hodgen, presidente daquele instituto, disse à Reuter que pensava que, daqui até ao fim da década, várias doenças genéticas, tais como a mucoviscidose e a anemia falciforme (uma grave doença dos glóbulos vermelhos), poderiam ser evitadas graças a este tipo de diagnóstico.

Vários equipamentos para visualização de imagens tridimensionais foram apresentados, na semana passada, em Londres, numa exposição paralela à IV Conferência sobre Realidade Virtual. Catorze empresas desvendaram algumas novidades no domínio da realidade virtual, mas algumas chamaram a atenção por conseguirem fornecer ao utilizador imagens «a três dimensões» (3D) recorrendo apenas a óculos especiais.

O cartaz não era mais do que o anúncio ao filme que estava a ser exibido numa sala semiobscurecida. Numa mesa, um equipamento de projecção apontado para um ecrã proporcionava um efeito estranho, dando vida a uma série de personagens desfocados. Com os óculos, a imagem tornava-se nítida e surgia, então, o efeito tridimensional: o filme mostrava duplos de Elvis Presley, Michael Jackson, Marilyn Monroe, Churchill, Sherlock Holmes e Watson, Bucha e Estica -- quase todos já falecidos, mas todos vivendo numa realidade virtual (o nome do filme, de 1993, era «Living in Virtual Reality»).

A Intel já trocara as voltas à concorrência e aos utilizadores quando chamou Pentium ao seu processador 586. E parece ter tomado o gosto a estes baptismos: o 486 de tripla frequência interna, que será lançado já em Março, terá a designação DX4 (e não DX3, como seria de esperar). Mas o inesperado não se fica por aqui: os novos «chips» conterão transístores de 0,6 mícron e funcionarão a 3,3 Volt -- combinação de factores desenvolvida pela Intel para controlar os graves problemas de sobreaquecimento dos Pentium. Segundo Eduardo Reyes, da Intel Ibérica, os DX4 poderão ser utilizados nas placas-mãe correntes hoje em dia (que funcionam a 5 Volt), bastando que os construtores lhes apliquem um pequeno transformador na alimentação do processador. A introdução deste novo processador (cujos preços serão idênticos aos actuais para os DX2) e a anunciada diversificação da gama 486 deverão fazer baixar, em cascata, os de todos 486, aproximando os do DX a 33 MHz do preço corrente do 486SX e fazendo baixar o destes ainda mais. R.J.C.

Penso que é ilegal pôr à venda uma coisa que só serve para destruir o pouco que temos. As pessoas responsáveis deviam tomar providências para este tipo de situações. Aproveito para pedir a ajuda de alguém que tenha a solução, de forma a combater este vírus, pois, como já disse, não tenho possibilidades de me deslocar.

Quanto tempo de vida útil espera que tenha o seu gravador de vídeo ou o seu automóvel? Dois anos parecem-lhe suficientes? Na prática, aquilo a que os novos programas para Windows obrigam é a uma renovação bianual dos computadores. Felizes aqueles que se podem dar a esse luxo. Pense nos milhares de pessoas que andaram a amealhar o suficiente para comprar um computador que custa meio ano de salário mínimo nacional (!) e descobrem, de súbito, que ele está completamente obsoleto, poucos meses depois de o terem comprado. Ou mesmo nas empresas, onde o período de depreciação do equipamento informático é de cinco anos -- em cinco anos, quantos «upgrades» será necessário fazer? Na informática, o «país real» também deverá ter uma palavra a dizer... H.C.

A Intel, por seu lado, minimiza a importância da decisão da Compaq, afirmando que esta empresa sempre teve uma estratégia de diversificação dos seus fornecedores. «Não estamos à espera de uma grande mudança na maneira como as duas empresas operam e se relacionam uma com a outra», disse Howard High, porta-voz da Intel.

O desenvolvimento mundial das telecomunicações na perspectiva do século XXI é o tema da primeira Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento das Telecomunicações, que vai realizar-se em Buenos Aires (na Argentina) entre 21 e 29 de Março, por iniciativa da Organização Mundial de Telecomunicações (UIT). Esta iniciativa encerra um ciclo de conferências regionais -- Harare (1990), Praga (1991), Acapulco (1992), Cairo (1992) e Singapura (1993) -- consagradas aos problemas específicos de cada região do planeta. Os representantes dos 182 Estados-membros da UIT e da indústria deste sector vão examinar a evolução das telecomunicações e tentar definir as linhas mestras de uma estratégia global que permita um desenvolvimento equilibrado até ao ano 2000. São cinco os temas em discussão: análise da situação actual, objectivos mundiais para a próxima década, programa especial para os países menos avançados, medidas recomendadas para o desenvolvimento das telecomunicações e programa de trabalho para o futuro.

A ideia que presidiu à concepção do Creative Writer, à venda em Portugal desde meados deste mês, é a da fusão entre dois géneros: o dos programa ditos sérios (processadores de texto, programas de desenho) com um jogo de aventuras para crianças. O resultado final é absolutamente espantoso e permite aos mais novos tomarem contacto com uma poderosa ferramenta de edição de texto mas, também, de criação.

No primeiro número do suplemento Computadores, do PÚBLICO, no artigo «A revisão das palavras», o autor refere várias vezes as grandes necessidades de memória RAM ou de espaço no disco de cada um dos processadores de texto analisados. (...) Ora, no que respeita aos discos rígidos, nos últimos dois anos, os preços desceram bastante, ao mesmo tempo que as capacidades subiram em flecha: em 1992, o disco normal era de 40 MB e um grande era de 100 MB; hoje, já não há com menos de cento e tal, e a capacidade «de entrada» tende a ser de 170 MB -- custando o mesmo (ou menos) que um de 40 há dois anos. Por isso, um programa cuja instalação ocupe 20 MB está ao nível de um que, dantes, ocupasse dois...

António Pereira Sá é o novo director-geral da IBM para a zona norte do país, sucedendo no cargo a Manuel Santos Carneiro. Desde 1977 que Pereira Sá faz parte da direcção da IBM Portuguesa, tendo exercido nos dois últimos anos funções de administrador-delegado da IBM Financiamento, Sociedade de Locação Financeira SA. Desde 1991 ocupava o cargo de director-geral de «software» e serviços.

Com a versão 2.0 para Windows, o bem conhecido Harvard Graphics procura reconquistar os seus clientes e atrair ao Windows os fiéis às suas versões para DOS. Mas parece que precisará de mais argumentos para ultrapassar os produtos com que a concorrência, entretanto, inundou o mercado.

Apanhada no meio da guerra dos conjuntos integrados de aplicações -- onde tanto a Microsoft como a Lotus incluem um programa de gráficos de apresentação --, a SPC viu-se subitamente sem um produto para contrapor ao apresentado pelos rivais, até porque o preço do HG não é muito inferior ao das «suites» daqueles editores, que ainda trazem processamento de texto e folha de cálculo. A única hipótese de se integrar numa «suite» interessante implicaria um acordo com a Borland e a WordPerfect para se juntar às versões para Windows do WordPerfect, do Paradox e do Quattro Pro. Mas à WordPerfect não conviria esta solução pois o seu próprio Presentations é um concorrente sério do HG.

Não há jogador de videojogos que se preze que nunca tenha ouvido falar de Mario e do seu irmão Luigi. Eles são a imagem de marca da Nintendo. Super Mario All Stars é uma compilação dos jogos Super Mario Bros, Super Mario 2 e Super Mario 3, com versões melhoradas e adaptadas para consolas de 16 bits, e inclui ainda o novo Super Mario, The Lost Levels. Este é uma segunda versão do Super Mario Bros, com o mesmo número de níveis mas de dificuldade acrescida, com plataformas mais pequenas e mais difíceis de alcançar.

Outra agradável surpresa é a possibilidade de guardar o jogo no ponto em que se ficou, não apenas para um mas para quatro jogadores. Ou seja, qualquer membro da família pode guardar o seu jogo a fim de o retomar mais tarde.

Está cansado da cidade? O seu sonho é possuir um pedacinho de terra mas não tem meios de o conseguir? A Maxis lançou um jogo que pode, de alguma forma, realizar o seu sonho. Chama-se Sim Farm, é primo direito do Sim City e coloca o utilizador no papel de um empresário agrícola.

Se optar pelo seu próprio terreno, começa com uma pequena extensão de terra e a casa do propietário, que será automaticamente melhorada se a gestão for boa. Depois, há que dar atenção à irrigação da terra, construindo, a partir do rio ou do lago, os canais necessários. Poderá cultivar 16 produtos diferentes, do milho aos morangos -- mas a observação dos dados climáticos é muito importante, pois, se chover muito, não irá semear amendoins.

A Lotus está a encerrar ou a reorganizar as suas filiais em quase todos os países da Europa Ocidental, à excepção da forte subsidiária na Grã-Bretanha, a quem competirá a representação em toda a Comunidade Europeia. A distribuição foi adjudicada à rede Computer 2000 e o «marketing» confiado à Tower Communications. Esta redefinição de estratégia -- que, entre outras, levou ao encerramento da Lotus Iberica e da Lotus Development de Portugal -- destinar-se-ia a concentrar esforços nos mercados em expansão do Extremo Oriente e nos da América Latina (antes abordados a partir de Portugal e de Espanha, e que passarão a sê-lo no quadro do NAFTA, o acordo de comércio livre recentemente estabelecido entre os EUA, o Canadá e países da América Central).

Sinal premonitório de todo o reajustamento estratégico hoje evidente foi o percurso de James Fieger, ex-responsável pela Lotus Iberica, onde ficou ligado a uma actuação que tendia, em muitos aspectos, a lidar com Portugal como se de mais uma região de Espanha se tratasse. James Fieger, após uma passagem pela divisão da Ásia-Pacífico, foi recentemente chamado a dirigir a da América Latina.

O mais importante operador de telecomunicações do Japão, a Nippon Telegraph and Telephone (NTT), e a Nextel Communications, um novo operador norte-americano de comunicações móveis, assinaram um acordo estratégico de cooperação. A NTT vai investir 75 milhões de dólares (13 milhões de contos) nesta «joint venture», que vai possibilitar a sua entrada no mercado de telecomunicações dos Estados Unidos e que lhe dá direito a parte das acções e a um lugar no conselho de administração da Nextel. A Nextel fornece serviços de comunicações móveis utilizando a tecnologia «Enhanced Specialized Mobile Radio» (ESMR) e pretende instalar-se em nove grandes cidades dos Estados Unidos: Los Angeles, São Francisco, Nova Iorque, Chicago, Dallas, Houston, Boston, Filadélfia e Washington. A NTT vai igualmente instalar serviços seus naquelas cidades até 1995.

«Quando me pedem para fazer um logotipo, a primeira coisa que faço é escrever a frase em vários tipos de letra», diz Luís Miguel Castro. Agora, desde a chegada do Macintosh, passou a abrir o catálogo para escolher as formas das letras que o seu assistente irá compor, em vários tamanhos, no computador. Mas a máquina não anula o recurso ao papel: «Não consigo ver no computador. Não consigo ter o mesmo rigor que na página de papel. Para mim, o computador é já uma operação final.»

O problema com o «software» ilegal em Portugal (prefiro este termo ao «pirata») é um problema essencialmente cultural. Não serve de desculpa, mas a verdade é que todos os povos latinos têm uma certa tendência para fugir às suas obrigações legais. O que não significa, evidentemente, que seja uma guerra perdida. Veja-se o exemplo de Itália: ainda há dois anos, a percentagem de «software» ilegal rondava 80 a 85 por cento. Em meados do ano passado, já com a directiva comunitária sobre protecção de «software» aplicada à realidade italiana, essa percentagem passou para 25 por cento.

Apesar de sabermos que o combate ao «software» ilegal é uma luta a longo prazo, também é um facto que em todos os países europeus que adoptaram a directiva se notou já uma subida das vendas de «software» legal. Mesmo em Portugal, houve processos que tiveram grande impacto regional. Por exemplo, quando a Soporcel foi processada, diversas empresas na zona da Figueira da Foz compraram milhares de contos em «software».

A nova linha de portáteis ultraligeiros, ou «subnotebooks», da Compaq está hoje a ser anunciada. Todos os modelos Contura Aero assentam no 486SX a 25 MHz, da Intel, e vêm com 4 MB de RAM, podendo o ecrã, de oito polegadas, ser monocromático ou a cores. Uma das principais novidades reside nas baterias que, nos modelos monocromáticos, graças à recente tecnologia de NiMH, dão cerca de seis horas de autonomia -- e no facto de essas baterias poderem substituídas por pilhas recarregáveis que a Duracell passará a produzir no âmbito de um acordo com a Compaq.

A «docking station» -- ou Desktop Convenience Base -- custará, nos EUA, apenas 99 dólares; tem portas para rato, vídeo e teclado, permite carregar uma bateria suplementar e dispõe de outra fonte de alimentação. A linha Contura Aero vem toda equipada com os dispositivos de poupança de energia definidos pelo respectivo plano norte-americano, permitindo que as máquinas disponham de um período de hibernação -- em que, não estando desligadas, consomem um mínimo de energia mas mantêm o trabalho no exacto ponto onde foi deixado -- que pode ir até sete dias.

Um soldado ferido pode ser tratado por um médico instalado num local seguro a centenas de quilómetros do cenário de guerra. A demonstração prática dum projecto deste tipo -- denominado «telemedicina» -- será feita durante este mês nos Estados Unidos, com a divulgação de alguns detalhes mantidos até agora secretos. Embora com reduzida aceitação por parte dos médicos, as companhias de seguros apostam na telemedicina para reduzir os custos das estadas hospitalares e os militares o número de mortos.

Por um lado, tecnologias como os ultra-sons ou a ressonância magnética são usadas para a construção gráfica de modelos fiáveis que ajudam a conhecer o interior do corpo. Em segundo lugar, técnicas como a endoscopia permitem ver o interior do corpo do paciente, através de ecrãs vídeo ligados a uma minúscula câmara com iluminação inserida no corpo, comunicando por fibra óptica. Os instrumentos necessários à intervenção cirúrgica, inseridos no corpo através de pequenas incisões, são manipulados a partir do exterior, sem visualizar realmente os órgãos humanos. A verdade é que não parece haver qualquer obstáculo a que as telecomunicações, aliadas à visualização gráfica, permitam fazer este trabalho à distância. Satava, para ilustrar o seu ponto de vista, começou por apresentar na sua comunicação um diapositivo com o primeiro simulador de voo, criado em 1939.

Os «dossiers» da antiga polícia política Stasi fornecem munições para a campanha eleitoral alemã deste ano, ao mesmo tempo que ao antigo primeiro-ministro comunista Hans Modrow foi retirada pela segunda vez a imunidade parlamentar.

Johannes Rau, ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestefália e candidato dos social-democratas à Presidência da República, foi alvo, esta semana, dos ataques dos democratas-cristãos. Depois de o magazine televisivo Kontraste ter revelado que Rau ocultou, em 1986 (ano em que se candidatou a chanceler), negociações secretas entre o SPD e o regime do Leste, para conseguir apoio eleitoral, o tema foi debatido no parlamento estadual.

Quase tudo quanto a França conta de gente de esquerda reúne-se num grande conclave cheio de ambições: encontrar um projecto moderno de transformação da sociedade, pensar no tipo de união capaz de conduzir esse projecto, conceber ideias novas e suficientemente pertinentes para influirem na campanha presidencial de 1995.

Para Michel Rocard, trata-se antes de mais assegurar a convalescença do Partido Socialista, depois do desaire nas legislativas de 1993. Os Estados-Gerais do PSF, em Julho, marcaram a saída do estado de coma, e o Congresso do Bourget, no Outono, confirmou que havia sinais de melhoras. Pela mesma ocasião, Michel Rocard conseguiu evitar a implosão do PSF, "legitimando" assim o "putsch" que o trouxera à liderança do partido, em Abril de 1993. E, há pouco mais de 15 dias, a grande manifestação a favor da escola pública, que trouxe perto de um milhão de pessoas às ruas de Paris, viria a demonstrar que a oposição de esquerda tem ainda reservas de mobilização.

Nove pessoas foram ontem mortas em Sarajevo, quando pelo menos três morteiros atingiram uma multidão que aguardava ajuda humanitária no subúrbio muçulmano de Dobrinja, informaram fontes hospitalares. Três das vítimas são crianças e, pelos menos mais 17 pessoas ficaram feridas após a explosão.

Confrontada com o recrudescimento da guerra por todo o território, a diplomacia europeia parece ter agora decidido que a melhor solução para a Bósnia consiste num novo envolvimento diplomático dos Estados Unidos. A França defendeu abertamente esta solução na semana passada e o chefe de diplomacia britânica, Douglas Hurd, tomou idêntica postura esta semana, em Washington. Prevê-se que União Europeia defenda uma posição semelhante durante a cimeira de ministros dos Negócios Estrangeiros, marcada em Bruxelas para a próxima segunda-feira.

O EMPRESÁRIO italiano Silvio Berlusconi surgiu como a figura política em que os eleitores têm mais confiança, numa sondagem realizada pela Doxa e divulgada ontem. Vinte e cinco por cento dos inquiridos manifestaram a sua preferência pelo dirigente do movimento Força Itália, que se lançou na vida política só no final de Janeiro. A mesma sondagem mostra ainda que, a menos de dois meses das eleições de 27 de Março, muitos eleitores continuam indecisos e confusos. O mesmo acontece, aliás, com as próprias forças políticas que ainda não conseguiram definir as alianças com as quais vão concorrer. A única aliança formada até agora, a da esquerda, começou já a dar sinais de divisão com os Verdes e a Aliança Democrática a boicotarem a conferência de imprensa de quinta-feira destinada a apresentar o símbolo da coligação. Ambos pretendiam garantias que ultrapassavam a declaração de intenções assinada na véspera. À direita a situação é ainda mais confusa e Berlusconi já ameaçou apresentar-se sozinho se os seus eventuais parceiros de aliança não definirem claramente as suas posições.

A China libertou três dissidentes presos durante o massacre na Praça Tiannamen, anunciou ontem em Hong Kong o activista dos direitos humanos John Kamm. A notícia da libertação surgiu depois de os Estados Unidos terem redobrado as pressões sobre Pequim no campo dos direitos humanos e quatro meses antes do Congresso votar a renovação do estatuto da China como Nação Mais Favorecida (MFN), o que lhe concede benefícios tarifários nas importações para os EUA. Os três dissidentes são o poeta Liao Yiwu, libertado na segunda-feira, Xiao Bin, um operário, e Ding Hunze, professor de Filosofia. Os dois últimos abandonaram a prisão na quarta-feira.

O PARTIDO Liberal alemão (FDP) nomeou ontem Karl-Hans Laermann, um universitário de 64 anos natural da Renânia do Norte/Vestefália, para suceder a Rainer Ortleb como ministro da Educação, depois de ele ter apresentado a demissão por motivos de saúde (e suspeitas de contactos com a Stasi).

Antigo professor de informática em Rostock e dirigente do Partido Liberal que havia na RDA, foi após a reunificação escolhido para uma das vice-presidências do FDP; em 1991 Kohl deu-lhe a pasta da Educação.

MORIHIRO HOSOKAWA, primeiro-ministro do Japão, num esforço para evitar a ruptura da sua frágil coligação governamental, suspendeu ontem as medidas fiscais anunciadas no dia anterior, para as quais não conseguira consenso.

O que Hosokawa ontem anunciou foi a suspensão de um projecto de descida de impostos ligado a uma subida da fiscalidade indirecta (Imposto sobre Valor Acrescentado, IVA). Uma nova «taxa social» de 7 por cento, sobre todos os bens e serviços, deveria substituir, em 1997, o actual imposto de 3 por cento sobre consumo, em vigor desde 1989.

A Frente Nacional (FN), de Jean-Marie Le Pen, não podia ter recebido uma notícia pior na inauguração do seu nono congresso: uma sondagem do diário «Le Monde» revelou ontem uma acentuada descida de popularidade da extrema-direita francesa, num ano de eleições locais e europeias.

Le Pen culpou uma «estratégia de asfixia» seguida pelos meios de informação, que, na sua opinião, já não convidam os líderes da FN para os debates políticos.

O Conselho de Segurança da ONU condenou energicamente, na noite de quinta-feira passada, o «acto de hostilidade» da Croácia contra a Bósnia-Herzegovina, e advertiu que poderia decidir «outras medidas graves» se Zagreb não retirar todas as tropas que mantém na Bósnia.

A Croácia reconhece apenas possuir algumas tropas destinadas a proteger o enclave de Dubrovnik e voluntários na região da Herzegovina, enquanto os líderes muçulmanos garantem que Zagreb enviou 20 mil soldados para a república.

O embargo norte-americano ao Vietname, velho de 30 anos, foi levantado. «Boas notícias!», exclamam os vietnamitas. Para eles, é um verdadeiro presente, a menos de uma semana da sua grande festa, o Ano Novo Lunar, ou «Tet», que na década de 60 baptizou uma ofensiva militar histórica contra os americanos. Clinton já foi insultado por veteranos.

Apenas dez horas depois de Clinton falar, o American Express assinou com um banco vietnamita um acordo que abre caminho para que os seus cartões de crédito sejam utilizados no Vietname, pela primeira vez. A Pepsico, fabricante de refrigerantes, desencadeou imediatamente uma «guerra da cola» na Cidade de Ho Chi Minh (ex-Saigão). Do outro lado, encontra-se a sua rival mundial, a Coca-Cola, que se mostra confiante em recuperar a quota maioritária de mercado que detinha no antigo Vietname do Sul, antes e durante a guerra.

A Inspecção-Geral da Administração do Território esteve dois anos a investigar a Câmara de Loulé. Analisou uma série de processos e detectou diversas irregularidades. O "dossier" já transitou para a Polícia Judiciária e o principal visado é um ex-consultor da autarquia, que afirma ser tudo mentira.

A situação do arquitecto, que foi afastado pelo socialista Joaquim Vairinhos meses após ter tomado posse como presidente da autarquia, originou dúvidas quanto à parcialidade na apreciação dos projectos e levou os inspectores do IGAT a registar no seu relatório que o assunto deveria continuar a ser investigado no âmbito da Alta Autoridade contra a Corrupção, na altura ainda em funções.

Os areeiros das empresas Ariex e Terra Azul, que até aqui têm estado a funcionar em Belém, junto à Central Tejo, e junto à doca de Santo Amaro, respectivamente, vão deixar aquelas instalações, em território da Administração do Porto de Lisboa (APL) e mudar-se para a zona oriental.

Na zona onde se vão instalar os areeiros, a APL dispõe de um pontão, onde poderá ser feita a carga e descarga de areias, mas o PÚBLICO não conseguiu ontem confirmar junto das empresas se ele irá ou não ser utilizado. A Ariex, cujos estaleiros têm estado implantados em Beirolas, está entretanto a desmontar os seus equipamentos nessa zona, dado que ela terá de ser liberta para a Expo-98.

Duzentas e trinta e quatro famílias correm o risco de ser despejadas da Urbanização da Bela Vista, Montijo, uma vez que não têm meios para pagar as respectivas rendas, muitas delas superiores aos montantes recebidos pelos agregados familiares.

Segundo os dados disponíveis, a Amadeu Gaudêncio construiu as casas na condição de as mesmas nunca serem vendidas por uma quantia superior a 2650 contos. Só que, após a construção, a empresa começou a exigir, em média, cerca de mil contos a mais por habitação. A par de tal ocorrência, a Câmara do Montijo, que na altura celebrara um contrato com a construtora, decidiu desvincular-se do projecto, por considerar que o mesmo era desvantajoso para os compradores. O município resolveu, ainda, dar conhecimento de tal facto ao IGAPHE -- Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado -- que também entrara no contrato.

Os bombeiros querem um plano de emergência para a cidade de Setúbal. Não conhecem a rede de gás e a ameaça de eventuais catástrofes são grandes. O município promete um novo ritmo para a protecção civil durante este mandato.

"Os perigos de uma explosão de gás são enormes", afirma. E dá o exemplo da Rua Joaquim Brandão, onde, numa passagem "muito estreita", passam as redes de gás, electricidade e água, e cujas tubagens estão sobre "grande compressão", devido ao estacionamento permanente de viaturas. "O piso está até rebaixado pelo peso dos carros", acrescenta.

Na Cinemateca, Rua Barata Salgueiro 39, continua a decorrer o ciclo Sacha Guitry: a Necessária Revisão. Às 15h30 é exibido "Si Versailles M'Était Conté", um filme de 1953, às 18h30 "Si Paris Nous Était Conté", de 1956 e, às 21h30, "Napoléon", de 1954.

Na Casa da Juventude de Sacavém é inaugurada, às 17h30, uma exposição colectiva de um Grupo de alunos de Fotografia da António Arroio. Trabalhos de Silvia Diogo, Luísa Macedo, Vera Marques, Sónia Leo, Paulo Coelho, Carla Alfarroba e Helena Ferreira, para ver até 19 de Fevereiro.

Um cavalo da GNR morreu ontem à tarde, electrocutado, quando passou junto a um poste da EDP, instalado no cruzamento das avenidas Vasco da Gama e das Descobertas, ao Restelo, em Lisboa.

Entretanto os técnicos da EDP que se deslocaram ao local concluiram que a descarga eléctrica ocorreu em virtude de ter entrado grande quantidade de água da chuva para o poste. A descarga que vitimou o animal, segundo os peritos, seria inofensiva para um homem mas capaz de matar qualquer animal ferrado.

A comissão política concelhia do CDS-PP de Leiria empossou, anteontem, os novos dirigentes locais, contrariando as ordens expressas pelos órgãos nacionais do partido que, num fax enviado horas antes da reunião, declarava que «não poderá ter lugar qualquer acto de posse».

José Manuel Cerqueira justificou esta situação com a eventualidade de se ter registado um percalço durante a comunicação, ajudado ainda pela, segundo alegou, coincidência do seu fax, durante a tarde, não estar devidamente munido de papel.

De repente, zonas do litoral acordaram com temperaturas negativas e neve a cobrir as ruas e os telhados das casas. Antes tinha sido o granizo a anunciar a massa de ar frio invulgar que cobriu o país de Norte a Sul. E se a neve trouxe momentos de alegria a locais pouco habituados a este fenómeno meteorológico, há também alguns acidentes e prejuízos a registar. Em Aveiro, por exemplo, um verdadeiro tufão fustigou três empresas da região: uma ficou com um armazém destelhado; outra sofreu danos avaliados em 20 mil contos; e uma terceira viu desaparecer, levada pelo vento, toda a sua área administrativa.

Depois de produzidos doze relatórios -- de cujo teor a autarquia conhece metade -- a IGAT suspendeu os trabalhos de investigação no município, ficando por averiguar cerca de 30 queixas, umas quantas no âmbito da sindicância, mas a esmagadora maioria formuladas por munícipes durante o período que foi anteriormente estabelecido para o efeito.

As brigadas de justiça da 3ª Divisão da PSP de Lisboa estão a averiguar as actividades de um grupo de jovens do Lumiar suspeitos de serem responsáveis por inúmeros crimes praticados nos últimos três anos. São «filhos de boas famílias», que se constituíram como associação criminosa. As burlas já detectadas ascendem a mais de dez mil contos, mas, quando o inquérito policial estiver concluído, os valores poderão ser bem mais elevados.

Os jovens, com idades compreendidas entre os 20 e os 25 anos e «filhos de boas famílias, algumas delas muito abastadas», dividiam-se consoante o tipo de crimes que cometiam, havendo especialistas, por exemplo, em roubos por esticão (com motos furtadas que posteriormente vendiam a uma oficina dos arredores de Lisboa) e outros que só se dedicavam aos assaltos em estabelecimentos.

A Inspecção-Geral da Administração do Território esteve dois anos a investigar a Câmara de Loulé. Analisou uma série de processos e detectou diversas irregularidades. O "dossier" já transitou para a Polícia Judiciária e o principal suspeito é um ex-consultor da autarquia, que afirma ser tudo mentira.

A situação do arquitecto, que foi afastado pelo socialista Joaquim Vairinhos meses após ter tomado posse como presidente da autarquia, originou dúvidas quanto à parcialidade na apreciação dos projectos e levou os inspectores do IGAT a registar no seu relatório que o assunto deveria continuar a ser investigado no âmbito da Alta Autoridade contra a Corrupção, na altura ainda em funções.

A Direcção-Geral dos Espectáculos enviou para a presidência do Conselho de Ministros um novo regulamento das condições técnicas e de segurança dos recintos de espectáculos, incluindo os parques aquáticos, soube ontem a agência Lusa. Para o director-geral dos Espectáculos, José Teles, o novo diploma, elaborado por uma comissão da Direcção-Geral, deverá substituir o actual regulamento que data de 1959.

Dois indivíduos que terão praticado mais de 30 roubos a distribuidores de pizzas, todos na zona de Benfica, foram detidos recentemente por agentes da esquadra daquele bairro.

São pequenas tiras de um material semelhante à borracha, um policarbonato, que têm uns pininhos e que se colocam nas zonas onde, por norma, as aves poisam, na tentativa óbvia de os afastar desses locais. É um novo produto lançado no mercado, chama-se «Birdex» -- o que traduzido para português citadino daria algo como «xô, pombos!» -- e é hoje de manhã testado pela Câmara Municipal na fachada lateral dos Paços do Concelho e nas Arcadas do Terreiro do Paço.

Se a técnica pegar, uma coisa é certa, haverá muitas entidades, e até vulgares cidadãos, interessados em ter o «Birdex» à mão.

Tondela na Grande Lisboa: não fosse Lisboa tão provinciana e não padecesse de SPTC (Síndrome da Pureza Teixeira da Cunha), receberia em triunfo a visita do Teatro ACERT (Associação Cultural e Recreativa de Tondela). Trata-se (prodígio!) da primeira e única companhia profissional da Beira Interior. Semiprofissionalizou-se em 1989 e atingiu o estatuto de profissional em 1993, ano em que a Secretaria de Estado da Cultura lhe atribuiu um subsídio.

Os versos e prosas do Poeta Militante são ilustrados com imagens irresistíveis. O facto de o abandono, a pobreza, a discriminação, a dor e a morte serem os temas predominantes do espectáculo não impede que este se apresente cheio de cor, de humor, de alegria, de flores. As divagações melancólicas do poeta inspiram cenas tão burlescas quanto comoventes. O cenário (também de Pompeu José) é engenhoso e dá a todo o espectáculo uma coerência notável.

Fernando Pedro Moutinho, vice-presidente da distrital de Lisboa do PSD e vereador da Câmara de Vila Franca de Xira, não se vai recandidatar à liderança da principal estrutura local do partido. Moutinho, que também desempenha funções de adjunto do ministro Valente de Oliveira, diz ter dificuldades em acumular todas estas responsabilidades e considera que é do interesse da comissão política concelhia social-democrata ser presidida por uma figura interveniente, que não esteja envolvida na gestão municipal.

Fernando Oliveira Monteiro, vereador e também vice-presidente da concelhia do PSD, poderá ser uma das soluções de consenso para a nova liderança, mas terá contra si os factos de só ter dois anos de ligação à vida política local e de não satisfazer o objectivo de Moutinho de separar as funções assumidas na Câmara das tomadas de posição em nome do partido.

É pobre a essência dos concursos; resume-se a jogos simples, com regras desde sempre conhecidas. Tire-se o espectáculo que está à volta, tirem-se as luzes, as cores, a graça (ou não) dos apresentadores, dos seus convidados e o insólito de que conseguem revestir cada situação e muito pouco restará. O Jogo do Ganso, que a Quatro estreia hoje à noite, não foge ao modelo -- é uma adaptação, tão simples quanto todos os espectadores a possam seguir, do velho Jogo da Glória, que há muitos anos se abria sobre as mesas de família e que, em tempos, a própria RTP se atreveu a levar para a sua programação, apresentado por Manuela Moura Guedes. Fora isso, para o Jogo do Ganso, o que conta é o espectáculo. E é nele que a Quatro aposta.

Em cada concurso há quatro equipas que representam o papel dos "peões" no Jogo da Glória. E toda a sua actuação é definida por uma quadro electrónico, onde estão representados dois dados. As equipas vão avançando no "tabuleiro" (parte do cenário), conforme a pontuação somada, de um a doze. Sempre que mudam de "casa", os concorrentes têm de desempenhar provas "físicas ou de conhecimento", provas sempre diferentes e onde se procura dar "uma carga insólita". Assim como se misturassem os Jogos sem Fronteiras com as situações mais divertidas do Caminho das Estrelas ou de O Mundo da Selva. Para tornar tudo ainda mais "aliciante", Emílio Aragon vai fazendo apostas sobre as quantias em dinheiro ganhas pelos concorrentes.

A paridade na Assembleia da República foi um ensaio de hermafroditismo parlamentar que chegou aos nossos lares à hora de jantar através do pequeno ecrã e sempre com o ar lúdico de bisbilhotice carnavalesca ou como as crianças que brincam aos maridinhos, fazendo jantarinhos, bebés e dormidinhas. Foi óptimo como peça de telejornal para fazer ponte e pausa entre tanta tragédia noticiada, como o julgamento dos violadores e extorsionários das mulheres da vida da Coimbra dos doutores e mais duas curas de cancro em corpos a caminho da certidão de óbito, arrancados à gadanha da morte pelo representante do pastor Tadeu em Vila Franca de Xira. Gesto piedoso e miraculado na Sevilha portuguesa. Tem Tadeu na sua posse, para não ser mais infamado, o certificado e garantia da cura passado por dois médicos de oncologia com os seus próprios punhos para que conste na Ordem dos Médicos, garantindo uma não recidiva no prazo mínimo de 20 anos.

Voltemos ao passatempo parlamentar da paridade e deixemos a Cova da Iria e o Cinema Império em sossego. Veio este inofensivo e risonho convívio demonstrar mais uma vez que Portugal continua atrasado meio século. Os homens riem convencidos de que são eles a ter as rédeas da governação, do comando e a superioridade hierárquica nas mãos. Grande parte dos patrões, casacas e chefes promove as mulheres não pelo seu valor, mas pelas suas curvas corpóreas. O assédio sexual ainda faz parte do quotidiano masculino como o xarope para a tosse.

Soube pelos meios de comunicação social que a visita que os deputados do PSD fizeram à linha de Sintra foi somente para ver as alterações em curso e não para verem/fazerem a experiência quotidiana e humilhante de milhares de seres humanos: constatação já muitas vezes feita sem sucesso (...)

Para não falar da falta de comboios directos de Sintra ou Algueirão para o apeadeiro da 5 de Outubro, servindo algumas estações e não todas, porque há milhares de pessoas que viajam quotidianamente em pé e que não são "forças de bloqueio", mas cidadãos que têm o direito a serem tratados como gente.

No dia em que a maior parte dos órgãos de comunicação social do país, noticiava, num tom condenatório e jocoso, o caso passado em Itália, onde um jovem casal de namorados foi suspenso da escola pelo director, porque simplesmente andava de mãos dadas, eu e a minha namorada sofremos uma ofensa idêntica.

O centro comercial em causa é o Monumental, que procura ser um símbolo dos tempos modernos através do seu aspecto exterior, mas que faz lembrar, com as atitudes dos seus administradores e funcionários, os gestos típicos do antigo regime.

Nascido em 1939, faço, portanto, parte da geração sacrificada. Aquela que, para estudar, fazia diariamente a pé alguns quilómetros, de bota grossa e fato macaco, enxugando com o corpo a chuva que a samarra, aproveitada do velho sobretudo do pai, não conseguia aparar; aquela que suportou os primeiros impactos da guerra no ex-Ultramar, passou fome, dormiu no chão, sofreu na carne a incoerência dos homens -- uma das que defendeu a Pátria (???) --, sequelas esquecidas porque a juventude tudo suporta. Aquela cujos filhos se frustraram pelas deficientes condições de ensino; aquela que, para manter a pouca saúde que lhe resta e a dos seus familiares, tem de recorrer constantemente à medicina privada; e ainda também aquela que agora, com 55 anos, teve de ver e ouvir no noticiário televisivo de 01/02/94, da boca do sr. secretário da Segurança Social, "que cada um tem de tratar da sua reforma" (tal como o «slogan» publicitário).

Como supra dito tratarei com todo o gosto da minha reforma, mas senhores responsáveis, para o efeito dispensem-me da "sangria" acima mencionada.

Nascido em 1939, faço portanto parte da geração sacrificada. Aquela que para estudar fazia diariamente a pé alguns quilómetros, de bota grossa e fato-macaco, enxugando com o corpo a chuva que a samarra, aproveitada do velho sobretudo do pai, não conseguia amparar, aquela que suportou os primeiros impactos da guerra no ex-ultramar, passou fome, dormiu no chão, sofreu na carne a incoerência dos homens (uma das que defendeu a Pátria), sequelas esquecidas porque a juventude tudo suporta. Aquela cujos filhos se frustraram pelas deficientes condições de ensino, aquela que para manter a pouca saúde que lhe resta e a dos seus familiares tem que recorrer constantemente à medicina privada e ainda também aquela que agora com 55 anos teve que ver e ouvir no noticiário televisivo do 01.02.94, da boca do sr. secretário da Segurança Social, "que cada um tem que tratar da sua reforma". (Tal como o «slogan» publicitário.)

Como supradito, tratarei com todo o gosto da minha reforma, mas, senhores responsáveis, para o efeito dispensem-me da "sangria" acima mencionada.

O Parlamento Paritário, para lá dos seus aspectos positivos, serviu de pretexto para os já habituais ataques contra o «feminismo». Talvez por isso, recordou-me uma pessoa que (...) pouco preocupada com as modas que pretendem ridicularizar a luta das mulheres, desejou como epitáfio uma menção muito simples: «Elina Guimarães, feminista.»

Daí que seja com alguma tristeza que vejo recusada a proposta do secretário-geral do Partido Socialista ao citado Parlamento Paritário: a criação de uma "quota" (mesmo se não foi esse o termo usado por António Guterres) obrigatória de mulheres nesses órgãos de decisão.

1. No que diz respeito à Alemanha, escrevia Karl Marx em meados do século passado, a crítica da religião, quanto ao essencial, está terminada.

2. A opinião pública da modernidade esforçou-se por fazer crer que a religião é uma necessidade secundária e que, a prazo, desaparecerá. Durante algum tempo viveu-se no Ocidente um certo clima intelectual de intimidação e de repressão ideológica contra a religião. Procurava-se de forma militante fazer crer que tudo nela era irracionalismo, obscurantismo, alienação, ópio do povo.

Nem sempre se pode dizer que no fado é tudo tristezas. Os incentivos do Estado para recuperar as «casas de fado» podem ir até aos 15 mil contos. A semana jurídica foi, no entanto, marcada pela criação do IPACA com uma Divisão de Cadastro. Os cineastas portugueses têm de passar a ter muita cautela, porque senão serão actores involuntários do filme «Os Cadastrados»...

2. O Ministério dos Negócios Estrangeiros, de vez em quando, decide tornar públicas no «Diário da República» algumas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A tradução leva sempre alguns meses, dadas as dificuldades com que se vive nas Necessidades. Desta vez, a Resolução 883, adoptada em 11 de Novembro do ano passado, ocupa-se da Líbia e do combate ao terrorismo internacional. As sanções são imensas e intensas na busca dos responsáveis dos atentados contra os voos da PanAm 103 e UTA 772. Será que alguma vez vamos saber o que se passou realmente?

O boletim da Assembleia da República noticiava ontem a reunião da comissão de inquérito à... Frente Socialista Europeia! Depois das confusões da semana no grupo parlamentar do PS, só faltava aos socialistas um inquérito aos «compagnons de route» europeus! Afinal, tratava-se apenas de uma leitura errada das siglas da comissão de inquérito em funções ao FSE/UGT - ou seja, Fundo Social Europeu/União Geral de Trabalhadores...

Não conhecia Cuba: a UDP mandou-o chefiar uma delegação de visita ao país de Fidel, por iniciativa própria. Veio fascinado com «a cidade linda de Havana» e a combater firmemente o bloqueio. Diz que encontrou «muita gente crítica», mas curiosamente, não notou «qualquer sintoma de repressão visível», nem ouviu ninguém dizer mal de Fidel. É crítico em relação à «abertura democrática» de Cuba: teme que se venha a formar o «partido Miami» que, se aparecesse, «tinha mais dinheiro de que o Estado cubano».

Foram vários os autarcas do PSD que ontem estiveram presentes, em Coimbra, no Conselho Geral da Associação Nacional de Municípios Portugueses, órgão que é presidido pelo social-democrata Torres Pereira. A comparência dos autarcas «laranjas» adquire especial significado, depois de há cerca de um mês Cavaco Silva ter ordenado a sua saída do Conselho Directivo da ANMP.

Vieira de Carvalho (Maia), Jaime Soares (Vila Nova de Poiares), Arménio Pereira (Paços de Ferreira), Joaquim Ponte (Angra do Heroísmo), João Leal Pinto (Meda), Leonídio Monteiro (Penalva do Castelo), João Rocha (Vagos) e Humberto Lopes (Abrantes) foram alguns representantes do partido da maioria que ontem marcaram presença. Sem esquecer ainda os autarcas de Calheta (Madeira), Ribeira Grande (Açores), Terras do Bouro, Trancoso e Sertã.

O líder socialista foi ontem mais uma vez claro em pedir a maioria aos portugueses. Este é o único cenário sobre que aceita pronunciar-se, porque nada dirá que «revele conformismo a uma minoria». António Guterres apresentou publicamente a moção que vai pôr à discussão do partido. Afirmou que ela resulta de um «consenso assinalável». E, para o demonstrar, todas as tendências internas se fizeram representar na sala.

Revelando o actual espírito de consenso existente no PS, Guterres apresentou a moção como reflexo dessa concórdia interna, sublinhando que esta não resulta de uma «qualquer negociação ou partilha de poder, mas de uma convergência natural de pontos de vista assente na coerência e na clareza».

Até à próxima quarta-feira, Cavaco Silva deve chamar o almirante Fuzeta da Ponte a São Bento. Crê-se que seja uma conversa em que o primeiro-ministro tenciona fazer a sua própria leitura do que devem ser o exercício e o comportamento do CEMGFA no relacionamento com os órgãos de soberania. É, no mínimo, iniciativa inédita no processo de nomeação do comandante das Forças Armadas.

Em contraste, mesmo que fosse esse o seu desejo, o Presidente teria dificuldade em vetar a nomeação de Fuzeta sem que essa decisão ficasse associada à não promoção, na Marinha, de um dos membros da Casa Militar, o comandante Homem de Gouveia. Seria também difícil explicar como é que um oficial que foi considerado competente para comandar a Marinha deixou de ter qualidades para subir ao degrau imediato. Se eventualmente se tivesse concluído que a competência e qualificações não corresponderam às expectativas, esse facto teria que ter dado lugar à exoneração por iniciativa do Presidente.

Leonor Beleza pediu solidariedade aos seus colegas deputados e eles deram-lha. Pois. O que surpreende, pela positiva, são os sete votos contra e as 17 abstenções -- prova de que há quem tenha consciência da gravidade política do caso, no grupo parlamentar do PSD. Na maioria, senão mesmo em qualquer das sociedades democráticas adultas, a ex-ministra da Saúde e actual vice-presidente da Assembleia da República teria, por iniciativa própria ou pela força das circunstâncias, apresentado a demissão dos cargos que exerce. Em Portugal -- curiosamente numa altura em que mulheres e homens públicos discutem questões de paridade -- não é isso que acontece. É pena, para Leonor Beleza, para o PSD, para toda a classe política.

Em política, como na vida, um erro não justifica um outro. Mais: ao fazerem o cotejo, Leonor Beleza ficou no mesmo plano dos homens da Emaudio. No palco da democracia por excelência, chegou-se ao triunfo da impunidade, num irrepetível processo de branqueamento da actividade política. A partir de agora, porque houve Emaudio e Costa Freire/José Manuel Beleza, qualquer um deles se poderá sentir mais seguro, porque menos responsável. A ironia colhe e cresce numa parabólica infindável de argumentos.

Helena Roseta andou numa lufa-lufa na dinamização das sessões do Parlamento Paritário, esta semana realizado na Assembleia da República. Era vê-la, sem parar, em papéis vários. Subiu à tribuna, recitou e homenageou a inesquecível Natália Correia, fez propostas, reformulou textos... enfim, um frenesim. Na foto, de joelhos, é visível que a ex-deputada não está a rezar. Mas, nesta questão da paridade para as mulheres, era capaz de dar jeito pedir a intervenção dos céus. É que, pela amostra, só mesmo com a ajuda dos deuses, porque com a dos homens o poder no feminino nem nas calendas gregas.

A TVI faz um ano no dia 20 e guarda a sete chaves as suas surpresas. Algumas já saltaram para os jornais: a dupla Valter Arruda-Luís Paixão Martins, com o seu Maravilha, afinal à sexta-feira, a seguir nova superprodução de Albarran e Júlio Isidro, com um contrato por dois anos e meio praticamente acordado -- claro, se não lhe der a «síndrome João Pinto», pois parece já ter alastrado no meio a moda das cambalhotas contratuais. Mas a grande surpresa da Quatro chama-se, nem mais, José Eduardo Moniz. E um novo prazo foi-lhe dado para se decidir: até à próxima semana. Com um aliciante: nada será como dantes na nova programação da TVI -- era uma vez uma televisão de inspiração cristã...

Não tem o sorriso de Tom Cruise, nem a classe de Paul Newman, mas se Martin Scorsese conhecesse a versatilidade de Pacheco Pereira, certamente o convidaria para a sequela portuguesa de «A cor do dinheiro», uma película financiada a fundo perdido pela Comunidade Europeia, produzida nos estúdios da Buenos Aires, com as filmagens de exteriores a decorrerem no «oásis» do Vale do Ave. «A cor do dinheiro II» começaria com um «flash-back», onde os espectadores eram levados até à «Laranjalândia», o pequeno país onde o protagonista revelou os seus múltiplos talentos. Já em tempo real, o actor vive o drama de um político que se refugia no bilhar por não encontrar o «oásis» prometido.

«(...) Nem o caso dos adiantamentos à Casa Real teve semelhante desfecho criminal! E conhecem-se as suas consequências históricas ...!».

A delegação internacional de parlamentares que se encontrou com o secretário-geral da ONU para discutir o processo de Timor ficou decepcionada. A sua principal proposta, a realização de um referendo de autodeterminação, não vai estar na agenda das negociações para os próximos tempos, disse-lhes Butros-Ghali. O líder da delegação da Câmara dos Lordes britânica, Lord Avebury, contou ao PÚBLICO os pormenores da conversa em Nova Iorque.

«O secretário-geral disse-nos que está optimista quanto à aplicação das medidas de criação de confiança» que foram decididas nos últimos encontros entre os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da Indonésia, contou ao PÚBLICO Lord Avebury, que chefiou a delegação dos Parlamentares por Timor-Leste. «E que prevê que essas medidas acabem por levar a questão da autodeterminação, embora não faça ideia de quanto tempo isso demorará.»

Num dia fica, noutro sai. É a saga do eterno demissionário Laureano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), retratada de vários modos consoante as notícias, e... os dias. Mas naquela tarde de terça-feira passada, o já célebre advogado transmontano acabaria talvez por manifestar o seu verdadeiro desejo. Ao cruzar-se, nos corredores da FPF, com Luís Duque, presidente da AF Lisboa, o líder dos árbitros portugueses não esteve com meias medidas: «A AF Lisboa defende a continuidade de Laureano Gonçalves!» Depois de grandes abraços, como é, aliás, da praxe futebolística, o presidente do CA disse o que lhe ia na alma a um Luís Duque que se limitou a sorrir:

Mas enquanto aguarda que o Supremo Tribunal de Justiça se pronuncie pela sua sorte, não perde oportunidades. Enquanto não surgem novos negócios das arábias, está a fazer os preparativos para lançar um perfume revolucionário no mercado. Channel e tutti quanti que se cuidem pois vem aí o fantástico... Fax for men. Produzido por um laboratório de Paris e distribuído em Portugal por um tal José da Silva, sob a égide, claro, de Strecht Monteiro.

Numa bem merecida homenagem aos animais que há 65 milhões de anos não tiveram a sorte de ter um jardim zoológico que os protegesse e que acabaram assim por sucumbir à queda de um meteoro ou qualquer coisa do género, o Jardim Zoológico de Lisboa decidiu realizar uma exposição de dinossauros robotizados (ou melhor, robôs dinossaurizados). A iniciativa é acompanhada pelo lançamento de um «prémio a trabalhos veiculados pela Comunicação Social» patrocinado pela empresa de iogurtes Danone. O regulamento do prémio, porém, especifica matreiramente que este só contemplará trabalhos publicados de 1 de Fevereiro a 31 de Maio -- ou seja, temporalmente coincidentes com a exposição dino-robotizada -- e que chamem «a atenção dos Portugueses para a `Exposição Dinossauros ao Vivo' e a extinção das espécies vivas do Planeta, apelando à sua salvaguarda e explicando o papel fundamental que, neste campo, é desempenhados pelos Zoos [sic]».

A aceitação da União Europeia (UE) pela Plataforma é acompanhada da exigência de reformas que reforcem a «legitimidade democrática das instituições e da participação e controlo dos cidadãos», defende o documento de 16 páginas, a que o PÚBLICO teve acesso e que agora entra em discussão entre os associados do movimento, para ser alterado ou aprovado na íntegra no Encontro Nacional, a decorrer em Coimbra no próximo dia 26. Esta reunião também delineará a campanha autónoma de Barros Moura, dentro da do PS, e elegerá a nova direcção da Plataforma, cuja lista é fechada hoje.

Cavaco Silva afirma que só acredita em cinco por cento do que os jornalistas dizem a seu respeito, uma opinião que não é partilhada por membros do seu Governo, como por exemplo o secretário de Estado da Cultura. Santana Lopes acredita mais nos jornais do que o líder do seu partido, ou não teria tomado medidas para corrigir duas situações denunciadas pelo PÚBLICO em duas semanas consecutivas. Uma dessas situações diz respeito à falta de um conselho consultivo nos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (AN/TT). Até o PÚBLICO falar na inexistência desse conselho (na sua edição de 19/1/94), não parecia haver preocupações em colmatar a lacuna, que viola a lei orgânica da referida instituição. Depois de a notícia do PÚBLICO sair, a direcção dos AN/TT já começou a convidar pessoas para o conselho consultivo. PÚBLICO & NOTÓRIO soube que Veríssimo Serrão foi uma das personalidades convidadas. Logo a seguir, o PÚBLICO manifestou estranheza perante a «descoordenação» existente entre o Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR) e Lisboa-94, isto porque o primeiro decidiu tapar a Torre de Belém com tapumes durante a Capital da Cultura que, ao mesmo tempo, usa o monumento como seu ex-líbris (ver PÚBLICO de 26/1/94). Eis senão quando o secretário de Estado da Cultura faz suas as perplexidades do PÚBLICO e manda parar as obras na Torre de Belém durante Lisboa-94. Afinal, os membros do Governo tomam em consideração o que os jornais dizem. Estará Cavaco Silva a perder influência?

Vai sair do Governo por uma porta que não deslustra. Cavaco Silva reconhece a necessidade de continuar a contar com o ministro da Administração Interna e terceira figura do Executivo na política activa. Dias Loureiro escolhe o Parlamento Europeu, de onde poderá, se quiser, continuar a influenciar a estratégia da maioria. Embora por razões inversas, apoios para a candidatura não lhe faltam. Dos liberais aos nogueiristas. Cabe a Loureiro saber distingui-los.

Quem seria o administrador de uma empresa jornalística tida por muito próspera que, durante uma recente visita a Las Vegas, desistiu de jogar após ter perdido menos de... um dólar? Sinal de uma ilimitada sovinice ou sinal destes tempos de crise que também se abateram sobre a comunicação social? P&N dá outra pista: é tão-somente sinal de que a concorrência nesse subsector da imprensa se vai tornar mais dura e os tempos não estão para jogos de fortuna e azar, mesmo tendo por palco Las Vegas.

Padres, pastores, popes e rabinos salientaram o dever da «responsabilidade moral de todos os povos» e apelaram aos organizadores do congresso para realizar outro encontro com membros de outras religiões, em referência particular ao Islão.

O magnate irlandês O'Reilly, principal accionista do grupo alimentar que produz os molhos Heinz, tornou-se igualmente no principal accionista individual do grupo que edita o jornal britânico «The Independent» -- afirmava a Reuter, num serviço noticioso de ontem à tarde.

«Adquirimos no mercado bolsista tudo quanto nos era necessário de momento» -- declarou um porta-voz do magnate irlandês, que explicou como procedera.

Três mortos, um ferido grave e 19 transeuntes feridos por balas perdidas e por estilhaços de vidro é o resultado de um tiroteio ocorrido na terça-feira em Moscovo, junto ao Museu das Forças Armadas, noticiou ontem o jornal Nezavissimaia Gazeta. Testemunhos vários asseguraram tratar-se de mais um ajuste de conta entre grupos criminosos da capital russa.

A Câmara do Comércio dos EUA rejeitou quinta-feira a reforma do sistema de saúde proposta por Bill Clinton, juntando-se assim às reservas postas por uma importante organização patronal, a Business Round Table (Mesa Redonda dos Negócios). Em conjunto, estas duas organizações representam mais de 200 mil empresas, incluindo algumas das mais poderosas do país. A Mesa Redonda inclina-se mais para a proposta da ala conservadora do partido democrata, protagonizada pelo senador Jim Cooper e que não prevê a universalidade da assistência médica, considerada indispensável por Clinton. O presidente disse mesmo no seu discurso sobre o Estado da União que o Congresso vetaria qualquer proposta que não consagrasse aquele princípio.

Dois elementos da comissão mista que está a gerir a empresa ligada à Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) que administra o projecto «Seja Sócio do Mundo» vão estar na próxima terça-feira, no Porto, para prestar esclarecimentos sobre o actual relacionamento entre as duas instituições, na sequência de centenas de queixas que levaram já, inclusivamente, alguns dos associados a cancelarem as respectivas inscrições. Em causa está a falta de capacidade de resposta da empresa para atender serviços que assegura no acto de inscrição.

Com o apertar do controlo por parte da Direcção Nacional da CVP, as actividades da «Sócios do Mundo» terão entrado nos eixos noutros locais, mas no Porto, e segundo uma fonte próxima da direcção, isso nunca aconteceu. Bem pelo contrário, a situação tem-se vindo a agudizar, como o demonstra o crescimento das queixas nos últimos meses. De tal modo que os queixosos estão a ser aconselhados a desistirem das inscrições. Ao todo, ronda os 40 mil o número de sócios angariados no âmbito da «Sócios os Mundo».

A tragédia de Waco vai ser argumento de filme. A informação surgiu ontem, lateralmente ao julgamento a decorrer em S. António (Texas), onde onze seguidores de David Koresh, o «Cristo» de Waco, são acusados de cumplicidade na morte de quatro agentes federais, ocorrida no decorrer de um dos assaltos à fortaleza do profeta americano.

Ontem, Kathryn explicou que o dinheiro que tinha provinha de um adiantamento que lhe fora feito por uma companhia cinematográfica, para contar a sua história com David Koresh. A defensora de Kathryn, Scott Peterson, confirmou esta história, acrescentando que o adiantamento recebido pela sua cliente foi de 12 mil dólares (cerca de 2200 contos).

Matallah Farid, o jovem francês de ascendência argelina que, desde há seis meses, permanece na aldeia minhota de Donim, na esperança de ver correspondido o amor que dedica à portuguesa Lisete, uma jovem estilista ali residente, foi notificado, pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a abandonar voluntariamente o território nacional até ao próximo dia 12. O director regional do Porto daquele departamento do Ministério da Administração Interna informou o PÚBLICO que, se a notificação não for cumprida, "poderá acontecer um processo de expulsão por via administrativa, nos termos da lei vigente".

Os três detidos do caso FP 25 em greve de fome entram hoje no 19º dia de protesto, disse ontem ao PÚBLICO Helena Carmo, porta-voz da Comissão de Solidariedade contra a Repressão. Revelam uma quebra de peso algo preocupante, da ordem dos 13 kg no caso José Alcobia e de 11 kg quanto a cada um dos outros dois, Aldino Mendes Pinto e Couto Ferreira. Quanto à taxa de glicémia atinge o valor 150 no caso de Alcobia, que é diabético, de 31 em Couto Ferreira e 27 em Mendes Pinto.

«Portugal é o único país da Comunidade Europeia onde o volume de vendas no mercado de vídeo tem aumentado até 1992, ao mesmo tempo que somos o único país da CE que ainda não tem TV por cabo». Esta é uma das principais conclusões de um estudo elaborado pelo gabinete de informação do programa Media (o programa da Comunidade Europeia que visa fomentar a indústria audiovisual), a que o PÚBLICO teve acesso.

Assim, no âmbito do sub-programa «Media Salles», destinado a apoiar as salas de cinema das cidades mais pequenas da Europa, entre Novembro de 1992 e Novembro de 1993, foram financiadas um total de 13 salas. Portugal surge em oitavo lugar na atribuição de subsídios «Media Salles», num total de 16 países. O apoio é concedido a fundo perdido e equivale a 50 por cento do montante total das despesas de organização da «semana do cinema europeu em 100 cidades», até ao montante de 390 contos, além do material promocional.

O tribunal de Pau (Oeste de França) começou ontem a ouvir os co-inculpados da maior fraude financeira francesa dos últimos anos, feita à semelhança da «D. Branca», mas numa dimensão superior. Quer saber onde estão os mais de 23 milhões de contos que durante 16 anos deixaram a Jacky Milèsi cerca de 1500 depositantes.

Como é que Milèsi conseguiu enganar milhares de clientes com a promessa de taxas de juro superiores a 30 por cento ao ano, quando as instituições bancárias se ficam por um terço? Sobretudo quando esses clientes são instituições financeiras cotadíssimas, como a União Financeira de França (grupo Indo-Suez) e outras, que era o próprio Milèsi a escolher?

O novo juiz titular do processo referente ao homicídio do padre Max, Manuel Pinto dos Santos, deferiu ontem a realização de três novas diligências que haviam sido requeridas pelo advogado de acusação, Mário Brochado Coelho, e pelo procurador-geral adjunto nomeado para acompanhar este caso, Paulo Sá.

A reinquirição do industrial flaviense Rui Castro Lopo -- um dos três acusados de alegada autoria moral do crime e apontado como o «chefe operacional [do MDLP] da zona Vila Real/Chaves» -- é a última das diligências deferidas, e está marcada para o próximo dia 14 de Abril. Na última vez que foi ouvido no Tribunal de Vila Real, em Fevereiro de 1992, Castro Lopo defendeu-se das acusações, afirmando que apenas mantinha relações de amizade com elementos daquele movimento.

A prostituição de menores existe às claras por todo o Moçambique, generalizou-se como modo de vida e o seu sustentáculo no Chimoio são os italianos da ONUMOZ. Toda a gente o sabe, mas, da segurança do Estado ao bispo local, tem havido uma vontade deliberada de "abafar o escândalo".

Não é preciso perguntar-lhes nada. Eles assediam de imediato qualquer cliente branco e tratam de explicar tudo. São 60 mil meticais (dois contos) para a moça, se for "miúda"; as "velhas" (a partir dos 18) pedem 150, 200 mil. Pelos bons serviços, o garoto recebe 20 ou 30 mil, e o quarto no «SISE» custa 50 mil.

O principal meio de vida de metade dos 8.376.816 portugueses com mais de 12 anos são os rendimentos de trabalho, indica o INE, com bases nos dados definitivos do Censo 91 -- recenseamento geral da população e habitação. Os rendimentos de trabalho, que em 1981 eram o principal meio de subsistência de 48,7 por cento dos maiores de 12 anos, aumentaram a sua importância para 49,5 por cento.

Em 1991 viviam da assistência 0,7 por cento, contra 0,2 por cento dez anos antes, 0,6 por cento tinham como principal meio de vida rendimentos de propriedade (0,7 por cento em 1981) e 0,2 por cento subsistiam com subsídios temporários, contra 0,3 por cento no início da década de 80.

A investigação do processo-crime contra responsáveis pela importação de sangue contaminado com o vírus da sida encontra-se em «fase adiantada», revelou à agência Lusa fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR). O chefe de gabinete do PGR, Ernesto Maciel, afirmou que o processo «ainda está em investigação», mas em «fase adiantada», prevendo-se que «não demore muito tempo» até à sua conclusão. O processo, a cargo do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), foi accionado pela Associação Portuguesa de Hemofílicos (APH).

A SOMA, Associação Portuguesa Antiproibicionista, foi ontem apresentada formalmente por Eurico de Figueiredo, médico e porta-voz do Partido Socialista para a Saúde, depois de mais de 40 notáveis (e alguns sem título) terem discutido o proibicionismo durante mais de três horas, um «acontecimento impossível em Portugal há um ano».

O mercado de acções da Bolsa de Londres registou uma semana pautada pela valorização das cotações. Esta foi a nota dominante até à sessão de quinta-feira. Neste dia os investidores foram decepcionados pelo facto do Bundesbank ter deixado inalteradas as suas taxas de juro. Os analistas ingleses anseavam por uma redução das taxas que pudesse possibilitar um corte no preço do dinheiro na Grã-Bretanha. As acções da British Aerospace foram um dos papéis mais movimentos, especialmente depois do anúncio da venda da Rover à BMW. No final da semana o índice FT-SE 100 atingiu os 3475,4 pontos, uma recuperação de 0,81 por cento face à sexta-feira anterior.

O índice CAC 40 da Bolsa de Paris iniciou as actividades da semana passada com o estabelecimento de um novo máximo histórico. As acções do sector automobilístico encabeçaram as subidas animadas pela aprovação de um pacote de apoios financeiros anunciados pelo Governo francês para este sector. Na terça-feira o mercado foi afectado pela realização de mais-valias para um dia depois voltar a recuperar e estabelecer um novo máximo. Os investidores esperavam que na quinta-feira o Bundesbank reduzisse as suas taxas de juro o que afinal não se verificou. Neste mesmo dia o mercado voltou a cair. Na última sessão da semana as cotações recuperaram ligeiramente encerrando o CAC 40 com um ganho de 0,69 por cento.

Tóquio registou na primeira sessão da semana passada uma das valorizações mais espectaculares da sua história. No final do dia o índice Nikkei apresentou uma subida de quase oito por cento. Os analistas não se recordavam de uma escalada tão pronunciada desde os tempos da Guerra do Golfo. Os investidores foram animados pelo acordo político a que chegaram os governantes japoneses pondo fim a uma crise política que alguns temiam poder levar à convocação de novas eleições. Na quarta-feira o mercado inverteu a tendência altista mesmo depois de ser anunciada uma descida dos impostos. Os investiodores aproveitaram o final da semana para retirarem mais-valias. O índice Nikkei encerrou a semana nos 20301,4 pontos.

A recente melhoria dos indicadores de confiança dos consumidores nos Estados Unidos está em contraste com as dificuldades sentidas pelos consumidores da Europa e do Japão. As políticas económicas levadas a cabo a Europa não facilitarão a expansão das respectivas economias. Em 1994 diversos países europeus terão eleições, o que levantará dúvidas nos investidores sobre a manutenção das actuais políticas monetárias.

O novo ministro das Finanças, Eduardo Catroga, abriu o seu mandato com mensagens de estímulo ao mercado de capitais. São palavras de esperança, que o mercado há muito ambicionava ouvir, arredado que ficou das opções governamentais no mandato de Jorge Braga de Macedo. E mais do que isso, chegou-se ao ponto em que era absolutamente indispensável que o Ministério das Finanças admitisse que o mercado de capitais existe em Portugal, ainda que nas dimensões proporcionais ao país em que se insere. Muito mais quando todos os seus agentes começam a exigir um apoio institucional e formal do Governo nas várias iniciativas de promoção das bolsas portuguesas em mercados externos, considerado um passo fundamental e necessário para consolidar de vez as suas existências.

É, portanto, necessário que fique claro que «palavras leva-as o vento». O que se não desculpa é que elas por vezes proferidas com a pretensão de capitalizar politicamente as simpatias de gregos e troianos. Para Eduardo Catroga fica, contudo, o benefício da dúvida e a expectativa de esperança que se espera seja efectivamente cumprida.

O PÚBLICO divulga hoje, pela segunda vez, um trabalho em que é avaliada a "performance" de todos os fundos de investimento mobiliário que estão actualmente a operar no mercado. Pensamos que é um contributo importante para o preenchimento de algumas lacunas que persistem em relação à informação aos investidores, neste caso aos pequenos aforradores a quem são prioritariamente dirigidos estes produtos.

Depois, resta achar, como qualquer investidor faria, a variação percentual entre o dinheiro investido na subscrição e o realizado com o resgate, incluindo os rendimentos recebidos. Trata-se de calcular a rendibilidade bruta, não tendo em conta nem a carga fiscal nem as comissões de susbscrição e de resgate. Ao fim e ao cabo, é a rendibilidade, na maioria das vezes, com que o «marketing» das sociedades gestoras cativa os aforradores, omitindo, convenientemente qualquer alusão ao risco...

Na sexta-feira passada, primeiro dia de um novo período de constituição das disponibilidades minimas de caixa, o Banco de Portugal baixou as taxas directoras em 1/4 ponto percentual, passando a taxa de absorção de liquidez para 9,25 por cento e a de cedência para 10,25 por cento. Desde o início do corrente ano, as taxas directoras quebraram 5/8 pontos percentuais.

No que concerne à Dívida Pública corrente, realizaram-se dois leilões de Bilhetes do Tesouro. Em qualquer deles registou-se uma quebra das taxas médias em relação às colocações anteriores para idênticos prazos. No leilão a 182 dias a taxa média situou-se nos 10,2196 por cento, o que representou um decréscimo superior a 0,2 pontos por cento, enquanto que na emissão a um ano a taxa média emergente foi de 9,8656 por cento, o que consubstanciou um ligeiríssimo decréscimo.

A Associação dos Antigos Alunos do mestrado em Gestão de Empresas (MBA) da Universidade Nova de Lisboa anda cheia de humor e com imensa vontade de brincar. Ou será que é a sério? De uma só assentada, decidiram nomear os seus próprios «Óscares», o MBA do ano e como se não chegasse, mandam imensas «Bocas». Ao todo, são 12 galardões atribuídos, entre figuras públicas e outras que preferem a discrição, dos quais destacamos os seguintes: o «mais duro» é Pestana Teixeira, o homem do mercado bolsista, a «melhor carreira» é a de Luís Todo Bom, o «mais convencido» foi entregue a António Carrapatoso, enquanto João Talone, de quem se diz ser o provável sucessor de Jardim Gonçalves, é o «mais promissor». Para além da «melhor carreira», o actual presidente da Telecom acumula ainda o título de MBA do ano/1993, que volta a aparecer na curiosa secção «O Bocas», numa recente publicação da associação. Ao que parece, fontes seguras garantem que Luís Todo Bom será o futuro presidente da associação. «Já enviou nota interna aos seus colaboradores». E como se não chegasse, também terá Carrapatoso à perna. «O Bocas» diz que o actual presidente da Telecel será o futuro presidente da Portugal Telecom, um lugar por que Todo Bom se tem manifestamente batido. Esperamos que o trabalho tenha sido fruto de uma profunda reflexão crítica sobre o próprio grupo, sem influências, sabe-se lá de quem. De Todo Bom, por exemplo.

Pela leitura da "newsletter" da Associação dos Antigos Alunos do MBA da Universidade Nova não se conclui apenas que se trata de uma publicação com objectivos claramente irreverentes e humorísticos. A par deste faceta, bem patente nas tais secções de "bocas" e de atribuição de "Óscares", coexiste uma outra de tom mais sério e que deixa escapar que, além de rir e dar umas bicadas nos associados, a mente dos dirigentes da organização também se preocupa com outras matérias. Na última página da referida publicação, o leitor é informado não só acerca dos "últimos eventos", fruto da inciativa da AMBA, mas também do calendário previsto para futuras conferências. É assim que se fica a saber coisas tão decisivas como, por exemplo, que o bar da associação começou a ser construído em Dezembro de 1993. Copos não vão faltar! Mas conferências também não. No último mês do ano passado, foi organizada uma sobre o tema "Banca em Portugal: que Futuro?". Em Janeiro seguiu-se "A Agricultura em Portugal: que Futuro?". Posto isto, lança-se a questão: dado que é politicamente correcto afirmar que o congresso "Portugal: que Futuro?" teve um arranque em falso, será que a AMBA está a dar uma mãozinha tratando o tema em episódios? E já agora, sem destoar e assumindo as preocupações confidenciadas por um associado, PÚBLICO e Privado pergunta: o bar da AMBA: que futuro?...

Os resultados da exploração das três estalagens da empresa concessionária do Casino da Póvoa de Varzim não têm sido propriamente os mais brilhantes. E como a situação financeira da Sopete é, seguramente, ainda menos brilhante, o actual número um da empresa poveira, Joaquim Reis, tem dado voltas à cabeça para meter a empresa poveira nos trilhos. As soluções estão aí a chegar, e uma delas poderá passar pela tentativa de optimizar a exploração das tais estalagens, nem que para isso se decrete o seu fim como unidades hoteleiras. E que destino poderão ter as ditas unidades? A Sopete tem escondido cuidadosamente a hipotética solução de olhares indiscretos, receosa de que a concorrência possa descobrir um nicho de mercado que pode mostrar-se compensador. Os cuidados da concessionária do jogo da Póvoa redobram, quando se tenta levantar o véu que tapa o investidor que deverá associar-se no novo negócio. Sabe-se apenas que esteve ligado a uma conhecida instituição financeira, para onde sonha regressar em breve, e que tem alguns milhões de contos para investir num sector onde os privados tentam entrar, sem sucesso, há alguns anos. Aceitam-se palpites.

«Abandonada a ideia de Belém para já, acabou o período de recreio dos aprendizes de feiticeiro que, aliás, fizeram fraca figura e causaram muitos estragos. O grande timoneiro agarrou-se ao leme, chamou um imediato em quem confia e apontou ao porto de destino.»

EMBATE MORTAL EM MATOSINHOS -- Um violento embate ocorrido ontem, cerca das 17h40, na EN 107, na freguesia de Perafita, em Matosinhos, provocou a morte do condutor de um ligeiro que, até à hora do fecho desta edição, ainda não tinha sido identificado. O ligeiro, conduzido pela vítima, seguia no sentido sul/norte, quando chocou violentamente com as traseiras de um camião TIR. Transportado de imediato pelos Bombeiros de Matosinhos/Leça, o condutor sinistrado chegou já sem vida ao hospital de Matosinhos. Segundo a BT da GNR, que tomou conta da ocorrência, a vítima não se fazia acompanhar de documentos.

Carlos Forte, António Saraiva e Eduardo Nogueira ficaram com quatro anos de pena suspensa, uma vez que o tribunal considerou que os três homens estavam socialmente integrados, têm responsabilidades familiares e não possuem antecedentes criminais.

Jacques Lombard é um troca-tintas de primeira apanha, mas a verdade é que a sua homenagem a Portugal na Expolangues é das mais bonitas. "Não é lá por causa de Portugal ser o país convidado de honra" deste 12º salão francês de divulgação dos novos métodos de aprendizagem de línguas, "nãaao, senhora!", que Lombard pregou uma enorme bandeira portuguesa -- roubada só Deus sabe aonde -- no cubículo que serve de "stand" à sua megalómana Bolsa das Ideias Gratuitas (BIG, para os amigos). Nem, "então isso muito menos", porque Mário Soares e François Mitterrand inauguravam ontem em grande pompa a Expolangues.

Mitterrand, que não previra nenhum discurso, acabou por retribuir o piropo, "simplesmente pelo prazer de receber Mário Soares e a esposa numa ocasião tão importante como a Expolangues", que "demonstra que a língua portuguesa é uma das mais importantes do Mundo". O evento, organizado pelo Instituto Camões em colaboração com o ICEP-Investimentos, o Comércio e Turismo de Portugal, a Universidade Aberta, Lisboa, capital Europeia da Cultura 1994 e a Secretaria de Estado das Comunidades, conta com mesas-redondas, debates, concertos -- Delfins e Resistência, Cesária Évora -- e conferências.

RTP pode tirar Mandala do horário da noite -- A Direcção de Programas da RTP pode decidir-se pela não transmissão de Mandala no horário da noite, a partir da próxima segunda-feira. A possibilidade tem vindo a ser discutida pelos responsáveis da programação desde o início da passada segunda-feira, quando se decidiram pela transmissão dos últimos episódios de Despedida de Solteiro, a par de Mandala, por causa dos baixos valores de audiência registados por esta e pelas alterações que a SIC fez na sua programação. A RTP, conforme o PÚBLICO apurou, pode escolher entre telenovelas "mais fortes" que tem em carteira, para responder a Mulheres de Areia da SIC, transmitindo-a sozinha ou com Mandala. Ontem, ao fim do dia, ainda não havia uma decisão. As alterações à programação de segunda-feira, no entanto, já não incluem Mandala. Em seu lugar uma simples palavra: "Novela".

A discrepância encontrada, patente noutros países também, permite verificar a limitação dos dados oficiais na medida do desemprego nacional. Apenas no quatro semestre de 1993, o INE encontrou uma taxa de 6,2 por cento, relativa a uma taxa média de desemprego em 1993 de 5,5 por cento.

O líder do Partido da Renovação e Desenvolvimento (PRD), João da Costa, que é candidato à Presidência da República, um dirigente do Movimento Bafatá, Tagme na Wae, e um militar no activo, Gil Sanhá, foram ontem à noite absolvidos pelo tribunal militar da Guiné-Bissau, que julgara uma alegada tentativa de golpe de Estado que teria ocorrido em 17 de Março do ano passado.

O dirigente da Liga Norte, o movimento federalista italiano, Umberto Bossi, aceitou ontem uma aliança com o empresário Silvio Berlusconi, afirmando que com ela será encerrado o caixão da velha ordem política que dominou a Itália desde a II Guerra Mundial. Bossi declarou que a Liga está pronta para governar o país depois das eleições de 27 e 28 de Março e que tenciona propor uma lei para a expropriação da riqueza dos partidos tradicionais italianos corruptos, «acumulada nos ombros dos italianos». «O momento para quebrar o isolamento chegou», disse o líder da Liga num congresso do seu partido em Bolonha. Neste congresso, que durará três dias, a aliança entre a Liga e o movimento Força Itália de Berlusconi deverá ser aprovada oficialmente.

Ministro polaco das Finanças demitiu-se -- O ministro das Finanças da Polónia, Marek Borowski, demitiu-se ontem, no meio de uma disputa governamental sobre a anterior demissão do seu adjunto. O conflito começou a semana passada, quando o primeiro-ministro, Waldemar Pawlak, afastou o vice-ministro das Finanças, Stefan Kawalec, sem dizer nada a Borowski. Pawlak é o líder dos ex-comunistas e Borowski pertence ao Partido Camponês, o outro parceiro da coligação, que fica assim perante a mais rude prova desde que foi constituída, na sequência das eleições de 19 de Setembro último.

TROPAS governamentais sudanesas lançaram uma nova ofensiva contra os guerrilheiros que actuam no sul do país, tendo já 10.000 soldados na zona de Wau, enquanto dezenas de milhares de pessoas fogem da região onde se trava o conflito, anunciaram em Roma os missionários combonianos, fazendo-se eco do que já havia dito o Exército de Libertação dos Povos dos Sudão (SPLA) e Cartum desmentira no fim de Janeiro. Os padres italianos disseram que as autoridades sudanesas contam com a cumplicidade da República Centro-Africana, cujo território chega a ser atravessado pelos militares que se querem aproximar das fronteiras com o Uganda e o Quénia.

Arlindo de Carvalho vai ser o próximo presidente do conselho de administração (CA) da RDP. O convite foi-lhe endereçado há algum tempo pelo ministro da tutela, Luís Marques Mendes, e aceite esta semana. Por força da Lei das Incompatibilidades dos titulares dos cargos políticos, o novo lugar implica a saída de Arlindo da bancada parlamentar do PSD, onde se tinha integrado após a sua exoneração de titular da pasta da Saúde. Como curiosidade registe-se que é o regresso à «casa» de onde tinha saído, em 1988, quando foi para o Governo como secretário de Estado da Segurança Social.

Aproveitando a passagem da RDP a sociedade anónima, o ministro-adjunto marcou a assembleia geral da empresa para o próximo dia 10. O acto acarreta, num processo idêntico ao que ocorreu na RTP, a queda imediata dos gestores.

Narana Coissoró não deverá constar da lista de candidatos à Comissão Política que o presidente do CDS-PP, Manuel Monteiro, vai apresentar ao Congresso de Setúbal, no próximo dia 20. António Lobo Xavier é, ao que o PÚBLICO apurou, o único deputado centrista a integrar -- enquanto militante e não a título de líder parlamentar -- o grupo de cerca de vinte dirigentes que Monteiro está a escolher para o acompanharem no próximo mandato.

Quanto a Nuno Kruz Abecasis parece não haver certezas sobre se fica ou não, mas tudo indica que a decisão dependerá do próprio. Garantida parece estar a saída dos actuais dirigentes Horta e Costa, Paes Afonso e Celeste Cardona.

Os cinco reclusos do Estabelecimento Prisional da Guarda que estavam em greve de fome suspenderam ontem a acção, depois de terem "reconsiderado a sua posição" e assinado um documento dando conta desta nova decisão, confirmou ao PÚBLICO o director da cadeia, Leonel Fernandes.

Foi há três semanas, em Jacarta. Libertem Xanana e a comunidade internacional abrandará as críticas, propôs o enviado do secretário-geral da ONU ao governo indonésio. Ali Alatas mostrou-se desinteressado. Mas a Resistência não desiste, e as autoridades de Bissau mantêm a oferta de acolhimento ao carismático líder da guerrilha timorense. Butros-Ghali lançou, entretanto, um balde de água fria nas esperanças dos deputados internacionais que pretendiam ver a autodeterminação do território -- o grande tema eleito pelo representante português para zurzir Jacarta perante a comissão dos Direitos Humanos -- na agenda das negociações entre Portugal e a Indonésia, em Maio próximo. O britânico Lord Avebury não esconde a sua decepção.

A delegação portuguesa que participa nos trabalhos da Comissão dos Direitos do Homem da ONU, em Genebra, apresentou ontem uma declaração em que se insiste no direito do povo de Timor-Leste à autodeterminação.

Na intervenção portuguesa, foi reafirmado que o desrespeito por este direito conduz inevitavelmente «à violação de todos os outros direitos fundamentais», a começar pela liberdade de expressão, de circulação, de reunião e associação. O debate sobre Timor-Leste inscreve ainda outros temas de trabalho, designadamente o relativo aos direitos de pessoas detidas e violações de direitos e liberdades fundamentais. Em Nova Iorque, deputados de vários países, membros do Grupo Parlamentar por Timor-Leste, foram recebidos ontem pelo secretário-geral da ONU, junto do qual defenderam a necessidade da retirada das tropas indonésias e a realização de um referendo em Timor.

O cineasta Tian Zhuang-Zhuang, cujo filme «O Papagaio Azul» é o mais sério candidato a vencedor do Festival de Friburgo, na Suíça, provavelmente não poderá voltar à China, depois de se ter solidarizado com seus colegas chineses presentes no Festival de Roterdão, Holanda. Embora no festival suíço o filme de Zhuang-Zhuang não tivesse sofrido quaisquer pressões, as autoridades chinesas tentaram intervir junto da direcção do festival holandês para que fossem retirados os filmes chineses programados, por serem proibidos na China e por terem saído do país sem autorização. O director do Festival de Roterdão, Emile Fallaux, reuniu-se com os cineastas chineses, para saber se estes desejavam retirar os seus filmes, mas todos decidiram ignorar a intervenção do governo.

Zhuang-Zhuang tem consciência das consequências do seu gesto, se regressar à China: «Não tenho medo pessoal, mas os problemas poderão aparecer quando quiser fazer outro filme». O realizador afirma que, no seu país, já houve uma liberalização na distribuição dos filmes: «Mudou desde Abril de 1993. Antes, era o Estado que distribuía os filmes nas províncias e nas cidades. Hoje, os direitos de distribuição ficam para os estúdios que produziram os filmes e isso dá-lhes um certo lucro».

O êxito da exposição de Washington sobre o Barroco português foi tal que a direcção da National Gallery of the Arts decidiu prolongá-la por dois meses. O director da exposição, Jae Levinson, explicou ao PÚBLICO as razões do êxito de uma exposição histórica num país normalmente pouco interessado pela História.

Jae Levenson, o jovem director da exposição, não se esforça por esconder a sua vaidade e o entusiasmo, enquanto explica ao PÚBLICO as razões do êxito da sua iniciativa. «Foi o factor surpresa. As pessoas não sabiam que nada disto existia». Mas foi também, admite, a forma como a exposição estava organizada. Ao contrário da versão exibida na Europália, em Bruxelas, em Washington não estão patentes quase nenhumas pinturas, documentos escritos, desenhos ou fotografias. Apenas objectos, e não todos. «O público europeu está habituado a exposições históricas. Aqui, as pessoas vêm para apreciar objectos de arte, ou que sejam impressionantes de alguma forma». Foi dada preferência às jóias, faianças, aos instrumentos científicos, e às peças vindas de outros países que mostram o bom gosto e o poder comercial dos portugueses da época.

Na ausência do secretário de Estado da Cultura, coube à vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Porto, Manuela Melo, na noite de sexta-feira, a abertura formal da 14ª edição do Fantasporto. Manuela Melo enviou um recado aos actuais responsáveis pela política do cinema e audiovisual: «Espero que o Instituto Português da Arte Cinematográfica e Audiovisual (IPACA) assuma como seu o compromisso que a Câmara do Porto já assinou com anteriores responsáveis», numa referência ao protocolo que a autarquia assinou com o extinto Secretariado Nacional para o Audiovisual, dirigido por António-Pedro Vasconcelos, e relativo a um projecto-piloto destinado a recuperar as salas de cinema da cidade.

A seguir foi a biografia do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951) que subiu à tela. O inglês Derek Jarman é o autor de «Wittgenstein», um filme todo rodado em estúdio e que pelo dispositivo cénico faz lembrar «Conversa Acabada», de João Botelho. A escrita do filme propõe-se seguir o percurso biográfico e filosófico deste teórico do positivismo lógico. Encena-o da infância até à morte (por cancro), evocando a relação com o mestre Bertrand Russel, com quem estudou em Cambridge, a passagem pela I Guerra Mundial, a prisão em Itália, o apelo da nova sociedade da URSS e a renúncia à fortuna pessoal, trocada pelo ofício de mestre-escola, na Áustria. Paralelamente, dá conta da tortura mental do autor do «Tratado Lógico-Filosófico», dividido entre o desejo de enunciar a clareza e a inacessível obscuridade que perpassa por muito dos seus textos.

A soprano catalã Monserrat Caballé cantou sexta-feira nas ruinas da ópera del Liceo, em Barcelona. Outra estrela da arte lírica, Victoria de Los Angeles, visitou o que resta do teatro, destruído segunda-feira por um incêndio. Muito emocionada, Monserrat Caballé recordou a sua estreia, em Abril de 1953, naquela sala, onde cantou 56 vezes, mas onde afirmara ultimamente que não tencionava voltar na sequência de desacordos com a direcção. «Já estou a ver o teatro reconstruído, não da mesma maneira, mas estou a vê-lo», disse Caballé para quem, «embora sem tecto, o Liceo possui a mesma acústica, porque a base não mudou». No espectáculo de sexta-feira, Monserrat Caballé interpretou «Cant dels ocells», de Pau Casals.

O ídolo da música norte-americana dos anos 50, Paul Anka -- autor do «hit» dos anos 60, «My way», considerada a música mais vendida do mundo --, vai receber esta semana uma condecoração em França, entreguer pelo ministro francês da Cultura, Jacques Toubon. Frank Sinatra tornou famosa esta cançãoe que já teve mais de 600 versões publicadas em mais de 300 milhões de discos. Também houve uma versão em francês de «My way»: chamava-se «Comme d'habitude» e era interpretada pelo falecido Claude François.

Uma exposição de pintura, escultura e cerâmica de seis artistas da África austral assinala a abertura, terça-feira, em Lisboa, do Espaço Oikos, num edifício junto da antiga Cadeia do Aljube. Os artistas representados são Fátima Fernandes e Reinata Sadimba, de Moçambique, Berry Bickle e Fumbatani Tshuma, do Zimbawe, e Sybilla Nagel e Helen Sebidi, da África do Sul. Promovido pela Oikos -- organização não governamental para a cooperação e o desenvolvimento presidida por Jardim Gonçalves --, o Espaço Oikos será o local privilegiado para as iniciativas realizadas em Lisboa no âmbito do programa «Culturas em Diálogo 1994». Um responsável pela organização, Natividade Cardoso, disse à Lusa que o Espaço Oikos vai abrir as portas aos grupos culturais das comunidades estrangeiras, sobretudo africanas, residentes em Portugal. Outro grande objectivo será divulgar a arte junto da criança, nomeadamente através de visitas guiadas a exposições, no quadro de um projecto estabelecido entre a Oikos e as escolas, denominado «Um mundo para todos». A inauguração será na terça-feira, numa cerimónia para a qual foram convidados o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o secretário de Estado da Cultura, Santana Lopes, e o presidente da Sociedade Lisboa 94, Vitor Constâncio.

Mesmo assim, arrisco a ténue hipótese de haver ainda alguém que acredite que este "Orfeo" constitui um marco de excepcional relevância na história moderna de S. Carlos. Desde logo porque foi escolhida, para ponto de partida, a versão original vienense, apesar da inclusão de trechos da versão parisiense, sem vantagens apreciáveis, por muito bonita que seja a secção para flauta do "Ballo degli spiriti beati" (o que não pode ser dito do trio "Soave amore", de inútil inserção nesta produção).

Era um avião da TAP, que vinha de Paris, ao fim da manhã de ontem, cheio de benfiquistas, ou pelo menos que só falavam no tradicional «derby» com o Porto. No meio, no entanto, havia um grupo de norte-americanos com um aspecto pitoresco, que discutiam um milhar de coisas ao mesmo tempo, também em voz alta. Era a comitiva dos Nirvana, que hoje actuam em Lisboa, e vieram acompanhados de meia dúzia de pessoas, entre as quais três raparigas bonitas da mesma idade deles. Havia só um que não dizia nada e até andava um bocado afastado do grupo: um tipo de calças de ganga ruças e não muito limpas, ténis novos, e uns cabelos loiros lustrosos, que se diria não verem água já há uns dias. Sim, o mesmo Kurt Cobain, que é uma das maiores estrelas do rock dos anos 90, e que esteve meia hora em Orly, à espera do voo para Lisboa, deitado a dormir ao comprido sobre três bancos metálicos da sala de embarque. Ninguém o reconheceu e sobretudo os benquistas olhavam para ele com ar de quem diz: «Já se viu onde isto chegou?!»

Em conversa com o PÚBLICO, Minsky manifestou boas recordações da semana que passou a trabalhar com a Orquestra Clássica do Porto na Igreja de S. Bento da Vitória, onde foi instalado um estúdio de gravação. «Todos nós estávamos cientes de que aquele momento era histórico», afirma. Tratou-se não apenas de uma iniciativa pioneira, mas também de «expandir os instrumentos num novo ambiente acústico em que cada nuance podia ser ampliada». Minsky não esconde o seu contentamento pela «performance» do agrupamento e pelo polimento atingido pelo som. «Esta orquestra emparceira sem favor ao lado de qualquer boa orquestra da Europa Central», garante.

O público era jovem, sabia as canções de cor e fez do concerto de Delfins e Resistência uma festa delirante. O que é surpreendente é que isto não se passou em Portugal, mas em Paris, na sexta-feira passada.

Sem perceberem muito bem o que se estava a passar, ou que espécie de público era aquele, os Resistência subiram para o palco algo tensos e para descontrair deixaram as guitarras fluir. «Fado» ainda foi para quebrar o gelo, mas mal o Tim declarou «Tenho a certeza que temos algo em comum», antes de «Circo de feras», a malta entrou em delírio. Depois, como preâmbulo de «Marcha dos desalinhados», Pedro Ayres confessou o seu desconcerto: «Não sei se estão a gostar ou se já conheciam estas canções». Teve a resposta que queria - toda a gente ali sabia a canção da primeira à última linha. Seguiu-se a confirmação sob a forma de outra piscadela de olho da plateia, quando, desde os primeiros acordes de «Traz outro amigo também», centenas de isqueiros se acenderam um pouco por todos os cantos do Zenith.

O presidente cessante do Famalicão, Domingos Lopes de Castro, vai continuar no cargo por mais 15 dias, o período estabelecido na assembleia geral de ontem para a concretização de três condições consideradas «absolutamente indispensáveis»: a assinatura de um protocolo com a Câmara Municipal, vinculando-a às promessas de apoio [ver PÚBLICO de ontem], a reactivação «imediata» do Conselho Superior famalicense e a duplicação do número de sócios, cujo efectivo de pagantes ronda os três mil.

O antigo presidente Virgílio Costa -- autor da proposta das três condições -- lamentou que o sócio 100 mil do Benfica, como famalicense, não seja igualmente sócio do Famalicão, exemplificando assim os casos de alheamento ao clube. Por isso, «depois de obtidas garantias camarárias, também é tempo da colectividade assumir as suas próprias responsabilidades».

Apenas três dias depois da russa Irina Privalova ter estabelecido um novo recorde mundial para os 50m em pista coberta, com 6,03s, esse máximo veio abaixo de novo. Batida então, a jamaicana Merlene Ottey teve a sua completa desforra anteontem à noite em Moscovo, ao fazer a distância em 6,00s.

Em Berlim, o canadiano Mark McKoy foi a outra vedeta, também com dupla vitória em 60m (6,64s) e 60m barreiras (7,54s), distância em que é campeão mundial.

Scottie Pippen, atleta dos Chicago Bulls não ganhou para o susto na madrugada do passado dia 20, horas depois de a sua equipa ter vencido os Washington Bullets. Estacionou o carro num local proibido e, ainda por cima, deixou uma pistola semi-automática no banco da frente. Vai daí, a polícia deteve o ilustre «distraído», por posse ilegal de armas, mas libertou-o pouco depois. Apesar de ter licença de porte de arma, Pippen não tem autorização para a transportar em público, pelo que foi acusado de delito menor. Um pouco mais de 17 contos e 45 minutos atrás das grades foi quanto custou este desleixo ao extremo dos tricampeões.

Don Calhoun era um anónimo amante da modalidade quando viu um cartaz a publicitar um concurso de lançamentos organizado pelos Chicago Bulls. Decidiu participar e hoje deve estar muito contente por não ter resistido a esse impulso. Fez um lançamento de mais de vinte metros e ganhou um milhão de dólares, para além de uma renda anual vitalícia de mais 50 mil. Num acto ainda mais corajoso, achou por bem deixar o emprego de vendedor (5 dólares por hora) e tentar a sua sorte numa equipa profissional, o que se saldou por um fracasso. Sempre atentos a estas coisas, os Harlem Globetrotters convidaram-no a prestar provas e acabou por conseguir o lugar. Ele há coisas do diabo...

Três anos após o seu lançamento, o Nissan Primera beneficiou do lançamento da nova gama de motores da «Série e», oferecendo agora mais potência e também melhores níveis de segurança, num segmento onde conta com uma forte concorrência. A marca japonesa apresenta em Portugal uma gama renovada, com 13 versões e preços entre os 3322 e os 6978 contos.

Pimenta Machado foi ontem reeleito presidente do Vitória de Guimarães para o biénio 1994/95, durante o acto eleitoral do clube que decorreu no salão nobre do estádio, em Guimarães. O presidente do clube vimaranense recebeu 219 votos, num total de 223 possíveis, o mesmo acontecendo a António Fernandes, que continua como presidente do Conselho Fiscal. José Cotter, que substitui António Xavier no cargo de presidente da Mesa da Assembleia Geral recebeu 222 votos e terá como secretários José Luís Machado Faria e Luís Cirilo.

«É uma hipótese demasiado absurda», afirmou ao PÚBLICO o presidente da AF Lisboa, Luís Duque, em resposta à eventualidade de se realizarem eleições para o Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), face ao pedido de demissão do líder dos árbitros, Laureano Gonçalves.

A AF Lisboa, segundo Luís Duque, «não foi consultada quando o presidente do CA formulou o seu pedido de renúncia». Um facto que para o dirigente máximo da associação lisboeta tem esta leitura: «Respeitamos a vontade de Laureano Gonçalves mas nada faremos para que ele mude de ideias. Se ele entender permanecer no cargo tem toda a legitimidade para o fazer.»

Os Atlanta Hawks venceram, no seu pavilhão, os New York Knicks, por 114-102, no jogo mais importante da jornada de sexta-feira da Liga Norte-Americana de Basquetebol Profissional (NBA) e já estão no comando da Conferência Leste.

Quanto aos Hawks, a vitória foi não só importante na luta pela melhor posição na Conferência Oriental, como impediu os tricampeões Chicago Bulls de os apanharem no topo da Divisão Central. Os Hawks têm 11 derrotas, menos uma que os Bulls, vitoriosos no recinto dos sempre difíceis Golden State Warriors, por 101-99. Scottie Pippen foi o mais activo dos visitantes, com 30 pontos, secundado por Horace Grant (24). Nos Warriors, quartos da Divisão Pacífico (19 derrotas), realce para Billy Owens (21 pontos) e Latrell Sprewell (18).

Sporting de Braga e Maratona da Maia, em femininos, e o Sporting, em masculinos, vão lutar hoje pela conquista dos títulos europeus de clubes de crosse. O favoritismo é português, continuando uma tradição das equipas nacionais na especialidade.

Colectivamente, Maratona Clube da Maia e Sporting Clube de Braga são à partida as equipas mais fortes e dispostas a lutar pelos primeiros lugares. Entre as duas, as maiatas apresentam-se num momento de forma muito elevado o que, acrescido à já sua elevada qualidade, as relança como favoritas incondicionais ao triunfo colectivo, interrompendo assim a sensacional sequência de sete triunfos conseguidos pelo Sporting de Braga.

Os portugueses Nuno Marques e Emanuel Couto qualificaram-se ontem para os quartos-de-final do Open Copidata em ténis, a terceira etapa do Circuito Satélite Água do Luso, competição ATP que distribui 25 mil dólares em prémios. Ontem, devido ao mau tempo, a prova teve de ser transferida do Cascais Country Club para os «courts» cobertos do Estádio Nacional, mas os organizadores esperam que as finais de hoje já se possam disputar no local inicial. O campeão nacional Emanuel Couto, segundo cabeça-de-série, eliminou o galês Sebastien Deshays por 7-5 e 6-2, enquanto Nuno Marques deixou para trás o britânico Miles MacLagan, por 6-4 e 6-4. Bernardo Mota, o outro português em prova, foi eliminado pelo esloveno Iztok Nozic, por 6-4 e 6-3. Foi a terceira vez que os dois tenistas se encontraram neste Circuito, e Bernardo Mota tinha vencido os outros dois. Devido ao atraso da prova, ontem disputou-se uma jornada dupla, que incluía ainda os quartos-de-final, cujos resultados não eram conhecidos à hora do fecho desta edição.

As companhias aéreas, a atravessar uma crise profunda, pressionam a Boeing para que esta reduza os preços dos aviões. A companhia, para já, racionaliza a produção e prevê diminuir os prazos de entrega. Para o próximo século, a Boeing está a estudar a introdução de um super-Jumbo e de um supersónico.

Um quarto da população russa recebe mensalmente um rendimento inferior ao «mínimo vital», estimado em 50 mil rublos (cerca de 5.700 escudos), enquanto o fosso entre rendimentos não pára de aumentar. Segundo um relatório do Ministério russo do Trabalho publicado ontem, 77 por cento da população russa não ultrapassa a barreira dos 100 mil rublos mensais, considerada a média dos rendimentos da Federação. Apesar dos três aumentos de salários em 1993, a última vez das quais quase duplicou (poucos dias antes das eleições legislativas em Dezembro), o Ministério considera que, aparentemente, este acréscimo beneficiou apenas as classes sociais mais ricas, com rendimentos 27 vezes superior aos dos mais desfavorecidos.

Cientistas americanos anunciaram que estão a desenvolver uma nova geração de computadores «bio-electrónicos», baseados na utilização de células cerebrais vivas, com a ideia de criarem uma máquina ultra-rápida e talvez tão inteligente como um ser humano. Esta é a conclusão de um relatório publicado na última edição da revista «Signal», a revista oficial da Associação Comunicação e Electrónica das Forças Armadas americanas.

Uma proteína recentemente descoberta poderá ajudar os médicos a prever se um cancro da mama, ainda numa fase precoce, vai continuar benigno ou tornar-se maligno. Os autores desta importante descoberta, publicada na revista «Science», esperam que essa proteína conduza a um tratamento capaz de impedir o crescimento do cancro da mama antes da sua disseminação pelo corpo.

Tendo em conta esta investigação, William Stetler-Stevenson, do Instituto Nacional do Cancro norte-americano, teceu o seguinte comentário: «Nos resultados preliminares parece haver uma clara distinção entre aquelas células capazes de produzir a maspin, sendo de natureza benigna, e aquelas que não produzem maspin, sendo de natureza maligna».

O incêndio que deflagrou na central nuclear de Dukovany (República Checa) não deu origem a qualquer fuga de radiactividade, segundo o primeiro-ministro checo Vaclav Klaus. O incêndio, extinto em 30 minutos, fora causado anteontem por uma falha num transformador do terceiro reactor da central. O transformador encontrava-se num espaço aberto, a 50 metros da sala do reactor. «Este incêndio não ameaçou a zona de segurança nuclear», disse Klaus, acrescentando que se insere no nível zero da escala internacional de acontecimentos nucleares (INES) -- que vai até ao nível sete.

A central de Dukovany situa-se a 40 quilómetros do norte da fronteira com a Áustria e possui quatro reactores de construção soviética VVER. O acidente, quer tenha ou não sido grave, reavivou a polémica entre a República Checa e a Áustria sobre a construção da central nuclear de Temelin, a 60 quilómetros da fronteira austríaca e cuja construção começou em 1986. Para Vaclav Klaus a decisão de a concluir é «definitiva», enquanto o chanceler austríaco Vranitzky reafirmou que o seu país vai impedir a sua edificação. A Áustria renunciou à produção de energia nuclear.

A sonda espacial Clementina já abandonou a sua órbita terrestre a caminho de uma outra órbita intermédia entre o nosso planeta e a Lua, revelaram os responsáveis por este programa que tem como principal objectivo a realização de uma cartografia lunar.

Um outro problema provocado pela descarga demasiado rápida das baterias da sonda automática Clementina já foi entretanto resolvido pela agência espacial americana NASA.

A teoria da deriva dos continentes é muito mais velha do que se pensa, escreve na última edição da revista «Nature» James Romm, do Bard College de Nova Iorque. Proposta pela primeira vez sob forma coerente por Alfred Wegener, em 1912, a teoria permite explicar porque razão a silhueta da América do Sul «encaixa» tão bem na da África. Mas Romm afirma que o primeiro a formular a ideia foi de facto Abraham Ortelius, um geógrafo que viveu em Antuérpia no século XVI. Ortelius terá tido a ideia de que os continentes derivavam à superfície da Terra em 1596, depois da leitura de textos escritos pelos antigos gregos. Ortelieus escreverá a seguir, diz Romm, que «Atlantis ou América [...] não se afundou; foi antes violentamente separada da Europa e da África por terramotos e inundações». Para Romm, este geógrafo teve o duplo mérito de ter «notado a complementaridade do Velho Mundo e do Novo Mundo» e de ter «tentado imaginar qual poderia ser o evento catastrófico responsável pela separação dos continentes». Mas ninguém tomou conhecimento das observações de Ortelius. Cento e cinquenta anos mais tarde, Theodor Christoph Lilienthal, teólogo do século XVIII, formularia o que costuma ser considerado como a primeira versão da teoria.

Os EUA e a Suécia, por exemplo, consideram que dentro das casas agora construídas os níveis de radão não devem ultrapassar os quatro picoCuries por litro de ar (pCi/l). Isto corresponde a três vezes o nível médio dentro das casas em geral. O Canadá, por seu lado, só considera os níveis de radão no interior das casas perigosos a partir de 20 pCi/l. Os picoCuries são uma medida da actividade dos materiais radioactivos.

A empresa Telesat Canada vai investir três milhões de dólares canadianos (390 mil contos) para tentar salvar o satélite de telecomunicações Anik E-2, cujo controlo foi perdido a 20 de Janeiro passado. «Nunca considerámos o Anik E-2 como lixo espacial», disse o presidente da Telesat, Larry Boisvert, durante uma conferência de imprensa para apresentar o plano de recuperação do satélite canadiano, curto-circuitado por uma tempestade electromagnética. Este mesmo fenómeno também descontrolou o seu irmão Anik E-1, mas apenas por sete horas. A perda de controlo dos satélites originou perturbações nas transmissões de várias rádios e cadeias de televisão do Canadá. Como o giroscópio do Anik E-2 já não funciona, a Telesat irá tentar reposicioná-lo correctamente através da utilização de pequenos propulsores, cujo consumo suplementar de combustível deverá reduzir a sua vida operacional em um a dois anos. «Vamos tentar pôr aquele sistema a funcionar para fazer com que o Anik E-2 volte a estar a trabalhar ainda este Verão». Lançado em 1991 por um foguetão Ariane, o Anik E-2 custou cerca de 300 milhões de dólares canadianos (39 milhões de contos).

Contrariamente ao que o nome parece indicar, uma supernova não é uma nova estrela mas sim uma estrela que morre. Quando uma estrela explode, o seu brilho chega a aumentar de um factor de 10 elevado à décima potência e pode demorar vários anos a desaparecer, o que as torna facilmente observáveis.

Durante este mês verificar-se-á o «ocaso helíaco» de Saturno, fenómeno que se traduz numa dificuldade crescente de avistar o planeta ao fim do dia. A designação referida resulta de, na Antiguidade, se admitir ser o Sol (hélio) a passear-se pela esfera celeste, de oeste para leste, ocultando (ocaso) assim, consecutivamente, todos os astros sobre os quais se projecta o seu caminho. Na verdade, tal observação era efectuada à noite, e desse modo os nossos antepassados percebiam que determinadas estrelas, ainda relativamente afastadas do horizonte em certa noite, surgiam sensivelmente mais baixas quatro ou cinco noites depois.

No entanto, o desenho da figura mostra, como já é habitual, o céu observável por volta das 22 horas, razão por que não estão representados os planetas referidos.

A Organização Europeia de Consumidores (BEUC) quer que as leis da concorrência funcionem no mercado automóvel comunitário. Só assim os cidadãos poderão optar por um veículo no país onde ele seja mais barato: é que as diferenças de preços, para um mesmo modelo, chegam a ser superiores a 50 por cento de um país comunitário para outro.

Esta posição foi tornada pública numa conferência de imprensa realizada no final do passado mês de Janeiro, em Bruxelas, para divulgar a opinião do BEUC sobre o futuro da distribuição automóvel na Europa. Jim Murray, director do BEUC, sustentou que «todas as restrições à concorrência devem limitar-se ao estritamente necessário, tanto no plano económico como jurídico, de modo a poderem ser retirados [pelo consumidor] os devidos benefícios».

Seis brinquedos de carnaval à venda no mercado são perigosos, denuncia a revista de consumidores «Proteste» na sua edição de Fevereiro. Na sequência de uma «pequena auscultação ao mercado», foram escolhidas seis amostras de outros tantos produtos: duas máscaras, dois postiços, um fato de fantasia e uma caneta.

Dos seis brinquedos analisados, dois (fato e máscara de pirata) não possuíam a marca CE, que é obrigatória e indispensável como certificado de conformidade com as normas europeias. Outros dois -- barbas e bigodes de carnaval -- apresentavam a marca CE, apesar da sua periculosidade.

Todos os dias tomo o pequeno-almoço numa pastelaria perto do meu emprego. Mudou recentemente de gerência e comecei a notar que os empregados têm as mãos sujas e pegam com elas nos alimentos, o que agrava fortemente o risco de infecções. É uma situação inadmissível mas não tem havido qualquer alteração. A lei permite este tipo de condutas? A quem recorrer para denunciar a situação?

Apesar de esta solução não parecer a forma mais eficaz para resolver um problema que, acima de tudo, é de formação e educação, quer dos profissionais quer dos próprios consumidores, sempre será de referir que o facto de os empregados do estabelecimento a que se refere terem as mãos sujas e com elas pegarem nos alimentos é uma clara violação das regras fixadas no regime legal acima referido.

Como sabemos, o português regista a ocorrência de uma série de verbos, a que os gramáticos chamam verbos abundantes, que apresentam duas formas para o particípio passado: entregado/entregue, empregado/empregue, levedado/lêvedo, escrevido/escrito... A gramática e, de certa maneira, o uso ensinam-nos quando empregar uma ou outra destas formas -- uma delas é mais genuinamente verbal e a outra mais próxima do adjectivo. Os leitores mais velhos lembram-se certamente dos tempos em que os nossos professores do Ensino Primário nos ensinavam ainda que o «modo» em questão se chamava particípio passado, particípio passivo ou adjectivo verbal. E nos ditavam, eles próprios, as regras para o emprego de uma e de outra forma -- a palavra mais longa quando o auxiliar era ter ou haver, a palavra mais curta em todos os outros casos (auxiliares ser e estar e restantes empregos da forma).

Claro que tudo isto nos ensina a gramática e, como dizia, nos mostra (ou devia mostrar) o uso. E aqui voltamos ao mais delicado dos problemas que se levantam quando se analisa uma língua viva, sobretudo se ela é a nossa: quem define o que é certo ou errado numa língua? quem dita a norma? ou, se quisermos pior ainda, a norma dita-se?

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) e a Rede Europeia de Acolhimento de Crianças promovem na próxima quarta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian (Auditório 3), uma conferência sobre «Acolhimento de crianças e qualidade dos serviços», realizada por Helen Penn. A conferencista é especialista do Departamento de Desenvolvimento Infantil do Instituto de Educação da Universidade de Londres.

Retrospectivamente podem-se identificar estes episódios marcantes do início da infecção em cerca de 30% dos casos. Nos outros 70% não existe, em regra, qualquer sintomatologia suficientemente importante para ser recordada. Por isso, habitualmente, é difícil saber determinar com alguma segurança o momento do contágio do VIH. Entre a entrada do vírus e as manifestações de infecção podem decorrer 2 a 6 semanas, ocasionalmente mais.

Comecei a trabalhar com descontos para a segurança social em 1971. Em 1974 e 1975 prestei serviço militar obrigatório. Este período decorreu quando estava a descontar para a segurança social. Em 1983 entrei para a administração pública, passando a descontar para a Caixa Geral de Aposentações (CGA). Disseram-me que, quando me aposentar, terei direito a uma pensão da CGA a que se acrescenta uma outra referente aos descontos para a segurança social. Quanto ao tempo de serviço militar, será contado como tempo efectivo prestado para a pensão da segurança social ou terei de efectuar descontos dos dois anos para a CGA?

Todavia, no início, em resultado do disposto no Decreto nº 45.266 de 23 de Setembro de 1963, para ser contado o período de serviço militar tornava-se necessário que, no decurso dos três meses anteriores ao da chamada às fileiras, tivesse havido, em nome do beneficiário, registo de contribuições. Estavam, assim, excluídos aqueles que nesse período não estivessem inscritos e contribuíssem para a segurança social.

Os preços de venda ao público da gasolina estão «tarifados», o que constitui uma violação da lei da concorrência, acusa a Associação Portuguesa de Direito do Consumo (APDC). Num comunicado sobre o assunto, aquela associação acusa as companhias petrolíferas de se «concertarem» quanto aos «preços dos combustíveis sujeitos às regras do mercado, ou seja, ao livre jogo da oferta e da procura».

Sustentando que a prática das companhias petrolíferas é «lesiva dos interesses económicos do consumidor», aquela associação decidiu expor o assunto junto da Secretaria de Estado do Comércio, esperando que «a Direcção-Geral de Concorrência e Preços aja de molde a repor a legalidade».

Os escadotes, utensílios que fazem parte do dia-a-dia de qualquer cidadão, não são lá muito seguros. De resto, a falta de instruções correctas de utilização -- e traduzidas -- ainda agrava mais o panorama do mercado português.

Os testes efectuados designaram como «Escolha Acertada», título atribuído aos modelos detentores da melhor relação qualidade/preço, os escadotes Krause 121 592 (4930$00-5990$00) e FRZ 5.115.00 (5950$00 - 6556$00).

Os preços dos medicamentos comparticipáveis vai baixar entre 2,85 e 8 por cento, anunciou o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), citado pela Lusa. Aquele organismo tutelado pelo ministério da Saúde revelou também que durante o corrente ano não haverá «actualização global dos preços dos medicamentos comparticipados, que era efectuada habitualmente em Abril, mantendo-se os preços congelados até 1 de Janeiro de 1995». Estas medidas são a consequência prática de um protocolo assinado em Novembro passado entre os ministérios da Saúde e do Comércio e Turismo e a Associação da Indústria Farmacêutica (Apifarma), nos termos do qual ficou acordada «uma baixa geral dos preços dos medicamentos em cerca de três por cento», segundo a nota de imprensa divulgada pelo Infarmed. Uma portaria conjunta dos ministérios das Finanças, Saúde e Comércio e Turismo, publicada no Diário da República, estabelece que os medicamentos comparticipáveis com preço superior a 600 escudos e inferior ou igual a sete mil escudos passam a custar menos 2,85 por cento. Todos os medicamentos comparticipáveis superiores a sete mil escudos e inferiores ou iguais a 15 mil escudos descem 3,5 por cento. Os que são vendidos ao público a mais de 15 mil escudos descem 8 por cento. Estas disposições entram em vigor 15 dias após a data da publicação.

Com efeito, desde 10 de Janeiro passado que a empresa pública RDP passou a ser uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, por força do Decreto-Lei nº 2/94. No preâmbulo é expressamente referida a necessidade de alterar o «modelo empresarial e de gestão» de forma a que aquela empresa possa «responder, com eficácia e eficiência, às exigências do mercado e à evolução tecnológica». Isto, acrescenta o legislador, «sem descurar as obrigações de serviço público que lhe são cometidas». Para que este último objectivo não se perca, o diploma que transforma a RDP, E. P. em RDP, S. A. prevê a atribuição a esta última de uma indemnização compensatória pelo cumprimento das obrigações resultantes do serviço público (artº 5º). Com a inclusão desta regra, é legítimo concluir que desapareceram, de vez, os pressupostos de cobrança da taxa de radiodifusão, enquanto receita da RDP (ver «Facturação por estimativa e taxa da RDP», PÚBLICO de 23.1.94).

As sondagens para a segunda volta das eleições presidências finlandesas, que se realiza hoje, colocam a par os dois candidatos, a ministra da Defesa Elisabeth Rehn e o diplomata Martti Ahtisaari.

Até aqui, a escolha do Presidente finlandês era feita por um colégio eleitoral, sendo estas as primeiras eleições realizadas através do sistema directo. Uma alteração na lei eleitoral que visa precisamente conceder ao Presidente um papel mais interveniente na política interna do país. Mas, tradicionalmente, é no campo da política externa que o chefe de Estado finlandês tem uma maior actuação.

O regime declarou-se disposto ao diálogo. Os fundamentalistas, prudentes, jogam também as suas cartas. No terreno, os grupos armados continuam a sua «segunda guerra de libertação» e mataram esta semana, pela primeira vez, um jornalista estrangeiro. De uma forma ou de outra, os argelinos tentam deixar para trás um passado ainda demasiado presente.

A Argélia está numa encruzilhada e seja qual for o caminho que escolher, ele será, necessariamente, o resultado de um difícil equilíbrio entre militares, fundamentalistas, o passado e o futuro.

Os costa-riquenhos vão hoje às urnas para escolher o sucessor de Rafael Angel Calderón na Presidência da República. O cargo poderá continuar nas mãos dos conservadores, apesar de as sondagens reconhecerem uma pequena vantagem ao candidato social-democrata.

A possibilidade de os conservadores continuarem no poder, de que aliás só andaram arredados, nas últimas décadas, entre os anos 1982 e 1986, período em que a Costa Rica foi governada por Óscar Árias, assenta nos resultados económicos com que Rafael Angel Calderón deixa o poder: café mais barato, mais turismo, menos défice comercial, menos inflação, mais popularidade, portanto.

Uma importante testemunha do processo contra os nove fundamentalistas islâmicos presumíveis autores do atentado contra o primeiro-ministro egípcio, Atef Sedki, foi assassinado sexta-feira à noite no Cairo, poucas horas antes do recomeço do processo. Sayed Ahmed Yehia, deveria depor na audiência de hoje e era considerado uma testemunha importante para a acusação porque poderia identificar os atacantes aos quais terá vendido a viatura posteriormente armadilhada.

O fax enviado às agências noticiosas internacionais, na quarta-feira, não explicitou os potenciais alvos, mas os residentes e instituições estrangeiros no Egipto estão a levar a sério o aviso. A segurança que já era rigorosa aumentou.

Entre nove e 20 pessoas morreram num ataque de militares haitianos a uma casa onde estavam reunidos activistas pró-democracia -- indicaram ontem fontes adversárias do regime militar, em Port-au-Prince, citadas pela agência Reuter. Um conhecido dos que se encontravam na casa disse a um jornalista haitiano que cerca de 50 polícias e soldados, que se fizeram transportar em quatro carrinhas, desencadearam o ataque, com armas de fogo e granadas, na madrugada de quarta para quinta-feira. Um comunicado do Exército desmente esta versão e diz que as pessoas que se encontravam na casa morreram quando os explosivos que manuseavam explodiram acidentalmente. Residentes nas proximidades dizem que os participantes na reunião atacada pelos militares eram membros de uma organização popular apoiante do Presidente Jean-Bertrand Aristide, deposto em 1991 pelos militares e exilado.

O Presidente norte-americano, Bill Clinton, pretende economizar quatro mil milhões de dólares no próximo orçamento do Departamento da Defesa, o Pentágono, suprimindo 181 mil postos de trabalho, civis e militares -- revelam documentos orçamentais ontem dados a conhecer pela imprensa. As propostas definitivas sobre o Orçamento para o ano fiscal de 1995 (com início a 1 de Outubro próximo) devem chegar ao Congresso na próxima semana. O novo chefe do Pentágono, William Perry, viajou entretanto para a Europa logo depois de tomar posse, para participar hoje, em Munique, numa conferência sobre segurança. Aí defenderá que a NATO deve acelerar os laços de cooperação com países leste europeus que aderirem à Parceria para a Paz, conduzindo inclusive manobras militares conjuntas já este ano.

As sondagens para a segunda volta das eleições presidenciais finlandesas, que se realiza hoje, colocam a par os dois candidatos, a ministra da Defesa Elisabeth Rehn e o diplomata Martti Ahtisaari.

Até aqui, a escolha do Presidente finlandês era feita por um colégio eleitoral, sendo estas as primeiras eleições realizadas através do sistema directo. Uma alteração na lei eleitoral que visa precisamente conceder ao Presidente um papel mais interveniente na política interna do país. Mas, tradicionalmente, é no campo da política externa que o chefe de Estado finlandês tem uma maior actuação.

JOÃO da Costa, candidato às eleições presidenciais guineenses, vai pedir uma indemnização ao Estado por danos morais e psicológicos e exigir a condenação da comissão de inquérito e das pessoas que «forjaram o chamado `caso 17 de Março'» e o privaram da liberdade durante dois meses, tornando-o réu num processo em que sempre disse estar inocente e em que, na sexta-feira, acabou por ser ilibado.

Na sua opinião, é urgente uma dinâmica unitária da oposição, cujos partidos se devem aliar a qualquer preço, para viabilizar a mudança aquando das eleições presidenciais e legislativas que, em princípio, deverão decorrer dentro dos próximos três meses, mas cujos preparativos ainda estão atrasados.

O moral não esteve muito elevado entre os participantes do Congresso da Frente Nacional, sobretudo depois da divulgação de uma sondagem que mostra a quebra de popularidade da extrema-direita francesa. Le Pen decidiu só aparecer hoje para o encerramento e o ataque final ao primeiro-ministro Balladur.

Não foi só a ausência de Le Pen que privou os militantes da "França francesa" do habitual espírito de festa revanchista dos conclaves lepenistas. O IXº Congresso não previa qualquer mudança programática - "as nossas ideias estão em pilotagem automática", confirmou Mégret - e a reeleição de Le Pen para a presidência do partido xenófobo que fundou em 1972 não sofria qualquer contestação. E apesar do conclave ter sido convocado para lançar um espírito de "Mudança", a única alteração concreta é meramente simbólica: o emblema da chama fascista tricolor é agora suplantado por uma seta ascendente para a direita, que começa em tons de cinzento para acabar num explosão de azul, branco e vermelho, as cores da bandeira francesa.

Duas demissões sucessivas no Governo de Varsóvia mostram a instabilidade da coligação. É provável que os ex-comunistas e os camponeses consigam, por esta vez, resolver as suas divergências sem que o seu pacto de governo seja quebrado. Mas, mais tarde ou mais cedo, a ruptura parece inevitável.

Borowski, o mais reputado economista da esquerda, pertence à corrente liberal do seu partido social-democrata, tal como o líder da formação e vencedor das eleições de Setembro, Aleksander Kwasniewski. Pelo contrário, o chefe do executivo, Waldemar Pawlak, pertence à ala tradicional dos camponeses, cuja ideologia está mais relacionada com o passado comunista.

Sarajevo está muito distante de qualquer coisa que ultrapasse o filtro da percepção jornalística. Embora a pornografia mostrada na televisão não retrate a realidade da vida na cidade, não deixa de impressionar localmente. É impossível afastarmo-nos disso aqui, onde as imagens «hard core» de gente a morrer são, na melhor das hipóteses, como qualquer outra imagem, uma questão de verdade ou de falsificação.

Sarajevo veio também até Zagreb, em frente ao quartel-general da Unprofor, que emite credenciais para os que querem viajar para a Bósnia. O edifício está rodeado, por todos os lados, por um muro de tijolo com um quilómetro no total. Em cada tijolo, encontra-se, escrito a tinta branca, o nome de um croata morto na guerra: Markos, Laten e Tonen são nomes comuns. Em muitos locais, o muro dá pela cintura e, noutros, pelo peito. O topo está cheio de velas, de ramos de flores e de pequenas coroas. Este memorial está menos cuidado que o monumento de mármore preto, em Washington, que, num gesto grandioso, perpetua os nomes daqueles que morreram na guerra do Vietname. Aqui, a chuva fez já desaparecer os nomes nos tijolos e o muro vai-se deteriorando, ficando mais tétrico a cada minuto. Uma tabuleta na parede do complexo da Unprofor agradece aos países que reconheceram a Croácia e pede-lhes mais apoio, para que todos os desalojados possam voltar à sua terra natal. Lugares de horror para os croatas: Vukovar, Borovo Selo, Baranja e Kostanjica são nomes que sobressaem, em grandes letras, nos tijolos.

Corpos de homens, mulheres e crianças, membros separados, poças de sangue, os gritos dos feridos e o choro convulsivo dos sobreviventes. As buzinadelas dos carros, evacuando as vítimas, as correrias quase sem destino, o silêncio brutal. O balanço -- pelo menos 58 mortos, mais de 140 feridos, alguns em estado desesperado. A população de Sarajevo tinha sido mais uma vez sacrificada no altar da indiferença. Estados Unidos e Europa, para além das «emotivas» reacções de circunstância, mostraram-se de novo pouco dispostos a intervir. Já pouco ou nada faz sentido neste conflito da Bósnia -- se é que alguma vez fez.

O Presidente bósnio, Alija Izetbegovic, convocou uma reunião de emergência do seu governo, mas disse aos jornalistas que as conversações de paz entre muçulmanos, croatas e sérvios devem, apesar de tudo, prosseguir.

O CONSELHO de Segurança das Nações Unidas diminuiu, este fim-de-semana, a quantidade de capacetes azuis na Somália e o seu mandato, que não deverá englobar acções ofensivas. Numa resolução aprovada por unanimidade, o Conselho reduziu o número de tropas estrangeiras a um máximo de 22 mil e o secretário-geral Butros-Ghali disse esperar que não sejam mais de 16 mil.

O embaixador da República Checa, Karel Kovanda, afirmou ser uma ilusão pensar que as diversas facções somalis se irão desarmar voluntariamente, mas também admitiu que não há outra solução, uma vez que acções duras por parte da ONU poderiam originar um desastre.

Enquanto na Argélia e no Egipto governos relativamente moderados são contestados por fundamentalistas islâmicos, no Sudão é um regime de carácter fundamentalista que se lança encarniçadamente contra os cristãos e os animistas, sendo agora até acusado de terrorismo contra outros muçulmanos.

Depois de muitas tentativas falhadas de entendimento que se fizeram desde o início de 1986 entre Cartum e o Exército de Libertação Popular do Sudão (SPLA), comandado pelo coronel John Garang, figura de algum modo comparável à de Jonas Savimbi, o regime atirou-se uma vez mais com toda a força contra as terras do Sul, de onde 100.000 pessoas abandonaram os seus lares e procuraram refúgio noutras paragens.

A maioria dos 523 concorrentes que responderam ao caso proposto por Kid Canalha -- número que constitui um recorde de participação dos nossos leitores num único problema -- não teve grandes dificuldades para decifrar o enigma.

Começamos por lembrar aos concorrentes que qualquer reclamação sobre a pontuação atribuída apenas será aceite até à próxima sexta-feira, e que para efeitos dos troféus Policiarista do Ano-94 e Ranking PÚBLICO-Policiário-94, a pontuação conta em dobro. Eis a lista completa com as classificações:

Henrique Leal, deputado municipal do Entrocamento eleito pela CDU como independente, renunciou quinta-feira ao cargo, invocando «tomadas de posição no seio» da coligação que traduzem «falta de confiança» no seu desempenho como porta-voz do grupo de eleitos integrava.

Henrique Leal renuncia pela segunda vez a um cargo público como eleito pela CDU. Há dois anos deixou o lugar de vereador que ocupava na Câmara Municipal.

O Alhandra Sporting Clube aguarda, há cerca de ano e meio, que o secretário de Estado do Mar desbloqueie uma autorização de desafectação do domínio público marítimo de uma parcela de terreno que lhe permitirá construir um pavilhão gimno-desportivo e piscinas.

Esta parcela de terreno deverá ser vendida pela APL à câmara por 30 mil contos. Uma vez na posse do terreno, a autarquia permutá-lo-ia por outra parcela actualmente pertencente à Cimianto. Este último espaço seria cedido gratuitamente ao clube. J.T.

No jardim de Santo Amaro de Oeiras, das 9h00 às 20h00, tem a feira de velharias que ali decorre no primeiro domingo de cada mês. Roupas e bordados, livros, discos e louças, a escolher.

A Casa do Minho promove o 31º Almoço Bracarense, confeccionado pela Confeitaria Lusitana da Cidade dos Arcebispos. Os comensais poderão apreciar e matar saudades, entre outras especialidades, de presunto das terras de Bouro com broa, de «bacalhau à Narcisa» e do inevitável sarrabulho. O precioso telefone para marcar o repasto é o 3469813.

A ideia de que o poder local é um poder autónomo em Portugal é uma farsa. Entre o estabelecido na Constituição da República e em vários dispositivos legais e a aplicação prática vai um longo caminho de desilusão. Não há descentralização efectiva sem capacidade de financiamento e autonomia financeira. E estas, simplesmente, não existem nos municípios portugueses.

Quanto ao aumento das receitas próprias, o cenário só se poderia alterar «com a difícil introdução de novos impostos de incidência local e com inéditos ritmos de desenvolvimento local». É que «a administração financeira central domina em toda a parte», o que não facilita a tarefa. Além de que contribuiria para agravar as assimetrias regionais -- os concelhos pobres vão lançar impostos sobre quê?

A culpa é das eleições. Elas justificam todos os excessos. O do elevado caudal de obras. Ou o dos novos presidentes, lestos em denunciar dívidas dos antecessores. Um pouco por todo o país, em muitos dos municípios que mudaram de cor partidária repetiu-se o mesmo gesto: anunciaram os buracos financeiros que encontraram. Não há razões para alarmes, sossegam o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses. Existem apenas meia dúzia de casos mais graves. De resto, nada que não se esperasse.

Por outro lado, há as chamadas obras eleitoralistas. Pereira Reis, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, considera que «este quadro -- que não é alarmante a nível nacional, já que não se trata de uma falência generalizada -- sucede em cada quatro anos». Houve Câmaras «que nos últimos anos aqueceram bastante os motores, adjudicando com alguma imprudência muitas obras. Além disso, «admitiram muito pessoal antes das eleições»ƒ

«Gestão desastrosa e irresponsável, que esbanjou dinheiros públicos», assim classifica o recém-eleito presidente da edilidade cabeceirense, Joaquim Barreto, do Partido Socialista, os mandatos precedentes. A sua preocupação é agora, confessa ao PÚBLICO, conhecer a situação real da autarquia, facto que levou a actual vereação a aprovar a realização de uma auditoria à gestão do município entre Janeiro de 1980 e a actualidade. O trabalho será executado por «uma empresa especializada», com o intuito de lhe conferir «o máximo de isenção», e dos seus resultados será dado conhecimento aos organismos estatais competentes.

O executivo vai apresentar, este mês, um orçamento e um plano de actividades para o ano em curso, documentos que deverão ser objecto de alteração no mês de Julho, altura em que haverá um conhecimento mais cabal da situação do município. Em termos de investimento, serão privilegiados os sectores de pavimentações, saneamento básico e abastecimento de água, os quais deverão representar oitenta por cento do orçamento.

A Câmara Municipal de Pombal voltou a rejeitar o pedido do seu anterior presidente, Armindo Carolino, para suspender o mandato de vereador por 365 dias e considerou injustificadas as faltas que o autarca tem dado desde que se iniciou o actual mandato.

A descoordenação não passou despercebida aos presentes na sessão e pode ser atribuída «à inexperiência autárquica» existente entre os sociais-democratas eleitos nas últimas eleições. J.M.C.

O vereador da Câmara de Cascais Carlos Sota, considerou ontem que, perante a falta de resposta dos socialistas locais a uma proposta da coligação,«o PS não tem vontade política para atribuir pelouros à CDU e todo o discurso do presidente José Luís Judas assentou na demagogia». Isto porque, apesar da maioria absoluta, o ex-sindicalista e antigo dirigente comunista deixou uma porta aberta para o entendimento com a CDU no discurso de posse.

É a segunda vez que uma organização deste género é julgada em Portugal, depois de um processo desenrolado em Loures que envolveu a chamada Cobrax e está em fase de apreciação do recurso interposto para o Supremo Tribunal de Justiça. Alguns dos indiciados neste caso são também réus no novo julgamento, que no início contava com 16 arguidos -- um deles faleceu, recentemente, na prisão em que estava detido.

A última fragata da Marinha de Guerra Portuguesa que fez a carreira da Índia, entre o final do século passado e a anexação de Goa pela União Indiana em Dezembro de1961, vai ser mostrada ao público na Expo '98, depois de três décadas esquecida nos lodos do Tejo, onde se afundou em 1963.

O responsável pela comissão executiva da recuperação da fragata, o director do Museu da Marinha, Martins e Silva, confia no êxito do projecto e garante que «o Estado e o mecenato vão assumir os custos, em partes iguais». A «boa aceitação de algumas grandes empresas» contribuem para o optimismo do capitão-de-mar-e-guerra Martins e Silva que, só da companhia nacional de correios e telecomunicações, tem garantida uma comparticipação de cem mil contos.

A Comissão Política Distrital do PSD/Porto devolveu ontem ao presidente da Câmara do Porto as acusações de «falta de ética política» no relacionamento com a autarquia, que Fernando Gomes lançou sobre o ministro da Administração e do Planeamento do Território, para exigir a demissão de Valente de Oliveira. Para aos sociais-democratas «Fernando Gomes mentiu» e as posições que assumiu «visam apenas uma artificial afirmação nacional que o possa projectar para outras posições», o que revela «uma postura politiqueira, eticamente reprovável e imperdoável num autarca tão largamente sufragado há escassas semanas».

Para os sociais-democratas, só uma deliberada intenção de Gomes «esconder, retroactivamente, a incompetência de muitos dos seus vereadores e iludir a incapacidade de concretizar a maioria dos sonhos prometidos» poderá explicar a atitude do presidente da Câmara do Porto. Isto porque, argumentam, Gomes «sabe que tem um PDM conflitual por sua inteira e exclusiva responsabilidade» e não poderá cumprir compromissos que assumiu «sem previamente rever o PDM, ou fazer aprovar planos de pormenor que possam alterar partes importantes do Plano». Mas, argumenta o PSD, «o orgulho e a teimosia impede-o de reconhecer e remediar os erros cometidos», e, por isso, «ilude a verdade com prejuízo dos cidadãos, que acabam por ser vítimas duma prepotência sem sentido». Enfim «uma cortina de fumo»que Gomes terá montado, para desviar também as atenções «dos resultados - que teme - de outros inquéritos, como o que foi enviado pelo Tribunal de Contas para a Procuradoria Geral da República».

A comunidade europeia atribuiu ao Algarve o direito de criar uma imagem de marca para os citrinos. A decisão foi tomada esta semana em Bruxelas e anunciada, anteontem, em Faro, pela confederação dos empresários do Algarve(CEAL).

O Algarve tem uma média anual de produção de citrinos superior a 150 mil toneladas. O mercado nacional consome cerca de 90 por cento da fruta fresca, mas há muita que não chega ao mercado por falta de calibragem. Quando à industrialização, continua a não existir na região resposta para a fruta excedentária, não normalizada. Uma fábrica de sumos de Silves, completamente equipada, abriu falência o ano passado, sem que tivesse inicado a produção. I. R.

Críticas ao diploma que estabelece o subsídio de arrendamento para jovens e a ligação entre falta de habitação e o insucesso escolar, a droga, a marginalidade e o aumento da idade em que se constitui família foram alguns dos aspectos focados num debate realizado ontem na Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa.

Por isso, o Teatro Malaposta apresenta hoje e até ao dia 13, no Teatro D. João V, na Damaia, «A Escola de Mulheres», comédia famosa de Molière. A comarca da Amadora tem, assim, oito dias para ver um grupo de actores que já conhece de outros grandes espectáculos, como, por exemplo, «Sonho de Uma Noite de Verão», «Os Cavaleiros da Távola Redonda» ou «Descendentes de Kennedy», para só falarmos de produções que foram outros tantos marcos na história da companhia e do teatro português.

A pequena subida de temperatura e a interrupção da queda de neve registadas ontem permitiram que, ao fim da tarde, a circulação rodoviária voltasse a ser possível em todas as estradas do país, mesmo na zona da Serra da Estrela, onde as temperaturas rondavam os zero graus.

Não há, porém, garantias de que o mau tempo esteja de abalada. Fora das estradas a neve abunda e as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica indicam que ela deve continuar a cair nos próximos dias, com predominância nas terras altas, e que o tempo se manterá fresco e com aguaceiros, apesar de estarem prometidas algumas abertas. Hoje o céu deve apresentar-se nublado, com vento fraco a moderado, períodos de chuva ou aguaceiros e uma ligeira subida de temperatura.

José Raul dos Santos, em Ourique, é quem mais ordena: manda na câmara, nos bombeiros, na misericórdia, no centro de emprego e formação profissional, e ainda lhe resta tempo para dirigir o PSD. Ameaçou entregar as chaves da autarquia ao Governo, mas o assunto não era para levar a sério: queria apenas um milhão de contos.

Em relação às dívidas, afirmou ter recebido a promessa de que o concelho seria tratado como «um caso especial», porque não tem receitas próprias. Na sua deslocação a Lisboa, fez questão de sublinhar que foi acompanhado do deputado Branco Malveira, presidente da distrital do PSD de Beja.

Fundão e Sousel são dois dos 15 municípios do continente, entre 275, onde o longo e complexo processo de elaboração do respectivo Plano Director Municipal (PDM) ainda se encontra na sua fase inicial. O caso não teria nada de especial, não fora a coincidência de se tratar de concelhos a que estão ligadas figuras públicas que tiveram responsabilidades no ordenamento do território e na coordenação de autarquias.

No outro estão as autarquias que já têm PDM ratificados. Um documento da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território sobre «o ponto da situação» indica que são actualmente 42, o que representa 15,3 por cento do total. Os de Coimbra, Alpiarça, Alcácer do Sal, Lousada e Vila Velha de Ródão estão já em condições de ser aprovados pelo Conselho de Ministros e devem sê-lo brevemente.

Na ilha de Santa Catarina, no Brasil, faz-se renda de bilros com o mesmo desenho e ponto da que se faz em Peniche, mantendo-se inalterável há 250 anos, segundo revelou a conservadora do Museu de Peniche, Maria Luísa Blot. E, curiosamente, agora é Portugal que pretende importar ideias do Brasil, estando a ser estudada a possibilidade de a Escola local de Renda de Bilros começar a executar roupa interior feminina, à semelhança do que já acontece em Santa Catarina.

O hotel Quarteira-Sol encerrou há três meses, alegadamente para obras de melhoramento que não chegaram a começar. Os empregados, mesmo sem receberem salário desde essa altura, continuam a ir ao serviço. Os 60 trabalhadores efectivos pretendem, assim, segurar o seu posto de trabalho. O futuro da unidade hoteleira depende da decisão do Tribunal de Loulé, onde deu entrada o processo de recuperação de empresa.

O rio Salir, até ao momento a desaguar na baía de S. Martinho do Porto, poderá mudar de trajecto caso se concretize um projecto que prevê a construção de uma conduta subterrânea para a despoluição da praia desta vila, de acordo com o mensário local «Correio do Litoral», na sua edição de ontem. Esta solução encontra-se ainda em fase de estudo e a sua viabilidade está neste momento a ser analisada por uma firma especializada.

A poluição da baía de S. Martinho é um tema que é sazonalmente levantado. Em épocas de muita chuva, os autarcas queixam-se dos donos das pecuárias, que aproveitam a enchente do rio para escoar toda a porcaria, e com a seca é o problema dos maus cheiros que afectam toda a zona. A.L.

O Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores acusou a administração do Hospital de Santa Maria, de Lisboa, de ter despedido um trabalhador portador do vírus da sida -- noticiou a agência Lusa. Em reacção a essa notícia, o ministro da Saúde, Paulo Mendo, considerou tal procedimento «inadmissível» e manifestou-se certo de que «não se trata de uma expulsão».

A justificação dada pela médica -- em que se referia que o trabalhador é seropositivo e sofre «crises de neurose ansiosa e depressiva que o impossibilita de trabalhar nessas alturas» -- foi recusada pela chefe de serviço, que remeteu o funcionário para o serviço de pessoal, «por alegado abandono de funções».

Obras de remodelação e pintura de salas poderão estar na génese da reorganização da estrutura do Centro Cultural Emmerico Nunes, de Sines, desencadeada pelo coordenador e presidente da direcção da cooperativa cultural do mesmo nome, Alberto Pidwell, o conhecido poeta Al Berto.

A cooperativa do Centro Cultural Emmerico Nunes, com cerca de três dezenas de sócios, maioritariamente individuais, tem como presidente da assembleia geral a Câmara Municipal de Sines, representada pela vereadora da Cultura, Carmem Amador, e depende financeiramente do apoio da autarquia.

Quando chegavam ao fim cinco anos de burocracia para construir à sua volta um muro de protecção, os últimos temporais derrubaram um sobreiro centenário em Alvoco das Várzeas, Oliveira do Hospital. Agora, vai ser plantada outra árvore, em memória do velho sobreiro considerado -- tardiamente -- de interesse público.

A RTP, conforme o PÚBLICO apurou, pode escolher entre telenovelas «mais fortes», que tem em carteira, para responder a Mulheres de Areia da SIC, transmitindo-as sozinhas ou com Mandala. Na sexta-feira, ao fim do dia, ainda não havia uma decisão sobre o caso. Apenas se sabia que a telenovela estreada pela RTP há duas semanas iria ocupar o lugar de Despedida de Solteiro, aos fins-de-semana. No entanto, as alterações à programação da próxima segunda-feira não incluem Mandala. Em seu lugar surge uma simples palavra: «Novela».

A atenção dos meios de comunicação italianos tem sido focada, nas últimas semanas, no novo fenómeno político que é o aparecimento do partido Forza Italia de Silvio Berlusconi. Partido esse que aproveita muito bem a imagem vencedora do Milan (...), do próprio Silvio Berlusconi (que é presidente do clube), e também por chamar às secções locais do partido clubes. O Forza Italia, com uma campanha televisiva bem organizada, ultrapassa já os 200 mil militantes.

Uma força política como a Forza Italia pode pôr em causa em certa medida o jogo democrático pelo seu acesso privilegiado aos «media». É necessário não só em Itália, mas também em Portugal, estabelecer regras precisas para evitar eventuais abusos. Isto sobretudo agora, que os «media» estão cada vez mais por todo o lado.

Prolifera pelos placards publicitários da cidade de Lisboa um novo cartaz de luta contra a sida. Trata-se duma iniciativa da Comissão Nacional de Luta contra a Sida que mais parece saída de uma qualquer associação ligada às mais conservadoras alas da Igreja Católica.

Os princípios elementares da publicidade eficaz parecem estar aqui cumpridos; a mensagem é rápida e claramente absorvida. Além disso, o slogan assenta num jogo de palavras, outra boa aposta da publicidade. No entanto, todo o cartaz é eticamente discutível.

Como o PÚBLICO tem mostrado grande preocupação pela questão das alianças da CDU com outros partidos (...), gostaria de trazer ao vosso conhecimento o que se passou na minha freguesia -- a de Palhais, no concelho do Barreiro.

A desgraça que consistia no facto de a presidência ter de ser da CDU seria contornada, pois a presidente, eleita como independente nas listas da CDU, ficaria em minoria e seria «abafada». Só que, a nível local, as coisas nem sempre funcionam como as direcções partidárias (e o PÚBLICO?) pretendem.

Após a monumental edição de Barcelos do dr. Damião Peres, que contém, em aparatosa encadernação, uma história ainda impermeável à importação de M. Bloch, L. Febvre ou F. Braudel, após uma tentativa ainda muito conservadora de História de Portugal, paulatinamente cometida pelo dr. Veríssimo Serrão e apresentada em blocos volumosos com simples cartonagem, surgem agora duas novas e imponentes sucessoras destas obras de ciência histórica que se propõem, com fôlego e papel dilatados, contar a História de Portugal à geração de 90 e a outras gerações futuras e curiosas.(...)

Será que nesta questão prolífica e prolixa da História de Portugal se estão a definir rivalidades? É que, de um lado, a Nova e os historiadores da FLUC, ao lado dos professores de História; do outro, a Clássica, o Porto, o Instituto de Clássicos da FLUC e uma mera dissidente da Nova, além de dois políticos e dois estrangeiros.

Só hoje é que tive oportunidade de ler o artigo de opinião que J. E. Carmona e Silva, («Tribunais: dependência ou independência?» no PÚBLICO de 31 do passado mês de Janeiro), advogado e com formação jurídica complexa -- logo incompatível com «simplismos» e com «enunciados dogmáticos» --, escreveu e escreveu. Porém, não chegou a «demonstrar» o que quer que fosse...

Daqui se infere, em contrário ao que afirma Carmona e Silva, que a magistratura não detém assim «tanto» poder soberano, pois que, indirectamente, está submetida à vontade dos cidadãos, exercida democraticamente.

Assinada por Jaime Rodrigues, de Óbidos, foi publicada uma carta neste espaço, no dia 23 de Janeiro, em resposta a outra por mim enviada, cuja publicação se verificou em 16 do mesmo mês. Diz o citado J. R. que Fernando Sylvan foi o coveiro da Sociedade da Língua Portuguesa (SLP). Nem eu e, certamente, nem os leitores teremos compreendido tal, na medida que a SLP nunca morreu. Aliás, mau grado as desditas que sofreu, continua activa, com vitalidade e recomenda-se.

Parece-nos que não está provado que a comunicação social influencie de forma decisiva, inequívoca e generalizada comportamentos sociais e individuais. É certo que no caso da "cultura da violência", nomeadamente nos EUA, se pode considerar existirem, pelo menos, fortes indícios de que a banalização de imagens, reais e ficcionadas, de violência nos «mass media», tem contribuído para uma realidade social mais violenta. A sociedade tem, naturalmente, razões para se interrogar sobre esta interacção.

Estas semanas são decisivas no processo de alargamento da União Europeia. Os candidatos a membros negoceiam em duas frentes distintas e as discussões desenrolam-se em volta de assuntos diferentes. Em Bruxelas e em várias capitais dos países da União Europeia, as questões são de natureza económica, desde a agricultura aos transportes. Essas são as questões centrais nos países candidatos. Mas outras há, menos tangíveis, que desempenham um papel importante.

Os suecos prosseguem uma política de neutralidade desde as guerras napoleónicas. Ela tem tido muito êxito e salvou a Suécia, à semelhança da Suíça, das duas guerras mundiais. Apesar de os três vizinhos próximos da Suécia se terem envolvido na II Grande Guerra, a Suécia foi poupada. Este facto contribui muito para o prestígio de uma política externa tão bem sucedida.

1. No que diz respeito à Alemanha, escrevia Karl Marx em meados do século passado, a crítica da religião, quanto ao essencial, está terminada.

2. A opinião pública da modernidade esforçou-se por fazer crer que a religião é uma necessidade secundária e que, a prazo, desaparecerá. Durante algum tempo viveu-se no Ocidente um certo clima intelectual de intimidação e de repressão ideológica contra a religião. Procurava-se de forma militante fazer crer que tudo nela era irracionalismo, obscurantismo, alienação, ópio do povo.

Na vertente de Estado democrático de direito, a nossa Constituição, inclui nos seus princípios fundamentais o princípio da independência dos tribunais. A consagração constitucional deste princípio decorre (...) igualmente da Constituição material, bem patente no limite material ao exercício do poder de revisão constitucional.

A legitimidade do poder judicial e, concretamente, dos juízes não assenta no sufrágio popular e ainda bem que assim é. O sufrágio popular não é a única fonte de legitimação democrática (...). No nosso sistema (...), a legitimidade do poder judicial decorre directamente da vinculação à lei, (...) que é feita pelos órgãos de soberania legitimados pelo processo eleitoral.

O partido que detém a maioria absoluta dos deputados à Assembleia da República tem vindo, com voz crescentemente alta, a questionar a legitimidade democrática dos juízes, a propósito de decisões judiciais que o poder executivo recebe com desagrado e pelas quais os meios de comunicação social mostram forte apetência dado o seu impacte na opinião pública.

Assim os Tribunais exercem o poder soberano de julgar os conflitos de interesses públicos e privados, prevalecendo as suas decisões sobre quaisquer outras (art.208).

A democracia paritária é uma proposta deste tempo que não se insere de forma linear na única lógica da igualdade entre homens e mulheres. A cidadania das mulheres, que implica a sua representação paritária, não é uma concessão generosa, nem um processo de mera equivalência numérica. É em outro registo que a questão se situa. E esse registo é historicamente inédito (e, como o disse esta manhã uma jovem deputada, ele é potencialmente subversivo).

À guerra fria e à esperança idealista de um mundo multipolar, sucedeu-se um mundo unipolar em que reina a uniformidade global do mesmo, polvilhada de inumeráveis conflitos locais caracterizados pelas mais violentas oposições.

Uma série de acontecimentos vieram recentemente à tona, os quais, embora aparentemente sem relação entre si, dizem muito sobre o actual estado da desigualdade sexual. Primeiro foi a senhora Bobitt que cortou o pénis do senhor Bobitt; depois, o julgamento dos assaltantes de mulheres prostitutas em Coimbra, de seguida, o começo de uma discussão sobre o regresso dos bordéis, por fim, o Parlamento Paritário.

Aqui na pátria, uma série de rapazes de Coimbra (o que, pelos vistos, nem sempre quer dizer que venham a ser políticos) exerceram formas de violência que por certo o senhor Bobitt não enjeitaria. Não quero dizer que o «marine» tenha merecido o que sofreu, ou que a sua esposa esteja inocente. Não. Ela devia ser presa, porque não se corta nada a ninguém. Mas ele devia ter sido preso antes, se ela tivesse apresentado queixa. Só que todos sabemos que há causas perdidas à partida e que as coisas são o que são: assunção constante de que há uma inocência juvenil e porreiraça nas violências que os homens exercem e que «as mulheres estão sempre a queixar-se».

‚ Encontro Regional de Autarcas do PS-Madeira lança críticas a Alberto João Jardim e ao PSD, denunciando a «promiscuidade» entre as câmaras sociais-democratas madeirenses e o Governo Regional

‚ O nacionalista pró-russo Iuri Mechkov vence a segunda volta das eleições presidenciais na Crimeia, com 79,92 por cento dos votos

A Presidência Aberta que o senhor Presidente da República pretende levar a cabo no próximo mês de Abril, sobre o Ambiente, sugere-me, entre outras, as considerações seguintes:

3 -- Uma política verdadeiramente ecológica (ou do ambiente, como se queira) deverá basear-se na compreensão dos fenómenos que passam ao nosso lado, no civismo, no consenso e no saber. Saber adquirido logo de início, a partir da família e da primeira escola, e continuado pelos meios de comunicação social segundo uma perspectiva global de respeito, compreensão, solidariedade e amor, não só pelo próximo, mas também pela nossa hospedeira Terra ou Gaia que Vieira Natividade queria, com razão, que se chamasse Flora. Infelizmente, no comportamento do homem existe sempre o objectivo ganancioso de ter mais e mais lucro, fabricando objectos que todos nós, como crianças mimadas, gostamos de possuir por algum tempo, embora, cansados, acabemos por os depositar nas enormes lixeiras que dentro de pouco tempo envolverão, até quase submergir, a cidade moderna. Esta, do tipo industrial, cresce recebendo, como elemento mais típico e ditador, o automóvel. Este, hoje banalizado, competindo agressivamente com o homem na ocupação do espaço, é o maior consumidor de energia, fornecedor de produtos que poluem o ar e causador dos ruídos e do «stress». Haverá que chamar a atenção para que, depois da revolução industrial e portanto do início do consumo em escalada vertiginosa de energia e de materiais, a população cresceu ao ritmo de 90 milhões por ano, 250 mil por dia ou quatro por segundo, que, expressa em unidades de consumo energético, passou de cerca de 1500 para mais de 150.000 calorias «per capita» e por dia ou, em dólares, de 250 para mais de 25.000. Lembre-se que uma refeição num país rico gasta -- desperdiça -- mais de cinco vezes o seu valor energético alimentar.

Uma correcção e algumas precisões ao texto "Caminhos cruzados por Goa", inserido no trabalho sobre a Índia do PÚBLICO Magazine de ontem,, pp. 29-31. João Barreto, agente da Polícia Judiciária ferido durante a invasão de 1961, esteve prisioneiro no Alfa Detenus' Camp. A língua nacional hindu é o hindi, além do inglês; o marati é a língua oficial do estado de Marastra e o concanim goza hoje do estatuto de língua oficial do estado de Goa. Finalmente, escreveu-se por engano que é de um português a patente do vinho e bebidas "made in" Goa -- quando ele é, na verdade, um goês casado com uma portuguesa. J.M.C.

De qualquer modo, muitas destas mulheres que respeito e lutam contra os preconceitos masculinos, espero vê-las recusar pequenas recompensas nas listas, caso o número de candidatos não seja equilibrado. Mais: espero vê-las apelar às eleitoras para não votarem nos partidos machistas...

‚ Mário Soares participa, em Yamoussoukro, Costa do Marfim, nas cerimónias fúnebres do Presidente Félix Houphouet-Boigny

‚ Futebol: o Sporting defronta o Vit. Setúbal, no Estádio de Alvalade, em jogo de desempate dos oitavos-de-final da Taça de Portugal

Cavaco Silva ainda não assinou o despacho, mas está praticamente assente que este ano há tolerância de ponto no Carnaval. No Governo, muitos dos colaboradores do primeiro-ministro acham que ele devia dar um sinal sobre o engano de há um ano.

Por outro lado, o primeiro-ministro terá verificado que o principal pressuposto que justificou a sua medida não se verificou. Cavaco fez saber que se negava a contribuir para a «paralisação» do país favorecendo pontes numa altura em que o maior investimento dos portugueses era o trabalho. Esperava ser compreendido e não ouviu as vozes mais avisadas que a seu lado o induziam a ser realista. O que parecia claro e racional ao primeiro-ministro redundou naquilo que verdadeiramente se pode qualificar como o maior fracasso do seu exercício enquanto chefe do Governo. Nesse dia de Fevereiro de 1993, o país não foi trabalhar como ele desejava, mas mostrar-se para a rua mais do que nunca, num que evidente desafio à sua autoridade.

Carlos Carvalhas desafiou ontem Cavaco Silva a ser «coerente» com a sua afirmação de que «ninguém está acima da lei ou de qualquer suspeita», apoiando a aprovação dos dois inquéritos parlamentares propostos pelos comunistas: um às privatizações, inspirado pelo caso Banesto; o outro ao Ministério da Saúde.

Confirmado o discurso europeu - que todos os partidos realinham já a pensar na corrida eleitoral de Junho próximo, onde o PCP marca particularmente a diferença -, o líder comunista apontou os «abuses» às questões da política interna. Acusou o Governo de estar a diminuir os salários para «procurar passar para cima dos trabalhadores e das classe médias os custos da concentração de riqueza e da capitalização perante a União Europeia de Maastricht».

Álvaro Castelo Branco lidera a lista única que se apresenta às eleições de hoje para a Comissão Política Concelhia do CDS-Porto. Revitalizar o partido no concelho é o lema da lista encabeçada por Castelo Branco (membro da actual comissão administrativa nomeada na sequência da demissão da anterior concelhia) e que integra, ainda, Brígida Moucho, Álvaro Braga Jr., Vasco Morais Soares, António Sousa Lemos, Mário José Praça, Maria João Arriscado Nunes e Pedro Araújo.

Em paralelo, decorrerá em todo o distrito a eleição dos delegados ao Congresso, a realizar em Setúbal, de 18 a 20 de Fevereiro.

O presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, está a ser pressionado pelo núcleo duro dos seus apoiantes, cuja maioria é conotada com Jorge Sampaio, para se candidatar à liderança da Federação Distrital do Porto do PS. Ao mesmo tempo, a direcção nacional do partido tem dado indicações de que gostaria de ver o autarca matosinhense no próximo Secretariado Nacional do PS e na presidência da Associação Nacional dos Autarcas Socialistas, o que é interpretado pelos apoiantes de Narciso como uma forma de desarmadilhar a candidatura à federação portuense dos socialistas.

A paz então celebrada entre os líderes da maioria e da minoria distrital até acabaria por ser abençoada pelo secretário-geral do partido quando este integrou os sampaístas na lista para a Comissão Nacional. Tudo indicava, assim, que «pacto de silêncio» permitiria que até à Convenção Nacional do partido as principais figuras dos socialistas portuenses «cozinhariam» uma candidatura consensual para a federação do Porto.

O presidente da Câmara Municipal da Feira, Alfredo Henriques, anunciou anteontem a sua disponibilidade para suceder a Guedes da Costa na liderança da Comissão Política Distrital (CPD) de Aveiro do PSD, cujas eleições serão antecipadas para ainda este mês.

Guedes da Costa ainda teve tempo de explicar que a derrota eleitoral se ficou a dever, fundamentalmente, à «negativa conjuntura económica e política nacional e internacional». Vítor Mangerão, de Aveiro, e Flausino Pereira, de Albergaria-a-Velha, foram os únicos a manifestar publicamente o seu desacordo com a leitura política de Guedes da Costa, expressando ao mesmo tempo algumas reservas relativamente à candidatura de Alfredo Henriques.

A lista de «grandes notáveis» do PSD em Setúbal, impulsionada pelos dirigentes afectos ao ex-ministro Couto dos Santos, não impediu, anteontem à noite, que o deputado social-democrata Cardoso Ferreira conquistasse a liderança da distrital do seu partido. O vencedor alcançou o apoio de 126 dos 221 elementos da assembleia eleitoral, enquanto António Alves, também parlamentar, apenas obteve 95 votos, apesar de, durante a semana, ter conseguido que Marçal Pina, presidente da Associação Nacional de Freguesias, desistisse a seu favor.

A vitória deste teve ainda a seu favor uma crescente contestação à «fraca liderança» de Couto dos Santos, responsabilizado pelos maus resultados das últimas eleições autárquicas no distrito de Setúbal e acusado de «centralizador». Na noite das eleições, Couto dos Santos reconheceu não ter conseguido alcançar «todos» os objectivos que se propusera e desculpou-se com o facto de ter sido chamado, três meses após a sua eleição, para funções governativas à frente do Ministério da Educação.

Ângelo Correia rejeitou ontem, em entrevista à RDP, uma eventual candidatura de Ramalho Eanes à Presidência da República com o apoio do PSD. Não escondendo a sua preferência por um militante do PSD, o deputado social-democrata considerou Cavaco Silva «uma boa escolha», embora se tenha mostrado convencido que o líder do partido «prefere ser primeiro-ministro». Quanto à polémica que envolve Leonor Beleza, Ângelo Correia disse discordar da atitude da ex-ministra em pedir o apoio pessoal do grupo parlamentar do PSD, por o problema ter sido colocado «em sede descabida». Sobre o seu partido, considerou que o PSD é hoje «uma espécie de frente» que se ressente do fenómeno da erosão, vivendo «numa coabitação permanente entre a ideologia e o Estado».

O Presidente da República vai recordar Salgueiro Maia, no dia 24 de Abril, numa cerimónia em Santarém. «É em homenagem a Salgueiro Maia, que Mário Soares pretende relembrar o percurso feito pelo capitão de Abril, no golpe militar que depôs a ditadura», disse à Lusa o presidente da Câmara de Santarém, José Miguel Noras.

A exploração sem regras de portugueses nos estaleiros de obras alemães levou a Secretaria de Estado das Comunidades a reclamar um controlo mais rigoroso por parte do Estado alemão. As multas vão subir e alguns empresários germânicos podem ir parar à prisão. Apesar de tudo, tanto as autoridades portuguesas como as alemãs deparam com dificuldades em combater engajadores travestidos de «subempreiteiros». Tudo indica que a lei da selva vai continuar

Na referida reunião, as autoridades alemãs admitiram que «era preciso ser mais severo» para com as empresas nacionais que têm ao seu serviço trabalhadores à margem da lei. A maior «severidade» passará, designadamente, por sanções legais que poderão, em casos extremos, levar à prisão dos responsáveis das construtoras, e pelo agravamento substancial de multas que, nesta altura, não vão além dos 10 mil contos. Montantes considerados insuficientes, porque, como Manuel de Matos disse ao PÚBLICO, «as construtoras que não cumprem a lei embolsam milhões», preferindo expor-se ao risco de pagar multas insignificantes.

Uma sondagem da Marktest atribuiu à Rádio Cidade, da Amadora, a liderança de audiências anteriormente detida pela Renascença. Desagradada, a RR contestou a legitimidade do estudo, baseado em «entrevistas telefónicas e sem abranger todo o território nacional». Na forja, a Marktest já tem um novo método, mas o administrador da emissora católica alerta para eventuais precipitações...

Apesar de bem mais alargado do que até aqui -- baseia-se em entrevistas telefónicas a indivíduos residentes nas áreas da Grande Lisboa e no Grande Porto com idades entre os 15 e os 64 anos --, o estudo da Marktest não contempla ainda as entrevistas directas e pessoais em todo o território nacional, razão pela qual a RR recusa legitimidade a este tipo de sondagem de audiência.

O «Catecismo da Igreja Católica» começará a ser dissecado amanhã à noite, no primeiro de três debates temáticos, promovidos pelo Centro de Reflexão Cristã (CRC), na sua sede à Rua Castilho, em Lisboa. «Deus, esse desconhecido», é o título sugerido pelo teólogo Peter Stilwell para abordar a primeira parte do manual da fé católica, relativa à profissão de fé.

O presidente do sindicato dos metalúrgicos alemães, Klaus Zwickel, exortou ontem os patrões da metalurgia e da indústria electromecânica a propor «finalmente soluções construtivas» já que as negociações salariais para 1994 estão num impasse. «Os trabalhadores deverão passar à acção», declarou Klaus Zwickel perante a assembleia de quatro mil pessoas que o acolheu em Karlsruhe, acrescentando ainda que a próxima semana será decisiva. As negociações entre os sindicatos e o patronato recomeçarão amanhã. Em análise estará a região mais importante da Alemanha em matéria de metalurgia, a Renânia do Norte/Westfália.

Diana está farta. «Deixem-me em paz», grita a ex-princesa aos fotógrafos que não param de a perseguir. Mas o engraçado é a forma lírica como a «Hola!» espanhola conta a história: «De repente, a princesa não aguentou mais e demonstrou ao fotógrafo todo o seu enorme desgosto por estar sempre a ser seguida (...) Afinal, trata-se de um ser humano de carne e osso». Diana, princesa de Gales, aguentou durante anos, com um sorriso nos lábios, a perseguição dos fotógrafos de escândalos, mas em Janeiro anunciou a sua intenção de abandonar a vida oficial. Vai daí, um destes dias, saía a rapariga do «court» de ténis, depois de uma partidinha, quando começou a ouvir «clicks» vindos de uns arbustros. Irritada, desatou aos berros: «Porquê? Porquê?» Depois desta história a «Hola!» decidiu tomar medidas drásticas. Mais citações: «As fotografias mostram uma mulher desesperada, sem saber o que fazer (...) Há que deixá-la em paz, companheiros. Nós vamos fazê-lo e aqui escrevemos a nossa intenção. Temos de a ajudar. Sentimo-nos culpados pelo que se está a passar. Vamos deixá-la em paz, princesa. Só a seguiremos nas grandes ocasiões da sua vida». Abençoados sejam por isso.

A pergunta não era descabida, a julgar os olhos de conhecedor que o juiz fez quando imaginou o tamanho da peça e disse: «Bom, quer dizer, 2.600 gramas... Ainda se fosse um caldo de carne...» Céu tinha acabado de revelar que não se tinha pessoalmente apercebido do facto de um presunto se ter enfiado debaixo do seu próprio sobretudo. Ou talvez tivesse entendido mal a questão e o que Céu queria dizer é que não percebera que estava um vigilante de olho nela, quando ultrapassou as caixas do supermercado sem pagar o tal presunto.

Como protestar contra uma decisão de um tribunal quando não concordamos com ela? Recorremos para uma instância superior. E quando já se chegou à última instância? Bem, o que é preciso é imaginação. O exemplo aqui está. O inglês John Gladden, queria colocar o gigantesco peixe, que se pode ver na imagem, no telhado da sua casa em Croydon, no sul de Londres. Mas o Supremo Tribunal não permitiu. Como a decisão do Supremo é inapelável, John Gladden decidiu promover este original protesto. Ingredientes: um tanque da II Guerra Mundial, alguns cartazes, poucos apoiantes e o peixe, claro! Depois é só viajar até ao largo fronteiro ao Supremo Tribunal de Londres. Aconteceu na sexta-feira.

Um tribunal de Los Angeles, Estados Unidos, condenou na sexta-feira a cem dias de prisão por vandalismo um homem que sujou com tinta laranja a estrela do cantor norte-americano, Michael Jackson, no famoso passeio das estrelas em Hollywood. Tudo porque o réu, um indivíduo de 33 anos, «odeia molestadores de crianças». Recorde-se que Michael Jackson foi acusado de ter abusado sexualmente de um rapaz de 14 anos. Um processo judicial resolvido com um acordo financeiro de 15 milhões de dólares (quase três milhões de contos), segundo uma fonte citada pela agência Associated Press.

Depois das violentas manifestações verificadas ao longo da última semana, em consequência da revolta dos pescadores franceses contra a queda do preço do peixe, os portos de Calais e de Dunquerque, localizado no norte da França, continuavam ontem cercados por barcos de pesca, que impediam assim o tráfego no Canal da Mancha.

Apesar de todas estas medidas, cerca de cinco mil pescadores manifestaram-se em Rennes, na sexta-feira, durante a visita que Edouard Balladur ali realizou, exigindo cortes nas importações de peixe. Segundo as agências noticiosas, os habitantes de Rennes encontram-se ainda em estado de choque depois de os pescadores terem incendiado o edifício do antigo Parlamento da Bretanha, localizado naquela cidade: um edifício do século XVII, classificado como «monumento histórico». O sinistro, que ocorreu durante um confronto entre os pescadores e a polícia, deflagrou na sexta-feira, numa sala do primeiro andar do parlamento e rapidamente estendeu-se ao resto do edifício. O Ministério da Cultura anunciou, ontem, que iria conceder créditos «urgentes» para restaurar o monumento que é considerado uma obra-prima de Salomon De Brosse.

O juiz do Tribunal de Santiago de Compostela confirmou, ontem, a prisão de dois dos quatro indivíduos que, na noite da passada quarta-feira, tentaram raptar Juan Queiro, empresário do ramo alimentar daquela cidade galega. A polícia apreendeu a viatura em que o quarteto se transportava e suspeita que a tentativa de sequestro com ameaça de armas de fogo esteja relacionada com a cobrança de uma dívida de Juan Queiro ao industrial português que lhe forneceu os moldes de plástico para a produção de gelados com a forma do logotipo do Xacobeo, festividade que celebrou o primeiro milénio das peregrinações a Santiago.

A 20 de Fevereiro a Quatro completa um ano de emissões. Roberto Carneiro, seu presidente, faz o balanço deste primeiro ano de actividade, afirma que o recente aumento de capital «foi um sucesso», garante que a entrada de novos accionistas não irá alterar «a orientação e a inspiração humanista e cristã que presidiram, desde o início, à elaboração da Carta de Princípios da TVI» e reconhece que a empresa perdeu cerca de seis milhões de contos. O futuro da Quatro passa pela «intensificação da aposta em produtos nacionais e de entretenimento». Porque «as pessoas vêem televisão como fonte de entretenimento e distracção. E nós temos que reconhecer que é assim em toda a parte do mundo». É a tentativa de subir para os 18 por cento de audiência. Tentativa em que a contratação de José Eduardo Moniz seria bem-vinda.

O preço médio dos bilhetes e dos passes sociais dos transportes públicos urbanos de Lisboa e Porto -- autocarros, eléctricos, metro e tróleis -- e dos transportes colectivos rodoviários interurbanos (camionetas) vai aumentar cerca de três por cento. A medida entrará em vigor já no dia 1 de Março.

Prevê-se que este ano o aumento dos preços varie entre 5,5 e um por cento. Em 1993, o Governo definiu o montante médio máximo de encarecimento em sete por cento, mas o aumento variou entre os oito e os 3,7 por cento.

Dois sócios da Ómega, empresa de confecções de Ferreira, no concelho de Paços de Ferreira, viram confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça a sentença do Tribunal de Círculo de Paredes que os condenou em três anos de prisão e em 100 dias de multa de dois contos por dia, por co-autoria do crime de desvio de subsídio do Fundo Social Europeu (FSE). A pena é suspensa por quatro anos na condição de restituírem 11.457 contos ilicitamente desviados dos fins para que se destinavam.

As irregularidades foram detectadas, os pagamentos suspensos e o processo remetido para tribunal. O caso encerra agora com o acórdão do Supremo que indeferiu também outra pretensão do Ministério Público, que sustentava que a importância a devolver devia corresponder às «vantagens ilegalmente recebidas» pelos dois sócios da Ómega. «Restituir é tão somente devolver e não indemnizar ou reparar o dano causado», contrapuseram os conselheiros.

O regresso de Sena Santos às manhãs da TSF e uma mini-«revolução» no tratamento da informação sobre o trânsito são as grandes novidades, já a partir de amanhã, na Rádio Jornal, assinalando a passagem o seu sexto aniversário. Mexidas significativas nos «jingles» e novidades a nível da chamada «antena aberta», bem como a introdução de algumas rubricas e colaboradores, marcam uma nova fase da estação.

Com o apoio de uma equipa composta por três repórteres, a TSF promete, além de informações, constantes soluções alternativas aos automobilistas que entram e saem de Lisboa, Porto e Coimbra. No exterior, via helicóptero, vão estar Renato Romariz, ex-Rádio Comercial (no Porto), e, a partir de dia 16, Luís Santos, ex-Rádio Renascença (em Lisboa).

Aumentam as horas de emissão, há mais programas nacionais, mais produção própria, mais séries de ficção, mais magazines, concursos, variantes de «talk shows». A partir de 20 de Fevereiro, quando a TVI -- Quatro completar um ano de emissões regulares, a sua grelha de programas começará a ser alterada. Surgirão títulos como Maravilhas, Stravaganza, Pedidos e Achados, Vamos ao Circo; passam a dois os programas de informação de Artur Albarran. E, nas noites de sexta-feira, poderá ser o magazine de Júlio Isidro a concorrer com Chuva de Estrelas da SIC. Aos sábados, há O Jogo do Ganso, estreado ontem.

Stravaganza, de Alexandra Nunes, é o magazine que antecede Informação 4. Um programa que fala «sobretudo de ideias interessantes, que não têm nada a ver com o fútil da moda», garante Roberto Carneiro. O presidente da TVI está também orgulhoso do Informação 4 do dia de aniversário, por ser «dedicado ao Ano Internacional de Família».

Tem como objectivo a constituição de uma empresa autónoma para fazer a gestão da sua própria rede. Uma espécie de Teledifusora de Portugal (TDP), para onde quer transferir os activos e os passivos resultantes da actual utilização. Para a TVI, a prestação de serviços na área das telecomunicações ainda é uma questão em aberto. Mas a constituição da empresa não. Está decidida. Mesmo que um parecer do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações defina uma «orientação para os seus serviços» que pode interferir na sua capacidade de actuação. Roberto Carneiro entende que o caso «é sério» e tem de ser «equacionado mais tarde ou mais cedo».

R. -- Uma TDP. Temos pareceres jurídicos que são incontroversos, nesse aspecto. E julgo que todos os argumentos morais jogam a nosso favor: se o Estado o fez, como pode impedir um privado de fazer o mesmo? Não pode haver dois pesos e duas medidas. Aquilo que esteve no início do contencioso teve a ver apenas com a possibilidade de autonomizar a rede, através da constituição de uma empresa.

O presidente da União de Instituições Particulares de Solidariedade Social (UIPSS) lançou ontem um "grito de protesto" contra a "lentidão do Governo em tomar decisões" e alertou para as consequências que daí poderão advir.

"As instituições particulares de solidariedade social estão preocupadas com o aumento da exclusão social em Portugal e consideram que as disponibilidades orçamentais para 94 são insuficientes", refere-se numa nota informativa.

«É um escândalo o aumento do salário mínimo nacional em 63$00 por dia», disse ontem o coordenador da CGTP-IN, Carvalho da Silva, no encerramento do 4º Congresso da União de Sindicatos do Porto (USP), durante o qual anunciou três greves sectoriais e uma manifestação nacional marcada para o próximo dia 26.

A par da luta pela redução dos horários de trabalho ou do direito à protecção social, estas são algumas das orientações que irão nortear a actividade da USP, tal como ficou assente na plataforma de acção aprovada em congresso para o próximo triénio. Os 293 delegados aprovaram uma reestruturação administrativa e financeira e nove moções que estabelecem as reivindicações prioritárias para aquele período.

O destaque da última Colóquio-Artes vai uma selecção de excertos da «História da arte portuguesa», nova obra de José-Augusto França, a editar em breve pelas Edições Presença, aqui apresentados em pré-publicação sob o título de «Pintura/escultura; anos 60 & 70» mas cujo texto corre até à década de 90.

França reabilita (por comparação com a displicência de Pinto de Almeida) a geração da emigração (embora não se desenvolva no texto agora publicado a obra de Lurdes Castro, Bértholo, João Vieira, Escada ou, noutro grupo, Jorge Martins e Pomar) centrando-se em Costa Pinheiro, Dacosta e Paula Rego. «Internamente» não desenvolve (nos excertos publicados) a obra de Areal, por exemplo, e concentra-se nas dos «Quatro Vintes», nas de Rodrigo, Noronha, Nikias, Guimarães ou Cutileiro, para referir nomes que se situam e definem em anterioridade ou à margem à (por si mesmo considerada) grande ruptura de 1977 (a exposição dos conceptualismos nacionais organizada por Ernesto de Sousa).

Um lapso involuntário, numa parte da Crónica de Manuel Maria Carrilho -- «Tradições, Espectros, Utopias» -- publicada no último suplemento Leituras, tornava um dos pontos ininteligível. O texto correcto é:

Talvez, porque, como dizia Hamlet, «the time is out of joint», Quem o sugere é J., Derrida, num livro qiue já ganhou um eco mundial, e no qual se propõe retomar, repensar Marx».

A despeito da excessiva mediatização dos acontecimentos, as condições de possibilidade de uma melhor informação tornam-se, cada vez mais, precárias. O excesso de imagens não significa, proporcionalmente, melhor e mais informação. É isto que atravessa, de forma inquietante, o discurso dos «media» e com isto somos quotidianamente confrontados.

A autora discorre, infatigavelmente, sobre o processo eleitoral, as irregularidades entretanto verificadas, as negociações que se empreenderam então para que o processo não resvalasse em violência armada, o seu falhanço, os «massacres de Luanda» e de outras regiões, enfim, o «genocídio de um povo», como afirma peremptoriamente. Este percurso faz-se em nome de acusação dos que, na perspectiva de Fátima Roque, são os responsáveis pelo sangue que se derrama em Angola. Não é uma análise distanciada --será que ela é possível entre os beligerantes enquanto decorre o conflito? --, os factos que se apresentam como dados adquiridos são os documentos que municiavam o seu partido e outros que se opõem ao governo angolano.

Graficamente, o volume «Mitologia Norte-Americana Guia Ilustrado» é bastante convidativo. Sobre um bom papel desdobram-se ilustrações várias (gravuras, reproduções de quadros de museus dos Estados Unidos e Canadá) e fotografias que o famoso Edward S. Curtis foi reunindo ao longo das cerca de três décadas de vida que partilhou com os índios. Dessas andanças, em que visitou mais de 80 tribos e em que tirou para cima de 40 000 fotografias, resultaram vivíssimos testemunhos de um modo de vida que desaparecia. Regressar a esse mundo seria difícil sem essas ajudas, sendo a sua obra um suporte irresistível para quem pretende estudar a história desses povos. Nesse aspecto, este guia está de parabéns. Mas vejamos o resto.

Em 1885, aquando da assinatura do tratado de Port Elliot, o chefe Seattle renunciava às suas terras e aceitava, com amargura, a atribuição de uma reserva. E tentava explicar aos brancos tudo o que havia de ultrajante e horrível nesse adeus ao lugar onde estavam sepultados os seus antepassados, fonte de toda a tradição, explicação global da vida. Dizia que enquanto a religião dos brancos tinha sido escrita a fogo pelo seu deus a deles «é feita das tradições dos nossos antepassados -- os sonhos que o Grande Espírito lhes enviou nas horas solenes da noite, visões dos nossos anciões -- e ela está escrita nos corações do nosso povo».

Aquilo que os navegadores portugueses conseguiram, ao dobrar o Cabo da Boa Esperança e entrar directamente em contacto com as civilizações orientais, «foi uma espécie de cerco estratégico, conquistando o poder do Islão pela retaguarda -- e fazendo assim o que séculos de Cruzadas não tinham conseguido fazer», refere em «The Mutual Encounter of East and West, 1492/1992» o Prof. Peter Milward, organizador desta antologia e responsável pelo Renaissance Institute, da Universidade Sophia, um dos mais respeitados estabelecimentos de ensino superior no Japão, fundado por jesuítas. Esta monografia do instituto, dedicada ao encontro mútuo das civilizações orientais e ocidentais, reune 17 ensaios sobre o tema, da autoria de vários especialistas, e onde se fala do primeiro encontro entre ocidentais (portugueses) e o Japão, da cerimónia do chá, ou da influência cultural dos jesuítas na sociedade nipónica do século XVII. O livro tem 202 páginas, é editado por The Renaissance Institute, Sophia University, 7-1 Kioicho, Chiyoda-ku, Tokyo 102. Japan. Uma assinatura por dois anos custa 60 dólares e dá direito ao recebimento, sem mais encargos, do boletim e das monografias entretanto editadas pelo instituto.

O filme «Papá para sempre», de Chris Columbus, actualmente em exibição, com Robin Williams travestido em Mrs. Doubtfire, é baseado no livro «Mrs. Doubtfire», de Anne Fine, uma escritora conhecida de livros para crianças. Depois desse livro, que não teve um grande êxito na altura e é de 1986, escreveu mais 7. Para a personagem de Mrs. Doubtfire usou o nome de uma mulher que existiu realmente, e que morreu aos 92 anos, em 1979. Ela tinha uma loja em Edimburgo, e Anne Fine lembra-se de que era uma loja confusa e escura, com um persistente cheiro a gatos.

O «best-seller» John Irving (de «O Mundo Segundo Garp», «O Hotel New Hampshire», etc) acaba de provocar um mini-escândalo editorial mudando de editora: passou da Morrow para a Random House levando o seu novo romance, que será publicado este outono («A Son of the Circus»). Segundo o presidente da Random House, Harold Evans, John Irving pode sair da editora nestas circunstâncias bizarras -- uns meses antes de um manuscrito ser publicado -- porque tinha uma cláusula especial no contrato, segundo a qual poderia sair se o responsável pelo seu «editing», Harvey Ginsberg, deixasse a editora. O romance, um dos mais falados para «rentrée», sairá de facto na data prevista, mas na Random House. Harvey Ginsberg foi contratado pela Random House especificamente para trabalhar neste livro.

Fátima Mendonça começa por integrar a obra de Craveirinha na literatura moçambicana dos anos 50, quando ainda mal começara a despertar a consciência de uma africanidade amordaçada pela aculturação colonial: «O elemento de afirmação nacional que emerge, desde o princípio, da poesia de José Craveirinha é, pois, gerado e produzido por um real definido e marcado, apreendido pelo poeta num momento histórico em que a sua configuração não era visível para muitos. Diremos que o poeta se limitou a antecipar-se no tempo, captando ressonâncias e fazendo previsões, assumindo-se, em suma, como `cidadão fabricante de raciocínios infalíveis». Segue-se uma breve incursão pela obra poética de Craveirinha, que, sem nunca perder a autenticidade e o sentido crítico, evolui do grito militante, obsessivo em Chibugo (livro com o qual o poeta ganha -- segundo a ensaísta -- a estatura de um «poeta-profeta da identidade nacional») e parcialmente prolongado em Karingana ua Karingana, para o lirismo intimista e humanista que informa Cela I e Maria.

Entre todos os lugares comuns que podemos dizer sobre os americanos, dois entraram definitivamente na lista dos comentários tipo-sageza-das-nações: a) não lêem; b) são culturalmente pouco sofisticados. Talvez a) não leiam e sejam b) culturalmente pouco sofisticados. No entanto os cidadãos que podem aceder às edições americanas e que não são nem «cultos» nem «sofisticados» têm uma grande vantagem sobre todos os cidadãos que lêem, que são «cultos», e que vivem por exemplo em Portugal.

A ASA vai publicar, ainda sem data prevista, os livros de David Leavitt e Semprun que foram temas de capa deste suplemento. A Teorema em tempos anunciou Cormac McCarthy. Ainda bem que temos a consolação de sermos europeus e cultos e sofisticados.

A despeito da excessiva mediatização dos acontecimentos, as condições de possibilidade de uma melhor informação tornam-se, cada vez mais, precárias. O excesso de imagens não significa, proporcionalmente, melhor e mais informação. É isto que atravessa, de forma inquietante, o discurso dos «media» e com isto somos quotidianamente confrontados.

A autora discorre, infatigavelmente, sobre o processo eleitoral, as irregularidades entretanto verificadas, as negociações que se empreenderam então para que o processo não resvalasse em violência armada, o seu falhanço, os «massacres de Luanda» e de outras regiões, enfim, o «genocídio de um povo», como afirma peremptoriamente. Este percurso faz-se em nome de acusação dos que, na perspectiva de Fátima Roque, são os responsáveis pelo sangue que se derrama em Angola. Não é uma análise distanciada --será que ela é possível entre os beligerantes enquanto decorre o conflito? --, os factos que se apresentam como dados adquiridos são os documentos que municiavam o seu partido e outros que se opõem ao governo angolano.

Quem leu «A Bela Hortense» dispensa as apresentações de «O Rapto de Hortense» que aparece como mais um capítulo da história urdida por Jacques Roubaud à volta da heroína de nome Hortense.

As aventuras demenciais, que as personagens de «O Rapto de Hortense» vivem, evocam aventuras vindas de outras paragens ficcionais (policial, romance de aventuras, livros de fadas), que são expressamente desmontadas sem perderem a sua carga de surpresa e encantamento.

Dois dos livros do poeta Fernando Echevarría surgiam de vez em quando arrumados na parte «Filosofia» das livrarias: «Introdução à Filosofia» e «Fenomenologia». Este volume reune os dois, e permite verificar como estes poemas resultam quando lidos por grupos, em sequências de textos que se organizam em torno das mesmas obsessões, de certas palavras.

Feita esta advertência, diria que o timbre muito peculiar da voz de Fernando Echevarría provém talvez do modo como nela sabem conviver, por um lado, um esforço de depuração expressiva -- uma rarefacção que parece projectar a linguagem rumo ao silêncio, que parece adensá-la «à volta duma aresta viva», no «rodopio da concentração» mais pura (pg. 207) -- e, por outro lado, um irreprimível pendor para a expansão discursiva, para um infinito jogo especulativo que estrutura um redilhado verbal de contornos conceptistas e que reflecte, segundo a opinião de Fernando Guimarães, «uma herança maneirista ou barroca, sobretudo de procedência espanhola» («A Poesia Contemporânea Portuguesa e o Fim da Modernidade», Lisboa, ed. Caminho, 1989, pg. 58).

São três textos dramáticos que surgem logo no princípio do ano. Um terá sido escrito no século XVI; outro é a última peça de Prista Monteiro, «O Auto dos Funâmbulos»; o terceiro é de Vicente Sanches, que regressa ao «teatro de aforismos» com «Promissão do Quinto Império».

No volume de 222 páginas agora editado, o «Auto» ocupa 70; o resto é aparato crítico, índices lexicais, comparações entre as edições, sinopses, bibliografias e apensos. Sobre todo este material crítico (exaustivo) já se pronunciaram os professores de Paris, que lhe deram nota alta. A autora é hoje docente na Universidade de Lisboa e, mais do que isso, destacada especialista em estudos vicentinos. A par deste «Dom André», é recomendável a leitura do seu livro anterior, «O Essencial e o Profano» (Ed. Estampa 1992), um estudo minucioso e fundamentado sobre o vestuário e adornos das personagens de Gil Vicente.

Zlata tinha 11 anos e escrevia este diário. Nessa altura vivia em Sarajevo. A UNICEF publicou algumas páginas traduzidas do servo-croata. As edições Robert Laffont/Fixot decidiram publicar tudo. Foi um dos livros mais oferecidos em França no Natal do ano passado -- e desde dezembro que Zlata e os pais, na sequência de uma intervenção do governo francês, vivem em Paris.

Em Dubrovnik é a guerra a sério. Terríveis bombardeamentos. As pessoas estão em abrigos, sem água, sem electricidade, o telefone está cortado. Na televisão vêem-se imagens horríveis. Os meus pais estão muito inquietos, não é possível que se deixe destruir uma cidade tão magnífica. Eles estão especialmente ligados a ela. Foi lá, no Palácio dos Reitores, que eles assinaram com a pena de pato o SIM à sua futura vida em comum. A minha mãe diz que Dubrovnik é a mais bela cidade do mundo e que não deve ser destruída de modo nenhum !

Penbritine -- e de pôr umas gotas horrorosas no nariz, que me ardem terrivelmente. Tinha de acontecer precisamente no dia dos meus anos. Meu Deus, meu Deus, é preciso ter azar! (Vá lá, não sejas assim tão pessimista, nem tudo é assim tão negro.)

Estou na cama contigo, meu Diário. Tenho todo o dia à minha frente para ficar deitada. Bimbilimbica (a minha boneca preferida) aborrece-se em cima da mesa de cabeceira, e o Panda olha-a, sem lhe tirar os olhos de cima... Que continue assim.

Sanitas e lavatórios partidos, caixotes do lixo e suportes de papel higiénico destruídos foi o rasto ontem deixado, na estação de repouso da auto-estrada Lisboa-Porto em Oiã, por um grupo de adeptos do Sporting, que deixou a sua assinatura pintada nas paredes das casas de banho: «Juve Leo». O incidente -- que, segundo fontes da Brisa, não é inédito -- ocorreu cerca das 17h30 e os seus autores, assim como outros adeptos, devem ter chegado atrasados ao jogo Salgueiros-Sporting, marcado para as 20h na Maia. Isto porque, às 19h30, elementos da Brigada de Trânsito de Vila da Feira procediam ainda a inquéritos junto dos passageiros de um autocarro da Rodoviária Nacional entre os quais, presumivelmente, se encontravam os responsáveis pelos estragos causados na estação de repouso.

Para a presidência do Conselho de Jurisdição, Cruz Oliveira apostou num dos dois presidentes de câmara sobreviventes, o de Carrazeda de Ansiães, João Sampaio.

Portugal perde com a Espanha em futebol feminino -- A selecção portuguesa de futebol feminino perdeu ontem em Chaves, por 1-0, frente à equipa nacional espanhola, em jogo amigável integrado na preparação para o «Europeu». O único golo da partida foi apontado aos 71 minutos, por Maria Del Mar, que concluiu com êxito um lance em que a defesa portuguesa esteve pouco decidida. Apesar da derrota, o seleccionador português, António Simões, mostrou-se satisfeito com a exibição da equipa nacional, que praticou um futebol agradável e surpreendeu pela positiva, tendo apenas desiludido na finalização. A arbitragem foi de Fortunato Azevedo e Portugal alinhou da seguinte forma: Gena; Carla Rodrigues, Bé, Joni, Olívia, Maria João, Patrícia, Rosalina, Carla Couto, Paula Freitas e Anabela. Jogaram ainda Luz, Salomé, Isabel Casais, Adília e Carla Soares.

Um golo de Paulo Torres, pouco antes do fim da primeira parte e que o árbitro sancionou apesar de, pelo menos, Figo se encontrar em fora-de-jogo posicional mesmo por trás do guarda-redes, permitiu ao Sporting conseguir uma importante vitória sobre o Salgueiros, num jogo disputado na Maia (para que pudesse ser transmitido pela RTP).

Meia centena de mortos era ao fim da tarde de ontem o balanço de um dia de guerra na cidade do Cuíto, capital da província angolana do Bié, no centro do país, disse à agência Lusa fonte militar em Luanda, segundo a qual as hostilidades começaram durante a manhã.

Bélgica pelo bombardeamento dos sérvios - O ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Willy Claes, apelou ontem ao secretário geral da ONU, Butros Ghali, para que ordene ataques aéreos da NATO contra as baterias sérvias colocadas em redor de Sarajevo. Manifestando a sua «indignação» depois do massacre no mercado da cidade cercada, que fez pelo menos 61 mortos e mais de 140 feridos (ver pág. 10), Claes disse na televisão que Butros Ghali estava «suficientemente escudado (juridicamente) para permitir os bombardeamentos selectivos sobre Sarajevo». Segundo o ministro, os países que enviaram «capacetes azuis» para a ex-Jugoslávia devem «tomar certos riscos». Depois dos ataques aéreos, «os sérvios podem tentar vingar-se nos capacetes azuis, mas não vejo outra saída», disse. «É preciso demonstrar aos sérvios que eles foram demasiado longe», concluiu. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia reúnem-se amanhã em Bruxelas, devendo fazer então o ponto da situação quanto ao problema da Bósnia-Herzegovina.

O GOVERNO norte-americano «lamentou» ontem o bombardeamento de campos de refugiados no sul do Sudão pela aviação de Cartum (ver pág. 14), sublinhando que não se tratava de bases dos rebeldes que actuam na região. O bombardeamento de campos nas proximidades de Maridi e Arapi seguiu-se ao ataque que a meio da semana fora lançado ao acampamento de Ame por milícias fortemente armadas, provavelmente apoiadas pelo regime sudanês, notou David Shinn, director da secção África Oriental do Departamento de Estado norte-americano. De visita a Nairobi, no vizinho Quénia, aquele alto funcionário de Washington observou que «os ataques indiscriminados» testemunham «um desprezo total pela vida dos civis inocentes que vivem em tais sectores, e sabotam as operações humanitárias de socorro».

Apesar de as eleições, inicialmente marcadas para o passado dia 29, terem sido desconvocadas, os elementos que integravam a lista A entenderam não haver razões para o facto, pelo que forçaram a realização do acto mesmo sem a presença da lista concorrente.

Uma vitória do Benfica arreda praticamente o FC Porto da luta pelo título. Um triunfo dos «azuis e brancos» relança o campeonato, colocando os dois rivais a apenas dois pontos de distância. Eis os condimentos fundamentais do jogo de hoje na Luz, entre os líderes do campeonato e os actuais campeões. Mas há outros temperos, fruta da época para cada um dos contendores: a nova alma benfiquista, recuperada há um mês com a eleição de Manuel Damásio, e a dose extra de motivação que a substituição de Ivic por Bobby Robson veio trazer à equipa das Antas. Este é, por isso, um Benfica-FC Porto especial. Mas não o são todos, afinal? Hoje, às 20h00, no estádio da Luz, perante uma plateia esperada de 50 mil pessoas, incluindo muitos VIP e o já famoso sócio 100.000 dos «encarnados», se verá de que forma pesa a tradição recente no desenrolar da partida. É que, nos últimos 10 anos, o dragão leva nítida vantagem nos confrontos com a águia, mas a tradição diz que este é ano de Benfica.

Na Luz ou pela televisão, este será um jogo importante, lembra Toni, o técnico do Benfica: «É um jogo que tem a marcá-lo a diferença pontual, o que já não acontecia há alguns anos; um jogo no virar de página do campeonato, importante e decisivo para as aspirações das duas equipas; tem a envolvê-lo `nuances' novas, como a mudança de treinador; tem jogadores de talento que poderão resolver o desafio e proporcionar um bom espectáculo; e tem um árbitro de categoria e experiente, que pode contribuir para um espectáculo que o país não pode perder.»

João Vieira Pinto e Kostadinov, ambos com sete golos apontados na primeira metade do campeonato, têm sido os futebolistas mais importantes na manobra ofensiva, respectivamente, do Benfica e do FC Porto. O portista é o melhor marcador da equipa; o benfiquista, para além dos golos obtidos, fez já cinco passes para golos de colegas seus. O que hoje se apresentar mais inspirado pode ter papel determinante no desfecho da partida, até porque nestes jogos entre equipas de valor idêntico é muitas vezes um lance de classe que decide o resultado.

Já quanto aos locais dos remates concretizados, João Pinto é mais diverso. O benfiquista marca golos essencialmente na área, mas já conseguiu um de fora desta zona e dois na pequena área, ficando-se Kostadinov apenas pela grande área.

Terça-feira passada, dois dias antes de deixar a cidade do Porto, Tomislav Ivic recebeu o PÚBLICO em sua casa. Recusou entrevistas formais, mas na conversa de três horas disse algumas coisas interessantes e não se opôs a que fossem reveladas publicamente.

Em princípio, tinha apenas uma dúvida: Vítor Baía seria o guarda-redes; João Pinto, o lateral-direito; Fernando Couto e Aloísio, os dois únicos centrais. No lado esquerdo da defesa, admitia poder jogar com André ou com Rui Jorge, mas essa era situação a definir no último momento, porque dependia também da composição do meio-campo. Aqui, tinha três opções definidas, com Jaime Magalhães à direita (não adivinhava que Magalhães iria, mais uma vez, lesionar-se), Semedo ao meio e Timofte na meia-esquerda. Faltava-lhe o segundo homem para o meio, que podia ser André, se optasse por Rui Jorge a defesa-esquerdo, ou Paulinho Santos ou Rui Filipe, se recuasse André. Kostadinov jogaria livre na frente, com Drulovic na linha do lado esquerdo.

O Benfica não ganha ao FC Porto no Estádio da Luz para o Campeonato Nacional de futebol da I Divisão há seis temporadas. Um período mau para os lisboetas, que apenas ganharam dois campeonatos, contra quatro dos actuais campeões. Aliás, a última década de confrontos entre estas duas equipas é claramente favorável ao FC Porto nos mais variados aspectos.

Nos que respeita a golos, a vantagem é igualmente dos actuais campeões nacionais, que marcaram um total de 22 (14 nas Antas e 8 na Luz), contra 14 do Benfica (9 na Luz e 5 nas Antas), o que, como é obvio, também dá a liderança ao FC Porto em golos sofridos. E até no resultado mais dilatado o FC Porto é «campeão», com um 3-0 nas Antas na época de 1987/88, quando o treinador dos portistas era Tomislav Ivic.

Há um mês, Manuel Damásio foi eleito presidente do Benfica, num cenário de crise financeira sem precedentes. Hoje, ultrapassada a barreira dos cem mil sócios e com a gestão do dia-a-dia controlada, há até quem pense em atribuir a Águia de Ouro a Sousa Cintra. Por ter contribuído para a unidade dos benfiquistas...

Uma situação para a qual tem sido determinante a campanha de angariação de sócios, a primeira grande aposta do executivo de Manuel Damásio. Desde que foi lançada publicamente, há precisamente 18 dias, inscreveram-se perto de 15 mil novos associados, o que correspondeu à entrada nos cofres do Benfica de cerca de 50 mil contos. Uma realidade não esperada na Luz. «As expectativas ultrapassaram todas as previsões. Atingimos os cem mil sócios mais cedo do que esperávamos. Pensávamos que 600 novos associados por dia era uma boa meta, mas a média diária é de mil. E isto permite-nos sonhar mais alto do que o lema da iniciativa que é `cada sócio mais um sócio'», afirma Abílio Rodrigues, vice-presidente para o desporto.

A receita da RTP para o jogo do ano, que hoje oporá o Benfica ao FC Porto, não vai ser muito diferente da utilizada em transmissões similares. É o «padrão RTP», a que Abílio da Fonseca, realizador da 5 de Outubro, uma vez mais recorre. Surpreendido pela pergunta quanto a possíveis novidades televisivas, o homem-forte de toda a operação diz que o esquema respeitará «aquilo que o telespectador vê todas as semanas».

Quanto ao início da transmissão, a primeira ligação ao Estádio da Luz poderá acontecer pouco depois das 15h, altura em que começa o TV2 Desporto, uma «maratona» que termina muito perto das 23h. As comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo também poderão assistir ao encontro através da RTP Internacional, sendo certo que o Eurosport, em diferido, e o Canal Plus (França), em directo, também vão estar atentos a este Benfica-FC Porto. Um jogo que decorrerá sob os olhares, no estádio, de 143 jornalistas portugueses e 30 estrangeiros, oriundos de paragens tão diferentes como Itália, Inglaterra, Argentina, França, Espanha, Suíça, Grécia, Japão, Panamá e África.

«O telefone aqui de casa não pára de tocar e isto põe-me nervoso. Até já nem tenho apetite! Sabe, é que eu não sou figura pública... Acha mesmo que é precisa a minha fotografia?» Quem reagiu assim à presença do PÚBLICO na sua residência, na pequena freguesia rural de São Simão de Novais, no concelho de Vila Nova de Famalicão, foi José Fernando Oliveira Gonçalves, chefe de secção de uma empresa têxtil, que esta semana se tornou uma figura proeminente do Benfica, pela simples razão de ter correspondido à chamada do seu «clube de sempre», inscrevendo-se como sócio. Foi proposto «por um amigo de um amigo», mas teve a particularidade de ficar portador do cartão número 100.000.

Portador de um lugar cativo na Luz e de um «Benfica Card» até ao final da época, como «privilégios» por ter ficado com o número 100.000 no cartão de sócio, José Gonçalves mostra-se esperançado na recuperação financeira do clube e na conquista do título nacional para a sua equipa, esperando que comece hoje mesmo «por não perder com o FC Porto». Palavras comedidas, mas que têm uma justificação que não será do agrado de... Sousa Cintra: «Acho que o Porto será melhor com Bobby Robson e não vai à Luz jogar à defesa. Repare que, com ele, o Sporting era mais agressivo.»

As Escolas Superiores de Estudos Industriais e Gestão (ESEIG) da Póvoa de Varzim e Vila do Conde poderão vir a ser fundidas e integradas num único edifício a ser construído entre os dois concelhos.

Embora o projecto ainda esteja em fase de estudo, a proposta já seguiu para o ministério e logo que haja uma resposta, Luís Soares contactará formalmente as autarquias. De qualquer forma acredita na concretização do programa que depende apenas, na sua opinião, da vontade política, quer do poder central quer do poder local.

Sheena Hanley é uma sindicalista dos direitos humanos dos professores e dos alunos. Numa entrevista ao PÚBLICO na qualidade de dirigente da «International Education», critica o desinvestimento mundial na educação e diz que apenas se está a fazer o mínimo possível. Por isso, não se admira que os homens com habilitações superiores não queiram ser professores.

Os pontos do globo que Sheena Hanley visita com mais frequência são a África, a Ásia, a América Latina e as Caraíbas. As pessoas dizem-lhe que tem sorte em conhecer tantos países mas ela mostra que o que retira dessas viagens não é prazer. Pelo contrário. O conhecimento que tem do mundo permite-lhe dizer que «na educação apenas estamos a fazer aquilo que eu considero que é o mínimo». Na opinião de Sheena Hanley, falta não só o reconhecimento da missão que desempenham os professores, mas falta também investimento financeiro num sector que, afinal, todos assumem como fundamental para o desenvolvimento.

Procura-se jovem do sexo masculino, com 1,70m, porte atlético, cabelos curtos e olhos claros. Fala com um ligeiro sotaque germânico e tem uma cicatriz do lado direito do rosto, entre o nariz e o lábio superior. Qualquer indicação deverá ser dirigida à Polícia Judiciária de Marselha. Foi visto pela última vez no Teatro do Século, em Lisboa, ao lado de Inês Câmara Pestana. Recompensa-se quem fornecer informações que conduzam à localização do seu paradeiro.

O dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès (cuja peça «A Solidão dos Campos de Algodão» foi há anos representada, em Portugal, por Mário Viegas e João Perry), viu o poster e interessou-se pelo assassino e pelos seus crimes. O resultado foi «Roberto Zucco», um drama que acabou de escrever em 1989, pouco antes de morrer, vítima de sida. Peter Stein, encenou a peça na Schaubühne, em Berlim, no ano seguinte. Em França --depois dos protestos da viúva de uma das vítimas de Zucco -- a peça foi proibida.

Os dados relativos à facturação das maiores empresas ligadas à música em Portugal confirmam que o mercado continua a crescer. Embora em 1993 a oferta de produção nacional tenha sido menos significativa do que no ano anterior, o "bolo" final é compensado pela música "pop" estrangeira. O disco compacto, esse, permanece rei e senhor da situação.

A facturação total dos associados da AFP, em 1993, foi assim de 8,732 milhões de contos, o que representa um crescimento de 12,43 por cento em relação ao ano anterior. Em 1993 venderam-se pouco mais de mil "singles" (1136), 200 mil "LP Top" (193 466, com preço de topo), perto de cem mil "LP Mid" (97 124, com preço médio) e 460 "LP Bud" (preço de fundo de catálogo). No formato "MC" (cassete), venderam-se mais de meio milhão de unidades (567 118 ) a preço de topo, mais de cem mil (130379) a preço médio e cerca de um quarto de milhão (2603735) em preço "budget".

«Dentro das actuais circunstâncias, a Companhia de Dança de Aveiro atingiu o máximo. Agora é preciso dar o passo em frente e profissionalizá-la». Menos de uma hora após ter terminado o espectáculo do sétimo aniversário, a directora artística da Companhia de Dança de Aveiro (CDA), Maria do Carmo Costa, resume em duas frases o conteúdo de um projecto: provar que é possível manter em actividade permanente, numa cidade de província, um grupo de 12 bailarinos profissionais.

Para ultrapassar este problema, a CDA pretende tornar-se uma companhia de âmbito distrital, aproveitando o movimento político de fundo a favor da unidade do distrito de Aveiro. «Se cada uma das 19 câmaras do distrito comprar anualmente um dos nossos espectáculos, ao preço de 150 contos, a CDA pode avançar. Porque agora todos os bailarinos ainda são amadores a quem é exigido um comportamento profissional, sem receberem um tostão pelo seu trabalho», diz Maria do Carmo Costa. Em troca deste apoio, a CDA dispõe-se a actuar de graça em cerimónias promovidas pelas autarquias, além de dar orientação técnica e artística às escolas de bailado espalhadas pelo distrito.

As editoras lisboetas que protestaram contra a alteração da data da Feira do Livro do Porto vão reunir-se esta semana, «para discutir o problema». Francisco Espadinha, da editorial Presença, preconiza uma «acção imediata», mas não considera que um «golpe de Estado seja a solução». Embora afirme que é necessária «uma nova direcção» para a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), entidade que organiza o certame.

