title: * Poema da malta das naus lyrics: António Gedeão inbook: "Teatro do Mundo", 1958 in: "Fala do Homem nascido", 72 music: Manuel Freire from: Versos de Segunda, Luís Nunes Lan_cei ao mar um ma_deiro, F C espe_tei-lhe um pau e um len_çol. Bb F Com pal_pite marinheiro_ A Dm medi a _altura do Sol._ Bb A Deu-me o vento de feição, levou-me ao cabo do mundo. pelote de vagabundo, rebotalho de gibão. Dormi _no dorso das _vagas, Bb Dm pasmei _na orla das praias_ Bb Dm ar_reneguei, roguei pra_gas, Eb Dm mordi _peloiros _e zagaias._ Eb A Dm Chamusquei o pêlo hirsuto, tive o corpo em chagas vivas, estalaram-me a gengivas, apodreci de escorbuto. Com a mão esquerda benzi-me, com a direita esganei. Mil vezes no chão, bati-me, outras mil me levantei. Meu riso de dentes podres ecoou nas sete partidas. Fundei cidades e vidas, rompi as arcas e os odres. Tremi no escuro da selva, alambique de suores. Estendi na areia e na relva mulheres de todas as cores. Moldei as chaves do mundo a que outros chamaram seu, mas quem mergulhou no fundo do sonho, esse, fui eu. O meu sabor é diferente. Provo-me e saibo-me a sal. Não se nasce impunemente nas praias de Portugal.