Além de indignados com a falha da APEL em comunicar a alteração de datas, os editores apontam várias desvantagens à antecipação do certame do Porto e ao seu desfasamento com o de Lisboa. «Há lançamentos que são pensados em função das feiras. Por isso, há livros que não vão estar ainda disponíveis no Porto», assinala Nelson de Matos, da D. Quixote. «Natal, início das aulas e feiras do livro são as três grandes balizas da vida editorial», realça Tito Lyon de Castro, da Europa-América. E, em Abril, ainda há procura de livros escolares ou de leitura obrigatória, pelo que as livrarias vão ressentir-se, acrescenta.

Com filmes destes o cinema morre sempre um pouco. É que «Delito em Red Rock West» não tem propriamente um argumento mas antes um enredo, quer isto dizer que não há momento do filme que não seja uma glosa aos "clichés" do «thriller», não há situação dramática que não se resolva com um contorcionismo técnico a emaranhar todas as suas pontas e não há personagem que não se enrede nas outras de forma típica, ou seja, artificiosa e virtuosística. Até o ramalhete de vedetas convocadas para o elenco está cingido à etiqueta de «característicos» que a indústria lhes colou: Nicholas Cage é a vítima inocente das armadilhas do destino (vide «Coração Selvagem»), Dennis Hopper é um cínico assassino a soldo (é favor rever «Veludo Azul») e Lara Flynn Boyle é a mulher perversa (recorde-se «Twin Peaks») -- os actores só podem ser o que sempre foram, não o que as personagens lhes pedem para ser.

Lisboa: Alfa Club às 14h15, 16h45, 19h15, 21h30 e 24h; Amoreiras 9: 14h15, 16h45, 19h15, 21h45 e 24h; Mundial 2: 14h15, 16h45, 19h15 e 21h45.

Na sequência do artigo de opinião assinado por Augusto M. Seabra no caderno Fim de Semana da edição do PÚBLICO do dia 4 de Fevereiro, a Comissão Organizadora do Fantasporto vem por este meio responder às perguntas feitas pelo articulista (e deixadas sem resposta, dado que este nunca nos contactou).

Quando o articulista se refere a «questões de gosto pessoal» para a não exibição, no sector de «primeiras obras» do Festival, de filmes como «O Odor de la Papaia Verde», «For Fun» e «Rebels of Neon God», só nos resta dizer que estes três filmes, e outros mais, foram convidados, tendo os seus produtores recusado a sua participação no certame pelas mais diversas razões, o que é normal, tal como o articulista sabe, por experiência própria. Registe-se que Augusto M. Seabra foi o programador da 2ª edição da Semana de Novos Realizadores integrada no Fantasporto 92.

O cinema fantástico chegou ao segundo dia do Fantasporto'94 através de dois filmes bem diferentes, embora ambos ponham em cena personagens de mortos-vivos: «Ed and His Dead Mother», do canadiano Jonathan Wacks; e «Beyond Bedlam», do britânico Vadim Jean.

A crise geracional dos «amigos de Alex» voltou a dar tema para outra produção. Trata-se de «Top of the World», primeira obra do americano Cort Tramontin, que também acompanhou a sua apresentação no Fantasporto, onde confidenciou ter-se particularmente interessado pela «consciência da infelicidade» que marca a geração dos anos 60-70. Inteiramente filmado nas montanhas do Colorado, «Top of the World» encena a catarse de um grupo de amigos e respectivos companheiros/as que se juntam para um fim-de-semana alargado por altura da festa de Acção de Graças. Num momento de espontânea «acção de graças», ao jantar, os personagens agradecem a Deus mais as memórias do que o presente ou o futuro -- sintoma da infelicidade que se apodera de quase todos eles. E as imagens filmadas por Tramontin são fiéis a essa tomada de consciência de crise pessoal e afectiva.

Coube ao maestro israelita Meir Minsky a função de dirigir a Orquestra Clássica do Porto na sua primeira experiência discográfica desde a sua criação há cerca de um ano. Este músico de 44 anos, nascido em Lodz (Polónia) e vivendo actualmente em Bruxelas, terá conhecido nos últimos anos, na expressão de José Atalaya, director artístico da Clássica, uma «ascensão rapidíssima».

De lamentar é, no seu entender, o quase nulo conhecimento, fora de Portugal, dos compositores portugueses. Joly Braga Santos, a quem é dedicado um dos discos, é para Minsky, um «grande músico europeu». A introdução de elementos folclóricos nalgumas peças levam-no a proclamar: «É uma espécie de Bartók português».

O mais importante festival cinematográfico português, e o de maior impacto público, o Fantasporto, resiste à crise do cinema fantástico, mas com que confusões!

1) Um festival de cinema é a intersecção de desejos e possibilidades. De desejos na medida em que se supõe que os organizadores pretendem dar a conhecer ao seu específico público um conjunto de filmes que eles próprios apreciam, isto é, propõem-se compartilhar com o público um prazer cinematográfico. Mas para o fazer dependem de disponibilidades das cópias, licenças de produtores, etc.

A Sociedade de Língua Portuguesa (SLP) elegeu o advogado e escritor Adalberto Coelho Alves o seu novo presidente, anunciou ontem a Sociedade. Adalberto Alves sucede no cargo ao poeta timorense Fernando Sylvan, que faleceu recentemente. Às eleições da SLP concorreram duas listas, tendo sido eleita a A, composta também por Elsa Rodrigues dos Santos e João Faustino Cordeiro. As funções de vice-presidente da SLP passam, a partir de agora, a ser desempenhadas por Elsa Rodrigues dos Santos, professora, ensaísta e investigadora na área de estudos africanos e portugueses. O secretariado da direcção, por seu lado, fica entregue a João Faustino Cordeiro, licenciado em Filosofia. O novo presidentes da SLP, Adalberto Alves, é autor de vários livros de poesia e tem publicado estudos sobre o islamismo. Em 1987 organizou para a editora Assírio e Alvim a colectânea "O Meu Coração É Árabe".

Alude ao seu fim próximo, falando da evolução do cancro de que sofre e do calvário dos tratamentos e das enfermarias. Umas vezes complacente e resignado, outras desiludido e desesperado. «Penso e repenso dia e noite na morte», diz, num texto datado de 22 de Outubro de 1993: «Sem contemplações, tiranicamente, [a morte] comanda agora todos os meus actos e pensamentos».

Paços de Ferreira e União da Madeira empataram ontem a um golo num jogo muito mal jogado, mantendo ambas as equipas a série de jogos sem ganhar. No Paços de Ferreira a última vitória tem quase dois meses, foi conseguida no dia 12 de Dezembro, frente ao Farense. Desde aí a equipa de Vítor Urbano está em queda e ontem isso foi bem evidente, defesa insegura, meio-campo sem criatividade e uma dupla de avançados (Rudi e Paulo Sérgio) estática, facilitando muito a vida à defesa adversária. A última vitória do União é mais recente, aconteceu a 2 de Janeiro frente ao Boavista, mas nem por isso os dois pontos ontem em disputa lhe eram menos necessários.

A perder, o Paços de Ferreira tentou atacar, mas durante toda a primeira parte chegou a ser confrangedora a forma lenta como trocava a bola e permitia o controlo fácil pelo União. Vítor Urbano, ontem a conduzir a equipa da boca do túnel de acesso às cabines por castigo federativo, trocou ao intervalo Ricardo e Dacroce por Tsoumou e Riva, passando a jogar apenas com três defesas (Sérgio Cruz, Chico Oliveira e Tsoumou) e juntando Riva à dupla Paulo Sérgio-Rudi. Recuou o União, também fruto da expulsão por acumulação de amarelos, logo aos 49', do lateral Joilton. O ataque em catástrofe do Paços de Ferreira criou oportunidades mais do que suficientes para marcar, mas isso só veio a acontecer a três minutos do final, num remate de ressaca de Bozinovski no seguimento de um pontapé de canto.

Esteve todo um país suspenso durante uma semana à espera da grande refrega e, prematuras ou não, as conversas evocavam a previsibilidade de sair da Luz um campeão antecipado. No grande embate, o Benfica bateu o adversário como o não fazia no seu estádio desde a época de 1986/87.

Disposição para vencer mostrou-a a turma da casa, agora a atingir o ponto mais alto da grande campanha que montou em torno da sua cor. Sócios, revitalização económica, e um título, acima de tudo, a perseguir. Alcance-se este último objectivo, e tudo lhe será perdoado. O dinheiro voltará a correr em cascata pelos seus arejados cofres.

Depois de há uma semana ter eliminado o Benfica da Taça de Portugal, o Belenenses venceu ontem o Farense, em jogo da 18ª jornada do «Nacional, por 4-2. A goleada esteve à vista e o que parecia ser fácil acabou por se complicar e dar outra expressão ao marcador.

Após o golo, o Belenenses não deixou de aproveitar os corredores para conduzir o seu jogo e por pouco, aos 16', não surgia o segundo golo, também por Taira. Saiu-lhe mal o remate, que foi um pouco ao lado do poste direito, a uma incursão de Nito, desta vez pelo lado esquerdo. Apático, o Farense pouco incomodava a bem organizada defesa dos donos da casa e procurava resistir com um meio-campo algo lento e que poucas vezes ajudava os jogadores mais recuados. A dominar o encontro, o Belenenses passou a jogar mais rápido, com sucessivas trocas de bola, e o segundo golo (27') acabou por surgir naturalmente. Gonçalves, da direita, cruzou para a entrada de cabeça, fulminante, de Luís Gustavo. O mesmo atleta perderia, aos 30', mais uma hipótese flagrante, ao não conseguir ultrapassar José Carlos, que saíra de entre os postes, depois de tirar a bola a um «algarvio».

A última jornada cruzada do «Nacional» de basquetebol masculino da I Divisão serviu, uma vez mais, para que algumas equipas da A2 voltassem a surpreender parceiros da série principal, tendo inclusive duas delas conseguido vitórias nos terrenos dos seus opositores.

Outro destaque da jornada vai para o jogo do Setúbal onde o Esgueira conseguiu difícil triunfo sobre os sadinos, por 81-83 após prolongamento, já que no tempo regulamentar se verificava uma igualdade a 74 pontos. A equipa setubalense que vai na sua terceira derrota consecutiva encontra-se já na sexta posição da sua série enquanto os esgueirenses, algo distantes do rendimento conseguido na época passada ocupam a quinta posição da A1.

«Olha as almofadas da sorte.» A resposta do interpelado, gorro vermelho e blusão preto molhado, cabeça baixa, sai rápida: «Se der para parar a chuva até compro o saco todo...»

«Temos muitos amigos do Benfica e costumamos brincar por causa disso», diz Rodrigues. Ontem, sozinhas no estádio, já tinham ouvido algumas piadas dos benfiquistas. Nada de mais. «Ainda agora ali ao pé da casa de banho mandaram umas bocas. Mas nós não ligamos. O último a rir ri melhor, é o que eu costumo dizer...»

Sem Dito e sem Laureta, sem rei nem roque, sem tino nem tineta. A equipa do Gil Vicente teve, no estádio 1º de Maio, uma prestação próxima daquilo que se convencionou considerar estado de calamidade e acabou goleada.

Rosado e depois Rui Neves, na direita, Nélson Morais, na esquerda, nunca atinaram com as marcações a Forbs e Karoglan. E que dizer de Miguel, a quem coube marcar Toni, a não ser que há dias em que é melhor não pôr um pé fora de casa. E de Vasco? E de Lito? Uma defesa assim merecia o Nobel da Asneira...

«Com 11 jogadores contra dez é muito difícil. Na primeira parte, estiveram duas equipas iguais, com pouca diferença. A diferença é Fernando Couto. O resultado foi Mozer, 2-Fernando Couto,0.»

Robson teve tempo ainda para elogiar o esforço dos jogadores do FC Porto e lembrar que, apesar da expulsão de Fernando Couto, tinha optado pelo ataque, na segunda parte: «Entre pôr ou não o Jorge Costa, escolhi manter três contra três. E atacámos sempre.»

Parente, Pedro e Luís Manuel (Salgueiros); Figo (Sporting); Chico Fonseca, João Pinto e Montalegre (Belenenses); Sérgio Duarte, Stevanovic, Djukic e Pitico (Farense); Marco Aurélio, Pedro Paulo, Tico, Germano e Jukanovik (União); Rudi e Bozinoski (P. Ferreira); Carlos Fonseca, Lila e Freitas (Famalicão); Borreicho e Litos (Estoril); Brassard (Guimarães); Carlos Miguel (Beira Mar); Vasco e Cacioli (Gil Vicente); Jorge Ferreira (Sp. Braga); Sérgio Araújo (V. Setúbal); Quim Machado, Zezé Gomes e Ricardo (E. Amadora); Paulo Madeira e Humberto (Marítimo); Rui Bento (Boavista); Kostadinov, Timofte (FC Porto); Veloso (Benfica)

Como que para provar mais uma vez a existência de uma dose de imprevisibilidade dos resultados superior à média do futebol nacional, mais uma vez a Divisão de Honra pôs em causa o factor casa. Quatro vitórias fora e dois empates, contra apenas três triunfos caseiros, coloriram o quadro final da jornada. De negativo, apenas a elevada percentagem -- oito em 18 -- de equipas que ficaram em branco no marcador.

Poucos dias depois de a final da Taça de Portugal regressar ao Jamor e do portuense Laureano Gonçalves insistir no abandono da presidência do sempre disputado Conselho de Arbitragem, o FC Porto deve ter comprometido definitivamente o desejo de comemorar o seu centenário com a conquista do primeiro «tri». E nem a «santa aliança» firmada com os rivais de Alvalade deverá permitir a recuperação dos seis pontos de atraso para um Benfica que tem tudo a seu favor. O horizonte é agora claramente vermelho e poucos já recordarão a pior crise de sempre alguma vez vivida no clube da Luz. O Sporting parece ser agora o único em condições de contrariar a festa final «encarnada». E, depois do desnorte inicial, Carlos Queirós já vai na terceira vitória consecutiva.

O virar da página do campeonato não foi nada favorável às equipas nortenhas. O Sporting de Braga foi único a vencer, marcou sete golos nos dois últimos jogos e começa a ganhar alguma tranquilidade. As dores de cabeça estão agora a transferir-se para os lados de Paços de Ferreira, que não ganha há seis jogos. Apesar do puxão de orelhas do presidente Pimenta Machado e da coragem em apostar num avançado com apenas 17 anos, Pedroto também já não consegue que o seu Guimarães vença há quatro jornadas.

O Belenenses manteve o avanço de três pontos sobre o Benfica, segundo classificado, após a realização da 16ª jornada do «Nacional» de andebol da I Divisão, disputada no sábado. O líder da prova deslocou-se a Fafe e bateu a turma local por 29-25, enquanto o Benfica recebeu o Sporting, impondo-se por 26-16, naquele que era considerado o encontro mais importante da ronda. Outros resultados: Loures-Francisco de Holanda, 16-22 e Ginásio do Sul-Tavira, 26-19.

O árbitro portuense João Mesquita foi a má figura do derby minhoto entre o Famalicão e o Vitória de Guimarães, cujo empate final acaba por ter algum sabor a injustiça para os visitantes, tal foi o domínio que exrceram ao longo de um encontro disputado a grande velocidade e com agitação permanente nas bancadas com o público a reagir às asneiras do juiz.

Sabendo-se que Marítimo e Boavista têm um objectivo comum, a participação numa prova europeia, perspectivava-se uma partida de grande nível técnico para a tarde de ontem no estádio dos Barreiros. Além disso, a prestação desportiva de ambos os conjuntos ao longo da 1ª volta, embora com alguma irregularidade, garantia, igualmente, um bom jogo de futebol.

Do lado contrário, Paulo Duarte «policiava» Artur, enquanto que Soeiro e Humberto, à frente dos dois centrais, tinham como principal função destruir as iniciativas do boliviano Sanchez.

As Taças dos Campeões Europeus de crosse falaram português. O Maratona da Maia venceu em femininos e o Sporting em masculinos. Albertina Dias e Domingos Castro juntaram os triunfos individuais numa jornada de triunfos que não foi mais do que o confirmar de uma tradição.

Na frente da corrida, Albertina Dias e Fernanda Ribeiro controlavam as operações. Cedo a campeã do mundo de crosse se isolou, para fazer uma corrida sem quaisquer dificuldades. A primeira atleta do Braga, Conceição Ferreira, gravitava pelo sexto lugar. Depois, o grosso da forte coluna do Maratona -- Rosa Oliveira, Ana Correia e Carla Sacramento. Mais atrás, muito mais atrás, vinham Manuela Machado, Albertina Machado e Fernanda Marques.

Os Cleveland Cavaliers venceram os Atlanta Hawks, por 109-93, em jogo da jornada de sábado da Liga Norte-Americana de Basquetebol Profissional (NBA). John Williams (19 pontos), Larry Nance (18) e Mark Price (16) comandaram os Cavaliers nesta vitória, a primeira da época em casa sobre os Hawks e Lenny Wilkens, o antigo treinador da equipa de Cleveland.

Em Detroit, a noite foi do extremo Derrick Coleman, que marcou 31 pontos e ganhou 18 ressaltos para liderar os New Jersey Nets numa suada vitória sobre os Pistons, por 107-100. Para obterem esta vitória, os Nets, quartos da Divisão Atlântico, com 21 vitórias e 22 derrotas, recuperaram de uma desvantagem de 21 pontos no final da primeira metade da partida.

A maior proeza atlética do início de 1994 no sector masculino ocorreu ontem durante a tradicional reunião de Grenoble, em França. O russo Leonid Voloshin conseguiu um novo recorde mundial em pista coberta para o triplo salto, ao transpor 17,77m, somando mais um centímetro à marca que o americano Mike Conley havia obtido em Nova Iorque, a 27 de Fevereiro de 1987.

Entretanto, também ontem em Bucareste, a romena Gabriela Mihalcea bateu o recorde europeu de uma prova que dá os primeiros passos no sector feminino, o salto com vara, ao passar a fasquia posta a 3,96m. Mihalcea juntou um centímetro ao anterior máximo estabelecido pela alemã Nicole Rieger há uma semana.

Vitória de Setúbal e Estrela da Amadora empataram a uma bola no estádio do Bonfim mas decerto o encontro de ontem ficará na memória de ambas as equipas. Depois de uns primeiros 45 minutos de jogo «normais», uma guerra inédita entre os dois «bancos» acabaria por dar outro carácter à partida -- Raul Águas e João Alves, técnicos do Vitória e do Estrela, respectivamente, queriam jogar a segunda parte com a sua própria bola.

À parte estes conflitos casuais, o Setúbal acabou por fazer valer a sua vantagem no resultado. Isto porque levou os mesmos pontos que o Estrela, só que a jogar com dez elementos, depois da expulsão correcta de Filgueira (14'). A equipa do Sado foi a primeira a procurar o golo quando Yekini tentou o remate no limite da grande-área, a passe de Rui Esteves.

António Pinto, do Maratona CP, pairou sobre a concorrência e pulverizou o recorde da Corrida dos Sinos, cuja 12ª edição se disputou ontem, em Mafra. O fundista nortenho percorreu os 15,173km do difícil percurso em 43m57s, superando largamente a anterior marca de 44m49s obtida pelo seu colega de equipa Joaquim Pinheiro em 1991, e deixou o segundo, Carlos Patrício, do Sporting, a mais de um minuto (45m00s). Por equipas, a vitória coube também ao Maratona CP.

No cômputo geral, uma corrida de bom nível e uma organização onde não se detectaram falhas, a deixar satisfeitos os 1249 participantes que completaram a prova.

O australiano Greg Norman, conhecido como o «tubarão branco», destronou o inglês Nick Faldo do topo do «ranking» mundial, 81 semanas depois do início do reinado deste, que nunca sofreu contestação. Até ontem, quando Norman venceu o Johnnie Walker Classic, na Tailândia, quarta prova da temporada do circuito europeu de golfistas profissionais, cujo total de prémios monetários ascendia aos 156 mil contos.

Não foi ainda na segunda ronda que Norman se colocou entre os candidatos ao triunfo. O seu resultado de 70 pancadas apenas lhe permitiu assegurar um lugar nos dois últimos dias de prova. No terceiro dia, então, o australiano bate o recorde do campo com uma volta em 64 pancadas e sobe até ao terceiro lugar da classificação provisória, que era liderada (ainda) por Couples, de parceria com Ian Woosnam. Mas, agora, apenas uma pancada os separava.

Com a vitória ontem alcançada no estádio Abel Alves de Figueiredo, o Tirsense manteve isolado o primeiro lugar na Divisão de Honra. Contudo, a equipa de Eurico Gomes, ontem frente ao Penafiel, não foi além da vulgaridade, fez uma exibição sofrível, com um futebol desligado -- o meio-campo sem Evandro e Fernando Gomes pura e simplesmente não existiu -- e poucas soluções ofensivas. Foi preciso um excelente remate de fora da área de Mustapha, aos 75', para dar algum sossego aos adeptos da casa, que viam o empate como o resultado mais provável.

Pouco depois, aos 81', o árbitro Carlos Calheiros assinalou grande penalidade muito duvidosa a punir uma possível falta de José Carlos sobre Marcelo, que o próprio brasileiro converteu, descansando definitivamente o seus companheiros. De resto, no que respeita à finalização, o Tirsense apenas conseguiu produzir mais três remates, dois dos quais por intermédio de Marcelo.

No ano passado, a Toyota ganhou o seu primeiro título mundial de ralis e assegurou também o terceiro «Mundial» de pilotos -- o Celica chegou ao seu auge. Da fábrica japonesa de Tahara sai agora a sexta geração deste modelo, que daqui a alguns meses chegará às competições. Ao capitalizar o prestígio de um vencedor, a Toyota propõe um automóvel de linhas agressivas, «performances» sedutoras e carácter exclusivo -- a começar no preço.

Neste segmento muito particular, mais do que o preço ou a funcionalidade, é a imagem personalizada e o desempenho que despertam o interesse dos potenciais compradores. Por isso, a Toyota faz questão de «colar» o seu novo produto comercial aos êxitos conseguidos nos últimos «Mundiais» de ralis. Para que o comprador sinta «prazer e excitação» na condução e «orgulho» no seu automóvel.

O Beira Mar continua a marcar passo. Ontem cedeu no Mário Duarte um empate sem golos perante o «lanterna vermelha» Estoril e complicou ainda mais a sua carreira no campeonato. Mais um problema sério para ser resolvido pelos responsáveis do clube aveirense, que durante a semana passada foram confrontados com um pedido de indemnização apresentado pela equipa espanhola de Castellon.

Num terreno pesado e enlameado o Beira Mar surgiu ao ataque e criou perigo logo aos 15': Cabral chutou na pequena área na sequência de uma canto, mas Passos salvou em cima da linha do golo. Logo a seguir Dino cabeceou à barra uma bola centrada por Eusébio e já em fora-de-jogo conseguiu falhar a recarga com a baliza aberta.

Sob a pressão dos quatro países candidatos à União Europeia, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Doze deverão decidir hoje sobre o seu eventual acesso aos fundos estruturais destinados às regiões mais desfavorecidas, a par da concessão de uma situação privilegiada no capítulo agrícola.

A fragilidade do argumento dos países candidatos é que apenas a região austríaca de Burgenland preenche o critério definido em termos do PIB, embora algumas zonas da Finlândia e da Noruega possam ser encaixadas com alguma boa vontade. Mas a grande maioria, sobretudo na Suécia, apresenta um nível de riqueza substancialmente superior ao das outras regiões mais desfavorecidas, o que não impede Estocolmo de querer incluir uma zona -- Norbotten -- com um PIB equivalente a 103 por cento da média comunitária.

Américo Amorim quer fechar o «dossier» Portal do Sol, que já lhe valeu uma derrota em tribunal. Propõe-se comprar os 40 por cento da Maxwell Corporation na empresa por 750 mil contos, convencer os árabes da Thiana a comprarem os terrenos no Algarve e assim resolver o destino dos 2,5 milhões de contos que estão na origem do conflito com os britânicos.

As negociações com a sociedade árabe goraram-se devido à impossibilidade administrativa de definir a urbanização da área. A Thiana Limited desistiu da compra e requereu a devolução do sinal, o que Américo Amorim, enquanto presidente da Portal e «avalista pessoal» do negócio, recusou, por considerar que a ela não havia direito. Esta posição do empresário nortenho foi sustentada e vencedora em tribunal arbitral, estando o recurso da Thiana em processo de julgamento em tribunal administrativo.

Portugal foi incluído na lista dos países que oferecem menor risco para o investimento estrangeiro, de acordo com um estudo elaborado pelo «The Economist Intelligence Unit», ligado ao grupo editorial da revista «The Economist». Na categoria «A» (a de menor risco) encontram-se também a Espanha, Coreia do Sul, Hong Kong, Singapura e Formosa, numa tabela mundial que vai até à categoria «E», considerada como a de maior risco. O «rating» apresentado tem em conta indicadores como a dívida externa, crescimento económico, balança de pagamentos correntes, garantias para os investidores, exportações, política económica, situação política e necessidade de recurso ao Fundo Monetário Internacional. No grupo apontado como o de maior risco estão o Iraque, a Rússia, o Zaire e repúblicas da ex-Jugoslávia.

A Delta Airlines, a terceira maior companhia aérea dos Estados Unidos, quer fortalecer as suas operações no Atlântico Norte, ou seja, os voos entre os Estados Unidos e a Europa. «Apesar de os nossos resultados transatlânticos em 1993 terem mostrado uma melhoria, ela não é suficiente», afirmou o presidente da empresa, Ronald Allen, numa declaração feita no final da semana

AS FORÇAS governamentais angolanas anunciaram que ficaram durante o fim de semana a controlar cerca de 80 por cento da cidade do Cuíto, capital da província do Bié, onde a UNITA detinha muitas posições e decretara unilateralmente um cessar-fogo no mês de Setembro.

Fonte militar luandense afirmou à agência Lusa que os combates de sábado causaram mais de meia centena de mortos, tendo as Forças Armadas Angolanas recuperado alguns dos bairros que há cinco meses se encontravam em poder da UNITA. O barulho dos canhões voltou a ouvir-se ontem de manhã e a intenção governamental era aparentemente recuperar o controlo total da antiga Silva Porto.

O GRANDE patrão da televisão italiana, Silvio Berlusconi, prometeu um novo milagre económico e uma quebra com o passado quando ontem lançou em Roma a sua campanha para as eleições gerais de Março.

O momento principal da sessão foi quando o grande homem de Milão, que apresentou espectáculos em navios de cruzeiro antes de ter feito fortuna no boom imobiliário dos anos 60, levou a multidão a entoar o hino da campanha: «Força Itália, é tempo de ser livre».

O MINISTRO das Finanças, Fernando Henrique Cardoso, usará hoje uma rede nacional de rádio e televisão para tentar romper o bloqueio político imposto pelo Congresso Brasileiro ao seu plano de recuperação económica.

Pela segunda vez, na semana passada, o Congresso adiou, por falta de quorum, a aprovação de um Fundo Social de Emergência (FSE), tido pelo ministro como fundamental para amenizar o impacto social de um drástico programa de cortes orçamentais que pretende adoptar, no começo de Marco. A resistência dos parlamentares resulta de que a criação do FSE daria a Cardoso o controlo directo de recursos da ordem de 16 mil milhões de dólares, estrategicamente direccionados para uma grande massa de eleitores de baixa renda, em pleno ano eleitoral.

A POLÍCIA egípcia deteve ontem nove dezenas de militantes integristas suspeitos depois de um atirador ter morto uma importância testemunha do julgamento de extremistas acusados de terem tentado matar o primeiro-ministro egípcio, Atef Sedki, anunciou no Cairo um porta-voz das forças de segurança. Sayyed Ahmed Yahya foi morto sexta-feira à noite por um atirador quando seguia, de carro, perto da cidade de Shibin al-Qanatir, no Baixo Egipto. Três outras pessoas foram mortas na mesma ocasião. As autoridades afastaram entretanto o chefe das forças de segurança de Qaliubiya, brigadeiro Taj Abu An-Nasr, acusado de negligência na protecção a Yahya. O militar foi substituído por um outro brigadeiro, Mohammed Abdel-Fattah.

A TERRA onde Félix Houphouet-Boigny nasceu há 88 anos e que fez capital da Costa do Marfim, Yamoussoukro, vive hoje o seu dia de glória, quando algumas dezenas de chefes de Estado, de Governo e de Parlamento assistirem, na Basílica de Nossa Senhora da Paz, às solenes exéquias do primeiro Presidente do país, falecido em Dezembro último.

Os eleitores finlandeses enfrentaram ontem temperaturas de catorze e nalguns casos vinte graus centígrados negativos para escolher o Presidente da República, numa segunda volta antecipadamente renhida entre a ministra da Defesa e um diplomata veterano.

Lauri Karvonen, professor de Ciência Política na universidade de Abo, declarou à Reuter que o diplomata veterano «parece ter uma vantagem em que pode confiar», mas ressalvou que «existe a possibilidade de eleitores indecisos serem influenciados pela sondagem e dizerem que não vão votar por mais um socialista».

SEM AMEAÇAS externas imediatas e sobretudo sem dinheiro, a Indonésia, o gigante do sudeste asiático quer pela sua população quer pela extensão do seu território, acaba de afirmar que se contentará, para já, em ser um anão do ponto de vista militar.

Deste total, apenas 519 milhões de dólares foram reservados aos investimentos, o soldo que sobre os gastos de funcionamento. «O orçamento limitado não permitirá a aquisição de novos equipamentos», admitiu o general Tanjug, citado pela AFP.

O primeiro comício em Moscovo desde o êxito eleitoral de Dezembro do ultranacionalista Vladimir Jirinovski não reuniu mais de 500 pessoas, mas, apesar disso, ele fez da ocasião um acontecimento, ao anunciar a constituição de um «Exército Eslavo», com a missão de defender a Rússia de uma cultura ocidental de violência e dinheiro. No Parque Sokolniki, no sábado à tarde, Jirinovski apresentou um jovem de uniforme negro e boina negra e proclamou: «Aqui está: o novo exército ortodoxo eslavo.»

Adiantou ainda que os EUA, a Alemanha e o Vaticano travam uma guerra subterrânea contra os eslavos. Para ele, as propostas ocidentais para desencadear raides aéreos contra os sérvios, nos Balcãs, são comparáveis às acções conduzidas pelo líder nazi Adolfo Hitler.

O Ocidente não poupa palavras para condenar o drama amoral que está a ocorrer desde há quase três anos na ex-Jugoslávia, «sacudido» que foi, novamente, pelo massacre de sábado em Sarajevo. Agora é a vez de franceses, italianos e alemães mostrarem mais decisão. Querem que a NATO lance um ultimato aos beligerantes. Os Estados Unidos continuam a hesitar.

Paris defende ainda que todo o armamento pesado pertencente a sérvios e a muçulmanos bósnios e colocado a menos de 30 quilómetros de Sarajevo seja recolhido e guardado pelos «capacetes azuis» da ONU. «Se estas duas condições não forem respeitadas... todos os meios, incluindo a força aérea, devem ser empregues para assegurar o seu cumprimento», acrescentou, especificando que os membros da NATO devem anunciar um prazo limite para o cumprimento das exigências.

OS REBELDES do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) pediram às organizações não-governamentais mexicanas que formem um «cordão de paz» em volta do local onde deverá ocorrer o diálogo, tido para breve, entre o Governo e os insurrectos.

Mas nem sinal do início das conversações entre o representante do Governo, Manuel Camacho Solis, e os zapatistas, que no documento não adiantam mais do que já se sabe: que o diálogo está «iminente», mas sem dia nem hora marcados para começar.

O novo chefe do Pentágono indicou claramente a Moscovo quais são as opções da Rússia: ser a favor ou contra a Aliança Atlântica. No mesmo dia, a NATO deixava escapar a sua preocupação pelo facto de os russos não parecerem afinal nada entusiasmados em aderir à Parceria para a Paz.

Ou seja, os Estados Unidos e a NATO apoiam o processo russo de reformas e, através da sua nova política consagrada na Parceria para a Paz continuarão a forjar laços mais estreitos com Moscovo, desde que o caminho reformador seja mantido, tal como o respeito pelos países vizinhos e a colaboração com o Ocidente.

O cerco de Sarajevo já provocou desde o seu início, há 22 meses, 10 mil mortos civis, entre eles mais de 1500 crianças. Os bósnios a viverem em condições muito difíceis na cidade, e apesar da protecção dos «capacetes azuis» da ONU, são alvo constante das miras sérvias, colocadas nas colinas circundantes. Os atiradores furtivos especializaram-se no tiro único, certeiro, preparado em segundos. E um qualquer transeunte cai para sempre. Mas o fogo da artilharia pesada também é macabramente selectivo. O extremismo e o ódio levam os atiradores a escolherem como alvos preferenciais locais que sabem de antemão garantir o máximo de efeito psicológico, o maior número de vítimas. Uma escola, uma fila para o pão, um funeral, um improvisado desafio de futebol, a ida à geladaria, uma cena do quotidiano de qualquer sociedade civilizada pode transformar-se, em Sarajevo, num cenário de terror. Este álbum de sangue recorda as situações desse tipo que mais impacto causaram, não incluindo a morte na sexta-feira de nove pessoas, à espera da distribuição de artigos pela ONU, nem a carnificina de sábado, no mercado ao ar livre, a mais recente da série macabra.

Para ele, o ultranacionalista Vladimir Jirinovski continua a ser «um palhaço», apesar do seu êxito eleitoral em Dezembro, que o escritor julga uma expressão da alienação dos russos comuns, face a um governo incompetente e que não se preocupa com os seus problemas.

UM RELATÓRIO confidencial da ONU acusa o chefe da principal facção somali, general Mohamed Farah Aidid, de preparar um ataque em massa contra os soldados das Nações Unidas que ficarão no terreno depois da partida dos norte-americanos e outros ocidentais, durante os próximos dois meses.

Mehdi apoiou as forças norte-americanas no seu controverso conflito com as milícias da Aliança, quando o objectivo era deter Aidid, o que foi tentado em vão e posto finalmente de parte após a morte de cerca de 70 soldados estrangeiros, incluindo 24 norte-americanos. A facção do general Aidid está talvez em vias de estabelecer um plano que inclua um vasto ataque às Nações Unidas, para quebrar a vontade dos contingentes que ficarem na Somália e os obrigar a partir, diz o relatório.

O primeiro-ministro britânico, John Major, fez ontem uma crítica indirecta ao seu aliado americano Bill Clinton, dizendo que o Presidente dos EUA foi «mal aconselhado» quando decidiu conceder um visto de 48 horas a Gerry Adams, líder do Sinn Fein, braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA).

«Muitos dos que tinham pedido a Washington para o deixar entrar lamentam agora a opinião que deram» -- assinala o chefe do governo conservador.

As novas responsabilidades autárquicas após o 25 de Abril vieram encontrar as autarquias, particularmente nas regiões despovoadas e carenciadas de recursos humanos qualificados do interior do país, numa espécie de «vazio de saber». Com meios financeiros, mas sem meios técnicos adequados, o poder local ficou preso de uma fórmula explosiva cujos resultados estão hoje à vista.

Mas este sucesso encerrava as suas próprias limitações. A administração central nunca abdicou de um conjunto de tutelas, que foram sobrepostas às competências das autarquias, resultando numa guerrilha institucional permanente e numa tendencial paralisação da acção administrativa. Os casos mais paradigmáticos foram os da aprovação de loteamentos e da aprovação de projectos em áreas de protecção a imóveis classificados, sujeitos a autorizações da tutela, cujos técnicos, de competência muito desigual, davam os seus pareceres soberanos de forma casuística, subjectiva e virtualmente incontornável.

«Uma abelha isolada nada consegue fazer, mas juntas fazem o mel, um produto único que ninguém mais sabe fazer». Mas os apicultores não utilizam este saber para constituirem associações profissionais capazes de os apoiar na resolução dos problemas que afectam o sector.

Uma das acções que consideram prioritárias é a «inventariação, a nível nacional, dos apicultores e das suas organizações», com o objectivo de «avaliar devidamente os seus problemas e potencialidades». Exemplos de programas em que a apicultura serviu como actividade de luta contra a pobreza em pequenas aldeias junto à serra da Estrela foram salientados durante o congresso.

Lisboa vista pelos pintores «naives» é o tema da exposição patente no Hotel Meridien, em Lisboa, das 9h00 às 22h00 até 22 de Fevereiro.

O Teatro Ibérico, na Rua de Xabregas, em Lisboa, tem em cena, de manhã e de tarde para grupos organizados, a dramatização do «Auto da Índia» de Gil Vicente com poemas de Camões.

Um cabo do posto da GNR de Lamas, Aveiro, foi alvejado ontem de madrugada durante uma operação de captura de dois homens que teriam roubado uma viatura, informou a força de segurança. Segundo a GNR de Coimbra, o militar, que foi internado no Hospital da Maia, encontra-se livre de perigo. O incidente verificou-se cerca das 2h00 quando os dois presumíveis autores do furto de uma viatura reagiram a tiro às interpelações dos soldados da Guarda. Um dos indivíduos foi detido e o outro, apesar de identificado, conseguiu escapar.

Valência e Lisboa serão as primeiras cidades ibéricas a ter uma rede de eléctricos rápidos. Por isso, técnicos da Carris têm estado atentos à experiência da capital da região valenciana, com a qual têm estabelecido acordos de cooperação. Está também prevista a possibilidade de guarda-freios da empresa portuguesa se deslocarem à cidade espanhola, a fim de receberem formação para a condução dos novos veículos. O PÚBLICO esteve lá e viu como serão, dentro de três meses, os primeiros eléctricos rápidos ibéricos.

O reitor do Santuário de Fátima foi chamado a assumir um maior protagonismo no projecto de construção de um aeroporto destinado a servir o turismo da vila mariana. O apelo foi feito no debate «Aeroporto--utopia ou necessidade actual», promovido pelo Aeroclube de Fátima, no sábado.

Apesar destas posições, partilhadas por outros intervenientes no debate, realizado em Fátima, Luciano Guerra, reitor do Santuário, argumentou que esta questão deveria continuar a ser liderada pela Região de Turismo de Leiria/Rota do Sol. Esta entidade tem vindo a encabeçar as iniciativas de abertura de uma infra-estrutura aeroportuária para servir a região Centro do país.

Um bar da cadeia norte-americana Hard Rock Café vai surgir à beira-rio num armazém portuário que a Administração do Porto de Lisboa vai arrendar.

Um terceiro contrato será terça-feira assinado com a empresa Transinsular que vai instalar a sua sede num segundo piso de um armazém da APL em Alcântara. No total, estes contratos representam uma renda anual de 50 mil contos para a Administração do Porto de Lisboa.

O grupo caldense PH -- Património Histórico acaba de editar «Paredes de Louça: Azulejos de Fachada das Caldas da Rainha», um livro que mostra a evolução dos painéis de azulejos na cidade da cerâmica.

Lucília Verdelho da Costa assina uma introdução em que caracteriza as modalidades de relacionamento entre azulejaria e arquitectura nas Caldas da Rainha, na transição do século XIX para o século XX.

A população de Martim, uma freguesia do concelho de Barcelos, está disposta a impedir a cerimónia de inauguração do último troço da auto-estrada que liga o Porto à cidade de Braga, prevista para hoje, se as autoridades não alterarem a designação do nó-oeste desta via de acesso a Braga de «Nó de Cabreiros» para «Nó de Martim».

Na sua opinião, a população de Martim tem «mais do que provas» de que os terrenos onde o nó está implantado são da sua freguesia e não da de Cabreiros, a freguesia vizinha já pertencente ao concelho de Braga. Em reforço da sua tese, Manuel Dixe recorda um velho marco que comprova a reivindicação; cita as matrizes dos artigos rústicos que servem de base à identificação das propriedades e exibe uma carta topográfica. E remata: «Não houve contencioso na expropriação dos terrenos para a construção da auto-estrada e os editais sempre foram colocados na Junta da nossa freguesia». A razão do equívoco é outra: «A Câmara de Braga fez exigências à Brisa por causa do traçado da auto-estrada e liderou todo o processo. Então, chamou-lhe como pretendeu, esquecendo-se que o nó ficava em Barcelos e não no seu concelho».

É um serviço que pouca gente conhece, e com uma facilidade de acesso que contrasta com os complicados e morosos processos com que se defronta quem se dedica a investigar o que quer que seja. Com sorte, a Biblioteca Genealógica de Lisboa, da Igreja Mórmon, permite dar a conhecer a quem a visita a história da sua família, até quase ao tempo dos Descobrimentos portugueses.

Boa parte da documentação existente pode, de qualquer forma, ser consultada nas instalaçãos da biblioteca, na Avenida Gago Coutinho, em Lisboa. Se ali não estiver disponível não quer dizer que não exista. Tem é de ser pedida à Sociedade Genealógica de Utah, em Salt Lake City, nos Estados Unidos da América, a «sede física» desta fé. Depois, num mês ou dois, chega. Assim, simplesmente.

José Cunha, presidente da Câmara do Entroncamento, tem informação de que o Governo pretenda favorecer o Museu dos Transportes Terrestres do Porto (MTTP) e deixar o museu ferroviário criado para a cidade a «ver passar os comboios». Os atrasos na instalação do museu do Entroncamento arrastam-se e ele quer uma audiência urgente com o secretário de Estado dos Transportes, pois o processo «precisa de vapor».

José Cunha reagiu à informação solicitando de imediato uma audiência ao secretário de Estado dos Transportes e abordando logo de seguida o assunto com o deputado socialista por Santarém, Jorge Lacão.

O Palácio Nacional de Sintra já foi o monumento com mais visitantes. Actualmente, o Palácio da Pena ameaça retirar-lhe a preferência dos turistas, pois a ausência de acompanhamento no percurso interno é gritante. É o outro lado da falta de apoio ao património cultural nacional.

Manhã de sexta-feira. A chuva e o granizo, acompanhados pelo vento frio, emprestam ao ambiente do centro histórico e da serra a melancolia que tornou a vila famosa entre os artistas e poetas do Romantismo. Chegado à recepção, o visitante depara com um aviso de que «o palácio não tem guias, apenas tem guardas». Em troca de um bilhete -- gratuito para estudantes nacionais, até 600 escudos o familiar em época de veraneio -- é dito ao repórter, na pele de turista anónimo, que aguarde «cinco minutos» para a visita.

O corpo de Alcides Ferreira, o taxista de Leiria desaparecido a 14 de Janeiro, foi encontrado anteontem, pelas 17h20, no lugar de Eirinhas, nas proximidades da Praia de Vieira, informou a GNR,

Dezenas de curiosos acorreram, no fim da tarde de sábado, ao local onde foi encontrado o corpo, já em avançado estado de decomposição e que foi removido para o Hospital Distrital de Leiria. A autópsia está prevista para o dia de hoje. Ontem, desconhecia-se ainda o local de realização deste acto, se em Leiria, se na Marinha Grande, sede administrativa da área onde o cadáver foi encontrado.

Como já sabe, o Teatro S. Luiz, ao Chiado, não fecha as portas à segunda-feira. Ao fim da tarde, a sala estúdio abre ao público para sessões de poesia.

O que mais surpreende em «Lohengrin» é a simplicidade da sua estrutura e a eficácia com que relata a epopeia vivida por Lohengrin, o cavaleiro da armadura reluzente. No entanto, a simplicidade da ópera de Wagner é apenas aparente. O compositor sabia como ninguém produzir os efeitos mais complexos através dos meios mais singelos. E, neste aspecto, «Lohengrin» marca a sua «despedida» da ópera romântica tradicional, ao mesmo tempo que esboça já técnicas e ambientes sonoros que seriam depois explorados no «Anel do Nibelungo».

A situação política e económica na Rússia dominou o World Economic Forum que na semana passada ocorreu em Davos, na Suíça, onde se reúne anualmente. Quer o primeiro-ministro russo Chernomyrdin, quer o governador do banco central, Gerashahenko, esforçaram-se por garantir que a Rússia vai prosseguir na via das reformas. Mas não conseguiram afastar a impressão dominante no Ocidente: a de que o Presidente Ieltsin cedeu às pressões conservadoras e que a Rússia está à beira de um perigoso caminho para a hiper-inflação e a paralisia económica.

Tudo isto contribui para reforçar, no Ocidente, a imagem deixada pelo primeiro-ministro sueco no encontro de Davos. Segundo ele, o grande perigo na Rússia já não era do dedo sobre o botão nuclear, mas do dedo sobre a máquina russa de imprimir dinheiro. Esse é o dedo de Viktor Gerashchenko, o homem do banco central que citou Kosygin.

Uma laringite obrigou Mário Soares a cancelar a sua deslocação à Costa do Marfim, onde iria assistir às cerimónias fúnebres do Presidente Boigny. Segundo um comunicado do Palácio de Belém, Soares anulou a deslocação a conselho do seu médico assistente, uma vez que «o esforço que representaria a viagem e as grandes diferenças de temperatura iriam certamente agravar o seu estado de saúde». O PR «lamenta profundamente», acrescenta o comunicado. Recorde-se que a hipótese de Mário Soares manter contactos informais com Jonas Savimbi durante esta deslocação à Costa do Marfim, estava em aberto.

Álvaro Castelo Branco foi ontem eleito presidente da Comissão Política Concelhia do Porto do CDS/PP, reforçando a sua intenção de proceder a uma «profunda reestruturação do partido no concelho». O eleito, que liderava a única lista candidata, disse à Lusa que «terminaram as guerras» no CDS portuense, onde um período conturbado culminou com a demissão, há cerca de seis meses, dos membros da Comissão Política Distrital e Concelhia.

Álvaro Castelo Branco, que liderava a única lista candidata à Comissão Política Concelhia do CDS/Porto, foi ontem eleito com 63 votos. Dos 72 votos que deram entrada nas urnas, registaram-se oito em branco e um nulo. Para a Mesa da Assembleia, foi eleito o actual deputado municipal Fernando Albuquerque, que obteve 65 votos. Para além da concelhia, os centristas do Porto elegeram, também, dos 10 delegados ao Congresso que se realiza em Setúbal, de 18 a 20 de Fevereiro, tendo Álvaro Braga Jr. sido o mais votado, imediatamente seguido por António Sousa Lemos, Vasco Morais Soares, Brígida Moucho e Diogo Feyo, este último líder da JC/Porto.

Entre os finais de 1989 e 1991, o tesoureiro da Comissão Política Distrital de Aveiro do PSD podia considerar-se um homem feliz: foram muitos e generosos os contributos financeiros recebidos na conta 4766568/001, do PSD, aberta no Banco Totta e Açores. Dinheiros que serviram para financiar os importantes compromissos que decorriam da agenda política, sobretudo as eleições autárquicas e as legislativas que viriam a dar mais uma maioria absoluta a Cavaco Silva.

Um pedaço da Amazónia, do tamanho do Luxemburgo, está à venda na Suíça. Por 20 dólares o hectare -- o preço do metro quadrado em Genebra -- a Panacre CIA, uma empresa brasileira de agricultura, com sede no estado do Acre (norte do Brasil), está a oferecer aos ambientalistas estrangeiros, «com desconto», 224.386 hectares intocados de floresta amazónica para «exploração racional e sustentável» (sem destruição, garante a empresa).

Para atrair compradores, o jurista suíço Etienne Nebel e um seu associado, o advogado brasileiro Severiano Alves Pereira, estão a oferecer a várias organizações ambientalistas três possibilidades de negócio: «exploração racional» de algumas das 25 espécies de madeira tropical nobre existentes na terra (entre elas o mogno, uma das madeiras mais caras no mercado internacional). Além disso, criação de jacarés, borboletas e de milhares de espécies vegetais e animais para produção de medicamentos. Finalmente, a comercialização de produtos «renováveis» da floresta, como nozes, borracha, peixe, frutas e plantas medicinais.

O jurista Miguel Reis considerou ter que renunciar ao seu cargo de membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social depois do debate parlamentar que sobre esta instituição decorreu na Assembleia da República. Miguel Reis entende que é ineficaz o sistema de coimas introduzido por proposta do PSD para obrigar os órgãos de comunicação social a reproduzir as deliberações tomadas pela Alta Autoridade. «Ou se tem autoridade moral para, por si mesmo, impor esse dever, ou não são multas de cem a mil contos que vão obrigar alguém a fazer o que acha que não deve fazer» -- disse ao PÚBLICO o ex-membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

O relatório do auxiliar médico que encontrou o corpo do antigo conselheiro jurídico da Casa Branca, em Washington, Vincent Foster, morto oficialmente em Julho por suicídio, fala de um misterioso Mercedes, sugerindo que a morte seria «suspeita», revela o «Sunday Telegraph» na sua edição de ontem. Segundo o documento, no parque de estacionamento onde foi descoberto o corpo de Vincent Foster, encontravam-se três viaturas: a do próprio Foster, uma camioneta branca com matrícula de Maryland, e «um Mercedes azul claro com luzes acesas». O jornal diz que a presença desta terceira viatura era até ao momento desconhecida. «Existem poucos Mercedes em Washington e como mero trabalho de rotina deviam ser localizados todos os proprietários de veículos idênticos que existem nesta região, mas até hoje ninguém o fez», afirma o jornal.

O primeiro ministro chinês inaugurou ontem com grande pompa e circunstância a maior central nuclear da China. A apenas 30 quilómetros de Hong Kong. As mais de 500 mil pessoas que aí residem estão preocupadas. O que acontecerá em caso de acidente?

É que a nova central nuclear, em que foram investidos cerca de quatro mil milhões de dólares (696 milhões de contos), resulta da associação das maiores empresas de produção de energia eléctrica da china, «China Light», e de Hong Kong, «Power Co.», e prepara-se para enviar 70 por cento da sua produção para a colónia britânica, que em 1997 deixará o território.

O número de menores que vivem nas ruas do Recife está a aumentar com o êxodo das regiões do interior do Nordeste brasileiro. As autoridades pernambucanas querem devolver as crianças a casa e abriram «espaços de transição». Abandonados à sua sorte, os meninos mendigam e roubam para cheirar cola. «Rapaz, todo o dia uma lata de cola ! ».

«A gente cheira cola não no pensamento de roubar; a gente cheira porque gosta: eu gosto de abusar. A cola é idêntica à maconha. Não é bom para a saúde, mas é bom para a mente». Marcos cheira ininterruptamente há dois anos.«Eu tomo leite para lavar o pulmão. A gente compra na padaria ou pede à mulher para pagar». Come quando há dinheiro ou quando os turistas oferecem. «Os americanos dão café, pão, camisa, calção...». E a polícia? «Quando vê a gente a cheirar, bate e toma a cola, mas não adianta de nada porque a gente compra mais cola. Rapaz, todo o dia uma lata de cola!».

Do terminal rodoviário de Caruaru partem diariamente mais de vinte autocarros em direcção ao Sul do Brasil. São Paulo e Recife -- a capital do Estado de Pernambuco, somente a 130 quilómetros de distância -- são dois dos destinos mais procurados por quem foge da seca que afecta há já alguns anos a região do Agreste. A proximidade do Recife tem vindo a fazer com que a população das favelas não pare de crescer. Segundo um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em meados do ano anterior, nas 223 favelas desta cidade reside 42,2 por cento da população.

Mestre Vitalino foi o percursor da mudança. Morreu de varíola há 31 anos, deixando como legado a tradição dos motivos rurais e folclóricos em cerâmica, juntamente com a representação das personagens mais proeminentes da história do Nordeste, entre as quais Lampião e Maria Bonita, a dupla heróica da região.

Chama-se Noah -- «aquele que traz a paz», segundo a Bíblia --, tem menos de um mês e é o filho do tenista alemão Boris Becker e de sua mulher, a modelo Barbara Feltus. Depois de terem recebido as mais variadas ameaças, inclusive de morte, por se «atreverem» a fazer um casamento inter-racial -- Barbara é negra, enquanto Becker é retintamente loiro --, apresentaram o seu bebé ao mundo, fotografado pelo avô materno. Noah Gabriel Becker, que nasceu no dia 18 de Janeiro, em Munique, com 3,5 quilos, é apenas o princípio da grande família que o casal deseja. «Além de termos filhos, também pretendemos adoptar crianças», confessou Barbara. Quanto a Boris, diz que ser pai é ainda «mais emocionante do que ganhar Wimbledon». Agora faz a barba duas vezes por dia, para não arranhar a pele macia do seu rebento.

James Miller, o norte-americano que aterrou em Novembro, de pára-quedas, NO RINGUE do campeonato do mundo de boxe de pesos pesados, realizado em Las Vegas , resolveu desta vez aterrar , quase nu, sobre o telhado do Palácio de Buckingham, em Londres, onde vive a rainha de Inglaterra. Isto aconteceu na manhã de sábado passado. James Miller, de 30 anos, é acusado agora pelos britânicos de violar a legislação sobre navegação aérea e de comportamento «grosseiro, insultuoso e ameaçador». Quem assistiu à exibição de Miller afirma que este gritou insultos aos polícias londrinos que o foram prender.

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses realiza o seu IV Congresso na cidade de Tomar de 23 a 26 de Fevereiro depois de há três anos ter levado a efeito o terceiro em Évora. Os trabalhos terão lugar no Convento de S. Francisco e as sessões de abertura e encerramento estão previstas para o Convento de Cristo.

O Congresso, de acordo com o referido editorial a que o PÚBLICO teve ontem acesso, servirá para os juízes pensarem se têm «afinal demasiado poder quando confrontados com os demais órgãos de soberania da estrutura política do Estado ou se o cidadão comum se sente órfão e desprotegido quando confrontado com a maquinaria judiciária».

Uma noite em Macau poderá ter custado a carreira a Phra Yantra, um dos mais reputados monges budistas da Tailândia. Yantra, que dirige o santuário budista de Wat Kachativas, nos arredores de Banguecoque, é acusado de ter pernoitado num hotel de luxo, na ilha da Taipa. Nessa noite, dizem os seus acusadores, recebeu uma mulher no seu quarto, o que contraria os princípios monásticos do budismo.

No entanto, quer o monge que os seus seguidores mantêm o mais absoluto silêncio em relação à visita que, no último ano, efectuou a Macau, justificando-o com o facto das investigações ainda estarem a decorrer.

Está a saber bem aos nortenhos ir à fala com o Ministro da Saúde, no Porto, à segunda-feira. Pela rapidez e facilidade de diálogo e pelo ar de regionalização que nisso vêem. Esperam é que não sejam apenas desabafos numa sala de lamentações onde o ministro é o ouvinte.

Para o ministro, não há muito a dizer sobre a iniciativa, que não considera «nada de transcendente». Tudo se resume a um pequeno gabinete onde só vai uma vez por semana; nos outros dias, o atendimento é assegurado por uma secretária. Ao fazer isto, Mendo sente que torna «mais fácil o acesso das pessoas» e que consegue «uma aquisição mais rápida dos dossiers». O problema, diz, «é que o Ministério da Saúde tem uma implantação em todo o país e tem problemas em todo o lado; basta o ministro parar e montar lá um escritório para ter clientesƒ».

A agência "Rent a Call", de Frankfurt-sobre -o-Meno, foi recentemente criada para telefonar a possuidores de telefone portátil que precisam de o utilizar em aeroportos, reuniões, restaurantes, para parecerem pessoas importantes e muito solicitadas. É a solução para aqueles que já andam permanentemente com o portátil na mão, mas a quem, infelizmente, ninguém telefona. Mediante uma pequena taxa, a "Rent a Call" , criada por Herr Benz, de 29 anos (nada a ver com a Mercedes), eleva socialmente a imagem do utilizador de portátil: "Se uma pessoa tem de interromper várias vezes o seu jogo de ténis para responder a chamadas telefónicas", explica ele, "a sua imagem social sobe imediatamente junto do seu adversário, dos amigos presentes e do eventual público". Um "must" da "Rent a Call" ´são os telefonemas a utilizadores que estão num jantar muito íntimo à luz das velas. Também no amor, o truque da falsa chamada parece estar a funcionar em pleno, na Alemanha. Aten~ção pequenos investidores. Aqui está uma tremenda oportunidade de negócio num terreno ainda virgem. Melhor que a Bolsa.

Os bares e as discotecas gregas vão passar a fechar mais cedo. Vão ainda ficar impedidos de servir bebidas alcoólicos a pessoas com menos de 17 anos. Esta decisão foi tomada pelo ministro grego da Ordem Pública, Stélios Papathémélis. Papathémélis, conhecido por defender valores conservadores, impos também novos horários para o funcionamento dos estabelecimentos nocturnos que passarão a encerrar as suas portas, durante os dias da semana, às 2 horas da madrugada, no Inverno, e às duas horas e trinta, no Verão. Ao sábado ficarão abertos até às três e meia da manhã. O ministro justifica a sua atitude dizendo: «Os horários nocturnos abrem a porta à corrupção!»...

Num ambiente pestilento e envolto em neve, a maior lixeira pública da Europa permite que centenas de pessoas sem abrigo habitando nos arredores de Moscovo sobreviva, disputando comida, roupa e por vezes mesmo onde dormir, aos bandos de corvos.

O seu filho Serguei, de 12 anos, dirige um bando de pequenos ladrões que abandonaram definitivamente a escola para fazer de Timokhovo o seu reino. O rapaz conhece todos os condutores dos camiões de lixo e explica como «espia as viaturas provenientes das embaixadas ocidentais de Moscovo». Foi assim que ele encontrou o megafone que agita com orgulho.«Piizzzzaaa!!», grita quase em simultâneo um outro rapaz, e mostra com alegria aos seus camaradas um bocado de piza estragada que avalia com apetite.

O Comité Olímpico Internacional delegou no seu homólogo americano a decisão de fazerTonya Harding participar nos Jogos Olímpicos de Lillehammer, que abrem a 23 de Fevereiro. A decisão foi tomada depois de os responsáveis da Federação americana de Patinagem artística (USFSA) terem anunciado oficialmente, que suspeitavam do seu envolvimento na agressão cometida contra a sua rival Nancy Kerrigan, no passado dia 6 de Janeiro.

A reacção de Tonya Harding foi tornada pública através dos seus advogados. «Insistimos sobre o facto de que, na declaração da USFSA, não existe nenhuma afirmação que implique a senhora Harding, de uma maneira ou de outra, no delito ou que ela ter violado o seu código de conduta», afirmaram os advogados da patinadora através de um comunicado divulgado à comunicação social. Por sua vez, o director executivo da USOC, M. Harvey Schiller, declarou que o Comité vai examinar o "dossier" entregue pela Federação, contendo testemunhos dos investigadores oficiais e documentos judiciais, antes de se pronunciar. Harvey Schiller precisou mesmo que o Comité reunirá o conselho executivo dos jogos, dentro de duas semanas, na Noruega, para decidir sobre a participação de Tonya na selecção americana. «Queremos ver de perto o estado de preparação de toda a nossa equipa olímpica. As duas semanas serão suficientes para que tomemos uma decisão», adiantou.

A emissão de hoje da RDP1, entre as 7h e as 20h, é transmitida a partir das novas instalações da RDP no antigo edifício da Philips, onde foi montado um complexo especial para o efeito. O programa, com a duração de 13 horas, tem o nome de "Portugal no Presente" e conta com a presença em estúdio de João de Deus Pinheiro, António Costa, Luís Sá, Basílio Horta, Mário Bettencourt Resendes, entre outros. Ao longo da emissão são abordados temas relacionados com a Europa, Portugal no mundo, Lisboa Capital da Cultura, além de assuntos de política nacional, económicos e desportivos. Entretanto, a queda da administração João Soares Louro (ver PÚBLICO de 6/2) poderá mexer de novo com toda a presente estrutura da Rádio Nacional. Para já, o regresso de Arlindo de Carvalho é considerado positivo entre os trabalhadores.

O principal meio de vida de metade dos 8.376.816 portugueses com mais de 12 anos são os rendimentos de trabalho, indica o INE, com bases nos dados definitivos do Censo 91 -- recenseamento geral da população e habitação. Os rendimentos de trabalho, que em 1981 eram o principal meio de subsistência de 48,7 por cento dos maiores de 12 anos, aumentaram a sua importância para 49,5 por cento.

A investigação do processo-crime contra responsáveis pela importação de sangue contaminado com o vírus da sida encontra-se em «fase adiantada», revelou à agência Lusa fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR). O chefe de gabinete do PGR, Ernesto Maciel, afirmou que o processo «ainda está em investigação», mas em «fase adiantada», prevendo-se que «não demore muito tempo» até à sua conclusão. O processo, a cargo do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), foi accionado pela Associação Portuguesa de Hemofílicos (APH).

Alguns rapazes mal vestidos, com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos, introduzem-se à hora do almoço num imóvel situado no centro de Varsóvia, onde alguns escritórios localizados num rés-do-chão foram transformados em cantina. À parte a extrema palidez dos seus rostos, susceptível de, só por si, chamar a atenção sobre eles, poder-se-ia pensar que chegavam a uma modesta cantina de empresa.

«Entretanto começaram a aparecer no mercado os primeiros vinhos com a indicação de VINHO REGIONAL, referidos às regiões vitivinícolas que têm já definido o respectivo modo de financiamento, nos termos do Decreto-Lei nº 309/91, de 17 de Agosto.

O vinho que hoje provaremos é um tinto da terra de um dos nossos grandes poetas e romancistas, Manuel da Fonseca, que nasceu em Santiago do Cacém. O autor da «Seara de Vento», que era um apreciador, talvez o tenha bebido, digo eu hoje, que me está a apetecer especular. Isto porque a Herdade do Cebolal, onde é produzido o tinto do mesmo nome, localiza-se em Santiago do Cacém e «produz vinhos desde há várias décadas». Classificaram-no como Vinho Regional Terras do Sado e é um tinto límpido, retinto de cor, cheiro de vinho novo, feito com uvas muito maduras, alcoólico, características confirmadas na boca, embora a adstringência, certamente resultante do estágio em madeira, atenue ligeiramente a sensação de peso transmitida pelo elevado teor de álcool. No conjunto, este tinto resulta algo desequilibrado e pesado. Para estar à altura da grandeza da obra literária de Manuel da Fonseca, precisava de ser um «Barca Velha». Está longe de o ser. Santiago do Cacém é melhor em escritores do que em vinhos. Não se pode ter tudo.

Candidato aos Óscares passa hoje no Fantasporto -- A comédia "The Northeners", candidata ao Óscar do melhor filme estrangeiro, obra que valeu ao holandês Alex van Warmerdam, o prémio de melhor realização do seu país, no ano passado, será hoje exibido a concurso, no Fantasporto. No Centro de Audiovisuais do Cinema Novo também podem ser vistos hoje "Frankenstein Meets the Wolf Man" e "Frankenstein General Hospital", integrados na retrospectiva Frankenstein, que decorre a par do festival de cinema fantástico da cidade do Porto (ver pp. 32-33).

NUM HOSPITAL de Lisboa faleceu ontem Aristides Menezes, de 45 anos, líder da Frente Democrática da Guiné-Bissau, que em 1991 foi o primeiro partido da oposição a legalizar-se, depois de ter organizado uma manifestação contra o regime. Admite-se agora que o seu lugar venha a ser ocupado pelo até agora secretário-geral da FD, o jovem economista Marcelino Baptista Sanca.

COMANDANTE DA ONU DEIXA MOÇAMBIQUE -- O comandante das forças militares da ONU em Moçambique, o general brasileiro Lelio Gonçalves, vai ser substituído, anunciou ontem o próprio à agência Lusa. O chefe do contingente de 6239 «capacetes azuis» e 330 observadores militares termina o seu contrato no próximo dia 13 de Fevereiro. O contrato tinha a duração de um ano. O oficial disse desconhecer ainda o nome do seu sucessor, pelo que a chefia das forças da ONU deverá ficar interinamente entregue ao segundo comandante, o brigadeiro bengali Anis Hoor Rahman. Lelio Gonçalves desmentiu que a sua saída tenha alguma coisa a ver com as acusações recentemente formuladas pela organização humanitária norueguesa «Reed Barna» a militares italianos da ONUMOZ sobre a alegada «exploração sexual de crianças» moçambicanas. «Uma coisa nada tem a ver com outra», disse o general brasileiro, recordando que não foi a primeira vez que as tropas das Nações Unidas foram alvo de acusações. Antes, os contingentes de Portugal, do Uruguai e do Bangladesh foram citados por atropelos cuja veracidade não foi confirmada.

O presidente da concelhia centrista contesta a actuação do seu correligionário, que, segundo ele, «não cumpriu com as funções para as quais foi nomeado: reanimar as concelhias de Coimbra, realizando as respectivas eleições». Bonito afirma que, durante um ano, Teles só promoveu três comissões -- Cantanhede, Oliveira do Hospital e Coimbra -- e acrescenta: «Nomeou delegados nos outros concelhos que agora [ontem] vão votar para a distrital. Ou seja, foram as pessoas por ele escolhidas que o vão eleger.»

VENEZA EM REFERENDO - Os venezianos foram durante o dia de ontem às urnas para referendarem a separação da cidade dos Doges dos bairros industriais de Mestre, em terra firme. As duas zonas foram unificadas por Mussolini em 1926. É a terceira vez que se efectua um referendo sobre a separação. Os dois primeiros, em 1979 e 1989, deram a vitória ao "não", mas ontem o resultado era incerto. Veneza é governada desde Dezembro por um presidente de Câmara néo-comunista, o filósofo Massimo Cacciari. Se o "sim" ganhar, criar-se-ão três comunas na região: Veneza ficará com a cidade, as ilhas e uma parte da laguna incluindo o aeroporto Marco Polo (110 mil habitantes). Mestre-Marghera ficará com o porto, os estaleiros, as petroquímicas e os bairros da "terra ferma" (200 mil habitates). E surgirá uma nova comuna, a de Cavallino-Treporti, sobre o mar e a laguna, principal centro turístico da região (12 mil pessoas na estação morta, mas 100 mil no Verão).

RONDA NEGOCIAL EM COLÓNIA - Os sindicatos dos trabalhadores metalúrgicos alemães sentam-se hoje à mesa, em Colónia, com o seu patronato para uma ronda de negociações salariais, no termo de uma semana de "greves de aviso" que chegaram a mobilizar cerca de 600 mil operários deste sector estratégico. Klaus Zwickel, líder do poderoso sindicato IG Metall, declarou ontem que se não houver acordo em Colónia os trabalhadores partirão imediatamente para greves mais alargadas. Há dez anos, a última greve do sector durou semanas e fez perder meio por cento do Produto Nacional Bruto previsto para 1984.

Libertado professor-sindicalista na Guiné-Bissau -- O presidente do Sindicato Nacional dos Professores da Guiné-Bissau, Luís Nancassa, foi libertado pelo que as aulas em todo o território recomeçarão hoje, segunda-feira, soube a Lusa de fonte sindical. O sindicalista foi preso, sem mandado de captura, a 3 de Fevereiro, segundo dia da greve nacional dos professores guineenses, após se terem registado vários incidentes junto de várias escolas de Bissau. O Ministério da Educação apresentou uma queixa-crime contra Luís Nancassa e outros dirigentes sindicais por alegados desmandos junto de algumas escolas privadas.

O Sindicato dos Jornalistas disponibilizou já os seus serviços jurídicos e garantiu todo o apoio necessário às duas jornalistas da estação de Coimbra da rádio TSF, despedidas no fim do mês de Janeiro.

A tradição «nacionalista» do velho PPD-PSD esfumar-se-á sob o vigor da afirmação europeísta do Governo de Cavaco Silva? Os sólidos pergaminhos europeus do Partido Socialista vergar-se-ão ao peso dos factores «nacionais» com que António Guterres vai tentar ganhar a próxima batalha eleitoral? Haverá, de facto, uma mudança qualitativa nas concepções europeias que marcaram, desde sempre, os dois maiores partidos portugueses? Ou tratar-se-á, tão-só, da necessidade de ganhar votos pela via supostamente mais fácil?

Em plena agitação partidária para a conquista de um lugar ao sol nas listas de candidatos ao Parlamento Europeu, começam a desenhar-se lentamente as várias orientações, permitindo antecipar o quadro em que previsivelmente decorrerá a campanha.

O nome do cabeça-de-lista do CDS-PP ao Parlamento Europeu poderá ser já conhecido quando terminar o XII Congresso, que se realiza em Setúbal, entre 18 e 20 deste mês. Isto porque o Auditório da Anunciada é visto pela direcção dos centristas como o ponto de partida para a campanha eleitoral, onde o programa (expresso já na moção de Manuel Monteiro) será sufragado e o discurso afinado em coro (esperam) pelos congressistas.

A outra certeza é que qualquer decisão final sobre o assunto será exclusiva do presidente Monteiro. A ele caberá dizer quem vai e em que lugar. E, apesar de já ter iniciado as suas habituais conversas, para auscultar as sensibilidades centristas e gerir o equilíbrio de forças, reserva para mais tarde a sentença e todas as pistas para a solução final, que possa já ter encontrado, estão por si guardadas a sete chaves.

À distância, um facto ressalta das eleições europeias de Junho próximo: Cavaco Silva vai remodelar o seu gabinete ministerial, em consequência da entrada de actuais ministros na lista do PSD para o Parlamento Europeu (PE). Conforme o PÚBLICO já noticiou, Dias Loureiro e Arlindo Cunha são os nomes mais certos, embora a inclusão do último seja menos segura. Vítor Martins, secretário de Estado dos Assuntos Europeus, poderá receber uma indicação expressa do primeiro-ministro e, em Bruxelas, fala-se mesmo de que será o futuro comissário europeu, substituindo Deus Pinheiro. O bom relacionamento de Martins com Jacques Delors é um trunfo que Cavaco não desperdiçará. No PS, a campanha será feita à medida de António Guterres, havendo já nomes certos para a lista: João Cravinho, Luís Marinho e Barros Moura. Manuel Alegre, João Soares e Jaime Gama são hipóteses fortes. Carlos Carvalhas não será o cabeça-de-lista comunista, onde deverão figurar em lugar elegível os actuais representantes do PCP no PE: Joaquim Miranda, Sérgio Ribeiro e Barata Moura. No CDS-PP, que aposta muito do seu futuro nestas eleições, tudo depende da decisão de Manuel Monteiro, o nome desejado para liderar a lista popular. O PÚBLICO faz uma viagem pelo interior do Parlamento Europeu, explicando como funciona e quais são os seus (novos) poderes, dizendo quem são, o que fazem e quanto ganham os deputados portugueses.

Para mais, os eurodeputados têm cumprido e a direcção comunista está contente com a sua actuação. Mesmo apesar de só Joaquim Miranda ter sido directamente eleito e os seus colegas de bancada terem a ela subido pelo processo de substituições -- a mais recente das quais foi ida de Barata Moura para a cadeira de Rogério de Brito (eleito presidente da Câmara de Alcácer do Sal), o qual por sua vez substituira Barros Moura.

Os países da CE têm usado o Parlamento Europeu como prateleira dourada para políticos incómodos ou excêntricos. Por isso, os poderes do PE são escassos e foram conquistados a pulso pelos eurodeputados que encaram a sua função a sério. Estes desejariam ver a situação alterada, mas, para seu desgosto, eventuais progressos na imagem da instituição continuam a estar nas mãos dos Estados-membros.

O Tratado de Maastricht abriu uma nova etapa na história do PE, apesar de se ter traduzido numa enorme decepção para os mais idealistas, tal a discrepância entre os objectivos iniciais de um dos principais capítulos do processo de revisão dos Tratados e a realidade que acabou por ficar consagrada nas suas disposições. O novo Tratado introduz na prática comunitária a longamente desejada «co-decisão» -- que coloca o PE em pé de igualdade com o Conselho de Ministros dos Doze no processo legislativo --, mas os domínios a que se aplica são de tal forma limitados (resumindo-se aos regulamentos dos fundos estruturais, às questões ligadas ao mercado interno e a alguns aspectos dos capítulos das redes transeuropeias, ambiente e investigação científica) que os novos poderes são pouco mais do que uma ilusão. Mesmo esta pequena concessão foi arrancada a ferros à maioria dos Estados comunitários -- sobretudo Inglaterra, Portugal e França -- pela Alemanha, que ameaçou rejeitar as disposições de Maastricht relativas à moeda única sem um reforço dos poderes do Parlamento Europeu.

São 24 deputados, num total de 518, e passarão a ser 25 a partir das eleições de Junho, no quadro do reforço do número de membros de todos os países para compensar os 18 novos representantes alemães resultantes da unificação.

Com menos um deputado eleito, os membros do PS, encabeçados por João Cravinho, integram o maior grupo parlamentar, o Partido Socialista Europeu (PSE), com 198 membros. Nada se faz no PE sem o seu apoio. O seu gigantismo retira-lhe, todavia, uma boa dose de flexibilidade, e a necessidade de promover compromissos entre as suas diferentes componentes nacionais leva-o muitas vezes a defender posições incompreensíveis.

Um dos temas mais difíceis de discutir com um deputado europeu é o seu salário. As dificuldades são agravadas pelo carácter variável dos factores que determinam os seus rendimentos, ao contrário da generalidade dos eurocratas, cujos ordenados são públicos.

Este facto explica aliás a relutância da maior parte dos deputados em discutir o tema. Uns porque encaram a sua passagem pelo PE como uma forma de enriquecer rapidamente, decididos a explorar ao máximo todas as possibilidades de engrossar a conta bancária, nomeadamente com a verba até 1500 contos que o PE disponibiliza para a contratação de assistentes e secretárias, tanto em Bruxelas como nos locais de origem de cada deputado. E, para contornar a condição imposta pelo PE para o pagamento efectivo desta verba, que é a existência de contratos de trabalho, os peritos nestes artifícios -- entre os quais se contaram em tempos alguns portugueses -- não hesitam em estabelecer relações de trabalho fictícias com os familiares mais próximos, rodeando-se assim de «assistentes» que nunca puseram os pés na instituição.

No PS os dados estão lançados, falta apenas a concertação de todos os pontos consubstanciados num programa eleitoral e apoiados por «slogans» e por todo o «marketing» de campanha.

O forte empenhamento de Guterres na campanha não minimiza, no entanto, a questão da escolha dos nomes de candidatos. Nada está por enquanto definido, apesar de ser clara a tendência entre os membros do secretariado em considerar que Jaime Gama seria uma boa aposta para cabeça de cartaz. O profundo conhecimento das questões e a reconhecida competência são as qualidades mais sublinhadas pelos seus defensores. E ambas são apontadas como as razões que devem presidir a todas as escolhas.

Cavaco Silva vai mexer no Governo em consequência das eleições europeias, confirmou o PÚBLICO junto de fonte ao mais alto nível do PSD. A entrada certa de ministros na lista para o sufrágio de Junho obriga a algumas alterações, cujo alcance, no entanto, só poderá ser avaliado em toda a sua extensão até ao fim de Março ou início de Abril. Nessa altura realizar-se-á o Conselho Nacional do PSD e será definitivamente aprovado o elenco de nomes do partido «laranja» a Estrasburgo.

Se assim fosse, Cavaco Silva teria mais margem de manobra para a escolha do «timing». O prazo da última remodelação no Governo antes das legislativas de 1995 fica desta forma condicionado a um período que vai, no máximo, de Abril até à data do sufrágio. Há quem diga que o primeiro-ministro pode optar por fazer coincidir as mexidas no Executivo com a divulgação da lista do PSD. Isto permitiria o lançamento imediato dos candidatos no terreno, mais libertos do espartilho governamental, não só nos movimentos como no discurso.

O Sindicato de Professores da Grande Lisboa condenou a falta de medidas do Ministério da Educação relativamente à situação do ensino especial. A direcção do SPGL diz que é urgente a tomada de medidas por parte de ME «para que crianças e adolescentes `diferentes' não continuem a viver em galinheiros ou encurralados em espaços diminutos, ignorados quer pelas autoridades quer por um sistema educativo que os atira para um iníquo vegetar».

O prazo final do concurso para a criação do símbolo do curso de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade do Minho, inicialmente previsto para o passado dia 4, foi prolongado para o próximo dia 27 de Fevereiro. Segundo fonte da comissão de alunos que está a organizar o concurso, a prorrogação do prazo destina-se a conceder «uns dias adicionais a todos aqueles que queiram participar».

A Perestroika teve efeitos secundários inesperados para os estudantes portugueses a estudar na ex-União Soviética. A situação deteriorou-se rapidamente e os apoios monetários de que dependiam para sobreviver desapareceram. Restava ao governo português assumir o compromisso. Tanto Mário Soares como Cavaco Silva se mostraram de acordo e prometeram ajuda. Mas isso já foi há algum tempo e o dinheiro só agora começou a chegar.

Se a verba foi desbloqueada ou não, o que é facto é que o dinheiro não chegou às mãos dos estudantes. Os pormenores que deveriam ter sido acertados no mês seguinte, durante a visita do primeiro-ministro Cavaco Silva à capital russa, acabaram por ter de seguir outras vias, uma vez que a esperada visita do chefe do Governo português não chegou a concretizar-se, em parte por causa dos violentos confrontos entre o presidente Yeltsin e o parlamento em Outubro desse ano.

Facturas passadas em excertos de toalhas de mesa de papel ou em cartões pessoais, falta de comprovativos do número de bilhetes vendidos em diversas actividades. Estas são apenas algumas das irregularidades encontradas pelos membros do Conselho Fiscal da Associação Académica de Lisboa (AAL) na sua análise do relatório de Contas apresentado pela Comissão Executiva da Semana Académica de Lisboa (CESAL).

Ou seja, tudo bem somado, resulta num montante superior a seis mil contos de défice «acumulado de anteriores edições», afirma João Afonso, que não admite a hipótese de os erros constatados se deverem «a qualquer tipo de má-fé». «Pessoalmente entendo que o problema se deve a incompetência técnica e ignorância dos procedimentos legais exigidos nestas coisas», acrescenta.

Catherine Clément apresenta hoje o seu livro, «A Senhora», no Instituto Franco-Português, às 18h30. Trata-se da história de Gracia Nasi, aliás Beatriz de Luna, judia, portuguesa nascida em Lisboa em 1510, viúva de um banqueiro português, Francisco Mendes; o livro percorre o século XVI europeu, mistura uma história com potencialidades romanescas -- a história de amor entre Gracia Nasi e o seu sobrinho, que viria a ser o Duque de Naxos -- e a História.

Quando Alain Oulman lhe pediu que escrevesse a história de Gracia Nasi, ela começou por recusar: «eu sou judia, mas pertenço a outro mundo judeu. O meu avô nasceu em Baku, a minha avó algures na Checoslováquia, encontraram-se em Odessa, morreram em Auschwitz. Foram denunciados por um padre católico, e foi esse ponto que eu senti que tinha em comum com esta história».

O actor Joseph Cotten, um dos intérpretes do célebre clássico do cinema, «Citizen Kane», realizado por Orson Welles em 1941, morreu domingo em Los Angeles, com 89 anos, na sequência de uma pneumonia.

Nascido em 1905 na Virginia, filho de um empregado dos correios, Joseph Cotten estudou teatro em Washington, Nova York e Flórida, onde teve que trabalhar como vendedor para sobreviver. Queria estrear-se na Broadway, mas só o conseguiu quando finalmente foi reconhecido pelo empresário David Belasco, que lhe confiou alguns papéis em digressões pela Nova Inglaterra e, finalmente, na Broadway.

Um tesouro formado por quatro mil moedas de prata datando da época helenística e avaliado em 800 mil dólares (cerca de 140 mil contos) foi descoberto ao largo de Haïfa, no Norte de Israel. O departamento israelita responsável pelas antiguidades considerou esta descoberta «a mais importante neste domínio alguma vez realizada em Israel».

Repensar as estratégias de apoio ao teatro em Portugal é a palavra de ordem do novo organismo que gere os apoios ao teatro. Mas isso é algo que não acontecerá para já. No IAC, o segredo parece ser a alma do negócio. E só Santana Lopes está autorizado a fazer revelações. ac A exposição «Azulejos de Portugal -- séculos XVII e XVIII», que já cirandou pela Índia, Hong Kong, Seul, Macau, Pequim e Japão, vai estar, a partir de quinta-feira, em Banguecoque, na Tailândia. Para a inauguração da mostra, o monarca do antigo reino do Sião designou a sua filha, a princesa Mahi Chakri Sirindhorn, o que, em termos protocolares, «significa que a casa real atribuiu um grande reconhecimento cultural ao evento», explicou ao PÚBLICO Ermelinda Galamba, adida cultural de Portugal em Banguecoque.

Entretanto, como o PÚBLICO já tinha anunciado a 19 de Setembro de 1993, começam esta semana os trabalhos da última fase de recuperação das ruínas da secular «aldeia» portuguesa em Ayuthaia, a antiga capital do Sião.

Os Nirvana iniciaram a sua presente digressão europeia, em Cascais, com um concerto que ficará por certo na memória de todos os presentes. Frustrando algumas expectativas, apresentaram o passado e o que poderá ser o futuro do grupo.

Mas para lá da aparente falta de comunicação, as canções atingiram o público de uma forma bem incisiva, pelo menos ao nível físico. «Radio Frendly Unit Shifter» --logo para começar uma das canções mais inquisitivas do último álbum, «In Utero»--, «Drain you», «Serve The Servants», «Come As You are» e o «hino» «Smells Like Teen Spirit» puseram tudo e todos em reboliço. Cobain cantou canções de auto-interrogação, de não compromisso e o público cantou com eles, a maior parte provavelmente sem perceber sequer o que estava a cantar, mas --acredita-se-- com uma ligação forte com tudo o que eles representam: a revolta, o não conformismo, a procura da alienação do dia-a-dia cinzento. Mais que para demonstrar a sua condição de privilegiadas estrelas rock, os Nirvana estiveram ali para provarem ser tão mortais e passíveis de interrogações quanto os elementos da assistência. Daí essa atitude de contornar o folclore do «rock», de não adular o público.

Depois de uma jornada quente que confirmou o favoritismo do Benfica na reconquista do título, adiou uma vez mais o sonho do FC Porto chegar ao «tri» campeonato, deixando esta luta restringida aos rivais de Lisboa, as selecções do PÚBLICO registam três novidades, o que já não acontecia há longas semanas.

Colectivamente, o domínio das selecções do PÚBLICO é repartido entre Benfica e Estrela da Amadora, com quatro jogadores cada. Sporting e Setúbal apresentam também contigentes de respeito, com três jogadores divididos entre as duas selecções. A surpresa maior é a presença do FC Porto se reduzir a Semedo, consequência do campeonato abaixo do rendimento dos últimos anos.

O ABC defronta hoje (20h30) o Nimes em jogo a contar para a 4ª jornada da Liga dos Campeões de andebol. No confronto da primeira volta, realizado há duas semanas atrás em Braga, o campeão francês arrancou um empate a 24 golos, mesmo ao soar do «gong», para desilusão dos bracarenses que tinham comandado a partida durante todo o tempo.

Para o titular de um cargo público, um pedido de demissão deve rodear-se de uma certa nobreza. É um momento único, que se quer dramático e marcante, fruto de convicções profundas ou desilusões radicais. Quando alguém renuncia ao poder, deveria fazê-lo para marcar uma posição, para assegurar que o seu gesto pode ter alguma influência e ajudar outros, os sucessores, a superar os problemas.

João Vieira Pinto é o jogador português mais valioso do campeonato, só ultrapassado pelo estrangeiro Yekini, enquanto o Salgueiros é a surpresa colectiva, com quatro jogadores nos 15 mais portugueses. No Benfica, João Vieira Pinto, Vítor Paneira e Isaías são os mais valiosos, contrapondo o FC Porto outra tripla, formado por Kostadinov, Domingos e Timofte. Amanhã se vê quem tem mais argumentos.

Os jogadores são pontuados com um ponto por cada golo marcado e por cada passe decisivo, ou último passe, aspecto cada vez mais priveligiado no futebol moderno. Os goleadores e os jogadores com capacidade para assistir para o golo são normalmente os mais caros do mercado, o que justifica a utilização do termo mais valioso.

Fernando Couto é um grande adepto de karaté -- é mesmo um ex-praticante que atingiu uma boa graduação. Quem vai aos estádios percebe o quanto ele soube, no futebol, retirar vantagens dos ensinamentos das artes marciais, principalmente ao nível da agressividade e impulsão. Mas tem vindo a desrespeitar uma regra base entre os karatecas: nunca utilizar os ensinamentos fora da arte. É praticamente seguro que o central portista teve motivos mais do que suficientes para estar de cabeça quente com Mozer. Mas qualquer adepto das fitas gastas de Bruce Lee conhece o código de honra que obriga a resistir às provocações e apenas agir em auto-defesa. Fernando Couto é um sobredotado, mas foi um mau aluno.

Toni, a jovem promessa do futebol português e do FC Porto, saiu das Antas para confirmar em Braga os seus dotes de homem de área. Anteontem marcou dois golos ao Gil Vicente, o segundo dos quais foi eleito pelo PÚBLICO como o melhor desta 18ª jornada do Campeonato de Futebol da I Divisão. Miguel foi demasiado lento a afastar a bola, Toni pressionou e acabou por lha roubar, entrou na área, e à saída de Vital, fez um bonito golo de pé direito. Taira também esteve em evidência ao apontar o golo que abriu a vitória do Belenenses frente ao Farense. A jogada começou num passe de Chico Fonseca, Taira deu uns passos e rematou fortíssimo de pé esquerdo, a cerca de 30 metros, colocando a bola no ângulo superior direito da baliza de José Carlos. Na frente da lista dos melhores marcadores continua Yekini que nesta jornada voltou a marcar. Soma agora 13 golos, logo seguido por Hassan do Farense, com nove.

Uma semana depois de conquistar o Open da Austrália, a alemã Steffi Graf venceu o torneio de Tóquio, prova do circuito WTA dotada com 750 mil dólares de prémios. Uma vitória já esperada, dado o grande domínio demonstrado na prova australiana perante as demais jogadoras.

Em França, realizou-se o torneio de Marselha (538.750 dólares em prémios) cujo vencedor foi o suíço Marc Rosset, quarto cabeça-de-série. Na final, o campeão olímpico de Barcelona bateu o francês Arnaud Boetsch, quinto cabeça-de-série, por 7-6 (8-6), 7-6 (7-4).

Laureano Gonçalves, afinal, não se demite. Ontem, o líder dos árbitros enviou a Gilberto Madaíl a sua renúncia... ao pedido de renúncia do cargo, que havia formulado há dez dias.

Gilberto Madaíl, presidente da mesa da assembleia geral da FPF, recebeu ontem o fax de Laureano Gonçalves a comunicar-lhe a última renúncia. «Enviou-me um fax informando-me que, face aos argumentos formulados no meu despacho, e mediante as minhas consultas à Liga e às associações, pede que seja considerado sem efeito o seu pedido de renúncia», adiantou o presidente da mesa da assembleia geral federativa à Rádio Renascença.

O benfiquista Mário Aníbal Ramos recuperou ao fim da tarde de anteontem o recorde nacional do heptatlo em pista coberta, ao culminar os dois dias de provas do encontro pentagonal Holanda-República Checa-Espanha-França-Portugal, disputado em Haia, Holanda, com 5540 pontos e no sétimo lugar.

Também no domingo, ao final da noite, disputou-se a reunião de pista coberta de Fairfax (EUA), a contar para o Grande Prémio daquele país. A moçambicana Lurdes Mutola voltou a vencer com facilidade a sua distância favorita, os 800 metros, com 2m00,14s, contra 2m00,57s da americana Joetta Clark. Gail Devers, a soberana velocista americana, desta vez concentrou-se nos 60 metros barreiras, e ganhou com a melhor marca do ano, 7,86s, e largos 17 centésimos de vantagem sobre a jamaicana Michelle Freeman. Outros pontos altos foram os 45,81s de Michael Johnson (EUA) nos 400 metros e a derrota dos velocistas americanos Jon Drumond (6,62s) e Henry Neal (6,65s) face ao jamaicano Michael Green (6,59s) em 60 metros.

O caso Luís Manuel, que colocou em conflito a Ovarense e o Sporting, terá nesta semana novos desenvolvimentos. A Comissão Arbitral que fixou o montante da indemnização a pagar pelo clube de Alvalade em cerca de 90 mil contos vai reunir-se de novo na próxima quarta-feira, na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), às 18h30, segundo apurou o PÚBLICO.

Ainda nesta semana, o caso Ovarense-Sporting poderá conhecer outras evoluções, embora desta vez a nível da Polícia Judiciária. O jogador Luís Manuel já foi ouvido por esta na passada quinta-feira e, durante esta semana, está previsto que sejam aí chamados responsáveis da federação, bem como do Sporting e da Ovarense, de modo a decidir-se se o processo entra ou não no Ministério Público para ser formulada uma acusação.

Já não se encontravam em Phoenix desde a final do ano passado e num jogo que deu a vitória aos Chicago Bulls. Domingo, tudo foi diferente e os Suns derrotaram os tricampeões por um ponto (89-88), em mais uma jornada da Liga Norte-Americana de Basquetebol Profissional (NBA).

Noutro encontro, os Houston Rockets bateram os Minnesota Timberwolves, por 101-90, com Hakeem Olajuwon a mostrar a qualidade do seu jogo (25 pontos, 17 ressaltos e oito desarmes de lançamento). Os Rockets continuam a marcar a diferença na Divisão Médio-Oeste, que lideram com 11 derrotas, menos três que os San Antonio Spurs, estes a suarem bastante em New Jersey, para vencerem por 104-102, após prolongamento. David Robinson foi a estrela dos Spurs, com 36 pontos.

Um simpósio de futebol inédito em Portugal e ao mais alto nível, sob os auspícios da Federação Internacional de Futebol (FIFA), foi de se lhe tirar o chapéu. Quem faltou ontem ao encontro deve estar a penitenciar-se, pois perdeu uma boa oportunidade de saber as últimas tendências do desporto-rei.

Ao apelo responderam jornalistas de toda a Europa, a maioria dos técnicos da I Divisão, dirigentes associativos, federativos e de clubes, árbitros, ex-futebolistas, candidatos a treinadores e outros agentes desportivos.

O romance do jogo de anteontem na Luz teve o seu clímax na cotovelada que Mozer levou de Fernando Couto. Um lance capital que anunciou prematuramente o desfecho da partida. Se o benfiquista agrediu ou não o portista não passa já de assunto de pouca monta. Tal como Bobby Robson observou no final do jogo: Mozer, 2 - Fernando Couto, 0.

Não há pior vaidoso do que aquele que não tem razões para o ser. É o caso de João Mesquita, um árbitro que incha, incha, incha, acabando por ter a sorte do sapo: pum. Em Famalicão, pelos vistos, a plateia riu a bom rir com as asneiras do árbitro portuense.

O número de automóveis ligeiros de passageiros vendidos no passado mês de Janeiro registou um recuo de 12,4 por cento em relação a igual mês do ano de 1993. De acordo com uma informação da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), foram vendidas 16.440 viaturas ligeiras, confirmando-se assim a tendência decrescente já evidenciada no último trimestre do ano passado, contrariando a tendência de recuperação que se está a verificar na União Europeia (ver página 28). Opel, Renault e Fiat continuam a ser as três marcas mais vendidas em 1994, apesar de tanto a construtora francesa como a italiana apresentarem vendas inferiores às de Janeiro do ano passado. A Renault diminuíu as vendas em 23,3 por cento e a Fiat em 20,2 por cento.

A associação acrescenta ainda que o mercados dos pesados, com 284 unidades vendidas em Janeiro e uma variação negativa de 37,4 por cento, «continua a sua caminhada para o abismo». Já em 1993 este segmento tinha apresentado uma descida de 36,1 por cento em relação ao ano anterior. Veja-se por exemplo o caso da marca líder de vendas nos pesados, a Mitsubishi, que baixou de 194 unidades em Janeiro de 1993 para 77 em Janeiro deste ano.

Após a decisão da Reserva Federal norte-americana de aumentar as taxas de juro a curto prazo, os investidores alemães decidiram abandonar rapidamente o mercado de risco à espera de uma melhor altura para regressar. O mercado abriu em baixa, manteve-se em queda ao longo do dia e encerrou com comportamento negativo. Os montantes intermediados foram expressivos, mas nada comparáveis aos transacionados em outras sessões da semana anterior.

O índice Geral da Bolsa de Madrid caiu ontem 2,05 por cento, valor próximo ao de outras praças europeias. O mercado espanhol foi também negativamente influenciado pela subida das taxas de juro a curto prazo determinada pela Reserva Federal. Um importante conjunto de ordens de venda ampliou as actividades e deprimiu os preços. Segundo analistas madrilenos, o vector de risco concentra, todavia, importantes hipóteses de crescimento.

Wall Street encontrava-se ontem, a meio da sessão, em alta ligeira, com o índice Dow Jones a apreciar-se 0,15 por cento. A calma estava de regresso ao mercado depois do trambolhão da passada sexta-feira. Continuava-se a sentir uma forte pressão negativa, razão pela qual o nervosismo estava a dominar as actividades, disse Alan Ackerman, vice-presidente da Reich & Co. A quebra da sessão anterior vai demorar a recuperar, acrescentou.

Muitos dos investidores nipónicos e também os não residentes estão na expectativa quanto à resolução que vai ser dada à crise política que afecta actualmente o Japão, nomeadamente sobre a fiscalidade, assim como as consequências da forte descida ocorrida em Wall Street, na passada sexta-feira. O índice Nikkei caiu 1,4 por cento, para se estabelecer nos 20014,4 pontos. Os volumes foram elevados, com a tendência é negativa.

O Banco Português de Investimento já fez publicar o anúncio definitivo da Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital social da Inter-Risco, Sociedade de Capital de Risco. A ideia é concentrar de novo o capital, e para tal actuam em concertação com o BPI várias sociedades por si participadas e ainda o grupo Fonsecas & Burnay, Gerifirme, Poligrupo Rent-a-Car, Promática, Simofer, Quinta do Chantre E Crédit Lyonnais, entre outras. O objecto da oferta consiste em 582.572 acções da Inter-Risco, representativas de 38,8 por cento de um capital social de 1,5 milhões de contos, tantas quantas as que não são detidas pelas sociedades que actuam em concertação com o oferente. O preço oferecido é de 1150 escudos por acção. A oferta começa hoje e decorrerá até ao dia 9 de Março. O BPI é quem lidera a operação, pelo que todas as ordens de venda devem ser comunicadas aos seus balcões.

O Banco Europeu de Investimento lançou uma emissão de obrigações no montante global de 15 milhões de contos, com um prazo de sete anos e vencimento de juros à taxa de 8,2 por cento pagos anualmente. As obrigações serão cotadas no mercado de cotações oficial das Bolsas do Porto e de Lisboa e na Bolsa do Luxemburgo. A operação foi liderada pelo Deutsche Bank de Investimento e pelo Banco Português do Atlântico. O sindicato de garantia de colocação incluiu, ainda, 27 bancos e sociedade financeiras.

Se a Rover passar a ser considerada uma empresa germânica, por força dos 80 por cento do seu capital adquiridos pela BMW, o construtor automóvel japonês Honda venderá a sua participação de 20 por cento, de acordo com Nobuhiko Kawamoto, presidente da Honda. «O problema mais forte é a BMW e não o nosso contrato com a Rover» disse, em entrevista à BBC o responsável da marca nipónica. Em declarações ao «Financial Times», Kawamoto, afirmou que a Honda poderia ter adquirido a totalidade do capital da Rover, mas que não o quis fazer uma vez que aquela marca era «o último construtor automóvel britânico» e que deveria manter-se como tal.

Os construtores automóveis europeus têm motivos para estar satisfeitos com o primeiro mês do ano, já que as vendas de carros novos subiram 6,3 por cento, por comparação a Janeiro de 1993, revelou ontem a Associação Europeia de Construtores Automóveis (AECA). «É a primeira indicação de que, felizmente, a recessão está de partida», considerou a associação em comunicado. De qualquer forma, ressalva-se na mesma nota, que a recuperação não é «dramática», uma vez que Janeiro de 1993 foi um mês «particularmente mau». Por países, as maiores taxas de crescimento verificaram-se na Grã-Bretanha, mais 20,4 por cento, em França, mais 15 por cento, e na Alemanha, mais 2,6 por cento. Em Itália a tendência foi inversa, como uma queda de 10 por cento, precisa a AECA.

A decisão da Reserva Federal norte-americana de aumentar as taxas de juro de curto prazo actuou como um travão à crescente onda altista que se estava a dar na generalidade dos mercados accionistas e obrigacionistas de todo o mundo, facto a que as bolsas portuguesas não conseguiram ficar alheias.

E neste caso, basta relembrar que são os estrangeiros que têm estado a conduzir a valorização das cotações. Para alguns não residentes, um abrandamento da sua actividade no mercado português pode até ser uma boa estratégia porque os ganhos acumulados ao longo de 1993, que se ampliaram nas últimas semanas, foram generosos, mesmo tendo em conta a desvalorização do escudo contra o dólar. Operadores portugueses consideraram, todavia, que a entrada de capitais vai continuar em simultâneo com uma correcção dos preços.

O dólar norte-americano manteve-se bem suportado ao longo da passada semana o que faz prever a manutenção das suas actuais paridades cambiais. A ligeira alteração nas taxas de juro sentidas na passada sexta-feira provocou uma forte valorização da moeda principalmente contra o marco que atingiu 1,7640 marcos. É, no entanto, previsível que tal paridade venha a atingir a breve trecho 1,7780/1,7870 sendo possível que venham a registar-se intervenções por parte dos bancos centrais a este nível, no sentido de suster uma rápida valorização do dólar.

O escudo mantém-se forte apesar das recentes alterações nas taxas de juro. As taxas de juro do escudo continuam a ser extremamente atraentes em relação às restantes moedas do SME. A estabilidade política, bem como uma taxa de desemprego relativamente moderada de 6.2 por cento (embora a aumentar) são factores que poderão contribuir fortemente para a recuperação do escudo nos próximos meses. Na sessão de ontem, o escudo fixou a 100,323 contra o marco alemão.

A Delta Airlines, a terceira maior companhia de transportes aéreos dos Estados Unidos, quer fortalecer as suas operações no Atlântico Norte, nos voos entre os Estados Unidos e a Europa. «Apesar dos nossos resultados transatlânticos em 1993 terem mostrado uma melhoria, ela não é suficiente», disse o presidente da empresa, Ronald Allen, numa declaração feita no final da semana. Para já, a Delta vai interromper o serviço diário entre San Francisco (nos EUA) e Frankfurt, fortalecendo, em contrapartida, as ligações entre os voos domésticos e internacionais da empresa, a partir de Nova Iorque.

Relativamente à ligação a Lisboa, que actualmente assegura com dois voos semanais, o comunicado da Delta não refere qualquer alteração. A Delta é uma das companhias norte-americanas que a TAP contactou na tentativa de um acordo de cooperação. J.S.

A Norpedip e a Sodiga vão tentar obter o acordo político do Governo central português e do Governo da Região Autónoma da Galiza para concorrerem a um fundo comunitário de apoio às empresas de ambas as regiões. O dinheiro poderá advir do programa Intereg -- de apoio às regiões transfronteiriças -- e terá como objectivo o reforço do desenvolvimento tanto do norte e centro de Portugal como da Galiza, zonas consideradas «objectivo 1» (zonas mais pobres e portanto mais apoiadas pelos fundos estruturais da União Europeia).

Ao princípio da tarde de hoje será assinado um protocolo de cooperação entre a Norpedip e a Sodiga para o reforço de cooperação institucional entre as duas entidades. Estarão presentes na cerimónia autoridades galegas, o presidente de cooperação da região norte, Braga da Cruz e o Ministros da Indústria Mira Amaral.

Os sete autarcas do Norte que ontem reuniram em Lisboa com a ministra do Ambiente e Recursos Naturais, Teresa Patrício Gouveia, disseram no final do encontro que lhes tinha sido transmitida a mensagem de que o Governo não estaria a encarar com desconfiança a forma como decorreu o concurso de adjudicação da construção da central incineradora de resíduos sólidos da Maia, a Lipor II, cujo processo está já na Procuradoria Geral da República. Em declarações aos orgãos de comunicação social, os autarcas em causa -- Fernando Gomes, Valentim Loureiro, Narciso Miranda, Fernando Melo, Vieira de Carvalho, entre outros -- referiram o clima de suspeição que se gerou sobre o assunto pelo facto de o Ministério do Ambiente ter decidido recorrer aos serviços da Procuradoria Geral da República, na sequência do pedido de impugnação do concurso que foi feito pelos consórcios perdedores. A ministra do Ambiente negou também que estivesse prevista qualquer transferência para o sistema nacional de resíduos dos financiamentos acordados com Bruxelas para a Lipor II.

«O Partido dos Trabalhadores», afirma o Oxford Analytica, «criou um importante líder [no caso, o metalúrgico Lula], enquanto os partidos da direita fracassaram num acordo de candidatura única. E isso, apesar de não significar necessariamente uma vitória do PT, é suficiente para afectar os mercados financeiros. Este partido, embora já não seja tão perigoso como anteriormente para os negócios internos e externos, é ainda a favor de uma moratória para a dívida externa e pretende pôr cobro às actuais privatizações.»

A sessão do Mercado Monetário Interbancário foi caracterizada pela quebra generalizada das taxas de juro, em consequência das expectativas existentes. Os próprios negócios no "overnight" foram contratados nos dez por cento mas como reflexo da oferta existente ser largamente superior à oferta, assistiu-se à quebra da taxa de juro até aos nove por cento.

O orçamento federal para 1995 prevê que o défice se reduza ara o nível mais baixo desde 1979. O departamento da Defesa norte-americano é um dos que contribui para esse objectivo. A economia deverá crescer, segundo as previsões, 2,7 por cento.

A Valouro adquiriu em Espanha uma fábrica de rações por 200 mil contos, preparando-se para investir na região da Estremadura mais de 900 mil contos, 150 mil dos quais serão aplicados na reconversão daquela unidade industrial. A compra de uma fábrica de rações espanhola pelo grupo Valouro, representa a entrada deste grupo empresarial português no mercado do país vizinho.

O Japão vai enviar uma sonda robotizada equipada com câmaras vídeo e braços mecânicos para explorar a fossa submarina mais profunda do mundo, nas Marianas, no sul do Pacífico. A sonda Kaiko será a primeira a entrar aí desde 1960. O aparelho mede 3,1 metros, poderá descer até aos dez mil metros (o local mais profundo da fossa situa-se a 10.924 metros) e deverá colher rochas que vai trazer para a superfície. A sua missão está prevista para os próximos dias 22 e 23, noticia a France Presse.

A primeira bicicleta movida a energia solar vai ser comercializada a partir de Julho pela empresa Giotechnology, um fabricante japonês de produtos microelectrónicos, noticia a Lusa. Com um dia de carga, ela poderá ser usada sem pedalar durante 20 a 30 minutos a uma velocidade de 19 quilómetros por hora. Chamada Solar Cycle, a bicicleta foi desenvolvida por um instituto privado de investigação pertencente ao fabricante do veículo. O seu preço de venda ao público no Japão é de 400 contos.

A doença das vacas loucas -- também chamada BSE -- e a doença de Creutzfeld-Jakob são respectivamente a forma bovina e humana da «encefalopatia espongiforme». Estas doenças são assim chamadas porque destroem o cérebro das suas vítimas, conferindo-lhe o aspecto de uma esponja. Existem encefalopatias espongiformes equivalentes em numerosas espécies de mamíferos e pensa-se que as vacas foram contaminadas pelas ovelhas, através da ingestão de miolos ovinos contaminados pela «scrapie» (que é o nome da encefalopatia espongiforme dos ovinos).

A sonda espacial Clementina já abandonou a sua órbita terrestre a caminho de uma outra órbita intermédia entre o nosso planeta e a Lua, revelaram os responsáveis por este programa que tem como principal objectivo a realização de uma cartografia lunar.

Um problema anterior, que tinha sido provocado pela descarga demasiado rápida das baterias da sonda automática Clementina, já foi entretanto resolvido pela agência espacial americana NASA. A sonda espacial, lançada a 25 de Janeiro, tinha visto logo no primeiro dia todos os seus sistemas pararem automaticamente, à excepção do computador principal. Um erro de comunicação foi a explicação dada para justificar o sucedido. As comunicações entre a sonda e as cinco estações que controlam o aparelho desde o solo só puderam ser estabelecidas quando a Clementina sobrevoava directamente uma delas -- o que não dura mais do que quatro a cinco minutos. Foi então dada uma ordem para recarregar as baterias através dos painéis solares e o contacto com a Terra foi retomado.

A NASA desistiu ontem da principal experiência da actual missão do vaivém Discovery -- o lançamento no espaço e recolha de um satélite científico -- devido a sucessivos problemas técnicos. O satélite Wake Shield Facility (WSF) deveria ser colocado no espaço no passado sábado e andar a pairar durante dois dias, a 72km de distância do Discovery, para depois ser recuperado pelo primeiro tripulante russo a bordo de um vaivém, Serguei Krikalev. Mas as coisas correram mal, tendo logo no sábado falhado todas as tentativas de lançamento.

Apesar de tudo, não houve um abandono total da experiência, uma vez que o satélite está amarrado desde domingo ao braço robotizado do vaivém, que o deveria largar no espaço, e começou entretanto a fabricar cristais semicondutores.

A taxa comunitária sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2) e sobre o consumo de energia -- geralmente chamada «ecotaxa» -- poderá não ser aplicada em todos os países da União Europeia. A hipótese de conceder excepções a alguns Estados comunitários, de forma a facilitar a sua aprovação pelos Doze, foi avançada por Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia, numa reunião com organizações não-governamentais ambientalistas.

A Sociedade Energia, que engloba todos os participantes na produção de foguetões espaciais russos, desde os gabinetes de estudo até à produção final, só será privatizada em 49 por cento, nos termos de um decreto presidencial publicado no passado sábado. O decreto, citado pela AFP, refere que o Estado russo deterá durante pelo menos três anos a maioria desta sociedade, que passa a adoptar a designação «Corporação Energia». Esta medida, diz o decreto, tem em conta «o papel importante que esta sociedade desempenha no programa espacial da Rússia».

A adesão da Finlândia à União Europeia é uma duas principais tarefas do novo Presidente Martti Ahtisaari, o candidato do Partido Social-Democrata, na oposição, vencedor das eleições de domingo com 53,9 por cento dos votos.

Defende a adesão do país à União Europeia e é unanimemente considerado como o homem indicado para levar os finlandeses a aprovarem o referendo sobre a adesão, que se realiza na Primavera.

Enquanto em Lusaca os negociadores continuam a tentar conseguir a reconciliação das duas partes angolanas em guerra e uma espécie de partilha do poder, no terreno a luta prossegue; e ainda ontem a reportagem do PÚBLICO viu o Huambo, quartel-general das forças da UNITA, ser bombardeado pela aviação governamental, que causou dois mortos entre a população civil.

O repórter do PÚBLICO pôde confirmar pelo menos a ocorrência de duas mortes: uma criança de 12 meses e uma rapariga de 16 anos, no bairro Fátima-Suburbano, cujo nome é uma das muitas reminiscências da colonização portuguesa, que nestas paragens se traduziu em especial pela acção do general Norton de Matos.

A nova sessão das negociações de paz para a Bósnia agendada para o dia 10, quinta-feira, em Genebra, mantém-se, apesar de parecer óbvio que, mais uma vez, nenhum resultado é de esperar. A confirmação da realização da sessão foi feita ontem, em Belgrado, pelo representante especial do secretário geral da ONU para a ex-Jugoslávia, Yasushi Akashi, após um encontro com o Presidente sérvio, Slobodan Milosevic.

A ideia é fazer da Bósnia um «Estado descentralizado, um Estado de regiões, não étnicas». De tal modo que as regiões com a mesma composição maioritária étnica não seriam territorialmente contíguas.

Os Estados Unidos estão a avisar reservistas de que serão possivelmente convocados para exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, naquilo que a Coreia do Norte tem classificado como «preparativos para a guerra», noticiou ontem o «Washington Post».

«O objectivo do Pentágono é terminar a transferência dos mísseis até ao final de Março, quando o treino militar anual da Coreia do Norte -- testando sempre a sua prontidão para uma guerra rápida -- estiver no seu auge», diz a notícia. Os Patriot destinam-se a abater quaisquer mísseis SCUD norte-coreanos que possam ser lançados contra o Sul, se a actual disputa se agravar e passar a conflito aberto.

OS SOCIAIS-DEMOCRATAS regressaram ao poder na Costa Rica, onde o candidato do Partido de Libertação Nacional, José Maria Figueres, derrotou domingo o conservador Miguel Angel Rodriguez, do Partido de Unidade Social-Cristã, no poder desde 1990.

Mas a eleição de Figueres não significa apenas o regresso dos sociais-democratas ao poder, de que foram afastados nas eleições de 1990. Ela retempera a tradicional moderação política do país, de que a democracia, a alternância no poder e a neutralidade são três das suas manifestações desde a sangrenta guerra civil de há 46 anos.

A União Europeia não adoptou a proposta francesa de um ultimato aos sérvios que cercam Sarajevo. Exigiu o «levantamento imediato» do cerco e passou a decisão à NATO. Os britânicos, os mais renitentes, reconhecem no entanto que a balança começa a pender para uma opção militar.

Em termos concretos, os Doze limitaram-se a "apoiar a realização rápida de uma reunião do Conselho do Atlântico Norte, com o objectivo de conseguir o levantamento imediato do cerco de Sarajevo, utilizando todos os meios necessários, incluindo a utilização de força aérea". Para os ministros, esta opção não põe em causa o seu objectivo último que consiste em conseguir uma solução de paz negociada entre sérvios, croatas e muçulmanos no quadro das conversações de paz que deverão ser retomadas em Genebra a partir do dia 10.

Butros-Ghali, secretário-geral das Nações Unidas, pediu no domingo à NATO para aprovar ataques aéreos contra as posições da artilharia sérvia em redor de Sarajevo, na sequência do massacre de sábado num mercado que vitimou 68 pessoas e feriu mais de 200. Butros-Ghali enviou uma carta ao secretário-geral da NATO, Manfred Woerner, pedindo-lhe que «exerça uma acção» para obter o mais depressa possível por parte do conselho da Aliança Atlântica a necessária «luz verde» para lançar a operação militar. O ministério francês dos Negócios Estrangeiros já informou que a reunião do conselho deverá «decorrer provavelmente» hoje ou amanhã.

Os conselheiros em política externa do Presidente Bill Clinton reuniram-se ontem na Casa Branca para discutir uma possível resposta militar aliada na Bósnia. A reunião, que contou com a participação da representante norte-americana na ONU, Madeleine Albright, foi considerada uma simples «troca de informações» por um dos participantes. Clinton não participou na reunião por se encontrar de visita ao Texas e à Louisiana, de onde regressará apenas esta noite.

A ALEMANHA decidiu ontem proibir todas as actividades políticas no seu território do argelino Rabah Kébir, um dos poucos líderes da Frente Islâmica de Salvação (FIS) que escapou à prisão e que se tem assumido como porta-voz no exílio daquele partido ilegalizado em 1992.

Desde a sua chegada à Alemanha, Kébir tem-se mantido extremamente activo: organiza conferências de imprensa, publica comunicados sobre a situação argelina, concede entrevistas aos jornais, mantém contactos com outros militantes da FIS no exílio. Foi em Bona, que ele formulou, em Dezembro último, as cinco condições da Frente Islâmica para iniciar o diálogo com o regime. Na Argélia vários dirigentes islamistas distanciaram-se das posições radicais assumidas por Kébir, não lhe reconhecendo qualquer autoridade.

As novas reivindicações autonómicas da Catalunha podem, no limite, privar o executivo minoritário de Felipe González do apoio dos nacionalistas catalães, necessário à sua sobrevivência. Mas esta é uma questão imediata. O problema de fundo é o aprofundamento do estatuto de algumas autonomias.

Para além desta nova articulação, a proposta de Jordi Pujol prevê a cedência de competências em várias áreas: política territorial, língua, cultura, segurança e ordem pública, administração da justiça, meios de comunicação e ensino.

«Drop-In? Uhm, a palavra é sugestiva e aplica-se bem», comentava com malícia um homem, entre as muitas pessoas que ontem compareceram à inauguração do Centro de Aconselhamento para Prostitutas, que abriu na Travessa do Maldonado, 3, ao Intendente. Na sala apinhada, onde entre outras individualidades compareceu Odette Ferreira, coordenadora da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida, não esteve, porém, nenhuma das potenciais utentes do Drop-In, que -- abrindo espaço, fornecendo conselhos e preservativos -- pretende ser um ponto de apoio, social e psicológico, para as prostitutas. Mas ontem, elas permaneciam lá fora, na rua, às portas, aguardando clientes, embora não alheias à inauguração, que tanta gente levou ao Intendente. E na rua, as opiniões eram diversas. Se umas diziam «a mim é que não me apanham lá!», já outras mostravam-se mais disponíveis e interessadas. «Sempre pode ajudar alguma coisa. Eu faço tenções de lá ir, conversar um bocado. É ali na Travessa do Maldonado, não é?», dizia uma mulher. «É curto. Isto vai mais longe. Eles têm que nos ajudar a resolver é o problema da toxicodependência. Mas talvez dê, quando estamos nas depressões», dizia outra.

No Teatro Nacional de São Carlos, às 21h00, sobe à cena a ópera "Orfeo ed Euridice", com encenação de Tito Celestino da Costa e direcção musical do maestro Harry Christophes.

O saxofonista Carlos Martins e o contrabaixista Carlos Barretto arranjaram um novo sócio. Um sócio americano, Bill Goodwin de seu nome, conhecido em todo o mundo do jazz pelas muitas e frutuosas sociedades musicais em que tem participado. E como todas as sociedades, esta também tem uma história. Uma história recente e simples, que se passa a contar.

As chuvas dos últimos meses transformaram o buraco do Centro Colombo, no Colégio Militar, numa autêntica lagoa, frequentada por centenas de gaivotas e onde já se afogou uma pessoa. Espera-se que as obras comecem no próximo trimestre.

«O PCP tem ainda tempo para reflectir». Na véspera da escolha dos membros da comissão permanente da Junta Metropolitana de Lisboa -- que continua marcada para hoje, apesar da doença do actual presidente e recandidato ao lugar, Daniel Branco --, o PS fez ontem a que terá sido a sua derradeira tentativa para convencer os comunistas a escolherem Jorge Sampaio em vez do seu candidato à liderança daquele órgão.

Mesmo assim, Lacão -- ladeado pelos silenciosos presidentes das federações PS de Lisboa, João Soares, e Setúbal, Eduardo Pereira --, já anunciou aquele que pode ser o tom dos comentários à quase certa eleição de Daniel Branco, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, eleito pela CDU. «O PCP coloca-se como um aliado objectivo do PSD na desvalorização tanto do papel das Áreas Metropolitanas como dos respectivos municípios».

A construção de um importante interface ferro-rodoviário junto à actual estação de caminho de ferro do Entroncamento é um dos mais importantes projectos de investimento da Câmara local, no âmbito do quadro comunitário de apoio em vigor até final de 1999. Autarcas e projectistas já debateram a melhor forma de integrar o interface no Plano Director Municipal.

Entre os principais argumentos para sustentar a necessidade do interface contam-se a perspectiva de instalação do TGV (transporte de alta velocidade) e os benefícios na mobilidade de pessoas e mercadorias.

A Estrada Nacional 360, que liga a Foz do Arelho à Benedita, vai ser desclassificada. A Câmara Municipal das Caldas da Rainha mostrou-se disponível para a receber da Junta Autónoma das Estradas, pelo que, depois de reparada, passará a ser uma estrada municipal. Esta decisão foi tomada numa reunião realizada na passada semana entre o director de Estradas do distrito de Leiria, Zéfiro Rodrigues -- entretanto transferido para Coimbra --, o presidente da Câmara das Caldas e alguns presidentes de juntas de freguesia servidas por essa estrada.

A existência de água foi detectada logo na fase das prospecções e sondagens, efectuadas já no último trimestre do ano passado, pela OPCA. Mas até ao momento, em que a obra do Éden está ainda na fase da sustentação da fachada -- trabalhos que estão a ser executados pela Teixeira Duarte --, não coloca problemas de maior. Mais complicado será quando se iniciar a demolição do miolo do edifício, uma operação que terá de ser feita com extremos cuidados, sobretudo quando se atingir o nível do pavimento dos Restauradores.

A zona ribeirinha de Lisboa poderá vir a albergar um futuro museu dedicado à história e evolução dos instrumentos de peso e medida em Portugal, caso venha a vingar uma proposta nesse sentido apresentada pelo vereador Vitor Risota, do PSD, a qual será amanhã discutida na reunião do executivo alfacinha.

A relação entre alguns dos instrumentos e a época dos Descobrimentos constitui o principal argumento de Vitor Risota para defender a instalação do museu nas proximidades do Tejo. No entanto, o vereador confessa que ainda não pensou em nenhum imóvel em particular. «Nisso, os meus colegas vereadores mais conhecedores do património municipal poderão dar uma boa ajuda na escolha de um edifício».

A GNR de Peniche deteve próximo daquela vila, na tarde de domingo, três indivíduos que tinham em sua posse 1820 contos, em notas de 5000 escudos, falsas. Foram ainda apreendidas guilhotinas e um automóvel onde transportavam o dinheiro contrafeito.

Quanto às notas encontradas na posse dos suspeitos, é de referir que 28 delas estavam preparadas para entrar em circulação, enquanto as restantes 336 ainda se encontravam em folha e, portanto, por guilhotinar.

Cinco reclusos do Estabelecimento Prisional de Guimarães evadiram-se na noite de domingo, depois de terem serrado as grades da sua sela com uma serra de bolso flexível, e descido para uma placa do primeiro andar do edifício, com acesso ao exterior da cadeia. José Francisco Araújo Silva, Armando Jorge Magalhães Martins, Alexandrino Alberto Ferreira de Oliveira, José Pereira de Freitas e Francisco Oliven Mota Pinto continuavam evadidos à hora de fecho desta edição.

Segundo a PSP de Braga, nada permite supor que os três factos estejam interligados. Antes pelo contrário, o sub-comissário Almeida considera o prazo de duas horas como único ponto em comum entre a fuga, o furto da viatura e o assalto.

O Museu Luso-Hebraico de Tomar, instalado no edifício da Sinagoga daquela cidade, conta no seu espólio, desde 15 de Janeiro, com um Séfer Torah, Livro das Sagradas Escrituras utilizado nas cerimónias do culto judaico.

Desconhecendo o nome do doador da peça, Luis Vasco diz pretender agora sabê-lo, através da Solom Book Store, de Los Angels, nos EUA, responsável pelo seu envio para Tomar.

Uma explosão seguida de incêndio, às 11h20 de ontem, na refinaria da Petrogal de Sines, provocou onze feridos, quatro dos quais em estado grave, não correndo, no entanto, perigo de vida. Os trabalhadores, que pertencem, na sua maioria, a uma firma que efectuava trabalhos de manutenção na unidade de Sines, sofreram queimaduras no corpo, sobretudo nas mãos e nas pernas. O ferido mais atingido, internado em S. José, tem graves lesões na face.

Os feridos foram conduzidos para o Hospital de Santiago do Cacém pelos bombeiros locais, tendo sido posteriormente encaminhados para Santa Maria e São José, em Lisboa.

Um indivíduo de 26 abateu a tiros de caçadeira, na madrugada de ontem, na localidade de Forninho, Poceirão, Palmela, os pais, tentando de seguida suicidar-se.

Os motivos que levaram ao duplo homicídio são, por agora, desconhecidos. Na localidade, toda a gente se mostrou surpreendida com a ocorrência, tanto mais que o autor dos disparos, apesar de desempregado, «é uma pessoa que aparenta um estado normal, nunca tendo causado problemas de maior».

A agricultura e a vida rural têm, desde o dia 28 de Janeiro, mais uma revista, data em que foi apresentada à comunicação social, na Quinta do Anjo, perto de Santarém. O novo título, «País Rural», de âmbito nacional, terá periodicidade mensal.

No primeiro número da nova revista, que inclui uma entrevista com o ministro da Agricultura, Arlindo Cunha, o responsável máximo da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Rosado Fernandes, dá uma visão da agricultura portuguesa. Outros temas são a problemática do regime especial referente à caça e a agricultura biológica, como um regresso às origens. Sobre artesanato, uma referência à herança recebida por Júlia Ramalho, neta da artesã Rosa Ramalho.

Ainda a contraprogramação. Há uma semana, quando a SIC alterou a sua grelha de programas e passou a uma estratégia de confronto, tudo mudou na televisão portuguesa. Quanto mais não seja, porque se provou que a fragilidade da SIC, afinal, não é tão grande como se pensava -- obrigou a RTP a procurar respostas imediatas. Depois, porque se tornou ainda mais evidente -- aliás, esclareceu-se de uma vez por todas -- que é o binómio definido pelo jornal da noite e pela telenovela, exactamente às horas a que são transmitidos (20-21h30) que definem quem tem mais ou menos audiências.

Começam pela alteração de todo e qualquer programa. E continuam com a intensificação dos rumores da partida de José Eduardo Moniz da direcção da RTP. A situação começa a tornar-se rotineira, uma espécie de "clássico" da televisão em Portugal.

A renúncia de Mesquita Machado, presidente da Câmara Municipal de Braga, à designação de membro suplente do Comité das Regiões da Comunidade Europeia vai ser reclamada pelos vereadores do Partido Social Democrata durante a próxima reunião da autarquia, a realizar depois de amanhã.

Para os vereadores sociais-democratas esta questão não é "de somenos relevância pois, para desmenti-lo, basta recordar que na cerimónia pública comemorativa do 25 de Abril, realizada o ano passado em Braga e presidida pelo Presidente da República, o discurso do Presidente da Câmara foi elucidativo da importância atribuida ao Comité das Regiões. Além disso, "das competências atribuídas ao Comité das Regiões, destacam-se a obrigatoriedade de consulta por parte do Conselho e da Comissão, nos casos expressamente previstos no Tratado, bem como a capacidade de iniciativa própria sempre que seja considerado estar em causa interesses regionais específicos".

Visitas a duas unidades industriais do sector tradicional desta região, o têxtil, para provar que as opções do ministro da Indústria, Mira Amaral, não foram as mais adequadas. Encontro "casual" com algumas dezenas de trabalhadores que se encontram no desemprego e sem qualquer subsídio desde que a sua fábrica faliu, o que ocorreu há pouco mais de duas semanas. Pelo meio os deputados do PS tiveram ainda a oportunidade de ver como os fundos comunitários nem sempre são bem aplicados.

Militantes do PSD no distrito do Porto estão já a ser ouvidos pelo Conselho de Juridição Distrital do partido, no âmbito de processos que lhe foram instaurados por terem participado em listas de outras forças políticas nas últimas eleições autárquicas (casos de Manuel Agonia, que encabeçou uma lista do PSN na Póvoa do Varzim, e de Maria Augusto de Santos, concorrente pelo MPT á Junta de Paranhos, no Porto) ou tomado «atitudes manifestamente anti-PSD».

Um memorando de entendimento entre o Governo português e o brasileiro, que permitirá criar condições para resolver os conflitos de carácter legal entre as administrações dos dois países, será amanhã assinado no Palácio de Itamaraty, em Brasília, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Durão Barroso e pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Durão Barroso que visita Brasília amanhã e depois, participa na quinta-feira na abertura da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade de Língua Portuguesa com o objectivo de avançar na criação desta organização, que poderá ser lançada oficialmente ainda este ano numa cimeira em Portugal.

Ainda não têm sede nem estatutos, nem dinheiro, mas invocam uma ligação preciosa ao Conselho Nacional da Resistência Maubere (CNRM) para tornar credíveis as acções que ontem anunciaram no Porto a favor da causa timorense. Em Outubro próximo deverão ter já conseguido transformar o actual movimento de solidariedade estudantil numa entidade legal sob a designação de Associação Juntos por Timor (AJPT), a tempo de lutar por um dos seus primeiros objectivos: a concentração nesta cidade das iniciativas de carácter nacional destinadas a assinalar o terceiro aniversário do massacre de Díli.

A passagem do terceiro aniversário do massacre de Díli deverá ficar marcada, em 10 e 11 de Novembro próximo, por duas iniciativas: um «megaconcerto» com a «colaboração graciosa» de artistas portugueses e uma «jornada por Timor» ainda sem contornos definidos. Fica, entretanto, a garantia de Nova Araújo de que nada será realizado sem o conhecimento dos timorenses ligados à resistência. F.M.

Em resposta à acusação de que os ministros só se deslocam ao distrito de Bragança para comer e passear, o líder distrital social-democrata refere que nunca viu até ao momento visitas de membros do Governo que tenham a ver com folclore e que quem há-de ajuízar sobre os motivos das visitas programadas para Fevereiro e Março são os convidados para as sessões de debate previstas.

Enquanto não é marcada a data das eleições (que deverão ocorrer ainda este mês), os dois candidatos vão contabilizando apoios, mas a balança parece pender mais para o lado do ex-secretário de Estado, que tem já o apoio indirecto de Fernando Nogueira, segundo garantem fontes partidárias. Quanto a Manuel Pereira, tudo indica que poderá contar com Calvão da Silva - o presidente da Distrital, que há um mês se mostrava entusiasta desta candidatura - e com Maló de Abreu, para quem o ex-ministro "é uma pessoa séria e capaz de promover a unidade e coesão do partido no concelho". Martins Nunes, por seu lado, terá o apoio do vice-presidente da Distrital, Paulo Pereira Coelho, o que representa um indicador das divisões que o processo está a provocar.

«É inexplicável que o relatório das autópsias realizadas pelo Instituto de Medicina Legal ainda se encontre por concluír, 10 meses passados sobre a data das primeiras» (2 de Abril do ano passado) - considera, em comunicado agora divulgado, a Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, a propósito do caso dos hemodialisados de Évora.

A associação dos insuficientes renais lamenta ainda que, até agora, apenas o ministro da Saúde não tenha respondido ao seu pedido de entrevista, há já cerca de um mês, bem como o advogado assistente do processo-crime.

O julgamento da portuguesa Alexandra Pinheiro por alegado envolvimento nas actividades do exército guerrilheiro do povo galego, começa a 16 de Fevereiro. As autoridades espanholas acusam-na de ter participado em actividades terroristas, entre 1988 e 1991, ano em que foi detida. Alexandra Pinheiro é a segunda portuguesa acusada de envolvimento naquela organização galega, depois de Susana Poças , libertada pelos espanhóis, devido ao seu estado de saúde. O exército guerrilheiro do povo galego é apontado como responsável por vários atentados à bomba contra personalidades da Galiza.

O período de duração do serviço efectivo normal (SEN) para os recrutas a incorporar durante este ano, foi prolongado, revelou ontem o Diário da República. Na Marinha, este serviço é prolongado excepcionalmente até ao limite máximo de 10 meses para a categoria de praças e, no exército, até ao limite máximo de seis meses para a categoria de praças, das especialidades do grupo B. O Diário da República publica ainda outra portaria que determina o prolongamento excepcional da duração do serviço efectivo normal, até ao limite máximo de seis meses e meio, para os recrutas do terceiro turno de incorporação de 1993 destinados a categoria de praças do exército para as especialidades do grupo B.

Na sala de audiências improvisada na Assembleia Distrital de Aveiro começam hoje as alegações finais do julgamento do processo de contrabando e corrupção conhecido como «Aveiro Connection». Aproxima-se assim do final um caso que está a ser julgado desde Outubro do ano passado e que teve origem em 21 de Março 1988, dia em que a PJ de Aveiro desencadeou a operação policial «Águas Turvas», que conduziu ao desmantelamento de uma rede de contrabando de tabaco, que alegadamente operava sob a a protecção de elementos da Guarda Fiscal (GF) e da Polícia Marítima (PM).

Entre elementos ligados ao processo cresce a convicção de que os arguidos mais importantes serão mesmo condenados a penas relativamente duras, atendendo à quantidade de provas produzidas durante a audiência. Esta convicção é reforçada pelo facto de o julgamento estar a decorrer com base no antigo Código de Processo Penal, que estabelece uma quadro de prova mais favorável para a acusação pública. No entanto, o Ministério Público sentiu mais dificuldade para provar o envolvimento na rede de contrabando dos ex-comandantes do porto de Aveiro.

Oscilam entre os oito e os 14 anos de prisão as penas ontem atribuídas na cidade alemã de Wuppertal aos dois «cabeças rapadas» e ao alberguista condenados pelo homicídio de um homem que julgavam ser de origem judaica. O tribunal frisou que os «cabeças rapadas», incitados pelo alberguista, teriam espancado violentamente um talhante de 53 anos, que depois regaram de álcool e incendiaram. O malogrado talhante não era judeu.

O vietnamita Pham Van Quang, de 52 anos, foi condenado a 15 anos de prisão por ter exibido uma bandeira do antigo Vietname do Sul em plena maratona da Cidade de Ho Chi Minh, em Dezembro de 1992. O jornal Giai Phong dava ontem conta de que o tribunal popular desta cidade considerou Quang culpado de ter cometido deliberadamente um acto subversivo num lugar público. Por ocasião da maratona, Quang desfraldara a bandeira proibida perante a imprensa presente no local, tendo disparado 19 tiros para o ar por forma a chamar as atenções.

Afinal os 32 cidadãos africanos e bósnios, candidatos a asilo político, que estavam alojados, desde que chegaram a Portugal, nas pensões "Floresta" e "Barca do Tejo", em Lisboa, não foram despejados. A Obra Católica Portuguesa das Migrações e a diocese de Setúbal vão garantir o pagamento das despesas dos 17 adultos e 15 crianças, enquanto a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa avisava, na sexta-feira, o proprietário das duas pensões que suspenderia, a partir de ontem, o subsídio de alojamento.

É o caso do angolano Domingos Afonso, chegado a Portugal faz agora um ano. Em Luanda, onde residia, era estudante do Instituto Médio de Farmácia, mas durante o recontros ocorridos depois das eleições em 1992, este apoiante de Jonas Savimbi, fugiu para casa da sua tia na Jamba. Depois apanhou o avião para Portugal. Até agora não conseguiu arranjar um emprego, «porque a polícia de estrangeiros não deixa», explica. Até ontem, a Santa Casa pagava-lhe um subsídio mensal de 20 contos, bem como o seu alojamento na pensão.

As autoridades de Saúde da Confederação Helvética estão a iniciar um programa-piloto de recuperação de toxicodependentes que inclui a distribuição de heroína legal a 700 voluntários por um período de três anos.

Os 15 quilos de heroína pura foram recebidos da Sanofi-Francopia, que já fabricava amostras da mesma droga para as autoridades policiais poderem comparar com o produto apreendido na rua, declarou um responsável da OFSP.

Talvez o sorridente presidente seja para ele a última esperança. Timothy West tem três anos e é leucémico. Caso não receba um transplante de medula óssea, não viverá muito mais. Ainda assim, parece contente por se agarrar a Bill Clinton numa festa da Sociedade Americana do Cancro.

Num momento em que os empresários portugueses tentam estabelecer contactos com os mercados dos países da CEI, esta medida do MAI apenas vem complicar as coisas. Por vezes, de Portugal surgem propostas de venda de mercadorias que exigem decisões rápidas e a máquina burocrática portuguesa torna os negócios difíceis.

A Alemanha também já tem um caso semelhante ao protagonizado por Lorena Bobbitt, a norte-americana que cortou o pénis ao marido. Só que na Alemanha passa despercebido. Em Frankfurt-sobre-o-Oder, cidade da antiga Alemanha Democrática situada junto à fronteira com a Polónia, o julgamento de uma mulher de 51 anos acusada de castrar o seu companheiro começou sob a indiferença geral.

Em Outubro de 1992 Heidemarie confessou o seu crime, explicando que «tinha perdido a cabeça». Mas agora, em tribunal, voltou atrás. «Inventei tudo para que a polícia me deixasse em paz, não sou a autora desse crime», afirmou antes de se desfazer em lágrimas. Divorciada de um homem que bebia e a agredia com frequência, mãe de uma filha que desde que nasceu foi confiada à avó materna e que ela nunca viu, Heidemarie Siebke foi libertada em Dezembro sob controlo judiciário.

Pobre príncipe Carlos. No passado dia 26 de Janeiro foi «atingido» por dois tiros de pólvora seca. Ontem, na cidade neo-zelandesa de Auckland, um indivíduo de seu nome Catislav Sam Bacanov tentou aspergir Carlos com um desodorizante para casas-de-banho. Segundo testemunhos, o anti-realista de origem jugoslava pretendia acabar com o «mau cheiro da realeza». A polícia neo-zeolandeza deteve o indivíduo e Carlos, naturalmente, não ficou ferido. Pelo menos fisicamente.

O fascínio dos «flippers» é universal. Com 60 anos de existência, este entretenimento registou anteontem o início do seu quarto campeonato mundial. Dominada por participantes dos EUA, esta competição contou com a presença de australianos, brasileiros, britânicos, suecos e canadianos. Com idades compreendidas ente os sete e os 50 anos, 700 concorrentes dispõem-se a passsar horas agarrados a botões e com os olhos fixos nas esferas que trazem os preciosos pontos, necessários para chegar ao apetecido prémio de 4 mil dólares (692 mil escudos). De acordo com os organizadores da competição, os «fippers» estão novamente a tornar-se um dos divertimentos favoritos entre os apreciadores dos jogos de vídeo nos EUA.

O Supremo Tribunal indiano poderá autorizar a libertação de Phoolan Devi , a «rainha dos bandidos», pondo fim a mais de dez anos de prisão. Mas os seus advogados temem que, uma vez em liberdade, a sua cliente seja assassinada. Os juízes J. S. Verma e P. B. Sawant anunciarão a sua decisão final no dia 18 de Fevereiro na prisão de Tihar em Nova Deli, onde Phoolan Devi está detida desde Outubro.

Depois foram dez longos anos de cácere na prisão de Gwalior, no Estado de Madhya-Pradesh, e o cancro que levaria as autoridades a transferi-la para Nova Deli.

O conhecimento integral da realidade dos resíduos sólidos urbanos em Portugal é o objectivo de um estudo que a Quercus -- Associação Nacional de Conservação da Natureza vai desenvolver à escala nacional, e que será apresentado esta tarde numa conferência de imprensa em Lisboa.

Neste documento de 39 páginas fixa-se o calendário das diversas acções a desenvolver sob a coordenação efectiva de uma equipa de seis especialistas do gabinete técnico da Quercus, cuja duração global é de um ano. O estudo desenvolve-se em dois planos: inventariação pormenorizada das lixeiras existentes e análise da situação dos sistemas de tratamento/deposição controlada de resíduos sólidos urbanos.

«As realidades perdem sentido quando são vistas a esta distância» disse, ontem, Eurico de Melo, pouco depois de ter prestado declarações no julgamento do caso de sequestro de que alegadamente terá sido vítima, juntamente com o então secretário de Estado Marques Mendes, e o governador civil de Braga, Ribeiro da Silva, no interior da sede do PSD de Famalicão, em Outubro de 1988. Marques Mendes está em Bruxelas e não apareceu, mas Ribeiro da Silva fez questão de contrariar o distanciamento do então ministro da Defesa e não hesitou em afirmar «nunca ter passado por uma situação tão difícil». Os arguidos são seis -- entre os quais o mais recente candidato pelo CDS/PP à Câmara Local -- e estão acusados de participação efectiva nos distúrbios que se seguiram à despromoção do Famalicão à terceira divisão do futebol nacional.

No entanto, o ex-ministro da Defesa foi praticamente o único a ver as coisas deste modo. Ribeiro da Silva, Veloso Coelho - à época vice-presidente da Distrital de Braga do PSD - e outros militantes daquele partido, para além dos cinco elementos da segurança do próprio Eurico de Melo, descreveram um quadro bem mais negro, de tragédia iminente. Apedrejamento do edifício e dos carros, tiros, agressões a agentes da PSP e uma fuga apertada - foi o resumo que fizeram daquela noite.

Os centros de poder de um mundo em crise. No quarto aniversário, de novo em colaboração com alguns dos mais prestigiados jornais de todo o mundo, associados na rede World Media, mais um suplemento indispensável. Nele se incluem, por exemplo, colaborações de vários escritores, entrevistas com Bernard Lewis e John Kenneth Galbraith e uma interessante mesa redonda com Edgar Morin e Alvin Tofler. Sem esquecer os habituais mapas de grande formato.

«A SEC, nomeadamente agora com este secretário de Estado (eu sou suspeita porque gosto muito dele), tem feito coisas (...). As coisas não estão na perfeição mas para lá caminham.»

Dói saber que Lucky Thompsom é hoje um «homeless», perdido nas ruas de Seattle, talvez incapaz de arrancar qualquer som de um saxofone tenor que, muito provavelmente, as suas mãos já não conhecem há muito, muito tempo. A denúncia foi feita há alguns meses, em Nova Iorque, por Jimmy Owens. Para lembrar as difíceis condições de vida que continuam a perseguir muitos músicos de jazz, por maiores que sejam ou tenham sido.

As sessões de «Tricotism» reflectem fielmente o estilo do saxofonista: sonoridade cheia e quente, perfeito controlo do tempo e apurado sentido rítmico, sólida arquitectura dos solos. E lembram que Thompson não foi apenas um seguidor dos novos sons, mas também um experimentador. Numa altura em que a bateria era tida como um apoio imprescindível, Thompson dispensou-a (na sessão de 24 de Janeiro de 1956), utilizando apenas a guitarra de Skeeter Best e o contrabaixo de Oscar Pettiford, um dos seus mais fiéis companheiros musicais. (Dez meses mais tarde, Jimmy Giuffre repetiria a experiência, chamando a atenção da crítica, que ignorara a iniciativa do saxofonista.) Se «Tricotism» não contribuir para repor Lucky Thompson no seu verdadeiro lugar -- que é na primeira fila dos grandes saxofones tenores do bebop --, muita coisa continua mal no reino do jazz.

Deve haver outro Portugal que não aquele em que vivo. O Portugal que, em 1990 (a acreditar na prosa que deveria informar os desinformados sobre a sua carreira), consagrou internacionalmente a voz brasileira de Jane Duboc, oferecendo-lhe o primeiro lugar dos tops nacionais. Confesso que não dei por nada e só agora, por obra e graça do barítono de Gerry Mulligan, é que me foi apresentada. A voz é agradável e o canto também. Mas o que mais cativa é o sax de Mulligan, melodioso como sempre, ágil nos caminhos do ritmo e sedutor nas pregas dos versos. Onze temas-pretextos (dos quais oito escritos por Mulligan) para lembrar o tempo em que alguns americanos descobriram que a América não se esgotava na sua «América». Há no jeito de cantar de Mulligan uma recordação de Getz e, no modo como Jane encosta a voz às palavras, um pudor aprendido em Jobim. O que ajuda a fazer de «Paraíso» (Telarc/Andante) um disco que se ouve com renovada simpatia.

A discografia de Clifford Brown confunde-se com o melhor da discografia do bebop. A história da trompete-jazz detém-se em Clifford Brown como um descobridor de Nova Iorque se atarda na Village. Nada do que Clifford gravou se avizinha da indiferença. Quando, em Setembro de 1953, viajou para Paris com a «big band» de Lionel Hampton, o trompetista foi suficientemente inteligente para desrespeitar a ordem do patrão, que proibia a participação dos membros da orquestra em qualquer gravação que não as da própria banda. Por sete vezes, entre 28 de Setembro e 15 de Outubro, Clifford e alguns dos seus camaradas -- Art Farmer, Gigi Gryce, Quincy Jones, Anthony Ortega, Jimmy Cleveland -- visitaram os estúdios de Paris, partilhando com alguns colegas franceses (Henri Renaud, Pierre Michelot, Jean-Louis Viale) e compatriotas exilados (Jimmy Gourley) os prazeres de um jazz luminoso e feliz. Nos três volumes que contam a história da aventura euporeia de Clifford, «The Complete Paris Sessions» (Vogue/BMG) não têm conta as histórias que a memória gosta de contar. A.C.

Catherine Clément escreveu a história de Gracia Nasi, aliás Beatriz de Luna, judia portuguesa, herdeira de uma enorme fortuna, nascida em Lisboa em 1510. Uma biografia histórica que atravessa a Europa do século XVI; mais do que um romance, um livro em que a História é contada como se fosse um romance.

Como dispositivo romanesco, Catherine Clément fez Josef Nasi contar a história da sua vida a um bobo. «Não escolhi o bobo por nenhum motivo em especial, precisava de arranjar alguém a quem ele contasse a história», disse ela ao PÚBLICO em Belmonte, onde fez questão de fazer o primeiro lançamento da edição portuguesa do livro, no domingo que passou, antes do lançamento lisboeta. Uma consequência óbvia deste dispositivo é tornar, primeiro subrepticiamente, e depois de uma maneira cada vez mais clara, Josef Nasi um protagonista que de uma maneira enviesada acaba por ocupar o lugar que, por título escolhido pela autora, pertenceria a Beatriz-Gracia. «Não estou de acordo», dizia Catherine Clément, «o romance é realmente sobre ela».

1. Um dos mais recentes livros de filosofia publicados em França -- estou a falar de «Le Tempo de la Pensée» de Patrice Loraux, nas Éditions du Seuil -- tem um objectivo extremamente fascinante: procura analisar (ou melhor: pôr em evidência através de diversos meios) os mecanismos de ordem afectiva que regulam o processo de pensamento, o seu modo de operar. Poderíamos falar de um estudo do «inconsciente do pensamento»-- e é óbvio que o autor conhece muito Freud. Mas talvez a opção por um esquema demasiado psicanalítico constitua uma precipitação. Nesse ponto Patrice Loraux prefere ser prudente e discreto, e utilizar sobretudo os meios de bordo. Ele gosta de falar, como se lê no título, no «tempo» do pensamento, utilizando esta metáfora de origem musical para designar um tipo de ritmo que não pode ser definido de maneira absoluta, e que corresponde a uma espécie de melodia secreta que atravessa o sujeito.

Se me pedissem uma imagem do modo como o livro de Loraux se produz e constrói, eu teria de falar de uma escrita extremamente agitada e vibrátil, que aliás tem muito a ver com o modo algo sacudido e nervoso que Loraux tem quando fala. Suponho que «Le Tempo de la Pensée» me evoca a figura de um boxeur que vai saltitando em torno do adversário, em sucessivos avanços e recuos, e que de repente se lança sobre ele numa sucessão imparável de murros. Questão de ritmo, evidentemente. O corpo do pensamento pode ser um corpo de bailarina ou um corpo de boxeur. Os outros corpos. Mas Loraux gosta de dizer que é preferível a energia de um passo decidido a uma orelha seduzida.

Carlos V, o Habsburgo, fê-lo cavaleiro, o Sultão otomano fê-lo Duque de Naxos. João Micas foi um dos mais célebres judeus portugueses cuja história «A Senhora» acompanha, da Lisboa das especiarias à Istambul de Solimão, o Magnífico. Assumindo plenamente a visão de Braudel sobre o Mediterrâneo do séc. XVI, Catherine Clément descreve-nos o quadro da identidade judaica no contexto do capitalismo emergente, mas não só.

Trata-se de uma questão que nos reenvia para o problema do judaísmo no séc.XVI na perspectiva do capitalismo nascente. Braudel - autor que C. Clément afirmou ao PÚBLICO ter um importância capital na sua formação historiográfica -, no seu "O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na época de Filipe II"(D. Quixote), ao analisar o problema não parece ter dúvidas e cita-nos o depoimento de um 'marrano': "«em Espanha, sob um vestuário que mascara a nossa circuncisão, socorremos o monarca [ trata-se de Filipe IV] com a riqueza que possuímos em Amsterdão, no país dos seus mortais inimigos... Fazemos o mesmo na Alemanha, em Itália, em Constantinopla. (...)». Em suma, é o processo do capitalismo." Ainda que não possam ser considerados os inventores do capitalismo - "mas existiu um inventor?" -, os judeus participaram de sobremaneira no seu nascimento. Acontece que, para Braudel, o exemplo de eleição é exactamente o protagonista deste romance: "adivinha-se um colossal êxito através da carreira sem paralelo da família portuguesa dos Mendes e de seu sobrinho, Juan Minguez, dito João Micas (...). Marrano, regressa ao judaísmo em Istambul onde se torna numa espécie de Fugger, todo poderoso até quase à morte (1579), sonhando ser um «rei dos Judeus» e construir um Estado na Terra Santa (reparou as ruínas de Tiberíades), ser «rei de Chipre», e contentando-se finalmente em ser noemado pelo Sultão, à falta de melhor, duque de Naxos". Nesta obra de ficção, a autora reparte estes e outros feitos entre João Micas e Beatriz, a viúva Mendes, Gracia Nasi de seu nome judaico.

Quando saiu «Tábua das Matérias», anunciou um novo livro, que estaria quase pronto. Já passaram mais de dois anos...

Resultou até certo ponto, mas eu sempre escrevi pouco e ultimamente escrevo ainda menos. Dispersei-me em muitas actividades. Mas dois terços dos poemas de «Depois de Ver», que não é um livro grande, foram escritos depois da publicação da «Tábua das Matérias». E escrevi mais dois ou três poemas que não sei ainda para onde serão: ver-se-á mais tarde se poderão integrar-se noutro ciclo coerente.

Diz um provérbio judeu que «O homem pensa, Deus ri.» Do homem que pensa? De si próprio, sendo este «um deus que joga, no sentido mais lúdico do termo, um deus apaixonado pela pura alegria de existir»? Um novo romance de Alçada Baptista, o balanço de uma vida.

O homem sem nome é um poeta, e atravessa um «deserto imenso» também sem nome, que alastra «por planícies, montes e vales que um dia haviam sido férteis»... Publicado em 1986, entra agora na sexta edição, começando a rivalizar com o romance de estreia de João Aguiar, «A Voz dos Deuses» (14 edições).

Pepe não é nome vulgar. Primeiro, ao contrário dos Chicos, Zecas e Manecas, não tem qualquer correspondência onomástica na nossa língua. Na sua ressonância latino-americana, mais do que uma alcunha, é um modo de estar no mundo, um projecto de vida, diria mesmo, uma filosofia. Depois, até gramaticalmente, subsistem dúvidas nas circunstâncias em que é substantivo, adjectivo ou advérbio de modo. Exemplificando: «Estar pepe» -- bem vestido, emproado, «blazer» com botões dourados, peúga branca, sapatos bicolores, brilhantina e bigodinho q.b. «Ser pepe» -- rápido e eficaz nas manobras de detecção e atracagem, ainda que a «vamp» esteja fora do prazo.

Nunca se lhe conheceu nome, apelido ou morada. Supõe-se suburbano, ali dos lados de São Martinho, talvez «bossa», capataz promovido a meninó. Ao certo, comerciava em banana. Apanhava as sobras da exportação, cachos com defeito, que ele próprio distribuía pelas barracas de fruta da cidade. Como instrumento de trabalho, um polivalente Opel Kaptain em 23ª mão, cheio de arrebiques e cromados, transporte bananeiro durante o dia e nave espacial no inglório giro de atracção de velhinhas inglesas, ao sol poente.

Fiodorov, o ministro das reformas financeiras de Ieltsin que, no pendular para o reaccionarismo agora em curso -- clássico entretempo de um processo reformador -- se demitiu do Governo russo na forma actual, contando regressar em tempo oportuno, deixou cair numa entrevista a um jornalista ocidental que, num país com as dimensões do seu, a ajuda estrangeira é sempre uma gota mais simbólica que eficiente. "É com as próprias forças da Rússia que há que contar".

E então as reformas? "Essas seguirão o seu curso", pensa, e não é a política financeira que as afectará. Ninguém conseguirá que os que se tornaram ricos, ou apenas independentes, com as privatizações, nos serviços, na indústria, no campo, renunciem ao que conseguiram. Nem que o seu exemplo não provoque seguidores. A revolução das estruturas está lançada e é imparável.

Este ano os Bizarra Locomotiva são os representantes nacionais no Printemps de Bourges, um festival anual, realizado em França, em que músicos e grupos de vários países da Europa dão a conhecer sonoridades e projectos novos. A honra adveio de terem ganho, em Abril de 1993, o concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa. Desde então este duo tem vindo a ocupar-se da escrita e gravação de temas para o seu primeiro álbum, a editar em finais de Março pela Simbiose.

Assumem sem qualquer problema a influência marcante dos Sonic Youth na música que fazem, até porque a sua formação é semelhante: «uma bateria, duas guitarras e uma baixista que também canta». Originários das Caldas da Rainha, os Bloodofothers referem, no entanto, que não se reduzem ao grupo americano: «Vivemos aqui, com esta realidade, portanto não podemos rejeitar outras coisas que nos marcam, talvez inconscientemente, e que se reflectem na nossa música.»

Les Brayauds é a designação de uma associação cultural localizada em Auvergne, das muitas existentes em França, cujo objectivo é fomentar a recolha, investigação e prática da música tradicional e, em simultâneo, facultar, tanto a músicos profissionais como a amadores, os meios necessários para o fazerem. Um pormenor importante: não é só o trabalho de contacto com as raízes que é contemplado com todo o tipo de apoios, mas também o incitamento a uma determinada atitude, que passa pela compreensão do que é «fazer música tradicional», mesmo quando se trata da composição de novos temas, e pela intuição do que devem ser as suas formas, estejam elas mais ou menos próximas das fontes. Só desta maneira se assegura o futuro: longe do museu, como longe da perda da identidade, perigo que espreita muitas das actuais experiências de fusão, cuja ânsia de modernização lhes faz amiúde perder o Norte. É preciso acabar com o preconceito, um novo preconceito, actualmente muito em voga, de que a música tradicional só pode evoluir através da simbiose com estéticas e modos de sentir e dizer actuais. Nada mais falso. A modernização não passa por aí, mas pela actualização (conviria perceber bem o significado deste termo!) constante de uma essência imutável. Claro que são lícitas todas as fusões e mestiçagens, daí a legitimidade de um termo como «world music», afinal aplicável a uma música global, o tal «folclore planetário» que entra no domínio da realidade -- vamos nós agora ser «modernos» -- virtual.

«Workaholic» nato, Brian May não descansou muito após o final dos Queen. Um álbum, «Back To The Light», e uma «tournée» para o promover durante todo o ano passado -- é o próprio May que diz no folheto interior deste «Live At The Brixton Academy» que a sua banda «trabalhou que se desunhou» em digressão durante todo o 93 -- surgiram quase como forma de cumprir as palavras da velha canção dos Queen: «The show must go on». Este «live» é afinal a forma de May demonstrar que continua vivo e em forma, apesar dos seus quase cinquenta anos de idade. Não admira pois que as canções nele incluídas, e que correspondem de uma forma bastante fiel ao seu espectáculo (que passou por cá no final do ano passado), sejam na sua maior parte canções assumidamente «rock». O repertório foi escolhido entre os momentos mais pesados da herança Queen e do seu próprio álbum a solo, pretendendo demonstrar um vigor não vergado pelos anos. «Driven by you», «Tie your mother down», «Headlong», «We will rock you» ou «Hammer to fall» servem como bons exemplos dessa vertente ainda «rockeira» que lhe pulsa pelas veias, e que nos Queen era muitas vezes preterida por outras sensibilidades. Evidentemente que as «rockalhadas» de Brian May e da sua trupe de veteranos já pouco significado poderão ter nos dias de hoje, a não ser como suporte de uma certa nostalgia decadentista. Daí que este álbum não tenha sido gravado no estádio de Wembley, como o faziam os Queen, mas antes na Brixton Academy, uma sala de média dimensão mais orientada para grupos «underground» em transição para o «mainstream». Com o seu passado, May não tinha que se submeter a este tipo de humilhação (nem à de tocar para um pavilhão de Cascais às moscas, como aconteceu cá), e só por essa força de vontade em manter o espectáculo, deve-se lhe dar algum crédito. Ainda por cima porque o concerto dele não foi tão mau como isso. E este disco demonstra-o fielmente. Só é pena não se poder ver a actuação das duas endiabradas coristas de cabedais e rendas que faziam parte da banda... (7)

No Brasil tem sido um sucesso: mais de 300 mil cópias vendidas desde o Natal, «shows» continuamente esgotados no Canecão, por onde passaram já cerca de 50 mil pessoas, recepção calorosa por parte do público.

«As pessoas podem dizer mal ou bem, mas é importante que se interessem.» Quem o diz é o Miguel, baterista dos Carrossel Mágico, uma banda do Barreiro que pratica um som com bastantes influências do rock mais garagista americano. O grupo quer sobretudo «alguma participação do público», pelo menos nos concertos. É algo de físico. Ao vivo, «surgem sempre algumas situações inesperadas». Até porque há um «performer» que de vez em quando colabora com eles e que nem sempre tem atitudes muito pacíficas. «Ele ouve a música e necessita de se exteriorizar. Nós gostamos. Uma vez despiu-se todo, num concerto no Barreiro, e houve pessoas que não gostaram.» Mas os Carrossel Mágico acreditam que «não há uma premeditação». Escrevem sobre o quotidiano, mas também têm temas sobre «serial killers». É que, embora «não se identifiquem com essas pessoas», elas «influenciam a sociedade actual» e portanto também a eles. Já cantaram em português e em espanhol até que se radicaram no inglês, porque «era o que ligava mais com o que fazem».

Praticantes de uma pop humanista e fortemente influenciada pela música «soul» americana dos anos 70, os Christians têm até ao momento três álbuns de originais lançados desde 1987: «The Christians», «Colour» e «Happy in Hell». Nenhum deles foi grandemente significativo para a pop em geral, mas em contrapartida todos têm pelo menos um par de canções de bom calibre, o que tem garantido ao grupo uma mais que razoável carreira comercial. São essas canções, dispersas por vários trabalhos, que, reunidas, formam este «Best of». Temas como «Forgotten town», a versão dos Isley Brothers, «Harvest for the world», «What's in a word», «Born again», a mistura pop/tradicional céltico, «Words», «Ideal world», «When the fingers point», e uma «novidade»: o tema «Perfect moment», que foi gravado pelos Christians para a banda sonora do filme «Blame it on the Boy», remisturado agora para se somar a este «Best of» e que acaba até por ser um dos momentos menos interessantes do conjunto. Quem gosta de pop britânica de alta produção e de um cariz humanista e grandioso à maneira dos anos 80 não fica, pois, mal servido com este prato. Mesmo que ele seja uma espécie de empadão constituído pelas sobras de outros discos, o que neste caso até é uma vantagem, já que se eliminou o refugo e praticamente só ficou a nata. (7)

«Fazemos `hardcore', mas não gostamos de nomear influências, porque, depois, colam-nos a este ou àquele grupo sem verem o que trazemos de diferente.» É na fusão entre punk e blues, com desvios para um certo folclore ordinário, que os Estalada Total, de Campo de Ourique, Lisboa, baseiam a sua diferença. Assumem o conteúdo crítico das letras que fazem e aliam essa agressividade à música, já comparada à dos Censurados ou dos Mata-Ratos.

«Alors, Léo...», desafia uma voz de mulher, por entre a assistência. Ele responde: «J'arrive, chérie!» e a plateia irrompe em aplausos. Foi no Théâtre Libertaire de Paris/TLP Déjazet, em finais de Novembro de 1990, tinha Ferré 74 anos e a morte já pouco tardaria a chegar. O duplo CD resultante deste espectáculo (ou melhor, espectáculos, já que as gravações ocorreram ao longo de três dias) respeita, em essência e qualidade, o espírito das apresentações ao vivo do criador de «Ni dieu ni maître», superando mesmo as gravações feitas em Maio de 1988 naquela mesma sala (vinte anos após o histórico Maio francês) e igualmente disponíveis em CD, em dois volumes separados, no mercado português. É uma edição cuidada, numa caixa com dois CDs, capas individuais com as letras das 25 canções (há, pelo meio, três monólogos de Ferré sem transcrição), um libreto com fotografias, desenhos, reproduções de apontamentos e partituras. E é uma edição com antecedentes próximos em França: caixas idênticas foram editadas nos últimos tempos, com gravações inéditas ao vivo de Yves Montand, Edith Piaff e Jacques Brel, destinando-se todas elas, incluindo a de Léo Ferré, datada de 1993 (ano da sua morte), em primeiro lugar a coleccionadores. Para o público em geral será, no entanto, uma excelente oportunidade de ouvir -- ou voltar a ouvir -- velhas canções e hinos como «Ni dieu ni maître», «La grève», «La mélancolie», «L'espoir», «Avec les temps» ou «Les anarchistes». E «ver», através dos sons, num registo de assinalável qualidade, como um homem no final da vida erguia a voz acima do mundo e para além dele, desafiando-o e desafiando a morte. «Alors, Léo...» é um testemunho singular de um dos maiores nomes da música francesa de sempre. Ouça-se «Thank you satan» (aqui numa das suas melhores versões), «Vison l'editeur» ou «Le flamenco de Paris» e perceber-se-á facilmente porquê. (8)

GILBERTO GIL -- Não, o que nós queríamos evitar era um calendário muito grande de comemorações, não só no plano artístico como no plano oficial, com universidades e outras instituições ligadas à área oficial da cultura que gostariam de estar presentes. Não é que nós alimentemos alguma hostilidade em relação a esse universo, mas é que a coisa ficaria interminável, pesada, com aquele lado social, de homenagem...

Quem esperaria uma coisa destas? Um novo disco dos Gong, os genuínos, com Daevid Allen, o australiano já entradote mas tão louco como sempre. Uma surpresa só comparável à ressurreição recente de Kevin Ayers, com «Still Life with Guitar».

O som Gong tradicional, mistura de jazzrock elegante e muito «british», orientalismos «kitsch» e fábulas musicadas com mescalina sobre ovnis em forma de bule, é imediatamente reconhecível em temas como «Shapeshifter», «Hymnalayas» e «I gotta donkey» (do período «Shamal», já sem Allen). Há lugar para tudo, em qualquer dos casos sempre com a inconfundível marca de loucura que caracterizou -- e pelos vistos continua a caacterizar -- a banda: um imparável exercício de «techno- trance» impulsionado pela «techno percussion» de Shyamal Maïtra, em «Dog-o-matic»; seguido por uns Etno Gong com uma Kora simulada e tudo, em «Spirit with me»; um feitiço dos Balcãs tecido em cânticos de mutante e prolongado pelo violino de Graham Clark, em «Give my mother a soul call»; influências da música sul-africana do Soweto, em «Là bas, là bas»; e chinesa, em «Gnomoutro»; abalos electroacústicos, em «Confiture de Rhubarbier»; «funky» traficado, em «Éléphant la cuisse»; e um «rap haxe» com Didier Malherbe em grande forma, em «Heaven's gate». Jazzrock «à la Gong» encontra-se do melhor, em «Can you: You can». Pelo meio, estão espalhadas umas brincadeiras com tablas indianas, além dos «party sounds» e jogos fonéticos que sempre tinham lugar nos seus álbuns clássicos. E ainda uma canção para colocar ao lado das melhores de sempre do grupo: «Loli» -- pop dolente e irresistível, só comparável ao que Syd Barrett, no início dos Pink Floyd (sabe-se lá em que estado) era capaz de fazer. Sejam bem-vindos de regresso ao planeta. (8)

Os Great Lesbian Show acham que são «emissores», mas ignoram ainda quem poderão ser os seus «receptores». Os amigos são, por enquanto, a base do seu público. Querem levar as pessoas a «sair da apatia do quotidiano através de uma provocação lúdica», mas dizem não existir neles uma componente política ou social acentuada. A provocação reflecte-se sobretudo ao vivo, onde há uma certa componente «catártica» por parte dos vocalistas (César e Ondina -- os outros são Armando, na guitarra, Rui, na bateria, e Carlos, no baixo), mas, segundo eles, «é para divertir».

Os elementos dos GLS moram todos na mesma rua de Paço d'Arcos, menos a Ondina, que é de Algés e participou nas primeiras formações dos Pop Dell'Arte. Mas não quer «olhar para trás»: considera não haver ligação entre aquilo que fez com eles e o que faz agora. «A maturidade também é outra», diz.

Quando dela já quase só ouvíamos o silêncio, a lenda-viva do «music-hall» francês ressurge das brumas do esquecimento com um disco surpreendente, concebido por um dos dos nomes-coqueluche da moderna composição francesa: Etienne Roda-Gil (autor da totalidade dos poemas, doze, que compõem o disco). Com 67 anos de idade e muitos de carreira, Juliette Gréco compensa o envelhecimento físico da voz com uma dramaticidade crescente no modo de dizer/cantar as palavras, gerindo com elegância os seus sons. O paralelo imediato surge com a Marianne Faithfull de «Strange Weather», onde as cicatrizes do tempo deixaram na voz mais marcas benignas do que feridas insaráveis. Logo no início do disco, Roda Gil serve-se da voz profunda de Juliette para dizer: «Vivre dans l'avenir/ dans une BD qui sait mentir...» Mas as ilusões ficam-se por aqui. O resto é ironia e mordacidade, humor e fantasia, as palavras feitas a pensar no seu veículo, nesta voz. Não é por acaso, aliás, que o disco se chama apenas «Juliette Gréco». Da homenagem, subtil mas inegável, participam, nos arranjos, nomes como o de Jean Claude Petit, François Rauber e Gérard Jouannest. E ainda -- surpresa -- os brasileiros Caetano Veloso (composição musical e violão em «Mickey travaille»), Jaques Morelenbaum (arranjos, direcção musical e violoncelo, no mesmo tema) e João Bosco (composição musical, coros e violão em «Le coeur des anguilles»). A fechar, sem outro som que o da sua voz, Gréco reencontra-se na «diseur» que recita: «Qu'on me bâillone, qu'on me fracasse/ pour qu'un seul jour j'ai l'audace/ de dire l'amour qui est le mien». Um adeus provisório, a julgar por este disco. Com regressos assim, Juliette Gréco será sempre bem vinda. (8)

Como levam o "rap" a sério, querem que a sua mensagem seja entendida, por isso não cantam em inglês. A experiência de fazer "rap" em português "é muita louca". Não hesitam em considerá-la difícil, mas pelos vistos acham-na compensadora. Escolheram o "rap" como forma de expressão porque é aquilo que ouvem. Além disso, por serem dos poucos a fazê-lo, sentem a força interior de serem uma minoria. Não são avessos aos cruzamentos: "Ao misturar o rap com outros estilos consegue-se ir buscar adeptos a outros lados".

A maneira como este álbum, o primeiro dos Melvins para uma multinacional, tem sido recebido só demonstra até que ponto o «grunge» foi realmente assimilado pelo «mainstream». O muito que se tem falado deste estilo nos últimos dois anos -- chegou a decretar-se a sua morte -- não implicou uma verdadeira compreensão do fenómeno ou, sequer, uma abordagem minimamente profunda. Na maior parte dos casos, o que tem sido apercebido é apenas o pico do icebergue: os Nirvana, os Pearl Jam, até os Mudhoney, mas pouco mais. Daí que as vozes que se têm confrontado com este «Houdini» pouco ou nada tenham apreciado nele. Porque aqui ainda estão algumas das componentes originais do estilo.

«Em Portugal, ainda se dá muito valor a sítios onde passa música gravada e pouco àqueles onde há bandas que vão tocar ao vivo.» Esta é a opinião dos No Creative Solution, uma banda do Grande Porto, acerca do panorama da música nacional. «Há pessoas que praticam natação, outras fazem karaté, outras passam o dia no bingo. Comprar um instrumento é importante, porque é uma maneira de mostrar o que pensamos e o que sentimos. As pessoas, cá, deviam olhar de outra forma para a música.» Este quinteto (Nuno, na bateria, Tó na guitarra ritmo, Marcos na guitarra solo, Miguel no baixo e Rui nas vozes) não tem medo dos rótulos: sem papas na língua, assumem fazer «grunge rock», embora «dentro dele existam coisas bastante díspares». No fundo, tentam fazer «rock puro», embora, «ouvindo o que ouvem, tenham alguma tendência para cair no `grunge'» (mais tendência Pearl Jam que Nirvana, entenda-se). Dentro da banda, há gostos muito diferentes. O «grunge» surge porque é esse o estilo que consegue reunir os gostos dos cinco.

«Terra Prometida», o segundo álbum dos Ravel, que estava em misturas na semana passada, deverá sair em meados de Março. A produção é da banda e de Marsten Bailey, que já tinha trabalhado em «Quimeras». Entretanto, o projecto mudou de formato: Francis já não faz parte da formação e há uma concepção de grupo «completamente diferente». Segundo Nuno Grácio, um dos novos elementos, a banda está «a utilizar muitos mais instrumentos acústicos», integrando mesmo um violinista. E num dos temas que Grácio considera dos «mais comerciais» do disco, «Mar português», utiliza-se uma harpa verdadeira. «Não recorremos a `samplers', é tudo instrumentos verdadeiros», acrescenta o músico. «O disco é mais acústico, mais chegado às pessoas.» Neste momento a formação compõe-se de sete elementos: Maritê na voz, Pedro de Faro na guitarra portuguesa, Rui Alves na bateria, os novos Luís Branco e Adriano João no violino e no baixo, respectivamente, Emanuel Andrade em teclados e Nuno Grácio na guitarra. Este último garante-nos que a ligação com os sons 4AD, que existia no primeiro disco, se vai manter: «Há um ambiente um tanto místico à volta de todos os temas. As próprias letras da Maritê conduzem a esse estado de espírito.» Em pelo menos um ou dois temas regista-se uma aproximação às raízes da música nacional, através, sobretudo, da guitarra portuguesa. Segundo Nuno Grácio, os Ravel «fizeram o possível para que este seja um disco bastante rentável em todos os aspectos», inclusive no artístico. Francis saiu, ao que parece, por questões «profissionais» ou «desinteresse. De lembrar que havia sido o produtor de «Quimeras» e que era um elemento fundador dos Ravel.

Para lá de prever a reedição em simultâneo de 50 CD de música portuguesa em finais de Março -- facto a que o Pop Rock já aludiu --, a Movieplay tenciona lançar, a 25 de Abril, uma colectânea de Adriano Correia de Oliveira. E já em calha estão trabalhos da Família Jobim, de Alexandra, Jorge Negrão, Tó Leal, bem como uma colectânea de Paco Bandeira com 142 temas. Filomena Cardinalli garante que todos estes trabalhos «vão ser acompanhados por telediscos e campanhas de televisão». Paulo de Carvalho, com a London Symphony Orquestra, também deverá sair em CD no princípio de Abril.

Fez há pouco tempo uma digressão por Portugal, integrado num projecto denominado Máquina do Som, e vai ter um disco sob outro nome, Bandemónio, e com músicos bastante mais novos do que aqueles com quem costumava tocar. O que é que mudou na sua orientação?

Fui eu. São correntes muito recentes mas que desde o início me têm interessado muito. O rap, o gangsta rap, o hip-hop são correntes da rua que saltaram para o palco e que agora são tocadas por músicos com uma certa formação, maioritariamente de jazz. É uma espécie de retorno às origens do jazz, quando era popular, dançável e mais acessível. Depois foi-se tornando cada vez mais trabalhado, cada vez mais intelectualizado. Fechou-se em salas de concerto para eruditos, para a alta burguesia. E a mim começou a interessar-me esse processo de descoberta das raízes, de um renascer da mensagem e da força que o jazz inicialmente tinha.

Dois nomes importantes da música contemporânea deste século. Com percursos e estéticas divergentes. Adams é americano e começou por integrar a segunda geração da escola minimalista. Redolfi é francês e tem especial predilecção pelos computadores e pela música subaquática. Adams é sobretudo conhecido pela ópera «Nixon in China», mas também por obras onde, aliada à estética minimalista, assoma uma vertente classicista, como «Harmonium», «The Chairman Dances» e «Fearful Symmetries/The Wound-Dresser». A electrónica, já a utilizara extensivamente na peça principal de «Shaker Loops/Phrygian Gates».

Adams inspira-se na paisagem árida e desolada da região de Virginia. Redolfi, em três composições multipartidas, debruça-se sobre a relação da música com a pintura. Tanto um como outro lidam com o espaço. Adams, recorrendo em exclusivo a uma panóplia de computadores e sintetizadores, privilegia ora a noção de sequência, em arpejos e polirritmias que remetem de forma inequívoca para o minimalismo de Steve Reich, ou, talvez mais ainda, em composições como «Coast», «Bump» e «Hoodoo Zephyr», para os Mother Mallard de David Borden, ora se estende por quadros ambientalistas que se colam ao som ECM («Disappointment lake») ou ainda à obra desse outro grande paisagista sonoro que é Steve Roach, de «Western Spaces» e «Desert Solitaire», dois discos de concepção muito semelhante à de «Hoodoo Zephyr».

Dois anos volvidos sobre a edição de «Romarias», a Ronda dos Quatro Caminhos regressa com um álbum ao vivo. O primeiro de sempre por um grupo de música tradicional portuguesa.

António Prata -- Uma das razões foi nunca se ter feito em Portugal um disco ao vivo com este género de música. Decidimos gravar o espectáculo.

origens do jazz, quando era popular, dançável e mais acessível. DeEis a coisa genuína, nua e crua. A verdadeira música tradicional de Portugal. Sem remoques nem retoques. Referimo-nos, claro, ao lote de recolhas efectuadas no nosso país por Michel Giacometti, em conjunto com Fernando Lopes Graça, das muitas por ele realizadas ao longo de uma vida de dedicação ao nosso património étnico-musical. Publicação original de 1991 da Secretaria de Estado da Cultura, a recente colectânea vem juntar-se ao espólio do musicólogo, constituindo objecto de consulta obrigatória tanto para os estudiosos como para quantos desejarem utilizar este material etnográfico como base para futuras composições e arranjos.

Quanto à Ronda, gostámos com algumas reticências de «Uma Noite de Música Tradicional», registo do espectáculo ao vivo apresentado a 5 de Fevereiro do ano passado no Teatro S. Luiz, em Lisboa. Sendo, como é, um dos grupos com mais pergaminhos da música portuguesa de raiz tradicional, distinguem-se na existência da Ronda dois períodos distintos: um com Vítor Reino (hoje nos Maio Moço), que deu origem aos magníficos «Ronda dos Quatro Caminhos» e «Cantigas do Sete-Estrelo» e outro sem ele, que frutificou nos álbuns «Amores de Maio», «Canções Tradicionais Infantis», «Fados Velhos» e «Romarias». O novo álbum -- primeiro disco ao vivo, de sempre, por um grupo de música tradicional portuguesa --, que inclui quatro inéditos, «Oh que calma», «Cirandeiro», «Vai colher a silva» e «Sapateia», revela as principais virtudes e defeitos do grupo. No primeiro caso, uma proficiência técnica que os coloca muito acima do nível médio da concorrência (com destaque para o violino de António Pratas e as percussões de António Silva Lopes). No segundo, uma certa tendência para cair na facilidade das chulas, como acontecia no disco anterior, «Romarias», para nós o mais fraco de sempre da banda, e uma incidência, talvez excessiva, nos instrumentos de corda. O que felizmente não impede que nesta «noite» -- que contou com a presença, entre outros, dos convidados José Martins (o companheiro habitual de Amélia Muge) e Rui Vaz -- existam bons momentos, como «Chula de Cabril», uma «Saudade» (de «Amores de Maio») tão ou mais tocante que a primeira versão, um «Cirandeiro» com imaginosas percussões ou uma «Moda transmontana» em que as gaitas-de-foles dos convidados Rui Vaz e Fátima Valido afinam numa nota de doçura, difícil de encontrar na maioria das gaitadas dos grupos portugueses.

«I'm too sexy (for my shirt)», um título tão estúpido quanto divertido, catapultou-os para o estrelato, pelo menos no Reino Unido. Os Right Said Fred viram-se, assim, atirados para o lugar de campeões da chunguice britânica, a meio caminho entre a autoparódia e a pura brejeirice -- são o equivalente, no Reino de Sua Majestade, a Quim Barreiros, obviamente mais produzidos e menos pacóvios, o que também condiz com a diferença de meios e referências. De qualquer modo, a raiz é a mesma. Fazem música para «hooligans» em delírio alcoólico de fim-de-semana, misturando referências a sexo e diversão de uma maneira que, por vezes, não deixa de ter uma certa ironia; mas, na maior parte das vezes, é apenas calculadamente imbecil (neste segundo álbum dos RSF, há até um tema de nome «I ain't stupid», só para desfazer ilusões). Por isso mesmo, a sua música é meramente funcional, misturando referências diversas, do puro «kitsch» «disco-sound», à «house», passando pelo electro-pop de escola europeia e um certo toque festivaleiro que não lhes fica nada mal, sobretudo quando o trio de intervenientes tem tudo menos o ar inocente que costuma imperar nesta paragens. Mas se «Up», o primeiro disco do grupo, era pura e simplesmente péssimo, este vai mais longe. Arroga-se um certo ar de música séria, investindo nos arranjos (orquestra e tudo), contando com uma melhor produção -- a cargo de Robin Goodfellow, que trabalhou com os Fine Young Cannibals --, e instintivamente funcionando de modo mais apelativo e melódico. Quer dizer que os RSF estão a ultrapassar a barreira do «difficult second album» ao elaborarem ainda mais a foleirada que é a sua produção, investindo mesmo em «clones» dos New Order, Pet Shop Boys e em arremedos «trance». É evidente que há sempre a hipótese de acreditar que isto é boa e pura diversão e que daqui nada de mal vem ao mundo... (7)

São quatro: o Duarte, na bateria, o Gonçalo, no baixo, o Miguel, na guitarra, e o outro Miguel na voz. São os quatro de Lisboa e parecem ter uma atitude muito precisa em relação à música. Tocam juntos há menos de um ano. «Têm feito muita coisa» -- mas, que se visse, ainda só deram dois concertos e gravaram um tema para o CD-compilação do Capital Rock 93, o que significa que foram à final do concurso.

Música de Madagascar, por uma das grandes bandas de «world music» de momento. Após a saída de um primeiro álbum, «Fanafody», com apenas temas tradicionais, o núcleo duro da banda, constituído pelo multi-instrumentista Samoela Andriamalalaharijaona (belo apelido!), isto é, Sammy, e Tiana (Solomon Ratianarinaivo), recrutou as duas irmãs Noro (Tina Norosoa Raharimalala) e Hanitra (Hanitrarivo Rasoanaivo) para este novo trabalho, que privilegia a composição própria, embora sobre os modos tradicionais. A música do quarteto apresenta sinais de maturidade e profissionalismo, misturando a tradição da música das várias tribos do arquipélago (situado ao largo da costa leste, de frente para Moçambique), com influências ocidentais, nomeadamente na presença de um baixo eléctrico que lhe acrescenta um «drive» poderosíssimo. Os temas dão ênfase às habituais narrativas de acontecimentos religiosos e sociais do dia-a-dia na aldeia, mas não descuram o aspecto interventivo, focando problemas como a discriminação feminina ou a poluição ambiental. «Jijy», por exemplo, é o equivalente de um rap que denuncia a invasão do território malgache por subprodutos de consumo em segunda mão e em mau estado que poluem os mercados com o veneno destilado pela fúria imperialista. As palavras são acompanhadas por ritmos sempre dançáveis, marcados pelas sonoridades exóticas do marovany (cítara em caixa grande de madeira), do lokanga bara (violino rústico de três cordas) ou da sodina (flauta), no meio de guitarras, percussões e a já conhecida valiha, uma cítara com forma cilíndrica. As vozes femininas, por vezes estranhamante evocativas das ornamentações das suas congéneres búlgaras, são extrovertidas, recolhendo-se porém em dois dos mais belos títulos do disco: «Anjara», um «blues» para todos os efeitos, e «Bekily», entre a estridência do violino e o martelar cardíaco das percussões. Os dois sexos juntam as vozes «a capella» em «Voninkazo». «Ventso», uma canção que fala da luta por melhores condições de vida das comunidades malgaches residentes no estrangeiro, é um apelo irrecusável ao delírio da dança, e «Bebaka» poderia bem passar pelo som de uns Orchestral Manoeuvres in the Dark africanos. O balanço é, em qualquer dos casos, irresistível. (8)

Para os Tédio Boys, a fama é coisa longínqua: «Ainda se fosse em Inglaterra ou em França, ou mesmo em Espanha... Aqui não há mercado para este tipo de música. Por isso, tocamos sem grandes preocupações. As nossas ambições são apenas tocar e gravar o máximo de material possível.» De qualquer maneira, um CD editado e futuros concertos em Espanha são já um começo prometedor...

Este quarteto de Almada não é propriamente o exemplo de um grupo inexperiente. Contam já com um single e a inclusão de temas seus em duas compilações, uma da MTM e outra da Skeleton. Para este ano, surgiu a quase certeza do primeiro CD, embora a editora que dele se encarregará ainda não tenha sido escolhida.

Para 1994, além do disco, prometem concertos, mais divulgação no estrangeiro e a introdução de novos meios para fazerem música: «Não nos repugna nada o uso dos `samplers', tudo que vier para se modificar ou aperfeiçoar o nosso som será bem recebido.»

Os A Tribe Called Quest surgiram na explosão da «daisy age», criada pelos De La Soul, com a mesma intenção de levar o «rap» por outros caminhos, desacelará-lo, misturá-lo com a «soul» e o «jazz» e, no fundo, torná-lo mais inteligente. Com «Peoples Instinctive Travels and the Paths of Rhythm», o grupo foi aclamado como uma das grandes revelações que atirou o «rap» para os anos 90. Para além de terem conseguido grande aclamação da parte da crítica, lograram também obter algum reconhecimento público, através de dois ou três temas que saltaram para um domínio alargado. Por volta do seu segundo álbum, «The Low End Theory», as coisas já não iam tão bem. A juntar à crise de recuperação do sucesso anterior, o grupo tornou-se demasiado obcecado com as suas próprias raízes musicais, não advindo daí grandes resultados. Agora -- «Midnight Marauders» saiu nos finais de 1993 --, parecem estar a recuperar algumas boas vibrações. Ao invés de terem mergulhado ainda mais fundo no «jazz-rap», como fez a maior parte das bandas de «rap» no último ano, parecem ter voltado ao ponto de partida. Quer dizer, há um certo humor e alguma abertura e o disco parece ter sido feito por altura de «Three feet high and rising», misturando uma certa preguiça rítmica (no sentido dos ritmos calmos) com uma maior acessibilidade. No final, respira-se um certo sentido «cool», transportado pelos climas musicais, ao mesmo tempo que as letras passaram a ser mais abertas, interventivas e informais. Um regresso que não é revolucionário, mas, ainda assim, acaba por se salientar no meio da obsessão jazzística que tem percorrido o «rap» mais inteligente nos últimos tempos. (8)

Pinto da Costa teve uma acesa discussão com o director do Benfica e antigo membro do Conselho de Arbitragem (CA), Porfírio Alves, e o antigo presidente do CA Pinto de Sousa, após os ter surpreendido a jantar com o árbitro Veiga Trigo no restaurante Gambrinus, em Lisboa, pouco tempo depois do termo do encontro da Luz entre o Benfica e o FC Porto, disputado no domingo à noite e dirigido pelo juiz de Beja -- apurou o PÚBLICO junto de uma testemunha ocular.

QUINITO NO RIO AVE -- Quinito é o novo treinador do Rio Ave, que ontem dispensou os serviços do treinador José Rachão, depois da derrota consentida no domingo em casa frente ao Leça. A equipa de Vila do Conde segue no quinto lugar da Divisão de Honra, com 21 pontos, a cinco do líder Tirsense.

As primeiras propostas incluidas no "plano de acção" de Abel Matutes deverão ser apresentadas no conselho de ministros dos Doze para os transportes, que se realiza a 18 de Abril próximo.

AS NAÇÕES UNIDAS prevêem retirar o pessoal humanitário que se encontra na cidade do Huambo, ontem alvo de bombardeamentos que foram atribuídos à aviação governamental angolana (ver pag. 8), disse à agência France Presse a representação em Luanda daquela organização internacional. E uma das suas entidades, o Programa Alimentar Mundial (PAM), já suspendeu mesmo a ajuda ao Cuíto (ex-Silva Porto).

Calcula-se que meio milhão de pessoas (um vigésimo da população total do país) já pereceu em Angola desde há 16 meses. E há ainda alguns milhões que sofrerão cada vez mais fome, se a guerra não acabar depressa e a ajuda humanitária não tiver condições de chegar a todo o vasto território.

Presidente argelino apela ao diálogo -- O Presidente argelino, Liamine Zéroual, disse ontem que não há solução para a crise política que o país atravessa se não houver diálogo entre todas as partes, sem excepção. «Sabemos que a crise política só pode ser resolvida através do diálogo com todas as forças políticas, sem excepção», disse Zéroual numa intervenção através da televisão. O Presidente, que tomou posse a 30 de Janeiro, disse «estar convencido de que uma solução apenas para os problemas de segurança não é suficiente para fazer o país sair da crise e resolver os problemas políticos, económicos e sociais». Cerca de 2000 pessoas -- fundamentalistas islâmicos, membros das forças de segurança, cidadãos comuns e estrangeiros -- já morreram desde há dois anos, quando a Frente de Salvação Nacional (FIS-islamista) se viu impedida de ascender ao poder pelo voto, com os militares a formarem uma junta governativa e a anular o acto eleitoral.

QUATRO ISRAELITAS MORTOS PELA HEZBOLLAH -- Guerrilheiros da Hezbollah (Partido de Deus) mataram ontem quatro militares israelitas e feriram outros três no sul do Líbano, no mais mortífero dos ataques perpetrados pelos integristas pró-iranianos contra o exército israelita nos últimos seis meses, anunciou a agência AFP. Em Jerusalém, depois de sete horas de silêncio, prazo imposto pela censura militar até que as famílias das vítimas fossem notificadas, um porta-voz do exército confirmou o ataque. As forças israelitas ripostaram com raides aéreos, que envolveram caças-bombardeiros e helicópteros, e bombardeamentos contra posições integristas. Estes responderam com três mísseis terra-ar «Sam 7», que não atingiram os alvos. Cinco civis libaneses, uma mulher e os seus quatro filhos, ficaram feridos na sequência da explosão de um dos quarenta roquetes disparados pela Hezbollah. O último grande ataque integrista contra forças israelitas ocorreu em Agosto, quando oito soldados foram mortos pela organização chiita que se opõe ao processo de paz israelo-árabe. Judeus e palestinianos reuniram-se pela última vez há seis dias e vão voltar a encontrar-se no dia 15, em Washington.

A empresa Metalimex atribui a um erro primário de análise a classificação como «perigosas» das 30 mil toneladas de escórias de alumínio importadas da Suíça entre 1987 e 1990 e desde então armazenadas no Vale da Rosa. Num comunicado ontem divulgado, a Metalimex argumenta que as análises feitas em 1991 pelo ex-LNETI (actual INETI) utilizaram como unidade para a concentração de metais pesados nas escórias a medida miligrama por quilograma de amostra seca, no lugar de miligrama por litro. Na prática, segundo a Metalimex, os valores então apresentados deveriam ser divididos por dez, caindo, então, abaixo dos limites estabelecidos pela proposta de directiva para deposição de resíduos em aterros controlados.

O parecer argumenta, ainda, que os resultados a que terão chegado as análises do INETI em Dezembro passado quanto à toxicidade das escórias «não são conclusivos», podendo ser atribuídos ao sal -- o constituinte básico destes resíduos -- e não aos metais pesados.

O anúncio era apelativo: «Artur Albarran e dois jornalistas convidados vão fazer as perguntas nunca feitas e procurar as respostas nunca dadas.» Um desejo não cumprido, a prova de que em televisão, em matéria de entrevistas políticas, ainda há muito para inventar. Ontem, na Quatro, ficou-se apenas pela novidade adquirida: o primeiro-ministro deu a sua primeira entrevista a esse canal.

No essencial, respostas conhecidas para questões antigas -- «Portugal é forte por estar na União Europeia», «O doutor Mário Soares, podemos discordar dele, mas é o Presidente da República, é o garante das instituições». Veio o caso Leonor Beleza, «uma mulher muito inteligente, muito corajosa (...), foi uma boa ministra», mas deixou de o ser porque escolheu, «eventualmente, um mau colaborador». Costa Freire sacrificado no reino dos bons, porque nem todos o podem ser.

Cavaco Silva entrou no estúdio, onde a TVI também grava o programa Queridos Inimigos, às 21h30. De caminho, guiado por Roberto Carneiro, disse para os jornalistas que o esperavam nos bastidores que «estava bem de saúde, o que já não era mau». Era a resposta a qualquer que fosse a pergunta que lhe quisessem fazer fora do directo com Artur Albarran, Jaime Antunes e Luís Delgado.

O Ministério da Administração Interna indeferiu ao fim da tarde de ontem os pedidos de asilo de dois dos zairenses, Mateus Muamba e Mboma Lutoto, retidos, desde 29 de Janeiro, no aeroporto da Portela. À hora do fecho desta edição previa-se que regressassem hoje de madrugada a Brazzaville, no Congo, país vizinho do Zaire, visto que o aeroporto deste país não funciona há meses. Relativamente a Isabelle Ntumba, a mais velha dos três, as autoridades portuguesas esperavam apenas as últimas diligências da Amnistia Internacional para decidirem sobre o seu repatriamento.

O advogado João Fernando, actual presidente da direcção do Varzim Sport Clube, foi ontem absolvido, pelo tribunal da Póvoa de Varzim, duma acusação de burla relacionada com a tentativa de «libertar» vários jovens do serviço militar obrigatório.

A absolvição do réu - por não ter sido provado que tivesse cometido o «crime de burla continuada e agravada pela sua habitualidade» de que era acusado - não passou sem um voto de censura do tribunal, «pela sua conduta, que não foi a mais correcta», e porque «o arguido devia ter dado explicações mais claras e mais inequívocas».

Parlamento analisa irregularidades na UGT -- Os três relatórios da Comissão de Inquérito à alegada utilização irregular de fundos comunitários pela UGT, da autoria de deputados do PSD, PS e PCP, serão hoje debatidos e votados. Em causa está a utilização de fundos comunitários para cursos de formação profissional promovidos pela UGT através do ISEFOC (Instituto Sindical de Estudos de Formação e Cooperação). Segundo a agência Lusa, os relatórios da autoria dos deputados Cardoso Martins (PSD) e Domingos Azevedo (PS) deverão concluir pela inexistência de práticas irregulares por parte do Isefoc. No entanto, o relatório elaborado pela deputada Odete Santos (PCP) deverá apresentar conclusões antagónicas, concluindo pela culpabilização do Ministério do Emprego e do Departamento de Apoio ao Fundo Social Europeu.

O secretário-geral do CDS-PP, Gonçalo Ribeiro da Costa, escusou-se a comentar a notícia sobre os financiamentos do PSD de Aveiro, alegando ela «incide sobre procedimentos internos» dos sociais-democratas.

Em Portugal, a lei sobre o financiamento dos partidos é recém-nascida: foi aprovada na véspera das eleições autárquicas, depois de enormes indecisões nos dois maiores partidos, convencidos de que os seus estados-maiores já teriam investido na campanha em curso muito mais do que a futura lei viria a contemplar.

Um item «revolucionário» na nova lei é a permissão de as empresas privadas financiarem os partidos políticos, coisa proibida até então, mas habitual no sistema. Agora, as empresas passam a poder financiar os partidos, desde que os donativos recebidos por cada partido de «pessoas colectivas» não excedam o montante total anual de 1000 salários mínimos nacionais, ou seja, cerca de 50 mil contos por ano. Individualmente, é vedado a cada empresa dar mais de cinco mil contos a cada partido.

Os financiamentos ao PSD de Aveiro entre 1989 e 1991, depositados na conta da Distrital pelo tesoureiro da altura, Ângelo Pires, podem vir a ser investigados judicialmente, no contexto de um dos inquéritos em curso sobre as facturas falsas e eventuais actos de corrupção relacionados com os donativos dos partidos. O secretário-geral do PSD, Nunes Liberato, por seu turno, convocou Ângelo Pires para se deslocar a Lisboa e lhe explicar a origem dos 23 mil contos.

O processo gerou controvérsia quando os partidos foram notificados para indicar os dirigentes responsáveis pelas áreas financeiras para prestar declarações na PJ. Numa primeira fase, em que se previa a possibilidade de os secretários-gerais serem notificados, o líder do PS fez saber à Judiciária que só ali se deslocaria se, pela parte do PSD, Cavaco Silva fosse notificado.

Espanha, França, Itália, Alemanha. Países cujos governos têm sido acossados pela decisão das respectivas magistraturas judiciais quererem apurar, até ao limite possível, as mil e uma histórias de financiamentos ilegais aos partidos políticos.

Na Alemanha, já meio da década de 80 que a questão do financiamento ilegal a partidos políticos assumia grandeza. Um deputado do SPD alemão denunciava que a maior parte dos partidos socialistas do Sul da Europa recebiam financiamentos de uma empresa alemã. Era o «caso Flick». A poderosa família Flick tinha também feito doações ao Partido Liberal, facto que originou a demissão do então ministro da Economia, o liberal Otto Lambsdorf.

O Gabinete de Imprensa do PCP considera que «a notícia do PÚBLICO poderá constituir mais um elemento que ajuda a compreender a recente aprovação da nova lei sobre financiamentos dos partidos e as respectivas votações» dos grupos parlamentares.

Na direcção do PS não havia ninguém disponível para tecer qualquer comentário sobre o caso dos financiamentos ao PSD de Aveiro. António Guterres chegou ontem de Barcelona e durante toda a tarde esteve ocupado com reuniões na sede do Largo do Rato. Também o responsável pela organização do partido, Jorge Coelho, nada quis adiantar: «Não comento nada», disse ele, justificando a sua atitude por apenas ter lido o título da notícia inserta ontem no PÚBLICO. E logo acrescentou não ter «tempo nem viabilidade de ler o artigo» até ao final do dia de ontem.

Um dos temas em discussão no próximo Encontro Nacional de Dirigentes Associativos, dia 19, em Coimbra, é a realização de um referendo nacional aos estudantes sobre o boicote ao pagamento de propinas. As associações académicas do ensino superior público, que estiveram reunidas em Braga para preparar o ENDA, decidiram ainda efectuar no próximo dia 24 (dia do estudante) «uma série de iniciativas» que demonstrem a posição estudantil face «à actual política educativa». Num comunicado divulgado após a reunião, as associações anunciaram também que vão enviar um convite à comissão parlamentar de educação da Assembleia da República «no sentido de visitarem as diferentes academias para se inteirarem de qual é a realidade actual do ensino superior em Portugal».

A Fenprof, que encabeça a greve às horas extraordinárias, está surpreendida com a ideia do Ministério da Educação de contratar novos professores para reduzir o serviço extra. «Mas é precisamente isso que deve ser feito e que tinha vindo a ser norma até ao ano passado», afirma a sindicalista Teodolinda Boucinha. E explica melhor: «A lei diz que as horas lectivas que perfizerem um horário completo devem ser entregues a novos professores na segunda parte dos concursos. Mas no ano passado, nalgumas regiões, o Ministério da Educação deu instruções para que estas horas fossem distribuídas como extraordinárias pelos docentes existentes na escola. Com o novo pagamento [mais baixo do que dantes] que o Ministério está a praticar, ficava mais barato». A medida agora anunciada «não é nova». A Fenprof está «totalmente de acordo» com ela, mas «não é de modo nenhum uma medida nova, é um recuo», porque «com a greve às horas extraordinárias, o tiro do Ministério da Educação saiu pela culatra».

A greve às horas extraordinárias vai servir como pretexto ao Ministério da Educação para... acabar com as horas extraordinárias. A ideia é redistribuir horários e contratar professores de forma a que os alunos não fiquem sem aulas. Mas a novidade não é grande: segundo a Fenprof, era precisamente isso que, até há pouco tempo, costumava acontecer.

Esta foi a solução encontrada pelo ministério para o que considera ser a sua preocupação fundamental: não deixar os alunos sem aulas, particularmente os do 12º ano. Para a Federação Nacional de Professores (Fenprof), trata-se de uma clara violação da lei da greve, uma vez que pressupõe a substituição dos trabalhadores grevistas. A este argumento, a tutela contrapõe com uma análise comparativa dos níveis de abstenção docente registados nas escolas, defendendo que é muito maior a percentagem de professores ausentes das escolas por motivos de férias, licença de parto, doença ou formação do que pelo efeito da greve. E avança com números: o maior impacto da greve registou-se no Algarve, com uma adesão da ordem dos 20 por cento, embora em Bragança essa percentagem não tenha ultrapassado os dois por cento. A taxa de grevistas na área de Lisboa rondou os dez por cento, que serão, por estimativa, a média de adesão a nível nacional.

Whoopi Goldberg apresentará a cerimónia de atribuição dos Óscares, dia 21 de Março, no Dorothy Chandler Pavillion de Los Angeles. A vencedora do Óscar para a melhor actriz (1991, «Ghost- Espírito do Amor») será a primeira mulher, e a primeira afro-americana, a apresentar o «show» da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Whoopi Goldberg, de 44 anos, substitui, assim, Billy Crystal, que durante cinco anos animou a cerimónia. A próxima edição dos Óscares atribuirá um prémio especial a Paul Newman, por ter canalizado para organizações de caridade cerca de 80 milhões de dólares (os lucros das empresas de molhos para «spaghetti» a que deu o nome), e um Óscar honorário a Deborah Kerr, 72 anos, seis vezes nomeada para o prémio da Academia.

A soprano alemã Tiana Lemnitz morreu no sábado passado, aos 96 anos, em Berlim. A cantora que ficou célebre interpretando Wagner e Mozart entre os anos 30 e 50, sofria de uma doença «grave» e estava internada num hospital berlinense. A cantora reformou-se em 1957 da Ópera Staatsoper a quem consagrou parte da sua carreira. Nascida em Metz, em 1897, numa época em que Lorena fazia parte da Alemanha, que a anexara, Tiana estreou-se como cantora na Ópera de Aix-La-Chapelle. Após uma passagem por Hanover e Dresden, entrou em 1934 para a Staatsoper de Berlim. Em mais de 30 anos de carreira, actuou nos principais teatros da Europa, nomeadamente em Salzburgo, mas recusou sempre as ofertas para deixar a ópera de Berlim, mesmo após a criação da RDA comunista em 1949. Ficaram célebres as suas interpretações de Eva em «Os Mestres Cantores de Nuremberga», de Richard Wagner, de Pamina, na «Flauta Mágica» de Mozart, e de Desdemona no «Othello», de Verdi.

A canção «I Will Always Love You», da cantora norte-americana Whitney Houston, obteve, segunda-feira, sete prémios na 21ª edição dos «American Music Awards», numa cerimónia realizada em Los Angeles. Mas a cantora norte-americana teve de partilhar as luzes da ribalta com o «rapper» Snoop Doggy Dogg, que nem sequer tinha sido nomeado.

Na cerimónia de segunda-feira, os Alabama coleccionaram o seu 17º prémio como melhor grupo country e os Stone Temple Pilots foram pela primeira vez agraciados. Foram distinguidos como melhor novo grupo na área de pop-rock. Os Aerosmith foram considerados a melhor banda nessa categoria, mas receberam também o prémio de melhor grupo de heavy metal/hard-rock. Os «En Vogue» são o melhor grupo de soul/blues e Toni Braxton e Dr. Dre, o melhor cantor de pop/rock e melhor cantor de rap/hip hop, respectivamente.

A escritora Agustina Bessa-Luis está a escrever um livro para ser adaptado ao cinema por Manoel de Oliveira, num filme que deverá ser interpretado pelos actores franceses Catherine Deneuve e Gerard Depardieu. O livro intitula-se «Pedra de Toque» -- título retirado de uma frase do escritor alemão Richter, por quem Agustina nutre uma especial admiração -- e é uma espécie de variação do mito de Fausto. A escritora revelou ao PÚBLICO a sinopse: É a história de um casal francês, um historiador e a mulher, que vem para Portugal atraído pela descoberta de um documento que pode revolucionar a interpretação de uma figura grande da história da literatura -- nada mais nada menos que Shakespeare. A acção decorre em Lisboa e na serra da Arrábida, em frente à península de Tróia, e Agustina sintetiza-a como «um encontro entre a força da descoberta e o poder da beleza».

A 14ª edição do Fantasporto vai já a meio. Tempo para um primeiro balanço, em que ressalta a fraca presença do género fantástico e o maior espaço dado aos novos cineastas. Nem uns nem outros fizeram vibrar ainda significativamente os diferentes públicos do certame. Nem mesmo um dos membros do júri, o cineasta catalão Jesus Garay, que falou ao PÚBLICO da crise do cinema europeu

«Monturiol, el Senyor del Mar», do catalão Francesc Bellmunt, é o único representante da cinematografia espanhola no Fantasporto'94. Como «Wittgenstein», de Derek Jarman, é a ilustração de uma biografia (a do inventor catalão do século XIX, Narcis Monturiol, que construiu um submarino para a apanha do coral). Contrariamente a Jarman, Bellmunt aposta num registo académico, mas de resultados pouco convincentes. Fica o registo de mais um documento do estado da produção catalã que, como a de todo o país vizinho, não escapa à crise que atravessa todo o cinema europeu.

Em alternativa, o cineasta defende que cabe aos cineastas «criar boas histórias» que chamem o público. Mas as histórias precisam de ser produzidas, e o cineasta, neste momento, não tem ainda a garantia de poder vir a concretizar o seu próximo projecto: uma comédia que deverá chamar-se «Incerta Imagem de Mulher»... S.C.A.

Toma hoje posse, em Lisboa, a direcção do Instituto Português da Arte Cinematográfica e Audiovisual (IPACA), composta pelos mesmos elementos da direcção do extinto Instituto Português de Cinema (IPC): Zita Seabra, presidente; Salvato Telles de Menezes e Paulo Moreira, vice-presidentes. A cerimónia é presidida pelo secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes, e decorre a partir das 12h30 nas instalações do antigo IPC, na Rua de S. Pedro de Alcântara, em Lisboa, onde fica albergado o recém-criado IPACA.

O Teatro do Século acaba de estrear «Roberto Zucco», peça póstuma de Bernard-Marie Koltès, dramaturgo francês que morreu de Sida em 1989, com 41 anos de idade, tendo deixado uma obra dramática bafejada pelo sucesso. «Na Solidão dos Campos de Algodão» e «Combate de Negro e Cães» foram já encenadas em Lisboa e Porto, respectivamente pelo Novo Grupo e pelos Comediantes.

Paolo Casarin, antigo árbitro internacional -- último jogo foi o Inglaterra, 3-Holanda, 1 no Europeu-88, com Bobby Robson no banco inglês -- é hoje o patrão dos árbitros italianos, é membro da Comissão de Árbitros da UEFA e provavelmente a voz mais escutada sobre arbitragem em todo o mundo, quer ao nível técnico quer mesmo ao nível das designações. Tem um discurso novo que, viu-se no Simpósio Internacional de Futebol, está muito à frente daquilo que se fala em Portugal.

Apresentou em Portugal um discurso novo sobre a arbitragem. Insiste no treino dos árbitros e na necessidade de estes compreenderem o jogo, nos aspectos técnicos e tácticos de forma muito profunda ao mesmo tempo que se deve insistir na melhor codificação das leis para que os critérios dos árbitros sejam o mais possível uniformizados em todo o mundo.

Quatro dirigentes e cinco árbitros do futebol brasileiro foram ontem acusados de fraude pela polícia federal quanto ao seu alegado envolvimento no processo do escândalo de viciação de resultados de jogos do campeonato brasileiro de futebol.

Bobby Robson disse no final do jogo da Luz, numa alusão à expulsão de Fernando Couto, que o resultado tinha sido Mozer, 2-FC Porto, 0. Mas para o central do FC Porto também há uma segunda leitura: RTP, 1-Fernando Couto, 0. Visivelmente emocionado, o portista é o primeiro a recriminar-se pela sua atitude, tendo consciência de «não ter deixado» os seus companheiros numa boa situação. Mas também critica a RTP por não ter captado o motivo da sua agressão ao benfiquista Mozer, que ele insitistiu sempre, em toda a entrevista, em tratar por «aquele sujeito».

E O PREMIADO É... -- João Vieira Pinto, do Benfica; Jorge Cadete, do Sporting; Rui Costa, do Benfica. Esta a lista de galardoados com as bolas de ouro, prata e bronze, ontem atribuídas pelo quadrissemanário desportivo «A Bola» durante a sua III Gala, realizada no Casino Estoril na noite de 2ª feira. Em tom hollywoodesco, mas sem exageros, a frase «And the award goes to...» antecedeu os aplausos para a revelação do «Nacional» de futebol da I Divisão da época 1992/93 -- Rui Costa --, do seu melhor marcador -- Jorge Cadete -- e do melhor jogador da temporada -- João V. Pinto, que recebeu o prémio das mãos de Vítor Baía, vencedor do ano passado e este ano outra vez candidato, tal como Paulo Sousa. Mas a vasta plateia, onde se detectavam muitos VIP, teve ainda ocasião de saudar a atribuição de distinções a Yekini (melhor futebolista africano), Toni (Prémio RTP), Vítor Nóvoa (Prémio «Fair-Play») e Joseph Blatter, secretário-geral da FIFA (Prémio Vítor Santos).

Peter Blake, segundo a última posição assinalada, já havia dobrado o Cabo da Boa Esperança e encontrava-se na latitude 44,53' graus sul e na longitude 42,31' este, tendo percorrido em 22 dias de mar, 8698 milhas, a uma média de 16,47 nós, melhorando a marca de Bruno Peyron na distância Ouessant-Cabo da Boa Esperança, em 19 dias, 17 horas e 53 minutos, tal como no percurso Equador-Cabo da Boa Esperança, com quatro de avanço em relação ao navegador francês.

Vítor Vasques, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), desmentiu a hipótese de Artur Jorge poder vir a ser, em simultâneo, seleccionador nacional e técnico do Benfica, conforme foi adiantando num comentário publicado ontem no quotidiano desportivo francês «L'Équipe».

Segundo o presidente da FPF, o futuro seleccionador nacional não poderá ser também técnico de um dos três grandes clubes portugueses. «Nunca escolheríamos um treinador que seja o técnico do FC Porto, Benfica ou do Sporting, clubes onde é recrutado o maior número de jogadores para as selecções nacionais. E já foi dito que a direcção da FPF quer um treinador a `full-time'.»

O príncipe Carlos de Inglaterra visitou três iates da frota da Whitbread Race. O «maxi» New Zealand Endeavour e os iates WOR 60 pés Tokio e Dolphin & Youth foram os escolhidos.

A equipa do Dolphin & Youth, único veleiro inglês da frota, que reúne jovens velejadores, alguns deles com leves deficiências físicas, ofereceu um globo terrestre ao princípe, enquanto o «skipper» Matthew Humphries, de 23 anos de idade, explicava que esta é a segunda vez que navega à volta do mundo, sendo agora o mais jovem «skipper» da frota em 20 anos de história da prova, cujo patrono é o duque de York, os organizadores a Royal Navy Sailing Association da Inglaterra e o principal patrocinador a empresa cervejeira inglesa Whitbread.

A vitória dos Miami Heat sobre os New York Knicks, por 96-85, e a pesada derrota sofrida pelos Detroit Pistons em Atlanta, por 141-97, foram as surpresas da jornada de segunda-feira da Liga Norte-americana de Basquetebol Profissional (NBA).

Patrick Ewing, pelos Knicks, esteve uma sombra de si próprio, especialmente depois de ter sido o «maestro» no encontro da véspera, frente aos Orlando Magic de Saquille O'Neal, em que apontou 32 pontos. Ewing não foi além de 16 pontos, conseguindo apenas seis cestos em 23 tentativas.

A sorrir e aparentando calma foi como Valckx percorreu ontem à tarde o terreno entre a porta 8A e o campo de treinos paralelo ao estádio de Alvalade, por entre largas dezenas de adeptos sportinguistas. Desfeitos os boatos de que não participaria no treino, face às notícias da sua possível ida para o Benfica no final da época, o holandês teve o apoio inesperado dos presentes.

Quanto a Valckx, não quis confirmar nada e o silêncio foi a «arma escolhida», comportamento aplaudido por Carlos Queirós, que pretende a todo o custo proteger o jogador, razão pela qual informou que o holandês está indisponível nas próximas duas semanas para declarações. Prazo que, tudo indica, será decisivo para o rumo deste caso.

As negociações para o alargamento da União Europeia prosseguiram ontem em Bruxelas, mas os resultados são ainda escassos. Há quem acredite que a data limite de 28 de Fevereiro irá ser ultrapassada, apesar de ontem se ter assistido a uma clarificação de posições.

«É um objectivo difícil mas possível», afirmou Victor Martins, secretário de Estado dos Assuntos Europeus e chefe dos negociadores portugueses. «Possivelmente o ano de 1994 será bi-sexto ou tri-sexto», ironizou o seu homologo francês, Alain Lamassoure, indiciando a sua suspeita de que as negociações se prolongarão para além do limite fixado.

O mercado alemão de acções está a ser positivamente condicionado pela reunião do conselho do Bundesbank a realizar amanhã. É que muito analistas esperam que a instituição desça as suas taxas de intervenção. Outros, mais cautelosos, afirmam não acreditar em tal medida, inclusivamente porque a Reserva Federal norte-americana decidiu subir recentemente as suas taxas de curto prazo. O índice DAX-30 cresceu 1,34 por cento.

A sessão de ontem da Bolsa de Madrid foi marcada por uma nítida recuperação das cotações, o que influenciou o índice Geral do mercado. O referido indicador apreciou-se 1,38 por cento, para terminar nos 353,98 pontos. Este comportamento segue o sucedido em outras praças europeias. Os investidores assimilaram a decisão da Reserva Federal americana de subir as taxas de curto prazo, restando apenas saber quando é que o Banco de Espanha desce as suas.

Wall Street encontrava-se ontem, a meio da sessão, em baixa, com o índice Dow Jones a estabelecer-se nos 3905,16 pontos, uma quebra de 0,03 por cento em relação ao fecho de segunda-feira. Após o pequeno colapso de sexta-feira, o mercado nova-iorquino encontra-se num momento de reflexão, com alguns investidores a colocarem-se à margem dos acontecimento de modo a analisarem melhor os seus investimentos. O volume era elevado.

Os investidores activos no mercado de acções japonês acolheram positivamente o acordo entre os membros da coligação governamental nipónica sobre a descida dos impostos incluída no novo plano de relançamento económico. No final da sessão, o índice Nikkei atingiu os 20.251,23 pontos, mais 1,2 por cento que no encerramento da segunda-feira. O referido plano inclui uma descida dos impostos sobre o rendimento de seis biliões de ienes.

A Lisnave convoca os seus accionistas para reunir em assembleia geral, no dia 10 de Março, pelas 15 horas. São quatro os pontos da ordem de trabalhos: aprovar as contas referentes ao exercício económico de 93, deliberar sobre a aplicação de resultados, fazer a apreciação geral da administração e fiscalização da sociedade e sancionar o contrato celebrado entre o Estado, a Lisnave e as instituições credoras relativo à reversão para o Estado dos locais utilizados pela Lisnave e pagamento da respectiva indemnização. Uma horas depois, pelas 16 horas do mesmo dia, realizar-se-á nova assembleia. Desta feita, o objectivo é deliberar sobre uma proposta do conselho de administração para aumentar o capital social, sobre uma outra para suprimir o direito de preferência dos accionistas e alterar alguns dos artigos do contrato de sociedade. Os documentos necessários estão já à disposição dos accionistas no estaleiro da Margueira, situado em Cacilhas. Podem fazer-se representar nas assembleias os accionistas que reúnam cem acções, comunicando-o à sociedade dez dias antes da data marcada.

A Caixagest, gestora de fundos do Grupo CGD, tinha sob administração na última semana de Janeiro mais de 500 milhões de contos. Os novos fundos lançados no mês de Novembro de 1993 estão na base do elevado crescimento médio verificado no início de 1994. No final do mês passado os dois fundos de tesouraria apresentavam uma carteira de 118,7 milhões de contos, o fundo Rendimento 364,7 milhões de contos e o fundo Valorização, cuja carteira é constituída por acções nacionais, 4,6 milhões de contos. Os três novos fundos, o Renda Acumulada, Renda Mensal e Internacional, geriam 21,9 milhões.

No final de Janeiro passado, o número de desempregados na Alemanha atingiu um máximo histórico no pós-guerra, ao ultrapassar os quatro milhões de pessoas, amentando em 340,5 mil relativamente a Dezembro de 1993, aproximando-se dos níveis registados durante a República de Weimar, pouco antes de Adolf Hitler tomar o poder. A taxa de desemprego na Alemanha Ocidental subiu para 8,8 por cento da população activa em Janeiro passado, contra 8,1 por cento em Dezembro de 1993. Segundo os dados ontem divulgados, existiam na parte ocidental do país, no final do primeiro mês do ano, 2,736 milhões de pessoas sem emprego, enquanto em Dezembro estavam no desemprego 2,5 milhões de trabalhadores. Na ex-RDA, o número de desempregados atingiu em Janeiro 1,29 milhões de pessoas, quando no final de 1993 abrangia 1,18 milhões. Destes dados resulta que, no território da ex-RDA, a taxa de desemprego é actualmente de 17 por cento. Guenter Rexrodt, ministro da Economia, classificou a situação de "dramática".

As despesas com salários desceram dez por cento em Portugal entre 1985 e 1993, segundo um relatório da comissão das comunidades europeias, citado pela CGTP. Portugal e a Grécia, segundo o mesmo estudo, foram os países do espaço comunitários em que os custos salariais por unidade produzida mais caíram.

Os receios de uma importante quebra das cotações -- surgidos um pouco por todo o mundo após a Reserva Federal norte-americana ter subido as suas taxas de curto prazo, na passada sexta-feira -- mostraram-se infundados. As bolsas portuguesas, ontem, e tal como grande parte dos mercados de risco europeus, evoluíram em alta. Aliás, Wall Street emitiu sinais que foram bem entendidos. Depois de um primeira reacção, misto de racional e emocional, entrou-se agora num período de maior acalmia.

A liquidez é que permaneceu reduzida, com os gestores a sentirem grande dificuldade em adquirirem em quantidade e qualidade os títulos necessários às suas carteiras, que continuam a crescer significativamente.

A subida verificada nas taxas de juro do dólar é vista como uma atitude desinflaccionista. É uma medida levada a cabo pela Reserva Federal (FED) no sentido de tentar pressionar a inflacção para parâmetros mais conducentes com a estabilidade dos preços. Assim, as taxas de juro poderão vir a fortalecer-se nos próximos meses, face às expectativas criadas em torno do crescimento económico. Ontem, a divisa norte-americana oscilou entre bandas bastante apertadas na sua paridade cambial contra as principais moedas, bem suportada aos níveis de 1,7580/1,7600 contra o marco.

Ao nível do Sistema Monetário Europeu (SME), a maioria das moedas apresentou-se estável durante a calma sessão do mercado de ontem. Logo no início foi divulgado o número referente ao desemprego na Alemanha que já atinge os quatro milhões de pessoas. O falhanço das negociações sobre aumentos de salários para 94 na Alemanha e a notícia sobre a renúncia do ministro da Economia da Rússia poderão trazer alguma pressão ao marco, que ao fecho era cotado a 3,3890 francos franceses.

Depois do caso Totta/Banesto, são as cervejeiras que estão na berlinda. Os trabalhadores da Centralcer vão juntar-se aos da Unicer na intenção de pedir uma investigação sobre quem controla o quê em ambas as empresas

Os trabalhadores da Unicer pediram já às instâncias oficiais, no início de Janeiro, que averiguassem o montante da participação que os dinamarqueses da Carlsberg detêm na cervejeira do norte. Neste caso, o pedido coincidiu com a alegada intenção da empresa em despedir 70 trabalhadores do quadro de pessoal mas que, de acordo com um membro da comissão de trabalhadores não se viria a concretizar. «Depois de várias reuniões com a administração, a maioria dos funcionários em causa foram reenquadrados na empresa e neste momento existem apenas sete processos de despedimento», acrescentou a mesma fonte.

A taxa de desemprego oficial no último trimestre de 1993, seguindo os critérios aceites na União Europeia, era de 6,1 por cento. Mas é igualmente possível chegar a uma taxa de 9,6 por cento, caso se considerem aqueles que se declaram «interessados» em obter um emprego. Entre uma e outra, seguindo diferentes critérios, poder-se-á chegar a realidades distintas.

Se apenas se tomar os valores oficiais do desemprego, que são apurados através de uma «malha» demasiado apertada -- considerando mesmo empregado quem tenha trabalhado uma hora na semana de realização do inquérito ao emprego -- teremos um total, no último trimestre de 1993, de mais de 280 mil pessoas, o que representará uma taxa de desemprego próxima dos 6,1 por cento.

Os subsídios a fundo perdido não vão desaparecer no PEDIP II, disse ontem ao PÚBLICO, Luís Mira Amaral.

Os subsídios a fundo perdido vão continuar a existir como resposta às «falhas do mercado», afirma o ministro. Pretende-se com esta medida que o investimento em «factores invisíveis » não seja descorado só porque não se traduzem em ganhos de curto prazo.

A carga fiscal foi reduzida em 20 por cento no Japão. Tóquio quer assim relançar o consumo das famílias, tendo nomeado uma comissão que irá estudar as formas de financiamento do Estado capazes de compensar a redução das receitas fiscais.

Para o primeiro-ministro nipónico, a solução era simples: aumentavam-se os impostos indirectos, nomeadamente a taxa do imposto sobre o valor acrescentado que passaria dos actuais três por cento para sete por cento em 1997 ao mesmo tempo que passaria a designar-se «contribuição social nacional». O teor do anúncio governamental da passada quinta-feira era esse, mas a imediata oposição do Partido Socialista, que ameaçou abandonar o Governo, o que poderia provocar a queda do Executivo, levou a que tudo fosse adiado e à busca de uma solução de consenso.

No seguimento do que vinha acontecendo nas duas anteriores sessões, as taxas de juro do Mercado Monetário Interbancário, tanto de curto prazo como as mais longas, continuaram a deslizar ontem. Esta descida, associada a um aumento da oferta, foi mais acentuada nas operações contratadas dentro do período de contagem de reservas de caixa que está em curso.

A actualização do tarifário vigente para os portos nacionais causou «surpresa» e um profundo «desânimo» no sindicato dos trabalhadores e na associação de operadores do porto de Leixões. Ao aumentar em 12 por cento as tarifas em vigor para a generalidade dos portos portugueses, o Governo «cavou ainda mais o fosso existente entre os preços praticados no porto de Leixões e os outros concorrentes nacionais», explicou ao PÚBLICO João Valença, secretário geral da Associação dos Operadores Portuários do Douro e Leixões.

O presidente Bill Clinton confessou uma nova ambição -- a de ser astronauta. Envergando um casaco azul da NASA e umas botas à «cowboy», Clinton visitou anteontem o Centro Espacial Johnson em Houston, no Texas, para falar ao telefone com a tripulação que se encontra a bordo do vaivém Discovery. Entre gargalhadas, confessou nesse momento ao comandante do vaivém: «Acabei de passar no simulador de voos espaciais e apresentei a minha candidatura para ser astronauta.» «Mas ainda não fui aceite», acrescentou.

Em Houston, Clinton preocupou-se sobretudo em realçar «a cooperação internacional» simbolizada pela presença de Serguei Krikalev no Discovery -- o primeiro russo a bordo de um vaivém norte-americano. O Presidente trocaria, aliás, algumas palavras com o cosmonauta. «Estamos orgulhosos de ter Serguei connosco. Recordaremos isto como o primeiro passo para uma forma de cooperação internacional, com a Rússia, o Canadá, a Europa e o Japão, necessária para a construção da estação espacial», disse ainda Clinton. A estação espacial internacional, que será colocada no espaço em Outubro de 2001, conta oficialmente, desde Dezembro, com a cooperação russa.

Pela primeira vez, um grupo de investigadores britânicos foi obrigado a destruir uma linha de investigação até melhorarem as condições de segurança praticadas. É a lei sobre a confinação de microrganismos geneticamente modificados que a isso obriga. Em Portugal, o decreto-lei dedicado ao assunto está à espera de regulamentação.

Segundo Luís Archer, professor de genética molecular da Universidade Nova de Lisboa e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, «é natural que os investigadores, ao estudarem o oncogene, o transportem por esse vírus e o introduzam em células que são objecto de cultura», acrescentando que «os adenovírus são geralmente utilizados neste tipo de investigação devido a fixarem-se no genoma humano num só local -- os investigadores sabem, assim, para onde olhar -- e devido ao seu alto grau de contaminação».

A ORGANIZAÇÃO fundamentalista islâmica Gama'at Islami pediu ontem aos egípcios para retirarem o dinheiro que têm depositado nas instituições bancárias do país num prazo de duas semanas e reivindicou a explosão de uma bomba, segunda-feira à noite, em frente à sucursal de um banco do Cairo. Outras duas bombas, colocadas igualmente nas proximidades de bancos, não chegaram a explodir. Num comunicado enviado à France Presse, o grupo afirma que esta é a terceira das sete acções que serão lançadas «para vingar os sete mártires de al-Zawiya al-Hamra» (o bairro onde as forças de segurança mataram, na semana passada, sete militantes islâmicos). O Presidente egípcio, Hosni Mubarak, tinha entretanto prometido protecção aos investidores estrangeiros, afirmando que os militantes que colocaram as três bombas e que avisaram todos os turistas e investidores de que deveriam abandonar o país são um grupo pequeno e sem ligações com o Islão.

O GOVERNO alemão suspendeu a aprovação da controversa lei da cidadania até à realização das eleições de Outubro, anunciou ontem a coligação de centro-direita no poder. Os membros do executivo rejeitaram também um projecto de lei elaborada pela oposição social-democrata que previa a dupla cidadania, uma reivindicação dos 1,8 milhões de turcos que vivem na Alemanha. A lei em vigor no país data de 1993 e define que a cidadania é obtida apenas por laços de sangue e não por tempo de residência ou local de nascimento. As pressões no sentido de fazer alterações à lei surgiram, dentro do próprio Governo, em Maio passado, depois de cinco turcos terem sido mortos vítimas da violência racista na Alemanha.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, reunidos na segunda-feira, pediram a utilização de todos os meios necessários, incluindo os aéreos, para levantar o cerco a Sarajevo

Desde que John Major lançou a sua campanha pelo «regresso aos valores básicos», os escândalos não param. A morte, em circunstâncias escabrosas, de um dos mais brilhantes deputados conservadores britânicos é mais uma desgraça para o primeiro-ministro.

Os ataques dos líderes cristãos-democratas contra o candidato do SPD à Presidência da República alemã, Johannes Rau, têm vindo a aumentar de intensidade nos últimos dias. Apoiando-se na sugestão do ministro-presidente da Renânia do Norte Vestafália de discutir abertamente a política alemã das últimas décadas, o chanceler Helmut Kohl prossegue as suas tiradas ampliando-as a toda a chefia social-democrata, que ele acusa de ter atraiçoado a grande ideia de «Pátria Unida», devido aos seus contactos com o SED (o Partido Comunista da ex-RDA).

«O relacionamento pouco coerente do SPD com os regimes ditatoriais do Leste europeu» é apenas uma das muitas formulações usadas pelo CDU/CSU nesta «batalha de lama» que tem por objectivo conquistar votos em todas as frentes. Coube, estranhamente, não ao Presidente da República, mas sim aos deputados da Aliança 90/Verdes relembrarem os factos. Gerd Poppe, membro da «Comissão de Inquérito» destinada a elaborar o passado da ex-RDA, recordou que quanto mais próximo estava o fim do regime de Erich Honecker, mais frequentes eram os encontros de deputados e dirigentes de todos os partidos (governamentais e da oposição) com a chefia do SED. Nem a própria CSU (partido bávaro da União) acreditava que as gerações vindouras viessem a negar a existência da RDA. Esta frase foi dita por Franz Josef Strauss, o falecido dirigente carismático da CSU, em 1985, num diálogo com o principal negociador da RDA.

O Presidente argelino reafirmou, no seu primeiro discurso à Nação, que a prioridade da sua política é o diálogo com «todas as forças políticas do país». E, a par deste diálogo, a luta sem tréguas contra os grupos armados. A estratégia parece já estar a dar resultados ao agravar as divisões no seio do movimento fundamentalista.

O período de transição de três anos «deverá permitir reunir as condições políticas e de segurança para o retorno ao processo eleitoral democrático», disse ainda o general. Quando à preocupante situação económica argelina, Zéroual reafirmou a sua aposta na economia de mercado e nas negociações a decorrer com o FMI para resolver o problema da gigantesca dívida externa. No final, deixou um apelo aos estrangeiros: «Pedimos-lhes contenção nas declarações que fizerem ao avaliar a situação no nosso país».

A Aliança Atlântica vai hoje ser confrontada com o problema da intervenção na dramática guerra civil da Bósnia. A França insistirá na apresentação de um ultimato aos sérvios bósnios, mas as divergências entre os 16 não podem ser ocultadas. E os Estados Unidos, cuja participação é essencial para desencadear ataques aéreos, continuam a hesitar.

Por outro lado, não é clara a posição dos Estados Unidos. O Presidente Bill Clinton manifestou na segunda-feira o seu apoio a uma intervenção na Bósnia, que a concretizar-se significaria a primeira acção militar da NATO desde a sua fundação, em 1949. No entanto, já começaram a surgir críticas do Pentágono (Ministério da Defesa) sobre essa hipótese, devido aos riscos que a operação envolve. O secretário da Defesa, William J. Perry, confirmou ao «Washington Post» que os ataques aéreos estavam «entre as opções» consideradas pelos aliados, mas acrescentou que se estava a tentar «minimizar os problemas e as limitações». O Pentágono encara com apreensão a possibilidade de retaliação contra os capacetes azuis, temendo que tal desencadeie uma engrenagem que force os EUA a envolver directamente forças no conflito.

O MINISTRO das Finanças do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, voltou a ameaçar que se demitirá se o Congresso rejeitar ou continuar a protelar a criação de um fundo de emergência para o financiamento de programas prioritários na área social.

As palavras de Cardoso soaram como um ultimato aos parlamentares depois de dois meses de negociações com o Congresso. «Nunca um ministro das Finanças do Brasil dialogou tanto com o Congresso para a aprovação de um plano económico», disse Cardoso no seu pronunciamento de dez minutos, segunda-feira à noite. «Cedi a tudo o que era possível», afirmou.

O Parlamento Europeu quer deixar, em testamento, um projecto de Constituição para a Europa. Assente num modelo federal descentralizado e consagrando os direitos fundamentais dos cidadãos europeus. Hoje, o projecto sobe a plenário, em Estrasburgo, para se decidir do seu destino.

Esta última interpretação é defendida fundamentalmente pelo Grupo Socialista do PE -- de que o eurodeputado João Cravinho é um dos mentores principais -- e colhe algum apoio entre os deputados do grupo dos reformistas liberais, em que se integra o PSD português.

O PROCESSO de paz moçambicano acumula atrasos e já ninguém acredita que eles sejam recuperáveis. A opção, agora, é adiar as eleições ou fazê-las mesmo em Outubro, com o percurso incompleto.

Quanto ao treino das futuras forças, também ele está atrasado. A preparação do 1º Ciclo de Infantaria, que estava previsto para Janeiro, só começará este mês. O mesmo se diga quanto às forças especiais e fuzileiros navais, que deveriam ter iniciado o seu trabalho em Dezembro, e continuam a aguardar o respectivo treino.

O secretário de Estado norte-americano Warren Christopher observou recentemente que o esforço da Europa Ocidental para conseguir um acordo sobre a guerra na Bósnia revelava uma «estranha bússola moral». Inversamente, poder-se-ia dizer que a «superioridade moral» americana significou a opção por uma guerra maior.

A partilha da Bósnia apenas poderia ser feita à custa dos muçulmanos, e por isso a oposição americana à divisão da república pareceu ser uma decisão moral. Porém, a criação de um Estado bósnio exigia ser imposta pela força à maioria dos seus alegados cidadãos, e isso não era provável.

No orçamento para 1995, Clinton cortou em centenas de programas «liberais» para ter dinheiro para a sua agenda de «novo democrata»: eliminou os programas do «Governo protector», para criar os «investimentos» do Governo, destinados a estimular a economia. A outra parte dos seus fundos discricionários aplica-os na resolução de problemas que os republicanos gostariam de ter como bandeiras suas nas próximas eleições.

Estas prioridades são a reforma do sistema de saúde, as melhorias no Ensino e nos programas de formação de trabalhadores, a Ciência e Tecnologia e o combate ao crime. Mas a forma como os fundos serão aplicados nestas áreas pretende evitar o modelo «liberal» que confere ao Governo um papel de protecção e correcção excessiva de todas as injustiças provocadas pelo mercado livre.

Foi assinado, ontem, em Loures, o protocolo de constituição, manutenção e exploração de uma base cartográfica digital municipal. A esta base de dados comum, que visa a a coordenação do planeamento, expansão e gestão das infra-estruturas urbanas, aderiram, para além da Câmara de Loures, a Electricidade de Portugal, os TLP e a Gás de Portugal (GDP).

Apesar da instalação das condutas de gás ter sido feita sem a articulação com os outos operadores do subsolo, Valdemar Neves refere que as principais dificuldades do projecto foram os compassos de espera provocados pelos pareceres administrativos e a inexistência de empresas de suporte a uma tecnologia de que não havia experiência no país. «A adesão à base cartográfica de Loures, se já não vem a tempo de dar resposta ao levantamento feito pela GDP em 1989, irá responder às necessárias actualizações de rede», esclarece o responsável pelo consórcio do gás natural.

A recuperação do antigo depósito de água da EPAL, no sub-solo do Príncipe Real, que, por falta de verbas, esteve para deixar de fazer parte do programa Sétima Colina, foi viabilizada, embora só em meados de Julho, já a meio de Lisboa-94, a galeria da Patriarcal possa ser visitada.

«Foi uma opção que assumo, a de desviar o orçamento da exposição Sétima Colina, a realizar no Convento dos Inglesinhos, para que a recuperação da Patriarcal se possa fazer. As coisas que ficam são mais importantes do que as efémeras», salientou Elísio Summavielle, responsável pelo programa de intervenção urbana na Lisboa-94.

O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Daniel Branco, foi ontem reconduzido na presidência da comissão permanente da Junta Metropolitana de Lisboa.

José Luis Pereira acrescentou que a proposta foi ainda subscrita por Jorge Sampaio (PS), Isaltino Morais (PSD) e Eufrázio Filipe (CDU), em representação das três forças políticas representadas na região.

Chama-se Hard Rock, será «uma verdadeira `steak house'» americana nas margens do Tejo», a abrir no próximo Verão, num armazém em Santos, ontem concessionado pela Administração do Porto de Lisboa. Mas, surpresa das surpresas, afinal «não tem nada a ver com a cadeia norte-americana que dá pelo nome de «Hard Rock Café», ao contrário do que fora já antes afirmado pelos porta-vozes da APL.

Mas nem só de «hard rock» irá viver o futuro restaurante, onde a música oscilará «entre os anos 50 e os 90 e se prevêem concertos de música ao vivo, com bandas portuguesas».

A dependência do Banco Nacional Ultramarino (BNU) de Armação de Pera foi assaltada na tarde de ontem por um indivíduo armado e encapuçado, que fugiu com mais de mil contos em dinheiro.

Dois ex-bombeiros de 20 anos, pertencentes à corporação de Belmonte, foram ontem condenados a quatro e dois anos de prisão, pelo Tribunal de Círculo da Covilhã, pela prática do crime de fogo posto.

Na Academia Portuguesa de História, Palácio da Rosa, Largo da Rosa 5, realiza-se uma sessão de homenagem à memória de José de Azeredo Perdigão, com início marcado para as 15h30. Usam da palavra Mário Júlio de Almeida Costa sobre "Azeredo Perdigão: o homem e o jurisconsulto", Jorge Borges de Macedo sobre "Azeredo Perdigão: um criador da cultura", encerrando a sessão Joaquim Veríssimo Serrão que fala sobre "Azeredo Perdigão e a Academia Portuguesa da História".

Na Biblioteca Nacional, Campo Grande 83 está patente a exposição de pintura "Celebração", de Laura Cesana. Até 5 de Março.

Uma jovem de 18 anos foi violada e roubada na manhã de domingo, na Avenida Gago Coutinho, na Amadora, por um indivíduo que a interceptou quando se deslocava para o emprego. Segundo a PSP da Amadora, que tomou conta da ocorrência, a jovem foi primeiro ameaçada com uma faca com cerca de 20 centímetros de lâmina, sendo depois obrigada a acompanhar o indivíduo até um recanto, onde foi violada. A jovem teve ainda que entregar ao indivíduo 700 escudos que transportava e efectuar um levantamento de cinco contos (toda a quantia que possuía), numa caixa multibanco.

Cerca de mil crianças entre os dois e os dez anos de idade, de 14 estabelecimentos de ensino, deverão participar de um desfile de carnaval no centro histórico de Paço de Arcos, na próxima sexta-feira, dia 11. O desfile terá início às 10h00, no Largo Conde das Alcáçovas, efectuando um percurso que termina junto ao coreto do Jardim de Paço de Arcos.

Um dos cinco evadidos do Estabelecimento Prisional de Guimarães entregou-se anteontem às autoridades. José Francisco Araújo Silva, de 29 anos, natural daquela cidade, apresentou-se cerca das 20h30 de segunda-feira naquela cadeia regional, de onde tinha fugido na noite anterior com os seus companheiros de cela, que se mantinham em fuga à hora de fecho desta edição, confirmou a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais. O recluso arrependido está indiciado por tráfico de droga, tendo sido detido preventivamente a aguardar julgamento, de acordo com a directora da cadeia, Maria Manuel Martins.

Zé Lingrinhas alega que não é «nenhum criminoso, porque se o quisesse ser já o tinha sido; já tive esta noite [ontem] oportunidades de botar abaixo a pessoa que me prendeu: o polícia Fafe», a quem diz ter vendido duas pistolas. O recluso desmentiu ainda as acusações de assalto a um posto de gasolina em Braga e contou que os evadidos fugiram a pé até Lustosa, freguesia de Lousada, onde um carro os recolheu e transportou para o Porto.

Chama-se Hard Rock, será «uma verdadeira `steak house' americana nas margens do Tejo», a abrir no próximo Verão, num armazém em Santos, ontem concessionado pela Administração do Porto de Lisboa, mas, segundo os arrendatários, afinal «não tem nada a ver com a cadeia norte-americana que dá pelo nome de Hard Rock Café», ao contrário do que fora até aqui afirmado pelos porta-vozes da APL.

Mas nem só de «hard rock» irá viver o futuro restaurante, onde a música oscilará «entre os anos 50 e os 90 e se prevêem concertos de música ao vivo, também com bandas portuguesas».

A Comissão Política Concelhia de Peniche do Partido Socialista solicitou ao Ministério Público que accione um processo de perda de mandato do presidente da Assembleia Municipal daquela cidade, que acusa de impedir a discussão de matérias que o PS reputa de importantes.

«A sessão do dia 10 de Fevereiro vai discutir a designação de representantes à Assembleia Distrital, à Associação Nacional de Municípios Portugueses, ao conselho geral do Centro Hospitalar de Caldas da Rainha. Os pontos que nós queríamos discutir só estão contemplados em 11º lugar na ordem de trabalhos», acrescenta o deputado, que conclui que «só numa outra sessão serão discutidos». Fernando Lino, que conta com o apoio dos outros deputados da sua bancada, refere ainda que, em sua opinião, «há interesses de algumas forças partidárias no sentido de não serem discutidos assuntos com os quais elas podem estar envolvidas, nomeadamente os branqueamentos». Barradas Leitão defende, por seu lado, que Fernando Lino quer apenas mostrar que é o PS que tem iniciativa política.

A Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) enviou à Polícia Judiciária, para um eventual procedimento criminal, a gravação de um encontro entre o ex-presidente da Câmara de Sintra, Rui Silva, e um construtor civil, na qual o autarca pede «contrapartidas» para a aprovação de um projecto imobiliário. Rui Silva não comenta, mas diz-se, em resposta à inspecção, vítima de «chantagem» pelos que o acusam.

Perante a recusa do construtor, por a autarquia já lhe ter exigido a cedência de «um grande espaço do terreno», Rui Silva concluiu a reunião. Um parecer camarário, enviado ao promotor em Maio, sustentava que a proposta fosse «indeferida», por apresentar, «para uma zona urbana periférica caracterizada por uma volumetria média global de dois pisos, parâmetros geradores de expectativas de desenvolvimento desordenado da zona».

Foi a primeira biblioteca municipal de Lisboa. Uns dizem que nasceu em 1883, outros indicam a data de 1895. Em um século de história, a Biblioteca de São Lázaro, no Campo de Santana, acumulou cerca de 18500 volumes, muitos dos quais são obras dos séculos XVII e XVIII. Até 1992, o edifício -- um exemplar da arquitectura neoclássica -- manteve-se inalterado, tal como a sua estrutura de funcionamento, que garantia a leitura para um exíguo número de utentes. Remodelada recentemente, a Biblioteca de São Lázaro é hoje um equipamento moderno e arejado, com serviços informatizados e novas ofertas no campo do audiovisual. Por isso, e desde que terminaram as obras, em Novembro passado, o número de leitores aumentou.

Não foi, no entanto, uma biblioteca meramente pedagógica, mas sim generalista, abrangendo várias áreas do saber, tal como as bibliotecas municipais criadas posteriormente. O edifício, que tomou o nome de Biblioteca de São Lázaro, foi inaugurado uns anos depois da reivindicação dos professores. Enquanto uns apontam a data de 1883 para o acontecimento, outros, apoiados em documentos municipais, referem o dia 20 de Dezembro de 1895. Seja como for, se não tem 100 anos, o velho equipamento cultural está muito próximo de os completar.

Nos últimos anos, com a remodelação e modernização da rede municipal de bibliotecas de Lisboa, iniciada em 1991, o número de leitores tem aumentado consideravelmente, de acordo com os dados estatísticos dos serviços do pelouro da Cultura do município lisboeta, que, porém, ainda não contemplam a frequência registada em 1993.

Seis dos oito feridos na explosão ocorrida anteontem nas instalações da Petrogal em Sines que estavam no hospital de São José, em Lisboa, foram ontem transferidos para Coimbra e Setúbal, devido às obras que decorrem na unidade de queimados. Em Santa Maria, permanecem nos cuidados intensivos os três operários que ali deram entrada, estando um deles entubado por precaução no caso de suceder alguma anomalia respiratória.

Cerca de uma centena de taxistas da região de Leiria compareceram ontem ao funeral de Alcides Silva, de 45 anos, o motorista cujo cadáver foi encontrado enterrado, no sábado, próximo da praia de Vieira de Leiria e que estava dado como desaparecido desde o dia 14 de Janeiro.

O elevado número de taxistas que compareceram ao funeral deixou Leiria e Marinha Grande sem serviço de táxi.

Um octagenário com dificuldades de movimento e de visão vive sozinho numa casa degradada, sem água nem electricidade, em Carvalheiros, Tomar, valendo-lhe a solidariedade dos vizinhos enquanto a Segurança Social não encontra uma solução.

O certo é que, até agora, o octagenário apenas tem contado com o auxílio dos vizinhos, que lhe lavam a roupa e confeccionam as refeições.

A Vicentina -- Associação para a Protecção e Desenvolvimento do Algarve Sudoeste -- pretende continuar a discussão sobre a criação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. O plano de ordenamento desta área de paisagem protegida, que prevê a sua passagem a parque natural, esteve em consulta pública até ao passado dia 20 de Janeiro. Por esta razão, foi solicitada, ao Instituto de Conservação da Natureza, uma reunião para o próximo dia 17, em Aljezur.

Isto tudo porque «a paisagem protegida engloba diversos aglomerados populacionais, devendo ser o elemento humano e as suas legítimas aspirações o principal objectivo de qualquer projecto a desenvolver» na área, acrescenta a associação.

A autoridade de Saúde de Leiria divulgou esta semana os dados sobre as análises efectuadas durante o ano de 1993 e referentes aos oito sistemas de abastecimento de água do concelho de Leiria, considerando-a, em geral, de «boa qualidade" e "amplamente recomendada".

«Por desinformação do público, alguns fontanários inquinados continuam a ser utilizados como se de fontes milagreiras se tratassem», refere-se nas conclusões do estudo. A progressiva degradação das canalizações, a infiltração de agentes poluentes de natureza química e bactereológica, «resultante de abusos de natureza vária, mas continuados», agravados pela saturação indevida de terrenos e veios subterrâneos com águas residuais, provenientes da agro-pecuária intensiva, «tornaram nos últimos anos irreversivelmente ineficaz o abastecimento através da generalidade dos fontanários», adianta o documento.

Não mais do que 23,6 por cento de audiência média obteve Mandala, a telenovela da noite do Canal Um, na quinta-feira da passada semana. Não fosse Despedida de Solteiro e os valores seriam inferiores. Despedida de Solteiro, aliás, que domina o Top 20 do Canal 1 entre 31 de Janeiro e 6 de Fevereiro. O que se previa na passada semana -- o fracasso de Mandala -- é confirmado agora. O susto que a direcção da RTP apanhou com a alteração promovida pela SIC, justificou-se. Quanto mais não seja porque Mulheres de Areia atinge os 12 por cento, na estreia, um pouco menos do que o Jornal da Noite (12,7), mais do que Renascer (9,4). A estratégia da SIC venceu. Na Quatro, a vitória deve-se a O Jogo do Ganso: dez por cento de audiência, 20 por cento de "share".

Artes e Letras, Homenagem a Edith Piaf, Poirot e o espaço Infantil surgem com percentagens quase residuais (2,8-3,6 por cento), inferiores ao que merecem. O que se pode justificar também pelos seus horários "marginais": Poirot já foi uma série de horário nobre no Canal Um; Terra Mãe, que nem surge entre os "20 mais", teve sucesso de público quando transmitida no horário nobre da RTP 2, em 1985.

Reli o PÚBLICO de 30 de Outubro passado e concluí que, de facto, citei o prof. Alberto Amaral de forma completamente incorrecta a respeito da questão das propinas. Citei de memória, e a minha memória enganou-me devido a uma associação de ideias motivada pela sua fotografia na edição que refiro. O que eu classificava de «admiráveis declarações do reitor da Universidade do Porto» são, segundo o Sindicato Nacional do Ensino Superior, declarações admiráveis do Conselho de Reitores. Peço desculpa pelo meu inqualificável engano.

A lógica do prof. Alberto Amaral é a do burocrata sempre interessado em muitos papéis e regulamentos a fim de descrever círculos inúteis e voltar ao estado inicial. Nem se pense que, a curto prazo, Portugal vai atrair muitos estudantes estrangeiros (como a França ou a Inglaterra), que fariam, pagando propinas elevadas, entrar dinheiro nas nossas universidades proveniente de fora do país.

É já lugar-comum falar-se insistentemente sobre natureza ambiental e paisagística, sem que contudo se tomem medidas atinentes à sua preservação e consolidação. Neste âmbito se insere a proliferação da publicidade nas nossas estradas, toldando assim as sublimes paisagens em toda a sua pureza e extensão, merecedoras de apreciação pelos viajantes.

A diferença reside no facto de no segundo caso (identificação), a «publicidade» só poder ser exercida no local ou edifício onde se exerce a actividade ou se vende/fabrica o produto, e não indiscriminadamente em qualquer local, como acontece na «pura» publicidade, acrescendo o facto de normalmente se privilegiarem os locais estratégicos, como convém à sua operacionalidade. Cremos bem que com esta distinção se conseguia minorar substancialmente os efeitos nefastos da «maré negra» que constituem os painéis publicitários de toda a ordem, em defesa do património paisagístico que a todos pertence!

Sem ter pretendido entrar em «polémica», até porque tal como é referido na nossa carta anterior pretendemos tão-somente responder a perguntas deixadas pelo articulista sem resposta, o texto de Augusto M. Seabra da edição de segunda-feira, dia 7, do PÚBLICO merece-nos dois comentários.

Por outro lado, e tendo em conta as regras existentes no Festival (que é reconhecido pela FIAPF e como tal sujeito a regras precisas), o júri da Secção de Primeiras Obras só pode atribuir um prémio ao melhor filme, enquanto que o júri da Secção Oficial tem à sua disposição prémios tão diversificados como Melhor Filme, Melhor Realizador, ou até Prémio Especial do Júri (entre outros), com os quais pode «recompensar» as propostas fílmicas que lhe são apresentadas.

A democracia tem custos, mas o problema é que custa mais do que muitos pensam e com transparência muito relativa. Diz-se, é facto, que o segredo é a alma do negócio, pois bem, mas será a democracia um negócio?

Vinte anos decorridos de vida democrática, muito ainda falta fazer para dar boa qualidade e credibilidade ao sistema.

O projecto TVI nasceu sob o signo da polémica. De um lado estavam os que, como eu, consideravam que a criação de uma televisão de inspiração cristã para ser dirigida segundo as regras e critérios dos «media», actualmente expressão violentíssima de César, era em si mesmo uma «contraditio in terminis». Do outro estavam os que viam nesta decisão um acto de coragem e lucidez, de modernidade e desassombro, uma visão revista e actualizada de servir Deus, uma receita explícita e eficaz de difundir a boa nova.

Quando Cristo diz «dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus», ou afirma «o Meu Reino não é deste mundo», está, na minha modesta opinião, a explicar aos homens a dimensão assustadora da renúncia e da salvação. Assim é que, quando César pede o que é de Deus, é conveniente não lho dar. E quando, neste mundo, com as regras de César, se quer abrir concorrência evocando o salutar objectivo de espalhar a palavra e salvar as almas, manda a prudência que desconfiemos das nossas pobres e humanas capacidades.

Por erro de paginação, saiu na edição de ontem um texto de Sebastião Lima Rego com o título «O dito, o não dito e o contradito», que já tinha sido publicado no passado dia 30. Ao autor e aos leitores as nossas desculpas.

Quanto à «Divisão de Cancro Genético» do Instituto do Cancro Dana-Farber trata-se, naturalmente, da Divisão de Genética do Cancro daquele instituto. Finalmente, uma inoportuna gralha fez com que se desse a designação de «gânglios linfócitos» aos gânglios linfáticos.

Ao manter o Orçamento do Estado para a Educação de 1994 sensivelmente ao nível de 1993 (cerca de um por cento de aumento), o que significa menos dinheiro para o sector, se tivermos em conta a inflação, a secretária de Estado do Orçamento estava a condenar-se a si própria, enquanto futura ministra da Educação, a ter de perpetuar a pobreza das escolas, um dos mais sérios obstáculos à reforma dos ensinos básico e secundário. E, ao afirmar que o orçamento é suficiente, a ministra da Educação engana-se.

O orçamento de funcionamento das escolas é, nesta perspectiva, destinado, sobretudo, a pagar vencimentos de professores e demais funcionários e alguns materiais de consumo. Foi-se, assim, considerando como «normal» que as restantes verbas para funcionamento e gestão do quotidiano fossem irrisórias.

A notícia publicada na edição de dia 7 sobre a Feira do Livro do Porto dava a entender que todas as editoras representadas pela Diglivro estariam contra a alteração de datas desse evento. Tal não é totalmente correcto, pois algumas das editoras distribuídas por aquela central livreira não se manifestaram desfavoravelmente em relação ao facto.

O novo diploma «carrega» na semântica jurídica e onde estava «elementos que confirmem a suspeita de um crime», passa a estar «elementos que indiciem a prática de um crime». Uma forma de tornear a inconstitucionalidade que, caso fosse assumida por inteiro nesta questão, corresponderia a uma derrota na política anti-corrupção do governo.

Jardim não gostou de ouvir Cavaco defender o ministro da República. Disse-o ontem, alto e bom som depois da entrevista do primeiro-ministro à TVI. Lateralmente, vem Jaime Ramos investindo contra tudo e contra todos. Na mira está Sousa Franco.

Cavaco Silva afirmara na entrevista televisiva que os ministros da República têm sido para as Regiões Autónomas «o garante de coesão nacional». Contra a hipótese de extinção do cargo, na próxima revisão constitucional, o primeiro-ministro afirmou que a Madeira e os Açores são «casos de sucesso», em relação a ministros da República, mas reconheceu que no interior do PSD havia «opiniões divergentes».

A Área Metropolitana do Porto (AMP) não vai ser, por vontade socialista, um espaço de guerra entre socialistas e social-democratas. Isto mesmo ficou definido num jantar que reuniu à mesma mesa os presidentes da AMP e membros das concelhias do PS, incluindo o líder do partido em Gaia, Barbosa Ribeiro, que chegara a colocar a hipótese de retirar ao PSD a vice-presidência que os social-democratas detiveram no último mandato. Não só Barbosa Ribeiro aceitou a argumentação a favor do consenso de Fernando Gomes e Narciso Miranda, presidente e vice-presidente da AMP, como ficou definido alargar a representação do PSD nos órgãos da AMP à mesa da Assembleia Metropolitana.

No jantar não foi abordado o problema da sucessão de Lage na liderança da Federação Distrital do Porto do PS. Certo é, porém, que a candidatura de Narciso Miranda é julgada praticamente irreversível pelos seus apoiantes.

O ex-deputado do PSD António Coimbra é hoje julgado em Lisboa sob a acusação de ter burlado o Estado e falsificado folhas de presença no Parlamento. A origem do processo prende-se com uma série de viagens que António Coimbra realizou quando, em 1990, substituiu Luís Barradas do Amaral, eleito deputado pelo círculo de Fora da Europa. Coimbra terá gasto cerca de nove mil contos em viagens que englobaram visitas a cidades como Madrid, Buenos Aires, Montevideu, São Paulo, Belém, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Frankfurt, Bona, Nova Iorque, Paris, Panamá, Caracas, Genebra, num périplo que ficou conhecido como «a volta ao mundo». O ex-deputado alega em sua defesa que todas as viagens foram feitas «em serviço».

«Devemos ter orgulho pela maneira como Portugal se portou para com os seus funcionários de Macau», afirmou ontem o governador Rocha Vieira, ao comentar o diploma que regulamenta a integração e aposentação dos funcionários públicos de Macau, durante uma visita que efectuou ao Lar de Santa Lúcia e à Escola de São José. Rocha Vieira considerou, segundo a Lusa, que a solução encontrada «honra Portugal», pois o Estado português não está a «descolonizar um território».

Foi «uma entrevista equívoca» e o «professor doutor Cavaco Silva» mostrou «muita insegurança» ao abordar as questões económicas, afirmou ontem o dirigente do PCP Jerónimo de Sousa ao comentar a presença do primeiro-ministro na TVI.

Este tema é, aliás, alvo de tratamento no comunicado da CP que dedicou a segunda-feira à «grave situação social» e aos «dramáticos problemas que muitos trabalhadores e reformados enfrentam resultantes da política do Governo». O documento «chama a atenção para a hipocrisia do primeiro-ministro quando ontem [segunda-feira] na TVI tentou sustentar que as intoleráveis propostas, actualmente por si apresentadas ou pelo patronato, seriam consequência da falta do acordo das confederações sociais em sede de concertação social».

Votou sozinho contra o programa do partido no Congresso da Póvoa e prepara-se para voltar à carga em Setúbal, no próxima reunião do órgão magno do CDS/PP, agendada para 18, 19 e 20 do corrente. Delfim Sousa, que milita em Vila Nova de Gaia na organização dos bancários da Federação dos Trabalhadores Democratas Cristãos (FTDC), vai apresentar uma moção de estratégia global contra Manuel Monteiro no XII Congresso do CDS/PP.

Delfim Sousa atribui a «atitudes pouco ponderadas e contrárias ao espírito» do primeiro programa do partido, «então em vigor» o «abandono compulsivo» do Partido Popular Europeu (PPE). Defendendo uma «caminhada certa e cautelosa» para a União Política da Europa, o subscritor da moção demarca-se radicalmente do rumo imprimido por Monteiro ao CDS: «A União Económica e Política, propostas pelo Tratado de Maastricht, são algo de muito positivo e valioso». Consequentemente, Delfim Sousa defende que o CDS deve «solicitar novamente, e urgentemente, criando condições com este propósito, a sua adesão ao PPE».

Jardim, em oposição a Cavaco Silva, está contra o cargo de ministro da República nas Regiões Autónomas, reafirmando o que dissera após recente encontro com o primeiro-ministro: «Eu não posso aceitar que uns pequenos imberbes se atrevam a pôr em causa o poder democrático da Madeira».

A maioria madeirense que apelou ontem à «necessidade de uma maior coesão nacional entre todos os sociais-democratas nacionais», não parecem dispostos a ceder na abolição do cargo de ministro da República. Esta questão, consensual entre os principais partidos da oposição regional, é considerada prioritária, na próxima revisão constitucional, pelo vice-presidente da bancada do PSD na Assembleia da República, Guilherme Silva.

A escolha dos nomes integrados na quota do Porto na lista para a Comissão Política Nacional (CPN) do PS não é do agrado dos «sampaístas» do distrito, que ontem à noite se reuniram para preparar a contestação a uma solução que, em nome do consenso, redunda na dimunição da sua representação. Fontes desta sensibilidade contactadas pelo PÚBLICO referem que passarão a dispor, pelo distrito, apenas de oito lugares, quando até agora tinham 15 num total de 29.

Além dos membros que integrarão a Comissão Política Nacional na quota da Federação do PS/Porto, outros dois socialistas do distrito, Mário Almeida e José Lello, pertencerão a este órgão por indicação directa de António Guterres.R.A./J.Q.

O primeiro recurso do Ministério Público sobre o processo Melancia vai ser apreciado amanhã pelo Supremo Tribunal de Justiça. É um recurso prévio sobre o polémico caso que envolveu o ex-governador de Macau, não estando ainda agendado o debate sobre o recurso da sentença. Este recurso será analisado pelo juiz conselheiro Sá Ferreira e pelos juízes adjuntos Sá Nogueira e Coelho Ventura. Rodrigues Maximiano, procurador-geral adjunto que coordenou a investigação do processo, representará o Ministério Público. O pedido de recurso foi feito pela procuradora Maria José Morgado, existindo ainda outros recursos prévios da sentença. Carlos Melancia foi absolvido do crime de corrupção passiva, no julgamento em primeira instância, com voto vencido do juiz presidente Ricardo Cardoso.

O projecto «Gota a Gota» foi ontem lançado pela campanha humanitária Africamiga, a decorrer até 27 de Fevereiro, com o objectivo de angariar fundos para Angola. «Gota a Gota» é uma iniciativa que conta com a cooperação de várias empresas portuguesas e que durará cerca de três meses. Os lucros obtidos com a venda de alguns dos seus produtos serão canalizados para Angola. Paralelamente começou ontem a fase publicitária da campanha que inclui afixação de cartazes exteriores e divulgação de diversos anúncios nos canais de televisão portuguesa. Está também já em preparação um espectáculo televisivo de cinco horas, para o dia 27, que marcará o fim da campanha, com a participação de três dezenas de artistas.

Las Vegas, a capital do jogo, foi a zona metropolitana que sofreu maior crescimento populacional entre 1990 e 1992, segundo os números publicados, na segunda-feira, pelo centro de recenseamentolocal. A população de Las Vegas, no deserto do Nevada, aumentou de 13, 9 por cento durante os últimos dois anos, atingindo os 971.169 habitantes em 1992. Apenas duas outras zonas metropolitanas, Laredo, no Texas e Yuma, no Arizona, viram a sua população crescer mais de dez por cento. Em Julho de 1992, 203,2 milhões de americanos viviam numa das 268 localidades oficialmente classificadas de zonas metropolitanas , mais 2,8 por cento do que em Abril de 1990. O número de pessoas que vivia nos arredores destas zonas cresceu 1,8 por cento e atingiu os 51,9 milhões. A zona de Nova Iorque, do norte de New Jersey e de Long Island é a mais importante zona metropolitana dos Estados Unidos com 19,7 milhões de habitantes. Das dez regiões mais importantes, foi Houston que sofreu maior crescimento (6,2 por cento) e apenas uma , Boston, viu a sua população diminuír (0,3 por cento). Segundo Bruce Woodburry, um responsável do condado de Clark que engloba Las Vegas, o forte crescimento da população da região explica-se pelo aumento da indústria de turismo e pela chegada dos californianos descontentes da região.

Uma deputada ucraniana, em campanha contra um livro infantil sobre sexo, foi obrigada a pagar uma indemnização ao magistrado do Ministério Público por sugerir que este deveria fazer amor em público com sua mulher. Irina Kalynets, membro do parlamento de Lvov, na Ucrânia ocidental, pediu ao acusador público Zenon Kotyk para suspender a publicação do livro «De onde é que eu vim?», argumentando que este era pornográfico.. Quando Kotyk recusou , Kalynets declarou à imprensa: «Se as autoridades não querem tomar posição, então porque é que Zenon Kotyk e a sua mulher não demonstram às crianças como se faz amor?» A mulher do magistrado resolveu então pôr Kalynets em tribunal, pedindo uma indemnização por «danos morais» equivalente a 200 salários mínimos ( cerca de dois mil dólares).

Arlindo de Carvalho já tem os nomes para a sua equipa no Conselho de Administração (CA) da RDP. Além do próprio ex-ministro da Saúde, que preside, o órgão terá mais quatro elementos: Carlos Veloso, vice-presidente que ficará com o pelouro financeiro, e três vogais. Quanto a estes, trata-se de Sérgio Azevedo, um engenheiro electrotécnico cuja área de responsabilidade é precisamente a parte técnica e exploração; Marques de Freitas, actual director de pessoal da estação, que no CA se ocupará deste sector e do gabinete jurídico; e Morais Mendes, um quadro da RDP que Arlindo levou para seu chefe de gabinete no ministério da Saúde, a quem entrega agora as áreas regionais e locais da antena.

Embora sem confirmação, o nome de Jaime Marques de Almeida, quadro da RDP que foi assessor de imprensa de Arlindo de Carvalho na Saúde, é um dos nomes mais falados para director de informação ou para director-geral da empresa. Também Jaime Fernandes, ex-administrador, «pai» do Canal Jovem convidado para a administração de uma empresa fora do quadro da RDP, recusou oferecendo-se para dirigir aquele projecto. Projecto cuja receptividade por parte desta administração se ignora dados os avultados gastos para a sua concretização.

A UGT sai totalmente ilibada das conclusões do inquérito ontem aprovado na comissão parlamentar. O PS assinou o relatório, mas acabou a votar contra as conclusões porque gostaria de lá ver uns «pozinhos» contra o governo. O PCP recusou-se a assinar o relatório e Menezes Ferreira, o socialista presidente da Comissão, evidenciou não ter a mesma visão idílica sobre a central que os seus colegas de partido.

Quanto aos limites imagináveis, o zelo foi o seguinte: «Não se provou a existência de quaisquer critérios, ou procedimentos que visassem um tratamento diferenciado, com vista a beneficiar a UGT, no domínio da atribuição de apoios oriundos do Fundo Social Europeu»; mais, «provou-se que todos os apoios atribuídos foram-no com isenção e de acordo com a legislação aplicável»; e se o instituto de formação profissional da UGT (ISEFOC) chegou a ter contabilidade duvidosa era porque «no início das acções de formação o ISEFOC não possuia uma organização admnistrativa capaz de dar resposta às exigências de organização técnico-contabilística exigidas para a apresentação da conta de saldo».

O estudo sobre a situação dos resíduos sólidos urbanos em Portugal que a Quercus se propõe fazer ao longo de um ano custará cerca de oito mil contos, declarou ao PÚBLICO Pedro Vieira, dirigente daquela organização ambientalista. Interpelado pelo nosso jornal no decorrer de uma conferência de imprensa realizada ontem em Lisboa para apresentar o projecto (ver «Quercus» vai estudar o lixo», na nossa edição de ontem), o mesmo responsável afirmou que a Quercus já garantiu o co-financiamento do estudo por parte de uma empresa, esperando que o interesse entretanto manifestado pelo ministério do Ambiente e Recursos Naturais se traduza em apoios concretos.

O presidente da Câmara Municipal de Odemira recebe hoje de manhã o multimilionário francês Thierry Roussel que lhe vai pedir auxílio para retirar o seu empreendimento agrícola neste concelho alentejano da situação de pré-falência em que se encontra. A Odefruta atingiu nas últimas semanas uma situação limite em termos financeiros e Roussel, que se encontra no Brejão já há alguns dias, propôs aos cerca de 600 trabalhadores que ainda ali labutam para prescindirem do salário durante os próximos três meses.

O delegado do Procurador da República junto do Tribunal de Aveiro, Manuel Martins, pediu ontem a condenação dos principais arguidos no processo de corrupção e contrabando conhecido como «Aveiro Connection», que está a ser julgado desde o passado mês de Outubro. Manuel Martins solicitou, no entanto, ao tribunal de júri presidido pela juíza Isabel Valongo, a absolvição de dez dos 55 arguidos, entre os quais o ex-comandante do Porto de Aveiro, Mota Santos e o capitão da Guarda Fiscal Beja Simões.

Em contrapartida, o MP pediu a condenação de Arnaldo Pereira, - que está pronunciado pelos crimes de contrabando, corrupção, peculato e sequestro, podendo incorrer numa pena até dez anos - embora louvando a sua atitude de cooperação com a Justiça. «O cabo Arnaldo Pereira é um homem de grande apego à verdade, leal para com os amigos», louvou Manuel Martins. Já o capitão Vasco Silva, cuja condenação foi também reclamada, foi descrito como um homem «desmesuradamente ambicioso». Recorde-se que o capitão da GF proclamou sempre a sua inocência ao longo do julgamento e justificou o envolvimento com a rede de contrabando dizendo que se tratava de uma missão de contra-informação.

O inspector da Polícia Judiciária Dias Costa defendeu a criação na lei penal da figura do «agente encoberto», para acções de prevenção da criminalidade ligada à droga, durante um colóquio, segunda-feira à noite, em Coimbra. «Imprescindível se tornaria contar com a colaboração de quem, sob o controlo das autoridades competentes, embora não pertencente aos quadros da polícia, aceitasse assumir o difícil e ingrato papel de «agente encoberto», preconizou o investigador num colóquio promovido pela Ordem dos Advogados.

De acordo com Dias Costa, os criminosos «tiram partido da natural e compreensível dificuldade que se apresenta aos investigadores no seu trabalho de recolha de informação, cuja qualidade e oportunidade depende da possibilidade de as autoridades poderem «infiltrar» no «meio», no momento e no local certos, alguns dos seus agentes».

Mais de 200 chineses foram executados desde o início de Janeiro, e centenas de outros estão condenados à morte no quadro da tradicional onda de repressão que precede a chegada de cada novo ano lunar.

Por esta época -- sintetiza um telex da France Presse --, o governo de Pequim aconselha os governos provinciais a mostrarem-se repressivos nas condenações que proferem. A razão desta severidade, explica, está na necessidade de evitar perturbações durante a festa anual mais importante para os chineses.

Os trabalhadores metalúrgicos alemães continuaram ontem a pressionar os empresários com novos avisos de greve, um dia depois de terem fracassado completamente as conversações na Renânia -Vestefália. Um porta-voz do sindicato metalúrgico IG Metall, que levou 600 mil trabalhadores a greves parciais na semana passada, disse que mais de dez mil operários vão parar o trabalho por vários horas na próxima terça-feira, a maioria no estado do Hesse Norte e na região do Reno-Palatino. A direcção do sindicato deverá também ter um encontro de alto nível com empresários esta semana, depois do falhanço das negociações em Colónia, que se previa poderem servir de modelo para todo o país. A federação de empresários pretende um congelamento dos salários e um corte no subsídio de férias que, segundo o sindicato, corresponde a dez por cento de quebra do poder de compra. O sindicato pretende um aumento de seis por cento, que poderá ser trocado por acordos extraordinários de protecção dos empregos.

A igreja católica está a tentar, «por razões humanitárias», a ajudar a família do falecido chefe do cartel de Medellín, Pablo Escobar, a encontrar um país de acolhimento, revelou esta semana o núncio apostólico em Bogotá, monsenhor Paolo Romero. O representante do Papa na Colômbia explicou que a viúva do narcotraficante, Maria Victoria Escobar, pediu a João Paulo II que interviesse para conseguir um país que a recebesse mais os seus dois filhos, assegurando que as suas vidas corriam perigo na Colômbia. Segundo o núncio, nenhum país, apesar de várias diligências, aceitou até agora a família Escobar, que está refugiada desde Novembro passado num hotel de luxo da capital, sob forte protecção policial.

A comissão mista da Cruz Vermelha Portuguesa e da empresa Puma (Publicidade e Marketing) que está a gerir a campanha «Seja Sócio do Mundo» esteve ontem reunida no Porto para analisar a existência de queixas de associados em relação aos serviços prestados (ver PÚBLICO de 5/2) e concluiu apenas pela existência de problemas pontuais que serão esclarecidas por ambas as organizações. A forma como este esclarecimento chegará aos associados não foi ainda definida», disse ontem o presidente da Delegação do Porto da CVP, Freitas Gomes. O mesmo responsável assegurou que os «Sócios do Mundo», nome porque ficou conhecida a campanha, está perfeitamente integrada na CVP, embora funcione em instalações diferentes. A iniciativa visava, no início, recolher fundos para a CVP, através da angariação de novos sócios e a prestação de novos serviços. Recentemente, centenas de queixas estavam a chegar à Cruz Vermelha do Porto por não cumprimento de serviços prometidos, situação que esteve na origem desta reunião de direcção.

A deliberação fala em queixas, mas apenas cita um caso, publicado na edição de «O Independente» de 15 de Janeiro de 1993, por sinal uma notícia cujas fontes, sustenta este semanário, não se circunscreveram à PJ.

À situação privilegiada de Portugal para a entrada de droga tem ajudado, ao longo dos últimos anos, crise no sector pesqueiro. Dela aproveitam-se já não só os traficantes galegos como organizações criminosas oriundas da Itália. «A situação é dramática», alerta um inspector da PJ que defende, como meio de aumentar a eficácia do combate ao tráfico, a criação da figura do «agente infiltrado».

O inspector sustentava, deste modo, a necessidade de tornear as dificuldades dos investigadores em penetrar em determinado meios no decorrer do seu trabalho de recolha de informação, «uma dificuldade «compreensível» «face à lei do silêncio determinada na maior parte das vezes pelo medo de represálias» e da qual, «naturalmente, os traficantes tiram partido».

Sorte com o dinheiro, azar nos amores. O multimilionário norte-americano Jack Kent Cooke acaba de anunciar que vai terminar os seu quarto casamento, declarando-o «nulo», uma vez que o divórcio da mulher com o seu anterior marido não era válido, informou o Whashington Post. Octogenário e dono da equipa de futebol Whashington Redskins, Cooke desiste agora de três anos e meio de matrimónio com Marlene Ramallo Chalmers, nascida na Bolívia e mulher cujas peripécias e escapadelas conjugais têm apaixonado a capital federal. Marlene, cuja idade tem sido situada algures entre os 37 e os 42 anos, casou-se com Cooke em 1990, logo a seguir a cumprir quatro meses de prisão por causa de um seu plano para importar cocaína e de vários anos de tentativas dos serviços de imigração para a expulsar. Em 1992, foi-lhe tratada uma misteriosa ferida de bala na mão. Em Setembro passado, foi presa quando se divertia com um homem no tecto do seu Jaguar descapotável. Parece que atirou com um sapato dourado à cara do polícia que a deteve. Depois disto, foi vista outras vezes em público com o tal homem. Descobriu-se agora que, em 1986, o seu divórcio de David Chalmers, um empresário dos petróleos, foi ilegalmente obtido na República Dominicana. «Lamento profundamente que isto tenha chegado a este ponto», disse o seu actual marido, que parece que nunca o foi.

Nuno Bonacho, filho de Afonso Bonacho, que o Ministério Público havia indiciado no mesmo processo, foi ilibado de todas as acusações, por não se ter provado a sua ligação aos negócios do pai.

As pessoas portadoras do vírus da sida, os seropositivos e os doentes hepáticos estão a aumentar nas principais cadeias portuguesas. Dados da Direcção Geral dos Serviços Prisionais, relativos a 1993, apontam para a entrada de 20 por cento de indivíduos infectados em Lisboa e 10 por cento no Porto.

O director da DGSP rebate a ideia de que é nas cadeias que os reclusos adquirem o contágio. «O resultado dos rastreios feitos à entrada das cadeias prova que os detidos já vêm contaminados, o que não significa que lá dentro não exista droga e homossexualidade».

Mais uma vez, a abertura do Túnel sob a Mancha, marcada para 7 de Março, teve de ser adiada, talvez por algumas semanas, ou mesmo meses. A empresa franco-britânica «Eurotunnel» anunciou ontem este novo contratempo, frisando porém que, desta feita, os atrasos eram unicamente seus. No passado, faltou dinheiro, tempo, material de escavação, e houve atrasos nas entregas.

Assim, a circulação dos comboios de transporte de camiões de mercadorias -- umas carruagens que lembram umas gaiolas, tendo apenas um estrado e uma estrutura metálica em guisa de paredes e de tecto -- fica adiada de 7 de Março para meados de Abril. A circulação dos «Le Shuttle», (transporte de veículos de turismo e dos seus passageiros), que devia começar dois dias depois da inauguração oficial, a 6 de Maio, fica também adiada por um período indeterminado. A «Eurotunnel» promete porém reembolsar todas as pessoas que compraram já bilhetes com a esperança de atravessarem a Mancha a 8 de Maio, apesar de não haver sistema de reservas no Eurotúnel. Quanto ao comboio «Eurostar» entre Paris e Londres, nada está previsto antes do fim do Verão.

Ao descrédito externo, soma-se a luta pela corrida a secretário-geral. Às acusações de rua dos cooperativistas, juntam-se as críticas internas à actual direcção. E a tudo isto juntam-se indícios de um «ajuste de contas» entre socialistas aos quais, durante décadas, a central esteve ligada.

Contudo, perante a falência e um «buraco» calculado em cerca de 100 milhões de contos, os cooperativistas reclamam agora casas ou dinheiro, colocando a central na mira de todas as suas suspeitas.

O Procurador da República Lemos da Costa retirou ontem as acusações de prática dos crimes de sequestro e de danos voluntários aos seis arguidos do caso das alegadas ofensas cometidas, em Outubro de 1988, em frente à sede do PSD de Famalicão, contra Marques Mendes, Eurico de Melo e Ribeiro da Silva, governador-civil de Braga, durante uma tumultuosa manifestação destinada a protestar contra a despromoção administrativa do clube local da 1ª para a 3ª divisão nacional de futebol. Lemos da Costa considerou provado, no entanto, que quatro dos réus -- incluindo Nuno Carvalho, antigo dirigente do FC de Famalicão e candidato do CDS-PP à Câmara famalicense nas últimas autárquicas -- incorreram na forma menos gravosa do crime de participação em motim, punível com prisão até um ano.

«Nunca ninguém fez rir tanta gente em todo o mundo como Charlie com o seu pequeno vagabundo. E nunca, em qualquer época, os espectadores deixaram de precisar que o pequeno vagabundo os fizesse rir, ajudando-os a suportar as suas angústias e problemas. Mas os problemas de Chaplin surgiram quando ele se começou a levar a sério. Aconteceu depois da saída de `A Woman of Paris'/`Opinião Pública' [1923]. Hoje já ninguém se lembra mas foi a primeira vez que, no cinema, se utilizou a sugestão para transmitir ideias. Se Charlie queria dizer ao público que a sua heroína, Edna Purviance, ia apanhar o comboio, bastava-lhe mostrar a sombra de um comboio em movimento e um plano aproximado de um compartimento vazio (...). Coisas como esta fizeram do cinema uma arte. Mas a avalanche de elogios que saudou a brilhante realização de Chaplin deu-lhe volta à cabeça. O seu infortúnio foi acreditar no que os críticos diziam dele. Todos lhe chamavam génio -- e eu seria o último a discordar --, mas a partir daí, Charlie Chaplin, esse palhaço de Deus, começou a comportar-se, a pensar e a falar como um intelectual», assim escreveu Buster Keaton (1895-1966) sobre Charles Chaplin no seu livro de memórias «My Wonderful World of Slapstick», publicado em 1960.

Até Abril, a retrospectiva de Charlie Chaplin na SIC inclui: «Luzes da Cidade»/ «City Lights», a exibir já na segunda-feira, «Os Ociosos»/ «Idle Class» e «O Garoto»/ «The Kid» (em sessão especial, dupla, programada para terça-feira, após o almoço); em Março é a vez de «O Circo»/ «The Circus», «Opinião Pública»/ «A Woman of Paris», «Tempos Modernos»/ «Modern Times» e «A Revista de Charlot»/ «Chaplin Revue». A terminar, já no mês de Abril, «O Grande Ditador»/ «The Great Dictator», «Luzes da Ribalta»/ «Limelight» e «Um Rei em Nova Iorque»/ «A King in New York».

Um filme «retro» (passa-se em 1975) sobre a mafia porto-riquenha, que dentre todas as mafias nova-iorquinas nem sequer é a mais sanguinária, só a competente representante de um mundo de caos moral absoluto, de um deserto onde só parecem emergir como valores, para além do dinheiro, a vingança.

Um Carnaval com Melvyn Kaminsky -- Mel Brooks -- oferece a Cinemateca. Inclui «The Producers»/ «Por Favor Não Mexam nas Velhinhas» (hoje, às 21h30), «Young Frankenstein»/ «Frankenstein Júnior», talvez o seu melhor filme (amanhã, às 15h30), «Silent Movie»/ «A Última Loucura» (amanhã, às 18h30) e «High Anxiety»/ «Alta Ansiedade», «pastiche» de Hitchcock -- ainda amanhã, às 21h30. Pode-se depois testar a tese de Christopher Lyon: a de que todos os filmes de Mel Brooks falam da «pragmática e absurda união de dois machos, em que o mais experimentado tenta levar a melhor sobre o outro, terminando tudo numa forte relação paternal e de amizade».

Frederica von Stade -- Flicka, para os seus tantos amigos -- passa pelo São Carlos, acompanhada ao piano por Martin Katz, na segunda etapa da sua digressão europeia no primeiro trimestre de 1994. Aí cantará Haendel (árias de «Serse» e «Ariodante»), Strauss (alguns dos seus mais belos «Lieder» como «Morgen», «Muttertandelei», «Wiegenlied» ou «Begegnung»), árias de óperas francesas («Connais-tu le pays» da «Mignon» de Thomas e «Ah, que j'aime les militaires» de «La Grande Duchesse de Gérolstein» de Offenbach), canções populares argentinas em arranjos de Ginastera, outras canções populares em arranjos de Herbert Hughes e... as «Drei Brettl-Lieder» de Schonberg.

Premonição da morte individual e colectiva. Interrogação radical de uma sequência de fatalidades -- de Auschwitz à sida. São os os últimos dias de uma excelente exposição de cerca de uma centena de desenhos de um dos nomes maiores do expressionismo vienense do princípio do século. Absolutamente a não perder!

Enquanto a Seiva Trupe não estreia «O Vendedor de Milagres», a sua primeira produção de 1994 (uma miscelânea da obra de Gabriel García Marquez, dirigida por José Caldas); enquanto o TEP não repõe «A Gota de Mel» e «O Urso», em substituição da «Escola de Dança», cancelada devido a doença súbita do actor José Pinto -- a única alternativa teatral é, na capital do Norte, «O Leque de Lady Windermere», pela Companhia do Teatro Nacional de D. Maria II: um espectáculo vistoso e luxuoso, cuja carreira portuense acaba já no próximo domingo.

Patrick Corillon, jovem artista belga recentemente revelado em Lisboa numa colectiva no Centro de Arte Moderna, apresenta uma instalação em que a arte se toma como meio de conhecimento. Nunca como objecto desse conhecimento.

Os episódios, neste caso o enamoramento de Serti pela actriz Véronique de Coulanges, e o encontro marcado que não chega a realizar-se, é descrito em dois textos emoldurados, apresentados no fim de outros tantos percursos que o espectador é convidado a fazer. Marcado o primeiro por um corrimão, que se cola "suavemente às inúmeras arestas da parede" e o segundo por um fio telefónico emaranhado no chão, o espectador é convidado a acompanhar o trajecto pelas referências numéricas com que o artista pontua texto e objectos.

No Espace Photographique de Paris, no Nouveau Forum des Halles, inaugura no próximo dia 14 uma exposição do fotógrafo Seymour Jacobs. É mais uma das iniciativas fotográficas da programação desta galeria, que tem por objectivo principal mostrar ao grande público colecções desconhecidas, ou nomes em início de carreira. São imagens centradas no efeito de pose proporcionado pela situação de retrato, mas partindo de personagens do quotidiano. A próxima exposição desta galeria mostrará uma série de imagens de Lee Miller, amiga de Man Ray, e que é uma das figuras sempre presentes na obra deste.

Nova versão de «My Fair Lady» na Broadway de Nova Iorque. A música é a mesma da versão apresentada no palco em 1965. Mas o elenco mudou. O mestre de dicção é agora Richard Chamberlain (a crítica foi sensível ao seu «charm and wit» e diz que canta melhor do que Rex Harrison). Quando à aluna, falha num ponto essencial: o sotaque. Numa peça onde a diferença de sotaques é importante para definir as diferenças sociais, Melissa Errico domina mal o falar «cockney», o que prejudica visivelmente a interpretação. É pena, porque canta maravilhosamente e mostra-se muito enérgica no ataque ao machismo do mestre. Um pormenor novo é o regresso à história tal como George Bernard Shaw a escreveu: no final, Eliza abandona o professor Higgins. De uma vez por todas.

A capa do «Nouvel Observateur» da semana passada tem uma fotografia dela e o título é «Duras Femme Libre». Trata-se da publicação da primeira biografia a sério de Marguerite Duras (a de Vircondelet, que saiu há um ano, é bem-intencionada mas aproximativa, como já era o seu «Marguerite Duras», editado na Seghers em 1972). Na fotografia da capa, Marguerite sorri, os anéis brilham. «Duras Femme Libre» é Marguerite Duras, e ela é o mais importante escritor vivo. Podemos discutir sobre se é o mais importante escritor do século XX.

Para os leitores de Duras fica a violência das histórias dela: histórias de amor que não são (como diz o Vice-Cônsul: «Les histoires d'amour vous les vivez avec d'autres, nous n'avons pas besoin de ça.»). Em «Moi», escreveu: «Não sei o que é a não violência, nem sou capaz de perceber. A paz interior também não. Os meus sonhos são todos trágicos, são de ódio ou de amor. Mas não acredito em sonhos. Escrevo. E o que me comove sou eu. O que me dá vontade de chorar é a minha violência, sou eu.»

Os itinerários deste fim-de-semana, em Madrid, passam todos pela nova edição da feira internacional de Arte Contemporânea (ARCO). Mas antes, durante e depois dessa mostra de vaidades, luxos e fraquezas de mercado da arte actual, devemos guardar muito tempo para Francisco Goya e Bruce Nauman. Dois artistas da razão e do sonho. Subjectivos e sociais.

Duas personalidades, porém, são objecto de uma atenção exemplar que nos garante a importância mantida pelo circuito madrileno das artes: Goya e Nauman. Quase dois séculos os separam e, no entanto, podem entre eles estabelecer-se laços não forçados de atitude perante a tarefa do artista e a realidade social.

Uma proposta discreta, num local ainda fora dos circuitos de exposição, mas que é prova de alguma ambição. Desta vez, trata-se de uma exposição sobre García Lorca, em fotobiografia, e sobretudo num conjunto de desenhos reveladores de uma faceta porventura menos conhecida do autor.

A presente exposição insere-se numa linha de trabalho em conjunto que estes autores têm vindo a desenvolver. Partem de uma ideia de uso da fotografia como meio de comunicação/manipulação e constroem todo o seu discurso em torno da criação de significados que subvertam as evidências dessa lógica, trabalhando no interior delas a partir de uma estratégia de ironia. Foi o caso da «Tombola» sobre Cristo e instalação fotográfica em Braga, em Maio passado.

«Papá para Sempre» poderia chamar-se «The Robin Williams Show» e nesse aspecto é mesmo o apogeu de um tipo de registo que Williams tem desenvolvido e cujo momento anterior se chamou «Aladino» -- Robin Williams não se via, mas existia através de várias vozes, como num programa radiofónico e por isso era uma das atracções do «show». É curioso, mas olhando pela filmografia do actor descobrem-se várias personagens de apresentador e locutor radiofónico ou então uma tendência para o comportamento frente a uma câmara como se ela fosse um microfone. Também não há grande originalidade em «Papá para Sempre», a referência óbvia é «Tootsie», com a diferença de que Dustin Hoffman nesse filme era um actor sem emprego e neste Robin Williams é um pai em risco de ficar sem filhos -- o que permite, se se quiser, algumas considerações do género: o homem que quase perde o estatuto de pai, também perde, temporariamente, o estatuto masculino. E como sinal dos tempos que sopram sobre Hollywood, está a personagem de Harvey Fierstein, «gay» de serviço para disfarçar más consciências -- apesar de a personagem ser mais um exemplo de «cliché» figurativo. Mas pelos sinais enviados pelo filme, fica-se com a certeza de que tudo seria mais justo -- sobretudo, menos cansativo... -- se em vez de uma longa-metragem, tivessem dado a Robin Williams o espaço e a duração de um «show» televisivo ou radiofónico. A não ser que se goste muito, mas muito, do estilo...

LISBOA Alfa 2: 13h45, 16h25, 19h, 21h40 e 00h15; Amoreiras 6: 13h45, 16h25, 18h55, 21h35 e 00h10; Cine-Teatro Monumental: 13h30, 16h15, 19h, 21h45 e 00h30; Mundial 2: 13h45, 16h25, 19h e 21h40; 6ª e sáb. também às 00h15; Quarteto 4: 14h, 16h30, 19h, 21h30 e 24h.

Poemas, histórias, crónicas, pensamentos tirados da obra de José Gomes Ferreira e representados pelo Teatro ACERT de Tondela, a única companhia profissional da Beira Interior. Um espectáculo melancólico-divertido, que converte em imagens sugestivas o essencial da obra poética do Poeta Militante. Pompeu José, ex-actor do Bando, assina a encenação e a cenografia. Encenação inteligente, cenografia engenhosa.

Uma honra e um serviço público é para a Sala Experimental do Nacional acolher este espectáculo do novo Teatro da Veredas (Sintra), estreado em Dezembro em Massamá. Uma das maiores surpresas teatrais de 1994. A «crítica» já lhe atribuiu duas distinções: o Prémio Revelação para o espectáculo e um prémio para a figurinista Margarida Wellenkamp. Mas nem a companhia nem o espectáculo nasceram do nada. O encenador e cenógrafo José Carretas tem uma obra de grande fôlego, que o público esclarecido não pode ignorar. Este «Malaquias» é mais um ponto alto dessa obra.

Como qualquer festival, o de Roterdão, que terminou no passado domingo, quis-se um panorama da actualidade cinematográfica. Mas também o de uma revisão, de «home made movies» e de algumas histórias do cinema. Por entre uma incessante circulação de imagens, mesmo as feitas a partir de casa, ressurgiram fantasmas da História, de uma Europa e do mundo, das encenações nazis ao «fim do mundo» em Sarajevo.

Roterdão, o mais importante festival europeu não-competitivo (o que o liberta de algumas restrições institucionais), é um espaço onde essas questões se colocam com particular actualidade, pela intersecção do programa geral e de retrospectivas como as que vêm sendo feitas em torno de um «conceito», de uma questão que, sendo patente em vários filmes contemporâneos, se tenta rever também historicamente (este ano, foram os «home made movies») e de um panorama de «Film Free», único no mundo, onde são apresentados filmes que se viram envolvidos ou conseguiram escapar às teias da censura -- teias longas!

... ninguém leva a mal! Até ao ano passado -- antes da intervenção, a roçar o carnavalesco, do primeiro-ministro, Cavaco Silva --, a máxima tinha toda a razão de ser. Talvez por isso, o corso carnavalesco de Torres Vedras, da próxima terça-feira, 15, às 14h30, seja em honra do «2º ministro Cavaco Silva». Aliás, e de acordo com o programa de festas, já no domingo, e durante toda a manhã, «suas majestades cumprem, sempre acompanhadas do (in)fiel primeiro-ministro, um longo programa de inaugurações e visitas sociais: a passagem inferior, a passagem superior e a passagem do dia». O prato forte do Carnaval de Sines chama-se Cláudia Raia (a «Maria Escandalosa» da telenovela «Deus nos Acuda»). A «artista convidada» estará em dois corsos (no domingo às 15h e na segunda-feira, às 21h) e actuará, à meia-noite de domingo, numa «misteriosa» aparição na companhia de «Coxa Grossa» e «Maria Escandalosa». Em Ovar o extenso programa carnavalesco já se iniciou no final de Janeiro. Mas domingo é que é o dia grande, com o desfile vespertino dos corsos infantil e adulto -- programa que será repetido na terça-feira. Na segunda-feira haverá uma «Noite Vareira», animada com uma orquestra galega. Divirtam-se!

É uma nova obra e também a primeira história original a ser inserida naquela colecção, cuja imagem gráfica é do próprio Cosey. A filosofia que preside à criação desta colecção foi apresentada em conferência de imprensa por Yves Sente, director editorial da Lombard: publicar histórias que não se inscrevem nos ciclos tradicionalmente votados ao desenvolvimento de aventuras de personagens em sistema de continuação. Por outras palavras, acolher as criações originais dos autores que já conseguiram «libertar-se» da lógica imposta pelo sucesso de um herói fixo e desenvolvem uma trajectória que assenta na narração livre de histórias ficcionais. É o caso, afinal, de todas as obras já saídas.

É um dos mais firmes e brilhantes autores argentinos da hora presente. Depois de «Titania» e «Mutante», eis «Gangrène», uma viagem em vôo picado sobre um universo pós-apocalíptico onde a guerra e a tirania mais ordenam. Entre a demência humana e o futuro não parece haver réstia de esperança. Cenários desoladores e grotescos. Admirável e, obviamente, incontornável, esta obra de antecipação do mundo futuro.

Continuação das aventuras de Omaha, a erótica e insinuante gata americana que escandalizou os puritanos instalados do outro lado do oceano Atlântico. Trazidas para França pelas Editions Glénat, as aventuras desta heroína dão corpo -- literalmente -- a uma das boas surpresas dos anos 80. A preto e branco, como exige a tradição dos «comics», para fruição dos intelectuais europeus de gosto requintado.

A internacionalização de Tintin já não é de agora. Traduzido em dezenas de línguas e países, continua a ser o mais universal dos heróis europeus de banda desenhada. Mas havia uma fronteira a franquear, ainda na Europa: a da Rússia.

De facto, o próprio Hergé se recusou a alimentar a polémica em torno dessa primeira aventura, proibindo a reedição de «Tintin no País dos Sovietes». Apesar disso, ela continuou a ser objecto de reedições piratas no Ocidente, que circularam com maior ou menor facilidade . Curiosamente, esta é também a única aventura de Tintin que o seu autor nunca recuperou, como fez com as restantes bandas desenhadas inicialmente publicadas a preto e branco e alvo de um «restyling» gráfico e introdução de cor, após o fim da segunda Guerra Mundial. C. P.

Terceiro episódio das aventuras de Trent, um herói frágil, sensível e solitário que vive no Grande Norte canadiano. Como nunca antes acontecera, ele vai descer aos infernos, bater no fundo da abjecção e da indiferença perante a sua própria vida. Sobreviverá, claro, mas nada será como dantes. Mesmo se o seu percurso continua a ser o de um solitário que nenhuma mulher espera ao fim do dia, como o título do álbum permite entrever.

R. -- Não, não aceitei. Ele falou-me (diante de alguém que pode testemunhar esta conversa), num movimento que pretendia pôr fim ao regime anterior e na necessidade da democratização. Fiz-lhe a única pergunta que para mim era fulcral: «E o ultramar, como é?» Respondeu-me que era uma questão de autodeterminações, achei que isso era vago e insisti. Claro que eu achava que as democracias são os menos maus dos regimes mas queria garantias sobre o ultramar. Como ele não saísse das auto-determinações, pedi-lhe para não contar comigo.

trangeiros, correu pressurosamente pelo mundo fora, para entregar as províncias o mais depressa possível! Reconheço os seus dotes políticos, sei que é um homem de cultura, mas nesse tempo, tinha as maiores desconfianças daquela pressa toda!

R. -- Havia já algumas outras movimentações no terreno. Por exemplo, havia um pirata chamado Paradela de Abreu, mas que era um pirata útil. E a ligação do seu movimento -- «Maria da Fonte» -- connosco, era feita pelo engenheiro Jorge Jardim, por quem eu tinha consideração e admiração. Houve assim alguns movimentos como este que se juntaram a nós e chegou a haver

Nasceu em Chaves, viveu em Moçambique, frequentou a Escola Naval, fez o curso da Marinha, esteve várias vezes na frente de combate, na guerra de África.

É esse itinerário que hoje, de forma desassombrada -- e uma vez mais, polémica --, ele refaz aqui. Uma espécie de contra-25 de Abril revisto por este homem que hoje administra empresas, enquanto nos intervalos, continua a dedicar-se a aumentar a sua raríssima colecção de arte.

Pela maneira como o dia [25 de Abril] decorreu, percebi que se abrira a Caixa de Pandora e que todos aqueles homens estavam embriagados com a possibilidade de serem pequenos Che Guevarazinhos. Depois, todo o processo revolucionário andou durante meses aos solavancos e encontrões, ao sabor do acontecimento do dia...»

«Tinha a mesma desconfiança em relação a muitos militares, por exemplo: vinham aos molhos comer à mesa do poder! Alguns Conselheiros da Revolução andavam num desvario, para dividir os BMW do Jorge de Brito ou os Mercedes do Jorge de Mello... Outros, civis ou militares, insultavam diariamente na rádio os soldados portugueses que estavam em África...»

«Hoje é feriado na alfândega, assim como nas demais repartições publicas d'este districto», anunciava em edital, na terça-feira gorda de 1905, o governador distrital. A Madeira parava para os bailes aristocráticos dos Torre Bella, os espectáculos no Teatro D. Maria Pia e Esperança, os assaltos com que se divertia a burguesia funchalense, ou para as troupes e corsos, espaços e personagens, nos quais se vislumbravam modos diversos de intervir de cariz político e socio-cultural.

Já no final do século XIX, conforme relata o periódico «O Direito» (Funchal, 11/1884), a Quinta Vígia -- designação hoje indevidamente atribuída à antiga Quinta das Angústias, residência oficial do presidente do governo regional -- acolheu no seu jardim, «iluminado com 9000 lumes», um «baile costumé» oferecido pelo oficial russo Princípe Nicolao d'Oldenbourg, para festejar o vigésimo aniversário de sua filha Princesa Alexandra. «Ao despontar da madrugada, pelas quatro horas da manhã, cessavam os sons harmoniosos d'uma explendida orchestra que tinha contribuído para abrilhantar a festa(...) Todos os costumes que as damas e cavalheiros usaram n'este baile eram de muito gosto, feitos a capricho, e alguns d'elles ostentavam grande riqueza».

O MFA conseguira derrubar o regime, mas sabia que não podia quebrar os códigos da hierarquia militar. Primeiro, convidou Spínola e Costa Gomes, certo de que os seus nomes garantiriam novas adesões ao levantamento. Seguiram-se-lhes outros cinco oficiais. Em conjunto, formavam a Junta de Salvação Nacional -- o órgão a quem os capitães de Abril entregaram o governo provisório da nação. Formalmente apenas. Na prática, iniciava-se na noite de 25 de Abril um braço-de-ferro cujo primeiro desfecho só seria conhecido meses depois. Uma viagem às primeiras horas da Junta, pela mão de alguns dos seus membros e formadores.

Tem, por isso, feito uma carreira apenas mediana, sem conseguir recordes de venda, até porque não possui preços particularmente competitivos.

Protocolo entre escritores -- A Associação Portuguesa de Escritores (APE) e a Associação de Escritores da Madeira (AEM) assinaram ontem um protocolo de cooperação para divulgação mútua dos escritores da região e do continente. A APE compromete-se, de acordo com o protocolo, a «apoiar a divulgação, sobretudo no espaço continental, das letras e autores madeirenses» e vai ainda propor aos seus associados «a criação de uma secção madeirense». A APE transmitirá ainda à AEM toda a «informação, nacional e de organismos internacionais, que julgue de interesse para a literatura madeirense».

Realizou "A Canção da Terra", "João Ratão", "Fátima, Terra de Fé", "O Crime de Simão Bolandas". Era Jorge Brum do Canto, contava exactamente 84 anos, e morreu na madrugada de segunda-feira, na sua casa, em Lisboa, vítima de doença prolongada. O cineasta pedira à família que a sua morte não fosse comunicada antes de realizado o funeral.

Árbitros do fim-de-semana -- O eborense Bento Marques foi ontem designado pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol para o jogo FC Porto-Marítimo, da 19ª jornada do «Nacional» de futebol da I Divisão. Veiga Trigo, de Beja, estará no Sporting-Vitória de Setúbal, enquanto Pinto Correia, de Lisboa, vai apitar o Estoril-Benfica. Outros árbitros indicados: Farense-Beira Mar, Doanto Ramos, de Viseu; Boavista-Famalicão, Mário Leal, de Leiria; Guimarães-Braga, Carlos Valente, de Setúbal; Gil Vicente-Paços de Ferreira, António Rola, de Santarém; União da Madeira-Salgueiros, Luís Miranda, de Lisboa; Estrela da Amadora-Belenenses, António Marçal, de Lisboa.

Bruce Milan, comissário europeu para a política regional, afirmou ontem em Estrasburgo prever que o investimento da União Europeia em Portugal nos próximos seis anos implique um crescimento suplementar do PIB português de quase cinco por cento, segundo refere um despacho da Lusa. Milan adiantou a previsão durante a reunião do colégio de comissários em que foi aprovado o segundo Quadro Comunitário de Apoio (QCA) a Portugal, para o período de 1994 a 1999.

A actualização do tarifário vigente para os portos nacionais causou «surpresa» e um profundo «desânimo» no sindicato dos trabalhadores e na associação de operadores do porto de Leixões. Ao aumentar em 12 por cento as tarifas em vigor para a generalidade dos portos portugueses, o Governo «cavou ainda mais o fosso existente entre os preços praticados no porto de Leixões e os outros concorrentes nacionais», explicou ao PÚBLICO João Valença, secretário geral da Associação dos Operadores Portuários do Douro e Leixões.

O novo caderno de encargos que regulamenta a operação de venda da Secil /CMP foi distribuído com data de sexta-feira passada, dia 4, dispondo agora os candidatos de um prazo de 45 dias para entregar a sua proposta de compra. De registar que os candidatos que, por ocasião do primeiro concurso, pagaram uma caução de 50 mil contos para terem acesso a informação confidencial sobre as empresas, estão dispensados de o fazerem neste segundo concurso e poderão reaver a quantia caso apresentem proposta de compra. Estão nesta situação Queiroz Pereira, do grupo Cimianto, e António Champalimaud. Tal como noticiado, o Estado pretende alienar 2.998.000 acções da Secil e 10.928.000 acções da CMP pelo preço mínimo de 62,9 milhões de contos. O diploma determina que o agrupamento vencedor proceda à exploração conjunta das empresas não estabelece qualquer limite a estrangeiros nem reserva para o Estado os direitos de «golden-share», apesar de se saber que, na prática, o Governo ficará na posse, durante pelo menos um ano, de um lote de acções de ambas as empresas que lhe conferem poderes.

DUZENTOS mortos e 400 feridos, estes por tratar, era ontem à tarde, segundo uma fonte militar, em Luanda, o saldo provisório dos combates que começaram sábado e continuam na província do Bié entre forças governamentais e da oposição armada angolana.

A meio da tarde, em Lisboa, os beligerantes distribuiram cada um as suas versões. Segundo a embaixada do Presidente José Eduardo dos Santos, foi a UNITA que começou as suas «acções ofensivas em todo o território nacional» para «sabotar» as negociações de Lusaca. Segundo a representação de Jonas Savimbi, foi o MPLA que iniciou as hostilidades, no Cuíto, na zona «da carpintaria Machado», e, no Huambo, bombardeando os arredores.

FRANÇA AMEAÇA RETIRAR FORÇAS DA BÓSNIA -- A França encara retirar as suas tropas da Bósnia se a NATO, na sua reunião de hoje em Bruxelas, «se limitar a uma nova exortação», em lugar de uma «reacção precisa e forte» em relação ao cerco de Sarajevo, afirmou ontem à noite o seu ministro dos Estrangeiros Alain Juppé, em declarações à televisão. Esta atitude surge como uma forma de pressão sobre os aliados, visando fazer aprovar a sua exigência de um ultimato aos sérvios que cercam a capital bósnia. Por outro lado, Juppé manifestou-se convicto de que haveria hoje um consenso sobre o assunto, designadamente entre a França e os Estados Unidos. No entanto, a porta-voz da Casa Branca reafirmou à mesma hora que Washington iria hoje propor em Bruxelas a sua política em duas frentes: reactivar as negociações diplomáticas e aprovar raides aéreos no caso dos sérvios bósnios voltarem a bombardear Sarajevo. E disse explicitamente que os EUA não apoiariam a exigência francesa do ultimato(ver pag.7).

Embaixador da Croácia chega a Lisboa -- O primeiro embaixador da República da Croácia em Portugal aterrou ontem ao fim da tarde no aeroporto da Portela. Marko Zaja, 55 anos, licenciado em Economia pela Universidade de Zagreb, era aguardado pelo presidente da Câmara de Comércio croata em Portugal e pelos responsáveis pelas questões políticas e económicas da sua embaixada, que brindaram o casal com dois vistosos ramos de flores. Antigo professor de Economia na Universidade da capital croata, Marko Zaja foi ainda assistente, no ministério dos Negócios Estrangeiros, do chefe da diplomacia croata, Ejup Granic. Com evidentes dificuldades, consegue balbuciar algumas palavras em português: «Visitei muitas vezes Portugal, primeiro como turista, e em 1992 vim a Lisboa na qualidade de político. Tive encontros com responsáveis do ministério dos Negócios Estrangeiros». Zaja apresenta no dia 23 as suas credenciais ao Presidente da República. Até lá, ficará alojado num hotel da linha de Cascais.

CAVACO HOJE EM MATOSINHOS -- O primeiro-ministro preside hoje, em Matosinhos, à cerimónia de assinatura de um protocolo entre o Estado e a Câmara local para a construção de quatro mil fogos neste município. Trata-se de um investimento de cerca de 30 milhões de contos, que se integra no programa nacional lançado pelo Governo para acabar com as barracas. A presença de Cavaco Silva naquela cerimónia, agendada para as 15h00, só foi conhecida ao fim da tarde de ontem e nem sequer foi oficialmente anunciada. Esperava-se apenas a presença de Ferreira do Amaral, na qualidade de titular do ministério responsável pela habitação. O programa do primeiro-ministro, segundo uma fonte do seu gabinete, prevê deslocações a outros locais do Norte do país. Depois de Matosinhos, irá ver as obras finais do último troço da auto-estrada Porto-Braga. São 12 quilómetros que estão praticamente concluídos e que podem ser inaugurados a qualquer momento, até mesmo hoje... O chefe do Governo segue, logo a seguir, para Famalicão para visitar o CITEVE -- um centro tecnológico vocacionado para a indústria têxtil e do vestuário -- e conclui o seu périplo em S. João da Madeira, visitando o Centro Tecnológico do Calçado.

Como o PÚBLICO ontem noticiava, Liberato chamou a Lisboa Ângelo Pires, tesoureiro do PSD-Aveiro, para um encontro a realizar hoje de manhã, cujo objectivo é obter explicações sobre a proveniência dos 23 mil contos depositados na conta daquela distrital.

Os direitos e liberdades fundamentais em Macau são amplos mas a população tem pouca voz activa. É o que consta do relatório do Departamento de Estado dos EUA sobre direitos humanos, em capítulo referente a Macau. O relatório elogia a organização administrativa e social de Macau mas faz alguns reparos. O primeiro respeita à incapacidade dos cidadãos para mudarem o governo, além da circunstância de apenas um terço dos legisladores serem eleitos por sufrágio directo.

Um empresário de moldes de plástico, do Porto, cuja identidade não foi divulgada pelas autoridades judiciais de Santiago de Compostela, figura entre os principais suspeitos da autoria moral da tentativa frustrada de rapto de Juan Queiro Queiro, um empresário galego do ramo alimentar, segundo revelou uma fonte judicial espanhola. O móbil do rapto seria, segundo o mesmo informador, citado ontem pela Agência Galega de Notícias (AGN), a cobrança de 50 milhões de pesetas que Juan Queiro não tinha liquidado, na sequência de uma transacção de moldes de plástico para gelados com a forma do «Pelegrin», a mascote oficial do Xacobeo-93 (Ano Santo de Santiago).

Estão já a desaguar nos tribunais as polémicas entre antigos dirigentes da Associação Portuguesa das Industrias do Mobiliário e Afins (APIMA) acerca da gestão das verbas do Fundo Social Europeu (FSE) para financiar cursos de iniciação e de aperfeiçoamento, nos anos de 1987 e 1988. Há queixas-crime cruzadas para decidir no Tribunal Correccional do Porto, uma das quais já a ser julgada e outra com início anunciado para o próximo dia 28. Com a particularidade de os arguidos do segundo caso serem queixosos no primeiro.

Foi com declarações do arguido e de um jornalista que prosseguiu ontem o julgamento de José Carlos Figueiredo Gonçalves, ex-presidente da APIMA. Gonçalves é acusado de difamação por três ex- dirigentes da associação, na sequência de notícias divulgadas pelo «Jornal de Notícias» e pelo «Correio da Manhã», no segundo semestre de 1987. Segundo afirmou Aurélio Cunha, autor da primeira notícia, esta incluía declarações de ambas as partes e não foi alvo de qualquer desmentido. Os três ex-dirigentes da APIMA, colegas de Gonçalves na gestão dos fundos do FSE, sentiram-se, porém, difamados, quando fizeram uma leitura parcial do «lead» da notícia, onde se lia textualmente: «O ex- presidente da APIMA, com sede no Porto, declarou ao JN haver participado à Polícia Judiciária as suas suspeitas de que actuais dirigentes daquela associação teriam cometido irregularidades na ordem dos 42 mil contos, provenientes de subsídios do Fundo Social Europeu e do Ministério do Emprego e destinadados a cursos de formação profissional». Na sua queixa-crime, os autores omitiram a referência à denúncia feita por Figueiredo Gonçalves à PJ , que se revelou decisiva para o despoletar das investigações da Judiciária, culminando, há semanas, com a conclusão da instrução do inquérito pelo DIAP do Porto.

TIROTEIO EM GUIMARÃES - Um agente da Polícia Judiciária foi ontem, ao final da tarde, gravemente ferido, em Aldão, Guimarães, durante uma operação de busca de presumíveis traficantes de droga. O agente, não identificado, foi vítima de um ferimento de bala no pescoço, na sequência de uma troca de tiros entre agentes da PJ e os ocupantes de uma viatura. De acordo com a GNR local, a viatura utilizada durante a fuga dos presumíveis traficantes de droga era um Fiat Uno Turbo, de cor vermelha, conduzida por um indivíduo já identificado e residente na região. A mesma fonte adiantou ainda, que foram disparados vários tiros entre a brigada da PJ da Inspecção de Braga e a viatura dos presumíveis traficantes. O agente baleado foi internado no hospital de Guimarães, onde se encontra em estado considerado grave.

Negócio da China - A noite é o negócio da China português. É-o de tal modo que já se pensa em chamar-lhe o negócio de Portugal. Quase toda a população activa de Portugal vive em festa à noite, com excepção de uns tantos velhos de mais de 25 anos, que já não se podem considerar bem população activa. Estão empregados, isto é, em pré-reforma.

r uma revista estrangeira e moderna, oiçamos a Actuel diagnosticar a rave como a "nouvelle épidémie de cette fin de siècle."

Rio - Lembra-se quando a APL era uma careta que quase levou a cidade ribeirinha à miséria?! Quando teimava, contra ventos e marés, que o rio havia de ser bordejado para todo o sempre por caixotes? Quando afastava qualquer projecto de rentabilização das pobres margens do Tejo? É natural que se lembre, porque tudo isto era verdade até há bem pouco tempo. Pois bem, parece que as coisinhas estão a mudar um pouco e que a APLezinha já acredita na rentabilização da zona ribeirinha com actividades decentes. E até prevê, alguém nos confidenciou, para cima de trinta acções concretas para "devolver o rio à cidade". Bem, também se continuassem com a indecência dos caixotes que imperou até agora, qualquer dia acordavam com a população de Lisboa à sua porta a pedir-lhes batatinhas. É que a antiga APL era pior que a Maria Antonieta e o Luís XVI juntos.

Chá Café Laranjada, é a herança de uma anedota macabra dos anos 60, em que no meio de uma batalha, entre mortos e feridos, havia uma voz que gritava Chá, Café, Laranjadas. Não ri? Percebemos, não é dos anos 60. Mas pode beber uma bejeca à mesa desta esplanada da Praça do Cubo na Ribeira. E o Lobo Mau que come as criancinhas para fazer mingau? Esse é de todos os tempos e abriu uma casa em .

No princípio - No princípio não era o Verbo, era o Ié, ié, ié. A primeira boîte do Porto apareceu em Leça. Era a Coutada. Era bestial! Antes só havia os bailes do Ateneu e do Clube Portuense. A Coutada era uma coisa nunca vista!

A Indonésia não deu qualquer resposta, até ao momento, à oferta da Guiné-Bissau para receber Xanana Gusmão no exílio, disse ao PÚBLICO o ministro guineense dos Negócios Estrangeiros, Bernardino Cardoso. O governo de Bissau fez chegar a sua disponibilidade às autoridades indonésias através do secretário-geral da ONU -- «a instituição que garante uma posição de independência e equilíbrio nesta questão», observou o ministro guineense -- e do representante de Jacarta nas Nações Unidas.

O chefe da diplomacia guineense, em funções há um ano, admite poder encontrar-se pela primeira vez com Ali Alatas em Maio, durante uma reunião para discussão da próxima presidência do Movimento dos Não-Alinhados, actualmente detida pelo general Suharto, mas recusou-se a prever uma data para o termo do processo de estabelecimento de relações diplomáticas. Os contactos preliminares «que poderão desembocar num estabelecimento de relações diplomáticas» têm sido estabelecidos através do embaixador indonésio em Dacar, informou o ministro.

O Governo português mantém a posição de crítica que sempre teve relativa à venda de armas pela Grã-Bretanha à Indonésia. Segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), Portugal fez diligências formais junto do Governo britânico, considerando o proprósito de Londres vender armamento e equipamento como «acção indesejável e violadora das resoluções tomadas nos diversos fóruns internacionais». O MNE alertou o Governo britânico para o incumprimento das resoluções tomadas na ONU e mesmo no âmbito da CE, assinalando que não era só o caso Timor que estava em causa. Inevitavelmente, o armamento vendido ao altamente repressivo Governo indonésio será utilizado nas diversas áreas onde o regime tem problemas provocados pela revolta de importantes núcleos de oposição ao regime de Suharto.

Esta foi a reacção de Alatas ao facto do Comité de Relações Externas do Senado norte-americano ter aprovado uma proposta que punha como condição para a venda de armas a verificação do respeito pelos direitos humanos por parte das autoridades de Jacarta. Alatas ripostou dizendo que «os Estados Unidos não são o único fornecedor da Indonésia», referindo-se a material e equipamentos militares.

O nome de Xanana Gusmão voltou a sobressaltar a imprensa nacional e internacional. Em causa esteve a notícia da possível libertação do ex-líder da Fretilin, nos termos de um pacto a ser negociado com a União Europeia, anunciou recentemente o jornal «Observer». Em troca de Xanana a União Europeia tentaria moderar as críticas internacionais contra a Indonésia, esperadas mais uma vez durante a reunião anual da Comissão dos Direitos Humanos, e continuaria a fornecer armas a Jacarta. O destino de Xanana seria a Guiné-Bissau.

Mas porquê a Guiné-Bissau? Faz sentido «porque é um país islâmico e fala português». Depois, há contrapartidas económicas. E, finalmente, porque se dispôs a isso, confirmaram ao PÚBLICO fontes diplomáticas.

A Indonésia é o quarto comprador de armamento britânico. Como o cliente tem sempre razão, a Grã-bretanha acaba de triplicar o volume da ajuda económica dada a Jacarta. Qualquer relação entre os dois eventos é uma mera coincidência. A reprodução desautorizada deste filme será punida pela lei.

O negócio dos Hawks, aberto em Março de ano passado, só viria a ser fechado depois da concretização das contrapartidas entretanto prometidas a Jacarta. Como resultado, o volume da ajuda externa fornecida pelos britânicos à Indonésia triplicou nos últimos dez anos. O regime do general Suharto passou a ser o quatro comprador mundial de armas fabricadas na Grã-Bretanha, refere ainda o «dossier» do WDM.

A avaliação do desempenho das escolas profissionais está a ser feita por elementos externos ao Ministério da Educação, o que acontece pela primeira vez. O conhecimento deste estudo -- com aspectos positivos e negativos -- surge numa altura em que muitas dessas escolas enfrentam problemas financeiros, por causa dos atrasos nas verbas do Fundo Social Europeu.

Em comunicado, a Associação Nacional das Escolas Profissionais denunciou esta situação, que foi confirmada ao PÚBLICO pelo sub-director do Departamento de Ensino Secundário (DES), Francisco Jacinto. Este responsável confirmou também que o próprio DES está a adiantar verbas às escolas profissionais, para que elas possam contornar os problemas causados pelos atrasos do Fundo Social Europeu.

O secretário de Estado dos Recursos Educativos, Bracinha Vieira, teve uma uma longa reunião com o Provedor de Justiça, Menéres Pimentel, em que foram abordados «cerca de 50 assuntos» no âmbito das competências da SERE. Nenhuma das partes fez declarações à imprensa mas o PÚBLICO soube que, entre os assuntos tratados se encontram questões como o pagamento das horas extraordinárias aos professores, o acesso ao 8º escalão da carreira docente e a colocação de professores de português no estrangeiro. A reunião esteve marcada para a quarta-feira da semana passada mas foi adiada a pedido de Bracinha Vieira.

A Associação de Representantes dos Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo vai desaparecer para dar lugar à Confederação do Ensino Particular (CEP), um nova estrutura que se diz «aberta a todas as organizações deste sector de ensino». A CEP, cujos principais representantes estiveram já reunidos com os três secretários de Estado do ministério da tutela, propõe-se defender a sério os seus interesses, nomeadamente o princípio constitucional que estabelece a liberdade de ensinar e aprender. Um dos cavalos de batalha será exigir ao Ministério da Educação que permita uma verdadeira liberdade de escolha entre escolas públicas e privadas, dando aos alunos que optarem pelas segundas o montante correspondente ao que o Estado gastaria com elas no ensino oficial. O PÚBLICO apurou no entanto que não está nos planos do Ministério da Educação enveredar por esse caminho. Para já, a CEP integrará representantes dos vários níveis e sectores de ensino, incluindo jardins de infância, escolas profissionais e ensino especial. No caso do ensino superior existirá uma Associação do Ensino Superior. As principais figuras destas áreas vão estar reunidas no final deste mês na Torreira, perto de Aveiro, para discutir a estrutura da CEP.

O «quem faz o quê» do Ministério da Educação foi publicado em Diário da República no final da passada semana. Através de três despachos de delegação de competências os interessados ficam a saber que matérias como a avaliação e fiscalização dos estabelecimentos de ensino superior ficam a cargo da secretaria de Estado do Ensino Superior. As propinas também, como seria de esperar. Na dependência deste organismo ficam ainda a Escola Nacional de Saúde Pública, o Conselho para a Cooperação Ensino Superior-Empresa, o programa Erasmus e o Programa Língua. Ao secretário de Estado dos Recursos Educativos caberão a Caixa de Previdência do Ministério da Educação, a editorial e o gabinete de lançamento do ano escolar (na área da gestão de recursos), mais o programa dos fundos comunitários, o Prodep e o projecto de mecenato «Uma escola, uma empresa». Ficam também a seu cargo os recursos destinados aos programas de educação multicultural e do novo modelo de gestão. As áreas desportivas, o Instituto de Inovação Educacional, o Conselho de Acompanhamento da Reforma Curricular, o Conselho Coordenador de Formação e de Formação Contínua e o programa Educação Para Todos, entre outros, ficam sob a tutela do secretário de Estado da Educação e do Desporto.

Para já, circula em todas as escolas do país um abaixo assinado para dar corpo a uma petição, feita pelos «professores em greve ou solidários com a atitude dos seus colegas» apelando ao plenário do Parlamento que discuta o assunto de modo a que, «pela reposição da legalidade, possam ser minorados os prejuízos dos alunos envolvidos».

«Pequeno Buda», de Bernardo Bertolucci, exibido extra-concurso, abre hoje o 44º Festival Internacional de Cinema de Berlim, numa edição para a qual estão programadas 13 estreias mundiais e oito internacionais nos 22 filmes a concurso. Entre eles, «Páginas Ocultas», de Alexandr Soukourov, o díptico de Alain Resnais «Smoking»/ «No Smoking», «Três Cores: Branco», de Kieslowski, o segundo da trilogia dedicada às cores da bandeira francesa, «In the Name of the Father», de Jim Sheridan, «Ladybird, Ladybird», de Ken Loach, «A Terceira Margem do Rio», de Nelson Pereira dos Santos e -- apesar das intenções de contrariar o habitual domínio americano -- «Fearless», de Peter Weir ou «Philadelphia», de Jonathan Demme, ou ainda co-produções entre a Grã-Bretanha e os EUA como «The Remains of the Day», de James Ivory, e «Shadowlands», de Richard Attenborough. Nas secções paralelas o destaque vai para outro díptico, «Jeanne La Pucelle», de Jacques Rivette e para várias obras da cinematografia asiática, de que Berlim, após a queda do muro, pretende ser o centro difusor. O programa inclui ainda homenagens a Sophia Loren, Eric von Stroheim e Jean-Louis Barrault.

A arte da literatura requer, como condição indispensável, que o escritor tenha liberdade para se mover como quiser entre os seus muitos países, não precisando de visto nem passaporte, fazendo o que quiser deles e de si próprio. Somos mineiros e joalheiros, contadores de verdades e de mentiras, bobos da corte e mandantes, rafeiros e bastardos, pais e amantes, arquitectos e operários da demolição. O espírito criativo, pela sua própria natureza, não pode respeitar fronteiras nem limites, nega a autoridade dos censores e dos tabus. Por esta razão, também ele é frequentemente tratado como inimigo pelos poderosos ou pelos mesquinhos potentados que não gostam do poder que a arte tem de construir imagens do mundo que são contrárias -- ou põem em causa -- os seus mais simples e menos confessos pontos de vista.

Os escritores que formaram inicialmente o Parlamento Internacional dos Escritores criaram uma estrutura internacional, o «Conselho Mundial dos Escritores», como uma instância de deliberação e de execução do Parlamento. Salman Rushdie foi eleito presidente por dois anos, e escreveu a Carta de princípios.

Ao Conselho Mundial dos Escritores compete preparar o encontro agendado para Lisboa, no âmbito do «Lisboa 94», entre 28 de Setembro e 2 de Outubro; inspirar algumas iniciativas do Parlamento; recolher as propostas de acção e avalizá-las; procurar formas de financiamento; estudar os processos de adesão ao Parlamento e criar uma rede de contactos entre os aderentes. Este Conselho presidido por Salman Rushdie -- a escolha teria de recair sobre um escritor cuja obra e existência ilustrassem de uma maneira exemplar a acção do Parlamento -- terá 30 membros, e será coordenado por Christian Salmon, em Estrasburgo.

O último filme de Steven Spielberg, «Schindler's List», teve 12 nomeações para os Óscares da Academia -- entre elas, a de melhor filme, melhor actor, Liam Neeson, e melhor realizador -- e «O Piano» de Jane Campion recebeu oito, incluindo a de melhor filme, melhor realizador e melhor actriz, Holly Hunter. Não se pode dizer que aconteceu o inesperado, porque foi entre essas duas obras que foram distribuídos os vários prémios atribuídos nos últimos meses por várias associações de críticos nos Estados Unidos, e também porque no conjunto das nomeações, ontem anunciadas em Los Angeles, estão os vencedores dos Globos de Ouro (Spielberg, realizador, Tom Hanks [«Philadelphia»], Angela Basset [«Tina»], Winona Ryder [«A Idade da Inocência»], Holly Hunter e Tommy Lee Jones [«O Fugitivo»], todos intérpretes, e ainda «Adeus, Minha Concubina», filme estrangeiro).

Nas principais categorias, e para além dos já citados, foram ainda nomeados: melhor filme, «O Fugitivo», «In the Name of the Father» e «The Remains of the Day»; realizador, Jim Sheridan («In the Name...»), James Ivory, sempre do gosto da Academia...(«The Remains...») e Robert Altman («Shortcuts», que estreia em Portugal a 18); actriz principal, Stockard Channing («Six Deegrees of Separation»), Emma Thompson («The Remains of the Day») e Debra Winger («Shadowlands»); actor principal, Daniel Day Lewis («In the Name...»), Laurence Fishburne («Tina...») e Anthony Hopkins («The Remains...»); actriz secundária, Holly Hunter, duplamente nomeada, aqui por «A Firma»; Anna Paquin («O Piano»), Rosie Perez («Fearless») e de novo Emma Thompson («In the Name...»); actor secundário, Leonardo DiCaprio («What's Eating Gilbert Grape»), Ralph Fiennes («Schindler's List»), John Malkovich («Na Linha de Fogo») e Pete Postlethwaite («In the Name...»).

Protocolo entre escritores -- A Associação Portuguesa de Escritores (APE) e a Associação de Escritores da Madeira (AEM) assinaram anteontem um protocolo de cooperação para divulgação mútua dos escritores da região e do continente. A APE compromete-se, de acordo com o protocolo, a «apoiar a divulgação, sobretudo no espaço continental, das letras e autores madeirenses» e vai ainda propor aos seus associados «a criação de uma secção madeirense». A APE transmitirá ainda à AEM toda a «informação, nacional e de organismos internacionais, que julgue de interesse para a literatura madeirense».

De uniforme azul, branco e vermelho, à imagem da bandeira americana, um escudo emblemático e um lema: «America is for americans» (A América para os americanos).

A oposição de um grupo de fundações europeias, incluindo as portuguesas Gulbenkian, Oriente e Luso-Americana, motivou anteontem o adiamento da votação de uma resolução do Parlamento Europeu para o sector. O autor da proposta de resolução, Coimbra Martins, do Grupo Socialista, pediu ao plenário do parlamento para adiar um parecer até à sessão de Março. Uma proposta de criação de um título de «utilidade europeia» renovável periodicamente e susceptível de trazer vantagens fiscais e jurídicas às fundações assim distinguidas é o principal motivo de discórdia por parte das fundações. Mas também contestam a proposta de criação de um centro europeu para a harmonização das fundações que desenvolvam actividades similares. Reivindicam ainda o direito de aplicar capitais nos mercados financeiros com vista a adquirirem autonomia financeira. Várias fundações enviaram cartas ao PE. A da Fundação Gulbenkian foi a mais crítica. Nela se diz que esta fundação «está firmemente convicta de que a moção distorce os objectivos fundamentais e o papel do sector financeiro independente, propondo recomendações que são contra os legítimos interesses das fundações europeias.» Refere também que a harmonização prevista no relatório «é inibidora do financiamento independente» das Fundações.

Zita Seabra reforçou esta ideia. «A primeira prioridade do IPACA será que o espectador volte a ganhar o gosto de ir às salas de cinema e o apoio à exibição é uma das nossas preocupações», disse no seu discurso. Prometeu que «todos os filmes portugueses que estão feitos vão ser exibidos, todos. Não vamos deixar ficar os filmes fechados nas latas do instituto.»

Jorge Brum do Canto era «um homem com uma enorme força interior», segundo Artur Semedo. «Vigoroso, intenso, exuberante, de personalidade férrea, quase brutal» e, ao mesmo tempo, «uma pessoa extraordinária, multifacetada, que amava tudo o que era vida», disse a actriz Lurdes Norberto à agência Lusa, comentando a morte do realizador de «A Canção da Terra», falecido na madrugada de segunda-feira, aos 84 anos (ver PÚBLICO de ontem). Para além destes dois actores, que trabalharam em «Chaimite», um filme de 1953 em que o próprio Brum do Canto também representou. A actriz Irene Cruz recorda que deve ao realizador de «Retalhos da Vida de um Médico» (1962) o facto de ser loira: para o papel de Luísa dos Retalhos teve de pintar o cabelo, «figurino» que manteve «toda a vida». Brum do Canto «era um perfeccionista duro, com a firmeza de quem sabe o que quer», conta. No entanto, «convivia muito com os actores, convidando-os para as suas pescarias e para provarem as suas delícias culinárias, que elaborava numa cozinha fabulosa», recorda Irene Cruz.

Qualquer pessoa que entre numa livraria ou numa biblioteca da Holanda na próxima segunda-feira, 14 de Fevereiro, receberá um postal com um verso de seis linhas dedicado a Salman Rushdie, da autoria do poeta holandês Lucebert. A iniciativa é da delegação holandesa do Comité de Defesa de Salman Rushdie, e pretende assinalar o quinto aniversário do pronunciamento de uma sentença de morte contra o autor dos «Versículos Satânicos» pelo falecido «ayatolah» Khomeini. Esta sentença, ou «fatwa», estende-se a todas as pessoas ligadas ao livro, pelo que, nos últimos três anos, dois tradutores e um editor foram atacados por fundamentalistas islâmicos.

Mais de trinta mil parisienses visitaram este ano a 12ª edição da "Expolangues", em que Portugal foi o convidado de honra. Este salão prestigiado apresenta todos os anos, durante cinco dias, as inovações em matéria de aprendizagem de línguas. Mas a sua vocação é também de dar a conhecer as culturas e as civilizações das centenas de expositores, vindos de todo o mundo.

Todo o evento inspirou uma edição especial de "Continentales", programa dedicado à informação europeia e mundial, nas línguas de origem. Verdadeiramente apaixonada por Portugal desde que descobriu esse cantinho da Europa, há menos de um ano, a equipa de "Continentales", e o seu "patrão", o britânico Alex Taylor, estava em peso na "Expolangues", para dar a descobrir Portugal aos franceses e aos europeus.

Está confirmado: o grupo feminino de punk Raincoats, cuja vocalista é a portuguesa Ana Paula da Silva, vai fazer a primeira parte dos concertos dos Nirvana na Grã-Bretanha, noticia a agência Lusa. As Raincoats, que deixaram de tocar em 1984, contrataram agora o baterista dos Sonic Youth, Steve Shelley, para as acompanhar nos espectáculos com a banda «grunge» liderada por Kurt Cobain e para o concerto que darão no Garage londrino, a 3 de Março. Entretanto, a MTV vai transmitir o «unplugged» dos Nirvana para a Europa, a 7 de Março.

As sopranos Margaret Price e Aprille Millo são as convidadas para os recitais de ópera previstos para se realizarem, respectivamente, a 28 de Março e 29 de Abril. Price será acompanhada ao piano por Thomas Dewey. Ainda no campo da música clássica, assinale-se o recital de Pedro Burmester (dia 19 de Abril), bem como os concertos da Orquestra Clássica do Porto, que, ao longo do ano, e sob a direcção dos maestros Manuel Ivo Cruz e Meir Minsky, executarão obras de, entre muitos outros, Mozart, Haydn, Villa Lobos, Beethoven, Bach, Schubert, Schoenberg e Gorecki. Entre os solistas convidados encontramos as sopranos Elsa Saque e Elisabete Matos, o baixo Wagner Diniz, e os pianistas Miguel Henriques, Maria João Pires e Madalena Soveral.

Lisboa é a partir de hoje até sábado a capital da língua portuguesa. Escritores dos Sete reúnem-se em «Vozes da Cidade», iniciativa de Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura. A ausência de uma estratégia de afirmação e os constrangimentos da língua são discutidos aqui por alguns dos escritores presentes.

Muito tempo se percorreu para se chegar aqui. A primeira iniciativa de vulto que congregou escritores de língua portuguesa ocorreu em 1989, em Lisboa, aquando do I Congresso de Escritores de Língua Portuguesa. Iniciativa que teria continuidade, no Brasil, em finais de 1993. O embaixador brasileiro em Lisboa, José Aparecido de Oliveira, tem-se esforçado no sentido da criação de uma Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Refira-se ainda que a Expolangues dedicou, este ano, à língua comum a sua edição anual em França.

O Canal 2 da RTP tem já assegurada para a madrugada de segunda-feira, a partir das 00h20, a transmissão directa (e inédita) do All Star Game, partida de Liga Norte-americana de Basquetebol Profissional (NBA) que opõe as selecções das Conferências Leste e Oeste, escolhidas pelos adeptos,numa votação que distingue os jogadores que mais se destacaram ao longo da presente temporada.

O Académico de Braga empatou com o Nimes a 22 golos, em jogo a contar para a 4ª jornada do Grupo A da «Liga dos Campeões Europeus» de Andebol. Com este resultado, as contas do grupo ficaram ainda mais complicadas, numa altura em que o Nimes, potencial e anunciado candidato a um lugar na final, tem de disputar os dois jogos em falta fora do seu recinto (Sandfjord e Zagreb).

O arremesso de pedras contra autocarros onde seguiam adeptos do FC Porto após o jogo com o Benfica, domingo à noite, no Estádio da Luz, terá resultado de «acções premeditadas» por alegados adeptos do Benfica.

A PSP vai agora enviar ao Ministério Público dois autos de notícia por danos físicos e materiais perpetrados sobre elementos da claque de apoio do FC Porto. No total, são 18 os indivíduos identificados nos autos, autores de acções violentas que, recorde-se, provocaram ferimentos graves num jovem de 19 anos, já submetido a intervenção cirúrgica no hospital de Santa Maria, devido a um traumatismo craniano com afundamento, para além de escoriações numa perna num outro e fractura de um pé de um agente da PSP.

Alain Prost aceitou o convite de Ron Dennis e vai testar o novo McLaren-Peugeot MP4/9, anunciou ontem a equipa anglo-francesa de Fórmula 1, precisando que o tetracampeão francês esteve terça-feira na fábrica de Woking (Inglaterra), onde moldou o assento que utilizará nos ensaios. Esta foi a grande notícia do dia de ontem no mundo da Fórmula 1, passando para segundo plano os testes que diversas equipas estão a efectuar no Estoril (McLaren, Minardi e Sauber) e em Barcelona (Benetton, Williams e Ligier).

Longe destas «guerras», mas envolvidos por elas, alguns pilotos prosseguiram ontem os testes no circuito do Estoril, onde o alemão Heinz-Harald Frentzen (Sauber-Mercedes) conseguiu o tempo mais rápido (1m12,23s), batendo mesmo o recorde oficioso da pista para carros com suspensão passiva (1m12,36s), estabelecido em Novembro pelo britânico Damon Hill (Williams-Renault). Recorde-se que o mesmo Hill conseguiu no ano passado, com suspensão activa, a «pole-position» no Grande Prémio de Portugal, com 1m11,49s.

A ideia é simples, como todas as boas ideias. Uma empresa aponta a sua estratégia de «marketing» para o apoio ao desporto entre os jovens, mais concretamente ao futebol. Para isso, procura o «know-how» de quem é experiente na matéria. O resultado é a Taça Snickers, que pôs muitos jovens pelo país fora a dar pontapés na bola.

O esquema é simples. Pode participar quem quiser, com uma equipa de seis jogadores e mais um suplente. Os miúdos, que são divididos em duas categorias, sub-13 e sub-16, disputam o torneio de um dos 18 distritos do país. Teoricamente, claro.

Definitivamente, os Phoenix Suns não se dão bem com os Los Angeles Lakers. Em três jogos realizados esta época, os Lakers somam outras tantas vitórias, a última das quais na terça-feira, e por 107-104, em mais uma jornada da Liga Norte-Americana de Basquetebol Profissional (NBA).

Em Los Angeles, os Chicago Bulls venceram facilmente os Clippers, por 118-89, e parecem agora embalados na sua «cruzada» contra os Atlanta Hawks, líderes da Divisão Central. Scottie Pippen -- 22 pontos, 14 ressaltos e nove assistências -- foi determinante nos Bulls. Nos Clippers, Danny Manning (22) e Ron Harper (18) impediram um maior desequilíbrio no marcador.

A Ovarense terminou anteontem, no seu pavilhão, com uma derrota frente ao Áris de Salónica, por 87-103, a sua participação na Taça da Europa em basquetebol. A equipa portuguesa concluiu a prova com cinco derrotas e outras tantas vitórias, um feito que -- apesar de afastar a equipa do «final four», ao mesmo tempo que qualificava os gregos -- deixou os responsáveis do clube satisfeitos.

Reconhece, no entanto, que ainda há um longo caminho a percorrer, particularmente em termos de infraestruturas e condições de trabalho. «Enquanto os nossos atletas têm de treinar em pavilhões impróprios para a prática do básquete, com pisos duríssimos, e num frio de rachar, na Europa treina-se em pavilhões com todas as condições. Por outro lado, enquanto os jogadores portuguese têm de conciliar o trabalho com os treinos, o Mice Ansley, do Happoel, por exemplo, ganha cerca de seis mil contos por mês, uma verba que dava para suportar todo o plantel da Ovarense durante um certo tempo.»

Porfírio Alves, ex-árbitro internacional e dirigente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), e agora responsável pelo futebol jovem do Benfica, afirmou ontem ao PÚBLICO que o jantar do passado domingo à noite, com o árbitro Veiga Trigo e os seus fiscais-de-linha, mais o antigo presidente do CA Pinto de Sousa, «acabou por ser um encontro de amigos».

À mesma mesa, pelo menos aquela que motivou a ira do presidente do FC Porto, sentaram-se as cinco pessoas já referidas e confirmadas por Porfírio Alves. «Pinto de Sousa já tinha convidado antes a equipa de arbitragem. Acabou por ser um encontro de amigos. Um encontro fruto de uma amizade criada ao longo dos anos, em que todas as pessoas que se sentaram à mesa serviram a arbitragem portuguesa.»

Sporting segue na Taça de Portugal -- o Sporting venceu ontem o Setúbal, por 2-1, em jogo de desempate, e apurou-se para os quartos-de-final da Taça de Portugal, onde recebe o Trofense (III Divisão, série B). Os golos dos «leões» surgiram na primeira parte -- Balacov (22') e Cadete (39') --, período em que assistiu a uma má partida de futebol. Nos últimos 45', os locais estiveram bem melhor e poderiam ter construído um resultado mais desnivelado, mas «pecaram» na finalização e foram os sadinos, pouco ambiciosos, a reduzir, com um golo de Sessay, aos 78'.

Ficam, no entanto, vários mistérios por esclarecer. Segundo apurou o PÚBLICO, a comissão não encontrou qualquer documento a formalizar a prestação de diversos serviços pela Sistema -- Técnica e Gestão Publicitária SA, entre os quais a realização do filme da inauguração do Campeonato do Mundo. «Talvez não tenha havido contrato escrito com a Sistema, pelo menos a comissão não o encontrou», observou uma fonte autorizada próxima do processo, que solicitou o anonimato.

O eborense Bento Marques foi designado pelo Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol para o jogo FC Porto-Marítimo, da 19ª jornada do «Nacional» de futebol da I Divisão. Veiga Trigo, de Beja, estará no Sporting-Vitória de Setúbal, enquanto Pinto Correia, de Lisboa, vai apitar o Estoril-Benfica.

A sessão de ontem na Bolsa de Madrid ficou caracterizada por uma fraca prestação dos investidores. O volume de negócios desceu face à média dos últimos dias e atingiu os 32 mil milhões de pesetas. As cotações não registaram grandes alterações, cabendo as subidas mais pronunciadas aos grupos dos fundos de investimento e construtoras. Pelo lado das quedas evidenciaram-se os sectores das empresas eléctricas e metalomecânicas.

O mercado de acções da Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de ontem em queda acentuada, pressionado pela retirada de mais-valias. Os investidores, especialmente os fundos de investimento e de pensões, estiveram vendedores depois das recentes valorizações das cotações. No final do dia o índice Nikkei perdeu dois por cento em relação a terça-feira e cotou-se novamente abaixo da barreira psicológica dos 20 mil pontos.

O mercado nova-iorquino de acções estava ontem a meio da sessão a subir, encorajado pela alta ocorrida em grande parte dos mercados europeus no dia anterior. Permanece, contudo, alguma inquietação quanto à evolução da taxa de juro nos Estados Unidos. Muitos investidores continuam indecisos quanto à direcção a tomar. Os volumes intermediados estavam perto dos 100 milhões de títulos. O Dow Jones cotava-se, no período em análise, nos 3925,45 pontos.

A Bolsa de Paris encerrou ontem em alta, o que constituiu uma rara excepção no conjunto dos mercado europeus de acções. Este comportamento, de acordo com analistas, está ligado a movimentos efectuados perto do fecho da sessão, depois de Wall Street ter aberto em alta e o mercado de futuros de obrigações da praça ter ganho território face à sessão anterior. A liquidez foi elevada, com os institucionais a tomarem posições. O índice CAC-40 subiu 2,21 pontos.

A Siaf - Sociedade de Iniciativa e Aproveitamentos Florestais vai ser admitida ao mercado sem cotações da Bolsa de Valores do Porto. A admissão de 5.800.000 acções representativas do seu capital social far-se-á a partir do próximo dia 17 e por tempo ilimitado. A admissão vai proporcionar a entrada dos japoneses da Sumitomo Forestry, que tomarão, numa primeira fase, cerca de 15 por cento do capital da empresa do universo Sonae. A CFI será a corretora responsável pela negociação do título.

Uma decisão sábia. Esta é a opinião de alguns operadores sobre a proposta da CMVM de centralizar o mercado à vista na Bolsa de Lisboa e o de futuros e opções na Bolsa do Porto. Resulta, segundo entendem, de uma vontade política da equipa das Finanças, que nomeou como seu consultor, Hermínio Ferreira, responsável pela área do mercado de capitais no Banco de Fomento e Exterior, e que estaria a estudar uma solução idêntica à agora avançada por Costa Lima.

Abílio de Sousa, presidente da Ascor Dealer, considerou, por seu lado, «saudável» a solução apontada. «É claro que beneficia o mercado. Se estiver subjacente um fim da ´guerra` existente entre as duas praças, melhor ainda». O administrador da Midas Corretora, Joaquim Luis Gomes tem uma opinião semelhante. «É positivo que se construa um consenso porque a solução deverá a agradar a todos». Garcia dos Santos, da Fincor, é ainda mais claro: «Felizmente que veio alguém acabar com esta guerra tipo Benfica/Porto». No fundo, são sentimentos comuns aos restantes operadores contactados, que respiram de alívio a vislumbrar um ponto final na polémica que tem envolvido as duas praças.

As dificuldades nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Japão pressionaram uma vez mais o dólar norte-americano, prevendo-se que a situação se mantenha até ao encontro entre Bill Clinton e o primeiro-ministro japonês, Morihiro Hosokawa, agendado para amanhã em Washington. A queda do dólar através do suporte técnico dos 108,00 iénes espelhou a preocupação do mercado quanto à possibilidade de os Estados Unidos apelarem de novo para uma valorização da divisa nipónica. Surgiram entretanto alguns rumores de que o Banco do Japão se manteve apreensivo e terá comprado dólares ao nível dos 107,90 iénes.

Em Lisboa, o marco/escudo abriu no nível dos 100,35/45 e oscilou entre 100,40 e 100,55, fixando-se nos 100,492 (100,393 na sessão anterior). A queda do escudo acompanhou um movimento idêntico da peseta contra a moeda germânica.

Impaciente com a demora das associações de bolsas em chegar a um entendimento sobre um mercado de futuros e opções em Portugal, a CMVM decidiu propor a divisão do país em dois. A Bolsa de Lisboa fica com o mercado à vista e a Bolsa do Porto com os derivados (futuros e opções).

Para Fernando Costa Lima, presidente da CMVM, a solução encontrada traduz «vantagens óbvias". Em conferência de imprensa realizada ontem, o líder do órgão fiscalizador do mercado de capitais referiu o «aproveitamento do actual mercado, em todos os aspectos», «modificações pouco substanciais ao Código do Mercado («Lei Sapateiro")» e a «aplicabilidade directa do regime jurídico já consagrado no Código», não dando, portanto, «lugar a dúvidas ou vazios de regulação».

O conselho geral da Companhia Portuguesa do Cobre (CPC) -- que viu recentemente aprovado um plano de viabilização da empresa no âmbito do decreto lei 177/86 -- irá nomear hoje uma nova direcção executiva em virtude da demissão da anterior, presidida por Lucílio Ramos da Silva. Aquele responsável, que continuava a residir em Lisboa, mostrou interesse em afastar-se da empresa, agora que estava concluído o processo e a empresa iria entrar numa nova fase, que passará por cumprir o acordo de viabilização aprovado em Tribunal pela maioria dos credores.

Pelo que o PÚBLICO apurou, ainda não há decisão por parte dos bancos e adivinha-se que haverá dificuldades em definir quem vai financiar o quê. Pela simples razão de que os documentos de viabilidade estudados no tribunal começaram por comprometer os bancos quanto à obrigatoriedade de financiarem caso pretendessem usufruir da dação. Mas esta ligação directa acabou por ser esbatida no documento final aprovado e a ligação entre as duas coisas deixou de ser clara, possibilitando leituras mais subjectivas e diversas. De tal modo que a CGD poderá tomar, em breve, a iniciativa de formar um sindicato financeiro, com o objectivo de criar consensos dentro das várias instituições financeiras.

Os mercados accionistas nacionais registaram ontem mais uma subida, à semelhança do que aconteceu na terça-feira. Desta forma ficaram praticamente anuladas as desvalorizações da primeira sessão da semana. Contudo os negócios com acções estiveram fracos durante quase todo o dia. Não fosse a movimentação de 800 mil direitos de incorporação de acções do BPI e a sessão do contínuo teria sido uma das mais fracas do ano.

De resto há a salientar a transacção de 200 mil acções do BESCL. No final do dia estes títulos registavam valorizações de 3,17 e 2,5 por cento, respectivamente para a emissão de 1992 e anteriores. A Papelaria Fernandes foi outro dos papéis mais procurados, com negócios de 90 mil contos e uma valorização de cinco por cento.

Os lucros das empresas de "factoring" que actuam no mercado português registaram, em 1993, uma diminuição de 15 por cento face ao ano anterior. Este emagrecimento dos resultados líquidos foi acompanhado por um crescimento de 21 por cento da carteira de créditos tomados durante 1993. Segundo Sousa Uva, presidente da associação das empresas de factoring (APEF), "o retrocesso dos lucros ficou a dever-se ao esmagamento das margens de actuação das sociedades".

Certo é que não se prevê para breve um decréscimo dos créditos mal parados. Na próxima assembleia geral da associação, as empresas vão deliberar, inclusivamente, sobre a constituição de uma lista negra na qual constarão todos os clientes que não honram os seus compromissos.

O presidente da Associação Industrial Portuense, Ludgero Marques, voltou a afirmar ontem a disponibilidade da Associação Industrial Portuense para gerir o porto de Leixões e acabar com as «nomeações políticas», de forma a que seja garantida, também por esta via, a competitividade da indústria portuguesa. Ludgero falava num almoço em que foi o orador convidado da Câmara de Comércio Luso-Alemã para debater «O desenvolvimento das empresas no Norte de Portugal».

Dessa forma, as mercadorias a carregar em Leixões têm poucos navios que se dirijam directamente a uma mais variada gama de países. Com o actual regime, exportar para qualquer destino menos convencional torna-se uma odisseia em transbordos e espera de navios para os destinos finais. As nomeações de personalidades ligadas à «política» e não à «gestão» é outros dos factores que vão contra aquilo que Ludgero Marques considera um acção negativa do Ministério do Mar. «A mudança de Ministério tem complicado ainda mais as coisas».

«A possibilidade de uma vitória da esquerda nas eleições presidenciais brasileiras de Outubro aumentou», destaca o Oxford Analytica, um serviço de consultadoria económica de renome internacional, criado há 19 anos e mantido sob a orientação de especialistas em economia e política da Universidade de Oxford e de outras espalhadas pelo mundo.

Mas este factor político não será o único a determinar, a nível internacional, atitudes cautelosas em relação ao Brasil, e a maior preocupação tem a ver com as ameaças de uma hiperinflação. «O risco de uma hiperinflação descontrolada poderá levar ao choque de um novo pacote económico de emergência», sublinha o Oxford Analytica. «Uma inflação mensal de 40 por cento em Janeiro deixa claro que a estratégia do Governo para conter o aumento dos preços não está a dar resultados. E, com a aproximação das eleições gerais, crescem as pressões políticas para um tratamento de choque na economia brasileira.»

O Mercado Monetário Interbancário voltou a apresentar-se bastante líquido, logo na abertura da sessão, ontem, e mais uma vez a oferta de fundos no mercado mostrou-se superior às necessidades das instituições de crédito, que se encontravam em posição compradora.

Relativamente à dívida pública de curto prazo, é de assinalar a realização de um leilão de Bilhetes do Tesouro a 364 dias e montante indicativo de 30 milhões de contos, os quais foram totalmente absorvidos à taxa média ponderada de 9,6146 por cento, um decréscimo de 0,251 por cento em relação ao último leilão de igual maturidade.

Os mercados anteciparam o fim do Inverno e provocaram uma queda acentuada do preço do barril de petróleo. Os ministros do Petróleo do Qatar e da Nigéria apresentaram a primeira proposta concreta de redução da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A Rússia quer contribuir para a a subida dos preços, mas põe condições.

Os mercados reagiram logo, na convicção de que o recente aumento da procura do petróleo -- que provocou alguma recuperação dos preços -- pelos Estados Unidos chegara ao fim, Por outro lado, as incertezas quanto a uma eventual redução da produção por parte da OPEP para o próximo trimestre, numa altura em que a procura começa a cair, também teve a sua quota-parte de responsabilidade na queda verificada ontem. Perante esta evolução, o Qatar e a Nigéria (respectivamente o sexto e o décimo maiores produtores de petróleo da OPEP) apelaram a uma redução da produção do cartel entre os cinco e os dez por cento já na próxima reunião da organização, marcada para 25 de Março.

O ministro do Planeamento e Administração do Território, Valente de Oliveira, iniciou ontem em Évora, o primeiro de uma série de encontros sobre o novo Quadro Comunitário de Apoio, com o objectivo de divulgar as principais linhas e apoios financeiros consagrados no novo mapa de ajudas financeiras da União Europeia até 1999.

Quanto ao Alqueva, o mega-projecto do novo QCA, as despesas de investimento e de desenvolvimento co-financiadas pela União Europeia atingirão os 451 milhões de contos. No calendário do Governo, o mesmo tipo de exposições está já marcado para Lisboa, Coimbra, Porto e Faro. L.F.

O novo caderno de encargos que regulamenta a operação de venda Secil-CMP foi distribuído com data de sexta-feira passada, dia 4, dispondo agora os candidatos de um prazo de 45 dias para entregar as propostas de compra. Os candidatos que, por ocasião do primeiro concurso, pagaram uma caução de 50 mil contos para terem acesso a informação confidencial sobre as empresas estão dispensados de o fazer neste segundo concurso e poderão reaver a quantia no caso de apresentarem proposta de compra. Estão nesta situação Queiroz Pereira, do grupo Cimianto, e António Champalimaud.

O processo, que decorreu no 17 Juízo do Tribunal Cível da Comarca de Lisboa há pouco mais de um ano, tem como autores João Rocha, Lúcio Thomé Feteira, Luís Fernandes Magalhães, Manuel da Silva Reis e oito membros da família Belo. Na altura, suscitou as atenções públicas por ter sido o primeiro caso do género a ser julgado em tribunal comum e também por envolver uma indemnização global de montante tão elevado, à qual foi aplicada a devida correcção monetária.

A sonda espacial Clementina já abandonou a sua órbita terrestre a caminho de uma outra órbita intermédia, entre o nosso planeta e a Lua, revelaram os responsáveis por este programa, que tem como principal objectivo a realização de uma cartografia lunar.

Chamada oficialmente Programa Científico Experimental sobre o Espaço Longínquo, a missão da sonda de 424 quilos durará sete meses, durante os quais a Clementina fornecerá à NASA uma cartografia da Lua e dados sobre o asteróide Geographos, que se cruzará com o aparelho a 31 de Agosto. A missão permitirá também ao Pentágono testar equipamentos ultraligeiros de detecção.

O comissário europeu da Energia, Abel Matutes, mostrou-se «muito pessimista» e «muito céptico» sobre a entrada em vigor da taxa europeia sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2) e o consumo de energia -- vulgarmente conhecida pelo nome de «ecotaxa». «Muita água ainda vai passar debaixo das pontes antes da aplicação desta taxa», declarou Matutes na segunda-feira passada, durante uma conferência de imprensa que teve lugar depois do conselho informal dos ministros dos Transportes, em Atenas. «É como em `À espera de Godot' [peça de teatro de Samuel Beckett]. Toda a gente espera esta taxa, mas ninguém faz nada. Fixámos taxas muito elevadas, que os países industrializados não estão dispostos a aplicar. Será preciso reduzir as nossas ambições neste campo.» O comissário europeu, citado pela France-Presse, considerou que será muito difícil impor a ecotaxa aos países da União Europeia, enquanto os principais concorrentes da Europa na OCDE não aceitarem eles próprios uma ecotaxa. Recorde-se que o presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, se afirmou há dias decidido a instaurar a ecotaxa antes do fim do seu mandato, em Dezembro. Delors disse na ocasião estar disposto a conceder isenções à Grã-Bretanha e à Espanha, dois países hostis à ecotaxa.

Este processo é o segundo a incidir sobre sangue contaminado pelo vírus da sida que está a decorrer em França. Diz respeito à despistagem sistemática do vírus HIV junto dos dadores de sangue e a sua instrução só começou em finais de Janeiro. Quanto ao primeiro processo -- o da contaminação dos hemofílicos através de produtos derivados do sangue humano --, recorde-se que o seu julgamento deu origem, no passado Verão, a várias condenações de responsáveis franceses da saúde. No novo processo, foram apresentadas queixas contra Fabius, Georgina Dufoix e Raymond Hervé -- respectivamente ministra dos Assuntos Sociais e secretário de Estado da Saúde em 1985 -- e contra os seus conselheiros médicos e científicos da altura.

Um foguetão espacial americano Titan-4 colocou em órbita, no início desta semana, um satélite militar de comunicações, noticiou a France Presse. O satélite vai integrar a rede de satélites Milstar, que permite estabelecer comunicações instantâneas entre o Pentágono e as tropas norte-americanas destacadas em qualquer local do globo através de pequenas antenas parabólicas. A ideia original da rede Milstar era a transmissão de ordens para o uso de armas nucleares mas, com o final da Guerra Fria, esta rede tem sido alvo de fortes críticas, havendo quem conteste a sua necessidade. A Força Aérea, porém, diz que o uso da rede Milstar durante a Guerra do Golfo teria encurtado o tempo do conflito, já que ela teria evitado o recurso ao equipamento de comunicações clássico, extremamente pesado e de difícil transporte. A rede Milstar tem um custo estimado de 8800 milhões de dólares (1500 milhões de contos).

A moção foi rejeitada por 135 votos contra 89 por um parlamento profundamente dividido. Nenhuma força política detém a maioria pelo que, desde 1992, o Governo é dirigido pelo primeiro-ministro Lyuben Berov, um historiador sem partido. Apesar de Berov afirmar que o seu gabinete é «apolítico», o Governo só conseguiu sobreviver à avalanche de moções de censura com o apoio do Partido Socialista (ex-comunistas), e do Movimento para os Direitos e Liberdades, que representa a minoria turca do país.

No interior do hangar a tensão é grande. São esperados o primeiro-ministro da Brancolândia e o presidente da vizinha Hibérnia, que apoia militarmente os separatistas pictos. As três partes em conflito assinaram, em Janeiro, um acordo de paz. As negociações decorreram sob a égide das Nações Unidas que concederam à NATO um mandato para supervisionar o terreno. Hoje, discute-se o controlo do espaço aéreo, na presença do chefe do Corpo de Reacção Rápida (CRR) da NATO, o general britânico Jeremy Mackenzie.

Para que conste, os pictos existiram mesmo. Chegaram ao Sul da Grã-Bretanha em 1700 antes de Cristo, onde desenvolveram a civilização do bronze.

O primeiro-ministro britânico, John Major, iniciou uma digressão pela província destinada a relançar a sua imagem como líder dos conservadores, depois de, na segunda-feira, um novo escândalo ter atingido o partido.

Em Leicester, o primeiro-ministro afirmou que o seu gabinete está «frustrado» com a persistência com que a imprensa tem falado da «crise de liderança». «No ano passado não se falou de outra coisa. Dizia-se que, no Verão, haveria uma grande crise. Depois uma eleição [para a liderança do partido] em Novembro. Isto acabou por se revelar uma falsa questão, mas agora tudo se repete», afirmou.

O principal conselheiro económico do primeiro-ministro russo demitiu-se ontem e anunciou que o afastamento do Presidente Boris Ieltsin é o próximo passo da equipa conservadora no Governo. «1994 é o ano em que eles vão tentar derrubar Ieltsin», afirmou Andrei Illarionov, citado pelo «Financial Times».

Illarionov teceu ainda duras críticas ao presidente do Banco Central, Viktor Gerashchenko, que acusou de ter cometido uma «série de crimes», sendo o principal deles a reforma monetária realizada no Verão passado que, disse, foi destinada a desacreditar e derrubar Boris Ieltsin. Fiodorov, que abandonou o Governo depois de Tchernomirdine ter recusado aceitar as condições que impôs para permanecer no seu cargo -- uma delas a demissão de Gerashchenko --, foi entretanto eleito para a chefia da sub-comissão parlamentar para a reforma do Banco Central e anunciou ir dar início a uma investigação à actividade de Gerashchenko.

A verdadeira partida de póquer que a Coreia do Norte e a comunidade internacional estão a jogar desde há vários anos, em redor da questão nuclear, poderá atingir níveis de grande tensão a partir deste mês, quando a agência internacional especializada perder a paciência e solicitar ao Conselho de Segurança da ONU que fale a partir de então com Pyongyang, em termos mais duros.

«Se nada acontecer antes da reunião, então o mais provável é a agência transferir o problema para o Conselho de Segurança», disse uma fonte.

O líder do regime chinês, Deng Xiaoping, 89 anos, apareceu ontem à noite na televisão, interrompendo uma ausência de um ano nos écrans. Deng, que não ocupa qualquer cargo formal nem no partido nem no governo, continua a ser no entanto o dirigente incontestado, a quem os outros dignatários recorrem para receber conselhos sobre as grandes orientações políticas e económicas. Desta vez, o «pequeno timoneiro» apareceu com aspecto frágil, olhar vago, andar difícil, apoiado sempre por duas das filhas. O telejornal da CCTV, televisão central chinesa, mostrou durante mais de quatro minutos imagens de Deng em Xangai, na véspera do Ano Novo lunar. Como que alheado de tudo e de todos, Deng apareceu a pronunciar aquilo que pareceu algumas palavras, com dificuldade, mas o som da sua voz não foi difundido. Segundo a notícia, Deng desejou um bom Ano do Cão a todos os chineses e apelou para que o país se una em torno de Jiang Zemin, o Presidente chinês e secretário-geral do partido comunista. É o sétimo Ano Novo consecutivo que Deng passa as festividades em Xangai, cidade onde habitualmente vive também no Inverno. A última aparição televisiva do patriarca do regime foi em 22 de Janeiro de 1993, também em Xangai.

É junto à fronteira meridional com o Uganda, onde estão concentrados 200 mil deslocados da guerra que assola o Sudão há dez anos, que estão a decorrer os combates que, segundo fontes humanitárias, ameaçam transformar-se num «desastre colossal».

Vários desvios no trânsito foram ontem introduzidas na circulação na Rotunda, por via das obras do Metro. As alterações dizem sobretudo respeito à Avenida da Liberdade e à Rua Braancamp, onde o acesso se faz agora pelo faixa do lado do prédio da TAP. Os estaleiros das obras passaram a ocupar o lado oposto, prolongando-se até junto da estátua do Marquês e vedando o acesso à Avenida da Liberdade pela lateral. Para quem vá para o Rato, foi aberto na Avenida, um desvio a meio do caminho da esquina da Alexandre Herculano.

De acordo com as investigações da PJ, o comerciante, de 52 anos, já com cadastro, resolveu, no fim de Dezembro, ir a Lisboa para «acertar umas contas com um amigo».

Os moradores de um novo bairro à saída de Alcobaça, na estrada para a Nazaré, esperam, nalguns casos há mais de dois anos, por uma instalação própria de energia eléctrica nos seus apartamentos, que apresentam boa qualidade exterior. Utilizam entretanto a rede montada para a construção, através de tomadas colectivas.

No início os problemas eram menores, pois a electricidade chegava para todos em condições satisfatórias. Mas o crescimento contínuo da ocupação da zona agravou a situação, e ficar às escuras e ao frio depende muitas das vezes de se ligar ou não mais um electrodoméstico. «Um inferno» -- no dizer de alguns moradores. E se mais pessoas não ocuparam ainda as suas casas é porque estão à espera de ver a situação resolvida.

Na Cinemateca Portuguesa, à Barata Salgueiro, prossegue o ciclo dedicado ao realizador Sacha Guitry. Às 18h30 é exibido o filme «Quadrille», de 1937. Três horas mais tarde passa a película «Le Diable Boiteux» (Um homem diabólico), realizado em 1948.

Concerto pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, às 21h30, no salão nobre da Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa, ao Campo Grande.

Os últimos 12 Kms da auto-estrada Porto-Braga só deverão abrir ao trânsito no dia 15 do mês que vem. «Está pronta, mas o presidente da Câmara de Braga pediu para não a abrirmos já, por causa dos problemas que iria causar na cidade», revelou, ontem, o ministro Ferreira do Amaral. O ministro falava no final de um rápida visita àquele troço da auto-estrada Porto-Braga, que se encontra praticamente concluído. O primeiro-ministro, Cavaco Silva, estava com ele e mais tarde, em Famalicão, reafirmou a mesma posição, endossando as responsabilidades pelo adiamento da inauguração daquela lanço de auto-estrada para Mesquita Machado.

Antes, a comitiva governamental esteve em Matosinhos, onde Cavaco Silva presidiu à cerimónia de assinatura dum protocolo no âmbito do programa especial de erradicação de barracas, celebrado entre aquele município, o Instituto para a Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) e o Instituto Nacional de Habitação (INH). Um investimento de cerca de 30 milhões de contos para construir3982 fogos em quatro anos.

O presidente da Câmara de Setúbal, Mata Cáceres (PS), acusou, na terça-feira à noite, a Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo de ter feito chantagem com a sua autarquia no que diz respeito à aprovação do Plano Director Municipal.

A falta de meios e o desconhecimento dos procedimentos legais levaram uma mulher caboverdiana e três dos seus oito filhos a sepultar o marido e pai, falecido durante a noite, num colchão, que arrastaram para um descampado a cerca de cem metros da sua casa, em Vialonga, e que depois incendiaram.

A Câmara Municipal de Tomar recusou a proposta apresentada pela colectividade cultural Nabantina para a realização de um corso, alegando que um possível fracasso poderia comprometer a realização de futuros carnavais na cidade.

Um responsável pela organização de corsos anteriores disse que a principal responsabilidade por, neste ano, não se festejar o Carnaval em Tomar «é da Câmara Municipal, que não só não disponibiliza o Estádio Municipal como não desbloqueia as verbas necessárias». «Com dois ou três mil contos não se pode fazer um Carnaval decente», adiantou ainda. «Seriam necessários cerca de 12 mil.»

Depois de um aluimento de terras na Rua de Macau, no Bairro Augusto de Castro, em Oeiras, os moradores do edifício com o número 54 deixaram de confiar nos alicerces da construção. É que por baixo das casas passa um lençol de água, cuja nascente foi tapada com cimento por um construtor que ali andou. Os moradores pedem responsabilidades à autarquia e contestam a eficácia das obras que a câmara está a fazer para resolver o problema. Por seu lado, o edil responde que os trabalhos estão a correr bem tecnicamente e que em breve o problema será resolvido.

Tudo isto deve-se, segundo Hernâni Amaral Xavier, administrador cessante do edifício em causa, a um lençol de água subterrâneo existente na zona. Este morador disse que, quando se construiu o último prédio da rua, com o número 31, o empreiteiro, ao fazer as escavações, deparou com minas de água, as quais provocaram a inundação das obras e mesmo uma paragem temporária das mesmas. Resolveu-se o problema tapando a nascente com cimento. «O resultado está à vista -- diz Hernâni Xavier --, pois com o aumento da pluviosidade, a água da mina não teve escoamento, acumulou-se, amolecendo a terra que depois deu origem à derrocada.»

Laura Cesana, uma artista italiana a viver em Portugal há alguns anos, inaugurou recentemente uma exposição individual na Biblioteca Nacional. Esta exposição, com o título de "Celebração", vem no seguimento de outras mostras, realizadas no Rio Grande do Sul e em Belmonte, no ano passado.

Narana Coissoró, deputado do CDS na Assembleia da República e à Assembleia Municipal das Caldas da Rainha pediu na terça-feira, na primeira sessão deste órgão autárquico após as eleições, «a presença de Mário Soares na Lagoa de Óbidos durante a presidência aberta do ambiente», uma vez que a mesma se encontra poluída e assoreada.

José Pereira de Freitas -- um dos quatro reclusos do Estabelecimento Prisional de Guimarães em fuga desde domingo -- foi capturado anteontem no parque das Caldas das Taipas. Elementos da GNR de Guimarães e daquela localidade surpreenderam o evadido no meio do parque, situado nas imediações da estância termal, próximo das piscinas, apenas a oito quilómetros da sede do concelho.

Em contacto telefónico com a Rádio Fundação, de Guimarães, pelas 18h50 de anteontem, «Zé Lingrinhas» repetira o desejo de se entregar às autoridades, referindo que o poderia fazer durante o dia de ontem, desde que a directora da cadeia o fosse buscar. O evadido prometeu ligar de novo para os estúdios da rádio, às 21h em ponto, a informar onde se encontrava. Contava para isso com uma linha ao seu dispor, de modo a facilitar as chamadas.

A recolha de lixo na cidade de Lisboa vai ser afectada entre amanhã e a próxima quarta-feira, devido às anunciadas greves da administração local (no dia 11) e às horas extraordinárias (de 12 a 20), a juntar à tradicional tolerância de ponto do período carnavalesco, de segunda para terça-feira.

A Ludoteca itinerante, apresentada ontem ao público, partiu de uma proposta feita pela associação In Loco à Câmara e à Santa Casa da Misericórdia. Com o apoio dos fundos comunitários previstos no programa LEADER, o projecto arrancou, comprou-se a carrinha e os brinquedos e distribuíram-se pelouros. Os materiais ficam propriedade da Santa Casa, mas a gestão do projecto será feita conjuntamente com a autarquia.

A Pastelaria Mexicana, um dos cafés mais tradicionais de Lisboa, situada na Praça de Londres e concluída no início da década de 60, segundo um projecto de Jorge Ferreira Chaves, vai sofrer obras de remodelação, agendadas para começarem a 16 deste mês.

Para além destas alterações, também o chão entre as duas salas vai ser nivelado e serão instalados novos balcões, alguns do quais servirão uma nova charcutaria. A Mexicana vai ter portas automáticas à entrada e está a ponderar-se o desaparecimento do «passarinhário» -- o único espaço da última sala por onde entra luz natural --, ele próprio um «ex-libris» daquele café. A prazo, segundo um sócio-gerente, também o restaurante da cave e o salão de festas do primeiro andar irão ser remodelados. Estas obras inserem-se, na opinião da gerência do estabelecimento, numa «necessidade de rendibilização» do espaço e deverão estar concluídas em finais de Maio ou princípios de Junho.

O município de Lisboa sugeriu ontem que um futuro Museu de Pesos e Medidas -- uma proposta do PSD aprovada pela unanimidade dos vereadores -- se venha a localizar preferencialmente no Centro Cultural de Belém, na Cordoaria Nacional ou na Central Tejo.

O Nevestrela, o maior acampamento invernal de montanha do país, corre este ano sérios riscos de não se realizar. É que o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) não autorizou os montanheiros a utilizarem o Covão d'Ametade para a realização do acampamento. Um assunto que promete, pois a organização não está pelos ajustes e garante que irá em frente com a decisão tomada: o acampamento vai mesmo realizar-se no Covão d'Ametade e nem a hipótese de uma possível intervenção das autoridades, caso desobedeçam à proibição, é suficiente para os demover.

Já depois de arrumada a questão da escolha da comissão permanente da Junta Metropolitana de Lisboa -- com a eleição, terça-feira, de uma equipa liderada por Daniel Branco, de Vila Franca de Xira -- o PSD viu ontem rejeitada pela Câmara de Lisboa uma moção em que, implicitamente, defendia a designação do socialista Jorge Sampaio para o lugar do autarca comunista.

Recorde-se que Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras e vice-presidente da Junta Metropolitana de Lisboa, em representação do PSD -- tanto no mandato anterior como na lista eleita terça-feira -- se mostrou favorável à manutenção de Daniel Branco na liderança.

O sem abrigo que apareceu morto no Largo do Martim Moniz, na manhã do passado dia 2, não foi assassinado por espacamento, por dois companheiros polacos, como anunciara a PSP, mas sim à navalhada por outros dois homens, um ex-jugoslavo e um português, que andavam consigo a arrumar carros e que o pretenderam roubar, informou ontem a Polícia Judiciária.

No entanto, quando os agentes dos homicídios da PJ se deslocaram à esquadra para levarem os suspeitos a interrogatório, concluiram que havia um engano. O bolso onde a vítima tinha o dinheiro fora cortado com uma navalha e os ferimentos no rosto foram igualmente provocados pelo mesmo objecto, e não em virtude de espancamento. O ex-jugoslavo, que entrara em Portugal em 1991, permanecia ilegalmente no país. A sua prisão foi confirmada.

O presidente da Câmara de Alcochete, Miguel Boieiro, deverá ser o novo presidente da Associação dos Municípios do Distrito de Setúbal (AMDS), sucedendo a José Luis Pereira, presidente da Câmara da Moita.

O facto de Boieiro pertencer ao concelho mais pequeno do distrito é outra das razões para a sua candidatura, uma vez que poderá "empenhar-se mais" na gestão do orgão. Além disso, segundo a lógica da AMDS, Alcochete vai ser um "concelho nevrálgico" na região, já que irá sofrer os "impactos do desenvolvimento" previstos com a nova travessia do Tejo e com a EXPO-98. R.T.

O governador Civil de Faro, Cabrita Neto, solicitou ontem um inquérito ao ministro do Planeamento e Administração do Território sobre o projecto de urbanização da Rocha Baixinha, em Albufeira, mais conhecida por Praia dos Tomates. Em declarações à Lusa, o representante do Estado no Algarve sublinhou que, apesar de «não querer pôr em causa a seriedade do processo», é necessário um «esclarecimento completo» sobre a localização do empreendimento em zona protegida e as recentes notícias vindas a público sobre o assunto( PÚBLICO, 30/1/ 94).

«O processo, no mínimo, é estranho», salientou o governador, recordando que «projectos idênticos têm sido recusados, tendo em conta a sensibilidade das zonas onde estava prevista a sua implantação».

Um jovem de 24 anos foi preso na segunda-feira, pela Polícia Judiciária de Lisboa, sob suspeita de ter assassinado um homossexual residente em Benfica. O crime ocorreu no dia sete de Dezembro do ano passado mas o cadáver, já em adiantado estado de decomposição, só foi descoberto algumas semanas depois.

Consumado o homicídio, o jovem apoderou-se ainda de 15 contos que a vítima tinha na carteira e do seu próprio automóvel, que utilizou até ao dia de ser preso.

O colectivo do Tribunal da Comarca de Vila Franca de Xira começou anteontem a julgar 14 indivíduos acusados de envolvimento numa rede de cobranças «difíceis», conhecida por Grupo 5, e a primeira sessão deixou transparecer as perspectivas que oporão acusação e defesa.

O defensor do réu Victor M. observou mesmo que há nesta acusação «uma tendência megalómana», que resulta «em muita parra e pouca uva em termos de prática efectiva criminosa». Segundo ele, o arguido que representa não devolveu os adiantamentos/sinais que recebeu dos seus clientes/credores porque não era suposto fazê-lo, uma vez que se destinavam a suprir despesas inerentes às tentativas de cobrança.

Um operário de uma fábrica de transformação de madeiras, no concelho de Nelas, morreu na terça-feira, quando tentava limpar uma máquina que, segundo colegas de trabalho, se esquecera de desligar. Sabino Santos Freitas, de 27 anos de idade, ao tentar retirar um tronco que estava a obstruir a «estilhaçadeira [máquina de desfazer madeira], ficou preso no tapete rolante da máquina, sendo arrastado até ao triturador de madeira, que lhe arrancou o braço direito», contaram os colegas, citados pela agência Lusa.

Não quer assemelhar-se a Dinastia ou qualquer outra "soap opera", mas é o que parece. 2000 Malibu Road queria ser uma história de três mulheres, uma história mais ou menos progressista, mais ou menos inovadora no que diz respeito a produção televisiva, mas não passa das exigências médias habituais de um produto para televisão, feito no Estados Unidos da América.

Ultimamente a SIC, canal de televisão, tem transmitido antes do jornal da noite pequenos excertos sobre a realidade dolorosa e patética de Sarajevo. Os seus habitantes vivem permanentemente na angústia, no desespero, no medo. Grande parte da cidade está destruída e impera a miséria, o caos, a morte.

As diferenças étnicas e religiosas -- não estamos na Idade Média -- serão a causa, a justificação para tanto fundamentalismo e tanta mortandade.

A morte de Fernando Sylvan foi anunciada em todos os órgãos da comunicação social. A este homem se prestou a homenagem merecida: ao poeta, ao humanista, ao intelectual que, durante uma vintena de anos, foi escolhido pelos sócios, para presidir aos destinos da SLP. Nunca ninguém o contestou, nem se sentiu molestado pelo seu exercício a tempo inteiro. Os seus colegas da direcção nunca o consideraram prepotente, como agora o apelidou o ex-tesoureiro da SLP, muito ex, pois já poucos dele se lembram.

No jornal PÚBLICO do passado dia 23, na secção Cartas ao Director, o senhor Jaime Rodrigues ousa caluniar um homem respeitável que já não está vivo para se defender. Cai em contradições. Por um lado, lança a suspeita que, depois do 25 de Abril, houve pessoas que «com um aperto de mão à esquerda e uma piscadela de olho à direita» tomaram conta de colectividades. Por outro lado, não deixa de reconhecer aquilo que é evidente, o valor de Fernando Sylvan como antifascista e poeta.

São quatro canais (...) Todos tão iguais e Queridos Inimigos! Dão-nos Momentos de Glória e uma Chuva de Estrelas da nossa Praça Pública, que brilham todas entre si e nos fazem ficar a falar Sozinhos em Casa.

Começa a semana, e depois daquela Roda da Sorte (para o Herman José) que acabou aos tiros a tudo, só não atingindo A Câmara do Cândido, vem o Com a Verdade me Enganas, E o Resto é Conversa (sempre com os mesmos).

A política económica de um Governo define-se, normalmente, pelo seu objectivo prioritário. E já todos teremos vivido o suficiente para termos assistido, mesmo entre nós, a mudanças consideráveis neste objectivo: de uma melhor distribuição do rendimento, ao crescimento e à criação de postos de trabalho, passando por prioridades como conseguir determinada taxa de inflação, reduzir o défice das contas públicas ou assegurar determinado nível da taxa de câmbio.

O acabado de afirmar não envolve a menor dose de demagogia. Claro que as pessoas não se confundem com o Governo, umas e outro com os seus espaços próprios de actuação. Claro que os interesses das pessoas nem sempre são convergentes, dando lugar a antagonismos que, de uma forma ou de outra, cabe ao Governo regular e dirimir, num ou noutro sentido. Claro que, na prossecução dos seus próprios interesses, e do objectivo de viverem melhor, as pessoas podem chegar a resultados contraditórios, ou insustentáveis, exigindo a intervenção de uma instância de decisão superior.

A discussão de ideias e a polémica têm contribuído ao longo dos tempos para fazer avançar a humanidade, levando-a, inclusive, a grandes conquistas científicas, sociais e políticas.

Para quem não leu tal artigo, suponho não distorcer a sua matriz ao resumi-lo ao seguinte: Otelo Saraiva de Carvalho (OSC) afrontou o Estado Português ao recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH), para dirimir um incidente processual suscitado no julgamento acontecido no Tribunal de Monsanto do processo 23/85 que envolveu OSC e dezenas de outros arguidos e conhecido como o «1º processo do caso FUP/FP-25». Para MST, OSC seria responsável por tudo o que o acusam, não se tendo mostrado agradecido pela tolerância e pelas benesses que o país lhe tem outorgado.

Já tive ocasião de responder particularmente ao leitor Paulo Esperança, que há tempos me enviou cópia desta mesma carta. Muito haveria a dizer para demonstrar sem grandes dificuldades que quem deturpa factos e demonstra falta de honestidade na discussão é o leitor e todos os membros desse poderoso «lobby» de opinião pró-FP-25 de Abril, que desde o julgamento de Monsanto têm levado a cabo um intenso «blitz» de propaganda destinado a fazer crer os incautos na tese da inocência dos réus e da violência da justiça que sobre eles se abateu. Digo e mantenho que o processo das FP-25 -- desde a investigação policial ao julgamento -- ficará a assinalar um dos momentos mais dignos e mais corajosos de toda a história da justiça em Portugal. Muito resumidamente, limito-me agora a esclarecer o seguinte relativamente à carta do leitor:

É evidente que não acho este mecanismo o melhor, mas já nem faz sentido dizê-lo porque ele foi, como se disse, revogado. Porém, a mentira do leitor e do «lobby», a que pertence, contra a qual me insurgi consiste em fazer passar a ideia de que os réus do caso FP-25 foram vítimas de um tratamento de excepção, o que é redondamente falso. E tão falso é que, sendo este o fundamento do recurso de Otelo perante o Tribunal Europeu, se porventura o tribunal lhe vier a dar razão, todos os réus condenados em Portugal nos últimos anos -- e não apenas os das FP -- deviam beneficiar do seu resultado. Se apenas Otelo beneficiar disso, aí sim, teremos um tratamento de excepção.

A Mangueira já canta a vitória. É como se o Flamengo fosse decidir o campeonato carioca de futebol com Raí, Romario, Bebeto e Zinho em sua equipa. Tão fanáticos quanto os flamenguistas, os adeptos da verde-e-rosa do Morro da Mangueira não deixam por menos. «Eh campeã, eh campeã», gritam desde o «réveillon» em Copacabana, quando o Rio de Janeiro começou a ouvir o samba-enredo que homenageara Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia no sambódromo, hoje à noite.

A história justifica o clima de «já ganhou». A Mangueira exaltou a Bahia em 1973 e foi campeã. Repetiu a dose em 1986 e foi campeã novamente. Agora, os quatro «doces bárbaros» baianos irão confirmar a tradição, dizem eles. Quem assistiu aos ensaios com olhos de turista entende o optimismo. «Me leva que eu vou/ Sonho meu/ Atrás da verde-e-rosa/ Só não vai quem já morreu...»

O segundo sargento da polícia militar do Recife faltou às aulas de Geografia. Apesar das afinidades históricas e da língua comum, o graduado, com 20 anos de carreira e um conhecimento exemplar no manejo de todo o tipo de armas, ficou confundido. Afinal, a distância entre Portugal e o Brasil não é tanta como se diz. De resto, um português pode ser facilmente tomado por qualquer cidadão de outro país europeu:

Amália e Francisco José são os artistas mais conhecidos; a Fórmula 1 do Estoril o acontecimento mais familiar; «Os Lusíadas» a obra mais referida. O resto é praticamente desconhecido ou desagradável. Para os jovens estudantes do Recife, os portugueses ainda são associados às anedotas, à emigração ditada pelo enriquecimento à custa dos brasileiros e a «um povo que só gosta de dinheiro e mulheres». Atributos de sobra para incluir os portugueses no mesmo lote de turistas que visitam o Nordeste por três razões que desagradam ao cidadão comum do Recife. A saber: «O sol, o mar e as mulheres.»

O Ministro da Defesa vai hoje à capela do Hospital Militar da Estrela onde se encontra em câmara ardente o corpo do coronel Sanassi Soares Cassama, que era o chefe de Estado-maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau. Em nota do Ministério da Defesa distribuída ontem, Fernando Nogueira elogiava o carácter de Sanassi Cassama, qualificando-o como homem de «reconhecidas capacidades intelectuais e de sensatez e grande impulsionador da cooperação tecnico-militar» entre Portugal e a Guiné. O coronel Cassama tinha sido internado no Hospital Militar principal em 28 de Janeiro e faleceu no dia seis, vitimado por tumor hepático. O militar da Guiné tinha participado na luta armada contra Portugal e em 1986 fez em Lisboa o curso de oficiais superiores.

Duarte Lima queria dar cartas na revisão constitucional e, para isso, pretendia ver a bancada «laranja» como uma espécie de motor do processo. Apesar da abertura formal do processo se situar só no fim do ano, Lima queria garantir desde já que nada se passaria à margem ou fora do âmbito do grupo parlamentar. Foi isso que foi defender na Comissão Política Nacional do PSD esta semana realizada. Numa intervenção em que começou por fazer a análise das incursões dos deputados sociais-democratas pelo país, Lima enveredou pelos caminhos da revisão. Mas Cavaco Silva deu-lhe a volta. Sem o deixar avançar muito nas palavras ou na exposição da sua ideia, o líder do partido tratou de o informar - e à maioria dos presentes - que já havia uma comissão a tratar do assunto. Mais informou que tal comissão, composta por Barbosa de Melo, Leonor Beleza, Margarida Salema e Costa Andrade, a que se junta o ministro da Justiça, Laborinho Lúcio, vai funcionar em parâmetros idênticos aos da anterior revisão. Isto é, reune-se, elabora como que um anteprojecto e, só depois, o grupo parlamentar passa ter uma intervenção mais activa.

As críticas do social-democrata Costa Andrade ao Tribunal Constitucional foram um dos pontos altos do debate parlamentar de ontem, onde se voltaram a discutir os projectos de Segredo de Estado, a legislação anti-corrupção, o Estatuto dos Magistrados e a Lei Orgânica do Tribunal de Contas. Costa Andrade defendia a legislação anti-corrupção e não hesitou em acusar o acórdão do TC de «debilidades do ponto de vista jurídico», sugerindo «um maior rigor e cuidado» na matéria.

Toda a oposição se manifestou contra as alterações do PSD com vista a tornear a inconstitucionalidade desta lei, e que se resumem, para além de acrescentar o «respeito pelos direitos, liberdades e garantias», a mudar a palavra «suspeita» para «indícios de prática» nos casos onde se permite a recolha de informações da Polícia Judiciária. «Trata-se apenas de um jogo de palavras, deixando o problema substantivo», considerou o centrista Narana Coissoró. Alberto Costa, do PS, acusou o «curto e decepcionante resultado», perante a «tão longa hesitação»: «A maioria não aprendeu e com retoques de redacção mantém o essencial: procedimentos admnistrativos de tratamento de notícias, através de recolha de informações para fundamentação de suspeitas».

A preparação da primeira cimeira de chefes de Estado e de Governo dos sete países de Língua oficial portuguesa, a realizar em Lisboa em data ainda por definir, foi um dos assuntos que dominaram o quarto dia da visita oficial de Durão Barroso ao Brasil.

Antes disso já Durão Barroso tinha discutido o assunto com o seu homólogo brasileiro, Celso Amorim, e com o Presidente Itamar Franco.

O ex-tesoureiro da Distrital de Aveiro, Ângelo Pires, encontrou-se ontem com Nunes Liberato. Fintou os jornalistas que o aguardavam e nada se ficou a saber da sua boca. Liberato respirou fundo ao saber que «não há empresas nos depósitos». As contas do partido não têm nem rasto dos 23 mil contos. Entre 1990 e 1991, as contas do PSD só têm receitas de 9 mil contos. O resto foi pela porta do cavalo...

As receitas deste período são constituídas por um saldo transitado de 709.850 contos e decompostas pelos subsídios da Comissão Política Nacional, de 8.640 contos , lucros das vendas de artigos de propaganda, 11 contos, e diversos, 16 contos.

Cavaco Silva recebeu ontem em audiência o almirante Fuzeta da Ponte, nome que hoje é sujeito à aprovação do Conselho de Ministros como indigitado chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. O primeiro-ministro, pela primeira vez na história da nomeação das chefias militares, quis trocar impressões com o oficial general indigitado para o cargo, presumivelmente para acertar um quadro institucional para o relacionamento do CEMGFA com a hierarquia do Estado. O facto de esta nomeação se concretizar por decreto presidencial dispensa-a da confirmação por parte do Conselho Superior de Defesa Nacional. A proposta do Governo é amanhã apresentada oficialmente ao Presidente da República, de quem depende a marcação da data de posse.

O general Adang Ruchiatna Puradiredja é o novo responsável pelas forças indonésias em Timor-Leste. Ruchiatna, que comandava uma divisão de infantaria em Java, foi o nome escolhido pelo Presidente Suharto para substituir o general Theo Siafey na chefia da região militar com sede em Bali e que integra o território de Timor. Por trás da decisão, poderá estar a tentativa de afastar daquela região militar um homem da «linha dura» e, sobretudo, um militar com fortes -- e, por vezes, incómodas -- ligações à questão de Timor. Theo Siafey foi comandante em Díli antes de assumir o comando da região militar que integra Timor e estava entre as tropas que invadiram o território em 1975. Essa circunstância levou-o, por diversas vezes, a manifestar a sua posição pessoal em relação à questão de Timor-Leste, frequentemente em termos mais duros que o próprio discurso oficial de Jacarta.

Um dia depois de Guterres ter apresentado um plano de combate à crise social no Vale do Ave, Cavaco Silva andou por três concelhos nortenhos de maioria socialista. Mas não dispensou uma palavra às propostas do secretário-geral do PS.

A tarde de Cavaco Silva começara em Matosinhos. A autarquia local, um bastião socialista de longa data, ia celebrar com o Governo dois protocolos para a construção de quatro mil fogos, num investimento total de cerca de 30 milhões de contos (ver Local). Cavaco, para surpresa geral, fez questão de assistir à cerimónia, na companhia de Ferreira do Amaral. O presidente da Câmara local, Narciso Miranda, cumpriu eficazmente o papel de cicerone, e foi brindado com um grande elogio de Ferreira do Amaral, que considerou a Câmara de Matosinhos «modelar, ao nível do país», na forma como combate os problemas da habitação. Mais tarde, o ministro mostraria bem menos simpatia por Mesquita Machado, o presidente socialista de Braga.

O PSD convocou ontem uma conferência de imprensa para declarar que, ao contrário do que poderia ter ficado estabelecido na véspera, as conclusões do inquéritos aos actos FSE-UGT não eram assim tão inócuas para a central sindical. Os sociais-democratas acabaram por responsabilizar a política da direcção de Torres Couto pelas empresas escolhidas para acções de formação; estas sim teriam violado a legalidade. Evitando referências explícitas, o PSD pretendeu deixar no ar que Torres Couto não sai tão ilibado do inquérito parlamentar como, à partida, poderia parecer. Mas acusou claramente de «falta de coragem» o PS, por este partido ter votado contra as conclusões do inquérito «só porque, depreende-se, elas poderão imputar críticas à UGT e ao seu secretariado-geral».

O CDS-PP deve adoptar um «maior enfoque nas questões sociais» e «denunciar a postura do actual Governo» neste domínio, defendeu ontem, em Lisboa, Moura Silva secretário-geral da Federação dos Trabalhadores Democrata-Cristãos (FTDC).

O responsável clínico do Hospital-Prisão de Caxias disse que, apesar do estado de saúde dos presos apresentar os referidos valores, não está para breve um «desenlace fatal» da greve de fome. «O estado de saúde deles está a deteriorar-se progressivamente mas não se aguarda, para já, qualquer desenlace fatal», disse Manuel Pineu.

O principal visado nas críticas de Candal foi o representante do Ministério Público, Manuel Martins, cujas alegações finais foram consideradas «jurássicas e pré-diluvianas» por, alegadamente, ter ignorado toda a prova produzida pela defesa durante a audiência.

Raul Castro, o número dois do regime cubano e irmão do presidente Fidel Castro, poderá estar implicado num caso de tráfico de droga, segundo os documentos secretos que pertenciam ao ex-chefe do Cartel de Medellín, Pablo Escobar, abatido a 2 de Dezembro passado, revelados pela televisão colombiana. O jornal televisivo QAP divulgou uma série de documentos descobertos após a morte de Escobar, em particular uma cassete-vídeo na qual um dos «homens de mão» do falecido «rei» da cocaína, aparentemente receoso de represálias da parte do seu chefe, se tenta justificar perante Escobar. «Você sabe que eu o ajudei no que respeita a Raul Castro, sobre a Ilha a propósito do embarque», declara, na gravação, o cúmplice de Escobar, apresentado sob o pseudónimo de «David». A palavra «embarque», na boca de um comparsa de Escobar, pode logicamente designar um envio de droga. A autoridades norte-americanas em várias ocasiões suspeitaram e mesmo acusaram Raul Castro de ter coberto operações de tráfico de droga.

No próximo dia 16, por outro lado, uma delegação da Comissão Executiva da CGTP será recebida, às 11h00, pelo ministro do Emprego. É a primeira audiência que Falcão e Cunha concede a uma delegação do CGTP desde que é ministro do Emprego. A central sindical, que solicitou o encontro, quer questionar o governante nomeadamente sobre o bloqueamento da contratação colectiva.

José Vaz, o agente da Polícia Judiciária que anteontem foi ferido a tiro num confronto com um presumível traficante de droga em Aldão, a sete quilómetros de Guimarães, encontra-se já livre de perigo, continuando internado no Hospital de S. João, no Porto.

A proposta avançada pelo Governo, no sentido de aplicar um regime de prisão aberta aos presos do caso FUP/FP-25 Teodósio Alcobia, Aldino Mendes e Couto Ferreira, em greve de fome há 23 dias, foi considerada por pessoas ligadas aos detidos como «um retrocesso em relação às reivindicações apresentadas». José Ramos, da Comissão Solidariedade Contra a Repressão (SCR), estrutura que tem mantido contactos com os órgãos de soberania para dar eco às reivindicações dos presos -- cúmulo jurídico das penas já aplicadas e uma amnistia sem condições --, disse ao PÚBLICO que a resposta formal dos presos será dada hoje numa conferência de imprensa, no Porto.

Os carteiros não trabalham hoje nem amanhã. O correio vai ficar atrasado. Os piquetes de greve irão assegurar urgências, com um critério muito especial, caso a caso. Dizem que a situação actual é insuportável: o volume de tráfego postal não pára de aumentar e o número de carteiros não pára de diminuir. São considerados trabalhadores semiqualificados, carregam grandes pesos, muitos deslocam-se a pé ou de motorizada, mas pertencem a uma empresa de distribuição de correio que «já foi tida como das melhores do mundo». A greve tem um leque variado de reivindicações para agradar a todos. O PÚBLICO acompanhou alguns «giros». Na zona de Queluz, por campos, cabeços, caminhos lamacentos, subúrbios que são aldeias e bairros de população africana que são subúrbios de subúrbios. Em Lisboa, num bairro degradado em que o carteiro, exuberante, conhece todos pelo primeiro nome. No centro da cidade, onde 20 anos a tocar as mesmas campainhas faz com que saiba de cor os apelidos sem conhecer as caras. Em comum entre eles, o cão: o pior inimigo do carteiro.

Para o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP, representando 80 por cento da classe), basta fazer contas com os dados da administração: no mesmo decénio foram eliminados 2500 postos de trabalho de carteiro. Abundam os contratados a prazo e mesmo os recibos verde. O sindicato exige a admissão de mais 800 carteiros. O problema, dizem, não se esgota com admitir mais gente. Falam de pressões para fazerem mais serviço e do trabalho fora de horas sem pagamento. «Há mais repressão que antes do 25 de Abril», diz um carteiro.

Dirigentes da CGTP estarão hoje na rua, em Lisboa, a partir das 8h00, a distribuir documentos à população sobre «o magno problema da segurança social».

Entretanto, toda a Administração Pública, nacional, regional e local, estará amanhã, de novo, em greve, a nível nacional. A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, a propósito da publicação ontem, no Diário da República, da portaria «que consagra uma actualização de 2,5 por cento nos salários da Função Pública para 1994», apela aos trabalhadores do sector para «reforçarem a mobilização para a greve do dia 11 de Fevereiro».

«Decididamente, não» há incompatibilidade entre ser cristão e membro da maçonaria, dizia o padre italiano Rosario Esposito, em entrevista à revista «Actos», publicada em Novembro de 1977. Na Igreja, acrescentava, tentava-se mesmo estabelecer um processo de diálogo «para vencer os obstáculos de aproximação».

O conflito histórico com a Igreja também tinha explicação: a maçonaria tentara, desde a sua fundação, acabar com as guerras religiosas que iam assolando a Europa. Esse esforço incluía a afirmação de que era «igualmente bom ser cristão, muçulmano, xintoísta» e que importante mesmo seria «acreditar em Deus e na imortalidade da alma», referia o entrevistado da «Actos».

A maçonaria portuguesa é vista pela opinião pública como uma instituição que esteve por trás da mudança do regime monárquico absolutista para o liberal, da queda deste e implantação da República; que apoiou e viveu ao mais alto nível a I República; que resistiu a Salazar (que entretanto proibiu o movimento); que influenciou alguns dos primeiros passos da III República. E que, devido à idade, os seus membros foram morrendo, perdendo influência em Portugal. Ou seja, para o comum dos portugueses, a maçonaria praticamente morreu.

Os mações «regulares» acusam os «irregulares» de estarem divididos pela política. Espelhando os tempos que se vivem na sociedade civil, a maçonaria portuguesa, «regular» ou «irregular», tem vindo a sofrer divisões e lutas internas pelo poder que de quando em quando saem para a praça pública.

Há quase meio século que dedica por inteiro a vida à maçonaria. É um velho simpático, elegante, calmo. Lidera, «no capítulo moral», meio milhão de mações norte-americanos e está pela primeira vez em Portugal. Para dar apoio à maçonaria regular e preparar um encontro com dirigentes das «lojas» do Leste europeu.

Nos Estados Unidos, são cerca de 500 mil os membros desta organização «que há muito deixou de ser secreta», segundo Kleinknecht disse ao PÚBLICO.

É um cinismo toponímico chamar-lhe Bairro da Liberdade. Numa das colinas onde termina o Aqueduto das Águas Livres, espalha-se o casario irregular que foi desta forma baptizado. Para aqui distribuir correio é preciso ter uma disposição especial. Ora o que não falta a Alberto «Canalizador», que por sinal é carteiro, é disposição. Especialíssima.

Não há ali fingimento para jornalista ver. Alberto é mesmo assim. Quando começou a trabalhar para os CTT, «entregaram-me o saco e deixaram-me aqui. Isto não tem ruas nem números.» Depois ligou-se às pessoas. Em 1989, todo o bairro se mobilizou e fez um abaixo-assinado para que entrasse nos quadros da empresa. E assim aconteceu. «Yá! Pelos vistos resultou.»

O juiz que ordenou em 1984 a prisão de Otelo Saraiva de Carvalho, desencadeando a maior operação anti-terrorista efectuada em Portugal, contra as FP-25, continua hoje a pensar haver «razões suficientes» para a segurança que o rodeia e o exílio em Bruxelas.

Para o magistrado, que lida diariamente com as questões da segurança e da justiça no espaço comunitário, as autoridades portuguesas é que «têm competência para decidir se há ou não razões para continuarem a protecção».

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público já manifestou a sua solidariedade com a greve geral dos trabalhadores da Administração Pública marcada para amanhã. Em comunicado, a direcção do Sindicato afirma que os magistrados serão «indirectamente» afectados com a proposta salarial apresentada pelo Governo» porque, embora possuam um estatuto autónomo, verão condicionadas as negociações com vista à sua revisão pelo tecto salarial proposto.»

Também a Associação Sindical dos Funcionários Técnicos, Administrativos, Auxiliares e operários da Polícia Judiciária decidiu aderir à greve de amanhã. Em plenário realizado terça-feira, mais de 80 por cento dos participantes votaram favoravelmente a proposta, segundo um comunicado ontem divulgado pela direcção da Associação.

A véspera do novo ano lunar chinês -- o do Cão -- que hoje começou para todas as colónias chinesas espalhadas pelo mundo, foi dia de bom negócio para os barbeiros de rua de Pequim. O corte de cabelo, na capital da China, é uma das tradicionais preparações para o festival do ano novo, que dura até domingo. Penteados, os chineses dão as boas-vindas à Primavera e preparam, com vários rituais mágico-religiosos, os próximos 12 meses, que devem ser vividos sob o signo da defesa e protecção. Também em Macau, a passagem do ano do Galo para o do Cão (o 11º animal do zodíaco chinês) foi comemorada -- e de uma forma que já não é possível fazer na China. Macau, lembra o correspondente da agência Lusa, é um dos últimos lugares da Ásia onde é permitido o rebentamento de panchões (cartuxos de pólvora), que servem para afastar os maus espíritos. As autoridades de Pequim proibiram este ano os fogos de artifício de rua, devido ao número de acidentes mortais que ocorriam habitualmente durante as festas.

Sem o brilho das britânicas e aristocráticas corridas de Ascott, e até muito longe disso, a suja, paupérrima e sangrenta Faixa de Gaza está a assistir ao crescente fenómeno das corridas de cavalos. Na praia, junto ao Mediterrâneo, todas as sextas-feiras, centenas de palestinianos esquecem uma semana consumida pela crise económica e política e vão ver correr os cavalos. Tudo ali, no entanto, é diferente das habituais competições e nenhum dos concorrentes poderá alguma vez aparecer noutro acontecimento do género em qualquer parte do mundo. Para já, repara o repórter da agência Reuter, é totalmente proibido fazer apostas, de acordo com a lei islâmica, pelo que a única coisa que se pode receber como prémio são distintivos e placas. Depois, os cavaleiros têm que se vestir de outra forma. Como por exemplo, Mahmoud Badwan, de 16 anos, ganhou a sua corrida vestido com o uniforme verde de gerrilheiro. Ou Noma'a Abu Nimr, dispensado da oração por causa do corrida e que na sua barba de fundamentalista islâmico e turbante branco parece que saiu de um conto das «Mil e Uma Noites». Ou Ziad Abdel-Naby, que nasceu no bairro de lata de Jabalaya e se fez já o primeiro cavaleiro profissional de Gaza, o que se explica: «Não faço mais nada desde os dez anos. As pessoas aqui amam os cavalos, morrem pelos cavalos.»

A direcção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) anunciou ontem que vai solicitar uma audiência urgente à Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, para obter informações sobre as propostas de lei enviadas pelo Governo ao Parlamento sobre matérias que mereceram forte contestação dos sindicalistas, como a lei anticorrupção.

Manifestando-se «profundamente apreensivo» face à nova versão da lei anticorrupção, ontem divulgada pelo PÚBLICO, Rui Bastos contesta especialmente que, nos termos da nova proposta do Governo, a PJ só tenha de informar o MP quando haja indícios seguros da prática de um crime e não esteja obrigada a tal, «quando há apenas suspeitas, mesmo que estas sejam fundadas». «Isto é clara e objectivamente a consagração do pré-inquérito. No anterior projecto, havia gato escondido com rabo de fora. Agora está o gato todo à mostra », concluiu.

Acelera. Pára. Corre. Sobe escadas. Desce escadas. Acelera. Em contramão pelo passeio. Acelera. Lama, tanta lama. Está-se agora no campo, e como tem chovido! Acelera. Levanta pernas para não se sujar. Acelera. É um ronco cansado, o que sai daquela Zundapp-Famel, 20 mil quilómetros em dois anos. Mãos no guiador está José Ramos, 48 anos, carteiro. Os colegas chamam-lhe «Cabeça de GNR». Poucas palavras e muita pressa.

O giro de terça-feira nem foi mau. Frio havia, mas sol também. E o clima é o factor, quando se fala de andar a distribuir correio. Na taberna do Álvaro, ao lado da Vivenda Felicidade (com uma águia de pedra no alto, vigilante), ali para a Venda Seca, José Ramos faz uma paragem para a bica. E surge a crítica: «Este camuflado... A chuva vem em Sintra já um gajo está todo molhado. Isto é mais uma farda de Carnaval.»

«Chaque fois que vous voyez un camion, c'est une parole de femme qui passe». É uma frase de «Sauve qui peut (la vie)». Godard homenageava Marguerite Duras, citando um dos seus filmes mais notáveis, «Le Camion», com um actor-fetiche dos dois, Gérard Depardieu. Homenageava-a da maneira mais inteligente -- falava em «palavra» e em «mulher», ligando a isso algo de tão prático, concreto, em bruto, etc. como um camião, e anulando nesse movimento os excessos de sentido que invariavelmente transportam palavras como «palavra» e «mulher». (A ideia era boa, mas segundo Marguerite, o que as pessoas deduziram da frase foi que havia cada vez mais mulheres a conduzir camiões).

Talvez a capacidade encantatória de «India Song» fique diminuída em televisão, mas quando acabava a projecção do filme em sala entrava-se numa espécie de estado segundo, um estado de graça (sem Deus, porque nunca há Deus sem homens em Marguerite Duras) que infelizmente depois acabava, mas de onde se desejava ardentemente não sair. Entre as imagens, os silêncios, a música, o texto, havia uma coisa que era parecida com podermos ter finalmente acesso ao mistério fundamental, à parte invisível das paixões humanas, uma parte que seria o «desejo» se pudéssemos, como fez Godard para «palavra» e para «mulher», libertar da sua carga vulgar «desejo» que é uma palavra inquinada (é e tudo indica que continuará a ser, e que isso sem remédio).

É conhecida a forte tendência dos dispositivos de controlo remoto para desaparecerem exactamente nas alturas em que fazem falta. Por qualquer razão desconhecida e apesar do excelente contributo para a saúde que seria proporcionado por umas quantas deslocações até ao televisor para mudar de canal, ou até ao videogravador para parar o filme enquanto se assiste às notícias, muitas pessoas ficam visivelmente irritadas nessas situações. Uma forma de evitar o desaparecimento do pequeno dispositivo seria colá-lo à mesa ou ao sofá, outra seria amarrá-lo ao braço; a Casio fez exactamente isso, apresentando um telecomando de pulso, que ao mesmo tempo também dá horas.

Os controlos existentes incluem o nível de volume, a selecção de canal, a bobinagem e rebobinagem da fita, o comando de paragem e de leitura, o comando de ligar e desligar e a comutação do comando para o televisor ou para o videogravador; isto para além controlos habituais destinados ao relógio propriamente dito.

Miss Marple, Já Tocou na Faculdade, a série documental O Mar e a Terra e os concursos Um, Dois, Três e A Filha da Cornélia marcam os regressos desta semana em termos de televisão. São "novidades" relativas, junto de estreias como Maigret, Reagan, Os Jacksons e Anos de Ouro.

Às segundas, depois de Fenda na Muralha -- e depois de A Filha da Cornélia, apresentada por Fialho Gouveia --, surge uma série documental, Os Jacksons, para a história da família de Michael. Pode ser que se priviligie o escândalo ou tão só as canções dos cinco irmãos, acompanhadas por demais família. Seja como for, o que fica é o espectáculo.

«Se existe alguém a quem a famosa frase `a força tranquila' se aplica, ele é, sem dúvida, esse escritor genial, esse caso à parte na literatura francesa que é Georges Simenon», escreveu um dia Bernard Pivot, o responsável pelos programas Apostrophes e Bouillon de Culture da televisão pública francesa, num editorial da revista «Lire».

Maigret, a série, revive 19 dos cerca de cem romances que Simenon escreveu para o comissário da Judiciária de Paris. E mantém o ambiente: os «bistrots», os restaurantes populares, as esquadras de polícia, os bastidores dos pequenos teatros e dos «cabarets», as gares, as salas de jogo, os comissariados, o ambiente opressivo das pequenas cidades, dos pequenos bairros. Parte da história da família Peeters que pede ajuda a Maigret. Segue pelo crime do mestre-escola, pelo assassínio da velha mulher a quem deu atenção tarde de mais; continua com a armadilha que montou para a captura do assassínio de prostitutas em Montmartre e com a decadência de uma casa senhorial, expressa num crime de anos. A série deixa ficar muito. Pelo menos, a memória de Simenon.

«A Visita da Velha Senhora» é um título que se transformou em lugar-comum e serve de base a jogos de palavras e trocadilhos presentes na linguagem de todos os dias. Muitos dos que brincam com esta visita, esta senhora e esta velha ignoram que se trata de uma peça fundamental na história do teatro contemporâneo e que o autor cabe, sem favor, no «top ten» dos melhores dramaturgos europeus deste século. Mas quem não sabe fica a saber: a versão televisiva da próxima Noite de Teatro da TV2 levará ao telespectador o essencial da obra de Dürrenmatt.

A peça de Dürrenmatt, escrita em 1956, apresenta, na encenação de Artur Ramos, a originalidade de ser pouco original: consciente de que as indicações cénicas propostas pelo autor, mantêm uma «vitalidade teatral perfeitamente excepcional», o realizador procura «preservar essa vitalidade teatral».

Ter, às dez da madrugada, António Sérgio na rádio é um luxo. E calcula-se o que lhe custou a mudança de horário: dos fins de noite na Rádio Comercial (onde o «Som da Frente» estava arrumado há anos) para o «Grande Delta» nas manhãs da XFM (onde lhe foi pedido e autorizado que fizesse barulho antes do almoço). O luxo -- essa viatura «rolls rock» potente, motor de boa linhagem mesmo quando a escape livre, que António Sérgio conduz há década e meia -- foi, entretanto, enriquecido. Com abençoadas «colheres de blues», por exemplo. Ou com algumas das crónicas «Espanta-Espíritos» espalhadas pela grelha da XFM.

Para se afirmar como «a» alternativa, a XFM não foi buscar apenas António Sérgio, mas quase toda a restante nata de realizadores de rádio que exerciam o seu «direito à diferença» noutras ondas. Como Ricardo Saló (de «Janela Indiscreta» ou «Em Busca do Acorde Perdido» na Antena 1), Aníbal Cabrita (o veterano da equipa, autor, com Maria José Mauperrin, do «Café Concerto» na Comercial) ou Sílvia Alves (a voz sumptuosa de «Sete Mares», nas tardes da Antena 1).

As grandes marcas de «whisky» tornaram-se objecto de interesse e de infatigáveis discussões em praticamente meio mundo. Em causa está a crise que afecta as grandes destilarias, a quebra das vendas, os «take-overs» que se sucedem. É o fim de toda uma era que parece aproximar-se. Mas a indústria do «whisky» já atravessou muitas crises e a todas tem conseguido sobreviver. Os novos mercados estão no Oriente.

Na actual conjuntura sócio-económica, as grandes marcas da famosa bebida, absolutamente globalizadas, tornaram-se centro de interesse e de infatigáveis discussões em praticamente meio mundo. Só no Reino Unido, as vendas de «whisky» baixaram 30 por cento desde 1979. No Japão e no Oriente em geral, nos Estados Unidos, na Europa, a crise das vendas tem-se igualmente acentuado, e grandes nomes, como os da United Distillers (Johnie Walker, Dewars, Bells), têm vindo a perder terreno no mercado.

Como apareceu o «whisky» no mundo, o tal «scotch», que em Portugal era conhecido apenas porque as grandes «estrelas» dos filmes antigos o saboreavam?

Em 1660 apareceram as primeiras destilarias comerciais, uma das quais, propriedade da família Forbes, de Culloden, se situava em Dingwall, no distrito de Inverness. A produção do «usquebaugh» atingiu rapidamente os 40 mil galões, mas o contrabando levou muitos produtores conscienciosos à ruína e, de entre os mais significativos, só os Forbes conseguiram resistir.

Até 1820, o «whisky» produzia-se em alambiques de cobre, utensílios parecidos com cebolas de enormes proporções que terminavam em forma de longos pescoços de cisne -- sistema que ainda se aplica na obtenção de «wkiskies» de malte simples em destilarias rudimentares.

Já em estado de farinha grosseira com a consistência da aveia, o malte é então mergulhado em água quente para depois, num vaso especial, se operar a junção que liberta novos açúcares, enquanto o fluido daí resultante é transferido para vasos metálicos ou de madeira.

A lei seca, nos Estados Unidos, fez diminuir as exportações e levou quase à ruína algumas das grandes firmas escocesas. Tornou-se essencial unir esforços. A John Walker & Sons, a James Buchanan & Co., a John Dewar & Sons, a Peter Mackie & Co. e a John Haig & Co. uniram-se na Distillers Company. Quando chegou o fim da II Guerra Mundial, o consumo de «whiskies» cresceu fortemente. Nos filmes americanos, todos os personagens bebiam «whisky», e o homem e a mulher comuns seguiram-lhes os passos.

Renascia a posição dos maltes e, actualmente, são estes que o público reconhece como os «whiskies» de maior pureza e mais alta qualidade. Por isso, são mais caros. Dalmore, Glenfarclas, Glenfiddich, Glenkinchie, Glenmorangie, Highland Park, Laphroaig, Macallan, Talisker, Isle of Jura são os eleitos. Encontram-se nas garrafeiras dos «connoisseurs», nos «bares» dos melhores hotéis e restaurantes e em casa de todo o cidadão que, apreciador do seu «whisky», prefere o melhor. J.A.

Se a ópera está morta, qual foi a última ópera? «Wozzeck» foi dito, mas depois foi completada postumamente «Lulu», do mesmo Berg, e entretanto já se dizia ser antes «Os Soldados», de Zimmermann, a última ópera. Ao mesmo tempo que esta ópera tomava a Bastilha, noutro teatro parisiense ouvia-se em estreia a voz da profetisa,

E em torno de Wagner se fez culto, voltando a celebrar, nos termos de um Nietzsche então ainda wagneriano, «O Nascimento da Tragédia». Assim falou Zaratustra -- ou terá antes sido Cassandra, a quem, por ela rejeitado, Apolo deu o dom da profecia e desferiu a maldição de ninguém nela crer? Mas eis que poucas décadas volvidas sobre a morte em Veneza do profeta, «a obra de arte do futuro» estava morta.

«Cinderella», na versão de Fernando Gomes, inclui um príncipe armado em turista e um rei birrento que quer ser avó. E não esquece as duas irmãs e a invejosa madrasta. O primeiro espectáculo teatral de Lisboa-94 é uma revista à portuguesa e estreia hoje no Maria Matos. Branca de Neve e os sete anões são os convidados especiais desta história.

Mal seria se Cinderela vivesse num T0 nas Galinheiras, fosse uma mulher emancipada, sofresse de «stress», desse uma tampa ao príncipe e faltasse ao baile para ir de férias. Gerações de pais e filhos ficariam desiludidos, gritariam que não, que não podia ser, e o mito desapareceria.

Não é por acaso que no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia se mostra Bruce Nauman, um artista que foi ponto de referência das correntes que, nos meados/fins da década passada, reavaliaram as linguagens dos conceptualismos. Reavaliação que em Espanha é visível nas obras e exposições de Nacho Criado (Galeria Ginkgo), Alfredo Jaar (Galeria Olivia Arauna), Dario Corbeira (Galeria Juana Mordó), Jaume Plensa (Galeria Gamarra e Garrigues), José Maria Guigarro (Galeria Fúcares), Rogelio Lopez Cuenca (Galeria Juana Aizpuru), ou Manuel Saiz (Galeria Moriarty).

Gerard Richter, com uma selecção de obras de quase todas as suas fases, interroga (de modo mais radical do que se podia supor) a solução da representação renascentista; Kabakov recria, como o fez na Documenta de Kassel de 1992 ou na Bienal de Veneza do ano passado, um ambiente total: espaços de habitação ou ocupação, onde à escala 1/1 encena ambientes percorríveis pelo espectador. «Vende-se» é o título. O colectivo «Art & Language» apresenta obras recentes onde a imagem tradicional é representada (pintada) e depois ocultada (por vidros também pintados). Os seus «Índices» são, desse modo, verdadeiros «Index» -- onde o ver é sujeito a um corte violento.

No mercado automóvel, conquistar uma imagem de marca de quase intocabilidade é uma proeza difícil. A Audi já há muito o conseguiu e agora, mesmo sem grandes inovações, a tarefa fundamental é manter a tradição. Missão cumprida, com esta 80 Avant 1.6E.

Uma potência de 100 cv é, ou não, suficiente para propulsionar alegremente uma carrinha que pesa 1270 kg? A resposta, neste caso, não é definitiva. Dependerá, mais do que do condutor e das qualidades dinâmicas do próprio veículo, do país de que estamos a falar. Na Alemanha, a dicotomia cidade/auto-estrada faz sentido e, por isso, as relações de caixa reflectem a necessidade de conseguir um andamento vivo nas mudanças mais baixas e a capacidade para alcançar e manter uma boa velocidade de cruzeiro.

Aí pelos anos 5O, Al Capone tinha o quartel-general numa leitaria da Avenida Almirante Reis quase à esquina da rua José Falcão. Podíamos vê-lo, sentado na mesa do fundo a acariciar os anéis de brilhantes ou a olhar-se num espelho de parede emoldurado por dois anjos de latão. Usava uma tira de elástico a apertar as mangas da camisa, como os heróis da época da Lei Seca, tinha um engraxador que lhe vinha espelhar os sapatos todos os dias mas falava axim porque era dos lados de Viseu.

Palavras, o menos possível. Al Capone da Conceição comia de jornal aberto como nos filmes, e se alguém lhe desejava bom proveito respondia com um aceno duma sílaba.

O pequeno Peugeot 106 XS revelou-se um excelente estradista. Possuidor de uma direcção leve e precisa, com reacções sãs e previsíveis, tem um «look» atrevido que o torna notado, na estrada como na cidade. Sem a agressividade do XSi, é contudo suficientemente espevitado para agradar a um público jovem e exigente.

Hidra-Star, hidratante poliactivo integral é a novidade do ano de 1994, da Christian Dior. Hidrata, protege e alimenta e tem duas texturas à escolha: uma destinada à pele normal e mista e outra à pele seca. Para a primeira, o tratamento de dia faz-se com os produtos «Fluide Léger» (fresco e com acabamento mate para climas quentes), «Emulsion Subtile» (ultra-fina e fluída para todas as circunstâncias), ou «Crème Delicate» (a solução ideal para os ambientes com ar condicionado ou sobreaquecido). Para a noite, o creme especial para alimentar as peles normais é «Crème Veloutée Nuit». Na gama das peles secas, para o dia utilizam-se «Émulsion Tendre» (para os meses de Verão), «Émulsion-Crème Douce» (para todas as circunstâncias) e «Crème Soyeuse» (creme antifrio ou para condições extremas montanha, mar, vento). Para a noite, a alimentação fica ao cuidado do «Crème Onctueuse Nuit».

Tinha chegado ao fim um dos dias mais longos da história recente de Portugal. Operações militares na madrugada de 26 de Abril de 1974 ainda as havia, embora já não sobrassem dúvidas sobre a vitória do levantamento levado a cabo na véspera pelo Movimento das Forças Armadas (MFA). O Governo rendera-se; Marcelo Caetano e Américo Thomaz encontravam-se detidos; as forças do regime tinham desistido, praticamente sem oferecerem resistência.

Ali estavam os primeiros rostos do poder pós-marcelista, pouco antes heróis militares do regime em queda, os generais António de Spínola e Francisco Costa Gomes, destituídos em Março dos cargos de vice-Chefe e Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas por se terem recusado a integrar a «brigada do reumático» -- designação com que ficou conhecido o grupo de oficiais que, nesse mês, acorreu a S. Bento para prestar vassalagem a Marcelo Caetano. Aparentemente, eram eles os homens fortes do novo regime.

enores. Ninguém, na Junta, levantou grandes problemas ao programa do MFA», afirma o marechal Costa Gomes, que se sabe ser o autor de algumas alterações ao documento inicialmente redigido por Melo Antunes (nomeadamente no que respeita à extinção da PIDE-DGS).

Vítor Crespo afirma que o direito à autodeterminação nunca chegou a estar claramente consagrado no programa inicial, embora esta fosse a solução defendida por quem o escreveu: «O MFA era um movimento muito amplo, que congregava pessoas com diferentes ideias, e, nessa fase, não chegara a altura ainda de se concretizar que a solução passava apenas pela via da autodeterminação e da independência.»

Ele ainda há quem goste de nós, portugueses. O que é bom. A mim, ao menos, faz-me sentir bem. Até porque sendo sina de Portugal comer, beber e dizer mal, muito mal, de si próprio, é magnífico descobrirmos alguém, ainda para mais estrangeiro, muito melhor, espanhol, a tecer loas às nossas gentes, paisagens comidas e bebidas. É o senhor José F. Perez Gállego, autor de «La Guía del viajero gastrónomo. Portugal», editado por Grupo Anaya, SA, 1993, Madrid, que não é de modas. Ora vejam só como ele começa o livro:

Em relação à cozinha, talvez José F. Pérez Gallego exagere um pouco, mas ainda bem que ele o escreve. Porque o que domina em muito restaurante português é uma cozinha afrancesada ou aparentada, mas geralmente sem a grandeza e o requinte da original.

Talvez por ser rara, talvez por ser branca, não há quem lhe resista. Pode parar o trânsito, fazer muito frio, até causar alguns acidentes, mas é dificil resistir ao seu enlevo. A neve que oculta as formas sob o seu manto fez muitos portugueses esquecerem, por momentos, que estão condenados ao binómio chuva/sol. Foi assim no final da semana passada, com a neve a cair um pouco por todo o país, em locais tão improváveis como Penafiel (na foto) ou Santo Tirso, bem longe dos que a tratam por tu para os lados da Guarda ou de Bragança. Um atrevimento caído do céu que aflorou mesmo as planícies alentejanas.

Para os socialistas, que acusam o novo regime de ser «mais centralizado» e de permitir «maior discricionariedade ao ministro da Educação», não ficou claro que o estatuto dantes em vigor não funcionava. Por isso, exigem ao Governo uma «explicação cabal dos motivos de alteração da lei» e um balanço da aplicação do anterior estatuto do ensino superior particular.

Deveria ter hoje (dia 10) início, no Coliseu portuense, o II Ciclo de Ópera do Porto, com a apresentação de «Aida», de Verdi, pela Ópera de Lodz. A impossibilidade -- devido ao mau tempo, explica a administração do Coliseu -- da referida companhia se deslocar ao Porto, no âmbito de uma digressão prevista para a Península Ibérica, levou ao adiamento do espectáculo para data a anunciar. O Coliseu do Porto mantém, no entanto, o restante programa do ciclo, este ano especialmente dedicado a Verdi. Assim, serão apresentadas as óperas «Rigoletto», pela Ópera Nacional de Kiev (15 de Abril); e «Traviata», pela Ópera Nacional de Sófia (9 de Maio). O Ciclo termina, a 27 de Maio, com a interpretação da cantata «Carmina Burana», de Carl Orff, pela Orquestra Filarmónica Arthur Rubinstein.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo (SNPV) assinou ontem com a administração da TAP um acordo social que tem por base o regime sucedâneo. Nos termos do acordo fechado, o pessoal de voo não terá qualquer aumento salarial este ano, a exemplo do que sucedeu em 1993, enquanto as horas de voo são aumentadas das actuais 550 horas anuais para 750, à semelhança do que acertaram os pilotos com a administração da companhia aérea. O pessoal de voo abdica assim de receber horas extraordinárias, as quais «terão sido compensadas pela atribuição de subsídios» e pelo recebimento de uma comissão sobre as vendas de bordo, conforme disse ao PÚBLICO o secretário de Estado dos Transportes, Jorge Antas. Questões como os seguros também foram contempladas no acordo agora assinado.

MISSIONÁRIOS CONDENAM BOMBARDEAMENTO -- Os missionários católicos da Arquidiocese de Huambo condenaram o «bombardeamento massivo contra a cidade do Huambo, que causou vítimas humanas», noticiou ontem a rádio oficial da UNITA, captada pela agência Lusa em Luanda. Os missionários consideraram o ataque do dia 7 como «injusto», pediram aos políticos que acautelem o processo de paz a decorrer em Lusaca e saudaram os presidente de Angola e da UNITA por não terem posto entraves à continuação das conversações da capital da Zâmbia. As Nações Unidas e a comunidade internacional «não devem deixar cair a esperança que os angolanos depositam no processo negocial», acrescenta a declaração.

Anteriormente a votação sofrera dois adiamentos, mas uma intensa mobilização dos partidos que apoiam o Governo, depois de um apelo dramático do ministro das Finanças, na televisão, garantiu a aprovação do FSE no Congresso Revisor da Constituição por ampla maioria de 388 votos favoráveis, 38 contra e quatro abstenções. Os 82 parlamentares de centro-direita que obstruíam a votação ausentaram-se do plenário.

A antiga firma de advogados da «primeira dama» norte-americana, Hillary Clinton, destruiu na semana passada documentos relacionados com o escândalo Whitewater, um negócio imobiliário no Arkansas envolvendo o actual Presidente dos EUA e que se encontra actualmente sob investigação judicial, noticiou ontem o «Washington Times». Um alto responsável da firma, em Little Rock, classificou a notícia como «absolutamente ridícula». O jornal citava um empregado não identificado da Rose Law, a firma de que Hillary Clinton era sócia antes da eleição do seu marido, Bill, para a Presidência. A fonte revelou que os documentos destruídos estavam relacionados com o envolvimento dos Clinton no negócio de especulação imobiliária.

O Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (INETI) contestou, ontem, a afirmação da empresa Metalimex de que teria havido um enganado nas análises das escórias de alumínio importadas da Suíça e armazenadas no Vale da Rosa, em Setúbal. A Metalimex sustenta que a unidade utilizada pelo INETI nas análises realizadas em 1991 para a concentração de metais pesados nas escórias (miligrama por quilograma de amostra seca) não é a mesma da proposta de directiva para deposição de resíduos em aterros controlados (miligrama por litro), utilizada pelo Ministério do Ambiente para classificar os resíduos como perigosos. Segundo a Metalimex, os resultados teriam de ser divididos por dez, caindo, assim, abaixo dos limites de perigosidade estabelecidos pela proposta de directiva.

Cavaco Silva já decidiu. Este ano vai dar a tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. É isto mesmo que vai dar a conhecer hoje de manhã aos seus pares no Conselho de Ministros. Na ocasião recordará a decisão de ano passado para reconhecer que a sua posição não foi compreendida, pelo que não valerá a pena manter a situação. Pesou ainda na opção de Cavaco o veto à legislação sobre feriados. Recorde-se que o Presidente da República não deixou passar um diploma que, além de eliminar o feriado em algumas datas tradicionalmente comemoradas pelos portugueses, optava por juntar grande parte dessas folgas a fins-de-semana tentando impedir as «pontes». Em abono desta legislação, o Governo argumentava com a excessiva perda de dias de trabalho que as «pontes propiciavam», enquanto a oposição respondia com a falta de sensibilidade e de respeito pelas tradições culturais e religiosas do Executivo para se lhe opôr. Como as pretensões deste acabaram por não vingar, Cavaco Silva também não acha necessário insistir numa situação de excepção, isto é, fora do quadro que idealizou. É isto, em síntese, o que os ministros vão hoje ouvir no período habitual de informações, que precede as reuniões do Governo, à quinta-feira. O país pode gozar, enfim, o Carnaval.

Em Belém, aguardava-se, ontem, a decisão governamental, para confirmar se haveria ou não tolerância de ponto. No ano passado, os serviços da Presidência da República apenas cumpriram formalmente, através de meia dúzia de presenças, os desejos do primeiro-ministro. Áurea Sampaio/Ângela Silva

Deus Pinheiro defende transparência -- João de Deus Pinheiro defendeu ontem, em Estrasburgo, o livre acesso a 99 por cento da documentação produzida pela Comissão Europeia. Para o comissário português, que falava aos jornalistas no Parlamento Europeu, a apenas um por cento dos papéis que circulam em Bruxelas deve ser aplicado um secretismo «por todos bem compreendido». Os cálculos de Deus Pinheiro foram conhecidos no dia em que a Comissão determinou o acesso dos jornalistas e dos cidadãos em geral à vasta maioria dos documentos internos por ela produzidos.

Nos últimos tempos afastou-se do PSD, desiludido por se considerar uma «vítima do actual governo», mas continuou a dar «donativos banais» ao partido, sobretudo ao nível da sua terra, nas Gafanhas, perto da Barra, Aveiro. Silva Vieira é importador de bacalhau e é um dos descontentes com a situação de recessão em que o sector se encontra mergulhado.

Lídia Jorge e Glória de Matos demitem-se da AACS -- A escritora Lídia Jorge e a actriz Glória de Matos apresentaram ontem as suas demissões da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), ao seu presidente o juiz conselheiro Pedro Marçal. O clima que se instalou, desde a semana passada, depois do debate parlamentar e da demissão de Miguel Reis, que reconhecia a inoperacionalidade da AACS, terá estado na base da demissão de Lídia Jorge. Glória de Matos, como foi noticiado durante o fim-de-semana, tenciona regressar ao exercício da sua profissão de actriz. Até ao fecho desta edição, o PÚBLICO não conseguiu contactar Lídia Jorge nem Glória de Matos.

Afirmando que «não podia ficar indiferente a esta situação», apesar de «não ser da sua competência directa», a CML considera «preocupantes» as declarações públicas sobre a redução ou abandono dos apoios sociais, «no período em que estas famílias estão particularmente fragilizadas». Saudando a intervenção da Obra Católica das Migrações e do padre Manuel Soares na defesa desses 32 cidadãos, a CML pronuncia-se pela «urgente adopção de medidas de apoio social que dêem resposta a estas situações de emergência» e disponibiliza-se para colaborar nesse objectivo.

Respondendo ao apelo do sindicato polaco Solidariedade, milhares de pessoas manifestaram-se ontem à tarde no centro de Varsóvia, protestando contra a política social e económica do governo de Waldemar Pawlak. A manifestação, que juntou cerca de 40 mil pessoas segundo o Solidariedade, e 20 mil segundo a polícia, reuniu delegações sindicais vindas de autocarro de diversas regiões da Polónia, nomeadamente da Silésia (sul), de Gdansk (norte) e de Lodz (centro). Percorrendo durante três horas as ruas da capital, os manifestantes transportavam cartazes que diziam «Stop ao desemprego», «Chega de aumento de preços» e gritaram slogans hostis ao governo de esquerda: «Comunistas, vão para Cuba», «Abaixo os ladrões vermelhos». A manifestação que, segundo os organizadores, não teve um objectivo político mas «unicamente social» contou com a deposição de uma urna vermelha em frente da sede do governo.

Karadzic vai mais longe, dizendo que testemunhas presentes no mercado asseguraram que ali se encontravam, no momento da explosão, apenas algumas dezenas de pessoas e não 300. «Todas as testemunhas, mesmo os muçulmanos em meios de comunicação controlados pelos muçulmanos, notaram que esta foi uma bomba invulgar, porque não se ouviu o habitual som de assobio antes da explosão.

Em quase todas as análises sobre as vantagens e riscos dos raides aéreos contra as posições dos sérvios bósnios, a lista dos riscos é sempre mais longa que a das vantagens.

­ Se os sérvios lançassem um ataque a Sarajevo após a intervenção aérea, a NATO correria o risco de se envolver num conflito interminável onde, como ficou demonstrado na Somália, a superioridade tecnológica poderia não ser suficiente. Especialistas têm referido que a artilharia e os tanques sérvios possuem grande mobilidade e podem ser facilmente ocultados. Por sua vez, as posições sérvias e muçulmanas estão frequentemente tão próximas umas das outras que os bombardeamentos poderiam vitimar combatentes dos dois lados.

A possibilidade de ataques aéreos da NATO contra posições sérvias em redor da capital da Bósnia ficou mais próxima com o ultimato saído da longa reunião da Aliança Atlântica em Bruxelas. Os sérvios têm dez dias para retirar as armas pesadas que mantêm em redor de Sarajevo. A NATO não se deixou impressionar pelo acordo entre sérvios e muçulmanos bósnios alcançado de surpresa em Sarajevo e que contempla isso mesmo: cessar-fogo e retirada da artilharia pesada. Preferiu manter a pressão, até porque os cessar-fogos na Bósnia têm sido às dezenas desde o início do conflito e todos eles duraram no máximo alguns dias. E este não dá mais garantias.

Caso contrário -- decidiram os países da Aliança -- serão accionados os mecanismos para desencadear ataques aéreos contra aquelas posições.

Em Sarajevo, a carnificina leva a indignação a novos níveis. Mas, em Mostar, a capital da Herzegovina, há um nível de degradação que choca mesmo os que conheceram bem Sarajevo. Pessoas que há muito são fustigadas por fogo de artilharia e de atiradores furtivos vivem metidas em caves, raramente se aventurando no exterior, excepto para ir buscar água.

A maior parte fugiu para o outro lado do rio, embora os muçulmanos continuem a resistir numa faixa de território, de escassos quilómetros de largura, na parte ocidental, na qual se situam os bairros de Donja, Mahala, Semovac, Bulevar e Cernica. Alguns civis continuam também a viver aí, numa situação ainda mais vulnerável do que a dos seus companheiros nos bastiões muçulmanos, a oriente. Os contactos entre uns e outros são feitos por uma ponte a desmoronar-se, atravessada durante a noite.

A PARTICIPAÇÃO portuguesa em eventuais operações aéreas sobre a Bósnia deverá apenas envolver as tripulações dos aviões AWACS, actualmente integradas na Força Aerotransportada de Aviso Prévio da NATO.

De qualquer modo, os indicadores que existem relativamente à eventualidade de raides aéreos de bombardeio de precisão sobre a Bósnia apontam para o desejo de Portugal se deixar ficar, tanto quanto possível, de fora. O próprio primeiro-ministro se pronunciou nesse sentido, na segunda-feira, quando entrevistado na TVI.

A proposta dos 24 cursos da Universidade da Madeira (UMa), num total de 27, foi finalmente homologada, aguardando-se a sua publicação no Diário da República. O anúncio foi feito esta semana no Funchal pelo presidente da comissão instaladora, David Pinto-Correia, na posse dos corpos dirigente da respectiva associação académica.

«Quem paga manda», foi o recado deixado pelo então ministro da Educação Couto dos Santos quando empossou a actual comissão administrativa da UMa. Na altura, o executivo de Jardim apresentara um projecto de regionalização do ensino superior na Madeira, proposta que, sem qualquer resposta, repousa há seis meses numa gaveta do Ministério.

Os alunos que tenham excedido o limite de faltas nas disciplinas de Educação Moral e Religiosa, Desenvolvimento Pessoal e Social e Educação Física vão ser obrigados a fazer um exame no final do ano lectivo.

Por esse facto, e dada «a importância da assiduidade regular no sucesso educativo dos alunos», Castro de Almeida determina que a classificação final nas três disciplinas não seja considerada para efeitos de classificação final no ensino secundário. Não obstante, os alunos faltosos ficam sujeitos à realização de uma prova, o que, no caso da Educação Física, vem ao encontro dos anseios dos professores que já tinham manifestado o seu desacordo em relação ao facto de a sua disciplina não contar para a classificação final.

A Madeira deve definir, "até ao fim do século", um modelo educativo próprio, "mais conforme com a sua estratégia de desenvolvimento". Menos radical do quando tomou posse, o secretário regional da Educação, em declarações ao PÚBLICO, revela que o novo enquadramento normativo "não vai pôr em causa a unidade nacional do sistema educativo".

O projecto de regionalização do sector educativo, avançado pelo governo regional, tem encontrado oposição no Ministério da Educação e motiva algum receio nos professores madeirenses, cujo sindicato defende, "como prerrogativa da autonomia, uma regionalização gerida com bom senso e critério" e "não apenas um slogan partidário usado de forma arbitrária". A ministra Manuela Ferreira Leite, em recentes encontros com Alberto João Jardim e Francisco Santos, mostrou-se intransigente na salvaguarda da "unidade do sistema educativo português".

O Ministério da Educação vai esperar até 1996 para decidir se faz ou não a revisão dos novos programas que estão a ser aplicados nos vários ciclos de ensino. No que toca ao 1º ciclo, o prazo de vigência foi alargado mais quatro anos. Mudanças, só depois da generalização dos novos conteúdos programáticos. Tudo a bem da estabilização do sistema.

Esta decisão foi desencadeada com a necessidade de rever os programas do 1º ciclo. O ministério promoveu um inquérito aos professores daquele nível e constatou uma grande receptividade aos novos índices programáticos que estão a ser aplicados no terreno. Aparentemente, está tudo bem nas escolas.

O grupo parlamentar do Partido Socialista apresentou quarta-feira na Assembleia da República um pedido de ratificação do novo estatuto do ensino superior particular e cooperativo, em vigor desde finais de Janeiro.

Ainda não se sabe se os deputados da maioria votarão contra ou a favor deste pedido de mudança das regras do ensino superior particular. Carlos Lélis, do PSD, explicou ao PÚBLICO que irá aproveitar a ida da ministra hoje à comissão parlamentar de Educação para a questionar sobre o assunto.

A Cultura em Portugal tem um estatuto especial. Não especial no sentido em que seja particularmente beneficiada com apoios financeiros generosos, mas porque tanto a Lisboa / 94 Capital da Cultura, quer a Lisboa 98, Exposição Internacional, quer a Fundação das Descobertas, que gere o CCB, as empresas responsáveis pelos eventos beneficiam de um estatuto especial: são sociedades de capitais públicos e simultaneamente de direito privado. Por isso, gozam das prerrogativas de investimentos das segundas e da irresponsabilidade das primeiras.

A Torre de Belém, símbolo de Lisboa e do Portugal das Descobertas -- que continua a aparecer nas revistas estrangeiras como isco para os estrangeiros que nos visitem --, continua em obras e esteve coberta de panos. Os jornais apontaram a incongruência, a Torre foi libertada da sua mortalha (ver PÚBLICO de 26 / 1 / 94). O reservatório da Patriarcal (que a EPAL se comprometera a recuperar) só o vai ser porque, mais uma vez, os jornais denunciaram o ridículo da situação: a empresa das águas considerou má para a sua imagem não cumprir a promessa, que para se realizar obrigará, no entanto, a uma transferência de verbas da Sociedade Lisboa 94 que matará uma exposição (ver PÚBLICO de 1 / 2 / 94 e 9 / 2 / 94).

Leonel Gaspar, actual director dos Serviços Jurídicos -- que se tornou conhecido em Setembro de 1991, quando foi acusado pelo filho mais novo de Azeredo Perdigão, Pedro Paulo, de estar envolvido numa tentativa para afastar o antigo presidente do cargo -- pediu a reforma antecipada, o que se vai concretizar a partir de 28 de Fevereiro. Na acta número 3/94, de 18 de Janeiro, o Conselho de Administração (CA) da Gulbenkian afirma que aceita o pedido formulado por Gaspar numa «carta». Uma das curiosidades do caso é que este funcionário tem 48 anos, um jovem numa casa onde a maioria da administração conta mais de 70 anos.

A Secretaria de Estado da Cultura (SEC) ainda não entregou o subsídio anual que prometera a Lisboa 94. Embora o outro accionista do evento, a Câmara Municipal de Lisboa, tenha pago o que lhe compete a tempo e horas, a Capital da Cultura, que começa oficialmente a 26 de Fevereiro, vive dias difíceis. Despesas de funcionamento a mais, por exemplo com viagens da equipa, contribuíram para a situação.

Esta talvez não devesse ser hoje uma coluna de crítica, mas sim uma notícia de apresentação, pois, a julgar pelo Grande auditório Gulbenkian, praticamente vazio na terça-feira passada, dia 8 de Fevereiro, o nome de Vladimir Viardo é uma incógnita para o grosso dos melómanos portugueses. Ou talvez as razões para tantas cadeiras vazias se prendam com motivos de ordem prática, já que nessa noite outros dois acontecimentos marcariam as actividades musicais da capital: o «Orfeu» de Gluck no São Carlos e o concerto da Orquestra Sinfónica Portuguesa no Centro Cultural de Belém. Não será difícil, todavia, imaginar a perplexidade do pianista ao constatar a escassa afluência de público, mesmo tendo a consciência de que as obras apresentadas eram marginais ao reportório vulgarmente consagrado.

As delegações nacionais de vários países europeus do Comité de Defesa de Salman Rushdie vão entregar nas embaixadas iranianas, na próxima terça-feira, uma carta aberta a exigir a revogação da pena de morte que o «ayatolah» Khomeini proferiu contra o escritor britânico há cinco anos, no dia 14 de Fevereiro de 1989. «O apelo ao homicídio é um insulto à dignidade humana e ao Islão», diz o texto do documento, que afirma o direito inquestionável à liberdade religiosa.

O programa de terça e quarta-feira do 14º Fantasporto permitiu fazer, em alguns dos filmes exibidos em competição, uma curiosa viagem entre o cinema europeu -- e holandês, em particular -- e o dos países nossos antípodas, nomeadamente, a Nova Zelândia.

Bem nos antípodas do nosso país -- e do nosso cinema --, está a Nova Zelândia, de que pudemos ver dois filmes: «Jack Be Nimble», de Garth Maxwell; e «Desperate Remedies», de Stewart Main e Peter Wells. São duas obras de excesso. O primeiro, eleva ao paroxismo quase insuportável a desgraçada história de dois irmãos que o destino separou quando crianças. E o destino não os larga, ao longo das suas vidas, constantemente perseguidos pelo anátema do abandono e da culpa. Um filme difícil de digerir deste lado do globo. O excesso de «Desperate Remedies» é de outra ordem: é estético. Trata-se de um melodrama operático, em «decór» novecentista, que aposta obsessivamente numa «overdose» de citações estéticas e cinéfilas. Visconti e a música clássica, de Verdi a Berlioz, são as referências mais imediatamente visíveis nesta obra que acaba por cansar de tanto querer fascinar o espectador.

‚ Ornella Mutti, 38 anos, vai divorciar-se do seu marido Federico Facchinetti, com quem se havia casado em 1989, após dez anos de vida em comum. O pedido de separação de acordo mútuo deu já entrada num tribunal de Roma. Ornella tem três filhos, dois dos quais de Federico, que segundo as más-línguas está na falência. Os problemas do casal poderão ter começado quando foram publicadas as cartas de amor da actriz com o cantor Adriano Celentano, com quem teve uma aventura em 1981, altura em que já vivia com Federico. Ornella Mutti foi descoberta quando tinha 23 anos e apareceu num filme de Georges Lautner ao lado de Alain Delon. Recentemente, uma sondagem revelou que os italianos a consideram a mulher mais bonita do mundo, pondo-a à frente de Kim Basinger e Claudia Schiffer.

De acordo com o mesmo diploma, os funcionários da SEC-Norte que venham a ser transferidos para Vila Real passarão a beneficiar de incentivos salariais suplementares. Quanto ao futuro quadro de pessoal, a sua aprovação terá de ser ainda acertada entre o secretário de Estado da Cultura e o ministro das Finanças.

«A defesa da nossa língua comum é um acontecimento feliz.» Estas palavras, do Presidente da República, Mário Soares, legendaram o coro das intervenções, na cerimónia protocolar, ontem, 10 de Fevereiro, que marcou o início de «Vozes da Cidade», na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), Jornadas de Literatura e do Livro em Português, a decorrer em Lisboa até sábado, no âmbito de Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura (ver PÚBLICO de 10/2/1994).

O escritor moçambicano Luís Bernardo Honwana quebrou o protocolo e discordou de Constâncio: «Nacionalismo, palavra feia na Europa e no mundo, é muito cara para nós africanos.» Honwana argumentou dizendo que este facto advinha da circunstância da afirmação destes países proceder de uma herança colonial, onde as fronteiras não correspondiam às realidades culturais. O sentimento nacionalista conferiu e confere, no caso, a possibilidade destas identidades espartilhadas. «Por isso, nacionalismo é ideia que devemos resgatar», afirmou o intelectual moçambicano.

O carnaval madrileno é este ano enriquecido pela coincidência com a ARCO. E bem podem amparar-se. Nos anos 90, a feira perdeu motivos de atracção comercial e artística; o Carnaval ficou sem suficientes eventos de celebração pública. Muitos espanhóis e estrangeiros vão correr das salas de baile para os stands do Pavilhão de Cristal. Os resultados desse "zapping" será diverso para cada um -- mas igualmente fragmentado e de vaga memória.

No piso 1 da feira podemos encontrar outras galerias deste tipo, embora não lhes caiba o peso mítico atribuível ao velho senhor de Nova Iorque. A galerista Juana de Aizpuru, ligada à organização das primeiras ARCO, organizou ontem um grande almoço de homenagem dos galeristas presentes: Castelli mantém uma fidelidade à feira que ajuda a própria feira e seus participantes a fazer negócios -- isto numa conjuntura que, em termos comerciais, deixou há muito de ser excitante e em que cada presença de prestígio conta.

Promover acções de divulgação da prova nas escolas e levar os jovens a assistir aos jogos do «Europeu» de seniores masculinos, que se realiza em Portugal no próximo mês de Julho, são os objectivos da Federação Portuguesa de Andebol (FPA) e do Ministério da Educação, através do Departamento da Educação Básica (DEB) e o Departamento do Ensino Secundário (DES), que ontem assinaram um protocolo.

Quatro directores e cinco árbitros foram formalmente acusados, esta semana, pela polícia federal do Brasil de fraude e conspiração, depois de uma completa investigação, que durou mais de um mês, sobre «arranjos» fraudulentos no campeonato de futebol do Rio de Janeiro.

Continua a polémica sobre o acelerador electrónico «fly by wire» que a McLaren pretende utilizar este ano no seu modelo MP4/9 e que a Federação Internacional do Automóvel (FIA) continua a considerar ilegal face aos novos regulamentos. Na apresentação do seu novo modelo, Ron Dennis, «patrão» da McLaren, deixou claro que o monolugar estava equipado com este sistema e que demonstraria a sua legalidade. Na noite de quarta-feira, Max Mosley, presidente da FIA, manteve a polémica e deixou um aviso à McLaren-Peugeot: a equipa anglo-francesa estará sujeita a sanções se se apresentar num Grande Prémio com os aceleradores «fly by wire».

Os melhores tempos foram obtidos durante a sessão da manhã por todos os pilotos: Mika Hakkinen conseguiu então 1m14,009s (total de 26 voltas durante o dia) e Pierluigi Martini, que não cedeu o lugar a Michele Alboreto, voltou a ser o mais lento nas suas 39 voltas, não conseguindo melhor do que 1m15,577s. As três equipas continuam hoje os ensaios na pista do Estoril.

Vários membros da direcção e o secretário-geral do Leixões Sport Clube demitiram-se anteontem, por discordarem da forma como o presidente, Henrique Araújo, decidiu reaver parte do dinheiro que emprestou ao clube há cerca de seis meses, quando se candidatou à presidência. Araújo ficou com os 25 mil contos que a Câmara Municipal de Matosinhos, através da influência do seu presidente, Narciso Miranda, conseguiu angariar junto de alguns empresários locais, para ajudar o Leixões a fazer face à crise financeira que atravessa.

Lourival diz que «não está em causa a legitimidade do reembolso, uma vez que o clube deve dinheiro ao presidente», mas os elementos demissionários consideraram a atitude de Araújo «muito inoportuna», até porque o Leixões «continua com graves problemas financeiros» por resolver. «Os 25 mil contos em causa foram disponibilizados com a finalidade de ajudar o clube a sobreviver à crise e não para reembolsar o presidente», adianta. Para além disso, o facto de o assunto não ter sido debatido com todos os elementos da direcção terá desagradado por completo aos referidos elementos.

Foi a sua pior derrota da época e a proeza pertenceu aos Orlando Magic, que bateram no seu pavilhão os Atlanta Hawks, por 104-87, na jornada de quarta-feira da NBA, a liga norte-americana de basquetebol profissional.

Nos outros jogos, surpresa pela vitória dos Detroit Pistons, últimos da Divisão Central, no recinto dos Boston Celtics, quintos no Atlântico, por 102-95. A equipa «mais odiada» da liga contou com um Isiah Thomas em grande forma (28 pontos) para garantir um êxito saboroso. Robert Parish, uma legenda dos Celtic, também se destacou, com 17 pontos e 12 ressaltos.

O Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA) decidiu, na noite de quarta-feira, adoptar todas as medidas necessárias para evitar a invasão do público nos percursos das provas especiais de classificação dos ralis do Campeonato do Mundo. Em nome da segurança, a vigilância vai aumentar.

Entretanto, mais de duas dezenas de pilotos prioritários FIA confirmaram já a sua inscrição no Rali de Portugal/TAP, destacando-se entre eles o actual campeão do mundo, o finlandês Juha Kankkunen, e o vencedor da edição do ano passado, o francês François Delecour. As inscrições para esta prova, que pontua para o «Mundial» de ralis, para a Taça do Mundo FIA de 2 litros e para o «Nacional» de ralis, encerraram ontem, mas a relação só estará completa nos próximos dias, depois de analisadas as inscrições enviadas pelo correio.

Bernard Tapie, proeminente homem de negócios, presidente do clube de futebol Olympique de Marselha (OM), deputado à Assembleia Nacional francesa, candidato a autarca e às «europeias» de Junho, tem a liberdade presa por um fio. O juiz de Valenciennes Bernard Beffy acaba de o libertar sob caução.

Em audiência que não durou mais de meia hora, Tapie foi então inculpado pelo juiz Beffy de «corrupção e suborno de testemunhas», passando a sujeitar-se ao controlo judiciário, embora tenha mantido a liberdade sob caução de 250 mil francos (cerca de 7500 contos). Para mais, o acusado não mais poderá encontrar-se com os restantes implicados no processo e é também obrigado a deixar a presidência do Olympique de Marselha -- que segue no 2º lugar do campeonato francês da I Divisão -- até ao dia 15 de Abril.

Como será a Liga profissional de futebol nos Estados Unidos após o «Mundial»? Para já tudo está ainda numa fase de estudo. Contudo, há já alguns dados importantes. Serão 12 equipas da Liga principal e tal como na NBA poderá ser criado um tecto salarial para os ordenados a pagar aos futebolistas.

R. -- O modelo para que se aponta é o de tudo pertencer à Liga, que ficará ligada à Federação, até porque o presidente é o mesmo, Alan Rothenberg. Já decidimos que a Liga Profissional terá no máximo 12 clubes, já temos propostas para mais de 20 e queremos que sejam o mais possível distribuídos por todo o território nacional. Os clubes, pelo menos na primeira fase, serão pertença da Liga, que dará uma espécie de «franchise» às pessoas e aos grupos que se candidatarem.

A primeira peça do veículo que será no futuro produzido em Palmela pela Ford/VW foi ontem prensada. Mas foram as dúvidas sobre o cumprimento do contrato de investimento que dominaram a cerimónia.

No discurso de recepção aos que presenciaram a cerimónia, o administrador-delegado da AutoEuropa, Karel Willaert, deu os primeiros sinais de antecipação às perguntas previsíveis. «Queremos que os portugueses saibam que estamos a cumprir o nosso plano de implantação, bem como o respectivo calendário». Sublinhou a «solidariedade institucional que tem rodeado o projecto» e, sem qualquer alusão ao cumprimento das estimativas de produção e vendas, deixou uma promessa: «de acordo com os compromissos e com o calendário programado, prometemos continuar a tudo fazer para que a Autoeuropa venha a ser, como estamos certos que será, um factor de bem-estar para quantos nela trabalhem e um contributo importante para o desenvolvimento desta região e do país».

A Bolsa de Hong Kong esteve ontem encerrada por ser feriado nacional. Na sessão da véspera o mercado limitou-se a cumprir meia jornada. Estas paragens devem-se ao início do novo ano chinês, desta vez o ano do Cão, com as comemorações a apoderarem-se do dia-a-dia dos cidadãos. Nas poucas horas da sessão de quarta-feira os investidores estiveram pouco activos. As cotações subiram ligeiramente, encerrando o índice com um ganho de 0,44 por cento.

O mercado accionista da Bolsa de Tóquio voltou ontem a recuperar, depois de algumas descidas. O aumento das ordens de compra foi uma das causas que levou ao crescimento das cotações. As últimas horas do dia revelaram-se extremamente úteis pois foi nos últimos momentos que as cotações deram o esticão final. No termo da sessão o índice Nikkei cotou-se nos 19.990,7 pontos, mais 0,75 por cento face ao fecho de quarta-feira.

A Bolsa de Frankfurt terminou em alta, mas abaixo dos valores mais elevados alcançados durante a sessão, já que uma onda de cobertura de posições deteriorou ligeiramente as cotações. Os preços permaneceram, contudo, relativamente estáveis, especialmente na fase final do dia. Este comportamento positivo foi suportado pela estabilidade do mercado de futuros de obrigações. O índice DAX-30 encerrou nos 2118,96 pontos, mais 1,61 por cento.

As «blue-chips» da Bolsa de Zurique voltaram a perder 40 pontos durante uma sessão em que a actividade foi importante. Vendas com origem em investidores estrangeiros, designadamente perto do fecho, foram a causa apontada por operadores para justificar a queda das cotações e dos indicadores bolsistas. Após os cálculos finais, o índice Swiss Performance acabou nos 1917,64 pontos, menos 1,03 por cento. Destaque para as acções da Nestlé.

O Banco de Comércio e Indústria (BCI) terminou o exercício de 1993 com uma quebra de 81 por cento nos resultados líquidos. Os lucros do banco totalizaram 417 mil contos, contra os 2,2 milhões de contos alcançados no final de 1992. Desde 1990 que os resultados líquidos do banco registam sucessivos decréscimos.

Os responsáveis do banco anunciaram também o lançamento de uma nova "superhipoteca" com uma taxa de juro variável. Para o primeiro ano, a nova taxa será fixada em 10,5 por cento, com objectivo de promover o novo produto. A taxa é renovada anualmente tendo como indexante a Lisbor a um ano acrescida de dois pontos percentuais.

A aprovação ontem pelo Conselho de Ministros de um diploma que transpõe para a legislação nacional as directivas da denominada "terceira geração" da actividade seguradora Vida e não Vida, completando o processo de integração, farão com que o Instituto de Seguros de Portugal (ISP) deixe, a partir de Julho próximo, de supervisionar as companhias cujas sede-mãe não se encontrem em território nacional. A partir daquela data, a actividade do seguro directo ficará sujeita ao regime de autorização única, a qual será concedida pelo Estado membro da União Europeia em que a empresa de seguros estabeleça a sua sede social e será válida para todo o espaço comunitário. Com este diploma, aumentará o grau de exigência na verificação dos requisitos quanto à idoneidade e «conhecimento técnico-financeiro» dos detentores de participações qualificadas e dos membros da administração ou seus mandatários. A supervisão passará a ser exercida à posteriori e incidirá sobre a solidez financeira das empresas, acabando a aprovação prévia de condições e tarifas. O leque de medidas de intervenção nas seguradoras com problemas será alargado, ficando a competência a cargo do ISP, o mesmo acontecendo com a revogação da autorização de actividade.

Os ministros das Finanças da União Europeia vão reunir-se informalmente na próxima segunda-feira. Trata-se da primeira vez que o novo ministro das Finanças português, Eduardo Catroga, participará numa reunião de ministros dos Doze. Da agenda do encontro faz parte a análise do programa de convergência revisto, que foi apresentado por ocasião da discussão do Orçamento do Estado para 1994, e sobre o qual os ministros das Finanças dos Doze poderão emitir uma recomendação.

Um carro norte-americano exportado para o Japão tem o seu preço encarecido em cerca de 40 por cento, em virtude de os mercados nipónicos serem fechados. Esta é a principal conclusão de um estudo encomendado por Washington e por Tóquio e elaborado pela American Booz-Allen and Hamilton e pelo Nomura Research Institute. Em média, afirma-se no estudo, um carro americano custa no Japão mais 20 por cento que os modelos nipónicos equivalentes, variando esta proporção entre um mínimo de cinco e uma diferença máxima de 41 por cento. Por outro lado, sublinha-se que no Japão apenas cerca de 40 por cento dos concessionários trabalham com carros importados, contra uma média de 94 por cento nos Estados Unidos, o que os coloca numa situação de dependência face os construtores automóveis nipónicos.

O Banco Comercial Português (BCP) tem em curso uma emissão de um milhão e 500 mil obrigações, com o valor nominal de dez mil escudos. A emissão realiza-se pelo método de colocação contínua e em séries, a primeira das quais decorreu no período de 22 a 31 de Dezembro de 1993. Enquanto estiver aberta, a subscrição é dividida em períodos quinzenais, com início nos dias 1 e 16 de cada mês. A taxa de juro será igual à Lisbor para o prazo de seis meses, divulgada às 11 horas na página da Reuter LBOA (ou outra que a substitua), reportada ao antepenúltimo dia últil do período de subscrição de cada série, para o caso do primeiro cupão, e anterior à data de início do respectivo período de contagem de juros, para os cupões seguintes, em qualquer dos casos acrescida de 0,125%. Para os cupões seguintes, a taxa de juro que resultar não poderá ser superior à Taxa de Base Anual (TBA), calculada e divulgada pelo Banco de Portugal, reportada à mesma data e acrescida de 1%. O reembolso efectuar-se-á ao par, de uma só vez, em 30 de Dezembro de 2003, se não ocorrer reembolso antecipado.

O dólar recuperou contra a generalidade das restantes divisas mas manteve-se numa banda de flutuação cambial bastante apertada, não se prevendo qualquer movimento acentuado antes do final do encontro entre Bill Clinton e o primeiro-ministro japonês, Morihiro Hosokawa, hoje em Washington. As incertezas quanto aos resultados da reunião e efeitos que poderão produzir nos mercados têm provocado um crescente afastamento de operadores e investidores.

O marco/escudo abriu em Lisboa no nível do 100,40/50 e oscilou durante a sessão entre 100,41 e 100,70, para se fixar nos 100,532 (100,492 no dia anterior). A queda do escudo acompanhou o movimento idêntico da peseta relativamente à moeda alemã.

As bolsas nacionais têm registado importantes valorizações nos últimos dias. A sessão de ontem ficou caracterizada por um aumento das cotações, o mesmo acontecendo com os negócios realizados. Muitas oscilações nos preços foram motivadas pela antecipação de resultados. Os investidores nacionais e estrangeiros iniciaram uma fase de investimentos em títulos que esperam vir a valorizar-se depois da publicação dos respectivos resultados referentes a 1993.

O mercado obrigacionista esteve igualmente bastante animado durante todo o dia. No total os negócios com dívida pública ascenderam a 25 milhões de contos em Lisboa e cerca de 10 milhões de contos no Porto.

As vendas de produtos portuguesas aos Estados membros da União Europeia mantiveram-se, nos primeiros sete meses do ano passado, abaixo dos valores registados em 1992, afirma o Instituto Nacional de Estatística (INE) numa nota ontem divulgada. Tanto as exportações como as importações terão decrescido, respectivamente, 2,8 e 3,5 por cento, mas os técnicos do INE avisam que «permanece válida a ressalva» deixada já para os dados de Junho, relativa à greve dos trabalhadores aduaneiros em Junho e Julho de 1992, e que se traduz numa sobrevalorização dos valores desses meses em 1993.

As maiores quebras de exportações, por produtos, registaram-se nos produtos agrícolas (menos 24 por cento), nos veículos e outro material de transporte (menos 19,4 por cento) e peles e couro ou metais comuns (com quebras de 11 por cento), embora esse conjunto de bens apenas represente cerca de 12 por cento do total exportado. Os principais produtos de exportação tiveram comportamentos irregulares. O vestuário sofreu uma ligeira queda (3,4 por cento), enquanto o ramo de máquinas e aparelhos e calçado registaram subidas sensíveis entre seis e sete por cento.

O Conselho Regional de Viticultores da Casa do Douro vai hoje reunir-se com o propósito de debater a proposta de lei do Governo para o novo enquadramento institucional da região demarcada. O diploma, cujos contornos o PÚBLICO divulgou anterormente (ver edição de 15 de Janeiro) promete acesa polémica no Douro ao prever que importantes competências delegadas na Casa do Douro, como o cadastro, o «benefício» ou a gestão das contas correntes dos agricultores, sejam transferidas para sede de um Conselho Interprofissional que numa primeira fase será liderado pelo Instituto do Vinho do Porto.

A Bolsa de Valores do Porto não deverá colocar qualquer obstáculo à proposta de Costa Lima que visa proceder a uma divisão dos mercados entre as duas bolsas. Tudo porque a CMVM se antecipou e reuniu o apoio dos grupos financeiros que controlam as casas de corretagem. O ponto foi dado com nó.

O Ministro do Mar, Azevedo Soares, disse ontem ao PÚBLICO que a contestação dos operadores de Leixões face ao aumento de 12,5 por cento na taxa cobrada pela Administração do Porto do Douro e Leixões (APDL) «não tem nenhuma razão de ser» e que «só pode ser interpetada, benevolamente, como precipitada». «Os operadores estão cansados de saber o esforço que foi feito para baixar os custos do porto, foram ouvidos sobre o novo tarifário, e sabem também que ele ainda só não entrou em vigor porque o decreto regulamentar demorou algum tempo entre a ratificação do Presidente da República e a sua publicação». As previsões apontam para as novas tarifas surjam numa das edições do Diário da República na próxima semana.

Este dinheiro destinou-se fundamentalmente a reformas antecipadas e licenciamento de trabalhadores excedentários. Neste capítulo, o ministro do Mar recorda que o mérito desta operação cabe ao Estado, pela pesada intervenção financeira, «e aos trabalhadores, que aceitaram rever os acordos de trabalho para uma posição menos favorável».

A sessão de ontem do Mercado Monetário Interbancário ficou caracterizada pelo excesso de liquidez existente no curtíssimo prazo. O Banco de Portugal anunciou a sua disponibilidade de absorver liquidez, pelo prazo de quatro dias, à taxa de 9,0 por cento. Foram absorvidos 65,74 milhões de contos.

Os 15 milhões de contos de bilhetes do tesouro a 91 dias que ontem estavam em leilão foram colocados à taxa média de 9,8625 por cento, o que significou uma descida superior a 3/8 de ponto percentual em relação à emissão anterior para idêntico prazo.

"Portugal é, na Europa, uma das prioridades" na estratégia da Salomon Brothers. A afirmação é de Davis Jarvis, responsável daquele grupo financeiro, que atribui ao comportamento da economia portuguesa e à estabilidade política a justificação para o aumento de actividades no mercado nacional.

PÚBLICO -- A Salomon Brothers pretende aumentar a sua presença em Portugal. Qual vai ser a estratégia e os objectivos a alcançar?

As movimentações para a aquisição da Secil/CMP prosseguem. Os accionistas dinamarqueses, que não pretendem gastar dinheiro na operação, poderão entrar em acordo com Queirós Pereira.

«Directamente, os dinamarqueses não vão concorrer à privatização da Secil/CMP por considerarem que os 63 milhões de contos pedidos pelo Estado são uma quantia elevada», disse ao PÚBLICO um elemento ligado ao processo, considerando que o valor pedido pela participação do Estado está sobreavaliado em 20 a 25 por cento, se forem tomadas como referência as quantias pagas recentemente por tonelada de produção na compra de outras cimenteiras na Europa. Terá sido essa a razão que levou o grupo suíço Holderbank a desistir da operação, depois de ter estabelecido contacto com os dinamarqueses.

O reatamento do aumento de capital da Sonae Investimentos está pendente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), depois de a própria Sonae e a família Pinto de Magalhães terem renunciado a todos os processos em que litigavam.

O juiz já ditou em sentença que aceitava a desistência mas o trânsito em julgado está suspenso do recurso das partes. A Sonae Investimentos e a família Pinto de Magalhães fizeram saber que, obviamente, não tinham intenção de recorrer. O problema é que a CMVM não o fez até ontem, data em que expirava o prazo legal para o efeito, razão pela qual o Tribunal terá que aguardar mais três dias úteis, durante os quais a Comissão poderá recorrer com multa.

Os candidatos à tomada de uma posição accionista no Totta recolhem apoios. José Manuel de Mello tem a "colaboração" de Alípio Dias. O presidente do banco assinou, entretanto, cartas de conforto destinadas à concessão de empréstimos para a compra de acções do BTA, por parte de empresas controladas pelo Banesto.

«Até à passada sexta-feira, a última vez que mantive contactos com o Banesto, a decisão continuava a ser a de não vender. Penso que se entretanto tivesse havido alguma alteração já teria sido informado», acrescentou o presidente do Totta. O apoio de Alípio Dias a José de Mello, que em Portugal detém, entre outras empresas, a seguradora Império, o Banco Mello, e a Lisnave e Soponata, é extensível a outros investidores que se mostraram interessados em comprar a participação do Banesto, tais como Geraldes Barba, da Refrige (representante da Coca-Cola) e também António Champallimaud, que através da seguradora Mundial Confiança apresentou informalmente a sua candidatura.

A assinatura da escritura de venda da Unicar entre o IPE e o comprador, Vítor Gorito, está marcada para a próxima terça-feira, depois de ter sido adiada uma vez por «razões processuais», de acordo com o IPE. O futuro comprador forneceu já as devidas garantias bancárias sobre a compra da empresa concessionária da Renault e do edifício onde está instalada, um prédio de quatro andares nos Restauradores, em Lisboa, que, segundo o PÚBLICO apurou, foi dado como hipoteca à instituição bancária que prestou as garantias necessárias. O negócio, no seu conjunto, está avaliado em 414 mil contos.

A primeira bicicleta movida a energia solar vai ser comercializada a partir de Julho pela empresa Giotechnology, um fabricante japonês de produtos microelectrónicos, noticia a Lusa. Com um dia de carga, ela poderá ser usada sem pedalar durante 20 a 30 minutos a uma velocidade de 19 quilómetros por hora. Chamada Solar Cycle, a bicicleta foi desenvolvida por um instituto privado de investigação pertencente ao fabricante do veículo. O seu preço de venda ao público no Japão é de 400 contos.

As mulheres que fumam um maço de cigarros por dia ao longo da sua vida adulta fazem aumentar os seus riscos de sofrer fracturas na velhice. Segundo um estudo publicado ontem na revista médica «The New England Journal of Medicine», na altura da menopausa a densidade óssea das fumadoras assíduas é em média cinco a dez por cento mais baixa do que a das não fumadoras, «o que é suficiente para aumentar os riscos de fracturas». John Llewelyn Hopper, da Universidade de Melbourne (Austrália) e os seus colegas chegaram a esta conclusão analisando os casos de 21 pares de gémeas verdadeiras, com idades entre os 27 e os 73 anos. Em cada um dos pares, uma das gémeas fumava e a outra não.

O Ecart, criado em Maio de 1992, tem como objectivo prioritário, segundo o estatuto de fundação, «a diminuição da pobreza nos países em vias de desenvolvimento», «através de uma investigação orientada para o desenvolvimento agrícola sustentado e a gestão dos recursos naturais».

A obrigação dos ensaios clínicos serem sujeitos a um consentimento prévio dos doentes e a uma autorização dos comités de ética dos hospitais foi ontem aprovada em Conselho de Ministros. É a segunda vez que o projecto de decreto-lei foi apresentado aos ministros, pois durante a primeira apreciação o Ministério da Saúde decidiu pedir um parecer ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. O PÚBLICO já tinha revelado o conteúdo do projecto de decreto-lei em 14 Dezembro do ano passado (ver «Testes com medicamentos vão ter lei»).

«Com o final da guerra fria e as crescentes preocupações com a competitividade económica, estamos em altura de pensar como é que os laboratórios do Departamento nos poderão ajudar a resolver as futuras necessidades de energia, ambiente, economia, ciência e defesa», disse a secretária da Energia, Hazel O'Leary, citada pela Reuter. A comissão é formada por empresários industriais, cientistas e ambientalistas e dirigida por Robert Galvin, ex-presidente da Motorola. Cabe a este grupo de trabalho apresentar novas orientações a que os laboratórios do DoE deverão obedecer -- muitos deles dedicam-se ao desenvolvimento de armamento, incluindo armas nucleares -- e as suas conclusões são para estar prontas dentro de um ano. É possível que a comissão venha a propor o encerramento de algumas das unidades de investigação ou a sua reorientação para novas áreas. Os laboratórios daquele departamento gastam mais de seis mil milhões de dólares por ano (mil milhões de contos) e empregam mais de 50 mil pessoas, das quais 19 mil são cientistas e engenheiros.

O orçamento dos EUA para a investigação aplicada sofrerá um aumento de cinco por cento em 1995. A investigação básica, por seu lado, verá a sua verba crescer dois por cento. O orçamento global de investigação pública (sem contar com o dinheiro que irá para os militares) ultrapassará os 31 mil milhões de dólares. O grande vencedor do orçamento do próximo ano é agência que financia as empresas que querem desenvolver tecnologias de alto risco -- as suas verbas foram acrescidas em 78 por cento.

Os gastos públicos com a ciência aplicada aumentarão cinco por cento: serão 18,6 mil milhões de dólares (3273 milhões de contos) para as agências civis federais. E os financiamentos, nos mesmos organismos, para a investigação básica -- a ciência que não tem como objectivo a aplicação imediata -- crescerão apenas dois por cento, até aos 12,9 mil milhões de dólares.

O primeiro prémio Pfizer de investigação de 1993 foi atribuído a uma equipa do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, anunciou a Sociedade de Ciências Médicas. O prémio, no valor de mil contos, galardoou o trabalho «Implicações funcionais da maturação pós-natal dos circuitos inibitórios corticais». A equipa vencedora é constituída por Carlos Nunes Filipe, Filipa Ribeiro e José Carlos Dionísio.

O primeiro prémio Pfizer para jovens investigadores, no valor de 400 contos, foi atribuído a Patrícia Martins Ganhão.

Os tecidos do futuro poderão dissipar os maus cheiros e destruir os micróbios, além de mudar de cor conforme as circunstâncias. Os têxteis estão a tornar-se «inteligentes» e a indústria milenária que os produz está a procurar os produtos que irá vender no próximo século em laboratórios que estudam a forma de dotar as fibras têxteis de propriedades revolucionárias.

«É um pouco como enxertar mercurocromo no tecido», explica Guy Nemoz, responsável pela área dos têxteis de uso técnico no ITF. Já existem no mercado tratamentos antibacterianos para tecidos, mas a sua duração é limitada. Quanto ao processo de tratamento de fibras desenvolvido no ITF -- aplicável a todos os tipos de fibras --, ele confere ao tecido uma propriedade anti-séptica permanente, como fazem notar os seus promotores.

DOIS DEPUTADOS britânicos, o conservador Mark Robinson e o trabalhista Tony Worthington, foram raptados no noroeste da Somália durante a noite de quarta-feira para ontem, anunciou em Londres o Foreign Office.

Robinson é o secretário parlamentar de Lady Chalker, secretária de Estado para a cooperação, e Worthington o porta-voz dos trabalhistas para questões da mesma área.

«O rei mais poderoso do mundo, que quis mudar a História, não só do seu país, mas de toda a região à sua volta, esse homem orgulhoso, tão preocupado com a sua imagem, abandona o palco sem glória, como um mau comediante que permaneceu demasiado tempo em cena quando já não tinha mais nada a dizer».

Naraghi, que transcreveu as audiências com o falecido monarca no seu livro «Des palais du Chah aux prisons de la Révolution», recorda-se também de ter comentado na altura: «Não esqueçamos este dia histórico em que Sua Majestade desencadeou contra si próprio um movimento islâmico no país. A partir de agora, os religiosos serão obrigados, para rejeitar a acusação de conservadorismo, a entrar em acção e a provar que a sua oposição à reforma agrária não significa que eles estão presos a uma ordem social arcaica. Apoiando-se nos vastos recursos do xiismo, eles vão mostrar que são mais revolucionários do que Sua Majestade com a sua Revolução Branca».

NO SEU refúgio em Auvers-sur-Oise, 60 quilómetros a norte de Paris, uma vila com jardim e piscina onde vive desde 1981, o primeiro Presidente da República Islâmica do Irão, Abol Hassan Bani-Sadr considera-se «quase um prisioneiro» e confessa que recebe «ameaças de morte todos os dias».

«A ascensão dos mullahs contribuiu para restabelecer a ditadura do Xá, com corrupção, má gestão -- mais grave do que no tempo do imperador -- negócios secretos, terrorismo». E Bani-Sadr recordou-se do escândalo «Irangate», onde «Portugal também se envolveu, servindo de base para o fornecimento de armas ao Irão».

César Gavíria não olhou a meios para cumprir a promessa de luta contra os narcotraficantes, aceitou a ajuda de tropas americanas e incorre agora na acusação de «indignidade». Se ela proceder, o Senado colombiano pedirá o seu afastamento da Presidência. A sua sorte é que o processo só deverá estar concluído depois das presidenciais de Maio, quando ele já não estiver no cargo que ocupa há quatro anos.

Segundo a instância queixosa, Gavíria ofendeu a Constituição ao permitir a entrada no país de 250 soldados norte-americanos, estacionadas em zonas apetentes a acompanhar os movimentos dos cartéis da droga de Medellin e Cali. O problema é que nem o Conselho de Estado nem o Senado sabiam do assunto e levantam-se vozes sobre a «vietnamização» do conflito que até agora tem sido protagonizado por forças governamentais e narcotraficantes.

Depois de complicadas e morosas negociações de bastidores, o Parlamento Europeu (PE) acabou ontem por não adoptar nenhum projecto de Constituição para a União Europeia, limitando-se a a recomendar à nova assembleia, a ser eleita em Junho próximo, que dê seguimento ao processo de trabalho agora iniciado.

O primeiro-ministro japonês, Morihiro Hosokawa, a um dia da partida para os Estados Unidos, onde terá conversações sobre economia e segurança com o Presidente Bill Clinton, desmentiu ontem uma notícia publicada num importante jornal de Tóquio, garantindo que o seu governo não se decidiu ainda a apoiar sanções económicas contra a Coreia do Norte, caso Pyongyang insista em não autorizar inspecções internacionais às suas instalações nucleares.

UMA DELEGAÇÃO iraniana, chefiada pelo vice-ministro do Comércio, esteve em Lisboa durante vários dias, «para esgotar a linha de crédito» de 150 milhões de dólares que Portugal concedeu o ano passado à República Islâmica, revelou ontem ao PÚBLICO uma fonte empresarial. A linha de crédito, embora operacional no curto prazo em apenas 75 milhões de dólares, foi como «uma bênção para os iranianos», numa altura em que muitos países colocam restrições face ao endividamento da República Islâmica.

Para o embaixador Abolfazl Rahnama, as relações entre Portugal e o Irão «são muito boas e melhoraram muito nos últimos dois anos», desde que ele assumiu funções. Garantiu que o facto de a República Islâmica ser, pela primeira vez, um país devedor não está a afectar os negócios com as empresas portuguesas.

Abolfazl Rahnama é embaixador do Irão em Lisboa há dois anos. Uma das suas principais tarefas tem sido incentivar as relações económicas com Portugal -- é sempre bem recebido no Ministério do Comércio, embora tenha dificuldades de comunicação com o Palácio das Necessidades. Foi durante o seu mandato que se concretizou a abertura de uma linha de crédito a Teerão. Antes da revolução islâmica, «era um mau rapaz», disse ele, lembrando com relutância os tempos de militante da oposição e os problemas com a Savak, a polícia secreta do Xá. Formou-se em geografia política na Universidade de Isfahan e depois passou pelos Ministérios do Petróleo e dos Negócios Estrangeiros, antes de ser enviado para a Embaixada na Polónia, que chefiou durante cinco anos.

P -- Há vozes na sociedade iraniana que se queixam de que a revolução perdeu a pureza, que a maioria sofre e que só um pequeno grupo enriqueceu.

O Irão celebrou ontem o 15º aniversário da proclamação da primeira República Islâmica do mundo, mas os festejos da revolução do ayatollah Khomeini já não têm o brilho de outrora. O país mudou tanto que parece ter perdido o rumo.

Ora, foi em nome dos «deserdados e oprimidos» que a revolução se realizou, apesar de todos os excessos nos primeiros anos, como o terror das execuções sumárias. No entanto, a liberalização económica que Rafsanjani tem vindo a empreender nos últimos anos, para quebrar o isolamento, fez mergulhar o regime numa crise sem precedentes.

No final de três dias de encontros desgastantes no Cairo, o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Shimon Peres, e o líder da OLP, Yasser Arafat, ultrapassaram finalmente o impasse relativo às questões de segurança, que provocou já um atraso de dois meses na retirada israelita da Faixa de Gaza e da área de Jericó. Ontem os observadores mostravam-se optimistas quanto à possibilidade de uma retirada antes de 13 de Abril.

«Chegámos sentindo-nos como esfinges e partimos sentindo-nos como pirâmides. Não sabíamos o que iria acontecer e agora sentimos que alguma coisa importante aconteceu realmente», disse Peres aos jornalistas que tinham estado à espera da assinatura durante mais de sete horas no palácio presidencial de Hosni Mubarak, o chefe de Estado egípcio.

VICTOR Sabelo Phama, comandante da ala militar do Congresso Pan-Africano (PAC), morreu quarta-feira num desastre de automóvel ocorrido na Tanzânia, tendo assim desaparecido um dos adversários mais tenazes do compromisso da maioria negra com a minoria branca da África do Sul.

O governo sul-africano acusou o APLA de ter atacado quintas, hotéis, um clube de golfe e, inclusive, a St. James's Church, na Cidade do Cabo, onde em Julho do ano passado morreram 13 pessoas, na sua maior parte brancos.

Uma noite especial, em que os bares da cidade estarão abertos até de manhã, duas dezenas deles com iniciativas próprias, como um MTV ao vivo com Vanessa Warwick, na GareTejo, é o que promete a abertura de Lisboa-94.

Após a gala no Coliseu, cerca das 23h30, haverá um fogo de artifício no alto do Parque Eduardo VII, ao mesmo tempo que nos bares da cidade -- desde os do Bairro Alto e da 24 de Julho, até aos da Graça, da Praça da Alegria, Cais do Sodré e Santos -- começará a animação, com performances, exposições e convites dirigidos a «disc-jokeys» internacionais.

Há cerca de oito meses, o PÚBLICO dava público testemunho do "nascimento de uma banda que trazia na mão a sua própria certidão de óbito". Tratava-se da Orquestra Som do Mundo, um projecto colectivo concebido e dirigido pelo trompetista Laurent Filipe.

Melhor seria que o desembarque da Orquestra Som do Mundo no Centro Cultural de Belém não ocorresse no seu Grande Auditório. A sua música precisa de praias e não de cais. Se tivesse sido aceite a proposta inicial de juntar o grupo de Laurent Filipe à passagem do solstício do Verão, desafiando o público para um dos seus espaços ao ar livre, outra festa cantaria. Mas apesar da oportunidade perdida, o concerto desta noite pode vir a revelar-se um bom balão de oxigénio para a banda. A "aura institucional" que alimenta o CCB pode abrir-lhe outras portas, igualmente "respeitadas", expondo-a aos olhares de um público normalmente alheado de outros sons que não aqueles que transportam ao pescoço a medalha do "culturalmente correcto". O que muita gente se recusa a ver no S. Luiz ou no Café Luso, tem outro "charme" nos corredores do poder. A música, naturalmente, (quase) nada tem a ver com isto, mas as coisas são assim e assim devem ser vistas para melhor serem revistas...

Aproximar a gestão da Área de Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (APPSACV) das populações e, simultaneamente, fazer com que os autarcas coloquem o «desenvolvimento sério da região à frente dos interesses de curto prazo» são duas das mais importantes posições assumidas pela associação ambientalista Geota sobre o plano de ordenamento desta área.

Por outro lado, o Geota sublinha que existe uma «percepção errada, numa grande parte da população local, que todos os males que atingem a área são culpa da Paisagem Protegida. Pelo contrário, constata-se que esta área resiste melhor que outras à crise social e económica generalizada no Alentejo e Algarve, exactamente graças à existência da APPSACV, como o demonstram vários estudos efectuados».

A Associação de Municípios da Alta Estremadura (AMAE) vai analisar com o Ministério do Ambiente e dos Recursos Naturais algumas questões relacionadas como o contrato programa a assinar com o Governo, tendo em vista a despoluição da bacia hidrográfica do rio Lis e da ribeira de Seiça, esta última no concelho de Ourém.

Segundo dados do Ministério do Ambiente, as bacias hidrográficas da região da AMAE têm actualmente uma população de cerca de 200 mil pessoas e uma concentração significativa de indústrias e suiniculturas, consideradas como uma das principais causas da poluição hídrica da região. Ainda esta semana, a Autoridade de Saúde de Leiria atribuía a poluição das principais fontes de abastecimento público da região ao forte incremento que a actividade agro-pecuária teve na região, sobre tudo a partir dos finais dos anos 70 (PÚBLlC0 9/2/94).

Mesquita Machado, presidente da Câmara de Braga, aproveitou a reunião de ontem do executivo municipal para reagir às acusações que lhe foram dirigidas, na quarta-feira, por Ferreira do Amaral e Cavaco Silva, a propósito do adiamento -- a pedido da autarquia -- da entrada em funcionamento do último lanço da auto-estrada Porto-Braga.

Na Cinemateca, Rua Barata Salgueiro 39, prossegue o ciclo Sacha Guitry. Às 18h30 pode ver "Le Diable Boiteux" (Um Homem Diabólico), um filme de 1948. Às 21h30, integrado no ciclo Um Carnaval com Mel Brooks, é exibido "The Producers" (Por Favor Não Mexam nas Velhinhas).

O aumento médio de cinco por cento no tarifário dos Serviços de Água Saneamento e de cinco a 15 por cento por cento no dos transportes colectivos foi anteontem aprovado pelo executivo municipal de Coimbra. Não sem que o vereador do PSD, Vasco Cunha, considerasse ser «politicamente significativo» o facto do preço dos bilhetes dos transportes não ter sofrido, no último ano, qualquer alteração o que obriga a efectuar, este ano, um aumento acima da média da inflação.

Uma medida que terá ainda de ser ratificada pela Assembleia Muncipal e que permite «não agravar a situação económica dos SMTUC», afirmam os responsáveis. Sem ela, salientam, «os serviços seriam confrontados em 1994, com um resultado líquido negativo de 130 mil contos».

Embora convicto de que a maioria socialista não lhe quer «causar qualquer obstáculo», o vereador social-democrata de Coimbra, Vasco Cunha, deixou anteontem um aviso: caso a ordem de trabalhos relativa às reuniões do executivo não lhe chegue às mãos com pelo menos 24 horas de antecedência, será «coagido a considerar ilegais todas as decisões que ali venham a ser tomadas».

O encerramento da fábrica de refrigerantes «Cristalina», no Soito, Sabugal, lançou no desemprego 32 trabalhadores, o que, segundo um elemento da empresa, poderá provocar «situações de fome», caso não seja encontrada uma solução.

Durante o ano passado, registaram-se nas estradas dos distrito de Leiria um total de 7434 acidentes, que provocaram 4974 vítimas, das quais 145 mortais, representando um dos maiores índices de sinistralidade do país. Segundo dados divulgados pela Comissão Distrital de Segurança Rodoviária, as vítimas registadas pela PSP e pela GNR equivalem a um número próximo da população total da freguesia dos Pousos, a quarta maior das 29 que integram o concelho.

Em declarações ao PÚBLICO, o capitão Marcelino, comandante da Brigada de Trânsito em Leiria, considerou que a EN-1 é, de longe, a rodovia onde existem os maiores índices de sinistralidade do distrito, «tanto em número de acidentes como de vítimas mortais". Alto do Vieiro, Vale Gracioso e Boavista são alguns dos pontos negros da EN-1 no troço que atravessa o distrito. No entanto, acrescenta o capitão Marcelino, «os pontos negros nesta zona são tantos que poderíamos considerar este troço de estrada simplesmente como uma linha negra».

Três dos cinco presos que no domingo se evadiram do Estabelecimento Prisional de Guimarães continuavam ontem a ser procurados pelas autoridades policiais, após a recondução ao cárcere de José Francisco Araújo Silva, de 29 anos, que se entregou voluntariamente no dia seguinte à fuga aos guardas daquela cadeia regional, onde se encontrava preventivamente preso.

Os alunos da escola secundária de Felgueiras manifestaram-se, ontem, em frente à câmara local, contra o facto de não disporem de um pavilhão gimnodesportivo. «Estamos fartos de ter educação física ao frio», disse um membro do conselho directivo da escola, citado pela agência Lusa. «Os alunos estão revoltados porque a escola tem três anos e, na altura da sua conclusão, foi prometido um pavilhão para actividades desportivas», acrescentou o professor.

Na Foz do Arelho, a nova Junta de Freguesia não consegue perceber as contas de gerência que o anterior elenco lhe deixou. O saldo bancário não confere com o contabilístico, há documentos omissos e duplicados e há também cinco mil contos de facturas que a nova Junta diz serem praticamente incobráveis. As receitas das areias extraídas da Lagoa de Óbidos também não são claras. Algo que não surpreende porque a Junta cessante sempre recusara torná-las públicas.

«O saldo que nos deixaram foi de 692 contos e também um monte e facturas para receber no valor de cinco mil contos, mas a maior parte delas são incobráveis, pois há facturas que já são de 1990 e 1991 e outras de empresas falidas», adianta o actual presidente. Um devedor garantiu já que só pagava em materiais e outro que não tinha dinheiro e que só pagava quando a Câmara das Caldas lhe pagasse a ele.

As Câmaras de Benavente, Coruche e Salvaterra de Magos estão preocupadas com a perspectiva, revelada pelo Governo, de uma próxima redução de oito para três, do número de gabinetes de Apoio Técnico (GAT) em funcionamento na Região de Lisboa e Vale do Tejo. De acordo com um ofício conjunto dirigido à tutela do Planeamento e Administração do Território, as autarquias qualificam de «indispensável» o apoio que os GAT têm prestado, na elaboração de projectos e no acompanhamento da execução de obras e sublinham a dificuldade em «fixar técnicos nas zonas distantes dos grandes centros urbanos». As edilidades citadas defendem uma evolução qualitativa dos serviços prestados pelo GAT e prevêem que a sua centralização não contribuirá em nada para esse objectivo.

As posições assumidas pelo Geota tiveram em conta o «óbvio divórcio entre a população local e as autoridades da actual paisagem protegida». A culpa pertence a todos, diz o grupo, incluindo às organizações não governamentais em que esta associação se inclui.

Narana Coissoró, deputado do CDS na Assembleia da República e deputado da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha pediu na terça-feira, na primeira sessão da Assembleia Municipal após as eleições autárquicas, «a presença de Mário Soares na Lagoa de Óbidos durante a presidência aberta do ambiente», uma vez que a mesma se encontra poluída e assoreada.

Eduardo Ferreira, vereador responsável pelas obras, em resposta ao socialista, disse que apenas dez por cento da Lagoa está poluida e culpabilizou o município de Óbidos (de maioria socialista) por tal facto. «Os esgotos de Óbidos correm todos a céu aberto», acusou o dirigente social-democrata. J. P.

Os trabalhadores da fábrica de Alverca da Somexport-Lois, com actividade suspensa desde Maio do ano passado, vão denunciar as suas dificuldades aos diferentes grupos parlamentares, ao Ministério da Indústria e, provavelmente, também, na embaixada de Espanha, segundo decidiram em plenário, ontem efectuado junto às instalações da empresa.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, de Lanifícios e Vestuário da Zona Sul, os problemas da Lois-Alverca revelaram-se repentinamente e o administrador tê-los-à justificado com as dificuldades da empresa-mãe, em Espanha, que estará ao abrigo de um processo especial de recuperação. Os gestores da Lois Portuguesa terão, porém, assegurado a intenção de tomar medidas que garantissem os empregos e o pagamento dos salários aos trabalhadores de Alverca.

O município de Ferreira do Alentejo, que passou para o PS nas últimas autárquicas, debate-se, de acordo com o seu novo presidente, com problemas de gestão graves. Há irregularidades da responsabilidade do anterior executivo, que, por sua vez, as considera normais.

O adiantamento ao FEF, salienta, serviu para satisfazer encargos imediatos próximos dos 13 mil contos e destinados ao pagamento de dívidas atrasadas, como os transportes escolares (cerca de 3500 contos) ou os auxílios económicos às escolas (1500 contos), que, lembra, iriam provocando uma greve local de professores do ensino básico. «Desde o início do ano escolar que pagavam do seu bolso um conjunto de despesas da responsabilidade da autarquia na manutenção e compra de materiais para as escolas e ainda não tinham recebido um tostão. As bolsas de estudo que o município concede anualmente a estudantes com menores recursos que frequentam o ensino médio e superior também não foram pagas. Daquele adiantamento, acrescenta, ainda foram pagos quase sete mil contos a pequenos fornecedores locais.

O município de Lisboa sugeriu anteontem que um futuro Museu de Pesos e Medidas -- uma proposta do PSD aprovada pela unanimidade dos vereadores -- se venha a localizar preferencialmente no Centro Cultural de Belém, na Cordoaria Nacional ou na Central Tejo.

O director do Parque Natural da Ria Formosa, Nuno Lecoq, afirmou ontem não ter conhecimento da previsão de qualquer operação de demolição de casas nas ilhas daquela área protegida. A posição daquele responsável pretendeu afastar os receios das associações de moradores das ilhas de uma operação idêntica à que em tempos levou à demolição de diversas habitações junto ao litoral algarvio.

O actual vereador do PSD na Câmara de Sintra, Rui Silva, afirmou ontem ao PÚBLICO que vai processar, por «difamação, calúnia e chantagem», a empresa que se queixou à Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) porque o autarca, enquanto presidente do município, teria exigido «contrapartidas» pela aprovação de um projecto imobiliário.

«A Câmara manifestou a sua solidariedade para comigo», acrescentou o vereador, adiantando que solicitou à autarquia «protecção jurídica» para processar a empresa. Enquanto Álvaro de Carvalho (PS), vereador substituto da presidente da Câmara, se escusou a comentar o assunto devido ao «segredo de justiça», o vereador Lino Paulo justificou o «apoio e solidariedade» para com Rui Silva por este se ter disposto a ser investigado, e, «até prova em contrário, ter direito ao seu bom nome». L.F.S.

O jardim António Nobre, em S. Pedro de Alcântara, cujo lago foi recentemente restaurado e que se está a preparar para Lisboa-94, tem sido alvo de consecutivos actos de vandalismo: candeeiros partidos, atentados aos lagos, derrube de bustos em pedra e plantações destruídas têm sido frequentes naquele jardim e na plataforma abaixo, de há cerca de um mês a esta parte, sem que a Câmara tenha ainda conseguido levar a polícia a actuar, protegendo aquele espaço destas agressões.

Com o mesmo problema se debate a empresa contratada pela autarquia para tratar da manutenção do jardim, a «Viveiros Falcão», que se tem queixado de ter visto já destruídas nos últimos tempos cinco plantações sucessivas que fez ali.

A transferência de serviços do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa das Portas de Santo Antão para o Palácio da Rosa está a provocar mal-estar entre o pessoal que trabalha sob a direcção de João Soares. Nas primeiras instalações ficarão apenas o gabinete do autarca -- que negou ontem a existência de qualquer descontentamento -- e alguns serviços que lhe prestam directamente apoio. Quase todo o Departamento de Cultura se mudou.

Com esta mudança, é grande parte do Departamento de Cultura que se muda para o segundo andar do palácio -- que já pertenceu ao poeta Afonso Lopes Vieira --, uma vez que apenas a Divisão de Bibliotecas se manterá onde estava.

Embora convicto de que a maioria socialista não lhe quer «causar qualquer obstáculo», o vereador social-democrata de Coimbra, Vasco Cunha, deixou anteontem um aviso: caso a ordem de trabalhos relativa às reuniões do executivo não lhe chegue às mãos com pelo menos 24 horas de antecedência, será «coagido a considerar ilegais todas as decisões que ali venham a ser tomadas».

A GNR deteve, na passada segunda-feira, quatro pessoas supostamente envolvidas em furtos de viaturas pesadas, para posterior exportação ilegal para Angola. A operação foi o resultado de uma investigação iniciada quando um representante de uma empresa de Montemor-o-Novo participou ao Destacamento de Trânsito do Carregado da GNR o furto de quatro viaturas pesadas de mercadorias, indicando que as mesmas provavelmente teriam estado na zona de Rio Maior, a ser preparadas para o envio ilegal para Angola.

A trilogia sobre o silêncio de Deus, que percorria as regiões etéreas da alma em filmes como "Em Busca da Verdade" e "Luz de Inverno", pese embora a sua radical amargura e o seu desencanto quase cínico, haveria de desembocar no mais terreno dos assuntos, com uma crueza brutal, em "O Silêncio". Não foi pequena a surpresa, nesse ano de 1963, ver o metafísico Bergman expor a questão do sexo sem qualquer subterfúgio. Todavia, o que mais terá escandalizado, foi o facto de essa ideia de sexo não vir ligada ao prazer mas sim à dor e ao desespero, e isto logo no momento em que, por todo o Ocidente, como disse Philip Larkin num famoso poema, os prazeres do corpo terem sido desculpabilizados e apontados como uma fruição legítima e desejável.

Resta então tirar as dúvidas que possam subsistir: "O Silêncio" é uma obra-prima, porque tem o condão mágico, esse toque único de Bergman, de sempre transcender para o plano das emoções mais dilaceradas aquilo que vai exposto nas sensações exibidas.

DESTAQUE: Em princípio, é de evitar o maniqueísmo na análise político-social. Mas, no que respeita ao fascismo e ao 25 de Abril, não me envergonho de admitir que continuo a reflectir sobre essa realidade em termos de que houve «bons» e «maus», e provavelmente morrerei a pensar assim. Sei, aliás, que muitos portugueses (talvez a esmagadora maioria) sentem da mesma maneira.

Perante tais comparações, devemos pois congratular-nos com a longevidade excepcional do regime vigente? Em termos estritamente históricos, certamente que sim. Formalmente, o país vive uma era institucional ímpar, com um sistema político-constitucional sólido, praticamente sem inimigos fortes organizados (o que é insólito na nossa existência moderna, quer dizer, do século XX pelo menos), que integra no seu seio a representação de todas as forças vivas da nação, num quadro de legitimidade e respeito pelas liberdades essenciais que se pode reputar de geralmente aceitável.

(...) Quebrando e ramerrão do quotidiano, demandei terras do Algarve, sempre mais soalheirentas e sossegadas nesta época, que a Grande Lisboa onde vivo. Aí, já instalados, evitando a antiga e congestionada EN 125, optámos por rodar, pela primeira vez, na já célebre e polémica Via do Infante, inaugurada no Verão passado pelo primeiro-ministro. (...)

Acabei por saber que, afinal, Boliqueime era a terra que viu nascer, são e escorreito, o actual primeiro-ministro.

Infelizmente, todos os utentes do Metropolitano de Lisboa, SA sabem que já não é a primeira vez que se chega a estar 30 minutos na plataforma à espera do metro sem qualquer tipo de explicação. Mas, para nos adoçar estes penosos minutos nas manhãs já de si tão repletas de problemas para chegar atempadamente ao local de trabalho, decidiram instalar uns lindos altifalantes que infelizmente não falam, só dão música. Não falam nem avisam que não há metro porque está avariado, o que me parece estranho de tão óbvio que seria empregar os ditos aparelhos para esse fim.

Reli o PÚBLICO de 30 de Outubro passado e concluí que, de facto, citei o professor Alberto Amaral de forma completamente incorrecta a respeito da questão das propinas. Citei de memória, e a minha memória enganou-me devido a uma associação de ideias motivada pela sua fotografia na edição que refiro. O que eu classificava como «admiráveis declarações do reitor da Universidade do Porto» são, segundo o Sindicato Nacional do Ensino Superior, declarações admiráveis do Conselho de Reitores. Peço desculpa pelo meu inqualificável engano.

No seu artigo de opinião (PÚBLICO de 13/1), José Valente vem carrear um conjunto de ideias com o objectivo claro de combater as possibilidades de uma alternativa democrática à política da direita, tentando ao mesmo tempo dar força às teses da direcção do PS.

Outra clarificação que é necessário fazer é que o PCP não defende uma coligação eleitoral/listas conjuntas com o PS nas eleições para a AR. O que defende é que deve haver sinais claros da parte dos dois principais partidos democráticos de que consideram a possibilidade de constituir em conjunto a alternativa democrática à política da direita, em condições a discutir antes ou a seguir às eleições.

As ideias expressas no artigo de opinião de José Valente (PÚBLICO de 13/1) são curiosas pela sua manifesta originalidade e polémicas nas suas evidentes inconsequências e debilidades teóricas.

(...) Liminar é também a caracterização da queda da ditadura e do processo de libertação do povo português. Percebe-se que a propalada «outorga ao povo enquanto dormia» da democracia, sem referência ao processo histórico anterior, às organizações de resistência, serve para desvalorizar o passado de luta, serve para mesquinhamente iludir o papel do(s) partido(s) então clandestinos. Acresce o branqueamento da acção política e repressiva da PIDE/DGS (elá!) constante do texto. Estamos perante postulados que permitem identificar o «rabo de fora» do radicalismo neo-socialista. Abrangente quanto baste, sectário sempre que possível, falacioso sempre que necessário.

Depois de dois anos de hesitações, de recuos e de desautorizações, a NATO decidiu-se finalmente por lançar um ultimato aos sérvios, embora o seu alcance seja o menor possível: o recuo de 20km no cerco a Sarajevo. Se acatado, nada de substancial se alterará na situação da guerra civil da Bósnia; se desobedecido, tudo mudará com os raides aéreos da Aliança e todos os perigos são possíveis.

A Europa para lá dos Pirenéus diz-nos pouco, os Balcãs menos ainda, o Golfo Pérsico ou o Corno de África mais não são do que remotas paragens onde alguns países-membros da UEO, da NATO ou da ONU -- tudo associações a que, todavia, pertencemos -- gostam de se envolver em estúpidas guerras onde, manifestamente, não temos nenhum interesse a defender: como se sabe, não importamos petróleo do Médio Oriente, não somos membros da CE e não achamos que os princípios fundamentais da Carta da ONU ou dos direitos humanos se devam aplicar à Somália. Adiante.

A «Iniciativa Europeia para o Emprego» -- documento do Partido Socialista Europeu, recentemente apresentado em Lisboa por Allan Larson -- constitui, na minha opinião, a primeira abordagem globalmente alternativa e de esquerda à orientação neoliberal, conservadora e de direita que tem marcado, até agora, o caminho para a União Económica e Monetária.

O que tem caracterizado, essencialmente, esta política? É uma visão redutora de construção europeia, identificando-a com a simples construção de um mercado. É a política económica priorizada na obsessão do Bundesbank, a estabilidade dos preços e cambial. É o abandono da dimensão social e ecológica do desenvolvimento. É a insistência na redução dos salários reais e da protecção social, bem como na desregulação do mercado de trabalho como falsos caminhos para recuperar a competitividade da economia europeia.

Na Cidade da Praia, em Cabo Verde, acaba de ser formada mais uma editora, mas, desta vez, em forma de cooperativa. A Spleen Edições (o nome inspira-se em Baudelaire) é lançada por Mário Lúcio Sousa, Jorge Tolentino, José Luís Hopfler Almada e José Vicente Lopes. Está já agendada uma série de edições. O livro inaugural chamar-se-á «Desassossego», da autoria de Fernando Monteiro. Está já no prelo (também) mais um livro de Mário Fonseca, um dos poetas mais conhecidos das ilhas crioulas. Em poesia registar-se-á uma estreia: Jorge Carlos Fonseca. O historiador António Correia e Silva dará à estampa um volume de ensaios. E a crónica não será desfavorecida nos propósitos editoriais da Spleen, para já com Valdemar Velhinho.

O livro «África Raiz» de Fernanda de Castro, poetisa portuguesa nonagenária, publicado em 1966, será musicado brevemente pelo brasileiro Nill Luz, numa ocasião que servirá para homenagear esta autora portuguesa. O trabalho de Nill Luz será acompanhado pelo concurso gráfico de Eleutério Sanches, autor dos desenhos originais do livro. Poesia, música, teatro e dança constituem os módulos da celebração a acontecer em Outubro. Outro projecto será compartilhado entre o artista brasileiro e a portuguesa Maria Rosa Colaço. «Espantar Pardais», o livro de Rosa Colaço, Europeu, recentemente apresentado em Lisboa por Allan Larson -- const passará pelas cordas da viola de Nill Luz. Entretanto, o mineiro Luz, continua a escrever, compor e cantar. Os seus compromissos levam-no a trabalhar entre Lisboa e Paris, mas tem em agenda outras viagens, uma das quais o levará ao Festival de Jazz de Budapeste, em Junho próximo. Nill Luz estabeleceu-se em Portugal há quatro anos. Recentemente foi publicado em França um disco antológico -- Best of/do Brasil -- em que este artista aparece com duas composições entre os nomes de Alcione, Beth Carvalho, João Gilberto, João Bosco e Gilberto Gilberto.

Ao contrário do que o PÚBLICO noticiou na sua edição de quarta-feira, o deputado Ângelo Correia não foi presidente da Distrital de Aveiro antes de Oliveira e Costa. Ângelo Correia, apesar de ser o cabeça de lista às eleições legislativas pelo distrito e um dos dirigentes sociais-democratas mais influentes na região, não exerce cargos partidários em Aveiro desde 1982.

. Ao abrigo da autorização solicitada à Assembleia da República, foi aprovado o novo Código da Estrada (ver p. 48);

A cimeira de chefes de Estado e Governo de Portugal, do Brasil e dos cinco PALOP deve realizar-se ainda no primeiro semestre deste ano, em Lisboa, quando será adoptado o Acto Constitutivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Esta recomendação foi ontem subscrita pelos representantes diplomáticos dos Sete reunidos em Brasília.

O dia de ontem, que terminou com um jantar oferecido pelo Presidente Itamar Franco, corresponde à fase multilateral da visita de Durão Barroso ao Brasil. Na fase bilateral, para além de assinarem um acordo sobre promoção e protecção de investimentos e um memorando de entendimento sobre assuntos pendentes, o ministro português e o seu homólogo Celso Amorim debateram as perspectivas de cooperação diplomática.

Hélder Castanheira, ex-dirigente distrital do PS de Aveiro, afirmou ontem ao PÚBLICO que a moção Resistir e Ousar, anteontem divulgada pelo seu mais conhecido signatário, Álvaro Beleza, um militante reincidente em moções alternativas nos congressos socialistas, deverá apresentar um candidato a secretário-geral do PS, além de uma lista própria para a Comissão Nacional.

A nova legislação das propinas, aprovada pela Assembleia da República depois do veto presidencial, já está em Belém e vai ser promulgada. O facto de terem sido expurgadas as inconstitucionalidades iniciais e de o clima de contestação à lei ter diminuido depois das cedências assumidas pela nova ministra da Educação, deverão justificar que Soares não opte por um segundo veto. O Governo cedeu, Soares promulga. Apesar do «grau de adesão» à lei - argumento esgrimido para o primeiro veto - ainda deixar muito a desejar ...

Na penúltima entrevista do primeiro-ministro à televisão (SIC), Cavaco Silva engasgou-se quando foi interrogado sobre o seu relacionamento com o Presidente da República. Segunda-feira, entrevistado na Quatro, Cavaco nem pestanejou: «O doutor Mário Soares, pode-se discordar dele, mas é o garante das instituições. Tenho muito respeito...». Sinais de um tempo diferente, em que os adversários concluem não ser tempo de afrontamento.

O primeiro-ministro entendeu uma coisa elementar: seria complicado, se não fatal, reeditar os erros de 1993, em parte consubstancializados em ataques regulares ao Presidente. Outros houve -- desde e em primeiro lugar a proibição do Carnaval, até ao discurso triunfalista do «oásis» -- que o chefe do Governo não vai repetir. Todos os sinais apontam nesse sentido, não sendo sem sentido que Cavaco deu ordens aos seus homens para não hostilizarem Soares, mesmo fazendo-o com a ironia de quem quer ajudar o Presidente a terminar o mandato «com dignidade».

A Procuradoria Geral da República (PGR) está a acompanhar a evolução do caso dos financiamentos do PSD de Aveiro, tendo em vista a possibilidade de vir a tomar uma iniciativa. Esta posição foi ontem confirmada oficialmente ao PÚBLICO pela PGR, através do chefe de gabinete de Cunha Rodrigues, Ernesto Maciel, que afirmou: «A Procuradoria Geral da República está a acompanhar atentamente a evolução do caso.»

O PÚBLICO sabe que foi feita uma distribuição dos casos de facturas falsas a nível distrital e que, em Aveiro, foram registadas algumas dezenas de situações potencialmente irregulares. Os investigadores judiciais podem querer apurar se há alguma relação entre estas empresas envolvidas nas facturas falsas e os donativos ao PSD local.

No dia em que, perante Barbosa de Melo, renunciou ao cargo de deputado, Freitas do Amaral fez questão de «fazer as pazes» com o grupo parlamentar do CDS, 24 horas após o encontro com Manuel Monteiro. Ontem, o ex-líder dos centristas almoçou com Lobo Xavier e Narana Coissoró.

Esta «devolução» do lugar de deputado ao partido deixou contente Narana Coissoró, que constituiu a guarda avançada centrista no Parlamento durante o último consulado de Freitas do Amaral à frente do partido. «Senti muita alegria», disse Narana após o almoço. «A política não deve dividir velhas amizades e velhas solidariedades.»

Soares vai corresponder aos sinais de paz de Cavaco. «Não será uma abdicação.» Mas o Presidente decidiu, para já, repensar a sua actuação. As autárquicas não correram bem, o «Congresso do Futuro» chamuscou-o, e o PS -- razão de peso -- não o acompanha. Resta a crise, a seguir até Outubro. «Wait and see», eis o estado de espírito em Belém. Mas a dissolução parece afastada.

O primeiro teste foi o Congresso «Portugal: que futuro?», que se revelou especialmente embaraçoso para o Presidente. O distanciamento do PS face à frente soarista anti-Cavaco lançada no Altis não ajudou. E Soares, particularmente exposto -- ao ponto de terem comparado o final do seu mandato ao de Eanes --, foi sensível aos inconvenientes de um desgaste da sua imagem, que, ainda por cima, não se traduzia em benefício para um Partido Socialista obstinadamente independente nas suas estratégias.

O destino do PSN vai jogar-se no próximo dia 19, em Aveiro, durante a segunda parte do Congresso Nacional do partido -- a primeira decorreu em Julho passado --, destinada a eleger a nova direcção nacional. A data da realização do Congresso, que foi divulgada ontem, em conferência de imprensa, naquela mesma cidade, por uma comissão organizadora mandatada pela direcção do PSN, mereceu desde logo a oposição de Telmo Moreno, que vai disputar a Manuel Sérgio a presidência do partido.

António Guterres convidou António Vitorino a candidatar-se pelo PS às eleições europeias. Por agora, está tudo em aberto. Mas há quem, no PS, gostasse de ver o juiz do Tribunal Constitucional a aceitar não só aquele convite como a integrar também a lista para a Comissão Nacional.

Ainda não é desta que há transferência de Eduardo Moniz para outra estação. O director da RTP declinou ontem a «proposta irrecusável» de Roberto Carneiro. Foi o fim de uma semana de especulações que foram crescendo à medida da acumulação de factos: um jantar em casa do «patrão» da Quatro e um almoço em Belém.

Durante todo o dia de ontem Moniz não saiu de casa. É que terminava o prazo para uma posição final. Numa reunião que tivera segunda-feira com Freitas Cruz, ficou estabelecido o «timing» até quarta-feira. O presidente da RTP não queria esperar mais: primeiro porque José Eduardo parte amanhã para Macau, depois porque o clima na 5 de Outubro é de grande instabilidade com o diz-se-que-diz-se sobre a data de saída de Moniz.

«O comandante Mota Santos, que está ali a assoar-se, é distintíssimo, é um príncipe da Renascença». Foi desta forma que o advogado Celso Cruzeiro apresentou ontem ao tribunal de júri do caso «Aveiro Connection» o seu constituinte, ex-comandante do Porto de Aveiro, para quem pediu a absolvição das acusações de corrupção, peculato e contrabando.

Tal como Carlos Candal tinha feito na sessão da véspera, Cruzeiro tratou de fazer a distinção entre contrabando e descaminho de mercadorias, lembrando que o processo está a ser julgado com base no contencioso aduaneiro de 1945. Pôs ainda em causa o valor probatório das escutas telefónicas feitas pela Polícia Judiciária durante a fase de investigação do processo, considerando-as uma «violação completa» da intimidade da vida privada dos arguidos. O julgamento prossegue na próxima quarta-feira e deverá prolongar-se ainda por mais duas sessões, uma vez que falta ainda ouvir as alegações de três advogados de defesa.

Bettencourt Picanço, presidente do sindicato dos quadros da Administração Pública, a propósito da greve nacional de hoje

BETTENCOURT PICANÇO -- O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) nasceu em 1977 e em 78 foi um dos fundadores da UGT. Nasceu por força das pressões que um conjunto de quadros em todo o país sofreu nos anos anteriores a 77 e que desembocaram na sua marginalização nos serviços.

O funcionários públicos sempre vão ter tolerância de ponto na próxima terça-feira, podendo assim gozar o dia de Carnaval, de acordo com um despacho do primeiro-ministro, ontem comunicado ao Conselho de Ministros. Cavaco Silva lembra que «em Portugal a terça-feira de Carnaval não consta da lista de feriados obrigatórios estipulados por lei, embora esteja muito vulgarizada a ideia contrária». Depois anuncia que a tolerância de ponto, por si decidida, se deve ao facto da «comemoração dos festejos de Carnaval estar enraízada nos hábitos de certas camadas da população portuguesa, tendo inclusivamente ganho assinalável expressão económica em algumas localidades do país».

O Hospital de S. José vai ter de novo um serviço de queimados, a partir do final do ano, disse à Lusa o director de urgência do estabelecimento. Sá Figueiredo acrescentou que as obras para instalação do serviço estão orçadas em mais de 220 mil contos, dos quais 155 mil se destinam ao equipamento. O novo serviço de queimados irá dispor de dez camas, que é o número máximo considerado funcional, disse. O novo serviço vem colmatar a lacuna aberta no Hospital de S. José há dois anos, quando o velho serviço da especialidade teve de ser encerrado por causa do péssimo estado em que se encontravam as instalações.

Na redacção da RTP, se bem que a história da saída de Moniz tenha voltado ontem a circular, muitos continuam a não acreditar. «Já se falou disso tantas vezes... esta é apenas mais uma.» Mas há também quem seja mais crédulo e garanta que o ambiente está mesmo muito pesado. O que começou por ser entendido como (mais) uma estratégia de José Eduardo Moniz para renegociar as condições da sua permanência no cargo que ocupa é agora tido como um inevitável abandono. «Ele acabará por sair, mais cedo ou mais tarde», diz quem o conhece bem e que já trabalhou de muito perto com o «patrão» da RTP. E, para corroborar esta ideia, quem conhece o feitio de Moniz garante que ele não está muito satisfeito com o facto de a tutela «não ter aparecido a pedir-lhe para ficar», pondo-lhe a questão em termos de «você decide». Estes garantem que, na redacção da 5 de Outubro se vive um clima de «grande desgaste» com as repetidas notícias. E deduzem que a sua possível retirada irá corresponder a «grandes mexidas».

Na redacção da TVI, as águas dividem-se: a eventual chegada de Moniz levanta dúvidas, cria expectativas nos que se consideram subaproveitados mas conta com algumas resistências, nomeadamente em cargos de topo. Jorge Nuno Oliveira e Paula Magalhães -- dois ex-RTP e os actuais nomes fortes da informação da Quatro -- não vêem com muito bons olhos a eventual chegada o ex-patrão. Mas o que todos se interrogam é sobre quais serão as suas funções dentro da TVI. «Ele vem para director de quê? Vem ser presidente de quê?», pergunta um jornalista do canal de inspiração cristã.

Os quatro últimos relatórios das autópsias médico-legais dos doentes hemodialisados que morreram na Unidade de Diálise do Hospital Distrital de Évora (HDE) ainda não tinham ontem chegado à delegação da cidade alentejana da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Neste momento, segundo a Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, as vítimas de Évora elevam-se a 23, num caso que teve origem numa avaria do sistema de filtragem do hospital e no elevado teor daquele metal na água da rede pública.

A Alta Autoridade para a Comunicação Social, discreta durante anos, é agora notícia diária. Depois do reforço de poderes que lhe concedeu a AR, por iniciativa do PSD, surge a demissão dos seus membros. Depois de Miguel Reis, foi a vez de Lídia Jorge e Glória de Matos.

O que se disse dentro e fora do parlamento e a ausência de reacções por parte da AACS, quer no seu todo, quer pela voz do seu presidente, juiz Pedro Marçal, foi o elemento determinante para apresentar a demissão.

O secretário de Estado adjunto da Administração Interna, Carlos Encarnação, decidiu conceder «autorização de residência» em Portugal à zairense Isabel Ntumba. Desde 31 de Janeiro que se encontrava no aeroporto de Lisboa, confinada à zona de trânsito, onde foi interceptada na sua viagem para Montréal (Canada), por se encontrar munida de passaporte falso.

Para Carlos Encarnação, este caso foi exemplar a vários títulos. «Foi-o em relação à atitude do Governo, que decidiu sem diminuição nem perda de garantias por parte dos demandantes. Foi-o na verificação da capacidade de resposta dos processo de decisão rápida. E foi-o, ainda, na correcção da lei, que mantém a obrigação de se estabelecer um processo para cada caso, ao contrário do que se verifica em outros países comunitários, onde conduz à expulsão imediata quem se apresentar indocumentado ou falsamente documentado».

Um tanto inesperadamente, o Supremo Tribunal de Justiça decidiu anular o julgamento que absolveu, em primeira instância, o antigo governador de Macau do crime de "corrupção passiva". Agora, tudo vai voltar ao princípio.

O problema está no tempo de apresentação dos referidos documentos. Segundo refere o acordão do colectivo do Supremo, composto pelo juiz conselheiro Sá Ferreira e pelos juízes adjuntos Sá Nogueira e Coelho Ventura, a junção de documentos no actual regime do processo penal tem o seu momento próprio: as fases de inquérito ou de instrução. «Fora destes períodos, os documentos podem ainda ser juntos até ao encerramento da audiência de julgamento mas ao seu apresentante competirá o ónus de alegar e provar a impossibilidade de os juntar no decurso do inquérito ou da instrução». Facto que não terá ocorrido.

O vale do Reno, diz um máxima popular, atravessa cinco estações: a Primavera, o Verão, o Outono o Inverno e o Carnaval. Durante seis dias, ou seja, desde ontem até terça-feira, centenas de milhares de alemães vão-se submeter aos ritos da festa, paralisando toda actividade política e económica do país. Em Colónia, às 11 horas de ontem foi dada a partida, com a invasão da Câmara Municipal por um pelotão de jovens mulheres mascaradas, tomando o poder de uma forma simbólica. Bem ao estilo do município paritário. Apesar da hora, a cerveja e o vinho quente já escorregavam pelas gargantas. Colónia, Dusseldorf e o vale do Reno, durante vários dias serão visitados por milhões de alemães. Este ano, a rainha da festa é francesa. Lúcia I viajou desde Mirecourt, no Voges. É assim o Carnaval do vale do Reno, desde 1880.

As reivindicações dos três presos do caso FUP-FP/25 que se encontram em greve de fome há 25 dias vão ser apreciadas na próxima reunião do Conselho Superior de Magistratura (CSM), marcada para o dia 17. Aldino Pinto, Manuel Couto Ferreira e Teodósio Alcobia pretendem que lhes seja aplicado o cúmulo jurídico das penas já aplicadas. Esta garantia foi dada pelo presidente do CSM a elementos da Solidariedade Contra a Repressão (SCR), que ontem promoveu, no Porto, uma conferência de imprensa onde foi criticada a proposta avançada pelo Governo e que preconizava o regime de prisão aberta para os três grevistas de fome.

Os países árabes do Golfo preveniram os seus residentes não muçulmanos de que se arriscam a ser presos se comerem, beberem ou fumarem em público durante o mês do Ramadão, que hoje se inicia. Os responsáveis pelas Questões Islâmicas destas monarquias advertiram também a população muçulmana de que todos aqueles que em público desrespeitarem as regras do jejum serão chicoteados.

«A infracção destas regras será punida», nos termos da lei penal vigente, anunciaram as autoridades municipais em comunicado.

Há quem diga que tudo acaba à mesa... ou, pelo menos, que tudo devia ali acabar. Uma forma de entrar em contacto com a experiência do Ramadão é, sem dúvida, experimentar um jejum moderado, e compensá-lo com uma cozinha especialmente concebida para este período. Aqui fica um conjunto de sugestões para quem queira deixar-se tentar pela aventura.

Valor energético por dose: 69 calorias. Composição: 4g de proteínas, 5g de hidratos de carbono, 4g de gordura, 2g de gordura saturada, 14mg de colesterol, 52mg de sódio.

O mês sagrado dos muçulmanos começa hoje. O jejum e a oração são notas mais salientes de um ritual que se repete e no qual sobressai a recitação do Alcorão. É um jejum feito em nome de Deus e no qual os seus crentes são convidados a uma maior exigência de vida pessoal e com os outros.

É a oração de Tarawi, a prece nocturna do mês do Ramadão, a que costuma reunir mais muçulmanos. Em Portugal, os cerca de 25 mil crentes do islão são convidados a reunir-se nas três mesquitas (Lisboa, Odivelas, Miratejo) ou em 11 centros de culto, na zona da capital, em Coimbra e Évora. Dos 25 mil (cerca de 15 mil na zona da Grande Lisboa), cerca de dois ou três milhares comparecem às chamadas dos «muazzin», os arautos que anunciam o início da oração.

Yasmine Baharani, uma muçulmana iraquiana, explica em que consiste a tradição do Ramadão no seu país, e como o jejum cultiva "a paciência, a disciplina e a humildade".

No Iraque, em criança, aprendi que o jejum cultiva a paciência, a disciplina e a humildade, ensinando a adiar o prazer. Através dele, é possível fazer-se uma ideia do que significa passar fome ou sede, e ter a noção da quantidade de comida que se desperdiça.

O primeiro indicador estatístico do ano é mau. As vendas de automóveis diminuíram 12,4 por cento em Janeiro. Mas se o consumo privado previsivelmente se manterá em baixa, o investimento público deverá crescer e desde o quarto trimestre de 1993 que há um efectivo crescimento da procura externa, que a taxa de câmbio do escudo faz realçar ainda mais.

Os primeiros indícios de recuperação da carteira externa começaram a ser fornecidos pelos industriais a partir do início do quarto trimestre do ano passado, reforçando-se de forma continuada a partir de então. É bastante provável que, pelo menos em valor, as exportações portuguesas já tenham crescido durante o quarto trimestre de 1993 e que ao longo do primeiro trimestre de 1994 esta melhoria se verifique também em volume. Esta recuperação já era visível no final do ano passado em alguns produtos e em alguns mercados extracomunitários, com excepção de Angola e da EFTA.

Os conceitos, técnicas e instrumentos a que os gestores e os universitários, um pouco por todo o mundo, timidamente, chamam «reengenharia» podem estar a constituir, de facto, algo de novo. Os movimentos de reorganização e redesenho das formas como nos organizamos e trabalhamos têm vindo a acontecer com regularidade através dos tempos. Por aqui, a reengenharia não é nova.

O ponto crítico da reengenharia é, no entanto, outro. Quem está interessado em entrar neste processo? Os accionistas, a gestão de topo (ou parte dela) e, pelo menos no início, mais ninguém. O desequilíbrio para a mudança pode ser conseguido de duas formas básicas no curto prazo.

«O tipo de reengenharia que praticamos é a exposta na obra `Reengineering the Corporation', de James Champy», refere Marc Fourny, da CSC Index. E acrescenta que de tempos a tempos, em alturas críticas da sua vida, a empresa deve ambicionar os benefícios só possíveis quando ocorrem mudanças radicais.

Entre as empresas que mais recorrem à reengenharia estão as que lutam pela sobrevivência e/ou procuram afirmar a sua liderança ou capacidade competitiva. «Em períodos de consolidação, pode fazer sentido outro tipo de técnicas instrumentais, como por exemplo os programas de qualidade. O `kaizen' e a TQM visam melhorias graduais e contínuas, mantendo a empresa no mesmo patamar de competitividade; a reengenharia tem por objectivo alterar, de uma só vez e num curto período de tempo, a posição competitiva da empresa», referiu Fourny ao PÚBLICO.

Goste-se ou não, a verdade é que o discurso oficial é agora mais coerente. Reconhece-se que o ano de 1993 foi um ano difícil, diz-se que é necessário impedir um rápido aumento do desemprego e conter a degradação das contas públicas e apela-se à moderação salarial para conseguir uma mais rápida recuperação da economia. Pode dizer-se que voltámos à velha solução de superar os problemas à custa da desvalorização do escudo e dos baixos salários e pode evidenciar-se a contradição entre o discurso actual e o que nos foi transmitido durante os últimos anos. Mas, depois, o que interessa é saber se existem alternativas credíveis substancialmente diferentes.

De pouco vale afirmar que só ganhamos um terço, ou um quarto do que ganham os europeus. É preciso provar que as empresas portuguesas podem também pagar maiores salários e quando tal for provado não se deve deixar de exigir a remuneração correspondente. Mas tem sido mais frequente verem-se empresas a falir por não conseguirem suportar os actuais níveis salariais ou a transferirem-se mesmo para outros santuários de mão- de-obra barata e trabalhadores sujeitarem-se a trabalhar sem receber, na esperança de salvaguardar o emprego.

Superficial tem sido o debate sobre a forma de financiar a Segurança Social. No meio do vazio do discurso oficial e aproveitando o pânico que se gera, as seguradoras apelam aos complementos de reforma, enquanto os sindicatos defendem um reforço das verbas públicas. Diz-se que o corte de regalias sociais é fatal, mas poucos são os que se interrogam sobre o que se pretende do Estado e sobre como pagar essas funções. Porque, caso não o façam, continuarão a ser os mesmos a pagar a factura.

O sistema -- assente sobretudo nas contribuições dos empresários, dos trabalhadores e nas limitadas transferências do Estado -- não estará, por si só, em condições de solver as promessas que a Constituição e a legislação consagram. Algo terá de ser feito, mas não se sabe ainda o quê.

Os cenários dos diversos estudos sobre o financiamento da Segurança Social antevêem uma quebra acentuada do poder de compra dos pensionistas portugueses. Mas já entre 1991 e 1993 os números não eram famosos.

Apenas estes valores explicam que se observe um agravamento do peso dos pensionistas relativamente aos activos sem que o sistema esteja em ruptura a curto prazo. Se os estudos esperam para 2040 uma relação de 1,3 activos por cada passivo, em Junho de 1993 essa relação era já de 2,16, valor muito próximo ao esperado para 2015 pelo grupo de especialistas a quem a Associação Portuguesa de Seguradoras (APS) encomendou um estudo (dois para um).

Proclamação lida ao país na madrugada de 26 de Abril de 1974 pelo general António de Spínola, presidente da Junta de Salvação Nacional

- Abster-se de qualquer atitude política que possa condicionar a liberdade da eleição e a tarefa da futura Assembleia Constituinte e evitar por todos os meios que outras forças possam interferir no processo que se deseja eminentemente nacional;

MINISTRA DA EDUCAÇÃO REVELA PLANOS -- A titular da pasta da Educação, Manuela Ferreira Leite, foi ontem recebida pela comissão parlamentar do sector, à qual revelou os seus planos. A ministra conferiu prioridade ao ensino básico -- até ao nono ano de escolaridade -- e defendeu o regresso dos professores destacados às escolas, em especial dos que se encontram a desempenhar funções nos serviços centrais e regionais do Ministério da Educação. O aumento dos estabelecimentos de ensino pré-escolar através do recurso às autarquias e da segurança nas escolas foram também aspectos salientados por Manuela Ferreira Leite, que manifestou o desejo de consolidar a autoridade dos docentes dentro dos estabelecimentos. No que respeita ao ensino superior, é possível que o diploma da acção social escolar, em vigor há cerca de oito meses, venha a ser modificado, bem como a proposta de lei do seu antecessor sobre a avaliação das universidades, estando a ministra à espera da opinião dos reitores.

O Teatro Experimental de Cascais, dirigido por Carlos Avilez, actual director artístico do Teatro Nacional D. Maria II -- que não atingiu também o mínimo de 150 espectáculos por ano nem o limite exigido das audiências --, auferirá os 62 500 contos do ano passado, mas não terá direito a actualização do subsídio, o que funciona como um pequeno castigo. Em contrapartida, a Seiva Trupe (do Porto) e a Cornucópia (de Lisboa) passarão respectivamente de 42 para 47 mil contos, e de 45 para 47 mil e quinhentos contos. Subsídios actualizados, portanto.

Morreu Louis Kaufman -- Louis Kaufman, um dos violinistas que mais discos gravou neste século, morreu com um ataque cardíaco em sua casa, na quarta-feira. Tinha 88 anos e vivia em Los Angeles. Kaufman fez mais de 125 gravações com reportório clássico e participou em mais de 400 bandas sonoras de filmes entre 1934 e 1948. Nasceu em Portland, Oregon, e foi para Nova Iorque, em 1918, estudar com Franz Kneisel no Institute of Musical Art. Ganhou o Prémio Loeb em 1927 e o Prémio Naumberg em 1928.

Fernando Couto suspenso por três jogos -- Fernando Couto, defesa-central do FC Porto, foi ontem suspenso por três jogos pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol. O castigo aplicado ao futebolista deve-se à sua expulsão no jogo Benfica-FC Porto, da última jornada do Campeonato Nacional de futebol da I Divisão, no qual o jogador agrediu o defesa benfiquista Carlos Mozer. No mapa de castigos ontem divulgado pelo CD figura ainda a suspensão, por dois jogos, do brasileiro do Vitória de Setúbal, Filgueira, expulso frente ao Estrela da Amadora, também em encontro referente à última ronda do «Nacional».

O Conselho Regional de Viticultores da Casa do Douro vai hoje reunir-se com o propósito de debater a proposta de lei do Governo para o novo enquadramento institucional da região demarcada. O diploma, cujos contornos o PÚBLICO divulgou anterormente (ver edição de 15-1-94) promete acesa polémica no Douro ao prever que importantes competências delegadas na Casa do Douro, como o cadastro, o «benefício» ou a gestão das contas correntes dos agricultores, sejam transferidas para sede de um Conselho Interprofissional que numa primeira fase será liderado pelo Instituto do Vinho do Porto.

O inquérito parlamentar ao caso Totta/Banesto, proposto pelo PCP, não passou ontem na Assembleia da República, com a força dos votos contra do PSD. Toda a oposição se manifestou favorável à abertura do inquérito parlamentar, apesar de haver «nuances» entre as posições do PCP e do PS e os argumentos do CDS.

PGR envia leva Unicer à CMVM -- A Procuradoria Geral da República (PGR) enviou para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) o documento entregue na instituição pela comissão de trabalhadores da Unicer, no qual a CT solicita uma investigação sobre se existe ou não violação do limite de participação de capital estrangeiro na empresa. A PGR sustenta a sua decisão no argumento de que «a matéria se enquadra no âmbito da competência da CMVM». A Provedoria de Justiça, outro dos organismos a que foi enviado o documento, está ainda a analisar o assunto.

O ACTUAL chefe do Estado moçambicano, Joaquim Chissano, venceria as eleições presidenciais se elas fossem agora, mas só à segunda volta, depois de na primeira conseguir 45,4 por cento dos votos, contra 32,4 para o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e 3,3 para o presidente da Fumo, Domingos Arouca, indica uma sondagem da «Gestinform» noticiada ontem pela Rádio Moçambique. O maior apoio a Chissano regista-se na sua província natal, Gaza, o mesmo acontecendo quanto a Dhlakama, em Sofala.

A FRENTE Popular Afrikaner anunciou ontem a sua decisão de boicotar as primeiras eleições multiraciais sul-africanas, que se realizam de 26 a 28 de Abril e que devem ser ganhas pelo ANC, segundo diversas sondagens. O líder do Partido Conservador, Ferdi Hartzenberg, recentemente nomeado «presidente» dos afrikaners irredutíveis, afirmou que a Frente continua a desejar conseguir por meios pacíficos um Estado separado para a população de origem holandesa e francesa. Mas uma enviada especial da France Presse nota que os simpatizantes da causa separatista não serão mais de 1,2 dos cinco milhões de brancos; ou seja, não chegam sequer a um quarto de todos os sul-africanos com raízes europeias.

A indigitação do substituto de Miguel Mendonça, também vice-presidente, será decidida na segunda-feira por Jardim, sendo provável que para o cargo seja designado Miguel Albuquerque. O líder parlamentar do PSD, Jaime Ramos, não aceitou o lugar porque, em sua opinião, seria «passar de cavalo para burro» -- isto é, deixar de ser «um operacional da política», para aceitar «um cargo de gaveta». Até ao momento composta exclusivamente por sociais-democratas, a mesa da Assembleia poderá vir a integrar três vice-presidentes -- dois do PSD e outro que este partido estaria disposto a atribuir aos socialistas, caso fosse indicado o ex-líder do PS-Madeira Emanuel Jardim Fernandes.

A Distrital de Lisboa do PSD vai levantar mais de 20 processos disciplinares a militantes que «não seguiram as orientações do partido» nas últimas eleições autárquicas. O levantamento das situações está a ser feito pelas secções, sendo que já há processos entregues, quer ao Conselho de Jurisdição Nacional, quer ao Distrital. Sabe-se que alguns dos atingidos pertencem às secções da Azambuja -- onde um militante integrou a lista do CDS --, Vila Franca e Cascais, mas tem-se conhecimento que há mais. Aos olhos dos zeladores pela disciplina interna, incorrem também em possível sanção todos os que avançaram propostas diferentes das que foram definidas pelos órgãos de direcção do PSD. A Distrital do Porto foi a primeira a levantar um conjunto de processos tendo por base esse tipo de motivos e por razões idênticas foram recentemente expulsos cerca de duas dezenas de militantes da Madeira.

Também o PCP realizará em breve as suas jornadas parlamentares: serão em Braga, a 21 e 22 de Fevereiro, e terão como temas centrais o desemprego, a coesão social, a aplicação dos fundos comunitários, o GATT e as suas repercussões em Portugal e, ainda, o trabalho infantil. Este encontro definirá as linhas de trabalho do grupo parlamentar dos comunistas para o resto da sessão legislativa.

A TAP-Air Portugal mantém retidas no aeroporto de Lisboa uma mulher angolana e a filha de três anos que vieram de Brazzaville, Congo, visitar o pai, angolano a trabalhar legalizado em Portugal há dois anos, disse ontem à noite ao PÚBLICO o padre Firmino Cachada, do Centro Padre Alves Correia.

Governo aprova código da estrada -- O novo Código da Estrada foi ontem aprovado em Conselho de Ministros mas só entrará em vigor no dia 1 de Outubro. Até lá todos os destinatários do novo diploma poderão tomar conhecimento das novidades. E elas são fundamentalmente cinco. A opção pelo regime de contra-ordenações, o agravamento geral das sanções, a admissão de contraprova aos autos de notícia ou elementos de prova obtidos através de aparelhos ou instrumentos aprovados nos termos legais, bem como, a cassação da licença de condução quando, pela gravidade ou repetição frequente de infracções , o seu autor deva ser considerado inapto para conduzir. De salientar ainda a possibilidade de pagamento voluntário da coima.

A NATO e a ONU terão já procedido a uma repartição dos papéis e a uma divisão das responsabilidades na perspectiva de raides aéreos na região de Sarajevo, afirmaram diplomatas ocidentais à France Presse. Ao secretário-geral das Nações Unidas caberia a decisão de apelar aos aviões da NATO na eventualidade de novos bombardeamentos contra zonas civis da capital bósnia. Mas a iniciativa de recorrer à força aérea, se os sérvios não retirarem o armamento pesado dos arredores de Sarajevo, pertencerá à Aliança Atlântica.

No que diz respeito ao ultimato de dez dias fixado pela NATO para a retirada do armamento pesado sérvio das imediações de Sarajevo, a Aliança dispõe de uma importante margem de manobra e é a ela que cabe a iniciativa de lançar os ataques aéreos, «em estreita coordenação» com o secretário-geral da ONU. Butros-Ghali, como responsável pela segurança de todos os funcionários da ONU na Bósnia, disporia de um «direito de supervisão» (há quem fale num direito de veto), mas os países ocidentais pretendem que ele não use essa prerrogativa relativamente ao ultimato da NATO.

Excertos do comunicado saído na quarta-feira à noite da reunião do Conselho do Atlântico da NATO, em Bruxelas.

-- Apoia o plano de acção da União Europeia (...) para assegurar uma resolução negociada e considera (...) que o levantamento do cerco de Sarajevo pode ser um passo para a colocação de Sarajevo sob administração da ONU.

Clinton quis assumir a liderança do ultimato. Foi à televisão explicá-lo antes de o secretário-geral da NATO o ter anunciado. Mas, nos EUA, muitos vêem a sua política como paradoxal: quer pressionar os muçulmanos a negociar, mas lança uma ameaça de ataques que lhes pode dar supremacia militar.

«Isto é horrível!», disse Clinton. Desta vez era preciso fazer qualquer coisa. Gore deve ter aproveitado para lembrar que sempre dissera ser preciso fazer qualquer coisa drástica. Lake terá contado como desde há meses se enfia sozinho no seu gabinete, madrugadas inteiras, a reflectir sobre as hipóteses de solução do conflito. Na sua vez, Christopher desabafou que nos últimos dias tem andado completamente traumatizado com a história da Bósnia. Principalmente desde que o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Alain Juppé, e o britânico, Douglas Hurd, lhe disseram que os esforços negociais dos europeus estavam prestes a terminar, se os EUA não interviessem junto dos muçulmanos. «Isto teve um grande impacto sobre Christopher», contou um funcionário do Departamento de Estado. Ele sentiu que «ou ficávamos sentados a ver a Bósnia arder, ou tínhamos de nos envolver».

A escalada "machista" de Alain Juppé (dixit um diplomata britânico) para uma intervenção na Bósnia teria escondido segundas intenções, bem diferentes. Segundo esta leitura, é com o credo na boca que os franceses esperam que as ameaças da NATO não tenham de ser aplicadas.

A ideia pré-concebida era de que Washington nunca cederia às insistências francesas, devendo assim assumir a responsabilidade pela inacção da comunidade internacional; a partir daqui, a França teria as mãos livres para retirar da ex-Jugoslávia os seis mil capacetes azuis franceses, que constituem o maior contingente da Forpronu.

A Rússia pediu ontem a convocação urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), considerando que a NATO não pode realizar ataques aéreos na Bósnia sem o acordo desta instância, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros. O comunicado afirma que a intervenção aérea contra os sérvios, destinada a pôr fim ao cerco de Sarajevo, foi uma decisão tomada «fora do quadro das Nações Unidas» e que «deve ser adoptada pelo Conselho de Segurança».

Adamichin defendeu que os raides dificultarão ainda mais o processo de negociações de paz, uma vez que, diz, vão reforçar as convicções dos muçulmanos, que «querem obter pelas armas o que não conseguiram à mesa das negociações». «Está claro que os muçulmanos não serão estimulados a assinar um acordo. Eles são o principal obstáculo para a resolução do conflito.»

Passou o primeiro dos dez dias do ultimato da NATO aos sérvios bósnios para retirarem a sua artilharia em redor de Sarajevo e a perspectiva de raides aéreos adensou-se. Os sérvios bósnios reagiram com desafio. Deram inclusive sinais de que poderão fazer «escudos humanos», o que evoca um dos episódios da campanha contra Saddam. Com os muçulmanos bósnios satisfeitos e a Rússia irritada, Estados Unidos e França assumem a condução das «démarches» diplomáticas. Os analistas militares estão divididos sobre a eficácia e os riscos dos raides aéreos.

Em Genebra, o seu líder, Rodovan Karadzic, foi mais comedido. Deu a entender que os seus homens abandonariam as posições em causa antes de um ataque da NATO, mas fez depender o prosseguimento das negociações de paz da realização de um inquérito internacional que determine os responsáveis pelo ataque de morteiro que vitimou, no passado sábado, 68 pessoas num mercado ao livre da capital bósnia, episódio sangrento que precipitou uma tomada de posição da NATO.

Leandro Almeida, professor da Universidade do Minho, e Maria de Fátima Morais, assistente na Faculdade de Letras do Porto, iniciaram há 5 anos um projecto-acção de promoção cognitiva de alunos com dificuldades de aprendizagem em 3 escolas do norte do país e, ontem em Barcelos, apresentaram os resultados concretos da investigação num manual que tem por objectivo servir de programa de acção para professores e psicólogos que queiram intervir nesta área.

Partindo desta realidade, psicólogos e professores executaram, em horários extra-curriculares, o projecto. Actividades lúdicas capazes de pôr em questão a memória, o raciocínio, a criatividade, a auto-estima, em suma, a destreza intelectual dos alunos, num conjunto de 15 sessões previamente preparadas.

Em Inglaterra, o tempo é de conservadorismo. Como parte de um raide em nome dos bons costumes e da moral instalada, inspectores do Ministério da Educação de John Patten fizeram um relatório sobre Summerhill, a lendária escola em que as crianças não são obrigadas a fazer nada, a não ser viver a infância. Veredicto: ou muda, ou morre.

«As necessidades educativas dos estudantes são mal servidas pela escola», diz o relatório elaborado pelos serviços de inspecção e agora tornado público, que acrescenta que algumas salas são «desconfortáveis e frias» e com «uma aparência esquálida».

O «fax» de Eduardo e Ann Guedes despeja incessantemente notas e acrescentos a cláusulas que vêm da América, de um contrato assinado com uma distribuidora/produtora americana, a Miramax, a quem venderam os direitos de «Falando de Anjos», o projecto que os ocupou durante anos e do qual agora se desfazem porque, como diz Ann, «entretanto transformou-se num pesadelo». A sensação é de alívio e de derrota.

Era o mais ambicioso projecto dos dois. Tomar, anos 20, uma preceptora irlandesa, católica, chega a uma grande família portuguesa burguesa e desperta a paixão em filhos e pais e numa outra preceptora irlandesa. «A abertura da Caixa de Pandora...», como diz Ann. «Foi um período histórico interessante, havia uma grande confusão, republicanos, monárquicos, socialistas, o comunismo emergente e no meio desse caos económico e social, Portugal corria em direcção ao fascismo».

Depois de João Botelho e Edgar Pêra, Eduardo Guedes filma «Noite» para a Capital Europeia da Cultura

Este filme funcionará como uma espécie de terapia para Eduardo Guedes, depois de ter estado envolvido durante vários anos, juntamente com Ann Guedes -- a equipa de «Rocinante» e «Na Pele do Urso» --, num ambicioso, e frustrante, projecto. «Falando de Anjos» era o título e acabou por ser vendido a Hollywood (ver caixa). Mas a experiência americana foi equivalente à abertura de uma Caixa de Pandora e dela tiraram lições -- uma delas é que a América é mesmo «another world» -- e uma actriz, Amanda Plummer [«O Rei Pescador»], que é a estrangeira de «Noite». As intenções antes da rodagem ficaram registadas. Não se falou de anjos, mas de Lisboa.

A tarde de anteontem do 14º Fantasporto foi dedicada à projecção, no Auditório Carlos Alberto, das curtas-metragens da secção competitiva. Cerca de três horas a observar 14 filmes, em que se destacaram, pela positiva, as velozes comédias amorosas transurrealistas «Malveillos, il et Minuit Poupée» e «Mr Foudamour», realizadas pelos franceses Kram & Plof, Marc Boyer e Christian Plof, e, pela negativa, «O Lado Sombrio da Lua», da brasileira Walkiria Ribeiro, que chegou com a pretensão de narrar um episódio da eterna luta entre o bem e o mal e acabou por oferecer, ao escasso público presente, os dez minutos mais hilariantes do dia: uma espécie de telenovela «série z», dos anos 70...

Finalmente, os aplausos: para o anarco-situacionismo de «Les Improductifs», uma excelente crítica à sociedade do espectáculo e aos seus mecanismos de repressão, para o sado-masoquismo circense pós-conceptual de «None of the above», dedicado, em epílogo, às mulheres perversas de todo o mundo, e também para «The Singing Trophy», do neo-zelandês Grant Lahood, já exibido na sessão oficial de abertura do festival. Um destes, ou os citados no primeiro parágrafo, merecia levar a palma da vitória.

«Não sei bem se a nossa pátria é a língua portuguesa.» Foi assim que o escritor português José Manuel Mendes (presidente da Associação Portuguesa de Escritores) lançou o tema que dominou o debate entre os escritores que procedem dos diversos países que a falam, ontem, na Biblioteca Nacional, em Lisboa. O poeta português Manuel Alegre foi mais longe: «Não há uma política da língua. A defesa da língua portuguesa tem deixar de ser hipócrita, mística e mentirosa.»

Apesar do tom do debate, houve lugar para os escritores portugueses expressarem a sua indignação contra «as novas formas de censura que se instauraram em Portugal». Foi Manuel Alegre quem suscitou a questão: «Temos que lutar contra o silêncio» -- referindo-se aos «media» que estão, na sua opinião, «colonizados». João Ubaldo Ribeiro diria que o mesmo se passa no Brasil: «É o provincianismo. Nós temos vergonha da nossa língua». Lídia Jorge lembrou que o Ocidente vive, na sua globalidade, «uma grande perturbação daquilo que é a mensagem da literatura».

O secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes, garantiu que, entre quinta e sexta-feira, seriam conhecidos os grupos de teatro a subsidiar em 1994. E quase cumpriu: dois jornais -- o PÚBLICO e o semanário «O Independente» -- foram informados do que se passaria com algumas companhias. Mas aos visados, curiosa e estranhamente, ninguém disse nada. Por isso, os papéis inverteram-se. Sempre que o PÚBLICO contactou os responsáveis dos grupos e pedia um comentário ouvia, invariavelmente, do outro lado da linha: «Sabe mais alguma coisa?»

«Parece-me que andam a analisar mal as coisas», comentou Custódia Gallego, do grupo Persona, que se arrisca a não ter qualquer subsídio. «Esquecem-se que só podemos começar a trabalhar quando recebemos, e nós só tivemos dinheiro em Março», disse, para justificar o reduzido número de espectáculos. Quanto aos 2081 espectadores que receberam no Clube Estefânia, em Lisboa, em 1993, 730 dos quais «foram de favor», Custódia Gallego explica que as «borlas» foram dadas a estudantes, em matinés que lhes eram especialmente dedicadas. «As professoras queixavam-se que não podiam trazer muitos dos alunos, porque os pais não queriam pagar a entrada.»

Um grupo de trabalho vai reunir quarta-feira para começar a preparar um projecto legislativo destinado a regulamentar a marinha mercante nacional. O grupo, com o mesmo espírito daquele que, há cerca de dois anos, começou a preparar as alterações na legislação portuária recentemente aprovadas, irá reunir na Sociedade de Geografia Portuguesa, uma entidade independente onde se encontrarão os especialistas do sector. Duas pessoas, ambas capitães da marinha mercante, pertenceram anteriormente ao outro grupo: Barbosa Henriques e Soares de Sousa. Neste momento, a legislação aplicável à marinha mercante, um sector há anos em declínio, não satisfaz muitos dos seus interessados, que consideram que a actividade precisa de um incremento que passa também pelas leis que lhe são aplicáveis. O resultado dos estudos do grupo de trabalho que agora inicia funções serão apresentadas ao Governo, através do Ministério do Mar.

Na primeira reunião de 1994, o conselho de administração do porto autónomo do Havre elegeu o seu novo presidente. A escolha recaíu sobre Eric Leloup, que fará equipa com Didier Chabrol, vice-presidente, e com Jean-Pierre Bonon, secretário. Eric Leloup é membro do conselho de administração do porto autónomo do Havre desde Julho de 1989 e titular da Câmara de Comércio e Indústria do Havre. Além disso, o novo presidente já dirigiu, de 1985 a 1989, o sindicato dos transitários e é membro do conselho de administração da federação francesa dos organizadores e comissiários de transporte.

A ACP-CCIP tomou uma posição pública que enviou ao ministro do Mar, Azevedo Soares. Em reunião de direcção, presidida por Virgílio Folhadela Moreira, a ACP-CCIP começa por reconhecer ao Governo, e em particular ao Ministério do Mar, «a coragem e o sucesso alcançados na reestruturação do trabalho da operação portuária». Aqueles empresários esperavam agora o prosseguimento da mesma política, alargada à área das administrações e juntas portuárias, «onde aliás se localizam focos de ineficiência -- burocracia, custos supérfluos, estruturas sobredimensionadas, etc. -- que afectam gravemente a desejável fluidez e eficácia dos circuitos económicos que têm os portos como ponto de encontro».

O anúncio, pelo Ministério do Mar, de grandes ganhos e economias nos portos nacionais em resultado da reestruturação levada a cabo no fim do ano passado (eliminação dos trabalhadores excedentários, novas leis, o pacto de concertação social, a eliminação do Esquema Portuário Complementar de Reforma) foi, desde logo, questionado por muitos agentes económicos que duvidaram da adesão de tais números à realidade.

Quando em Abril de 1991 Graeme Souness tomou conta da lendária equipa do Liverpool, era apontado como o homem que faria os «reds» regressar às grandes vitórias. Quase três anos depois, era substituído por Roy Evans. O fim de uma era, sem honra nem glória, para o técnico e para o clube

Ninguém, nos meios do importante clube, podia continuar a ver as camisolas vermelhas do Liverpool a sofrer as humilhações a que têm vindo a ser sujeitas. Viu-se em Newcastle, por exemplo, homens como Rush, Clough e outros arrastarem-se pelo campo sem propósito claro, dando luta aos adversários porque a sua dignidade de profissionais assim o exigia, mas agindo desordenadamente, diante de um Newcastle todo voltado para a vitória, a transmitir a ideia de que estavam ali para o simples cumprimento de uma jornada mais no calendário. Este cenário repetiu-se em muitas outras ocasiões e, obviamente, existiam problemas entre o «manager» e os seus principais jogadores.

O reencontro entre a campeã mundial de crosse Albertina Dias e a vice-campeã, a irlandesa Catherina McKiernan, promete ser o grande cartaz do 18º Crosse das Amendoeiras em Flor, que, como é habitual nesta altura do ano, amanhã irá animar os terrenos do campo de golfe da Aldeia das Açoteias.

Para além de Albertina e Conceição Ferreira, as outras portuguesas de maior qualidade serão Marina Bastos (Sporting) e Rosa Oliveira (Maratona da Maia). A principal concorrência, em quantidade e qualidade, virá portanto das estrangeiras, dado que a corrida conta para o World Challenge desta época (é a oitava de uma série de 12, depois da anulação do crosse de São Paulo): lá estarão Gwen Griffiths (África do Sul), Claudia Lokar (Alemanha), a finlandesa Anne Mari Sandell, que no ano passado bateu Albertina, as britânicas Suzanne Rigg e Alison Wyeth, a cazaque Natalya Sorokivskaya, a islandesa Martha Ernstdottir, a polaca Anna Brzezinska, as quenianas Angelina Kanana, Esther Kiplagat e Susan Sirma (para além da referida Tecla Lorupe), as romenas Julia Negura e Margereta Keszeg, a suíça Daria Nauer e a marroquina Zahara Ouaziz. Um grande crosse em perspectiva, sem dúvida, no qual não se deverá perder de vista também Suzanne Rigg, que esta época já bateu McKiernan.

A direcção do Sporting, após a sua reunião de quinta-feira, decidiu «abster-se de prestar declarações a todos os órgãos de comunicação social que não sejam as que por lei se tornem obrigatórias». Segundo o mesmo órgão do clube, esta posição deve-se «à forma como alguns órgãos de comunicação social vêm tratando os assuntos relativos do clube, no que se entende constituir uma escalada que visa denegrir a sua imagem e desestabilizar a sua equipa principal de futebol». Em face desta postura, o acesso e circulação dentro do estádio passa a «ser restrito apenas ao que se encontra regulamentado».

Alain Pedretti, que foi presidente do Cannes entre 1989 e 1992, declarou, na quinta-feira, estar interessado na compra do Olympique de Marselha. Pedretti anunciou o seu interesse depois de saber que o juiz de instrução do presumível caso de corrupção, protagonizado pelo campeão francês, decidiu processar Bernard Tapie, actual presidente do clube, obrigando-o a abandonar o cargo. «Estou a examinar a situação financeira do Marselha, já que este clube não é um simples estabelecimento de comes e bebes e uma operação desta envergadura exige um estudo em profundidade. Quero ainda obter garantias de que na próxima época o clube pode participar nas competições europeias e resolver outros casos», disse Pedretti, que já se reuniu com Bernard Tapie e Noel Le Graet, presidente da liga nacional de futebol.

O caso do jantar do árbitro Veiga Trigo com um dirigente do Benfica, após o jogo com o FC Porto do passado domingo, continua a dar que falar. Antes da reunião extraordinária da direcção do clube das Antas, o presidente portista, Pinto da Costa voltou a falar sobre o assunto e chamou mentiroso a Porfírio Alves.

As declarações de Pinto da Costa foram proferidas momentos antes do início da reunião extraordinária da direcção portista, em que foram discutidos os incidentes verificados domingo à noite em Lisboa, após o jogo com o Benfica, e de que resultaram ferimentos graves em adeptos de uma claque portista e agentes da PSP. Nas Antas estiveram alguns adeptos do clube que testemunharam as agressões e o FC Porto está a ultimar exposições detalhadas, que irá enviar ao Conselho de Disciplina, ao secretário de Estado do Desporto e ao Ministério da Administração Interna. «Nesta reunião, a direcção do FC Porto fez questão de se solidarizar com todos os adeptos do clube vítimas de agressão e fundamentalmente com Álvaro Gomes, que sofreu um forte traumatismo craniano e tem sido apoiado pela nossa delegação de Lisboa», disse no final o dirigente Luís Gonçalves. «Não nos surpreenderá que não aconteça nada», sublinhou entretanto Pinto da Costa, que irá ver «se há duas moedas conforme a cor e a situação geográfica dos clubes».

Uma vez mais a sessão de ontem da Bolsa de Madrid ficou marcada pelas fortes quedas verificadas com os títulos das empresas de comunicação. No final do dia este sector registava um revés de 8,8 pontos. Igualmente em terreno negativo caminharam as acções das construtoras com uma perda de 7,15 pontos. O volume de negócios recuperou atingindo os 40 mil milhões de contos, numa sessão em que o índice Geral caiu 0,95 por cento.

A Bolsa de Tóquio esteve ontem encerrada por se comemorar o feriado alusivo à fundação do país. Na véspera o mercado tinha terminado em alta com a generalidade dos papéis a recuperarem parte das perdas dos dias anteriores. O aumento das ordens de compra foi uma das causas que levou ao crescimento das cotações. As últimas horas de quinta-feira revelaram-se importantes pois foi nos últimos momentos que as cotações deram o esticão final.

Preocupações em torno do sector metalúrgico alemão, associadas a fortes pressões de venda no «floor» da Bolsa de Frankfurt, levaram as cotações e os índices do mercado a descer. O DAX-30, por exemplo, cotou-se nos 2090,61 pontos, o que representou uma queda de 1,34 por cento. O balanço global da semana é também negativo. O mercado não está só a corrigir mas também a reflectir os problemas que a economia germânica atravessa.

Estatísticas norte-americanas mais positivas do que as antecipadas recentemente auxiliaram o mercado de acções helvético a recuperar algum do território perdido durante praticamente toda a sessão. Mesmo assim, o índice Swiss Performance desvalorizou-se 1,08 por cento, para se cotar nos 1896,91 pontos. As acções mais procuradas continuaram a ser as da Nestlé, dos laboratórios farmacêuticos e dos bancos UBS e SBS. Os montantes foram significativos.

A Telecom Portugal acaba de lançar um empréstimo obrigacionista no montante de seis milhões de contos. A emissão é de médio prazo, à taxa de juro fixa de 8,9375 por cento, remunerada semestralmente a 11 de Fevereiro e 11 de Agosto de cada ano. O preço de subscrição, particular, é de mil escudos e a amortização do empréstimo está prevista para 11 de Fevereiro de 1998. A operação é liderada pelo Banco Pinto & Sotto Mayor -- simultaneamente o agente pagador --, Banco Português do Investimento e Caixa Geral de Depósitos.

A Indústria Têxtil Somelos vai pagar, a partir de 17 de Fevereiro próximo, os juros correspondentes aos cupões nº11 e 12, com vencimentos respectivamente a 30 de Maio e 30 de Novembro do ano passado, do empréstimo de 1987. Os obrigacionistas deverão cobrar-se de um juro líquido por obrigação e cupão de 30 escudos aos balcões do Banco Comercial Português.

O peso de algumas ordens de venda e a nova postura adoptada pelos investidores determinou uma ligeira quebra das cotações, aspecto que se tornou evidente logo após a abertura das actividades. A volatilidade do mercado foi pequena e o volume transaccionado reduzido. O sentimento foi globalmente negativo e acabou por determinar o resultado final.

Os títulos estrangeiros revelam outro tipo de debilidades. O escudo mantêm-se, por agora, relativamente robustecido em relação à grande maioria das divisas europeias, o que anula eventuais ganhos cambias caso a moeda portuguesa revelasse tendência para descer.

A pressão verificada na paridade dólar/iéne resultante do impasse nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Japão, na cimeira entre o Presidente Clinton e o primeiro-ministro Morihiro Hosokawa, em Washington, contribuiu também para um recuo nas cotações do dólar contra o marco.

Em Espanha o índice de preços ao consumidor subiu um ponto percentual em Janeiro (mais meio ponto no mês anterior).

A proposta do Governo para a reforma institucional no sector do vinho do Porto foi ontem unanimemente recusada pela assembleia da Casa do Douro. Ao rejeitarem uma alegada perda de poderes regionais, os viticultores advertem que «a Patuleia e a Maria da Fonte fizeram-se por coisas mais simples». Um obstáculo difícil à estratégia do Governo.

Mesmo permanecendo com as funções oficiais na gestão da produção de vinhos de mesa, a proposta do Governo levaria a CD a alienar todas as suas funções, transformando-a numa simples «pessoa colectiva de direito privado». As suas competências no sector do vinho do Porto ficariam assim limitadas à participação no Interprofissional do IVP, com funções deliberativas, enquanto que o Instituto assumiria competências executivas bem como as tarefas administrativas de controlo, anteriormente da responsabilidade do organismo da Régua.

A inflação manteve, em Janeiro passado, a tendência para uma ligeira descida, revela uma nota do Instituto Nacional de Estatística ontem divulgada. Apesar de registar um aumento mensal de 0,8 por cento face a Dezembro passado, o índice de preços no consumidor (IPC) situou-se em 6,3 por cento face ao período homólogo de Janeiro de 1993, valor semelhante para a média dos últimos doze meses terminados em Janeiro. Em Dezembro, tanto a inflação homóloga como a média de 1993 situaram-se em 6,5 por cento.

Nos serviços, o fornecimento de electricidade foi aquele que maior variação mensal sofreu, com um aumento de 2,8 por cento, enquanto os serviços médicos e paramédicos registara um aumento de 2,4 por cento.

A ligeira descida que a taxa de inflação registou no mês de Janeiro pode não ser suficiente para provocar uma nova baixa das taxas de intervenção do Banco de Portugal -- esta é a opinião dos operadores contactados pelo PÚBLICO. Desde o início do ano, o banco central já desceu a sua taxa de absorção de liquidez em 0,75 pontos percentuais, passando-a de 10 por cento para 9,25 por cento. No entanto, a sessão de segunda-feira é aguardada com alguma expectativa, uma vez que serão divulgadas as taxas do banco central para o novo período de contagem de reservas de caixa que nesse dia tem início.

Apesar de na frente comercial os diferendos ainda estarem por resolver, o Presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e o primeiro-ministro japonês, Morihiro Hoskawa, iniciaram ontem, em Washington, mais uma cimeira. Mesmo perante o falhanço das tentativas de última hora para se chegar a acordo quanto às relações comerciais bilaterais entre os dois países, os dois governantes sublinharam que as relações entre os EUA e o Japão «são muito fortes» e que apesar de haver «alguns desentendimentos» as boas relações persistem.

O ministro do Mar, Azevedo Soares, disse ao PÚBLICO que a contestação dos operadores de Leixões face ao aumento de 12,5 por cento na taxa cobrada pela Administração do Porto do Douro e Leixões (APDL) «não tem nenhuma razão de ser» e que «só pode ser interpetada, benevolamente, como precipitada». «Os operadores estão cansados de saber o esforço que foi feito para baixar os custos do porto, foram ouvidos sobre o novo tarifário, e sabem também que ele ainda só não entrou em vigor porque o decreto regulamentar demorou algum tempo entre a ratificação do Presidente da República e a sua publicação». As previsões apontam para que as novas tarifas surjam numa das edições do «Diário da República» na próxima semana.

Este dinheiro destinou-se fundamentalmente a reformas antecipadas e licenciamento de trabalhadores excedentários. Neste capítulo, o ministro do Mar recorda que o mérito desta operação cabe ao Estado, pela pesada intervenção financeira, «e aos trabalhadores, que aceitaram rever os acordos de trabalho para uma posição menos favorável».

A sessão de ontem do Mercado Monetário Interbancário teve um comportamento bastante estável, à semelhança do que vem acontecendo nos últimos dias. O «overnight» cotava na abertura 8,75 a 9,125 por cento, contra os 8,625 por cento do fecho de quinta-feira. Logo de manhã o banco central anunciou uma intervenção ocasional, no sentido de retirar a liquidez excedentária que tem vindo a caracterizar o mercado, propondo a venda de títulos de regularização menotária (TRM), por quatro dias, à taxa de 9,0 por cento, tendo absorvido 135,7 milhões de contos.

No âmbito da dívida pública, o Tesouro colocou os 15 milhões de contos propostos a leilão de Bilhetes do Tesouro a 182 dias, situando-se a taxa média ponderada nos 9,6625 por cento, enquanto a taxa de rateio fixou nos 9,75 por cento, o que reflecte uma quebra de 0,25 pontos.

Os 80 mil novos postos de trabalho criados no âmbito do primeiro Quadro Comunitário de Apoio (QCA), que vigorou desde 1989 até ao final do ano passado, foram «engolidos» pela evolução económica e pelos seus reflexos no aumento da taxa de desemprego. São os dados sobre os índices de emprego do Ministério da tutela, que revelam que um dos indicadores de impacte mais directo e de maior agrado da análise política afinal foi apagado.

O balanço provisório de aplicação do primeiro QCA divulgado esta semana, indica que os 3412 milhões de contos aplicados no período em análise (entre fundos estruturais e financiamento nacional público e privado) resultaram na criação de 80 mil novos postos de trabalho, mas o aumento do número de desempregados, «baralhado» no ano passado pela mudança de critérios de apuramento da taxa de desemprego, foi superior. Uma situação que não é todavia nova para muitos dos parceiros europeus, onde os empregos criados na fase de euforia do Mercado Interno não chegaram para abafar a escalada de desemprego que se lhe seguiu. O que isto significa, por outro lado, é que sem o QCA, a taxa de desemprego em Portugal seria superior aos actuais 6,1 por cento ou 9,6 por cento, se se entrar em linha de conta com os que se declaram interessados em trabalhar, de acordo com os dados do terceiro trimestre de 1993, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Será uma colisão com uma potência semelhante a 100 milhões de megatoneladas de TNT. Por isso, periodicamente, o telescópio Hubble tem fotografado o cometa Shoemaker-Levy, que em Julho chocará com Júpiter. Sabe-se que ele se transformou em cerca de 20 minicometas cujos maiores exemplares atingem quatro quilómetros. Um cientista da NASA diz que está na altura de os dinossauros abandonarem o planeta.

«É tempo de os dinossauros de Júpiter abandonarem o planeta», brincou o cientista da NASA Ed Weiler, durante uma apresentação ao Senado. O encontro com os senadores tinha o objectivo de felicitar a NASA pela reparação em órbita de um defeito no espelho principal do Hubble, que teve lugar em Dezembro último.

Foram precisos cerca de 15 anos de esforços para se conseguir finalmente fabricar no laboratório o taxol, uma substância anticancerosa natural que representa a única esperança de tratamento para os doentes com certos tipos de cancro. Duas equipas de cientistas acabam de anunciar a síntese total do taxol no laboratório através de dois métodos diferentes. O medicamento deverá ser comercializado em breve em Portugal, pois foi aprovado pelas autoridades sanitárias nacionais nesta semana.

Os primeiros ensaios clínicos mostraram que o taxol permitia controlar o crescimento de tumores malignos dos ovários. E, hoje em dia, ele é de facto aclamado como sendo um dos maiores avanços dos últimos 15 anos em termos de terapia anticancerosa. Embora também seja tóxico para as células sãs, o taxol revela-se ainda mais tóxico para as cancerosas.

Três mil licenças legais e oito mil instalações «piratas» constituem a actual base instalada de AutoCAD -- o programa de projecto assistido por computador mais vendido do mundo -- em Portugal.

Apesar do acréscimo de funcionalidade oferecido por esta versão e da vantagem de todos os comandos e diálogos serem agora em português, a Micrograf vai manter até ao final de Abril um preço de promoção de 795 contos, ou seja, ligeiramente inferior ao preço normal da versão-base. O preço posterior será cerca de 80 contos mais caro que o AutoCAD 12 na versão-base.

Se pensa adquirir um leitor de CD-ROM, tenha cuidado com o que está realmente a comprar. Certifique-se de que o leitor tem velocidade dupla («double speed»). Actualmente já não são muito mais caros que os normais e a diferença em desempenho é muito grande. A tecnologia consiste em fazer rodar os discos à velocidade normal quando é preciso reproduzir música gravada (como nos CD normais) e duplicar a velocidade para ler dados (o que é importante porque os leitores de CD-ROM são cerca de 20 vezes mais lentos que um disco rígido). Os leitores convencionais vão ficar rapidamente obsoletos porque a NEC, que inventou o conceito da dupla velocidade, já pôs à venda um leitor com velocidade tripla. A tentação de «saldar» os leitores de velocidade simples vai ser muito grande...

Um programa chamado Viruses Creation Laboratory (VCL), capaz de desencadear uma epidemia de vírus informáticos, foi descoberta em Itália, noticiou a France Presse. O vice-director do Instituto Italiano para a Segurança Informática dos Bancos, Fulvio Berghella, que a localizou, disse que a sua existência tinha sido conhecida apenas um ano e meio depois de uma centena de empresas italianas terem sido «infectadas». O director da secção de Criminalidade Informática da polícia italiana, Alessandro Pansa, revelou que tinha sido aberto um inquérito para tentar determinar a proveniência do programa, que constitui uma verdadeira «fábrica de armas biológicas»... informáticas. Várias cópias do VCL já foram encontradas em Roma e Milão.

A Intel está a usar todos os argumentos ao seu alcance para tornar o PCI, a sua solução de «local bus», no novo padrão da arquitectura dos computadores pessoais, sucessora do velho «bus» ISA e da norma VESA -- que, tendo proporcionado, uma solução rápida e económica a toda a geração de PC assente nos 486, continha fortes limitações no que respeita à maleabilidade e à «inteligência» incorporada. No sentido da sua generalização, as normas PCI estão a ser alvo de uma promoção sem precedentes, podendo qualquer fabricante adoptá-las nos seus produtos (sejam eles máquinas completas ou componentes) sem que tenha que pagar quaisquer direitos à Intel.

A Intel afirma que uma máquina com um 486 e este «bus» terá um rendimento entre 5 a 15 por cento superior ao de um computador equivalente com «local bus» VESA e entre 10 a 50 por cento no caso de idêntico computador ISA. Além disso, os conectores PCI (geralmente em número de dois, mas podendo também ser três), permitirão ligar até um máximo de sete elementos desde que parte destes estejam integrados -- o que, segundo a Intel, proporcionaria soluções tão ou mais eficientes que a norma SCSI com custos muito inferiores. A própria Intel está a promover o fabrico maciço de vários controladores -- que, além do mais, poderão trabalhar tanto a 3,3 como a 5 Volt --, os quais em breve estarão disponíveis no mercado.

Foi há cerca de cinco anos que o primeiro Elite chegou ao mercado, revelando-se um estrondoso sucesso. O jogo foi considerado o melhor simulador de naves espaciais e de estratégia alguma vez criado, e chegou-se mesmo a formar clubes de fãs do Elite nalguns países. Ansiosamente esperado, é agora lançado o seu seguimento -- Frontier -- que promete continuar o sucesso do primeiro.

Pode usar-se o dinheiro para comprar equipamento diverso para a nossa nave (mísseis, minas, cabinas para transportar pessoas, combustível extra) e é sempre útil ter algum dinheiro para o caso de sermos apanhados pela polícia nalguma infracção e termos que pagar uma multa...

Lee é um rapaz que sofre de sonambulismo. Infelizmente, numa certa noite, Lee não se fica pelo seu quarto, salta pela janela (depois de pisar o cão, Ralph) e aventura-se pelas ruas de Kipsville.

Se o jogador conseguir fazer o pobre sonâmbulo chegar a salvo ao fim do nível, poderá jogar um nível de bónus, em que, controlando mais uma vez o cão Ralph, deverá também apanhar balões vermelhos num tempo-limite. Só que, desta vez, serão necessários vinte balões para que se tenha direito a mais uma tentativa no jogo principal. Existem outros objectos que, se forem apanhados pela ordem correcta, permitem ver no fim deste nível de bónus uma animação com Lee e os perigos que tais objectos simbolizam.

Há um grupo de «motards» truculentos e nada escrupulosos, que utilizam argumentos como pontapés, murros e correntes de ferro para desmoralizar o adversário. Há também um conjunto de polícias de trânsito pouco amistosos, mortinhos por passar multas e levar presos todos os que se entusiasmam demasiado com a velocidade. Há uma quantidade de carros na estrada, que, além de atrapalharem os corredores, se confundem por vezes com a paisagem. Há também as vacas que pastam no alcatrão, os alces que se atravessam em plena via, os espectadores que insistem em vir para as bermas... e, no meio de toda esta confusão, está o pobre jogador, equipado com uma motorizada menos potente, mas que tem de vencer a corrida ou, no mínimo, ficar entre os três primeiros lugares.

O ambiente gráfico de Road Rash II é bom, mas torna-se monótono, já que as pistas são sempre as mesmas em todos os níveis, aumentando apenas a distância a ser percorrida e o grau de agressividade dos oponentes. O mesmo se passa com o som, apesar de as diferentes músicas serem agradáveis e estarem de acordo com os ritmos de rapidez das pistas. A animação dos personagens é o ponto mais conseguido deste jogo, com quadros bastante divertidos no final de cada corrida. O controlo de movimentos é fácil, tornando Road Rash II acessível a todas as idades.

A Lexmark International, uma empresa que resultou da autonomização da divisão de impressoras da IBM, acaba de anunciar o primeiro dispositivo de automação baseado no «software» Microsoft At Work. Trata-se da Win Writer 600, uma impressora laser de 600 pontos por polegada e velocidade de oito páginas por minuto, destinada primordialmente aos utilizadores de «software» em PC com ambiente Windows, quer em casa, quer em pequenas e médias empresas.

A tecnologia funciona como uma espécie de sistema operativo, dando inteligência a dispositivos até agora fundamentalmente «estúpidos». Um sistema totalmente baseado no At Work poderia, por exemplo, receber um fax que fosse tratado, não como uma imagem mas como um texto (sem necessidade de reconhecimento óptico de caracteres, como até agora); esse fax poderia ser impresso como texto directamente numa impressora At Work ou fotocopiado as vezes que fossem necessárias numa fotocopiadora com a mesma tecnologia.

Depois de anos em que os portugueses tiveram de escolher entre ferramentas informáticas de escrita em inglês ou em «brasileiro», o mercado começa a dar sinais de poder rentabilizar apostas específicas na língua portuguesa. Uma delas, que dá pelo nome de Lince, foi lançado na semana passada por uma empresa portuguesa.

A abordagem da Priberam pode considerar-se a meio caminho entre esses dois géneros. A ideia foi tirar partido da capacidade que existe nas aplicações da Microsoft para Windows de partilharem ferramentas de correcção e edição de texto («proofing tools»). Na prática, quando instalado, o Lince vai substituir todos os dicionários de correcção ortográfica dos programas da Microsoft instalados no computador. Apenas são mantidos os «thesaurus» (dicionários de sinónimos), bem como as ferramentas de hifenização na língua original, que o Lince ainda não suporta.

O aparecimento de produtos com as características do Lince é um (bom) sinal de amadurecimento do mercado português de «software» para microcomputadores. Durante anos, as grandes marcas nunca se mostraram interessadas em desenvolver ferramentas específicas para língua portuguesa, num mercado que dificilmente rentabilizaria os investimentos. Mas alguma coisa está a mudar.

Em meados do ano passado, a WordPerfect Corp. fez igualmente um esforço de investimento em Portugal e introduziu o WordPerfect 5.2 para Windows com um corrector de português, com dicionário de sinónimos, adaptado (por vezes, não muito bem) da versão brasileira. Espera-se para breve uma melhoria do dicionário na versão 6.0 do programa.

A Nokia lançou no mercado português a nova série 2100 de telefones portáteis digitais. O Nokia 2110, concebido para as redes GSM, pesa apenas 200 gramas e dispõe de uma memória de 125 posições, das quais 99 para digitação rápida com identificação por ordem alfabética e numérica. Comercializado em Portugal pela Ensitel, apresenta-se com uma gama de acessórios para utilização em automóvel, incluindo uma base móvel com mãos livres. Pode ainda ser ligado a fax ou a computador pessoal portátil para transmissão de dados.

Computador: Apple Macintosh II (modelo original) com unidade de disquetes «superdrive» e ecrã monocromático. Impressora: Apple ImageWriter LQ, matricial, de carreto largo (por causa da impressão de partituras). Outro equipamento: Controlador MIDI (Musical Instrument Digital Interface) Time Piece da The Mark of The Unicorn; sequenciadores Roland Soud Canvas, Proteus/1 e Kurzweil 1000 PX; teclado principal Roland JX-8P; gerador de efeitos Alesis Midireverb II.

Confirma o encerramento dos escritórios da Lotus em Portugal? À luz da reformulação da sua estratégia global, que importância atribui a Lotus ao mercado europeu e ao mercado português?

O que aconteceu em Portugal é que os resultados do último ano não foram os que esperávamos e estamos a ver, com a Computer 2000, qual é a melhor forma de relançar a Lotus no mercado português. Mas estamos tremendamente interessados neste mercado, que tem um potencial muito importante para a Lotus. Haverá um grande esforço de «marketing». Esta área, por parte da Lotus, está muito orientada pela nossa central para a Europa (que está em Inglaterra), mas todas as acções são desenvolvidas localmente -- em Portugal, pela Lotus e pela Computer 2000 em conjunto.

Um relatório preliminar, encomendado pela Comissão Europeia no ano passado, confirma que a investigação europeia no domínio da realidade virtual não tem financiamentos governamentais nem coordenação geral. Em termos de subsidiariedade, nada corre bem. Enquanto um país investiga uma determinada linha de investigação, laboratórios de outros países (ou do mesmo) duplicam essa investigação. Mas como definir a pesquisa quando não há coordenação e cooperação centralizada? E como convencer os países a apoiar a I&D na realidade virtual e a torná-la acessível ao cidadão comum? A UE quer mais realidade no virtual europeu.

Os países europeus recebem reduzidos financiamentos governamentais para aplicação directa na RV. A Europa parece estar a ficar para trás neste domínio e, como refere o relatório, não fazer nada é um risco, com possíveis perdas de mercados potenciais. Para alguns, a melhor solução pode ser mesmo não fazer nada, deixando o mercado funcionar. No entanto, essa «melhor solução» pode acabar por não ser totalmente europeia. Veja-se o caso da «VRS -- a primeira iniciativa de colaboração europeia totalmente financiada pelo sector industrial», criada pela Advanced Robotics Research Ltd. (ARRL), uma empresa originária de um centro de investigação da Universidade de Salford (no Norte da Inglaterra).

A Telecom 95, sétima edição da Exposição Mundial de Telecomunicações, decorre de 3 a 11 de Outubro do próximo ano na cidade suíça de Genebra. Paralelamente, realiza-se, como nas edições anteriores, o Forum, no qual são debatidos os grandes problemas de ordem técnica, económica e política associados ao desenvolvimento das telecomunicações planetárias.

A Cimeira sobre tecnologias permitirá, pela primeira vez, uma troca de pontos de vista e posições entre os utilizadores, as empresas de telecomunicações clássicas, os líderes mundiais do sector informático e da electrónica de grande consumo, os representantes dos interesses da radiodifusão e da teledifusão por cabo, os profissionais de espectáculos e as empresas de serviços e de engenharia informática. Subordinada ao lema «Convergência de telecomunicações, dos serviços e das aplicações», examinará em sessões simultâneas os três temas seguintes: serviços de telecomunicações para particulares, serviços para empresas e aspectos nacionais, regionais e internacionais desses serviços. C. P.

Fabricantes de produtos informáticos e operadores de telecomunicações norte-americanos aliam-se num dos negócios mais promissores para o fim do século. Tendo passado o estado de promessa, a tecnologia do «video-on-demand» deverá estar disponível experimentalmente antes do fim do ano em centenas de milhares de lares dos EUA.

Numa demonstração a que o PÚBLICO teve oportunidade de assistir durante o anúncio da Oracle, um servidor de «video-on-demand» enviava simultaneamente três canais de vídeo digitalizado para outros tantos aparelhos de televisão. De modo independente para cada um desses canais, o sistema era capaz de proporcionar todas as funções de controlo de imagem que se esperam de um gravador de vídeo doméstico: avanço rápido, retrocesso, imagem estática e avanço imagem a imagem. Um conjunto de ícones no ecrã de televisão imitava os botões de comando do gravador de vídeo. Durante a exibição do filme em modo normal, era impossível distinguir um filme digitalizado de uma gravação magnética normal em cassete. A única diferença verificava-se apenas quando se colocava o filme quase em imagem a imagem. Aí, era perfeitamente visível o efeito de digitalização, com as imagens a apresentarem um efeito de «quadriculado» difuso.

A indústria britânica de videojogos anunciou um sistema de classificação etária dos videojogos para sossegar os pais preocupados com eventuais ligações entre a violência dos jogos e o crime infantil, noticiou a Reuter. O presidente da Associação Europeia de Editores de Software de Entretenimento (European Leisure Software Publishers Association ou ELSPA), Mark Strachan, diz que o sistema foi concebido para ajudar os pais a decidir quais são os jogos de computador e videojogos apropriados para os seus filhos, mas há quem critique o sistema por ele não prever meios legais para punir os prevaricadores. Já a partir de Março, porém, os videojogos serão classificados em quatro categorias: zero aos dez anos; 11 aos 14; 15 aos 17; e mais de 18 anos. Assim, por exemplo, o «Combate Mortal» da Sega será classificado com a categoria dos 15 aos 17 anos e o «Super Mario» será considerado apropriado para menores de dez anos. A decisão dos editores de «software» foi tomada voluntariamente e adoptou a forma de um «código de boa prática comercial», onde se consigna o princípio geral de que estes jogos devem ser comercializados «de uma forma responsável».

Dominic «Mad Dog» McGlinchey, que foi um dos mais procurados guerrilheiros do Exército Republicano Irlandês (IRA) e depois dirigiu o Exército Irlandês de Libertação Nacional (INLA), foi morto a tiro na quinta-feira em Drogheda, no nordeste da República da Irlanda.

O reformista russo Iegor Gaidar iniciou conversações com «diversas personalidades» com vista à criação de um novo partido político do qual ele será o presidente, anunciou na edição de ontem o jornal «Sevodnia».

O objectivo de Gaidar é criar um partido que reúna os reformistas. Uma intenção que motivou já a reacção favorável do porta-voz do Presidente, Viatcheslav Kostikov, porque a existência de «um partido forte e bem organizado é uma das condições necessárias para o desenvolvimento da democracia e para a continuação das reformas na Rússia».

O CONSELHO de Segurança das Nações Unidas e a Casa Branca voltaram a pedir quinta-feira ao governo angolano e à UNITA que deponham as armas, mas as suas palavras parecem cair em orelhas moucas e ninguém minimamente familiarizado com a situação parece acreditar que o processo negocial de Lusaca possa estar pronto antes de meados de Março, na melhor das hipóteses.

Horas depois foi a vez de a Casa Branca pedir o fim dos combates, dos quais as duas partes se têm acusado mutuamente desde que a guerra civil, interrompida em Maio de 1991 com os acordos de Bicesse, se reacendeu um mês após as eleições legislativas e presidenciais de Setembro de 1992.

A magistratura de Milão ordenou ontem a prisão preventiva de do irmão do empresário Silvio Berlusconi, Paolo, por suspeitas de corrupção, precisamente numa altura em que as sondagens indicam que o movimento político Força Itália, liderado por Silvio, se encontra em primeiro lugar nas preferências dos eleitores italianos.

Paolo Berlusconi disse, em declarações à imprensa, que se limitou a pagar uma «comissão regular» equivalente a dois por cento do montante da transacção pela venda do primeiro dos três imóveis, em 1983, e garantiu não ter nada a ver com as outras vendas, em 1984 e 1986.

A troca de tiros durante oito minutos ocorrida na madrugada passada em Sarajevo podia ter desencadeado ataques aéreos da Aliança Atlântica. «As nossas forças estão prontas», garantiu ao jornal «Newsday», de Nova Iorque, um funcionário superior do Pentágono. Mas o secretário-geral da ONU, Butros Butros-Ghali, respondeu: «Vamos a ver como as coisas evoluem.»

No caso de o ultimato de dez dias dado aos sérvios bósnios expirar (no dia 20) sem que estes tenham retirado as suas armas pesadas para 20 quilómetros de distância do centro de Sarajevo e a NATO cumprir a sua ameaça de atacar, caças-bombardeiros norte-americanos começarão por atacar centros de comando, depósitos de munições e áreas de armazenamento de combustível, ou seja, os ataques não se limitariam a posições de artilharia.

Apesar das trocas de tiros esporádicas na noite de quinta-feira, registaram-se ontem sinais de desbloqueamento em Sarajevo, após a entrega simbólica à ONU de material de guerra por parte de sérvios e muçulmanos. Prosseguem intensos contactos diplomáticos entre os principais actores internacionais. Clinton falou finalmente com Ieltsin, e prevê-se um aumento da pressão sobre os negociadores sérvios e muçulmanos.

Noutro gesto essencialmente simbólico, e num aparente cumprimento das cláusulas do cessar-fogo negociado com a Forpronu, os sérvios bósnios decidiram ontem começar a entregar as primeiras peças de artilharia. As forças sérvias, que cercam Sarajevo há 22 meses, entregaram 13 morteiros ou peças de artilharia à Forpronu na sua caserna de Lukavica, nos arredores sul de Sarajevo. Por outro lado, os muçulmanos prescindiram de cinco morteiros de 120 mm. No entanto, responsáveis sérvios bósnios continuavam a rejeitar radicalmente os termos do ultimato.

A paciência da Grécia está a esgotar-se, declarou o porta-voz do Governo grego, Evangelos Venizelos, a propósito das «intransigência» e das «provocações» da Macedónia, que foi quarta-feira reconhecida pelos Estados Unidos. Logo a seguir ao reconhecimento, o primeiro-ministro Andreas Papandreou declarou ser adepto do «diálogo», mas avisou que a Grécia pode «isolar economicamente Skopje [...] o que quer dizer que este país pode entrar em colapso». Diplomatas em Atenas frisam o risco de que o ultimato da NATO aos sérvios e o reconhecimento da Macedónia isolem politicamente a Grécia na NATO e na UE, e possam suscitar uma reacção «irracional» por parte do populista Papandreou.

Setenta por cento dos franceses apoiam a participação militar francesa nos raides aéreos que a NATO decida, indica uma sondagem da revista «Le Point». Quanto à questão da necessidade de bombardear as posições de artilharia sérvia em Sarajevo, 55 por cento dos interrogados são a favor, 29 contra e 17 indecisos. A maioria dos interrogados é da opinião de que o Governo deve aceitar a eventualidade de «baixas militares francesas» e manifesta-se contra a retirada dos capacetes azuis franceses da Bósnia.

Boris Ieltsin e Bill Clinton conversaram ontem à tarde por telefone, durante meia-hora, sobre a crise bósnia. Mais do que o conteúdo da conversa, este contacto marca o «reaparecimento» do Presidente russo, ausente da cena política desde a semana passada, oficialmente a curar uma constipação.

Rumores sobre a «saúde frágil» de Ieltsin correm desde Setembro de 1991, dois meses antes da sua eleição, quando faltou à abertura do parlamento russo, invocando um «problema cardíaco». No seu 63º aniversário, em 1 de Fevereiro, Ieltsin declarou-se «em plena forma», vangloriando-se de partir com frequência as raquetes de ténis por «bater com muita força».

Moscovo quer que seja o Conselho de Segurança da ONU a decidir se haverá ou não raides contra os sérvios bósnios. Mas não revela se vetará a proposta de um ataque. Serguei Krilov, vice-ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia, diz que ainda que a entrada da Rússia na NATO é um objectivo, mas que nem Moscovo nem a Aliança estão ainda preparados para isso.

R -- É uma possibilidade que existe. Depende da situação dizer sim ou não... A situação altera-se diariamente. Os sérvios já declararam que estavam dispostos a retirar a artilharia pesada, espero bem que cumpram a sua palavra.

Não existem argumentos para provar que os sérvios tenham sido os responsáveis pela tragédia no mercado ao ar livre de Sarajevo, no sábado passado. A maioria das alegações apresentadas pelas autoridades muçulmanas, desde o número de mortos (68) e feridos (197) até às causas da explosão, foram desmentidas por fotos tiradas no local da tragédia e pela análise posterior de detalhes técnicos, efectuada por especialistas que avisaram que o incidente tinha sido fabricado.

De acordo com as últimas informações, fornecidas por fontes credíveis, a Força de Protecção das Nações Unidas (Forpronu) voltou a inspeccionar o local e enviou para o seu quartel-general um relatório em que afirma que a parte muçulmana foi a responsável pelo crime no mercado de Sarajevo, mas resta saber quando será efectuado um esforço suplementar para que o relatório seja publicado. Se tal suceder, será um grande progresso em comparação com o caso do relatório não divulgado sobre o massacre da Rua Save Miskin, em 1992, que foi utilizado como prelúdio para a aplicação de sanções contra a Jugoslávia.

A FRENTE do Povo Afrikaner (AVF), que aparentemente representa cerca de um quinto do eleitorado branco sul-africano, já tem um mapa provisório para o estado próprio, o «Volkstaat», que deseja negociar com o ANC, força maioritária da África do Sul.

O território desejado pelos mais conservadores dos cinco milhões de brancos sul-africanos inclui a cidade de Pretória e é uma tentativa de fugir o mais possível a uma África do Sul governada por negros, tal como no século passado os seus antepassados criaram o Estado Livre de Orange e a República do Transvaal a fim de fugirem ao controlo dos ingleses que haviam colonizado o Cabo e anexado o Natal.

Alexander Scriabine não é um compositor desprezável na história da música. Na sua música para piano encontram-se umas quantas páginas relevantes da escrita para teclas; "Le Poème de l'extase", bem como a a Terceira Sinfonia ("Le poème divin"), são obras em que explora inventivamente os coloridos e as luminosidades orquestrais. Mas, decididamente, a Primeira Sinfonia que teve honras de peça de fundo no último concerto da Orquestra e Coro Gulbenkian - na passada quinta-feira, dia 10 - é um produto cuja feitura numa sala de concertos é altamente questionável em termos de uma análise de custo-benefício (incuindo nos custos os tempos perdidos na audição).

Inteligentemente, a presença dos cantores foi aproveitada para os ouvir mais e melhor na primeira parte. Fedin cantou árias de óperas russas ("Príncipe Igor" de Borodine, "Aleko" de Rachmaninov, e "Evgeni Onegin" de Tchaikovsky) com uma daquelas vozes sólidas, esmaltadas, um tanto estranguladas, que são apanágio dos tenores russos, mas tendo sobre a generalidade dos seus compatriotas do mesmo ofício e da mesma tipologia vocal a vantagem de frasear com elegância e expressividade. Mas o grande momento da noite viria com a audição de uma das grandes obras jamais escritas para voz e orquestra - as "Seis Canções de Marina Tsvetayeva", op 143 de Shostakovich, numa memorável interpretação de Jard van Nes.

«Flecha» exige um pinto, estridentemente. É um falcão peregrino, especialista em caçadas, membro do Centro Falco, no Sobral de Monte Agraço. A seu lado, bufos e águias berram pelo mesmo. Estão ali para se reproduzirem com o objectivo de que a sua espécie volte a povoar os céus do país. E também para ensinar os humanos a caçar, sem armas, apenas com o voo em picada de uma ave.

Criado há dois anos, mas ainda com as obras por terminar, o Centro Falco é fruto da paixão pelas aves «de caça» do psicólogo Eduardo Cabral. Depois de um protocolo com a Açor (associação científica para a conservação das aves de rapinas) e com o Grupo Mundial de Aves de Rapina, foram estabelecidas as bases científicas do projecto e este centro, sem fins lucrativos, começou a erguer os muros e a receber as primeiras hóspedes.

A explosão de uma bomba de grande potência destruiu, ontem de madrugada, cerca das 5h00, o carro do comandante do posto da GNR de Boticas, o sargento Melo Rodrigues. Um conjunto de circunstâncias, porém, indicia que o engenho se destinava ao carro do presidente da Câmara, Fernando Campos.

Melo Rodrigues, que está em Boticas desde Outubro último, mostrou-se incrédulo com o ocorrido e garantiu, em declarações ao PÚBLICO, nunca ter recebido qualquer ameaça. «Isto é tudo gente pacífica», afirmou o sargento da GNR

Na Cinemateca, Rua Barata Salgueiro 39, prossegue o ciclo Um Carnaval com Mel Brooks. Às 15h30 é exibido "Young Frankenstein", às 18h30 "Silent Movie" e, às 21h30, "High Anxiety".

No Lisboa Penta Hotel, mais propriamente no hall do Bar Zodíaco, está patente uma exposição de óleos de Luis Artur. A mostra, realizada em colaboração com a Galeria Gonçalo Benard, estará patente até 10 de Março.

Torres Vedras dedica este ano o corso de Carnaval de terça-feira gorda a Cavaco Silva. A autarquia já convidou o visado para estar presente. Um dos pratos fortes do desfile vai ser o carro com o primeiro-ministro e Mário Soares vestidos de palhaços e agredindo-se mutuamente numa «birra institucional».

O tema do desfile deste ano será "O reino da fantasia", com 15 carros idealizados e construídos por artistas torrienses, que deram asas ao seu imaginário lúdico apresentando monstros, figuras míticas e fantásticas, num misto de humor e arte.

A massificação urbanística no Algarve e na Andaluzia, em Espanha, é um dos principais inimigos da cegonha, afirma o presidente da organização ambientalista espanhola Biosfera, Jesus Vozmediano. «Com o desenvolvimento urbanístico e turístico que vêm protagonizando, nos últimos, estas regiões, desapareceram as condições propícias à permanência das cegonhas que, dia a dia, enfrentam grandes dificuldades para instalar os seus ninhos e buscar alimentos», disse Vozmediano à agência Lusa.

O cheiro provavelmente advém das algas em decomposição, que crescem junto às captações de água e que não são prejudiciais à saúde. Na opinião de alguns técnicos, o seu crescimento deve-se à existência, no local, de matéria orgânica em suspensão, possivelmente resultante das descargas de efluentes das pecuárias, algares e fendas existentes a montante, nas serras de Aire e Candeeiros, e que acabam por afectar os curso de água.

Dois acidentes de viação registados ontem de manhã em Lisboa causaram ferimentos graves em seis pessoas. Um dos sinistros ocorreu perto da estação ferroviária de Santa Apolónia, cerca das 7h30, quando um automóvel se despistou e embateu num pilar, tendo ficado feridos os seus cinco ocupantes, assistidos no Hospital de Santa Maria. Pouco antes, no viaduto Duarte Pacheco, chocaram dois veículos ligeiros, provocando ferimentos num dos condutores, que foi também hospitalizado.

Os dirigentes da comunidade hindu de Portugal convidaram o primeiro-ministro, Cavaco Silva, a visitar um centro -- que incluirá um templo, um lar de terceira idade e uma escola -- e que está em construção na zona do Lumiar. O convite foi feito numa audiência que o chefe do Governo concedeu a Kantilal Jamnadas, Dolar Parshotam e Anil Kumar, dirigentes da comunidade hindu, e Augusto Silva, sócio honorário da associação.

José Luís Judas, presidente da Câmara de Cascais, contratou o irmão, José Manuel, para ocupar o lugar de assessor para a reorganização da autarquia. A proposta passou sem oposição em reunião camarária, mas o PSD local não gostou nada de ver o oficial da Armada, ex-membro do Conselho da Revolução, à frente da reestruturação autárquica da vila à beira mar, e fala de «saneamentos políticos» iminentes entre os funcionários municipais.

Esta informação foi confirmada pelo gabinete de apoio do presidente, que esclareceu que o contrato de prestação de serviços ou «avença» foi firmado por seis meses e pelo valor de «três mil contos». «Se fosse por três anos ainda se compreendia, mas por seis meses não vemos o mal que isso tem», argumentou o colaborador do presidente, acrescentando que a proposta foi aprovada na quinta-feira, com seis votos favoráveis do PS e CDS -- Judas estava ausente -- e duas abstenções do PSD e CDU.

A PSP deteve na quinta-feira em Pombal e Vale de Coimbra 11 marroquinos suspeitos de terem cometido infracções económicas de vária ordem. Os detidos são um comerciante de tapetes com armazém em Pombal e cinco seus compatriotas residentes em Espanha a quem, na altura da detenção, o primeiro ia entregar peças que seriam vendidas à comissão. Os restantes, também radicados em Espanha, foram identificados num dormitório em Vale de Coimbra. Sobre os interpelados, ontem presentes ao Tribunal de Pombal, pende também a acusação de permanência irregular em Portugal. A operação que conduziu a estas prisões foi lançada na sequência de uma reunião, no Governo Civil de Leiria, de representantes da Direcção-Geral de Fiscalização Económica, GNR, PSP, Direcção-Geral de Finanças e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

A vegetação existente será eliminada ou transplantada, sendo preservadas as duas filas de magnólias existente ao longo da fachada. O perímetro da praça será limitado por um gradeamento de protecção, ao longo do qual ficará uma fiada de árvores com a dupla função de concentrar o espaço em volta do mosteiro e sombrear os bancos onde os visitantes se possam sentar. Já fora da plataforma da praça é criada uma pequena zona verde arborizada, a envolver o monumento ao prof. Vieira da Natividade.

O produto que a Câmara começou agora a usar para fazer desaparecer graffittis sobre monumentos em pedra e bancos de jardim, não só os limpa das inscrições como salvaguarda de novos ataques, sejam eles feitos a marcador, alcatrão, ou spray. O segredo está numa cera, que impede os materiais de aderirem à pedra.

Para a limpar a maioria das inscrições foi utilizado um produto anti-graffiti, um diluente, alegadamente «não abrasivo, não tóxico e biodegradável», de origem sueca e comercializado em Portugal pela firma MGM (Machado, Gentil e Mascarenhas), que é representante da empresa AGS (Anti-Graffitti System) e patrocinou a operação de limpeza no Jardim das Necessidades, sob a orientação dos técnicos do departamento do património da Câmara.

A escola primária de Miranda do Corvo poderá ser penhorada, em consequência do estado avançado de processo judicial movido à Câmara. Desta situação, como de outras pelas mesmas causas, o actual presidente do município culpa a anterior gestão autárquica, que deixou dívidas no valor de 250 mil contos.

Jorge Cosme lamenta que a anterior gestão social-democrata -- em quatro anos a autarquia teve três presidentes -- tenha deixado a situação chegar ao actual estado. Sustenta que tudo não passou de "negligência, pois nem sequer dialogaram com as empresas em causa nem compareceram em tribunal quando a questão estava a ser decidida".

Uma inflamação de gases do sistema de drenos, provocada por uma fornalha, esteve na origem do desastre, na passada segunda-feira, na refinaria da Petrogal de Sines, concluiu a comissão de inquérito nomeada para apurar as causas do sinistro que provocou 11 feridos entre os trabalhadores.

O único barco salva-vidas de Sagres encontra-se inactivo há dois anos no hangar do Instito de Socorros a Náufragos, no porto da Baleeira, onde aguarda reparação. «Desde essa data que os salvamentos são efectuados por barcos de pesca, os quais não estão obivamente vocacionados para essas operações», denunciou, ontem, o deputado Álvaro Viegas (PSD), citado pela agência Lusa.

O controverso estudo prévio de um auto-silo e centro comercial para o Vale da Raposa, em Sintra, era para ser analisado anteontem, na reunião privada do executivo municipal. Como faltava uma informação do Departamento de Urbanismo, acabou por ser retirado. Edite Estrela, por seu lado, anunciou a intenção de limitar a circulação de automóveis particulares no centro histórico.

O processo devia ter sido analisado anteontem pelo executivo, mas Herculano Pombo, do PS, pediu a sua retirada. O que coincidiu com o facto de o processo não possuir informação actualizada do DU. De qualquer forma, a autarca manifestou ao PÚBLICO estar «contra» o silo sem o estudo global do problema da vila. Esta posição já antes era defendida por Lino Paulo, que recusa a ocupação proposta, «tal como o plano de Groer defende muito bem, para preservar os pontos de vistas para o palácio».

Quinta-feira na RTP1 e na TVI, em simultâneo, tivemos a reabertura dos bordéis: em Raios e Coriscos, com Manuela Moura Guedes, e em Artur Albarran, com o mesmo. Um convidado, Inês Fontinha, esteve nos dois (Raios e Coriscos foi gravado na terça, o outro foi em directo). Quanto ao resto dos convidados, havia menos prostitutas no de Artur Albarran (duas, uma que era e outra que já não era), mais médicos (não havia nenhum no de Manuela Moura Guedes), mais representantes da parte «assistência social» (além de Inês Fontinha, uma irmã representante das Irmãs Oblatas) e mais jornalistas. Valentim Loureiro foi o convidado central de Raios e Coriscos, onde também estavam João Pina, que escreveu sobre prostituição, uma ex-proprietária de um bordel, duas prostitutas de máscara e uma sem máscara, mais o seu acompanhante, um padre (monsenhor J. Freitas) e uma antropóloga (Filomena Silvano). E em Artur Albarran estava ainda o convidado que disse aquilo que menos vezes se está habituado a ouvir e que acabou por ser muito pouco ouvido: o «Jacinto», cliente de bordéis.

Para que a crise económica do nosso país, que engloba todas as áreas demarcadas em ministérios e secretarias de Estado, entre numa desenvoltura que encaminhe estas à vereda do sucesso, por solidariedade aqui deixo ao Governo a chave da solução:

Ultimamente têm aparecido na comunicação social notícias dando conta de acontecimentos e estatísticas desfavoráveis à presença da nossa língua e cultura em várias áreas geográficas. Um certo pessimismo as envolve, porque entre França e Goa, entre a ONU e a União Europeia, entre as opções dos emigrantes e as dos investigadores científicos, se processa a conclusão de que a "pátria da língua" não se expande ou consolida, antes parece recuar nas suas fronteiras.

Foi esse o tempo da imaginação, das iniciativas ousadas, da "apresentação em sociedade", na Expolangues de Paris e noutras mostras e reuniões internacionais. Atrevíamo-nos a formular exigências em congressos no estrangeiro, recusando-nos neles a falar francês ou inglês e reivindicando a tradução simultânea...

Não sei se já se terá dado conta da forma anormal como a Câmara Municipal de Amadora faz uso dos dinheiros públicos. Digo anormal, pois seria lógico esperar que aquela câmara se preocupasse mais com a funcionalidade da sua autarquia do que com a beleza dos seus jardins. Basta ver como ficou a nova estação da CP. Muito bonita mas de uma funcionalidade duvidosa. A única coisa que ali se conseguiu foi evitar que os utilizadores cruzassem a linha, porque a plataforma ficou mais estreita, faltando espaço para que as pessoas esperem em segurança a chegada dos comboios. As saídas que fizeram frente à Câmara Municipal e frente ao jardim da estação (...), além de ocuparem um espaço precioso para estacionamento, podiam ter sido mais práticas para os inválidos. Parece um carrossel. Um pandemónio.

Um verdadeiro pandemónio é quando se pretende entrar na Praceta Notícias da Amadora, onde estão os estúdios de uma emissora de rádio, vindo da Estrada da Falagueira. O automobilista tem de dar duas voltas à praceta para entrar, caso contrário arrisca-se a ser multado por cruzar um traço contínuo. Um pandemónio. O mais engraçado é que, segundo informações que recolhi na própria Câmara, a autoria desta incrível alteração deve-se a uma senhora autarca do pelouro do trânsito que nem sequer carta de condução tem. (...)

Sábado, dia 29 de Janeiro, às 14h30 estaciono o carro na placa central diante das Amoreiras, segundo o imperativo gesto-aviso do «arrumador». Volto meia hora mais tarde e deparo com uma multa no pára-brisas.

«Mentira», continua, «aqui está escrito que vive em Carnaxide.» Explico-lhe que a Cruz Quebrada pertence a Carnaxide, Oeiras.

Afinal, o primeiro-ministro também se engana. Tanto que, um ano depois de uma decisão sem dúvidas, se apercebeu que, bem vistas as coisas, o descanso na terça-feira de Carnaval é parte integrante do património nacional, e mais vale dar tolerância de ponto aos funcionários públicos, sobretudo quando já estão em luta por via dos (des)aumentos salariais.

A crer no aparato policial que anteontem, quinta-feira, rodeava um desfile carnavalesco de alunos da António Arroio, é no mínimo essa a atitude dominante. Algumas dezenas de jovens («Cento e noventa», segundo me informou um responsável das forças de segurança, mas isso devia ter sido muito antes, no começo do desfile pelas ruas de Lisboa, na altura já não chegariam, muito provavelmente, a uma centena), pintados e mascarados, na Avenida 5 de Outubro, justificavam a mobilização de umas três ou quatro dezenas de agentes da PSP, com o fim assumido e, naturalmente, meritório, «de evitar acidentes»: «Porque se não viermos a acompanhá-los eles atrapalham o trânsito e pode haver automobilistas que não tenham sentido de humor e reajam mal.»

Fui a Cuba em 1963 integrado na escassa delegação portuguesa dirigida por Carlos Ramos ao Congresso da União Internacional dos Arquitectos. Como suspeitava com razão que não me deixariam entrar nos Estados Unidos no regresso de Cuba, e desejoso de conhecer qualquer coisa deste país aproveitando a travessia atlântica, comecei a viagem por Nova Iorque. Continuei até à Cidade do México por estrada, num autocarro da Greyhound, rolando durante noites e dias por Pittsburgo, S. Luís, Dallas e San António, onde senti os primeiros vestígios da herança hispânica.

Na sessão de encerramento, Fidel fez um longo discurso (que colegas cubanos disseram ter sido o mais breve que jamais tinham ouvido). Dele trouxe uma gravação que a rádio estatal me cedeu depois de muita insistência, pois a fita magnética era importada da RDA e havia uma tremenda falta de divisas. De regresso a Portugal dei-a a ouvir em casa a grupos de amigos e até organizei uma audição no então Sindicato dos Arquitectos que, como se soube, tinha direcções de esquerda. Essa gravação foi-me apreendida mais tarde pela PIDE numa das rusgas que fez à minha casa. Mas retive a versão escrita do discurso, que agora reli com alguma emoção.

A droga, agora, já é uma questão que «deve ser abordada sem tabus» e o debate sobre a sua despenalização já atingiu as esferas governamentais e partidárias, pelo que, receio, não deve tardar o lançamento no mercado do bagaço lisérgico. O «Diário da República», sempre muito «avant-garde» em todas estas questões, continua a publicar alucinantes mapas do país, completamente incompreensíveis pela escala em que são reproduzidos e que são, seguramente, o produto de uma viagem delirante de algum cartógrafo com a consciência alterada.

2. Os valores máximos de rendas do arrendamento rural, em função das regiões e dos tipos de cultura, foram fixados pela Portaria 104/94 (B). Assim, 24.000$00 poderão ser exigidos pelos solos da classe A, para a cultura arvense de sequeiro em Entre Douro e Minho, mas, para a mesma classe de solos e tipo de cultura, só poderão ser exigidos 11.700$00 no Ribatejo e no Oeste. A cultura da «cannabis sativa» ou das papoilas do ópio ainda não figura nesta portaria, embora não deva faltar muito tempo. Como diria um ministro, é uma «questão técnica»...

Era sempre um problema para escolher o chefe. Havia que decidir primeiro quem era o chefe dos «cowboys», que era do grupo que já se sabia que tinha de «ganhar». Depois o dos índios, normalmente um reguila que teria primeiro lutado por ser chefe dos «cowboys» sem sucesso. A principal dificuldade residia, no entanto, na rotatividade dos postos de chefia. Isso dependia de muitos factores. A força física era importante, mas também o facto de se ser respeitado pelos mais velhos, vestir à moda e ter namorada. Quanto mais bonita melhor.

Como Augusto andava sempre a controlar as brincadeiras dos miúdos, tinha várias oportunidades de impor a sua visão das coisas. Primeiro, porque era mais velho. Segundo, porque podia, pensavam os miúdos, fazer queixa ao sr. Sinais de um qualquer atrevimento.

A sondagem nacional Público-Norma de que junto publicamos os principais resultados baseia-se numa amostra de 995 inquiridos, representativa do universo constituído pela totalidade da população maior de 18 anos residente em Portugal continental, excluindo-se os residentes em núcleos com dez ou menos fogos. O número de indivíduos nas condições referidas é estimado em 7.201.000 em 1991. Os trabalhos de campo decorreram entre 19 e 28 de Janeiro de 1994 e a margem de erro associada a cada ventilação é de 2,3 por cento.

Veja-se o recente caso dos donativos pecuniários ao PSD de Aveiro. Ninguém dá dinheiro a alguém sem cuidar dos seus interesses, mesmo que a expectativa seja inconfessável. Sobretudo quando se esconde a generosidade no anonimato da mesma. A denúncia -- feita pelo PÚBLICO -- de milhares de contos sem registo nas contas do PSD teve, entre outras, uma virtude: empresários como Silva Vieira confessaram a necessidade de contribuir para que a relação com o poder não sofra qualquer desvio de curso. «É a pura realidade», disse o patrão do bacalhau aveirense, com uma candura transparente.

Por cada episódio do já longo folhetim Totta-Banesto sempre surgiu mais alguém a ficar colocado em situação desconfortável. Mário Conde, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças foram apontados a dedo. O Totta e a sua administração tinham escapado incólumes e só por isso o mercado não castigou o BTA. Agora tudo se alterou. A «carta de conforto» assinada por Alípio Dias deixa o presidente do BTA numa posição de grande... desconforto.

O secretário-geral do PS, António Guterres, passou o dia de ontem no Porto, com Fernando Gomes, numa jornada de total sintonia política com o presidente da Câmara. Reforçou o pedido de demissão de Valente de Oliveira e introduziu pequenas «nuances» no discurso algo redutor a uma dimensão regional a que tem remetido a prestação política de Gomes. «Há poucos ministérios com a relevância e a dimensão da Câmara do Porto e, seguramente, nenhum é tão bem gerido como a Câmara do Porto», afirmou, considerando por isso que o líder da autarquia portuense é «uma das apostas do PS para governar o país».

O líder distrital da Juventude Social-Democrata de Viseu, Carlos Meneses, criticou abertamente a política de juventude do Governo. O eventual despedimento de todos os funcionários das extintas Casas da Cultura e posterior indemnização pelo tempo de serviço determinaram esta posição, que estará hoje em discussão, em Lisboa, numa reunião com todos os representantes das ex-Casas da Cultura do país.

"Alguns de nós têm 17 anos de serviço. Ajudámos à formação, tanto do extinto FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis), como do antigo Instituto da Juventude, que foi reestruturado e transformado em Instituto Português da Juventude com a ajuda de praticamente todos nós. É injusto que agora tentem solucionar os nossos casos desta forma", disse a mesma fonte.

Os membros da actual comissão directiva do CDS-PP devem colocar o seu lugar à disposição de Manuel Monteiro, «permitindo soluções dirigentes mais consentâneas aos desafios que [o CDS tem] pela frente». A proposta é do líder madeirense Ricardo Vieira, que considera o XII Congresso Nacional «o espaço e o tempo útil e necessário para que o partido credibilize a sua mensagem e a sua equipa dirigente e `aponte baterias' para as questões que a Europa coloca a Portugal».

Embora na ordem do dia, a questão da Aliança Democrática não deve, na opinião de Ricardo Vieira, ser debatida no congresso. «A AD tem funcionado com uma panaceia para eventuais aflições de quem está no poder» e, por parte do PSD, «tem sido uma forma hábil de continuar a falar de mudança, sendo responsável pelo actual sistema». A AD, lembra Ricardo Vieira, «foi um projecto de mudança e deve ser reservada para as grandes alterações que o país precisa, nomeadamente na aproximação do eleitor aos eleitos, na valorização da sociedade civil, na defesa da produção nacional, na clarificação das relações entre os órgãos de soberania, na mudança do princípio da subsidiariedade face ao poder local».

«Este fogacho vai durar um mês, dois meses, talvez até às eleições europeias, mas nada disto é novo.» Narana Coissoró não está absolutamente nada convencido do êxito da recuperação dos «históricos» empreendida por Manuel Monteiro no novo CDS/PP. No seu gabinete de líder parlamentar, que nunca abandonou, apesar de ter deixado o posto, Narana ainda não sabe se vai ao congresso do CDS, e só falta uma semana. Na última quinta-feira, fez as pazes com o velho líder, Freitas do Amaral, mas é notório que, com o novo chefe -- Manuel Monteiro --, o seu «élan» não é dos melhores.

Narana Coissoró foi, durante anos, a face mais visível do CDS -- praticamente sozinho, sustentou, com inegável talento, a bancada parlamentar dos centristas, até Novembro de 1992, quando Freitas do Amaral, já desvinculado do CDS, decidiu regressar à Assembleia. Na altura, as relações entre Freitas e o seu ex-líder parlamentar gelaram, mas foram pacificadas na quinta-feira passada, num um almoço em que o primeiro decidiu fazer as pazes também com Narana.

Andava o país inquieto com a escolha de Moniz e as televisões sem dizerem uma palavra sobre o candente problema. Quinta-feira à noite, por exemplo. No Canal 1, debatia-se a prostituição e os bordéis. Na Dois, Letria dizia Você É Excepcional. A SIC mostrava um saco de plástico meio aberto com um cadáver em adiantado estado de decomposição. Na Quatro, um tema de que ninguém se lembrara, a prostituição e os bordéis. Entre a Um e a Quatro, portanto, mulheres e homens da prostituição, proxenetas, clientes, médicos, religiosos. Inês Fontinha, a directora do Ninho, pacientemente nos dois lados. Valentim Loureiro, o convidado da Um, revelou-se um especialista no tema.

Mas enquanto aguarda os novos desenvolvimentos ditados pelo acordão do Supremo não perde oportunidades de novos negócios. Enquanto não surgem novos negócios das arábias, está a fazer os preparativos para lançar um perfume revolucionário no mercado. Channel e tutti quanti que se cuidem pois vem aí o fantástico... Fax for man. Produzido por um laboratório de Paris e distribuído em Portugal por um tal José da Silva, sob a égide, claro, de Strecht Monteiro.

Não foi só uma semana só de rosa para Balsemão, face à guerra de desgaste da RTP com a TVI, à volta de Moniz, ou por via da herança familiar. Um espinho chamado Joe Berardo voltou a toldar as relações SIC-TV Globo. Tudo por causa da recente notícia do mandado de captura do mais recente sócio de Balsemão na África do Sul, "o sr. comendador", como lhe chamam sempre que se pergunta por Berardo em Carnaxide. É que o sócio mais antigo -- e influente -- de Balsemão na SIC, Roberto Marinho, não gostou de saber como soube os pormenores sobre o novo sócio. Mesmo que multimilionmário e com dinheiro sonante ao dispor dos cofres da SIC, Tudo porque Marinho lidera a campanha de moralização pública no Brasil. De tal ordem que pôs ao seu serviço ,todo o seu império televisivo, jornais e rádio. E quando menos esperava, os seus rivais do "Jornal do Brasil" não esperaram um minuto: "Afinal, Globo e a sua nova imagem anticorrupção dorme na cama com procurados pela justiça !". Foi o bom e o bonito entre Carnaxide e Rio.

Passam os governadores civis do Porto (já foi uma boa meia dúzia...) e ela fica. Sobrevive e resiste. Nada parece afectá-la. É vê-la nos actos oficiais, com ministros ou sem eles, com aquele sorriso meio tímido e um porte discreto. Cândida Oliveira, que os amigos tratam por «Calucha», continua como vice-governadora civil do distrito do Porto. Acaba de ser nomeado um novo governador e Calucha estava lá para lhe dar as boas-vindas, como já havia estado para outros. Qual será o segredo da sua longevidade no cargo? E será que vai ser apenas «vice» toda a vida?...

Cavaco Silva trata Ferreira do Amaral como seu filho dilecto, sempre interessado pela sua sorte. Esta semana, o chefe do Governo acompanhou o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações a três municípios do Norte. Em Matosinhos, depois da visita a um núcleo de habitações degradadas, Ferreira do Amaral ficou para trás e Cavaco perguntou: «Onde está o senhor ministro?». Como ninguém soubesse responder, lançou uma explicação: «Ele é pequeno e perde-se». Noutro local do mesmo concelho, o primeiro-ministro, atentíssimo, apressou-se a escovar o pó que sujara o imaculado casaco de Ferreira do Amaral. Que mimo...

No futebol, acima do major Valentim Loureiro, toda a gente o reconhece, só o empresário Joaquim Oliveira. «Patrão» do negócio das transmissões televisivas no país, a meias com o seu irmão António, actual treinador do Braga e eterno candidato a seleccionador nacional, este antigo talhante de Penafiel, já conhecido por «sr. Futebol», acaba de estender a sua influência aos jornais: dois já na Madeira e, agora, com o relançamento do trissemanário «O Jogo». Não estranhou, por isso mesmo, a presença há dias dos presidentes dos principais clubes de futebol na festa dos dez anos da Olivedesportos. Nem tão-pouco o elogio rasgado do presidente do F. C. do Porto, Pinto da Costa, que considerou Joaquim Oliveira um verdadeiro banco dos clubes em situação económica (mais) difícil. Atento, à vassalagem dos clubes, alguém tinha acabado de entrar para não deixar de cumprimentar os manos Oliveira. Precisamente, José Eduardo Moniz a quem a Olivedesportos mais ficou a dever pelos contratos milionários do exclusivo do futebol nacional. Mal sabia Moniz que Joaquim Oliveira -- claramente preocupado com os novos tempos que correm na 5 de Outubro --, homem prevenido, acabara de se encontrar com a SIC para lhe vender as transmissões da selecção nacional. Com uma só condição: que nas negociações com a SIC nunca lhe aparecessem pela frente Jorge Schnitzer e Carneiro Jacinto -- a quem Oliveira moveu processos judiciais por alegada difamação.

As excursões de deputados ao Vale do Ave foram tantas ou tão poucas, que PS e PSD acabaram por se «embrulhar» no plenário numa acirrada disputa pela visita «top». Mais do que da crise do têxtil falou-se de Guterres. Teria ele criticado o «optimismo imbecil» ou o «optimismo dos imbecis» do PSD? Eis a questão-mor em S. Bento. E o Ave a vê-los passar

«Sr. deputado Nuno Delerue, lamento muito que a crise do Vale do Ave não se resolva batendo no PS. Se se resolvesse batendo no PS não haveria crise no Vale do Ave, pela razão simples de que os senhores ainda não deixaram de bater em nós e não encontram mesmo outra resposta para as críticas que vos fazemos».

Numa bem merecida homenagem aos animais que há 65 milhões de anos não tiveram a sorte de ter um jardim zoológico que os protegesse e que acabaram assim por sucumbir à queda de um meteoro ou qualquer coisa do género, o Jardim Zoológico de Lisboa decidiu realizar uma exposição de dinossauros robotizados (ou melhor, robôs dinossaurizados). A iniciativa é acompanhada pelo lançamento de um «prémio a trabalhos veiculados pela Comunicação Social» patrocinado pela empresa de iogurtes Danone. O regulamento do prémio, porém, especifica matreiramente que este só contemplará trabalhos publicados de 1 de Fevereiro a 31 de Maio -- ou seja, temporalmente coincidentes com a exposição dino-robotizada -- e que chamem «a atenção dos Portugueses para a `Exposição Dinossauros ao Vivo' e a extinção das espécies vivas do Planeta, apelando à sua salvaguarda e explicando o papel fundamental que, neste campo, é desempenhados pelos Zoos [sic]».

António Vitorino -- O juiz do Tribunal Constitucional é um dos nomes mais disputados por Guterres para integrar a lista do PS ao Parlamento Europeu. Uma escolha que acima de tudo é uma aposta na competência. E o sinal de que o líder socialista já percebeu que, para cimentar a credibilidade do seu projecto, terá de fazer apostas fora dos «apparatchiki» do partido, procurando gente competente que lhe é difícil vislumbrar lá dentro.

O PSD cai ligeiramente. O PS sobe ligeiramente. Resultado: os socialistas «comem» quase metade da diferença que há um mês os separava do partido do Governo. Sem registar alterações dramáticas, a presente sondagem revela ainda que os líderes, à excepção de Manuel Monteiro, andam menos populares. Até o soberano Mário Soares, que cai mais de dez pontos na avaliação dos eleitores.

Isto enquanto o resto do quadro das intenções de voto se mantém praticamente inalterado, com a CDU e o CDS a registarem subidas quase imperceptíveis, que não chegam a um ponto percentual.

«Pode o Estado induzir a prática de crimes para descobrir outros crimes?» Está é a questão nuclear da polémica entre investigadores, penalistas e políticos que rodeia a utilização de agentes civis infiltrados, os chamados «homens de confiança». Ao contrário de outros países, a legislação portuguesa não consagra claramente a acção dos civis envolvidos na tarefa de recolha de informações nos meandros do narcotráfico.

Por seu turno, o deputado social democrata Costa Andrade, professor da Faculdade de Direito de Coimbra, admite » grandes obstáculos de carácter teórico e doutrinal à admissibilidade dos chamados homens de confiaça, por razões que contendem com a lealdade do Estado e com a necessária superioridade ética do Estado». Reconhecendo que, «no plano material e dos princípios, não há grande diferença entre o homem de confiança e o agente encoberto», Costa Andrade sustenta: «Deve haver uma grande contenção no recurso a estas figuras». Realça ainda que «o Estado deve resistir sempre à tentação de, mesmo em nome dos ideais mais nobres, abrir mão de princípios que são essenciais ao Estado de Direito». A.A.M.

O carnaval do Rio, tradicionalmente considerado "o maior espectáculo do mundo", arrancou ontem quando o presidente da Câmara César Maia entregou ao Rei Momo uma enorme chave de prata da cidade. "É este o momento de que o Brasil tem estado à espera", disse o Rei, com o poder dos seus 240 quilos de peso. Mas, ao contrário da grandeza do desfile inaugural dos festejos dos anos 60, o de ontem reuniu poucos milhares de pessoas e teve pouca expressão televisiva. "Foi uma asneira pôr o desfile num dia da semana", comentava-se emtoda a cidade. "Mas ainda vai ser bom, porque no Brasil tudo acaba em samba".

A antiga primeira dama americana Jacqueline Kennedy Onassis, que foi esposa de J.F. Kennedy, sofre de linfoma non-Hodgins, uma forma tratável de cancro do sistema linfático, e está desde há um mês em tratamento quimioterápico, noticiou o "New York Times" nas suas edições de ontem. O jornal acrescentava que Jacqueline, hoje com 64 anos, não interrompeu as suas rotinas pessoais nem o seu trabalho de editora livreira.

A hipótese de legalizar o consumo de pequenas quantidades de droga, ou de drogas leves, no quadro da luta contra a toxicodependência, divide os deputados portugueses ao Parlamento Europeu. Um inquérito efectuado pela Lusa junto de eurodeputados nacionais de todas as famílias políticas demonstra que uns são contra (um socialista e um democrata-cristão), dois a favor (um socialista e um comunista) e dois (liberais) aceitam discutir a questão. A maioria dos inquiridos converge na ideia de que é necessário discutir o assunto mas com a continuação da repressão ao tráfico. Lucas Pires (PPE) e o socialista Luis Marinho são contra a despenalização. Já o seu colega de partido José Apolinário e o comunista Sérgio Ribeiro defendem a posição contrária. Os sociais-democratas Carlos Pimenta e Carlos Coelho não dizem que sim nem não e que é matéria que aceitam discutir «sem dogmatismos».

A capacidade do sistema prisional português vai ser aumentada até ao final de 1994 para receber mais mil reclusos, anunciou ontem o secretário de Estado adjunto do Ministro da Justiça, Borges Soeiro. Esta revelação foi feita no Parlamento em resposta a uma pergunta do PCP sobre a «muito preocupante» situação nas prisões portuguesas. Apesar destes números, comunistas e socialistas não ficaram muito satisfeitos.

AS MELHORES IMAGENS DA IMPRENSA EM 1993 - Imagens de uma crise social e política, e de uma catástrofe natural: a fotografia que o canadiano Larry Towell tirou a crianças da faixa de Gaza empunhando armas (em cima) foi ontem considerada a melhor que se publicou em toda a imprensa mundial em 1993 pelo júri do World Press Photo, em Amesterdão. A "foto do ano" é uma imagem a preto e branco, obtida em Maio para a agência "Magnum", e faz parte de uma reportagem realizada em Gaza e em Jerusalém-Leste. Swan Parekh, um fotógrafo indiano, ganhou o prémio de fotoreportagem com uma imagem obtida a seguir ao terramoto de Latur, na Índia, em 31 de Setembro (em baixo). A foto foi difundida pela agência norte-americana "Black Star". As 15 imagens vencedoras deste ano foram escolhidas entre 22.775 imagens de 2.429 fotógrafos de 93 países.

A absolvição de ambos arguidos foi a principal surpresa do acórdão que, durante cerca de uma hora, foi lido ontem de manhã pelo juíz de circulo Trajano Telles de Menezes, presidente do colectivo. A acusação de tráfico de droga apenas foi provada relativamente a dois dos arguidos: o espanhol António Castro, condenado em sete anos de prisão, e Manuel Félix Lima Couto, pescador, em seis anos de prisão. Os restantes quatro arguidos (três pescadores de Castelo do Neiva e um operador de máquinas) viram suspensa por três anos uma condenação a 13 meses de prisão por cumplicidade no crime.

É urgente proteger os povos indígenas do planeta já que o «carácter produtivista» do modelo de desenvolvimento «dito ocidental», as inúmeras dificuldades que deixam os defensores destes povos sem meios efectivos de acção e as erradas opções orçamentais dos Estados industrializados, estão a conduzir a uma situação preocupante. Esta é a principal conclusão de um relatório da Comissão dos Assuntos Externos e da Segurança do Parlamento Europeu aprovado quarta-feira.

Mas o documento aponta ainda mais dois factores que permitem explicar a «situação de risco», na opinião de Maria Santos, em que se encontram os povos indígenas. Com efeito, segundo o relatório, «a ausência de textos legislativos internacionais completos e vinculativos ou a falta de eficácia das instâncias internacionais existentes, nomeadamente a ONU», prefigura um «défice democrático» que limita a actuação dos defensores do meio ambiente e dos povos indígenas.

«Era um homem muito infeliz, mas nunca nos deixou reparar nisso». A frase é de John Major e refere-se a Stephen Milligan, o deputado conservador encontrado morto na passada segunda-feira, no seu apartamento londrino.

Ninguém viu Stephen Milligan durante o passado fim de semana, o que só ligeiramente surpreendeu os seus amigos de Eastleigh, no Hampshire, círculo pelo qual se fizera eleger na eleições de 1992. Atribuíram a ausência a uma normal necessidade de descanso ou a um passeio, para espairecer de uma semana de trabalho excessivo.

A bolsa londrina tem os olhos postos no magnate irlandês O'Reilly, que parece querer concentrar-se na área da comunicação e deixar para segundo plano o negócio alimentar (é o principal accionista dos molhos Heinz). Depois de ter alcançado o lugar de principal accionista individual da empresa que edita «The Independent», deu anteontem ordem de compra de um dos principais grupos de imprensa da África do Sul. E não se fica por aqui.

A boina balança na cabeça do mestre Eduardo Filipe como uma barcaça ancorada na margem esquerda do Sena: «Se consigo imitar qualquer quadro de qualquer pintor?» Pensa um pouco, enrosca uma na outra as grossas mãos manchadas de tinta. «Não é bem assim... Agora há os exames de raios X...»

José Fanha pega ao serviço às oito e meia da manhã. Isto é, levanta-se da cama, vai até à mesa da sala e senta-se ao computador. Descontando os intervalos das refeições, estará a trabalhar até por volta da uma da madrugada. Não tem folgas há nove meses, tal como Jorge Paixão da Costa, o co-argumentista de mais uma telenovela portuguesa -- «Na Paz dos Anjos».

Fazem seis episódios por semana, neste momento, de um total de 130, já quase todos finalizados e prontos para produção. Não fazerem folgas, até agora, tem sido essencial. «Isso aí é que é um bocado duro, porque é difícil ter uma produção sempre fixa.»

O modelo de produção industrial de telenovelas, a implantar-se em Portugal, está a impôr aos que as fazem uma espiral alucinante de trabalho e cansaços. Uma nova produção que aí vem, «Na Paz dos Anjos», vai colando cenas a alta velocidade.

No clube de vídeo da vila, mesmo ao lado do «Clarim», Julinho, de roupa nova, entra furioso. A mãe corre atrás dele, muito preocupada. Diz-lhe a mãe: «E se tivesse sido eu a tornar públicas as fotografias da Raquel?» Julinho fica de olhos muito abertos: «Se tivesses sido tu, mãe?! Eu preferia não saber... Não, tu não! Tu não era capaz de fazer uma pulhice daquelas, mãe!...» Já se vê que a ordem das gravações das cenas não tem nada a ver com a ordem em que aparecem na novela. «Está bom», repete o realizador Régis Cardoso, em passo rápido para a régie. «Vamos gravar.» Grava-se. Cena nova, que se faz tarde.

Londres iniciou as actividades da semana passada com as cotações a caírem de uma forma consolidada devido ao aumento das ordens de venda. Este movimento ficou a dever-se a algum pânico criado no mercado depois de na sexta-feira anterior a Reserva Federal (FED) norte-americana ter anunciado uma subida das suas taxas de juro a curto prazo. Apesar de as taxas não terem subido muito, o simples facto de a decisão ter sido tomada causou algumas perturbações nos mercados financeiros. Na terça-feira a bolsa voltou a recuperar, animada com a valorização das restantes praças. O resultado da semana foi nitidamente negativo, tendo o índice FT-SE 100 encerrado na sexta-feira com uma desvalorização de 2,78 por cento face à semana anterior.

Wall Street recuou 12 dias, na semana passada, unicamente porque a Reserva Federal subiu as suas taxas de juro de curto prazo. Este acontecimento marcou as cinco sessões seguintes, mas não tão negativamente como os operadores e analistas chegaram a antecipar. Na segunda-feira o vector de risco da bolsa nova-iorquina começou a recuperar ligeiramente, comportamento que se manteve inalterado ao longo das restantes semanas. Mas a verdade é que se verificou uma alteração na postura dos investidores, que transferiram parte das sua liquidez para títulos menos voláteis e apostaram, assim, numa estratégia de médio-longo prazo. A par de algumas indecisões, a praça regressou à alta moderada. O índice Dow Jones acabou nos 3894,78 pontos, mais 0,6 por cento.

O mercado parisiense de acções obteve um resultado negativo durante a semana passada, comportamento que esteve ligado à queda abrupta dos preços verificada na segunda-feira e também à falta de vontade dos investidores em eliminar aquela perda. A partir daí, o mercado evoluíu numa margem estreita, muito sensível à evolução das outras praças europeias. Este sentimento foi influenciado pela decisão da Reserva Federal norte-americana, na passada sexta-feira, de subir as suas taxas de juro de curto prazo. Os mercados reagiram automaticamente, obrigando a comunidade dos investidores a tomarem uma postura menos agressiva. O Banco de França, ao deixar inalteradas as suas taxas, ampliou os efeitos negativos. O CAC-40 desceu 2,32 por cento.

As expectativas quanto a um corte nas taxas directoras (taxa de desconto e e taxa Lombarada) do Bundesbank na próxima reunião do seu conselho, na próxima quinta-feira, forneceram entretanto algum suporte à libra.

1. Em regra, os acontecimentos ultrapassam os homens. Foi isso que aconteceu com Alípio Dias, presidente do Totta, na passada semana. Uma fuga de informação -- em Portugal não há sigilo bancário -- trouxe à opinião pública uma carta endereçada ao BCP na qual o BTA avaliza a concessão de créditos à Lusitana, uma sociedade portuguesa do universo Banesto. Numa primeira análise, a matéria abordada trata apenas de questões comerciais. Mas não é bem assim.

Em conclusão, em Portugal, no sector financeiro, vale quase tudo. Sendo certo que os bancos têm o dever de analisar friamente as transacções que lhes são propostas, não será errado afirmar que a ética também é necessária, pelo menos em defesa da imagem pública e da credibilidade do sector.

O Mercado Monetário caracterizou-se, na semana passada, por um decréscimo das taxas de juro em todos os prazos, consequência de um certo desequilíbrio entre a oferta e a procura de fundos. A autoridade monetária colocou títulos de regularização monetária (TRM) à taxa de 9 por cento, para assim absorver o excesso de liquidez pontual existente no sistema dentro do período de contagem de reservas de caixa, com a taxa de juro de curto prazo a manter-se muito próximo dos níveis de taxa do Banco de Portugal. Ainda neste âmbito salienta-se que nos prazos mais dilatados se verificou igualmente um decréscimo das taxas praticadas, sendo disso reflexo as taxas Lisbor fixadas dia a dia, contratando-se operações a 30 e 90 dias pelos 10 por cento e nos seis meses a 9,875 por cento.

Quem viu ficou com dúvidas. Seria uma vocação antiga que por qualquer razão não pôde realizar? Ou seria o resultado da observação de muitos anos, quando o ministro via muitos e muitos padres, em missas várias, em bençãos a dezenas e dezenas de orfanatos, creches, jardins de infância e centros de dia, em tantas e tantas inaugurações que Silva Peneda fazia pelo país profundo? Nessas alturas, o protagonismo das negociações da concertação social era do ministro das Finanças, a discussão do «buraco» da Segurança Social era esquecida e dois dos seus colaboradores, um secretário de Estado e um ex-presidente do IEFP, queimavam-se na fogueira dos escândalos públicos. Mas o ministro via, estudava cada gesto. Quinta-feira à noite, enfim, mostrou o que aprendeu. A noite estava animada, e Silva Peneda, nos fados revelou-se. Tentou fazer um chapelinho com um lenço de papel verde, mas não conseguiu. Depois, lembrado das inaugurações nas paróquias que foi visitando, fez o acto da consagração. Um copo de vidro contendo ainda um pouco de vinho tinto serviu de cálice, o guardanapinho verde foi o sanguíneo e um maço de tabaco a patena. A liturgia completa, só não distribuiu a comunhão. Os trinados da guitarra desviaram-lhe a atenção e lá foi, com o amigo, para junto dos fadistas, deixando as senhoras abandonadas.

João de Deus Pinheiro, o comissário português responsável pela «imagem» da União Europeia, teve uma quarta-feira absolutamente anomal, esta semana, em Estrasburgo. Ele que se recusa terminantemente a dar eslarecimentos sobre o pelouro por que é suposto ter responsabilidades -- «Não sou o `public relations' da Comunidade", zanga-se sempre que o solicitam nesse sentido -- não fez outra coisa nesse dia. De manhã, via TSF, prestou-se a uma bateria de perguntas de cinco eurodeputados portugueses, qual deles o mais compreensivo com as suceptibilidades nunca escondidas do ex-MNE pelo novo cargo tão pouco político. À tarde, foi, finalmente, «a» conferência de imprensa há tanto tempo solicitada pelos jornalista. Só que, também aí, Deus Pinheiro não deixou os seus créditos por mãos alheias. «Não sou o relações públicas da Comunidades, cabe-me traçar as grandes linhas. Os outros que a executem», voltou a irritar-se. E para ele só duas questões tinham importância: o «Livro Verde» sobre o audiovisual e as suas 47 viagens no ano passado a Portugal para -- sublinhou -- outras tantas sessões de esclarecimento em universidades e empresas. O primeiro, como se recorda é um trabalho de uma equipa cordenada por António-Pedro Vasconcelos. Quanto às viagens, foram elas, afinal, que lhe valeram a classificação do «comissário nota zero» atribuído pelo jornal «European». Cujos jornalistas, maldosos, continuam a associar as constantes escapadelas de Deus Pinheiro a Portugal à necessidade de afogar o desagrado pelo cargo no... golf, que tanto aprecia jogar.

Ao contrário de Roberto Carneiro, Francisco Pinto Balsemao (foto) teve uma semana felícissima. A guerra de desgaste da RTP com a TVI, à volta de Moniz, mais de dois milhões de contos em perspectiva por causa da subida das audiências da nova telenovela da SIC e -- «last but not least» -- a super-herança familiar que recebeu com o primo Gonçalves Pereira e o levou a um viagem-relâmpago à Suíça. Só que não há rosas sem espinhos, mesmo com um homem com tanta sorte como Balsemão. E o espinho voltou a chamar-se Joe Berardo e por via dele, voltaram a toldar-se as relações SIC-TV Globo. Tudo por causa da recente notícia do mandado de captura do mais recente sócio de Balsemão, na África do Sul, «o sr. comendador», como lhe chamam sempre que se pergunta por Berardo em Carnaxide. É que o sócio mais antigo -- e mais influente -- de Balsemão na SIC, Roberto Marinho, não gostou de saber como soube os pormenores sobre o novo sócio. Mesmo que multimilionário e com dinheiro sonante ao dispor dos cofres da SIC. Tudo porque Marinho lidera a campanha de moralização pública no Brasil. De tal ordem que pôs ao seu serviço todo o seu império televisivo, de jornais e de rádios. E quando menos esperava, os seus rivais do grupo do «Jornal do Brasil» não esperaram um minuto: «Afinal, Globo e a sua nova imagem anticorrupção dorme na cama com procurados pela justiça!». Foi o bom e o bonito entre Carnaxide e o Rio...

«Na Centralcer sei que há uma influência grande de uma empresa colombiana, mas nunca olhei para o `dossier'. Vamos estar muito atentos às evoluções que venham a existir. Fundamentalmente estamos interessados na estabilidade accionista das empresas. Não há nenhuma decisão e não tenho motivos para lançar uma investigação sobre o assunto. Terei que estar atento»

«(...) só mesmo Deus Nosso Senhor, com ou sem porta-voz, sabe o que se está a passar com a nossa economia»

Comecei aos 13, 14 anos em Anciães de Amarante, a tocar violino, em várias reconstituições de tunas. Mais tarde vi um instrumento que os velhotes de lá admiravam muito, que era a guitarra. Comecei a ficar com o bichinho no ouvido. Um velhote ensinou-me algum fado corrido, num instrumento ainda com cinco cordas. Mais tarde acabei por por-lhe mais uma "ida" de cordas [corda dupla], à maneira da guitarra de Coimbra. Frequentei depois o Instituto Gregoriano durante um ano ou dois. Mas dedicar-me à guitarra a sério foi só quando já era homem. Vim para Lisboa em 67 e a partir daí apaixonei-me de facto pela guitarra. Comecei a procurar escolas mas não as havia ou então ninguém sabia da guitarra portuguesa. Ninguém dava aulas nessa altura, era um círculo muito fechado, reduzido às casas de fado. Fui obrigado a pegar nos discos -- de José Nunes, o trio de Jorge Fontes, Jaime Santos, Francisco Carvalhinho, Carlos Paredes -- e a ouvi-los para aprender. Até conhecer Fernando Freitas que me deu por fim algumas aulas. Mais tarde tive o prazer de conhecer o professor Martinho da Assunção, esse sim, grande conhecedor de música e do fado. O profissionalismo aconteceu só em 1974. Acompanhei todos os fadistas menos a Amália, que tinha o seu grupo privativo, e o Carlos do Carmo: Maria Valejo, Tristão da Silva, Fernando Maurício, a Cidália, Maria da Fé... Mais tarde, no restaurante típico Luso, toquei com o Francisco José, Tony de Matos, Rui de Mascarenhas, etc

Pois, em relação ao Carlos Paredes, somos contrários. Não na arte -- sempre o admirei e vou continuar admirá-lo -- mas noutro aspecto. Ele disse sempre isso da guitarra, que era um instrumento moribundo e que só dá para tocar a música que sai dos dedos. Eu já há anos que digo que não. E provei-o. Quando pus um "Voo do Moscardo", uma "Marcha Turca", umas "Czardas" ou um "Para Elisa", todas estas músicas que se dão no Conservatório, no disco. A guitarra pode tocar as pautas. Gosto de tocar música clássica com o cunho próprio da guitarra, que tem a ver com o fado. Mas considero a guitarra um instrumento erudito por natureza. E que me toca o coração. Tem muito a ver com o nosso corpo. Num disco como "Peças imortais", de 88, estudei peças de Mozart ou de Beethoven e dei-lhes uma forma nova.

DESEMPREGO AUMENTA -- O secretário-geral do PS, António Guterres, considerou ontem «preocupante» o ritmo de crescimento do desemprego em Portugal e adiantou calcular em dez por cento o número de portugueses afectados por este problema. Os últimos números relativos ao desemprego -- um total de 386.600 inscritos, 31.606 dos quais recenseados no último mês de Janeiro -- foram comunicados ao líder socialista a meio de uma visita ao Porto, via telemóvel. Guterres aproveitou a ocasião para insistir na necessidade de «experimentar» na região do Vale do Ave algumas soluções, «que são ousadas apenas no contexto nacional», propostas pelo seu partido neste âmbito. Garantia de um rendimento mínimo por família com cálculo baseado na pensão social e a criação de um mercado social de emprego -- onde as autarquias, instituições locais e o Governo cooperariam na criação de postos de trabalho em áreas onde o mercado não tem capacidade de resposta -- são o essencial destas propostas, até agora rejeitadas pelo Executivo.

QUINZE MIL CONTOS PARA O COLÉGIO MODERNO -- O Colégio Moderno, de que é presidente Maria Barroso, vai receber 15 mil contos do Instituto do Desporto, ao abrigo de um contrato-programa destinado à construção de infra-estruturas desportivas. Os termos do contrato preveêm ainda a atribuição ao projecto de uma linha de crédito bonificado até 10 mil contos. O projecto inclui a construção dois campos polivalentes de pequenos jogos, um campo de ténis e respectivas estruturas de apoio, duas salas especializadas e área de serviços, em terrenos adquiridos pelo Colégio para o efeito.

O secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes, vai mostrar aos deputados do PSD a «obra feita» na cultura do Norte do país, nos dias 21 e 22. Com Santana Lopes vai também o subsecretário de Estado da Cultura, Manuel Frexes, num itinerário que levará os parlamentares «laranja» à região norte -- Aveiro, Braga, Porto, Felgueiras e Coimbra. No dia 21, os deputados visitam o Mosteiro de Tibães (Braga) e de Pombeiro (Felgueiras), a Biblioteca de Póvoa do Varzim, o Castelo de Santa Maria da Feira (Aveiro) e o Teatro Nacional de S. João. O programa de dia 22 levará os parlamentares ao Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, à Sé Catedral, à Cadeia da Relação, ao Convento de S. Bento da Vitória e, finalmente, às obras no Museu Machado de Castro.

A International Finance Associates -- SGPS, empresa do grupo Citicorp, passou a deter desde ontem 97,5 por cento do Citibank Portugal. Na operação pública geral de aquisição (OPA) realizada na Bolsa de Lisboa ficaram por vender 147 mil acções do banco, representativas de cerca de dois por cento do seu capital. A operação incidiu sobre 19,5 por cento do capital do banco, correspondente às acções que estavam dispersas pelos diversos investidores. Os restantes 80,5 por cento dos títulos nunca saíram das mãos do Citicorp.

O reatamento do aumento de capital da Sonae Investimentos está pendente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), depois de a própria Sonae e a família Pinto de Magalhães terem renunciado a todos os processos em que litigavam.

O juiz já ditou em sentença que aceitava a desistência mas o trânsito em julgado está suspenso do recurso das partes. A Sonae Investimentos e a família Pinto de Magalhães fizeram saber que, obviamente, não tinham intenção de recorrer. O problema é que a CMVM não o fez até quinta-feira, data em que expirava o prazo legal para o efeito, razão pela qual o Tribunal terá que aguardar mais três dias úteis, durante os quais a Comissão poderá recorrer com multa.

O Governo de Havana convidará oficialmente os representantes de algumas organizações de cubanos no estrangeiro a participarem numa mesa redonda, prevista para Abril, anunciaram fontes bem informadas de Havana, citadas pela France Presse. O anúncio deste encontro será feito segunda-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Roberto Robaina, que lançara esta ideia numa reunião com emigrados, em Nova Iorque, em fins de 1993.

Estão igualmente excluídos os grupos paramilitares como o Alpha 66, que continuam a organizar expedições armadas contra Cuba, e a Fundação cubano-americana, o poderoso lobby anti-castrista dos Estados Unidos liderado pelo empresário Jorge Canosa.

Xanana com visitas limitadas -- O Instituto de Apoio Legal, organização indonésia que pretendia obter autorização para visitar Xanana Gusmão, viu o seu pedido recusado pelas autoridades de Jacarta. A notícia foi dada pelo director-geral das prisões indonésias, que, segundo a agência Lusa, anunciou ainda que o líder timorense recebeu ontem a visita da comissão para os Assuntos Legais do Parlamento indonésio.

Soares insiste, porém, na necessidade de não repetir o ritual, tanto mais que no 20º aniversário da revolução o Presidente entende que as comemorações devem merecer um cuidado especial, e não parece disposto a desistir da sua ideia. Resta encontrar uma solução de consenso.

O candidato à liderança da Juventude Socialista e primeiro subscritor da moção «A mudança pra já», Daniel Adrião, insurgiu-se, ontem, contra o facto de «não estarem a ser respeitadas as regras de democraticidade» na eleição de delegados ao Congresso que está a decorrer desde ontem e se prolonga por todo o fim-de-semana.

Monteiro perto de Estrasburgo -- A hipótese do cabeça-de-lista do CDS-PP ao Parlamento Europeu ser o próprio presidente do partido ganha cada vez mais força. O seu nome como primeiro candidato a Estrasburgo tem vindo a ganhar adeptos e é defendido cada vez por mais dirigentes do partido que argumentam com o facto de Monteiro o nome centrista mais conhecida do eleitorado. Por outro lado, acrescentam, ao liderar a lista do CDS-PP ao PE Monteiro estaria na possibilidade de limpar uma imagem de anti-europeísmo que foi criada com a campanha pelo referendo ao Tratado de Maastricht. Numas eleições em que os centristas fazem questão de afirmar que não estão contra mas a favor da presença de Portugal na União Europeia, ainda que não aceitem o federalismo.

Os sindicatos da administração pública continuam de bandeiras erguidas após a greve nacional de ontem, a segunda num espaço de quinze dias: no dia 17 de Fevereiro concentrar-se-ão junto à Presidência do Conselho de Ministros, em Lisboa; entre 21 e 26 de Fevereiro protagonizarão «um vasto conjunto de acções e iniciativas» sectoriais, algumas delas «inéditas»; em Março desencadearão «uma nova acção nacional de grande dimensão».

Finalmente, Bettencourt Picanço, presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, chamou a atenção para o significado nacional do que se passa na administração pública. Recordou, a propósito, que o Governo disse que as decisões sobre os salários neste sector (dois e meio por cento de aumentos) devem servir de «exemplo» para todos os outros.

Ieltsin nega recurso a Tchikatilo -- O Presidente russo, Boris Ieltsin, a última esperança de Andrei Tchikatilo, condenado à morte em Outubro de 1992 por ter assassinado 52 mulheres, crianças e adolescentes, rejeitou o recurso em favor do criminoso, conhecido como o «carniceiro do Rostov», soube-se ontem junto da presidência russa. Segundo Boris Zinoviev, membro da comissão encarregada de analisar os recursos enviados ao presidente russo, a rejeição teve como fundamento «a gravidade dos crimes praticado por Tchikatilo».

Tribunal alemão iliba «skinheads» -- Um tribunal alemão inocentou ontem por falta de provas dois jovens «skinheads» que pontapearam até à morte um homem praticamente cego. O juiz que presidia ao tribunal da cidade de Siegen, onde em Dezembro de 1992 foi assassinado Bruno Kappi de 55 anos, afirmou que por falta de provas não podia atribuir este crime aos dois jovens.

Os XVII Jogos Olímpicos de Inverno têm hoje o seu início nas montanhas geladas da Noruega, junto à estância de Lillehammer. Entre cenários grandiosos, milhares de atletas vão empenhar-se num jogo perigoso onde não serão apenas as medalhas de ouro que estarão em causa. Nas rápidas descidas, nos passos acrobáticos, os atletas arriscam não apenas um lugar entre os primeiros, como as suas vidas. A morte, há duas semanas, da campeã mundial de esqui veio lembrá-lo de forma dramática. Velocidades alucinantes, riscos crescentes, acidentes frequentes, tudo tem vindo a contribuir para tornar os desportos de Inverno cada vez mais espectaculares, logo mais populares. Portugal, onde esta febre não se faz ainda sentir, vai poder agora sentir uma pontinha de emoção quando seguir as peripécias de Georges Mendes, um transmontano que vive em França desde os cinco anos e que hoje se estreia na prova rainha: a descida.

Os noruegueses, na qualidade de anfitriões, não querem exagerar e afirmam que não organizaram o evento para, jogando em casa, tentarem ganhar tudo. Antes de mais, dizem, vão fazer uma grande festa popular, com a protecção do ambiente a surgir como a terceira dimensão do olimpismo, ao mesmo nível que o desporto e a cultura. No entanto, também não o escondem, vão seguir com toda a atenção as «performances» dos seus heróis.

Emocionantes, bonitas, numa palavra, perigosas. São as provas de descida, um dos acontecimentos de maior audiência dos Jogos Olímpicos de Inverno, que começam a disputar-se já amanhã, primeiro dia de competição. Um dos lugares-comuns do desporto -- a «morte súbita» -- tem aqui um significado diferente.

Agora, a descida regressa ao lugar onde o esqui nasceu. Os noruegueses foram os primeiros a pôr tiras de madeira nos pés para descer as encostas. Se não foram os primeiros, foram pelo menos os primeiros a viver para o dizer: a mais antiga representação pictórica de esquiar está numa escultura de pedra em Roday, Noruega, e data de dois mil anos antes de Cristo. Kjetil Andre Aamodt, cuja imagem é vendida como o esquiador alpino dos anos 90, é uma representação viva dessa rica herança...

As reminiscências dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sarajevo não não têm só que ver com a cidade, agora completamente destruída, situada no centro geográfico da antiga Jugoslávia, mas também com este país desmantelado e inexistente, para o qual os Jogos constituíam uma espécie de paradigma. Nunca ao longo da sua história a Jugoslávia havia sido objecto de tamanha publicidade na comunicação social de todo o mundo. Segundo o centro de imprensa que funcionou em Sarajevo na ocasião, pelo menos dez mil artigos terão sido publicados ainda antes do início do evento.

Branko Mikulic, um dos mais próximos aliados do Presidente Tito (falecido em 1980) e também, mais tarde, primeiro-ministro da Jugoslávia, foi o «pai» dos Jogos Olímpicos de Sarajevo, embora o seu verdadeiro espírito se tenha ficado a dever a Pavel Lukac, jornalista do «Politika», um diário de Belgrado, e natural de Sarajevo. Foi ele o criador, entre outras coisas, da mascote dos Jogos, o sorridente lobinho bósnio Vucko.

Se procura provas de que Nancy Kerrygan não será a única competidora dos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano, então acerte o relógio para as 11h de amanhã. Nesse preciso momento, uma traiçoeira montanha perto de Lillehammer, Noruega, tornar-se-á num alvo templo das mais altas forças do esqui alpino: gravidade, velocidade e extravagância.

As 61 provas, do bobsleigh ao biatlo (uma estranha combinação de passeio de esqui e tiro de precisão), não são «jogos» como os testes naturais de força humana e graciosidade debaixo das condições mais duras -- provas não de fogo, mas de gelo e neve. E enquanto os atletas forçam os limites do potencial humano, cada movimento acaba por ser fatal. É isso que torna os Jogos tão fascinantes: há a distância de uma lâmina afiada entre a vitória e não apenas a derrota, mas o desastre. Se um patinador se atrapalha num «axel» triplo, se um esquiador perde balanço numa curva, se o ocupante de um tobogã mexe a cabeça depressa de mais, eles não perderão apenas pontos ou segundos -- certamente afundar-se-ão na terra gelada. E no entanto, quando esculpidos na perfeição, o gelo e a neve podem transformar-se em ouro.

São dois mil os atletas em Lillehammer, representando 69 países, entre eles Israel e África do Sul, que competem pela primeira vez -- o que faz com que nesta edição seja estabelecido um novo recorde de países participantes. Em Albertville estiveram presentes 65 nações. A maior delegação é dos Estados Unidos, com 162 atletas, seguindo-se o Canadá e a Rússia com, respectivamente, 129 e 127 concorrentes, enquanto o país anfitrião será representado por 94 atletas.

É o maior dispositivo de segurança da história da Noruega: 2770 agentes da autoridade, 500 dos quais militares, actuarão entre 12 e 27 de Fevereiro em Lillehammer e regiões circundantes. As forças policiais, que não irão estar armadas, terão o apoio do Exército, com helicópteros, 400 veículos, trenós e motos para a neve. Orçamento para a segurança ronda os 50 milhões de dólares (cerca de 8,7 milhões de contos).

Portugal não é um país com tradições nos chamados desportos de Inverno. Muito por culpa dos poucos rigores da estação, por não ser «radical», pelos custos elevados que lhe estão associados e porque os portugueses gostam mesmo é de futebol e pouco mais. Contudo, em Lillehammer vai estar um português. Georges Mendes de seu nome.

Anteontem, Georges Mendes viu a pista pela primeira vez e já se treinou. De manhã e ao fim do dia. «É muito rápida, pode atingir-se velocidades entre os 120 e os 130 km/h, gelada e talvez mais difícil que Albertville», diz o esquiador. O frio, esse é da praxe e sem ele nada feito. As temperaturas rondam os nove graus negativos, mas para hoje esperam-se -15°. Talvez por isso, a alimentação tem de ser variada, com as calorias e vitaminas necessárias para resistir ao frio e substituir a energia gasta. «Tirando isso, ele pode comer à vontade e sem restrições», refere Oliveira Duarte.

A 8 de Fevereiro de 1984, Sarajevo acolhia os XIV Jogos Olímpicos de Inverno com uma pomposa cerimónia de abertura no estádio Kosevo, hoje transformado num cemitério. A vila olímpica transformou-se num «ghetto» e as pistas de ski tornaram-se em nichos ocupados pelas metralhadoras e artilharia sérvia.

As antigas pistas desportivas foram aqui substituídas por tanques e metralhadoras sérvias que fustigam diariamente a cidade. Um pouco mais abaixo, as milícias do malogrado comandante Kako, compostas por estudantes recrutados na cidade, abandonavam por vezes as suas trincheiras e lançavam-se ao assalto das posições inimigas, oficialmente com o objectivo de cortar as ligações para Pale, mas oficiosamente -- pois tratavam-se de tentativas suicidas -- para provocar bombardeamentos sérvios «oportunos», sobretudo quando decorriam movimentações diplomáticas. No dia seguinte, estes soldados muçulmanos vasculhavam os bosques, para recolher os cadáveres dos seus antigos companheiros.

A última fase do trabalho de restauro nos prédios danificados por uma explosão de uma bomba que matou cinco pessoas em Maio do ano passado, em Florença, estará terminada no Verão. Estes edifícios -- que rodeiam a Galeria dos Uffizi, monumento com 400 anos (32 obras de arte deste museu ficaram danificadas com o atentado) -- começam a ser reconstruidos na próxima semana. A galeria dos Uffizi, com apenas 60 por cento das suas salas abertas ao público, reabrirá na totalidade no fim deste ano.

Os grupos Persona e A Barraca ficaram este ano sem o subsídio ao teatro atribuído pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC). O Novo Grupo recebeu o maior subsídio do ano no valor de 65 mil contos e as companhias de teatro para a infância, e juventude viram aumentados os seus apoios (ver PÚBLICO de 11 e 12 Fevereiro de 1994).

O romancista José Saramago responde neste texto às declarações feitas ao PÚBLICO de 1 / 2 / 94 pelo escritor brasileiro Autran Dourado, que criticava fortemente o Acordo Ortográfico

Realizou-se em Luanda, há poucos dias, uma mesa-redonda afro-luso-brasileira sobre a comunidade dos países de língua portuguesa. Não pude estar presente, mas enviei, a pedido do embaixador do Brasil em Angola, aquilo a que é costume chamar uma mensagem, esta: «Há alguns anos, em Maputo, declarei que as fronteiras da minha liberdade começavam em Angola e Moçambique. Não tenho a certeza de que repetiria hoje essas palavras, pelo menos do modo peremptório como as disse então. O que, sim, sei é que o futuro do português como língua de comunicação e de cultura está radicalmente ligado às fronteiras dos mundos africano e brasileiro. Nenhum de nós é proprietário exclusivo da língua portuguesa, mas todos podemos fazer por ela o que ela faz por nós: construi-la todos os dias.

São fatos usados por actores e actrizes famosas, ou trajos originais das duas primeiras décadas deste século. Saíram da naftalina dos armazéns do guarda-roupa Anahory que, durante 60 anos, vestiu teatro, ópera, cinema e programas de televisão em Portugal. Estão expostos na Filmoda, até hoje, mostrando-se apenas aos olhos dos profissionais que têm entrada na feira.

Ao longo de 60 anos de carreira, Alberto Anahory, hoje com 87 anos, concebeu e executou os fatos usados em todas as épocas do mundo, para actores e actrizes famosas, simples coristas ou meros cidadãos que queriam vestir uma outra pele. «Temos roupas de todas as épocas: desde a Pré-História até ao que se veste hoje», assegura João Paulo, afilhado e herdeiro de Anahory, juntamente com sua irmã, Hélia Mergulhão.

Para gregos e troianos

Este descontentamento da assistência do Fantasporto, acrescentado ao facto de poucas vezes o Carlos Alberto ter, este ano, registado as tradicionais lotações esgotadas, veio ao arrepio do discurso oficial da comissão organizadora do certame, que se tem socorrido da crise do género fantástico -- e que tem afectado os festivais congéneres de Sitges e Avoriaz -- para valorizar a Semana dos Novos Realizadores e transformar o Fantasporto num «festival geral, com uma secção de cinema fantástico». Para agradar, assim, a gregos e a troianos.

Festival Internacional de Cinema do Porto terminou ontem

Exibido na noite de quinta-feira, o filme de Del Toro -- que trazia já o Prémio da Semana da Crítica do último Festival de Cannes -- não deixou de reanimar um público que já desesperava pela vertente fantástica mais sanguinária a que a tradição do Fantasporto o tinha habituado (ver caixa). Mas «Cronos» dificilmente resiste à comparação com as outras experiências do género, mesmo sem ser preciso recorrer à faustosa singularidade da obra de Coppola. Curiosamente, no entanto, Del Toro não resiste a citar o próprio Coppola, tanto numa certa figuração -- que nunca chega a ser consistente -- do drama de um velho antiquário confrontado com os reveses da imortalidade, como, mais abertamente, na cópia da figura que na obra do cineasta americano era interpretadio por Tom Waits e em «Cronos» é recriado pelo actor, também americano, Ron Perlman. No final, não se chega a entender com clareza se se está na presença de um registo dramático ou burlesco na abordagem do tema.

Atrás da cortina dos dogmas e das demagogias, há um homem subterrâneo que urge descobrir. No Inferno das ideias contraditórias, a actividade espiritual deve afirmar-se «contra todas as liberdades que tentem diminuir a liberdade». É este o manifesto de uma iniciativa que vai animar, pela segunda vez, o Ateneu Comercial do Porto ao longo de nove semanas (sempre às quintas-feiras), entre 24 de Fevereiro e 21 de Abril. Trata-se do ciclo de debates «Conferências do Inferno», cuja primeira sessão é dedicada ao pecado. As restantes conferências têm motes no mínimo invulgares. As mucosas como último reduto de selecção, o Império Laranja dos Sentidos, a música no Inferno, os paradoxos da beleza, a ausência do anjo, «faltam 10 minutos para o Paraíso», consumo privado/anomia pública ou o triunfo do azeite são algumas das sugestões «diabólicas» de um colóquio que se propõe desmistificador. Maria Antónia Jardim, Virgílio Liquito, David Pontes, Tino Flores, António Guerreiro, Gilberto de Lascariz e Alberto Pimenta são alguns dos convidados para deitar algumas achas para a fornalha.

Soljenitsine -- que deverá voltar à Rússia na próxima Primavera -- deixou então Moscovo com destino a Frankfurt, na Alemanha Federal, onde chegaria nessa tarde, dirigindo-se imediatamente a casa do escritor Heinrich Böll, também laureado com um Nobel.

O Boavista venceu o Famalicão por 3-0, regressando às vitórias e ao quarto lugar, depois de nas últimas duas jornadas ter saído derrotado e ultrapassado na classificação pelo Marítimo. Uma vitória confortável por três golos mas que não exprime a realidade do jogo.

Depois do intervalo, o Boavista não apareceu muito melhor. É certo que controlava o jogo, mas continuava a faltar imaginação junto à área. Ricky e Artur eram disso grandes responsáveis. O nigeriano foi o mais desastrado, mas Artur está longe, muito longe, da forma que o tornou num dos jogadores decisivos da época passada.

O Bayer Leverkusen, adversário do Benfica na Taça das Taças, perdeu ontem a liderança do campeonato alemão de futebol da I Divisão ao perder, por 1-0, no campo do Borússia Dortmund, em jogo da 21ª jornada da competição. O Eintracht de Frankfurt comanda isolado a competição, com 26 pontos, apesar de ter empatado no seu terreno com o Nuremberga, por 1-1. O Werder Bremen, adversário do FC Porto na Liga dos Campeões Europeus, derrotou em casa o Kaiserslautern, por 2-0, e manteve o segundo lugar da classificação, juntamente com o Bayer Leverkusen e o Duisburgo, com 25 pontos. O próximo opositor do Boavista na Taça UEFA, o Karlsruher, conseguiu vencer fora o Borússia Moenchengladbach, por 2-1, e está agora no oitavo lugar, com 22 pontos. Restantes resultados da jornada: Wattenscheid, 1-Dínamo Dresden, 1; Hamburgo, 1-Friburgo, 1; Eintracht Frankfurt, 1-Nuremberga, 1; MSV Duisburgo, 2-VFB Leipzig, 1.

O outro encontro da jornada inaugural da competição, na categoria de sub-16, colocou frente a frente Noruega e Israel, com a vitória a pertencer aos noruegueses, por 3-0. O torneio prossegue hoje em Silves, com os encontros Espanha-Dinamarca (9h30) e Portugal-Itália (11h15).

Tiveram lugar anteontem dois dos principais meetings de pista coberta do superlotado circuito invernal e foram conseguidas algumas novas melhores marcas do ano.

A outra grande vedeta da nocturna marilena foi o cubano Javier Sotomayor, este ano a envergar a camisola do clube espanhol Larios. «Soto», que recentemente havia deixado a melhor marca anual em 2,40m, transpôs 2,39m e tentou, em seguida, o recorde mundial ao coberto (que ele detém com 2,43m desde 1989) a 2,44m, que falhou uma vez antes de abandonar o concurso devido a ligeira lesão. Outro que esteve «super» em Madrid foi o campeão olímpico da vara, o russo Maksim Tarasov, ao passar 5,90m, igualando o seu melhor de sempre, antes de falhar 6 metros.

Farense e Beira Mar empataram a dois golos, na partida ontem realizada no estádio São Luís, em Faro, e em que os donos da casa, depois de estarem a vencer por 2-0, acabaram por deixar escapar uma vitória em que todos, à excepção dos visitantes, sempre acreditaram. Situação caricata do encontro foi o facto de a igualdade do marcador se ter repetido em número de auto-golos, neste caso, um para cada lado.

E aos 30 minutos o Farense coloca-se em vantagem no marcador, mercê de um auto-golo de Eliseu, infeliz na tentativa de atraso para o seu guarda-redes, na sequência de uma jogada em que a bola foi transportada com extrema simplicidade da defesa para o ataque por parte do Farense.

Bobby Robson estreou o banco no Estádio das Antas com uma vitória clara sobre o Marítimo por 2-0. Outra estreia foi a de Drulovic a marcar golos no FC Porto -- e ontem conseguiu-o logo por duas vezes, a segunda num remate muito bonito e de grande qualidade técnica, embora a sua exibição não tenha sido brilhantíssima na explanação do jogo.

O FC Porto beneficiou, também, de um golo marcado logo aos 5', num contra-ataque iniciado em João Pinto, continuado por Kostadinov, com Timofte a rematar ao poste depois da bola desviar num defesa e o ressalto a sorrir a Drulovic que só teve que encostar.

Vítor Oliveira teve a preocupação de mudar alguma coisa na equipa. Retirou Tuck, Rosado e Jaime Cerqueira e colocou Tozé, Sousa e Lim, mas a época pós-Drulovic parece começar a ser demasiado preocupante para o Gil Vicente. Em Braga, na jornada passada, a formação de Barcelos sofreu uma derrota humilhante e ontem, frente ao Paços de Ferreira, voltou a não ser capaz de se encontrar e recordar o tempo em que chegou a ser a sensação do campeonato, quase no termo da primeira volta.

O Gil era uma equipa sem fio de jogo, desorganizada no meio campo, sem capacidade de servir com o mínimo de condições Lim e Mangonga, os homens mais avançados do conjunto. Mas a felicidade acabou por lhe bater à porta aos 43'. Lim desceu pela esquerda, cruzou para a pequena área para Padrão defender e largar o esférico de seguida, quase sobre a linha de golo. Mangonga estava lá e fez o empate. Antes do termo do primeiro tempo, aos 44', Cacioli, do meio da rua, num livre directo, ainda obrigou Padrão a uma defesa apertada.

COMEÇARAM OS JOGOS -- O apelo ao fim da guerra dos Balcãs por parte de Juan Antonio Samaranch, presidente do Comité Olímpico Internacional, foi o ponto alto da cerimónia de abertura da XVII edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, que ontem se iniciou na branca cidade norueguesa de Lillehammer. «Parem a guerra e baixem as armas», apelou Samaranch. Pouco tempo antes, os cerca de 40 mil espectadores presentes no estádio de saltos de esqui cumpriram um minuto de silêncio pela cidade cercada de Sarajevo. O desfile dos dois mil atletas, entre os quais o português George Mendes, em representação de 69 países; a cerimónia de acender a pira olímpica pelo príncipe Haakon da Noruega, depois do trecho final da chama ter sido percorrido pelo atleta Stein Gruben com um salto no grande trampolim; coloridas danças folclóricas norueguesas e os habituais discursos preencheram a cerimónia de abertura, vista por uma audiência televisiva calculada em mil milhões de espectadores. Mas, ontem, também já houve competição, com a República Checa a vencer (3-1) a Finlândia, em encontro do torneio de hóquei sobre gelo.

O União, demasiado desfalcado para o jogo de ontem, iniciou a partida ao ataque, colocando Manu e Jovo no centro e Sérgio Lavos a funcionar como um verdadeiro extremo, umas vezes pela direita e outras pela esquerda, enquanto que Jokanovic comandava todas as operações a meio campo, com grande personalidade.

Enquanto as tripulações gozam férias, os organizadores da Whitbread discutem o futuro do evento. Mais patrocínios, alterações na rota e na frota são os principais tópicos dos projectos de mudança.

Agora, são duas as opções para a futura organização da regata: associar-se a outro clube ou ter um comité de regata directamente filiado numa associação náutica de Inglaterra.

Durante 30 dias e 30 noites água bombeada da albufeira do Maranhão encheu uma barragem agrícola para que Cavaco Silva se prestasse à inauguração. Hoje a barragem está vazia, como que a ilustrar o sentido de uma fundação com três mil hectares de terra em Avis que se aproxima perigosamente da falência. Em risco está também a economia da aldeia em que se situa e um projecto de solidariedade social que dura há 45 anos. Uma história condimentada com o deslumbramento dos subsídios de Bruxelas, erros de gestão e uma surda rivalidade que empesta as relações. Era uma vez no Alentejo das searas...

Na obscuridade que sempre existe nos jogos de passa culpas, há quem discuta, questione e contrarie todas as suspeitas. Ou quase todas. Mas «há também muitas certezas que não podemos ignorar» como assevera Luis Bonito, motorista de 42 anos. Como a que aconteceu em 1989. Vivia-se o tempo da euforia económica e, como que para a celebrar, um poderosa bomba de sucção passa 30 dias e outras tantas noites a transportar água da albufeira do Maranhão para uma barragem construída no meio da herdade da Provença. Esperava-se o Primeiro Ministro para a inaugurar mas depois de cheia, a toalha de água da barragem apenas serviu de reflexo à vaidade de gestores deslumbrados pela generosidade dos milhões de contos a fundo perdido provenientes de Bruxelas. Hoje, a barragem está seca. Não admira: as nascentes ficam-lhe a juzante.

Os Estados Unidos acusaram ontem cinco países de praticarem «dumping» nas suas exportações de aço inoxidável para os EUA. Segundo a Comissão americana para o Comércio Internacional, há «indicações razoáveis» de que o Japão, a Itália, a Espanha, a India e o Brasil exportam para os EUA aço a preços inferiores aos de custo. As importações de aço daqueles países totalizou o ano passado 65 por cento do total das importações dos EUA de aço. A Comissão irá agora transmitir ao Departamento do Comércio as suas conclusões, devendo esta instituição anunciar a oito de Junho as suas sanções preliminares.

A General Motors, o maior construtor automóvel mundial, anunciou ontem o regresso aos lucros no mercado norte-americano. No último trimestre do ano, o grupo obteve resultados líquidos de 427 milhões de dólares (mais de 74 milhões de contos) no mercado norte-americano, o que já não sucedia desde 1989. Quanto ao grupo no seu todo mundial, a GM revelou que teve lucros de 2,5 mil milhões de dólares em 1993., contra prejuízos de 23,5 mil milhões de dólares no ano anterior. No último trimestre do ano passado, a GM teve resultados líquidos de 1,2 mil milhões de dólares, contra prejuízos de 650 milhões de dólares no mesmo período do ano anterior.

Clinton reconheceu o fracasso do seu encontro com Hosokawa, mas não decidiu ainda que sanções aplicar contra os japoneses, de forma a não prejudicar a economia americana. Para a despedida, convidou o primeiro-ministro japonês para um pequeno almoço particular: a culpa não é dele, mas dos «mandarins» que o acompanharam.

O antigo Governo japonês, de Kiichi Miyazawa, tinha concordado em fixar números mínimos para a importação de produtos americanos nos sectores dos automóveis, dos componentes para automóveis, nos equipamentos de telecomunicações, no equipamento médico e nos seguros. O novo primeiro-ministro declarou que fixar esses números seria um atentado contra o comércio livre e um risco para a indústria japonesa, a atravessar a maior crise das últimas décadas.

O ano de 1993 foi mais quente do que a temperatura média mundial entre 1951 a 1980, mas o facto não é considerado particularmente significativo pelos especialistas. Os dados foram coligidos pelo Gabinete de Meteorologia britânico, que analisou as temperaturas divulgadas por países de todo o mundo e concluiu que o ano passado foi 0,22 graus Celsius mais quente do que a média. Os peritos não consideram que estes dados possam ser vistos como uma prova do aquecimento global do planeta pois o ano anterior, 1992, tinha sido mais frio. O ano de 1991, por seu lado, foi mais quente que 1993, com 0,33 graus acima da média. «Neste momento apenas atribuímos estas temperaturas à variabilidade normal do nosso clima», disse Malcolm Brooks, porta-voz do Gabinete de Meteorologia do Reino Unido.

À excepção de alguns países da Europa central e oriental, a esperança de vida à nascença dos europeus está a aumentar em toda a Europa, segundo um relatório do Conselho da Europa intitulado «Evolução demográfica recente na Europa», publicado no início do corrente mês. Mas se as mulheres espanholas, francesas, italianas, suecas e britânicas têm uma esperança de vida de 80 anos, a dos seus compatriotas masculinos é de apenas 73 anos.

Investigadores de Israel, Egipto e Alemanha estão a trabalhar num projecto de engenharia genética cujo objectivo é desenvolver frangos pequenos, particularmente bem adaptados aos climas quentes. Os frangos sofrem geralmente com as temperaturas elevadas durante o Verão, o que atrasa o seu crescimento. E apesar de haver variedades de frangos com menos penas que suportam melhor o calor, a sua qualidade é geralmente inferior à dos frangos criados em aviário. Os investigadores estão a estudar os genes responsáveis pelo crescimento das penas, de modo a produzir frangos com boas características do ponto de vista alimentar mas com menos penas e que consigam assim resistir sem problemas às altas temperaturas. Participam no projecto a Faculdade de Agricultura Rehovot da Universidade Hebraica (Israel), a Universidade Técnica de Berlim (Alemanha) e a Universidade de Tanta (Egipto).

Os responsáveis americanos da investigação biomédica decidiram abandonar a ideia de patentear vários milhares de pedaços de ADN humano descobertos por «caçadores de genes» financiados pelo governo federal dos EUA. A decisão do NIH (National Institutes of Health, a agência americana responsável pela investigação médica) foi revelada na última quinta-feira, depois de mais de um ano e meio de manobras legais e de controvérsia científica em torno deste assunto.

O Instituto da Água e a Quercus-Associação Nacional de Conservação da Natureza assinaram um protocolo para levar a cabo um conjunto de acções na área dos recursos hídricos e do saneamento básico. Intitulado «Por um rio mais limpo», o protocolo inclui vários objectivos: estudo e análise do comportamento das populações em períodos de seca; promoção de programas-piloto sobre gestão optimizada do consumo de água em seis concelhos e preparação de relatórios, publicações informativas e campanhas de promoção sobre a protecção e reabilitação dos recursos hídricos. A Quercus e o Instituto da Água vão colaborar através de acções de sensibilização da população, de empresas e autarquias.

Na base deste aumento esteve a compilação de dados registados por sismógrafos de todo o mundo. A determinação exacta da magnitude do sismo é particularmente importante para as companhias de seguros, que precisam de saber se os danos sofridos pelos seus segurados se deveram efectivamente ao sismo ou se podem ser atribuídos a outras causas. O sismo causou a morte de 60 pessoas, feriu 8500 e destruiu cerca de 26 mil edifícios na área de Los Angeles.

Os tecidos do futuro poderão dissipar os maus cheiros e destruir os micróbios, além de mudar de cor conforme as circunstâncias. Os têxteis estão a tornar-se «inteligentes» e a indústria milenária que os produz está a procurar os produtos que irá vender no próximo século em laboratórios que estudam a forma de dotar as fibras têxteis de propriedades revolucionárias.

«É um pouco como enxertar mercurocromo no tecido», explica Guy Nemoz, responsável pela área dos têxteis de uso técnico no ITF. Já existem no mercado tratamentos antibacterianos para tecidos, mas a sua duração é limitada. Quanto ao processo de tratamento de fibras desenvolvido no ITF -- aplicável a todos os tipos de fibras --, ele confere ao tecido uma propriedade anti-séptica permanente, como fazem notar os seus promotores.

Seduzido pelos benefícios fiscais no IRS, aos 50 anos de idade, subscrevi um Seguro de Poupança Reforma (PPR), para ser reembolsado do capital aos 60 anos. Aos 53 anos, por imperativos de modernidade, passei à reforma (reforma antecipada). Pergunto: como reformado, continuo a usufruir dos benefícios fiscais do PPR no meu IRS?

Desejável é pois que, à volta destes planos, existam benefícios fiscais de vária ordem, pensados não só no sentido de fomentar o aparecimento de entidades que os criem e explorem -- os chamados fundos poupança-reforma --, mas ainda no sentido de favorecer a subscrição dos respectivos certificados.

Aluguei uma casa para passar férias em Montes de Alvor. Na altura do contrato, os proprietários disseram-me que, além de o sítio ser muito sossegado, a casa tinha segurança, era vigiada por uns vizinhos que moravam perto e para que essas pessoas tivessem acesso ao quintal devia deixar de fora um fio que facilmente abria o portão. Assim fiz. Fui assaltada logo de seguida, tendo sido roubados vários objectos de valor, nomeadamente uma máquina de filmar. Dos donos da casa, nem uma palavra, quando os confrontei com a situação.. Quando contactados, disseram-me que não se sentiam minimamente responsáveis. Será que não são mesmo responsáveis?

Em 1988, o Supremo Tribunal Administrativo apreciou a conduta de um ajudante de escrivão do tribunal que dera informações erróneas a uma parte, que havia sido informada pelo seu advogado para agir de certa forma e actuou de outra devido aos conselhos do funcionário do tribunal. Considerou o Supremo que, «não estando os funcionários judiciais vinculados juridicamente a dar conselhos, ou prestar informações às partes, não é geradora de responsabilidade civil do Estado, conforme o artº 485º do Código Civil, a conduta do ajudante de escrivão». Mas se o funcionário tivesse arrogado a falsa qualidade de advogado, aí já poderia ser responsabilizado, pois incorreria no crime de usurpação de funções (artº 400º do Código Penal).

O homem sempre comeu alimentos crus. Eles foram o seu alimento durante alguns milhões de anos, desde o seu aparecimento como «Homo habilis» e, depois como «Homo sapiens». Os primeiros alimentos que terá comido tratados pelo calor foram animais (e talvez frutos), parcialmente consumidos em incêndios de matas e florestas. Depois, com a fabricação de tijelas de madeira, grãos e folhas começaram a ser submergidos em água que era aquecida com pedras incandescentes nela mergulhada. O fogo só veio para fora da panela com a paleo-olaria e com as panelas de cobre e de ferro. As sopas não terão, assim, mais de 100 mil anos mas são, com os assados a fogo directo, os mais antigos pratos da culinária humana. E, desde então, foram-se sempre aperfeiçoando, até às fórmulas contemporâneas, plenas de requinte e sabor.

A água é a base de uma sopa e é ela também o primeiro dos alimentos; um prato de sopa médio fornece-nos cerca de 250 ml -- sem contar a que está contida nos alimentos. Depois, essa água é temperada, em geral com um pouco de azeite, esse magnífico óleo de oliveira, que é o melhor que podemos ingerir. A sopa pode conter batata (aos pedaços ou em puré), vegetais de folha verde (nabiças, grelos de couve ou nabo, espinafres, folhas de couves variadas), cebola, tomate, cabeça de nabo, cenoura, abóbora e outros legumes dessa enorme e variada sinfonia hortícola. Podem entrar também os feijões, as ervilhas, as favas e o grão de bico, as massas miúdas, pequenos pedaços de carne ou esta desfiada, ovos escalfados, pedacinhos de queijo e esse grande acompanhante das sopas que é o pão, fazendo o que se chama «sopas na sopa». 

Há alguma verdade em dizer-se que os resfriamentos, os pés molhados ou o frio em geral podem causar constipações? E já agora, qual é o melhor tratamento?

A constipação está associada à infecção por vários vírus, dos quais o mais frequente é o rinovírus. No entanto, ainda não se descobriu o agente causal de mais de um terço dos casos. Pode, em doentes susceptíveis, precipitar ataques de asma e descompensar doentes com bronquite crónica.

Os preços de venda ao público da gasolina estão «tarifados», o que constitui uma violação da lei da concorrência, acusa a Associação Portuguesa de Direito do Consumo (APDC). Num comunicado sobre o assunto, aquela associação acusa as companhias petrolíferas de se «concertarem» quanto aos «preços dos combustíveis sujeitos às regras do mercado, ou seja, ao livre jogo da oferta e da procura». Com efeito, sublinha a APDC, os preços são os mesmos quer se trate de abastecimentos a cargo do concessionário, ou de auto-abastecimento, a cargo do consumidor. E, exemplifica, são também os mesmos quer a venda se realize na Figueira da Foz ou em Figueira de Castelo Rodrigo, em Vila Real ou Vila Real de Santo António.

A maioria dos automobilistas europeus prefere as marcas japonesas e alemãs. É essa a conclusão de um inquérito a que responderam 35 mil condutores portugueses, espanhóis, franceses, italianos e belgas.

Talvez já lhe tenha acontecido comprar num hipermercado uma embalagem de um quilo de limões, convencido de que o peso estava certo. Mas ao pesá-la em casa constatou que adquiriu apenas 850 gramas. Não pense que teve a pouca sorte de ter pegado no único saco mal marcado do hipermercado. É um fenómeno corrente, para o qual as explicações são divergentes, consoante o local onde ocorre. À cautela, o melhor é confirmar mesmo o peso marcado no saco.

O exemplo citado não é tão hipotético quanto isso. O que sucede é que poucas pessoas se preocupam em pesar os artigos comprados depois de chegar a casa. Fazem mal: o PÚBLICO andou pelos quatro hipermercados do Grande Porto e pôde constatar vários casos em que tal facto sucede. Pelo lado da Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IPAE), praticamente nada conseguimos apurar. A má vontade manifestada pela inspectora principal da delegação do Porto daquele organismo da administração pública só foi quebrada para nos informar que dão ali entrada bastantes reclamações sobre casos deste tipo, sendo accionados imediatamente os mecanismos de fiscalização.

Os preços dos medicamentos comparticipáveis vão baixar entre 2,85 e 8 por cento, anunciou o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), citado pela Lusa. Aquele organismo tutelado pelo ministério da Saúde revelou também que durante o corrente ano não haverá «actualização global dos preços dos medicamentos comparticipados, que era efectuada habitualmente em Abril, mantendo-se os preços congelados até 1 de Janeiro de 1995». Estas medidas são a consequência prática de um protocolo assinado em Novembro passado entre os ministérios da Saúde e do Comércio e Turismo e a Associação da Indústria Farmacêutica (Apifarma), nos termos do qual ficou acordada «uma baixa geral dos preços dos medicamentos em cerca de três por cento», segundo a nota de imprensa divulgada pelo Infarmed. Uma portaria conjunta dos ministérios das Finanças, Saúde e Comércio e Turismo, publicada no Diário da República, estabelece que os medicamentos comparticipáveis com preço superior a 600 escudos e inferior ou igual a sete mil escudos passam a custar menos 2,85 por cento. Todos os medicamentos comparticipáveis superiores a sete mil escudos e inferiores ou iguais a 15 mil escudos descem 3,5 por cento. Os que são vendidos ao público a mais de 15 mil escudos descem 8 por cento. Estas disposições entram em vigor 15 dias após a data da publicação.

Na sexta-feira, e segundo a agência Reuter, pelo menos 50 cubanos tentaram chegar à embaixada mas foram obrigados a voltar para trás. A polícia deixou passar apenas os funcionários cubanos da embaixada e o corpo diplomático. Um diplomata afirmou que, na embaixada, ninguém sabia como começou a correr o rumor de que os EUA estavam dispostos a conceder vistos de entrada no país a todos os que o solicitassem.

O EXÉRCITO Popular de Libertação do Sudão/Unido, facção dissidente do SPLA de John Garang, pediu ontem às Nações Unidas que designem medianeiros para acabar com o conflito no Sul do país e que, se necessário, enviem tropas para estabelecer santuários destinados à população civil.

Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Butros Butros-Ghali, pediu o fim imediato das hostilidades, dizendo agora Machar que milhões de vidas poderiam ser salvas no mais extenso dos países africanos se a comunidade internacional se decidisse a intervir.

Após terem passado ilesos pelo temível campo de batalha nas cercanias da cidade de Gornji Vakuf e negociado a passagem pela perigosa Rota dos Diamantes que atravessa as montanhas cheias de neve, os camiões transportando ajuda às populações famintas da Bósnia Central foram bloqueados por uma barreira de pedras colocadas na estrada. Da floresta que ladeia a estrada saíram homens armados de facas que assaltaram os camiões, esfaqueando os veículos e pilhando a mercadoria, alimentos e cobertores.

Mais de 30 capacetes azuis e 11 trabalhadores da ajuda humanitária foram mortos na Bósnia desde o começo da guerra, em Março de 1992.

Os «guerristas» preparam a sua intervenção no congresso do PSOE e contam as espingardas. Alfonso Guerra ainda não se deu por vencido e põe as suas condições. Evita nomes e apelidos, mas visa obviamente Felipe González.

Esta fórmula de colocar a questão, propositadamente genérica, por entre a ambiguidade e os apelos à união que nunca foram apanágio da actuação de Alfonso Guerra -- mais um homem de práticas de confronto que perseguidor de consensos -- é depois explicitada: «Os que dizem que o secretário-geral constituirá a direcção que quer não o tratam bem; Felipe González é um democrata, e é o Congresso, os seus 888 delegados, quem escolhe a direcção». No entanto, foi o próprio González que pediu «mãos livres» para escolher um comité executivo, onde anunciou o seu desejo de manter Guerra, embora com uma redefinição de poderes que terminasse com o actual modelo partidário bicéfalo. Por isso, os «guerristas» alertam para o facto de que nunca aceitarão para o seu guia as mesmas competências que González pretenda atribuir a outros membros.

A polícia cubana fechou à circulação todas as ruas nas proximidades da embaixada norte-americana em Havana, depois de na cidade terem começado a circular rumores de que Washington tinha decretado uma política de abertura do país a todos os cubanos que quisessem entrar nos Estados Unidos.

Só no ano passado a embaixada americana recusou 63 mil pedidos de visto de não imigrante e de turista porque, segundo outro diplomata americano, é claro que nenhum deles pretende regressar a Cuba.

O romancista Anthony Powell é justamente celebrado como o autor de uma das melhores cenas de comédia britânica deste século. Nela, um ex-militar recebe a visita de um seu vizinho e inimigo que lhe está a ganhar um processo, e é só depois de abrir a porta que se lembra de que está vestido de mulher e maquilhado. A tensa conversa entre os dois litigiantes, na sala do travesti, não faz referência nenhuma ao facto, e a despedida é séria e seca. Isso seria impossível na Grã-Bretanha de hoje: o vizinho denunciaria o seu inimigo, a polícia venderia a informação a algum tablóide de escândalos e o Parlamento contemplaria a possibilidade de legislar sobre a questão.

Sondagens de opinião indicam que o respeito pelo tom moral do Governo coincide com intenções de voto. Numa ampla sondagem realizada pelo diário conservador «The Daily Telegraph», publicada dias antes da morte de Milligan, 61 por cento do público aceitava a afirmação de que os «tories» já não possuem altos padrões de moralidade sexual, e dois terços dos inquiridos acreditavam que os conservadores dão a impressão de sordidez e má reputação. Resultado mais alarmante do ponto de vista político, 66 por cento exprimiram a opinião de que «independentemente do que penso dos trabalhistas, acho que não podem ser piores do que os conservadores». E este tipo de atitude poderia determinar uma vitória do Partido Trabalhista -- quando, nos últimos 15 anos, qualquer coisa era preferível a um governo socialista.

O irmão mais novo do Presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani demitiu-se do cargo de director da radiotelevisão estatal depois de ter sido acusado de «má gestão financeira», noticiou ontem o jornal iraniano «Kayhan». Mohammad Rafsanjani, que dirigia a televisão há 13 anos, deverá ser substituído pelo ministro da Cultura e da Orientação islâmica, Ali Laridjani, adianta ainda o jornal, que cita «fontes informadas»

A missão parlamentar concluiu que a maior parte dos programas da radiotelevisão «não têm nada a ver com o Islão nem com a revolução islâmica» e que, pelo contrário, «propagam valores anti-islâmicos».

Embora a atenção da opinião pública internacional esteja centrada na reacção dos sérvios bósnios ao ultimato militar da NATO, não deixa de ser menos importante a reacção da liderança muçulmana de Sarajevo às pressões diplomáticas a que está a ser sujeita, com o objectivo de assinar um acordo global de paz para a república. A questão emergiu nos últimos dias é um dos mais importantes factores para determinar se a acção da NATO tem possibilidades de sucesso.

Diplomatas ocidentais, sobretudo franceses e norte-americanos, têm estado a tentar determinar as exigências mínimas muçulmanas para assinar um acordo. Mas o problema é que, dizem, os muçulmanos têm diferentes respostas, dependentes do objectivo pretendido. Uma solução estará algures entre um «máximo», o restabelecimento da Bósnia-Herzegovina nas suas fronteiras anteriores, como um Estado unitário, e um «mínimo», que passaria pela criação de uma pequena república muçulmana colocada entre uma república croata e uma república sérvia.

Pausa negocial em Genebra, para dar campo a uma nova iniciativa combinada de russos e americanos, os primeiros a pressionar os sérvios, os segundos os muçulmanos. Apesar da acalmia em Sarajevo, prossegue a contagem descrescente para a intervenção aérea da NATO.

A confirmar estas intenções, diplomatas russos afirmaram em Moscovo que o enviado especial do Kremlin para a ex-Jugoslávia, Vitaly Churkin, partiu ontem directamente de Genebra para Belgrado, para conversações com o Presidente Slobodan Milosevic. Como também não são de excluir encontros a curto prazo entre negociadores norte-americanos e dirigentes muçulmanos bósnios.

Shimon Peres está optimista. Não quer falar de datas mas afirma estar a fazer tudo para acelerar as negociações com os palestinianos e acredita que, se estas forem encaradas com seriedade, serão encontradas soluções para todos os problemas. «Não é o fim do mundo, pelo contrário, é um começo».

SHIMON PERES -- Tivemos problemas muito complicados. Chegámos a um documento com 68 artigos, lutámos por cada frase, cada expressão, mas fizémo-lo sem que houvesse uma guerra. É um acordo sem precedentes. Ainda restam obstáculos, detalhes sobre como vai funcionar o dia-a-dia. Isso vai levar tempo, mas se conseguimos com o Egipto, com quem estávamos em guerra há 15 anos, conseguiremos agora também. Não importa que sejam muito complicados os problemas: se encaramos com seriedade estas negociações encontraremos uma solução. Não é o fim do mundo, nem o fim do dia, pelo contrário, é o começo.

KISMAYU, que foi a dada altura considerada um êxito da Operação das Nações Unidas na Somália (Onusom), está a voltar à anarquia, à medida que dois dos senhores da guerra procuram aproveitar-se dos preparativos para a retirada das tropas ocidentais.

O rápido agravamento da situação naquela zona não é surpresa para quem ao longo dos anos tem vindo a acompanhar o que se passa no Corno de África, onde os Estados Unidos julgaram ser capazes de minorar o sofrimento das populações e de dar uma ajuda para a reconstrução do Estado somali, que se fragmentou após a queda de Siad Barre. Mas onde a sua acção -- e depois a da ONU, a partir de Maio do ano passado -- não pareceu susceptível de, a médio prazo, dar bons frutos.

PELO MENOS 14 partidos sul-africanos registaram-se até ontem à tarde para as eleições de Abril, mas entre eles não está o Inkatha, cuja Comissão Central reafirmou que não vai às urnas, por não concordar com a Constituição provisória que deverá vigorar durante os tempos mais próximos.

A Frente Popular Afrikaner (AVF), conjunto de grupos radicais, só aceita porém ir às eleições se tiver a garantia de que virá a existir um Estado autónomo governado por cidadãos de origem holandesa e francesa, cujas famílias chegaram à África Austral durante a segunda metade do século XVII. E até já propôs que esse «Volkstaat» fique em terras que pertenceram às antigas repúblicas boers de Orange e Transvaal, conforme mapa de que o PÚBLICO ontem dava uma ideia.

No próximo dia 27, domingo, realiza-se um convívio-almoço em Algés, organizada pela Pal. A concentração será na Esplanada Caravela D'Ouro, no jardim de Algés, pelas 10h30. O almoço decorrerá no Restaurante Trinitá, Rua António Granjo, 30, também em Algés.

O problema «Flo e a imaginação da sua amiga Iva», que constituía a segunda prova do Torneio Rápidas Policiárias, proporcionou algumas boas soluções, imaginativas como se desejava que fossem.

Depois de abolidas as feiras-concurso do queijo da serra da Estrela restam as festas e feiras nos locais mais conhecidos de toda a região demarcada. Num dia ou dois, queijeiras e pastores de muitos locais deslocam-se aos certames que já conheciam e que só mudaram de nome. O queijo da serra da Estrela vai ser comercializado este ano entre os 1000 escudos (o de qualidade inferior, com misturas, para alguns, «inaceitáveis») e os 3500 escudos (preço que para muitos pretende pagar a qualidade e o selo da Faproserra, mas que «poderá não passar de um engano para os apreciadores», dizem os produtores mais cépticos, pois «o bom queijo vende-se entre os 2500 e os 3000 escudos).

A senhora Cidália, mulher viúva, possui um rebanho com oito ovelhas e três cabras. Depois das actividades do dia e de retirado o leite das ovelhas e cabras, Cidália usa todo o seu saber na coagem do leite e coloca-o no azincho, o instrumento que separa o soro restante e dá a forma conhecida ao queijo. Faz um queijo por dia nos meses do frio, entre Novembro e Março. Toda a sua produção (mesmo com a desaconselhável mistura do leite de cabra) é vendida pelo filho, que trabalha em Mangualde, a um estabelecimento de produtos alimentares daquela cidade. «Não precisamos do selo, nem dessas coisas modernas. Sempre vendi o queijo e não quero agora saber disso», desabafa Cidália, abrindo caminho entre a mãe e uma neta para mostrar o cantinho da escura mas quente cozinha onde, num velho armário com portas de rede fina, deposita todos os dias um queijo.

O presidente da Câmara de Boticas, Fernando Campos, disse que «não há razões objectivas» para que a bomba que explodiu num automóvel estacionado perto da sua casa lhe fosse dirigida. «Rejeito totalmente essa hipótese», disse Fernando Campos à Lusa, alegando «não haver motivações político-partidárias» ou pessoais para um atentado como o que anteontem destruiu a viatura do comandante do posto local da GNR.

Cartas de índice de risco de incêndio florestal vão estar ao dispor de vinte e três municípios do país, até Julho, no âmbito de um projecto piloto divulgado na sexta-feira em Coimbra.

O Centro Nacional de Cultura realiza mais um Passeio de Domingo, hoje aos bastidores do Politeama, na companhia de Filipe La Feria, depois de assistir a uma representação do espectáculo "Maldita Cocaína". A partir das 15h.

No Teatro Ibérico, Rua de Xabregas 54, às 17h30, sobe à cena o espectáculo "Alzira Power", de António Bivar e encenação de Xosé Blanco Gil. Em cena estão os actores Zélia Zamyr e Old Soares.

Piscinas, parque de campismo, centro de estágio, um estádio para 20 mil pessoas, circuitos de manutenção e até uma Brincolândia com um avião a sério -- para um espaço turístico, desportivo e paisagístico -- é o que o Entroncamento quer para a zona do Bonito. Mas antes terá de resolver o lado feio.

A construção de uma piscina descoberta -- a que a autarquia dará prioridade --, um circuito da manutenção, a construção de um anfiteatro para espectáculos, aproveitando o declive dos terrenos junto à albufeira, e de um novo parque de campismo na parte mais afastada da albufeira são outros benefícios que a Câmara tenciona realizar, por fases, até 1999 no Bonito, numa extensão de cerca de um quilómetro quadrado na zona norte do concelho.

O antigo Cine-Teatro Carlos Manuel, em Sintra, poderá ter uma ajuda dos fundos comunitários do Projecto-Piloto de Conservação do Património Arquitectónico Europeu para a sua recuperação. Que, se tudo correr bem, dotará, em 1996, a sede do município da tão esperada sala de espectáculos.

Durante muitos anos o único cinema de Sintra, o imóvel foi destruído parcialmente por um incêndio em 1985. As chamas atingiram o palco, os bastidores, o fosso de orquestra e a plateia, enquanto o balcão saiu danificado pelo fumo. Adquirida pelo município em 1987, a antiga sala de espectáculos tem sido aproveitada esporadicamente para exposições, como a Trienal de Arquitectura, e utilizada numa pequena área, desde 1992, pela Companhia de Teatro de Sintra, da associação cultural Chão de Oliva.

A Câmara de Lisboa vai fechar as portas do único centro de abate de coelhos da capital. A autarquia diz que já não faz falta. Mas, a responsável do matadouro discorda e alerta que com o encerramento são os consumidores alfacinhas os maiores prejudicados. E acusa o município de se demitir de um serviço essencial para a saúde pública.

Godinho Mira, director do Departamento de Apoio ao Consumidor da Câmara de Lisboa, diz que não. «A inspecção sanitária compete agora aos técnicos do IPPA (Instituto de Protecção da Produção Agro-Alimentar). Até aqui, o Instituto (antiga Direcção-Geral do Produtos Pecuários) delegava a competência da inspecção aos veterinários municipais, mas agora já tem o seu corpo de inspectores».

Ao cair da noite, a partir das 20h00, começam a chegar os primeiros coelhos ao Centro de Abate de Lisboa, no Mercado do Forno do Tijolo. Enjaulados aos vinte em cada coelheira, espera-os uma longa noite de repouso (?). Logo pelas 6h00 do dia seguinte, começam a ser inspeccionados. Os que são encontrados mortos -- quer pelo «stress», quer pelo calor do Verão -- são desde logo rejeitados. Pelo mesmo caminho vão os animais atacados de micsomatose, uma doença infectocontagiosa, transmissível aos seres humanos, e reconhecível por sintomas detectáveis nos olhos e nariz dos bichos.

Vísceras, peles e carcaças rejeitadas são regadas com um produto desinfectante e colocadas no lixo, que é transportado para a Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos, em Beirolas. «Há uns nove ou dez anos as peles eram aproveitadas, mas agora o mercado está pouco activo e já não as levam», explica Emília Sebastião, responsável do centro.

Uma draga da Sociedade Portuguesa de Dragagens afundou-se ontem, pelas 16h30, junto ao cais fluvial do Barreiro, devido a um rombo no casco. Segundo a Polícia Marítima, a «Eta» começou a meter água junto à proa cerca das 14h20, por razões ainda não determinadas. No momento do afundamento não se encontrava ninguém a bordo, e não se registaram quaisquer danos pessoais ou poluição das águas, nem tão pouco problemas de circulação marítima na zona. A embarcação havia atracado junto ao cais na sexta-feira, e deveria voltar amanhã ao serviço.

Os motivos que levaram Eduardo Osório a não autorizar o acampamento são dois, conforme explicou: «Primeiro porque está decidido, desde há anos, que o Covão d'Ametade encerra no Inverno; segundo, porque a lotação do terreno é para 40 tendas e o Nevestrela movimenta, em média, entre 500 e 600 pessoas. A experiência que colhemos de anos anteriores ditou a proibição, que mereceu a concordância do ICN».

Na Voz do Operário, à Graça, como em muitos outros locais da capital, o dia de ontem marcou o arranque dos festejos carnavalescos. Promovida por oito Juntas de Freguesia de Lisboa (Penha de França, Socorro, Ameixoeira, Santa Maria de Belém, Encarnação, Anjos, Pena e Alto do Pina), a matinée infantil incluiu a actuação de Carlos Alberto Vidal e do grupo "Pop Kids" e acabou com um concurso de máscaras. Sem fins lucrativos e inserida no projecto "Contigo Vais Longe", do Gabinete de Prevenção da Toxicodependência da Câmara de Lisboa, esta tarde de festa teve o mesmo destino pouco animado de muitas das iniciativas com que os adultos pretendem divertir os mais pequenos. Das 150 a 200 crianças esperadas, pouco mais de meia centena exibiam envergonhadamente as suas máscaras, à frente do palco, sob o olhar baboso dos progenitores e avós. Nem a história da "família Rex", que os Pop Kid cantavam alto e bom som, pôs a miudagem a mexer-se, limitando-se os mascarados a acompanhar a música com palmas pouco enérgicas. Para a noite a energia prometia ser já outra, onde os mais velhos, em tempo de primeiros namoros, tinham baile a partir das 22h00, com fim prometido para as 3h00. Cabeças de cartaz da "soireé", os grupos "Panteras Negras" e "Pintarolas e Smarties".

Para desbloquear grande parte do problema, o autarca negociou a dívida com os credores -- a Metalúrgica de Vale de Cambra e o gabinete de arquitectos Reis e Figueiredo -- e conseguiu "salvar" quase tudo. Mas o "perigo" impende ainda sobre a escola primária, uma vez que o processo judicial poderá estar numa fase em que se torna muito difícil voltar atrás. O assunto está a ser discutido pelo departamento jurídico da autarquia.

Jovens em busca de "um lugar ao sol" foram para o Algarve e caíram mas malhas da prostituição. A organização funcionava com raparigas menores que, para se "domesticarem", eram sequestradas e submetidas a maus-tratos. O negócio funcionou durante dois anos, até que a PJ de Faro desmantelou a rede, há oito meses. Agora, no seguimento das investigações, descobriram-se novos crimes: roubo e falsificação de documentos.

Depois de libertadas, sete das raparigas sequestradas contaram os maus tratos de que foram vítimas e a forma como foram enganadas: "Fechadas em casa, sem nunca sair, não sabíamos se estávamos no Algarve ou em Lisboa".

Fevereiro é o mês por excelência do Queijo da Serra. Um símbolo nacional que atravessa tempos difíceis. É que autarcas e entidades oficiais, quer do Estado, quer ligadas aos produtores, não conseguiram, depois de mais de cinco anos de trabalho, chegar a uma conclusão sobre a orientação a seguir na sua produção.

Dez concelhos eram abrangidos na sua totalidade -- Celorico da Beira, Mangualde, Gouveia, Oliveira do Hospital, Seia, Penalva do Castelo, Fornos de Algodres, Manteigas, Carregal do Sal e Nelas. Abrangendo algumas freguesias da sua área, ficavam inscritos os municípios de Trancoso, Guarda, Aguiar da Beira, Viseu, Arganil, Santa Comba Dão, Tábua e Tondela.

O anúncio da extinção da Zona Agrária de Moura e Barrancos está a provocar uma onda de revolta entre os agricultores da margem esquerda do Guadiana, região deprimida e em acelerada desertificação, afirmou Manuel Brito, presidente da Cooperativa de Agricultores de Moura e Barrancos. «É melhor fazer a fronteira pelo Guadiana e nós vamos pedir asilo político a Espanha.» A partir de agora um agricultor que viva em Barrancos, para tratar de qualquer assunto relativo ao seu trabalho, tem que se deslocar a Beja, que fica a 120 quilómetros. «Isto é uma desconsideração por aqueles desgraçados que ainda teimam em fazer agricultura na margem esquerda» desabafa Manuel Brito. Esta medida faz parte da nova reestruturação do Ministério da Agricultura, que sempre defendeu -- recorda aquele dirigente cooperativo -- a presença dos técnicos junto dos agricultores. «Queremos apenas que olhem para nós como gente e não como uma colónia de índios onde os grandes senhores de Lisboa vêm para fazer as suas orgias cinegéticas aos fins de semana».

Foi lá que nasceu, filho de uma mexicana e de um operador de câmara natural da Irlanda. O aspecto «exótico» -- pele morena, malares salientes, olhos rasgados, profundos -- garantiram-lhe as primeiras personagens: índios, sobretudo, bandidos, «gangsters». Foi assim em «The Plainsman», de Cecil B. De Mille (Quinn havia de se casar depois com a filha adoptiva do produtor), em «They Die with Their Boots on», de Raoul Walsh, em «The Black Swan», de Henry King, «The Ox-bow Incident» e «Buffalo Bill», de William A. Wellman, ou «Blood and Sand», de Rouben Mamoulian, tudo produções que datam do período 1936-44.

Num livro sobre Steven Spielberg, Philip Taylor conta que o realizador de «A Lista de Schindler» lhe descreveu um dia uma cerimónia religiosa judaica Hasidim em movimentos de câmara. Depois falou da luz, em focos, a atravessar a escuridão da sinagoga de Cincinnati, onde entrava pela primeira vez, os anciãos em silhuetas, o medo, primeiro, o deslumbramento, depois.

O preto e branco e a vertigem documental -- que coexistem com uma forte estilização, mas também aqui Spielberg faz várias coisas ao mesmo tempo... -- são perfeitamente adequadas, porque o que o realizador utiliza, para além dos relatos e da história de Oskar Schindler, o alemão que salvou mil judeus dos campos de concentração, é a sua memória e as suas sensações perante as imagens documentais do Holocausto. Spielberg não o viveu e, para ele, o Holocausto existe pelos relatos -- a voz que conta tem um papel importante no filme -- e por essas imagens.

O PSD está hoje transformado num partido federalista. O seu projecto para Portugal é o da progressiva transferência de soberania nacional para Bruxelas. Os seus dirigentes temem confessar o seu federalismo em público. Mas já não conseguem escondê-lo. As provas abundam. Vejamos apenas duas.

Em segundo lugar, o PSD assinou em Bruxelas, a 10 de Dezembro de 1993, o manifesto eleitoral do Grupo Liberal e Reformista do Parlamento Europeu para as eleições europeias de 1994. Nesse manifesto defende-se claramente o «federalismo descentralizado» para a Europa, o que, trocado por miúdos, significa que Portugal passaria a ter na Europa a mesma importância e pior estatuto que o Alaska ou o Texas têm nos EUA, o Uzbequistão tem na CEI ou que o Kosovo tem na ex-Jugoslávia. Como se vê, um futuro promissor...

Não sei se já se terá dado conta da forma anormal como a Câmara Municipal de Amadora faz uso dos dinheiros públicos. Digo anormal, pois seria lógico esperar que aquela câmara se preocupasse mais com a funcionalidade da sua autarquia do que com a beleza dos seus jardins. Basta ver como ficou a nova estação da CP. Muito bonita mas de uma funcionalidade duvidosa. A única coisa que ali se conseguiu foi evitar que os utilizadores cruzassem a linha, porque a plataforma ficou mais estreita, faltando espaço para que as pessoas esperem em segurança a chegada dos comboios. As saídas que fizeram frente à Câmara Municipal e frente ao jardim da estação (...), além de ocuparem um espaço precioso para estacionamento, podiam ter sido mais práticas para os inválidos. Parece um carrossel. Um pandemónio.

Um verdadeiro pandemónio é quando se pretende entrar na Praceta Notícias da Amadora, onde estão os estúdios de uma emissora de rádio, vindo da Estrada da Falagueira. O automobilista tem de dar duas voltas à praceta para entrar, caso contrário arrisca-se a ser multado por cruzar um traço contínuo. Um pandemónio. O mais engraçado é que, segundo informações que recolhi na própria Câmara, a autoria desta incrível alteração deve-se a uma senhora autarca do pelouro do trânsito que nem sequer carta de condução tem. (...)

(...) São de arrepiar as altas velocidades que se praticam em artérias movimentadas dos nossos núcleos urbanos. São de arrepiar as contínuas passagens de semáforos em situação proibitiva. São de arrepiar os ziguezagueares tortuosos das potentes motos por entre o emaranhado do tráfego. São de arrepiar as manobras perigosas em zonas de má visibilidade.

Mas voltemos ao tema principal. Andar com um automóvel, todos o sabemos, é um acto social. E para além de ser social, é perigoso. Na estrada podemos matar ou ser mortos. Na crueza desta afirmação subsiste a realidade de um quotidiano que muitas vezes se quer escamotear ou minimizar e que, como a morte, tem sempre desculpa, recorrendo à semântica da palavra «acidente» ou à força das circunstâncias. Se fulano ou sicrano matou ou foi morto, diz-se que foi fruto do acaso, de acidente, sempre, ou quase sempre, de natureza involuntária.

O ministro da Administração Interna continua firme na sua posição: não vai haver novo período de legalização extraordinária de imigrantes em situação irregular, ou seja, sem autorização de residência.

Tudo indica que ficaram por legalizar mais de 40.000. Onde estão? Nos bairros degradados, nos estaleiros das obras, nos subterrâneos da outra face da moeda desta nova ideologia do sucesso.

A notícia inserida na edição do PÚBLICO de 30 de Janeiro passado com o título «Guia Fiscal 94» carece de clareza, ao suscitar a curiosidade do leitor -- potencialmente o declarador de IRS -- para a descoberta (...) de que se pode deduzir até ao máximo de 260 contos o valor do aluguer, na declaração de IRS.

Democrática e fomentadora de mais igualidade. Na mesma linha, proponho quotas, estabelecidas de acordo com as correspondentes percentagens da população, para outros grupos igualmente marginalizados na política nacional: uma quota para analfabetos, outra para deficientes físicos e outra para deficientes mentais, uma quota para crianças (sem esquecer as recém-nascidas), uma quota para prostitutas e outra para drogados, uma quota para estudantes, outra para trabalhadores rurais, outra para empregadas domésticas e outra para empregadas de escritório, uma para ladrões (talvez esta não seja necessária) e outra para assassinos, quotas para homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais, quotas para pessoas de olhos azuis, verdes, castanhos, e ainda, porque não, uma quota especial para pessoas sem medo do ridículo (mas esta talvez também não seja necessária).

Sábado, dia 29 de Janeiro, às 14h30 estaciono o carro na placa central diante das Amoreiras, segundo o imperativo gesto-aviso do «arrumador». Volto meia hora mais tarde e deparo com uma multa no pára-brisas.

«Mentira», continua, «aqui está escrito que vive em Carnaxide.» Explico-lhe que a Cruz Quebrada pertence a Carnaxide, Oeiras.

Roubo aqui algum espaço para lavrar uma espécie de protesto, ao qual julgo ter inteiro direito como cidadão que, todos os meses, paga, coercivamente, a taxa de radiodifusão.

Espero sinceramente que o dr. Arlindo de Carvalho ponha ordem naquela casa e, sobretudo, que lhe devolva alguma dignidade.

Na ordem das ideias e como aventura histórica, o socialismo, nas suas diversas expressões, foi e continua sendo, como horizonte político e social utópico, uma invenção e uma realidade europeia. Fora da Europa, o seu enraizamento abstracto, importado ou mimético, no fundo, um subproduto do colonialismo e do imperialismo europeus, degenerou, como era previsível, em caricatura trágica ou burlesca. Na própria Europa, onde durante séculos o seu discurso utópico e a sua tradução empírica desempenharam o papel que Hegel atribui à «negatividade», os poderes e as forças tradicionais não só impediram o socialismo de ocupar duradouramente a cena política, como o obrigaram a travestir-se e mesmo a inverter o seu ideário de libertação social. O que na Rússia, europeia e excentrada da Europa, onde o socialismo é filho da História, podia ser tido como natural, na Europa de Kant e de Mazzini só podia ser, em sentido próprio, voluntaristamente totalitário. Não «tirania», no sentido antigo ou oriental do termo, mas assunção ideológica sem remorsos de um sistema organicamente antidemocrático. Desta perversão, tipicamente europeia, Hannah Arendt ofereceu-nos o retrato, ainda hoje, inultrapassado.

Teoricamente desarmado numa fase em que a «monstruosidade» estaliniana justificava todas as carências, como a desordem conquistadora do capitalismo na sua fase moderna, alheia a toda a preocupação social, também a dispensava, o socialismo -- se por isso se entende a presença, a acção, o impacto dos partidos socialistas nas respectivas sociedades -- ocupou um espaço próprio e por momentos pôde crer que ao menos na Europa era o horizonte incontornável do destino europeu. E provavelmente esta crença, ou esta ilusão, teriam conhecido um princípio de sucesso, se por uma destas coincidências não fortuitas esse papel de primeiro plano, devolvido, enfim, ao socialismo europeu, não coincidisse com o momento em que a Europa ia entrar não só numa fase de crise económica de ressonância universal -- crise do petróleo e suas consequências --, mas de histórica subalternização no contexto omnipresente de uma economia planetária. François Mitterrand pensa inaugurar uma era nova na história da esquerda liberal -- sob a égide do socialismo no instante mesmo em que a Europa no seu conjunto perdia a capacidade de tornar ainda universais (e exemplares) os seus modelos culturais, ideológicos e políticos.

Não se pode dizer que tenha sido a aplicação do altruísta princípio: «Dar bem sem olhar a quem.» Pelo contrário, os anónimos sabiam a quem estavam a dar. O partido é que não sabia de quem recebia. Estava inocente da proveniência dos donativos anónimos que de forma substancial lhe garantiram a campanha eleitoral local. Até agora, foi difícil perceber se é um dos anónimos, ou não, o empresário aveirense Silva Vieira que declarou ter doado cinco mil contos para a compra da sede concelhia do partido do Governo e ter emprestado um prédio seu para a candidatura presidencial de Soares Carneiro. Mas custa a crer que seja, efectivamente, anónimo tal doador...

Esta nova lei veio, alegadamente, alargar as fontes de financiamento dos partidos e criar maior transparência, mas a dúvida fica, como o refere José Manuel Meirim no seu lúcido e exaustivo livro «O Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais» da Aequitas/Notícias, a publicar em breve, se a coberto da defesa da transparência não se limitou o legislador a aumentar as fontes legais de financiamentos dos partidos...

1. Num estilo sóbrio, os bispos portugueses acabam de publicar um documento muito curioso sobre o tão falado novo Catecismo.

No meio das repetições surge, de forma muito discreta, uma declaração capital acerca deste compêndio nascido para expor «toda a doutrina católica» e apresentar ao homem de hoje «a mensagem cristã na sua integridade e totalidade». Os bispos portugueses dizem, com efeito, que neste grande empreendimento se observa a regra de ouro recordada pelo Concílio, isto é, o respeito pela «hierarquia das verdades» (n.8; 35).

‚ Uma mulher chinesa casada em cada quatro abortou pelo menos uma vez na sua vida, segundo uma sondagem da Associação Nacional de Mulheres da China? A taxa de abortos na cidade é mais elevada do que no campo. Em Shangai, por exemplo, 41 por cento das mulheres abortaram pelo menos uma vez na vida. Em Pequim são cerca de 35 por cento as que estão neste caso. Os abortos entre as mulheres não casadas têm tendência para aumentar.

‚ Mais de 640 mil, que se encontravam nos países vizinhos. Segundo a Rádio Moçambique, as províncias de Tete e do Niassa do Norte, Zambézia, Manica e Sofala, no Centro, e Gaza e Maputo, no Sul, foram as que acolheram elevados números de retornados.

Fui a Cuba em 1963 integrado na escassa delegação portuguesa dirigida por Carlos Ramos ao Congresso da União Internacional dos Arquitectos. Como suspeitava com razão que não me deixariam entrar nos Estados Unidos no regresso de Cuba, e desejoso de conhecer qualquer coisa deste país aproveitando a travessia atlântica, comecei a viagem por Nova Iorque. Continuei até à Cidade do México por estrada, num autocarro da Greyhound, rolando durante noites e dias por Pittsburgo, S. Luís, Dallas e San António, onde senti os primeiros vestígios da herança hispânica.

Na sessão de encerramento, Fidel fez um longo discurso (que colegas cubanos disseram ter sido o mais breve que jamais tinham ouvido). Dele trouxe uma gravação que a rádio estatal me cedeu depois de muita insistência, pois a fita magnética era importada da RDA e havia uma tremenda falta de divisas. De regresso a Portugal dei-a a ouvir em casa a grupos de amigos e até organizei uma audição no então Sindicato dos Arquitectos que, como se soube, tinha direcções de esquerda. Essa gravação foi-me apreendida mais tarde pela PIDE numa das rusgas que fez à minha casa. Mas retive a versão escrita do discurso, que agora reli com alguma emoção.

‚ O social-democrata Martii Ahtisaari vence a segunda volta das eleições presidenciais finlandesas, com 53,9 por cento dos votos.

‚ O primeiro-ministro chinês, Li Peng, inaugura a maior central nuclear do país, situada na baía de Daya, a apenas 30km da colónia britânica de Hong Kong.

‚ O Presidente norte-americano, Bill Clinton, recebe em Washington o seu homólogo do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev.

‚ O comissário da Expo-98, Cardoso e Cunha, debate com o Conselho Empresarial do Norte, no Porto, a Exposição Internacional de Lisboa.

Ao contrário do que é sugerido na nota «Homem multifacetado», inserido no PÚBLICO &NOTÓRIO de ontem, o major Valentim Loureiro não esteve presente no debate da SIC sobre as FP-25. O empréstimo de 18.000 contos a Otelo Saraiva de Carvalho foi apenas confirmado pelo próprio e por um dos moderadores do debate.

2 -- Espera-se que o Presidente não caia no alçapão de encarar e discutir os problemas do ambiente apenas do ponto de vista circunstancial, ou seja no tempo e no local em que as suas consequências, medidas por poluições, se avolumam, quer nas embocaduras dos rios, quer nas rias e nas lagunas, quer ainda nas «cidades» consumidoras, em resultado da acumulação anormal e crescente dos resíduos dos materiais deixados pelos procedimentos industriais e familiares. Isto é, que não tenha a ideia de aceitar, como boas, as terapias tecnológicas em cascata, a juzante, para resolver os problemas que lhe irão ser apresentados e cuja existência, cada vez mais grave, resulta da forma ignorante, egoísta, displicente e não raro arrogante como o homem intervém, explorando os recursos da Terra. Da responsabilidade dessa intervenção se procura desvincular, como se toda a degradação que existe à sua (à nossa) volta seja produto da acção de extraterrestres maldosos e agressivos que, a coberto de impunidade, procuram dificultar a vida do género humano ao ponto de porem em causa a sua permanência à superfície do globo terrestre. Curiosamente todos nós temos como certo que o homem é, no Cosmos, um ser inteligente (talvez único), isto é, possuidor de um cérebro tão volumoso quão complexo que lhe permite pensar e falar, portanto transmitir o pensamento, prever o futuro e até, estranhamente, conceber o infinito, o que torna difícil entender que crie uma situação que, a longo prazo, conduzirá ao suicídio.

Finalmente, mudei de casa! Esta semana, por maior que seja a minha consciência cívica, só este acontecimento, após mais de três anos de tormentos, tem um qualquer relevo. Para trás, ficaram 18 meses à espera de autorizações, pareceres, consultas, vistorias (e «vestorias», termo de recente aquisição...), exames, fiscalizações, correcções, rectificações e prorrogações, sem contar o que se deve pagar por isso tudo, mesmo pondo de parte, como fiz, o pagamento de luvas. «Ficaram para trás», é... uma maneira de dizer. Na verdade, ainda falta concluir muitos destes processos. A água corrente, as águas residuais, a água quente, o aquecimento, o gás, os esgotos, o telefone, a electricidade, a coluna que é preciso fazer uma nova, a antena de televisão que já não serve, a inspecção dos bombeiros, para meu bem, evidentemente, a fiscalização da saúde, também para meu benefício, a análise das cores pelo Serviço das ditas, apesar de a casa ter azulejos e não ter cores, a vistoria ao quarto de dormir, que não pode ser onde os senhores querem, apesar de lá ter dormido durante 20 anos, as telas finais, a licença de habitabilidade que ainda não chegou, a aprovação quase revolucionária do Projecto RITA para os telefones, que agora são da CEE, perdão da CE, isto é, da UE, de tudo isto ainda faltam muitas coisas, só não digo quais, por receio de represálias...!

Para trás, mas com saudades, ficou a empresa Galamas, a mais eficiente, pontual, bem educada, delicada e cuidadosa de todas as empresas portuguesas que jamais contactei e que, durante dois anos, guardou milhares de objectos, com carinho igual para um cálice de cristal ou para um horrível armário, e tudo conservou e transportou, sem um único incidente! Quando for grande, darei o colar de honra do Mérito Industrial ao Galamas!

Por lapso, de que pedimos desculpa aos leitores, no artigo publicado no passado dia 11 na edição Local-Lisboa, sobre a abertura de Lisboa-94, e intitulado «Uma noite especial do Bairro Alto à Graça», não se referia a data do início do evento -- que é dia 26 de Fevereiro.

O secretário-geral do PCP assistiu à recente entrevista concedida pelo primeiro-ministro e viu um Pilatos a lavar as mãos, de costas viradas à «bicefalia e litoralização do país». Para Carvalhas, a recusa do PSD face ao inquérito parlamentar sobre o caso Totta proposto pelo PCP revela a mesma atitude. A postura do partido da maioria em relação ao «esbanjamento dos dinheiros públicos para efeitos eleitorais» nos Ministérios da Saúde e das Obras Públicas, ao financiamento dos partidos, à evasão fiscal, à corrupção, ao desemprego, ao trabalho infantil e aos salários em atraso mostra, disse ontem Carlos Carvalhas, outros tantos Pilatos.

Foi com uma mensagem de optimismo e de confiança na vitória nas próximas legislativas que o secretário-geral do PS encerrou, ontem, em Penafiel, a sua visita ao distrito do Porto. António Guterres afirmou que, se as eleições fossem hoje, os socialistas derrotariam os sociais-democratas por uma margem sensivelmente idêntica à das últimas autárquicas e definiu o desemprego crescente e a perda do poder de compra dos portugueses como os dois principais problemas políticos da actualidade.

Numa visita breve a Penafiel, que passou quase despercebida da população local, António Guterres foi recebido nos Paços do Concelho pelo presidente da Câmara socialista, Agostinho Gonçalves. O antecessor de Gonçalves, o ausente Justino do Fundo, não foi poupado pelo secretário-geral do PS. Sem nunca mencionar o nome do autarca que trocou de partido em vésperas das eleições ou lembrar expressamente a derrota de Justino do Fundo depois da sua transferência para o PSD, Guterres agradeceu aos penafidelenses o seu contributo para que «a ética triunfasse na vida política».

O CDS-PP tem mais militantes, mais novos e urbanos e as estruturas locais estão a ser relançadas. É o resultado da revolução Monteiro, que cortou nas despesas correntes e informatizou o Caldas. Está tudo no relatório que Ribeiro da Costa apresentará ao Congresso e o PÚBLICO hoje divulga. Resta saber se o perfil do senhor PP será actualizado em Setúbal.

De 23.177 filiados, o CDS-PP subiu para 24.777, todos com paradeiro conhecido. Há a acrescentar a estes mais 3.129 inscritos, por enquanto guardados no «ficheiro secundário onde estão albergados todos os nomes de militantes cujas moradas se desconhecem».

Estar a viver uma insólita viagem no tempo foi provavelmente a sensação experimentada por Manuel Monteiro, quando, há menos de dois anos, acompanhado da sua equipa, entrou na sede do Caldas para tomar as rédeas da direcção do então ainda só CDS (sem PP).

Mas a revolução Monteiro não ficou por aqui. Criou um «Gabinete de Marketing». Aprovou um regulamento de admissão de militante, com o objectivo de facilitar os canais de comunicação, e um novo cartão de filiado, «mais moderno, mais atraente e mais resistente». E procurou implantar um sistema eficaz de cobrança de quotas, que ainda não funciona devido à «falta de interesse e empenho dos órgãos locais». Que são também responsabilizados por tornar «inglório» o projecto de actualização do cadastro de património imobiliário do CDS-PP, partido proprietário ou arrendatário de 90 sedes, em muitos casos desaproveitadas e reduzidas a «capelas de família».

Potencial «líder», «extrovertido» e «ambicioso» são algumas das características da figura tipo do militante do CDS-PP. O perfil foi traçado pelo Departamento de Marketing centrista através de um inquérito distribuído aos delgados presentes, o ano passado, no Congresso da Póvoa do Varzim.

A representação por sexos nos congressos dos centristas é esmagadoramente masculina. Aliás, os homens aumentaram na Póvoa (89, 23 por cento) em relação ao Congresso de Lisboa, em que atingiam os 86 por cento. Em contrapartida, a média de idades baixou. No Hotel Altis, a geração maioritária situava-se entre os 45 e os 54 anos (24,9 por cento), vindo logo a seguir os delegados entre 55 e os 64 anos (24,5). Na Póvoa, o grupo mais representado tinha entre 35 e 44 anos de idade (22,5 por cento). De salientar que, enquanto em Lisboa estiveram apenas 24 delegados com 24 anos ou menos, na Póvoa 105 delegados ainda não tinham 25 anos. S.J.A.

Desde sexta-feira que o Rio de Janeiro é pura folia. Homens vestidos de mulher, mulheres despidas, «gays» de todos os continentes, ricos, pobres, remediados, todos estão nas ruas, divertidíssimos, com a irreverência de sempre, a participar na mais expressiva manifestação cultural da Cidade Maravilhosa.

Os agentes de segurança estão preocupados com a presença do Presidente Itamar Franco no sambódromo hoje à noite. O camarote onde ficará instalado está muito perto da pista e ele é avesso a qualquer medida que possa tolher a sua liberdade pessoal. «Não me preocupo com essas coisas», disse já. Será a primeira vez que um chefe de Estado brasileiro comparecerá ao desfile dos sambistas.

O mau tempo continua radical em diversas partes do planeta: nos Estados Unidos, nevões, chuva gelada e até um sismo de pequena intensidade atingiram o nordeste do país no que é tido como o pior Inverno dos últimos 16 anos em toda a costa Leste -- incluindo Nova Iorque e Washington; no Japão, um nevão "estranho", como "não se via há 25 anos", caiu ontem sobre Tóquio provocando pelo menos um morto e obrigando à anulação de 700 voos; na Rússia, em Moscovo, foi batido o recorde de frio deste Inverno, com as temperaturas a descer aos 36 graus negativos e, em certas zonas do país, foi decretado o estado de emergência devido a temperaturas de 45 graus negativos. No Perú, pelo menos 15 pessoas morreram na sequência de chuvas diluvianas.

A Comissão Internacional Baleeira (CBI) deverá brevemente rever as suas estimativas sobre a população mundial de baleias no mundo, após a revelação de que as frotas da ex-União Soviética, durante 40 anos, abateram milhares de espécies protegidas, revelou ontem o jornal britânico "Guardian". Segundo este diário, o comissário russo na CBI deverá anunciar a 20 de Fevereiro a amplitude dos massacres a cetáceos pelas frotas soviéticas. "Sabíamos que havia uma falha nos nossos cálculos. Agora temos conhecimento de que milhares de baleias que nós pensávamos protegidas foram sistematicamente massacradas", disse o presidente da CBI.

Têm todos mais de 20 anos, mas pegam à primeira, gastam pouco e não dão grandes problemas de mecânica. E arrumam-se em qualquer lugar. São os Fiat 500 e 600, modelos muito populares da década de 60, que agora começam a ser vistos com outros olhos. É que, ao atingirem os 35 anos, podem valer o equivalente a dois Mercedes novos!

Um Fiat 600, «vermelho Ferrari», com tecto de abrir, vidros fumados, jantes especiais em rodas largas, ignição electrónica e tablier de um Alfa Romeo? «Do original só restam as linhas», diz o dono, Aurélio Rodrigues, de Leiria. Hoje, só usa o carro para passear, mas «durante muitos anos foi passar férias a Espanha com um atrelado-tenda atrás».

Jaime Teles, 35 anos, mudou de atitude mas o medo é o mesmo. Tem dois filhos e resistiu bastante até decidir mandá-los para a escola Básica Integrada de Fronteira. A filha tem 12 anos e «foi três ou quatro semanas depois do início das aulas». O mais novo tem seis e «por isso» só foi no segundo período. «Andei a tentar que a primeira classe fosse para a escola de cima, que está fechada, mas não conseguimos».

E só mudou de comportamento por constatação. «Talvez por me convencer que vou ter que viver com esta situação. Mas estou contrariado em ter o meu filho na primeira classe».

A história da segregação de duas crianças seropositivas chegou a transformar Fronteira num símbolo de intolerância. Hoje não é bem assim. Depois da recusa inicial, quase todos os pais cederam. Por causa deste caso a vila alentejana até pode ser «a população de Portugal mais bem informada sobre sida». Mesmo assim o medo permanece. Porque esse é por vezes ilógico.

Isso e quando Claúdio, o irmão seropositico mais velho, sangra. Há quem diga que «são litros», «de todo o lado», «quase todas as semanas». Mas o enfermeiro João Miguéns pega numa caneta e faz um círculo de dois milímetros de diâmetro a mostrar o tipo de sangramento. «São coisas muito ligeiras.»

O rapaz que veio da ponta leste da Madeira ou tem mau feitio ou desenraizou-se. Veio ao Continente pagar os custos da insularidade. Com juros tão acrescidos que o deixaram realmente descalço, isto é, em vez de ter apanhado o avião e estar a almoçar um peixe cozinhado pela mãe lá na terra, anda perdido em peúgas num tribunal de Lisboa.

O carro da polícia arrancou a sirenar pela pista, os agentes entraram na aeronave e aí encontraram um passageiro inanimado, sem sinal aparente de raciocínio. Engano. Como sublinha o polícia relator do auto de detenção, o que ele ele estava era a «simular um desmaio», conclusão retirada de um acontecimento: «Repentinamente agrediu-me a pontapé», quando desciam as escadas de serviço, ao que o rapaz, ainda ao colo dos agentes, juntou uns murros e umas injúrias que caíram mal na honra da autoridade.

Os agricultores de Feira de Santana -- região da Bahia, Brasil, com cerca de um milhão de habitantes numa área equivalente a uma vez e meia o território português -- costumam fazer dois desenhos: no primeiro, traçam o estado real actual das duas propriedades; no segundo, projectam o modo como gostariam de a ver. Depois, com a ajuda de um agrónomo, discutem o que é viável e elaboram o plano em função disso. A região era tradicionalmente vocacionada para a criação de cabras leiteiras e foi transformada em zona de plantio de feijão e milho.

Naidison foi um dos estrangeiros convidados pela Oikos-Cooperação e Desenvolvimento, para o colóquio «Culturas e Desenvolvimento», que ontem, ao fim da tarde, terminou em Lisboa, com a presença de ex-secretário-geral das Nações Unidas, Perez de Cuellar.

DUAS VERDADES universais correm em algumas casas de Fronteira. A da enfermeira que em vez de estar na Escola Básica Integrada está lá em baixo, no centro de saúde, e a das ovelhas, que pastam e se passeiam no meio dos alunos da escola.

Desde que fez o curso de Enfermagem em Portalegre que Miguéns gosta da «área de saúde escolar» e por isso foi o escolhido, no centro de saúde da vila, para ocupar a enfermaria da escola onde o Cláudio e o César, os irmãos hemofílicos e seropositivos, são alunos desde Setembro. «Em toda a Comunidade Europeia sou o único enfermeiro a trabalhar a tempo inteiro numa escola». Não é bem orgulho, pelo menos diz que não. É mais «pioneirismo».

Há sete anos que o país tem um Governo apoiado por uma maioria absoluta que foi duas vezes eleito com a promessa de que faria as grandes reformas estruturais que a instabilidade política antes não deixara fazer. Por coincidência, foi o período de maior prosperidade económica e simultaneamente de acalmia social, segundo o mesmo Governo.

Há motivos fortes para isto, além da falta de um modelo. O primeiro é que grande parte dos beneficiários de hoje, principalmente das pensões de reforma e sobrevivência, não contribuíram para o sistema. Isto é, não estão a receber o que foi capitalizado com as suas contribuições. A protecção social destes portugueses não é sequer discutível. Mas, atendendo aos antecedentes, e mesmo sem contestar os valores da solidariedade e a função de redistribuição que desde sempre caracterizou os sistemas de Segurança Social, era da responsabilidade exclusiva do Estado.

No próximo dia 4 de Março passam seiscentos anos sobre o nascimento do Infante D. Henrique. E no próximo dia 4 de Março o Público assinalará essa data com um suplemento especial para ler e guardar. Nele se retomarão as grandes polémicas que têm dividido os historiadores a propósito da figura e do papel do Infante, se revisitarão os locais onde viveu e trabalhou e se dará a palavra aos melhores especialistas portugueses e estrangeiros. A realização desse suplemento foi possível graças ao apoio da Companhia de Seguros Bonança e à colaboração da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

Esta tónica foi, em tudo, oposta à da primeira parte, em que fora o Setúbal a melhor formação em campo, em especial depois de ter inaugurado o marcador aos 11 min., por Paulo Gomes, a finalizar um contra-ataque rápido conduzido por Yekini. Até ao intervalo, o Sporting pouco fez para chegar à igualdade, enquanto o Setúbal até poderia ter dilatado a vantagem se Veiga Trigo tivesse marcado uma falta dentro da área sobre Sessay.

SANGALHOS BATEU OVARENSE -- O Sangalhos venceu a Ovarense, por 102-97, num jogo que só ficou decidido após prolongamento, a contar para a 11ª jornada do «Nacional» de basquetebol, série A1. Invicto na frente do campeonato continua o Benfica, que bateu em casa o Illiabum, por 95-77. O Sporting e o Esgueira também ganharam fora, respectivamente ao Beira Mar (97-77) e ao Estrelas da Avenida (70-68). O FC Porto-Queluz, que se disputa hoje, completa esta jornada.

Americanos abandonam Belgrado -- Os Estados Unidos ordenaram às famílias dos diplomatas e empregados da embaixada norte-americana em Belgrado para deixarem o país, anunciou ontem o Departamento de Estado em comunicado. O Departamento de Estado adverte igualmente os cidadãos americanos para não se deslocarem à Sérvia e Montenegro «devido ao conflito em curso na Bósnia-Herzegovina e às suas potenciais repercussões». Um porta-voz do Departamento de Estado precisou que a partida das famílias do pessoal diplomático é «uma medida de precaução».

Álvaro Beleza candidato a secretário-geral do PS -- O médico portuense Álvaro Beleza confirmou ontem, em Aveiro, que vai candidatar-se ao cargo de secretário-geral do PS na convenção do partido, em 19 e 20 Março. Álvaro Beleza surge também como um dos subscritores da moção «Resistir e Ousar», que recebeu o apoio de militantes de 15 distritos e que apresenta como principais referências os nomes de Mário Soares e Jorge Sampaio.

Polícia indonésio condenado por ajudar Xanana -- O cabo Augusto Pereira, acusado de ter facultado esconderijo a Xanana Gusmão durante os três anos que precederam a detenção do líder timorense, foi condenado a 18 meses de prisão pela justiça indonésia. A sentença contra Pereira, um polícia indonésio de origem timorense, de 44 anos de idade, foi proferida na última quinta-feira pelo Tribunal Militar de Díli e ontem noticiada pela agência Lusa com base em declarações de um funcionário daquele tribunal. Timor esteve ontem no centro das atenções também na cidade australiana de Darwin, onde o primeiro-ministro, Paul Keating, no seu primeiro contacto com a resistência timorense, recebeu um livro sobre a vida no território. A entrega do livro, uma compilação de testemunhos de timorenses entre 1942 e 1992, foi assinalada com uma manifestação organizada pela comunidade timorense e por australianos solidários com a causa de Timor-Leste, durante a qual o Executivo de Keating foi acusado de ignorar deliberadamente as violações de direitos humanos cometidas por Jacarta no território.

Apoiada pelo bispo de Setúbal, Manuel Martins, e pelo deputado Guilherme Oliveira Martins, a angolana Vuvu Nsimba Grace, desde quarta-feira de manhã retida, com a filha de três anos, no aeroporto de Lisboa, pediu ontem oficialmente uma autorização de estada extraordinária em Portugal por motivos humanitários, em carta enviada ao Ministério da Administração Interna

«Neste momento está tudo na mesma», disse Manuel Martins, que assinou o apelo -- como testemunha -- na qualidade de presidente da Comissão Episcopal das Migrações. «Era a única coisa que podíamos fazer.»

Uma vasta operação desencadeada em Ponte da Barca pela GNR e pela Polícia Judiciária culminou, anteontem à noite, com a detenção de cinco indivíduos, dois dos quais terão alegadamente participado no tiroteio em Aldão, Guimarães, de que saiu ferido com gravidade um agente da PJ de Braga.

O cidadão franco-argelino Matallah Farid -- que há meio ano espera ingloriamente, numa aldeia minhota, um sinal de aceitação por parte da jovem portuguesa por quem se apaixonou -- terá mesmo de abandonar o país, segundo a agência Lusa, que cita fontes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Isto apesar da sua actividade como futebolista num clube local e do contrato de trabalho que lhe foi prometido, nesta semana, por um empresário de confecções.

Estreou a 7 de Janeiro e está a fazer uma boa carreira comercial, quer em Lisboa, quer no Porto. Mas a crítica de cinema continua a arrasar «A Casa dos Espíritos». O filme de Bille August, co-produção europeia com participação financeira do IPC, foi rodado quase todo em Portugal. Se a Assembleia da República passa por sede da junta fascista chilena, à «superprodução» não escapou nada. No filme surgem ainda o Palácio das Necessidades, onde está instalado o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o edifício da Câmara Municipal de Lisboa e, entre outros, o Palácio Nacional de Queluz. Os chaimites do Exército português são utilizados como tropa de choque do golpe fascista no Chile.

Mas a questão não é só de gosto. Como perguntava Mário Jorge Torres, crítico de cinema, no PÚBLICO, «em nome de que santo contribuiu o Instituto Português de Cinema com verbas para um filme que reduz os cenários portugueses (temos de pagar para que venham banalizar a nossa paisagem?) a mero macaqueio carnavalesco?»

O «Paulo Trancoso apresenta....» que aparece nas cópias portuguesas do filme «A Casa dos Espíritos», de Bille August, foi acrescentado à cópia original. Na versão que passa na Europa, a referência aos portugueses aparece em letras pequenas no fim do filme e só o nome do produtor alemão e do co-produtor dinamarquês aparecem no início do genérico. Paulo Trancoso, o co-produtor português do filme já disse em entrevista ao semanário «Sete» que, «para as próximas vezes, nunca mais haverá essa falha» e que houve uma má leitura dos contratos.

O fax ficou sem resposta. Ficam aqui as perguntas: «Quais são os direitos que foram negociados para `A Casa dos Espíritos'? A Costa do Castelo ficou com direitos sobre o negativo? E aproveita em termos financeiros algum do sucesso do filme?» «Quais são as contrapartidas, para o co-produtor português, por ser uma co-produção e não uma produção executiva?» «Foi fácil ou não conseguir autorização de filmagem em lugares como a Assembleia da República, a Sociedade de Geografia, etc.? Quanto se pagou?» E por fim: «O que tem a dizer à crítica especializada portuguesa, que considera que o filme vampiriza a paisagem portuguesa -- roda-se em Portugal um filme cuja acção decorre algures na América Latina e em que a sede do Parlamento português passa por sede da junta fascista chilena?»

O Cuíto esteve imune à guerra durante quatro meses. Mas era uma paz podre, feita de militares postados frente a frente 24 horas em cada dia, marcando fronteiras numa cidade completamente destruída. Aqui só ficou quem não pôde sair. Os últimos a fazê-lo foram os elementos das organizações humanitárias, deixando ainda mais desguarnecida a população já faminta. No passado fim-de-semana, as tropas da UNITA e do Governo voltaram a envolver-se em escaramuças. Por uma história de lenha, diz-se. O reacender dos conflitos podia ter comprometido as negociações que decorrem em Lusaca, a capital da Zâmbia, desde Novembro. Mas Savimbi, em entrevista ao PÚBLICO, garante que a UNITA vai manter o diálogo pela paz em Angola.

O Cuíto -- cidade a que a UNITA chama Bié, o nome da província de que é capital, em homenagem a um antigo soba da região chamado Vyié -- viveu nesta situação durante mais de quatro meses, desde que, em 20 de Setembro, entrara em vigor um cessar-fogo «in situ», proposto pela UNITA e aceite na prática pelo Governo, que consistia em que as forças dos dois lados mantivessem as posições no terreno. Surgiram vários «muros de Berlim». Aquele oficial das forças governamentais que ia almoçar a casa naquela quarta-feira era um exemplo das dezenas de famílias que a guerra separara naquela cidade. E, mesmo assim, estava pronto para novos confrontos: «Se vou combater mais? Isso não depende mais de mim. Se, em Lusaca, não houver acordo e me mandarem disparar, não tenho outro remédio.»

Jonas Savimbi voltou a criticar o Governo português e o primeiro-ministro Cavaco Silva, que disse ser «militante do MPLA». Falando a jornalistas portugueses, o líder da UNITA disse que o seu partido continua apostado nas negociações de Lusaca. Sobre se a sua morte seria uma solução para o conflito angolano, disse ao PÚBLICO que está absolutamente vigilante e que daí adviria «uma situação que ninguém mais iria controlar». Mas diz-se disposto a aceitar o estatuto de líder da oposição...

PÚBLICO -- O recente reacender dos combates no Cuíto e o bombardeamento aéreo do dia 7 de Fevereiro ao Huambo vão comprometer a participação da UNITA nas conversações de Lusaca?

De West Hollywood para «Noite», que Eduardo Guedes começa hoje a filmar. Uma actriz americana para a personagem de uma americana geografica e emocionalmente perdida em Lisboa. Antes passou por «O Rei Pescador». Amanda Plummer, filha de Christopher Plummer.

«Comecei como actriz de teatro em Nova Iorque, `off' e `on' Broadway mas tive de sair porque fiquei sem dinheiro. Os problemas actuais do teatro americano são vários: subestima-se a capacidade do público, sobe-se o preço dos bilhetes... Financeiramente cheguei ao fundo», conta a filha de Christopher Plummer. «E tive que começar de novo, como muitos actores nova-iorquinos, indo para LA. Não é que anteriormente não estivéssemos interessados em cinema, mas enquanto trabalhava em teatro não pensava nisso, porque nunca pensei em termos de carreira, nunca fiz opções com implicações monetárias, para poder comprar um certo tipo de casa, etc.» E é assim que descreve Beverly Hills: «A regra é enriquecer, não ter nada pessoal nas paredes das casas -- muita arte, muito cara, mas sobretudo nada de pessoal. Deprimente».

Os três ex-Beatles, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, darão este ano um concerto em Central Park, Nova Iorque, durante o qual os dois filhos do falecido John Lennon, Sean e Julian, subirão ao palco, divulgou ontem o jornal britânico «Mail on Sunday», citando fonte anónima. Por outro lado, o jornal «Independent on Sunday» anunciou também ontem que George Martin, antigo produtor do grupo, se prepara para lançar um CD de inéditos deste grupo, entre os quais «Etcetera», cantiga de Lennon e McCartney, que este não permitiu que fosse incluída no álbum branco de 1968. Segundo o «Mail on Sunday», cada um dos três ex-Beatles receberá 20 milhões de libras ( 5,16 milhões de contos) para o concerto de Central Park, onde se espera a presença de um milhão de pessoas. O concerto poderá ser retransmitido pela televisão para o mundo inteiro. O CD em preparação inclui outra canção composta conjuntamente por McCartney e Harrison que nunca chegou a ser gravada, «In Spite of All the Danger», balada datando de 1958. Uma gravação de «Summertime», de George Gershwin, cantada pelos Beatles, com excepção de Ringo Starr, também será incluída. Entre outras canções previstas encontra-se «If You Got Into Trouble», de Lennon- McCartney, cantado em 1965 por Ringo Starr, e «Watching Rainbows», gravado durante os ensaios do álbum «Let It Be».

O meio soprano americana escolheu uma saborosa mistura de géneros, da ópera ao «lied» e de canções populares a canções de «cabaret», e mostrou versatilidade musical e linguística. Houve contudo a ideia infeliz de começar a noite com duas árias de Handel. Acompanhadas em piano de cauda, as árias das óperas "Xerxes" (o celebérrimo "Largo de Handel"!) e "Ariodante" tiveram ressonâncias de objectos arqueológicos. Mas a ária de "Ariodante" é que roçou o desastre, porque a acidentada "coloratura" precisava no mínimo de uma voz bem aquecida, e gerou-se a sensação desconfortável de uma audição de canto.

O filme cubano «Fresa Y Chocolate», de Tomas Gutierrez Alea, foi apresentado para competição, no sábado, no 44ª edição do Festival de Cinema de Berlim, que termina no próximo dia 21 de Fevereiro. Considerado pela crítica como um dos favoritos entre a lista de 22 filmes que estão a competir para obter o «Urso de Ouro», quebra com o tabu da homossexualidade em Cuba.

Diego (Jorge Perugorria), uma «louca» que não disfarça, engata na esplanada Coppelia, em Havana, conhecida pelos seus gelados, o jovem, belo e romântico David (Vladimir Cruz), comunista heterossexual e «politicamente correcto». Intelectual e artista, Diego lê escritores «direitistas», como Mario Vargas Llosa, mas consegue levar a presa ao seu covil. Um amigo de David, retrato «robot» do macho e do comunista, não resiste a espiar Diego. De qualquer maneira, todas as pessoas se espiam umas às outras, e até Nancy (Mirta Ibarra), a vizinha, mística e suicida, tira algumas vantagens da sua maneira de ser, como o whisky, de que Diego também tira proveito. De um lado David, filho de um camponês mestiço, estuda graças à sua força de vontade; do outro, Diego perdeu as suas ilusões de juventude.Vítima de ostracismo, não pode expor as suas obras e deve dizer adeus a Cuba.

A recente decisão do secretário de Estado da Cultura, Santana Lopes, em elaborar uma proposta para alterar a Lei de Bases do Património Cultural Português começou a suscitar polémica. Apanhados desprevenidos, os arqueólogos -- reunidos em Braga -- manifestaram a sua oposição face ao secretismo que parece rodear a questão. Que, dizem, «deveria envolver toda sociedade civil».

Apesar do espanto, os arqueólogos presentes no encontro de Braga fizeram questão de sublinhar a sua vontade em participar na discussão do documento em elaboração, havendo mesmo quem propusesse a «convocação imediata de um fórum» para discutir esta questão. Mais moderado, Nuno Alpoim, vereador responsável pelas questões do património na Câmara Municipal de Braga (entidade a quem cabe a realização deste encontro), argumentou apenas que «os técnicos não podem deixar de ser ouvidos».

O pianista Pedro Burmester e os Solistas do Porto são os intérpretes de um concerto integrado na campanha de solidariedade Áfriacamiga, que terá lugar, no próximo dia 16, ás 21h30, no auditório da Exponor, em Matosinhos. O programa do espectáculo, promovido pela Associação Industrial Portuense, é preenchido por obras de Liszt e Weber.

Foi todo um programa o que a presidente do Instituto Português das Artes Cinematográficas e Audiovisuais (IPACA), Zita Seabra, apresentou no discurso de encerramento da 14ª edição do Fantasporto, na noite de sábado. Em representação do secretário de Estado da Cultura, Zita Seabra discorreu longamente sobre o estado do cinema no nosso país.

O Fórum Nordeste abriu em conferência de imprensa, nova frente de ataque contra as obras que estão a ser efectuadas no museu do Abade de Baçal, em Bragança, ao mesmo tempo que revelou estar a realizar um abaixo-assinado por todo o país, repudiando e exigindo a suspensão imediata dos trabalhos de «descaracterização» do edifício.

O Fórum Nordeste considera, também, que uma «parte significativa do património» bragançano «está a ser atacado de forma despudorada por gente que nada sabe de nós, da nossa história e da nossa cultura e que não hesita, com o mais cândido desrespeito, em atirar para o lixo elementos marcantes do passado».

O anuário «Páginas Negras», editado pela Associação de Estudantes da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (AEFAUP) e dedicado ao ano lectivo 1991-1992, foi lançado no Foz Club, no Porto. Ao longo de 96 páginas apresentam-se maquetas, plantas e esquissos de trabalhos realizados por alunos dos diversos anos daquela instituição de ensino nas cadeiras de Projecto e durante o estágio. A publicação, com uma tiragem de 750 exemplares, é vendida ao preço de quinhentos escudos para os sócios da AEFAUP e mil para os restantes interessados. « (...) A escola morreu, a faculdade vai existindo com muitos a teimar em chamar-lhe escola. E porque todos teimam em colar o nome do Siza a esta, quase todos se julgam mestres por lhe pertencerem, onde o prestígio é suficiente para a evolução do nosso ensino...» (do prefácio ao livro, da autoria de Luís Calau, presidente da AEFAUP).

Das três peças restantes, duas são de autores portugueses. Baseada em três textos de José Jorge Letria, «As Pátrias do Coração e Exílios», abordará os temas da traição, da pátria e dos nacionalismos, encarnados em três figuras e outras tantas épocas da história portuguesa: Fernão de Magalhães (séc. XVI), D. Francisco Manuel de Melo (séc. XVII) e o adversário do Marquês de Pombal, Cavaleiro de Oliveira, no século XVIII.

A 18ª edição do Crosse das Amendoeiras em Flor, ontem disputado com tempo fresco e algum vento na Aldeia das Açoteias, teve no queniano Ondoro Osoro o fácil e esperado vencedor no sector masculino, mas no feminino o resultado não foi aquele com que se contava. Uma vez mais, a exemplo do ano passado, Albertina Dias não foi feliz no Algarve e, para além de ter perdido o seu quarto encontro com a irlandesa Catherina McKiernan esta época, acabaria mesmo por não conseguir chegar ao pódio.

Apesar disso, o previsto duelo entre Albertina Dias e Catherina McKiernan era prato suficientemente forte para atrair as atenções. Tendo perdido para a irlandesa duas vezes (Mol e Sevilha) contra uma vitória (Bruxelas) no corrente World Challenge, esperava-se que a nortenha pudesse «empatar a dois». Mas tal não aconteceu.

Ao vencer em Ovar a equipa da Ovarense por 97-102, o Sangalhos protagonizou a nota de maior destaque da 11ª jornada do «Nacional» de basquetebol que se realizou no fim-de-semana. Após esta vitória, para a qual foi necessário recorrer a um prolongamento (88-88 no final do tempo regulamentar), os bairradinos ultrapassaram na tabela classificativa os seus adversários de ontem, ocupando agora o terceiro lugar, em igualdade pontual com a formação de Ovar.

O Benfica recebeu e bateu no pavilhão da Luz a formação do Illiabum, último classificado, por 93-77, num encontro em que o técnico benfiquista aproveitou para fazer descansar algumas das pedras-base da sua equipa, desgastada por um calendário intenso, em que se destaca a participação no «Europeu» de clubes. Com esta vitória, o conjunto «encarnado» mantém-se no comando do campeonato sem, até à data, ter conhecido qualquer derrota.

O Benfica manteve as distâncias em relação ao Sporting e FC Porto, através da vitória que conseguiu ontem no Estoril, por 3-0. Esta segunda jornada da segunda volta proporcionou uns razoáveis 25 golos e só houve um empate sem golos -- precisamente ontem, no Guimarães-Braga.

De resto, é de saudar a presença do Estrela da Amadora no clube dos aspirantes a uma prova europeia, depois de um início de época muito complicado. Mas o bom jogo, a longo prazo, tem sempre retorno, e os homens de João Alves têm dado provas disso. Com o Setúbal e o Salgueiros -- esta uma equipa em queda de rendimento -- a equipa da Reboleira tem mostrado que se pode jogar à bola no campeonato português com muitos jogadores portugueses.

O Tirsense continua a somar vitórias no competitivo «Nacional» da II Divisão de Honra. A equipa treinada por Eurico Gomes voltou a ganhar (1-0), no sábado, no difícil campo do do União de Leiria, naquela que foi a única vitória fora da 19ª jornada, e mantem-se tranquilamente na frente da competição, com 28 pontos.

Apesar de derrotada, a Académica pode festejar alguma sorte, já que os seus adversários mais próximos também perderam: o União de Leiria perdeu com o líder, como já foi referido, e o Rio Ave foi batido pelo Portimonense, no Algarve, por 1-0.

Pela primeira vez na sua história, as 500 Milhas de Daytona, prova incluída no campeonato americano de «stock-cars», começarão com um estreante na melhor posição da grelha. Com o tempo de 47,329s (média de 306,296 km/h), Loy Allen garantiu a «pole position» para a corrida, que se disputa no próximo dia 20.

O cenário para a segunda volta do «Nacional» de futebol da I Divisão está traçado: jornada após jornada, o que estará agora em causa é a capacidade do Benfica para não ceder em relação ao Sporting e ao FC Porto. Neste fim-de-semana, os «encarnados» jogavam fora, enquanto os seus rivais actuavam em casa. Mas o triunfo do clube da Luz no terreno do Estoril -- claro, mas bem mais complicado do que os números podem fazer crer -- deixou tudo como dantes. E na próxima ronda o cenário altera-se: com «leões» e «dragões» fora de portas, as «águias» acalentam a esperança de ver aumentado o seu avanço. Antes, na terça-feira, haverá Taça.

«Um momento de inspiração de um jogador decidiu o jogo.» A afirmação de Fernando Santos, treinador do Estoril, caracteriza bem o que aconteceu ontem na Amoreira. Foi a criatividade de Ailton, na marcação de um livre directo, quando faltavam praticamente 15 minutos para o final do jogo, que abriu caminho à vitória expressiva do Benfica, por 3-0, sobre o Estoril.

Mostrando grande conhecimento da forma de jogar do adversário, o Estoril entrou em campo com um sistema táctico assente numa defesa reforçada, com os seus elementos a praticarem uma marcação directa aos avançados benfiquistas e aos jogadores mais influentes da manobra «encarnada». Para além de um sector recuado reforçado, o seu meio-campo, composto por quatro jogadores, tentou com êxito cortar todas as linhas de passe do adversário, pressionando muito de perto o atleta que tinha a bola, para depois lançar rápidos movimentos ofensivos. De facto, a melhor táctica para segurar o Benfica, que quando não tem espaços sente muitas dificuldades para impor o seu jogo, rápido e de lançamentos para os jogadores da frente. Foi assim, durante 70 minutos.

Sem jogar bem, marcando poucos golos, ganhando muitas vezes por 1-0, o Milan já leva cinco pontos de avanço sobre o segundo, que são agora a Juventus e o Parma e seis sobre a Sampdoria. E, apesar do jogo da equipa de Fabio Capello deixar muito a desejar, sobretudo em comparação com o Milan que dispunha do trio holandês, em Itália já não se fazem apostas sobre o futuro campeão: a bem dizer, já está encontrado.

No calcio, no jogo mais importante da jornada, o Parma conseguiu na segunda parte dar a volta ao marcador e vencer a Sampdoria por 2-1. Jugovic tinha marcado para a equipa de Eriksson mas Minotti e Zola, este no último minuto, fizeram os dois golos do Parma que assim ultrapassou o seu adversário de ontem na classificação.

Karoglan teve por três vezes o golo nos pés e por três vezes falhou. Karamba! É preciso uma pontaria muito refinada para acertar fora dos postes naquelas situações. O Braga só não ganhou o jogo porque não há estratégia que resista a tanto desperdício. Por isso, tal como João Fonseca reconheceu no final da partida, o empate frente ao V. Guimarães soube a pouco.

Ao invés do adversário, o Braga sobe a olhos vistos. Está a praticar um futebol solto, bem trabalhado e conta com Toni no eixo do ataque, um reforço importante. Ontem nem tudo saiu bem, designadamente a tentativa por parte de António Oliveira de explorar o flanco direito do Guimarães através de passes longos. De tão longos, os passes acabaram quase sempre por morrer nas mãos de Brassard. Fica de qualquer modo a ideia que este Braga tem jogadores para fazer melhor do que lutar por fugir da linha de água. Tem jogadores criativos, tem fio de jogo, tem alguma sagacidade táctica.

O piloto português Pedro Matos Chaves vai continuar a sua carreira nos EUA, competindo pelo segundo ano consecutivo na Fórmula «Indylights» norte-americana. Quarto classificado na época passada, Chaves irá conduzir este ano um Lola-Buick GS, mantendo-se na escuderia Brian Stewart Racing. O luso-brasileiro David da Silva, que competiu em 1993 no campeonato norte-americano de Fórmula 2000, será o segundo piloto da equipa.

O calendário para 1994 da «Indylights», o último degrau de promoção para a Fórmula Indy, inclui 12 provas, disputadas nos EUA (10) e no Canadá (2). E se os números podem ter alguma expressão, a competição parece desfrutar de uma popularidade notável: no ano passado, a assistência mais elevada aconteceu em Long Beach, com 226 mil espectadores. Apenas três corridas foram presenciadas ao vivo por menos de cem mil pessoas e a média de assistências ronda as 131 mil presenças. Números de fazer inveja à própria Fórmula 1...

Quando uma equipa apenas dispõe no seu plantel de um verdadeiro ponta-de-lança -- caso de Roberto Carlos no Nacional -- arrisca-se, na sua ausência, a não encontrar alternativas para este facto, de modo a levar de vencida o seu adversário.

O Espinho, algo calculista, de vez em quando aproximava-se da baliza do Nacional e aos 38 minutos poderia ter aproveitado uma «fífia» de Pimenta para marcar o seu primeiro golo.

Georges Mendes, o único atleta português a participar nos Jogos Olímpicos de Inverno, a decorrerem na cidade norueguesa de Lillehammer, estreou-se ontem na competição com um 41º lugar na difícil disciplina de descida, ganha pelo norte-americano Tommy Moe.

Satisfeito com a prestação de Mendes, embora lamentasse a «lesão algo grave» do esquiador, estava Oliveira Duarte, director técnico nacional da Federação Portuguesa de Esqui, que está a acompanhar o atleta em Lillehammer: «No início dos treinos eram 98 atletas em prova, dos quais só passaram à final 55 e o Georges, apesar da lesão, ficou em 41º, o que é muito bom. Se não estivesse lesionado penso que poderia fazer menos um segundo, o que o lançaria para um 30º lugar.»

O Benfica manteve-se isolado na frente do campeonato nacional de hóquei em patins, depois de ter conseguido uma vitória dilatada sobre o Paço d'Arcos, por 8-0, em jogo da primeira jornada da fase final da prova. Os «encarnados» têm 34 pontos, mais dois do que o Óquei de Barcelos, campeão nacional, que foi ganhar ao Valongo por 3-1. O FC Porto consolidou a terceira posição, com 30 pontos, depois de vencer em casa a Oliveirense, por 4-3, no último jogo do Grupo A.

Portugal venceu ontem Israel, por 2-1, em jogo da segunda jornada do Torneio Internacional de Futebol do Algarve, na categoria de sub-16, disputado em Vila Real de Santo António. Os portugueses são primeiros, com quatro pontos, mais um que a Noruega, que ontem empatou com a Bélgica (1-1). Na categoria de sub-15 a Itália venceu Portugal, por 2-0, num jogo que se disputou em Silves. No outro encontro da ronda, a Dinamarca e a Espanha empataram a três bolas.

COM CERCA de uma centena de equipas inscritas, o Rali de Portugal/TAP de 1994, que se disputa entre o próximo dia 28 e 5 de Março, promete grande emoção e uma luta cerrada pela liderança. A terceira prova do «Mundial» de ralis contará com a presença dos principais candidatos ao título e das equipas de marca com ambições na competição.

Os dois rivais serão os primeiros a sair para a estrada -- têm os números 1 (Delecour) e 2 (Kankkunnen) -- e deverão esperar a maior oposição da parte do espanhol Carlos Sainz (Subaru Impreza), do italiano Miki Biasion (Ford) e do francês Didier Auriol (Toyota). Mas há muitos mais e, entre eles, alguns portugueses, como Fernando Peres (Ford Escort RS Cosworth), Jorge Bica (Lancia HF Integrale) e António Coutinho (Ford Escort RS Cosworth), farão a sua prova, pensando mais nos pontos para o «Nacional» do que no galarim internacional.

Têm entre 11 e 15 anos e gostam de jogar futebol. Por isso, organizaram-se em equipas e foram até ao Bonfim, onde se disputava mais um torneio da Taça Snickers. Ganhando ou perdendo, todos passaram um dia diferente. E aprenderam qualquer coisa.

Os Panteras Negras e os Rosinhas são amigos e jogam à bola todos juntos, na escola. Por isso, minutos depois do jogo, já estava tudo esquecido. Já vestidos, porque foram eliminados à primeira, o Nélson, o Cláudio, o Artur e o Bexiga, todos dos Rosinhas, foram para as bancadas, para o pé dos adversários. Enquanto comentavam o seu jogo e os outros que se disputavam -- quatro ao mesmo tempo, no campo dividido -- preparavam-se para torcer pelos Panteras Negras, que iam jogar a seguir, e pelas Águias da P2, as miúdas que formavam a única equipa feminina em prova.

O Sporting reforçou mais uma vez a sua posição de líder invicto do «Nacional» de voleibol masculino, ao vencer ontem o Benfica por 3-1, em jogo da sexta jornada da segunda fase, disputado na nave de Alvalade.

No terceiro «set» a formação «leonina» entrou com uma defesa bastante perdulária, aproveitando o Benfica para se adiantar no marcador. Foi o melhor momento da turma da Luz, que geriu a vantagem até final, vencendo por 15-13. No quarto e último «set», a distribuição «encarnada» voltou a cometer erros e comprometeu a organização do seu ataque, facilitando a vida a um Sporting que, através de fortes remates e de um bloco eficaz, venceu por 15-11.

O crescimento do desemprego e a retoma da economia constituem os dois principais assuntos da reunião de hoje dos ministros das Finanças (Ecofin) da União Europeia. Com as previsões de aumento do desemprego nos Doze, segundo as quais o número de desempregados passará de 18,6 milhões, no final do ano passado, para 20 milhões, no final deste ano, os ministros deverão centrar as suas análises no «Livro Branco da Comissão», que se debruça sobre o emprego e o crescimento económico. O objectivo será encontrarem uma solução para a concretização dos princípios aí defendidos. Em destaque deverá estar também o «programa de convergência» que Portugal reviu, sendo de esperar críticas à derrapagem do défice orçamental português no ano passado.

O Iraque apelou a todo os países produtores de petróleo para que reduzam a sua produção, de forma a favorecerem a subida dos preços do barril. Numa declaração publicada num jornal de Bagdad, o ministro iraquiano do Petróleo, Safa'a Hadi Jawad, considerou que «o fim da deterioração dos preços necessita da colaboração de todos os produtores de petróleo, dentro e fora da OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo], reduzindo a sua produção».

Desiludam-se os apologistas do «big is strong» e os que defendem a concentração de empresas pela «bitola» europeia. As economias de escala e a complexidade das organizações empresariais têm os seus custos, e estes reflectem-se na taxa de rentabilidade das empresas. A revista «Notas Económicas», da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, publica, na última edição, uma síntese da tese de mestrado em Economia Europeia de Constantino Mendes Rei, que, como o autor afirma, «é um contributo» para trazer de novo para a ribalta o conceito do «small is beautiful».

Concluiu-se, de facto, que não existe relação entre a dimensão e a rentabilidade das empresas industriais. Em média, as grandes empresas não são mais rentáveis nem crescem a taxas superiores às das empresas de menor dimensão, apesar de, como é óbvio, apresentarem um volume de negócios e um lucro bastante mais elevado em termos absolutos. Também não foi encontrada qualquer relação entre dimensão e variabilidade das taxas de lucro das empresas. Apesar de as grandes empresas investirem mais em Investigação e Desenvolvimento (I&D), não foi provado que os recursos afectos a este capítulo sejam proporcionalmente maiores que nas pequenas empresas, contrariando assim as teses sobre a matéria de Schumpeter e Galbraith, divulgadas nos anos 50.

Para se vender roupa é preciso estar-se a par das correntes do que se usa pelos caminhos do mundo, bares e discotecas, misturando as ideias dos grandes costureiros com a criatividade espontânea. O grupo Zara está. Começou há pouco mais de dez anos e alicerçou a sua expansão industrial numa rede comercial agressiva. Agora factura 290 milhões de contos, tem 350 lojas, aposta no «stock» zero e trata o consumo de vestuário como se trata o de iogurtes.

Os «stocks» zero são conseguidos à custa de uma rigorosa capacidade de programação. A Zara afirma produzir nas suas fábricas 80 por cento do vestuário que vende, subcontratando o restante em Portugal, em Espanha e em países mais distantes, como a China, a Índia ou a Malásia. E tem um gabinete de coordenação das operações de subcontratação estrategicamente colocado em Pequim, que lhe permite lançar peças trabalhadas à mão a preços imbatíveis.

Desde o ANC ao Partido Realista, passando pelo Partido Islâmico, são 19 as forças que se inscreveram para as primeiras eleições abertas a todos os sul-africanos, mas a grande questão está naquelas que não aceitaram inscrever-se e que poderão vir a fazer correr muito sangue.

Na corrida para os 400 lugares da Assembleia Nacional estão 13 formações: ANC, Partido Nacional, PAC, Partido Democrático, Partido Africano Democrata-Cristão, Movimento Democrático Africano, Partido Dikwankwetla, Frente da Minoria, Partido Progressista Ximoko, Partido da Paz e dos Direitos da Mulher, Keep it Strait and Simple (KISS), Democratas do Noroeste e Lista dos Trabalhadores.

Os americanos e holandeses evacuaram ontem as famílias dos seus diplomatas e os seus empregados de Belgrado, apesar da comunidade estrangeira não parecer temer represálias no caso da realização de raides aéreos contra os sérvios bósnios. À tarde, foi a vez do Governo alemão dar o mesmo conselho. No sábado, a embaixada britânica evacuara algumas dezenas de cidadãos. O ministro francês dos Estrangeiros, Alain Juppé, anunciou que, de momento, a França não seguiria o exemplo: «É preciso manter o sangue frio», disse. No Clube Diplomático de Belgrado, onde tradicionalmente se reúne a «nata» da comunidade estrangeira, as conversações incidiam mais sobre um torneio de ténis em curso do que sobre as ameaças ligadas ao ultimato da NATO. «Estas evacuações são actualmente inúteis e parecem sobretudo destinadas a convencer os sérvios da realidade da ameaça da NATO. Veremos como as coisas evoluirão dos próximos dias e então decidiremos», disse à AFP um diplomata ocidental que pediu o anonimato.

Os comandantes da guerrilha da minoria étnica Wa, na região birmanesa do «Triângulo Dourado», zona de cultivo do ópio, dizem que os combates com o exército rival do traficante Khun Sa foram suspensos durante a época da colheita das papoilas, até que a junta militar no poder em Rangoon lhes dê de novo luz verde para avançar.

APESAR do silêncio das armas, a agitação social alastrou no estado mexicano de Chiapas, enquanto a data e o local das conversações entre o Governo e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), várias vezes adiado, estavam ontem iminente.

Mas é em Chiapas que a agitação mais aumenta. A última semana viu aumentar em várias aldeias o número de ocupações de câmaras, de invasões de propriedades, de manifestações de rua.

O PRESIDENTE peruano Alberto Fujimori disse sábado à noite que o país deve cerrar fileiras em nome da sua soberania, depois de os Estados Unidos terem pedido, na véspera, ao seu Governo, que respeite a independência da justiça na questão das dez pessoas desaparecidas no campus universitário de Cantuta, em 1992.

Uma lei aprovada a semana passada pelo Congresso peruano não estipula a incompetência dos tribunais militares para este tipo de litígios e comete ao Supremo Tribunal de Justiça a decisão de distribuir o problema ou à jurisdição militar ou à civil.

Os sérvios bósnios recuam, mas devagar. Ontem, o vice-ministro russo dos Estrangeiros anunciou que eles estariam dispostos a colocar a sua artilharia sob controlo da ONU, mas não a retirá-la, como exige o ultimato da Aliança Atlântica. É uma forma de testar a determinação da NATO.

De acordo com os números considerados mais rigorosos, as forças sérvias dispõe de 15 mil soldados em redor de Sarajevo e cerca de 300 peças de artilharia, enquanto a Armija, o exército muçulmano, possui 13 mil soldados armados e 45 mil mobilizáveis, com 150 peças de artilharia. Para o porta-voz da Forpronu, Bill Aikman, este é precisamente um dos problemas mais complicados de resolver: «Os sérvios estão em grande vantagem quanto a equipamento pesado e o exército bósnio é muito superior em infantaria», referiu à France Presse.

O Carnaval de Cabanas de Viriato, no concelho de Carregal do Sal, é considerado como um dos mais tradicionais do país. Hoje e amanhã, a mais nova vila do distrito de Viseu vive intensamente a festa pagã que nada tem a ver com congéneres «abrasileiradas», como defendem orgulhosamente os seus promotores. A celebração tem a sua origem em manifestações populares do século passado e está intimamente relacionada com a banda da sua sociedade filarmónica, criada há 122 anos. Com o passar dos anos, foi desenvolvida a «Dança dos Cus» -- a atracção principal de toda a festa.

De acordo com este dirigente, o Carnaval de Cabanas «é um dos mais tradicionais e o mais barato que se faz em Portugal». Com pouco mais de três mil contos foi possível pagar os cabeçudos, vestes apropriadas de elementos fixos do desfile, o policiamento e a cada vez mais necessária publicidade, que inclui um pequeno programa difundido, em circuito fechado, pelos altifalantes espalhados nas principais artérias da vila, ao longo de cinco ou seis dias .

As novas tecnologias ligadas à gestão das centrais de rádio táxis e à racionalização do sector constituiram o tema central de um seminário ontem promovido, em Lisboa, pela Antral -- Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros. No decurso dos trabalhos, a cuja abertura presidiu o Secretário de Estado da Administração Interna, as novas tecnologias de comunicações e de pagamento electrónico apareceram como uma provável reposta a um dos principais problemas dos taxistas: a segurança.

Foram também apresentados dois meios electrónicos de pagamento, um sistema nacional, da responsabilidade da Sociedade Interbancária de Serviços, gestora do serviço Multibanco, e um internacional, especificamente dirigido à actividade, o CabCharge, já utilizado em muitos países europeus e nos Estados Unidos.

Arrumar carros tornou-se, nos últimos anos, a subprofissão mais promissora de Lisboa. Um exército de desocupados espalha-se pelos quatro cantos da cidade, oferecendo um serviço teoricamente desnecessário, em troca de uma contribuição monetária. Há queixas de carros danificados e de multas, mas ninguém se julga capaz de travar o avanço da actividade, devido à falta de legislação. O que não impede a PSP de conceder um cartão a uma parte dos arrumadores.

«Nós não pedimos nada, a pessoa só dá se quiser», garante Jorge, 25 anos, que arruma carros em frente à estação do Metro de Campo Grande, num local que um dia será um terminal de camionetes. Jorge está no ramo há dois anos, desde que sofreu um acidente numa obra e abandonou a actividade de servente de pedreiro -- segundo conta, apontando a perna esquerda, aparentemente sã. É um detalhe comum na história pessoal dos arrumadores: novos ou velhos, convincentes ou não, muitos lamentam o dia infeliz em que partiram uma perna, lesaram a coluna ou contraíram moléstia incurável, o que os impediu de voltar a trabalhar. Arrumar carros, mesmo que inútil, é melhor do que roubar -- argumentam com frequência.

Atrapalhados com o arranque do desfile do fim da semana passada, as educadoras de infância e professores tentavam manter calmas as mil e quinhentas crianças de infantários e escolas do ensino básico e preparatório de Beja.

E chega a vez de "outras gentes" homens do deserto, esquimós, mais peles vermelhas e chineses. Lavradores abastados faziam "companha" às mulheres. Chama-se a isto uma abertura ao exterior da interioridade alentejana.

Um incêndio deflagrado na madrugada de domingo em Belas, Sintra, destruiu o armazém da única estação de serviço da localidade. As chamas e o rebentamento de várias garrafas e latas de combustíveis não chegaram a atingir os edifícios vizinhos, nomeadamente a Junta de Freguesia, o que não evitou, no entanto, que centenas de populares tenham passado parte da noite na rua.

No Teatro Municipal Maria Matos, às 21h30, estreia o espectáculo "Cinderella Revista à Portuguesa", uma criação do TIL-Teatro Infantil de Lisboa para Lisboa 94- Capital Europeia da Cultura.

A gestão da Câmara de Cascais continua a uma só voz. Com maioria absoluta, os socialistas estão dispostos a atribuir competências à CDU, mas apenas se a coligação aceitar determinadas condições, que, no entender de José Luís Judas, pretendem acabar com a imagem de «traficância» política atribuída aos autarcas. Para o vereador comunista, Carlos Sota, existem sinais de abertura.

«O poder autárquico caiu, na minha opinião, na ausência de critérios de natureza política», sustenta o ex-sindicalista eleito pelo PS, para quem «de alguma maneira se criou um clima de `traficância'» que leva a que «toda a gente se sinta no direito de estar contra nos documentos essenciais -- programa de actividades e orçamento -- e a seguir julga que está no direito de gerir». E argumenta: «Isso em termos políticos é uma coisa dificilmente compreensível, e leva à suspeita de que as pessoas afinal querem estar por fora, mas querem também ter a benesse de ter um carro e mais 300 contos. Ora isso não dá».

«Depois do 25 de Abril, a poesia desceu de nível», disse Mário Viegas, na 2ª feira, 7, logo a abrir o convívio «Poetas da Minha Vida». Com essa afirmação ou com outra mais ou menos provocatória, começará hoje, às 19h15, o convívio poético que o actor oferece ao público de Lisboa.

Não conheceu pessoalmente Fernando Pessoa, mas Alberto Caeiro é um dos poetas da vida de Mário Viegas. Esteve na origem da breve conversão do actor ao catolicismo, quando adolescente. Pessoa é pretexto para atacar tudo: da estátua à porta da Brasileira até à casa «pós-moderna» em que o poeta passou os últimos anos de vida.

A Rádio Borralha, no concelho de Montalegre, encontra-se silenciada desde a madrugada de sábado, em virtude do respectivo centro emissor ter sido completamente destruído por vários tiros de caçadeira. A estranha ocorrência, de que se desconhece a autoria, deu-se por volta das duas da manhã, altura em que o director daquela rádio local, Vítor Peixinho, se apercebeu que a emissão estava a falhar.

Embora não possua provas concretas, Vítor Peixinho diz-se convencido de que este «acto de vandalismo» foi perpetrado por «capangas» do actual proprietário do património das antigas Minas da Borralha, o empreiteiro Ilídio Santos, de Salto (Montalegre). O director da rádio transmontana justifica a sua suspeita com o facto de, nos últimos tempos, aquele construtor ter vindo a «proferir uma série de ameaças» contra os directores do Grupo Desportivo e Cultural das Minas da Borralha, alegadamente na sequência das posições que estes têm assumido em tribunal no âmbito do processo judicial movido em 1992, logo após a aquisição, por parte de Ilídio Santos, do património daquelas minas, actualmente desactivadas. Um assunto que, no entanto, segundo Peixinho, nunca mereceu tratamento naquela rádio local.

A Companhia das Lezírias e o Grupo Espírito Santo, associados na empresa Portucale, pensam arrancar, no próximo Verão, com a construção da primeira fase de um grande empreendimento agro-turístico, que ocupará cerca de 500 hectares da Charneca do Infantado, no concelho de Benavente.

Ao nível da habitação e do lazer, estão previstos dois hotéis (com um total de 400 quartos), 168 lotes destinados a moradias unifamiliares e dois lotes para construção de casas geminadas e em banda. A Vargem Fresca contempla, finalmente, centros de desportos náuticos, estudos da natureza, hípico e de tiro e um «health club». A área de desportos náuticos aproveitará a albufeira do Vale Cobrão, com mais de 30 hectares de superfície, já existente.

Vencidos mas não convencidos, os vendedores do Mercado da Venteira, na Amadora, deixam aquele local até 28 de Fevereiro. Para já, vão para os Moinhos da Funcheira e fica a promessa de uma futura ampliação do Mercado da Mina, onde posteriormente serão acolhidos. Depois da tempestade, parece surgir finalmente uma bonança relativa.

Em 1991 foi-lhes distribuído um inquérito onde deveriam escolher a alternativa para a sua saída do velho mercado da Venteira: integração em outro mercado do concelho, indemnização ou a criação de um novo mercado na freguesia. Foram todos unânimes em escolher a terceira modalidade.

Se o ultimato não for respeitado, a NATO deve desencadear os ataques aéreos que anunciou. Se isto não acontecer, os governos ocidentais perderão toda a capacidade de pressão sobre as partes em conflito.

Talvez isto seja dizer pouco, mas já é dizer alguma coisa. Embora não seja possível estabelecer com segurança o que deve ser feito, é francamente possível dizer o que não deve em caso algum acontecer: num cenário de instabilidade acentuada, o comportamento ocidental não pode ser hesitante. Aquilo que é anunciado tem de ser cumprido, sob pena de desacreditar totalmente a capacidade dissuasora do Ocidente. Por outras palavras: se o ultimato não for respeitado, a NATO deve desencadear os ataques aéreos que anunciou. Se isto não acontecer, os governos ocidentais perderão toda a capacidade de pressão sobre as partes em conflito. A capacidade de intervenção ocidental ficará a um nível mais baixo, seriamente mais baixo, do que aquele em que já estava antes do ultimato de quarta-feira -- e ao fim de 22 meses de guerra na Bósnia.

Beleza alternativo -- O médico portuense Álvaro Beleza confirmou que vai candidatar-se ao cargo de secretário-geral do PS na Convenção do partido, em 19 e 20 Março. Álvaro Beleza surge também como um dos subscritores da moção «Resistir e Ousar», que recebeu o apoio de militantes de 15 distritos e que apresenta como principais referências os nomes de Mário Soares e Jorge Sampaio.

Polícia condenado por ajudar Xanana -- O cabo Augusto Pereira, acusado de ter facultado esconderijo a Xanana Gusmão durante os três anos que precederam a detenção do líder timorense, foi condenado a 18 meses de prisão pela justiça indonésia. A sentença contra Pereira, um polícia indonésio de origem timorense, de 44 anos de idade, foi proferida na última quinta-feira pelo Tribunal Militar de Díli e noticiada dois dias depois pela agência Lusa com base em declarações de um funcionário daquele tribunal. Timor esteve no centro das atenções também na cidade australiana de Darwin, onde, no sábado, o primeiro-ministro Paul Keating, no seu primeiro contacto com a resistência timorense, recebeu um livro sobre a vida no território. A entrega do livro, uma compilação de testemunhos de timorenses cobrindo o período de 1942 a 1992, foi assinalada com uma manifestação organizada pela comunidade timorense e por australianos solidários com a causa de Timor-Leste, durante a qual o Executivo de Keating foi acusado de ignorar deliberadamente as violações de Direitos Humanos cometidas por Jacarta no território.

A representação do Porto na lista para a Comissão Nacional do PS, que hoje deverá ficar concluída, gerou um novo surto de descontentamento nas estruturas locais do partido e parece não agradar a nenhuma das facções em presença. À oposição já conhecida dos «sampaístas» locais soma-se agora a de alguns «guterristas» preteridos, que contestam o processo «pouco transparente» da preparação da lista.

O processo de preparação da lista - que teve o momento decisivo numa reunião restrita com Jorge Coelho, a que compareceram os presidentes da Câmara do Porto, Fernando Gomes, de Amarante, Francisco Assis, e de Felgueiras, Júlio Faria -, tem alegadamente sofrido a influência determinante do «homem forte» do aparelho do PS/Porto, Domingos Ferreira, e é considerado pouco transparente tanto por «sampaístas» como por alguns «guterristas». E levou mesmo a que a mais forte secção do PS portuense, a de Paranhos, preparasse uma proposta alternativa, que só à última hora foi dissuadida de apresentar, durante a recente visita de António Guterres ao Porto.

A dimensão da representação parlamentar não é proporcional às guerras partidárias internas. A prová-lo está o PSN, cujo líder e solitário deputado enfrenta forte contestação em vésperas do segundo congresso. As acusações envolvem desde irregularidades processuais até à controversa presença da seita Moon na estrutura do partido.

O dirigente contestatário acusa a direcção do partido de não ter colocado à disposição dos eventuais candidatos à liderança os ficheiros actualizados dos militantes, impossibilitando o aparecimento de candidaturas alternativas. Para além disso, acrescenta, «em algumas estruturas locais não se realizaram eleições» para a escolha dos delegados ao congresso. «Vai ser um congresso fantoche, porque a direcção do partido fez tudo para deixar de fora os militantes incómodos», queixa-se o vice-presidente do PSN.

O Presidente da República, Mário Soares, manifestou ontem ao gabinete de Cavaco Silva o seu desejo de ver resolvido o caso da angolana Vuvu Nsimba Grace, retida com a filha de três anos desde quarta-feira no aeroporto de Lisboa e na iminência de amanhã de madrugada, às 1h40, ser recambiada para o Congo pelo Serviço de Estrangeiro e Fronteiras (SEF).

O caso levou já à intervenção de vários deputados e de organizações católicas, incluindo uma vigília frente ao aeroporto da Portela, com quatro pessoas em greve da fome há três dias, acompanhando no seu protesto o pai e marido, Sousé Bernardo.

O cônsul honorário de Portugal no Brasil, António Silva Duarte, 55 anos, foi ontem de madrugada libertado no Rio de Janeiro pelos seus sequestradores. O cônsul honorário é comerciante no sector de carnes e foi sequestrado a 6 de Janeiro, alegadamente por agentes da polícia, na sede da sua empresa. Notícias veiculadas por jornais brasileiros indicavam que o resgate pedido era «muito elevado» mas a família recusou-se ontem a revelar qual o montante pago. António Duarte é natural de Frende, distrito do Porto, emigrou para o Brasil em 1961 e é pai do deputado estadual Toninho Duarte, eleito pelo PDT.

A terra tremeu ontem por diversas vezes em ilhas francesas do Pacífico sul, Japão e Filipinas. Só neste último país foram registados cinquenta pequenos sismos num espaço de 24 horas no que é tido como um sinal de que o vulcão do Monte Pinatubo pode estar em vias de nova erupção, dizem os cientistas. O Pinatubo, com uma altitude de 1 780 metros, localizado a norte de Manila, entrou em actividade em 1991, após um «sono» de 600 anos, expelindo milhões de toneladas de cinzas, destruindo aldeias e tendo morrido mais de 800 pessoas. No Pacífico sul, nas ilhas Lyauté, a este da Nova Caledónia, foi sentido um abalo telúrico com uma magnitude 7,2 na escala de richter. No Japão, na ilha Kyushu, um outro sismo atingiu os 5,9 da mesma escala.

Três anos depois de ter vivido uma grave crise, aquele que ainda continua a ser o mais prestigiado dos jornais diários franceses, "Le Monde", entrou outra vez num período de turbulência com a demissão, sexta-feira passada, do seu director-gerente, Jacques Lesourne, de 66 anos, motivada por "um clima de degradação da confiança". A demissão do director torna-se efectiva no próximo dia 19.

"Le Monde" é editado por uma S.A.R.L. em que os redactores-fundadores (agrupados na Fundação Beuve-Méry) detêm 32,3%, a sociedade de leitores 11,3% e "Le Monde-Entreprise" 8%, bem como o seu director-gerente.

Os funcionários públicos de Macau com nacionalidade portuguesa estão a ser interrogados pelo governo sobre três hipóteses de futuro com os olhos postos em 1999: integração em Portugal, reforma antecipada com 15 anos de serviço ou desvínculo com pagamento de uma compensação, mais conhecida por "bolada".

O projecto de articulado do regulamento da integração terá de estar publicado em Boletim Oficial até 21 de Fevereiro. Este diploma vai regulamentar a Lei de Integração dos funcionários públicos de Macau nos quadros da República, face à mudança de soberania do território para a China (ver PÚBLICO de 8/1/94). Até à sua publicação, o projecto será discutido pelas associações e pelo Conselho Consultivo do governador e, depois, os funcionários públicos do quadro local terão um ano para decidirem da sua vida.

Ela diz que não sabia. E pela reacção toda a gente acreditou. Ele queria impressioná-la. E ser romântico. As dúvidas -- sim ou não? -- mantiveram-se ao longo de meio jogo. Depois ela decidiu. «Eu só queria fazer um grande gesto romântico -- uma coisa que nós nunca mais esquecêssemos», confessou depois Anthony Abbott, o apaixonado de 29 anos que depois do caso e do gesto ficou famoso. Tudo se passou em Devon, no sul da Grã-Bretanha, em pleno jogo de futebol, no estádio dos Plymouth Argyle. Anthony andava a mututar sobre a forma de pedir a namorada, Karrie, de 31 anos, em casamento. A frase escolhida foi a mais clássica de todas: «Will you marry me?» («Queres casar comigo?»). A forma é que foi original, porque foi pública. Karrie viu a proposta, ela e milhares de pessoas, num écran gigante. Anthony Abbott não pronunciou o pedido mas increveu-o no écran electrónico do estádio onde são marcados os golos das equipas. Karrie disse o «sim» a meio do jogo e os dois casaram o mês passado. Mas a história cor-de-rosa não acaba aqui. E o seu fim lança uma dúvida: Afinal Anthony só queria era ganhar umas férias? Pelo menos ganhou. Vai passar uns dias a Hong Kong e a Bali com Karrie, depois de ter sido eleito o homem mais romântico da Grã-Bretanha. O concurso de gosto duvidoso foi organizado pela Cadbury's (a fábrica de chocolates) e pela revista «She».

A imperatriz japonesa já fala. Michiko desmaiou a 20 de Outubro, dia em que fez 59 anos, e desde então perdera a fala. Ontem, durante uma visita à ilha de Ogasawara, ao largo do Japão, a imperatriz falou finalmente. «Com uma voz fraca mas clara», escreveu uma agência japonesa.

Um projecto de criação de um "paraíso na Terra" por uma seita oriental de "meditação transcendental" está em estudo em Moçambique com o apoio do presidente Joaquim Chissano. A revelação de projecto idêntico na Zâmbia em 1991 contribuiu para a derrota eleitoral do então presidente Kenneth Kaunda, mas isso não parece preocupar o chefe de Estado moçambicano. "O projecto tem boas perspectivas", diz Chissano, acrescentando que ele "está em estudo há bastante tempo pelas autoridades".

Chissano foi parco em pormenores sobre o projecto, dizendo que "basicamente tratar-se-á de um programa de desenvolvimento integrado para camponeses mas não só". Quanto ao nome do projecto, que no mínimo suscita interrogações pela ambição que nele se exprime, Chissano disse que "criar paraísos na Terra, ou em Moçambique, são apenas expressões que são usadas pelas pessoas".

A explosão de uma bomba, na noite de sábado para domingo, em Craigavon, no sul da Irlanda do Norte, provocou ferimentos numa mulher, segundo informou a polícia. O engenho explosivo rebentou numa área maioritariamente católica da cidade de Craigavon. A única vítima do atentado, ainda não reivindicado, sofreu ferimentos nas mãos, cara e corpo. Ainda no sábado, extremistas protestantes atingiram com um tiro de rocket o quartel-general do Sinn Fein, em Belfast, havendo a registar apenas danos materiais.

NACIONAL DE ANDEBOL -- O Benfica venceu ontem em casa o Fafe, por 30-21, no final do jogo que completou a 17ª jornada do Campeonato Nacional de Andebol da I Divisão. O Belenenses consolidou a liderança da prova no sábado, ao vencer o FC Porto por 19-18, passando a somar 47 pontos (contra 44 do Benfica, segundo classificado). Na terceira posição, com 40 pontos, estão o ABC de Braga, o Sporting e o FC Porto.

O LÍDER do partido Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, declarou ontem que o seu grupo só iria às eleições de Abril (ver pág. 8) se o rei dos zulus, Goodwill Zwelithini, viesse a ser reconhecido como monarca constitucional da província do Natal, na qual se situa o velho bantustão do Kwazulu. E se houvesse dois boletins separados para escolher a Assembleia Nacional e as assembleias regionais.

ADIADAS NEGOCIAÇÕES NO MÉXICO -- As negociações entre o Governo e a guerrilha zapatista mexicana do estado de Chiapas foi ontem adiado vários dias, anunciou, em San Cristobal de las Casas, Manuel Camacho Solis, nomeado pelo Presidente Carlos Salinas de Gortari para resolver o diferendo. A agência France Presse noticiara durante a tarde que o anúncio da data e do local estava «iminente» (Ver pág. 11). Camacho Solis afirmou no entanto que os representantes do Exército de Libertação Nacional (EZLN) às conversações já tinham sido escolhidos. Os delegados rebeldes «começaram já a sua marcha para diferentes pontos de concentração, de onde serão depois transferidos para o local do encontro», disse, no entanto, o diplomata. Este explicou que o novo atraso se deveu a motivos «de logística e de segurança», admitindo que o início do diálogo está «por uma questão de dias». Primeiro foi o EZLN a afirmar, no dia 2, que as negociações estavam por um fio, depois o próprio Camacho Solis a admitir o seu anúncio para breve.

Daniel Adrião, candidato à liderança da Juventude Socialista e primeiro subscritor da moção «A mudança pra já», insurgiu-se contra o facto de «não estarem a ser respeitadas as regras de democraticidade» durante a eleição de delegados ao Congresso, que está a decorrer desde quinta-feira e se prolongou por todo o fim-de-semana. Adrião está disposto a apelar a António Guterres para que intervenha no sentido de impugnar as eleições. «Se o secretário-geral não fizer nada, vai dar razão àqueles que dizem que ele patrocina a lista A», diz Daniel Adrião, referindo-se à candidatura liderada por Sérgio Sousa Pinto e deixando no ar as palavras «fraude» e «farsa».

Contactada a comissão organizadora do Congresso, foi confirmado ao PÚBLICO que tanto no caso da Faculdade de Letras como na freguesia de Santo António dos Olivais a entrega foi feita depois do prazo e por isso as listas não foram aceites. Quanto à constituição da comissão, o principal responsável pela estrutura encarregada de preparar o Congresso, Paulo Alexandre, afirma que um dos seus membros, o jovem socialista Luís Gaspar, foi indicado pelo próprio Daniel Adrião.

As instituições particulares de solidariedade social (IPSS) vão poder funcionar como «bolsas» de adopção desde que cumpram todos os requisitos estabelecidos para o efeito, por regulamento que deverá estar concluído até final do primeiro trimestre deste ano.

Recorde-se que até aqui os processos de adopção são tramitados pelos Serviços Regionais da Segurança Social, abrindo-se duas excepções para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e para o refúgio Aboim Ascenção de Faro, que possuem serviços de adopção devidamente credenciados.

Uma descarga eléctrica no transmissor de Monsanto, provocada por uma forte trovoada que ontem à noite se abateu sobre Lisboa, obrigou a um corte de cerca de 15 minutos nas transmissões de televisão da RTP e da SIC para todo o país. A TVI, por não transmitir através da mesma cadeia de emissores, foi a única estação não afectada.

Na esmagadora maioria dos casos, a ausência de contrapartidas é praticamente total -- e os próprios capatazes vêem reduzida a sua participação nessas produções a um glorioso anonimato. Fica apenas, para além do emprego sazonal de técnicos, actores e figurantes -- quase sempre destacados para funções folclóricas e grotescas --, a animação de algumas actividades de apoio à rodagem dos filmes. Mas isso em nada altera as regras do regime colonial. E os capatazes instalam-se definitivamente no papel de intermediários prestadores de serviços, fazendo de conta que são «co-produtores» de uma indústria cada vez mais inexistente, mas cuja ficção tem alimentado o discurso oficial do cinema português.

O ressurgimento de um nacionalismo cultural é patente em Portugal, conjugando áreas convencionadas de direita e de esquerda. A Frente Nacional para a Defesa da Cultura foi o mais patético exemplo, que logo derivou para tomadas de posição antieuropeias. No momento em que se consolida a reinscrição de Portugal num quadro europeu, embora de uma Europa afectada pela generalização das febres nacionalistas, há tendência para insinuar os «males» que daquela provêm, num âmbito que em muito ultrapassa o aborto da Frente Nacional.

Se é mesmo para «tudo», não sei. Sei que António Barreto, conjuntamente com Filomena Mónica, recebeu apoio financeiro do European Script Fund, uma iniciativa do Programa Media da Comunidade Europeia, para escreverem o argumento de uma série televisiva, Os Cantos, como é público e notório desde finais de 1992 e foi recentemente confirmado pelos autores em entrevista à «TV-Guia».

São mais os que não se querem prenunciar do que aqueles que têm opinião própria. O debate sobre o modo como o filme «A Casa dos Espíritos» usa alguns dos espaços emblemáticos do imaginário português parece protagonizado por fantasmas. Jorge Sampaio e Almeida Santos dão corpo a teses diferentes. Mas os responsáveis mais directos pela rodagem do filme em Portugal remetem-se ao silêncio. E os números da exibição até nem são maus...

São os melhores e mais brilhantes -- e estão aborrecidos. Essa é a conclusão da primeira avaliação, em 20 anos, do governo federal norte-americano sobre os estudantes mais inteligentes da América.

Mas os cerca de 2 milhões de estudantes norte-americanos que todos os anos realizam testes de inteligência que os colocam entre os 5 por cento com melhores resultados estão muito longe dos seus homólogos de outros países -- de acordo com o relatório do Departamento de Educação.

O entendimento do que é a sobredotação não é um tema particularmente pacífico, nem nos Estados Unidos, nem no resto do mundo. As teses sucedem-se e as teorias sobre a forma de acompanhamento de crianças sobredotadas também. Portugal não é excepção. Mas, se é verdade que continuam a existir opiniões divergentes sobre o assunto, também é certo que, pelo menos para os técnicos do Ministério da Educação, existe uma percepção de como não se devem fazer as coisas.

Consiste na integração da criança sobredotada no sistema regular de ensino, «operando alterações nas oportunidades educativas devidas à especificidade das suas necessidades». O problema é que letra da reforma educativa permite seguir esta via mas a prática nem sempre possibilita a passagem do plano das intenções.

Os americanos estão preocupados com as suas crianças mais brilhantes. Falta dinheiro para programas de acompanhamento de sobredotados e há a sensação de que alguma coisa está a perder-se. Mas o entendimento da sobredotação «à americana» está longe da unanimidade. Quanto a Portugal, os primeiros passos começam agora.

Leiria, Fevereiro de 1994. Rosa Lobato Faria, narradora, dá-nos o contexto: o povo acaba de desencadear «outras forças que puseram em marcha a primeira revolução em Portugal». Estamos perante as primeiras cenas de «O Poder Popular» que, no final da semana passada, foi exibido em Leiria para um círculo restrito de actores, técnicos, figurantes e jornalistas. Mais atrás, José Carlos Oliveira, realizador, como quem se esconde atrás de uma câmara, enquadra a cena e recria -- por que é disso que se trata -- a história dos momentos conturbados na nossa nacionalidade entre 1383-85. Mas agora as preocupações centram-se nos próximos episódios da série «O Rosto da Europa», que deverá ser transmitida pela RTP já no próximo mês de Março.

A estreia de «Ñaque ou Sobre Piolhos e Actores», pelo Teatro Meridional, mais do que um, é três acontecimentos culturais. Sendo o primeiro a inauguração, na Comuna, de uma nova sala, no espaço onde o Bando trabalhou durante os anos 80 e onde houve um incêndio em 1990. A sala ficou bonita, confortável e tem um «foyer» (maior do que a sala de espectáculos) onde pode ser vista uma exposição de fotos que documentam as vidas da Comuna, do Bando e do Teatro Meridional.

Finalmente, o grande acontecimento é o Teatro Meridional a fazer «Ñaque». O grupo trilingue conquistou o público há dois anos com «Ki Fatxiamu Noi Kui», deslumbrou em Outubro de 93 os espectadores de Portalegre com «Cloun Dei» e apresenta agora uma proposta nova. Depois da commedia dell'arte e dos números de clowns, chegou a vez do «ñaque», uma forma de teatro medieval, feito por dois actores (Miguel Seabra, português, e Álvaro Lavín, espanhol).

A justiça é o tema central de duas das películas em concurso no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Tanto «Il Giudice Ragazzino», do italiano Alessandro di Robilant (exibida no domingo), como «In the Name of the Father», do irlandês Jim Sheridan (que será exibida amanhã) baseiam-se em factos reais. O primeiro retrata a coragem de um juiz, assassinado a 21 de Setembro de 1991, o segundo é sobre um erro judicial que obrigou inocentes a cumprirem 15 anos de prisão. «Il Giudice Ragazzino» passa-se no ambiente da Mafia siciliana, «In the Name of the Father», no meio do terrorismo irlandês. Rosário Livatino, um jovem juiz íntegro, é a personagem central do filme italiano. Na obra de Sheridan -- nomeada para sete Óscares da Academia -- recorda-se o calvário judicial de quatro jovens da Irlanda do Norte, condenados a prisão perpétua, em 1975, por atentados bombistas que não cometeram, e libertados, em 1989, depois de a justiça inglesa ter reconhecido o erro.

Depois desta "mea culpa", os reparos dos participantes no encontro de Braga concentraram-se no secretário de Estado da Cultura, Santana Lopes, cuja recente decisão em elaborar um ante-projecto para alterar a Lei de Bases do Património Cultural Português (Lei 13/85) se considerou merecer um debate mais alargado. Nesse sentido, a mesa que presidiu aos trabalhos acordou em mandar uma carta a Santana Lopes para "exigir que os arqueólogos sejam ouvidos", antes de se enviar qualquer proposta para a aprovação da Assembleia da República.

Uma democrática mescla de idades e características sociais «invadiu» o clube rock Johnny Guitar na sua reabertura no passado fim-de-semana. Desde o quarentão mais provável de se encontrar no Plateau ou Xafarix, até ao adolescente "grunge" mais ou menos convicto, passando por metálicos, bétinhos, moçinhas à entrada dos vintes com suas mães, e boémios em geral, todos vieram prestar a sua homenagem à reabertura de um local único no panorama nocturno lisboeta. Para provar que do «folcore rock» afinal todos gostam, apesar das diferentes latitudes e formas de expressão que ele encerra.

Entretanto, a audiência, na maior parte conhecedora dos temas em questão, divertia-se com a actuação, isto apesar do calor que se verificava e dos constantes empurrões resultantes do facto de a sala estar bastante cheia. O que significa, portanto, que as noites "rockeiras" estão de volta a Santos, esperando-se agora a programação dos concertos e dos "fins-de-semana alucinantes" ao som das sonoridades de maior peso da actualidade.

A ministra grega da Cultura, Mélina Mercouri, está internada no Memorial Hospital de Nova Iorque, nos Estados Unidos, para ser submetida a uma série de exames, noticia a France Press. Actualmente com 69 anos, Mercouri já foi operada, no mesmo Hospital, para retirar tumores nos pulmões, em 1989. Passados dois anos, foi alvo de outra intervenção cirúrgica, desta vez em Paris, à coluna vertebral. Na mesma altura, foi-lhe tratada uma embolia pulmonar.

Curiosamente, Ailton não foi a primeira escolha do clube da Luz, mais interessado nos serviços do colombiano «El Trem», que só não veio porque seria um descaramento pagar milhões pelo seu passe quando não havia dinheiro para pagar a conta da água. «El Trem» estaria certamente bem mais próximo daquilo a que Toni chama ponta-de-lança perfeito, mas isso não o impediu de ser um fracasso no Bayern de Munique. Por bem menos (um milhão de dólares, na altura cerca de 160 mil contos), o Benfica tem conseguido fazer a festa com Ailton, que já leva oito golos marcados no campeonato e quase todos decisivos.

A autarquia de Felgueiras acaba de apresentar mais uma classificativa que irá integrar o Rali de Portugal/TAP, depois de se ter estreado no ano passado com o troço de Santa Quitéria, também ele traçada para fins desportivos.

Com 7,6 km, esta classificativa do Seixoso tem a grande novidade de um charco de água, com cerca de 80 m de comprimento e 8 cm de profundidade, e um sempre espectacular salto, numa zona onde se deverão concentrar milhares de espectadores, portugueses e espanhóis, que poderão ver simultaneamente estes dois momentos. De registar ainda a colocação de um ecrã gigante nesta zona, que permitirá ver a transmissão que a RTP2 irá fazer desta classificativa, fixando o público e aumentando a segurança.

Sérgio Araújo, jogador que Raul Águas foi buscar ao Brasil no decurso da actual temporada, é o novo líder do ranking do PÚBLICO, com treze décimas de vantagem sobre João Vieira Pinto. Ilustre desconhecido, o brasileiro é um dos responsáveis pela excelente recuperação do Vitória de Setúbal, uma formação que conta, aliás, com um conjunto de praticantes muito jovens e prometedores.

A entrada de Paulo Madeira para o lugar até agora ocupado por Tavares é a única alteração verficada esta semana nos 22. Com a saída de Tavares, o Boavista vê-se privado do seu representante solitário, o que reflecte de algum modo o período menos fulgurante que a equipa atravessa. Por sua vez, o FC Porto continua a ter apenas um jogador em plano de destaque: Semedo. Com Bobby Robson no leme pode muito bem acontecer que algumas figuras portistas venham a recuperar posições entre os mais regulares. Realce ainda para as presenças de Chico Oliveira (Paços de Ferreira), Milton Mendes (União da Madeira) e Cacioli (Gil Vicente). Eles são uma espécie de «oásis» nas suas equipas. O salgueirista Sá Pinto, cobiçado pelos grandes, continua entretanto a confirmar-se como um dos novos valores nacionais.

Scottie Pippen, dos Chicago Bulls, foi o MVP (Most Valuable Player). A sua equipa, a do Leste, venceu a do Oeste por 127-118 e ganhou o 44º «All-Star Game». O resto foi o espectáculo do fim-de-semana das estrelas, que terminou domingo em Minneapolis, Minnesota. Para os portugueses que gostam do basquetebol americano, a novidade foi a transmissão televisiva, via RTP. Em directo e a cores, lá estavam as actuais estrelas da NBA. Quanto ao jogo, foi menos espectacular do que se podia esperar. Fizeram falta os ausentes, como Michael Jordan, retirado, ou Charles Barkley, lesionado, e decepcionaram alguns presentes, como o jovem Shaquille O'Neal, que só conseguiu oito pontos. Brilhou, entre outros, Scottie Pippen (na foto, a tentar o cesto), que marcou 29 pontos, ganhou 11 ressaltos e o título de jogador mais valioso. Mais do que isso, Pippen deu um grande passo para sair da sombra da estrela das estrelas, o seu ex-colega Michael Jordan.

Colocar definitivamente a Liga na cabeça da organização do futebol profissional e resolver os problemas de fiscalidade, que afectam a generalidade do clubes, são as razões que levaram Valentim Loureiro a aceitar manter-se na presidência da Liga dos Clubes de Profissionais de Futebol.

Domingos Castro, o mais notável ausente do crosse das Amendoeiras, ganhou domingo à tarde o Crosse de Cáceres, em Espanha, percorrendo os dez quilómetros da prova em 30m12s. Na ausência da quase totalidade dos melhores espanhóis, o sportinguista teve por mais próximo concorrente o queniano Kibiego Kororia, que marcou na meta mais dez segundos.

A nível interno, realce para a meia-maratona Campisport, disputada domingo entre o Porto e Matosinhos. Venceu António Pinto (Maratona C.P.), com 1h02m20s, dois segundos à melhor sobre Paulo Catarino (Casa do Benfica do Porto), enquanto o benfiquista Joaquim Silva era terceiro (1h02m38s). A individual Mónica Gama ganhou no sector feminino, em 1h12m11s, com claro avanço sobre Manuela Dias (Maratona da Maia -- 1h14m50s).

Boris Becker voltou às vitórias após dois meses em que esteve afastado dos «courts», para assistir ao nascimento do seu filho. O campeão alemão, cabeça-de-série nº 5, triunfou no torneio de Milão, prova do ATP Tour, dotada com 813.750 dólares em prémios, derrotando na final o checo Petr Korda, nº 6, por 6-2, 3-6 e 6-3.

Gilbert, que subiu para o 26º lugar do «ranking», causou a grande surpresa da prova quando, nos quartos-de-final, afastou Jim Courier, primeiro cabeça-de-série. Martin e Courier serão dois dos principais favoritos à vitória no torneio de Filadélfia (713.750 dólares) que se realiza esta semana, e onde o principal candidato será o líder mundial, Pete Sampras, que regressa à competição após o triunfo no Open da Austrália.

Em Barcelos continuam a chorar a sua saída e Drulovic também pareceu sentir a falta dos ares minhotos. Marcou sete golos em apenas 11 jornadas com a camisola do Gil Vicente, mas uma camisola como a do FC Porto pesa bem mais e o sérvio só agora começa a rentabilizar com golos o pequeno e polémico investimento dos responsáveis portistas. Os dois tentos da vitória sobre o Marítimo devem dar-lhe a tranquilidade necessária para confirmar a qualidade do seu futebol.

Qualquer outro treinador já teria sucumbido às alfinetadas de Pimenta Machado. Pedroto parece ter encontrado a fórmula ideal para lidar com a personalidade do presidente vimaranense -- suporta bem as críticas e vai alterando o que lhe dizem estar mal. Já vai na quinta jornada sem vitórias e tanta abertura de nada lhe servirá se o Guimarães continuar a perder terreno na luta pela Europa.

Disputa-se esta tarde a sétima eliminatória (quartos-de-final) da Taça de Portugal em futebol. São apenas quatro as equipas da I Divisão ainda em prova, sendo que as restantes disputam os «Nacionais» de Honra, II B e III divisões. Em Vila do Conde, Rio Ave e Estrela da Amadora discutem, a partir das 15 horas, sob a arbitragem de Carlos Valente (Setúbal) o acesso às meias-finais. Os restantes três encontros terão início pelas 16 horas: Lourosa-Belenenses (José Pratas, de Évora); Sporting-Trofense (Fortunato Azevedo, de Braga) e FC Porto-Aves (Pinto Correia, de Lisboa).

O trimarã do navegador francês Olivier de Kersauson, o «Lyonnaise des Eaux-Dumez», passou domingo pelas ilhas Kerguelen (Índico) depois de ter estabelecido entre quinta e sexta-feira um novo recorde mundial de distância percorrida em 24 horas à vela, segundo o rastreio pelo satélite Argos, informou o gabinete da prova «Volta ao Mundo em 80 Dias». Kersauson, que segue atrás do neozelandês Peter Blake, no «Enza New Zealand», foi creditado com 524,6 milhas náuticas, a uma velocidade média de 21,858 nós.

Entre as principais bolsas internacionais, a de Frankfurt foi a que maiores ganhos averbou durante a sessão de ontem. No final do dia o índice DAX cotou-se nos 2116,01 pontos, mais 1,21 por cento face ao valor de fecho da passada sexta-feira. Os investidores acreditam que na sua reunião da próxima quinta-feira o Bundesbank vai mesmo descer as suas taxas de juro e por isso o mercado começou já a antecipar tal redução.

Dos nove sectores que compõem o índice Geral da Bolsa de Madrid apenas os valores das empresas de comunicação e metalomecânica registaram apreciações. Os restantes sete grupos terminaram em baixa sendo de salientar a queda de 10,3 pontos do índice das empresas de construção. O volume de negócios do contínuo espanhol desceu face ao valor de sexta-feira atingindo os 26 mil milhões de pesetas. O índice Geral terminou nos 345,82 pontos.

A meio da sessão de ontem o índice Dow Jones da Bolsa de Nova Iorque cotava-se nos 3884,78 pontos o que representa um retrocesso de 0,26 por cento face ao valor de fecho de sexta-feira. Um analista afirmou que os investidores foram influenciados negativamente pelo desentendimento entre americanos e japoneses quanto ao défice comercial entre os dois países. Os Estados Unidos anunciaram já que poderão tomar medidas retaliadoras.

Tóquio encerrou a sessão de ontem em baixa acentuada. O fracasso das negociações entre americanos e japoneses para a redução do défice comercial desmotivou os investidores. Bill Clinton anunciou já que poderá tomar medidas de retaliação contra as exportações japonesas. Ontem o iene valorizou-se face ao dólar o que retira, desde já, competitividade aos exportadores nipónicos. O índice Nikkei encerrou com uma perda de 2,7 por cento.

O Banco de Fomento e Exterior, liderado por Miguel Cadilhe, baixou de novo a sua «prime-rate», a taxa de juro para os clientes, que se situa agora em 13,25 por cento, menos meio ponto percentual que até ontem. A descida abrange, além dos clientes do banco, o Borges & Irmão, a Euroleasing, a Leasinvest, a Euro-Financeira, a Euro-Leasimóveis, a Exinfactor e a Euro-SFAC. Para os exportadores, a nova «prime-rate» é de 13 por cento. Em paralelo, a taxa de juro do crédito à habitação desce para 13,75 por cento. A descida produz efeito a partir de amanhã.

A Companhia Industrial de Cerâmica Cinca convoca os seus accionistas para reunir em assembleia geral, pelas 15 horas do próximo dia 17 de Março, na sua sede social. São seis os pontos da ordem de trabalhos, a saber: deliberar sobre o relatório de gestão e sobre as contas de 1993; deliberar sobre o balanço e as contas consolidadas do grupo referentes ao ano passado; deliberar sobre uma proposta de aplicação de resultados; proceder à apreciação geral da administração e fiscalização da sociedade em 1993; eleger o membro suplente do conselho fiscal até ao final do triénio em curso de 1993 até 1995 para preenchimento da vaga respectiva; apreciar qualquer assunto de interesse para a sociedade.

Como consequência do fracasso nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Japão, o iéne iniciou a semana a valorizar-se fortemente relativamente à generalidade das restantes divisas, apesar das repetidas intervenções do banco central nipónico que comprou dólares após a quebra da barreira dos 106,00 iénes.

A libra apresentou-se pressionada em relação às crescentes expectativas de uma nova redução na taxa base do Banco de Inglaterra, após a divulgação de uma subida (mais baixa que a esperada) no índice de preços de produção britânicos durante o mês de Janeiro.

Prolongando o fim-de-semana, a maior parte dos investidores estiveram ontem ausentes das bolsas nacionais. A troca da Bolsa pelo Carnaval reduziu os negócios ao mínimo indispensável. Foi uma sessão apenas para cumprir calendário. Os volumes movimentados foram dos mais baixos do ano.

Durante a sessão de ontem os negócios mais importantes decorreram em redor de empresas sobre as quais se especula sobre os seus resultados. Tal é o caso da Papelaria Fernandes e da Reditus. Quanto ao primeiro, os investidores estão confiantes numa melhoria dos resultados da papeleira. O ano de 1992 não correu de feição à Papelaria Fernandes uma vez que a empresa teve de pagar os custos da sua reestruturação. No entanto, os investidores acreditam que 1993 terá corrido melhor e por isso apostam neste papel. Desde o início do mês de Fevereiro que as cotações da empresa já se valorizaram 25 por cento.

As exportações de bens e serviços para fora da Comunidade Europeia diminuíram 3,5 por cento entre Janeiro e Novembro de 1993, indicam os dados preliminares do comércio extracomunitário divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No mesmo período, as importações registaram um aumento de 1,9 por cento, tendo em conta os valores registados em igual período do ano anterior. Se se considerar apenas o mês de Novembro do ano passado, conclui-se que houve um aumento tanto nas exportações como nas importações, de respectivamente 27,3 por cento e 16 por cento.

No que respeita às importações, verificaram-se decréscimos nas trocas entre Portugal, a EFTA e os PALOP's, estabilidade na compra de produtos e serviços americanos e aumentos com o Japão (mais 2,6 por cento) e os países da OPEP (mais 18,3 por cento).

A Delta Airlines, a terceira maior companhia de transportes aéreos dos Estados Unidos, quer fortalecer as suas operações no Atlântico Norte, nos voos entre os Estados Unidos e a Europa. «Apesar dos nossos resultados transatlânticos em 1993 terem mostrado uma melhoria, ela não é suficiente», disse o presidente da empresa, Ronald Allen. Para já, a Delta vai interromper o serviço diário entre San Francisco (nos EUA) e Frankfurt, fortalecendo, em contrapartida, as ligações entre os voos domésticos e internacionais da empresa, a partir de Nova Iorque.

Relativamente à ligação a Lisboa, que actualmente assegura com dois voos semanais, o comunicado da Delta não refere qualquer alteração. A Delta é uma das companhias norte-americanas que a TAP contactou na tentativa de um acordo de cooperação. J.S.

A Shell vai fazer um ultimato à Parque Expo. Quer sete milhões de contos para sair de Cabo Ruivo. A empresa não nega, no entanto, que se houver uma solução concertada entre as petrolíferas privadas, aquele valor possa baixar

Em contrapartida, a proposta feita pela Parque Expo à Shell prevê uma indemnização de cerca de 1,8 milhões de contos. O montante refere-se ao valor contabilístico dos activos da empresa em Cabo Ruivo que, posteriormente, poderia ser completado com base na decisão de uma comissão arbitral a nomear por ambas as partes, comprometendo-se estas a aceitar o valor final que viesse a ser apurado. A solução proposta pela Parque Expo é idêntica ao acordo que foi já firmado com a Petrogal e que, neste caso, garante uma indemnização mínima de 12 milhões de contos.

A estratégia portuguesa para a redução da inflação, do défice orçamental e da dívida pública com vista à participação na União Económica e Monetária foi ontem aceite pelos ministros das Finanças da União Europeia, que a consideraram assente em «pressupostos realistas». Os Doze sublinham todavia que o seu cumprimento depende da aplicação «firme e vigorosa» da política de consolidação fiscal.

Este exercício de fiscalização insere-se na nova legislação em vigor desde o início do ano que agrava as penalizações sobre os crimes fiscais e passou a prever penas até cinco anos de prisão. De acordo com o ministro, o novo quadro legal, que considera um «elemento preventivo muito importante da evasão fiscal», passa a considerar crime actos como a retenção indevida pelas empresas do IRS ou dos reembolsos do IVA.

Na sessão de ontem do Mercado Monetário Interbancário, o Banco de Portugal voltou a descer as taxas directórias, fixando a taxa de absorção regular de fundos nos 9,125 por cento e a de cedência de liquidez nos 10,125 por cento, um decréscimo de 0,125 pontos percentuais, mantendo, no entanto, a taxa da facilidade diária nos 11,5 por cento (ver pág. 27).

Nos prazos mais longos, onde a actividade se manteve reduzida, verificou-se igualmente um ajustamento das taxas de juro, com a Lisbor a fixar-se nos 10,0315 por cento, 10,0158 por cento e 9,9688 por cento a um, três e seis meses, respectivamente.

O Banco de Portugal desceu ontem, pela segunda vez neste mês, as suas taxas de intervenção em um oitavo de ponto percentual. A taxa de absorção de liquidez baixou de 9,25 por cento para 9,125 por cento e a taxa de cedência de 10,25 para 10,125 por cento. A medida praticamente não provocou reacção no mercado, tendo-se mantido a níveis equivalentes aos de sexta-feira a cotação do escudo face às principais divisas europeias. As taxas de juro praticadas pelo Banco de Portugal desceram já 0,875 pontos percentuais desde o início deste ano.

No mercado cambial, o marco apreciou-se ligeiramente contra o escudo logo no início da sessão, cotando-se próximo dos 101 escudos. Face à peseta e às outras divisas europeias, a moeda nacional transaccionou-se a valores semelhantes aos do encerramento de sexta-feira. C.T.

Ninguém sabe que fenómeno se encontrará na sua origem, mas uma coisa parece certa: o número anormalmente elevado de deformações congénitas dos membros superiores que está a surgir entre os bebés recem-nascidos britânicos não se deve ao acaso.

Só na região de Ayrshire, na Escócia, nasceram pelo menos oito bebés com estas deficiências entre 1991 e 1993. E, destes oito casos, três ocorreram na pequena cidade de Irvine em apenas 21 meses. O mesmo fenómeno produziu-se no Nordeste de Inglaterra, sobretudo nas cidades vizinhas de Hartlepool e Peterlee (oito casos em três anos) e na ilha de Wight (quatro casos em Ryde, em 15 meses).

As crianças negligenciadas pelos pais tornam-se geralmente adultos obesos, diz um estudo dinamarquês publicado no jornal médico «The Lancet» e citado pela Reuter. «Crianças sujas e negligenciadas correm um risco muito maior de obesidade na idade adulta do que as crianças que são bem cuidadas», escrevem os autores, pertencentes à Universidade de Copenhaga. Entre as 756 crianças estudadas desde os nove anos até à idade adulta, 28 foram consideradas pelos seus professores como «sujas e negligenciadas». Oito dessas crianças (29 por cento) tornaram-se adultos obesos. Já entre as crianças bem cuidadas, 29 (apenas sete por cento) tornaram-se gordas. «A negligência dos pais pode causar um estado psicológico que altera o equilíbrio energético devido a alterações comportamentais (comer demais e inactividade física) ou alterações do estado hormonal que influenciam o armazenamento de gorduras».

A visita a Saturno e ao seu satélite Titã, que a ESA e a NASA planeiam para o início do próximo milénio, conta com um atractivo suplementar: é que a lua do grande planeta dos anéis possui uma atmosfera semelhante à que existia na Terra antes do aparecimento da vida. Quem sabe se Titã encerra o segredo da vida?

A evolução do estado de saúde das pessoas infectadas pelo vírus da sida pode ser muito variável: há quem consiga conviver muito anos com o HIV sem sintomas e quem adoeça muito rapidamente. E, actualmente, ainda não se sabe prever o percurso de cada pessoa. Mas, num artigo publicado recentemente no órgão oficial da Academia das Ciências dos Estados Unidos («Proceedings of the National Academy of Sciences»), investigadores norte-americanos dizem que pensam ter descoberto a maneira de fazer este tipo de previsões.

Os investigadores dizem que precisam de realizar um estudo mais amplo para garantir as suas conclusões. Mas, se as suas expectativas se confirmarem, o teste será -- como todos os testes preditivos de doenças mortais que ainda não têm cura -- uma autêntica faca de dois gumes. De facto, qual é o seropositivo que vai querer saber a data exacta em que se vai declarar a doença? Segundo os cientistas, contudo, é preciso desenvolver um teste deste tipo, pois ele poderá ser útil para testar a eficácia de novos medicamentos contra a sida. A.G.

Nadar no mar pode originar pequenos problemas de saúde mesmo que a água seja limpa, diz um estudo britânico citado pela Reuter. «O estudo demonstrou pela primeira vez que a própria água do mar tem efeito sobre os banhistas, causando um aumento de alguns sintomas, como irritação dos olhos, dores de ouvidos e erupções da pele», afirmou o ministro do Ambiente britânico Robert Atkins. O estudo pretendia determinar os riscos para a saúde pública originados pelas bactérias presentes nas águas dos esgotos e que são lançadas no mar. Inquéritos a mais de 16 mil banhistas em 13 praias britânicas, levados a cabo pelo Centro de Investigação da Água durante quatro anos, confirmaram uma relação entre a poluição marítima e a gastrenterite e diarreia. Mas para apanhar estas doenças é preciso nadar em águas extremamente poluídas, enquanto 80 por cento das praias britânicas respeitam as normas da União Europeia, disse Atkins.

A desadaptação crescente entre a tecnologia cada vez mais sofisticada que usamos e o conhecimento que temos dela faz com que coloquemos as nossas refeições no micro-ondas sem saber bem o que vai acontecer à comida -- à parte uma razoável certeza de que vai ficar quente -- ou comprar um vídeo com uma tão grande variedade de recursos que, na maioria dos casos, a vida (nossa e do aparelho) não chega para os conhecermos completamente.

Muitas das forças internas e externas não se conformam com a possibilidade de a riquíssima África do Sul vir a ser administrada por um ANC fortemente aliado aos comunistas, pelo que tentam a todo o custo impedi-lo, inclusive desmembrando o país. É a essa luz que se poderão ler as reivindicações de um estado boer ou de um reino zulu.

«Chegámos ao fim da estrada», sintetizou o monarca, que em duas sessões anteriores efectuadas desde há um mês não havia conseguido convencer De Klerk a reservar um lugar muito especial, de vasta autonomia, para a região onde desde há mais de 200 anos vive o maior grupo étnico do país.

A UNITA defendeu ontem em Lusaca a «efectiva descentralização» de Angola, bem como a sua participação e a de outros partidos da oposição «em todos os níveis de governação».

Entretanto, também tem vindo a ser debatido o mandato da futura Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola (Unavem III), mas o número de capacetes azuis a enviar dependerá em última instância daquilo que vier a ser decidido no Conselho de Segurança e das disponibilidades financeiras da organização.

Nem o início do Ramadão nem o advento da Quaresma cristã, nem os apelos do arcebispo de Argel, impediram o regresso da violência e dos julgamentos de islamistas por tribunais especiais. Um produtor de televisão foi ferido a tiro na capital argelina.

O atentado ocorreu no mesmo dia em que o arcebispo de Argel, Henri Teissier, apelou ao fim da violência no país, por ocasião do mês de jejum do Ramadão, que este ano coincide com a Quaresma cristã.

O principal partido da oposição na Bielorússia, a Frente Popular (reformista), apelou a uma greve geral na antiga república soviética a partir de hoje, pressionando pela dissolução do parlamento e pela queda do governo conservador.

A palavra de ordem de greve geral ocorre quase um mês depois da destituição, em meados de Janeiro, pela maioria conservadora no parlamento, do antigo Presidente reformador Stanislav Chouchkevitch.

Um candidato do Movimento Social Italiano (MSI), Nello Musumeci, foi eleito este fim de semana, com o auxílio dos votos da esquerda, presidente da província da Catania, porto siciliano no sul do país onde há um mês um presidente de câmara de esquerda foi eleito por larga margem. Musumeci, secretário do MSI para a região, obteve à segunda volta destas eleições parciais 66,35 por cento dos votos face ao candidato centrista do Pacto por Itália (PI), Stelio Mangiameli. A taxa de abstenção foi muito forte, um pouco mais de 60 por cento. Na primeira volta, a esquerda dividida apresentou dois candidatos que não conseguiram passar à segunda volta. Andrea Scuderi, candidata do Partido Democrático de Esquerda (PDE, ex-comunista) e os Verdes apelaram então abertamente ao voto no candidato do MSI, para barrar o caminho «à velha Democracia Cristã» que governou a província durante décadas. «Não se tratou de escolher entre a esquerda e a direita, mas entre o velho e o novo», disse Musumeci.

O Presidente búlgaro, Jelio Jelev, assinou ontem em Bruxelas a Parceria para a Paz, esperando que a NATO possa convencer a Rússia a participar na segurança europeia e a combater as ambições imperialistas de certas forças extremistas em Moscovo. Jelev disse defender uma posterior adesão completa do seu país na NATO. «Os argumentos da Bulgária para participar na NATO não contêm nenhum elemento que possa ser considerado como dirigido contra a Rússia. Pelo contrário, apoiamos as forças democráticas e reformistas russas e desejamos que elas triunfem», disse ele em Bruxelas. «Esperamos verdadeiramente que a NATO esteja prestes a encontrar os meios adequados para comprometer a Rússia no quadro da segurança europeia, mantendo sob controlo as ambições imperialistas alimentadas por alguns candidatos a ditadores», referiu Jelev, aludindo aparentemente a Vladimir Jirinovski, líder do Partido Liberal Democrático da Rússia, que tem feito declarações sobre a necessidade de «recuperação da antiga grandeza» da Rússia. A Bulgária é o oitavo país a aderir à Parceria, um programa de cooperação com a NATO (manobras, operações, planeamento comuns). A Letónia, em cerimónia semelhante, tornou-se também ontem no nono. Roménia, Lituânia, Polónia, Estónia, Hungria, Ucrania e Eslováquia já fazem parte da Parceria.

A HISTÓRICA Zululândia que tanto está agora a agitar de novo a política sul-africana fica no nordeste da província do Natal, junto à fronteira com a Suazilândia e Moçambique, e é a terra dos zulus, povo bantu da família nguni, à qual também pertencem os suazis e os xhosas.

O sucessor de Mpande, Cetshwayo, foi menos brando do que ele para com os invasores boers e britânicos, tendo-se recusado a desmantelar o Exército e a colocar-se sob o protectorado de Londres. Mas acabou por ser derrotado em 1879 e a Zululândia foi dividida em 13 pequenos reinos ou reservas para negros.

Gwanda Chakuamba, condenado a 22 anos de prisão por ter querido matar o Presidente Kamuzu Banda, foi escolhido pelo partido no poder para assumir a sua vice-presidência. Mas, embora relativamente jovem, enérgico e rebelde, o virtual sucessor daquele que durante três décadas governou o Malawi com mão de ferro vai receber uma herança pesada.

«Ele é um sobrevivente e mostrou-se isso hoje», disse à agência Reuter um dos delegados ao encontro. «Ainda há poucos meses ele era um preso político, apenas conhecido pela sua rebeldia; hoje, lança o MCP para uma nova mas incerta era», acrescentou a mesma fonte.

Alcochete vai desenvolver a sua zona ribeirinha com a construção de um hotel residencial de três estrelas, um campo de golfe e um centro náutico com uma escola de canoagem e um estaleiro de barcos típicos do Tejo.

A Al-Foz é constituída por vários empresários de Alcochete, que estão, segundo o gerente Fernando Pessoa, preocupados com a «possibilidade de Alcochete se tornar, após a construção da nova ponte, em mais um dormitório de Lisboa». Considera Pessoa que Alcochete tem «condições naturais para ser uma zona de lazer e de alta qualidade».

«Negligência e irresponsabilidade». A acusação é da Comissão de Estudo e Defesa de Alpedrinha (CEDA) e dirige-se à Junta Autónoma de Estradas, que insiste em levar avante o traçado previsto para o túnel da Gardunha, «apesar de estar consciente de que ele constitui um erro.»

A leitura que a CEDA faz de tais afirmações é a de que «o traçado existente resultou de uma metodologia errada e não é bom, mas é provável que seja executado porque, pura e simplesmente» não haverá vontade para o alterar. Apesar de não ser ainda conhecido o relatório final do projecto, a JAE já deu sinais de querer adjudicar a obra. «Senhor presidente, digne-se dizer-nos: o que faz mexer a Junta Autónoma?»

Um cantoneiro, de 34 anos, residente em Crestuma, Vila Nova de Gaia, foi baleado, ontem, cerca das 11h00, na sua própria casa, por um indivíduo que até ao momento se encontra por identificar. Às 11h20, deu entrada no Hospital de Gaia, transportado por uma ambulância dos Bombeiros de Avintes, em estado de coma, vítima de diversos disparos de arma de fogo, de calibre desconhecido. Momentos mais tarde, a sua esposa compareceu no posto da PSP daquela unidade hospitalar, declarando desconhecer a identidade do autor dos disparos e não saber se o marido o conhecia ou não.

No Bar Início, Rua Presidente Arriaga 55, há enterro do Carnaval, com poesia satírica e textos cómico-absurdos, ditos por Jorge Vieira. Em destaque estão António Aleixo, Alberto Pimenta, Augusto Gil, Bocage, Cesário Verde, Gil Vicente, João de Deus, José Alberto Marques, Mário Henrique Leiria e Mário de Sá Carneiro.

O antigo Cine-Teatro Chaby, em Mem Martins, deverá ser recuperado para aproveitamento cultural, segundo defendeu recentemente a presidente da Câmara de Sintra, Edite Estrela. Questionada pelo deputado municipal Rui Viveiros sobre a apresentação de um projecto para um prédio no terreno do antigo cinema, a autarca confirmou que o processo deu entrada nos serviços camarários em finais de Dezembro, mas acrescentou que ainda não houve qualquer decisão sobre o assunto.

Dois homens armados e encapuçados assaltaram, na noite de domingo, o posto de abastecimento de combustíveis da Shell em Alverca, tendo fugido com cerca de 300 contos, segundo informou um responsável da GNR. O assalto ocorreu pelas 21h50, tendo um dos assaltantes, armado de caçadeira, efectuado um disparo para o interior do escritório, sem que, no entanto, tenha alvejado o funcionário de serviço. O outro assaltante, de acordo com a participação, empunhava uma pistola de calibre desconhecido. Os assaltantes, de estatura média e olhos claros, fugiram num automóvel Ford Escort, de matrícula desconhecida, em direcção a Lisboa. A ocorrência foi comunicada à Polícia Judiciária, que procede a mais averiguações.

Um fogo destruiu, no domingo à noite, uma sala da cave onde estava instalado o guarda-roupa do Teatro Experimental da Comuna, na Praça de Espanha, em Lisboa. A Polícia Judiciária, que está a investigar o caso, não exclui a hipótese do incêndio ter origem criminosa.

O Regimento de Sapadores Bombeiros enviou para o local sete viaturas e trinta homens. O fogo, que estaria extinto cerca de duas horas depois de detectado, só destruiu a divisão onde se deu, pelo que todos os espectáculos marcados se mantêm. Os prejuízos, segundo responsáveis do teatro, apesar de avultados, estão cobertos pelo seguro.

O Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) decidiu manter a decisão do júri do primeiro concurso público para a construção de habitações económicas, referente a uma urbanização de 340 fogos a construir em Almada, disse o seu presidente ao PÚBLICO.

Os cerca de 600 campistas que se encontram instalados no Covão d'Ametade, na Serra da Estrela, foram ontem aconselhados pelos Bombeiros da Covilhã a abandonar o local, não pelo facto de ali permanecerem sem autorização dos responsáveis do Parque Natural da Serra da Estrela, mas porque as condições climatéricas, com fortes nevões, podem pôr em causa a sua segurança.

Depois de um processo negocial conturbado com os sindicatos, a administração da Casa Hipólito demitiu-se em bloco, considerando não ter condições para continuar a trabalhar. A penhora de todo o património da empresa por parte da Segurança Social e as disputas entre os credores foram a gota de água.

No final de Janeiro, os trabalhadores receberam apenas oitenta por cento dos seus ordenados, tendo encetado negociações para o pagamento do restante e de metade dos subsídios de férias e de Natal, ainda pendentes.

Um incêndio destruiu parcialmente, durante a madrugada de ontem, uma fábrica de calçado em Avintes, Vila Nova de Gaia, não se registando danos pessoais. O incêndio deflagrou às 0h10 e destruiu completamente o armazém da fábrica, tendo sido combatido durante toda a madrugada pelas corporações de bombeiros de Avintes, Coibrões, Carvalhos e vila Nova de Gaia. A existência de apenas uma porta provocou grandes dificuldades de acesso ao armazém, concentrando o fumo dentro das instalações e obrigando os bombeiros a utilizarem máscaras de oxigénio no combate às chamas, de acordo com a agência Lusa.

A noite está escura, sem réstia de luar, o Tejo vai cheio e a corrente move-se forte. Ti Júlia «Maçaroca», 82 anos de idade, nascida e criada com o rio nas mãos, repete conselhos e orientações, porque com o Tejo não se brinca. Medo? «Não, respeito». Não sabe nadar, mas sempre pescou, e ainda pesca, muitas vezes sozinha. Sempre se deu bem com a água, tal como com a terra, onde chegou a trabalhar na agricultura. É uma figura de referência das Caneiras, uma comunidade de avieiros, aos pés de Santarém.

Nas primeiras décadas deste século, pescadores de Vieira de Leiria deixaram o mar e desceram ao Tejo. Entre Alpiarça e Alhandra fundaram diferentes comunidades piscatórias, que sobreviveram graças ao muito peixe que já existiu naquelas águas. Primeiro dormiam nos barcos, depois conquistaram as margens e ergueram casas de madeira sobre estacas. Sempre de frente para o rio.

O fado, muito cantado naquelas bandas, é mais um elemento que, de quando em quando, atiça as velhas rivalidades, com todos a quererem ser os melhores. Apesar de tudo, respira-se tranquilidade na aldeia, que actualmente conta com cerca de 300 habitantes permanentes. População que aumenta para o dobro com a presença, quase diária, daqueles que optaram pela capital ribatejana.

Uma embalagem de pastéis de feijão e um diploma assinado pelo rei do Carnaval de Torres Vedras foram as ofertas que os organizadores do corso daquela cidade levaram a Cavaco Silva, ontem de manhã, à presidência do Conselho de Ministros, em Lisboa. Tratou-se de um agradecimento pelo facto de, ao contrário do ano passado, o primeiro-ministro ter decidido dar tolerância de ponto na terça-feira «gorda».

Para António Carneiro, a oferta deste ano é sincera, nada tendo de hipócrita, como a do ano passado, altura em que o primeiro-ministro decidiu que não havia Carnaval para ninguém. «Esta é uma tradição portuguesa, única fonte de receitas para milhares de colectividades de cultura e recreio espalhadas por todo o país e, por isso, não fazia sentido que não se pudesse festejar». Além do mais, os festejos em honra do Rei Momo são caros e de organização demorada, pelo que convém trabalhar «sem ter o credo na boca», adiantou o vereador.

A centenária empresa Lanifícios Tejo, instalada em Alenquer desde 1889, está na contingência de encerrar as portas pela segunda vez nos últimos anos, uma vez que a sua dívida ultrapassa o milhão de contos. Os trabalhadores, ao abrigo da lei dos salários em atraso, podem vir a suspender os contratos.

«Propôs prazos para pagamento do que estava em atraso, mas até hoje ainda não cumpriu», frisou a sindicalista. «Depois do reactivar da fábrica, já há novamente salários atrasados na ordem dos quatro e cinco meses, pelo que os trabalhadores pretendem suspender os vínculos, aguardando o desenvolvimento do processo de recuperação», adiantou Cidalina Baptista.

A Câmara de Vila Franca de Xira aprecia, amanhã, uma proposta de alteração da planta de condicionantes do Plano Director Municipal (PDM), que preconiza a libertação de terrenos situados ao norte do concelho, na zona da Vala do Carregado, de restrições impostas como faixa de reserva para uma eventual construção do futuro Itinerário Complementar 11 (IC11).

Quando a edilidade vilafranquense procedeu à elaboração do seu PDM, a JAE mantinha ainda duas hipóteses alternativas para o percurso do IC11: uma mais a norte, próximo do nó rodoviário do Carregado e em território de Alenquer, e outra a sul, na zona da Vala do Carregado, no concelho de Vila Franca de Xira.

Anunciado há duas semanas -- com o tema da guerra colonial --, De Caras volta a não constar hoje da programação do Canal 1. E aquilo que há 15 dias parecia resultar de um reajustamento momentâneo e de última hora da contraprogramação com que José Eduardo Moniz entendeu responder ao confronto directo da SIC, veio a revelar-se menos circunstancial. De Caras eclipsou-se da RTP, na esteira do eclipse do próprio Moniz. Dizem as crónicas remanescentes da novela Moniz-RTP-TVI dos últimos dias que a principal personagem da história rumou em oportuna viagem, meio turística meio oficial, a Macau e à China.

Mas tudo mudou. A começar pelo dinheiro e também por outra sensibilidade política perante a chamada "concorrência desleal". Até porque, se alguma coisa não tivesse mudado ao nível governamental, qual o futuro das privadas, senão ainda mais negro do que se apresenta com quatro canais comerciais para um mercado tão curto como o português?

O PSD está hoje transformado num partido federalista. O seu projecto para Portugal é o da progressiva transferência de soberania nacional para Bruxelas. Os seus dirigentes temem confessar o seu federalismo em público. Mas já não conseguem escondê-lo. As provas abundam. Vejamos apenas duas.

Em segundo lugar, o PSD assinou em Bruxelas, a 10 de Dezembro de 1993, o manifesto eleitoral do Grupo Liberal e Reformista do Parlamento Europeu para as eleições europeias de 1994. Nesse manifesto defende-se claramente o «federalismo descentralizado» para a Europa, o que, trocado por miúdos, significa que Portugal passaria a ter na Europa a mesma importância e pior estatuto que o Alaska ou o Texas têm nos EUA, o Uzbequistão tem na CEI ou que o Kosovo tem na ex-Jugoslávia. Como se vê, um futuro promissor...

Perante os últimos acontecimentos no Parlamento regional da Madeira e na qualidade de técnica de turismo, não poderia deixar de manifestar a minha mais profunda indignação perante medidas legislativas que, em nome do turismo, nos fazem "corar de vergonha".

É indigno que em nome do "prazer de olhar" se crie paraísos míticos, se esconda contradições sociais, se tente apagar "flagelos", quaisquer que eles sejam! As férias que são por definição "um tempo de prazer", não são na cabeça de ninguém a completa irrealidade.

Como autores do Projecto de Arquitectura da Remodelação e Ampliação do Museu do Abade de Baçal em Bragança, gostaríamos de afirmar o seguinte:

A cada dia que passa, surjem por todo o planeta novos casos de degradação ambiental. A quantidade de desastres ecológicos é de tal maneira grandiosa que toda a humanidade deveria parar, para analisar os erros passado, corrigi-los no presente, para ainda poder agarrar alguma esperança de futuro. Toda esta análise deve fazer-se sem hipocrisias, nem subterfúgios, sem medos, sem fantasmas, com seriedade, com rigor científico, com verdade e com inteligência.

Para ganharmos esta batalha é necessária a ajuda de todos, mas para isso é preciso que todos se mantenham bem informados. Essa informação deve ser passada por todos os órgãos de informação, pelas associações ambientais e pelos órgãos estatais, de uma forma maciça e contínua.

A língua portuguesa é originária do latim popular que os soldados e colonos romanos falavam quando se estabeleceram na península Ibérica e nela se disseminaram os gérmenes da sua adiantada civilização. Começou a diferenciar-se dos curtos falares da Península a partir do século IX e no século XII já haviam nela documentos escritos. Pode, portanto, dizer-se que o seu aparecimento é facto contemporâneo da constituição na nacionalidade portuguesa. (...)

Falar bem a língua portuguesa deve, pois, ser para todos uma questão de dignidade própria, um legítimo e impreterível ponto de honra, um dos primeiros deveres do verdadeiro cidadão português. (...)

No passado dia 8 assisti, na SIC, ao debate sobre o estado da saúde em Portugal. Não pondo em dúvida as boas intenções do senhor ministro, do seu projecto pareceu-me lícito retirar as seguintes conclusões:

Conforme referi (...) existe um buraco no Ministério da Saúde (se pretender oferecer uma assistência de qualidade) que terá que ser colmatado pelos doentes-utentes; como esse buraco será por certo grande, conclui-se que a comparticipação a exigir dos utentes terá que ser significativa; para se obter essa receita extra significativa deve supor-se que a comparticipação das classes «média» e «alta» seja estabelecida em percentagens com peso real na receita do Ministério. É lícito imaginar que essas classes «média» e «alta» -- quando confrontadas com os preços que os serviços públicos de assistência para elas praticariam -- por uma pequena diferença não deixariam de preferir o recurso às clínicas privadas. Com este esquema, e sem ser essa a intenção do ministro, estaria a ser dado o grande empurrão -- para cima -- às clínicas privadas que, por acaso, já se anunciam.

Na ordem das ideias e como aventura histórica, o socialismo, nas suas diversas expressões, foi e continua sendo, como horizonte político e social utópico, uma invenção e uma realidade europeia. Fora da Europa, o seu enraizamento abstracto, importado ou mimético, no fundo, um subproduto do colonialismo e do imperialismo europeus, degenerou, como era previsível, em caricatura trágica ou burlesca. Na própria Europa, onde durante séculos o seu discurso utópico e a sua tradução empírica desempenharam o papel que Hegel atribui à «negatividade», os poderes e as forças tradicionais não só impediram o socialismo de ocupar duradouramente a cena política, como o obrigaram a travestir-se e mesmo a inverter o seu ideário de libertação social. O que na Rússia, europeia e excentrada da Europa, onde o socialismo é filho da História, podia ser tido como natural, na Europa de Kant e de Mazzini só podia ser, em sentido próprio, voluntaristamente totalitário. Não «tirania», no sentido antigo ou oriental do termo, mas assunção ideológica sem remorsos de um sistema organicamente antidemocrático. Desta perversão, tipicamente europeia, Hannah Arendt ofereceu-nos o retrato, ainda hoje, inultrapassado.

Teoricamente desarmado numa fase em que a «monstruosidade» estaliniana justificava todas as carências, como a desordem conquistadora do capitalismo na sua fase moderna, alheia a toda a preocupação social, também a dispensava, o socialismo -- se por isso se entende a presença, a acção, o impacto dos partidos socialistas nas respectivas sociedades -- ocupou um espaço próprio e por momentos pôde crer que ao menos na Europa era o horizonte incontornável do destino europeu. E provavelmente esta crença, ou esta ilusão, teriam conhecido um princípio de sucesso, se por uma destas coincidências não fortuitas esse papel de primeiro plano, devolvido, enfim, ao socialismo europeu, não coincidisse com o momento em que a Europa ia entrar não só numa fase de crise económica de ressonância universal -- crise do petróleo e suas consequências --, mas de histórica subalternização no contexto omnipresente de uma economia planetária. François Mitterrand pensa inaugurar uma era nova na história da esquerda liberal -- sob a égide do socialismo no instante mesmo em que a Europa no seu conjunto perdia a capacidade de tornar ainda universais (e exemplares) os seus modelos culturais, ideológicos e políticos.

Deu entrada na Assembleia da República há um mês uma proposta de lei que «estabelece a obrigatoriedade do porte de documento de identificação». Se alguém se esquecer do dito documento em casa pode ser obrigado a dirigir-se ao posto policial mais próximo para identificação, onde poderá ser retido durante várias horas.

Todos sabemos que a segurança é hoje um dos problemas centrais da sociedade portuguesa, muito em particular nos grandes centros urbanos. Os pais inquietam-se e manifestam-se porque a crianças e jovens são constante e impunemente assaltados junto aos estabelecimentos de ensino e raros serão os que, em particular nas áreas metropolitanas, não tiveram uma casa ou um carro assaltado. Andar de metropolitano ou de comboio, sobretudo em certas horas e em certas linhas, é perigoso, para já não falar em tantas outras formas de criminalidade. Por isso, pareceria talvez haver receptividade da opinião pública a todas as formas de assegurar mais segurança ao cidadão atormentado por mais este problema no seu quotidiano.

O texto do arq. Nuno Teotónio Pereira publicado no passado dia 13, com o título «Cuba -- saudades de uma revolução», saiu deturpado, devido a um erro de teclagem, na parte em que se refere aos cooperantes cubanos em Angola. Assim, deve ler-se «ganhavam modestamente e viviam parcamente», e não, como erradamente foi escrito, «ganhavam modestamente e viviam porcamente». Ao autor do texto e aos leitores, as nossas desculpas.

É, aliás, no círculo nacional que se encontra uma grande parte da "artilharia pesada" dos socialistas, incluindo a maioria dos actuais membros do secretariado nacional do partido (Arons de Carvalho e Alberto Costa, entre outros), "históricos" como Manuel Alegre, Jaime Gama e Raúl Rego, figuras nacionais como Torres Couto, Eurico de Figueiredo, Helena Roseta, António Reis (um regresso) e José Lello e os autarcas Mário de Almeida e Abílio Curto.

As águas continuam agitadas na distrital social-democrata de Aveiro. Desta vez por causa de uma fuga de informação que os responsáveis desejam investigar. Em causa uma notícia do PÚBLICO que revela a existência de um «saco azul» alimentado por verbas provenientes de empresários «amigos do partido».

Na sua primeira declaração oficial sobre o assunto, a Comissão Política Distrital (CPD) «considera lamentável que factos desta natureza sejam trazidos ao domínio público com a necessária colaboração de militantes com responsabilidades partidárias a nível distrital». Durante a sua conversa com Ângelo Pires - que foi chamado a Lisboa para explicar a proveniência e o destino final dos 23 mil contos - o secretário geral do PSD, Nunes Liberato, manifestou-se também empenhado em «levar até ao fim» o processo de apuramento de responsabilidades pela fuga de informação.

Faz tanto sentido falarmos em pós-feminismo como em pós-democracia. Podemos considerar diversos tipos de «sensibilidades» feministas; podemos considerar que as reivindicações mudam porque os tempos mudam. Mas, no essencial, feminismo quer dizer a) autonomia para as mulheres b) igualdade de direitos para as mulheres.

As mulheres dizerem o que querem (em geral, e o que querem dos homens em particular) sem perguntarem (aos homens) se podem querer, é o que há de novo. E por isso lhes chamam «do me feminists». Ou «pós-feministas».

Diversas televisões estrangeiras decidiram boicotar a edição de 1994 do Carnaval do Rio, depois de os organizadores terem decidido que as filmagens teriam de ser pagas, soube ontem a Associação da Imprensa Estrangeira naquela cidade. A "Riotour", que organiza as festas, pediu com 24 horas de antecedência às raras televisões especialmente vindas da Europa e dos E.U.A. 40 mil dólares para filmarem o desfile e o festival do Sambódromo.

Os pescadores franceses entraram ontem na sua terceira semana de greve para protestar contra a queda das quotas de pescado e as importações extra-comunitárias. No fim de semana, os pescadores continuaram as suas acções nos principais portos do país mas na sexta-feira receberam um novo golpe nas suas pretensões. O presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, anunciou em Paris que não haverá uma cláusula de salvaguarda para a pesca europeia.

Um pormenor do modo como ontem evoluiu a história de Vuvu Nsimba Grace e de sua filha Benedicte revela, simultaneamente, o clima de braço-de-ferro em que ela foi vivida e o "volte-face" que, ao longo da tarde, chegou a esboçar-se.

Não está em causa a investigação que levou o Serviço de Estrangeiros a informar-se sobre a identidade e as intenções dos estrangeiros envolvidos nesta história. Ele existe para isso. Mas é incompreensível que uma decisão de repatriamento, a que o M.A.I. se terá agarrado desde que se sentiu capaz de a tomar, tenha sido explicada tarde e a más horas e sem apresentação pública e completa dos dados apurados. Ao fim e ao cabo, o M.A.I. foi forçado, pela opinião pública, a dizer o que podia e devia ter dito espontaneamente e mais cedo. E, já noite, ainda conseguiu agravar as tensões que alimentara, enviando para a Portela sucessivos reforços de Polícia de Intervenção.

As americanas, hoje, são feministas mas mudaram o feminismo. O "tradicional" tornou-se moralista, condena as mulheres ao papel de eternas vítimas e os homens ao de violadores crónicos. As mulheres querem gostar de homens e de sexo sem complexos de culpa. Querem gozar a liberdade que já têm e usá-la para conquistarem o que lhes falta conquistar. É o que diz, escreve e faz a nova geração de «novas feministas».

A escola superior Antioch College, perante sondagens indicando que 40 por cento das raparigas tinham tido, durante a sua vida de estudantes, contactos sexuais contra a sua vontade, decidiu tomar uma atitude pioneira. Publicou um código de conduta sexual na Universidade, de 13 páginas, segundo o qual cada passo do encontro sexual só pode ser dado com o consentimento expresso da rapariga. «Se quiseres tirar-lhe a blusa, tens de lhe pedir, e ela tem de dizer sim. Se quiseres tocar-lhe os seios, tens de lhe pedir, e ela tem de dizer sim.»

Chama-se Ann Richards e é a governadora do Texas, o estado do americano macho em estado puro, onde «cowboys» quase verdadeiros roçam ombros com «tycoons» do petróleo e de outros negócios mais modernos, como Ross Perot. Como é que uma mulher conseguiu ser eleita para o mais alto cargo de um dos estados americanos mais masculinos? Na verdade, a democrata Ann Richards, que rivaliza em popularidade com Hillary Clinton, parece a encarnação da bandeira americana: cabelo muito branco, olhos azulíssimos, boca sempre pintada de vermelho vivo. As roupas que veste ajudam a esta ilusão: branco, vermelho e azul, em tons muito vivos, que parecem explodir nos écrãs de televisão. «Quando era pequena, nem sequer me passava pela cabeça vir a ser governadora», confessa Ann Richards. Para o futuro, gostaria que a sua passagem pela quarta mansão governamental mais antiga dos Estados Unidos fosse lembrada como a de «uma exploradora, como Colombo», diz. «Gostaria que pensassem em mim como alguém que abriu novas fronteiras, que abraçou o desafio de mudar formas de pensamento muito arreigadas e antiquadas», confessou à revista «Hola».

Trinta homens da PSP faziam ontem à noite cordão policial na Portela, enquanto se esperava que Vuvu Nsimba Grace voltasse da sua audição com a juíza de Instrução Criminal. No exterior do aeroporto, mantinha-se a vigília de solidariedade que tem acompanhado o caso da mãe e da filha impedidas, desde há seis dias, de entrar em Portugal, onde eram esperadas pelo homem que se tem afirmado, desde o início, como seu pai e marido.

Os ritmos frenéticos do samba ecoam por todas as praças e ruas do Rio de Janeiro. Milhares de pessoas estão completamente submetidas ao espírito de um dos maiores carnavais do mundo. No bairro de Ipanema, as bandas de rua tocam de forma incansável, enquanto algumas turistas dançam de peito despido. Para os cariocas, estes são os melhores dias do ano. Exibindo coloridas fantasias carnavalescas, compradas muitas vezes com o dinheiro que se poupou durante todo o ano, desfilam em pleno «sambódromo», dançando para uma vitória. O ponto alto da festa ocorreu ontem à noite, com o desfile das mais importantes escolas de samba. Nos cofres da cidade deverão ficar cerca de 8,5 milhões de dólares (quase dois milhões de contos). Na quarta-feira, nada mais restará na memória de por quem lá passou do que uma história inesquecível. Até para o ano, no Rio! Mas hoje ainda é dia de dar tudo por tudo...

O juiz queria trabalhar. Os casos de falência de empresas amontoavam-se na sua mesa. Mas uma incompreensível força estava a bloquea-lo. Não havia uma sala de audiências. Aconteceu nos Estados Unidos. Só que o persistente magistrado não se deu por vencido e resolveu «construir» o espaço em falta. Francis Conrad, o juiz que presidiu aos mais proeminentes casos de falência de empresas norte-americanas, incluindo a Drexel e a United Press International, é o homem desta história. Com a sua vida centralizada em Rutland, Conrad ainda arranja tempo para dar uma mãozinha aos seus colegas de Nova Iorque. Foi aí que lhe cederam como sala de audiências, um velhíssimo Tribunal de Falências em Manhattan. «Não deixarei que a burocracia se intrometa no meu caminho», afirmou corajosamente Francis Conrad. E começou a trabalhar.

O vinho já não dá de comer a um milhão de portugueses, mas mesmo assim, quando bebido com moderação, pode contribuir para a melhoria da saúde pública. Com base nesta convicção, um grupo alargado de médicos, agrónomos, produtores e comerciantes de vinho preparam-se para lançar uma associação que terá como primeiro objectivo realçar «os elementos positivos do vinho» para a saúde humana. A associação chamar-se-á Lasvin (Liga dos Amigos da Saúde e do Vinho) e tem a sua escritura pública agendada para o próximo dia 24 no Palácio da Bolsa, no Porto.

Para além destas preocupações, a associação terá uma segunda vertente de âmbito cultural em que será perseguida «a divulgação da importância da vinha e do vinho na história e cultura dos povos» e a sua ligação «às artes, literatura, economia e às religiões». Este conselho será presidido por Mário Vilela, docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A acreditar na lei da vida que manda que da quantidade nasce a qualidade, o futuro do jazz vocal não está em perigo. Regularmente, o mercado do disco dá notícia de novas vozes. Femininas. E muitas delas nada têm a ver com o imenso exército de candidatas de barro que os produtores atiram à parede para ver se pegam. Mal-mal estão as coisas para os homens. Ao ponto de, se a situação não se alterar rapidamente, nem sequer lá irem com «quotas obrigatórias».

Elogiada por Stan Getz, que fez questão de juntar o seu tenor à sua voz, Diane Schuur é já uma veterana do disco. Só à sua conta, a GRP já editou quase uma dezena de álbuns. O que, conhecidas as regras com que a casa se cose, equivale a uma promoção gigantesca. «Love Songs» (GRP/BMG) não convencerá os cépticos nem cansará os crentes. Mas basta passar os ouvidos por elas para ver que Dianne já fez muito melhor.

Cada voz seu paladar, cada paladar sua voz. Sempre foi assim no tempo em que quando se procuravam os grandes «músicos de jazz» se acabava invariavelmente por encontrar duas ou três vozes. Aconteceu nos anos gloriosos de Billie e Mildred, Ella e Sarah. Repetiu-se com Dinah e Carmen, Betty e Anita. Mas hoje é preciso estender a memória, afrouxar-lhe as fronteiras da exigência, para que na mesma lista caibam nomes que são vozes. E apesar da generosidade, à cabeça do rol continuam alguns dos que ontem já lá estavam.

Alguns meses antes, acontecera a estreia na Mercury, numa sessão (hesitante) conduzida pelo arranjador Johnny Richards e agora recuperada pela reedição de «Dream of You». Mas dois anos depois, quando aconteceu o encontro com Gil Evans, a segurança era outra e os alicerces do futuro já estavam plantados. Depois, a vida fez o resto. Isto é, fez de Helen Merrill uma voz indispensável.

A arte urbana e a arte pública, dois conceitos que ainda são equivalentes para a maior parte do público, começaram há relativamente pouco tempo a ser discutidos. E as polémicas não têm sido mansas. Arte efémera, arte durável, arte independente ou subordinada à arquitectura e ao urbanismo, por quem deve ser feita e com que objectivos, tudo tem sido pretexto para teorização e discussão. Em Portugal, talvez mais -- ou com maior empolamento -- que nos outros lados, pelo menos ao nível especializado, já que o público e o povo se continua a manter indiferente a tudo isto. Para bem e para mal. Está-se longe dos Estados Unidos, onde um monumento público de Serra teve que ser apeado graças à celeuma que provocou...

No entanto, é na tentativa de fornecer um panorama o mais completo possível daquilo que se passa em cada país da UE que se levantam as maiores dúvidas. Pelo menos, a avaliar pelo que se fez no caso português. Como especialistas, contactaram-se, e bem, os críticos Isabel Carlos, João Pinharanda e José Manuel Fernandes. Simonetta Luz Afonso, directora do Instituto Superior de Museus. O arquitecto Francisco Abreu Pessegueiro, de quem nos dizem que actua nos projectos de arte pública e de remodelação da Av. Marechal Gomes da Costa (será a do Porto, que tem aquelas belezas de monumentos ao Willy Brandt e ao Empresário? Aliás A. Pessegueiro diz a certa altura que o objectivo da arte urbana é transmitir "a mensagem da universalidade da emoção estética"). E Júlio Moreira, engenheiro agrónomo e arquitecto paisagista.

Nem só portas adentro nos interrogamos sobre quem e como somos, ou, mais ainda, sobre quem e como fomos. Lá fora há também quem nos pense, sem se limitar ao retrato retocado de cantinhos mais ou menos pitorescos. Sairam recentemente, em alemão, dois livros importantes para a divulgação de uma imagem não meramente folclórica deste país: de um deles pode dizer-se que dá uma imagem do país de hoje através de uma representativa antologia do conto português; o outro -- porque provavelmente isso existirá mesmo como substrato cultural -- tenta um retrato do país de sempre, num arguto e informado ensaio de leitura de uma "fisionomia anímica" do português.

Pela mesma altura, em finais do ano passado, saía também na Editora que na Alemanha mais se tem interessado pelos autores portugueses (a Beck & Glückler), mais um livro de Torga, em versão do consagrado Curt Meyer-Clason, que assinou até agora todas as traduções de Torga nesta editora (cinco livros publicados). Trata-se também de um volume de contos, as "Pedras Lavradas" (de 1951), um caleidoscópio de destinos individuais sob o salazarismo. A tradução traz as marcas inconfundíveis do patriarca.

«Ainda Estamos Casados» é uma recolha de contos de um autor americano desconhecido dos leitores portugueses, Garrison Keillor, nascido em 1942. Histórias do Minnesota, sua terra natal, de Nova Iorque, onde posteriormente se estabeleceu, cartas, crónicas e poemas compõem um extenso volume, numa média de cinco páginas por texto, muitos deles publicados previamente em revistas ou lidos na rádio.

É o tipo de recurso que encontramos numa «sitcom». O efeito derisório provém não de um comentário a uma frase A com ela relacionado -- uma «resposta» a A --, mas de uma procura inversa: quanto menos relação existir, tanto mais franca será a gargalhada. Baseado no riso que o inesperadamente aleatório provoca, é um humor sem espírito, muito mais «funny» do que «witty».

O que é que faz um cidadão tirar-se de casa a um sábado à tarde concentrado em três coisas que são ir ter com os camaradas de clube, embebedar-se e partir tudo? Qual é o verbo que se usa para este comportamento? Bill Buford pergunta-se se é algo como «des-civilizar». E seria o mais adequado para aplicar ao processo que ele estuda neste livro: o processo de violência que transforma as pessoas em seres bárbaros que pertencem a uma multidão violenta. Em «hooligans».

Voltando ao princípio. Porque é que os jovens do sexo masculino provocam tumultos todos os sábados? A explicação mais prática é dizer que fazem isso como podiam embebedar-se ou fumar erva ou injectar-se, porque estamos a falar de experiências alucinatórias que produzem uma euforia anti-social. Mas, como Bill Buford observa, estamos a falar de um clímax colectivo e frenético; entre «todos os factores que contribuem para a transformação de uma reunião de pessoas numa multidão, e, finalmente, numa multidão violenta, há quase sempre uma causa política ou económica (...)». Aqui não encontrava essas «causas»: «Mais do que dificuldades económicas ou frustrações políticas, o que havia era um desafogo económico e uma fé imperturbável, complacente mesmo, no mercado livre e na política nacionalista, acompanhada de um orgulho no bem-estar e no egoísmo que caracterizam essas duas vias».

O velho Marx -- tornou-se politicamente incorrecto citar este nome -- insistia que a História se repete: da primeira vez é tragédia; da segunda, comédia. No caso que agora será tratado, a tragédia foi outrora a URSS, a comédia é agora Cuba. Embora os povos vivam sempre a tragédia, claro. Mas um suplemento de livros está vocacionado para tratar a comédia dos escritores. E é disso que se vai falar.

Bom. Gide morreu e não é provável que ressuscite. Por isso não é provável também que vá a Cuba, como outrora viajou pela URSS, para com o seu testemunho comprovar as acusações de Reinaldo Arenas e Cabrera Infante. Da maçada de o insultar, como fizeram os escritores comunistas e «compagnons de route» da época, estão livres os seus descendentes. Mas do que não se livram é do julgamento da História: porque se a atitude ideológica dos corifeus literários de outrora foi uma tragédia -- potencializada pelo avanço nazi-fascista --, a cegueira dos literatos pós-leninistas de agora pertence ao capítulo da comédia. Comédia que se transformará em farsa quando, tardiamente, «descobrirem»...

O escritor moçambicano José Craveirinha é um dos autores em destaque no mais recente número (o 121) da revista «Quimera», de Barcelona. As seus páginas dedicadas ao poeta, comportando um curto ensaio de Fátima Mendonça e quatro poemas traduzidos por Ignacio Cabria, acabam por ser um acontecimento inesperado, por não surgirem -- segundo parece -- na sequência de qualquer iniciativa editorial ou de promoção cultural de Moçambique no país vizinho.

Outros autores em destaque neste número de Quimera são o romancista catalão Juan Goytisolo, que reaparece com uma leitura felliniana do marxismo: «La Saga de los Marx»; o chileno Luis Sepulveda, autor de «O Velho que Lia Romances de Amor» (ed. port. Asa), entrevistado por Miguel Ángel Quemain; o excelente romancista paraguaio Augusto Roa Bastos, que dá também a lume um novo livro, «El Fiscal», com o qual encerra a sua trilogia sobre o monoteísmo do poder; e o poeta mais maldito da famosa «beat generation», o italo-americano Gregory Corso, que, entrevistado por Edmundo Bracho, fala da sua vida, da sua poesia e de companheiros de estrada como Ginsberg, Kerouack e Burroughs.

Entre os anos 30 e 50, a Argentina passou por um conjunto de transformações económicas e sociais que lhe configurou uma realidade que só a distância poderá dar a ilusão de ser similar à do restante continente sul-americano: uma enorme concentração urbana, resultante de uma acelerada industrialização, colocou, em efervescente confronto, uma classe média próspera («filha» da intensa imigração, de origem espanhola e italiana, que acorreu, no início do século, a este país, como se fosse a Terra Prometida) e uma massa operária de origem mestiça, desenraízada culturalmente, sem grande consciência política, mas galvanizada por partilhar o bem-estar económico que aquela classe média adquirira. O peronismo e o pós-peronismo, as ditaduras militares e as democracias restritas são sequelas desse confronto e, pela arbitrariedade com que o pretendem «camuflar», vão contribuir para agravar esta situação social.

«Quartéis de Inverno» narra a deslocação a uma pequena povoação de província, sede de um aquartelamento, de um cantor de tangos e de um «boxeur» que, por razões «alimentares», vão «abrilhantar» as festas anuais lá do sítio. Mas, desde o início, o que se evidencia é a sangrenta presença das forças militares que tudo controlam, remetendo a população para uma clandestinidade de fantasmas que, pela sombra, vão dando, aqui e ali, sinais do seu mal-estar face à indiscriminada brutalidade das armas. Contudo, esse surdo mal-estar basta para empurrar as «vedetas» para o estatuto de «malditos», ao ponto de se tornar nítido que elas servem de simples pretexto para fazer distinguir a opressiva «superioridade» do exército.

Perante a obra de certos poetas que, além da poesia, exercem a actividade crítica e ensaística, surge muitas vezes a preferência pela segunda em detrimento da primeira. Pessoalmente, acontece-me isso, por exemplo, com Octavio Paz, que, sendo embora um bom poeta, considero sobretudo um genial ensaísta. Ora, na verdade, há quem valorize em Adolfo Casais Monteiro (1908-1972) precisamente a faceta de alguém preocupado em reflectir com sensibilidade, cultura e lucidez sobre o fenómeno poético, os estudos literários, etc., deixando para segundo plano (com alguma injustiça) o valor da sua poesia.

À luz do que foi dito, podemos então abordar este poeta como uma personalidade complexa e dotada de aspectos talvez aparentemente contraditórios, mas que o enriquecem e tornam mais amplo o alcance do que a sua escrita nos comunica. Quando falo em contradição, é sem intuitos pejorativos, mas apenas para salientar a coexistência entre uma atitude que valoriza o papel da linguagem no acto poético (definido como um «voo sem pássaro dentro») e, por outro lado, todo o «pathos» muito intenso que povoa a sua poesia. É como se o «pássaro», afinal, existisse, ou como se se aplicasse ao próprio Casais -- que não gostava muito de Paul Valéry, pelo menos como poeta -- a frase do autor de «Monsieur Teste» segundo a qual «os pensamentos mais importantes são os que contradizem os nossos sentimentos» (citado por Walter Benjamin, in «Essais», vol. I, Denoël-Gonthier, p. 172).

Manuel Laranjeira (1877-1912) é hoje recordado não tanto pelos feitos que realizou em vida e que lhe mereceram a estima de algumas das cabeças pensantes do seu tempo, mas por um curto diário íntimo (1 de Maio de 1908-24 de Março de 1909) e pelas cartas que escreveu e têm como destinatários personagens que dão pelo nome de Miguel Unamuno, Amadeu de Sousa Cardoso, António Carneiro, Teixeira de Pascoais, João de Barros e alguns outros. Se a obra escrita e publicada em vida (poesia, teatro, ensaio, artigos de jornal) desperta interesse (deu origem a uma exaustiva tese de doutoramento de Bernard Martocq -- «Manuel Laranjeira et son Temps (1877-1912)» -- é por constituir, como assinala o estudioso francês, uma fonte preciosa para o estudo da vida intelectual portuguesa no conturbado período do início do século. Mas esta obra, iluminada pelos escritos íntimos, adquire uma visibilidade insuspeitada e pode tornar-se apaixonante.

«Roseira de Espinho», de Nuno Júdice, não é um estudo académico ou uma biografia (mais ou menos convencional) de Manuel Laranjeira. É, talvez, a tentativa de encontro empático com Laranjeira (o abrir de um diálogo, diz o autor), partindo da obra, é evidente, mas suscitado pela visão atenta do retrato mais famoso do escritor da «José Carvalho Photo Central» de Espinho. A reconstituição da vida de Laranjeira faz-se do interior, através da decifração de indícios quase invisíveis para o observador distraído, mas que, nesta narrativa, ganham a força da evidência que só a compreensão simpática concede.

«Ele só era judeu porque tinha de ser judeu, ele detestava ser judeu», escreve Henry Roth no seu novo romance «Mercy of a Rude Stream (vol.1: A Star Shines Over Mt. Morris Park)», ao falar do adolescente Ira Stigman, personagem principal do livro publicado recentemente nos Estados Unidos. Sessenta anos depois de ter escrito a sua primeira obra, Henry Roth, publica a segunda na St. Martins Press. É o primeiro volume de seis que já estão escritos e serão publicados.

Henry Roth nasceu em 1906, no império austro-húngaro e imigrou para os Estados Unidos muito novo. Depois de ter publicado «Call it Sleep», simpatizou muito com o comunismo e tomou a decisão de deixar de escrever para voltar ao anonimato. Casou-se em 1939 com a pianista e compositora Muriel Parker que, quando Roth deixou de escrever, o acompanhou na decisão e deixou de compor, pondo fim a uma carreira que poderia ter sido fulgurante. Tiveram dois filhos e Roth fez o possível por manter a família com vários empregos. O escritor vive agora em Albuquerque, Novo México. Muriel morreu em 1990, e nessa altura ele foi internado numa instituição psiquiátrica por esgotamento.

Mais de 20 anos depois da edição saída na colecção «Poetas de Hoje» da Portugália Editora, as «Poesias Completas» de Adolfo Casais Monteiro (1908-1972) foram reeditadas pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. O único conjunto de poemas que o autor deixou inédito, intitulado «Poemas em Louvor da Carne», não foi incluído. O PÚBLICO revela um desses poemas, extractos de algumas cartas inéditas e fotografias também nunca antes publicadas. Fernando Pinto do Amaral fala de um poeta dividido «entre a intuição de uma secreta verdade e a consciência de que mesmo no âmago dessa eventual `verdade' germina um princípio de erro ou de mentira».

O PÚBLICO revela um poema inédito, «Acção de graças». Datado de Dezembro de 1932 e 9 de Março de 1933, é um dos dez dos «Poemas em Louvor da Carne». Não se sabe por que razão esta obra de juventude, de carácter explicitamente erótico, nunca foi publicada, mas o facto de Casais Monteiro, apesar de não a ter incluído nas «Poesias Completas», a ter conservado (num espólio onde os poemas esparsos se contam pelos dedos de uma mão), deixa supor que o autor nunca conseguiu decidir-se sobre o destino a dar-lhe.

A guerra na Bósnia baseia-se numa verdadeira cultura do ódio. E há nela «um germe do fascismo»: porque os Sérvios pretendem substituir uma sociedade de cidadãos por um Estado construído sobre bases pseudo-étnicas; porque existe uma permanente racialização do conflito.

2. Há duas atitudes frequentes que empurram para uma atitude de expectativa apática. A primeira, que de certo modo tem levado às ambiguidades do comportamento de François Mitterrand, corresponde à reacção daqueles que conservam uma memória de episódios da última Grande Guerra que dão aos sérvios, e com inteira justiça, o papel de um povo heróico e progressista. Jacques Julliard, que não deixa de partilhar este sentimento, conta as coisas deste modo: «Por tudo aquilo que já disse, não tenho qualquer má-vontade, qualquer hostilidade em relação à Sérvia e ao povo sérvio. Bem pelo contrário. Como qualquer jovem francês que tenha frequentado a escola, alimentei-me de sentimentos de admiração e amizade por este povo heróico. Quando cheguei à Jugoslávia, poucos dias depois de a guerra se ter desencadeado, eu tinha a maior desconfiança em relação aos separatistas que ameaçavam a unidade do país». Porque, acrescenta, cada um de nós sente que a ideia de uma Jugoslávia unida é também um pouco nossa. E esquecemos que, na origem, ela começa por ser até uma ideia croata. Mas é evidente que este pressuposto afectivo não é suficiente para deslindarmos a complexidade da tragédia jugoslava.

Não há uma redução substancial da programação, mas há algumas alterações de monta e uma delas, a mais sensível, é a redução de tiragens, para não acumular «stocks». Isto vai, aliás, no sentido de uma corrente generalizada da edição portuguesa. As tiragens, que de um modo geral eram feitas a partir de uma rotina previamente definida, que se situava no plano dos 3 mil a 4 mil exemplares, estão hoje na área dos 2 mil e dos 2.500 exemplares. Para as novidades, porque em relação às reedições chegamos a fazer apenas mil e 1.500...

Significa isso que o ensaio corre o risco de perder o lugar privilegiado que tem no catálogo da Presença?

"Martinho Lutero, um destino", editado em 1927, é no conjunto da obra de L. Febvre dedicada às mentalidades uma espécie de escrito de juventude, ainda que contasse já 46 anos quando o terminou (1924). Talvez por isso a presente edição em português, para mais numa excelente tradução, tenha o mérito de nos ajudar a entender melhor uma história tantas vezes contada -- a dos Annales --, ao mesmo tempo que testemunha o nascimento da história das mentalidades. Para já não falar de um estilo de escrita comum a todo o 'grupo' dito de Estrasburgo -- Febvre, M.Bloch e Braudel --, levando-nos a pensar sobre se esse talento não teria sido fundamental tanto no aparecimento da 'nova história' quanto na incapacidade actual da mesma em se reformular face às novas inquietações historiográficas.

Encontrando-se longe da formulação do conceito de "utensilagem mental", que conhecemos de "Le Problème de l'incroyance au XVIe siècle, la religion de Rabelais" (1942), e mais ainda dos posteriores modelos interpretativos das 'mentalidades colectivas', L.Febvre escolheu então a biografia como o expediente que permitia estabelecer uma relação causal entre a complexidade do indivíduo (Lutero) e as questões que se cruzavam na Alemanha e na Cristandade do séc.XVI. O primeiro foi o precursor -- "Involuntário, entenda-se" -- de uma Reforma que acabou distante da paixão cristã que ele próprio havia demonstrado em Wittenberg e em Worms. A segunda fermenta o que Philippe Ariès intitulou de "inconsciente colectivo", e condiciona o pano de fundo conceptual. O facto do "espírito luterano aderir intensamente à mentalidade dos povos que o adoptaram", nomeadamente no que significou, quer para a separação dos poderes temporal e secular quer no nascimento do idealismo alemão, é realçado uma vez mais na publicação conjunta do prefácio do autor à 2ª edição francesa, em 1944, quando parte da França se encontrava ainda ocupada. "Porque, do mestre Phillip que Lutero mostra sempre preocupado com a sorte dos impérios e dos densos problemas da política, ou dele, Lutero, que só sabia interessar-se por si mesmo, pela sua consciência e pela sua salvação -- só o último devia pelo tempo adiante exercer sobre a política uma acção ao mesmo tempo lógica e imprevista". É deste modo que um historiador logra responder às questões do seu tempo.

Vai surgir, em Portugal, mais um romance do espanhol Antonio Muñoz Molina. Não é o primeiro e não será com certeza o último. O leitor pode deleitar-se, nesta pré-publicação, com o insólito casamento de uma muito peninsular picaresca com uma grande modernidade. A ironia do autor resulta precisamente da mistura destes dois ingredientes. De Muñoz Molina encontram-se disponíveis em Portugal «Beltenebros», «O Cavaleiro Polaco» e «O Inverno em Lisboa», todos editados pela Quetzal.

Esse homem, Dom Sebastián Guadalimar, tinha-lhe telefonado há duas horas para lhe pedir que viesse a sua casa. Para quem não conhecer a nossa cidade, este facto carecerá de significado. Para Lorencito Quesada, para um de nós, um telefonema de Dom Sebastián Guadalimar, conde consorte de la Cueva, casado com a última descendente em linha directa daquele Dom Francisco de los Cobos que foi secretário do Imperador Carlos V, constituía uma honra tão improvável que haveria nela alguma coisa de prodígio ou de equívoco. Porque Dom Sebastián não só é (ou assim se diz) multimilionário, aristocrata e companheiro de caçadas do monarca reinante -- assim como de diversos magnatas da política e das finanças --, mas também preside, por privilégio consuetudinário, à confraria mais antiga da nossa Semana Santa, a do Santo Cristo da Grenha, cujas trombetas e tambores emocionam há quatro séculos as madrugadas das Quintas-Feiras da Paixão, quando à primeira luz do dia o andor da procissão aparece majestosamente junto da fachada renascentista da Igreja do Salvador, que foi fundada por Dom Francisco de los Cobos e ainda pertence à sua família.

Ou «As Gerações Perdidas no Nevoeiro das Palavras». É o último romance de uma extensa bibliografia iniciada em 1955 e que se traduz, substancialmente, por várias peças de teatro, mas também por contos, novelas, poemas e policiais do pseudónimo Rusty Brown.

É o décimo livro de poemas de Morgado, que se estreou em 1955 com «As Vozes e a Madrugada». Sob a invocação de um anónimo árabe do século X: «Pensa nas inúmeras criaturas / que viveram para que, finalmente, / nos meus lábios os teus / se pudessem aquecer.»

António Sebastião Ribeiro de Spínola: Nasceu no concelho de Estremoz em 1910. Em 1932, iniciou a sua carreira de oficial do Exército no Regimento Cavalaria 7. Em 1944, participou no cerco a Estalinegrado enquanto observador do Exército português junto das forças nazis. Foi colocado em Angola entre Novembro de 1961 e Março de 1964, e, em Maio de 1968, o então brigadeiro Spínola (seria promovido a general um ano depois) era designado para os cargos de governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné -- funções que cessaria em 1973 por discordâncias com o Governo central. Em Janeiro de 1974, foi empossado vice-chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, cargo de que foi exonerado em Março de 1974. A 25 de Abril, coube-lhe a missão de aceitar a rendição do Governo, tendo nesse mesmo dia sido nomeado presidente da Junta de Salvação Nacional. No dia 15 de Maio, foi empossado Presidente da República, cargo a que renunciou em 30 de Setembro. Tomou parte activa nos acontecimentos de 11 de Março de 1975, na sequência dos quais seria destituído do Exército. Partiu para o exílio no Brasil e, em Julho desse ano, fundou o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), partido que dissolveu poucos dias após o 25 de Novembro de 1975. Regressou a Portugal em Agosto de 1976, permaneceu dois dias na prisão de Caxias, reintegrou o Exército em Fevereiro de 1978 e passou à reforma em Abril de 1980. Um ano depois, em Dezembro de 1981, foi promovido a marechal e, em Fevereiro de 1987, foi nomeado, por Mário Soares, chanceler das Antigas Ordens Militares.

António Alva-Rosa Coutinho: Nasceu em Lisboa a 14 de Fevereiro de 1926. Frequentou a Escola Naval e o IST, onde se diplomou como engenheiro-geógrafo. Em 1959, foi nomeado para uma missão hidrográfica em Angola, onde esteve dois anos. Em 1961, foi aprisionado pela União dos Povos de Angola (UPA) e levado para o Zaire, tendo sido libertado no âmbito de uma troca de prisioneiros. Entre 1964 e 1972, dirigiu os serviços de dragagem de Moçambique. Deixou estas funções para assumir o comando da fragata Almirante Pereira da Silva, que manteve até ao 25 de Abril de 1974. Designado membro da Junta de Salvação Nacional, seria promovido a almirante. Entre Julho e Dezembro de 1974, foi presidente da Junta Governativa de Angola. Passou à reserva em 1982 e encontra-se na reforma desde 1992. É gerente da Coteco, uma empresa de cooperação com os PALOP, que ajudou a fundar em 1979.

A glória de ser o «pintor português com a obra mais espalhada no mundo, talvez apenas com paralelo em Vieira da Silva», não tinha trazido, até há pouco tempo, proveito de maior ao estudo de Álvaro Pires de Évora. O historiador Pedro Dias, comissário da primeira exposição em Portugal do trabalho do artista português, define-o como «a primeira grande figura portuguesa na arte europeia», o que não impede que este pintor do século XV seja quase totalmente desconhecido no seu país de origem.

O catálogo da exposição -- com textos de Vasco Graça Moura, Pedro Dias, Maria José Azevedo, Michele Luzatti, Mariagiuliana Burresi, Rosário Gordalina e Maria Teresa Lazzarini -- acrescenta algo à história estranha desse pintor quase incógnito. O que a seguir publicamos é um conjunto de algumas tábuas mais representativas de «Alvaro di Pietro». Ou, como também assinava o artista, «Álvaro Pires de Évora pintou». P.R.M.

Os espanhóis andam, desde 1992, numa azáfama. Não é caso para menos, pois passaram 500 anos nessa data desde a descoberta da América por Cristóvão Colombo e a expulsão dos árabes e judeus do território espanhol. Cá estão de novo as três culturas que moldaram o substrato anímico, social e cultural de Espanha: Cristianismo, judeus (incluindo os judeus sefarditas, os que foram expulsos e mais tarde regressaram) e árabes. A mesma temática de um disco de Pedro Aledo, «Tres Cuerpos una Alma», aqui criticado a semana passada. Neste, as funções estão bem distribuídas. Os La Bazanca, grupo castelhano de que, confessamos, nunca conseguimos gostar, apesar de reconhecer que fazem um trabalho sério, ficaram com seis romances da tradição cristã. Canções certinhas, vulgarizadas em parte pela voz descaracterizada de Salvador Cacho. Os La Bazanca tocam instrumentos que nunca mais acabam, mas, curioso, neste como em vários discos deles que já ouvimos, não se nota nada. Um dos elementos da banda, Wafir Shaikheldin (derbouka, 'ud e pandeiretas, saz, teclados e acordeão), faz duo com uma cantora, Rasha, e encarrega-se de iluminar com mérito quatro temas da tradição árabe. Angel Carril, bem acompanhado por vários instrumentistas, toma conta de três canções sefarditas, sem deslumbramentos, de forma competente. Bastantes furos acima, constituindo a melhor parcela do álbum, estão as cinco interpretações de «jarchas» judaicas, por Aurora Moreno, senhora de uma bela voz, imbuída de emoção, como, de resto, já tínhamos tido ocasião de avaliar num bom álbum da sua autoria, «Aynadamar -- La Fuente da las Lagrimas». Acompanham-na aqui, entre outros, Luís Delgado, músico importante da cena tradicional espanhola, que tocou com Manuel Luna e integra actualmente os La Musgaña. A música do Mediterrâneo, de novo, sem grande sol a bater-lhe. (7)

No entanto, recentemente, têm vindo a lume rumores de que uma organização se estaria a formar, embora com um carácter restrito. Enquanto empresários como Alain Vachier (Júlio Pereira, Essa Entente), Ana Moitinho (Jorge Palma), Laura Diogo (Sitiados) e o «management» dos Xutos & Pontapés afirmam não saberem de nada, outros não negam a existência de contactos. Rui Simões, da Encore (GNR, Luís Represas) diz: «Há, de vez em quando, umas reuniões, relativamente irregulares. No passado recente, tivemos um almoço, há dois ou três meses.» Os presentes? «Quase todos: António Miguel, da Regiespectáculo [Madredeus, Ritual Tejo], António Cunha, da União, nós próprios, e o Paulo Pulido Valente, o empresário do Sérgio Godinho e do Vitorino.» Os resultados práticos destas reuniões não são explicitados, mas há uma garantia: «Vamos chegar a conclusões mais cedo do que em Angola ou na Bósnia.»

Novas coqueluches da crítica -- mais uns «R.E.M.» em perspectiva? --, os Counting Crowes, embora de formação bastante recente, já têm direito à «bênção» da Rolling Stone e tudo. Este seu álbum de estreia fez algum furor no ano passado nos Estados Unidos e chega agora à Europa, já com honras de grande descoberta. Praticantes de um «country-folk-rock» fortemente tradicionalista, têm sido bastantes vezes comparados com o que os R.E.M. faziam a dada altura, o que tem alguma razão de ser. De facto, aquilo que, de imediato, ressalta das canções do grupo é a voz de Adam Duritz, que parece quase irmã-gémea da de Michael Stipe. Depois vem a sonoridade fortemente arreigada no tradicionalismo da «middle America» (comparações com o que John Mellencamp faz nos últimos anos também não são descabidas). Pode ir-se mais longe: Van Morrison, Bob Dylan, The Band... As canções são, como seria de esperar, melódicas, altamente personalizadas e de um bom gosto a toda a prova. Pena que uma autoconsciência demasiado exacerbada faça com que Duritz e companheiros pareçam que se estão constantemente a lamentar, o que acaba por tirar alguma espontaneidade ao conjunto. De qualquer modo, uma banda a ter em conta nos próximos tempos. (7)

Na Irlanda, depois dos Déanta, os Dervish são a nova grande revelação. «Harmony Hill» impressiona em vários aspectos. Se o primeiro álbum dos Déanta apresenta ainda alguns sinais de imaturidade, desculpáveis num disco de estreia, os Dervish explodem logo de entrada com um som que pouco deve aos veteranos: afirmativo, pujante e dando mostras de um virtuosismo instrumental que seria raro encontrar em estreantes, caso se tratasse de outro país que não a Irlanda. Ainda fazendo comparações: nem os próprios Altan, já elevados à categoria de «clássicos», se podem orgulhar de uma estreia tão promissora como a dos Dervish.

Tudo mudara, de repente, e nós com tanta coisa para gravar, para dizer, e sem antena para o divulgar. Para ser mais rigoroso: sem atinar ainda com a forma como nos haveríamos de situar na ordem radiofónica emergente. Só assim se poderá entender, à distância de 20 anos, como foi possível esta bizarra opção por nos organizarmos em mini-redacção com a tarefa de registar em disco algumas das transformações que a revolta do Movimento dos Capitães anunciava.

Compreende-se, num tal panorama político-profissional, que as três emissoras tenham virado a sua atenção, quase em exclusivo, para o terreno institucional e para a cobertura exaustiva de plenários, ocupações, conferências de imprensa, e que esse facto as levasse a distraírem-se demasiado com o lado «événementiel» (e portanto conjuntural apenas), do que se passava no continente e nas colónias.

Trio «descoberto» quando do Festival Hollywood Rock, no Brasil -- que juntou os Nirvana e Alice In Chains, entre outros --, estes Dr. Sin são uma «revelação» do «hard/heavy» de São Paulo. Ao que parece, a banda já estava, no entanto, marcada pela Warner local para grande lançamento a nível internacional. De facto, se julgarmos pelas capacidades técnicas dos irmãos Ivan Busic (bateria e voz), Andria Busic (baixo e voz) e Eduardo Ardanuy (guitarras), aparentemente parece justificar-se plenamente esta exposição alargada. Praticando um rock pesado, mas bastante melódico, bem feitinho -- quando não mesmo a dar para o virtuosístico --, com influências que vão do funk (a aproximação aos Extreme é talvez a que mais se justifica nestes casos) ao puro FM, passando por um «cheirinho» do «alternativo», tipo Alice In Chains/Stone Temple Pilots, o grupo não se limita a um estilo único, embora seja bastante visível qual o tipo de origem do seu som: o metal mais estereotipado dos anos 80. Ao nível do imaginário e das letras, então é o desastre completo: canções como «Dirty woman», «Howlin' in the shadows» ou «Dr. Sin» são exemplos daquele tipo de rock que já nem no metal dos anos 80 se suportaria, quanto mais em plenos anos 90. A capa do disco, então, diz tudo. (3)

Dizendo-se inspirada pela obra da comunidade dos países de língua portuguesa, e em especial contando com o apoio do embaixador do Brasil em Portugal, José Aparecido de Oliveira, a cantora adaptou a mensagem do disco -- a paixão por Lisboa e por algumas pessoas que por aí vivem, segundo a própria -- a um conceito mais universal. As sete colinas da cidade -- «Lisboa dentro de nós» -- transformaram-se nos sete estados de língua oficial portuguesa, «A língua portuguesa dentro de nós». E os concertos passaram a ser uma tentativa de «resgate da importância da língua para todos os povos que a vivem», um alerta e «uma guerra pessoal de há muitos anos» da cantora a favor da sobrevivência do português.

Comecei aos 13, 14 anos, em Ansiães de Amarante, a tocar violino, em várias reconstituições de tunas. Mais tarde vi um instrumento que os velhotes de lá admiravam muito, que era a guitarra. Comecei a ficar com o bichinho no ouvido. Um velhote ensinou-me algum fado corrido, num instrumento ainda com cinco cordas. Mais tarde acabei por pôr-lhe mais uma «ida» de cordas [corda dupla], à maneira da guitarra de Coimbra. Frequentei depois o Instituto Gregoriano durante um ano ou dois. Mas dedicar-me à guitarra a sério foi só quando já era homem. Vim para Lisboa em 67 e a partir daí apaixonei-me de facto pela guitarra. Comecei a procurar escolas mas não as havia ou então ninguém sabia da guitarra portuguesa. Ninguém dava aulas nessa altura, era um círculo muito fechado, reduzido às casas de fado. Fui obrigado a pegar nos discos -- de José Nunes, o trio de Jorge Fontes, Jaime Santos, Francisco Carvalhinho, Carlos Paredes -- e a ouvi-los para aprender. Até conhecer Fernando Freitas, que me deu por fim algumas aulas. Mais tarde tive o prazer de conhecer o professor Martinho da Assunção, esse sim, grande conhecedor de música e do fado. O profissionalismo aconteceu só em 1974. Acompanhei todos os fadistas menos a Amália, que tinha o seu grupo privativo, e o Carlos do Carmo: Maria Valejo, Tristão da Silva, Fernando Maurício, a Cidália, Maria da Fé... Mais tarde, no restaurante típico Luso, toquei com o Francisco José, Tony de Matos, Rui de Mascarenhas, etc.

Pois, em relação ao Carlos Paredes, somos contrários. Não na arte -- sempre o admirei e vou continuar admirá-lo -- mas noutro aspecto. Ele disse sempre isso da guitarra, que era um instrumento moribundo e que só dá para tocar a música que sai dos dedos. Eu já há anos que digo que não. E provei-o. Quando pus um «Voo do Moscardo», uma «Marcha Turca», umas «Czardas» ou um «Para Elisa», todas estas músicas que se dão no Conservatório, no disco. A guitarra pode tocar as pautas. Gosto de tocar música clássica com o cunho próprio da guitarra que tem a ver com o fado. Mas considero a guitarra um instrumento erudito por natureza. E que me toca o coração. Tem muito a ver com o nosso corpo. Num disco como «Peças imortais», de 88, estudei peças de Mozart ou de Beethoven e dei-lhes uma forma nova.

É um «habitué» do nosso país, como se costuma dizer. Egberto Gismonti, compositor, arranjador e intérprete brasileiro, cidadão do mundo. Volta para mais um concerto. Com um álbum novo na bagagem, «Música de Sobrevivência».

Músico de formação clássica, Egberto Gismonti não se deixou prender nas malhas de qualquer academismo. Nos 37 álbuns que leva gravados (em nome próprio, porque, se formos contabilizar as produções e colaborações, de arranjador a autor de bandas sonoras para filmes e peças de teatro incontáveis, ou de discos infantis, o número sobe para valores astronómicos...) multiplicam-se as experiências e os formatos instrumentais, do jazz ao classicismo, da tradição do Nordeste brasileiro à electrónica, passando pela influência do rock progressivo nos seus primeiros trabalhos.

Canções rápidas, melódicas e barulhentas sobre frustrações juvenis; um álbum com 14 canções e menos de 40 minutos de duração: parecem os Ramones, mas não são os Ramones. São os Green Day, banda de miúdos de Berkeley, na Califórnia, que aos 11 anos decidiram pegar em guitarras e lançar-se no trilho dos heróis da sua adolescência. Primeiro com o nome de Sweet Children (Doces Criancinhas), depois (em 1989) já como Green Day, esta banda de adolescentes precoces conseguiu convencer alguém da sua genica e o resultado foi um primeiro álbum, de título «39/Smooth». Um álbum depois, e uma carreira promissora no circuito «college» americano, os Green Day andam a ver se conseguem conquistar o mundo com as suas melodias pop fortemente influenciadas pelo «punk» e «new wave» de finais de 70. A atitude é algo irreverente, a música tem alguma genica e o som é mais ou menos «alternativo», o que faz deles candidatos ideais para serem catapultados para o grande público -- já que, ultimamente, tudo o que é conotado com o circuito independente americano tem direito a honras de grande destaque. Mas claro que as canções de «Dookie» -- e os Green Day -- não passam de uma curiosidade com uma certa dose de graça, mas que obviamente tem uma importância muito relativa para os tempos que correm. (6)

Amélia Muge abre o festival. Com José Martins, Luís Sá Pessoa, convidados surpresas e um reportório especialmente preparado para a ocasião. Fecha a primeira noite a superbanda escocesa da editora Temple, Mac-Talla: duas damas, Christine Primrose e Eilidh MacKenzie, e um cavalheiro, Arthur Cormack, do canto gaélico, mais a harpista Alison Kinnaird e o teclista, ex-Runrig, Blair Douglas.

Não será um, mas vários até ao fim. Porque todos são o mesmo dito musicalmente de diferentes maneiras. John Cale, em Lisboa, pela terceira vez.

Há mais, mas estas são as mais importantes facetas de John Cale, entre as quais não há denominador comum ao longo de cerca de trinta anos de carreira -- antes o tipo de coerência que se encontra entre as feições dos membros de uma família. Este ar de família é de ordem conceptual e estética, mas tem também um equivalente do ponto de vista qualitativo e é já um lugar comum dizer que Cale é capaz do melhor e do pior em qualquer registo, às vezes no espaço de um único disco. Esta dupla imprevisibilidade é parte determinante do estatuto de culto que sempre manteve, um enigma que será, eventualmente, o cerne da sua trajectória.

Os franceses têm aquela qualidade preciosa de conseguirem ser chatos como a potassa mas dando a entender que é coisa fina e elegante. Com "charme", dizem eles. Michel Jonasz anda na "chanson" há muitos anos, mas não é por isso que "Où est la Source" deixa de ser chato. Ele é um autor, melhor dizendo um poeta. Vê-se pelas letras que ele tem o cuidado de cantar devagarinho, não se vá perder alguma sílaba. Às primeiras notas do disco, ou num tema como "Vivement l'avenir", poderia passar por um Momus cloroformizado. Mas depois a coisa arrasta-se com uma lentidão exasperante, com Jonasz a não ser capaz, ou a não querer, sair dum estilo semideclamado que se deixa anestesiar em baladas intoxicadas pelo fumo de casino. Aliás é tudo semi, neste álbum. Semi-jazz em "Triste et bleu", semi-romântico, em "Le piano et le pianiste", semibonito, em "Tombent les feuilles". Steve Gadd e Paulinho da Costa, entre outros músicos convidados, adormecem com Jonasz ao som das estrelas. É tudo azul. "Blues" de lágrima fácil? Nem o Vitinho conseguia fazer-nos adormecer com um sorriso de tanta beatitude nos lábios. (4)

Kante entrou bem nos tops internacionais com «Yé Yé», em 1987. Mas, depois disso, numa mais voltou a oferecer êxitos desse calibre, e o equilíbrio entre a parcela africana e a ocidental da sua música foi-se degradando, até soar cada vez mais americanizado. Não seria por si mesmo um mal, se fosse tão explosivamente dançante como o título que dá início a este disco, mas aquilo que se segue soa como um tigre africano de tal forma domesticado pelo domador ocidental que acaba por se comportar como um gato de sofá. Isso significa cedências constantes a uma certo polimento rítmico, à disciplina da introdução dos instrumentos étnicos em espaços policiados, para além de alguma pompa barroca panglobal, que será da eventual responsabilidade do produtor Mark Prali (Dee-Lite, Prince). O final étnico será uma penitência, mas não chega para perdoar tanto pecado comercialóide que é cometido pelo caminho. (4)

Quando lançou, em 1989, o álbum de estreia «All Hail the Queen», chamaram-lhe «a Aretha Franklin do rap» e «a rainha do hip hop». A aproximação às coordenadas sonoras do rap era bastante convencional, mas, em compensação, o seu feminismo e bom-senso eram diferentes por tais latitudes musicais, e foi essa combinação que lhe valeu uma chuva de elogios. Dois anos depois, Latifah quis ir mais longe do ponto de vista musical, rubricando em «Nature of Sista'» um álbum de experiências eclécticas, onde o rap se casou com uma miríade de outros estilos musicais, mas esse arrojo não vingou e o álbum vendeu nos Estados Unidos umas modestas 340 mil cópias. A artista lançou as culpas sobre o «marketing» da pequena companhia Tommy Boy e, muito compreensivelmente, mudou de produtora discográfica, para a bem mais clássica e experiente Motown.

Nas praias do Sul da Califórnia, com um sol de Verão e a terra a tremer ainda de meia em meia hora, num eco surdo e medonho do grande terramoto de Northridge, os altifalantes dos carros descapotáveis soltavam a passagem um som delirante. «É o som de San Diego», alguém explicou. «Agora, em Los Angeles ninguém ouve outra coisa. San Diego é a nova Seattle.»

Setecentas fitas «masters», cerca de dez mil títulos, mais uns quantos milhares de partituras impressas. Uma inteira história da música, sobretudo da portuguesa, que estava votada ao pó nos arquivos da Sassetti. Não está mais, porque a Strauss comprou tudo e propõe-se fazer a campanha de reedições mais cuidada de sempre em Portugal.

A disponibilidade do espaço de venda é, de resto, uma das grandes razões que levou Armando Martins a adquirir a herança Sassetti. Profissional do ramo há 25 anos, tem hoje uma cadeia de lojas de produto acabado, conferindo-lhe ramos de canalização e a possibilidade de relançar um catálogo que estava quase condenado. Quando comprou, no entanto, foi com outras preocupações que a do lucro imediato. De algum modo, o que ele queria era ter aquilo, e até comentou que não se importava de o levar para a tumba. Claro que a ideia não era bem essa, mas que para reeditar mal era preferível não reeditar.

Álbum a incluir na secção "especial instrumentos". Neste caso na prateleira destinada às flautas e "tin whistle". John Skelton é um dos membros dos House Band que em "One at a Time" decidiu mostrar as suas habilidades como executante. Está desde já aprovado. Recorrendo a flautas e "tin whistles" com diversas afinações, Skelton recria temas das tradições escocesa e irlandesa de forma superlativa, apagando a má imagem deixada quando da passagem dos House Band pelos "Encontros" do ano passado. As excepções que dão outra cor a um álbum concentrado no tipo de solos que estamos habituados a ouvir neste estilo de música, se bem que Skelton lhes empreste um "swing" muito especial, são um tema inspirado na tradição da "morris dancing" inglesa, "The lollipop man", e outro, para nós o mais belo do disco, uma marcha da Bretanha na qual o músico toca bombarda acompanhado por Chris Parkinson, em órgão de igreja, uma combinação usada com frequência na música tradicional religiosa daquela região de França. Ged Foley, outro elemento dos House Band e ex-Battlefield Band, toca guitarra em alguns temas. Um bom disco capaz de satisfazer sobretudo os mais inclinados para as particularidades instrumentais da música céltica. (7)

Estão previstas, ao longo de 1994, quarenta reedições do fundo de catálogo Sassetti, cujo momento eventualmente mais alto ocorrerá por ocasião das celebrações da passagem de duas décadas sobre o 25 de Abril, com duas reedições: a de «25 de Abril -- Crónica de Uma Revolução», segundo o relato documental de Adelino Gomes, Paulo Coelho e Pedro Laranjeira, e a de um duplo álbum de «Canções de Abril», colectânea de canções revolucionárias que terá por abertura o lendário «Soneto presente», de José Carlos Ary dos Santos, gravado e editado em 1973 que na altura foi, muito naturalmente, confiscado pela PIDE. Outra reedição já agendada para Outubro e a criar grande expectativa é a de «Como se Fora Seu Filho», único longa duração de José Afonso que está por reeditar em compacto.

Segundo álbum a rebentar no mercado «mainstream», este «Troublegum» é uma forte aposta dos Therapy? não só em endurecer o seu som, como também em torná-lo mais focado e incisivo. Se «Nurse» -- o disco anterior e a sua estreia no catálogo A&M -- era o produto de uma transição entre as raízes «hardcore» e uma perspectiva mais alargada, o novo é não só uma confirmação do potencial do grupo, mas uma articulação mais conseguida entre o seu imaginário de origem e uma garra comercial mais desenvolvida.

De qualquer modo, «metálico» ou não, é visível o momento crescente em que o grupo se encontra, o que garante a «Troublegum» uma dimensão nunca antes possível de encontrar nos seus discos. (8)

Skelton lhes empreste um "swing" muito eQuem vende mais? Madredeus ou Quim Barreiros? Cidália Moreira ou Resistência? E será que gostavam de conviver e trocar galanteios num mesmo programa? A partir de Março, a RTP propõe-se resolver estes e outros dilemas.

A emissão do primeiro programa, segundo Joaquim Silveira, do departamento de programas da RTP, está agendada para o próximo dia 6 de Março e a série que inaugura tem previstos 13 capítulos. Cada programa, difundido ao domingo ao fim de tarde, terá a duração de cerca de meia hora, em que, além de um magazine de notícias, a dita tabela será ilustrada com a passagem de telediscos ou, na sua ausência, de registos dos artistas em estúdio. A concepção e produção foi confiada à Valentim de Carvalho, que agora está a ultimar o projecto. Os cenários não foram ainda escolhidos, a pessoa que se encarregará da apresentação também não. O mais provável é ser uma apresentadora de perfil não excessivamente popular, segundo nos confiou Francisco Vasconcelos, administrador desta produtora, que também adiantou o nome de Sofia Morais (ex-apresentadora do Pop Off e actual locutora da XFM) como possível candidata ao lugar.

Tó Leal é a voz e o rosto, mas foi Fernando Girão quem escreveu, compôs, arranjou e produziu as canções. A voz de Tó Leal vai do sussurro ao berro, mas é raro optar por essa ginástica de extremos, preferindo antes um registo brando, agradável e previsível. O rosto é simpático, estilo barba de três dias, brinco na orelha, óculos escuros redondos e chapéuzinho étnico. As letras de Girão falam de mulheres, boémia, paz interior e dos problemas do mundo, num discurso trivializante de conversa de café. Em termos de composição, o grosso é rock FM, oscilando entre as baladas com interlúdios de piano e temas mais esgalhados com pitadas soul e funk, mas também há um par de faixas de sabor afro-latino e um reggae. A produção é limpa e o som higiénico.

Se as estrelas supracitadas flirtaram com a imagem ou até entraram em diálogo com a pop, porém, mantiveram-se profundamente ancoradas na música clássica. Ora o que agora faz Lemper é a rotação completa, a transfiguração radical para cantora pop à francesa, surgindo a concorrer no mesmo terreno -- ou segundo as mesmas premissas estéticas e sonoras -- das suas divas actuais, que são Patricia Kaas, Mylene Farmer e Liane Foly. O seu ensaio, de resto, surge como uma espécie de síntese das três, absorvendo a técnica vocal entre o sensual e o dramático de Patricia, o universo misto de romantismo e boémia de Mylene, e as ambiências de funk-jazz de Liane. É uma osmose perfeita; e se Lemper não inova o paradigma da nova canção francesa, duplica-o com um rigor emotivo e técnico, que faz jus a sua formação clássica.

Está quase completa a discografia dos Xutos & Pontapés em CD. Com a reedição de «Cerco», só fica a faltar o primeiro álbum, «78/82». Mas se esse primeiro disco marca um período transitório, entre os resquícios do punk, que os formou, e a busca de novas soluções, e o seguinte, «Circo de Feras», já é o disco de um triunfo emergente, este «Cerco» é a representação mais pura do seu período de militância. E como os Xutos, no seu melhor, são uma banda de combate, faz sentido que este seja um dos registos mais importantes de toda a sua discografia.

As águias entretanto arrancaram para o céu azul e os ratos continuam aí, mas a raiva de acreditar que tal vingança seria possível fez destas canções monumentos da vontade que nascia no «fundo do ser». Mesmo com a inocência -- e talvez sobretudo por ela -- com que as coisas foram feitas na altura. Mesmo com as tais deficiências de som ou de produção que eram apontadas para esta edição não sair no formato digital sem ser «retocada». Mas se há que haver nostalgia é melhor que ela seja assim. Nua e crua. (9)

ASSALTANTES DE LOJAS PRESOS EM COIMBRA -- Dois indivíduos, um com 23 e outro com 26 anos de idade, foram detidos pela Directoria de Coimbra da Polícia Judiciária, por presumivelmente terem praticado, respectivamente, seis e 10 crimes de arrombamento e furto em estabelecimentos comerciais da cidade e arredores. De acordo com uma nota ontem divulgada pela PJ, o primeiro indivíduo, toxicodependente, é suspeito de ter arrombado e furtado artigos e dinheiro em três cafés, uma farmácia e duas outras empresas. Os valores terão sido gastos, de acordo com a mesma nota, na compra de drogas duras a um suspeito de tráfico de estupefacientes, também referenciado, mas ainda a monte. Ao outro arguido -- que à semelhança do primeiro se encontra em prisão preventiva -- é imputada a subtracção de dinheiro, tabaco e bebidas no montante de algumas centenas de contos e que terá «dissipado em proveito próprio».

Se o destino legal de Farid continua impreciso, mais incerto parece ser o destino do amor que o jovem teima em dedicar a Lisete. Até ao momento, e desde, pelo menos, há seis meses, a estilista de Donim, Guimarães, persiste em não dar qualquer sinal de correspondência amorosa.

A TSF comemorou ontem o Dia dos Namorados com a dramatização do poema de Daniel Filipe «A invenção do amor» e marcou, com a iniciativa, uma página de beleza na história da rádio em Portugal. Ao estilo do célebre programa «A Guerra dos Mundos», com que, em 1938, Orson Welles sobressaltou os radiófilos norte-americanos, convencendo-os da iminência de uma invasão de marcianos, a emissão foi sendo interrompida, entre as 17h30 e as 19h00, por «flashes» noticiosos, testemunhos de populares, a conferência de imprensa de um ministro e apelos à delacção lançados pela «polícia de costumes», empenhada em capturar «antes que o exemplo frutifique», um homem e uma mulher que «inventaram o amor com carácter de urgência/ deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana». Os trechos musicais escolhidos, os recursos técnicos usados para registar as diferentes falas e a magistral interpretação dos homens da TSF emprestaram ao longo poema a autenticidade de notícia de um fim de tarde em que a actualidade era dominada, nem de propósito, por novos desenvolvimentos no «amor impossível do jovem Farid pela inacessível Lisette e no amor interdito de uma família [angolano-zairense] separada pelas fronteiras da burocracia [governamental portuguesa]». Uma senhora telefonou para a estação das Amoreiras, perguntando em que cidade se estava a passar a história; um jovem quis saber mais sobre esse homem e essa mulher que, num bar de hotel, se encontraram numa tarde de chuva e construíram com urgência o universo do amor, pondo «em jogo a cidade, o país, a civilização do Ocidente». Num indigente universo radiofónico em que brilham, isoladas, raras estrelas de primeira grandeza (Lugar ao Sul, de Rafael Correia, RDP-1, Ouvir para Crer, de António Cartaxo, na Rádio Cultura, e quatro ou cinco mais), soube bem ver assim reinventado o prazer de fazer e ouvir rádio. Ou, como escreveu Daniel Filipe (publicitário e jornalista, nascido em Cabo Verde em 1925 e morto em 1966) no final do seu magnífico poema: «Au bout du chagrin une fenêtre ouverte/ une fenêtre eclairée». Adelino Gomes

O Presidente americano, Bill Clinton, deverá anunciar hoje um primeiro pacote de sanções económicas contra o Japão, em resposta ao fracasso das negociações em Washington com o primeiro-ministro Morihiro Hosokawa, disseram ontem aos jornalistas funcionários da Administração americana.

TRÉGUA DE QUATRO DIAS NO AFEGANISTÃO -- As duas principais facções da guerrilha afegã concordaram domingo numa trégua de quatro dias, a começar hoje, terça-feira, de manhã, anunciou, em Peshawar, vizinho Paquistão, o primeiro-ministro do Afeganistão. As forças leais ao Presidente Buhanuddin Rabbani e os seus opositores, dirigidos pelo primeiro-ministro Gulbuddin Hekmatyar e o senhor da guerra Abdul Rashid Dostom, concordaram em suspender as hostilidades para facilitar o trânsito de auxílio alimentar à população de Cabul. O aeroporto da capital afegã está encerrado e só seis comboios terrestres chegaram aos civis desde o recrudescimento dos combates, há 40 dias. O Comité Internacional da Cruz Vermelha e os Médicos Sem Fronteiras são as duas únicas organizações humanitárias ainda presentes em Cabul.

ZAPATISTAS PROMETEM LIBERTAR REFÉM -- Os rebeldes do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) em revolta no estado mexicano de Chiapas concordaram em libertar o antigo governador Absallon Castellanos Dominguez, refém desde os primeiros dias da insurreição, iniciada no primeiro dia de Janeiro, disse, em San Cristobal de las Casas, Manuel Camacho Solis, enviado especial do Presidente Carlos Salinas de Gortari. Absallon Castellanos, general na situação de reforma, é acusado pelos camponeses insurrectos da autoria moral da maioria dos atropelos aos direitos humanos na região durante o seu mandato. O EZLN tinha ameaçado julgá-lo e fuzilá-lo, mas nunca cumpriram a ameaça.

Pelo menos uma pessoa foi ontem morta e uma ferida quando os zulus que defendiam a existência de um reino separado da África do Sul abriram fogo para o ar com revólveres e espingardas, junto à Câmara Municipal de Durban, anunciou a polícia. Os súbditos do rei Goodwill Zwelithini efectuaram as suas perigosas manifestações de regozijo depois de mais uma reunião do soberano com o Presidente Frederik de Klerk, para levar mais longe do que nunca a ideia de uma autêntica monarquia constitucional a funcionar onde é até agora a província sul-africana do Natal (Ver pág. 7). Ao princípio da noite ainda se desconheciam as reacções do Governo e do ANC às exigências de restauração do antigo reino que no século passado foi consolidado por Shaka ka Senzangakhona.

O grupo que hoje chega a Lisboa é constituído por 10 crianças, duas delas com pouco mais de um ano de idade, e 34 adultos com idades na casa dos 40 anos, além de uma mulher com 72 anos. A maior parte deles, segundo a agência Lusa, tem dificuldades com a língua portuguesa. Em Macau permanece ainda um grupo de cerca de 80 timorenses, à espera de melhores dias.

Jornalistas russos ameaçam Governo -- Os jornalistas russos ameaçam boicotar as notícias relativas ao Governo, no caso do primeiro-ministro Viktor Tchernomyrdine continuar a recusar atribuir as subvenções que o Estado está a dever aos meios de comunicação social, anunciou ontem o presidente do comité de urgência para a protecção da imprensa Anatoli Ejelev. «o direito que a população tem de receber informações é bastante dispendioso», indicou por outro lado, Ivan Laptev, do jornal «Izvestia». O comité de urgência para a protecção da imprensa, criada em Janeiro, pela União dos Jornalistas Russos, apelou ao Governo no sentido de tomar medidas de urgência para «salvar a liberdade da imprensa russa», pagando as subvenções devidas à televisão, à rádio e aos maiores jornais do pais.

Michael Jackson cantou no tribunal -- Ao ritmo de pancadinhas com os dedos, Michael Jackson cantou ontem perante o Tribunal Federal de Denver, Estados Unidos, alguns trechos do seu grande sucesso «Billie Jean». O cantor americano estava sentado no banco das testemunhas e respondia no âmbito de um processo por plágio que lhe foi movido por um cantor de Denver, Crystal Cartier. Este último afirma ter escrito em 1985 o último sucesso de Michael Jackson, Dangerous, o disco que já vendeu 14 milhões de exemplares.

A Presidência da República tomou ontem à tarde a iniciativa de convocar os elementos da Comissão Solidariedade Contra a Repressão para se inteirar da situação em que se encontram os grevistas da fome Teodósio Alcobia, Couto Ferreira e Aldino Pinto, sublinhando a «preocupação» de Mário Soares com o caso. José Ramos e Helena Carmo foram recebidos por um assessor jurídico de Belém, João Ramos, que lhes declarou «a vontade do presidente em fazer todos os esforços para que a situação se resolva.

Os três presos, que se batem para que seja feito o cúmulo jurídico das suas condenações, recusaram na sexta-feira uma proposta do Ministério da Justiça que previa a concessão do regime de prisão aberta. «A proposta não é séria porque visa esvaziar as nossas reivindicações», escreveram numa carta conjunta.

A NOITE é um conto de fadas. Os bares, restaurantes e discotecas são efebos, princesas e donzelas que, do dia para a noite, se transformam em rãs, abóboras e botões de rosa irreconhecíveis! Ao folhear e ler estas notas, a noite altera-se incessantemente, desactualizando o nosso Guia. É desesperante assistir à mudança inelutável da quase totalidade dos horários e dias de fecho ao longo do ano. Os organismos vivos são mesmo assim, não há nada a fazer. E a noite é seguramente vivaça. Quando o Guia entrar na tipografia, já dezenas de energúmenos estarão a magicar em mudar tudo de alto a baixo. Das pinturas aos móveis, dos horários aos gerentes, tudo pode ser diférentji de uma noite para outra. Por isso, aconselhamo-lo a desconfiar de um ou de outro dado e a congratular-se pelo facto de a maioria não o trair.

Muitos dos polegarzinhos, belas adormecidas e brancas de neve passearão contudo pelas mesmas veredas, acordarão com o mesmo beijo e comungarão da mesma felicidade. E então este Guia tornar-se-á o instrumento indispensável das suas mil e uma noites fora de horas. Na sua errância em busca dos preciosos pastos nocturnos, não se perderá como Haensel e Gretel na floresta, por os pássaros malvados terem devorado todas as migalhas que os guiavam. A passarada do nosso Guia só engolirá uma ou outra migalha, um ou outro restaurante. As esplanadas também dormitarão quase todas debaixo das estrelas estivais! E as cadentes, as que desapareceram desde o último Verão, inscreverão nas nossas páginas um útil rasto fogoso e a promessa de um novo estabelecimento.

Asi Me Gusta, Batô, Cansil, Cais 447, Catedral, Claustro'sfobya, Dacasca, Dezassete, D. Urraca, Enseada, Fénix, Fisioterapia, Foz Clube, Indústria, Agrícola

A Casa Branca mantinha ontem que o ultimato da NATO para que cerco a Sarajevo seja levantado se mantém, apesar de informações contraditórias de que responsáveis das Nações Unidas teriam dito aos sérvios da Bósnia que algumas das suas armas poderiam continuar apontadas para a cidade.

«Dictionnaire de Géopolitique»: o título da última obra de Yves Lacoste é curto, mas o tamanho (1680 páginas) e o peso do livro indicam logo que se trata de um trabalho monumental. A pedido da editora Flammarion, o geógrafo e universitário francês dirigiu uma equipa de 47 autores, de nacionalidades e horizontes académicos diferentes, que acabou por produzir uma obra tão reverenciada quanto discutida.

«Durante muito tempo, a palavra `geopolítica' foi associada à expansão territorial do nazismo», recorda Yves Lacoste. «Mas, coisa curiosa, à medida que o nazismo ganhou poder na Alemanha, o debate entre cidadãos que dera vida à corrente de ideias geopolíticas, nos anos 1918-1920, foi desaparecendo pouco a pouco.» Hoje, prossegue Yves Lacoste, o debate está enriquecido pelo desenvolvimento da democracia, que dá a liberdade de expressão a vozes discordantes, e pela emergência de opiniões públicas poderosas. Quanto ao perigo de manipulação da opinião pública, «é assimilável ao da propaganda, e depende da qualidade da informação e do funcionamento democrático da nação». A.N.P.

O eco do tiro que matou o arquiduque Ferdinando em 1914 encontra-se hoje abafado pelo troar dos canhões numa cidade fustigada pelo infortúnio.

«Ainda temos a chama» -- é a máxima do Comité. Não a chama do fogo das armas, mas a do espírito olímpico. «Ninguém, na altura, poderia ter imaginado o que iria acontecer à nossa cidade, nem as pessoas que estavam encarregues dos Jogos, nem ninguém», diz Arnautovic.

A reabilitação da palavra «geopolítica» passou em França, e na Europa, pelo trabalho de Yves Lacoste. Geógrafo, autor de um livro revelador, «A Geografia Serve antes de mais para Fazer a Guerra», universitário, director da prestigiada revista de geopolítica «Herodote», Yves Lacoste aborda os assuntos mais complexos com originalidade e sem complacências.

Em 1914, quem se opusesse à guerra, era tido por traidor. Hoje, pode-se manifestar livremente uma opinião discordante, sem se ir parar à prisão. Nos países em que há liberdade de expressão, o papel dos jornalistas e dos intelectuais é preponderante na formação da opinião pública: são factores novos em geopolítica, que implicam um certo desenvolvimento da democracia. É claro, o termo «geopolítica» foi apresentado, durante muito tempo, como a expressão do nazismo e do imperialismo. Por isso foi proscrito a partir de 1945. Podia-se ter dito: «Houve uma geopolítica hitleriana, há uma geopolítica comunista, uma geopolítica do mundo livre...» Mas não. A partir da guerra fria, em 1947, não se quis de forma alguma colocar o problema de fronteiras e de nações. O campo soviético considerava que todos os problemas nacionais estavam resolvidos. Não se falava nos húngaros da Roménia, pois a Hungria e a Roménia eram países «irmãos», não é? Tal como no campo ocidental não se queria falar nos problemas entre a França e a Alemanha, por exemplo, a propósito da Alsácia e da Lorena. Só que, no Pentágono, como no Kremlin, se continuou sempre a pensar em termos de geopolítica.

Os seis órgãos da Basílica de Mafra são únicos no mundo, há música escrita especialmente para eles. Mas nunca ninguém a ouviu, pois os instrumentos a que se destinavam nunca funcionaram. Se o mecenato decidir pagar o restauro dos órgãos, em 1998, poderá ouvir-se essa música inédita no templo mandado construir por D. João V.

Para a cerimónia de sagração da Basílica de Mafra, em 1730, D. João V encomendou seis órgãos portáteis que tocaram em vez dos definitivos, aqueles que hoje é possível admirar no monumento, dois na Capela-Mor, dois no transepto norte e dois no transepto sul. Estes estavam previstos no plano de construção original, mas só nos finais do século XVIII, princípios do seguinte -- entre 1792 e 1807 -- aparecem instalados.

Os chineses parecem não ter a noção de Deus: só de Céu (Tian), a entidade de quem o imperador era filho e que ainda hoje dá o nome à maior praça do mundo -- Tiananmen (porta da Paz Celestial). Daí, talvez, o sucesso da primeira grande exposição de Marc Chagall na China -- no emblemático «Meishuguan» , até 15 de Março.

A exposição foi organizada por uma galeria de Paris, com o apoio da Embaixada de França. «A avaliar pelo começo, que foi muito bom, até ao encerramento, o público deverá ultrapassar as cem mil pessoas, disse um responsável dos serviços culturais da embaixada. Por outro lado, trata-se de uma das maiores manifestações artísticas ocidentais realizadas nos últimos anos na China, país onde o partido comunista continua a temer o «liberalismo burguês» e as «influências negativas das sociedades capitalistas decadentes». O processo de abertura está a acelerar-se», comentou o mesmo diplomata.

O poeta sul-coreano Kim Myung-Shik, aproveitando a passagem pelo seu país do dirigente da resistência no exílio, Mário Alkatiri, fez um poema em homenagem ao povo maubere. Intitulado «A Terra da Paz Timor-Leste», o poema fala de Timor como «terra de paz», que sofreu o «domínio português durante 450 anos» e refere «a história da actualidade em que morreram os irmãos sob as baionetas do domínio indonésio». «A liberdade e a paz de Timor-Leste brotará dos corpos quentes dos que amam, e dos corpos gelados dos que morreram», escreve Myung-Shik, no poema ontem divulgado pela agência Lusa.

Depois de um início sombrio, o Festival de Berlim mostrou-se com um rosto mais alegre na segunda-feira, através da exibição de três comédias: a do «benjamim», alemão Reinhard Munster, «Alles auf Anfang» -- que se passa no mundo do cinema -- apareceu ensanduichada entre «Smoking» e «No Smoking» de Alain Resnais, um dos veteranos deste certame. O tipo de humor dos dois realizadores é diferente, pelo que o público dos seus filmes também é distinto. Mas, de acordo com o enviado da France Press, têm em comum o discorrerem sobre o tempo e os acasos da sorte. O filme de Munster é uma obra burlesca: começa com a estreia de um filme, cujo realizador se vê, de repente, adulado por toda a gente, depois de ter sido desancado pelas mesmas pessoas. Na trama surge ainda uma jovem que não olha a meios para se tornar famosa, e que usa todos os truques baixos para conseguir o papel principal no seu próximo filme.

«A sentença será executada, quer o apóstata se arrependa ou não», anunciou a agência noticiosa oficial iraniana IRNA, segunda-feira à noite. Foi o primeiro comentário oficial do Governo do Irão, no dia em que passava o quinto aniversário da condenação à morte do autor de «Os Versículos Satânicos», o escritor britânico Salman Rushdie, acusado de heresia pelo «ayatolah» Khomeini.

O jornal «Jomhouri-Eslami», próximo dos fundamentalistas, denunciou «o apoio dos países ocidentais» ao autor britânico nascido na Índia e apelou «às forças islâmicas» para que «acabem com o escritor apóstata e assim desfiram um novo golpe contra os inimigos do Islão». O mesmo diário garantiu que continua válido o prémio de dois milhões de dólares pela cabeça de Salman Rushdie.

"Cinderella revista à portuguesa", espectáculo inscrito na programação de Lisboa Capital Europeia da Cultura, em cena no Teatro Maria Matos, começa por ser "revista à portuguesa". Só mais tarde, no último quadro da primeira parte, entra a Cinderella e não antes de nos serem apresentadas a madrasta e as manas velhacas.

Teatro sobre o teatro, dentro e fora do teatro. Nos bastidores e os arredores do teatro. Pirandello lido, apreendido e recriado, pairando sobre quase três horas de humor fino, cantigas, tangos e valsas, reis e príncipes, sapatinhos de vidro e abóboras gigantes, carruagens e automóveis, fadas sem vara de condão, fumetti e parletti sobre as cabeças dos actores, coristas de ambos os sexos, truques de magia. Tal como "O Soldadinho de Chumbo", o êxito anterior do Teatro Infantil de Lisboa, esta "Cinderella" tem tudo o que é preciso para espevitar as imaginações dos miúdos e dos graúdos.

A ministra grega da Cultura, Melina Mercouri, será operada aos pulmões na próxima segunda-feira, 21 de Fevereiro, no Memoriam Hospital, de Nova Iorque, onde está internada, para se submeter a uma série de exames, informa a France Presse. Uma porta-voz de Mercouri diz que a ministra «fumava desalmadamente», mas que parou de o fazer. Não se sabe ainda se a operação será longa: «Dependerá do que houver a fazer». Em 1989, Mercouri já tinha sido internada no mesmo hospital americano, para retirar um tumor canceroso dos pulmões.

Vencendo hoje, a equipa do Benfica, que se encontra no sexto lugar, com 17 pontos, terá ainda que contar com as «ajudas» do Efes Pilsen (que amanhã defronta o Cibona e na próxima jornada se desloca a Espanha) e também do Clear Cantú, que na próxima semana recebe os croatas, cabendo-lhes por seu lado bater na derradeira ronda, no pavilhão da Luz, os franceses do Pau-Orthez, últimos classificados.

Mário Wilson, o treinador português que dirige a equipa de futebol das Forças Armadas Reais marroquinas (FAR), considerou segunda-feira que o balanço do seu trabalho é positivo, prevendo uma boa classificação no termo da época. Ao serviço das FAR da I Divisão de futebol de Marrocos desde Agosto, Mário Wilson manifestou-se satisfeito, em declarações à imprensa local, pela colaboração encontrada ao nível dos jogadores e dos dirigentes do clube. As FAR ocupam o quinto lugar da classificação.

O Lusitânia de Lourosa, equipa da II Divisão B, Zona Norte, apurou-se ontem para as meias-finais da Taça de Portugal. A vítima foi o Belenenses, que tinha afastado o Benfica. Afinal, nestas coisas da Taça não basta puxar dos galões. E o resultado só peca por escasso...

EUA DOMINAM ESQUI ALPINO --A norte-americana Diane Roffe (na foto) surpreendeu ontem as principais favoritas, ao ganhar a medalha de ouro no slalom super-gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno, a decorrerem na cidade norueguesa de Lillehammer. Roffe desceu os 2035 metros em 1m22,15s, menos 29 centésimos de segundo que a russa Svetlana Gladischeva (prata), enquanto a jovem italiana Isolde Kostner conquistou a medalha de bronze, ao gastar mais 30 centésimos de segundo que a vencedora. Depois da vitória de Tommy Moe, este foi o segundo ouro olímpico conquistado pelos EUA nas provas de esqui alpino. A segunda medalha de ouro do quarto dia de competição foi para a russa Lioubov Egorova, graças à sua vitória nos cinco quilómetros de esqui de fundo, com o tempo de 14m08,8s. A italiana Manuela de Cinta e a finlandesa Marja-Liisa Kirvesniemi conquistaram, respectivamente, as medalhas de prata e bronze. Um dia também marcado pela notícia divulgada pelo Comité Olímpico Austríaco (COA), que fez regressar a casa o seu atleta Gerhard Rainer, membro da equipa de tobogã, devido a uma análise anti-doping positiva. O COA teve conhecimento da análise positiva no passado dia 8, mas a pedido da equipa de tobogã só agora divulgou o seu resultado.

As gentes da Trofa voltaram a descer sobre a capital e fizeram a festa da Taça em Alvalade. A sua equipa foi eliminada, mas com toda a dignidade, e depois de ter assustado os «leões», numa jornada em que FC Porto e E. Amadora golearam e o Lourosa humilhou o Belenenses. Taça é taça.

Estava cheio de razão o homem da Trofa. É que, para além de tudo o resto, a sua equipa esteve sempre altiva, bem na defesa, melhor no meio-campo, atrevida no contra-ataque e bem preparada fisicamente. Mas acima de tudo, a verdade é que soube equilibrar-se em relvado que mais parecia um arrozal. Não patinou tanto como o adversário, e com apenas um ponta-de-lança lançou o perigo para a baliza de Lemajic.

Com a frota completa em exibição na água, o cais de Auckland começa a recuperar do torpor da última semana. A largada para a quarta etapa será no domingo e o ritmo acelera-se em terra firme.

O dia de ontem foi totalmente dedicado aos treinos a bordo e vários iates navegaram no Waitamata Harbour para experimentar as novas velas antes da largada para a próxima etapa, no próximo dia 20 (domingo), rumo aos mares austrais, ao Cabo Horn e a Punta del Este, no Uruguai. Algumas equipas estiveram também envolvidas em «tours» promocionais, embarcando executivos das empresas patrocinadoras ou mesmo o público local -- como foi o caso dos iates ucranianos Odessa e Hetman Sahaidachny, que ainda se debatem com problemas financeiros.

O FC Porto marcou ontem seis golos e conseguiu o resultado mais volumoso da época, batendo um Desportivo das Aves que pouco fez para justificar a razoável carreira que vem fazendo na Divisão de Honra. Os portistas também não precisaram de jogar bem e limitaram-se a aproveitar as debilidades alheias, com Robson a fazer descansar alguns titulares -- João Pinto, André, Rui Jorge, Fernando Couto, Vítor Baía e Semedo, este três últimos a cumprirem castigo federativo.

O treinador inglês continua nas boas graças dos adeptos dos «dragões», que não terão deixado de recordar as dificuldades sentidas frente ao Académico de Viseu, num jogo em que os visienses tiveram uma postura muito idêntica à equipa de Aves, mas em que os portistas estiveram a perder, foram obrigados a um comprometedor prolongamento e sairam do campo debaixo de mais uma assobiadela. O FC Porto ainda não tem, nem poderia ter, grande regularidade exibicional, mas já mostra alguns nacos de bom futebol e outra capacidade concretizadora. E isso já é suficiente para contentar uma massa associativa mal servida nos últimos anos.

A banca estrangeira a trabalhar em Portugal gera cada vez menos lucros e as perspectivas são sombrias. Os americanos são os melhores. Os espanhóis os piores. É o resultado das políticas levadas à prática. Banca «por grosso» e de investimento «versus» retalho. Os activos líquidos é que não param de crescer, em todos os casos.

O Barclays Bank deverá, contudo, e a acreditar em declarações recentes do seu director-geral, Almerindo Marques, ter saído do vermelho. As previsões apontam para um lucro líquido próximo do meio milhão de contos.

O Banco de Fomento e Exterior, liderado por Miguel Cadilhe, baixou de novo a sua «prime-rate», a taxa de juro para os clientes, que se situa agora em 13,25 por cento, menos meio ponto percentual que até segunda-feira. A descida abrange, além dos clientes do banco, o Borges & Irmão, a Euroleasing, a Leasinvest, a Euro-Financeira, a Euro-Leasimóveis, a Exinfactor e a Euro-SFAC. Para os exportadores, a nova «prime-rate» é de 13 por cento. Em paralelo, a taxa de juro do crédito à habitação desce para 13,75 por cento. A descida produz efeito a partir de amanhã.

As bolsas internacionais registaram ontem sessões marcadas por valorizações. Há a exceptuar unicamente o comportamento das praças asiáticas que alternaram subidas e descidas. Enquanto Hong Kong recuperou 0,21 por cento, depois da queda de 4,5 por cento da véspera, o mercado de acções de Tóquio voltou a encerrar no vermelho.

A procura de acções da companhias petrolífera francesa Elf Aquitaine, privatizada na quinta-feira, triplicou a oferta e obrigou a um rateio pelo qual cada investidor ficará com 12 acções por cada 30 que tenha tentado comprar, anunciou ontem o ministro francês da Economia, Edmond Alphandéry. O êxito da operação foi superior ao já registado com a venda da BNP - Banque Nacionale de Paris e do grupo químico Rhône-Poulenc, atraindo à bolsa cerca de 3,1 milhões de investidores, contra 2,8 milhões e 2,9 milhões para as outras duas. O encaixe para o Estado com a venda da Elf, a maior operação de privatização jamais realizada em França, deverá atingir os 33 mil milhões de francos (cerca de 970 milhões de contos).

O problema do desemprego na Europa agravou-se devido à rigidez das economias destes países, que deveriam reformular o seu mercado de trabalho introduzindo-lhe mais flexibilidade, nomeadamente em matéria de salários, disse o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Jean-Claude Paye, numa entrevista ontem publicada pelo jornal conservador francês «Le Figaro». Paye, que acaba de remeter aos governos dos países membros da OCDE um estudo sobre o desemprego, afirma que a regulamentação na Europa «constitui frequentemente um elemento de rigidez que actua em detrimento do emprego e dos orçamentos públicos».

O Brasil acabou de criar uma nova agência espacial que terá a missão de coordenar o desenvolvimento dos seus foguetões e satélites, noticiou a Reuter. A nova Agência Espacial Brasileira, criada por uma lei assinada pelo presidente Itamar Franco, reúne os diversos organismos responsáveis pelas actividades espaciais que existiam até agora. Recorde-se que aquele país tem incentivado nos últimos anos as suas actividades no domínio do espaço, tendo dado alguns passos concretos em 1993: o seu primeiro satélite foi lançado em Fevereiro por um foguetão norte-americano e, em Abril, o Brasil fez o lançamento experimental de um foguetão destinado a colocar satélites em órbita. Em Novembro, por outro lado, assinou um acordo de cooperação espacial, no valor de 200 milhões de dólares (35 milhões de contos), com a China, para a construção conjunta de dois satélites científicos.

«Com o cancro do cólon, o risco persiste», diz um dos autores -- Edward Giovannucci, do Brigham and Women's Hospital de Boston --, citado pela agência France Presse. «Mesmo para uma pessoa que começou a fumar aos 20 anos e tenha parado aos 40, o risco subsiste.»

À excepção de alguns países da Europa central e oriental, a esperança de vida à nascença dos europeus está a aumentar, revela um relatório do Conselho da Europa sobre a «evolução demográfica recente» no continente publicado no início do corrente mês. Mas, se as mulheres espanholas, francesas, italianas, suecas e britânicas têm uma esperança de vida de 80 anos, a dos seus compatriotas masculinos é de apenas 73 anos.

Ainda segundo o relatório, «os nascimentos fora do casamento estão em progressão, como o número de uniões livres». E, na Europa do Norte e ocidental, entre 30 e 50 por cento dos casamentos «acabam em divórcio».

As pessoas com tensão arterial baixa estão mais sujeitas a sofrer de depressão, de acordo com investigadores da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA). Um estudo feito a 600 homens residentes na Califórnia, entre os 60 e 89 anos, mostrou a existência de uma relação entre a hipotensão arterial e a depressão. Os indivíduos inquiridos queixaram-se igualmente de fadiga, pessimismo, tristeza, perda de apetite e perda de peso. Publicado no «British Medical Journal», o artigo diz que a razão para uma relação entre a tensão arterial e a depressão não é clara, embora a depressão esteja associada ao cansaço. «Uma vez que a fadiga é um sintoma principal da depressão, a associação da tensão arterial baixa à fadiga poderá reflectir desordens depressivas».

Inicia-se hoje a 13ª edição do festival Imagina, o principal festival europeu dedicado à tecnologia da imagem, que decorrerá até ao dia 18 em Monte Carlo. E, pela primeira vez, uma obra portuguesa foi pré-seleccionada pelo júri do prémio Pixel-INA, a par de seis outros trabalhos concorrendo à categoria de simulação (dum total geral de 520 obras). «Realidade virtual» é um vídeo produzido pelo Centro Multimédia do INESC para uma exposição sobre a obra do arquitecto Nuno Mateus que decorreu entre Junho e Setembro de 1993, no Centro Cultural de Belém.

A acreditar na capa da «Scientific American» deste mês, o Presidente Abraham Lincoln (1809-1865) encontrou-se um dia com Marilyn Monroe (1926-1962). A verdade é que não se tratou de nenhum encontro paranormal, mas serviu à revista como exemplo das possibilidades actuais da manipulação de imagens. Elas vão generalizar-se porque, como refere Philippe Quéau (ver entrevista), é muito difícil descobrir a realização de manipulações digitais.

Na «New Scientist» de Outubro de 1993, John Major foi «fotografado» com Albert Einstein. «Einstein vive! John precisava de mim, afirma o génio» era o título, para depois mostrar «como mentir com imagens» ou «quando ver não é crer». A revista relata ainda que a duquesa de Windsor já apareceu na cama com Woody Allen e o actor Buster Keaton (falecido em 1966) conduziu o modelo mais recente da Rover.

A comissão de inquérito nomeada pela Arianespace para averiguar as razões do acidente que causou a queda do foguetão europeu Ariane 63, em 24 de Janeiro último, já entregou as suas conclusões àquele consórcio. A Arianespace vai divulgar o relatório à imprensa na próxima sexta-feira.

Os riscos de contaminação pelo vírus da sida durante a actividade desportiva são mínimos, de acordo com um relatório da Academia de Medicina francesa. Mais: as secreções provenientes de um seropositivo -- tosse, suor, urina e lágrimas -- não representam riscos de contaminação da doença. Mas a transmissão já é possível a partir de uma ferida na pele ou numa mucosa, sobretudo nos desportos de combate e nos desportos colectivos de contacto.

Apesar de isolada na comunidade internacional e carente de auxílio económico urgente, a junta militar birmanesa não quer perder a cara: Aung San Suu Kyi vai continuar detida mais um ano e meio, a menos que abandone o país. «Jamais!» -- responde a líder da oposição democrática e Nobel da Paz, visitada por um congressista americano.

Segundo aquele porta-voz, coronel Kyaw Win, a lei birmanesa autoriza a detenção de uma pessoa naquelas condições durante cinco anos, o que, considerando que o acto que «legitimou» a prisão de San Suu Kyi foi assinado em 20 de Julho de 1990, afasta a fasquia da libertação para mais um ano e meio.

Os sérvios procuram explorar as contradições públicas e embaraçosas em que a NATO e a ONU caíram. O chefe militar das forças sérvias bósnias diz que a sua artilharia pesada não se retirará das colinas de Sarajevo. O chefe político, Radovan Karadzic, fala em retirada e mesmo em colaboração com as Nações Unidas. Para Karadzic, o inimigo agora é a NATO e as suas ameaças de ataques aéreos. No meio desta rajada de palavras para o ar, a ONU decretou um «blackout» informativo, até nova ordem. O ultimato da Aliança está a menos de cinco dias.

Por seu turno, o líder político dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, disse que estaria disposto a retirar um determinado número de peças de artilharia das colinas. Numa conferência de imprensa em Pale, quartel-general sérvio, a umas dezenas de quilómetros de Sarajevo, Karadzic afirmou não esperar mais combates na região da capital bósnia, pelo que os sérvios usariam a artilharia noutros locais, para fins defensivos.

O ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Roberto Robaina, fez, na segunda-feira à noite, o aguardado anúncio formal da conferência de diálogo com exilados, mas voltou a não dar pormenores sobre quem será convidado a participar e quem ficará de fora. A reunião chamar-se-á «A Nação e a Emigração» e decorrerá na capital cubana entre 21 e 24 de Abril, com a presença de 200 cubanos «do exterior» -- isto é, exilados, na maior parte, nos Estados Unidos.

Com esta reunião sem precedentes, o regime de Havana pretende dar mais uma mostra de abertura política -- apontando de caminho como é injusta a situação de embargo -- e, por outro lado, antecipar uma normalização de relações. Um motivo mais imediato, e igualmente importante, será estimular as remessas de dólares da comunidade cubana residente nos EUA para a ilha -- autorizadas abertamente desde o final de Julho passado, quando Fidel Castro, a contra gosto, anunciou a «dolarização» da economia cubana, ou seja, a despenalização da posse de moeda estrangeira.

O arcebispo do Huambo está preocupado com "a série de graves incidentes" que se têm registado em Angola, pelo que encara com "optimismo moderado" as negociações para restituir a paz ao país. Em entrevista exclusiva ao PÚBLICO, demarca o campo de intervenção da Igreja Católica para recusar o papel de símbolo político que lhe foi atribuído.

Francisco Viti -- Mantenho firme a rejeição de ser qualificado como símbolo político. E, se alguém pretende considerar-me assim, é porque, como geralmente sucede entre políticos, uma ou outra parte poderá ter tentado pôr-me do seu lado, para utilizar a posição que ocupo e certo prestígio de que sempre se goza mesmo enquanto padre. Mas não podemos nunca aceitar semelhante posição, porquanto se opõe frontalmente à nossa identidade episcopal. Ora, Cristo pertence a todos e é aliança entre os homens e os povos, o que é incompatível com alinhamentos partidários. Seria trair a identidade da própria Igreja. Em vez de paz, andaríamos a promover conflitos e divisões.

Edifícios destruídos, estradas esburacadas, falta de água e de luz não são os problemas mais difíceis que continuam por resolver no Huambo, quase um ano depois da violenta batalha dos 55 dias. Há um povo que convive com a ignorância, com a fome, com o ódio, com o abandono e com a morte. Bombardeamentos aéreos indiscriminados e minas enterradas, o perigo espreita por todo o lado. As organizações internacionais têm sido a melhor arma anti-aérea e um lenitivo para a falta de víveres. Também o arcebispo do Huambo é considerado um escudo humano contra os bombardeamentos, papel que Francisco Viti aceita, numa entrevista em que recusa colagens à UNITA, o partido que domina a cidade há cerca de um ano.

No bairro da Chiva, diariamente às 10h00 e às 15h00, juntam-se algumas dezenas de crianças, a quem as enfermeiras fazem medições para avaliar o grau de subnutrição. É que os recursos de que dispõe a Cruz Vermelha no Huambo não são muitos -- são transportados nos seus aviões a partir de Benguela, onde têm um barco atracado -- e torna-se necessário acorrer apenas às situações mais graves.

A festa de amanhã não vai ser o que se esperava, depois do espavento das anteriores comemorações. Mas o regime comunista da Coreia do Norte não deixou, mesmo assim, passar em claro o 52º aniversário de Kim Jong Il, filho e herdeiro presumido do presidente Kim Il Sung.

Para o seu 50º aniversário, o exército popular tinha oferecido ao jovem Kim 830 milhões de amêijoas, de que tinham feito uma flor gigante. No ano passado, Pyongyang foi decorada com 2,16 milhões de flores, uma referência à data do aniversário, décimo sexto dia do segundo mês (16 de Fevereiro). Mas este ano, segundo a rádio norte-coreana, as amêijoas e as flores deram lugar a simples cartazes, faixas de pano e a uma campanha de limpeza das ruas.

O Presidente russo Boris Ieltsin e o primeiro-ministro britânico John Major assinaram ontem em Moscovo uma declaração em que os dois países se comprometem a não voltar a apontar um ao outro os seus mísseis nucleares, noticiou a agência russa ITAR-TASS. O documento foi assinado por Ieltsin e Major no Kremlin, depois da Rússia e dos EUA terem assinado um acordo semelhante.

Tradicionalmente, nenhum dos lados se mostrava interessado em revelar os alvos dos seus mísseis. Mas o pequeno arsenal britânico de mísseis submarinos foi adquirido a pensar na antiga União Soviética. E o enorme arsenal russo é suficientemente grande para poder haver mísseis apontados para todos os países, nomeadamente a Grã-Bretanha.

Estará a paz na Bósnia ao alcance da mão? Terá a Administração Clinton começado a mostrar alguma competência e finura em política externa? Ainda há uma semana estas perguntas pareciam ridículas. O bombardeamento do mercado de Sarajevo voltara a fazer da guerra Bósnia uma questão escaldante e a paz parecia mais longe do que nunca. Por seu lado, a Administração Clinton continuava sem soluções, proferindo contra os sérvios ameaças que não podia cumprir e oferecendo aos bósnios vazias promessas de apoio, que apenas prolongavam uma luta sem esperança.

Para seu crédito, a Administração sempre percebeu que seria desaconselhável o envolvimento de tropas terrestres americanas. Os sérvios são os melhores e mais determinados guerrilheiros da Europa e os sérvios bósnios são mais duros que os seus primos jugoslavos. Durante a II Guerra Mundial, a Luftwaffe alemã fez bombardeamentos maciços a Belgrado e o Exército alemão entrou na capital. Foi o sinal para uma furiosa campanha de resistência nacional. [...] Teríamos sucesso onde Hitler falhou? Estaríamos dispostos a tentar? A Administração sempre soube que a resposta era não, a ambas as questões -- mas não podia aceitar as inevitáveis consequências.

Na Cinemateca, Rua Barata Salgueiro 39, continua a decorrer o ciclo Sacha Guitry: A Necessária Revisão. Às 18h30 é exibido "Assassins et Voleurs", um filme de 1956 e, às 21h30, "La Vie D'Un Honnéte Homme", de 1953.

Ainda no Centro Cultural de Belém, mas no Pequeno Auditório, às 21h30, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo maestro Jean-Marc Burfin, realiza um concerto, tendo como solista Raúl Mendes, do Mendes Harmónica Trio. A partir das 21h30 vão ouvir-se obras de Honegger, Jacob e Schubert/Mahler.

Cerca de 300 montanhistas acampados na Serra da Estrela foram evacuados, na noite de segunda-feira, para o quartel dos bombeiros de Manteigas, devido ao intenso nevão que se tem abatido sobre a zona. A operação envolveu jipes de bombeiros da região e teve o apoio e orientação de diversos clubes de montanhismo, para além dos organizadores da iniciativa Nevestrela.

Para trás ficou a proibição do Parque Natural da Serra da Estrela à realização deste Nevestrela, tendo já sido informado que o Instituto de Conservação da Natureza poderá vir a processar os infractores e que a Federação Portuguesa de Campismo e Caravanismo, por seu turno, decidiu suspender financeira e institucionalmente todos os clubes que participaram na iniciativa, não acatando a proibição de acampar no Covão d'Ametade, encerrado durante o Inverno.

Uma centena de comerciantes cortaram, na madrugada de ontem, um acesso ao mercado retalhista da Carapinheira, em Montemor-o-Velho, para impedir a realização no local de uma feira de grossitas, que consideram ilegal.

Segundo estes comerciantes, a feira não é do conhecimento oficial da Câmara de Montemor-o-Velho nem está licenciada por esta autarquia, sobrevivendo apenas à custa da «actuação suspeita» da Junta de Freguesia de Carapinheira , em cujo recinto se vem realizando.

A criação já garantida para Torres Novas de um centro incubador de empresas que a vereadora social-democrata da Câmara Municipal do Entroncamento, Paula Carloto, prometera trazer para a "cidade ferroviária" durante a campanha autárquica do ano passado, tem provocado polémica nas reuniões camarárias. A maioria socialista refere que a vereadora se desinteressou do processo, por ter perdido as eleições, deixando que a Câmara Municipal de Torres Novas "ganhasse a corrida" e denotando "pouco bairrismo".

Paula Carloto explica que, com a vitória eleitoral do PS no Entroncamento, a sua posição para trazer o centro incubador se alterou totalmente. "Eu perdi as eleições e por isso não podia negociar. A partir daqui, libertei o processo porque não tinha razões morais para pedir para não o deixarem avançar", esclarece.

Foram quatro dias de moderada festa, encerrados por uma terça-feira fria e chuvosa, que roubou um pouco da animação dos corsos por todo o país -- apesar da graça oficial da tolerância de ponto. Em contraste com as cópias mal impressas das escolas de samba, o acto de mascarar-se permanece como um baluarte legítimo na tradição carnavalesca, a que muitos não conseguem resistir, nem que seja apenas para passear, pacatamente, pela cidade. O PÚBLICO mostra aqui retratos deste comportamento, captados no centro de Lisboa.

José Carlos Agostinho contestou o processo de constituição das listas do PSD para as autarquias do Entroncamento e a forma como decorreu a campanha eleitoral. O industrial, que participou num jantar público de apoio ao candidato local do CDS, critica ainda Parla Carloto de não ter aceite o pelouro do comércio e indústria que lhe foi proposto pelo presidente, José Cunha (PS), «depois de tantas promessas que fez aos industriais e comerciantes do concelho». Acusa, por outro lado, a direcção concelhia do PSD de instaurar o processo à sua filha «por, simplesmente, ter participado num `raly-paper' organizado pelo CDS na campanha eleitoral».

Um grupo de jovens, de idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos, interrompeu desordeiramente, na noite de segunda para terça-feira, a cerimónia de leitura do Alcorão a que a comunidade islâmica de Odivelas se entregava, por ocasião da quarta noite do Ramadão, na mesquita local.

Esta não foi a primeira vez que a mesquita de Odivelas e os islamitas são alvo de ataques. No ano passado, em que o Ramadão também coincidiu com o Carnaval, ocorreram distúrbios semelhantes, embora de menores proporções.

O Parque Natural da Ria Formosa prepara-se para mandar embargar a construção de uma vivenda de Claude Ruiz Picasso, familiar do pintor espanhol do mesmo nome, em Cacela-Velha. O assunto está a ser analisado pelo gabinete jurídico do Instituto de Conservação da Natureza. Não obstante o parecer desfavorável do parque natural, a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António passou licença para as obras.

Ainda em relação à construção, o Parque Natural da Ria Formosa entende que o segundo piso da casa tem quase o dobro da área que deveria ser autorizada e que autarquia não respondeu, em devido tempo, às solicitações técnicas que lhe eram pedidas. O PÚBLICO, ontem, tentou ouvir o ex-presidente da Câmara, mas foi impossível o contacto.

Cerca de 300 montanhistas, participantes da iniciativa Nevestrela, foram evacuados do Covão d'Ametade, na noite de segunda-feira, devido ao mau tempo. O acampamento no local havia sido proibido pelo Parque Natural da Serra da Estrela, mas os organizadores da Nevestrela dizem qua não era necessária nenhuma autorização da área protegida.

Dos 15 mil metros quadrados da antiga Fábrica de Cerveja Portugália, aberta em 1913, hoje pouco mais resta que a sala de fabrico, já sem equipamentos, e a respectiva fachada. Inicialmente, as instalações ocupavam todo o quarteirão da Avenida Almirante Reis, entre as ruas Marques Silva e a Pascoal de Melo. O que existe da velha unidade industrial esteve, recentemente, à beira de desaparecer por via da degradação, que, nos últimos quatro meses de 1993, foi, aparentemente, travada pela administração da empresa. Foi pintada a fachada e retocada a cantaria.

Considerada, na época, a mais importante fábrica de cervejas da Península Ibérica e uma das melhores da Europa, a Portugália -- fundada por uma sociedade entre Marques de Freitas, Manuel Henrique de Carvalho, Luiz Serrano e João Paes de Vasconcelos -- veio substituir uma outra unidade existente na Rua de Arroios e designada por Fábrica Leão.

Entretanto, nos anos 30 intensificou-se a concorrência, protagonizada, essencialmente, pela Companhia de Cerveja Estrella, do Campo Pequeno, e pela Fábrica de Cerveja Jansen, de Alcântara. Para ultrapassarem aquela fase -- que devido à guerra de preços, com vista à conquista do mercado, chegou a trazer prejuízos a diversas empresas --, aquelas unidades fundaram, juntamente com a Portugália, a Trindade e uma fábrica de Coimbra, a Sociedade Central de Cervejas. Isto aconteceu em 1934.

Os ministros do Mar e do Ambiente e dos Recursos Naturais assinam hoje, em Faro, um protocolo para a realização de acções tendentes à valorização e preservação da Ria Formosa. Estas acções passam pelo reforço do cordão arenoso e desassoreamento dos canais da Ria, bem como pela minimização das fontes de poluição. Os estudos para a concretização destas iniciativas caberá à Comissão para a Preservação e Valorização da Ria Formosa, também constituída no âmbito do protocolo.

O ministro do Planeamento e Administração do Território, Valente de Oliveira, acompanhado pela secretária de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Isabel Mota, e pelo secretário de Estado da Administração Local, João Pereira Reis, preside hoje, pelas 15h00, na sede da Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo, a uma sessão de apresentação do segundo Quadro Comunitário de Apoio para o período de 1994 a 1999.

Há um ano, com o início das emissões da Quatro, o cenário da televisão portuguesa completava-se: quatro canais, três operadores, duas propostas que se queriam complementares por onde deveria passar um conceito de serviço público de televisão (um conceito que dificilmente se encontra). Há um ano, o cenário do monopólio, mantido ao longo de três décadas e meia, desfazia-se. Hoje, está pulverizado. As audiências demonstram-no: repartem-se cada vez mais. Semana a semana, os "shares" da RTP, com programação normal, ficam mais longe dos valores superiores a 60 por cento, verificados em Janeiro de 1993.

Tirando os 36 por cento de audiência média de Despedida de Solteiro (no último episódio), os 25,5 de Telejornal e os 22,3 de Mandala (uma marca fraquíssima para a telenovela da noite), as audiências médias dos outros 17 programas do Canal 1 têm uma vantagem diminuta sobre o Top 20 da SIC (de 20,5 de Chuva de Estrelas aos 5,3 de Os Imortais), onde se destacam os 13,6 de Mulheres de Areia (contra os 6-7 que a telenovela da SIC antes merecia), os 11,2 do Jornal da Noite e os 17,6 do especial Glória, Ruth e Raquel, no domingo. A TVI -- Quatro, por seu lado, parece ter encontrado a sua "chuva de estrelas" com O Jogo do Ganso: manteve os 9,7 por cento de audiência média, o que deixa para trás os 6-7 por cento habituais de Queridos Inimigos.

* A entrevista ao geógrafo Yves Lacoste, director da revista de geopolítica «Herodote», publicada na nossa edição de ontem, foi realizada pela correspondente do PÚBLICO em Paris, Ana Navarro Pedro, o que, por erro, não foi referido.

Max Stahl, cujo filme ajudou à generalizada condenação internacional do massacre de Dili, vai divulgar mais imagens sobre Timor Leste. Segundo duas testemunhas aí apresentadas mais de 200 sobreviventes do trágico desfecho foram mais tarde massacradas no hospital.

As câmaras da Madeira foram colocadas sob suspeita. Às auditorias efectuadas pelo Tribunal de Contas, com a confirmação de graves infracções financeiras, segue-se a denúncia por autarcas da oposição que põem em causa o rigor e legalidade das contas de autarquias geridas pelo PSD. Para desfazer toda esta onda de desconfiança e, eventualmente, evitar que as denúncias se avolumem e abranjam outras autarquias, o governo de Alberto João Jardim ordena inspecções a duas das onze câmaras (Machico e Santa Cruz), precisamente as mesmas cujas contas estavam a ser fiscalizadas pelo TC.

Para clarificar estas questões, o CDS apresentou quinta-feira, na Assembleia Regional, um projecto de resolução, através do qual pretende ouvir o executivo sobre as propostas em estudo para a resolução dos problemas financeiros das autarquias do arquipélago.

O ministro da Defesa parte hoje para os Estados Unidos para uma visita oficial de três dias, divididos entre o Pentágono, em Washington e a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. O ponto alto da visita é o encontro de amanhã, com Butros Ghali, com Moçambique em destaque.

Portugal é naturalmente sensível às pressões para aplicar mais meios militares no processo moçambicano, para além do Batalhão de Transmissões que já mantém no terreno, incluindo a hipótese de substituir parte da Brigada italiana. A objecção está precisamente no quadro oneroso que essa participação representa. Há indicadores quanto à disponibilidade de Portugal facultar efectivos militares -- situação desejada pela Renamo e pelo Governo moçambicano -- mas alguém teria que suportar os elevados custos dessa tarefa. Tanto mais que o Estado português já carrega com responsabilidades na formação de quadros e treino de forças militares especiais moçambicanas, (fuzileiros, para-quedistas e comandos), além de dirigir a recuperação de diversas estruturas de aquartelamentos militares. Por outro lado, caberá a Portugal facultar o apoio técnico ao processo eleitoral, também ele considerado complicado.

Descontraído e a sorrir, Michael Jackson cantou ontem alguns trechos da canção «Billie Jean» perante o tribunal federal de Denver para explicar ao júri como compõe e demonstrar que não praticou o plágio de que é acusado. A acusação de plágio é em relação à canção «Dangerous», que dá nome a um dos álbuns de Michael Jackson, editado em 1992.

Entretanto os advogados defensores do cantor anunciaram ontem a intenção de instaurar um processo judicial contra dois programas da televisão norte-americana por alegadas calúnias, no caso em que a estrela pop é acusada de ter molestado sexualmente um menor de 13 anos.

O EX-REITOR da Universidade flamenga de Bruxelas, Jean Renneboog, comparece esta semana perante um tribunal belga sob a acusação de ter assassinado a mulher e de ter transformado o homicídio num suposto acidente.

Mas, misteriosamente o carro não tinha travões e estava carregado de produtos inflamáveis que se incendiaram assim que a viatura embateu numas pedras de um passeio.

DESTA VEZ é a guerra e a morte. A campanha Primavera/Verão da Benetton, a multinacional italiana de malhas que há anos deixou de «publicitar» a sua roupa e passou, diz Luciano Benetton, a «comunicar realidades», propõe-se este ano a contar uma história. «A história de um soldado desconhecido», Marinko Gagro, morto numa batalha em Hum, perto de Mostar, na Bósnia-Herzgovina.

Mas a fotografia da roupa ensanguentada de Marinko, ou seja, a publicidade da Benetton, vai ser publicada em dois jornais da antiga ex-Jugoslávia, entre os quais o resistente «Oslobodenje», de Sarajevo. Em servo-croata, no topo da foto, lê-se: «Eu, Gojko Gagro, pai do morto Marinko Gagro, nascido em 1963 em Blizanci, província de Citluk, gostaria responsabilidad que o nome e o que resta do meu filho fossem utilizados numa campanha a favor da paz e contra a violência».

A PRESENÇA de Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, e Maria Bethânia transformou a Mangueira na escola de samba favorita do público e do presidente Itamar Franco. Foi a resposta dos 60 mil espectadores à feliz ideia da escola mais querida do Rio de Janeiro de homenagear os quatro baianos mais populares do Brasil.

O enredo estrelado pelos cantores baianos foi uma forma de levar para a Passarela do Samba o carnaval leve e descontraído de Salvador, a capital da Bahia. Com o "samba no pé", os 6000 integrantes da escola lembraram a alegria do povo saltitante no asfalto, os grupos africanos e o sincretismo da religiosidade baiana. O último carro alegórico a desfilar, carregando Gilberto Gil, era um "trio eléctrico", a parafernália de som que arrasta milhares de foliões pelas ruas de Salvador. Parafraseando uma canção carnavalesca de Caetano sobre os trios eléctricos, o estribilho do samba mangueirense dizia: "Atrás da Verde-e-Rosa [as cores da Mangueira] só não vai quem já morreu".

Itamar Franco, presidente do Brasil há um ano e meio, tem dito sempre que é, também, um cidadão comum. O que tem sido difícil. Ontem, foi-o sem dúvida. Uma modelo vestida, literalmente, com apenas uma «t-shirt», lançou-lhe um beijo e foi ter com ele ao camarote. Mas o presidente e a rapariga não conseguiram estar juntos por muito tempo. Há já quem peça a sua demissão.

Divorciado há dez anos e pai de duas filhas, o Presidente brasileiro, de 62 anos, vive sozinho no Palácio da Alvorada, uma fria construção modernista, de mármore branco, na distante e tediosa Brasília. Há um ano e cinco meses no cargo, Itamar Franco revelou-se um chefe de Governo provinciano, avesso às formalidades da vida brasiliense. Em diversas ocasiões, entrou em confronto aberto com a imprensa por querer preservar o que chama de seu «direito de ser um homem simples». Aos que privam de sua intimidade, Itamar reclama que a presidência o impede de namorar, de encontrar-se com os amigos e andar pelas ruas como qualquer cidadão comum.

O «caso Dreyfus» aconteceu há cem anos, mas o fantasma do escândalo que então abalou a França ainda agita o Exército francês e os meios mais conservadores do país.

Léotard terá confirmado a versão do «Libération» e decidiu actuar. Das suas intenções terá falado ao primeiro-ministro, Edouard Balladur, e a demissão surgiu como um facto «brutal», de que não foi dado conhecimento oficial antecipado aos superiores hierárquicos do director do SHAT. Foi, tudo indica, uma ríspida indicação ao general Amédée Monchal, chefe do Estado-Maior General do Exército, da sua falta de vigilância, embora, diz o jornal francês, Monchal tenha fama de ser extremamente cuidadoso «a reler qualquer papel que sai dos seus serviços». Uma maneira de dizer que o general se desleixou ou estava de acordo com o texto do coronel.

Elton John com cara de quem não é nada com ele, desvia o olhar para cima. O cantor «pop», que sempre pretendeu chamar a atenção com óculos e sapatos e outras coisas, escolheu desta vez outra peça de vestuário. Foi para a cerimónia de entrega dos prémios da indústria discográfica britânica: a escolha foi um «soutien» de Jean Paul Gaultier, igual ao que Madonna já usou. Ou será Madonna disfarçada de Elton John?

Um norte-americano assaltou três vezes o mesmo banco... em 24 horas. Tudo isto aconteceu no início deste mês, entre a tarde de uma quarta-feira e o meio-dia do dia seguinte, em Rochester, no Estado de Nova Iorque. A instituição financeira lesada, uma sucursal da Comunity Savings (caixa de poupança) de Rochester, foi atacada uma vez durante a quarta-feira e duas vezes na quinta. O assaltante apresentou-se ao balcão da agência da «Comunity Savings» sempre com roupa diferente e levando consigo uma mensagem informando os «caixas» do banco que estava a cometer o assalto. Atónitos, os funcionários bancários não perceberam tratar-se de uma única pessoa. O montante desviado não foi até ao momento divulgado.

Com a reunião da família angolana fez-se jurisprudência, abrindo-se um precedente. Há louros a distribuir por muitos. Um «caldeirão» que reuniu Igreja progressista, deputados, Belém, extrema-esquerda, Ordem dos Advogados e finalmente tribunais contra o Ministério da Administração Interna. A palavra, ou o silêncio, cabe hoje ao ministério de Dias Loureiro.

Às 5h30 de ontem a decisão da juíza de instrução criminal Graça Araújo fez jurisprudência pondo, para já e aparentemente, termo a uma história, mas definindo aspectos da actuação do SEF que se situavam numa zona nublosa.

Com o aparecimento do vídeo digital em disco compacto e, num futuro próximo, do registo digital de vídeo em cassete, não parece que o sistema VHS apresente, a longo prazo, um futuro muito promissor.

Confrontadas com a reduzida penetração do novo sistema no mercado, os fabricantes trataram então de melhorar a qualidade do formato original, mantendo assim uma total compatibilidade, ao mesmo tempo que foram melhorando a qualidade de reprodução e de registo.

Quando Thomas Mann começa a escrever «O Doutor Fausto», em 1943, tem 68 anos e vive exilado nos Estados Unidos. As suas grandes obras -- «Os Buddenbrooks», «Tonio Kröger», «Morte em Veneza», «Montanha Mágica» -- publicara-as na Alemanha, de onde saíra dez anos antes, para percorrer as cidades europeias não ocupadas pelas forças nazis. Porém, há muito que o escritor experimentava o exílio. A ruptura com o país que nascera da I Guerra Mundial começara antes da ascensão de Hitler ao poder; começara antes do horror em que tudo se transformou.

Nasceu a 6 de Junho de 1875, em Lübeck, junto ao Báltico, local onde viveria até aos 18 anos. Após a morte do pai, partiu para Munique com a mãe, Júlia da Silva-Bruhns (de ascendência luso-brasileira), e o irmão, o escritor Heinrich Mann. É aqui que estuda, que se estabelece, que escreve. Admira Goethe, Schopenhauer, Nietzsche, os escritores russos e franceses; interessa-se pela música (Schoenberg e o dodecafonismo serão «figuras» importantíssimas em «O Doutor Fausto»), interessa-se por tudo, pela filosofia, pelas ciências emergentes -- a sociologia, a psicanálise... Não quer deixar escapar nada do saber humano.

São casos reais transpostos para a ficção ou, às vezes, pura ficção que podia ser realidade. «Pessoas Desaparecidas»/«Missing Persons», a série dramática produzida pela ABC-TV que a TVI -- a Quatro -- irá estrear em breve (ainda sem data marcada), inspira-se em casos de pessoas cujo paradeiro se desconhece, casos que os arquivos da Polícia norte-americana mantêm em seu poder.

Erik King, como Bobby Davison, Juan Ramirez, como Carlos Marrone, Fred Weller como Johnny Sandowski, e Jordan Fox, como Connie Karadzic, são os actores que acompanham Daniel Travanti no elenco desta série.

Foi a vencedora dos Emmies -- os prémios maiores da televisão norte-americana -- de 1993 e mereceu-o. «De Farda e Coração»/«Pickett Fences», da autoria de David E. Kelley, é uma das melhores produções televisivas dos últimos anos. E, sem dúvida alguma, uma das melhores que a televisão portuguesa transmitiu em 1993, a par de «Lei e Ordem»/«Law and Order», na SIC, e de «Sirenes»/«Sirens», na Quatro, assinadas por outros dois produtores da "escola" de Stephen Bochco, David Wolf e Robert Butler. A par do prémio de melhor série dramática, «De Farda e Coração» viu ainda serem galardoados os seus protagonistas, Tom Skerritt e Kathy Baker, como os melhores actores em drama.

Quando, em Agosto de 1992, num episódio de «As Teias da Lei», foi passada a gravação vídeo que esteve na origem do julgamento de oficiais da polícia de Los Angeles -- ou o vídeo amador onde ficou registado o espancamento de Rodney King, que esteve na origem dos conflitos étnicos ocorridos em Maio do mesmo ano -- estava-se perante uma opção de Kelley. É o seu jeito: acompanhar a realidade, acentuar o contraste das situações, fazer da ficção um lugar tanto ou mais verosímil do que aquilo que as «leis de Bochco» já exigiam.

É uma série da Viacom -- a vencedora do "negócio Paramount" -- aquela que a SIC promete para o começo da noite de sábado, para o mesmo horário em que já anunciara a britânica «Primogénito», que não chegou a estrear. Trata-se de «The Neon Empire», uma história de "gangsters", com o passado em Nova Iorque e o presente a jogar-se sob os néons de Las Vegas. Casinos, jogos, apostas, prostituição e crimes são o motor da acção. Muitos crimes. E algumas paixões -- pelo poder e o dinheiro, sobretudo --, como se impõe neste tipo de produções.

Pelo meio, há a II Guerra Mundial que se combate lá longe. Um conflito que impede a construção do grande hotel Olympia e que põe em confronto as famílias de "gangsters" da Costa Leste. É a partir daqui que a acção se estabelece. E será a partir daqui que, com o grande casino Olympia finalmente construído, se consolidará, mais tarde, a grande cidade de Las Vegas, cidade de néons e de casinos, tal qual como hoje os Estados Unidos a exportam. Uma ideia digna de uma série de "grande produção".

com Andie MacDowell, Bruce Davison, Julianne Moore, Matthew Modine, Anne Archer, Fred Ward, Jennifer Jason Leigh, Lili Taylor, Robert Downey Jr., Madeleine Stowe, Tim Robbins, Lily Tomlin, Tom Waits, Frances McDormand, Peter Gallagher, Annie Ross, Lori Singer, Jack Lemmon, Lyle Lovett, Buck Henry e Huey Lewis.

A enorme importância de Raymond Carver no contexto da ficção americana dos anos 80 -- houve quem falasse a seu respeito de minimalismo -- passa pela recuperação de um universo que evoca a América da Depressão, centrando-se maioritariamente nas classes trabalhadoras, na sua incomunicação, numa espécie de maioria silenciosa, sem meios (económicos ou intelectuais) para superar crises ou tensões emocionais. Por isso, as personagens de Carver se encerram na elíptica sub-nomeação das questões essenciais, limitadas pela precariedade do seu estatuto ou pelo pudor de exprimir qualquer tipo de emoções; mesmo as explosões de violência são relativizadas, pois, por uma espécie de afasia que conduz as personagens, de preferência, à obscuridade dos pequenos gestos cifrados e temerosos.

LISBOA Amoreiras 9: 13h45, 15h45, 17h45, 19h45, 21h30 e 24h; King Triplex 1: 13h45, 15h45, 17h45, 19h45 e 21h45.

Tudo o que acontece em «Azul» acontece na superfície da cara de Binoche. Ora, como se sabe, em cinema um rosto é o lugar mais dramático e mais difícil de dizer e de dar a ver, é o centro de um filme que qualquer câmara procura quando se quer deslocar para o interior das personagens e, habitando-as por dentro, trazer cá para fora, para junto de nós, espectadores, a essência humana que se quer expor.

As personagens das histórias de Carver são «as pessoas que nunca têm ninguém para falar em nome delas», como as descrevia o seu autor. São pessoas sem dinheiro, sem sorte, sem nada, a não ser as humilhações dos outros em geral. Quando são humilhadas essas pessoas sentem-se quase gratas. E as causas próximas da infelicidade são tão indirectas que se tornam abstractas.

«Tela» é uma descrição adequada para cada uma destas histórias (é revelador, aliás, um dos lugares comuns que se dizem a propósito: compará-las aos quadros de Edward Hopper). As personagens não pertencem a nada, não se imagina qual é o «antes», parecem estar ali para um pequeno, injusto (e regra geral muito triste) episódio e pronto. Não parecem ressentir-se muito da injustiça, que normalmente não tem um «autor», é abstracta, e podem parecer mesmo gratas. Isto foi mais ou menos o que notou Veronica Geng. num artigo da New York Review of Books, a propósito de outra das histórias de Carver usada por Altman, «Eles não são o teu marido», de «Queres Fazer o Favor de te Calares?» traduzido na Teorema. É a história de um homem desempregado que manda a mulher, que trabalha numa cafetaria, fazer dieta, depois de se sentir humilhado ao ver que dois clientes comentam que ela é gorda. A descrição que Veronica Geng usa para a sua demonstração é: «Todas as manhãs ele ia atrás dela para a casa de banho e ficava à espera que ela subisse para a balança. Punha-se de joelhos com um lápis e uma folha de papel na mão. O papel já estava cheio de datas, dias da semana e números. Ele lia o que marcava a balança, consultava o papel e acenava a cabeça em sinal de aprovação ou franzia os lábios». Ou seja, a forma como a personagem do marido «resolve» a humilhação que sentiu quando os dois homens troçaram da mulher é tão indirecta (através de uma balança, um papel, números, datas: crescendo abstracto) que se torna teórica. Por outro lado, dificilmente podemos apontar os dois homens como «responsáveis»: ela é gorda, está escrito na história, e tem pernas com varizes. A «gratidão» do marido desempregado é óbvia: arranjou um «emprego», pôr a mulher a fazer dieta. E todos se sentem muito tristes, a mulher que tem fome, o marido que regista o que lê na balança. E nós também, porque podemos suspirar e pensar «é a vida».

É o grande regresso ao cinema, o de Sandrine Bonnaire, «Jeanne La Pucelle» escolhida por Jacques Rivette, esse «filme acontecimento» que estreou em Paris e passou no Festival de Berlim -- o regresso depois de um período em que arriscou estar em algumas primeiras obras (sentiu-se «usada»...) e projectos de gosto duvidoso, como «A Peste», adaptado de Albert Camus.

Encontrou Rivette pela primeira vez numa projecção de «A Bela Impertinente» e estava preparada para sair a meio do filme, se se aborrecesse, mas Rivette escolheu assistir também à projecção... e ao lado dela... A forma de Rivette implicar os actores no processo criativo continuaria com a actriz a participar na construção progressiva de um argumento ao mesmo tempo que se descobriam «décors» e se fazia o guarda-roupa -- o «atelier» de Rivette, de que fazem parte Christine Laurent e Pascal Bonitzer, «les intellos», como lhes chamou Bonnaire no livro/diário de rodagem agora também editado, «Le Roman d'un Tournage».

O terceiro Robocop, deste vez com Robert Burke, um dos actores de Hal Hartley: «The Unbelievable Truth» e «Simple Men».

Uma comédia sentimental, assente no grande valor (e problema) do cinema americano que é a relação pai-filho -- ou seja, a figura do amor no seu altruísmo absoluto. Uma comédia de actores, Sally Field como há muito se não via, e sobretudo Robin Williams, que compõe uma Mrs Doubtfire desopilante, que vem a ser um homem disfarçado de matrona e, ao mesmo tempo, tem uma densidade própria de personagem -- como se a máscara transportasse consigo uma personalidade própria. Uma realização de especialista (Chris Columbus é o dos «Sozinho em Casa») que não primará pelo escrúpulo, utilizando muito, por exemplo, a teleobjectiva para poupar grandes esforços de câmara, mas que se apraz em truques de belo efeito e, ao mesmo tempo, da chamada simplicidade desarmante, apenas por aceleração da montagem (as sequências em que Mrs Doubtfire dança com o aspirador ou faz imitações de vozes, ou a instantânea mudança de figurino no restaurante). Um tempo de montagem que conhece o segredo da harmoniosa sucessão de momentos cómicos e sentimentais -- e que fazem mesmo rir e chorar. Um desenho dos secundários com segurança de traço, sobretudo o do irritante pretendente rico. Um divertimento puro e simples, executado com a perfeição profissional dos bons «shows» de cinema, sem mais pretensões do que cumprir o seu dever.

LISBOA Alfa 3: 14h15, 16h45, 19h10, 21h30 e 24h; Amoreiras 6: 14h, 16h30, 19h, 21h30 e 24h; Fonte Nova 2: 14h, 16h30, 19h e 21h30; Quarteto 3: 14h, 16h30, 19h, 21h30 e 24h; São Jorge 1: 15h30, 18h30 e 21h30.

De um modo geral, pode afirmar-se que o episódio americano refina, no mau sentido, o que no segmento vietnamita já levantara muitas dúvidas: uma generalizada confusão narrativa, destinada a corresponder à vertigem dos tempos, e um ultra-demagógico uso da figura feminina para inverter o olhar sobre o quotidiano individual de Saigão, em tempo de guerra. Uma vez nos Estados Unidos, tudo se simplifica, reduzindo as cenas familiares a meras rábulas ilustrativas e o choque cultural, convenientemente acompanhado por um feminismo apressado e de pacotilha, ao progressivo triunfo capitalista da «heroína» no reino (suprema originalidade!) dos restaurantes orientais.

São quase cinco horas de música. Tudo gravado entre 1960 e 1970. São músicas que Victoria de los Angeles iluminou com a brancura da sua voz, num canto em que acariciava as palavras com incomparável doçura. Irresistível!

São quase cinco horas de música, das músicas que ela iluminava com a brancura da voz, num canto de escorrências aquosas acariciando as palavras com incomparável doçura. Tudo gravado entre 1960 e 1970, década prodigiosa na conquista de um novo público para o recital de canto, saga de que Victoria de los Angeles partilharia o protagonismo com um Fischer-Dieskau, uma Schwarzkopf, um Souzay, uma Seefried.

«Existem no mundo apenas três mulheres com as quais não iria para a cama: Sally Field, Whoppi Goldberg e a madre Teresa de Calcutá. E mesmo esta última, com um bocadinho de luar e de música, ia lá.»

«Se a lógica é subsidiar quem tem mais espectadores, qualquer dia a SEC [Secretaria de Estado da Cultura] está a subsidiar jogos de futebol.»

Já foi lançado ontem em Lisboa e é apresentado hoje no Porto, na Casa das Artes, às 18h30. É o último livro de João Bénard da Costa, ed. Assírio & Alvim, «Muito lá de Casa». São duas centenas e meia de páginas, de crónicas, por entre belíssimas fotografias de divas (ou melhor, das paixões cinéfilas do director da Cinemateca Portuguesa) da sétima arte. Uma delas é Ingrid Bergman e, por isso, a Casa das Artes exibirá «Casablanca».

Em meados do século passado, sob influência do romantismo e dos seus conceitos de historismo e nacionalismo, desenvolveu-se entre nós o gosto da revisitação dos modelos decorativos e formais do manuelino -- período encontrado para as nossas maiores glórias. Nenhum estudo sistemático, nenhum plano de salvaguarda, nenhuma atenção universitária defende a produção ecléctica que caracterizou o consumo maioritário de toda uma época -- não só no campo da arquitectura mas também no das artes decorativas. No âmbito das comemorações do Sexto Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique, a exposição «O Neomanuelino ou a Reinvenção da Arquitectura dos Descobrimentos», comissariada por Regina Anacleto, foi inaugurada ontem na Galeria do Rei D. Luís no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

Aquele que pode considerar-se um dos compositores mais prolixos deste século e, sem sombra de dúvida, um dos mais originais, está de novo entre nós para um concerto único. Quem se deslocar, amanhã, ao D. Maria II, poderá ouvir o brasileiro Egberto Gismonti tocar piano e guitarra acústica, instrumentos em que é um virtuoso de altíssima craveira, e ainda flauta. Com ele estarão Nando Carneiro, na guitarra, sintetizadores e caxixi, e Zeca Assunção, no baixo -- a mesma formação que participou nos dois mais recentes álbuns de Gismonti para a ECM, «Infância» e «Música de Sobrevivência», ambos a servir de base ao concerto do trio.

Cale deixa de lado uma parte ilustre do seu reportório, a fase da segunda metade dos anos 70, época de electricidade e alucinação desregrada, mas em compensação esquece também toda uma série de obras menores e impessoais que, amiúde, ensombram a sua obra. Neste período de maturidade, o que retém são canções de uma extrema visceralidade, histórias de paixões sensuais ou metafísicas levadas demasiado longe. O ponto em que se perde as defesas, em que por vezes se atinge uma espécie de nirvana, mas mais frequentemente se sucumbe a uma violência extrema, de polaridade sado-masoquista.

Instaladas em caixas paralelipipédicas, por conjuntos, apenas visíveis por orifícios circulares à altura dos olhos, estas fotografias do Teatro de São João do Porto recriam a vivência teatral, estabelecendo, através da fotografia e do modo como está encenada, uma alusão às fronteiras entre teatro e cinema. Não é o teatro que nos mostra algo, mas algo (as imagens cenograficamente escondidas) nos mostra o teatro a partir de referências iconográficas do seu espaço. De manipulador de emoções, como diria Platão, o universo do teatro é aqui objecto manipulado por uma emoção desmesurada: a da contemplação do universo potencial de todas as emoções que o teatro constitui.

Um texto (do director do Teatro de São João) percorre, fragmentado, a face exterior das caixas, donde sobressai uma questão essencial: «Como narrar um edifício?» As imagens descobrem-no e encobrem-no simultaneamente, situam o objecto e o sujeito do olhar. Respondem, de alguma forma, a essa questão. Margarida Medeiros

Individualmente, Louro tem-se revelado um nome activo (interessante) da nova década -- entre o comentário e a subversão das imagens; Tabarra, realizou um percurso que, de uma poética formalista, chegou à desconstrução de símbolos. Os autores juntam-se de novo (Braga, últimos encontros de fotografia), mas os resultados são menores.

Para alcançar os objectivos, que julgam não poder atingir através do simples exercício das imagens, oferecem ao visitante um texto explicativo. O nível das considerações (apoiadas embora na erudita sugestão de leituras várias) não ultrapassa o de um esforço pré-universitário, o desenvolvimento de uma estratégia de justificação intelectual -- ou "estérica" (sic)? -- que resulta, afinal, na revelação de um deslumbramento sem fundamentos nem consequências.

O último dia de exibição de «Recordações da Casa Amarela», de João César Monteiro, num cinema da East Village nova-iorquina foi pouco concorrido, apesar dos elogios da crítica. O filme esteve em cartaz de 2 a 10 de Fevereiro, numa altura em que a neve e o frio não convidavam a sair de casa. Mas a crítica gabou a obra: «Divertido como um filme de Almodovar», disse o semanário «Village Voice». «Uma visão original e engraçada sobre o voyeurismo», escreve o tablóide «Daily News». O «New York Times» publicou uma crítica de 500 palavras em que destaca o «humor constante» de Monteiro, «numa comédia com um argumento inesperado». No entanto, acrescenta o crítico, «o filme é demasiado longo e arrastado e, por vezes, a ligação entre as cenas faz pouco sentido».

Fevereiro é sempre, nos teatros, um mês pouco animado. Mas este espectáculo vindo de Tondela dá muita vida ao panorama teatral deste fim de Inverno. É bonito, plasticamente falando; a viagem que faz pelo mundo de José Gomes Ferreira é alegre e instrutiva, combinando bem humor e melancolia. Fica só mais três dias em Lisboa. É urgente ver.

«Os Americanos» é um filme sobre a anomia da América. Sobre emoções à deriva, sem sentido. Sobre o medo, a dissipação, a desconfiança, a loucura, a comédia, a destruição, a violência, a indiferença, o vazio da sociedade americana no final do milénio.

A desconfiança. Ralph, o médico que não conseguiu salvar Casey, obriga a mulher, Marian, pintora, a confessar a sua infidelidade. «Beijaste-o, não foi? Eu só quero saber.» Marian irrita-se, entorna a bebida sobre a saia, despe-a, fica nua quando faz a confissão. Foi há três anos, numa festa, estava bêbeda, entrou no carro com o homem, fez amor com ele. Ralph olha-a com ódio. Censura-a por estar despida. Não quer ver a sua nudez, a sua candura. Tenta identificar no seu corpo a obscenidade, a torpeza, o fundamento da suspeição indelével. Perscruta a brancura da sua pele, em busca de sinais, de pegadas. Quer descortinar, por detrás da nudez, o monstro.

Um duplo filme de Alain Resnais, «Smoking/No Smoking», um filme em duas partes de Jacques Rivette, «Jeanne La Pucelle», a segunda de «Três Cores», «Branco», em que Krzysztof Kieslowski se recupera dos abismos de «Azul»: três gestos de uma incrível ousadia, no marasmo cinematográfico. Tudo à vista no Festival de Cinema de Berlim.

É em casos em que alguns autores e produtores ousam a desmesura que o contributo de uma instituição cinematográfica -- os festivais -- pode ser de especial importância, por permitir ecos mais alargados na imprensa internacional e, eventualmente, o despertar de curiosidades públicas. Se, infelizmente, isso nem sempre acontece, poderão recordar-se ainda assim algumas exaltantes experiências, por exemplo a oportunidade que houve em vários festivais de ver «Die Zweite Heimat», que a RTP apostou em destruir, cortando às parcelas cada uma das partes.

Quem disse que um «cartoon» vale um editorial de mil palavras? Possivelmente, alguém que conhecia as obras do desenhador argentino Mordillo. Ou talvez não. Pouco importa, porque a última obra do autor, lançada simultaneamente em vários países europeus, é um genial monumento à arte de fazer humor... e amor.

Como antologia de situações de amor, os protagonistas de todos estes «cartoons» só podiam ser homens e mulheres. Ou melhor, os inconfundíveis seres baixinhos e rechonchudos de Mordillo, nus ou vestidos, mas sempre, sempre homens e mulheres. Nem sempre os mesmos, mas quem se importa com isso, ao observar as irresistívelmente risíveis situações imaginadas pelo desenhador?

O que sabem os leitores da literatura anglo-saxónica fantástica e violenta, anterior a Chaucer, situada entre, digamos, os anos 605 e 1066 da nossa era? Foi essa questão que a si mesmo colocou Jean Dufaux no dia em que «tropeçou» num velho livro de história da literatura inglesa. Poder-se-ia dizer que foi nesse momento preciso que o argumentista belga fixou a génese de Sioban, a jovem corajosa e destemida que empresta o seu nome à série com a mesma designação.

O mesmo se recomenda a propósito da série Sambre (Editions Glénat), um projecto animado inicialmente pelo argumentista Yann, sob o pseudónimo de Balac, e pelo desenhador Yslaire, que já assinou sozinho o segundo e terceiro álbuns. A acção deste último, «Révolution, Révolution...», decorre durante a revolução francesa de 1848, um tempo de sangue e violência que torna brutalmente inocentes os amores e sonhos de Bernard Sambre e Julie. A beleza plástica do desenho entrecruza-se com o dramatismo dos destinos dos protagonistas, numa bela cidade habitada por gente esfomeada e inflamada. Aguarda-se com natural interesse o seguimento desta belíssima obra, que prosseguirá em «Faut-il que nous mourions ensemble...» (literalmente, é preciso morrermos juntos...).

Viveu a infância e parte da adolescência em Angola com a família. Quando vem para Lisboa, adere a um movimento monárquico, mais tarde, na Faculdade, descobre-se «mais católico que monárquico» e entra para a JUC. Na crise académica de 62 torna-se conhecido e depois indispensável ao redigir os comunicados da RIA (Reunião-Inter-Associações). É amigo de Jorge Sampaio, Vítor Wengorovious, Nuno Brederode Santos. É, logo a seguir, um dos fundadores da revista «O Tempo e o Modo».

Mas quando um dia em Paris é avisado por um amigo que ocorrera o 25 de Abril, a notícia cai no coração de um esquerdista já com muitas dúvidas.

R. -- Bem, há duas coisas: a primeira foi tudo o que acabei de lhe dizer sobre África e o paralelismo ou a consonância entre a colonização e a descolonização. A outra é eu pensar que tem havido um certo prolongamento do corporativismo: o regime não caiu enquanto corporativo, caiu enquanto nacionalista, vinculado às colónias. O corporativismo tinha, portanto, uns certos pés para andar, embora não exactamente daquela maneira. Daí que perante isto, e com as críticas que faço à descolonização, me tenham já perguntado o que é que, ao fim de todo este tempo, me separa do dr. Salazar...

R. -- É. A partir de 1934, Marcello dizia-lhe que sem debate político não há política, que assim não, que assim se perderia a juventude, etc. Era também um sistema preventivo: a censura prévia, todas aquelas autorizaçõezinhas que se tinham de ter para tudo e que quase nunca eram dadas...

O seu espólio está espalhado pelo mundo, à excepção de Portugal, onde nasceu -- e onde agora se expõem algumas tábuas suas, executadas em Itália. Apresentado como «a primeira grande figura portuguesa na arte europeia» (século XV), Álvaro Pires de Évora é um desconhecido entre nós.

OCDE PROPÕE FLEXIBILIDADE NO MERCADO DE TRABALHO -- O problema do desemprego na Europa agravou-se devido à rigidez das economias destes países, que deveriam reformular o seu mercado de trabalho introduzindo-lhe mais flexibilidade, nomeadamente em matéria de salários, disse o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Jean-Claude Paye, numa entrevista ontem publicada pelo jornal conservador francês «Le Figaro». Paye, que acaba de remeter aos governos dos países membros da OCDE um estudo sobre o desemprego, afirma que a regulamentação na Europa «constitui frequentemente um elemento de rigidez que actua em detrimento do emprego e dos orçamentos públicos».

O Governo japonês aprovou ontem, com um atraso de seis semanas, o projecto de lei do Orçamento do Estado que será submetido ao parlamento em Março, para vigorar no novo ano fiscal que começa em Abril. Tal como já se previa, após o difícil acordo a que chegaram na quinta-feira os sete partidos que constituem a coligação governamental, trata-se de um orçamento considerado de «austeridade», mas que mesmo assim prevê um crescimento económica de 2,4 por cento nos próximos 12 meses, bastante mais acentuado que os 0,2 por cento previstos no orçamento de 1993.

Pelo contrário, as receitas fiscais diminuem 12,5 por cento, não somente devido à redução da actividade económica mas, principalmente, em virtude duma redução dos impostos destinadas a incentivar o consumo.

O secretario do Comercio dos EUA, Mickey Kantor, acusou ontem o Japão de não ter cumprido um acordo assinado em 1989 de abrir os seus mercados a empresa de telefones celulares americana Motorola, e concedeu a Tóquio um prazo de 30 dias para modificar a sua posição, sob pena de ser objecto de um pacote de sanções económicas dos EUA.

A Administração americana recusou-se a admitir que as medidas agora anunciadas tenham alguma relação com o fracasso das negociações da semana passada entre o Presidente Bill Clinton e o primeiro-ministro japonês, Mirohiro Hosokawa, embora Clinton tenha declarado há dois dias que «a posição japonesa e insustentável» e que uma guerra comercial com o Japão e uma possibilidade em aberto.

A ajuda humanitária às populações de Malange e do Uíge foi ontem interrompida, por se terem intensificado as actividades militares naquelas cidades do norte de Angola. Mas o regresso da calma à cidade do Cuíto (Planalto Central) permitiu que as organizações humanitárias pudessem retomar ali a sua actividade.

A tranquilidade regressou ao Cuíto, quinze dias depois de ali se terem travado violentos combates, permitindo que o PAM pudesse realizar ontem dois voos para transporte de mantimentos para apoio à população.

Coreia do Norte concorda com inspecções nucleares -- A Coreia do Norte concordou ontem em permitir que inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica visitem sete instalações nucleares -- anunciou aquele organismo, com sede em Viena. A agência espera que as inspecções possam realizar-se antes do seu órgão principal se reunir na capital austríaca, na próxima semana, embora as visitas devam durar duas a três semanas. Um dos objectivos das inspecções é determinar que «nenhuma matéria fissível tenha sido desviada para fins militares depois das últimas inspecções efectuadas, há mais de um ano». O acordo pode acabar com o braço de ferro que tem oposto o regime comunista à comunidade internacional, que suspeita da utilização, pelos norte-coreanos, das instalações nucleares para fins não pacíficos. Na sequência deste diferendo, os Estados Unidos levantaram a hipótese de pedir a aplicação de sanções a Pyongyang.

O acidente ocorreu depois de "Pedrito de Portugal" e o pai, de 50 anos, terem estado a experimentar três vacas na fazenda "Los Espartales, na localidade de Valverde de Leganes, a cerca de 20 quilómetros de Badajoz. Depois dos testes, o novilheiro e o pai deixaram a fazenda em carros diferentes. Por causas ainda desconhecidas, o veículo conduzido por Joaquim Roque despistou-se perto da localidade de Santa Marta de los Barros, indo embater contra uma árvore após o que se incendiou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Indonésia negou acusações sobre um outro massacre em Timor-Leste, alegadamente ocorrido em 1991, dizendo já estar à espera de «notícias sensacionalistas» antes da reunião da Comissão dos Direitos do Homem das Nações Unidas.

Intitulado «Death of a Nation», o novo filme de Max Stahl será este mês exibido na Grã-Bretanha. «Não vi o filme, mas penso que, dada a reputação da pessoa em causa, se possa imaginar que espécie de filme ele fez», rematou Alatas.

O secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Amaro, formalizou ontem a sua candidatura à liderança da distrital da Guarda do PSD. As eleições para a presidência da Comissão Política Distrital realizam-se no próximo sábado, havendo uma outra lista, liderada pela deputada e actual presidente da Comissão, Marília Raimundo.

Sarmento disse que Marília Raimundo «deveria ter feito autocrítica» da actividade política desenvolvida, «ter posto o lugar à disposição» face aos resultados das autárquicas e «depois deveria sair».

O ministro dos Negócios Estrangeiros está a partir do meio dia de hoje em Jerusalém para uma visita de três dias a Israel. Durão Barroso vai encontrar-se com o Presidente israelita Ezer Weizmann e depois com o Shimon Peres. Amanhã tem uma audiência com o primeiro-ministro Rabin, cuja visita a Portugal está programada para os dias 23 e 24. Na sexta-feira é a vez dos encontros com uma delegação palestiniana e depois por representantes do partido Likoud, antes de uma breve passagem por Gaza.

O Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive (Ceive quer dizer «solto», no sentido camponês de «libertar o gado», e o vocábulo foi preferido a «libre» por este se grafar do mesmo modo em galego e castelhano) herdou por tradição histórica a designação da organização armada que, desde o golpe franquista de 1936 e até meados dos anos 50, manteve na Galiza, sob o comando de «O Piloto», importantes focos de resistência à ditadura. É hoje reconhecido que, uma vez desmantelado o exército pioneiro, Franco conseguiu controlar todas as tentativas de insurreição. Só muito mais tarde, quando estalou a revolução portuguesa, a guerrilha voltou a animar-se, com a criação do comando armado da União do Povo Galego (UPG), uma organização comunista liderada então por Moncho Reboiras e Elvira Souto.

A meio da manhã de hoje começa, na Audiência Nacional da capital espanhola, o julgamento de Maria Alexandra Vaz Pinheiro, acusada de envolvimento com o Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive (EGPGC). O tribunal decidirá sobre os delitos imputados à antiga estudante de Medicina em Santiago de Compostela: atentado, homicídio frustrado e posse de explosivos.

A acusação requer para Maria Alexandra 30 anos de detenção pela morte de Benedicto Garcia Ruzo e outros 20 por homicídio frustrado no caso de António Pérez Freire. Além destas penas, solicita 12 anos de prisão por posse de explosivos.

Para isto há 2 fotos «familiares» da Xandra (muito novinha) e fotos actuais do padre Albano, referido no texto.

Como a maior parte das crianças da sua geração, fez a primária na escola do Patronato, ligada à paróquia. O padre Albano recorda «uma menina com a carinha muito branca e com jeito para a música» mas que não sobressaía: «Era sempre necessário puxar por ela para que mostrasse as suas qualidades». Alguns familiares, contactados pelo PÚBLICO, apenas conseguem apontar-lhe sinais de uma complexo, por ser muito mais alta que os rapazes e raparigas da sua idade.

Alexandra Pinheiro, uma portuguesa de 31 anos nascida em Caldas de Vizela, começa hoje a ser julgada em Madrid por alegado envolvimento com o terrorismo galego. Está presa desde 1991 e arrisca-se a um conjunto de penas que somam 62 anos de cadeia. Não é caso inédito: anos atrás, também a nortenha Susana Poças foi julgada e condenada num tribunal espanhol, acusada que foi de participação num atentado em Orense reivindicado pelos independentistas galegos. Tanto Susana como Alexandra descobriram esta causa política de mistura com os amores que partilharam com jovens da Galiza. E jovens para quem a ligação desta região espanhola com Portugal é algo de muito forte, de muito antigo, até com o tempero de lutas comuns, no tempo da oposição às ditaduras, e de alegrias partilhadas - como foi a do 25 de Abril.

Fotografias de nacionalistas mortos ou encarcerados decoram quase em exclusivo as paredes da sede. Rolos de plástico e de papel de cenário amontoam-se num pequeno compartimento. E cartazes antigos, faixas de propaganda, memórias de lutas passadas. Carneiro não desliga o rádio: hão-de chegar a todo o momento militantes da APU e das Juntas Galegas pela Amnistia (JUGA) para completar a tarefa a que se têm dedicado nos últimos dias. Faixas de plástico estendidas sobre duas grandes mesas exprimem a natureza do trabalho, assinado pelas JUGA: «Patriotas exemplares: Alexandra de Queiroz/Sefa Rguez Porca». Alexandra e Josefa são duas alegadas militantes do EGPGC, confessadamente independentistas, que hoje começam a responder, perante a Audiência Nacional (AN), pelos crimes de atentado terrorista, tentativa de homicídio, posse de explosivos e de documentos falsos.

As eleições para os corpos gerentes da Associação Académica de Coimbra (AAC) já têm data marcada. Nos dias 16 e 17 de Março os universitários de Coimbra serão chamados a escolher os seus representantes. E caso seja necessária uma segunda volta, ela decorrerá a 23 e a 24 de Março. De acordo com a agência Lusa, a lista «E», que foi encabeçada por António Vigário, ainda não encontrou o nome do novo candidato à presidência, mas já se avançam duas possibilidades: Fernando Pompeu, que tem presidido a Assembleia Magna da AAC, e Jorge Correia, titular do pelouro dos serviços sociais no mandato que agora termina. Existe também a possibilidade de uma outra candidatura, liderada por Tiago Magalhães, conotado com a Juventude Socialista.

As questões salariais uniram os três maiores sindicatos de professores numa mesma luta. Fenprof, Sindep e FNE lançaram ontem uma série de acções a desenvolver em conjunto, esquecendo, por momentos, as tradicionais divergências. Uma nova greve não está prevista, mas anunciam-se reuniões de professores em tempo lectivo.

O despacho que alterou o regime de remuneração das horas extraordinárias foi ontem suspenso até à decisão da Procuradoria Geral da República sobre o assunto .

Por último, Manuela Ferreira Leite entende que é necessário «proceder à redistribuição de horários e à contratação de novos docentes com vista a dar resposta às necessidades provenientes da substituição de professores em variadas situações» tais como baixa médica, licença de maternidade e apoio pedagógico aos alunos (Ver PÚBLICO de 9/2/94).

O Estado chinês vai reforçar este ano o seu controlo político e financeiro sobre a produção cinematográfica, segundo o jornal da Cultura da China. O governo chinês vai reduzir as co-produções com o estrangeiro, vau proibir a criação de «joint-ventures» e também as produções estrangeiras independentes, acrescenta a publicação oficial do ministério da Cultura.

Entretanto, o início da rodagem do primeiro filme sobre a vida e a obra do líder chinês Deng Xiaoping, uma «super produção» à escala do cinema chinês, continua comprometida, pois ainda não foi descoberto um actor para o papel principal --pelo menos, um actor que se assemelhe, mesmo que ligeiramente, com o dirigente chinês, entre as dezenas de candidatos que já fizeram testes. À falta de intérprete junta-se a falta de dinheiro. Em Outubro, o produtor executivo Xin Ming já falava das dificuldades em encontrar financiadores para o projecto. Hoje, as dificuldades mantêm-se. Xin Ming pretende que o filme seja um «grande fresco histórico», dirigido por Ding Yinnan, que já realizara «Zhou Enlai», uma biografia sobre o antigo primeiro-ministro chinês. «Zhou Enlai» custou cerca de 37 milhões de dólares (um pouco mais de sei milhões de contos), verba astronómica no panorama da produção chinesa. Segundo o produtor, «Deng Xiaoping» não custará menos do que isso.

«Filadélfia», a história de um advogado homossexual que processa a sua firma depois de ter sido despedido por ser seropositivo, foi muito aplaudido, na terça-feira, no Festival de Cinema de Berlim, onde foi exibido a concurso. O filme, uma ficção dirigida por Jonathan Demme («Silêncio dos Inocentes») e interpretada por Tom Hanks -- já suficientemente noticiado pela imprensa como «o primeiro filme produzido por Hollywood sobre a Sida» -- provocou algumas lágrimas mal disfarçadas entre os habitualmente indiferentes críticos. De tal modo, que é já considerada, segundo a France Press, uma das obras favoritas ao Urso de Ouro.

«Certas críticas acusam o filme de ser muito cuidadoso», continuou o actor, nomeado para um Óscar pelo seu desempenho. «Mas não podia agradar a todos. Estas reacções significam que novos filmes sobre a sida devem ser feitos».

Quem passa apressadamente pelas Ramblas, uma das principais avenidas de Barcelona, não dá por nada. Não há nenhum sinal de destruição, nada está em ruínas. A fachada do Gran Teatro del Liceo lá está, imponente, sem nenhum vestígio do incêndio de há duas semanas. Visto do ar, o Liceo é apenas um enorme buraco, emoldurado por sólidas paredes.

Na Calle de S. Paul, uma velha livraria, dirigida por um velho catalão, e repleta de preciosidades amareladas, continua o seu monótono quotidiano. Os habitantes das Ramblas já quase esqueceram o incêndio. Dedicam-se a ler os jornais regionais, onde a polémica sobre a reconstrução de um dos principais teatros líricos do país não pára. Nem os «cartoons» esqueceram a questão.

O presidente do Instituto das Artes Cénicas, António Xavier, vai receber na próxima semana os grupos de teatro A Barraca e a Companhia de Teatro Hoje (Teatro da Graça), cujos subsídios de 1994 estão suspensos. «Surgiram algumas dúvidas quanto às candidaturas e vou conversar com os grupos para esclarecê-las», disse ontem ao PÚBLICO aquele responsável, salientando que os subsídios não foram cancelados, ao contrário do que aconteceu com o grupo Persona.

O encenador da Graça diz que é uma «desconsideração» para com uma companhia com 19 anos de actividade, que sempre se preocupou com a qualidade do elenco e do reportório. «Um grupo cujo currículo fala por si...», salienta. «Goste-se ou não dos nossos espectáculos é um facto que fazemos peças e autores que nunca foram feitos em Portugal», afirma Gastão Cruz.

«Encontrámo-nos num café para os lados de Montmartre, talvez durante uma hora, já não me lembro. Rivette trazia dois livros de Régine Pernoud e disse-me: `É isto, queria que lesse estes livros'. Nunca disse o nome de Jeanne... Quando vi as capas, tive um choque! Fiquei lisonjeada, orgulhosa porque ele pensou em mim, mas ao mesmo tempo tive tanto medo. Jeanne d'Arc é apesar de tudo muito forte!». Assim começa o diário íntimo de Sandrine Bonnaire sobre a aventura do filme «Jeanne la Pucelle».

Será o palco de honra de Lisboa 94. Juntamente com o Politeama, é a aposta da Câmara alfacinha para espevitar a vida da Rua das Portas de Santo Antão. Quando reabrir, no dia 26 deste mês, o Coliseu apresentará, para além de uma sala de espectáculos renovada, novos recreios: um restaurante e uma discoteca.

Com "grandes sessões e debates sobre temas pertinentes, memoráveis recitais de poesia e espectáculos verdadeiramente únicos" vai realizar-se, entre 5 e 20 de Março próximo, no Parque de Exposições de Braga, a Feira Livro, que se assume -- diz a organização -- "como uma das maiores, senão mesmo a maior, manifestação do género a nível nacional».

Manuel Alegre e "um grupo de poetas galegos, com destaque para Manuel Maria" são os convidados para os recitais de poesia.

Jerry Garcia, 51 anos, líder da dinossáurica banda rock americana Grateful Dead, casou-se secretamente na segunda-feira, em São Francisco, Califórnia, com a realizadora de cinema Deborah Koons. O matrimónio, a que assistiram 70 convidados, foi mantido em segredo para que os fanáticos da banda, conhecidos como «Deatheads», não invadissem a Christ Episcopal Church, em Sausalito. O acontecimento apenas foi divulgado na terça-feira, Dia dos Namorados, juntamente com a história da maneira como os noivos se conheceram. Ao que parece, encontraram-se pela primeira vez nos anos 70, num concerto dos Grateful Dead, mas cada um foi para seu lado até que os seus caminhos se voltaram a cruzar, recentemente, e decidiram dar o nó.

A reunião agendada para hoje da comissão encarregue de redigir uma convenção para estabelecer as regras de comercialização e fixação do preço do livro foi adiada para a próxima terça-feira, 22 de Fevereiro. Eduardo Martins Soares, da Difusão Cultural, explicou que a adiamento se deve a compromissos editoriais, mas que as negociações estão perto do fim. «Nesta próxima reunião, o projecto-base deverá ficar pronto. Apenas ficarão por fazer os considerandos de enquadramento geral da questão», garantiu Martins Soares.

Depois de Rossellini, Bresson e Dreyer, foi a vez de Jacques Rivette enfrentar o mito de Joana d'Arc. O milagre aconteceu, chama-se «Jeanne la Pucelle» e são dois filmes e quase seis horas de exibição. «Sem Sandrine Bonnaire nunca teria feito este filme», disse Rivette. Ela é, também, o milagre.

Ora, Rivette acabou por pôr nas salas de cinema um filme espantoso de quase seis horas, intitulado «Jeanne, la Pucelle» («Joana, a Donzela») dividido em duas partes: «As Batalhas» (2h40) e «As prisões» (2h56). Resumi-lo não faz sentido. Como diz uma velha piada do cinema, «toda a gente sabe como a história acaba». Jeanne -- chamemos-lhe doravante assim, já que estas duas sílabas são tão carregadas de emoção em França --, guiada pelas vozes do céu, guerreia os ingleses, assegura a coroação de Carlos VII como rei de França, é feita prisioneira pelos ingleses, é julgada num processo cujo fim estava decidido de antemão, e morre pelo fogo, em 1431, como uma vulgar feiticeira medieval.

Os protestos contra a forma como decorrem as obras no Museu Abade de Baçal, em Bragança, já chegaram ao secretário de Estado da Cultura que se terá mostrado sensibilizado para alterar a projectada substituição de determinados materiais que caracterizam o edifício que está classificado como património nacional.

«Se as obras são importantes porque o Museu estava degradado, também é importante manter o património cultural e arquitectónico porque faz parte da nossa história e da nossa entidade» afirma Duarte Lima. Assim, é possível que o projecto em curso venha a ser alterado nos pontos polémicos contestados na região de Bragança e que correspondem «à substituição de granitos, madeiras e alteração à traça do telhado», pois o grande objectivo é que o «património não seja defraudado».

Inicialmente previsto para se realizar em Lisboa, Aveiro e Leixões, sempre subordinados ao tema «os portos e a competitividade da indústria portuguesa» e permitindo uma análise mais concreta dos portos mais próximos, a Fernave poderá não realizar o encontro em Leixões. Tudo depende, segundo o responsável do departamento portuário da Fernave, Reis Martins, da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL), mas o facto de a situação em Leixões estar «escaldante» (ver PÚBLICO de 14-2-94) poderá inviabilizar a realização do encontro no Norte.

Sete meses depois da sua contratação, Ailton espera que os dirigentes «encarnados» lhe aumentem o salário, porque é um dos futebolistas do clube que menos ganha. Exigências de Cunha Leal, ex-chefe do futebol do Benfica, que primeiro queria ver o seu valor. O avançado brasileiro diz que já mostrou o que valia e por isso conversou com Gaspar Ramos, responsável do departamento de futebol dos «encarnados», que lhe garantiu que o seu contrato iria ser revisto.

A patinadora Tonya Harding já chegou a Lillehammer. Deixou nos EUA um processo como presumível instigadora da agressão a Nancy Kerrigan, que hoje reencontrará na pista de treinos. Para já, duas falhas no detector de mentiras e um «topless» apanhado em vídeo fazem as delícias dos americanos.

Não se prevê uma coabitação fácil entre as duas atletas e arqui-rivais, tanto mais que vão hoje treinar juntas no mesmo pavilhão, quando ainda não estão sanados os acontecimentos do dia 6 de Janeiro, nem tão-pouco está concluído o processo de investigação. Mas já foram feitas três prisões: um guarda-costas, um amigo e o ex-marido de Tonya Harding foram detidos, sob a acusação de agressão a Nancy Kerrigan antes dos campeonatos norte-americanos de patinagem.

Marlon Brandão, ex-jogador do Boavista, está «muito satisfeito» por se ter transferido para o Real Valladolid, da I Divisão espanhola de futebol, e ansioso por mostrar as suas «capacidades goleadoras». O brasileiro, que se estreou domingo na Liga espanhola frente à Real Sociedad, dos portugueses Oceano e Carlos Xavier (0-0), fez questão de referir, em declarações à agência noticiosa EFE, que a sua nova equipa «não terá problemas em manter-se na I Divisão». O Valladolid ocupa a 18ª posição, com 17 pontos, menos dois que o trio constituído pelo Logroñes, Celta de Vigo e Rayo Vallecano, e mais dois que os «lanternas-vermelhas», Lérida e Osassuna. Marlon, que ainda mantém o estatuto de melhor marcador do Boavista (nove golos no actual campeonato português), não está a acusar, tal como a família, a adaptação aos rigores invernais da capital castelhano-leonesa, e deseja mesmo continuar em Valladolid no próximo ano.

O caso Tonya Harding, que se iniciou há pouco mais de um mês com a agressão à patinadora Nancy Kerrigan, está repleto de múltiplos acontecimentos judiciários e desportivos. Aqui fica a cronologia dos principais episódios desta novela, que apaixonou os norte-americanos e deu um colorido muito especial aos Jogos Olímpicos de Lillehammer.

Uma comissão mista, formada pela Comité Europeu de Rink Hockey e pela Liga Europeia de Associações de Hóquei, deverá apresentar no período da Páscoa, em Montreux, o projecto definitivo da constituição de uma Liga Europeia de Clubes, que passará a organizar anualmente uma prova envolvendo as duas ou três melhores equipas de Portugal, Espanha e Itália, estando aberta ainda a participação a selecções de outros países.

O pentacampeão mundial de squash, o paquistanês Jansher Khan, vai estar amanhã e sábado no Porto, numa iniciativa do Clube de Squash do Porto. Khan, cuja deslocação a Portugal orça os 1500 contos, realiza nesses dias um «Clinic» com vários atletas e dois jogos de exibição com o campeão nacional, há sete épocas consecutivas, Luís Barbosa.

O patinador de velocidade norueguês Johann Olav Koss voltou ontem a brilhar nos Jogos Olímpicos de Inverno, a ganhar a segunda medalha de ouro, enquanto também batia o seu segundo recorde mundial na competição.

As restantes medalhas do quinto dia dos Jogos ficaram assim distribuídas: Bossas masculino -- 1º Jean-Luc Brassard (Can); 2º Sergei Shoupletsov (Rús); 3º Edgar Grospiron (Fra). Trenó feminino -- 1ª Gerda Weissensteiner (Itá); 2ª Susi Erdmenn (Ale); 3ª Andrea Tagwerker (Áus).

Terça-feira foi um dia grande para os Chicago Bulls. Não jogaram, mas ascenderam ao comando da Divisão Central, graças à derrota dos Atlanta Hawks no recinto dos Houston Rockets, por 103-99, na jornada da NBA, Liga Norte-americana de Basquetebol profissional. E o insucesso dos Knicks em New Jersey, frente aos Nets, catapultou os tricampeões para a liderança da Conferência Leste.

Em Seattle, os SuperSonics, líderes da Divisão Pacífico e o conjunto com a melhor média da NBA (dez derrotas), brilharam no confronto que realizaram com os Philadelphia 76ers, que venceram por 133-105. Shawn Kemp foi o melhor marcador da partida, com 24 pontos, aos quais juntou 13 ressaltos. Na sua retaguarda estiveram Kendall Gill (19), Detlef Schrempf (18) e Ricky Pierce (17).

O mercado accionista da Bolsa de Frankfurt terminou ontem em alta acentuada, apesar da procura por parte de investidores não residentes ter diminuído. Em todo o caso, estas compras incidiram sobre os melhores papéis, servindo portanto como exemplo a toda a comunidade de investidores locais. Os analistas continuam, por outro lado, a acreditar que o Bundesbank vai descer as suas taxas directoras. O índice DAX-30 cresceu 0,99 por cento.

O vector accionista da Bolsa de Madrid evoluiu ontem em baixa, constituindo, portanto, uma excepção em termos europeus, já que grande parte das praças encerrou em alta. Este movimento de perfil negativo deveu-se à saída de alguns investidores estrangeiros, que estão agora a desviar as suas atenções para outros mercados mais promissores. O índice Geral caiu 0,18 por cento para se situar nos 347,07 pontos. O total intermediado foi fraco.

Wall Street encontrava-se ontem, a meio da sessão, em alta ligeira, tendência que foi bem recebida pela generalidade dos investidores, que assim demonstram vontade de recuperar as perdas registadas logo após a Reserva Federal ter decidido subir as suas taxas de curto prazo. O índice Dow Jones cotava-se nos 3937,27 pontos, mais 0,23 por cento. O volume de transacções estava a crescer, com a velocidade das transacções também a subir. Destaque para as acções da AT&T.

Depois das recentes quedas, o mercado helvético sentiu a necessidade de proceder a um reajustamento. Foi isso que precisamente ontem sucedeu, com os investidores a procurarem recuperar parte do território cedido. Porém, o valor de fecho foi inferior ao alcançado durante o meio da sessão. O índice Swiss Performance terminou nos 1925,48 pontos, mais 1,19 por cento. Os resultados do banco SBC, ontem divulgados, ampliaram o movimento de alta.

O ramo de seguros de crédito externo da Cosec registou um aumento de 5,6 por cento em relação a 1992, tendo os capitais segurados atingido os 170 milhões de contos. O volume de prémios processados neste segmento de riscos comerciais foi de 890 mil contos, segundo uma informação prestada pela seguradora. As responsabilidades totais assumidas pela Cosec nas suas áreas de negócios -- seguros de crédito interno, crédito externo e caução -- ascenderam a 592 milhões de contos e os prémios a 3,1 milhões de contos, registando estes um aumento de 3,9 por cento em relação ao ano anterior. O seguro de crédito interno, com cerca de 43 por cento das responsabilidades, continua a representar a área de maior peso na carteira da seguradora, seguido pelo seguro de crédito externo com cerca de 29 por cento do total.

A Lusotur, sociedade do universo BPA, vai realizar uma assembleia geral, no próximo dia 22 de Março, em Vilamoura. Aprovar as contas referentes ao exercício de 1993, bem como os números das contas consolidadas e a aplicação dos resultados constam da ordem de trabalhos. Segundo informação da administração da empresa, este tipo de informação está já disponível para os accionistas. Entretanto, os accionistas que pretendam estar presentes na assembleia deveriam ter os seus títulos depositados na sede da sociedade ou em qualquer estabelecimento bancário ou sociedade corretora até 31 de Dezembro do ano passado.

O Governo francês pode vir a acelerar o processo de privatizações em curso e a ultrapassar o encaixe previsto pela venda de empresas. Fontes governamentais de Paris, revelaram ontem essa intenção, baseando-se no sucesso da venda da Elf-Aquitaine. Agora, será a vez da companhia de seguros UAP ser privatizada, havendo estimativas de que esse processo renderá aos cofres do Estados mais de vinte mil milhões de francos (mais de 591 milhões de contos). A haver uma aceleração do processo de privatizações, especula-se que as próximas empresas a passarem para capitais privados serão a companhia de seguros AGF, o construtor automóvel Renault, seguindo-se o grupo siderúrgico Pechiney, a seguradora GAN e a SEITA, o grupo de tabacos gaulês.

O Governo britânico foi ontem surpreendido por duas más notícias. Em primeiro lugar, a inflação subiu em ritmo anual de 1,9 por cento em Dezembro passado, para 2,5 por cento em Janeiro, e, em segundo lugar, o número de desempregados no país subiu em mais de 15 mil, passando a representar 9,9 por cento da população activa. O Ministério do Tesouro britânico comentou a inflação afirmando que os objectivos da retoma económica a par de uma taxa de inflação baixa se mantêm, ao passo que o ministro do Emprego, David Hunt, considerou que a tendência continua a ser de redução do desemprego.

Depois de um fim-de-semana excepcionalmente grande, o mercado de acções nacional retomou ontem a tendência altista. Um comportamento, apesar de tudo, contraditório. Na Europa os mercados de risco continuam «tremidos» sem uma orientação precisa.

A falta de determinados tipo de papéis, como de empresas eléctricas, cimentos e serviços públicos forçaram igualmente os gestores e investidores a optarem por papéis menos interessantes, facto que explica a crescente valorização de acções de segunda e terceira linha.

Os serviços de prestação de assistência em terra nos aeroportos («handling») deverão ser liberalizados, de acordo com um documento de consulta da Comissão Europeia, a que o PÚBLICO teve acesso. Considera-se aí que a existência «de situações de monopólio ou de empresas investidas de direito exclusivo ou especiais confere à assistência em escala um carácter nitidamente atípico face a um mercado do transporte aéreo liberalizado». Este cenário origina que, em muitos casos, as companhias não possam escolher o seu «prestador» de serviços, o que pode originar distorções na lei da oferta e da procura.

Segundo o que o PÚBLICO apurou, a TAP poderá retomar uma ideia surgida ainda durante a administração de Monteiro de Lemos e preparar-se, ela própria, para concorrer à prestação de serviços de «handling», uma vez que em Portugal não haverá outras experiências neste domínio. Para já, fica sem se saber, uma vez aprovada a legislação correspondente, se a TAP será obrigada a autonomizar o «handling», criando uma área de negócios distinta, a exemplo do que constava em versões anteriores do seu plano estratégico. J.S.

O cumprimento do Orçamento do Estado no que se refere às receitas fiscais é, segundo o Ministério das Finanças, "difícil, mas não impossível". A evolução da cobrança de IVA nas primeiras semanas deste ano deixa alguns sinais de optimismo, mas a aposta é dirigida à melhoria do funcionamento e da capacidade de fiscalização da máquina fiscal.

As empresas grandes utilizadoras de «fuel oil», como é o caso da indústria de cerâmica, por exemplo, deverão também ser ser desagravadas na tributação do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP).

Face a receios de um agravamento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e o Japão depois do fracasso das negociações no final da semana passada, o dólar manteve-se bastante pressionado apesar de repetidas intervenções do Banco do Japão no sentido de travar a rápida valorização do iene. Edward Kelley, governador da Reserva Federal, declarou que a inflação norte-americana continua alta e que as taxas de juro estão ainda anormalmente baixas.

Os trabalhadores da Portucel Viana, SA, uma das empresas do grupo público de celuloses, vão entrar hoje no segundo e último dia de uma greve motivada pelos aumentos da tabela salarial e o clausulado incluído no acordo geral da empresa ainda em vigor. Os sindicatos recusam a proposta da administração, que aponta para um acréscimo de 2,5 por cento da tabela salarial, com efeitos desde 16 de Setembro último, e dois por cento nos restantes items de expressão pecuniária.

O Governo japonês vai evitar recorrer a retaliações contra os Estados Unidos, preferindo queixar-se junto do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio). As eventuais sanções dos EUA poderão obrigar o Governo de Tóquio a uma revisão das estimativas de crescimento económico este ano. Na Europa, o comissário Leon Brittan criticou a decisão dos norte-americanos e frisou que esse não é o modo mais correcto de actuar.

De qualquer modo, se as sanções que os Estados Unidos ameaçam impor -- baseando-se no caso da Motorola, que terá sido impedida de ter acesso a um terço do mercado de telemóveis da região de Tóquio, nos termos de um acordo assinado entre os dois países em 1989, cujo prazo de cumprimento terminava na terça-feira passada -- incidirem sobre os sectores actualmente em negociações, os nipónicos poderão mudar de atitude, conforme declarou à France Press, um alto funcionário do Ministério da Indústria e do Comércio Externo do Japão.

A localização da Lipor II está no centro de um conjunto de críticas feitas pela Attwoods. Os responsáveis pelo concurso público contestam as dúvidas dos britânicos, considerando que não têm «fundamento».

«O facto da existência de uma chaminé naquele local poder causar nalguns cenários problemas de segurança ao tráfego aéreo e o facto de as estações de tratamento de resíduos terem uma elevada propensão à atracção de aves cria uma grave, muito significativa e adicional ameaça à segurança do tráfego aéreo da zona», diz a missiva.

A sessão do Mercado Monetário Interbancário ficou caracterizada pela pressão da procura no curto prazo. Os primeiros negócios no "overnight" foram contratados nos 10,25 por cento, mas face à pressão da procura, assistiu-se à subida da taxa de juro até aos 10,5 por cento. Em consequência da tendência que se verificava, o Banco de Portugal anunciou a sua disponibilidade de ceder liquidez a um dia à taxa de 10,375 por cento, com entrega de propostas até às 14 horas. Foram injectados no sistema 86.112 milhares de contos.

Os comissários da União Europeia deixaram ontem cair uma mão pesada sobre 16 empresas siderúrgicas europeias. Acusam-nas de terem cartelizado os preços e afirmam que não podem haver dúvidas sobre a aplicação das regras da concorrência.

A TAP prevê economizar este ano mais de 700 mil contos nos encargos com os pilotos e o pessoal de voo, que, como contrapartida da abdicação de horas extraordinárias, receberão subsídios isentos de carga fiscal. As poupanças provirão ainda de uma nova regulamentação nos serviços de transportes de funcionários e da criação de uma empresa de «catering», que deverá dar lucros em 1995.

No que respeita ao pessoal de cabine, o acordo celebrado com a administração da companhia prevê o aumento das horas de voo das 550 actuais para 780, a exemplo dos pilotos, e a abdicação do recebimento de horas extraordinárias e do subsídio de assiduidade. Em compensação, será criado um subsídio de custo fixo, com retroactivos a 1 de Janeiro passado, que prevê a atribuição de verbas mensais entre um mínimo de 25 mil escudos para o pessoal de cabine do escalão zero e um máximo de 75 mil escudos para o supervisor de cabina do escalão II.

Representantes de 25 países vão reunir-se hoje em Genebra (Suíça), para definir as formas de compatibilizar o exercício do comércio internacional com as necessidades de protecção do ambiente mundial. A reunião, que tem lugar sob os auspícios do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) e da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (CNUCED), será presidida pelo ministro do Ambiente brasileiro, Rubens Ricupero, e conta com a presença do director geral do GATT, Peter Sutherland, e do comissário europeu do Ambiente, Yanis Paleokrassas, segundo a France Presse. Portugal não participa na reunião.

Os testes da vacina colombiana SPf66 realizados na Tanzânia não mostraram efeitos secundários graves e demonstraram que a vacina induz uma forte resposta imunitária em adultos e crianças de tenra idade.

Os reservatórios da rede israelita de distribuição de água potável estão a ser povoados por nove espécies diferentes de peixes, como meio de controlar certos contaminantes biológicos. A campanha, que está a ser levada a cabo pela companhia israelita Mekorot Water, tem como objectivo aumentar a pureza da água e melhorar o seu gosto. «Há uma grande variedade de pragas biológicas que se desenvolve naturalmente em reservatórios, canais e outros locais de fornecimento de água, tais como algas, plantas submersas, caracóis, moluscos, larvas de insectos e pequenos peixes», diz Benjamim Teltsch, biólogo da Mekorot. «Todos estes organismos dão origem a sabores e odores desagradáveis na água». A solução encontrada por Teltsch e pelos seus colegas da Mekorot foi a introdução de peixes como a carpa e a perca como um modo natural de controlo dessas manifestações biológicas. O sistema já foi lançado em Itália e a empresa está neste momento a trabalhar com os Estados Unidos para o implantar nos estados sulistas.

Os dados recolhidos pelo detector de radiação cósmica do PoSat1-- uma simples placa de silício que conta o número de protões que bombardeiam o satélite todos os 150 segundos -- irão juntar-se aos dados recolhidos por outros dois satélites semelhantes e serão integrados num único conjunto de dados. Os outros dois aparelhos foram construídos com a mesma tecnologia usada no satélite português, desenvolvida na Universidade de Surrey (Grã-Bretanha). Trata-se do satélite inglês UoSat3 e do coreano KitSat1, que transportam ambos detectores de radiação cósmica semelhantes.

A vacina experimental contra a malária desenvolvida pelo investigador colombiano Manuel Patarroyo é a primeira a ver a luz num país em vias de desenvolvimento. Mas, se resultar, poderá levar a um século XXI com menos malária. As experiências realizadas até agora permitem algum optimismo.

A vacina já foi testada em mais de 40.000 voluntários na América Latina, principalmente na Colômbia (ver «O fim da malária à vista?», PÚBLICO de 23/3/93). E demonstrou ser particularmente eficaz em crianças entre um e quatro anos de idade: 77 por cento tornaram-se imunes à forma mais mortal da doença. Nos adultos de mais de 45 anos, a taxa de sucesso foi de 67 por cento. Porém, entre os cinco e os 44 anos de idade, os resultados foram menos encorajantes: pouco mais de 20 por cento das pessoas ficaram protegidas.

Dusko Tadic, o sérvio de 38 anos que a justiça alemã acusou formalmente, no domingo, de «cumplicidade de genocídio» na Bósnia, foi reconhecido por um antigo prisioneiro muçulmano num campo de detenção sérvio, que o acusou de ser «um carrasco de uma brutalidade e perversão inauditas».

«É um milagre que eu esteja vivo. Talvez porque havia no campo guardas que gostavam mais de torturar do que de matar», afirmou ao jornal holandês «Extra Bladet». A «especialidade» de Tadic, afirma Fikret Alic, era «matar, depois de torturar longa e brutalmente os seus prisioneiros». Viu «como um prisioneiro foi obrigado a morder o pénis de outro e um pai ser obrigado a violar o seu próprio filho». No seu caso, Tadic forçou-o a -- «entre outras coisas» -- deitar-se sobre bocados de vidro.

Dois altos funcionários do Partido Liberal Democrático (PLD) da Rússia, de Vladimir Jirinovski, abandonaram ontem os seus lugares de deputados por discordarem com as sucessivas declarações que o líder tem feito nas suas viagens ao estrangeiro.

Jirinovski, por seu lado, tratou de anular os efeitos do abandono de Kobelev e Pronine afirmando não ter havido uma rebelião da parte dos dos funcionários partidários mas sim uma expulsão. «[Foram expulsos do PLD] porque o seu comportamento vai contra os códigos dos membros do Partido Liberal Democrático, e nós não podíamos deixar que canalhas se exprimissem nas bancadas desta assembleia», afirmou o líder ultranacionalista na Duma. Jirinovski anunciou ainda que pretende abrir um inquérito criminal contra os dois homens.

Giampiero Cantoni, presidente da Banca Nazionale del Lavoro: «auto-suspenso» e sob inquérito por corrupção. Roberto Mazzotta, presidente da Caixa económica Cariplo: detido sob acusações de corrupção e de ter pago «luvas» a partidos políticos. Enrico Braggiotti, ex-presidente da Comit (Banca Commerciale Italiana): suspeito de ter recebido 80 mil milhões de liras (oito milhões de contos) em «luvas» no caso Enimont, escapou à prisão fugindo para o estrangeiro. Piero Bongianino, ex-director-geral da Banca Popolare di Novara: acusado de cumplicidade numa falência fraudulenta. Giuliano Segre, ex-presidente da Caixa Económica de Veneza: acusado de falsificação do balanço daquela instituição.

Numa das suas últimas edições, a revista «Il Mondo» publicava novas revelações sobre os escândalos em que está implicada a banca e analisava as ligações entre o grupo bancário Monte dei Paschi e a atribuição de fundos para a construção de um aeroporto numa ilha das Caraíbas. A operação envolve Rosario Spadaro, um siciliano dono de um pequeno império na ilha e com conhecidas ligações à Mafia, um aeroporto que nunca chegou a ser construído e 13,5 milhões de dólares (cerca de 2,4 milhões de contos), que entraram em bolsos ainda não identificados. Um outro artigo na mesma revista revelava a infiltração da Maçonaria nas sucursais de província dos maiores bancos italianos. A.P.C.

CERCA de 30 pessoas ficaram feridas, ontem, em Standerton, cidade situada a 150 quilómetros a sudeste de Joanesburgo, na sequência de confrontos entre forças de segurança e membros do Congresso Nacional Africano (ANC). A luta ocorreu quando a polícia pretendeu impedir manifestantes do ANC de deixarem a cidade negra de Sakhile para Standerton, que extremistas brancos querem incluir num estado separado só para brancos que pretendem criar. Testemunhos citados pelas agências disseram no entanto que as forças de segurança utilizaram apenas granadas de gás lacrimogéneo e balas de borracha para repelir os manifestantes. Um responsável do ANC foi, por outro lado, assassinado perto de Port Shepstone, na costa do Índico, anunciou uma fonte da organização de Nelson Mandela.

AS PRIMEIRAS reacções de exilados cubanos ao convite do regime para uma conferência de diálogo em Abril, em Havana, foram negativas. Exilados cubanos em Miami como Miguel Molina, do grupo «Cidadãos pela Democracia», consideraram que o convite não passa de «uma manobra política para pressionar a Administração Clinton» a acabar com o embargo económico dos EUA a Cuba. E o congressista republicano Lincoln Dias-Balart, um cubano-americano, disse que Fidel Castro estava a organizar uma reunião de «apologistas nos estrangeiro com cúmplices seus dentro de Cuba, para orquestrar um monólogo bem ensaiado».

Os altos e baixos da tensão na península da Coreia conhecem agora uma aparente fase de desanuviamento, com o Norte comunista a autorizar a inspecção de algumas das suas instalações nucleares e o Sul capitalista a rever a necessidade de exercícios militares anuais conjuntos com os Estados Unidos. Mas o cerne da questão mantém-se: Pyongyang tem ou não a bomba atómica?

Uma decisão final será anunciada no fim deste mês ou no início de Março, estando os exercícios provisoriamente marcados para 22 a 31 de Março.

A GRÉCIA determinou ontem o bloqueio do abastecimento da vizinha Macedónia a partir do porto helénico de Salonica e o encerramento do consulado de Atenas em Skopje, as duas últimas e mais extremas medidas do Governo grego na luta que trava há dois anos contra o reconhecimento internacional da antiga república da ex-Jugoslávia.

Papandreou afirmou que o Governo foi «constrangido» a tomar esta medida face ao «continuado desenvolvimento das provocações e do agravamento da intransigência irredentista de Skopje».

Muitos deputados e senadores vão perder, com a dissolução do actual Parlamento, a imunidade parlamentar que lhes tem permitido evitar os processos judiciais e a prisão. Dois anos depois do início da operação «Mãos Limpas», os juízes têm cada vez mais trabalho. E cada vez mais tentações...

Dois anos depois, e segundo um estudo elaborado por Mario Zamorani (antigo dirigente do grupo público IRI, também detido por corrupção), os magistrados emitiram 4600 mandatos de prisão preventiva e cerca de 25 mil avisos de inquérito judicial, 520 dos quais destinados a deputados e senadores.

Há duas maneiras de interpretar os esforços de John Major, durante a sua visita a Moscovo, ontem concluída, para persuadir Boris Ieltsin de que deve apoiar o bombardeamento dos sérvios pelos aviões da NATO.

A resposta de Boris Ieltsin é conhecida: exigir uma participação russa nas decisões que dizem respeito à sua antiga esfera de influência e recusar a marginalização de Moscovo. Menos conhecidos são os factores que levaram Major a tão ingrata e improvisada missão.

O Presidente croata, Franjo Tudjman, acaba de pedir desculpas por um livro onde põe em dúvida que seis milhões de judeus tenham morrido às mãos do regime nazi.

«Deste modo, apresento as minhas desculpas, tanto na qualidade de Presidente de um Estado recém-independente que deseja criar uma amizade firme e duradoura com o povo judeu, como na de ser humano que deseja emendar a mão e aprofundar essa amizade», explica.

A NATO e a ONU revelaram uma convergência de pontos de vista sobre uma eventual acção militar na Bósnia, com o objectivo de terminar com as especulações sobre alegadas divergências. A Forpronu endureceu o seu discurso e defende que as armas entregues por sérvios e muçulmanos deverão ser guardadas por homens armados. Na Aliança Atlântica prossegue a contagem descrescente para a intervenção aérea, enquanto em Sarajevo uma bala de atirador furtivo fazia a primeira vítima desde o anúncio do ultimato.

O estado-maior da Forpronu defende que o controlo das armas pesadas dos sérvios bósnios pelos capacetes azuis significa que estas deverão ser guardadas «por soldados armados». O comandante da Forpronu na Bósnia, o general britânico Michael Rose, foi peremptório nas suas declarações: «A palavra controlo significa que se pretenderem recuperar esse armamento, terão de combater».

A PSP da Amadora deteve na madrugada de terça-feira, na Reboleira, dois indivíduos com 11 gramas de haxixe e seis cheques. Um dos detidos tentou esfaquear um agente.

O que fica para a cidade, passado o evento de Lisboa Capital Europeia da Cultura, é o que a Assembleia Municipal pretende hoje avaliar, na reunião extraordinária em que estará presente Vitor Constâncio e outros responsáveis de Lisboa-94.

A Junta de Freguesia da Benedita, concelho de Alcobaça, herdou da anterior gestão uma dívida de perto de dez mil contos. Este dado foi revelado na última Assembleia de Freguesia. As maiores faltas, de acordo com o apuramento feito, são para com organizações do Estado, nomeadamente a Caixa Geral de Aposentações, o Centro Regional de Segurança Social e ainda fornecedores privados. Só para a Caixa Nacional de Pensões o valor em dívida é superior a dois mil contos, resultante de pagamentos que deveriam ter feitos sido por conta dos empregados. O actual presidente da junta, João Raul, explica esta situação por haver gastos superiores às despesas. «Encontrámos situações contabilísticas pouco claras», disse. «Não estamos interessados em indagar o passado; temos é que pagar. e, para isso, estamos à espera do apoio da Câmara Municipal, porque a junta não tem capacidade económica para o fazer», disse.

Na discoteca Europa, ao Cais do Sodré, há música ao vivo a partir das 23h00. Hoje tocam Rodrigo Amado (sax), Eduardo Cunha (guitarra), Luís Desirat (bateria) e Flak (guitarra).

A situação financeira da Câmara de Sintra não é das melhores. As dívidas contraídas no ano passado ainda não estão totalmente contabilizadas, mas a guerra de números já começou e as facturas por pagar poderão chegar aos 2,3 milhões de contos, embora existam já confirmados apenas 1,2 milhões. Uma herança do anterior mandato que comprometerá o orçamento deste ano.

«Isto só confirma o que a CDU disse, a meio do ano passado, de que o orçamento estava empolado e que o buraco orçamental era de seis milhões de contos», afirma o vereador. Por seu lado, Edite Estrela, a nova presidente da autarquia, confirma a existência de um «grande buraco», mas ainda não possui dados concretos sobre o seu total -- posição adoptada também pelo vereador responsável pelo sector financeiro, José Pinto Simões (PS). A razão para a situação, justificou à Lusa, foi «a falta de rigor na elaboração do orçamento e plano de actividades», associado ao facto de o ano passado ter sido ano de eleições autárquicas.

Três homens que vendiam bilhetes a preços superiores ao estipulado junto ao pavilhão do Dramático de Cascais, naquela vila, foram presos pela PSP na noite de terça-feira. Os indivíduos, que se encontravam armados com pistolas de alarme, ofereceram resistência aos captores.

Outro polícia à civil dirigiu-se ao grupo. Foi então que um dos homens efectuou um disparo de intimidação. O guarda reagiu e apontou, por sua vez, a arma aos suspeitos, que se entregaram.

A PJ de Braga capturou na noite de segunda-feira, na zona de Ribeira de Pena, mais um dos cinco evadidos da prisão de Guimarães, restando ainda dois a monte.

Cento e vinte e sete pessoas foram, em Janeiro, encontradas pela GNR a conduzir sob efeito do álcool nas estradas do Alentejo e Algarve. Naquele mês foram detidos 13 automobilistas por conduzirem com taxas superiores a 1,2 gramas de álcool no sangue. As maiores taxas de alcolémia foram detectadas em condutores de Montemor-o-Novo, com 4,4 gramas, Beja, com 3,2, e Portimão, com 2,3.

Daniel Branco, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira e da Junta Metropolitana de Lisboa (AML), foi ontem operado a um doença do foro neurológico no Hospital Santa Maria, em Lisboa. A intervenção cirúrgica correu de acordo com as expectativas dos cirurgiões, admitindo-se que dentro de dois dias o paciente possa abandonar a unidade de cuidados intensivos onde actualmente se encontra.

A Câmara de Lisboa prepara-se para despejar uma família guineense que habita numa barraca camarária no Bairro do Relógio, junto ao Aeroporto, em Lisboa. A ordem de despejo, proveniente da Divisão de Gestão Patrimonial do Departamento de Habitação Social da CML, estava marcada para ontem, mas não chegou a efectuar-se. Para a família -- duas irmãs e sete crianças --, a noite de hoje pode ser a primeira que dormem na rua neste Inverno.

No Baixo Alentejo, são às centenas as aves em cativeiro. Cegonhas, pegas, corvos, águias, mochos, milhafres, bufos, tirados do ninho para venda ou ter em casa, muitas vezes embalsamados. A situação mereceu agora a atenção do Instituto Florestal, que lançou uma campanha para pôr termo à detenção e comércio de animais embalsamados e de exemplares de espécies da fauna bravia no distrito de Beja.

Para Manuel Leão, administrador florestal de Beja, esta realidade "não se desmistifica de um dia para o outro". As pessoas estão "sensibilizadas mas não predispostas». O secretario nacional da Quercus, por seu lado, está muito reticente em relação ao êxito da campanha. "Há ainda por fazer um profundo trabalho de sensibilização, antes de se usarem medidas coercivas", adianta.

«Afinal, a Terça-feira de Carnaval é ou não é feriado?» -- foi com esta dúvida que anteontem se debateu o oficial de dia do Comando Distrital da PSP de Lisboa, quando começaram a chegar notícias de umas prevaricações automóveis relacionadas com o Carnaval.

A coisa chegou a assumir alguma importância e levou o oficial de dia da PSP -- um desgraçado a trabalhar em dia feriado -- a perguntar ao delegado do Ministério Público de serviço no Governo Civil -- outro que não teve direito a feriado -- se considerava ou não o dia de anteontem feriado. «Não senhor, não é feriado», disse-se outro lado da linha. «Parece, cheira, mas...»

A entidade patronal da Guial, a empresa têxtil de Barcelos cujos trabalhadores se mantêm em greve desde a passada quinta-feira, requereu ao Tribunal Judicial de Barcelos a ilegalidade da medida tomada recentemente pelos trabalhadores e que consistiu no impedimento da saída de quatro carrinhas da companhia carregadas de mercadoria.

Entretanto, a situação financeira da Guial parece complicar-se. Para o próximo dia 15 de Março está marcada a assembleia de credores que irá discutir uma dívida de cerca de 400 mil contos, 180 mil dos quais à Segurança Social. Os restantes créditos distribuem-se por mais catorze pequenos credores.

Duas mulheres, uma inglesa e uma espanhola, foram agredidas durante a madrugada de quarta-feira, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, por um grupo de desconhecidos que as roubaram, informou a PSP.

Agentes da PSP de Campolide intensificaram as buscas no Parque Eduardo VII mas não lograram detectar nenhum dos suspeitos.

O mau tempo que ontem se fez sentir um pouco por todo o país provocou, sobretudo, problemas ao nível dos transportes. Em Lisboa, três voos foram desviados; na serra da Estrela, as principais estradas, cheias de neve, não deram passagem aos carros; noutras zonas, sucederam-se os acidentes.

Na serra da Estrela, durante toda a madrugada e manhã de ontem, caiu o maior nevão dos últimos dois anos. As estradas Covilhã/Manteigas e Nave/Piornos/Sabugueiro foram fechadas ao trânsito e, apesar de não se ter verificado acidentes, muitas viaturas foram abandonadas pelos proprietários, a conselho da polícia. A circular, só ficaram as máquinas de limpeza de neve do Posto das Penhas da Saúde e algumas viaturas equipadas com correntes especiais no rodado. Em alguns locais, a neve atingiu uma altura de dois metros. Os campistas e montanhistas que se encontravam na serra foram aconselhados pelos bombeiros a abandonar o local, uma vez que as redes de comunicações, na sua maioria, sofreram danos, não permitindo desencadear operações de salvamento em caso de necessidade.

As queixas contra a nova sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, não páram. Desta vez, como denuncia e documenta pela foto o leitor Fernando de Castro, a acusação é a de a instituição ter transformado a Av. Marconi, à Praça de Londres, em «depósito do seu lixo diário, emprestando» um «aspecto deplorável» e usurpando «todos os direitos dos moradores desta artéria.» «O barulho ensurdecedor das máquinas em movimento, para despejo e recolha de lixo, que é quase diário, incluindo sábados e domingos, com início pontual às sete da manhã» é também motivo de queixa.

O pai do novilheiro português "Pedrito Portugal", Joaquim António Pereira Roque, morreu na segunda-feira à tarde, carbonizado num acidente de viação na província espanhola de Badajoz.

O Tribunal de Matosinhos condenou ontem a 11 e nove anos de prisão o agente da PSP Manuel C. Silva e a sua mulher, Maria S. Rebelo, respectivamente, pelo crime de tráfico de estupefacientes e envolvimento com outros traficantes.

Também os depoimentos de vários elementos da PSP de Matosinhos foram considerados pelo tribunal «esclarecedores e verdadeiros». Os advogados dos réus vão recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça. Todavia, tanto o agente da PSP como a mulher vão permanecer sob detenção.

O Estabelecimento Prisional Regional de Castelo Branco tem, actualmente, 84 reclusos -- 20 dos quais mulheres --, mais 34 do que a sua capacidade. Vivem também na cadeia cinco crianças filhas de detidos, com idades compreendidas entre os 15 dias e os quatro anos.

Mais de 30 por cento dos detidos estão ali por consumo ou tráfico de droga, cinco por cento por crimes de homícidio e os restantes 65 devido a pequenos furtos, cheques sem cobertura, rapto e violação.

A PSP de Coimbra deteve, na madrugada de segunda-feira, um indivíduo acusado de roubo e agressão a uma prostituta, sob a ameaça de arma de pressão de ar. De apelido Ramalho, com 30 anos, o presumível assaltante roubou dinheiro e agrediu a vítima, depois de ter mantido com ela relações sexuais, na zona da ponte-açude de Coimbra. Na sequência da apresentação da queixa, a PSP deteve o indivíduo, que se encontrava no local onde praticara o delito, já acompanhado de outra prostituta.

Também o presidente da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, Bruno Graça, lamentou -- em declarações ao PÚBLICO -- que a colectividade que dirige não tenha sido convidada para a cerimónia.

A Câmara de Benavente vai iniciar trabalhos de recuperação do arruinado palácio de Dom Miguel, situado no núcleo histórico de Samora Correia, estimados em cerca de 150 mil contos.

Esta intervenção poderá ainda beneficiar de apoios comunitários, caso a candidatura entregue pela edilidade local (num valor de 120 mil contos) venha a ser aprovada no âmbito do novo quadro comunitário de apoio.

Um desconhecido roubou, durante a madrugada de terça-feira, cerca de 4300 contos em produtos que se encontravam num armazém do supermercado Pingo Doce, na Quinta das Farinheiras, Loures. Os quatro seguranças que estavam no local dizem que foram surpreendidos e encarcerados numa câmara frigorífica.

Segundo disseram à polícia, o assaltante terá entre 20 e 30 anos e mede cerca de 1,80 metro de altura. O chefe do armazém apresentou igualmente queixa.

Presidentes das câmaras municipais da zona de Lisboa e Vale do Tejo manifestaram ontem ao ministro do Planeamento e da Administração do Território, Valente de Oliveira, a sua discordância de que o acesso dos municípios aos fundos do Quadro Comunitário de Apoio (QCA) esteja dependente do respectivo Plano Director Municipal estar aprovado. Isto quando a própria Administração Central também ainda não concluiu o Plano Regional de Ordenamento da sua responsabilidade.

O ministro -- que já antes reconhecera ao edil de Benavente que não existe qualquer mecanismo legal para fazer depender a atribuição de fundos da aprovação do PDM -- assegurou que «não vai haver embirração» e que não serão excluídas as propostas, mas voltou a insistir que «vai haver uma dificuldade acrescida» para quem não possua PDM ratificado. É que, embora tenha concordado com a proposta de Jorge Sampaio para que as comissões técnicas dos PDM possam confirmar que os projectos estão de acordo com os planos, Valente de Oliveira deixou claro que serão essas consultas as «dificuldades» a superar. L.F.S.

Em "Regresso ao Futuro", quando Michael J. Fox reencontra o velho professor no ano de 1955 e lhe diz que o presidente da América, 30 anos mais tarde, é Ronald Reagan, o rosto do mestre revela a mais pura incrudelidade. Reagan, presidente dos EUA, era o impossível materializado num tempo futuro, uma espécie de catástrofe. Reagan era um actor de Hollywood. Um secundário dos grandes estúdios. Houve mesmo quem o considerasse um péssimo actor. Não era mentira.

Apareceu em filmes de Lloyd Bacon, de William Clemens, de Lewis Seiler. Não é difícil indicar o seu melhor trabalho -- um caso único numa extensa filmografia: o jovem Custer no "western" de Michael Curtiz, "The Santa Fe Trail". Depois, ainda vale a pena lembrar a sua participação em filmes como "Desperate Journey", de Raoul Walsh, "Kings Row", de Sam Wood, "Night unto Night", de Don Siegel, "Tennessee's Partner" e Cattle Queen of Montana", de Allan Dwan. Pelo menos, vale a pena lembrar os filmes. Como o trabalho de denúncia do Ku Klux Klan, "Storm Warning", de Stuart Heisler.

A gente falava do país real. Ou para recordar que Portugal se não reduzia a Lisboa, ou para denunciar o autismo das elites políticas, ou para contrapor às mudanças voluntaristas a prudência medrosa do realismo social, ou para nos desculpabilizarmos dos fracassos das nossas propostas. A gente discutia o que era o país real. Se permanecia ou não incólume à agitação contemporânea, se continuava refém do patrocinato ou intransigente guardião dos valores sagrados, se era ou não era recuperável.

Agora, deixou de sê-lo. Vale a pena pensar no que o destruiu. Mais do que a emigração, destruíram-no as migrações internas, a deslocação massiva de gentes para os subúrbios litorais. Mais do que a pobreza, que sempre soube controlar, pior ou melhor, destruiu-o a marginalização face aos eixos nacionais de crescimento. Destruiu-o a carência de jovens e jovens-adultos, de pessoas qualificadas, de recursos, destruiu-o a crise estrutural da agricultura. Mas destruiu-o, sobretudo, a nossa profunda insensibilidade, social e política, face aos seus problemas, aos seus estrangulamentos e às suas potencialidades.

Escrevo sob o efeito da história de Benedicte e da mãe, retidas no aeroporto de Lisboa cinco dias a fio porque o Serviço de Fronteiras viu nelas mais duas presumíveis clandestinas. Pura e simplesmente porque são pretas -- e dos pretos, como dos brasileiros ou quaisquer outros "terceiro-mundistas" do mundo inteiro, há que desconfiar por princípio (...).

O nome originário era Malume. Contudo, no registo aportuguesaram-lhe a identidade: Tio. Ficou, mais tarde, Tio Malume. De nome completo.

Uma avaria no Falcon que ao princípio da tarde de ontem deixou Lisboa rumo ao aeroporto Ben Gurion atrasou o início da primeira viagem do ministro dos Negócios Estrangeiros português a Israel. Refeito do susto -- o aparelho já estava no ar há três quartos de hora quando a avaria foi detectada e o avião teve que regressar ao ponto de partida, de onde voltou a descolar pouco depois --, Durão Barroso iniciou esta visita oficial de três dias com a apresentação de cumprimentos ao Presidente Ezer Weisman, em Jerusalem, a que se seguiu um jantar oferecido pelo chefe da diplomacia israelita, Shimon Perez.

No campo extra-governamental, o destaque vai para os contactos que Durão Barroso terá com uma delegação palestiniana chefiada por Fayçal Husseini (hoje, em Jerusalem) e com o deputado Dan Meridor, do Likud, com quem o MNE português se encontra amanhã. Uma oportunidade para confrontar duas perspectivas distintas do processo de paz, cuja evolução Durão Barroso poderá testemunhar pessoalmente durante a tarde de amanhã, quando se deslocar à faixa de Gaza. J.T.N.

O PS denunciou ontem que as bases do novo Quadro Comunitário de Apoio foram «apresentadas primeiro em Bruxelas antes de o serem aos agentes sociais económicos portugueses e ao Parlamento nacional». Em conferência de imprensa, num intervalo da reunião do secretariado que ontem se prolongou por todo o dia, José Lamego qualificou de «secretista e burocrático» o procedimento do Governo, acusando ainda o Executivo de ter invadido «matéria de competência reservada da Assembleia da República».

Entretanto, apesar de Guterres já ter feito a lista para a Comissão Nacional, a selecção das figuras da Federação do Porto do PS continua envolvida em polémica, apesar da lista ter sido já entregue e do processo estar formalmente concluído. Depois do manifesto descontentamento de diversas personalidades afectas tanto à maioria como à minoria distrital, o presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, enviou uma carta a Jorge Coelho (responsável nacional pela elaboração da lista do secretário-geral), dizendo que "era sua vontade pessoal" que o seu nome figurasse em 29º lugar, o último dos efectivos na quota atribuída ao PS/Porto. Narciso, recorde-se, é o terceiro da lista do Porto que é encabeçada por Fernando Gomes, logo seguido de Carlos Lage.

A UGT reuniu-se ontem com a direcção parlamentar do PSD para pedir ao Parlamento a revisão da legislação sobre o Fundo Social Europeu. Hoje, com o mesmo intuito, encontra-se com o PS e o PCP. Uma semana depois de aprovado - em sede de comissão - o relatório do inquérito parlamentar que iliba a central, a UGT «regressa» à Assembleia para pressionar no sentido de uma alteração legislativa que foi o principal cavalo de batalha de Torres Couto durante a sua audição pela comissão de inquérito,

Veludo diz que não leu o relatório final da comissão de inquérito, mas, mesmo assim, considera que «a maioria dos membros da comissão estão deslocados na época, julgam a UGT como se em 88 e 89 pudesse saber o que sabe hoje». Ou seja, sobre as tais empresas que, na altura, contratou só agora se descobriram «podres». Mas, alerta Veludo, «a maioria nem sequer ainda foi acusada». A.S.L.

Os ministros do Planeamento e Administração do Território, Valente de Oliveira, da Indústria e Energia, Mira Amaral, e do Comércio e Turismo, Faria de Oliveira, iniciam no sábado um ciclo de visitas de vários membros do Governo a Bragança, para apresentar o novo Quadro Comunitário de Apoio às forças vivas da região que aguardam os encontros com as dúvidas de quem está cansado de promessas e a ansiedade de poder escutar a receita mágica para sair do atraso actual.

Os convites para a reunião com os três ministros são da responsabilidade do grupo parlamentar do PSD e a sessão é organizada por Duarte Lima, que é deputado por Bragança. Mas nem por isso os socialistas vão deixar de estar presentes. «Lá estaremos para os ouvir, na certeza que nada de novo e prático para a região aparecerá», diz o líder regional do PS, revelando que os autarcas já conhecem o PDR (Plano de Desenvolvimento Regional) e que «para as questões técnicas dos programas não são os ministros os melhores ensinantes». As câmaras têm, de resto, agendada uma reunião com Valente de Oliveira para a próxima segunda-feira, no Porto, na Comissão de Coordenação da Região Norte.

O chefe do Governo espanhol, Felipe Gonzalez, reconheceu ontem o valor estratégico dos projectos de cooperação entre o Norte de Portugal e a Galiza e manteve o seu apoio aos esforços de modernização das ligações ferroviárias entre o Porto e Vigo.

Foi, pois, com satisfação que Fernando Gomes saíu da reunião, que se prolongou por mais de uma hora no Palácio da Moncloa, e na qual Gonzalez demonstrou «total abertura para apoiar, em Bruxelas, os projectos do Eixo Atlântico». Tanto mais que este apoio abre a possibilidade de consenso entre os governos espanhol e português, indispensável à definição de prioridades para investimentos em curso e a desenvolver nos dois lados da fronteira.

Soares e Melancia foram nomeados por deputados do PSD a propósito da Emaudio, mas escaparam às actas da Assembleia. O borrão do Diário oficial omite os gritos saídos da maioria. «Não se ouviu», garantem os funcionários. E a gravação não regista apartes. Os partidos não acham a questão relevante.

«Os funcionários não ouviram», explicou ao PÚBLICO um responsável dos serviços de redacção da Assembleia, que pediu anonimato alegando não estarem autorizados a prestar declarações à imprensa. Segundo este funcionário, «a gravação não captou essas nomeações porque não tem capacidade para registar os apartes adjacentes às intervenções principais». Esse trabalho compete aos funcionários que acompanham as sessões no meio do hemiciclo e que, acrescenta a mesma fonte, «muitas vezes têm dificuldade em ouvir porque as condições acústicas não são as melhores». Ninguém põe em causa estas justificações, embora haja quem chame a atenção - sob sigilo -, que «é normal os funcionários resguardarem-se um bocado relativamente a apartes que não ficam gravados».

As autoridades indonésias admitem integrar portugueses na lista de repórteres estrangeiros autorizados a deslocarem-se nas próximas semanas a Timor-Leste. «Os portugueses talvez possam vir no próximo mês», disse o director dos serviços de Informação do ministério dos Negócios Estrangeiros, ontem, à Rádio Comercial. Enquanto isto, em Lisboa, o repórter britânico Max Sthal, autor das imagens sobre o massacre de 12 de Novembro de 1991, em Santa Cruz, ultima os preparativos para a apresentação de um outro trabalho sobre Timor-Leste, elaborado em vários países ao longo de nove meses.

Nove correspondentes de orgãos da informação europeus, australianos, norte-americanos e de Singapura acreditados em Jacarta, iniciaram terça-feira, 15, uma visita guiada a partes de Timor-Leste, percorrendo de carro os 120 quilómetros que separam a região fronteiriça ocidental, de Díli. Apesar de as autoridades não terem declarado oficialmente o encerramento do território, esta é a primeira vez que representantes da imprensa estrangeira voltam a Timor-Leste, desde que o tribunal de Díli condenou Xanana Gusmão a prisão perpétua, em Maio passado.

Após quase duas décadas de luta esporádica contra o domínio indonésio, a verdade dos factos em Timor-Leste continua a ser difícil de apurar. Aos olhos dos jornalistas estrangeiros que, pela primeira vez em nove meses, foram autorizados a visitar a antiga colónia portuguesa, Díli surgiu como uma cidade aparentemente normal, mas onde permanecem as contradições.

«Há muito que sabemos que é verdade», afirmou à Reuter um estudante de 17 anos que assistiu ao primeiro massacre. «Mas desapareceu tanta gente depois dos acontecimentos de 12 de Novembro que é impossível sabermos quem morreu, onde, quando e como.»

A Associação de Consumidores de Portugal (ACOP) acusou ontem a empresa privada UNICENTER de estar a divulgar publicidade ilícita e enganosa relativamente a cursos de informática alegadamente gratuitos, mas condicionados à compra de material didáctico no valor de 130 contos.

Por tudo isso, a associação de defesa do consumidor vai alertar a Inspecção Geral das Actividades Económicas e o Instituto de Emprego e Formação Profissional. Leonete Botelho

O juiz conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo, Luis Filipe Pimentel, vai encabeçar uma das listas concorrentes às eleições para os corpos directivos da Associação Sindical dos Magistrados Portugueses (ASMP), que se realizam no próximo dia 19 de Março.

Rui Rangel sublinhou a intenção de dar «maior protagonismo às mulheres» no seio da associação, que representam 40 por cento da magistratura portuguesa, e de estabelecer uma relação de «maior autonomia» com o Conselho Superior da Magistratura.

Diversos magistrados contactados pelo PÚBLICO qualificaram de «correctíssima» a decisão da juíza Graça Araújo. No entanto, a resolução de aceitar o «habeas corpus» não terá sido pacífica entre os todos os magistrados do Tribunal de Instrução Criminal, que terão ficado divididos. Certo é que, no futuro, esta deliberação não deixará de ter peso.

O seu papel foi minimizado, mesmo negado, por alguns dos acusados. Numa sessão que corria de feição para a defesa, as declarações caíram no esquecimento por alguns minutos de palavras de ordem terminadas com a saída compulsiva da sala. Em piores circunstâncias, Maria Alexandra Pinheiro voltará ao tribunal em Abril.

O advogado de defesa do cabo de mar Arnaldo Pereira recorreu ontem à poesia do escritor oitocentista João de Deus para explicar a atitude de cooperação com o tribunal adoptada pelo seu constituinte no julgamento do processo de corrupção e contrabando conhecido como «Aveiro Connection».

A juíza Isabel Valongo deverá marcar hoje a data para responder aos quesitos -- uma iniciativa destinada a fixar a matéria de facto -- seguindo-se a leitura do acórdão de sentença.

«L'Osservatore Romano», o jornal oficial do Vaticano, condenou ontem a imagem da nova campanha da Benetton, onde se vê a roupa que um soldado da Bósnia-Herzgovina vestia no dia em foi morto, em Julho de 1993. A «t-shirt» branca fotografada pela empresa de moda italiana está repleta de sangue e é visível o buraco por onde entrou a bala mortal.

A Benetton lançou ontem mundialmente a sua nova campanha Primavera/Verão (ver PÚBLICO de 16/02/94) propondo-se a contar uma história. «A história de um soldado desconhecido», Marinko Gagro, 31 anos, morto numa batalha em Hum, perto de Mostar. Cinco jornais em França, entre os quais o «Monde» e o «Figaro», e também na Alemanha, não aceitaram a publicidade da empresa de sucesso de Luciano Benetton. A Benetton explica que as roupas lhe foram dadas pelos pais de Marinko Gagro que queriam que os «restos do filho fossem utilizados numa campanha a favor da paz e contra a violência».

Realiza-se amanhã na Igreja de Santos-o-Velho, às 18h, a missa de sétimo dia por intenção de João Luiz Gomes, tradutor e colaborador do PÚBLICO, falecido no final da semana passada vítima de doença súbita. João Luiz Gomes, de 32 anos, exercia a actividade de tradução desde meados da década de 80, tendo trabalhado para várias editoras, entre as quais a Presença, Edições 70 e Bertrand, além de ter colaborado igualmente neste domínio no vespertino «A Capital». Contam-se entre as obras por ele traduzidas títulos como «Lettres à Sartre», de Simone de Beauvoir, ou «Freud's Vienna and Other Essays», de Bruno Betelheim. Desde 1991 que era colaborador regular e dedicado do PÚBLICO, tendo traduzido largas dezenas de textos, em inglês, francês e italiano, sobre variados assuntos.

A CASA de Imprensa já apresentou o regulamento para o Prémio de Reportagem Norberto Lopes, a ser atribuído em Maio, no valor de 500 contos. As reportagens escritas, necessariamente publicadas em 1993, terão que ser enviadas até 24 de Março para a Casa da imprensa, com um original e seis cópias. Os jornalistas terão que ser portugueses e ter carteira profissional. O júri reserva-se o direito de não atribuir o prémio caso considere que os trabalhos candidatos não correspondam «minimamente à qualidade exigida».

«Se a noite for a dois, tire a camisinha só depois» é o spot que a Rádio Nova produziu para a campanha de sensibilização contra a sida, lançada em simultâneo nos doze países da Comunidade Europeira (CE), e na Hungria e Eslováquia, por rádios locais e nacionais.

Em Portugal, a Rádio Nova, do Porto, foi a única estação que aderiu à iniciativa, cuja coordenação pertence à estação britânica CSV Media, essencialmente vocacionada para este tipo de questões e que emite na Inglaterra, Escócia e Irlanda.

Pierre Lescure é o novo «patrão» da estação de televisão francesa Canal Plus. O até agora director-geral do canal por cabo foi ontem eleito por unanimidade como presidente do Conselho de Administração, sucedendo a André Rousselet, o criador e principal responsável pelo Canal Plus desde 1984.

Mas numa entrevista televisiva, Balladur desmentia qualquer intervenção na demissão de André Rousselet. «O que se passou na reunião do conselho de administração do Canal Plus não me diz respeito», afirmou o primeiro-ministro francês. Na mesma tecla voltava a tocar o porta-voz do Governo de centro-direita, Nicolas Sarkozy: «O Governo não interveio em nenhum momento, nem de perto nem de longe, nos negócios do Canal Plus, que apenas dizem respeito ao sector privado.»

Foto dos documentos e fotocópias de documentos em poder do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF):

3 -- Passaporte angolano de Vuvu Nsimba Grâce, nascida a 17 de Novembro de 1968 em Mbanza-Congo, solteira e residente em Brazzaville (Congo). A fotografia foi tirada exactamente do mesmo negativo que a utilizada no B.I. Zairense

Este Panda bebé chama-se Jini. Nasceu em Dezembro do ano passado no Jardim Zoológico de Pequim, na China. O pequeno Jini, que aqui se pode ver enroscado confortavelmente na sua mãe, Yong Yong, é a última coqueluche do Zoo chinês. É também a quadragésima terceira cria nascida em cativeiro desde 1963.

Entre as duas declarações cabe o imenso processo de intenções e acções dos 73 inculpados no julgamento das FP 25, iniciado a 23 de Julho de 1985, em Monsanto. De um lado, a manutenção de uma «firmeza revolucionária», sustentando que «as FP 25, enquanto organização clandestina, não são para discutir publicamente» (Helena Carmo ao «Expresso» de 3/3/90). Do outro, a presunção, da parte de quem inquiriu os incriminados, de que as motivações de muitos dos arguidos reduziam-se a mero oportunismo pessoal.

Os beijos trocados pelo Presidente Itamar Franco com uma jovem seminua no Carnaval do Rio de Janeiro foram alvo de críticas severas de políticos, juristas e líderes religiosos do Brasil. Mas o presidente já disse não ter visto «nada de mais».

Depois do escândalo provocado pelo Presidente na Passarela do Samba, quando se deixou fotografar de mãos dadas com uma modelo que vestia apenas com uma curta "T-shirt", sem roupa interior, as discussões sobre ética na política brasileira saíram do âmbito exclusivo da corrupção para envolver também a conduta moral dos homens públicos.

Michael Jackson foi declarado inocente das acusações de plágio lançadas contra ele por uma autora de Denver. Chrystal Cartier afirmava que o autor de «Dangerous», o último sucesso da estrela «pop», escrevera a canção copiando uma outra que ele mesmo compusera, em 1985.

Há algumas semanas, o cantor norte-americano fora já inocentado de outra acusação de plágio, segundo a qual ele copiara as canções «Thriller», «We are the world» e ««The girl is mine».

O «número um» da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, almirante Frank Kelso, anunciou terça-feira que passaria antecipadamente à reserva para tentar apaziguar o «caso Tailhook», um escândalo de assédio sexual que há dois anos sacode a instituição.

O almirante de quatro-estrelas é a segunda figura da hierarquia do Estado a demitir-se por causa do escândalo «Tailhook». Em 1991, o então secretário de Estado da Marinha, Lawrence Garrett, seguia o mesmo caminho.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras não considera encerrado o episódio da Portela. Agora, depois da decisão de uma juíza que permitiu a entrada de Vuvu e da filha em Portugal -- com um visto para 60 dias --, vai dar-lhe um mês para saírem do país. O contra-ataque dos serviços do MAI chegou ao marido de Vuvu, que se pode ver a braços por, entre várias acusações de burla e falsificação de documentos, ter beneficiado de subsídios no valor de mais de mil contos enquanto suposto «refugiado zairense».

Para o SEF, a juíza Graça Araújo, do TIC, pronunciou-se sobre o «habeas corpus», mas «não tem competência para apreciar a legalidade do acto administrativo» de recusa de entrada -- o que, aliás, ela não fez. Por outras palavras, Graça Araújo deliberou que Vuvu não podia estar presa -- o que Serviço de Estrangeiros diz acatar, mas contrapondo o argumento de que há uma decisão da entidade responsável, o MAI, a a qual determina que Vuvu e Benedicte não podem estar neste momento a pisar território nacional.

A montanha Oat, localizada nas proximidades de Los Angeles, cresceu entre dois a três centímetros em consequência do sismo que abalou a região a 17 de Janeiro. Foi a agência espacial americana NASA que informou, acrescentando ainda que a montanha se encontra agora três centímetros mais a sul. A NASA baseou-se nos dados fornecidos por um laboratório situado em Pasadena, Califórnia. Ainda segundo a NASA um dos cumes, com 1103 metros, que domina o vale de São Fernando, registou fortes oscilações durante alguns segundos, tendo crescido 38 centímetros. Mudou também de lugar: 16 centímetros para norte e 14 centímetros para oeste. A NASA regista os movimentos rochosos que se verificam através de 45 estações ligadas aos instrumentos do GPS (Global Positioning System), que consiste numa rede de 24 satélites a uma órbita de 20 mil quilómetros de altitude.

Uma mulher de 49 anos residente na Coreia do Sul acaba de apresentar queixa contra o Instituto Médico da Coreia alegando ter perdido a virgindade durante um exame médico. A «menina» Yang, como é identificada pela comunicação social sul-coreana, reclama agora do Instituto uma indemnização de 93 mil dólares, qualquer coisa como 16 mil contos. A razão adiantada é a seguinte: durante um exame médico destinado a detectar a existência de cancro no útero, foi-lhe rasgado o hímen. Isto aconteceu em Maio de 1993. «Fui virgem durante toda a vida», afirma Yang que acrescenta: «O Instituto deveria ter-me avisado previamente dos perigos que eu corria ao fazer o exame médico.»

A CASA de Imprensa já apresentou o regulamento para o Prémio de Reportagem Norberto Lopes, a ser atribuído em Maio, no valor de 500 contos. As reportagens escritas, necessariamente publicadas em 1993, terão que ser enviadas até 24 de Março para a Casa da imprensa, com um original e seis cópias. Os jornalistas terão que ser portugueses e ter carteira profissional. O júri reserva-se o direito de não atribuir o prémio caso considere que os trabalhos candidatos não correspondam «minimamente à qualidade exigida».

Convocado para solucionar o vazio de liderança criado na estrutura local do PSD, na sequência da demissão colectiva dos seus responsáveis após a despromoção do Famalicão, realizou- se em 14 de Outubro de 1988 um plenário local do partido, que contou com a participação de Marques Mendes, que então presidia à Comissão Política Distrital de Braga dos sociais-democratas.

Passo a passo, quer dizer, filme a filme, Bergman foi caminhando para o centro de qualquer coisa terrível, para um pesadelo onde o horror é o vazio, um vazio que penetra no corpo e preenchendo-o torna-o intensamente doloroso. Recorde-se que o cinema de Bergman resiste a toda e qualquer leitura psicanalítica, pela simples razão que o seu cinema, por mais que aparente o contrário, é demasiado simples, passe a redundância. É afinal este o desafio de Bergman: depurar de tal modo as imagens, encostar-se com tamanha insistência aos rostos e aos corpos das actrizes (é um cinema radicalmente masculino por isso só mostra mulheres), que nesse acto de posse, nessa quase consentida violação, tudo o que se vê é tudo o que é. Deve, portanto, haver poucos cineastas mais tácteis do que Ingmar Bergman.

É um pesadelo este filme porque assim nasceu; Bergman conta que o realizou devido á persistência com que uma imagem o perseguiu de modo incessante durante meses, cada vez que fechava os olhos: eram três mulheres, de branco, que murmuravam qualquer coisa numa sala vermelha.

Projecto ambicioso e, de certo modo, um pouco «desvairado», «O Navio» veio confirmar os excessos oníricos que pelo menos desde «Oito e Meio» tinham marcado a obra de Federico Fellini. O encontro entre Fellini e o mundo dos intérpretes musicais já se tinha efectuado no controverso «Ensaio de Orquestra», onde a relação entre a figura caricata do maestro e os demais membros da orquestra era vista em termos de alegoria política. Em «O Navio» é de novo dado à música um papel preponderante, mas desta feita é a ópera que surge como tónica dominante, tanto ao nível da banda sonora propriamente dita, como na opção seguida para a «mise-en-scène» do filme. Com efeito, a categoria «cinema como ópera» foi raramente levada a limites mais excessivos, mas como sucede frequentemente no cinema de Fellini, o resultado é desconcertante, a ponto de resvalar (quase) no absurdo completo.

Obra «decadente» sobre a própria decadência, «O Navio» surge como um filme desigual, juntando à linguagem moderna do cinema o arcaismo do achado arqueológico, instituindo regras e criando expectativas que acabam por se desintegrar no delírio da descontinuidade, marca principal do estilo do autor. Um filme que exige ser «amado», e não «analisado», mas que convida o espectador a experimentar aquilo que Fernando Pessoa tão expressivamente denominou o «amor frio». Em suma, uma curiosidade, um «camafeu» já fragmentado, a não perder.

Mais espectáculo, mais entretenimento, mais concursos, mais programas nacionais do género a que se convencionou chamar de "variedades". A TVI -- Quatro aposta em programas destinados ao «grande público», tentando aumentar os níveis de audiência e as suas receitas publicitárias. Um ano depois do lançamento, ficou para trás a programação destinada às classes C e D, como há um ano se afirmava. Objectivo, agora, o público urbano, classes A e B. A Amiga Olga já não promove a "imagem de marca" da Quatro. Antes O Jogo do Ganso, com o qual atingiu os seus mais altos valores de audiência média. É assim, agora, a "televisão de inspiração cristã".

A emissão de domingo, comemorativa do aniversário da «televisão de inspiração cristã», tem início às 00h50, onde serão apresentados quatro filmes de seguida. A selecção desta maratona de cinema, com cerca de sete horas de duração, esteve a cargo de Lauro António, tendo a sua escolha recaído sobre os filmes «O Navio», de Federico Fellini (ver texto na página 8), «A Última Investigação», de Robert Benton, «O Charlatão», de Jerry Lewis, e «O Mundo Perdido», de Irwin Allen.

O produtor responsável pelas ficções portuguesas Banqueira do Povo e Viúva do Enforcado, Walter Arruda, da Máquina dos Sonhos, estreia amanhã três novos programas na TVI Quatro -- Maravilhas, Stravaganza, Pedidos e Achados --, que vão integrar o lançamento da nova grelha do "canal de inspiração cristã».

Para este programa está ainda prevista uma conversa com António Pinto, que consegue o feito de ser ao mesmo tempo cabeleireiro de Cavaco Silva e de Mário Soares. Semanalmente, a publicidade terá uma rubrica própria em Maravilhas, sendo apresentados diversos anúncios, divididos por temas, à semelhança do que já foi feito por José Nuno Martins na RTP, com o seu 1000 Imagens.

Gente Remota regressa em Setembro -- Carlos Brandão Lucas e a sua série documental Gente Remota voltarão ao mapa-tipo da RTP do próximo Inverno. Brandão Lucas -- que assegura ele próprio nove dos treze programas deste novo "pacote" que começará a ser exibido em Setembro -- já tem filmagens prontas da Índia, Canadá e do Chile. Em Junho, partirá para o Brasil para recolha de imagens com vista a três outros programas sobre a Bahia, Belo Horizonte e a Amazónia. Manuela Sousa Rama, com uma reportagem sobre os índios americanos, e Júlia Fernandes, com o reino perdido de Monomotapa, completam a nova série de Gente Remota.

Margarida Reis na SIC, em Março -- O CD terá ou não na capa Catarina, mas na SIC já há duas Chuvas de Estrelas: a dos cantores espontâneos "séniores", que regressará em Outubro; e a Mini-Chuva de Estrelas, já a partir de Março, apresentado por Margarida Reis, a actriz que, como já noticiámos, deixa a TVI e o concurso Queridos Inimigos.

A ideia para o argumento de «Perigo Incerto»/«Light Sleeper», o melhor filme de Paul Schrader dos últimos anos, veio ao cineasta num sonho em que insistentemente lhe aparecia um homem que ele conhecia -- seria depois a personagem interpretada por Willem Dafoe, John La Tour, um «drug dealer» que quer abandonar a profissão.

As mudanças da personagem contaminaram o filme, «Perigo Incerto»/ «Lightsleeper» tem um registo impressionista, nada se passa, a não ser o rosto fechado de Dafoe a percorrer uma Via Sacra, uma espécie de agonia em surdina que prepara uma santificação -- algo nele podia estar também no último Wim Wenders, «Tão Longe, Tão Perto», porque a solidão de La Tour é a mesma dos anjos. «Entrego a minha vida à providência/Entrego a minha alma à graça», diz uma canção e a certa altura um «suicídio» do alto dos apartamentos Grace Towers é noticiado com o título «Fall from Grace».

Eis o que pode parecer estranho: é tão difícil dizer que «Não Dês Bronca» é um bom filme, como jurar a pés juntos que não se gosta dele. Sucede isto algumas vezes em cinema e particularmente com Spike Lee, que tem sempre a faculdade de irritar mais do que provocar, sobretudo com a imoralidade latente e com a desarticulação ardilosa da narrativa dos seus filmes, sem, contudo, deixar de nos atingir de alguma forma. Porquê ? Porque deles se desprende uma sensação de verdade, por mais que isso nos custe e estranhe.

Mas a verdade deste filme, o «fil rouge» ao mesmo tempo estilístico e ético que o percorre, é tão patente e ao mesmo tempo subtilizada que mal damos por ela. É que «Não Dês Bronca» é um filme em forma de «rap», «hip hop», com um pezinho no jazz; começa e acaba com uma emissão de rádio e desenrola-se na rua, nesse território urbano que pertence à cultura negra americana, onde ela se manifesta à falta de outro lugar e onde explode. A congruência de Spike Lee avalia-se, portanto, nesse modo de descer à rua e trazê-la à tela, e sem lhe tocar no modo de ser, não deixa de a trabalhar de forma a destilar uma pura energia. Donde a violência permanente de «Não Dês Bronca» mesmo quando dá vontade de rir.

No Carnaval vestiam-me de minhota e ficava três dias sozinha na varanda, a lançar, para as árvores do Jardim Constantino, serpentinas que baloiçavam nos ramos até a chuva da Páscoa as desbotar. Eu era gorda nesse tempo: quando, aos 16 anos, entrei de aprendiza no senhor Armando, deixei de ser gorda e tornei-me forte. O meu padrinho, que almoçava connosco aos domingos para ouvir na telefonia o relato do Atlético, derivado ao aparelho dele passar a vida no prego, e que gostava de se mascarar de mulher, com lenço e «rouge», explicava, a mostrar os enchumaços do peito, que as senhoras deviam ser espaçosas, embora o médico de família afiance, depois de me pesar, que Noventa quilos quilos, Dona Aurora, aos 51 anos, não a quero ofender, mas talvez seja espaço a mais. E contudo, quando eu era nova, os homens preferiam que a gente não fosse uns esqueletos quaisqueres, e acho que foi por eu ser forte que o Sandokan se apaixonou por mim.

Desfiz-me do cãozinho da Auto Mecânica Manuel José Palhas Bexiga (Chapa & Pintura) anteontem: era terça-feira gorda, tarde de mais para alugar um vestido à minhota. No entanto, ainda fui a tempo de chegar à varanda, rasgar o calendário em tiras e lançá-las, como se fossem serpentinas, para as árvores do Socorro, onde hádem de ficar, baloiçando nos ramos, até a chuva da próxima Páscoa vir desbotá-las.

Foi como folhear um álbum de fotografias sem data nem geografia certa, dez dias à procura de uma qualquer certeza, de uma identidade que se sumia debaixo dos pés e da alma ou que vinha de súbito, em golfadas, podia eu estar em Braga ou em Lisboa, no Lobito de África ou no Brasil de Minas Gerais. Ou em parte nenhuma, as imagens sobrepunham-se, confundiam-se, foi sempre assim numa passagem demasiado breve e tão longa de marcas, maravilhas e penas.

Agora é o olhar que se deslumbra com a aurora anunciando sobre a praia o novo dia de calor, o mar do Índico coberto pelo véu de neblina anunciando também ele o desabar do calor e do sol, a linha branca das ondas desfazendo-se em espuma na areia, o sabor ácido dos frutos tropicais, as palmeiras sempre ali.

Os Jogos Olímpicos de Inverno que no passado dia 12 tiveram início nas montanhas geladas da Noruega, junto à estância de Lillehammer, reacenderam na memória o triste destino da cidade mártir de Sarajevo. Uma década passada sobre os jogos que ali começaram, em pomposa cerimónia olímpica, a 8 de Fevereiro de 1984, a guerra varreu quase todos os sinais de uma festa que era já paradigmática na antiga Jugoslávia: o estádio de Kosevo é hoje um cemitério, o palácio de gelo de Zetra sucumbiu aos morteiros, o complexo de patinagem de Skenderija serve de abrigo a muitos desalojados de guerra, as pistas desportivas do monte Trebevic estão agora ocupadas por tanques e metralhadoras sérvias que fustigam diariamente a cidade. Ao alegre inverno dos jogos sucedeu o inverno triste da guerra, ainda sem fim à vista.

É precisamente nesta ausência de turistas estrangeiros que reside o encanto do país. Ao contrário dos países vizinhos, como a Tailândia e o Nepal, a Terra dos Bengalis está em estado puro, não adulterado.

O estado de saúde do guitarrista Carlos Paredes agravou-se ontem, precisamente no dia em que comemorou o seu 69º aniversário, soube a Lusa, junto do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde o artista se encontra internado desde Dezembro. Uma fonte hospitalar declarou à Lusa que o guitarrista «entrou em coma» durante algumas horas, tendo já «recuperado» a consciência, embora se encontre «muito prostrado». Segundo a mesma fonte, Paredes mantém uma situação neurológica «muito melhor» do que quando da sua entrada em Santa Maria.

BENFICA ELIMINADO NO BASQUETEBOL -- A equipa de basquetebol do Benfica perdeu ontem, na Luz, todas as esperanças de se qualificar para a fase final do Campeonato da Europa de Clubes ao sair derrotada frente aos espanhóis do Joventut Badalona, por 78-89, na penúltima jornada do Grupo B. Ao intervalo, os visitantes já venciam por 38-40.

Irlanda do Norte já tem seleccionador -- Bryan Hamilton, de 47 anos, foi ontem designado seleccionador nacional da Irlanda do Norte, em substituição de Billy Bingham, que decidiu retirar-se. Hamilton foi 50 vezes internacional por aquele país e jogou em clubes ingleses: Ipswich, Everton, Millwall e Swindon Town. A Irlanda do Norte, juntamente com a República da Irlanda, Áustria, Letónia, Liechtenstein, é adversária de Portugal no Grupo 6 de apuramento para o «Europeu» de futebol de 1996.

GOVERNO DA MACEDÓNIA REÚNE-SE DE EMERGÊNCIA -- O Governo da Macedónia (FYROM, «Former Yugoslav Republic of Macedonia») reuniu-se ontem à tarde de emergência após a decisão da Grécia em fechar o seu consulado em Skopje, capital desta antiga república da Jugoslávia, e o porto de Salonica aos aprovisionamentos destinados à Macedónia. Segundo observadores em Skopje, citados pela AFP, a decisão grega, tomada no âmbito da luta de Atenas contra a designação do país, a mesma que tem a sua província da Macedónia, «desestabiliza» ainda mais a situação já tensa nos balcãs. (Ver pág. 10)

MANDELA CEDE À DIREITA -- O Presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), Nelson Mandela, disse ontem que o seu partido encara a hipótese de uma certa autonomia de algumas províncias do país, exigência a que os partidos da Aliança da Liberdade (conservadores brancos e negros) condicionam a sua participação nas próximas eleições. O líder do ANC, citado pela Reuter, admitiu esta solução numa conferência de imprensa que deu antes de abandonar o país para uma visita oficial aos Países Baixos, afirmando ainda concordar com dois boletins de voto, respectivamente para as eleições nacionais e provinciais dos dias 26 e 28 de Abril. «Devemos levar a sério os riscos de guerra civil e este é o motivo porque fizemos este compromisso», disse o líder do ANC, agora citado pela AFP. Entretanto, em Kempton Park, arredores de Joanesburgo, a Comissão Eleitoral Independente anunciou que a legalidade das primeiras eleições multirraciais da África do Sul será supervisionada, nas suas nove mil secções de voto, por 180 mil observadores.

MANDELA CEDE À DIREITA -- O Presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), Nelson Mandela, disse ontem que o seu partido encara a hipótese de uma certa autonomia de algumas províncias do país, exigência a que os partidos da Aliança da Liberdade (conservadores brancos e negros) condicionam a sua participação nas próximas eleições. O líder do ANC, citado pela AFP, admitiu esta solução numa improvisada conferência de imprensa que deu no aeroporto de Joanesburgo, antes de abandonar o país para uma visita oficial aos Países Baixos. «Devemos levar a sério os riscos de guerra civil e este é o motivo porque fizemos este compromisso», disse o líder do ANC. Mandela precisou que se trata nomeadamente de inscrever entre os princípios constitucionais o direito «à autodeterminação», de uma disposição estabelecendo «um mecanismo e um processo permitindo encarar a questão» de um «Volkstaat» (estado afrikaner separado), e ainda do eventual alargamento dos poderes das futuras nove províncias sul-africanas. Entretanto, em Kempton Park, arredores de Joanesburgo, a Comissão Eleitoral Independente anunciou que a legalidade das primeiras eleições multirraciais da África do Sul, marcadas para os dias 26 a 28 de Abril, será supervisionada, nas suas nove mil secções de voto, por 180 mil observadores.

A demissão de Reguengo da Luz, presidente da distrital do Porto do PSN, vai ser acompanhada, nos próximos dias, por outros militantes, que já manifestaram ao dirigente local demissionário a sua indisponibilidade para permanecer no partido. A causa próxima da demissão de Reguengo da Luz, opositor de Manuel Sérgio, prende-se com a organização do congresso marcado para o próximo dia 19, em Aveiro, que começará com a apresentação e votação das listas concorrentes aos órgãos nacionais e terá uma duração efectiva de aproximadamente cinco horas. Reguengo da Luz acusa o grupo de Sérgio de tentar «manipular» o congresso, impedindo o debate, bem como de ter enviado aos coordenadores concelhios uma circular alertando contra alegadas «tentativas de boicote» por parte da oposição.

Antonio Ti Luo, 45 anos, é acusado pelas autoridades chinesas de ter lesado o Estado chinês em 50 milhões de dólares (cerca de 8,8 milhões de contos), que alegadamente roubou da empresa onde trabalhava. A China acusou Ti Luo com base no artigo 152 da Lei Criminal nacional, que prevê, após ter sido revista em 1982, a pena de morte para casos de burla «em que as circunstâncias são particularmente sérias».

Almeida Santos, líder parlamentar do PS, admitiu ontem ao PÚBLICO «ter a impressão que se está a aproximar o momento de pensar numa nova amnistia». As prisões voltam a estar abarrotadas, os processos das FP-25 estão longe de uma solução jurídica e «não se pode estar à espera que o Presidente da República assuma pela via do indulto aquilo que o Parlamento se recusa a assumir».

O CDS mantém-se radicalmente contra, tal como Narana Coissoró exprimiu na semana passada no debate da SIC, não tendo sido contrariado pela direcção centrista. Quanto ao PSD, a questão -- extremamente incómoda para os sociais-democratas -- não tem sido debatida.

Ao princípio da tarde de ontem acabou. A greve de fome dos três elementos do caso FUP/FP-25 ainda presos terminou ao fim de 31 dias. Teodósio Alcobia, Couto Ferreira e Aldino Mendes querem demonstrar «alguma flexibilidade» às instituições que se manifestaram interessadas em encontrar uma solução: a Presidência da República e o Conselho Superior da Magistratura, que prometeram esforçar-se para pôr fim à situação de quase prisão perpétua em que se encontram. O PÚBLICO conta os pormenores da proposta em estudo pelo órgão máximo da magistratura portuguesa.

Depois de uma visita ao hospital-prisão de Caxias de dois elementos da comissão Solidariedade Contra a Repressão (SCR), Helena Carmo e José Ramos dos Santos, de um elemento do PSR, Alfredo Frade, e do líder da UDP, Mário Tomé, entre outros dirigentes de esquerda, os presos decidiram pôr fim à greve. «O objectivo de desbloquear o silêncio existente em torno da situação dos três presos foi conseguido depois das audiências mantidas com várias instituições. Por isso eles decidiram mostrar alguma flexibilidade», disseram ao PÚBLICO os elementos da SCR Helena Carmo e José Ramos dos Santos.

Os sinais de boa vontade recebidos do Conselho Superior da Magistratura e da Presidência da República para resolver o caso, levaram os presos do caso FUP/FP-25 a terminar a greve de fome. Foi ao fim de 31 dias e com o objectivo de mostrar «alguma flexibiidade». As atenções centram-se numa proposta que o Conselho Superior da Magistratura está a estudar e que passa pela fusão de todos os processos num único julgamento. Aí ficará feito o tão desejado cúmulo jurídico das penas. Isto, enquanto o líder parlamentar do PS admite que se aproxima o momento de voltar a pensar numa amnistia.

Entre as duas declarações cabe o imenso processo de intenções e acções dos 73 inculpados no julgamento das FP 25, iniciado a 23 de Julho de 1985, em Monsanto. De um lado, a manutenção de uma «firmeza revolucionária», sustentando que «as FP 25, enquanto organização clandestina, não são para discutir publicamente» (Helena Carmo ao «Expresso» de 3/3/90). Do outro, a presunção, da parte de quem inquiriu os incriminados, de que as motivações de muitos dos arguidos reduziam-se a mero oportunismo pessoal.

A Lista E, que nos dois últimos anos venceu as eleições na Associação Académica de Coimbra (AAC), não resistiu à anunciada saída de António Vigário no final deste mandato. O desmembramento, que já era previsível (ver PÚBLICO de 14/1/94) quando se começaram a discutir nomes de eventuais sucessores, confirmou-se numa reunião na quarta-feira à noite, quando Fernando Pompeu e Jorge Correia anunciaram que iriam avançar com listas próprias, tal como já tinha feito Tiago Magalhães.

Por isso mesmo ninguém vai poder reivindicar a letra E para a sua equipa: a lista tal como era desapareceu e Vigário não apoia explicitamente ninguém, embora esteja disposto a dar o seu apoio pessoal a todos os candidatos que o procurem.

Os estudantes da Universidade de Aveiro vão escolher a futura direcção da Associação Académica no dia 1 de Março entre três listas constituídas por elementos que partem para a disputa sem terem passado por qualquer das anteriores direcções. A ida às urnas será antecedida por uma campanha eleitoral que decorre durante a próxima semana, estando marcado para quarta-feira um debate entre as listas concorrentes, lideradas por Cristina Inocentes, Luís Alberto Baptista e Luís Daniel Mendes. O cansaço provocado pelas lutas contra as propinas e a necessidade de concluir os cursos determinaram a ausência dos anteriores dirigentes associativos que fazem questão de «mostrar trabalho» a quem ganhar as eleições. «Dignificámos a Associação Académica de Aveiro e colocámo-la entre as mais importantes do país», afirma o presidente cessante, Miguel Rodrigues, que, entre as principais realizações a sua gestão, refere «a redução substancial do passivo financeiro e a melhoria das infra-estruturas de apoio ao desporto». Se, na segunda feira, nenhuma das listas conseguir a maioria, dois dias depois haverá uma segunda volta com as duas listas mais votadas.

O 20º aniversário da Universidade do Minho foi ontem comemorado numa cerimónia em que Veiga Simão recebeu o doutoramento Honoris Causa. O reitor e a Associação Académica do Minho aproveitaram a presença da ministra da Educação para tentar obter algumas respostas. Em vão. E os estudantes garantem que a contestação vai aumentar.

Amélia Muge e Rão Kyao actuam como nomes de cartaz no «Cantar José Afonso», iniciativa que há sete anos se realiza em Setúbal. Amélia Muge canta no dia 25 deste mês, no Fórum Municipal Luísa Tody, pelas 21h30, actuando na primeira parte o grupo D'Tráz da Guarda. No dia seguinte, 26, é a vez de Rão Kyao se apresentar na mesma sala e à mesma hora, estando a primeira parte a cargo da Banda do Andarilho e do grupo Olhos da Noite. A organização é do Círculo Cultural de Setúbal, que este ano comemora o 25º aniversário da sua fundação, em 1969, tendo como um dos sócios fundadores José Afonso.

Belfast, final dos anos 60: Gerry é jovem e «apolítico», vive de «expedientes» e joga ao gato e ao rato com o IRA e com os soldados britânicos. A situação é explosiva. Para evitar sarilhos ao filho, o pai envia-o para Londres, onde Gerry se instala numa comunidade «hippie», ouve Bob Dylan e fuma «marijuana». A 5 de Outubro de 1974, uma bomba explode num «pub» de Guilford e mata cinco pessoas. Outros atentados seguem-se, e Gerry e um amigo, Paul, são presos, espancados, ameaçados e acabam por assinar uma confissão. Depois será a vez do pai de Gerry, de um casal de amigos, da tia e dos filhos acusados de fabricar as bombas na cozinha.

Resolver o problema da sede, angariar fundos e aumentar os sócios de forma a fazer da Sociedade de Língua Portuguesa ( SLP) um «centro vivo» são as prioridades da nova direcção que hoje toma posse. Ter um pavilhão da língua portuguesa na EXPO-98 é outra proposta do programa.

«A SLP vive numa fase extremamente crítica da sua existência por força do desastre que ocorreu no prédio e que impede a sociedade de fazer uma gestão correcta da sua vida», explicou Adalberto Alves ao PÚBLICO. «Era um centro vivo de cultura onde se faziam conferências, as pessoas apareciam e iam à biblioteca, faziam um pouco de tertúlia. Depois do sinistro ficou esquartejada. Tem os serviços administrativos num lado, faz os seus cursos noutros sítios, tem a biblioteca guardada na Biblioteca Nacional onde não pode ser consultada», acrescentou o presidente da SLP, autor de vários livros de poesia e de «O Meu Coração é Árabe -- A Poesia Luso-Árabe» (ed. Assírio & Alvim).

Manuel Castro Caldas é, desde o início do mês, o novo director executivo do AR.CO -- Centro de Arte e Comunicação Visual. Sucede a Manuel da Costa Cabral, nomeado director do serviço de Belas Artes da Fundação Gulbenkian. Castro Caldas, diplomado em História da Arte pela Universidade de Nova Iorque/Institute of Fine Arts, está ligado ao AR.CO deste 1985. É ali responsável pelo departamento de História e Teoria da Arte. Além de ter comissionado várias exposições individuais e colectivas, em Portugal e no estrangeiro, é autor de vários textos críticos e de ensaio sobre artistas contemporâneos. Desde 1986, é responsável pela colecção de arte contemporânea portuguesa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

John Cale regressa a Portugal para apresentar os concertos que tinha prometido para 1993 e que nunca chegou a concretizar por causa da súbita reformulação dos Velvet Underground. Agora vem apresentar -- no Teatro São Luiz, em Lisboa, hoje e amanhã, pelas 21h30 -- novos concertos de canções, que não se afastarão muito daqueles que já deu em Lisboa. Mas onde também vão ser apresentadas algumas canções novas, e onde se esperam atmosferas de um romantismo solene à mistura com explosões de uma visceralidade furiosa (ver texto PÚBLICO, no suplemento «Pop-Rock» da passada quarta-feira).

A viúva de Oskar Schindler, personagem principal do último filme de Steven Spielberg, «Schindler's List», discorda totalmente da imagem que o filme apresenta do seu marido e afirma que deviam ter falado com ela primeiro. «Eu é que fazia tudo, não ele», explicou ao jornal «Miami Herald». «Schindler's List» baseia-se no romance do australiano Thomas Keneally, e o próprio admitiu que teria feito alterações ao seu livro se tivesse falado com a viúva de Schindler. O homem que deu origem ao livro e ao filme morreu em Frankfurt, em 1974, e teve um funeral com todas as honras em Israel por ter ajudado a salvar 1200 judeus, empregando-os na sua fábrica ao mesmo tempo que convencia os nazis a poupá-los. Schindler deixou a mulher em 1957, na Argentina, e esta teve de recorrer à caridade para sobreviver.

Não chegou a uma centena o número de pessoas que acorreram, na noite de quarta-feira, ao auditório da Exponor, em Matosinhos, onde os Solistas do Porto e o pianista portuense Pedro Burmester fizeram um concerto para a campanha «ÁfricAmiga», iniciativa apoiada pela Associação Industrial Portuense. Mas os que quiseram solidarizar-se com a iniciativa puderam assistir a um belo serão musical, com os Solistas do Porto e Pedro Burmester a oferecerem interpretações brilhantes, respectivamente, de obras de Carl Maria von Weber e Franz Liszt. Isso mesmo foi ressaltado pelo secretário de Estado da Cooperação, Briosa e Gala, que depois de considerar «notável» o espectáculo a que assistira, destacou a descentralização e a receptividade que a campanha «ÁfricAmiga» vem tendo junto dos artistas de diversas áreas, e nomeadamente nas artes plásticas, em que uma mostra colectiva de pintura está actualmente patente em Braga (no Museu dos Biscaínhos, até ao próximo dia 22), depois de ter sido mostrada na CulturGest, em Lisboa.

«Corol.la» é uma peça ritualista, que celebra os ritmos da natureza, a fertilidade da terra e a renovação do tempo. O movimento da coreógrafa-intérprete é circular, fluído, enérgico, quase extático, acompanhado por uma música para cordas com tonalidades do sul.

O solo desenvolve-se em vários momentos, estando sempre presentes o círculo, a espiral, o rodopio e as voltas, que constituem os temas coreográficos. Movimentos que se fecham sobre si e que evocam uma concepção ritualista da vida e do mundo. Dimensão que se reforça pela introdução das flores, dos frutos e do feno, elementos cénicos com os quais a coreógrafa-intérprete se relaciona coreograficamente, como se de uma celebração da natureza, da fertilidade da terra e da renovação do tempo se tratasse. Na primeira parte, a dança é terrestre, na segunda, aérea e, na última, mais violenta, fragmentada e interceptada pelos elementos cénicos referidos.

Os seminários sobre «os portos e a competitividade da indústria portuguesa» organizados pela Fernave já se realizaram em Lisboa e Aveiro. Aqui, discutiu-se um pouco de tudo, embora não tenham surgido conclusões. Mas anunciaram-se novidades. Espera-se agora que um encontro idêntico se realize em Leixões...

É certo que, com menos 30 por cento de trabalhadores portuários, esperava-se que a factura portuária baixasse de imediato. Mas parece que ainda não se sentiu qualquer poupança. Conceição Magalhães, da Têxteis Manuel Gonçalves, observou mesmo: «[Em Leixões], depois de findo o Esquema Portuário Complementar de Reformas, não vi alteração na factura...» E chamou a atenção da Administração dos Portos do Douro e Leixões para o facto. O director comercial da APDL, Oliveira Mendes, salientou porém que agora não pode aparecer na factura a taxa do EPCR, nem a taxa adicional exclusiva de Leixões, o que leva a uma poupança de nove contos por contentor.

A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) estabeleceu com um gabinete de advogados espanhóis especialistas em transportes rodoviários, com sede em Madrid, um acordo pelo qual aquela firma passa a assegurar a todos os seus associados assessoria jurídica em matérias relativas ao transporte de mercadorias com Espanha, desde que detentores de licença internacional. O apoio jurídico abrange a análise de documentos contratuais, a reclamação e defesa por danos ou demora na entrega de mercadorias, reclamação e defesa por não pagamento de portes, gastos e paralisação de veículos, intervenções junto das Juntas Arbitrais de Transporte, ou noutras matérias, como o seguro decorrente das obrigações devidas pelo contrato de transporte, além das questões relacionadas com a responsabilidade civil do transportador em caso de acidentes de viação. A firma espanhola de advogados prestará gratuitamente aos associados da ANTRAM todo o tipo de informações breves, assim como intervirá directamente em sua defesa perante os órgãos da administração espanhola. Quando tiverem de comparecer perante juízes e tribunais espanhóis, de qualquer instância, os transportadores portugueses terão apenas que responder por 50 por cento e 40 por cento da tabela de honorários mínimos estabelecida pela Ordem dos Advogados de Espanha, respectivamente para a jurisdição civil ordinária e especial ou para a jurisição penal. Acrescerão, apenas, as despesas de propusitura de acções, contas de procuradores, deslocações ou outras. O acordo firmado surge em consequência «do aumento do número de transportadores portugueses que intervêm no tráfego internacional desde a abertura do Mercado Único, muito em especial em Espanha», afirma o secretário-geral da ANTRAM, Carlos Cazenave.

Na primeira reunião de 1994, o conselho de administração do porto autónomo do Havre elegeu o seu novo presidente: Eric Leloup. Este françês fará equipa com Didier Chabrol, vice-presidente, e com Jean-Pierre Bonon, secretário. Eric Leloup é membro do conselho de administração do porto autónomo do Havre desde Julho de 1989 e titular da Câmara de Comércio e Indústria do Havre. Além disso, o novo presidente dirigiu, de 1985 a 1989, o sindicato dos transitários e é membro do conselho de administração da federação francesa dos organizadores comissiários de transporte.

O novo regulamento de tarifas da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL) já foi aprovado pelo Governo e entrará em vigor em breve. O novo regulamento revoga o aprovado pelo Decreto-Regulamentar nº 34/86, de 26 de Agosto, e corrige a sua estrutura. Os objectivos do novo regulamento, enunciados no seu preâmbulo, são a simplificação da matéria tarifária, «reduzindo substancialmente o número de artigos», a redução da taxa do porto, «visando atenuar a distorção que esta apresentava na estrutura do tarifário em vigor», e a actualização das tarifas por serviços prestados, «procurando aproximá-las ao respectivo custo contabilístico».

Quando, no início deste mês, foi publicada pelo Governo a Portaria nº 69/94, fixando as novas taxas com um agravamento médio de 12 por cento, a comunidade portuária revoltou-se: empresas operadoras como a Sofrena disseram que a portaria «contraria todo o bom senso» e a Associação dos Operadores Portuários dos Portos do Douro e Leixões (AOPPDL), bem como a Associação Comercial do Porto -- Câmara de Comércio e Indústria do Porto também manifestaram a sua oposição ao diploma, porque não conduziria à harmonização das taxas dos portos nacionais.

Sporting, com seis jogadores, e Benfica, com quatro, são os clubes que mais jogadores nos trabalhos de preparação da selecção nacional de futebol de sub-21 para os quartos-de-final do Campeonato da Europa da categoria. Os convocados do seleccionador Nelo Vingada são os seguintes: Costinha, Nelson, Paulo Torres, Peixe, Figo e Capucho (Sporting); Paulo Santos, Abel Xavier, Rui Costa e João Pinto (Benfica); Bino, Tulipa e Sá Pinto (Salgueiros); Gil e Toni (Braga); Rui Bento (Boavista); Álvaro Gregório (Paços de Ferreira); Jorge Costa (FC Porto); João Oliveira Pinto (Estoril) e Brassard (Guimarães). Portugal irá tentar a qualificação para as meias-finais do «Europeu» frente à Polónia, em jogos marcados para os dias 7 e 23 de Março próximo.

A Liga dos Clubes deve reunir proximamente em Assembleia Geral para tratar do problema dos atrasos dos clubes nos pagamentos ao fisco (IVA, IRS e IRC) e que devem rondar, segundo os dados de que a Liga dispõe, cerca de três milhões de contos.

O russo Yevgeny Kafelnikov é a grande novidade da lista de inscritos para o Estoril Open, prova do ATP Tour que se realizará entre 28 de Março e 3 de Abril, no Estádio Nacional, no Jamor. A quinta edição deste torneio, dotada com 525 mil dólares em prémios, irá contar, pela primeira vez, com dois tenistas do «top 10»: o espanhol Sergi Bruguera e o ucraniano Andrei Medvedev.

Outro estreante de peso é o alemão Marc Goellner, actual 28º do «ranking», membro da selecção da Alemanha que, em Dezembro, triunfou na Taça Davis. Goellner, que nasceu no Brasil e por isso fala correctamente português, triunfou no ano passado no torneio de Nice, depois de vir do «qualifying», o que lhe permitiu subir 76 lugares no «ranking». Da Alemanha virão também Karsten Brassch (47º mundial) e Bernd Karbacher (65º).

O veterano alemão Markus Wasmeier conquistou ontem a medalha de ouro no slalom super-gigante masculino dos Jogos Olímpicos de Inverno de Lillehammer, a mesma prova onde participou o atleta português Georges Mendes, que não chegou ao fim por ter falhado uma porta. Markus Wasmeier, na foto festejando a vitória e o aniversário de um seu adversário norueguês, Atle Skardal, completou a prova em 1m32,53s.

Na base da vitória dos Heat, terceiros da Divisão Atlântico, estiveram Steve Smith (25 pontos) e Scott Williams (22), enquanto Scottie Pippen e B.J. Armstrong, ambos com 21 pontos, nos tricampeões, foram os mais esforçados. Os Bulls, que sofreram o seu terceiro insucesso em casa, jogaram sem Horace Grant e Toni Kukoc (lesionados) e repartem agora a liderança (14 derrotas) com os Atlanta Hawks.

A 4ª etapa da Whitbread levará a frota através do Pacífico Sul e cruzará o Cabo Horn, no extremo meridional da América do Sul. O português João Cabeçadas, a bordo do La Poste, dobrará o lendário promontório pela segunda vez.

A quarta etapa da Whitbread-Regata Volta ao Mundo, com 5914 milhas de percurso, entre a Nova Zelândia e o Uruguai, representa a última porção da rota nos mares austrais, ou seja, o melhor da Whitbread Race em termos de navegação. Somente nos oceanos Índico Sul (na segunda etapa) e Pacífico Sul (nesta tirada), a prova tem a oportunidade de experimentar a mais fantástica viagem marítima, através das vastas águas que correm livres ao redor do continente antártico, assinalando o fim do mundo. Sobre as ondas imensas e ao sabor dos ventos furiosos, voam magnificamente os albatrozes, habitantes da mais remota área do planeta.

O Sporting e a Associação de Futebol de Lisboa serão hoje notificados pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) da retenção das receitas dos jogos do clube de Alvalade, em virtude do «caso» da transferência do jogador Luís Manuel, da Ovarense, para os «leões». O prazo que o Sporting tinha para efectuar o pagamento do montante indemnizatório à Ovarense terminou na quarta-feira. A questão passou agora para as mãos da direcção da AF Lisboa e será debatida em reunião, na próxima terça-feira, mas sem a presença do seu presidente, Luís Duque, que se ausentará do país durante uma semana.

Nesta ordem de ideias, «a pena acessória é incompatível com as regras elementares do Direito». «As regras da FIFA, na sua pureza, não interferem na possibilidade de um jogador ser privado de praticar a sua profissão por factos que não lhe são directamente imputados», observa aquele dirigente. «Na minha tese, são penas acessórias que atingem profissionais quando o Regulamento de Transferências é fundamentalmente o regulamento de compensação entre clubes.»

A Letónia é o adversário ideal para Portugal iniciar e terminar a sua participação na fase de qualificação do «Europeu»-96 (Grupo 6). A análise é de Nelo Vingada, seleccionador nacional de futebol, que hoje, em Viena (Áustria), vai estar presente na reunião para estabelece do calendário de jogos.

Em contrapartida, Outubro, Novembro, Março e Abril são os meses «apetecíveis» para Nelo Vingada. Uma preferência, aliás, que vem na tradição dos treinadores que ultimamente têm passado pela Praça da Alegria. «É uma altura boa, porque os nossos jogadores estão em crescendo de forma nesses meses de Outono e o princípio do ano também é um período razoável», justifica Nelo Vingada. Marcar os jogos caseiros para os domingos é outro ponto na agenda de Nelo Vingada. Por duas razões: «Não só pela possibilidade de atrair mais público, mas porque o ciclo de competições é de domingo a domingo e assim é mantido o ciclo de treino e de vida dos jogadores.»

A decisão do Bundesbank de baixar a sua taxa de desconto não constituiu qualquer surpresa para os investidores alemães, que desde os últimos dias já a vinham a antecipar através de importantes compras. Levou, contudo, o mercado a realizar mais valias, o que deprimiu os índices. O DAX-30 desceu 0,37 por cento para se estabelecer nos 2128,72 pontos. Os analistas acreditam que esta tendência vai continuar, mas restam alguns factores positivos.

Numa sessão particularmente activa, as cotações dos títulos da Bolsa de Madrid subiram, com o índice Geral a terminar nos 347,98 pontos, mais 0,55 por cento. O mercado, tal como os seus congéneres europeus, foi beneficiado pela descida da taxa de desconto do Bundesbank, que além do mais abre as portas a idêntica decisão por parte do Banco de Espanha. Os analistas, pelo menos, estão confiantes. Destaque para os papéis dos bancos e eléctricas.

O anúncio de valores sobre a inflação norte-americana melhores do que os esperados -- a Reserva Federal subiu recentemente as suas taxas de curto prazo para impedir pressões inflacionistas -- foi especialmente bem acolhido pelos investidores. A meio da sessão, o índice Dow Jones estabeleceu-se nos 3947,12 pontos, um crescimento de 0,25 por cento relativamente ao fecho da sessão anterior. O volume era elevado, ultrapassando os 100 milhões de títulos.

Além da quebra da taxa de desconto do Bundesbank, que naturalmente influenciou o mercado no sentido positivo, a Bolsa de Zurique foi também beneficiada com a divulgação de dados optimistas sobre a evolução dos preços nos Estados Unidos. Os investidores reagiram bem às duas novidades, avançando com numerosas e importantes ordens de compra. No final do dia o índice Swiss Performance fixou-se nos 1948,1 pontos, mais 1,17 por cento.

As acções da ESAF-Espirito Santo Activos Financeiros serão admitidas à negociação no mercado sem cotações da Bolsa de Valores de Lisboa, no próximo dia 24 de Fevereiro, por um período de tempo limitado. O corretor encarregado da negociação é a ESER-Sociedade Financeira de Corretagem. São 2,35 milhões de acções que até 25 de Março o Grupo Espirito Santo vai passar pela bolsa numa operação de registo.

A Cisf - Banco de Investimento vai proceder ao pagamento, no próximo dia 4 de Março, dos juros correspondentes ao cupão nº7 das obrigações de caixa Cisf 92 / 3ª emissão. O juro líquido por obrigação é de 145$3125 e pode ser cobrado aos balcões do Banco Comercial Português, excepto para as obrigações integradas na Central de Valores Mobiliários, cujos juros serão pagos nesta entidade.

Os níveis de rendimento da população russa registaram um aumento considerável em 1993, o que correspondeu a um «boom» nas vendas de determinados produtos de consumo, conforme publica a edição de ontem do «Izvestia» citado pela France Press. Num artigo intitulado «O aumento do nível de vida: mito ou realidade», o economista russo Andrei Illarionov recorre a estatísticas oficiais para mostrar que, apesar do fenómeno da hiperinflação, os rendimentos na Rússia aumentaram durante o ano passado em nove por cento. Este ex-conselheiro governamental acrescenta que o consumo cresceu dois por cento e que, no caso das vendas de bens alimentares, os aumentos variam entre os cino e os 12 por cento. Artigos como detergentes e sabonetes são responsáveis por «records» de vendas, que subiram em 40 e 32 por cento, respectivamente. O número de televisores comercializados aumentou 34 por cento, aparelhos de rádio 45 por cento, frigoríficos 60 por cento e automóveis cerca de nove por cento.

Cerca de 480 mil desempregados foram registados na Holanda no trimestre que terminou em Janeiro passado, o que corresponde a um aumento de 32 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. É também o número de desempregados mais elevado desde o final de 1987, colocando a taxa de desemprego em 7,5 por cento - de acordo com os dados estatísticos oficiais. No ano passado, a taxa situou-se em 5,8 por cento, o que era equivalente a um total de 364 mil pessoas à procura de emprego.

O ramo de seguros de crédito externo da Cosec registou um aumento de 5,6 por cento em relação a 1992, tendo os capitais segurados atingido os 170 milhões de contos. O volume de prémios processados neste segmento de riscos comerciais foi de 890 mil contos, segundo uma informação prestada pela seguradora. As responsabilidades totais assumidas pela Cosec nas suas áreas de negócios -- seguros de crédito interno, crédito externo e caução -- ascenderam a 592 milhões de contos e os prémios a 3,1 milhões de contos, registando estes um aumento de 3,9 por cento em relação ao ano anterior. O seguro de crédito interno, com cerca de 43 por cento das responsabilidades, continua a representar a área de maior peso na carteira da seguradora, seguido pelo seguro de crédito externo com cerca de 29 por cento do total.

O Bundesbank surpreendeu ontem os mercados (e os analistas) ao optar por reduzir a sua taxa de desconto em meio ponto percentual, de 5,75 para 5,25 por cento. A taxa Lombarda manteve-se inalterada nos 6,75 por cento.

O mercado bolsista abriu ontem a sessão dando continuidade e maior evidência à tendência altista do dia anterior e, apesar de ter havido uma queda do volume de negócios intermediado pela Bolsa de Lisboa de 13,72 por cento, o certo é que o índice BVL registou uma subida das cotações de 1,67 por cento. Particularmente activo esteve o mercado da Dívida Pública, sobretudo depois de os operadores terem tomado conhecimento do facto de o Bundesbanck, o banco central alemão, ter descido meio ponto percentual às taxas directoras. A Secretaria de Estado do Tesouro também ajudou, ao tornar pública a intenção de acabar com a retenção na fonte e a dupla tributação na Dívida Pública.

Quanto ao resto, os títulos considerados apetecíveis pelo mercado, tipo Sonae Investimentos, BPA ou Totta, continuaram a registar valorizações consideráveis e volumes interessantes de liquidez. Devido à forte procura que o mercado tem sentido, a atenção dos investidores começa a dirigir-se para títulos tradicionalmente de menor liquidez, atirando para cima as cotações de títulos que se têm mantido mais esquecidos. Foi o caso da Fisipe (com 162.828 acções transacionadas a 1720 escudos) ou da Crisal, que apesar de ter negociado apenas 11.900 acções através de 44 pequenos negócios, registou uma das maiores subidas da cotação (18,31 por cento) passando dos 1420 escudos para os 1680 escudos. Explicações racionais para tal ainda não se vislubram, mas as análises mostram uma subida deste título em cerca de 60 por cento numa só semana.

Os mercados aguardaram com algum nervosismo o resultado da reunião quinzenal do conselho do Bundesbank que cortou em 0,5 por cento na taxa de desconto para 5.25 por cento, mantendo no entanto inalteradas a taxa lombarda nos 6.75 por cento e a taxa repo nos seis por cento (desde 22 de Outubro de 1993).

A provável proximidade de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e o Japão continua a não permitir a recuperação do dólar norte-americano. O marco/escudo abriu no nível dos 101.15/25 e oscilou entre 100.90 e 101.19 para fixar nos 101.088 (101.045 na sessão anterior). A moeda alemã perdeu algum terreno contra as restantes divisas europeias após a decisão do banco central alemão.

Os investidores não residentes que concretizem aplicações em dívida pública nacional vão deixar de ser tributados em Portugal. Uma medida ontem aprovada pelo Governo e que promete dinamizar o mercado daqueles títulos.

Esta decisão do Ministério das Finanças, prevista no Orçamento de Estado para 1994, promete colocar um ponto final nos factores de segmentação que vinham a prejudicar este mercado, conferindo-lhe maior dinâmica e liquidez, aspectos que beneficiam igualmente os investidores portugueses que vêem as condições de negociação da dívida pública a integrar no novo sistema substancialmente facilitadas.

O comissário da Expo-98, António Cardoso e Cunha, desafiou o Conselho Empresarial do Norte (CEN) para uma sessão-debate sobre a exposição. No fim de mais de duas horas de conversa, que decorreu ontem num hotel do Porto, chegou-se à conclusão que não estavam todos a falar da mesma coisa. Cardoso e Cunha quis esclarecer os empresários do Norte. Era a sua resposta ao CEN. O CEN havia criticado, pela voz do seu presidente, Amorim Martins, a excessiva concentração de recursos na região de Lisboa -- cerca de 1300 milhões de contos, segundo os seus próprios cálculos -- e o efeito de agravamento de assimetrias.

É que a Expo está a financiar-se junto da banca (13 instituições bancárias envolvidas para já) e prevê obter receitas com a comercialização do imobiliário. Neste ponto batem, aliás, algumas das incertezas mais importantes pois que, se o mercado não corresponder, alguém terá de pagar a factura. A Expo-98, disse Cardoso e Cunha, tem uma característica muito especial: na data acertada terá de ter as portas abertas ao público, sem atrasos.

O ICEP-Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal assinou ontem em Lisboa seis protocolos com instituições bancárias que prevêem a abertura de linhas de crédito, a taxas preferenciais, no valor de 11 milhões de contos e que se destinam a financiar planos de internacionalização das empresas portuguesas. A cerimónia de assinatura dos protocolos foi presidida pelo secretário de Estado do Comércio, Luís Palha.

O Japão deu ontem sinais de querer ceder às pretensões dos Estados Unidos, relativamente à abertura dos seus mercados, e divulgou que que aprovará medidas de urgência, até ao final da próxima semana, as quais responderão aos objectivos dos norte-americanos. De acordo com as agências de informação internacionais, um grupo de altos funcionários dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, Comércio Internacional e Indústria e das Finanças, propuseram a Morihiro Hosokawa, primeiro-ministro do Japão, que divulgue rapidamente «um plano voluntário» de abertura dos mercados nipónicos.

A sessão do mercado monetário voltou a ser caracterizada por um desequilíbrio entre a oferta e a procura de fundos, o que determinou a intervenção do Banco de Portugal a anunciar a cedência de liquidez ao sistema no montante de 150 milhões de contos, pelo prazo de um dia e à taxa de 10,375 por cento. As instituições de crédito absorveram 74.581 milhões de contos, contra a recompra de Bilhetes do Tesouro.

A ausência de qualquer entendimento entre os países produtores de petróleo e os receios de que a oferta continue superior à procura, tornaram produzir ontem efeitos no preço do barril de "crude" que desceu para níveis inferiores aos 13 dólares. Com efeito, na quarta-feira, o preço do Brent, o petróleo de referência do Mar do Norte, para entrega imediata cotou-se a 12,75 dólares, enquanto o Brent para entrega em Abril estava a 12,93 dólares.

Perto de um terço dos trabalhadores das administrações portuárias poderá ir para casa. Depois dos 12 milhões gastos pelo Estado no licenciamento de estivadores, eliminação do serviço da dívida e complementos de reforma, é dado um novo fôlego à diminuição da factura portuária.

Segundo disse ao PÚBLICO João Prates Bebiano, secretário de Estado adjunto e dos Portos, a maioria dos trabalhadores terão condições para manter o salário actual apesar de passarem à reforma. «Essa questão depende do curriculum contributivo de cada pessoa. Creio que 60 por cento está em condições de receber aquilo que recebem hoje, outros não chegarão a tanto, mas temos a convicção, pelos estudos que fizemos, que a medida vai atingir o fim a que nos propusemos».

O conselho de ministros aprovou ontem os termos da fusão da Telecom Portugal, TLP e TDP (Teledifusora de Portugal), operação que resultará na constituição da Portugal Telecom, sociedade que a prazo absorverá também a Marconi, dando lugar a um operador único no sector das telecomunicações dominado pelo Estado. O PÚBLICO apurou que o nascimento da nova empresa está aprazado para Abril próximo, aguardando-se ainda pelo fecho das contas de 1993 das três empresas envolvidas no processo, o que deverá suceder durante a próxima semana.

Os futuros avaliadores das empresas de telecomunicações do Estado deverão ser escolhidos na próxima semana pela administração da Comunicações Nacionais. Na corrida estão dez consórcios, dos quais serão destacados três e que são constituídos pelas seguintes instituições: BFE-Serviços Financeiros/Salomon Brothers/Baring Brothers e Arthur Andersen & Co; BPI/Schroeder e Lehman Brothers; Deutsche Bank de Investimento/Morgan Grenfell e Deutsche Bank AG; Efisa e S.G. Warburg; Banco ESSI/Union des Banques Suisses e Merryl Lynch; Banco Finantia/Swiss Bank Corp. e Morgan Stanley International; Banco Mello/N.M. Rothschild & Sons/Rothschild Portugal e KPMG; Cisf e Goldmann Sachs. O BNU e o BPA concorrem, também, em separado, à avaliação.

Os socialistas decidiram ontem tornar obrigatório um inquérito parlamentar ao caso Totta/Banesto, através do processo de recolha de assinaturas de um quinto dos deputados. Depois de o PSD ter inviabilizado o inquérito ao mesmo caso proposto pelos comunistas, a fórmula potestativa é a única que pode fazer avançar, neste momento, uma investigação parlamentar ao Totta.

O PS decidiu-se a avançar com a hipótese de inquérito parlamentar obrigatório no mesmo dia em que viu inviabilizada pelo PSD a sua segunda tentativa de audição parlamentar ao caso Totta. Os socialistas voltaram à carga, depois de o PSD ter "chumbado" a primeira proposta com o argumento de que era preciso primeiro ouvir o ministro das Finanças. Depois de Eduardo Catroga ter comparecido na Comissão de Economia, o PS continuou a não se considerar "esclarecido".

Depois do chumbo da Casa do Douro, o Governo estuda já uma nova versão do projecto de alteração institucional ao sector do vinho do Porto. Objectivo: expurgar questões susceptíveis de melindrar o organismo dos agricultores. Como a questão da sede, que, contra as previsões, os exportadores querem ver no Douro.

Para cumprir esta expectativa, a secretaria de Estado conta com a possibilidade de fazer baixar os diplomas em causa à Assembleia da República com o carácter de «máxima prioridade». Bianchi de Aguiar, presidente do IVP, considera, no entanto, que o pedido da Casa do Douro procura apenas «adiar» o processo. Mesmo admitindo introduzir nas propostas governamentais «pequenos ajustes», defende que o projecto de decreto-lei «é inegociável ao nível dos princípios». Esta apreciação, porém, deixa em aberto a possibilidade de a Casa do Douro manter o seu figurino de instituição pública, uma perspectiva contrária às teses dos exportadores.

A aspirina poderia evitar mais de 100.000 mortes prematuras causadas por ataques cardíacos e tromboses, anualmente em todo o mundo, segundo as conclusões de um grande estudo internacional (ver «O comprimido mágico», PÚBLICO de 12.1.94).

Os norte-americanos estão a fumar menos e os seus níveis de colesterol no sangue estão a descer, mas ainda correm um risco elevado de sofrerem ataques cardíacos. Segundo os Centros para o Controlo das Doenças (CDC) dos Estados Unidos, apenas 18 por cento dos norte-americanos não apresenta nenhum dos seis principais factores de risco responsáveis pelas doenças coronárias e essa percentagem encontra-se apenas no grupo etário dos 18 aos 34 anos. De qualquer forma, dois dos grandes factores de risco -- tabagismo e colesterol elevado -- decresceram substancialmente. Em 1965, cerca de 40 por cento dos norte-americanos adultos fumavam e em 1991 o número desceu para 26 por cento. Também a proporção de adultos com níveis elevados de colesterol passou de 26 por cento para 20 por cento, refere a Reuter. Mas os outros factores de risco -- inactividade física, obesidade, hipertensão e diabetes -- continuaram sem alterações ou aumentaram até. Entre os 91428 norte-americanos estudados, 35 por cento relataram um factor de risco; 29 por cento têm dois factores de risco; 13 por cento têm três factores de risco e cinco por cento revelou cinco ou seis factores de risco.

Para lutar contra os sintomas e as complicações da mucoviscidose, os especialistas têm procurado substâncias capazes de liquefazer o espesso muco que obstrói os pulmões dos doentes. Uma equipa de investigadores americanos, que publica hoje os seus resultados na revista americana «Science», poderá ter descoberto uma forma eficaz de o fazer.

Thomas Stossel e os seus colegas da Universidade de Harvard (Boston, EUA) pensaram que talvez a actina, que representa 10 por cento da massa proteica das células mortas, contribuísse de maneira substancial para a viscosidade do muco. E decidiram testar essa ideia.

Mais de 50 equipas de investigação de dezoito países europeus, incluindo mais de 300 cientistas, estão a participar num mega-estudo sobre a destruição do ozono. O estudo, que dá pelo nome de Sesame (Second European Stratospheric Arctic and Mid-latitude Experiment) tem como objectivo estudar a destruição da camada de ozono sobre o Árctico e as latitudes médias do hemisfério Norte. O Sesame, que inclui séries de medidas do ozono efectuadas a partir de 30 estações de solo e 26 locais de lançamento de balões-sondas, vai decorrer até Maio de 1995.

A visita a Saturno e ao seu satélite Titã, que a ESA e a NASA planeiam para o início do próximo milénio, conta com um atractivo suplementar: é que a lua do grande planeta dos anéis possui uma atmosfera semelhante à que existia na Terra antes do aparecimento da vida. Quem sabe se Titã encerra o segredo da vida?

Os filhos de mães fumadoras têm um quociente de inteligência (QI) inferior aos filhos de mães não fumadoras, de acordo com um estudo noticiado pela Reuter. Com idades compreendidas entre os três e quatro anos, os filhos de mães que fumaram cerca de dez cigarros por dia durante a gravidez têm um QI nove pontos inferior em relação aos filhos de mães não fumadoras durante a gravidez. Segundos os investigadores da Universidade de Rochester (Nova Iorque, EUA), o tabaco reduz o fluxo de oxigénio e de substâncias nutritivas que chegam ao feto, para além do facto do fumo conter mais de quatro mil compostos químicos que podem causar graves danos no sistema nervoso do bebé durante o seu desenvolvimento. Este estudo, publicado na edição deste mês da revista «Pediatrics», foi levado a cabo entre 1979 e 1983 junto de 400 mulheres brancas do Estado de Nova Iorque.

Esta recomendação segue-se à descoberta recente de que as úlceras são doenças de origem infecciosa, em cuja raiz se encontra uma bactéria e não apenas factores de «stress» mais ou menos vagos e uma dieta alimentar errada, como se chegou a pensar em dada altura (ver «Úlcera é causada por bactéria», PÚBLICO de 17.4.93).

Os países da União Europeia condenaram ontem a decisão grega de fechar o porto de Salónica ao tráfego de abastecimentos à Macedónia e anunciaram que vão pedir «explicações» à Grécia. A decisão grega, anunciada na quarta-feira pelo primeiro-ministro Andreas Papandreou, vai ser um dos principais pontos da agenda da reunião que se realiza hoje em Atenas entre os ministros dos Negócios Estrangeiros belga, alemão e grego.

A notícia do bloqueio foi recebida com prudência pelo Governo da Macedónia que manifestou a sua estranheza pelo facto de a decisão ter surgido dias antes de expirar o ultimato dado pela NATO aos sérvios da Bósnia, e num momento em que cresce a tensão em toda a região das Balcãs devido à perspectiva de uma intervenção militar aliada. Ontem, o jornal «Nova Makedonijia», citando fontes do Pentágono, anunciou que os EUA podem antecipar o envio de mais tropas para o país, de forma a reforçar as forças de prevenção lá estacionadas porque «uma eventual intervenção da NATO pode fazer estender a guerra para fora das fronteiras da Bósnia».

Peter Gauweiler, uma das figuras mais destacadas entre os ultra-conservadores da CSU da Baviera, foi obrigado a demitir-se por ter «alugado» a antiga clientela dos seus tempos de advogado. Por agora os cristãos-sociais decidiram sacrificar Gauweiler, mas há quem acredite que será por pouco tempo e que ele voltará.

A demissão de Gauweiler surge poucos dias depois de um outro incidente que contribuiu igualmente para embaraçar os cristãos-sociais: um encontro entre o antigo ministro presidente da Baviera Max Streibl, também ele uma personagem de primeiro plano da CSU, e o chefe dos «republicanos» de extrema-direita e antigo SS, Franz Schönhuber. Não poupando críticas a este encontro, os liberais falam de uma «balcanização da política bávara» e o SPD de uma «republicanização da CSU».

OS COMBATES entre as etnias nanumba e konkomba, no Nordeste do Gana, fizeram pelo menos mil mortos e arrasaram 67 aldeias durante a primeira quinzena deste mês, anunciou uma alta patente militar ontem citada pela imprensa de Acra. A situação está agora sob controlo e as forças de segurança consagram-se à procura e ao enterro das vítimas, nomeadamente das que são encontradas ao longo das estradas.

A rivalidade entre nanumbas, geralmente proprietários rurais e muçulmanos, e konkombas, na sua maioria trabalhadores agrícolas e animistas, tem estado na origem de diversas vagas de violência durante os últimos 20 anos.

Os Estados Unidos deram ontem à Indonésia mais seis meses para aplicar regulamentos recentes sobre condições de trabalho e, findo esse prazo, decidirão se mantêm ou cortam os privilégios comerciais de que Jacarta beneficia.

Adiar uma decisão não foi uma medida inesperada por parte de Washington. A Asia Watch, organização de defesa dos direitos humanos no continente asiático, já a previa, mas considera que se trata de «um compromisso insatisfatório, que envia sinais contraditórios ao Governo indonésio».

O principal líder da oposição sul-coreana afirmou ontem que Kim Jong Il, filho e herdeiro do líder da Coreia do Norte, Kim Il Sung, estava gravemente ferido, mas fontes governamentais da Coreia do Sul contrariaram a informação.

Para reforçar a sua informação, Lee Ki-taek observou que Kim Jong Il, a quem o regime se refere habitualmente como «Querido Líder», não apareceu durante as celebrações do seu próprio aniversário -- o 52º -- na quarta-feira passada. E a agência Naewoe, que se dedica a analisar os «media» norte-coreanos, assinalou que Kim não é visto em público, ou sequer na televisão, desde 9 de Dezembro, quando participou numa reunião da Assembleia Popular Suprema.

VIVAS ao zapatistas e ao México juntaram-se ontem em Guadalupe Tepeyac, uma pequena aldeia de Chiapas, escolhida pelos protagonistas da revolta camponesa iniciada no primeiro dia de Janeiro para formalizarem a entrega do antigo governador do estado, general Absalon Castellanos, aos mediadores do Estado e da Igreja.

Absalon Castellanos, 66 anos, que governou um dos mais pobres estados do México entre 1982 e 1988, período durante o qual, segundo o EZLN, violou repetidamente os direitos humanos da população, foi preso no segundo dia da revolta iniciada pelo EZLN no dia 1 de Janeiro, e passou 47 dias detido algures na selva de Chiapas.

O PROCESSO de acantonamento das tropas moçambicanas, de um e outro lado, Governo e Renamo, tem estado a ser ensombrado pelo profundo descontentamento dos soldados, que se queixam de fome, mau alojamento e prolongada espera pela desmobilização.

No dia 1 de Março deverá principiar a desmobilização de quem já se encontra acantonado, num processo que está previsto para acabar no fim de Maio, de forma a que entretanto se avance na formação das FADM, a constituir por partes iguais com soldados de um e outro lado.

O PRESIDENTE peruano, Alberto Fujimori, passou ontem elegantemente por cima da demissão do seu primeiro-ministro Alfredo Bustamante Bustamante, nomeando um novo chefe de Governo, Ephraim Goldenberg, que era até agora ministro dos Negócios Estrangeiros.

Quando, em Julho do ano passado, o semanário «Si» noticiou a descoberta de valas comuns, contendo os restos mortais de dez pessoas entretanto identificadas como os «desaparecidos» de La Cantuta, vinha à luz do dia a verdade que a Amnistia Internacional, entre outras organizações, procurava desde 1992: eram os nove estudantes e o professor, todos assassinados pelos militares.

A três dias do fim do ultimato militar da NATO aos sérvios bósnios, os contactos diplomáticos entre os países directamente envolvidos no conflito aumentam de intensidade. No terreno, as forças da ONU fizeram também questão de emitir uma opinião diferente da fornecida pelos responsáveis da Aliança Atlântica sobre a situação em Sarajevo. As opiniões de que os raides aéreos poderão ser evitados baixaram a tensão.

Atenas demarcou-se claramente do ultimato da Aliança Atlântica, apoiado na generalidade pelos seus parceiros comunitários, e continua a afirmar que o seu objectivo consiste em «evitar o pior», ou seja uma intervenção aérea, mesmo que limitada, contra os sérvios bósnios. Muito próxima das posições russas, a Grécia nunca escondeu as suas simpatias pró-sérvias e tem insistido na resolução pacífica da mortífera guerra civil que se arrasta há 22 meses.

O LÍDER do Congresso Nacional Africano (ANC), Nelson Mandela, disse ontem na Holanda ainda esperar que o partido Inkatha aceite ir às eleições que neste primeiro semestre de 1994 se efectuam na África do Sul, apesar da reacção fria do príncipe zulu Mangosuthu Buthelezi às suas concessões da véspera.

Na véspera, antes de partir para a Holanda, o líder do ANC admitira a possibilidade de a Constituição interina ainda vir a ser alterada, de modo a ter em conta os desejos de autonomia manifestados por aqueles afrikaners e pelo rei dos zulus, bem como por Buthelezi. E aceitara a existência de listas separadas para se eleger a Assembleia Nacional e as assembleias das diferentes regiões.

OS ÚLTIMOS dados estatísticos que a CP têm em relação ao número de acidentes ocorridos nas 3746 Passagens de Nível espalhadas por Portugal revelam uma «diminuição ligeira» do número de acidentes ocorridos em 1992, ano em que se deram 180 acidentes deste tipo, soube o PÚBLICO junto daquela empresa.

As passagens automáticas existentes classificam-se como de tipo A, B, ou C. Esta classificação é feita a partir da ponderação do número de combóios com o número de carros que atravessam em média por dia a linha num dado local. As passagens de tipo C são equipadas com sinais sonoros e visuais que disparam à aproximação de um combóio, mas não possuem barreiras: As do tipo B possuem duas meias barreiras e sinalização. As do tipo A têm barreiras completas e sinalização.

Ao contrário do anunciado no programa, o ministro da Justiça «não tem em agenda» a sua deslocação, hoje, a Faro, para presidir à sessão solene do Forum Europeu da Criança. É que, Laborinho Lúcio soube, na semana passada, que Polícia Judiciária continua a investigar alegados «abusos» na utilização de dinheiros públicos por parte do Refúgio Aboim Ascensão, a entidade organizadora da iniciativa.

Os investigadores da Segurança Social concluiram que, dos gastos apresentados, apenas 25 por cento se enquadravam no acordo assinado entre as duas instituições. Villas-Boas, em declarações proferidas há cerca de um ano rejeitou os alegados exageros em despesas de representação (quase mil contos por mês).

Dois meses após as eleições autárquicas, a gestão da Junta de Freguesia de Alhandra, em Vila Franca de Xira, continua a ser assegurada pelo executivo do mandato anterior e a Assembleia de Freguesia ainda não conseguiu eleger um novo elenco representativo.

Na sessão de instalação dos novos órgãos autárquicos, apenas um dos sociais-democratas eleitos estava presente. José Peniche e os restantes membros do seu partido entendem que cabia à Mesa da Assembleia cessante nomear o terceiro elemento do PSD, em substituição do renunciante.

Em 1993, foi a fase dos sonhos. Depois, um grupo de cidadãos mais sensibilizados para o problema da fome resolveu meter mãos ao trabalho e passar à fase dos projectos concretos. Com o exemplo e o apoio do Banco Alimentar Contra a Fome, a funcionar em Lisboa desde 1992, seis pessoas, impulsionadas pelo padre jesuíta Vasco Pinto de Magalhães, criaram já a comissão instaladora daquele que será o «irmão mais novo» da instituição lisboeta -- o Banco Alimentar do Porto, cuja apresentação pública oficial se fará no próximo domingo, nas instalações do Centro de Reflexão e Encontro Universitário (CREU).

Os bancos alimentares são já uma realidade concreta não só nos Estados Unidos como na França, encontrando-se muitas vezes ligados à Igreja Católica. Em Portugal, depois da experiência de Lisboa, seguem-se agora a do Porto e a de Setúbal, que se encontra na mesma fase da da capital nortenha. P.P.C.

Um assalto durante a madrugada de quarta-feira, a um armazém de bebidas alcoólicas da Venteira, Amadora, rendeu um montante de 9100 contos, distribuídos por caixas de whisky e uma viatura de carga.

Na sequência da intervenção cirúrgica a que foi submetido Daniel Branco, a Câmara de Vila Franca de Xira aprovou, anteontem uma proposta de suspensão do seu mandato por dois meses.

«Arcas da memória: panos e roupas de quatro aldeia saloias» é o título da exposição etnográfica que abriu no Museu Regional de Sintra. São peças recolhidas pela população das aldeias de Magoito, Tojeira, Bolembre e Arneiro dos Marinheiros. Das 9h00 às 18h00, aos fins de semana das 14h00 às 18h00.

Na Casa da Imprensa (Rua da Horta Seca, ao Camões) pode ver a exposição de pintura e desenho «Impressões da Terra», de José Coelho.

Câmara de Lisboa, EDP, EPAL, Gás de Portugal e TLP assinaram ontem de manhã, nos Paços do Concelho, um protocolo que irá permitir a elaboração conjunta de uma cartografia digitalizada do subsolo da cidade, que custará cerca de 350 mil contos. O acordo, que surge com mais de um ano de atraso, já havia sido discutido em 1992 pelas mesmas entidades.

O subsolo lisboeta acoita redes -- muitas vezes desconhecidas -- de água, saneamento, electricidade, telecomunicações e gás. Estas mesmas redes, por não se encontrarem referenciadas na totalidade nas cartas cartográficas das diversas empresas de exploração, têm vindo a ser danificadas e a originar atrasos na conclusão de obras. É que, por exemplo, quando a EPAL pretende instalar uma nova conduta, acaba por deparar no mesmo local com estruturas de outros serviços públicos.

A associação ambientalista Quercus vai proceder, hoje à tarde, no Centro de Estudos de Migração e Protecção às Aves (CEMPA), à entrega de seis cegonhas encontradas mortas junto à aldeia da Cabeça Gorda, no concelho de Beja.

Os cadáveres das aves, que foram recolhidas no final da semana passada por elementos do núcleo de Beja da Quercus, vão ser sujeitos a exames toxicológicos no CEMPA, a fim de se apurar qual a substância responsável pela morte das cegonhas.

A unanimidade na aprovação da agenda marcou a última reunião do executivo portuense, a que assistiram já dois vereadores eleitos pelo PSD, o médico Rocha Gonçalves e o ex-dirigente da JSD portuense, Mário Jorge Rebelo, que assumiu funções depois de consumada a suspensão do mandato de Albino Soares.

Durante a reunião foi ainda apreciado o pedido de suspensão do mandato de António Taveira, que foi aceite, o que permitirá a chamada do nome seguinte na lista candidata às eleições de Dezembro, Alexandre Pinto da Costa.

Para cinco crianças e um sexagenário de São Marcos da Serra, no Algarve, a rotina do transporte escolar quebrou-se ontem em tragédia. A viatura que os ia levar à escola passou a linha de caminho-de-ferro com o sinal vermelho e deu-se o desastre.

Da automotora foram cuspidas três pessoas. Eram funcionários da CP que seguiam para um dia de trabalhos de conservação da linha. O balanço final, no que diz respeito a feridos, elevava-se a dez, entre adultos e menores, que foram transportados para o Hospital de Portimão. Verificou-se mais tarde que nenhum dos feridos corria perigo de vida, embora duas crianças, evacuadas para Lisboa, pudessem ter a bacia partida.

A carreira número 28 de eléctricos de Lisboa volta, a partir de amanhã, dia 19 de Fevereiro, ao seu percurso normal entre o Martim Moniz e os Prazeres, anunciou ontem a Companhia Carris de Ferro de Lisboa. Perante a reposição do percurso, deixará de funcionar o circuito provisório de mini-autocarros entre São Bento e os Prazeres.

O PÚBLICO apurou, igualmente, que a realização do II Congresso de Empresários do Centro faz parte do plano de actividades do CEC, tal como a criação de centros de formação empresarial e o lançamento de um instituto de desenvolvimento, formação e gestão florestal. J.M.C.

Um incêndio destruíu ontem de manhã um restaurante de Santa Luzia, nas imediações de Coibra, segundo informaram os Bombeiros Sapadores de Coimbra.

Um primeiro relatório dos Serviços de Utilização Comum dos Hospitais não põem de parte que uma fuga de gás propano esteja na origem das intoxicações de doentes e funcionários do Hospital Distrital de Leiria (HDL) ocorridas nas últimas semanas. A fuga de gás fora uma das versões liminarmente rejeitadas pela administração do hospital que agora estranha o resultado do relatório, tendo pedido a realização de um novo estudo.

Quase tudo o que se queria saber sobre Lisboa, Capital Europeia da Cultura foi ontem questionado pelos eleitos da Assembleia Municipal e respondido pelos responsáveis da sociedade Lisboa-94, que, como Vitor Constâncio e Ruben de Carvalho, estiveram presentes na sessão.

Estas foram algumas das perguntas, a que Vitor Constâncio paulatinamente foi respondendo, em muitas ocasiões divulgando ali aspectos da programação até agora desconhecidos pelos eleitos e pela maioria do público. E ainda aceitou sugestões -- como a suscitada por Maria Belo -- quanto à possibilidade de se integrarem no programa debates sobre a psicanálise.

As «Manobras de Maio» estão este ano de volta à Rua do Século, onde em 1986 se estrearam, com um desfile marcado para dia 21 de Maio, em que os organizadores pretendem mostrar «o novo poder criativo» e ainda não instalado, na área da moda.

«Já há imensa gente a apresentar projectos e as inscrições só terminam dia 8 de Março», salientou Mariana Cachulo. Para que fosse possível reeditar as manobras, a organização contactou diversas entidades a quem solicitou apoio financeiro, nomeadamente o programa Sétima Colina, incluído em Lisboa-94, e ainda o Ministério do Ambiente, «os vizinhos da Rua do Século», e o Instituto da Juventude, entidades que já responderam afirmativamente.

O cadáver de um indivíduo encontrado no fim do mês passado nas arribas do farol do Cabo da Roca continua por identificar na casa mortuária do cemitério de São Marçal, em Sintra. Caso a identificação, dificultada pelo avançado estado de decomposição, não seja realizada o mais tardar na próxima semana o corpo será exumado como desconhecido.

Uma nova ponte internacional sobre o rio Minho, ligando a povoação galega de Arbo a Peso (Melgaço), acaba de ser viabilizada pela Xunta de Galiza, aguardando-se agora que o convénio de construção seja aprovada na Comissão Internacional de Limites, que reunirá, entre os dias 2 e 4 de Março próximo, representantes de Portugal e Espanha.

As estradas que dão acesso a Manteigas a partir de Gouveia e da Covilhã foram ontem reabertas ao trânsito, quatro dias depois de terem sido encerradas devido aos fortes nevões que têm assolado a zona.

Os primeiros casos conhecidos de atentado ao pudor verificaram-se em Novembro do ano passado com diversas alunas, todas de sete anos de idade, da Escola Primária do Avenal. Em Janeiro deste ano a situação repetiu-se, tendo sido molestadas duas crianças, também com a mesma idade, que frequentam a primária da freguesia do Couto.

O Tribunal da Marinha Grande decidiu suspender até 9 de Março a sentença sobre o futuro da fábrica «Valverde - Indústrias de Plástico, SA.» altura em que a Segurança Social, o Ministério Público e os credores deverão pronunciar-se definitivamente sobre um plano de viabilização da empresa apresentada pelo conselho de administração esta semana.

Mas o ponto mais polémico desta última proposta parece incidir no facto do estudo económico realizado apontar para o despedimento de mais de cem dos cerca de 140 trabalhadores. Mais: o projecto pede que seja perdoado à empresa 60 por cento do montante das indemnizações a pagar aos despedidos, devendo os restantes 40 serem pagos ao longo de dez anos.

O segundo Festival de Vídeo do Concelho de Oeiras, que este ano se realiza no auditório do Complexo Social das Forças Armadas, irá decorrer de 23 a 25 de Abril.

A Câmara Municipal de Constância cortou relações com a Região de Turismo do Ribatejo (RTR), por esta entidade não ter incluido aquele município no denominado projecto da Rota do Vinho da Região do Ribatejo, divulgado na semana passada.

Em Portugal há pouca neve, poucos esquiadores e patinadores no gelo, são raros os especialistas de trenó. Desconhecem-se equipas organizadas de hóquei sobre gelo e não passa pela cabeça de ninguém andar a saltar com esquis do alto de vertiginosas plataformas inclinadas. Mas há muitos telespectadores que gostariam de ver outras pessoas a fazerem estas e outras coisas.

Eis a falha da RTP: para além de informar, poderia aproveitar a oportunidade para formar os seus telespectadores. E diverti-los, com o espectáculo de uns Jogos Olímpicos cujas imagens são mais um dos exclusivos da televisão estatal para Portugal. A fartura é má conselheira -- só nos resta imaginar o «festival» que faria qualquer uma das privadas com este «pacote» de desporto durante 15 dias...

"Ela é leão e é por isso que tem tanta força", atalhou às tantas a brasileira Heloísa, chamada a dar um contributo mais "esotérico" ao coro de elogios mais terrenos dos amigos e amigas mais chegados de Teresa Guilherme, a convidada do Falas Tu, Falo Eu de quarta-feira, na SIC.

Até que Tordo e Mendes interromperam o seu próprio "show" de gargalhadas e cantorias privadas e fizeram a pergunta aparentemente mais embaraçosa: "E os homens da tua vida?"

Vem este assunto a propósito de um incidente recente que tive com um serviço da Administração Pública e que considero ter sido prestado com má qualidade. E, como é da minha maneira de ser, tratei logo de reclamar por escrito (carta enviada para aquele serviço, com cópias remetidas para o ministro respectivo e para o Secretariado para a Modernização Administrativa, órgão que procura implementar em toda a Administração Pública a «qualidade nos serviços» e que funciona na dependência da Presidência do Conselho de Ministros) porque, depois de esperar três quartos de hora para ser recebido -- para apresentar verbalmente a minha reclamação ao responsável do serviço --, acabei por desistir (porventura era isso que ele pretendia com o fazer-me esperar), mas avisando a pessoa que me atendeu que a reclamação iria aparecer por carta.

Segundo os princípios da qualidade total, uma das vertentes mais importantes de qualquer prestador de serviços é a de fazer as coisas de modo a que os clientes se sintam satisfeitos com aquilo que lhe compram; senão, a clientela foge para outras empresas que os satisfaçam. E o mesmo se deveria passar com os mais diversos serviços que a Administração Pública nos presta; todos nós somos também seus clientes, e não simples utentes. Por isso, temos direito a ser servidos o melhor possível, isto é, com a máxima qualidade e, portanto, a exigi-la quando ela não nos é dada. (...)

(...) O grande escritor Afrâmio Peixoto escreveu: «Portugal realizou este milagre que não conseguiu a Espanha: é ver aquilo que foi o seu império colonial na maioridade ser só um país indiviso... De tal pai, disse o épico, tal filho se esperava.»

Apesar de a língua portuguesa ser hoje falada por cerca de 200 milhões de cidadãos e, nesta medida, ter um impacto importantíssimo nas variadas relações internacionais, e de o referido acordo ter sido feito através da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciência de Lisboa, instituições legitimadas para tal tarefa, há «trabalhos» na Câmara de Deputados do Brasil que, pela voz de um dos seus membros, Sandra Cavalcanti, boicotam a assinatura do acordo que só prestigiaria os signatários e os respectivos países.

Diz Miguel Vale de Almeida no seu artigo «Entre a faca e a parede», no PÚBLICO de domingo, 6 de Fevereiro: «... muitas mulheres não se lembrarão sequer que podem aceder a outros postos. Mas, mais que tudo, devem ser as mulheres a lutar por isso. Em Portugal falta um movimento feminista».

Muito mais do que um movimento feminista (no sentido radical e sexista do termo e não no sentido político crítico com o qual os homens também se identificam), o que, segundo a minha opinião, contribui para a igualdade e dignidade da mulher e do homem são medidas legislativas (por ex. a recente proposta de alteração do Código Penal relativamente aos crimes sexuais) e a criação de recursos sociais (por ex. a Associação «O Ninho» para a recuperação de mulheres que se dedicam à prostituição). Mais do que um discurso (à parte) feito por mulheres, são as mudanças legislativas e das instituições o que transforma a sociedade.

1. João Bruno Souzé, natural do Norte de Angola e com passaporte angolano, vive há dois anos em Portugal, com a sua situação legalizada e emprego fixo na construção civil;

4. A poucas horas do embarque de Vuvu e Benedicte no voo da TAP para Lisboa, o SEF muda de opinião (e porquê?) e envia ao consulado um parecer negativo à emissão do visto, o qual, porém, já não chega em tempo útil.

‚ A sida faz mais vítimas que os acidentes de estrada em São Paulo e é a causa da maioria das mortes provocadas por doenças de declaração obrigatória às autoridades sanitárias (como a tuberculose ou a meningite), de acordo com um relatório do Serviço Funerário Municipal. Os certificados de óbito de Abril a Junho de 1993 mostram que os mortos registados se elevaram a 960 durante este período e, destes, 684 deveram-se à sida. No mesmo período, os acidentes da estrada fizeram 477 mortos. Só os homicídios fizeram mais vítimas : 991 no mesmo período. O Brasil é o quarto país do mundo onde se registam mais casos de sida: com 45.049 casos até 4 de Dezembro último, dos quais 62 por cento só no Estado de São Paulo (que tem 32 milhões de habitantes), segundo estatísticas do Ministério da Saúde. Desde 1980, 18.452 pessoas morreram com sida neste país.

‚ Mais de 200 chineses foram executados desde 1 de Janeiro no quadro da tradicional campanha de repressão antes do novo ano lunar, segundo os diferentes números publicados pela imprensa chinesa e divulgados pela AFP. Centenas de outros foram condenados à morte, tendo os sujeitos à pena capital sido acusados de roubos, homicídios, violações, tráfico de droga e de crimes económicos -- cujo número aumentou em relação aos anos anteriores, devido a uma campanha anti corrupção iniciada em Agosto. Tradicionalmente, antes do novo ano lunar -- que, neste ano, se celebrou no dia 10 de Fevereiro --, o Governo central pede às províncias para condenarem severamente os numerosos criminosos de direito comum para evitar os problemas durante esta época do ano. As sentenças dos tribunais, que são anunciadas a milhões de cidadãos num estádio, dizem que a «pena de morte foi requerida para assegurar as boas festas da Primavera à população». Este ano, as autoridades multiplicaram mais do que habitualmente os apelos à ordem pública, numa altura em que a instabilidade social, devida à aceleração das reformas económicas, ameaça o regime. Segundo as organizações de Defesa dos Direitos do Homem, a aplicação da pena de morte na China tem vindo a descer desde 1990. Apesar da falta de estatísticas oficiais, a Amnistia Internacional detectou 1890 condenações à morte e 1079 execuções em 1992. Mas os números estarão longe da realidade. A última grande série de execuções teve lugar em 1983, com 20 mil executados recenseados. Organizações como a Amnistia Internacional denunciam também a impossibilidade de os acusados se defenderem legalmente, os maus tratos de que são vítimas os condenados à morte e a utilização dos seus órgãos sem o consentimento das famílias.

Cada cidade tem os seus símbolos, sejam monumentos, tradições ou mitos, que evocam a cidade e a representam perante o mundo. Assim será Lisboa com o seu castelo, Paris com a Torre Eiffel ou Munique com a sua cerveja. Luanda estava a ganhar um novo ex-líbris, que era a kínguila. E chamo antes de mais a atenção para um pormenor, é palavra esdrúxula e não grave como é comum na língua portuguesa e regra geral nas nossas da banda.

É a cambista de rua, que não é exclusividade nossa, pois em muitos países somos abordados à porta do hotel com a eterna pergunta: «Quer trocar dólares?» A originalidade de Luanda é que, apesar de ser por lei proibido, esse negócio se faz(ia) às claras na rua, com as kínguilas a agitar as notas para que não haja dúvidas.

A decisão de antecipar a supressão de vistos de entrada em Israel e Portugal para os cidadãos destes dois países é a primeira consequência prática da visita de Durão Barroso a Israel e aos Territórios Ocupados. Quanto à participação portuguesa na revitalização económica dos Territórios, continua tudo muito vago.

O turismo foi apontado como um campo de intervenção possível logo após o acordo. Sem grandes hipóteses de competir na construção de infraestruturas ou na própria exploração de empreendimentos turísticos, Portugal apostou no capítulo da formação profissional.

O PSD recebeu no Parlamento o "Forum Prisões", organização pró-amnistia representada ontem na AR por Romeu Francês, Gláucia Martins e Guilherme Pereira. Fernando Condesso, membro da comissão parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias, foi o deputado social-democrata a quem coube a tarefa de substituir a direcção da bancada, no encontro onde o grupo manifestou a urgência de ver aprovada a amnistia aos presos do caso FP-25 na Assembleia da República.

- Foi aprovada a criação de uma estrutura destinada à coordenação, gestão, acompanhamento e controlo da execução do Quadro Económico de Apoio.

O Grupo Parlamentar do PS deu ontem o pontapé de saída para que Costa Freire seja ouvido no Parlamento, mas persistem divergências entre os socialistas e o PSD sobre o contexto em que o ex-secretário de Estado de Leonor Beleza deverá falar. O PS quer que a audição seja conjunta com as comissões de Saúde e de Direitos, Liberdades e Garantias (fórum, por excelência das questões jurídicas), mas o PSD empenha-se em esvaziar as implicações jurídicas do que Costa Freire venha a dizer e alega não querer imiscuir-se no trabalho do poder judicial, só aceitando receber Costa Freire na Comissão de Saúde.

A data para a audição ficará marcada na próxima quinta-feira. E está assegurado que será aberta à comunicação social. Caso tudo se passe na Comissão de Saúde, não se dará o encontro entre a ex-ministra e o ex-secretário, como aconteceria se a audição ocorresse na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias, de que Beleza faz parte.

Mobilização geral é a palavra de ordem. Na próxima segunda-feira, o ministro do Planeamento e da Administração do Território, Valente de Oliveira, e o presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, vão estar frente a frente. O tema é o segundo Quadro Comunitário de Apoio (QCA) que este responsável governamental vai apresentar aos autarcas do Norte. Fernando Gomes, recorde-se, pediu recentemente a cabeça de Valente de Oliveira. Não houve réplica por parte do ministro, mas o PSD-Porto e o seu líder, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Luís Filipe Meneses, encarregaram-se da defesa de Valente. O contra-ataque dos socialistas não se fez esperar. Mais de vinte presidentes de câmaras de maioria PS do Norte do país exigiram também a demissão do ministro do Planeamento.

A cidade do Porto é a terceira etapa do périplo que este responsável governamental iniciou na passada semana para apresentar o QCA 2. As duas primeiras sessões destinaram-se aos autarcas alentejanos e aos da Região de Lisboa e do Vale do Tejo. Em ambas, Valente de Oliveira apelou aos representantes do poder local para acelerarem a concretização dos Planos Directores Municipais, sem os quais as verbas comunitárias não poderão ser atribuídas. Os presidentes de câmara, no entanto, empurraram as responsabilidades pelos atrasos registados nos PDM para o Governo.

O primeiro-ministro israelita, Yitzhak Rabin, enviou na quinta-feira ao Governo português uma declaração optimista sobre o estado do processo de paz no Médio Oriente. O optimismo foi manifestado durante uma exposição feita ao ministro dos Negócios Estrangeiros português, que se encontra em Israel, a apenas uma semana da visita de Rabin a Lisboa.

Rabin estará em Portugal nas próximas quarta e quinta-feira, depois de uma estada de dois dias em Espanha. Praticamente um «americanocêntrico» -- foi embaixador nos EUA de 1968 a 1972 --, este líder israelita, de 72 anos, tem vindo a centrar-se cada vez mais na Europa, tanto em termos políticos como económicos. Desde que foi assinada a dramática Declaração de Princípios entre Israel e a OLP, em Setembro passado (na Casa Branca, em Washington, mas sem a ajuda nem o conhecimento de Washington sobre as prolongadas negociações secretas), Rabin tem-se deslocado às capitais europeias e ao Parlamento Europeu a fim de obter apoio europeu para o processo de paz.

Fernando Nogueira, conversou com o seu colega americano, William Perry, e com o secretário-geral da ONU, Butros-Ghali, sobre as situações em Angola e Moçambique. O secretário geral da ONU, Butros-Ghali, pediu ontem ao ministro da Defesa, Fernando Nogueira, uma maior participação portuguesa no contingente de tropas de manutenção de paz em Moçambique. Mas o ministro português, que veio aos EUA receber os primeiros aviões F-16 adquiridos pela Força Aérea Portuguesa, disse aos jornalistas à saída do edifício da ONU, em Nova Iorque, que não fez quaisquer promessas a Butros-Ghali sobre o aumento da participação em Moçambique porque Portugal já está a fazer um "esforço extraordinário" na sua participação em operações de manutenção de paz no estrangeiro.

A situação em Angola é mais grave que a de Moçambique, sublinhou o ministro português. Aqui, o processo está com um atraso de dois meses, o que não tem especial gravidade, dadas as diferenças culturais entre a Europa ou os EUA e a África, em que a concepção do tempo é diferente. "Dadas estas diferenças civilizacionais", o processo está a correr bem em Moçambique, onde o cessar-fogo esta a ser cumprido, comparado com o de Angola, onde ainda decorrem combates. A comunidade internacional tem portanto a "obrigação de pressionar as duas partes em conflito para que se chegue a um acordo o mais brevemente possível".

O presidente do Partido da Solidariedade Nacional (PSN), Manuel Sérgio, admite abandonar a actividade política no final de 1995, embora se mostre pouco preocupado com os ataques que lhe são dirigidos pelo núcleo que contesta a sua liderança em vésperas de congresso extraordinário, que se realiza em Aveiro neste fim-de-semana.

O presidente do PSN contrapõe que «a sede do partido está aberta e só lá não foi quem não quis» e, quanto à cerrada oposição que se verifica agora, considera-a natural. Será prova da existência de um clima democrático na vida do partido, conforme afirma. O presidente adjunto, Antunes de Sousa, e o secretário-geral, Silva Mendes, também são alvo das críticas da oposição interna, acusando-os Teles Varela de, juntamente com Manuel Sérgio, terem tornado o PSN em «partido antidemocrático e centralizador».

Uma equipa de jornalistas australianos e britânicos entrou ilegalmente em Timor-Leste e filmou, entre Setembro e Outubro do ano passado, testemunhos facultados pela resistência timorense. O resultado foi o documentário «A Morte de Uma Nação», a revelação de imagens inéditas e um novo alerta internacional. Ao contrário do que diz a propaganda indonésia, Konys Santana está, afinal, vivo e lidera a guerrilha pós-Xanana. Ao contrário das informações veiculadas por Jacarta, o segundo massacre de Díli foi realidade. Mesmo assim, o Governo indonésio nega tudo.

«Injectaram ácido sulfúrico em feridos» imobilizados, um procedimento imediatamente abandonado devido à gritaria de dor dos moribundos, revela uma testemunha não identificada. Cá fora, «muitas das vítimas, algumas ainda com vida, foram alinhadas e esmagadas pelas rodas de camiões», acrescenta outra testemunha. Nos dois dias que se seguiram à chacina, o número total de mortes chegou a quatrocentos.

Um conhecido empresário da noite portuense, proprietário de pelo menos três «night clubs» da cidade (Paganini, Rossini e o conhecido Pérola Negra), está detido desde a passada semana, por alegado envolvimento no tráfico de pessoas e prática de lenocínio. A detenção do empresário, de apelido Costa, ocorreu no âmbito de um inquérito resultante de uma série de buscas, em bares de Lisboa e Porto, efectuadas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). O empresário portuense foi incialmente deixado em liberdade pelo Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa, onde decorre outro inquérito do mesmo teor, mas acabou por ver a sua detenção confirmada pelo juiz do TIC do Porto.

O Plano Hidrológico Espanhol -- que prevê o desvio de parte do caudal do rio Douro - foi ontem alvo de uma reunião de trabalho em Bruxelas, convocada pela eurodeputada portuguesa Maria Santos, incumbida pela Comissão de Ambiente do Parlamento Europeu de elaborar um relatório sobre a Convenção Relativa à Protecção e Utilização dos Cursos de Água e dos Lagos Internacionais, datada de Março de 1992. Na reunião participaram eurodeputados portugueses e espanhóis que integram os diversos grupos parlamentares europeus, com a ausência muito notada dos Liberais -- onde se integram os representantes eleitos pelo PSD -- e das Direitas, tendo sido decidido criar um grupo de coordenação e acompanhamento do desenvolvimento do plano.

O helicóptero carregado de «europreservativos» para distribuir aos jovens liceais do Porto já não vai aterrar, na próxima segunda-feira, na Escola Secundária Carolina Michaelis. O director executivo da escola continua a acreditar que se trata de uma boa acção de sensibilização contra a sida, mas chegou à conclusão que se os alunos não forem devidamente preparados ela pode não ter o efeito pedagógico desejável.

O director executivo da Secundária Carolina Michaelis não tem qualquer dúvida sobre as vantagens de distribuir os passaportes aos alunos. As dúvidas levantaram-se apenas em relação aos «europreservativos». Aquele professor receia que os alunos mais pequenos não compreendam o alcance da campanha e por isso prefere que ela só aconteça depois de efectuadas sessões de esclarecimentos. Para evitar que «encham os preservativos de água e os rebentem na cabeça dos colegas...».

A juíza Isabel Valongo marcou para o próximo dia 11 de Março a leitura dos quesitos no processo de corrupção e contrabando conhecido como «Aveiro Connection», que está a ser julgado desde Outubro do ano passado numa sala de audiências improvisada na Assembleia Distrital de Aveiro. A leitura dos quesitos é uma iniciativa processual prevista no Código do Processo Penal (CPP) e destina-se a fixar a matéria de facto.

Carlos Candal, advogado do capitão da Guarda Fiscal, Vasco Silva - apontado como um dos presumíveis líderes da rede de contrabando e que ontem voltou a reclamar a sua inocência - insistiu, mais uma vez, na necessidade de distinguir entre contrabando e descaminho de mercadorias. Com base no contencioso aduaneiro de 1941, o causídico alegou que os arguidos praticaram descaminho de mercadorias, uma vez que o tabaco passou pela alfândega sem pagar direitos. Uma questão que seria retomada mais à frente pelo seu colega Celso Cruzeiro, que representa dois dos arguidos militares pronunciados por corrupção, peculato e contrabando. Candal censurou ainda o Ministério Público por, alegadamente, andar a reboque da PJ, ignorando a prova produzida em audiência pela defesa durante quatro meses de sessões.

A recente transferência para Paris do ex-pároco de Aveleda, uma freguesia a poucos quilómetros de Braga, não conseguiu demover uma família daquela paróquia a desistir do processo em que acusa o jovem padre Joaquim Carneiro de assédio sexual a um menor. Apesar de o Ministério Público (MP) ter arquivado o processo judicial, o advogado de acusação já requereu a sua instrução por parte do juiz, estando marcada para o início do próximo mês uma acareação do padre com a criança que o acusa da prática do crime sexual.

Para o início do próximo mês, está prevista a acareação do ex-pároco de Aveleda com o rapaz que o acusa de ter sido obrigado a praticar com ele relações de sexo oral. De acordo com aquilo que o advogado do padre disse, ontem, à agência Lusa, Joaquim Carneiro está disposto a participar nessa acareação, porque, como referiu, "quem não deve não teme". Resta saber se esta será a última vez que o padre Carneiro será obrigado a deslocar-se de Paris a Portugal. É que só após a efectivação destas diligências o juiz poderá abrir o debate instrutório para decidir se pronuncia ou não judicialmente o sacerdote.

A ministra francesa da Acção Humanitária e dos Direitos do Homem, Lucette Michaux-Chevry pediu ontem aos franceses para «boicotarem as roupas» do industrial italiano Benetton, qualificando de «imunda» a sua nova campanha publicitária mostrando a farda manchada com sangue de um militar que combateu na ex-Jugoslávia, e que morreu em Julho de 1992. Durante uma emissão radiofónica, em homenagem aos jornais que recusaram publicar o anunciou, a ministra afirma que «é preciso boicotar as roupas, e difundir nas escolas e juntos das famílias uma mensagem a dizer que é inadmissível explorar o sangue das crianças vítimas da incompreensão e da violência dos homens».

O Comité de Ministros do Conselho da Europa, numa recomendação de 23 de Junho de 1983, alertava os Governos dos Estados membros contra os riscos de transmissão do virus da sida através de transfusões sanguíneas, segundo um documento que o jornal parisiense «France-Soir» publica alguns extratos na sua edição de ontem. O Conselho da Europa recomendava aos governos, em matéria de prevenção da sida, «de informar os médicos e os receptores seleccionados, tais como os hemofílicos, sobre os riscos potenciais da hemoterapia e da necessidade de reduzir estes riscos ao mínimo».

A leitura da sentença dos três presumíveis autores da morte de Jorge Monge, filho do assessor militar do Presidente da República, brigadeiro Manuel Monge, inicialmente marcada para ontem no Tribunal de Portimão, foi adiada para segunda-feira. Arnaldo «Nilo», Izidoro «Dida» e Paulo «Chicha» são os três acusados da morte de Jorge Monge na noite de 14 para 15 de Agosto de 1992, em Lagos, quando a vítima se dirigia, com seu amigo José Pedro Cunha, para o bar «Alcatruz» naquela cidade algarvia. Segundo a acusação, «Nilo», Dida» e «Chicha» terão abordado as vítimas num local ermo para as roubar, tendo esfaqueado Jorge Monge até à morte e ferido com gravidade José Pedro Cunha. Os arguidos aguardam a leitura da sentença na prisão.

João Manuel Nunes de Abreu foi ontem empossado director- geral da Saúde em substituição de Delfim Neto Rodrigues, nomeado presidente da Administração regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Nunes de Abreu ocupava anteriormente o cargo de sub-director-geral da Saúde. Na cerimónia, presidida pelo ministro da Saúde, Paulo Mendo, foi também empossado António Fernando Vasconcelos da Cunha no cargo de presidente do Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde.

O problema é inversamente proporcional ao número de divórcios, item no qual os espanhóis estão bem longe da média europeia. Contudo, só em 608 processos, as dívidas chegavam aos 625 mil contos, mas é exigida igual bitola às dificuldades colocadas ao convívio com os filhos.

O facto de Fernando e Maria serem executivos e disporem de rendimentos bem acima da média, permitiu uma solução pacífica que, em Espanha, o país com menor taxa de divórcios da Europa, não é comum à maioria dos casos. A prova está nas recentes sentenças que levaram atónitos e faltosos ex-maridos do gabinete de um juiz a uma cela.

«Deve ser bonito ter filhos», comentava, há sete anos, Warren Beatty, o mais persistente dos solteirões de Hollywood, que resistiu ao casamento até aos 54 anos, quando lhe apareceu pela frente a actriz Annette Benning. Antes dela, o nome de Beatty andou ligado ao de mulheres tão diferentes como Julie Christie, Diane Keaton e Madonna, sem que nunca se decidisse a assentar. Dizia que, um dia, talvez casasse. Juntando a curiosidade ao amor, e seguindo os conselhos da sua irmã, Shirley McClaine -- «a paternidade pode fazer de ti um ser humano, e evitar que continues a saltar de mulher em mulher» --, e do seu amigo Jack Nicholson -- «Não sabes o que perdes: ter filhos é uma das coisas mais maravilhosas desta vida» --, sucumbiu aos encantos da bela Annette e preparou-se para enfrentar um bebé: em 1992 nasceu a pequena Kathlyn. Ao que parece, ser pai foi algo que caiu mesmo no goto de Beatty, pelo que Annete está grávida outra vez. Ainda não se sabe ainda se será menino ou menina.

Para o efeito, Meneres Pimentel propõe a «criação imediata de um fundo» destinado às indemnizações e a «prestar assistência social (financeira, clínica e outra que se mostre necessária) aos doentes sobrevivos e aos agregados familiares dos já falecidos».

O IG Metall, o poderoso sindicato alemão da indústria metalomecânica, deu ontem o pontapé de saída a nova onda de protestos e manifestações quando a principal das suas delegações regionais anunciou o fracasso das negociações salariais para este ano e lançou um apelo à greve. Este apelo deixa antever a eventualidade de uma paralisação geral do sector, que, segundo os economistas, frustrará a tímida recuperação do país, a atravessar a sua mais grave recessão desde a II Guerra Mundial.

Também ontem, a linha de montagem na fábrica de Sindelfingen tinha parado completamente, estando ainda previstos outros protestos e manifestações em toda a parte ocidental da Alemanha.

A resposta de Dias Loureiro: Vuvu tem de partir, Souzé de ser processado, «habeas corpus» anulado. É uma questão de Estado, está em causa a política portuguesa de imigração, que «não pode abrir uma excepção». Antes de se mostrar implacável, adoçou com uma confissão: «Eu também tenho bom coração.»

O ministro alertou que Grace Vuvu dispõe de 30 dias para abandonar o país. Se tal não acontecer, será organizado o respectivo processo de expulsão. Vuvu não reunia condições para entrar em Portugal, disse, porque revelou intenção de ficar, só dispunha de um visto de turismo e não possuía bilhete de regresso.

«Preferia que nada daquilo tivesse acontecido, que o Luís Miguel estivesse vivo e que, também, o padre estivesse em liberdade», comentou ao PÚBLICO o juiz Sílvio Sousa, presidente do colectivo que condenou, no Tribunal de Santa Cruz, o sacerdote brasileiro Frederico Cunha. «Processo despachado é processo esquecido», diz, escusando-se a tecer qualquer comentário à confirmação da sentença, considerada então exemplar e pioneira em termos mediáticos, com a transmissão televisiva em directo. «Não é curial um juiz de primeira instância criticar uma decisão de um tribunal de segunda instância», justifica Sílvio Sousa que, a propósito do acórdão do Supremo, repete, de algum modo, as palavras proferidas há um ano, logo após o julgamento, pela mãe do jovem Luís Miguel. «Seria bom que tudo isto fosse mentira, era sinal de que o meu filho ainda estava vivo», dissera então Gorete Correia ao PÚBLICO.

No Paço Episcopal ninguém está disponível para comentar o acórdão, muito o menos D. Teodoro Faria, amigo de Frederico Cunha, primeiro secretário pessoal do bispo funchalense. Alves Teixeira, advogado do padre, também está incontactável. Por seu lado, José António Martins, assistente dos pais de Luís Miguel no processo judicial, considera «prestigiante para os tribunais madeirenses e, na generalidade, para a justiça portuguesa, a confirmação da sentença».

A escola de samba Imperatriz Leopoldinense sagrou-se ontem a campeã do Carnaval carioca de 1994, conquistando o quarto título desde a sua fundação, em 1956. Com 298 pontos, a Imperatriz Leopoldinense conseguiu somar apenas mais três pontos do que a Escola de Samba Salgueiro. Terceiro, quarto e quinto lugar para as escolas de Viradouro, União da Ilha e Beija-Flor. Os cinco mil membros da escola vencedora encenaram, ao som do samba, a visita de alguns índios à corte francesa de Henrique VII e Catarina de Médicis. Para representar os indígenas, a Imperatriz Leopoldinense contratou membros de duas tribos de índios da Amazónia, os Tupinambos e os Tabajeres.

Um mulher Sul Coreana exigiu uma indemnização de 93 mil dólares (mais de 16 mil contos) a uma clínica que rompeu o seu hímen durante um exame médico, anunciaram fontes judiciais. A queixosa, de 40 anos, identificada em tribunal apenas pelo seu apelido, Yang afirmou que o Instituto Médico da Coreia foi negligente ao não preveni-la que um exame médico para detectar um cancro no útero, poderia danificar o seu hímen. «Sempre acariciei o símbolo da virgindade porque vivo sozinha» afirmou Yang aos jornalistas, acrescentando que o rompimento do seu hímen causou-lhe uma grande depressão e repulsa ao contacto com outras pessoas.

A Comissão Europeia decidiu não deixar passar em branco o boicote decretado no Outono por Portugal à entrada de carne de porco proveniente da União Europeia, e iniciou a segunda etapa de um processo que poderá culminar com a apresentação de uma queixa no Tribunal de Justiça dos Doze.

O governo não conseguiu todavia dissipar a ideia de que esta medida seria sobretudo uma forma de retaliação face à aplicação por Bruxelas dos regulamentos veterinários que obrigam à suspensão temporária das exportações até a doença estar totalmente sob controle, precisamente para evitar a sua propagação para o exterior. Nos serviços da Comissão existe igualmente a suspeita de que «a subida dos preços da carne de porco durante o tempo da proibição das importações e em vésperas de eleições (autárquicas) terá tido a sua importância na decisão», segundo o que afirmou com ironia um perito na matéria.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) está a «analisar à lupa» o caso do jovem franco-argelino Matallah Farid, que anteontem foi chamado a prestar declarações na delegação de Braga deste departamento do Ministério da Administração Interna. A breve detenção teve por fim definir a situação legal de Farid, que parece ser tão complicada quanto a sua situação amorosa: o jovem, recorde-se, continua a recusar-se a abandonar as imediações da casa de Lisete Carvalho, a estilista portuguesa por quem se diz apaixonado, e que não lhe retribui o sentimento, na aldeia vimaranense de Donim.

Frederico Cunha vai ficar na prisão nos próximos anos. O Supremo Tribunal de Justiça confirmou a sentença do tribunal da Madeira. O padre matou um adolescente de 15 anos, a quem «ofendeu o pudor». Mas a decisão não foi unânime.

O deputado socialista Vera Jardim, que como advogado conduziu com êxito o processo de «habeas corpus» de Grace Vuvu, revelou ao PÚBLICO que vai continuar a defendê-la em eventual recurso do Ministério Público contra a decisão do TIC e devolveu ao ministro Dias Loureiro as acusações de «aproveitamento político» do caso.

«Não há aproveitamento político nenhum, eu não recebi qualquer instrução do PS. Fomos lá por questões humanas», disse Vera Jardim, que revelou, inclusive, ter recebido congratulações pessoais por parte de deputados da maioria social-democrata. Sublinhando que, como deputado, estará impedido de intervir no sentido de contrariar a decisão administrativa do SEF de expulsar Vuvu Grace no prazo de 30 dias, Vera Jardim disse que esse caso será tratado por outros causídicos mas que, quanto ao recurso sobre o «habeas corpus», este será da sua competência como advogado oficioso de Vuvu.

Sinais opostos deram o tom à indústria automóvel europeia e mundial nas primeiras semanas de 1994: a venda de 80 por cento do capital da britânica Rover à BMW e os indícios de divórcio entre a Volvo e a Renault -- mas só estes não são ilusórios, pois, nos últimos anos, os principais construtores têm desenvolvido projectos de cooperação e de trocas de capital a fim de manterem a sua competitividade.

Reich considera que a estrutura das empresas se alterou e que estas se aproximam, se interligam, acordam projectos de cooperação e trocam participações dos respectivos capitais -- e que esta tendência é irreversível, perdendo, ao mesmo tempo, o capital o seu estatuto nacional.

A inflação baixou, em resultado da perda de dinamismo da procura interna e da moderação salarial e com a ajuda da actualização de preços feita por via administrativa e abaixo da tend^dncia geral. Uma pequena compensação para o forte aumento do desemprego.

Inversamente, os preços dos bens transaccionáveis conhecem uma aceleração continuada desde Junho de 1993. A sua variação homóloga era então de apenas 3,4 por cento mas em Janeiro passado chegava já aos 5,3 por cento. Os bens transaccionáveis alimentares foram os responsáveis por esta tendência. A sua variação homóloga em Junho fora mesmo negativa (-1,4 por cento) mas em Janeiro já era de 4,3 por cento.

A Europa a duas velocidades está a tomar forma e Portugal não está preparado para a feroz concorrência que virá com a liberalização do comércio mundial. João Ferreira do Amaral propõe uma nova estratégia, que não passa pela convergência nominal para que apontava o Tratado de Maastricht. Em vez duma aproximação rápida à inflação média europeia, poder-se-á conseguir um maior crescimento do investimento e da produção de bens transaccionáveis. E só assim enfrentar com êxito, já entrado o século XXI, os desafios da adopção da moeda única.

Não interessa agora discutir se o processo de integração poderia ter seguido outra via. Do meu ponto de vista, a parte do Tratado de Maastricht relativo à economia sempre apontou, implicitamente, para este cenário, dentro de uma concepção ultraconservadora da política económica -- responsável, aliás, pelo prolongamento do clima recessivo na Europa.

TÆForum para a Competitividade é constituído amanhã em Lisboa: A revolução permanente dos empresários portugueses

Ao aproximarmo-nos do final da sua segunda fase -- as Iniciativas para a Acção, desenvolvidas com o apoio da Monitor Company, dirigida pelo professor Michael E. Porter da Harvard Business School --, atingimos um ponto essencial nos trabalhos em curso. Centenas de entidades nacionais, directa e indirectamente envolvidas nos trabalhos decorridos, souberam compreender a alavanca que pôde e pode representar o chamado «projecto Porter», ultrapassando barreiras e facilitando avanços rápidos na competitividade.

Acabou-se a venda do que quer que seja sem factura ou registo automático. Agora, ou há papel ou máquina registadora. O fisco quer cobrar mais IVA e para isso precisa de poder fiscalizar todos os estabelecimentos comerciais, grandes, médios ou pequenos que sejam.

Em termos gerais, pese embora as maçadas e os custos que isto vai provocar para os empresários que terão de a instalar, é uma medida positiva. Os pequenos e médios comerciantes têm sofrido, até agora, os efeitos de uma concorrência sob a forma de uma tenaz, em que um dos ramos foi constituído primeiro pelos supermercados e depois pelos hipermercados. O outro ramo compõe-se dos pequeníssimos comerciantes que estão livres de problemas com IVA ou de quaisquer outros impostos.

Embora as estatísticas sobre o desemprego nos países da CE apresentem já níveis alarmantes, é evidente que os actuais instrumentos, e sobretudo o conceito estatístico de desempregado, não permitem avaliar com o necessário rigor a importância social das pessoas sem emprego. A quase total liberalização dos mercados está a empurrar cada vez maior número de pessoas para fora do mercado de trabalho, forçando-as a reformas prematuras ou à total exclusão. Depois de ter sido essencialmente industrial, este fenómeno ganha agora uma dimensão mais universal, afectando na Europa comunitária os serviços e os sectores da agricultura e das pescas.

Como compensação, serão necessários cada vez mais serviços de segurança, públicos e privados, e serão cada vez maiores os encargos com a justiça. A nível político criam-se, entretanto, condições para o surgimento de soluções radicais. Basta olhar para alguns países da América Latina ou da Europa do Leste para se ter consciência dos riscos que os países correm quando permitem que a barreira do desemprego ultrapasse determinados limites.

A economia russa continua a degradar-se, apesar de os dados oficiais quererem revelar o contrário. Agora que saiu do Governo, Boris Fiodorov nega que tenha havido qualquer terapia de choque. Os primeiros indicadores de 1994 apontam para uma degradação da situação e o Fundo Monetário Internacional alerta Moscovo para as dificuldades na concessão de novas ajudas.

Com o fim da URSS tudo se alterou. Os principais fornecedores de matéria-prima, os antigos Estados soviéticos da Ásia Central, começaram a exigir preços internacionais, ou mesmo mais elevados, pelos seus produtos. Além disso, o custo da energia e de outros bens necessários à produção, que aumentam mensalmente, e os elevados impostos fazem com que o produto final atinja preços superiores aos praticados internacionalmente, o que impede as exportações e torna proibitiva a comercialização no país.

São três ideias distintas para o futuro de Portugal. João Ferreira do Amaral, prestigiado académico, põe em causa que se leve à letra o objectivo da convergência nominal traçado por Maastricht. Em vez duma aproximação rápida à inflação média europeia, o que é preciso, diz, é investir mais na produção de bens transaccionáveis porque vem aí o GATT e a moeda única e depois tudo será mais difícil. Do lado do Governo, Valente de Oliveira, há nove anos responsável pelo Planeamento, vê o presente e o futuro de Portugal com mais tranquilidade. «O país é viável e está de boa saúde», afirma. E com isto dá-se por satisfeito com o que foi alcançado com o primeiro Quadro Comunitário de Apoio e defende as prioridades traçadas para o segundo. No meio, nomes sonantes de gestores lançam o Fórum da Competitividade. Para que os empresários discutam, eles próprios, como poderão tornar-se mais competitivos. Dois documentos e uma entrevista, onde não falta a polémica, para ler nas páginas que se seguem.

Valente de Oliveira, ministro do Planeamento e Administração do Território, afirma que os pedidos para transferência de verbas serão realizados logo no dia 1 de Março. Os primeiros projectos a receber ajudas são os que já se encontram em fila de espera desde o QCA anterior.

tuições de investigação vão ter meios para continuar. É um problema de duas rodas dentadas: uma as PME e outra as universidades. O que acontece é que há qualquer coisa que falta no meio. Estão afastadas. O que falta aqui são as associações empresariais.

R. -- Não, mas por isso é que lhe digo que não é tanto por uma questão de dinheiro. É uma questão de obrigação. Há PME que não precisam das rodas dentadas, porque são as que são feitas pelos engenheiros, pelos investigadores. Esses sabem ir à fonte da inovação tecnológica. Para as PME que não tiveram essa origem, temos que ir arranjar instituições de agregação da procura de conhecimentos científicos.

No próximo sábado, o Coliseu dos Recreios reabre com novo visual. No interior, que a fachada foi preservada. Um palco maior e cadeiras mais confortáveis receberão os felizardos que assistirão à gala musical, que reúne o pianista Pedro Burmester e a Orquestra Sinfónica de Londres. É este, oficialmente, o acontecimento que marca o início das realizações que justificam Lisboa ser este ano Capital Europeia da Cultura. A renovação daquele belo edifício já ninguém nos tira...

«Tauromaquias 1994» é o título de uma exposição colectiva de artes plásticas que começa hoje e dura uma semana certinha. É uma iniciativa da Tertúlia Tauromáquica Setubalense, que foi bem acolhida pela galeria «Arte y Oficina», em Setúbal (Av. Luísa Todi, 468). Depois de Picasso e Goya, depois de tantos cartazes inesquecíveis, entram nesta antecipação de temporada António Inverno, Artur Bual, Delfim Maya, Dilia Fraguito, Ernesto Neves, José Carrapatoso, José Noel Perdigão, Manuel Vieira, Manuela Matos Silva, Manuela Pinheiro e Maria João Guimarães. Horário: 14h-18h30, 21h-22h30.

De alto nível, numa boa simbiose do que de melhor há nos carros franceses (suavidade) e alemães (silêncio de funcionamento).

Em 1986, quando lançou o Renault 21, a Renault era uma empresa moribunda, acusando o peso de défices giugantescos. Esse seu novo modelo sofreu desse parto difícil (nomeadamente ao ter que encaixar motores montados em posição transversal e outros montados em posição longitudinal) mas realizou uma brilhante carreira, muito apoiada no sucesso da carrinha Nevada, um dos raros modelos da Renault dos últimos 20 anos a suscitar amores à primeira vista. O sucessor do 21 surge num quadro empresarial substancialmente diferente, numa altura em que a Renault é mesmo um dos construtores europeus a resistir melhor à crise económica. Não surpreende, por isso, que o investimento neste novo modelo seja tão forte.

A resposta não é imediata, devido à opção pela Renault por um motor de 1,8 litros de cilindrada mas menos potência do que muitos motores de 1,6 litros. Mais: os dois modelos que actualmente lideram o segmento -- o Ford Mondeo e o Citroën Xantia -- começam a sua oferta com versões equipadas com motores de 1,6 litros e níveis de potência e de prestações idênticos ao do mais barato Laguna, o 1.8 RT. É que, beneficiando de uma menor carga fiscal, são propostos a preços sensivelmente mais baixos. Ora se a estes dois modelos acrescentarmos um outro dos «best-sellers» do segmento -- o Nissan Primera, que recebeu recentemente motores novos --, verificamos que é possível oferecer mais potência com uma menor cilindrada e a um menor preço.

Neste quadro, a Renault jogou, sobretudo neste RXE, a cartada do equipamento e da sofisticação para poder combater os seus adversários mais directos -- e mais ágeis. Por isso, propôs alguns equipamentos que dificilmente se encontram em viaturas deste segmento. É o caso dos bancos dianteiros reguláveis electricamente e com três memórias, e do computador de bordo com sintetizador de voz.

A actualidade nacional aparece de repente cheia de escândalos. Vinham vindo, de mais ou menos longe, mas agora como que convergem em conjunto aos olhos do público, à luz do dia; não foi possível abafá-los de todo, interrogam as consciências, incomodam. Têm que ver com ministros ainda há pouco no cargo (a alguns dos quais o seu chefe político renova publicamente a confiança), banqueiros, partidos, grandes firmas, altos agentes do Estado, figuras que exerceram ou exercem poder de influência ou de dinheiro.

Pode aceitar-se que a acumulação de cargos diferentes numa mesma pessoa pública lhe dê liberdade de usar a ambiguidade de escolher o chapéu pelo qual quer ser responsabilizado quando chamado à pedra perante situações incómodas?

Foi numa peça da Broadway, «Anna Christie», de Eugene O'Neil, que Steven Spielberg encontrou o intérprete para o tão aclamado «Schindler's List», o seu exorcismo dos fantasmas do Holocausto. Liam Neeson é irlandês, não é uma estrela -- esteve no «Excalibur» de John Boorman ou no «Maridos e Mulheres» de Woody Allen -- mas tinha para Spielberg o «espírito» de Schindler: «carisma, `sex appeal' e cavalheirismo». Isso e também uma grande dose de ambiguidade, quase uma neutralidade moral. Salvou mil judeus dos campos de concentração e era nazi, e a contradição não se explica facilmente. A consciência, essa estava fora do corpo e da pose de Schindler. Estava num judeu, Itzhak Stern (interpretado por Ben Kingsley). Era ele a sombra de Oskar Schindler.

Têm a particularidade de ser todos voluntários e uma boa parte deles vai aceitar o regime de contrato. Uns ofereceram-se por influência de familiares ou amigos que foram pára-quedistas, outros por terem assistido a um festival aéreo, outros ainda seduzidos pelo clima de risco que rodeia esta actividade. Alguns admitem que, a par de outras razões, houve algum desencanto com a vida escolar e fracas motivações para a juventude nas terras de origem. Quase todos lá chegaram com a consciência de irem enfrentar um desafio difícil até chegarem à porta do avião, mas poucos imaginavam passar uma série de semanas sem darem descanso ao corpinho e ao espírito.

O conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) Raul Mateus entregou na Presidência do Conselho de Ministros um requerimento dirigido ao primeiro-ministro, solicitando a Cavaco Silva que, «com a urgência devida», adopte as medidas adequadas para a melhoria das estruturas materiais e humanas do STJ.

Tentando minimizar a situação, no passado dia 15 de Setembro, no âmbito da abertura dos tribunais, o ministro Laborinho Lúcio inaugurou alguns gabinetes de apoio, que foram disponibilizados para os conselheiros, em instalações situadas na Rua Nova do Almada, a cerca de 500 metros do Supremo. Segundo afirmou ao PÚBLICO um conselheiro, estes gabinetes parecem «salas apinhadas de secretárias». O mesmo membro do STJ queixou-se de que «os conselheiros são tratados como quadros inferiores da administração pública e não como titulares de um orgão de soberania».

APDC desaconselha contribuições para "ÁfricAmiga" - O presidente da Associção Portuguesa de Direito de Consumo, Mário Frota, aconselhou ontem a população a abster-se de contribuir monetariamente para a campanha "ÁfricAmiga", por considerar não existirem garantias inequívocas de que os meios assim reunidos se destinam de facto às populações africanas carenciadas. "Há evidentes perigos de que a pretensa ajuda aos africanos se converta em meios susceptíveis de constituirem a base de um acrescido reforço da logística da guerra", alerta, em comunicado, o preidente da APDC. Mário Frota lembra ainda "as bolsas de miséria que abundam em Portugal" e, como tal, "a necessidade de não distrair meios essenciais sem a garantia de que se destinarão a suprir carências de grau mais elevado". Em sentido contrário pronunciou-se ontem o coordenador-geral da campanha «ÁfricAmiga», António Almeida, segundo o qual as verbas recolhidas serão canalizadas para projectos da Igreja e de organizações não-governamentais (ver pág. 28).

Manuel Graça, coordenador do sindicato do calçado, disse que a gerência tenciona transferir o activo das duas empresas ameaçadas pelo processo de falência para uma nova empresa, de nome Carpex, que se encontra em nome da filha de José Henriques de Oliveira, acrescentando que os trabalhadores não têm quaisquer garantias de pagamento ou de emprego.

O quadro «O Grito», de Edvard Munch, roubado da National Gallery de Oslo, Noruega, no sábado passado (ver PÚBLICO de 13/2/94), poderá ser devolvido se a televisão transmitir um documentário anti-aborto, afirmou ontem um pastor norueguês. A operação do museu «não é alheia à questão que mobiliza todas as nossas preocupações», explicou, em entrevista à rádio, Borre Knudsen, o pastor, que convidou vários activistas norte-americanos anti-borto a participarem em manifestações de protesto na Noruega durante as jornadas Olímpicas. «Se a televisão norueguesa transmitir `O Grito Silencioso' (filme anti-aborto), `O Grito' (de Munch) voltará a fazer-se ouvir», acrescentou. Knudsen recusou-se a responder quando o entrevistador perguntou se ele, ou os seus apoiantes, estavam envolvidos no roubo. «Não nos podemos abrir muito sobre isso», limitou-se a dizer. «Emitimos um sinal. Esperamos que seja audível mas entretanto a discrição é a palavra de ordem». Um superintendente da polícia, Leif A. Lier, está a analisar o texto da entrevista para saber se irá ou não convocar Borre Knudsen, ou um outro pastor anti-aborto conhecido, Ludvig Nessa, para esclarecer melhor o caso.

O conselho de administração da Bolsa do Porto (ABVP) enviou ontem um convite ao presidente da Bolsa de Lisboa, Manuel Ricciardi, para que as duas administrações possam reunir conjuntamente e analisar as consequências da proposta da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que visa entregar os mercados à vista a Lisboa e os futuros e opções ao Porto. Esta foi a decisão saída da reunião, no fim de tarde da passada quarta-feira, do conselho de administração da ABVP. A ideia de tal reunião, que a ABVP pretende seja efectuada na primeira semana de Março, é proporcionar uma reflexão conjunta sobre as consequências da divisão dos mercados e da melhor forma de a concretizar.

O ICEP - Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal, assinou ontem em Lisboa seis protocolos com instituições bancárias que prevêm a abertura de linhas de crédito, a taxas preferenciais, no valor de 11 milhões de contos e que se destinam a financiar planos de internacionalização das empresas portuguesas.

A reunião de hoje entre a administração da TAP e os sindicatos representativos do pessoal de terra é «determinante» para as duas partes, conforme disse ao PÚBLICO o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava), António Monteiro. Este dirigente sublinhou ainda que não corresponde à verdade a ideia de que o seu sindicato estará a ficar isolado nas negociações. «Pelo contrário, há acções convergentes entre nós, o Sitema [sindicato dos técnicos de manutenção] e outros sindicatos de terra», acrescentou. Na ausência de qualquer acordo com a administração da transportadora aérea, o pessoal de terra da companhia poderá endurecer as formas de luta e convocar mesmo greves.

UMA EMPRESA eslovaca de Kosice iniciou a exportação para Angola de 40 lança-rockets de 122 milímetros, recuperados dos depósitos de armamento destinado a destruição. Os lança-rockets do tipo RM-70, montados em chassis de camiões todo o terreno Tatra, peças sobresselentes e uma dezena de veículos blindados equipados como ambulâncias valeram um milhão e meio de dólares, anunciou ontem a imprensa eslovaca. Restaurados nas oficinas especializadas de Moldava nad Bodvou, no Leste da Eslováquia, os primeiros lança-rockets chegaram ao porto polaco de Szczecin, a fim de serem transportados por mar para Angola. O contrato teve luz verde do governo de Bratislava, mas foi entregue a uma empresa privada e não à sociedade estatal Armex, especialista oficial na exportação de armas.

UM MORTO EM BELFAST -- Um polícia morreu e dois outros ficaram feridos na sequência de um atentado, ontem, em Belfast, anunciou a polícia da Irlanda do Norte (Ulster). A viatura em que seguiam os agentes foi atingida com o tiro de um roquete num bairro republicano (católico) do centro da cidade. Na madrugada anterior, um soldado britânico ficara gravemente ferido após a explosão de uma bomba num outro bairro republicano da zona oriental da capital do Ulster. Algumas horas mais tarde, uma segunda bomba explodiu numa zona católica de Belfast, mas aqui sem causa vítimas.

A Rússia anunciou ontem que os sérvios bósnios decidiram «retirar as suas armas pesadas da região de Sarajevo», em resposta a um pedido de Moscovo, e declarou-se disposta a enviar para a capital bósnia parte do seu contingente de capacetes azuis. «Os sérvios da Bósnia decidiram em Pale [o seu quartel-general a 16 quilómetros de Sarajevo] retirar as suas armas pesadas», anunciou um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Após a entrevista com Churkin, Radovan Karadzic confirmou a intenção de retirar as suas armas pesadas de Sarajevo: «Nós faremos o que a Rússia nos pede, na base dos nossos acordos de 7 de Fevereiro com o senhor Akashi [chefe da missão da Forpronu] e de 9 de Fevereiro com a parte muçulmana», declarou. Esta nova disposição dos sérvios bósnios poderá contribuir decisivamente para contornar o ultimato militar da NATO, que ameaça efectuar raides aéreos contra as suas forças a partir da meia-noite do próximo domingo (ver pág. 10).

Álvaro Beleza anunciou ontem que desistia de se candidatar ao cargo de secretário-geral do Partido Socialista. Com a desistência da candidatura de Beleza na convenção de Março, António Guterres será o único candidato ao cargo. Álvaro Beleza justifica a desistência por se terem detectado problemas na sua lista em três dos 14 circulos eleitorais. A decisão foi comunicada ontem durante uma reunião com dirigentes socialistas, na sede do partido, no Largo do Rato. Alguns dos elementos apresentados como candidatos nos três circulos eram apenas militantes da JS ou filiados no partido há menos de seis meses factos que foram detectados pela Comissão Técnica Eleitoral e de que deu conhecimento quarta-feira aos membros da candidatura.

Fernanda Palma será a nova juíza do Tribunal Constitucional, em substituição de António Vitorino, que abandona este órgão para integrar a lista do PS para o Parlamento Europeu. O novo membro do TC é doutorado em Direito Penal pela Universidade de Lisboa, onde integra o corpo docente, e foi a primeira mulher a ascender ao referido grau académico nessa área.

Canal Plus: Socialistas ao ataque -- Os socialista franceses retomaram ontem as violentas acusações dirigidas pelo demissionário presidente do Conselho de Administração do Canal Plus, André Rousselet, que anteontem acusou o primeiro-ministro Edouard Balladur de lhe ter «feito a cama». Par a oposição socialista, o chefe do executivo, ao colocar homens da sua confiança em determinados lugares já está apensar nas eleições presidênciais de 1995.

Phoolan Devi quase em liberdade -- Phoolan Devi , a «rainha dos bandidos» da Índia, deverá ser libertada até sexta-feira pondo fim a mais de dez anos de prisão. A informação foi ontem prestada à agência Lusa por responsáveis da editora Livros do Brasil, que brevemente Phoolan Devi foi acusada da morte de vinte homens de uma casta elevada da sua aldeia, corria o ano de 1981, para se vingar de uma violação colectiva de que foi vítima, quando ainda era uma adolescente.

Maria José Nogueira Pinto, antiga secretária de Estado da Cultura, e João Ribeiro da Fonseca, presidente da companhia aérea Portugália, deverão abrilhantar a nova equipa dirigente do CDS-PP -- embora sem nela participarem -- ao integrar o Gabinete de Estudos do partido.

Daí que Monteiro se tenha preocupado em assegurar a participação do núcleo duro da direcção cessante, que consigo assumiu a gestão do partido há dois anos, mas se tenha empenhado em recuperar figuras históricas do CDS, bem como em conquistar novos nomes desconhecidos da política mas com prestígio no mundo empresarial e/ou universitário.

Poderá ser um dos mais pacíficos congressos centristas, mas nem por isso menos importante. Sem oposição interna organizada, o presidente popular recandidata-se, acompanhado agora de figuras de peso. Ao fim de dois anos só com um núcleo duro de fiéis, Manuel Monteiro recupera «freitistas» e «piristas» e até vai buscar homens da sociedade civil que se estreiam na política, como Galvão Lucas. Mais: a decorar o bolo, apresenta «estrelas» como Maria José Nogueira Pinto, convidada para integrar o gabinete de estudos do partido. É a busca da mais-valia política que permita ao CDS-PP enfrentar as legislativas de 95 e a tentativa de acabar de vez com a ideia de que o Caldas é comandado por um «grupo de meninos». Por agora vêm aí as europeias, a prova de fogo para o estilo Monteiro. Daí que na direcção dos populares haja quem queira jogar forte já e vá propor o nome do presidente do partido como cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu.

Mais: ao que o PÚBLICO apurou, há dirigentes do partido interessados em defender em pleno Congresso que este é o momento apropriado para lançar o nome do primeiro candidato centrista e que o lugar deve ser ocupado pelo próprio Monteiro, já que é a figura do partido que mais popularidade capitaliza perante a opinião pública.

Luís Nobre Guedes -- Advogado, apoiante desde o início de Manuel Monteiro e um dos colaboradores essenciais na definição da estratégia.

Ricardo Vieira -- Licenciado em Direito e assistente universitário. Líder do CDS-PP Madeira. Ex-pirista, conheceu Monteiro em 1986, o qual o chegou a propor para líder do partido.

Uma das consequências deste Congresso será a diluição das tendências históricas que ao longo da existência do CDS se digladiaram, alternando na liderança do partido. Ao fim de dois anos de consulado, Manuel Monteiro vem provar, com a aceitação dos convites que endereçou a representantes das antigas famílias, que conseguiu vencer a fase de desconfiança com que muitos acolheram a sua ascensão, prevendo-lhe um curto e atribulado futuro à frente dos destinos dos centristas.

Mesmo que no Congresso deste fim-de-semana se ouçam as tradicionais vozes que reclamam ser a antiguidade um posto, recordando terem estado em todos os momentos difíceis desde o cerco do Palácio de Cristal, essas serão reivindicações cada vez mais isoladas, que não constituirão resistência impeditiva da chegada dos novos nomes que Monteiro irá anunciar.

É com estes nomes que Monteiro conta para o que der e vier. Na nova direcção irá manter o seu núcleo duro de aconselhamento, mas contará também com os contributos dos ex-freitistas e ex-piristas, que agora se juntam na nova Comissão Política. Um quadro que poderá isolar os novos desalinhados que, em tempos, se não lhe deram o apoio total, deram-lhe o benefício da dúvida quanto à eficácia da sua liderança.

Manuela Ferreira Leite resolveu dar o golpe de misericórdia na questão do acesso dos professores ao 8º escalão da carreira docente. Depois de ter cedido às pressões na problemática das horas extraordinárias, pretende transformar o despacho sobre a equiparação dos exames de Estado em decreto-lei, o que o torna vinculativo. A Fenprof diz que a ministra dá com uma mão e tira com a outra. E vai pedir uma audiência ao Provedor de Justiça.

A reunião serviu para decidir a suspensão daquela que foi a maior greve de que há memória na educação -- decorria desde o dia 8 de Novembro passado -- pelo menos até à saída do parecer da Procuradoria Geral da República, que não é esperado antes do final do ano lectivo. «Depois reequacionaremos a situação», referiu Teodolinda Boucinha, que considerou a cedência da ministra como um «recuo» despoletado pela «constatação de que não era possível substituir os professores grevistas».

Os estudantes do ensino superior reúnem-se hoje em Coimbra para um Encontro Nacional de Dirigentes Associativos (ENDA) extraordinário destinado a discutir exclusivamente a questão das propinas. A ordem de trabalhos do encontro refere apenas um ponto: «reacção à nova lei das propinas e acções a desenvolver no sentido de exigir a concretização de uma verdadeira Reforma Global do Ensino Superior». Em termos objectivos, o ENDA pretende tirar o pulso ao grau de mobilização dos estudantes para a gerra das propinas e deliberar sobre o que fazer daqui por diante, não estando excluída a hipótese da realização de uma manifestação já no próximo dia 24 e um eventual referendo nacional ao boicote.

O internato geral que os estudantes de Medicina tinham que cumprir durante 18 meses depois de seis anos de curso vai mesmo acabar. A certeza foi dada ontem pelo ministro da Saúde, mas os alunos têm dúvidas sobre a forma como se vai fazer a transição para o novo sistema de ensino de Medicina.

Inaugurou na quinta-feira a segunda das exposições integradas nas comemorações do sexto centenário do nascimento do Infante D. Henrique. Uma exposição que é também o resultado de uma investigação pioneira sobre a arquitectura revivalista do século XIX.

Regina Anacleto, directora do Instituto de História de Arte da Universidade de Coimbra e comissária científica da exposição, pesquisou durante oito anos a arquitectura oitocentista portuguesa. Inventariou monumentos, procurou fontes, e constatou o estado de degradação que a indiferença por este período tem provocado. Plantas, gravuras e desenhos estão frequentemente guardados em arcas ou armários, enrolados ou amarrotados, e para lá decerto voltarão depois de terminada a exposição. As peças decorativas são vendidas ou destruídas sem que haja meios de se pôr cobro a esta situação. Na Quinta da Regaleira em Sintra, por exemplo, nunca a deixaram entrar. E escreve: "Não se pode continuar a permitir que o palacete de Monserrate se degrade paulatinamente; que a Regaleira seja sistematicamente despojada e espoliada do seu recheio artístico; que o valioso espólio do Buçaco não esteja protegido da humidade e se esteja a desfazer rapidamente (...); que se pense colocar a Praça de Touros do Campo Pequeno dentro de uma torre de vidro para a transformar num centro comercial; que os recheios de muitos desses edifícios não sejam inventariados e fotografados, etc."

Randy Shilts, que trabalhava como correspondente para o «San Francisco Chronicle», autor de dois dos livros mais importantes para a história da sida e dos direitos da comunidade «gay» -- respectivamente «And the Band Played On: Politics, People and the Aids Epidemic» (1987) e «Conduct Unbecoming: Gays & Lesbians in the U. S. Military» (1993), este sobre a discriminação dos homossexuais e das lésbicas no serviço militar --, morreu quinta-feira, na Califórnia. Shilts tinha 42 anos e sabia desde 1987 que estava infectado com o vírus da sida.

O mais célebre quadro de Edvard Munch, «O Grito», roubado há uma semana da National Gallery de Oslo, poderá aparecer se a televisão norueguesa passar o documentário anti-aborto «O Grito Silencioso». É pelo menos isso que o pastor norueguês Boerre Knudsen afirma.

O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque inaugura amanhã uma grande retrospectiva dedicada a Frank Lloyd Wright, um dos mestres da arquitectura norte-americana, falecido em 1959, aos 91 anos. Trezentos e cinquenta desenhos ou planos, quarenta maquetas, esculturas, vitrais e fotografias retratam a carreira de 70 anos do inovador arquitecto, cujo projecto mais conhecido é o Museu Guggenheim, em Nova Iorque. A exposição, que estará patente ao público até 10 de Maio, mostra ainda projectos de arranha-céus, edifícios de escritórios, templos e sinagogas. Uma série de conferências reflectirá sobre a possível influência de Lloyd Wright na arquitectura europeia.

Foram apresentados vários estudos de casos particulares, tanto de artistas como de edificações, em Lisboa e no Brasil. Maria Filomena Brito e Teresa Morna, do Museu de São Roque, da Misericórdia de Lisboa, aproveitaram a capela dos Lencastres no Convento de São Pedro de Alcântara para falar da pintura do azulejo ou «mosaico florentino», um sector «ainda pouco estudado entre nós».

Já se encontram à venda, desde ontem, os bilhetes para os espectáculos de Lisboa 94. Os pedidos de reserva também já estão a aparecer, sobretudo de empresas e outras entidades estrangeiras. Ao mesmo tempo, várias agências de viagens e operadores turísticos estão a vender «packages» de estadias na capital portuguesa que integram o preço de entradas para museus, exposições e outros acontecimentos. Para alguns, a lotação ameaça esgotar.

Para além dos postos de venda em Lisboa, os bilhetes estão a ser vendidos de outras formas. Por exemplo, através de agências e operadores turísticos nacionais e estrangeiros, que comercializam pacotes de viagens a Lisboa onde são incluídas entradas para espectáculos e exposições. Alemanha, Espanha, Inglaterra, Bruxelas e Itália são alguns dos lugares onde está a ser mais forte a promoção do evento, através do Instituto do Comércio Externo de Portugal.

O espanhol Severiano Ballesteros inscreveu-se hoje para o Open de Portugal em golfe, a disputar no Campo da Penha Longa, em Sintra, entre 17 e 20 de Março, anunciou a Professional Golfers Association (PGA). A PGA tem já elaborada a primeira lista de 140 concorrentes ao Open de Portugal, que poderá, no entanto, sofrer alterações até dia 10 de Março.

Regressou há algumas semanas à Europa e tem treinado intensamente desde então. A época de 1993 foi a primeira, desde meados dos anos 70, em que não conseguiu qualquer triunfo. «Continuo a ter muito para dar ao golfe como jogador e ainda vou surpreender muita gente. Não acredito que a minha carreira tenha terminado», afirmou o jogador espanhol, em Novembro.

Decidida que está, em termos de apuramento (falhado) para os «play-off», a campanha europeia da equipa do Benfica, é altura de os pentacampeões se virarem exclusivamente para os seus compromissos internos, ou seja, para as importantes decisões do campeonato e Taça.

No entanto, o frente-a-frente entre duas das melhores equipas do nosso campeonato dá a este confronto um especial atractivo, onde os duelos entre Pedro Miguel-J. Jacques e Lisboa e R. Cotton-T. Radford e K. Sprewer podem ser a chave do jogo.

O espanhol Asier Goenetxea, da Royal-Artiach, venceu ontem ao «sprint» a primeira etapa do Grande Prémio «A Capital» em ciclismo, que continua a ser liderado pelo vencedor do prólogo de quinta-feira, o português Jorge Silva, da Sicasal-Acral. Goenetxea gastou 3h12m26s para percorrer os 126km do traçado entre Lisboa e as Caldas da Rainha, à média de 39,286km/h. Paulo Pinto (Maia-Jumbo-Serrate-Beirão) foi segundo, enquanto o espanhol Kiko Garcia (Once) chegou na terceira posição, ambos com o mesmo tempo do vencedor. Hoje, o pelotão vai percorrer 129km entre as Caldas da Rainha e a Amora.

Realiza-se hoje a 3ª jornada do Torneio das Cinco Nações, em râguebi, com o encontro País de Gales-França a dominar as atenções. Os galeses lideram a classificação geral, com quatro pontos em dois jogos, e, caso vençam os franceses, ficam em boa posição para a conquista do troféu. A França, que já não perde desde 1982 nesta competição, com o seu anfitrião de hoje, segue na segunda posição, com dois pontos em um jogo. Uma performance idêntica à conseguida pela Inglaterra, pior diferença entre pontos marcados e sofridos, que recebe a Irlanda em Twickenham e não deverá sentir grandes dificuldades para vencer.

Joseph Blatter desencadeou uma grande ofensiva que o pode levar a presidente da FIFA, no Congresso de Junho. Havelange, para já o único candidato à sua própria sucessão, tem cometido muitos erros e, aos 78 anos, pode perder um lugar que conquistou está a fazer duas décadas.

Foi há cerca de três semanas que o jornalista Paco Aguilar escreveu, no France-Football, uma história em que se contavam as desavenças entre o secretário-geral e o presidente sem citar fontes. O ponto fulcral tinha sido em Dezembro, em Las Vegas, quando Havelange resolveu ditatorialmente impedir Pelé se estar presente no sorteio do Mundial que se realizou naquela cidade americana, porque o astro denunciara um caso de corrupção que envolvia a Federação Brasileira e o seu presidente, Ricardo Teixeira, genro de Havelange porque marido da sua filha Lúcia. Na página seguinte aparecia uma entrevista com Blatter em que este falava quase só do caso do Marselha.

O Belenenses recebe hoje o Sporting em jogo da 20ª jornada do Campeonato Nacional de futebol da I Divisão que será transmitido pela TV2, às 20h00. Domingo é a vez do Famalicão-FC Porto, partida disputada no Estádio do Varzim SC, na Póvoa do Varzim, mas que poderá ser seguida também na TV2 e às 20h00. Bento Marques, de Évora, e Carlos Valente, de Setúbal, serão, respectivamente, os árbitros destes dois jogos. A jornada ficará completa com os restantes sete jogos, todos eles marcados para domingo, às 16h00: Benfica-Beira Mar, Marítimo-Estoril, Braga-Boavista, P. Ferreira-Guimarães, Salgueiros-Gil Vicente, Setúbal-União e E. Amadora-Farense.

As eleições do FC Porto para o próximo biénio estão marcadas para o próximo mês de Maio, disse o presidente da Assembleia Geral, Sardoeira Pinto, que garantiu ainda não ter discutido com Pinto da Costa a recandidatura dos actuais corpos gerentes. A lista de apoiantes que o «Grupo dos 600» continua a elaborar para manutenção do actual presidente da direcção é, no entanto, já um seguro indicativo de que Pinto da Costa irá manter-se à frente do clube, probabilidade confirmada ao PÚBLICO por uma fonte do clube.

Portugal começará no próximo dia 7 de Setembro, em Belfast na Irlanda do Norte, a fase de qualificação para o Europeu, cuja fase final se desenrolará em quatro cidades inglesas em Junho de 1996. Foi isso que determinou a reunião de seleccionadores e responsáveis federativos que ontem de manhã teve lugar em Viena, na Áustria, paara acertar aquele calendário.

Outra característica do calendário de Portugal são os dois primeiros jogos serem fora, continuando com dois em casa (Áustria e Liechtenstein). A República da Irlanda, cabeça-de-série neste grupo e a única das seis equipas presente no Mundial será nossa adversária a 6 de Abril de 95 em Dublin e a 15 de Novembro do mesmo ano em Portugal, na última jornada -- um jogo que pode ser decisivo e que é um ponto a nosso favor neste calendário.

Pentacampeão do mundo, cinco vezes o nº 1 do «ranking» mundial nos últimos sete anos. É este o perfil de Jansher Khan, paquistanês, que aos 24 anos é o incontestado líder do squash mundial. Chegou ontem ao Porto onde, ontem e hoje, no Clube de Squash do Porto, realiza um `clinic' e dois jogos de exibição em que defrontará o pentacampeão nacional Luís Barbosa, também ele um profissional da modalidade.

Jansher Khan -- Sobretudo à minha fé. É isso que distingue os jogadores muçulmanos de todos os outros. Há jogos em que estou a perder, mas consigo virar o resultado em momentos cruciais, devido à minha fé. Depois, é necessário muito trabalho, muita disciplina, muita concentração e também muita sorte. Eu, por exemplo, para manter a forma, treino cerca de sete horas por dia.

O estabelecimento de um novo recorde mundial e olímpico dos mil metros de patinagem de velocidade, por parte do norte-americano Dan Jansen, com o tempo de 1m12,43m, foi um dos momentos mais importantes do dia de ontem dos Jogos de Lillehammer, Noruega.

Nas outras provas de ontem, a canadiana Myriam Bedard conquistou o ouro nos 15 km do biatlo e a equipagem italiana venceu a prova de trenó de dois masculino.

Realizam-se hoje e amanhã, no Pavilhão de Desportos de Braga, os Campeonatos Nacionais de atletismo em pista coberta, competição decisiva para apuramento da selecção portuguesa que irá estar presente no Campeonato da Europa de 11 a 13 de Março, em Paris. A Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) divulgará a lista dos seleccionados logo após os campeonatos.

Fernanda Ribeiro e Marina Bastos são as duas fundistas de primeira linha presentes. A primeira irá fazer 1500m e, dada a forma que vem alardeando, não seria surpresa um resultado de impacte; Marina concentrar-se-á nos 3000m e, embora não tão forte como no ano passado, poderá conseguir o bilhete para a Cidade-Luz. No sector masculino, para além dos outros atletas referidos, o fundista de maior relevo presente em Braga será José Regalo, que promete um duelo animado com Cândido Maia nos 3000m.

O Famalicão e o FC Porto aceitaram que o avançado Mitharski se desloque na próxima terça-feira à Bulgária para assinar um contrato de três meses com um clube búlgaro, confirmou ao PÚBLICO o futebolista, que regressará a Portugal no início da próxima época para cumprir o último ano de contrato com os portistas. «Partiu tudo da minha iniciativa. Falei com o presidente do Famalicão e este contactou Pinto da Costa. Quero estar próximo do seleccionador da Bulgária para poder lutar por um lugar na equipa que vai disputar o Mundial», explicou Mitharski, que irá escolher um dos quatro clubes bulgaros interessados nos seus serviços. Famalicão e FC Porto deixarão assim de dividir o pagamento dos ordenados do jogador, cerca de três mil contos/mês.

A «performance» de Robinson foi também decisiva para que os Spurs obtivessem um recorde da equipa, com a sua 11ª vitória consecutiva, e passassem a somar 37 vitórias, o que faz deles a formação da Liga que mais jogos ganhou esta época. Apesar disso, os Spurs são ainda segundos na Divisão Médio-Oeste, por terem mais derrotas que os comandantes, os Houston Rockets (37-14 contra 35-13).

«Alimentação no Desporto -- Atletas de Meia-Maratona», da autoria de Jorge Baltasar, José Mário Ribeiro e Vítor Arsénio, é a última edição dos Serviços de Desporto da CM de Oeiras. Sabendo os muitos erros alimentares em que praticantes experimentados incorrem, esta é uma obra indispensável. A publicação é gratuita e deverá ser solicitada aos Serviços de Desporto da C. Municipal de Oeiras.

De registar ainda que a corretora do BPA obteve menos dinheiro de comissões em geral, mas mais comissões provenientes de corretagens, assim como menos prejuízos em operações financeiras. Se em 1992 registava provisões para créditos vencidos e para outros riscos de 25 386 contos, o ano passado esse valor ficou-se pelos 8 760 contos, tendo conseguido igualmente mais lucros em operações financeiras (34 704 contos em 93, contra os 20 305 contos de 1992). O resultado da actividade corrente também registou uma subida significativa, passando dos 586 300 contos de 1992 para 661 198 contos no ano passado.

Hong Kong terminou a sessão de ontem em alta face aos valores da véspera. À semelhança do que aconteceu na quinta-feira, o interesse de investidores estrangeiros por este mercado fez aumentar o volume de negócios e o valor das acções. Os fundos de investimento ingleses e norte-americanos estiveram especialmente activos nestes últimos dias. No final da sessão o índice Hang Seng terminou nos 10825,88 pontos, mais 0,36 por cento.

A última sessão da semana da Bolsa de Tóquio ficou caracterizada por uma ligeira recuperação das cotações. Mesmo assim o desfecho semanal é bastante negativo por quanto o mercado caiu bastante logo nos primeiros dias. Ontem verificou-se um aumento pelo lado da procura o que levou a uma valorização das cotações. No final do dia o índice Nikkei registava uma valorização de 0,15 por cento face ao fecho de quinta-feira.

O negócio com obrigações prejudicou as transacções no segmento accionista mas não impediu uma importante valorização dos preços. O índice DAX-30 subiu 1,09 por cento para acabar nos 2151,97 pontos. Em todo o caso, o mercado continuou a ser influenciado positivamente pela decisão do Bundesbank em descer a sua taxa de desconto. O balanço semanal é, porém, negativo, já que neste período o referido indicador perdeu 61,36 pontos.

O índice Swiss Performance da Bolsa de Zurique caiu mais um por cento. Estabeleceu-se nos 1926,45 pontos. Este comportamento esteve relacionado com a evolução do mercado de futuros e opções, que ontem teve o seu último dia de contagens. As perspectivas são agora mais «cinzentas», segundo «traders», sendo de esperar a manutenção das actual tendência. As transacções incidiram sobre os papéis mais tradicionais, como Ciba-Geigy, Nestlé e UBS.

Abrandamento da procura interna e do investimento são as notas dominantes da conjuntura económica, segundo o Banco de Portugal. A derrapagem das contas da Segurança Social também preocupa a instituição.

Nos mercados cambiais, o Banco de Portugal informa que, em Janeiro passado, «o escudo continuou estável, tendo-se apreciado 0,2 por cento em termos efectivos», o que terá permitido ao Banco de Portugal «prosseguir a redução gradual das suas taxas de intervenção».

Portugal foi um dos quatro países europeus em que o aumento da taxa de falências, no ano de 1993, foi superior a 30 por cento, a par da Áustria, Espanha e Alemanha. No período em análise, foram encerradas na Europa cerca de 233 mil firmas, o que representa uma subida de 10 por cento em relação ao ano anterior -- de acordo com dados de um estudo apresentado em Dusseldorf pela Federação das Associações de Reforma de Empréstimos. Só a Suécia, Noruega e Reino Unido registaram uma diminuição no número de empresas falidas. Nos doze países da Comunidade Europeia, o aumento das falências atingiu os 12,8 por cento e implicou o encerramento de 184 mil empresas. Calcula-se que isso terá correspondido à extinção de um milhão e meio de postos de trabalho e a um prejuízo de 20 mil milhões de contos.

«A Economia portuguesa como envolvente dinâmica da gestão financeira» é o tema de uma conferência prevista para o próximo dia 16 de Março, a decorrer nas novas instalações da Caixa Geral de Depósitos. Organizada pelos finalistas da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, a conferência vai contar com a presença de Jorge Braga de Macedo, naquela que será a sua primeira intervenção pública desde a saída do Ministério das Finanças. Entre os oradores convidados, destaca-se Manuel Pinto Barbosa, Alfredo de Sousa, Vítor Constâncio, Alves Monteiro, Miguel Beleza e Ferraz da Costa.

A CPG-Companhia Portuguesa de Gestão de Fundos de Investimento Mobiliário aumentou em 78 por cento o volume de fundos geridos durante 1993, passando de 41 milhões de contos em Janeiro e fechando Dezembro com cerca de 73 milhões de contos. Segundo a direcção, este crescimento fica a dever-se ao êxito do Fundo Mealheiro Fipor, que viu o seu património passar de 18,7 milhões para 33,6 milhões de contos e também ao crescimento de 40 por cento no património do Fundo Rendimento Fipor.

A Orbitur - Intercâmbio de Turismo vai ter as suas 448 mil acções interrompidas da cotação no mercado oficial entre 25 de Fevereiro e dois de Março. A interrupção deve-se à conversão dos títulos em valores escriturais, pelo que as bolsas alertaram para o facto de os accionistas depositarem as acções detidas até 24 de Fevereiro. A cotação será retomada a três de Março.

O Banesto e o Banco de Madrid foram as «instituições de primeiro nível» referidas pelo presidente da comissão executiva do Banco Totta & Açores (BTA), Alípio Dias, que levaram a administração do BTA a assinar, em Janeiro de 1993, cartas de conforto destinadas a honrar dívidas alegadamente contraídas na compra de acções do BTA, por parte de empresas controladas pelo próprio Banesto, soube o PÚBLICO de fonte do Totta.

Para o banco central, as principais dificuldades relacionam-se com o facto de saber se as operações de aquisição das acções do BTA -- por parte das empresas de capital português mas sobre as quais existem indícios de que sejam pertença do Banesto -- se efectuaram depois da entrada em vigor da nova Lei Bancária (1 de Janeiro de 1993), o que obrigaria a comunicação ao Banco de Portugal das participações qualificadas adquiridas. J.R.A.

O índice BVL Geral atingiu ontem os 999,46 pontos, ficando apenas a 0,54 pontos dos 1000 pontos, o valor base do indicador definido a cinco de Janeiro de 1988. Se o ritmo de crescimento continuar na próxima segunda-feira, aquele nível será ultrapassado pela primeira vez, o que permite afirmar que o mercado accionista nacional ultrapassou uma barreira numérica e outra psicológica em apenas poucas semanas.

Das duas uma. Ou o mercado vai estar nos próximos meses a crescer moderadamente e a intermediar essas fases de valorização com correcções muito mais amplas ou, então, terá que ser feita uma reavaliação em alta dessas previsões. Nos mercados europeus, os analistas, pelo contrário, têm vindo a efectuar modificações, em baixa, dos seus estudos. Poucos são os que acreditam que os mercados de risco vão continuar num clima de euforia. Convém dizer que nas bolsas europeias as cotações não se tem valorizado de uma forma tão acentuada como em Portugal.

A Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Solidal sobre a Cabelte ocorreu ontem, na Bolsa de Valores do Porto. A empresa liderada pela família Quintas conseguiu acrescentar mais 33 por cento aos 65 por cento de capital social que já detinha da Cabelte. Actualmente, a Solidal reúne 98 por cento dos 2 760 mil contos de capital social da Cabelte, pelo que a empresa deixa de ter dispersão mínima para continuar cotada na bolsa, obrigando a uma OPA compulsiva sobre os dois por cento de capital (47 329 acções) que não foram postas à venda. Este processo de concentração custou à Solidal 1 352 941 500 escudos, já que foram adquiridas 901 961 acções ao preço de 1500 escudos. Recorde-se que a OPA da Solidal sobre a Cabelte foi já resultado da concentração do capital da primeira pela Carteira Conjunta, uma sociedade gestora de participações sociais também controlada pelo grupo Quintas.

Em Lisboa, o marco/escudo abriu no nível dos 100.95/101.05 e oscilou entre 101.05 e 101.69 para fixar nos 101.245 (101.088 na sessão anterior). A queda do escudo acompanhou um movimento idêntico da generalidade das divisas europeias contra a moeda alemã.

As empresas e o Estado têm dialogado pouco em conjunto acerca da estratégia para a economia portuguesa. A opinião é de Ernâni Lopes, que defende, em entrevista ao PÚBLICO, que, dentro do quadro institucional existente em Portugal, a concertação social deve ser ampliada para além da discussão da política de rendimentos. O ex-ministro das Finanças, e actual responsável da empresa de «rating» SAER, considera que o Comité Económico e Social é o fórum indicado para realizar aquele debate, e lamenta que, perante as fortes mutações que se verificam na economia mundial, empresas e Governo estejam a dar pouco relevo à discussão dos objectivos de longo prazo. O economista prevê que um terço da indústria europeia possa desaparecer durante a reestruturação que antevê para meados da década de 90, entre 1995 e 1998.

ERNÂNI LOPES -- A escolha do tema resulta da importância de um processo muito forte de transformação na realidade económica mundial. Essa mutação tem repercussões intensas no conjunto da economia europeia e, por efeito de multiplicação, na portuguesa. Constitui o principal factor que obriga ao ajustamento das estruturas das empresas e do próprio conceito de empresa.

Duas vedações, patrulhas permanentes da GNR e segurança interna do Banco de Portugal, 24 sobre 24 horas, protegerão as instalações do complexo do Carregado que concentrará, a partir de meados de 1995, os serviços de acabamento de notas novas, certificação de notas usadas e distribuição de notas e moedas ao sistema bancário, actualmente dispersos por vários locais em Lisboa.

No local de construção, ontem visitado pelos responsáveis do banco central e pelos jornalistas, ainda se revolve a terra e se procede à abertura das fundações dos 12 mil metros quadrados destinados às instalações. Sete milhões de contos é o montante do investimento previsto que, disse o governador do Banco de Portugal, Miguel Beleza, deverá ser recuperado «num prazo relativamente curto» de sete anos. «Os accionistas podem estar sossegados», acrescentou.

O Governo japonês começa a dar pistas sobre as propostas que vai fazer para atenuar o diferendo comercial com os Estados Unidos. Em Tóquio, Morihiro Hosokawa, primeiro-ministro do Japão, falou ontem perante uma comissão parlamentar e considerou que entre as medidas que podem ser adoptadas pelo seu país para abrir os mercados japoneses a produtos norte-americanos, se contam uma melhoria na transparência das compras do sector público, um reforço da cooperação entre as indústria automóvel, já que os maiores construtores automóveis do Japão têm já ligações com os seus homólogos dos Estados Unidos, a desregulamentação, o fomento das importações e o reforço do papel da Comissão do Comércio.

Mickey Kantor, representante comercial da administração Clinton, recebeu, entretanto, uma queixa de 60 fabricantes de de jogos de vídeo dos Estados Unidos, em que se pede que sejam aplicadas medidas contra seis países estrangeiros, que, alegadamente, imitam produtos seus. A China, a Formosa, a Argentina, o Panamá, o Paraguai e a Venezuela, constituem os países visados.

A sessão do Mercado Monetário Interbancário teve um comportamento muito idêntico ao do dia anterior, com a oferta um concentrada e insuficiente para as necessidades da procura, sendo elevado o número de instituições de crédito tomadoras de fundos. O "overnight" oscilou entre os 10,375 e os 10,5 por cento, mantendo-se nestes níveis desde a abertura até ao fecho.

Não só o desfasamento das contas públicas preocupa as autoridades espanholas. A inflação, no primeiro mês deste ano, situou-se a um terço da prevista para todo o ano, e o desemprego não conhece travão. Serão tempos de «cortes» impopulares e políticas restritivas os que se avizinham.

A Grã-Bretanha deve continuar a proibir a eutanásia, porque qualquer liberalização da legislação em vigor equivaleria a abrir caminho a abusos, declarou na quinta-feira uma comissão parlamentar britânica da Câmara dos Lordes. Em particular, o facto de permitir a eutanásia poderia incitar as pessoas idosas ou doentes a procurarem pôr fim à sua vida precocemente.

A comissão tinha sido encarregada de examinar as questões em torno da eutanásia no ano passado, depois de um médico britânico ter sido declarado culpado de tentativa de homicídio por ter administrado uma dose mortal de medicamentos a um paciente moribundo, de maneira a pôr fim ao seu sofrimento.

Uma bactéria que se encontra presente em muitos gatos pode transmitir-se ao homem e provocar diversos problemas de saúde, relata um estudo publicado no órgão oficial da Associação Médica Americana («Journal of the American Medical Association») e citado pela Reuter. Entre elas inclui-se uma doença parecida com a febre das trincheiras -- uma doença que se disseminou entre as tropas entrincheiradas durante as duas guerras mundiais --, bem como a angiomatose, uma afecção que causa lesões na pele, nos ossos e noutros órgãos. Amostras sanguíneas realizadas em 61 gatos de São Francisco (Califórnia, EUA), no âmbito deste estudo, concluiu que 25 deles (41 por cento) eram portadores da bactéria «Rochalimaea henselae». Segundo os investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco, as pessoas com um sistema imunitário debilitado -- como os doentes com sida e idosos -- são susceptíveis de ser infectados por esta bactéria após contacto com a boca e as garras dos gatos. A doença é porem facilmente tratada com antibióticos e é inofensiva para os gatos.

A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) -- a agência americana responsável pela investigação marítima e meteorológica, integrada no Ministério americano do Comércio -- desenvolveu um sistema de previsões a longo prazo baseado em estatísticas fornecidas pelo satélite europeu Meteosat. O projecto piloto, apresentado anteontem em Washington (EUA), diz respeito ao Nilo e o seu primeiro objectivo consistiu em fornecer previsões com três meses de antecedência sobre o débito das águas que alimentam a barragem de Assuão.

O comité sueco que atribui anualmente o Prémio Nobel de Medicina e Fisiologia desmentiu alegações segundo as quais teria sido pago para escolher a bióloga italiana Rita Levi-Montalcini, que recebeu esta distinção em 1986. «Claro que estas alegações são absolutamente falsas. São tão irrealistas que não há sequer hipótese de uma coisa destas ter acontecido», disse à agência Reuter Margaret Petrini, secretária da Assembleia Nobel do Instituto Karolinska de Estocolmo (Suécia), um prestigiado laboratório de investigação a quem cabe a selecção dos laureados naquela especialidade.

Contrariamente ao que por vezes se pensa, os prémios Nobel não são todos atribuídos por um único «comité Nobel». O Prémio de Medicina é atribuído pela Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, enquanto os prémios de Física, Química e Economia são conferidos pela Real Academia das Ciências Sueca; o Prémio da Literatura é por sua vez escolhido pela Academia Sueca e o Prémio da Paz pelo Comité Nobel Norueguês.

O jornalista e escritor americano Randy Shilts -- pioneiro a escrever artigos sobre os movimentos «gay», os direitos dos homossexuais e sobre a sida -- morreu na quinta-feira, com 42 anos, «da doença a que dedicou a maior parte da sua vida a cobrir», como escrevia ontem na primeira página o jornal «San Francisco Chronicle», onde trabalhava desde 1981.

A administração regional de Primorié, no extremo oriente da Rússia, está a encarar a utilização de submarinos nucleares da frota do Pacífico para abastecer o seu território de electricidade, noticia a France Presse. Um só submarino pode fornecer cerca de cinquenta casas, tanto em electricidade como em aquecimento, e as autoridades regionais, citadas pelo diário russo «Rossiskaia Gazeta», garantem que não há riscos ecológicos. Todo o extremo oriente da Rússia está mergulhado numa crise energética e as centrais eléctricas recusam-se a fornecer mais energia às fábricas que não pagam as dívidas.

Os filhos de mães fumadoras têm um quociente de inteligência (QI) inferior aos filhos de mães não fumadoras, de acordo com um estudo noticiado pela Reuter. Com idades compreendidas entre os três e quatro anos, os filhos de mães que fumaram cerca de dez cigarros por dia durante a gravidez têm um QI nove pontos inferior em relação aos filhos de mães não fumadoras durante a gravidez. Segundos os investigadores da Universidade de Rochester (Nova Iorque, EUA), o tabaco reduz o fluxo de oxigénio e de substâncias nutritivas que chegam ao feto, para além do facto do fumo conter mais de quatro mil compostos químicos que podem causar graves danos no sistema nervoso do bebé durante o seu desenvolvimento. Este estudo, publicado na edição deste mês da revista «Pediatrics», foi levado a cabo entre 1979 e 1983 junto de 400 mulheres brancas do Estado de Nova Iorque.

Já o Livro Branco sobre o Crescimento, a Competitividade e o Emprego, aprovado pelo Conselho da União Europeia em Bruxelas, a 10 e 11 de Dezembro do ano passado, insistia na necessidade de a União Europeia (UE) entrar na «sociedade da informação» a fim de criar novos empregos. Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia, defendia aí que a UE devia apostar nas «auto-estradas da informação» -- as tecnologias que permitem a transmissão simultânea de voz, imagens, texto e dados.

A Epson fez saber que lançará em breve uma impressora de jacto de tinta a preto e branco capaz de produzir uma resolução de 600 pontos por polegada -- valor que, até agora, só está disponível nas lasers. De acordo com os números que a empresa divulgou, 77 por cento das impressoras vendidas em 1993 eram de matriz, 17 por cento eram de jacto de tinta e apenas 6 por cento foram lasers. O alargamento da gama de jacto de tinta aos 600 pontos e, mais tarde, à impressão a cores visará o reforço da posição já alcançada com a linha Stylus, que utliza a tecnologia Mach (Multi-layer Actuator Head) e de cujo modelo 800 a Epson diz ter vendido cerca de 50 mil unidades em menos de um ano.

Claris, uma subsidiária da Apple a 100 por cento, começou por realizar uma versão que se tornou numa das propostas mais interessantes no capítulo das aplicações para Macintosh -- mundo onde uma versão do Microsoft Works chegou a ser o programa mais vendido há uns anos.

Apenas na recente versão 6.2 é que a Microsoft resolveu actualizar o utilitário de cópia de disquetes DISKCOPY. Até aqui não era possível realizar cópias numa só passagem sem diversas trocas de discos. Mas, para quem não tem o DOS 6.2 nem utilitários especiais mas tem Windows, há solução: basta abrir o «File Manager», cuja opção de cópia de disquetes suporta a cópia numa só passagem.

Quem trabalha a um computador durante anos, horas e horas a fio, sem interrupções, faz milhões de vezes os mesmos gestos, dando origem a pequenos traumatismos que afectam sempre os mesmos nervos e músculos. Há alguns anos, verificou-se que o facto podia dar origem a uma doença que chega a impossibilitar o uso das mãos: a RSI. Estes males da tecnologia, porém, começam a ser compensados por novas ferramentas informáticas. Linda Winer, jornalista do diário nova-iorquino «Newsday», uma vítima da RSI, conta-nos a sua relação com o seu novo colega de trabalho, o Dragon Dictate.

O lançamento dos Macintosh baseados no processador PowerPC já tem data marcada: nos Estados Unidos, efectuar-se-á no dia 14 de Março, enquanto, na Europa, a apresentação será no dia seguinte, durante o Cebit de Hannover.

O SoftWindows resolve os problemas de compatibilidade, sentidos com outros emuladores, de uma forma muito peculiar: utilizando o código do Windows fornecido pela própria Microsoft. A Insignia tem um acordo de licenciamento do Windows com a Microsoft que lhe permite funcionar como uma espécie de cavalo de Tróia da empresa de Bill Gates para todas as plataformas não Intel. O SoftWindows tem sido adoptado por fabricantes de estações de trabalho Unix -- nomeadamente a Hewlett-Packard -- como solução para garantir compatibilidade com o Windows.

Se você pertence ao número de privilegiados que pôde aproveitar o subsídio de Natal para comprar um novo computador (ou se alguém lhe ofereceu um), propomos-lhe umas experiências diferentes com a sua sofisticada máquina nova.

Vamos às explicações. Tira-se da caixa um monte de peças de plástico, de cabos, de sensores, de conexões, de botões e de outras coisas do género. Monta-se tudo -- o que pode parecer complicado mas não é -- e obtém-se um olho electrónico que pode ser ligado a uma bicicleta de exercício, a um tapete rolante, a uma máquina de remar, a escadas artificiais ou a uma pista de esqui artificial. Uma vez montado o coiso, tudo o que tem a fazer é ligá-lo à porta do «joystick» do seu computador.

A ICL, uma das maiores empresas europeias de informática, detida maioritariamente pela multinacional japonesa Fujitsu, acaba de ser distinguida pelo segundo ano consecutivo com o prémio do melhor fornecedor do ano, atribuído pela Sun Microsystems.

São lutadores de rua, à conquista do título de campeão mundial. São musculados, feios, vaidosos, arrogantes e alguns não se sabe mesmo se serão humanos. Os seus países de origem vão da Espanha ao Japão, passando por Estados Unidos, Rússia, Índia e Tailândia. Dito isto, é claro que o objectivo do jogo só podia ser «tudo ao murro e que ganhe o pior»!

Sam and Max Hit the Road, a aventura que a Lucas Arts acaba de lançar no mercado, é um jogo divertido e cativante, como é característico desta marca norte-americana. A sua grande novidade é a nova interface de jogo, que, ao contrário do que era habitual, não se apresenta através de palavras de comando, mas sim através de ícones que rodam sob o comando do botão direito do rato. A nova interface dá maior realce aos excelentes gráficos -- em jeito de «cartoon», do conhecido desenhador americano Steve Purcell -- mas este sistema de controlo de jogo não é tão bom quanto aquele a que a Lucas Arts nos habituou em outras aventuras anteriores (como Monkey Island II ou Indiana Jones and the Fate of Atlantis).

Sam and Max Hit the Road é de aconselhar a todos os amantes das aventuras gráficas e é tão cativante que é difícil descansar antes de conseguir ver a sequência final.

Apesar dos trunfos da microinformática, numerosas empresas e muitos serviços da administração pública parecem continuar a exigir a tradicional máquina de escrever. Qual tem sido a experiência da Olivetti neste campo? Tratar-se-á de um fenómeno geral ou, sobretudo, português?

No entanto, no campo da máquina de escrever electrónica como posto de trabalho, a tendência portuguesa tem mostrado estar a acompanhar o sentido da evolução europeia, com reduções anuais de vendas bastante significativas. Poder-se-á dizer que, desde 1990, o número de unidades vendidas anualmente tem vindo a decrescer a uma média de 20 por cento. No ano passado, no entanto, entre equipamentos convencionais, electrónicos e portáteis [só para processamento de texto], a Olivetti vendeu perto de doze mil unidades -- mas esta aparente inversão da evolução resultou da grande procura das máquinas portáteis, que contribuíram com 45 por cento para aquele número.

A mítica base de dados sobre o Partido Comunista Português do vice-presidente do grupo parlamentar social-democrata, José Pacheco Pereira, tem apenas uma existência virtual. Este deputado, a quem os seus arquivos electrónicos deram quase uma fama de Big Brother à escala nacional, integrou há um par de anos a base de dados sobre a história dos comunistas entre os anos de 1926 a 1974 no arquivo geral que dedica aos trabalhos de investigação histórica.

Ao lado de Pacheco Pereira está um computador Wang, que é excluído da conversa até ao final. «Nunca o utilizo. O sistema informático da Assembleia não tem segurança, é caduco e ultrapassado», diz o deputado, que já teve três outros computadores. Primeiro, no início dos anos 80, comprou um Sinclair Spectrum ZX -- «quando chegaram os primeiros a Portugal». O Amstrad 1640 foi comprado três anos depois e substituído pelo modelo 386 até à aquisição, há dois anos atrás, do Osicom. Finalmente, o portátil foi comprado há poucos meses.

A IBM anunciou que já vendeu mais de 250 mil unidades do microprocessador PowerPC 601, o primeiro de uma família de processadores RISC desenvolvido no âmbito de uma aliança com a Motorola e a Apple. Para Fred Sporck, gestor do produto na IBM Microelectronics, o facto de se ter atingido este volume em apenas quatro meses significa que é possível esperar chegar à marca de um milhão antes do final do primeiro semestre.

John Sculley, antigo presidente da Apple Computer e até há pouco presidente executivo da Spectrum Information Technologies, para onde entrara no ano passado, acabou de se demitir desta empresa. Sculley declarou que tinha ido para a Spectrum com o objectivo de a tornar uma empresa importante no sector das comunicações mas que alguns acontecimentos recentes (que não especificou) o obrigaram a concluir que certos aspectos da actividade da empresa não correspondiam exactamente ao que lhe havia sido dito quando fora contratado. Sculley disse ainda que vai processar Peter Caserta, presidente da assembleia geral da Spectrum Information Technologies.

Se alguma vez pensou que o seu computador faz tudo e que só lhe falta falar, está com sorte: a partir de agora, não só é possível ouvi-lo falar, como pode pô-lo a escutar as suas ordens. A tecnologia de reconhecimento e síntese de voz, que permite realizar este pequeno milagre, já existe há algum tempo mas só recentemente começou a ser aplicada aos computadores pessoais.

A Microsoft não tem «know-how» de reconhecimento e síntese de voz, pelo que licenciou a tecnologia a uma empresa especialista neste sector, a norte-americana Dragon Systems Inc. Esta tecnologia pode aplicar-se a diversos tipos de utilização, entre elas o ditado directamente para o computador, que traduz a voz para texto (ver «Eu e o meu Dragão»). Mas o que a Microsoft propõe é bem mais simples, menos ambicioso e, talvez, pouco útil, como se verá a seguir.

A indústria britânica de videojogos anunciou um sistema de classificação etária dos seus produtos para sossegar os pais preocupados com eventuais ligações entre a violência dos jogos e o crime infantil -- noticiou a Reuter. O presidente da Associação Europeia de Editores de Software de Entretenimento (European Leisure Software Publishers Association ou ELSPA), Mark Strachan, diz que o sistema foi concebido para ajudar os pais a decidir quais são os jogos de computador e videojogos apropriados para os seus filhos, mas há quem critique o sistema por ele não prever meios legais para punir os prevaricadores. Já a partir de Março, porém, os videojogos serão classificados em quatro categorias: dos zero aos dez anos; dos 11 aos 14; dos 15 aos 17; e mais de 18 anos. Assim, por exemplo, Combate Mortal, da Sega, será classificado com a categoria dos 15 aos 17 anos e o Super Mario será considerado apropriado para menores de dez anos. A decisão dos editores foi tomada por sua iniciativa e adoptou a forma de um «código de boa prática comercial», onde se consigna o princípio geral de que estes jogos devem ser comercializados «de uma forma responsável».

A Microsoft vai aproveitar também para realizar hoje a apresentação do Lince, o corrector ortográfico da Priberam para aplicações Microsoft (ver última edição do suplemento Computadores). O dicionário incluído no Word 6.0, contudo, é diferente, uma vez que foi elaborado pela empresa norte-americana Houghton Mifflin, que detém junto da Microsoft os direitos sobre os dicionários.

Na altura do lançamento da última versão do Microsoft Works para DOS (ver «Works 3: vida nova para velhos computadores», PÚBLICO de 5.7.93), afirmou-se que um programa deste tipo, com módulos integrados, satisfaz quase todas as necessidades do utilizador médio, tendo as vantagens de ser barato e correr satisfatoriamente em máquinas mais antigas.

Descendente de uma longa linha de produtos integrados para DOS, Macintosh e Windows, o Works 3.0 refina a interface e as características da versão anterior, inclui melhoramentos ao nível da integração entre módulos -- fruto da tecnologia OLE 2.0, que permite a ligação «viva» entre documentos -- e, finalmente, traz um programa de comunicações digno desse nome (inexistente na versão 2.0 para Windows).

As últimas notícias da Bósnia são de molde a gerar optimismo, mas estrategos norte-americanos estão pessimistas. Não acreditam que a tranquilidade dure mais de duas ou três semanas. Depois tudo recomeçará. Em Sarajevo e no resto da república.

As avaliações que guiam a Administração Clinton correm assim em paralelo com as dos analistas no terreno na Bósnia e noutros pontos: uma mistura agridoce de optimismo surpreendente a curto prazo e pessimismo profundo a longo prazo.

O embaixador da Coreia do Norte em Banguecoque desmentiu ontem vigorosamente os rumores de que Kim Jong Il, o filho do líder norte-coreano Kim Il Sung e número dois do regime, tenha sido alvo de um atentado. «Não tem fundamento. É totalmente imaginário» -- afirmou o embaixador Li Do-Sop. E explicou: «Porque o nosso povo ama profundamente o nosso dirigente bem amado». Na quinta-feira, em Seul, um líder da oposição sul-coreana, Lee Ki-taek, citando uma «fonte americana» não especificada, disse que Kim Jong Il apresentava «graves ferimentos físicos», sofridos num atentado ou num acidente de viação.

O primeiro encontro oficial entre a guerrilha e o enviado do governo do México para negociar a paz no estado sulista de Chiapas, Manuel Camacho Solis, realiza-se na segunda-feira -- anunciou o próprio comissário. Além de Camacho Solis, participará no encontro monsenhor Samuel Ruiz, arcebispo de San Cristobal de las Casas, mediador designado pela guerrilha. Do lado do Exército Zapatista de Libertação Nacional, que desencadeou uma revolta no primeiro dia do ano, ignora-se ainda se estará presente o famoso «sub-comandante Marcos», o «rosto encapuçado» da rebelião. Para o encontro, cujo local se ignora ainda, estão acreditados quase 200 jornalistas e fotógrafos mexicanos e estrangeiros.

Há três anos no poder, o MpD está agora em risco de perder o controlo do Parlamento cabo-verdiano. É que Eurico Monteiro zangou-se com o primeiro-ministro e encaminha-se para a formação do seu próprio partido. O PAICV, na oposição, pede eleições antecipadas.

Convocada inicialmente para solucionar a contenda entre as duas alas, a convenção acabou por se ver manchada pela denúncia, por parte de Eurico Monteiro, de que o processo de escolha dos delegados estava viciado. O grupo de Veiga negou a existência de qualquer fraude, alegando que a atitude dos seus adversários era previsível, uma vez que só tardiamente estes se deram conta do apoio reduzido que contavam entre as bases do MpD.

Uma semana depois de se ter visto isolada, quando a NATO fez o ultimato aos sérvios, a Rússia reemerge através de uma iniciativa própria e não só se vangloria de ter desarmadilhado uma situação que podia «fazer alastrar a guerra» a toda a península balcânica, como de ter aberto o caminho a uma viragem decisiva no conflito: «É o princípio do fim da guerra na Bósnia», disse ontem em Atenas, com notório exagero, o ministro russo dos Estrangeiros, Andrei Kozirev.

Num primeiro momento, Moscovo procurou impor a transferência da decisão da NATO para o Conselho de Segurança da ONU. Num segundo, aproveitou o próprio ultimato da NATO para exercer uma pressão mais eficaz sobre os sérvios.

Uma semana depois de se ter visto isolada, quando a NATO fez o ultimato aos sérvios, a Rússia reemerge através de uma iniciativa própria e não só se vangloria de ter desarmadilhado uma situação que podia «fazer alastrar a guerra» a toda a península balcânica, como de ter aberto o caminho a uma viragem decisiva no conflito: «É o princípio do fim da guerra na Bósnia», disse ontem em Atenas, com algum exagero, o ministro russo dos Estrangeiros, Andrei Kozirev.

Num primeiro momento, Moscovo procurou impor a transferência da decisão da NATO para o Conselho de Segurança da ONU. Num segundo, aproveitou o próprio ultimato da NATO para exercer uma pressão mais eficaz sobre os sérvios.

Uma semana depois de se ter visto isolada, quando a NATO fez o ultimato aos sérvios, a Rússia reemerge através de uma iniciativa própria e não só se vangloria de ter desarmadilhado uma situação que podia «fazer alastrar a guerra» a toda a península balcânica, como de ter aberto o caminho a uma viragem decisiva no conflito: «É o princípio do fim da guerra na Bósnia», disse ontem em Atenas, com notório exagero, o ministro russo dos Estrangeiros, Andrei Kozirev.

Num primeiro momento, Moscovo procurou impor a transferência da decisão da NATO para o Conselho de Segurança da ONU. Num segundo, aproveitou a própria ameaça da NATO para exercer uma pressão convincente sobre os sérvios.

Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia aumentaram ontem a pressão sobre a Grécia para que reconsidere o bloqueio económico que impôs, na quarta-feira, à antiga república jugoslava da Macedónia, mas Atenas decidiu reforçá-lo.

Atenas pretende que a Macedónia mude o seu nome, símbolos nacionais e constituição, para provar que não tem ambições territoriais sobre a província grega com o mesmo nome.

O líder da OLP, Yasser Arafat, afirmou ontem que as negociações em curso com Israel perderão toda a credibilidade se não for completado dentro de um mês um acordo de autonomia palestiniana, além de que «todo o processo de paz ficará em perigo».

Segundo fontes das duas delegações, foi possível elaborar um documento, a que falta apenas limar alguns pontos, sobre a coordenação e a cooperação entre a futura polícia palestiniana e o Exército israelita.

Sérvios e muçulmanos bósnios comprometeram-se a retirar até ao fim do dia de hoje toda a artilharia pesada colocada em redor de Sarajevo. É um desenvolvimento lógico do ultimato da NATO e da iniciativa russa para recuperar o seu estatuto internacional. A França exulta, ao ver americanos e russos envolvidos no processo bósnio. Mais preocupado está o Governo muçulmano de Sarajevo, que receia a partilha permanente da cidade, à semelhança do que aconteceu em Chipre.

O líder político dos sérvios bósnios, Radovan Karadzic, reafirmou ontem o seu compromisso de colocar todo o armamento dos sérvios sob o controlo da ONU até ao final da noite de hoje, um dia antes do fim do ultimato imposto pelos aliados ocidentais. Oficiais das Nações Unidas disseram ontem que os sérvios prosseguiam a retirada das suas armas pesadas, apesar de informações não coincidentes sobre a extensão da manobra. Um porta-voz militar francês admitiu mesmo que não podia confirmar os relatórios da ONU sobre os comboios militares que se afastam de Sarajevo com o equipamento militar.

Uma semana depois de se ter visto isolada, quando a NATO emitiu o ultimato aos sérvios, a Rússia reemerge através de uma iniciativa própria e não só se vangloria de ter desarmadilhado uma situação que podia «fazer alastrar a guerra» a toda a península balcânica, como de ter aberto o caminho a uma viragem decisiva no conflito: «É o princípio do fim da guerra na Bósnia», disse ontem em Atenas, com manifesto exagero, o ministro russo dos Estrangeiros, Andrei Kozirev.

Num primeiro momento, Moscovo procurou impor a transferência da decisão da NATO para o Conselho de Segurança da ONU. Num segundo, aproveitou o próprio ultimato da NATO para exercer uma pressão mais eficaz sobre os sérvios.

Os primeiros-ministros John Major, do Reino Unido, e Albert Reynolds, da República da Irlanda, encontram-se hoje em Londres, num esforço difícil para dar um novo ímpeto ao processo de paz na Irlanda do Norte, num momento em que se evaporam as esperanças de uma resposta rápida do Exército Republicano Irlandês (IRA).

A declaração de Dezembro oferece ao Exército Republicano Irlandês um lugar numa mesa de negociações, três meses depois de ter deposto as suas armas. A oferta continua de pé. Nas palavras de um funcionário do Governo britânico, «a sala de conferências existe. A porta está fechada. Eles têm uma chave. É a chave certa. Compete-lhes abrir a porta».

Falta pouco mais de um mês para as eleições italianas e o antigo dirigente socialista Bettino Craxi decidiu ter chegado o momento de lançar uma investida contra o PDS. E não olha a meios para atingir os seus objectivos: provar que os ex-comunistas não se mantiveram à margem da corrupção. Estes acusam-no de estar «a trabalhar para Berlusconi».

Nessa conversa, o advogado Argento Pezzi, amigo pessoal de Craxi, exprimia opiniões que podem comprometer Achille Occhetto e Massimo D'Alema, líderes do ex-PCI. Pezzi declarou nunca ter imaginado que Craxi tivesse consigo um gravador escondido, considerando que esta atitude «o classifica melhor do que muitas palavras» e disse que a parte mais importante do diálogo não tinha sido tornada pública. O que a gravação revela é que o advogado admitiu que os responsáveis máximos do partido saberiam que o seu cliente, membro do conselho de administração do metropolitano de Milão e representante do PDS, teria levado aquela empresa a pagar «luvas» ao partido.

O EFEITO mais claro das aberturas anunciadas quarta-feira pelo líder do ANC, no sentido de aumentar a participação nas eleições gerais sul-africanas, está a ser o surgimento de fissuras na Aliança da Liberdade, constituída pela Frente Popular Afrikaner, o bantustão do Bophutatswana e os zulus afectos ao partido Inkatha.

Nem o líder do ANC disse ter passado a aceitar sem mais nem menos uma solução autênticamente federal para a África do Sul nem as forças da rejeição lhe viraram definitivamente as costas, como se nada mais houvesse a negociar. Pode-se admitir a existência de regiões autónomas sem se ser federalista e pode-se tentar chegar a um compromisso mesmo que em público se minimizem as aproximações feitas pela parte adversária. Tudo está ainda, felizmente, sobre a mesa e «até ao lavar dos cestos é vindima».

A IGAT, Inspecção-Geral de Administração do Território, decidiu participar ao delegado do Ministério Público do Tribunal Administrativo de Coimbra que o licenciamento de diversas obras feito pela Câmara de Alcobaça -- designadamente de dois edifícios, no cais e na marginal de S. Martinho do Porto -- deve ser considerado nulo, por não terem sido cumpridos os preceitos legais.

Passado a pente fino foi também o pedido de aprovação de um projecto da firma «Imobiliária e Construção Caseiro, Lda», para construção de um prédio na Av. Marginal de S. Martinho, em área parcialmente situada na zona de domínio público marítimo. Aqui, depois de uma primeira deliberação sobre o assunto, a autarquia decidiu revogar uma parte da decisão anterior, aceitando o projecto, com a condição de não ser ultrapassada a cota do prédio situado no lado norte. Também neste processo não foi tida em conta «a necessidade de existência do parecer da CCRLVT, razão pela qual é pedida «a declaração da nulidade do acto».

Três aparições do desaparecido Samuel Beckett estão hoje previstas na cidade de Lisboa. Em locais tão diversos e tão «in» como o Rossio, o Bairro Alto e a Praça de Espanha.

Finalmente, outro local onde paira, vivo, o espírito de Beckett é no último espaço reconstruído no Casarão cor-de-rosa da Comuna, onde o Teatro Meridional apresenta «Ñaque ou Sobre Piolhos e Actores» de José Sanchis Sinisterra. Os actores Miguel Seabra e Álvaro Lavin, actores excepcionais, traçam em português e espanhol o percurso de dois pícaros ibéricos, uma parelha de actores andarilhos que são irmãos gémeos dos vagabundos de «À Espera de Godot». «Ñaque» pode ser visto hoje às 21h30 e amanhã, às 17h.

Na Aula Magna da Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa decorre hoje mais um concerto da iniciativa ÁfricAmiga. A partir das 21h30 há uma «Noite de Coimbra» animada por poesias e baladas do Grupo Serenata, pelo Coro dos Antigos Orfeonistas do Orfeon Académico e pelo «Porta-Férrea»-- Grupo de Fados de Antigos Estudantes.

No Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal é inaugurada a exposição de fotografia pintada de Eduardo Carqueijeiro. A mostra, intitulada «Inverno», abre às 16h00.

A Indústria Aeronáutica de Coimbra (IAC) pode começar desde já a construção do novo hangar, de que depende a sua licença de funcionamento como oficina de reparação de aviões. A situação, que se arrasta há anos e pôs em risco a laboração desta empresa -- que é a única privada da Península Ibérica certificada para fazer a reparação total de pequenos aviões --, dependia da aprovação, na Câmara e na Direcção-Geral da Aeronáutica Civil (DGAC), do Plano Director do Aeródromo de Cernache, onde está instalada.

«A importância desta empresa não está tanto na sua facturação (cerca de 40 mil contos por ano), mas na poupança que representa a possibilidade de fazer-se aqui a reparação de aeronaves, que de outra forma teriam de ser encaminhadas para oficinas estrangeiras», disse ao PÚBLICO António Veiga, do sector comercial do IAC.

A LOCALIDADE de S. Marcos da Serra esteve ontem praticamente parada, após a tragédia que se abateu sobre a vila, quando, na quinta-feira, ao princípio da manhã, seis pessoas, entre as quais cinco crianças, morreram arrastadas por uma automotora da CP.

«Nasceram pela segunda vez», era, entretanto, a expressão de alívio que mais se ouvia em São Marcos quando chegaram a casa três das sete crianças feridas no acidente de quinta-feira: Marta Rodrigues, Andrea Costa e Pedro Miguel Afonso, que receberam tratamento no Hospital de Faro, e foram os casos menos graves. Outros dois, Patrícia Duarte Silva e Jorge Duarte Silva, irmãos, ainda se encontram internados, mas o seu estado não inspira cuidados especiais. A rapariga fracturou o fémur e encontra-se acamada no serviço de ortopedia. O irmão está no serviço de pediatria, porque sofreu uma intervenção cirúrgica devido a um traumatismo craniano.

Um homem de 49 anos, de apelido Ferreira, foi anteontem condenado pelo Tribunal de Torres Novas a uma pena de três anos e seis meses de prisão, que não cumprirá por beneficiar de sucessivas amnistias decretadas desde que o crime de que era acusado -- homicídio tentado, de forma não consumada -- foi cometido, em Julho de 1976.

Ferido, bem como o sogro, Ferreira refugiou-se em casa de uma irmã, enquanto Fernandes apresentava queixa na PSP de Torres Novas. A participação veio a dar origem a um julgamento à revelia, que culminou com a condenação a 12 anos de prisão. Estava-se em Maio de 1978.

O PRESIDENTE da Câmara de Pombal, Narciso Mota, um social-democrata, acusou, na reunião de Câmara de quinta-feira passada, o vereador socialista Armando Portela, de ter levado consigo importantes dados informatizados sobre a autarquia, quando abandonou o seu pelouro, após as últimas eleições. Era uma «agenda pessoal», ripostou o visado.

O social-democrata César Correia apontou, na sua declaração de voto, «indícios de sonegação de informação que a todos pertencia» e desafiou «o povo de Pombal a penalizar quem mal procedeu». Os socialistas pediram então em bloco que Narciso Mota pusesse o caso em tribunal, mas o presidente da Câmara retirou estrategicamente: «Isto é uma reunião de trabalho, não é um tribunal. Não estamos aqui para dar trabalho aos juristas do concelho mas para gerir esta Câmara». J.M.C.

As Brigadas de Justiça da 1º Divisão da PSP apreenderam ontem cerca de 750 gramas de heroína quase pura e mais de mil contos em dinheiro e vários objectos em ouro, escondidos numa barraca próximo do Bairro do Relógio, em Lisboa.

A Câmara de Ferreira do Alentejo decidiu, depois de uma atribulada reunião, fazer uma sindicância à gestão do anterior executivo. A proposta foi apresentada pela CDU -- que estava a ver o trabalho da equipa por si dirigida até às últimas eleições criticado pela nova maioria socialista -- mas só foi aprovada graças ao voto de desempate do presidente, uma vez que os restantes eleitos do PS votaram contra o inquérito.

Parece que a traição original não abandonou ainda o Palácio da Flor da Murta, cujo nome recorda os amores de D. João V, com Luiza Clara de Portugal, a quem o rei chamava a Flor da Murta e que o trocou por um fidalgo mais novo. No imóvel, que já justificou ser classificado, cresce hoje um piso bastardo. E a Câmara, desta vez, permite.

Em obras já desde o ano passado, o imóvel, que é pertença de Luís Emílio Rodrigues, tem já uma imensa área nova, no topo, num piso recuado que lhe foi acrescentado, e mantém um outro piso, já antes acrescentado à traça original.

Os cerca de 150 trabalhadores da fábrica de confecções Guial, de Barcelos,voltaram ontem, às nove horas da manhã, ao trabalho, depois de oito dias de greve e vigília, durante 24 horas, em frente aos portões da empresa para que quatro carrinhas da companhia não saíssem carregadas de mercadoria. A decisão foi tomada anteontem, ao início da noite, em plenário de trabalhadores depois de três horas e meia de renhidas negociações no Ministério do Trabalho com a entidade patronal.

A quinta -- também chamada Quinta da Sarzedela -- foi adquirida pela Câmara de Ansião para lá instalar um parque industrial. Todavia, diz o presidente da autarquia, Fernando Marques, quando surgiu a possibilidade de «recuperar uma casa bastante antiga existente no local para o turismo rural, a Câmara teve de reanalisar todo o projecto, acabando por abandonar o inicialmente previsto, exclusivamente para a instalação de fábricas».

O projecto de despoluição da bacia do rio Lis, em Leiria, deve custar cerca de 20 milhões de contos e demorar cinco anos a ser concretizado. Quem o disse foi Raul Castro, presidente da Associação de Municípios do Oeste, depois de, quinta-feira, ter estado reunido em Lisboa com a Associação de Suinicultores de Leiria e a ministra do Ambiente, Teresa Gouveia.

O presidente da Câmara de Leiria, Lemos Proença, sublinhou também a necessidade de concretização do projecto, referindo que ele envolve o esforço dos municípios, suinicutores e ministérios do Ambiente e Agricultura. «Deverá ser financiado em 15 por cento pelos municípios e suinicultores e 85 por cento por fundos comunitários», disse.

«Há a garantia de que se mantém a filosofia de fundo.» Apesar das alterações anunciadas para a Mexicana, o vereador da Cultura da Câmara de Lisboa, João Soares, gostou da conversa que ontem teve com os proprietários da pastelaria, o filho do arquitecto Jorge Ferreira Chaves, autor do projecto original, e um técnico da Direcção Municipal de Planeamento e Gestão Urbanística da autarquia.

Na Câmara não deu ainda entrada qualquer projecto de transformação da pastelaria ou pedido de licença, mas só o previsto derrube de duas paredes carece de autorização do município, que não tem instrumentos legais para travar a maior parte das mexidas anunciadas, mesmo que elas lhe desagradem.

A Câmara de Montemor-o-Novo vai questionar o ministro da Administração Interna e responsáveis da PSP e GNR sobre o possível encerramento da esquadra da PSP na cidade.

O antigo autarca assumiu já, publicamente, a autoria moral da falsificação. Ausente no Brasil, em férias, aquando da tomada de posse do actual executivo (3 de Janeiro), o cabeça-de-lista do PSD pediu a «um funcionário amigo» a aposição da sua assinatura na acta. Considera que o fez «de boa fé e na consciência de não causar dano a quem quer que fosse».

Goradas as negociações com o PSD para um «acordo de regime» na Câmara de Gondomar, o PS passou ontem à ofensiva para desmentir a dívida de 40 milhões de contos que Valentim Loureiro declarou ter herdado do anterior executivo. Para os socialistas, as dívidas do anterior executivo não ultrapassam o milhão de contos, e desde já se desresponsabilizam da actual gestão.

Foi, todavia, a entrevista que Valentim Loureiro concedeu ao «JN», esta semana, e na qual declarava que as dívidas da autarquia somavam 40 milhões de contos (36 milhões à EDP, 800 mil contos aos SMAS e alguns milhares de contos a empreiteiros) que constituiu o motivo próximo para o PS de Gondomar promover a primeira conferência de imprensa, depois da sua derrota de Dezembro. Repudiando aqueles valores, o PS contesta, desde logo, a dívida de 36 milhões à EDP, alegando que se trata de um valor fixado unilateralmente por aquela empresa pública que nem sequer toma em conta «o incalculado e incalculável valor do património municipal de que a EDP vem desfrutando». Contas da electricidade à parte, restariam ainda quatro milhões de contos de dívidas, que o PS resume a «um grosseiro erro de cálculo» e abate para metade, ou seja, dois milhões de contos. Mas deste valor retira ainda um milhão de contos dos créditos que o município terá a haver. «A montanha pariu um rato: os 40 milhões são afinal um milhão», conclui o ex-presidente da Câmara de Gondomar. F.F.

O segundo Festival de Vídeo do Concelho de Oeiras, que este ano se realiza no auditório do Complexo Social das Forças Armadas, irá decorrer de 23 a 25 de Abril.

Poirot está hoje na Argentina. Foi visitar o seu amigo Hastings, instalado numa fazenda nos arredores de Buenos Aires desde que se casou, e o que lhe havia de acontecer? Obviamente um caso de assassínio.

Em Portugal há pouca neve, poucos esquiadores e patinadores no gelo, são raros os especialistas de trenó. Desconhecem-se equipas organizadas de hóquei sobre gelo e não passa pela cabeça de ninguém andar a saltar com esquis do alto de vertiginosas plataformas inclinadas. Mas há muitos telespectadores que gostariam de ver outras pessoas a fazerem estas e outras coisas.

Eis a falha da RTP: para além de informar, poderia aproveitar a oportunidade para formar os seus telespectadores. E diverti-los, com o espectáculo de uns Jogos Olímpicos cujas imagens são mais um dos exclusivos da televisão estatal para Portugal. A fartura é má conselheira -- só nos resta imaginar o «festival» que faria qualquer uma das privadas com este «pacote» de desporto durante 15 dias...

Eduardo Catroga, recente ministro das Finanças tem a morfologia do português médio, cabelo branco de luar, meio sorriso de simpatia domiciliária, não é político de introspecção, mas um gestor de grandes empresas, com provas dadas no tecido embrionário à escala mundial. Não se notabilizou como professor leccionando alunos atentos e desatentos, inteligentes ou burros como uma porta ondulada. Não. Geriu o deve e haver.

Catroga, que de marrano nada tem, veio para salvar. Simpático, sedutor involuntário, voz sem eco de teatro independente, fato cinzento, simples no corte, "touché" sensual na caxemira, gravata de nó certo, feito antes do galo cantar, mirou e remirou os versículos sacânicos da empresa que é Portugal, cheia de exposições, faringites com legenda, cultura, falências em cadeia com empresários à solta, subsídios recebidos por estranhas mãos, milhões de contos do vigário, corrupção latente em lume brando ou banho-maria, num país em estado de não coma, mas prevenindo a eutanásia referendada desde o reino das caravelas, das especiarias e espirros. Santinho!

(...) Esforçados, os deputados do PSD, através do tempo de antena, para meter pelos olhos dentro dos portugueses, distraídos e ingratos, tantas benfeitorias, lá vão estrada fora, não com óculos «cor-de-rosa» -- mas com óculos «cor de laranja». Que bem se esforçam todos estes senhores, investidos na superior missão pedagógica dos tais a quem Fernando Pessoa chamava «os instrutores de Shakespeare».

Este ditado, tantas vezes invocado, pode bem aplicar-se à atitude que o PÚBLICO tomou recentemente quanto à questão Timor-Indonésia. Ao aplicar um boicote às notícias referentes às actividades do Grupo Amizade Pró-Indonésia e ao solicitar igual atitude de outros órgãos de informação, não há dúvida de que esta boa intenção teve efeitos perversos.

(...) Sobre a entrevista do deputado do PSD Pacheco Pereira, queria lembrar que um dos vectores essenciais do 25 de Abril foi a luta contra a corrupção e a miséria. Posso afirmá-lo porque estive desde o primeiro momento por dentro do movimento dos capitães. Corrupção e miséria que campeiam de lés a lés por todo esse Portugal cavaquista e que se ele não vê, é porque não pode ou não quer, ou não lhe convém, o que em qualquer caso é lamentável num auto-intitulado intelectual do séc. XXI.

"Deixa-me ver se percebo", disse Alice. "Se eu tiver um papel a dizer que posso entrar na tua casa, a pessoa que está à entrada pode dizer que não me deixa entrar?"

1. Com regularidade exemplar, desde há vários anos, nos segundos sábados de cada mês, no Mosteiro das Monjas Dominicanas do Lumiar, realizam-se encontros de reflexão teológica e de celebração da fé. No passado dia 12, o debate centrava-se na seguinte questão: a dois mil anos de distância, depois de tantas e tão contrastadas interpretações, no meio de tantas Igrejas e movimentos religiosos que, sob formas tão contraditórias, se reclamam de Jesus Cristo, será ainda possível, sem cair em simplismos redutores, exprimir de forma breve o essencial da fá cristã?

O rabi deu voltas à cabeça, pensou nos cinco livros de Moisés cheios de ideias e problemas, viu desfilar na sua imaginação as subtis e infindáveis interpretações que tantos séculos lhes acrescentaram e todas, em todos os seus pormenores, necessárias à salvação. Teve de confessar que era absolutamente impossível resumir, em algumas frases, a religião de Israel.

Um erro de transcrição da crítica de TV, publicada na nossa edição de ontem ["Uma leoa entre leões", pág. 41], alterou o sentido da frase relacionada com o fim do programas Falas tu, Falo eu, de Fernando Tordo e Carlos Mendes. Asim, deve ler-se: "Que a SIC só agora tenha decidido fechar-lhes [e não abrir-lhes] a porta, diz bem das opções em matéria entretenimento de uma estação que só começou a perceber com o êxito de Chuva de Estrelas o manancial de talentos que é possível trazer para a ribalta ..."

1. Uma boa notícia para os consumidores portugueses. A partir de agora, acabaram-se as viagens até ao contador de electricidade para ver a velocidade alucinante a que roda o disco quando, por exemplo, liga um aquecedor eléctrico!

Chegámos a Lillehammer ao fim de duas horas e meia de camioneta, vindos de Oslo. Duas horas e meia de montanhas, árvores e neve, muita neve. Os guias deram-nos 90 minutos para conhecer a povoação. Deveriam estar uns 12 graus negativos. O frio picava-nos o rosto, e os pêlos do nariz pareciam quase congelar. Felizmente íamos equipados: carapuço, luvas, dois pares de calças, meias bem grossas -- compradas expressamente numa loja da especialidade em Lisboa --, um cachecol, uma camisola e um blusão de penas. Evitávamos respirar pela boca, pois o frio arranhava-nos a garganta.

Em plena rua, adultos e crianças apoiavam os respectivos países, presentes nos Jogos de Inverno. Víamos-los vindos da pista, os mais velhos trazendo bandeiras nas mochilas ou penduradas nas hastes dos óculos, as crianças com as cores da bandeira pintadas na cara. Era visível a presença de muitos dinamarqueses. Vendedores americanos exibiam crachás e gorros de lã muito requisitados.

António Paquete gaba-se de conhecer São Tomé melhor que ninguém. «Só nunca subi ao Pico Cão.» Aparenta a idade de quem já viu muita coisa e, nunca se cala, sempre a fazer perguntas, sempre a dizer tudo e nada. «Antigamente não era assim», dizia, enquanto os olhos corriam em panorâmica sobre a multidão. «O mercado tinha um lugar próprio...»

-- O mercado tinha um lugar próprio. Mas agora... Onde é que iam meter estas mulheres todas se há cada vez mais gente a vender e a comprar? O mercado primitivo ainda funciona como dantes, só que se tornou pequeno. Tinham que o estender aqui pelas ruas, não é? Respondi que sim com um ligeiro aceno e afastei-me por entre as bancas, feitas de tábuas e caixotes.

A presença militar indonésia em Timor-Leste não incomoda apenas a resistência radical independentista. Numa entrevista feita em Díli com Florentino Sarmento, presidente da Associação para o Desenvolvimento e Progresso (ETADEP), que se considera «um verdadeiro indonésio» e se opõe à realização de um referendo no território, o enviado da agência France Presse percebeu que também nos sectores mais próximos das teses de Jacarta se considera «desproporcionado» o volume de tropas indonésias estacionadas em Timor-Leste.

Florentino Sarmento, um dos participantes no chamado «encontro de reconciliação», que reuniu nos arredores de Londres timorenses exilados e integrados na máquina administrativa indonésia, defende «um estatuto muito especial» para Timor, sem, no entanto, precisar qual a forma de autonomia que lhe parece mais adequada. Quanto ao referendo, não tem dúvidas: «Serviria apenas para dividir os timorenses», disse ao jornalista da France Presse, acrescentando que a solução deve ser encontrada num diálogo que envolva não apenas Portugal e a Indonésia, mas também a Igreja Católica e os timorenses no exílio, bem como o estabelecimento de um canal directo de conversações entre Díli e Jacarta.

A delegação indonésia à Comissão dos Direitos Humanos da ONU, a decorrer em Genebra, recebeu ontem o projecto de declaração sobre a situação em Timor-Leste apresentado pela União Europeia (UE).

Do projecto ontem apresentado pelo delegado grego em nome dos Doze, sabe-se que retoma a proposta de uma deslocação a Timor dos relatores especiais da ONU em matéria de tortura, execuções sumárias, desaparecidos e prisões arbitrárias. Este será seguramente um dos «nós» da negociação com Jacarta, que só deverá terminar já em Março, na recta final desta sessão da Comissão dos Direitos Humanos.

«Um é angolano, o outro, que afinal é o mesmo, é zairense...» -- «Ah, sim?». Ou: «O primeiro golo foi um frango incrível.» -- «Ah, sim?». Qual será o assunto desta conversa entre o «chefão» do SIS, Ladeiro Monteiro, e o ministro Dias Loureiro? É impossível saber ao certo. Os homens da «secreta» -- o nome diz tudo -- não costumam falar alto, vêem microfones em todo o lado, adoram uma confidência. Por isso o som da imagem Ladeiro-Monteiro só pode ser fornecido recorrendo à imaginação. Ou a serviços de escuta que esta modesta secção não está em condições de assegurar.

Primeiro foi a TVI, que apareceu de carro de exteriores lustroso e novinho em folha. Depois foi o contra-ataque da SIC, que destacou para o local dois jornalistas e o editor de política, Carneiro Jacinto, «himself».

O Quadro Comunitário de Apoio (QCA) que irá canalizar milhões de contos de Bruxelas para Portugal, nos próximos seis anos, foi o pretexto para a reunião que ontem juntou, em Macedo de Cavaleiros, dezenas de autarcas socialistas do Norte do país, em torno de Fernando Gomes e das suas preocupações nesta matéria. Todavia, o que estava verdadeiramente em cima da mesa ia muito para além dos projectos e das verbas a eles afectadas -- e as conclusões do encontro, traduzidas num gesto colectivo de solidariedade para com o presidente da Câmara do Porto e a sua causa mais recente, são prova disso.

Acresce que, à medida que ganha terreno no interior do PS, Gomes vai conquistando novos trunfos para uma guerra que não terá vencedores sem o acordo explícito dos sociais-democratas. Para a fase que se segue, dispõe mesmo de um argumento de peso: o seu mapa da regionalização não colide com o desenho proposto pelo PSD. Ora, sabendo-se que tem sido a falta de consenso neste domínio o principal obstáculo esgrimido pelos que se opõem ao avanço do processo de descentralização política-- quanto à lei-quadro da regionalização os dois maiores partidos já se entenderam há muito--, compreende-se melhor, na óptica dos que sustentam a manutenção da actual estrutura do Estado, a inconveniência de as teses de Gomes irem ganhando terreno nas hostes socialistas.

«Se fosse possível deixavamos de trabalhar a matéria prima indonésia...», afirma Luís Pires, director de compras da Ducros-Margão, uma empresa de capitais luso-franceses líder no mercado nacional das especiarias. A impossibilidade refere-se à transformação e comercialização da pimenta-branca que todos os dias, directa ou indirectamente, está nas mesas dos portugueses e cuja produção mundial é controlada em cerca de 90 por cento pela Indonésia. A restante cota de mercado é controlada em pequenas percentagens pela Malásia, India ou Brasil.

Para além das quantidades de pimenta-branca compradas pelas empresas para a transformação e comercialização junto dos consumidores individuais, existe ainda uma outra vertente do mercado que passa igualmente pelos "brokers" com destino às empresas de produtos alimentares.

Dias Loureiro -- O ministro da Administração Interna é o responsável pela nova legislação que regula a entrada de cidadãos no país. Afirmou, na altura, que agora Portugal tinha regras claras. Todavia, os factos mostram à evidência as contradições do sistema, ainda esta semana com o caso Vuvu. Um visto passado por um consulado é letra morta para os serviços que o ministro tutela.

Gomes teve conhecimento deste facto através de um relatório confidencial que um alto responsável de Bruxelas lhe enviou recentemente. Nesse documento é referido ainda que o texto final do PDR «neutraliza quase completamente as apreciações críticas que haviam sido feitas à arquitectura do [novo] Quadro Comunitário de Apoio (QCA) em matéria de programas regionais».

Pimenta, têxteis e óleos são importações correntes

Esta é, segundo o PÚBLICO apurou junto de fonte governamental, a tonelagem para a importação directa de fio de algodão-puro registada na Direcção Geral de Comércio Externo em nome da empresa «Carmundi», propriedade de Manuel Macedo. A primeira encomenda de Macedo chegou a Leixões a bordo do navio «Jork», da Antígua e não indonésio conforme foi revelado anteriormente por diversos órgãos de comunicação social. Aquele navio carregou em Roterdão - porto holandês utilizado regularmente com «placa giratória das mercadorias indonésias - o algodão-puro com destino a Portugal.

Já se sabia que Arlindo de Carvalho, o regressado presidente da RDP, além da fama de bombeiro de fogos alheios, é um homem dos sete instrumentos no PSD e no Governo. Já há quem, de resto, o queira propor para o Guiness tal o ritmo e a variedade das suas suas múltiplas comissões de serviço. Foi na Segurança Social, depois na Saúde, agora de novo na rádio pública a meias com os demais cargos na distrital do PSD e na Celbi, qual deles com a sua melhor mordomia em cargos e vencimentos acumulados . Fora, claro está, a miragem que ainda é a TV por cabo e, ao que também é público & notório, a outra miragem da propalada "holding" RTP/RDP... Tanto enciclopedismo aconselharia por isso cuidados especiais no que se diz em voz alta. Pois foi o que não aconteceu um dia destes, numa prelecção a trabalhadores da RDP por causa do travão da nova administração aos gastos faraónicos da última fase da gestão João Soares Louro-Jaime Fernandes. E dava o exemplo do prédio da Philips: "Um mau investimento», alegava Arlindo de Carvalho, «pelo preço exorbitante que se pagou, mas não só." Para Arlindo de Carvalho, o problema maior eram , agora, os 70 mil contos que é preciso pagar a uma empresa estrangeira para retirar o amianto instalado pelos antigos inquilinos. E como não há verba suplementar para tanto, Arlindo de Carvalho preocupa-se com a saúde do pessoal da RDP: "Como sabem, o amianto provoca doenças cardiovasculares irreversíveis". Nitidamente, nem o estágio como ministro da Saúde fez de Arlindo um conhecedor mínimo destas coisas do coração e do cancro...

Segunda-feira, véspera de Carnaval, por volta da meia-noite, entradas internacionais, aeroporto da Portela. Agitação anormal. No passeio, vultos negros e brancos batem os pés gelados ao ritmo da música. Fazem companhia ao homem que resolveu entrar em greve da fome até ver o visto de 60 dias concedido pelo consulado português no Zaire à sua mulher e à sua filha reconhecido pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

O ministro do Planeamento e Administração do Território, Valente de Oliveira, afirmou ontem, em Coimbra, que a entrada em vigor do novo Quadro Comunitário de Apoio (QCA), a aprovar no próximo dia 28, em Lisboa, é «uma ocasião única para ajudar a desenvolver o país». «Este não é o último QCA para Portugal, mas pode ser o maior, pelo que é grande a responsabilidade na selecção de projectos estruturantes», afirmou, perante um auditório cheio de autarcas e outras entidades da Região Centro.

Confrontado com o endividamento de alguns municípios, e a consequente diminuição da capacidade de investimento, Valente de Oliveira sugeriu às autarquias a criação de receitas próprias «porque o Fundo de Equilíbrio Financeiro deve servir apenas para corrigir injustiças» e aconselhou os presidentes das Câmaras a apoiarem-se no serviço de auditores financeiros. E salientou a existência de uma linha de crédito bonificado para os municípios, com juros 4% mais baixos que os normais. Leonete Botelho

Gerir a câmara de Cascais está a ser mais complicado do que José Luís Judas podia supor. Quem o ouvisse a queixar-se do boicote implacável que lhe andariam a fazer os inúmeros funcionários «laranja» que agora tem sob a sua chefia, podia até pensar que o ex-dirigente sindical andava a sofrer de paranóia.

As comemorações do 25 de Abril já andam a excitar muita gente. E os ex-maoistas não querem deixar de participar na festa dos 20 anos. Para isso têm-se encontrado por aí para combinar as coisas, sempre de acordo com o velho espírito -- há hábitos que nunca se perdem -- de evitar a promiscuidade entre os vários sub-grupos em que se dividem. Há de tudo. Dos ex-presos em Peniche aos que hoje disputam um espaço ao sol no coração do «sistema».

Se a alguém cabe a vitória no «caso Vuvu» é, sem dúvida, à Igreja. E não é por acaso que os primeiros políticos a comparecerem no Aeroporto da Portela foram os católicos Guilherme d'Oliveira Martins e José Leitão. A Igreja, que tem estado na linha da frente na defesa dos imigrantes, tem como figura central neste caso o bispo de Setúbal, que agora tem o pelouro da imigração na conferência episcopal.

O líder timorense José Ramos-Horta, que acompanha os trabalhos da Comissão, disse ontem à Rádio Renascença que os serviços indonésios de segurança em Timor-Leste intimaram o padre Domingos Soares a comparecer na próxima segunda-feira, 21, na sede da organização, em Díli, para interrogatório. A convocação integra-se numa campanha de intimidação lançada pelas autoridades indonésias no princípio do ano contra padres católicos, a quem acusam de colaboração com a Resistência, disse a mesma fonte. Domingos Soares é pároco em Ermera, onde recebeu, há um ano, os repórteres portugueses autorizados por Jacarta a assistirem ao início do julgamento de Xanana Gusmão. Em Timor desde 1980, depois de sete anos no Norte de Portugal, onde estudou e iniciou o seu múnus sacerdotal, Domingos Soares impressionou os visitantes pela forma desassombrada como defendeu a causa timorense e classificou de comédia o julgamento de Xanana pelo tribunal de Díli (ver PÚBLICO de 9.2.1993).

Os metalúrgicos da antiga Alemanha ocidental pareciam ontem determinados a chegar à greve para se oporem às exigências de redução dos custos salariais por parte do patronato, assim como desafiar o chanceler Helmut Kohl, que pediu aos parceiros sociais que tentem fazer tudo para alcançar um compromisso. Ontem, as comissões de todas as regiões do sindicato IG Metall pediram à direcção federal para organizar consultas aos seus membros, procedimento necessário antes de marcar uma greve. A decisão de declarar o fracasso das negociações foi tomada por unanimidade em pelo menos duas das comissões regionais, segundo os porta-vozes do sindicato. Os dirigentes do IG Metall deverão logicamente aceder ao pedido das comissões feito durante uma reunião em Frankfurt na passada segunda-feira, e designar uma região onde será organizada a primeira consulta. Se 75 por cento dos trabalhadores votarem a favor, uma greve pode ser decidida pela direcção. Ontem ainda, já 26 mil metalúrgicos participavam na sua preparação, segundo o sindicato. Assim, as negociações salariais para os 3,6 milhões de trabalhadores da metalurgia e da indústria electrotécnica alemãs continuam num impasse. O sindicato pretende aumentos nominais e garantias de emprego, os empresários pretendem gastar menos com salários e regras mais flexíveis sobre os períodos de trabalho.

O homem que alegadamente desviou um Boeing 737 das linhas aéreas chinesas West South Airlines que cumpria um voo doméstico com 117 passageiros e oito tripulantes para o aeroporto internacional de Taipé, já se entregou às autoridades. De acordo com a polícia, o suspeito, Lin Wen Qiang, de 26 anos, estava acompanhado pela mulher, duas crianças e pela mãe adoptiva. Desde Abril de 1993, pelo menos 11 aviões das linhas aéreas chinesas foram desviados para aeroportos de Taiwan. Em todos os casos, os sequestradores foram detidos e pediram asilo político, enquanto os aviões e as suas tripulações eram autorizadas a regressar à China.

«Edouard matou-me»: Edouard, é primeiro-ministro francês, Edouard Balladur; e quem o acusa de morticínio é André Rousselet, patrão, até anteontem, do grupo francês de televisão Canal Plus. Não se trata de nenhum guião para uma série de tipo «Dallas», ou «Dinastia» -- é a realidade, e acontece, pela primeira vez, em França.Vítima de um verdadeiro «putsch» de accionistas fieis a Balladur, André Rousselet intitula com este «Edouard matou-me» uma tribuna livre publicada no «Le Monde». A frase é inspirada num espectacular caso de homicídio recente, em que a vítima denunciou o assassino escrevendo o nome dele com o seu sangue. Mas o que vem a seguir é ainda mais duro.

Ninguém fora prevenido, e o caso não figurava, até à véspera, na ordem do dia da reunião. Oficialmente, o objectivo é de impedirem uma Oferta Pública de Compra selvagem contra a cadeia de televisão. Mas ninguém tem ilusões. A cotação da empresa na bolsa indica que quem se metesse nessa aventura partiria os dentes. O objectivo é outro: com 48,7 por cento do capital, os três accionistas assumem o controlo de Canal Plus, sem desembolsarem um tostão. Rousselet -- que não tem outro remédio senão demitir-se --, chama «traidores» aos autores do pacto, e acusa-os de quererem colocar Canal Plus sob tutela de Matignon. A história é, com efeito, política.

O conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) Raul Mateus entregou anteontem na Presidência do Conselho de Ministros um requerimento dirigido ao primeiro-ministro, solicitando a Cavaco Silva que, «com a urgência devida», adopte as medidas adequadas para a melhoria das estruturas materiais e humanas do STJ.

Tentando minimizar a situação, no passado dia 15 de Setembro, no âmbito da abertura dos tribunais, o ministro Laborinho Lúcio inaugurou alguns gabinetes de apoio, que foram disponibilizados para os conselheiros, em instalações situadas na Rua Nova do Almada, a cerca de 500 metros do Supremo. Porém, segundo afirmou ao PÚBLICO um conselheiro, estes gabinetes parecem «salas apinhadas de secretárias». O mesmo membro do STJ queixou-se de que «os conselheiros são tratados como quadros inferiores da administração pública e não como titulares de um orgão de soberania».

«O crime organizado causa enormes prejuízos e constitui uma ameaça para os fundamentos do Estado de direito democrático», afirma um relatório do Parlamento Europeu - subscrito pelos deputados Heinke Salisch (alemã) e Francesco Speroni (italiano) - em que a Espanha e Portugal são citados como «as principais vias de acesso à Europa do tráfico de cocaína» promovido pelos cartéis colombianos de Cali e de Medelin.

Segundo os autores do documento, «cada cidadão europeu sacrifica entre 2% a 15 % do seu rendimento para que outros enriqueçam ilegalmente». Esse sacrifício, frisam, é «consentido de forma indirecta: aumento da tributação fiscal, serviços sociais de qualidade inferior ou mais onerosos, maiores índices de desemprego e aumento da dívida pública». Segundo os autores do documento, «os cidadãos temem um recrudescimento da criminalidade na Europa», onde se assiste «a um incremento da corrupção, tornando-se precária a fiabilidade das instituições públicas».

O problema é inversamente proporcional ao número de divórcios, item no qual os espanhóis estão bem longe da média europeia. Contudo, só em 608 processos, as dívidas chegavam aos 625 mil contos, mas é exigida igual bitola às dificuldades colocadas ao convívio com os filhos.

O facto de Fernando e Maria serem executivos e disporem de rendimentos bem acima da média, permitiu uma solução pacífica que, em Espanha, o país com menor taxa de divórcios da Europa, não é comum à maioria dos casos. A prova está nas recentes sentenças que levaram atónitos e faltosos ex-maridos do gabinete de um juiz a uma cela.

O Pleno do Supremo Tribunal de Justiça considerou inconstitucional uma norma do Código Civil de 1996 que, na sua redacção primitiva, proibia os filhos ilegítimos de requererem, com inteira liberdade, o reconhecimento da respectiva paternidade. Da decisão adoptada anteontem pelos conselheiros do Supremo será interposto recurso, obrigatório, do Ministério Público para o Tribunal Constitucional, que dará o veredicto final.

O empresário Américo Amorim, o poeta Egito Gonçalves e o pintor Armando Alves estão entre as personalidades que aderiram ao projecto de constituição da Associação de Amizade Portugal/Guiné-Bissau dinamizado originalmente por um grupo de médicos do Hospital de Crianças Maria Pia e de outros hospitais portuenses. Valentim Loureiro, cônsul honorário daquele país africano de língua portuguesa na cidade do Porto, não foi convidado por causa da natureza oficial desse cargo político, que contraria «a isenção, autonomia e espontaneidade desta associação». Foi esta a explicação dada por José Pavão, director do Hospital de Crianças Maria Pia e presidente da Direcção da nova associação, que tenciona dar conta disso mesmo a Valentim Loureiro.

A investidura de vinte e dois novos «cavaleiros templários» prevista para hoje na igreja de Santa Maria do Castelo, em Castelo Branco, reabriu a polémica existente entre duas associações sediadas em Portugal e que se reivindicam como legítimas herdeiras da Ordem do Templo, criada em Jerusalém em 1118 e extinta em 1312 pelo Papa Clemente V.

No centro da polémica está o facto de as investiduras de hoje se realizarem (como já aconteceu noutras ocasiões) numa igreja católica quando nenhuma Ordem do Templo foi até agora reconhecida oficialmente pelo Vaticano. Fernando Fontes admitiu, em declarações ao PÚBLICO, que esse reconhecimento não existe, mas afirma que a sua Ordem «tem tido nos meios católicos de todo o mundo a melhor das recepções». Além disso, sublinha, mesmo na altura da sua fundação, no século XII, a Ordem existiu pelo menos durante dez anos sem haver um reconhecimento formal da Santa Sé e isso nunca lhe retirou a legitimidade.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) está a «analisar à lupa» o caso do jovem franco-argelino Matallah Farid, que já foi chamado a prestar declarações na delegação de Braga deste departamento do Ministério da Administração Interna. A breve detenção teve por fim definir a situação legal de Farid, que parece ser tão complicada quanto a sua situação amorosa: o jovem, recorde-se, continua a recusar-se a abandonar as imediações da casa de Lisete Carvalho, a estilista portuguesa por quem se diz apaixonado, e que não lhe retribui o sentimento, na aldeia vimaranense de Donim.

Durante três dias, uma mulher com sida presa na cadeia de Tires não recebeu os dois comprimidos diários de AZT prescritos pelo seu médico externo. Da prisão dizem que não havia prescrição. Mas havia. O processo deve ter ficado perdido pelo caminho.

Os investidores da Bolsa de Madrid foram abalados logo no início da semana pelo o aumento do número de desempregados em Espanha no mês de Janeiro. Segundo os dados do Ministério do Trabalho, a taxa de desemprego situou-se no primeiro mês do ano nos 18 por cento. Este clima provocou uma onda vendedora na praça madrilena, levando a maioria das cotações a terminarem em queda na segunda-feira. Na terça e quarta-feira o mercado esteve instável, alternando subidas e descidas nos preços. Quinta-feira a bolsa voltou a recuperar, encorajada pela descida nas taxas de desconto do Bundesbank, que caíram meio ponto. No último dia da semana o índice Geral terminou novamente em queda, atingindo os 345,46 pontos.

O mercado de acções londrino registou fortes estímulos durante a semana passada, levando o índice FTSE-100 a subir significativamente. A última sessão do período revelou-se, porém, trágica, acabando com parte desses ganhos. O indicador acabou por subir, no período em análise, apenas 0,11 por cento. Alguns analistas começaram mesmo a rever as suas previsões de crescimento para 1994, baixando essas análises. Assim, o citado índice deverá acabar o ano perto dos 3.400 pontos, em vez dos 4.000 calculados. Isto faz acreditar que os próximos meses serão caracterizados por valorizações suaves e correcções de amplitude. A possível baixa das taxa de juro no Reino Unido pode inverter este sentimento negativo. Pelo menos essa é a opinião dos mesmo analistas.

A Bolsa de Paris iniciou um movimento de recuperação durante a semana passada, em parte devido à decisão do banco central alemão de baixar a sua taxa de desconto. Na prática, esta medida gerou expectativas. É possível uma tomada de posição idêntica por parte do Banco de França. A subida dos índices da Bolsa de Nova Iorque também deu um importante contributo. Os investidores estão, portanto, à espera de novidades, quer quanto à evolução das taxas quer relativamente aos resultados e dividendos a apresentar pelas principais empresas. Em todo caso, na passada sexta-feira uma pequena crise de confiança afectou a expectativa de recuperação. O índice CAC-40 terminou a semana nos 2251,78 pontos, menos 1,02 por cento.

Entretanto, um responsável do Governo japonês ameaçou recorrer às instâncias internacionais, nomeadamente o GATT, caso os norte-americanos avancem com sanções.

É um programa ambicioso aquele que o Ministério das Finanças e a Direcção-Geral do Tesouro pretendem desenvolver, em Portugal, quanto à negociação de dívida pública. O primeiro passo já foi dado. Os investidores estrangeiros deixaram de ser tributados em Portugal. A devolução imediata do imposto sobre os juros auferidos, anunciada no Orçamento para 1994, e agora aprovada, promoveu de imediato um crescente interesse por este mercado, quer para os investidores nacionais, quer para os não-residentes. O entusiasmo é grande.

Manuel de Pinho, Director-Geral do Tesouro, alimenta, pelo menos, essa ambição. E tem razões para isso. A dívida pública negociada em bolsa é responsável pelo grosso do volume total intermediado, atingindo percentagens superiores a 80 por cento. Se um mercado separado de dívida não é inevitável, a dinâmica que as Finanças estão a imprimir ao negócio, quanto a emissões e reformas legais, aponta nesse sentido.

O investimento espanhol em Portugal está para durar. Os números relativos a 1993 são elucidativos. O investimento directo no mercado português efectuado por empresas espanholas quase duplicou, relativamente ao ano anterior. De um valor de cerca de 70 milhões de contos em 1992, o investimento do país vizinho em Portugal passou para 130 milhões de contos no ano passado. E se a variação no montante do investimento é significativa, também não o é menos o facto de Portugal ter sido o país em que os investidores espanhóis mais apostaram no último exercício, com uma fatia de mais de 23 por cento do total aplicado fora de portas pelas empresas sediadas do outro lado da fronteira.

Há poucas dúvidas sobre a inevitabilidade deste fenómeno que se tem designado por iberização da economia. Abertas as fronteiras entre os dois países, seria natural que o economicamente mais forte e organizado, iniciásse de imediato a concretização da sua estratégia de expansão para um mercado que é encarado como uma extensão natural do mercado espanhol. A resposta portuguesa a este movimento tem sido tímida.

Contrariando a tendência crescente das taxas de juro, característica da semana anterior, os movimentos efectuados pelas instituições financeiras demonstraram no decurso da semana a falta de liquidez existente durante todo o período de constituição de reservas, provocando intervenções diárias por parte do agente regulador central, de modo a restabelecer o equilíbrio no mercado monetário.

Da habitual reunião quinzenal do Bundesbank, importa realçar o corte de 0,5 por cento na taxa de desconto, mantendo a taxa Lombarda a 6,75 por cento. Esta resolução não cusou impacto imediato no nosso universo financeiro.

Se Alípio Dias, presidente da comissão executiva do Banco Totta & Açores (BTA), se tem mostrado, nos últimos tempos, manifestamente agastado, no Banco de Portugal o humor parece reinar. Mesmo quando se continua a encontrar mais «indícios» do que provas sobre a falta de idoneidade dos detentores de participações qualificadas na estrutura accionista do BTA controlados pelo Banesto. Na semana passada, o vice-governador, Bagão Félix, foi o anfitrião numa visita guiada ao complexo do Carregado onde se espera, a partir de 1995, concentrar os acabamentos das notas impressas no estrangeiro e o seu depósito. O responsável no banco central pelo pelouro da supervisão bancária dispôs-se a explicar tuido sobre o complexo, mas, com a delicadeza que se lhe reconhece, recusou sempre dizer o que que quer que fosse sobre o «caso» Totta/Banesto. No final, porém, esboçando um sorriso, foi apertando as mãos, distribuindo à esquerda e à direita um «hasta luego», «hasta siempre», «encantado», «adiós», «mucho placer»... Nada como ir treinando a língua de Cervantes, quando tudo parece apontar que, a haver uma solução para o «caso Totta», ela terá de ser política e, cada vez mais, espanhola...

A guerra das audiências, tanto nas novelas como na informação, tem os seus custos. Que o diga Freitas Cruz quando receber a factura do advogado. Horas depois do acidente na refinaria de Sines da Petrogal, os responsáveis pela informação da RTP, na sua ânsia de serem mesmo «os primeiros», arranjaram um helicóptero, sobrevoaram o local do acidente e aterraram dentro da refinaria. Imagine-se o espanto dos funcionários de serviço quando se avistou o aparelho e, lá dentro, uma equipa de reportagem que se preparava para recolher o exclusivo das imagens, sem que as suas intenções tivessem sido previamente comunicadas à empresa. Por momentos, receou-se o pior. São rigorosamente proibidas quaisquer manobras aéreas nas proximidades deste género de infraestruturas, por motivos óbvios de segurança. Depois de ultrapassada a situação, a Petrogal decidiu processar a RTP e o piloto do referido aparelho, por considerar que este, mais que ninguém, deveria conhecer e obedecer a estas normas.

A onda expansionista da banca, nos anos que antecederam a recessão, habituou-nos a encontrar balcões nos sítios mais inesperados. Substituíram pastelarias, estações de serviço, velhas mercearias, entraram nos centros comerciais e nas estações de metropolitano. Mas há sítios ainda mais invulgares onde se pode encontrar um balcão. No caso, do Banco Espírito Santo. Imagine-se a entrar pelo corredor central da sede da maior empresa industrial do país constituída por duas companhias estrangeiras: a AutoEuropa. Siga o corredor, como quem quer, por exemplo, dirigir-se aos lavabos. Com portas que se sucedem de ambos os lados, continua-se a andar porque o corredor é bem comprido, até que, à direita. se encontra a porta pretendida: primeiro a dos «cavalheiros», depois a das «senhoras» . E é então que surge a surpresa. Mesmo em frente, fica uma outra com uma placa indicativa, não a dum bonequinho que pode indicar «senhoras» ou «cavalheiros», mas o nome e o logotipo do «Banco Espírito Santo». À hora que o PÚBLICO & Privado lá passou, a porta estava fechada, mas estavam lá todos os sinais que provavam tratar-se de um balcão a sério, com horário de atendimento e nome do responsável. Já só faltava uma máquina ATM. Tudo muito discreto e inesperado. Bancos? Até dentro de uma empresa.

Em meados de 1990, as concessionárias dos casinos da Póvoa de Varzim e de Espinho, respectivamente a Sopete e a Solverde, acabaram de pagar, cada uma, mais de sete milhões de contos de contrapartidas ao Estado pela continuação da exploração das respectivas zonas de jogo. Mais lá para baixo, a Estoril-Sol, de Stanley Ho, concessionária do Casino Estoril, viu substancialmente alargados os prazos para pagamento das duas últimas prestações das contrapartidas -- 10,46 milhões de contos --, liquidando a dívida ao Estado dois anos depois das suas congéneres nortenhas. Na altura, tanto a Sopete como a Solverde declararam publicamente que o tratamento diferenciado, em favor da empresa de Ho, constituía «uma grande injustiça», que as prejudicou a cada uma em mais de um milhão de contos. E prometeram, mais ou menos solenemente, concertar esforços para reparar a desigualdade. Afinal, tudo parece ter ficado em águas de bacalhau. A injustiça não só não foi reparada, como alguns dos intervenientes nortenhas no caso desvalorizam, agora, os objectivos de uma «guerra» que se adivinhava muito quente. Um dos homens ligados à Sopete, admitiu então que o favor feito pelo Estado à empresa de Ho era mais um sinal da perda de influência do Norte junto do poder central. Agora, com o baixar de braços dos próprios prejudicados, o Norte não só perdeu capacidade de influenciar o poder de Lisboa, como parece ter perdido a confiança em próprio. E afinal, caramba, dois milhões de contos custam muito a ganhar! Ou não custam? Força, Norte!

«A nossa economia é subsidiária e sê-lo-á cada vez mais por não possuirmos grupos económicos fortes. O país vai andar cada vez mais a reboque e quando se diz que a Europa vai ser a duas velocidades, eu tenho vontade de dizer que será a quatro ou cinco e nós estaremos na última»

«O inimigo de classe do trabalhador rico é o trabalhador pobre e o inimigo de classe do capitalista estabelecido é o capitalista inovador»

Ao Bom Jesus do Monte, vai-se sempre de excursão com os muitos autores que sobre ele escreveram, de Camilo a Teixeira Gomes, passando por Ramalho. E com este último se pode continuar a afirmar que «a obra em pedra, fontes e estátuas ao ar livre, docemente amaciadas agora pela pátina do tempo, são de agradável harmonia com a paisagem e os arvoredos que a rodeiam».

Bem perto do terreiro, dito de Moisés, encontra-se o Hotel do Elevador. Exemplar robusto de um estilo burguês e confortável, a casa mereceu obras de beneficiação e hoje continua a oferecer um ambiente acolhedor, de madeiras e veludos. Passada a recepção e um pequeno bar, no piso de entrada, acede-se à sala de jantar, com uma varanda largamente aberta para poente e a vista a alcançar o mar, em dias claros. É certo que o panorama se abre também sobre a cidade e não seria de molde a inspirar Byron, mas permite sempre reflectir.

RAPAZ MORTO, RAPARIGA EM ESTADO DE COMA SUPERFICIAL --Um casal de estudantes do pólo de Vila Nova de Famalicão da Universidade Lusíada foi encontrado, ontem à tarde, dentro de um carro estacionado numa garagem, por um grupo de colegas que os procuravam por acharem estranha sua a ausência desde a noite de Carnaval, estando o rapaz morto e a rapariga em estado de coma superficial. António Morais Afonso, de 21 anos, natural de Bragança, tinha, segundo fonte do Hospital de Famalicão, falecido há mais de 24h00, dado o estado «rígido» do corpo. Maria José Guimarães, de 22 anos, natural de Pedome, do concelho de Famalicão, apresentava-se em estado de «coma superficial», um sintoma de falta de ingestão de alimentos, mas em princípio livre de perigo. Numa garagem vizinha do edíficio Veneza, na Travessa dos Eixidos, na cidade de Famalicão, onde António Afonso residia, os dois estudantes foram encontrados nus, mas não tinham marcas de qualquer agressão nem indícios de violência física ou de abuso sexual. A garagem onde foi encontrado o casal era individual e estava fechada. As autoridades policiais estranham que Maria José não tenha feito qualquer tentativa de saída, tanto mais que o local é bastante movimentado. Colegas da universidade contactados pelo PÚBLICO não encontraram razões para o sucedido, uma vez que eram «duas pessoas amigas e habitualmente bem dispostas».

O PRESIDENTE de Angola, José Eduardo dos Santos, inicia no dia 23 uma visita oficial de três dias a Paris, durante a qual será recebido pelo seu homólogo, François Mitterrand, pelo presidente da Assembleia Nacional, Philippe Seguin, pelo primeiro-ministro, Edouard Balladur, pelo ministro de Estado e do Interior, Carles Pasqua, e pelo ministro da Cooperação, Michel Roussin.

O XII Congresso do CDS-PP ainda não tinha começado e a candidatura de Manuel Monteiro ao Parlamento Europeu já era discutida no átrio do auditório da Anunciada, em Setúbal. As vozes contrárias ouviam-se sobretudo vindas da parte dos dirigentes da Federação de Trabalhadores Democratas Cristãos (FTDC). Mas apesar de haver congressistas contra, Manuel Monteiro avançou. A decisão coube a uma reunião de "notáveis" centristas que se realizou durante a madrugada de hoje, já depois de encerrada a sessão de abertura do Congresso.

Para este dirigente sindical, o presidente não pode andar a ser "pau para toda a colher". No que seria secundado por Manuel Andrade, presidente da FTDC e vice-presidente da UGT, para quem se Manuel Monteiro tiver

O presidente da Câmara de Braga, Mesquita Machado, deverá suceder a Joaquim Couto na presidência da Associação Nacional dos Autarcas Socialistas (ANA-PS). A escolha do polémico autarca bracarense para ocupar este cargo -- que no último mandato coube ao presidente da Câmara de Santo Tirso -- foi acertada anteontem à noite, em Lisboa, num encontro da direcção nacional do partido com representantes das diferentes estruturas autárquicas ligadas aos socialistas. Já no anterior mandato, o nome de Mesquita Machado chegou a ser avançado para a presidência da ANA-PS, mas as reservas então levantadas por diversos autarcas levaram a que a opção recaísse no sampaísta Joaquim Couto.

Durão Barroso reafirmou ontem o apoio de Portugal à auto-determinação dos palestinianos, durante uma visita à faixa de Gaza ocupada. «Estamos solidários e respeitamos o vosso direito à autodeterminação», declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros português, que regressa hoje a Lisboa depois de uma visita oficial de três dias a Israel.

ÁfricAmiga contesta APDC - O comissário para as relações com as empresas da campanha «ÁfricAmiga», Américo Ferreira, acusou ontem o presidente da Associação Portuguesa de Direito de Consumo, Mário Frota, de ser «injusto nas suas afirmações, por manifesta falta de informação». Em causa está o facto de Mário Frota ter desanconselhado os donativos para a campanha, dada a falta de «uma garantia solene de que o dinheiro não virá a ser utilizado no reforço da logística da guerra ou na criação de uma estrutura remunerada que se sirva da generosidade das pessoas para criar bolsas de benesses em Portugal». "Tanto o dinheiro angariado como a execução dos projectos no terreno serão gratuitamente supervisionados por várias empresas multinacionais de auditoria. E certamente que ninguém acredita que essas empresas vão dizer que o dinheiro foi correctamente utilizado se tal não tiver acontecido» -- afirma Américo Ferreira que garante, ainda, que «nenhuma das pessoas que trabalham na campanha recebem ou virão a receber por isso um único tostão».

A grelha da emissão do RCP na Maia ainda não está concluída, uma vez que, segundo Botelho Moniz, «será necessário articular a nossa programação a transmitir para Lisboa com os espaços de programação que os actuais proprietários da Sete FM vão manter na futura estação». Nos primeiros dias de Março os »jingles» do RCP poderão ser escutados no Grande Porto na frequência de 100.8 Mhz.

Condorcet da Silva, nomeado para a administração da TVI há cerca de um ano através da Antena 3, toma a partir de agora o lugar que Roberto Carneiro, o presidente da estação, tinha destinado a José Eduardo Moniz. Condorcet da Silva, considerado como um dos "protagonistas" da ascensão da Antena 3 no mercado espanhol, passa a deter o pelouro dos programas e da informação no Conselho Geral. Nuno Nobre Guedes, que "tutelava" a área da programação, passa a deter apenas o sector comercial. A posição do director de programas, José Nuno Martins, não está em causa, apurou o PÚBLICO. Ao longo do próximo mês, no entanto, a TVI vai proceder a "acertos" na sua estratégia, preparando-se para a Assembleia Geral de 18 de Março, onde finalmente se clarificará a nova composição accionista da empresa.

Quando vejo um filme divertido, porventura interessante, ele agrada-me pela forma como os actores se vestem, pelo seu corte de cabelo ou pelo carro que conduzem. A seguir ao filme, começo a poupar para comprar as mesmas roupas, para ter o mesmo corte de cabelo e conduzir o mesmo carro. Sem sequer disso me ter apercebido, tornei-me vítima do poder do fabricante de automóveis que queria lançar um novo modelo, da empresa de moda e do cabeleireiro que no filme apresentavam novas modas. Todo o esquema está tão cuidadosamente planeado que não é sequer suposto eu reparar que ele existe.

Não foram pessoas, mas ideias, reflexões resultantes do choque constante de duas culturas contraditórias que moldaram o meu eu. O amor? Sim. Amei, fui amada, mas nenhum desses laços afectivos inflectiram a direcção que quis dar à minha vida.

Com uma mãe belga católica, um pai chinês pagão, tudo era constantemente posto em causa. Um luto? A minha mãe quer vestir-nos de preto. Não, de branco, diz o meu pai, porque o branco é a cor de luto na China. Ao domingo, a minha mãe leva-nos à igreja. O meu pai dá um passeio no mercado das flores e dos pássaros. Um dia comemos à chinesa com pauzinhos; no outro, à europeia, com faca e garfo. Falamos chinês com os criados, com os comerciantes, «europeu» com os amigos da minha mãe.

Por mais que eu recue nas minhas recordações, caio sempre sobre o meu inimigo principal, o que foi a causa dos dissabores e fracassos que foram os meus, desde que eu empreendesse qualquer coisa de existencialmente importante. Era, bem entendido, esse famoso poder dos trabalhadores, aquele poder que tantos fantasmas criava nos estudantes franceses, americanos, alemães ou italianos que tinham a mesma idade que eu nos anos 60. Mesmo se eles não achavam que essse poder era totalmente conforme os seus desejos, viam nele uma tentativa de criar uma organização social honesta e justa.

Para mim era impossível compreender como era que aquele monstro podia sobreviver. Depois de todas as perversidades de que estava marcada a sua história, aquele poder era capaz de denunciar os seus crimes e de glorificar os princípios que o levaram a cometê-los. As suas declarações pacifistas para consumo externo e a sua doutrina de amizade dos povos para consumo interno conviviam com a sua agressividade ideológica inveterada, com a militarização de toda a sociedade, da qual oito décimos trabalhavam para o exército e indústria do armamento. Mostrava sem pudor a sua xenofobia e, relativamente aos povos do império, o seu anti-semitismo de Estado e o seu chauvinismo, tipo grande Rússia. Os seus comunicados de vitória nos domínios científico e económico contrastavam com a penúria dos artigos mais elementares e com a mediocridade e o desconforto que constituíam o tecido quotidiano da vida do cidadão comum e até daqueles que tinham atingido os primeiros escalões do poder. É inútil prolongar esta lista de contradições. É interminável. Não eram as contradições que mereciam a atenção, mas o facto de, a despeito delas, o sistema continuar inabalável.

A URSS já não existe, mas os seus segredos estarão à venda brevemente. Os arquivos do KGB constituem uma verdadeira bomba-relógio. Uma série de livros sobre as actividades do KGB, a publicar dentro em pouco tempo nos EUA, e certas revelações sobre os investimentos no estrangeiro do Partido poderão abalar muitas figuras famosas, quer dentro, quer fora da ex-URSS.

Naturalmente, o KGB tem arquivos gigantescos contendo milhões de documentos -- 4.800.000, segundo números oficiais -- que podem ser facilmente utilizados contra pessoas e países. Os arquivos de Moscovo contêm cerca de 350.000 documentos, sobretudo referentes a actividades de contra-espionagem.

PERGUNTA -- Antes da desintegração da União Soviética, o KGB era muitas vezes designado como «um Estado dentro do Estado». Essa descrição estava correcta?

R. -- Eu sou um soldado por formação. E, como soldados, temos que agir com prontidão quando a ordem social estabelecida no país se encontra em perigo de desmoronamento, ou quando a integridade territorial do país se encontra ameaçada. Fizemos o que tínhamos que fazer. As nossas acções constituíram apenas uma tentativa de salvar a nossa pátria e a União Soviética. Estávamos a agir de acordo com a Constituição. Infelizmente falhámos e a União Soviética entrou em colapso...

Tropas especiais americanas da Somália ou legionários franceses de Sarajevo: o direito de ingerência humanitária tornou-se realidade, sucessivamente saudado como um grande passo em frente do direito internacional e criticado como uma perigosa mistura do coração e da razão de Estado. Antes de atirar para o terreno milhares de soldados em nome da moral, o direito de ingerência humanitária foi, primeiro, a ideia de um homem isolado, Mario Bettati, professor de direito internacional, de 56 anos de idade. Se apresenta em primeiro lugar a reserva do jurista, basta ouvi-lo para compreender que o eminente professor esconde um apaixonado militante dos direitos humanos. Paixão e competência são as receitas de vida de um homem que quis mudar as regras das relações internacionais.

Também é preciso estar no local certo, no momento certo. Em 1965, conheci um jovem médico francês, Bernard Kouchner, que partilhava a minha revolta. Três anos mais tarde, ele partia para o Biafra e, assim, começava a epopeia dos «French doctors».

O fanático fundamentalista islâmico de barbas foi personificado como a principal ameaça à nova ordem mundial no fim do século XX, da mesma maneira que o anarquista de barbas era visto como uma ameaça à ordem estabelecida nos finais do século XIX. Mas o fanático, tal como o anarquista, não pode subverter a ordem vigente, porque não tem meios para operar uma mudança revolucionária instantânea nesta sociedade de insatisfação.

Fundada no Egipto em 1928, por Hassan al-Banna, a Irmandade Muçulmana é o movimento revivalista mais importante do mundo islâmico e al-Banna o ideólogo mais influente do mundo árabe.

Um poder secreto? São cerca de 1500 sacerdotes e mais de 75 mil leigos. É evidente a sua influência em Espanha, na Irlanda, em Portugal e em vários países da América Latina, e, além disso, a sua presença em muitas outras áreas dos cinco continentes. Mas trata-se de uma organização que oculta o seu poder económico -- os seus «instrumentos apostólicos» -- sob a capa de uma série de empresas civis, em virtude de uma «iluminação especial» vinda de Deus para o fundador da obra, Josemaria Escrivá, que, segundo parece, recebeu tal inspiração em 1933, segundo testemunho prestado pelo actual prelado, Álvaro del Portillo, durante o processo de beatificação de Escrivá.

Ficam sujeitos não apenas à confissão com um sacerdote, comum a todos os praticantes da religião católica, como a um sistema de controlo «espiritual», estruturado por directores, aos quais os membros da Obra devem fazer regularmente as suas confidências -- o que suscitou, no passado, bastantes receios no seio da Igreja, a ponto de o Cardeal Jean Villot, secretário de Estado durante o pontificado de Paulo VI ter pedido garantias explícitas de que a Opus Dei não obrigava os seus membros a dar informações sobre assuntos de que tivessem conhecimento devido aos seus cargos na Santa Sé e noutras instituições religiosas.

A ciência do caos é ainda relativamente jovem. Durante séculos até os cientistas acreditavam que o mundo era um gigantesco mecanismo de engrenagens que obedecia a rígidos princípios mecânicos. O matemático francês Pierre Simon de Laplace anunciava assim, no século XVIII, que era possível calcular o movimento futuro de cada grão de poeira existente sobre a Terra, pelo que o «demónio» de Laplace sabia exactamente para onde este mundo se dirigia. Só no início do século XX é que um outro matemático francês, Henri Poincaré, reconheceu existirem sistemas em que pequeníssimas perturbações podiam resultar, com o correr do tempo, em alterações drásticas. Poincaré, no entanto, achava estas coisas tão «estranhas» que não suportava «voltar a reflectir sobre elas». As conclusões a que chegou continuaram, durante algum tempo, a não despertar grande atenção.

Os cientistas começam agora a pensar se será também possível aplicar os métodos da teoria do caos a sistemas biológicos ou mesmo económicos e sociais. Um exemplo: o coração humano. Já se sabe há muito que, normalmente, o coração saudável não bate a um ritmo sempre igual. A frequência dos batimentos cardíacos (isto é, o número de batimentos por unidade de tempo) varia imprevisivelmente, portanto segundo as regras do caos determinista. Com um coração doente acontece precisamente o contrário: os batimentos são mais regulares. Se a morte súbita por paragem cardíaca consiste numa passagem de um estado caótico a um estado progressivamente mais regular, será então possível evitá-la? Talvez. Cientistas americanos descobriram há pouco tempo que, teoricamente, é possível governar o caos. Puderam demonstrar também que é possível, em sistemas simples, eliminar por meio de alterações insignificantes mas precisas o comportamento caótico, transformando-o em comportamento regular, e vice-versa.

Por trás das divinas Cindy Crawford, Linda Evangelista e até há pouco tempo Naomi Campbell, esconde-se a Elite, a agência de manequins mais célebre do mundo, com sede em Nova Iorque e presente em mais de dez países, fundada no início dos anos 70 por John Casablancas.

P. -- A Elite contribui para a ideia que hoje geralmente se tem de beleza. Tem «uma certa ideia da mulher»?

No fim do Verão, em Moscovo, no célebre e prestigioso cemitério de Vagankovskoe, algumas centenas de pessoas ricamente vestidas acompanham na sua última viagem o cadáver crivado de balas do senhor A. Sucedem-se os oradores. Os homens do KGB e da polícia, empoleirados nas varandas das casas vizinhas, filmam o cortejo fúnebre. Na sua maior parte é composta por célebres mafiosos e respectivas companheiras.

O senhor A. explicou aos que o interrogavam que era dramaturgo e que acabara de terminar uma peça com um co-autor célebre. Efectivamente, foi encontrada uma peça assinada com os dois nomes. Os investigadores supunham, evidentemente, que o co-autor tinha sido muito bem pago para aceitar a assinatura do senhor A. ao lado da sua, mas como prová-lo? No entanto, um dia, convocaram o senhor A. para interrogatório e acareação com uma das suas vítimas. Ele ficou extremamente zangado com aquilo. Nunca antes nenhuma das suas vítimas tinha ousado dizer uma palavra. Zangou-se ainda muito mais, quando viu um rosto desconhecido. Furioso, atirou-se ao personagem: «O quê? Roubei-te alguma coisa? Matei-te, por acaso? É a primeira vez que eu te vejo, p... da tua mãe!» O juiz instrutor interrompeu-o então e avançou muito calmamente: «É o seu co-autor.»

«Quando pensamos no objectivo a atingir por Tito Lívio, por Tácito, por Maquiavel -- fuga ao presente e prazer --, muitas vezes basta dizer que antigamente as coisas eram de outra maneira, da mesma ou que eram melhores.» (Verão-Outono de 1873), Friedrich Nietzsche.

Estamos a assistir a uma transmutação que pressupõe uma nova densidade das relações de poder, estando, por isso, alterado o universo político e o exercício da razão de Estado confiado a uma nova instância em que o consentimento é a unidade de medida, segundo a qual se avalia a eficácia das intenções e das normas, provocando um desequilíbrio das forças cujo jogo consiste, precisamente, em aderir ou não. A partir daqui, a única latitude que resta aos detentores do poder resume-se a estabelecer um sistema de concertação e de negociação constantes.

Os produtores e fornecedores de armamento continuam a representar um poder fora de controlo, apesar do fim da guerra fria e das perspectivas de uma «nova ordem mundial» depois da guerra do Golfo. Os conflitos regionais não diminuíram, alimentados por um fluxo cada vez maior de armas e transferências tecnológicas. A competição dos «negociantes da morte» por lucros económicos a curto prazo pode fazer perigar a segurança mundial.

Se o mercado internacional de armamento continuar desregulado, incentivar-se-ão corridas regionais às armas na Ásia, na Europa do Sul e no Médio Oriente. Os fornecedores poderão chegar à conclusão de que essas corridas às armas originaram inimigos bem equipados. A guerra do Golfo foi exemplo de um perigo desse género. Enquanto puderem, os fabricantes servir-se-ão das exportações para amortecer o choque dos cortes nas despesas militares nacionais.

Num país pequeno, um político precisa sempre de ter em consideração o resto do mundo, mesmo para tomar decisões a nível interno. No seio das organizações internacionais, a situação é exactamente a mesma. O que significa, como é óbvio, que o poder das nações deixou de ser obtido apenas pela força das armas ou do dinheiro, mas antes pela forma como conduzem as suas relações com as demais.

Durante 45 anos, as Nações Unidas viram-se paralisadas porque os seus cinco fundadores, todos eles membros permanentes do Conselho de Segurança, não conseguiram chegar a acordo em relação a nada depois de terem concordado na criação da organização. Hoje, estão novamente em sintonia e a ONU enfrenta novos desafios. Mas os membros das Nações Unidas, embora estejam de acordo em muito maior número de aspectos do que anteriormente, não estão dispostos nem têm a possibilidade de dotar a organização com os recursos necessários. É por isso que esta e outras organizações se encontram em maiores dificuldades do que antes.

Desde o desmantelamento da URSS, 24 novos Estados declararam a sua independência e continuam a lutar pelo estabelecimento ou consolidação do seu poder e da sua soberania. Na maioria, essas nações são devastadas por guerras civis e regionais de fundamento étnico e pelo nacionalismo, ou estão à beira de se envolver num conflito.

Os novos Estados estão extremamente vulneráveis ao perigo das guerras civis de origem étnica, já que são demasiado débeis para conseguir superar as divisões existentes no seio da sociedade, como no Tajiquistão, ou porque são considerados ilegítimos por um vasto segmento da população. Em ambos os casos, os indivíduos procuram refúgio e força nos seus grupos étnicos, e é então que as divisões políticas começam a alimentar os conflitos étnicos. O grupo étnico que considera ilegítimo o novo Estado pega nas armas e procura instituir um Estado próprio.

PERGUNTA -- A paz israelo-palestiniana vai enfraquecer o fundamentalismo, privando-o de um dos seus principais cavalos-de-batalha?

Ele era acusado de apostasia, de neopaganismo. Segundo Abdel Salam Farag, o guia espiritual do grupo, enquanto a comunidade é dirigida por apóstatas, a luta contra os sionistas não tem sentido, porque a vitória não faria mais do que reforçar os tiranos do interior.

PERGUNTA -- Os homens de negócios e os especuladores transaccionam milhares de milhões de dólares todos os dias através dos sistemas computadorizados dos mercados financeiros. De que maneira é que isto afecta os bancos centrais?

HENNING CHRISTOPHERSEN -- O poder concentrado no mercado surpreendeu-nos a todos. O que aconteceu no Verão passado deve servir-nos de lição: os bancos centrais precisam de seguir mais de perto os mercados financeiros e avaliar melhor a evolução das coisas.

É corrente, hoje, as multinacionais investirem nos cinco continentes e em mais de cem países. Maiores e mais expandidas do que nunca, elas têm de gerir uma cadeia extremamente complexa de actividades interdependentes.

Seja qual for a sua estratégia global, as multinacionais devem garantir que as subsidiárias nacionais estejam dispostas a sacrificar os seus interesses próprios a bem da companhia e a cooperar para levarem efectivamente a cabo acções conjuntas.

P. -- Numerosos estudos publicados em 1993 modificaram profundamente a percepção que temos da China, ao apresentá-la como a primeira potência económica do século XXI. O que há de verdade nisto?

R. -- O governo central terá cada vez mais dificuldade em controlar os governos das províncias. Certamente que, aos 89 anos, Deng Xiao Ping continua a dirigir o país, apoiando-se nos que o rodeiam. Mas o problema tornar-se-á dos mais preocupantes quando a sua sucessão se puser abertamente. Como é que a nova geração de homens políticos conseguirá impor-se e controlar os três pilares do poder político, ou seja, o partido, a burocracia e o exército? Jiang Zemin (1), por exemplo, que nunca foi militar só tem um hipotético controlo sobre o exército. Para além destes desafios fundamentais, numerosos problemas continuam por resolver. As infra-estruturas, os transportes são insuficientes, o abastecimento de energia é deficiente. As políticas de protecção do ambiente não são equacionadas com o crescimento industrial, pelo que são bombas de retardador para toda a região. Chuvas ácidas de origem chinesa atingem já o Japão. Tem-se, assim, de um lado, belas projecções quantificadas e, do outro, sérias dificuldades. Por consequência, o futuro desenvolvimento da China arrisca-se a ser bem mais irregular do que hoje se pensa.

O antigo presidente do grupo Time-Warner, o falecido Steve Ross, declarou com orgulho, no dia seguinte à queda do Muro de Berlim, que o grupo dele tinha, com certeza, desempenhado um papel decisivo nas mudanças políticas ocorridas na Europa Central e de Leste. Quanto a Ted Turner, pode gabar-se de ter oferecido em directo à televisão russa, em simultâneo com o resto do mundo, as imagens do ataque à Duma, em Setembro de 1993. Num mundo em que o poder simbólico exige ser exercido à escala planetária, o desenvolvimento dos grandes grupos de comunicação constitui um desafio importante que parece ter definitivamente escapado a qualquer possibilidade de regulamentação democrática.

Foi assim que, nos Estados Unidos, o cabo, a difusão por satélite e a rede de cadeias hertzianas deixaram sucessivamente de ser objecto de regulamentação e que, hoje em dia, se assiste à queda de um dos últimos tabus estabelecidos nos anos 20: a proibição de as companhias de telefones intervirem no campo da difusão e do cabo.

O professor e Prémio Nobel de Economia Maurice Allais gosta de distinguir as etapas de uma decisão: informar-se, reflectir e optar. Todas as pessoas têm a ideia dos reis de antigamente escutando conselhos, ouvindo contar problemas dos seus súbditos, pesando os prós e os contras das medidas possíveis de adoptar e concluindo com ordens perante as quais, salvo revoltas esporádicas, todos se inclinavam. As actas escritas dos reis de França terminavam com um «porque assim nos apraz», fórmula que implica que o prazer do rei é o bem do seu povo.

Além disso, a opinião pública é continuamente solicitada para dizer se os príncipes continuam ou não a convir-lhe. E estes são apresentados vigiando febrilmente a sua cotação e a dos respectivos rivais, intimados a tomar posição sobre tudo o que interessa à opinião pública e julgados em tempo real sobre as suas opções ou, pior, antes mesmo de as terem tomado.

Gostaria de poder admitir que chegámos ao fim da era dos ditadores. Acredito que está quase extinta uma certa variedade arcaica de ditaduras. Trata-se da variedade que depende de um rigoroso controlo estatal dos meios de comunicação, e de métodos simples, directos e brutais, de manter na ignorância uma população sujeita à repressão.

O Panamá de Noriega estava invadido por repórteres e mergulhado num organizado e vigoroso activismo pelos direitos humanos, mas Noriega conseguiu manter-se no poder estabelecendo uma associação carismática entre si próprio e o sentimento nacionalista e o anticolonialismo antiamericano. Castro sofreu um golpe devastador que atingiu o poder da sua ideologia ultrapassada, mas ainda obtém apoio, por se apresentar habilidosamente como um campeão do povo contra a ameaça às fronteiras do seu país.

Foi a bordo do Air Force One, em Novembro de 1963, que Lyndon Johnson fez o juramento presidencial junto aos restos mortais de John Kennedy. O avião do Presidente dos Estados Unidos da América não é um simples meio de transporte, é um instrumento de poder. O novo Boeing 747 presidencial, que entrou ao serviço em Setembro de 1990, é um apartamento voador com quarto, gabinete particular, sala de imprensa e unidade de cuidados médicos. Como centro de comando, está protegido dos efeitos de uma explosão nuclear ou mísseis inoportunos. Os seus 85 telefones, alguns deles protegidos contra escutas, significam que o Presidente norte-americano pode continuar a exercer a liderança em qualquer ponto do mundo.

Que escondem os norte-coreanos em Yongbyon? Desde há quase três anos, os inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica têm tentado desvendar o segredo deste centro nuclear experimental, a 90 quilómetros da capital norte-coreana, Pyongyang. Apesar das promessas que fez aos Estados Unidos em Julho de 1993, a Coreia do Norte continua a recusar-se a deixar os investigadores visitarem o local. Segundo os seus vizinhos da Coreia do Sul e do Japão, a Coreia do Norte tem já em seu poder os cinco quilos de plutónio necessários para fabricar uma bomba atómica, que poderá depois ser instalada no Rodong 1, um míssil de médio alcance (1000 kms): um perigo para toda a Ásia e um obstáculo à reunificação das duas Coreias.

Situado a quatro quilómetros da fronteira entre a Rússia e a Estónia, numa zona que se tornou estratégica, o mosteiro e as oito igrejas de Petchora são objecto, há mais de 500 anos, de uma das mais célebres peregrinações da Igreja Ortodoxa Russa. Sob administração estónia desde o período entre as duas guerras, foi pilhado pelas tropas alemãs durante a «grande guerra patriótica». O mosteiro nunca foi encerrado pelas autoridades soviéticas, apesar de uma tentativa de Krutchov no início dos anos 60. Hoje, os 60 monges e 30 noviços que nele vivem beneficiam do renascimento do «ópio do povo» na Rússia e das ofertas das dezenas de milhares de peregrinos ortodoxos. No entanto, e apesar disto, o mosteiro continua a ter dificuldades financeiras.

Desde 1961 que a universidade islâmica de Al-Madina al-Mounawara põe os petrodólares ao serviço do Islão. A sua vocação é «formar gerações de cientistas muçulmanos, que apelarão, pela sabedoria da boa palavra, para o caminho de Deus». Fundada pelo Governo saudita e presidida pelo rei Fahd, guardião dos ritos sagrados, a universidade está aberta a todos os muçulmanos, representando os sauditas apenas um quinto dos matriculados. Em 10 anos, o número de alunos, vindos de mais de 100 países, aumentou de quatro mil para sete mil. De Marrocos à Indonésia, do Senegal às repúblicas muçulmanas da ex-URSS, a Universidade de Medina tornou-se um dos principais centros de teologia islâmica.

as da televisão pública europeia, a MIP-TV tornou-se o maior «mercado internacional de programas» de televisão. Em Cannes trocam-se as séries televisivas vistas em todo o Mundo, desde a «Neighbours» australiana às inúmeras telenovelas da TV Globo brasileira. Na sua 30ª edição, em Abril de 1993, mais de duas mil empresas de 103 países estiveram presentes em Cannes. Dominada por firmas americanas, inglesas e francesas, a MIP começou a receber «países pequenos», como a Letónia, Porto Rico ou Etiópia, e exporta-se para mercados potenciais: a primeira MIP asiática, com a duração de três dias, realizar-se-á, nos finais de 1994, em Hong Kong.

"Chicken Noodle Network» foi o cognome dado à Cable News Network (CNN) na noite da sua primeira emissão, em Junho de 1980. Porquê? Por causa da sua falta de profissionalismo e salários baixos. Cinco anos depois, a cadeia de informação contínua por cabo ainda funcionava e Ted Turner comemorava os seus primeiros lucros. Desde a guerra do Golfo -- a propósito da qual Bush declarou ter sabido mais pela CNN do que através da CIA --, tornou-se a primeira cadeia mundial de informação, com lucros de 155 milhões de dólares (para cima de 27 milhões de contos). Com 66 milhões de subscritores nos EUA, chega actualmente, via CNN Internacional e 11 satélites, a 133 milhões de casas em 141 países.

O escritor americano Alvin Toffler é um optimista que antevê um futuro em que o sistema económico da terceira vaga, baseado na informação e na ciência, transformará o conhecimento no maior poder à face da Terra. O intelectual francês Edgar Morin tem uma visão pessimista, dominada pelos perigos de um conhecimento fragmentado, cujos efeitos os seus detentores não serão capazes de controlar.

Hoje, nas economias avançadas, em países da primeira vaga (agrícolas) ou da segunda vaga (industriais) que estão a caminho de se tornar países da terceira vaga (pós-industriais), o conhecimento é o factor último e fundamental da produção. Se se tiver o conhecimento ou informação adequados na altura exacta e no lugar certo, pode-se reduzir todos os outros factores de produção: horas de trabalho, características da terra, energia, matéria-prima, capital e, o que é mais importante, o tempo.

Se não compreendermos isto, não podemos ultrapassar o Estado-nação e criar corpos multinacionais e internacionais. Na Europa, por exemplo, não deveríamos criar uma supernação, mas respeitar as culturas, criando instituições federais especializadas para resolver os problemas comuns.

Quando a televisão dos Estados Unidos mostrou crianças a morrer à fome na Somália, a opinião pública apoiou o envio de soldados para guardar os alimentos. Quando a televisão mostrou um soldado americano a ser arrastado pelas ruas pela populaça, a opinião pública nos Estados Unidos exigiu que as tropas fossem retiradas. Os políticos foram forçados a seguir os meios de comunicação. Estes também aceleram as coisas, de modo que os políticos têm de responder com uma celeridade cada vez maior aos acontecimentos ou às crises.

Joe, uma jovem empregada chinesa, acaba de pôr as mesas na sala Xi Guan Di (Grande Fortaleza do Ocidente) do restaurante Guangzkou, em Cantão. Na verdade, ela chama-se Chin Ming mas, como muitos jovens chineses, usa um nome ocidental. A sala está vazia e, nessa noite, não se esperam muitos clientes. É mesmo possível que não venha ninguém para experimentar os pratos que tornaram famoso aquele local: extravagância da culinária cantonense, como bossa de camelo em molho doce pulverizada com ouro em pó. Não há muito tempo atrás, e a sala estaria certamente cheia de ruidosos homens de negócios, seduzidos pelos anúncios que o restaurante fez publicar nos jornais e na televisão da província, nos quais aparecia Wang Jun Yong, o famoso cantor de ópera cantonense, e desejosos de exibir a sua invejável capacidade financeira que lhes permitia gastar numa refeição o que a maioria dos chineses não ganha em muitos anos de trabalho.

«Corrupção? Há muitas reclamações. O Partido deu muitas oportunidades aos homens de negócios e é natural que alguém tenha feito coisas menos boas. Mas é um processo que será corrigido», diz Hong Qiu Xiong, 36 anos, dono de uma fábrica de cerâmica. Xiong nasceu em Cantão, no seio de uma família rica. Os seus empregados estimam em vários milhões de dólares americanos a fortuna que construiu com a exportação de artigos de cerâmica para os Estados Unidos, América Latina e Austrália. Veste um fato ocidental sobre uma camisa francesa, usa um telefone móvel e um relógio de ouro. Mas o seu escritório é modesto para a fortuna que dizem ter acumulado e para os 1700 RMD diários que paga de renda: uma secretária e dois bancos corridos onde dormem três empregados.

Portugal não dispõe, por motivos conhecidos, de condições económicas e de integração social para acolher sem reservas nem restrições os candidatos a imigrantes. E a verdade é que nenhum partido apresenta alternativas concretas e consequentes à actual política de imigração, como ainda ontem foi patente na conferência de imprensa promovida pelo PS a propósito do «caso Vuvu». Ora, qualquer política de restrição da imigração implica disposições administrativas e policiais inevitavelmente desagradáveis e chocantes para quem procura emprego e residência num país estrangeiro. Iludir isto releva da pura hipocrisia política.

O debate obrigatório que urge fazer, sem paixões nem demagogia, sobre as implicações da política de imigração, terá sido prejudicado pela inabilidade política e falta de sensibilidade com que este caso foi conduzido. Mas para evitar novos «casos Vuvu» é fundamental que a oportunidade não seja desprezada. É um debate difícil que suscita opiniões diferentes dentro do mesmo campo (como acontece também no PÚBLICO). Mas é um debate inadiável.

Os casos "Vuvu-Souzé-Benedicta" e "Isabelle Ntumba" vieram chamar a atenção para o modo como Portugal está a lidar com cidadãos africanos que aqui chegam em situação irregular. Antes de ambos, o embaixador de Angola em Lisboa, Rui Mingas, tinha apresentado um protesto no Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre mau-tratos de que terão sido vítimas familiares seus em fronteiras portuguesas.

No microcosmos que acompanha, em Portugal, o relacionamento entre imigrados e autoridades, teme-se, agora, que o "caso Vuvu" venha disparar, por ocasião da renovação das autorizações de estadia, um novo rigor na apreciação de processos.

O padre Cachada teve a ideia, lembrando-se do que vira fazer em França, por razões semelhantes. A greve de fome era um protesto contra a situação de uma mulher e sua filha «detidas» no aeroporto. E foi mais um episódio da oposição de alguns sectores da Igreja à política do Governo para a imigração.

O padre Cachada procurou primeiro certificar-se «de que os papéis» de Souzé eram legais. Parecia que sim. Havia uma autorização de residência, válida até ao próximo dia 15 de Março, passada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), e o bilhete de identidade de cidadão estrangeiro.

As suspeitas de corrupção e exploração de imigrantes africanos, vindas a público em Março do ano passado, no Algarve, -- onde, primeiro, estalou o escândalo -- continuam por esclarecer. Até agora, o único penalizado foi o director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Faro, Fernando Rei: afastado do serviço e reformado compulsivamente. Advogados , solicitadores e outros funcionários que, supostamente, também estariam envolvidos na rede, continuam a exercer normalmente a sua actividade.

Arsénio, um cabo-verdiano que vive em Portugal desde há cerca de 20 anos, trabalha e tem residência em Porches é dos casos que cita como exemplo da «ignorância ou medo » em que vive esta comunidade africana na região. Só há pouco tempo, «porque se meteu com uma cigana -- uma história que meteu, pelo meio a intervenção da GNR -- foi detido e ficou a saber que era clandestino». É que, explicou, «ele pensava que já era cidadão português, porque até tinha cartão da segurança social».

ISABELLE NTUMBA, a zairense que em Janeiro chegou ao aeroporto de Lisboa com passaporte falso, vai formalizar brevemente seu pedido de entrada no Canadá junto da embaixada canadiana em Lisboa.

O marido de Ntumba era oficial do Exército zairense e militante do principal partido de oposição do Zaire, a União para a Democracia e o Progresso Social, e por isso era perseguido pela polícia do Presidente Mobutu Sese Seko. Desde que o marido fugiu, há quatro anos, Isabelle diz ser perseguida e torturada. «Eles queriam que eu revelasse a morada do meu marido em Montreal», contou ao PÚBLICO. O marido disse por telefone a José Manuel Cabral que espera ser aceite como cidadão canadiano «dentro de dois a três meses».

A Amnistia Internacional teve, recentemente, oportunidade de acompanhar a evolução dos casos de três zairenses que pediram asilo político às Autoridades Portuguesas em 31 de Janeiro de 1994.

Posteriormente, o Secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna recusou a concessão do asilo político por eles solicitado, autorizando Isabelle Ntumba a entrar em Portugal por razões de natureza humanitária. O seu acompanhante e uma outra passageira nas mesmas condições foram reenviados para Brazaville.

Brincadeira de mau gosto, exagero juvenil, manifestação de racismo? Os incidentes, ocorridos na segunda-feira de Carnaval e que perturbaram as orações da comunidade islâmica de Odivelas, têm, provavelmente, um pouco de tudo.

As palavras deste dirigente da comunidade islâmica de Odivelas, cujo nome se omite a seu pedido, parecem confirmar que os incidentes de segunda-feira foram tão graves quanto pareceram nos noticiários da RTP e da SIC. Mas alguns dos seus protagonistas, incluindo Ricardo Gaspar, 25 anos, que apareceu no Telejornal da RTP1 a dizer que os muçulmanos, porque «meteram a droga neste país», são uma «raça a abater», já retirou o que disse e pediu «desculpa a toda a comunidade» [islâmica].

Os socialistas chamaram a imprensa para responder a Dias Loureiro. Dizem defender uma política de imigração responsável e de integração. Defendem a reabertura do processo extraordinário de legalização e dizem que o Governo não tem autoridade para se vangloriar, dado ter deixado entrar ilegalmente 200 mil imigrantes, a mão-de-obra barata que utilizou nas obras públicas. Defende que caso como o de Vuvu e Benedicte têm origem no momento da concessão do visto. «As pessoas não podem ser despejadas nos aeroportos». A associação guineense também reagiu: «É uma cruzada do Governo contra os africanos».

Foram os Governos do PSD -- disse Arons de Carvalho, porta-voz do PS -- que permitiram a «entrada clandestina de perto de 200 mil imigrantes, nomeadamente africanos, que em condições desumanas foram a mão-de-obra barata utilizada nas obras públicas da última década».

Na madrugada de 30 de Dezembro de 1993, num acampamento debaixo da ponte 25 de Abril, em Alcântara, um tiroteio que envolveu a polícia transformava-se no episódio mais quente da polémica sobre o afluxo de cidadãos romenos a Portugal. Três romenos ficaram feridos no incidente, um deles com uma bala na cabeça, depois de a polícia alegadamente ter apanhado em flagrante um grupo de homens que pretenderiam introduzir-se num contentor destinado ao Canadá.

Apesar de, em 1989, o Estado português ter denunciado um acordo diplomático dos anos 70 com a Roménia, o que reintroduziu a obrigatoriedade dos vistos, muitas centenas de romenos entravam no país através de vários expedientes, como o de viajarem em carros de matrícula alemã. Aqui, segundo se confirmou com alguns casos de pessoas encontradas dentro de contentores em barcos no alto mar, muitos tentavam uma oportunidade para darem «o salto» para os Estados Unidos, Canadá e América do Sul.

Campanhas de sensibilização para todos os gostos, debates um pouco por todo o lado, entrevistas na televisão e até uma greve nacional no próximo dia 24 de Março, Dia do Estudante. Reunidos num ENDA extraordinário em Coimbra, os dirigentes associativos desdobraram-se em propostas para "manter o comboio da contestação às propinas" a rolar. Com um volte-face inesperado: o retorno triunfante do Porto às fileiras radicais da guerra. Com, nem mais nem menos, do que uma proposta de boicote à aplicação da lei.

Os dirigentes disseram não a manifestações nacionais e disseram não ao referendo ao boicote às propinas. Numa conjuntura gradualmente mais espartilhada, optaram por sugerir um conjunto de iniciativas, deixando às diferentes academias o direito de optar pelas que lhe parecerem mais convenientes. O leque de propostas é, mesmo assim, vasto: aprovaram-se propostas para a realização de campanhas de sensibilização com a publicação de panfletos, debates na televisão e fora dela, apelou-se à participação de reitores, pais, sindicatos e estudantes do secundário em actividades de carácter regional e chegou-se mesmo a sugerir a realização de uma greve Nacional no Dia do Estudante, cujo grau de viabilidade fica por descobrir.

Na sequência do discurso do Estado da União, estalou nos Estados Unidos um debate sobre a sub-contratação de empresas privadas para assegurar serviços em escolas públicas, até agora espartilhadas pelas leis do mercado.

Em Washington, existe actualmente um debate sobre se se deverá ou não avançar com um processo semelhante em 15 escolas, no próximo ano lectivo. Uma dezena de escolas em Baltimore deram já este passo no início do ano lectivo corrente e os resultados parecem positivos. Em escolas velhas e paralisadas pela burocracia, as paredes foram pintadas, as alcatifas arrancadas e renovadas e os computadores multiplicam-se pelas salas de aula.

Um grande festival de música sul-africana, o maior alguma vez realizado fora do continente africano, vai juntar-se à já vasta programação musical de Lisboa 94. A iniciativa terá lugar nos dias 4 e 5 de Março, no Coliseu dos Recreios. O anúncio formal deste festival, bem como a divulgação dos nomes participantes, será feito já no próximo dia 22, no Palácio Foz, numa conferência de imprensa do conselho de administração de Lisboa 94. Na mesma ocasião, Ruben de Carvalho irá divulgar e confirmar outros espectáculos de música em agenda, dos quais um dos mais importantes caberá aos «performers» catalões La Fura del Baus, com actuações diárias de 10 a 18 de Março no Armazém 22. Quanto a bandas portuguesas, estão previstas, só no mês de Março, actuações no Johnny Guitar dos Lulu Blind (dia 1), Alucina Eugénio (2), Ik Mux (3), Café Aparte (café-teatro, dias 7, 14, 21 e 28), Capitão Fantasma (8), Ramp (9), God Spirou (10), Pop Dell' Arte (15), Tédio Boys (16), Lesma (17), Sei Miguel (22), Procyon (23), Entre Aspas (24), Kassefazem (29) e Bizarra Locomotiva (30). Ainda na mesma conferência de imprensa, Vítor Constâncio, presidente de Lisboa 94, dará a conhecer alguns postos multimedia a instalar em vários locais de Lisboa, basicamente um sistema de informação, com apoio da IBM, que permitirá a qualquer pessoa o acesso instantâneo, na língua que desejar, a informação relativa às actividades de Lisboa 94.

Foi o primeiro filme americano do britânico Schlesinger, receberia três Óscares no ano de 1969 -- melhor filme, melhor realizador e melhor argumento adaptado (de Waldo Salt, a partir de um romance de Leo Herlihy) -- e receberia também, facto na altura inédito em relação a um filme de uma «major», a classificação X. Esta classificação seria mais tarde retirada dos cartazes, mas para isso foram efectuadas novas dobragens para se «suavizar» a linguagem do filme -- e ele poder passar sem problemas na televisão americana.

John Cale martela, agride, massacra o piano, a guitarra e as palavras. Com a mesma raiva, ou talvez mais, com que o fazia nos Velvet Underground. Agora sem electricidade e com uma pauta pela frente. Cale tornou-se um clássico. Enraivecido como nunca. No Teatro S. Luiz, em noites de antologia, deu um recital de fúria. «Vintage Violence», como diz o título de um dos seus álbuns.

«The Soul of Carmen Miranda», um tema do álbum de parceria com Brian Eno, «Wrong Way up», «Alaska starts here», um clássico de «Paris 1919», «Streets of Laredo», «Broken hearts», do novo álbum «The Last Day on Earth», «Where were you», de «Slow Dazzle», com um arremedo de «boogie-woogie» robótico pelo meio, destilaram violência, explícita ou interiorizada. Em «Guts» Cale quase destruía o piano, seu inimigo e adversário, esmurrando-lhe a tampa do teclado.

É de uma humildade desarmante. Manuel de Almeida, grande fadista, memória viva da canção de Lisboa, pede desculpa aos «senhores poetas» por escrever letras. «Gosto de transmitir coisas minhas, mensagens minhas», diz. E explica porque é que tanto canta clássicos como Marceneiro, como músicas de Rão Kyao: «O fado vem evoluindo através dos tempos». E «não é vadio», insiste. Um grande senhor.

PÚBLICO -- Uma coisa espanta na sua já longa carreira: a capacidade de interpretar coisas clássicas, suas ou, por exemplo de Alfredo Marceneiro, e agora composições de Rão Kyao, de uma maior modernidade...

Patti Lupone está prestes a abandonar a produção britânica de «Sunset Boulevard», o musical de Andrew Lloyd Webber inspirado no filme de Billy Wilder, e vai ser substituída por Betty Buckley. Em Los Angeles, é Glenn Close que interpreta a peronagem de Norma Desmond, e Close é a razão do enorme sucesso da peça em LA, em contraste com uma reacção mitigada em Londres, de tal forma que o próprio Lloyd Webber introduziu alterações no espectáculo londrino depois de ver Close em palco -- a produção de Londres será interrompida entre 12 de Março e 7 de Abril e os elementos de reestruturação serão nessa altura introduzidos, operação que custará 400 mil contos. Mas agora, é grande a expectativa em relação à versão da Broadway, e fala-se em Glenn Close para repetir a personagem em Nova Iorque, naquela que será a oportunidade mais vivamente procurada pelos vários nomes envolvidos -- não há contratos assinados, mas Patti Lupone, ao que se diz, queixa-se do angustiante «suspense» que Webber está a criar.

A partir daqui os sectores intelectuais tradicionalistas e liberais entraram em confronto: os primeiros mantiveram-se fiéis aos princípios do tradicionalismo islâmico, os segundos empreenderam uma batalha pela liberdade de expressão. Num editorial do semanário «Culture Weekly», o editor Gamal el-Ghitani tomou a defesa do ministro Hosni, afirmando que o ataque do líder conservador se dirigia, na verdade, «contra a cultura egípcia».

O escritor britânico Salman Rushdie diz estar seguro de que o regime iraniano mostra sinais de ceder às pressões internacionais para a revogação da sentença do «ayatolah» Khomeini que o condenou à morte, a 14 de Fevereiro de 1989, devido a «Os Versículos Satânicos».

Entretanto, nos EUA, um porta-voz do Departamento de Estado condenou o Irão por não levantar a sentença do «ayatolah». Também o Movimento Internacional para a Reconciliação, organização não-governamental representada em 40 países, solicitou à Comissão dos Direitos do Homem da ONU que aprove uma resolução condenando explicitamente o Irão. A Noruega voltou a apresentar protestos ao embaixador iraniano em Oslo. Enquanto isso, um porta-voz do Parlamento do Irão, em entrevista ao jornal de língua inglesa «Tehran Times», considerava que o Ocidente usava Rushdie como «uma arma política contra o Irão e o Islão».

É uma peça infantil, a primeira produção do Teatro Academia de Viseu e o ponto alto do seu trabalho será a apresentação da peça nas comemorações oficiais Infante'94. Mais importante ainda: o apoio da câmara ao projecto, como a outros grupos de menor dimensão entretanto aparecidos em Viseu, será importante para o funcionamento futuro do Teatro Viriato, a polémica sala de espectáculos -- chamaram-lhe «elefante branco» -- que está a ser reconstruída com o apoio da SEC.

Broadway, e fala-se em Glenn Close para repetir a personA Câmara de Viseu está a apoiar desde há um ano o Teatro da Academia, tendo decidido financiar com a verba de 50 mil escudos cada uma das apresentações da actual peça de Jorge Fraga. «A iniciativa de levar o teatro à escola não é mais do que uma tentativa de ensinar os mais novos a aprender a gostar de teatro», disse ao PÚBLICO o vereador do pelouro da Cultura, Américo Nunes.

A primeira jornada dos Campeonatos Nacionais de pista coberta, ontem disputada em Braga, proporcionou a queda de dois recordes nacionais (3000m marcha e 1500m femininos) e o estabelecimento de outro. Este foi o caso mais insólito: a Federação Portuguesa de Atletismo decidiu incluir no programa uma prova de salto com vara feminino, pela primeira vez. A «heroína» que concorreu sozinha -- Sónia Machado, do CIPA -- transpôs 2,50m, o primeiro registo oficial em Portugal. O máximo mundial está em 4,07m.

As finais de velocidade (60m) foram muito disputadas. Hélio Reis (AD Sanjoanense) ganhou nos homens com 6,88s, à frente de Paulo Neves (Belenenses, 6,90). No sector feminino, a benfiquista Maria Carmo Tavares impôs-se à sua ex-colega de clube Cristina Regalo (agora no Paredes), com 7,67s para ambas.

O brasileiro Ayrton Senna testará pela primeira vez o Williams-Renault FW16, novo carro da escuderia para 1994, durante a próxima semana no circuito britânico de Silverstone, confirmou neste fim-de-semana o piloto em São Paulo. Tricampeão mundial de Fórmula 1, Senna passou o Carnaval a descansar na sua mansão da ilha de Angra dos Reis e viaja neste fim-de-semana para Londres, tendo previsto «estrear» a nova viatura na quarta e quinta-feira em Silverstone. Os ensaios com o Williams-Renault FW16 continuam, na semana de 28 de Fevereiro a 3 de Março, na pista françesa de Paul Ricard, que a equipa de Frank Williams alugou em «exclusivo» para o efeito. «Agora tenho que comprovar todo o trabalho de desenvolvimento do carro na pista, contra o cronómetro», afirmou a propósito Ayrton Senna, após esclarecer que a nova viatura se portou «satisfatoriamente» nos ensaios de fábrica. O piloto brasileiro explicou ainda que os testes de Silverstone servirão, numa primeira instância, para afinações, começando os ensaios «a sério» só na pista de Paul Ricard. «O carro apresenta muitas mudanças na aerodinâmica, no motor e na mecânica, que não são conhecidas nem pela imprensa nem, felizmente, pelos nossos rivais», concluiu Senna, escusando-se a revelar aos jornalistas as principais novidades e «trunfos» do novo Williams.

O País de Gales venceu a França, por 24-15, e a Irlanda foi a Londres ganhar à Inglaterra, por 13-12, nos jogos da terceira jornada do Torneio das Cinco Nações em râguebi. Depois desta sólida vitória, os galeses isolaram-se na frente da prova, com seis pontos, correspondentes a três vitórias em outros tantos jogos. Em segundo vêm a França e a Inglaterra, ambas com dois jogos e dois pontos -- uma vitória e uma derrota. A Irlanda tem também dois pontos, embora com mais um jogo, enquanto a Escócia é última, com duas derrotas.

A direcção do Famalicão, presidida por Domingos Lopes de Castro, foi ontem convertida em comissão directiva por um período de 15 dias. A decisão, aprovada maioritariamente em assembleia geral por cerca de 200 associados, foi tomada ao fim de uma tarde muito agitada para a colectividade.

Certamente com as «orelhas quentes», Agostinho Fernandes estava então a inaugurar a nova sede do Liberdade FC -- uma colectividade do concelho virada para o atletismo -- tendo sido confrontado, durante a cerimónia, pelo associado do Famalicão Joaquim Loureiro, que lhe deu conta da «situação gravíssima do clube». O resultado deste encontro espontâneo foi suficiente para alterar a postura de Lopes de Castro em plena assembleia, quando tudo apontava para o seu abandono. «O senhor presidente da Câmara disse que o executivo não se pode manifestar num prazo de 72 horas e pediu mais 15 dias para analisar o instrumento de trabalho que tem entre mãos», anunciou mais tarde Loureiro aos consórcios, numa alusão ao já citado protocolo. A disponibilidade para «estudar o assunto» revelada pelo autarca ao representante do clube levou Lopes de Castro a propor a continuidade do seu elenco por mais duas semanas, mas convertido em comissão directiva, como prevêem os estatutos para casos semelhantes. Refira-se que estiveram ausentes o presidente e dois vice-presidentes da assembleia geral, o que provocou atrasos no andamento dos trabalhos e levou o próprio presidente da direcção cessante a ter que assumir de improviso a liderança da reunião.

O presidente da Assembleia Geral do Gil Vicente, João Trigueiros, nomeou na sexta-feira à noite, durante uma assembleia-relâmpago, a comissão administrativa que, liderada por Francisco Dias, procederá nos próximos dois meses a uma auditoria às contas do clube. Do resultado desta parece depender a solução da actual crise directiva, resultante da demissão do presidente da colectividade, Afonso Costa, na sequência do caso polémico que implicou a transferência do sérvio Drulovic para o FC Porto.

Os responsáveis por este quadro não foram apurados, mas Francisco Dias, que quando presidente levou o clube à primeira divisão, há quatro épocas, deixou claro na sua intervenção de ontem que, quando saiu da presidência, «estava praticamente tudo em ordem». Quem não gostou desta atitude foi Carlos Coutada, ex-director da equipa agora cessante, que quis quis falar, mas Trigueiros não abriu a sessão aos sócios. Ele pretendia chamar a atenção para que Afonso Costa «só esteve pouco mais de um ano à frente do clube» e que a dívida não poderia atingir tais contornos «mesmo que durante o seu mandato não se tivesse pago à Segurança Social e às Finanças».

Quarta-feira, o esquiador português Georges Mendes participa no slalom gigante e termina a sua prestação nos Jogos Olímpicos de Inverno. Depois, é a esperança de conseguir apoios para chegar mais longe. Para Oliveira Duarte, director-técnico nacional, está-se a «jogar o futuro» do luso-francês.

E segundo Oliveira Duarte -- o director-técnico nacional da Federação Portuguesa de Esqui, que está a acompanhar Georges Mendes -- o português poderia ter conseguido melhor classificação na descida, mas uma arreliadora lesão numa articulação «diminuiu as suas hipóteses». «De qualquer forma, pretendia ficar entre os 50 primeiros e conseguiu isso», acrescenta. No slalom supergigante, uma explicação ditada pelas «leis do mercado»: «Teve azar. Falhou uma porta, mas esse facto aconteceu a 1/3 dos atletas. Não é uma desculpa, pois a pista é igual para todos, mas já quer dizer alguma coisa. Ele arriscou. Vir por ali abaixo a passear não valia a pena. É também uma prova difícil porque não há treino e os esquiadores fazem o reconhecimento da pista sem passar por ela. E estava tudo feito para que os noruegueses ganhassem.»

Shaquille O'Neal vingou-se. O jovem gigante dos Orlando Magic foi a estrela da companhia, no jogo em que a sua equipa esmagou os fortes Seattle SuperSonics. Tudo na noite em que os Chicago Bulls cederam a liderança da Conferência Leste da Liga Norte-Americana de Basquetebol Profissional, ao perderem em casa com os Denver Nuggets. No comando da Conferência estão agora os New York Knicks e os Atlanta Hawks, vencedores na jornada de sexta-feira.

A propósito de estrelas, destaque para Charles Barkley. De regresso após uma lesão prolongada que o impediu de participar no jogo das estrelas, «Sir» Charles marcou 32 pontos e liderou os Phoenix Suns na vitória sobre os Los Angeles Lakers, por 113-96. Em quatro jogos que as duas equipas disputaram na corrente época, esta foi a primeira vez que os Suns, segundos da Divisão Pacífico (33-15), venceram os Lakers, uma das equipas com mais tradições da Liga, que ocupa agora um modesto quinto lugar na mesma série.

Na jornada de ontem dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994, a decorrer na cidade norueguesa de Lillehammer foram distribuídas mais 15 medalhas por cinco finais. A esquiadora alemã Katja Seizinger foi a «rainha» da prova de descida e conquistou a terceira medalha de ouro para os seu país, ao completar a prova em 1m35,93s.

Bjorn Dahlie, outro esquiador norueguês, foi o primeiro nos 15 km de perseguição em estilo livre, conquistando a sua segunda medalha de ouro, após ter ganho os 10 km em estilo clássico. O norueguês gastou 35m48,8s nos 15 km a que se somaram os 24m20s que tinha efectuado na quinta-feira nos 10 km, totalizando 1h00m08,8s. Somadas às três ganhas em anteriores edições, as duas medalhas de ouro conquistadas por Dahlie, em Lillehammer, colocam-no como o mais galardoado, com ouro, em Jogos Olímpicos de Inverno, a par dos esquiadores de velocidade Eric Heiden, dos EUA, e Clas Thunberg, da Finlândia. O cazaque Vladimir Smirnov terminou na segunda posição, com um total de 1h00m38,0s. O bronze foi conquistado pelo italiano Silvio Fauner que concluiu o conjunto de provas com o tempo de 1h01m48,6s -- 48s depois de Bjorn Dahlie.

O All-Star Game, que reúne os melhores basquetebolistas da NBA, foi já há uma semana. O espectáculo foi mais pobre, sem as superestrelas da última década. Scottie Pippen aproveitou para, finalmente, sair da sombra de Michael Jordan. Já Shaquille O'Neal desiludiu. Mas o jogo das estrelas passou e no campeonato as coisas são diferentes.

«Berrantes», acrescentou Horace Grant, seu companheiro de equipa nos Chicago Bulls e na Conferência Leste.

Shaquille O'Neal, aos 21-- e por obra da Madison Avenue (a sede da NBA) o jogador da sua era --, só fez um lançamento no terceiro quarto do jogo e só afundou no último minuto do All-Star Game.

«Parecia que toda a equipa estava a tentar bloquear os lançamentos dele», disse George Karl, o treinador do Oeste. «Cheguei a pensar que as pessoas estavam a saltar da primeira fila das bancadas para tentar bloquear os lançamentos de Shaq», acrescentou David Robinson, poste do Oeste.

Com a diferença horária de 12 horas entre a Europa e a Nova Zelândia, a frota da Whitbread Race já estará em rota aos mares austrais em plena tarde, quando os leitores do PÚBLICO receberem o jornal de hoje. É a etapa que marca o início da segunda metade da volta ao mundo à vela.

Grant Dalton, «skipper» do «maxi» New Zealand Endeavour, parte da sua terra natal como herói nacional, um «status» que ele sonhou obter durante quase 20 anos de participação na Whitbread Race. O seu projecto tocou o coração do país e conquistou o apoio incondicional de toda a população, a maioria velejadores amadores e grandes entusiastas do desporto à vela. Dividindo o estrelato, está o «skipper» neozelandês Chris Dickson, do iate Tokio -- líder geral da frota, com 17 horas e 40 minutos de vantagem na classe WOR 60 pés e 3h7m à frente do «maxi» New Zealand Endeavour --, que, durante a escala em Auckland, lançou o seu projecto para a America's Cup 95. Ambos são hoje o orgulho de um país que figura no topo do desporto náutico internacional, seja na construção naval, seja no número de navegadores profissionais no circuito de competição.

Foi o Estado que suportou os custos sociais que tornaram mais baratas as operações portuárias. Mas as empresas que fazem comércio externo, que compram ou vendem ao estrangeiro, continuam a pagar o mesmo. Os operadores ficam com os ganhos. O ministro do Mar não está a gostar. Diz que a poupança tem que ir para a economia real. E lança um aviso: "Estou preparado para a luta".

AZEVEDO SOARES -- Há duas coisas que é preciso considerar. O mais importante foi enfrentar de raiz uma situação que afectava de forma pesada e negativa a competitividade da economia portuguesa. Depois, o sinal de que é possível meter mão a políticas estruturais, de fundo, e resolvê-las no interesse da comunidade.

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) acusou, em Bragança, as Caixas de Crédito Agrícola de «praticarem uma política de usura» que leva os lavradores à pobreza e a um emagrecimento feito à custa da «engorda da banca nacional». Para Rosado Fernandes, as Caixas de Crédito, em vez de ajudarem os agricultores, ainda os «perseguem», enquanto a sua filosofia está «adulterada e subvertida pois são as que mais altos juros levam apesar de gozarem de uma situação de privilégio que é não pagar imposto de selo».

A Associação Portuguesa dos Agentes Transitários reúne-se em Assembleia Geral Extraordinária na próxima quarta-feira, dia 23, para analisar e deliberar sobre a negociação do contrato colectivo de trabalho dos transitários. Na agenda da reunião que se realiza num hotel de Lisboa a partir das 14h30m está ainda a «análise económica da conjuntura e na actividade».

A agitação que periodicamente se levanta contra a actividade da Doscapesca é um assunto friamente abordado por Azevedo Soares. «Há um episódio curioso sobre esse problema. Confrontado que fui com as críticas à Docapesca, reuni todos os operadores nacionais e a administração da empresa. Foram levantados inúmeros problemas e não menor número de soluções. Ora, o Estado não tem interesse nenhum em manter a Docapesca. E, se os problemas eram tão fáceis de resolver, propusemos privatizar a Docapesca. Nesse momento, toda a gente nos disse que não podia ser assim, que era melhor ser pública e ter na administração agentes privados.»

«Não podemos ter um espírito de escuteiro nesta questão, querendo fazer a velhinha atravessar a rua à força. Mas é altura de avançarmos com espírito prático e acabar com uma estrutura de séculos», diz. As dificuldades para pôr em prática uma medida deste tipo passam sobretudo pela complicada estrutura de salários e contratações que os pescadores têm.

Durante a próxima semana, milhares de cientistas norte-americanos reúnem-se em São Francisco para explicar aos seus pares e ao público (ou melhor, aos jornalistas) aquilo que têm andado a fazer. Os organismos de investigação, que sabem que uma boa divulgação do seu trabalho se pode traduzir em bons financiamentos, prepararam com antecedência os comunicados de imprensa.

Gibbons disse ainda que estaria pronto em Abril um relatório sobre o futuro da física das partículas americana e que a Administração não daria qualquer resposta aos europeus antes dessa data. De qualquer forma, o conselheiro científico de Clinton voltaria a afirmar que os seus «patrões» estão interessados «na internacionalização da física das partículas» e lembrou que o alargamento da construção da estação espacial aos russos tinha sido a única solução para a viabilização deste ambicioso empreendimento.

Aparentemente, não deveria haver razão para o nosso cérebro activar uma região do córtex para ler em voz alta a palavra «have» (ter, em inglês) e outra região para ler a palavra «floop» (uma palavra que não tem nenhum significado).

«Quando um doente com dificuldades em ler `não-palavras' tem que ler a palavra 'have' ele já sabe como a dizer. Ou seja: ele não tem que analisar a palavra foneticamente, não tem que a dividir em sílabas, que a escandir. O mesmo já não se passa com a palavra 'floop'. Como não é uma palavra vulgar no nosso vocabulário, é como se o doente tivesse que voltar a aprender a ler. O indivíduo é obrigado a dividir a palavra nos seus componentes». Uma dificuldade sublinhada pela investigadora com o exemplo de outra «não-palavra» utilizada na experiência: «pibs». Confrontados com a necessidade de a ler, os seus doentes com lesões na parte frontal lateral não conseguiam produzir qualquer som durante os primeiros 20 segundos da experiência.

Já por várias vezes se fizeram aqui sugestões aos amadores de astronomia que desejam passar do simples encanto de olhar o céu para a sua observação com equipamentos ópticos, mas que têm dificuldade em encontrar o equipamento adequado à iniciação. Na verdade, o que temos sugerido é um começo pela observação à vista desarmada, com a progressiva familiarização das constelações mais interessantes. A princípio, deverão eleger-se as constelações que apresentam estrelas mais brilhantes ou aquelas cuja disposição criam uma figura mais próxima da designação por que a conhecemos -- Orionte, Escorpião, Cassiopeia, Ursa Maior e mais quatro ou cinco. Passada essa fase de identificação, o acesso a alguns livros ou revistas da especialidade poderá originar o conhecimento de que, na direcção de determinada constelação se encontra uma nebulosa, uma galáxia, ou mesmo um sistema binário de estrelas e assim poderá crescer a curiosidade que poderá começar a ser satisfeita com binóculos e depois -- se o entusiasmo não parar de crescer -- por lunetas e, talvez mais tarde, por telescópios.

É ainda possível encontrar ali um razoável número de acessórios -- oculares, buscadores e filtros -- sendo, no entanto, a peça mais aliciante com que se depara, um telescópio portátil "Meade 2045D" cujo tipo (Schmidt-Cassegrain) permite reduzir a menos de meio metro o tubo que comporta um sistema óptico equivalente a um metro de comprimento. Possui também um motor incorporado e comandos manuais, podendo ser adaptado a um tripé robusto, dado que o sistema de apoio com que é fornecido apenas permite a sua colocação (bastante cómoda) sobre uma pequena mesa. O preço, embora inferior ao indicado nos catálogos de fornecedores franceses, merece algum «respeito», pois 250 contos é verba que não deverá ser despendida sem se ter testado primeiro a nossa adaptação a passar algumas horas da noite ao frio ou, em períodos de céu nebulado, ter de esperar algumas noites para que os astros se tornem visíveis.

Os cidadãos europeus continuam a não conseguir fazer a distinção entre um alimento biológico «verdadeiro» e um «falso», revela um estudo efectuado por associações de consumidores na Alemanha e completado nas regiões fronteiriças vizinhas da Bélgica e da Holanda.

Desde 1 de Janeiro de 1993 que qualquer empresa ou cidadão que fabrique, transforme ou importe produtos biológicos deve provar junto dos serviços de controlo privados e perante as autoridades nacionais de controlo que respeita rigorosamente as orientações contempladas no regulamento. Se esses exames forem bem sucedidos, o produto em questão pode incluir o rótulo correspondente.

Cinquenta por cento das cadeiras para bebés e assentos para elevar a altura das crianças nos bancos dos automóveis utilizadas pelos suecos são mal instalados pelos pais, revela a revista francesa de consumidores «Que Choisir», citando a sua congénere da Suécia. Os modelos à venda no mercado estão todos conformes às normas de segurança, mas isso não significa que os mais pequenos estejam a coberto de acidentes. Com efeito, os procedimentos de montagem nem sempre estão claramente explicados e variam bastante de um modelo para outro. Por outro lado, muitos pais pensam ter instalado correctamente os filhos, quando isso nem sempre acontece, apesar dos desenhos e esquemas explicativos incluídos nas cadeiras. A consequência é que uma criança em cada dez mal sentada e acondicionada corre um sério risco de sofrer acidentes, mesmo de pouca gravidade..

Apesar das protecção genérica assegurada aos consumidores pela Lei de Defesa do Consumidor nesta matéria, não existe em Portugal legislação específica regulamentando as garantias e a assistência pós-venda.

As estradas e as ruas de Portugal oferecem-nos com profusão uma boa antologia de textos apelativos, disponíveis para comentários mais ou menos jocosos ou para análises mais ou menos estruturadas. São invectivas políticas ou propostas de adesão a este partido ou àquela iniciativa, são leituras irónicas ou dramáticas de uma situação, são convites à aquisição de bens ou produtos, etc., etc., etc. Entre eles, com uma frequência variando de acordo com o tipo de proposta, a estação ou as oscilações da economia, surgem os letreiros «Vendem-se casas» e «Vende-se casas», «Alugam-se quartos» e «Aluga-se quartos».

Ora alguns gramáticos, certos da sua razão, não aceitam o pronome em referência. Para eles, o tal «se» é uma «partícula apassivante» e as frases citadas são passivas ocultas, isto é, o equivalente a «são vendidas casas», «são alugados quartos», etc. Nestes casos, «quartos» e «casas» são o sujeito da frase, pelo que o verbo deve estar no plural. E, naturalmente, «vende-se casas» e «aluga-se quartos» comportam erros de concordância.

A revista neo-zelandesa «Consumer» ganhou um processo judicial instaurado contra a marca de produtos solares Coppertone, que foi obrigada a retirar publicidade enganosa. Os juízes foram sensíveis ao argumento daquela publicação de consumidores, que considerava irresponsável uma mensagem publicitária que dava a entender que uma criança em fato de banho besuntada com o creme solar Coppertone estava mais bem protegida contra a acção dos raios solares do que uma criança vestida.

Não há pois que pensar em escolher as pessoas pelo seu aspecto, já que do ponto de vista da possibilidade de infecção pelo VIH isso não tem qualquer significado, nem há que deixar «fazer coisas» sem o preservativo, na mira de se receber mais dinheiro. É por isso importante que a obrigatoriedade do uso do preservativo por qualquer das pessoas em presença -- trabalhador do sexo e seu cliente -- seja considerada nos momentos da abordagem inicial, demonstrando desde logo um respeito mútuo, enquanto se define o que se irá fazer e se discutem os aspectos económicos. Através da prostituição poder-se-á ganhar dinheiro de forma aparentemente fácil, mas isso não implica que se perca a auto-estima, mesmo que por detrás das necessidades económicas se esconda uma dependência de drogas utilizáveis por via endovenosa. De facto, a tentação para ceder aos pedidos de sexo inseguro é muito maior quando se está desesperado para arranjar dinheiro para obter drogas, para pagar o quarto dessa noite, por estar fora de casa, ou nos dias iniciais em que se dá os primeiros passos como trabalhador do sexo.

Moro num prédio urbano em regime de propriedade horizontal. Para efectuar a limpeza das escadas, do elevador, do átrio de entrada, das escadas de acesso à cave, do corredor da cave e da sala de reuniões, foi contratada verbalmente pelo administrador respectivo uma mulher que (...) presta este serviço em dois dias por semana, não excedendo 15 horas/mês. Gostaria de saber se a referida empregada é considerada empregada doméstica, se é obrigatória a inscrição na segurança social e como se processa e, finalmente, se tem direito a férias, subsídios de férias e de Natal?

Quanto à retribuição, a lei determina um salário mínimo para o serviço doméstico. No presente caso, o salário mínimo que pode e deve ser pago é o proporcional ao tempo de serviço efectivamente prestado.

Há semanas que anda a pensar em comprar um forno de micro-ondas. Entra numa loja e fica encantado com um dos modelos expostos: parece-lhe robusto, tem imensas teclas, o vendedor não se cansa de lhe gabar as qualidades e, além disso, trata-se de uma marca alemã bastante reputada. É verdade que custa mais de uma centena de contos mas, enfim, a sua mulher merece tudo o que lhe possa facilitar as lides domésticas.

Assim, de acordo com os testes a que os micro-ondas foram submetidos, o melhor aparelho é o Miele M 752, só que este custava, no final do ano passado, entre 120 e 150 contos. Logo a seguir vinha o AEG MC DUO 220 (63/73 contos) e o Balay W 2237 (47/60 contos). Como é fácil de ver, a «Escolha Acertada», ou seja, o micro-ondas que apresenta a melhor relação qualidade/preço é o aparelho da Balay.

Oitenta e cinco por cento dos dois mil leitores da revista belga de consumidores «Test Achats» desconhecia o estatuto preciso do médico que consultaram (com acordo com a segurança social ou não) e não sabiam quanto lhe poderá custar uma consulta médica.

A situação não se apresenta muito diferente no campo dos especialistas. Um em cada dois médicos de especialidade com acordos estabelecidos com a segurança social obrigavam os seus pacientes a pagar um suplemento. A afixação dos preços das consultas, obrigatória por lei, só era cumprida em uma sala de espera em cada cinco.

À circulação transnacional de serviços, produtos e bens de consumo respondem os organismos e associações de consumidores com programas de testes comparativos à escala europeia. O Instituto do Consumidor e a revista «Pro Teste» são as entidades nacionais envolvidas em diferentes processos de cooperação comunitária a desenvolver no corrente ano.

Paralelamente, está prevista a realização de diversos testes nacionais organizados por associações de consumidores da Irlanda, pela «Ciudadano» em Espanha e pelo IC em Portugal. O PÚBLICO apurou que do programa de actividades deste último organismo constam testes comparativos na área dos produtos alimentares, cosméticos, produtos eléctricos e outros de uso corrente, a desenvolver até ao final deste ano.

CENTO E CINQUENTA aviões de combate da NATO, apoiados por 50 aparelhos de logística, disseminados por uma dezena de bases na Itália e por três porta-aviões no Adriático, estão prontos para intervir em alguns minutos na Bósnia, a partir de amanhã, se receberem ordem para isso.

A Grécia, um dos dois países balcânicos membros da Aliança Atlântica, recusou envolver-se directa ou indirectamente em toda a espécie de operação militar na Bósnia, e a NATO deixou no início da semana de utilizar a base grega de Preveza, de onde partem certos aviões radares E-3A Awacs.

CENTO E CINQUENTA aviões de combate da NATO, apoiados por 50 aparelhos de logística, disseminados por uma dezena de bases na Itália e por três porta-aviões no Adriático, estão prontos para intervir em alguns minutos na Bósnia, a partir de amanhã, se receberem ordem para isso.

A Grécia, um dos dois países balcânicos membros da Aliança Atlântica, recusou envolver-se directa ou indirectamente em toda a espécie de operação militar na Bósnia, e a NATO deixou no início da semana de utilizar a base grega de Preveza, de onde partem certos aviões radares E-3A Awacs.

HOMENS armados não-identificados assassinaram ontem de madrugada, a tiro e à facada, 14 partidários do ANC que dormiam numa casa abandonada da província do Natal, cuja autonomia é reivindicada pelo partido Inkatha e pelo rei dos zulus.

O adjunto de Gwala, Zibuse Mlaba, pareceu culpar da chacina partidários do Inkatha, pois disse à SAPA que o ataque foi obra «de quem não quer que o povo vote».

A NATO enfrenta um dilema e um risco de ruptura com as Nações Unidas em relação à necessidade ou não de ataques aéreos em redor de Sarajevo quando terminar, hoje à noite, o ultimato ocidental para a retirada de todo o armamento pesado daquela zona. Por enquanto, a ameaça de uma acção militar aliada parece estar a conseguir pôr termo ao cerco da capital bósnia.

A Aliança pensa que não poderá haver recuo na ameaça clara de bombardear o armamento pesado que não se encontrar dentro das condições estabelecidas. Mas precisa de uma autorização da ONU, e nomeadamente dos comandantes militares das Nações Unidas na Bósnia, para avançar com o primeiro ataque. Por seu lado, as Nações Unidas poderão não estar interessadas em lançar os raides aéreos unicamente com o objectivo de atingir as poucas armas que não tiverem sido retiradas, sobretudo depois de uma calma relativa ter regressado a Sarajevo.

A primeira sondagem de opinião após a escandalosa aventura amorosa de Itamar Franco, no Carnaval, revelou que 70 por cento dos inquiridos reprovaram o comportamento do Presidente brasileiro na Passarela do Samba.

O temor dos parlamentares próximos do Governo é que a repercussão negativa observada dentro e fora do país acabe por retardar a votação, em segunda volta, do projecto que cria o Fundo Social de Emergência, um pré-requisito do plano de estabilização económica do ministro Fernando Henrique Cardoso. Os parlamentares oposicionistas, que já contestavam a credibilidade do Governo para administrar um fundo de 16 mil milhões de dólares (perto de três mil milhões de contos) em ano eleitoral, encontraram no episódio uma nova razão para reforçar o argumento favorável ao boicote da votação.

BILL CLINTON alterou ontem ligeiramente o seu percurso de «jogging», depois da prisão de um homem que alegadamente planeara atacar o Presidente americano durante os seus habituais exercícios matinais num parque de Washington.

É numa prisão da Florida que Barbour se encontra, com ordens das autoridades para ser submetido a testes psiquiátricos. Segundo o relatório de um juiz, o ataque contra Clinton deveria acontecer entre 10 de Janeiro e 3 de Fevereiro. Até ao dia 17 do mês passado, Barbour esteve alojado num motel nos arredores de Washington e durante este período percorreu os caminhos por onde o Presidente segue quando faz «jogging» no «Mall», o enorme parque relvado no centro da capital federal.

Ante-câmara para a integração nas instituições comunitárias, o Conselho da Europa é a mais vasta organização política do «velho continente». Fundada em 1949 para agrupar os Estados ocidentais que se opunham ao bloco soviético, confronta-se agora com novos e colossais desafios.

Num recente relatório enviado à Assembleia Parlamentar e de imediato devolvido à respectiva comissão, sugere-se que apenas se podem tornar membros do CE os Estados cujo território nacional «esteja situado na totalidade ou em parte do continente europeu e cuja cultura esteja estritamente ligada à cultura europeia». Uma tese que levanta desde logo um problema muito concreto, devido aos pedidos de adesão dos três estados caucasianos situados entre os mares Negro e Cáspio, a Geórgia e a Arménia cristãs, e o Azerbaijão muçulmano.

O PRIMEIRO encontro público e oficial entre o Governo mexicano e os guerrilheiros do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) vai realizar-se hoje na Catedral de San Cristobal de las Casas, a segunda cidade do Estado de Chiapas onde começou a rebelião, revelou o bispo Samuel Ruiz, mediador do conflito.

Os protagonistas do encontro serão o comissário do Governo para a paz, Manuel Camacho Solis, o próprio bispo Samuel Ruiz e quinze delegados do EZLN. Não se sabe ainda se eles aparecerão encapuçados e se o famoso «subcomandante Marcos», chefe militar e porta-voz da guerrilha, integrará a delegação.

Os habitantes da cidade mártir tiram partido de todos os segundos que o cessar-fogo lhes oferece. Esperam o fim do ultimato sem ilusões.

Sarajevo está inegavelmente mudada. Todas as manhãs as ruas se enchem de transeuntes. As crianças andam cá fora. Na Rua Dalmatinska, brincam com os seus tobogãs. Sarajevo decidiu viver sem se preocupar com possíveis ataques aéreos, ainda que todos tenham o pensamento na noite de domingo. O que sucederá se os sérvios decidirem «castigar» a cidade mais uma vez?

A Rússia parece estar um passo à frente. Enquanto o Presidente Clinton reafirma a determinação da NATO em fazer respeitar o ultimato aos sérvios bósnios, Moscovo precipita o envio de 450 capacetes azuis russos para Sarajevo, com o fim de assegurar a retirada das armas pesadas e impossibilitar o desencadeamento de ataques aéreos.

Ao mesmo tempo que preparava a opinião pública para a possibilidade de haver baixas humanas americanas, garantia, uma vez mais, que os Estados Unidos não enviariam forças terrestres para o cenário de guerra.

São 25 milhões os russófonos que vivem nas antigas repúblicas soviéticas. Hostilizados pela população autóctone, os russos que ficaram do lado de «fora da fronteira», após o fim da URSS, hesitam em regressar a um país que não conhecem, a Rússia. Moscovo parece ter encontrado neles um instrumento para estender a sua influência económica e política.

Mas o anunciado «programa de protecção» aos russófonos, que está a ser elaborado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, é antes de mais uma previsão das sanções económicas que serão aplicadas contra os Estados onde os «direitos da minoria russófona sejam violados». Segundo o jornal «Izvestia», o ministério vai reduzir as exportações russas para os países onde não for aplicada a dupla cidadania que garanta aos russos os mesmos direitos que à população autóctone. Mais, Moscovo quer que pelo menos 30 por cento dessas exportações, e ainda das ajudas financeiras, se destinem ao desenvolvimento das regiões onde os russos estão concentrados, na sua maioria zonas altamente industrializadas e na fronteira com a Rússia.

Vinte pequenas cidades da região sul-africana do Transvaal consideraram-se nos últimos meses parte de um desejado estado independente reservado aos boers, o Volkstaat defendido pela Frente Popular Afrikaner.

Por isso mesmo, talvez, é que o parlamento fictício já formado pela extrema-direita branca, o Volksraad, presidido pelo líder do Partido Conservador, Ferdi Hatzenberg, não vai ao ponto de exigir a independência total de um território que pretende autónomo. Apenas fala de confederação, de soberania política e judicial, mas de fortes laços comerciais com o resto da África do Sul.

A participação no Torneio Rápidas Policiárias-94 continua a ser extremamente elevada, como se vê pelos resultados da prova nº 3, cuja solução e classificações publicamos abaixo.

E se ainda não nos forneceu os seus dados pessoais (nome, morada, idade e profissão) não deixe de o fazer.

A Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira aprovou, sexta-feira à noite, por unanimidade, uma moção de protesto contra «a incúria demonstrada pela CP» na programação e execução das obras de remodelação da estação de Alverca e na garantia das condições de segurança dos utentes e dos residentes naquela área da cidade.

José António Carmo, presidente da junta alverquense, qualificou de «gravíssima» a actual situação da estação ferroviária local. «Não há acessos às plataformas de embarque, os passageiros circulam no meio das obras, os telheiros de protecção foram retirados desnecessariamente há cerca de um ano», frisou. «Quando chove, as pessoas abrigam-se junto dos contentores de venda de bilhetes e correm para a plataforma do lado contrário quando o comboio se aproxima, com os riscos inerentes».

O porto de Aveiro acaba de concluir a estação de tratamento de produtos oleosos, construída junto ao terminal Sul do cais comercial, uma estrutura indispensável ao cumprimento da legislação internacional sobre poluição marítima (Marpol), que em Portugal ainda peca por algumas insuficiências, tanto ao nível dos equipamentos como na exiguidade de meios de fiscalização.

A exploração da estação de tratamento, com base numa prestação mínima anual de 1800 contos, será entregue à empresa que vencer o concurso público, cujo prazo decorre até ao dia 13 do próximo mês de Abril. De acordo com o respectivo caderno de encargos, os «derrames acidentais» que ocorram na trasfega de combustíveis ou outros poluentes serão igualmente recolhidos para a estação de tratamento.

As novas condições do Coliseu, depois das obras, melhoraram em vários aspectos a que era até aqui a maior sala coberta do país. Beneficiou no som, no palco móvel, nos camarins dos artistas, no novo «foyer», e na segurança e conforto em geral. Mas a capacidade da sala ficou reduzida em mais de 25 por cento. E ganhar esse espaço, tirando as cadeiras, não é tão simples como antes.

Dessa lotação, deverão ainda ser abatidos os lugares sentados da primeira fila da geral, cujas cadeiras foram já instaladas, mas que terão de ser retiradas até ao próximo dia 26 -- data da inauguração do Coliseu remodelado, na abertura de Lisboa-94 -- uma vez que não oferecem condições de visibilidade mínima. A plateia, erguendo-se agora a um nível superior à primeira fila da geral, não deixa ver o palco.

A viagem não era longa. Apenas meia dúzia de quilómetros a separar Portalegre da freguesia de Fortios. A automobilista seguia dentro dos limites de velocidade permitidos, quando, na berma da estrada, foi mandada parar por um agente da Brigada de Trânsito. Depois de mostrar os documentos acedeu em fazer o teste do balão -- era a primeira vez que tal lhe era solicitado e como até não ingerira bebidas alcoólicas... Soprou. No mostrador do aparelho apareceram valores que pressupunham o coma alcoólico.

Examinou-se então o doce. O comandante esboçou um sorriso e perguntou: «Quantos bombons destes já comeu hoje?» «Quase uma caixa», respondeu a senhora.

Os poucos turistas que na manhã de ontem passeavam na Ribeira portuense depararam com um cenário de destruição. Um troço da Rua dos Canastreiros, por baixo da arcada ribeirinha, encontrava-se em completo estado de sítio. Os escombros espalhavam-se por vários metros e o que antes era a fachada do parecia ter sido atingido por obus. Tudo aconteceu pelas 7h15 da manhã, e, segundo uma fonte do Batalhão de Sapadores Bombeiros, foi causado por uma explosão de gás que estaria concentrado no interior do restaurante.

O relato dos moradores refere que Armanda Lemos, uma doméstica de 44 anos, residente na Ribeira, se preparava para abrir a porta do restaurante, onde costuma prestar serviços de limpeza, quando se apercebeu de que algo não estava bem. Começou então a gritar, pedindo socorro. Francisco Pereira, um reformado de 60 anos, marido de Maria Moutinho, encontrava-se na barraca dos legumes e correu a acudir.

O fotógrafo Jorge Trabulo Marques expõe os seus trabalhos sobre «Os Namorados de Lisboa» na Tertúlia, na Rua Diário de Notícias, 60, em Lisboa. Das 20h30 às 2h00 até 27 de Fevereiro.

Os alunos de violino e música de câmara, que estudam na Escola Alemão do Estoril sob a orientação de Helga Marie Knava, dão um concerto de fim de curso no Museu do Mar, em Cascais, às 18h30.

O Hotel Golf Mar em Porto Novo, Torres Vedras, esteve para ser vendido em hasta pública, tendo como base de licitação cerca de 1,3 milhões de contos, por dívidas da empresa proprietária à Caixa Geral de Depósitos, acrescidas de juros de mora. Mas a administração da empresa Águas do Vimeiro apresentou recurso, a fim de que todo o processo voltasse a tribunal para reanálise.

Quando, em Junho do ano passado, foram tornadas públicas as penhoras por dívida à Segurança Social, Teresa Belchior contestou o montante apurado, alegando que terá havido uma duplicação dos autos, e fez um pedido ao secretário de Estado do Emprego para efectuar o pagamento em prestações. Desconhece-se a resposta deste membro do Governo, e o certo é que os bens continuam apreendidos, incluindo o Hotel Golf Mar, agora penhorado pela segunda vez.

A Igreja Universal do Reino de Deus desmarcou uma grande concentração prevista para ontem na Freguesia da Ortigosa (Leiria), em consequência das ameaças de boicote efectuadas pela população local. De acordo com o pastor Gilmar, da Igreja Universal, em Leiria, previa-se uma concentração de cerca de cinco mil pessoas num dos terrenos centrais da localidade, propriedade de um particular, próximo da sede paroquial da freguesia. Mas a população, que em Janeiro se concentrara para impedir a realização de um encontro numa casa particular, ameaçou, durante a semana passada, estar disposta a «ir até às últimas consequências» para evitar a concentração, facto que levou mesmo a Igreja Universal a pedir protecção policial.

Uma vaga inesperada apanhou desprevenidos, anteontem à tarde, três pescadores nos rochedos junto à Boca do Inferno, em Cascais. Da trágica pescaria apenas houve um sobrevivente, enquanto um dos companheiros faleceu, ontem, nos cuidados intensivos do Hospital de Cascais, e o outro continua desaparecido, apesar das buscas efectuadas pelos elementos da capitania do porto local.

De um lado, um homem da rádio que já foi muita coisa na vida; do outro, um empreiteiro que fez o negócio da sua vida ao comprar por 51 mil contos um património avaliado em mais de um milhão. Os dois protagonizam uma história que tem o seu epicentro na Borralha, onde a recente destruição do emissor da rádio com o mesmo nome trouxe à lembrança a história triste de umas minas emblemáticas.

O canto do cisne das Minas da Borralha dá-se no início da década de oitenta, quando a China começou a inundar os mercados mundiais de volfrâmio, provocando uma quebra acentuada no seu preço. Mesmo assim, houve alguém que se recusou a aceitar o destino. «Eu não podia deixar toda aquela gente abandonada à sua sorte», diz Vítor Peixinho, procurando justificar a decisão tomada em Outubro de 1985 de, juntamente com um amigo, adquirir à empresa de que era funcionário, a Opemedine, a concessão do couto mineiro de Jales.

Mais de uma centena de palhaços de todo o mundo vão animar o Terreiro do Paço, na tarde de domingo, dia 27, em mais uma iniciativa de Lisboa-94. Trata-se de uma organização do Chapitô, à qual foi dado o título «Clown, Clown: Palhaços na Capital».

Quanto ao concerto inaugural, a realizar à noite no Coliseu, para convidados -- com a Orquestra Sinfónica de Londres, dirigida por Georg Solti e com o pianista Pedro Burmester -- ele vai repetir-se no domingo de manhã, na mesma sala, para o público em geral.

Ainda não será desta que o presidente da Câmara de Leiria vai conseguir com que a oposição aceite pelouros. A comissão política do PS considerou que ainda não estavam reunidas as condições para isso, colhendo de surpresa os seus próprios vereadores. Lemos Proença terá de se confrontar com uma oposição a exigir mais «transparência». É o fim das unanimidades nas deliberações camarárias.

Apesar de reiterar as posições da vereação socialista, que várias vezes se pronunciou contra a aceitação de pelouros enquanto não fossem garantidas algumas condições -- de resto não especificadas --, a comissão política concelhia do PS considera que ainda nada de essencial foi alterado na gestão Proença em relação aos seus três mandatos anteriores. Por isso mesmo, a moção surge como um claro travão à possibilidade dos três vereadores socialistas virem a aceitar competências no executivo.

A Câmara de Benavente vai iniciar trabalhos de recuperação do arruinado palácio de Dom Miguel, situado no núcleo histórico de Samora Correia, estimados em cerca de 150 mil contos.

Esta intervenção poderá beneficiar também de apoios comunitários, se a candidatura entregue pela edilidade local (num valor de 120 mil contos) vier a ser aprovada no âmbito do novo quadro comunitário de apoio.

O ex-mandatário da candidatura de Edite Estrela à Câmara de Sintra nas últimas eleições, Manuel Villaverde Cabral, foi escolhido pela presidente socialista para provedor municipal, um lugar a criar em breve com a função de mediar os conflitos entre os munícipes e a autarquia local.

Figura prevista na Carta Autárquica do PS, mas ainda sem um enquadramento legal institucionalizado, o provedor municipal encontra paralelo no provedor do ambiente instituído pela Câmara de Lisboa. No caso de Sintra, a presidente socialista espera que venha a ser «um órgão bastante prestigiado» e «articulado com o Fórum Pensar Sintra e o Gabinete de Apoio ao Munícipe», outras duas estruturas prometidas para melhorar o relacionamento entre eleitores e eleitos -- mas que terão que aguardar ainda algum tempo por instalações.

O segundo Festival de Vídeo do Concelho de Oeiras, que este ano se realiza no auditório do Complexo Social das Forças Armadas, irá decorrer de 23 a 25 de Abril. Os temas dos filmes admitidos são: Oeiras, o concelho; ambiente; revoluções que fizeram história; o futuro, ficção e realidades e, finalmente, tema musical. O prazo limite para entrega dos trabalhos vai até 18 de Março, devendo os mesmos ser enviados para o Gabinete de Relações Públicas da Câmara.

Tempos houve em que o torneio de saltos dos quatro trampolins era um clássico televisivo por alturas do Natal e Ano Novo. Qualquer campeonato europeu ou mundial de patinagem artística foi pretexto para longos (e às vezes fastidiosos) serões em frente ao ecrã. A Taça do Mundo de esqui alpino é presença regular nos noticiários desportivos da televisão. Mas quando todos estes acontecimentos se reúnem na maior manifestação desportiva pluridisciplinar do ano de 1994, a RTP encolhe os ombros e reduz os Jogos Olímpicos de Inverno a uma competição dos outros. E para os outros.

‚ Em entrevista ao PÚBLICO, o presidente da UNITA, Jonas Savimbi, diz não acreditar numa solução militar para Angola e que a paz só voltará ao país com o tempo. O líder do movimento do «galo negro» garante ainda que o seu partido tem material para muitos anos de guerra -- «é invencível».

‚ Um incêndio deflagra de madrugada em Belas, Sintra, destruindo o armazém da única estação de serviço da localidade.

(...) Todo este "caso Vuvu" tem algo de grotesco e poderia até ser ridicularizado se não fosse, ao mesmo tempo, patético e grave. Como é possível que só passados todos estes dias sejam apresentados à comunicação social os documentos que teriam evitado à partida que o próprio "caso" existisse? Terá o sr. ministro da tutela uma memória tão curta que não se recorde de um caso semelhante, o dos brasileiros no ano passado, e das péssimas repercussões a que deu azo? Quantas mais vezes se terá de repetir este "corridinho" da Portela? Jornalistas para cá, Presidente para lá, desmentidos do Governo para cá, bispos, padres e activistas para lá, discursos e ameaças para cá, justificações e desculpas para lá, palminhas e acabou. Um folclore triste e desprestigiante para o País, o Governo e todos nós.

Sobre este caso só é de estranhar ainda a surpresa das pessoas! A hipocrisia de quem nos governa só não a vê quem não quer! (...)

Por vários motivos, de entre os quais a crescente imposição, como regra, do trabalho precário, tive que "optar" pelo regime de "profissional liberal" ou "trabalhador independente".

Entretanto os serviços e "benefícios" assegurados pelo Estado estão cada vez mais reduzidos e precários. Por exemplo, estou à espera de uma consulta dentária há ano e meio! Em ano e meio, mesmo à taxa de 15 por cento sobre o salário mínimo, já paguei 130 contos para a Segurança Social, já sofri muita dor de dentes e não tenho seis ou sete contos para pagar por cada consulta de um dentista "particular" (...).

(...) Essa do «racismo» a propósito de tudo o que envolva cidadãos de cor negra tem que ser analisada em profundidade. Então toda e qualquer família que se apresente nas nossas fronteiras, só pelo facto de ter uma criança consigo, merece entrada por período incerto? Mesmo sem bilhete de regresso e em condições duvidosas de permanência (pois o chefe de família era ora cidadão angolano legalizado, ora cidadão zairense «refugiado»)? E criando precedentes para casos semelhantes, difíceis de medir?

Deixemo-nos de lirismos e de boas intenções de um sentimentalismo superficial. Se o Governo (qualquer governo!) criasse as tais condições de entrada e permanência a tudo o que é refugiado, e coerentemente elaborasse um programa de financiamento para tal acção, através de um imposto especial a todo e qualquer cidadão português (que iria ser de várias dezenas de contos por pessoa...), eu gostava de ver onde iria ficar o sentimentalismo de quem agora se bate altruisticamente pelas Grace Vuvu e sua filha Benedicte que demandam as nossas fronteiras. (...)

Quando George Washington abandonou a Presidência, os cartonistas desenharam a sua cabeça no corpo de um burro e um jornal de Filadélfia escreveu o seguinte: «Todo e qualquer coração, em uníssono com a liberdade e a felicidade do povo, deveria aplaudir com força, exultando pelo facto de o nome de Washington, a partir deste dia, ter deixado de dar credibilidade à iniquidade política e à corrupção legalizada».

A comunicação social não se limita a transmitir factos rigorosos e precisos, mas, antes deles, tão rigorosas quanto possível, faz notícias. Basta pensar no imediatismo actual da notícia via rádio ou televisão, ou mesmo jornal, para se aceitar que a busca da verdade e do rigor dos factos se torna, fatalmente, menos profunda. Na notícia, estabelece-se ligações. O jornalista não pode escrever um artigo sobre um homicídio praticado sobre um negro por um membro do Ku Klux Klan como se nunca tivesse ouvido falar da existência de tal instituição. A notícia tem, fatalmente, de inserir um enquadramento histórico, também tão rigoroso quanto possível, do que é o Ku Klux Klan. E, muitas vezes, há distorções em relação aos factos e que são resultantes do próprio processo informativo. E da forma como as notícias são recebidas. É evidente, também, que é possível manipular notícias, distorcê-las e fazer campanhas. Mas a tese das campanhas manipulatórias dos «media» não serve para tudo.

Na ordem das ideias e como aventura histórica, o socialismo, nas suas diversas expressões, foi e continua sendo, como horizonte político e social utópico, uma invenção e uma realidade europeia. Fora da Europa, o seu enraizamento abstracto, importado ou mimético, no fundo, um subproduto do colonialismo e do imperialismo europeus, degenerou, como era previsível, em caricatura trágica ou burlesca. Na própria Europa, onde durante séculos o seu discurso utópico e a sua tradução empírica desempenharam o papel que Hegel atribui à «negatividade», os poderes e as forças tradicionais não só impediram o socialismo de ocupar duradouramente a cena política, como o obrigaram a travestir-se e mesmo a inverter o seu ideário de libertação social. O que na Rússia, europeia e excentrada da Europa, onde o socialismo é filho da História, podia ser tido como natural, na Europa de Kant e de Mazzini só podia ser, em sentido próprio, voluntaristamente totalitário. Não «tirania», no sentido antigo ou oriental do termo, mas assunção ideológica sem remorsos de um sistema organicamente antidemocrático. Desta perversão, tipicamente europeia, Hannah Arendt ofereceu-nos o retrato, ainda hoje, inultrapassado.

Teoricamente desarmado numa fase em que a «monstruosidade» estaliniana justificava todas as carências, como a desordem conquistadora do capitalismo na sua fase moderna, alheia a toda a preocupação social, também a dispensava, o socialismo -- se por isso se entende a presença, a acção, o impacto dos partidos socialistas nas respectivas sociedades -- ocupou um espaço próprio e por momentos pôde crer que ao menos na Europa era o horizonte incontornável do destino europeu. E provavelmente esta crença, ou esta ilusão, teriam conhecido um princípio de sucesso, se por uma destas coincidências não fortuitas esse papel de primeiro plano, devolvido, enfim, ao socialismo europeu, não coincidisse com o momento em que a Europa ia entrar não só numa fase de crise económica de ressonância universal -- crise do petróleo e suas consequências --, mas de histórica subalternização no contexto omnipresente de uma economia planetária. François Mitterrand pensa inaugurar uma era nova na história da esquerda liberal -- sob a égide do socialismo no instante mesmo em que a Europa no seu conjunto perdia a capacidade de tornar ainda universais (e exemplares) os seus modelos culturais, ideológicos e políticos.

Numa manifestação contra a indústria das peles que se realizou em Toronto, no Canadá, no dia 12 de Fevereiro, manifestantes estragaram casacos de peles pintando-os com «spray» vermelho. Cerca de 30 casacos de peles de todos os tipos foram pintados pelo grupo em protesto enquanto gritavam mensagens e exibiam cartazes como: «Tenha coração, não use peles.»

2. Conta-se na história judaica que aí pelos anos 20 antes de Cristo certo gentio se aproximou do famoso rabi Schammai com esta proposta: «Mestre, estou disposto a converter-me ao judaísmo se me explicares a tua religião durante o tempo em que se pode ficar apoiado só num pé.»

Concentram-se no caso de Grace e Benedicte Vuvu procedimentos exemplares do confronto entre poderes e cidadãos que merecem a nossa reflexão.

À medida que a comunicação social relatava os factos, maior era o número de pessoas que diziam de si para si: «A gente tem que lá ir!» Jovens, grupos católicos, cidadãos anónimos, dirigentes de associações africanas, religiosos, jornalistas, figuras públicas, foram acorrendo ao aeroporto, somando vozes ao protesto. Algumas não são de hoje nem de ontem, como a do bispo de Setúbal, que nunca se coibiu de incomodar os poderes.

O comportamento licencioso das havaianas constituía um cálculo em que interesses e emoções eram difíceis de dissociar (...) Ao passo que, na interpretação dos marinheiros do capitão Cook, se formava um dos mitos mais fortes da cultura ocidental, até hoje: a justaposição de exotismo e erotismo.

Após semanas, a nau de Cook zarpou das Havai em direcção à América. Porém, um problema técnico obrigou a um regresso à ilha das «mulheres fáceis». Desta vez não os esperava uma recepção amorosa. O chefe local tratou de matar Cook sem apelo nem agravo, iniciando-se a partir daí um processo litigioso de ocupação por parte da Grã-Bretanha.

‚ A sida faz mais vítimas que os acidentes de estrada em São Paulo e é a causa da maioria das mortes provocadas por doenças de declaração obrigatória às autoridades sanitárias (como a tuberculose ou a meningite), de acordo com um relatório do Serviço Funerário Municipal. Os certificados de óbito de Abril a Junho de 1993 mostram que os mortos registados se elevaram a 960 durante este período e, destes, 684 deveram-se à sida. No mesmo período, os acidentes da estrada fizeram 477 mortos. Só os homicídios fizeram mais vítimas : 991 no mesmo período. O Brasil é o quarto país do mundo onde se registam mais casos de sida: com 45.049 casos até 4 de Dezembro último, dos quais 62 por cento só no Estado de São Paulo (que tem 32 milhões de habitantes), segundo estatísticas do Ministério da Saúde. Desde 1980, 18.452 pessoas morreram com sida neste país.

‚ Mais de 200 chineses foram executados desde 1 de Janeiro no quadro da tradicional campanha de repressão antes do novo ano lunar, segundo os diferentes números publicados pela imprensa chinesa e divulgados pela AFP. Centenas de outros foram condenados à morte, tendo os sujeitos à pena capital sido acusados de roubos, homicídios, violações, tráfico de droga e de crimes económicos -- cujo número aumentou em relação aos anos anteriores, devido a uma campanha anti corrupção iniciada em Agosto. Tradicionalmente, antes do novo ano lunar -- que, neste ano, se celebrou no dia 10 de Fevereiro --, o Governo central pede às províncias para condenarem severamente os numerosos criminosos de direito comum para evitar os problemas durante esta época do ano. As sentenças dos tribunais, que são anunciadas a milhões de cidadãos num estádio, dizem que a «pena de morte foi requerida para assegurar as boas festas da Primavera à população». Este ano, as autoridades multiplicaram mais do que habitualmente os apelos à ordem pública, numa altura em que a instabilidade social, devida à aceleração das reformas económicas, ameaça o regime. Segundo as organizações de Defesa dos Direitos do Homem, a aplicação da pena de morte na China tem vindo a descer desde 1990. Apesar da falta de estatísticas oficiais, a Amnistia Internacional detectou 1890 condenações à morte e 1079 execuções em 1992. Mas os números estarão longe da realidade. A última grande série de execuções teve lugar em 1983, com 20 mil executados recenseados. Organizações como a Amnistia Internacional denunciam também a impossibilidade de os acusados se defenderem legalmente, os maus tratos de que são vítimas os condenados à morte e a utilização dos seus órgãos sem o consentimento das famílias.

«Já oiço as habituais vozes indignadas gritarem `demagogia'», escrevia Miguel Sousa Tavares, na sexta-feira passada, ao terminar o seu artigo sobre o caso da família Souzé. E proscreve logo essas vozes: «São os mesmos que sempre acreditaram que a autoridade é, em si própria, um valor e não apenas o garante do exercício de outros valores.»

Tudo porque entendo, ao contrário do que faz MST, que o caso da família Souzé não pode ser visto apenas a preto e branco, nem se pode catalogar de forma definitiva os seus protagonistas em bons e em maus (até porque há muito que deixei de ter uma visão dicotómica do mundo).

A Presidência Aberta que o senhor Presidente da República pretende levar a cabo no próximo mês de Abril, sobre o Ambiente, sugere-me, entre outras, as considerações seguintes:

3 -- Uma política verdadeiramente ecológica (ou do ambiente, como se queira) deverá basear-se na compreensão dos fenómenos que passam ao nosso lado, no civismo, no consenso e no saber. Saber adquirido logo de início, a partir da família e da primeira escola, e continuado pelos meios de comunicação social segundo uma perspectiva global de respeito, compreensão, solidariedade e amor, não só pelo próximo, mas também pela nossa hospedeira Terra ou Gaia que Vieira Natividade queria, com razão, que se chamasse Flora. Infelizmente, no comportamento do homem existe sempre o objectivo ganancioso de ter mais e mais lucro, fabricando objectos que todos nós, como crianças mimadas, gostamos de possuir por algum tempo, embora, cansados, acabemos por os depositar nas enormes lixeiras que dentro de pouco tempo envolverão, até quase submergir, a cidade moderna. Esta, do tipo industrial, cresce recebendo, como elemento mais típico e ditador, o automóvel. Este, hoje banalizado, competindo agressivamente com o homem na ocupação do espaço, é o maior consumidor de energia, fornecedor de produtos que poluem o ar e causador dos ruídos e do «stress». Haverá que chamar a atenção para que, depois da revolução industrial e portanto do início do consumo em escalada vertiginosa de energia e de materiais, a população cresceu ao ritmo de 90 milhões por ano, 250 mil por dia ou quatro por segundo, que, expressa em unidades de consumo energético, passou de cerca de 1500 para mais de 150.000 calorias «per capita» e por dia ou, em dólares, de 250 para mais de 25.000. Lembre-se que uma refeição num país rico gasta -- desperdiça -- mais de cinco vezes o seu valor energético alimentar.

Foram as «mulatas» brasileiras. Os «travestis» de igual origem. Os turistas e candidatos-a-emigrantes, também do Brasil. E de lá eram ainda os dentistas. Foram os ciganos no Minho. Os «bandos» de brancos, os de negros e os mistos. Os «skinheads». Foram os romenos a dormir debaixo da ponte. E os africanos retidos em contentores à beira-Tejo. Foram os zairenses despejados pela Santa Casa da Misericórdia e recolhidos pelo bispo de Setúbal. E os africanos e os miseráveis de Camarate. Foram o Souzé, a Vuvu e a Benedicte. E os muçulmanos de Odivelas, agredidos na sua mesquita...

Por isso, antes que haja um problema, era bom ouvir alguns dos responsáveis principais, alguns dos que podem ter efeitos pedagógicos, alguns que podem significar mais do que uma simples opinião pessoal. Sobre estes assuntos, escabrosos entre os mais horrendos, eu gostaria de ouvir o Presidente da República, o primeiro-ministro, os líderes dos quatro principais partidos, os chefes das principais Igrejas... A pedagogia tem os seus limites, eu sei, mas pode surtir efeito. Acompanhada pelo respeito pelas leis e pela humanidade da polícia, a pedagogia pode atingir a dignidade de uma política. E de uma cultura.

O cabo-verdiano Vasco Martins, escritor e músico, voltará a apresentar-se em Paris, França, em Abril, com «Lágrimas do paraíso» -- música para coro, sintetizador e percussão africana. Martins acaba de actuar naquela cidade, a convite de uma associação local ligada aos direitos do homem -- «Abolition no stop» --, no âmbito do bicentenário da abolição da escravatura, assinalado este mês. O trabalho deste escritor e compositor foi inspirado em «Formação e Extinção de Uma Sociedade Escravocrata», de António Carreira, historiador cabo-verdiano, falecido em 1988. De Vasco Martins, chegam-nos outras notícias: o artista acaba de firmar um contrato com uma editora francesa que vai publicar «Memórias Atlânticas» e «Ciclo Eterno», discos conhecidos em Portugal. Em Outubro, este músico apresentará a sua obra sinfónica em CD, a primeira dos países africanos de língua portuguesa que mereceu recentemente do jornal francês «Le Monde» o seguinte comentário: «Obra de grande força e originalidade.»

Um grupo de jovens lançou uma nova revista literária em Moçambique. Chama-se «Aro Juvenil» e tem a chancela da Associação dos Escritores Moçambicanos (Aemo). Poesia e ficção são os géneros privilegiados. Há dez anos, em 1984, outro grupo de jovens fundara na Aemo a revista «Charrua», que teve um papel inovador, a nível temático e estilístico, na literatura moçambicana produzida no período ulterior à independência do país.

‚ Tomada de posse do novo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, almirante Fuzeta da Ponte

‚ Início do curso «Dimensionamento de redes de distribuição e drenagem de água em edifícios», no LNEC

Cada cidade tem os seus símbolos, sejam monumentos, tradições ou mitos, que evocam a cidade e a representam perante o mundo. Assim será Lisboa com o seu castelo, Paris com a Torre Eiffel ou Munique com a sua cerveja. Luanda estava a ganhar um novo ex-líbris, que era a kínguila. E chamo antes de mais a atenção para um pormenor, é palavra esdrúxula e não grave como é comum na língua portuguesa e regra geral nas nossas da banda.

É a cambista de rua, que não é exclusividade nossa, pois em muitos países somos abordados à porta do hotel com a eterna pergunta: «Quer trocar dólares?» A originalidade de Luanda é que, apesar de ser por lei proibido, esse negócio se faz(ia) às claras na rua, com as kínguilas a agitar as notas para que não haja dúvidas.

Leonor Beleza acabou por demitir-se, quinze dias depois de receber no Parlamento a confiança da maioria da sua bancada e declarar que mantinha toda «a liberdade de ali estar». O PSD solidariza-se com a nova posição da ex-vice-presidente da AR, a oposição acha a atitude «tardia». A «pedra dura» reagiu aos intermitentes jactos de água enviados na sua direcção.

O PSD está solidário com a nova posição da sua ex-deputada. Duarte Lima, em declarações ao PÚBLICO em Bragança, comentou a «atitude de grande dignidade de uma pessoa que tem limites pessoais de resistência» ao que considera ser «uma campanha injusta que é dirigida contra ela». «A sua decisão deve ser respeitada», acrescentou o líder parlamentar social-democrata. Nuno Delerue, vice-presidente da bancada do PSD e autor do relatório do inquérito parlamentar ao Ministério da Saúde, utiliza termos mais radicais: «Os atentados ao bom nome são formas de homicídio; a dra. Leonor Beleza entendeu que tinha chegado ao limite, o que significa que não quis permitir mais a tentativa de a matarem aos poucos».

O superior geral da Companhia de Jesus, Kolver Bach, autorizou o padre português e activista timorense Jaime Coelho a regressar à sua comunidade em Tóquio, donde tinha sido expulso, na sequência de um confuso incidente na universidade de Sofia, de que era professor de Literatura e História de Portugal. Kolver Bach, em Portugal desde quinta-feira para visitar obras da Companhia no sul do país, informou ontem o jesuíta português que podia regressar ao Japão, e prometeu-lhe que, «dentro de algum tempo», será reintegrado na universidade -- um estabelecimento de ensino privado, administrado pelos jesuítas e que conta entre os seus antigos alunos o actual primeiro ministro Morihiro Hosokawa.

Nunca foi explicado a Jaime Coelho, a quem o presidente Mário Soares condecorou recentemente, a verdadeira razão que levou os seus superiores a suspenderem-no da docência e a ameaçarem-no de não o deixarem regressar ao Japão, onde vivia e trabalhava há 33 anos. Para os amigos e colegas, porém, foi o «pecado» de uma permanente militância timorense do jesuíta português (um padre que nunca abandona no Japão, em Roma, e, mesmo agora, no seu «exílio» na pátria, um autocolante pedindo a liberdade para Timor-Leste) que esteve na raíz do castigo: passageiro activo do Lusitânia Expresso na Missão Paz em Timor, chegou a estar detido seis horas, em Setembro de 1992, após ter pintado frases e danificado uma placa da embaixada da Indonésia em Tóquio.

O consumo de cigarros foi elevado no quarto 307 da Albergaria Laitau, em Setúbal, durante a madrugada de sábado. Não porque a discussão tenha sido extremada, ou os ânimos estivessem exaltados. No fundo, todos concordavam, apenas se levantavam algumas dúvidas.

A decisão a tomar na madrugada de sábado era simples, já que entre os presentes não existiam grandes reservas à candidatura do presidente. Havia que delinear a estratégia de apresentação em Congresso: quem o faria e como. Não obstante, era necessário desfazer certas dúvidas que restavam em alguns «notáveis», como o açoriano Monjardino, sobre os riscos que a aposta em Monteiro poderia comportar e sobre se não seria preferível guardar o trunfo para uma parada mais alta: as legislativas.

LEONOR BELEZA geriu com habilidade a sua saída (provisória? definitiva?) da ribalta política, ao renunciar, na sexta-feira, ao mandato de deputada e ao cargo de vice-presidente da Assembleia da República. Fez coincidir o «timing» da entrega da carta de demissão a Barbosa de Melo com a divulgação da notícia e de um depoimento escrito ao «Expresso», jornal cujo director tem manifestado, repetidas vezes, o seu apoio à antiga ministra da Saúde. Deste modo, Leonor Beleza cobriu a sua partida-surpresa com o mínimo ruído desfavorável possível, diluindo as reacções no interregno político do fim-de-semana, de resto favorável à justificação dos silêncios (foi o que sucedeu com Pacheco Pereira e Silva Marques, dois deputados que não são propriamente conhecidos pelo seu recato verbal).

É certo que, até agora, a antiga titular da pasta da Saúde não foi criminalmente responsabilizada pelos actos dos seus colaboradores. Mas é indiscutível que Leonor Beleza não pode deixar de ser responsabilizada politicamente pelas arbitrariedades e ilegalidades que não quis ou, pelo menos, não soube contrariar.

O PSD/Madeira volta à carga contra Cavaco Silva e reelege, como adversário principal, os «socialismos centralistas ou colonialistas» apoiados ou instigadas pelo dr. Mário Soares». Em oposição ao primeiro-ministro, o Conselho Regional dos sociais-democratas, ontem reunido, insiste na extinção do cargo de ministro da República, «figura de direito colonial» que vem «afectando a coesão nacional».

As críticas do PSD/Madeira são mais fortes em relação aos «socialismos» -- como vem sendo designado o PS -- acusados de pretenderem «conservar este regime estagnado em fórmulas que cerceiam direitos, liberdades e iniciativas dos cidadãos», bem como de obstar «ao desaparecimento das peias coloniais e ao alargamento dos poderes autonómicos». Omitindo qualquer referência ao CDS, nomeadamente ao ressurgimento da AD preconizado por Jardim, o Conselho Regional conclui «coerentemente pela impossibilidade de aproximação» aos partidos da área socialista, considerado «adversário principal, a combater firme e democraticamente».

Uma reunião prepararatória da Convenção Nacional do PS, realizada anteontem à noite no Porto, e para a qual Narciso Miranda não foi convocado, está a agitar as hostes socialistas. O autarca matosinhense afirmou ontem ao PÚBLICO que, a confirmar-se a reunião (e confirma-se), poderia concluir da existência de «óbvios sinais de marginalização», prejudiciais ao «espírito de abertura, unidade e coesão do partido, reafirmado pelo secretário-geral». «Quem perde não sou eu, mas o partido, a direcção nacional e o secretário-geral do PS», sustenta Narciso, que restringe as críticas a «meia dúzia de fundamentalistas», que se «arrogarão o direito de menosprezar» a sua participação.

Unido e confiante o CDS-PP avança para as europeias, a pensar nas legislativas. Já tem candidato para as duas: Manuel Monteiro, que hoje é reeleito presidente. Ao seu lado na Comissão Política, mais uma novidade, Adriano Moreira. O professor que subiu à tribuna para pedir uma «pequena» alteração na moção-programa. A tónica do discurso de campanha não deve ser o federalismo, mas antes a reforma das instituições e o papel de Portugal como fronteira entre a a Europa e a África.

A chuva de «europreservativos», que amanhã devia ter lugar numa escola secundária da cidade do Porto, já não se vai realizar, tendo sido adiada para a tarde da próxima quarta-feira. Integrada numa campanha de sensibilização lançada por um conjunto de rádios locais e nacionais da Europa comunitária, a iniciativa vai assim ficar suspensa, atrasando o epílogo desta acção europeia, que devia terminar amanhã. Tudo isto porque ambas as escolas inicialmente contactadas pela Nova FM -- a estação portuguesa que aderiu à realização -- acabaram por recuar e recusaram participar, alegando a falta de preparação dos alunos.

Recorde-se que esta campanha de prevenção da sida --anunciada naquela estação pelo «spot» «Se a noite for a dois, tire a camisinha só depois» -- prevê, para além da chuva de «europreservativos», a distribuição de um «passaporte» com conselhos sobre a sida nos diferentes idiomas. A iniciativa teve início no Dia dos Namorados e é financiada pela Comunidade Europeia.

O apetrechamento dos hospitais distritais com equipamentos de medicina nuclear foi ontem defendido num encontro nacional de médicos que se realizou em Coimbra. João Pedroso de Lima, organizador do encontro e director do serviço de medicina nuclear dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) defendeu mesmo que a melhor forma de divulgar a especialidade da medicina nuclear seria introduzir os equipamentos técnicos nas unidades distritais.

"Portugal dispôe de 2,4 câmaras de medicina nuclear por milhão de habitantes, enquanto essa relação é de 4,9 e de 10 câmaras na Espanha e na Grécia, respectivamente", referiu João Pedroso de Lima.

A situação complicou-se, nos últimos dias, para uma das empresas fantasmas que, na Alemanha, fazem subempreitadas para construtoras germânicas recorrendo ao recrutamento ilegal de trabalhadores portugueses. Um grupo de 17 operários da Vianamonte, a trabalharem numa obra da construtora Albert Bau nos arredores de Mülheim, fez uma greve de protesto contra o atraso no pagamento de salários e apresentou queixa ao Sindicato da Construção Civil alemão, em Heidelberg.

Na sequência dos textos publicados na edição de 25 de Janeiro do PÚBLICO («Redes de trabalho escravo»), a Caritas de Kaiserslauten anunciou a intenção de prescindir dos serviços de Acácio Fialho, que há 30 anos colaborava com a instituição. O despedimento está a ser travado porque o visado recorreu entretanto a uma credencial de invalidez parcial -- documento que não só o protege do despedimento como deverá possibilitar-lhe a negociação de uma avultada indemnizaç